EntreContos

Literatura que desafia.

A beleza romântica de um cogumelo da explosão de uma arma nuclear, ou simplesmente, adeus para todos (Vitor Leite)

No meio do oceano Atlântico, numa ilha com um nome qualquer, um casal passa a tarde na praia deserta. Depois de muito sol, de idas à água, de namoro e sexo, deitam-se a olhar o céu. Comentam os traços brancos deixados por estranhos objectos, fecham os olhos e o tempo pára, o sol não.

De regresso a casa, ouvem notícias que o Donald e o Vladimir, zangados, enviaram fortes dispositivos atómicos…

– Carregaram no botão vermelho?!

Com os pés na piscina, na sexta cerveja riam com aquelas imagens da morte que corriam na tela, como se vissem um filme.

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87 comentários em “A beleza romântica de um cogumelo da explosão de uma arma nuclear, ou simplesmente, adeus para todos (Vitor Leite)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Bom!
    Atual, e chega a despertar um certo temor, sabe? Isso é bem possível nos dias de hoje de nossa sociedade, esse mundo louco.
    Boa sorte!

  2. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Não duvido que uma coisa dessas aconteça, viu? Só tem cara doido no poder…
    Mas acho que na Guerra do Vietña, as imagens televisivas já causavam empatia nos espectadores… não acho que isso seria perdido…
    Boa sorte!

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    A ideia é boa, mas acho que ele podia ser trabalhado melhor. A ideia de apreciar uma catástrofe em um momento romântico fez todo o sentido com o título. Consegui apreciar bastantes as poucas palavras escritas, mesmo desejando um pouco mais de desenvolvimento. Boa sorte!

  4. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Gostei do título, me chamou muito a atenção, e o conto também ficou bom. Parabéns e boa sorte no desafio!

  5. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    A perspectiva do início de uma Guerra Mundial aos olhos de um casal alheio ao próprio mundo. A cena deles olhando a catástrofe na tela (tv?) pode ser interpretada como muitos de nós vivemos, ou seja, ignorando as dores do mundo. Tem uma boa premissa o texto, achei original, mas não me comoveu.

  6. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Primeiramente, o título: foi o que mais me chamou a atenção após uma rápida olhadela pelos contos. Sim, bem ousado.
    A bonança antes da tempestade. Se um dia a terra parasse, seria um bom fim para aguardar esse final derradeiro. Na verdade, apertando bem os olhos, é esse nosso momento. Alienados: pão e circo e a vida fluindo para o nada. EUA e Rússia novamente – fora os outro loucos bélicos – deixando nossas vidas na ponta de um indicador.
    Só me deixa em aberto se ambos seriam mortos, ou se a ilha, por algum motivo, seria poupada…
    Boa narrativa. Leva-nos à reflexão com certo pesar: é uma realidade, a nossa.
    Assustador.
    Parabéns!

  7. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    Achei razoável, penso que sei essa autoria. Um bom enredo, mas que precisa em minha opinião de um pouco mais de espaço para ser trabalhado, bem como precisão. No mais algumas palavras com a forma escrita um pouco antiquada mas que não é um erro. Parabéns!

  8. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    A alienação dos personagens é o ponto alto do conto, ainda que o modo como isso foi explorado me pareceu explícito demais, uma ironia que mais parecia um outdoor brilhante. Prefiro ironia mais discreta, que você precisa suar pra pegar, mas isso é minha preferência. Vladimir e Donald apontados como causadores do fim, será que vão ser mesmo? rs. Quem sabe lembremos desse conto no futuro. Espero que não.

    No geral, bom.

  9. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Uma história estranha com fundo politico. Ganha pontos pela ironia e entendo eu que o autor deixou para o leitor algumas lacunas a serem preenchidas, como o casal que desperta curiosidade, queremos saber quem são. Bem escrito e com um toque de humor negro.

    Bom desafio!

  10. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Q ilha é essa q não sofreu nenhuma rebarba das bombas??? Quero comprar um terreno lá… rsrs Gostei do seu conto. Original e bem atual! Espero q não seja um presságio. Mas se eu estivesse nesse lugar utópico e paradisíaco, também tomaria umas cervejas na beira da piscina, rindo e contando umas piadas sobre a guerra fria… Só não entendi o final, quando vc diz “aquelas imagens da morte que corriam na tela, como se vissem um filme”. Percebi uma alusão ao 11/09, quando o mundo viu boquiaberto o ataque às torres gêmeas q mais parecia cena de Hollywood. Mas aqui, fiquei pensando: Q tela é essa? Tela de TV? De computador? A transmissão de TV e a internet sobreviveram ao ataque nuclear? Enfim. Acho q essa frase aí podia ser revista. Fora isso, muito bom trabalho, parabéns!

  11. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto. Uma boa forma de esperar a morte, não? Tomando uma breja na beira da piscina, com a pessoa amada do lado. Isso me fez lembrar quando eu era moleque em Brasília e se discutia muito sobre quando se apertaria o botão. Lembro que eu e meus amigos dizíamos que se realmente acontecesse, nós deveríamos reunir nossas famílias no parquinho da quadra e esperarmos todos juntos pelo fim. Boa sorte no desafio.

  12. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Esse título só perde para o do livro da Marisha Pessl “Tópicos especiais em física das calamidades”. Mas como adoro o cheiro de Napalm pela manhã, curti o texto.
    A crítica é certeira e o cenário não mais irreal.
    Certamente haverá gente que não mais é impacto com esse tipo de coisa, não mais que um blockbuster da vida.
    Parabéns e boa sorte.

  13. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Silencioso,

    Seu título é quase um microconto à parte, não? Gostei.

    Sobre o conto em si, o mote é muito interessante e me lembrou um livro do Marcelo Rubens Paiva, o “Blackout”. Em sua história, o mundo termina e o casal vive sua vida paralela, sem se dar conta disso. Na dele, eram amigos, mas a ideia é bem similar. A premissa rende um romance, com certeza.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  14. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Parece um bom começo para um conto distópico. Essa ilha bem que poderia ser o futuro maralto kkkk. Eu gostei bastante, tem um contexto bastante atual e uma crítica à direção que a política internacional tomará com o jogo entre os atores acima citados. É um tema que eu gosto muito, e inclusive é meu objeto de estudo (ta ai um motivo bom para eu ter gostado bastante do texto). O casal seria a elite privilegiada? Acho que sim, faz bastante sentido.
    Parabéns pelo texto e pelo tema escolhido.

  15. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    O texto tem forte opinião sobre uma possível/provável 3° Guerra Mundial, em que os ricos talvez não sofram nada, como muitas vezes ocorre. Para eles, não passaria de notícias ou de um filme. Gostei das descrições e do final, que realmente nos atinge de cheio. Parabéns.

  16. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Entendi em seu conto uma forte crítica. A guerra mundial, que irá devastar o mundo, mas que poupará os mais ricos e ocupantes de posições socais mais privilegiadas. Chego até a cogitar que esse casal já sabia do que iria acontecer, ao contrário da maioria das pessoas (óbvio!). Curtiram umas férias e sua ilha paradisíaca e bem longe de onde a guerra ocorreria. Votaram para casa, em lugar também bem distante. Era uma guerra dos outros e não sua, por isso não haveria com o que se preocupar. A insensibilidade, a indiferença diante do sofrimento alheio. Aquela distância passa a ideia de que não é real, é só mais um filme na TV.

    Isso até me lembrou uma coisa. Com grande frequência, é mostrado nos grandes meios de comunicação massacres com grande número de pessoas (chegando a centenas) em países que vivem situações de guerra civil. São massacres em escolas, bombardeios em campos de refugiados, estupros coletivos, todo tipo de barbárie e que envolve um número absurdo de vítimas. sinto uma certa indiferença da população. Quando um maluca entra num café em Paris e mata meia dúzia de pessoas, a comoção parece muito maior. É bandeirinha com as cores da França no Facebook e textões emocionados de gente que não tinha nenhuma ligação com as vítimas; mas parece que os 150 estudantes mortos no Paquistão nunca existiram. Esse microconto me fez relembrar e refletir sobre isso.

    nada contra um título grande, mas ele poderia ter sido usado de modo a complementar mais o texto ou, como já foi dito aqui, ser o próprio microconto, deixando apenas uma frase para causar aquele (bom) impacto.

    Boa sorte.

  17. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Recordista absoluto na categoria título extenso, este conto lusitano com certeza utiliza as referências da atualidade para criar um contexto para seu personagens. Mas fica a dúvida: quem seriam eles, para tanta despreocupação? Por que no Atlântico, e não no Pacífico? E por que eles não foram atingidos pela hecatombe? A conferir.

  18. Victória
    24 de janeiro de 2017

    Poxa, achei muito bacana o título e também consegui apreciar o conto. Gostei da ideia de uma guerra nuclear e da ideia dos personagens em como aproveitar a beleza romântica de um cogumelo da explosão de uma arma nuclear, hehe. Casal inteligente. Parabéns pelo conto

  19. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá. Percebo como ponto alto do conto a quebra de humores que acontece da metade para baixo. De um episódio plenamente descritivo, com as aventuras do casal na ilha paradisíaca, passamos à sugestão incisiva do ataque nuclear. Esperaria-se como reação dos protagonistas algum tipo de revolta ou aversão ao ataque, mas o que ocorre é justamente o contrário: um deleite, que reforça o clichê do “rico insensível”, mas, ainda assim, provoca algum incômodo no leitor.
    Parabéns e boa sorte.

  20. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Sabe o que fica super legal quando se coloca um titulo gigantesco num microconto? O próprio microconto ter apenas 01 frase de impacto.

  21. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Ficou tudo aberto demais, solto demais. Legal o link com o nosso tempo, mas não deu liga.

  22. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Outro conto que o título entrega mais do que devia. Acho um pouco chato você ler já sabendo de algo que vai ter ali (nesse caso, a bomba). Acaba tirando uma possível surpresa no leitor. A narrativa, apesar do português, é tranquila e consegue criar boas imagens. A grande questão que o conto traz é sobre a indiferença da guerra, da morte, do sofrimento alheio. Uma crítica sempre atual, disfarçada pelo tom mais humorístico.

  23. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de janeiro de 2017

    Silencioso,

    a trama da tua obra é boa, mas (exclusivamente se tratando de minha opinião) acho que faltou mais apuro nas construções. A maneira como a narrativa foi discorrida ficou, como posso dizer, caricata… Não sei, mas me lembrou o início de uma história infantil.
    Enfim, é um trabalho de peso.
    Mas, infelizmente, não me agradou em tudo.
    No mais, lhe deixo os parabéns.

  24. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO antes do apito da largada gera desclassificação para meus padrões de nadadora. Um titulo + pseudônimo gigantesco (19 palavras) prejudicou mais do que ajudou na trama. Salvo pelo interessante IMPACTO de que a guerra não atinge os ricos e poderosos.

  25. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Uma ideia interessante, mas não gostei da forma. Talvez muita coisa para um micro.

    Eles riem, mas de quê? Estão a salvo? Ou riem da morte inevitável? Essa segunda é uma ideia que gosto, mas não é a que o conto me passa. Ficou parecendo mais um distanciamento deles do sofrimento alheio.

    Boa sorte.
    Abraços.

  26. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Uma ideia muito interessante e a cena final, com o casal rindo da desgraça possui um sentindo muito forte. Acho que o fechamento é a melhor parte do texto. Já o início, a narrativa não desperta muito interesse, parece que falta algo. Ainda assim, devo dizer que gostei bastante do título. Parabéns pelo trabalho.

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    A maior distopia é a nossa realidade. Muito bom, apesar de incomodar… Enquanto digito alegremente, quantos não estão morrendo alvejados por drones e afins? É tudo um filme…

  28. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    É uma história bem diferente, bem fora do lugar comum, sobretudo aqui do desafio. Ganha pontos por essa criatividade.

    A frase final não tem o impacto de uma boa reviravolta, mas traz algo talvez até mais interessante – o silêncio contemplativo de um anticlimax bem pensado.

    Gostei.

    Abraço!

  29. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    O final dos tempos, o mundo se acabando, a morte chegando. Cansei de ler sobre a morte, como se nada mais houvesse a explorar, mesmo tentando colocar algo idílico, romântico, sensual e ainda, fazer humor na tragédia. Não sou favorável ao título que faz mais do que o texto, explicando tudo e, portanto, não deixando espaço para uma até possível e esperada surpresa. Boa sorte!

  30. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    A gente vai lendo, curioso, o título é insólito e ajuda a criar um clima, mas… no fim, senti aquela sensação de que prometeu mais do que cumpriu. Tem criatividade, sacadas interessantes como a alusão aos políticos citados, mas tem também alguns errinhos de pontuação e pelo menos um de ortografia…

  31. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Achei mais bacana o título que o conto, gajo silencioso. Talvez seja alienação demais pra minha cabeça, fez-me antipatizar com esse casalzinho. Serve como crítica, claro, certeza há gente assim a rodo no mundo, mas não me empolgou. Ou: me empolguei com o título, mas o texto não era isso tudo que eu esperava.

  32. Leo Jardim
    21 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): é bem insólita essa situação de serem os únicos sobreviventes e sorrirem da desgraça do fim do mundo. Um tanto bizarro também.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, parece ser de escritor da terrinha. O título é quase uma trapaça com limite de palavras.

    💡 Criatividade (⭐⭐): achei criativo.

    ✂ Concisão (⭐⭐): texto bem fechado.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): acabei rindo da situação insólita.

  33. Andre Luiz
    20 de janeiro de 2017

    Um conto impactante de uma perspectiva diferente, que faz com que o leitor volte para entender as entrelinhas.

    -Originalidade(8,0): Poderia ser nota 9, porém eu tirei 1 ponto pelo título. Para mim, a ideia foi válida, mas não gostei, visto que revelou tudo quando o conto em si não acrescentou muito.

    -Construção(6,0): Como disse, o título poderia ser introduzido no próprio corpo do texto. Da forma como foi feito, para mim, estragou a beleza da crítica que você quis passar.

    -Apego(7,0): Gostei da menção a Trump e Putin.

    Boa sorte!

  34. Marco Aurélio Saraiva
    20 de janeiro de 2017

    Acho verídico. Talvez não as risadas, mas esse distanciamento que o conto narra. Pessoas rindo da tragédia suprema, apenas por que estão longe dela. Acontece no nosso dia a dia: falamos sobre os problemas do mundo, fazemos piadas sobre a situação alheia, apenas por quê a conhecemos apenas pela TV.

    O casal do conto é um casal esperto; fugiu a tempo. O conto ressuscita o antigo medo da guerra nuclear, rei da guerra fria. Acho improvável nos dias de hoje, mas vá lá, o texto serve como uma espécie de critica a ambos os presidentes polêmicos citados.

    Uma boa leitura.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .