EntreContos

Literatura que desafia.

Esconde-Esconde (Eduardo Selga)

amigo

Quando eu era, eu tinha um amigo invisível. Pessoas aparentes mentiam vê-lo, e sustentavam: trazia a máscara do irmão que eu teria se minha vida tivesse permanecido intacta.

Mas não. Eu me lembro dele, imaginário, autista, algumas vezes escorrendo pelos incômodos da casa grande, atravessando as paredes, gargalhos de louco no mais fundo das noites; noutras vezes, diante de mim, habilíssimas mãos de prestidigitador, esquartejava imagens de um futuro impossível e de uns passados doutras vidas minhas, fazendo do quarto uma fetidez cadavérica.

Foi a babá quem encontrou os quartos do meu corpo no guarda-roupa, onde brincávamos de esconder.

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107 comentários em “Esconde-Esconde (Eduardo Selga)

  1. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Fiquei surpresa com essa narrativa tão bem trabalhada. Dos contos de terror que li aqui, esse com certeza foi o meu favorito. Parabéns!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não gostei tanto, talvez eu não goste desse tipo de conto. Boa sorte!

  3. Felipe Alves
    27 de janeiro de 2017

    Nossa, eu gostei bastante. Achei a sacada muito boa, mas encontrei alguns problemas no texto. Boa sorte!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Eu gostei, parabéns. Boa sorte!

  5. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    Eu gostei muito desse conto.

    Sim, meu comentário para ele já estava pronto e se perdeu. Cacete!

    Cada uma que acontece. Poxa, adorei a imagem!

    Outra coisa foi a linguagem adotada. O autor(a) aqui fez tudo muito bem feito!

    Nada de exageros, tudo na medida e até suspeito dessa autoria. Te conheço?

    Digo mais, um dos melhores de terror até aqui!

    Então agora é colocar na peneira e ver o que vai dar. Vai ser difícil essa listinha! Boa sorte!

  6. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    E scondeu-se bem. Te conheço? Acho que sim!

    S orri ao ler o conto mais uma vez. Não sei se já comentei ele, mas se o fiz farei de novo com outra percepção.

    C olheu bem os frutos aqui. Gostei da linguagem, o conto flui muito bem!

    O lha, me parece uma pessoa que lê muito, principalmente o gênero em si, pois escreveu de uma forma clássica e o fez com maestria.

    N ão tenho muitas ressalvas,pois é um dos melhores de terror que li até aqui. Gostei dos inúmeros recursos.

    Digo ainda que a imagem é muito boa!

    E u vou marcar esse aqui para pensar se vai ou não para minha lista. Agora a coisa ta apertando! Parabéns!

  7. Renato Silva
    27 de janeiro de 2017

    Um conto de terror legal, mas de narração muito confusa. Logo no começo, percebi um possível erro: “Quando eu era, eu tinha um amigo invisível.”

    Quando eu era o quê? Por acaso, seria “Quando eu era criança (…)”? Após a vírgula, aquele “eu” poderia ter sido suprimido, pois já estava subentendido na frase que era o próprio narrador falando.

    Voltando à narrativa. O narrador fala que tinha um amigo imaginário, mas depois fala do irmão como se este fosse seu companheiro de aventuras. Citou o amigo imaginário para depois falar do irmão? Isso ficou estranho pra mim.

    O tema é bem legal, as descrições, o clima terrificante e a própria imagem. Eu apenas sinto por não ter compreendido seu conto em sua totalidade.

    Boa sorte.

  8. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    EITA…
    A imagem casou muito bem com a proposta do micro, fiquei um bom tempo encarando-a porque estava assutada demais com o que tinha acabado de ler (acho que foi essa a intenção).
    Adoro histórias trágicas assim (sou uma pessoa horrível kk).
    Só achei a linguagem incoerente com a faixa etária da criança…
    Boa sorte!

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Lídia,

      A intencionalidade não tem relação imediata com a a qualidade de um texto literário. Assim, se ele tinha ou não a intenção assustar o leitor, isso não significa que o texto seja bom ou ruim. A qualidade precisa ser avaliada a partir de sua organização textual, em sua estrutura. Mesmo porque cada leitor é um universo, o que significa percepções distintas.

      Quando à incoerência na linguagem, é importante dizer que o narrador-personagem narra sua trajetória lembrado-se de sua infância, mas ele não é a representação ficcional de uma criança, e sim a de um espírito cujo corpo morreu na infância, e espíritos não guardam a linguagem insuficiente da infância por muito tempo, segundo o espiritismo, mesmo porque a infância é um processo do organismo humano, não do espiritual.

  9. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Oi, Callado,

    Tudo bem?

    Um conto de arrepiar. Que medo! Gostei muito de seu jogo com as palavras e seus significados. Um conto maduro e pensado.

    Parabéns por seu trabalho.

    E muito boa sorte no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto. Um terror psicológico, que nos pega pela narrativa e as cenas que se criam em nossa cabeça. Assusta. Boa sorte no desafio.

  11. Douglas Moreira Costa
    26 de janeiro de 2017

    Não é um conto que cria empatia, que geralmente é um elemento importante para criar o impacto. Mas o seu final, aquela imagem que se formou na minha cabeça, aquela foto, as possibilidades, e os devaneios dentro do que poderia ter acontecido: isso foi um belo soco na cara. Apesar de eu ter achado um pouco confuso, com algumas palavras estranhas e algumas frases perdidas, eu realmente fui pedo de jeito por aquele final. Previsível, porém ainda sim muito forte.

  12. Poly
    25 de janeiro de 2017

    Gostei bastante dos jogos de palavra, da forma como o conto foi levado até o final, que só poderia ser trágico. FIca a dúvida do que realmente aconteceu, mas acredito que o ponto forte está exatamente em deixar certo mistério.

  13. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    um texto que precisa de, pelo menos, duas leituras. Muito interessante o jogo de palavras e a escolha que fizeste. Consegues passar a atmosfera de medo. Parabéns pelas qualidades que mostras com esta tua escrita

  14. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Um conto de terror… aberto! Só pra causar mais terror. Hahaha A escolha da imagem também está aterrorizante. A gente fica sem saber se a criança era inocente, se foi vítima do amigo imaginário dela ou o quê… Também fala do irmão, será que o amigo era o fantasma do irmão? E por que ele mataria a criança? Digo que tenho dúvida sobre a inocência da criança porque ela narra a história com tamanha calma que parece cúmplice. Ou vai ver ela só confiava no amigo-irmão-imaginário-fantasma e passou a ser um fantasma também, pronta para aterrorizar outras crianças e… acho que já está na hora de parar de viajar kkkk Grande conto, abraços.

  15. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    Esse conto me lembrou uma série que estou assistindo: Channel Zero. Digo isso porque não entendi muita coisa do conto, e a série também te deixa confuso. Mas, tirando a confusão, tanto um como o outro ganham por terem um clima absurdamente macabro. E esse detalhe dá vida ao conto. No geral, gostei, mas queria ter gostado mais.

    • Pedro Luna
      25 de janeiro de 2017

      Sabe, ainda pensando sobre isso, e como fã de horror, sei que a confusão as vezes faz parte de uma boa obra do gênero.

  16. Rsollberg
    25 de janeiro de 2017

    Um conto de terror na medida certa!
    Foge do sangue e vísceras, da violência gratuita com o intento único de chocar.
    O texto aqui tem classe, ousadia, estilo original.

    Gostei deste trecho, da brincadeira com as palavras ” algumas vezes escorrendo pelos incômodos da casa grande”.
    A imagem escolhida foi o filete de sangue sobre a carne morta.
    Parabéns

  17. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Um bom conto de terror para o pouco espaço. Entretanto, alguns momentos ficaram um pouco confusos e isso me atrapalhou um pouco. Mas o narrador estar morto foi uma boa ideia. Boa sorte.

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Tiago,

      Talvez o que tenha lhe confundido é que muitas imagens textuais não afirmam taxativamente, elas sugerem, e isso significa entrar no universo pessoal do leitor pela porta dos fundos, não pela varanda cheia de flores. Se ele permitir, é claro.

  18. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Um conto perturbador, ao menos para mim. A técnica apurada faz com que tenhamos que construir um caminho próprio dentro da narração – tenho certeza de que a experiência, no sentido de entendimento do conto, foi diferente para cada um de nós. Isso é muito bom partindo da proposta dramática/assustadora, pois evidenciamos nossos receios individuais dentro do conto. A palavra está ali, mas o incômodo está em nós, por assim dizer, e a sugestão do medo é mais forte que a imagem em si.
    Parabéns e boa sorte.

  19. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    História de horror e sobrenatural com um toque de mistério. Eu gostei do final, da descoberta do corpo. Mas desde o início já sabemos que o narrador está morto. Só não fica claro se o irmão assassino/imaginário existiu mesmo ou era fruto da maldade dele ou de alguém. Agora, na parte técnica, “escorrendo pelos incômodos da casa grande” me incomodou bastante, assim como “fazendo do quarto uma fetidez cadavérica”. Boa sorte, mesmo assim!

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Daniel,

      Por que as frases citadas lhe incomodaram do ponto de vista da técnica?

  20. Andre Luiz
    24 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,0): Um conto de temática comum, porém contado de um ponto de vista diferente.

    -Construção(7,0): Gostei do clima de terror apresentado, mesmo que eu não tenha curtido muito aquele segundo parágrafo. A narrativa me pareceu um pouco inverossímil, infelizmente.

    -Apego(7,0): Não consegui me conectar com o garoto.

    Boa sorte!

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      André,

      Então você gostaria de um conto de terror verossímil? Mas a inverossimilhança pertence a esse subgênero do fantástico.

      Quanto ao “conectar-se”, isso é bem curioso, e vez por outra há esse tipo de observação. Ora, eu só vou “conectar-me” a um personagem se, de algum modo, nele houver algo de mim. Logo, considerar a “conexão” um item fundamental significa dizer que apenas o meu universo é válido. E os outros? É preciso, ao ler um texto literário, o esforço de colocar-se na posição dos personagens e, de certa maneira, vivê-los, não esperar que eles sejam o leitor.

  21. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO confuso, meio de lado. Ao saltar felicidade extrema, ao imergir só bola nas costas. Sei lá, não entendi quase nada. E olha que eu sou esforçada. Fluido, belo, envolvente e …volátil. Quase uma mágica vazia. Ao terminar fica só uma névoa sem deixar marcas. IMPACTO fugaz.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Terror dos bons. O famoso amigo invisível, aqui descrito de uma forma original e um tanto diferente. Gostei muito de como você, diante do limite pequeno de palavras, usou cada uma delas com sentidos diversos. Há muitas palavras aqui que expressam mais de uma ideia, como se houvesse uma narrativa dentro da narrativa do conto.

    Um conto interessante: quase um estudo deste tipo de conto de horror.

  23. Eduardo Selga
    24 de janeiro de 2017

    Uma narrativa na qual, apesar do efeito de terror, cuja eficácia sempre é muito relativa porque depende do leitor (há pessoas assustadiças; há quem nunca teve medo de escuro, mesmo na infância), apesar do efeito, entendo não ser ele o principal elemento dessa narrativa, e sim sua própria tessitura, o modo pro meio do qual o conto é construído.

    Há algo como “palavra surpreendente”, que seria o uso sintático (significado das palavras) e semântico (organização das palavras na frase) pouco usual, trabalhando no sentido de gerar imagens, mas que também pode causar incompreensão, a depender do leitor. É um texto muito imagético, mas não necessariamente no sentido da imagem dita, e sim da sugerida, a que vai sugestionar o leitor.

    Exemplo disso temos em “quando eu era, eu tinha um amigo invisível”. Era o quê? O esperável é um complemento, mas a ausência dele faz o verbo “ser” funcionar na função de “existir” ou “viver”, que não demandam complemento.

    Outro exemplo é “pessoas aparentes”, em que o adjetivo, do ponto de vista denotativo, pode referir-se àquilo que apenas parece ser, mas não é, ou, ainda, àquilo que é visível (um dado relevante num enredo no qual se sugere a existência de um fantasma). Mas a palavra ganha outro significado, sem negar os outros: quando nos damos conta da ambientação doméstica, ainda que fantasmagórica, “aparentes” pode funcionar como um neologismo criado para negar a relação de parentesco, pois “a” pode ser entendido como prefixo de negação (a exemplo de “amoral” e “assintomático”).

    Gostaria de ressaltar um terceiro caso: “escorrendo pelos incômodos da casa grande”, em que o verbo “escorrer” é usado em substituição ao “correr”, em função da natureza fluida ou imaginária do amigo; em que se substitui “cômodos” por “incômodos”, aludindo ao fato de que a casa é um lugar desagradável; em que “casa grande” (habitação de grandes dimensões) sugere “casa-grande” (sede da fazenda no tempo da escravidão), sugerindo, sem afirmar, que o macroespaço ficcional é o Brasil-colônia. Apenas no fim essa sugestão se esvai, com o uso do vocábulo “babá” (no tempo da escravidão institucionalizada o termo era “ama-seca” ou “mucama”).

  24. Leo Jardim
    24 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): acho que não entendi completamente. Entendi que existia uma entidade maligna perseguindo o garoto, mas não sei de quem era o corpo no fim: se dele mesmo ou do irmão.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): o maior ponto de destaque do texto é a forma como o autor contou a história, num jogo de palavras bem encaixadas como em “pelos incômodos da casa grande” e em outros locais. No princípio achei que faltava uma palavra na primeira frase (“criança”, talvez), mas depois, dada a dança das palavras, considerei intencional e entendi melhor o significado.

    💡 Criatividade (⭐⭐): consigo essa uma forma criativa de abordar um tema não tão novo.

    ✂ Concisão (⭐▫): acho que faltou um pouco de informação para o conto fechar melhor.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): o conto tem, sem dúvidas, um bom clima de mistério, enfumaçado pelas palavras fora de lugar, montando uma imagem nebulosa e assustadora. O impacto teria sido melhor, porém, se tivesse entendido melhor o final.

  25. Evandro Furtado
    24 de janeiro de 2017

    Bateu um pequeno cagaço aqui. Em relação à narrativa, confesso que não sei o que pensar. Algumas passagens soaram muito bem, outras pareceram um pouco estranhas. O conteúdo é pra lá de bom, assustado pacas. A impressão final foi positiva.

    Resultado – Good

  26. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Excelente conto de terror – foi um dos que eu mais gostei até agora. Macabro e com suspense na medida certa.

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Macabro. Não consigo pensar além disso, enquanto olho para os lados, incomodada com a possibilidade de presenças invisíveis. Parabéns

  28. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Os contos de terror mandaram muito bem no desafio.
    Esse aqui, pra mim, foi o melhor. Começando pela escolha da imagem, passando pelas palavras bem utilizadas para dar o clima de estranhamento até chegar nesse final de calafrio.

    Muito bom.

    Abraço!

  29. Fheluany Nogueira
    22 de janeiro de 2017

    Temática, linguagem e título se articulam perfeitamente em um clima de mistério, tensão e medo. O autor parece fazer com o leitor o mesmo jogo que os personagens praticam na narrativa. As palavras empregadas com uma energia polissêmica enriquecem o texto e ocupam todos os cômodos da nossa mente. O desfecho provocou pasmo e comoção. Muito bom trabalho. Parabéns! Abraços.

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Fheluany,

      Gostei de seu comentário nem tanto pelo elogio, ao qual agradeço sinceramente, mas porque você o faz com propriedade (tenho acompanhado suas observações noutros textos), e usa alguma categorias importantes na análise, como polissemia e a relação texto-leitor.

  30. Sra Datti
    22 de janeiro de 2017

    O Narrador-personagem fantasma conta a história de um amigo imaginário, que na verdade, seria outro fantasma; possivelmente, seu irmão em outras vidas, “de uns passados doutras vidas minhas”.. Seriam ecos de um pretérito que se repetiam?
    “habilíssimas mãos de prestidigitador, esquartejava imagens de um futuro impossível ” E mais uma vez, o irmão determina mais um fim.
    Lembrou-me de “Vamos falar sobre Kevin”.
    Na verdade, não faz meu gênero, mas está muito bem escrito, com palavras cuidadosamente escolhidas. Talvez, dê outras leituras.
    Boa sorte.

  31. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    Conto muito, muito ambíguo. Não consigo me decidir qual explicação é a melhor, ou mais sensata… Acho até que foi intenção do autor/autora: cada um que decida o que melhor lhe convém. Não senti medo, não me criou aquela sensação típica de contos de terror, me lembrou um pouco o filme “Os Outros”. Acho que esse microconto rendia um conto maior. Achei a linguagem bem trabalhada no texto, fosse mais um pouco elaborada e seria cansativa.

  32. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Uma alucinação de muitas outras, constante e intermitente, e, como sempre, com fim trágico, mas, também, escrita de uma maneira linear e uniforme. Gostei do modo com que relatou a infância de muitos seres desconhecidos pelos adultos. A babá chegou tarde demais, infelizmente. Boa sorte!

  33. Tom Lima
    20 de janeiro de 2017

    Tem uma beleza enorme na construção das frases e das formas. Mas eu não gosto de terror, ele sempre falha em me assustar (e é essa a emoção esperada, não é?).
    As lacunas não deixaram eu sentir empatia, talvez alguma pena pela negligencia dos adultos, mas é só. Realmente não ficou claro pra mim o que aconteceu (talvez falha minha) e isso atrapalhou bastante.

    “Pessoas aparentes mentiam vê-lo, e sustentavam: trazia a máscara do irmão que eu teria se minha vida tivesse permanecido intacta.” Essa parte foi a que mais me atraiu, e também a que mais me afastou. O amigo imaginário talvez não seja tão imaginário assim, e as descrições que a personagem faz sejam projeções dele mesmo, o imaginário? É a personagem que lembra dele imaginário, atravessando paredes…

    Enfim, tem sua beleza (incômodos da casa foi muito bom!), mas não me pegou.

    Boa sorte.

    Abraços.

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Tom,

      Obrigado pelas palavras.

      Você disse “realmente não ficou claro pra mim o que aconteceu (talvez falha minha) e isso atrapalhou bastante”. Sim, mas até que ponto a clareza é importante, quanto ao enredo? Um conto não precisa ser claro, o que ele não pode é ser confuso, e para a confusão (não falo de ambiguidade) concorrem ao menos dois fatores básicos: técnica autoral e o universo do leitor.

  34. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    De novo. Eu e a minha dificuldade em me “relacionar” com esse tipo de escrita meio obscura (a palavra exata me fugiu)… Uma coisa é um final aberto, que deixa você brincando com diversas possibilidades. Outra coisa é um texto que é preciso ler e reler sem conseguir descobrir do que se está falando… Neste caso, o início é ótimo, o final inesperado, mas absolutamente claro e bem sacado, o problema é o parágrafo do meio, que parece uma pintura abstrata no meio de duas outras figurativas,… Sem dúvida, criou-se um clima, despertou-se a curiosidade do leitor, a escrita é correta, mas fiquei perdida no meio de descrições vagas e imprecisas que não formaram um sentido para mim …

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Estela,

      Não acha isso uma visão muito pragmática da literatura? É necessária a objetividade no texto jornalístico, no artigo, no ensaio. No texto literário não há essa obrigatoriedade, exatamente porque ele é uma manifestação da arte, onde o subjetivo impera.

      Por esse motivo, a sensação de pintura abstrata.

      Com isso não defendo a confusão narrativa, e sim a polissemia, ou seja, a construção textual de modo que permita mais de uma interpretação, todas claras em si, mas que, juntas, causam névoa. Ao leitor cabe, se quiser, dissipar as nuvens pela interpretação e escolher um dos caminhos.

  35. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    Aos críticos dos comentários abertos, está aí um conto que eu deixaria de apreciar não fosse a discussão dos colegas.

    Claro, mesmo depois disso, posso ter entendido tudo errado. Sobre a entidade ser ou não o fruto da danação da criança, é realmente difícil dizer. Pelo o que entendi, ela já sofreu demasiado em vidas passadas, o que leva a uma grande coincidência cair novamente na prematuridade por conta do acaso humano.

    Mas, ao mesmo tempo, o narrador sabe seu destino e se refere à coisa como “amigo”, embora “louco” e “autista”, sendo que, historicamente, a loucura costuma ser associada com o perigo.

    Fico perdido, mas em um perdido interessante. O terro não me causou impacto, mas o esmero com as palavras valeu o conto.

  36. Amanda Gomez
    20 de janeiro de 2017

    Oi, Callado.

    Olha, parabéns pelo conto, está muito bem trabalhado, você conseguiu algo bem difícil que é contar uma história enorme, em poucas palavras e com detalhes impressionantes.

    A tensão e a melancolia estão presentes em cada frase. De imediato o leitor se apega ao personagem e torce mesmo sabendo que não há mais como, que ele fique bem.

    Há margens para muitas interpretações… a primeira frase.. ”Quando eu era” faz o leitor parar na hora e indagar se é um erro, como o autor pode deixar passar um erro tão aparente? aí vc segue a leitura e as coisas vão fazendo sentido e pensa ” caramba!”.

    Gosto de contos assim, inteligentes, que brinca com o leitor, que lança as dicas, mas elas estão do outro lado do penhasco e pra chegar lá, você tem que pular.

    Não se sabe se esse amigo invisível era uma entidade, ou alguém da família que o torturava, e que outros vaziam vista grossa… pode ser o irmão que morreu.. ou ele tenha morrido antes. Eu gostaria que essa questão da morte tivesse sido esclarecida, mas não diminuiu minha admiração pelo conto, por causa disso.

    Parabéns, boa sorte no desafio!

    • Eduardo Selga
      28 de janeiro de 2017

      Amanda,

      Obrigado pelas palavras. Você é hábil na interpretação, o que significa muitas e qualificadas leituras .

  37. Lee Rodrigues
    20 de janeiro de 2017

    Sabe, Callado, eu gosto desse rebusque, de procurar o que não está nas margens, e adentrar no seu texto foi como passear nos incômodos sombrios do seu persona.
    E bem de verdade, não me acanho em dizer, gostei deveras do fechamento.

  38. Felipe Teodoro
    19 de janeiro de 2017

    Muito bom!

    A linguagem adotada para contar a história combina com o clima obscuro e melancólico do texto, assim como combina com o título, toda a construção parece ser a brincadeira de esconde-esconde com o leitor. Acho interessante que mesmo com a revelação do “não ser mais” logo no início, o mistério continua e buscamos linha por linha entender o que realmente acontece. A cena final fecha com chave de ouro e nos ilustra uma cena bizarra. Excelente trabalho, a gente sente pena, tensão e medo. Parabéns!

  39. waldo Gomes
    19 de janeiro de 2017

    Tem o lance de agradar ao leitor e agradar ao crítico.

    Como leitor, não gostei. A situação é meio confusa, vaga demais.

    Como crítico, tbm não apreciei. As construções não se conectam, há imagens que sobram, outras que são interrompidas, o primeiro parágrafo inteiro é fraco, por assim dizer.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .