EntreContos

Literatura que desafia.

Medo de escuro (Luis Guilherme)

microconto-2017-capa

Apocalipse zumbi é foda.

Afora o cheiro pútrido e o som de carne sendo rasgada e mastigada, Pierre estava imerso em total escuridão. Respirando silenciosamente, lutava para segurar o vômito.

O cheiro de morte e sangue – respingando em seu rosto –, reviravam seu estômago, mas ele resistia. Vomitar seria sentença de morte. Seria devorado vivo, como o garoto que gritara até a morte ao lado: seu irmão mais novo. Juntos, haviam sobrevivido bravamente aos últimos meses.

Com passos cuidadosos, tateava erraticamente. Pisou algo mole.

“Crack!” – explodiu o olho do irmão, que rolava tolamente.

Cego em apocalipse zumbi é foda.

Anúncios

88 comentários em “Medo de escuro (Luis Guilherme)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Boa pegada, deu uma inovada nessa temática ”zumbi”, hehe. Gostei do desfecho, do ”crack”, rs. Boa sorte!

  2. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante da imagem da cena que você criou na cabeça do leitor.
    Achei bem original e bem escrito.
    O humor foi na medida certa, dado o contexto das ações.
    Boa sorte!

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    O toque de humor salvou ainda mais a história. Para mim foi o ponto alto. Foi muito bem escrito, com uma ideia bem fantasiosa, e muito bem estruturado. Seria ainda mais engraçado saber um pouco mais desta história, teria uma trágica continuação com certeza, mas bem humorada. Parabéns!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Bom conto, adoro essas ironias. Boa sorte!

  5. Renato Silva
    27 de janeiro de 2017

    Eu gostei bastante. Bem escrito, com toques de humor negro. Consegui sentir o terror daquele menino e não querer estar na pele dele. Ser uma criança cega, estar completamente só e numa situação daquele é realmente muito triste e desesperador; mas você conseguiu narrar de um jeito que amenizou essa tensão, acredito eu por causa dos toques de humor.

    Boa sorte.

  6. Poly
    26 de janeiro de 2017

    Uma abordagem mais cômica do que poderia ser um drama. Gostei desta abordagem mais leve. Algumas construções no texto me deixaram um pouco confusa, talvez na edição para obedecer ao limite de palavras algo tenha se perdido.

  7. chrisdatti
    26 de janeiro de 2017

    Bem bolada e nojenta descrição de um mundo que não difere tanto de nossa realidade… Sugestão: deixa a primeira frase para o fim. Muito bom!
    Boa sorte.

  8. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Azarado,

    Tudo bem?

    A utilização do humor negro é muito bem explorada em seu microconto.

    A sensação do olho explodindo causa repulsa e a coerência de linguagem, valida o gênero.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  9. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    kkkkkkkkk. Bom conto. Bem trash, tragicômico, meio Zé do Caixão. A frase final foi bem engraçada. Boa sorte.

  10. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Hahaha! Muita ironia, hein? Muito original e criativo, só não precisava entregar tudo logo de cara, com a frase “Apocalipse zumbi é foda.” Deixava isso pro final, q seria perfeito! Parabéns!

  11. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    parece uma tentativa de procura de humor, mas que para mim não resultou, desculpa-me mas não gostei do teu texto, nem da temática nem da estrutura. Paciência, culpa minha, fica para a próxima.

  12. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    O texto traz uma boa imersão na cena narrada. Foi como estar lá, só que eu não queria estar lá hehehe no início, somos levados a crer que o local estava escuro, então nos é revelado que o menino é cego. Excelente sacada, boas descrições e um toque de humor.

  13. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Uma cena bastante estranha, com um final engraçado. Um jargão pra finalizar funcionou bem. Mesmo assim não me agradou, parece que ficou meio perdido no ar o conto, a cena é revestida de névoa e parece ter sido feira correndo para se chegar logo à frase final.

  14. rsollberg
    25 de janeiro de 2017

    Não é uma história em sua plenitude. É uma cena, muito boa por sinal, com uma ótima sacada que prepara para o arremate final. Não há como não se lembrar do Saramago.

    A primeira e a derradeira frase dão justamente o tom irreverente do conto, que na minha opinião foi bastante acertada. Penso que humor combina sobremaneira com o terror em geral, especialmente com Zumbis.

    É um conto honesto que entrega exatamente o que foi prometido na sentença inicial; entretenimento!!
    Parabéns!!!!

  15. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Olá azarado. Um conto trash com um Q de comédia. a preocupação do personagem em se manter vivo foi bem repassada aos leitores. Curti bastante, parabéns,

  16. Leo Jardim
    25 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐▫▫): o texto é bem sinestésico e nojento e dei azar de ler ele enquanto almoçava. Mas tem pouca história…

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, sem problemas que travasse a leitura.

    💡 Criatividade (▫▫): acho que bebeu de várias histórias de zumbis, sem trazer nada novo.

    ✂ Concisão (⭐▫): é apenas uma cena, sem um antes ou depois.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): passa bem terror e asco do ambiente, mas se encerra sem dizer mais nada e numa brincadeira que acaba quebrando o clima.

  17. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Devo dizer que aquele olho explodindo ao final me causou certa confusão na primeira leitura. Tive a impressão de que o “cego” em questão era o irmão morto do protagonista, justamente porque havia perdido o olho. Na segunda leitura, pelo “tatear errático”, pude perceber que era ele próprio quem não podia enxergar (fico pensando nas chances que ele tem de sobreviver sem o irmão). O texto provoca essa náusea estranha, mas não se apega tanto ao sentimento, uma vez que opta pela linguagem mais despreocupada – é uma pena, pois poderia ganhar muito aqui.
    Parabéns e boa sorte.

  18. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Mistura de humor e escatologia, esse conto leva a mitologia dos zumbis adiante, ainda que de forma bastante comum e utilizada ad nauseam em filmes e minisséries. Uma cena de ação, mais do que história completa, foi a impressão que ficou. Desculpe, talvez eu não tenha entendido. Um abraço.

  19. Neusa Maria Fontolan
    24 de janeiro de 2017

    Pelo que entendi ele e o irmão tinham fugido e se esconderam até aquele momento, quando o irmão foi devorado e ele iria logo atrás, já que ele fez barulho quando pisou no olho do irmão. Bom conto. Gostei.

  20. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHOU na pia cheia de vômito e nadou cachorrinho de boca aberta. Ficou um conto nojentinho e engraçado. Vou considerar uma singela homenagem à cena de “The Walking Dead ” em que o medroso menino Sam é devorado de olhos fechados. IMPACTO cego: Gostei da ilustração.

  21. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Eeeita. Um pouco gore, um pouco comédia, um pouco terror. Parabéns por juntar tudo isso em um conto só.

    Gostei da situação inusitada, apesar de ter ficado triste pelo personagem principal que, a meu ver, não vai durar mais cinco minutos após o final do conto. Você me enganou muito bem! Só fui ver que ele era cego mesmo na última linha do conto, como você decerto queria que fosse.

  22. Evandro Furtado
    24 de janeiro de 2017

    Comédia zumbi, como não gostar? Tem alguns probleminhas com a redação, vale a pena revisar, mas no todo não prejudica tanto. Agora, que a ideia foi original e inesperada, isso foi. Cego em apocalipse zumbi. Isso dá material pra muita coisa.

    Resultado – Good

  23. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Curti o tom descontraído e irônico do conto. O protagonista tem um certo desapego que, na verdade, seria bem provável em um apocalipse zumbi mais avançado. Parabéns

  24. Simoni Dário
    23 de janeiro de 2017

    Bem escrito, não é o tema que aprecio mas o texto é limpo e transmite o que o autor pretendeu, com clareza. Passagens bem transmitidas e cenário também, em poucas palavras assisti a um filme e a frase irônica do final encerrou bem o apocalipse.

  25. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Divertido, pop, instigante. Tá na lista! Parabéns

  26. Anorkinda Neide
    23 de janeiro de 2017

    Achei engraçado incrivelmente leve mesmo com a imensa tragédia q se abateu sobre o protagonista.
    O lance do escuro, coloca o leitor em um lugar escuro ara depois desconstruir isto e vemos q está escuro apenas para o rapaz que é cego..ohh God!
    Gostei.
    O texto está corretinho tb, apenas apenas a parte do ‘respingando em seu rosto’ acho q nao deveria estar entre travessoes (?) atrapalha o entendimento da frase.
    Parabens pelo teu trabalho, abraço

  27. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    O que mais gostei no conto foi a linguagem descontraída empregada. ler um conto mais despretensioso assim é como respirar um pouco de ar fresco no meio de tantos contos com temática pesada e linguagem poética.

    A cena narrada é simples e engraçada. E não deixa de ter a famosa surpresa dos microcontos no final.

    Gostei.

    Abraço!

  28. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(10,0): Eu gosto muito, muito mesmo de zumbis. Porém não costuma-se ver muito este tema da forma como você trouxe, principalmente pela presença de um cego no meio desta catástrofe.

    -Construção(9,8): Percebi apenas um errinho de português que tirou o seu 10, infelizmente. Achei tudo muito bem feito, essa imagem que é irônica e que completa o conto, o título, o pseudônimo, os sons e sentidos retratados. Você conseguiu fazer com maestria o que muitos tentam fazer.

    -Apego(10,0): Seu protagonista foi bem feito, e o clima criado foi muito convincente. O olho caído me incomodou um pouco pois ficou parecendo que o protagonista viu que era um olho. Talvez isso coubesse mais ao narrador.

    Parabéns pelo conto!

  29. Fil Felix
    22 de janeiro de 2017

    Trazendo um pouco de terror trash num conto com uma boa estrutura, a repetição no início e fim deixa ele fechadinho, não fica parecendo um fragmento perdido de algo maior. Os detalhes com as sensações é a melhor parte, com o olho sendo esmagado ou o cheiro do covil, muito legal.

  30. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    Interessante e corajoso. Zumbi, apocalipse zumbi, tudo que se refira a zumbi por aqui é visto como clichê, mais do mesmo etc. etc. Por isso talvez tenha seguido mais para o lado do humor, o que achei uma decisão bem acertada. Acho que para um microconto foi uma ideia bem desenvolvida, com a revelação ao final. Não queria estar na pele dele, se uma coisa dessas acontecer, quero ao menos estar enxergando bem… Um terrir leve, apesar de eu imaginar a carne sendo mastigada.

  31. Sidney Muniz
    21 de janeiro de 2017

    Mais um micro de terror, um trash dessa vez que atende bem a propósito do autor(a)

    Eu sinceramente achei desnecessário a repetição de “apocalipse zumbi é foda” que acontece no início e ao final do conto..

    D izer que o conto é ruim seria um exagero, mas dizer que é bom ao fim de estar entre os melhores que li até aqui é mais exagero ainda. Para mim um bom conto que está abaixo do que esperava.

    O título para mim não funcionou e a imagem muito menos, afinal não achei que se trata de ter medo do escuro, ainda assim desejo sorte a você e o parabenizo pela escrita!

  32. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    É o terrir? Porque, apesar do terror, zumbi, apocalipse, é mesmo de rir na frase final. Gostei pela forma, estilo e até um pouco do cheiro azedo do vômito. Soube levar, com poucas palavras no acordo de micro conto, todo um desespero de irmãos, mesmo na tentativa de se protegerem, uma hora a cegueira alcança o erro. Gostei.

  33. Fheluany Nogueira
    21 de janeiro de 2017

    De toda dramaticidade inicial, restou a ironia e a diversão – o “crack” foi o divisor. Acredito que acertou o tom para um apocalipse zumbi ; o estilo casou bem com a temática. Parabéns pela participação. Abraços.

  34. Tom Lima
    20 de janeiro de 2017

    Ah eu ri! Será que vou pro inferno? Provavelmente, mas não por isso…

    Confissões à parte, foi bom de ler. Lacunas bem interessantes pra completar, mas que talvez tenham sido falhas. Não tenho como discernir, então penso que são propositais.

    O conto chama medo DE escuro, o que seria estranho para um cego de nascença, logo, ele deve ter ficado cego recentemente, fato corroborado pelo outro fato dele ter sobrevivido por meses antes, o que seria um tanto difícil sem as vistas. Também, ele não cometeria um erro desses, esmagar o olho do irmão, se fosse cego a vida toda, acredito eu…

    O “rolava tolamente” me incomodou. Como uma coisa rola tolamente?

    Bom conto, parabéns!

    Abraços.

  35. Pedro Luna
    20 de janeiro de 2017

    Achei bem engraçado, e o crack da explosão do olho funciona perfeitamente dentro do conto. Eu ouvi o barulho daqui. kkk.. Só o parágrafo maior que achei meio atropelado, mas enfim.

    Gostei da preferência por finalizar o conto com uma pegada engraçada e irônica, pois possivelmente, se fosse seguir no drama, não traria nada de novo em um gênero tão desgastado quanto zumbis.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .