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Literatura que desafia.

Dançarina noturna (Vitor de Lerbo)

dancarina-noturna

Ela dançava para esquecer. E enquanto dançava, recordava. Lembrava os traumas de duas décadas atrás, mais nauseantes que o porre daquela tarde.

Ela dançava por esperança. E enquanto dançava, desistia. Abria mão de seus próprios valores em troca de trocados.

Ela dançava para sobreviver. E enquanto dançava, morria. Assassinava suas próprias esperanças com pistolas em formato de cifrões.

Ela dançava para existir. E enquanto dançava, desaparecia.

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88 comentários em “Dançarina noturna (Vitor de Lerbo)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Bom texto, poético, sensível. A personagem revela sua angústia, da renúncia de um amor (pela dança) a troco da necessidade, da sobrevivência, à base da dança.
    Boa sorte!

  2. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Amo a dança. Mal consigo imaginar como deve ser a vida de uma pessoa que trabalha com o que ama, mas odeia a forma em que trabalha…
    A objetificação do corpo feminino tende a ser repulsiva…
    Tive empatia pela personagem
    Boa sorte

  3. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Reenviando pq deu problema:

    Mensagem já explorada batidamente, mas um texto bonito. O autor, autora escolheu o símbolo da dança e mandou ver, criando conexões com a vida da personagem. Deixa muito para o leitor interpretar, como qual seria o passado dela, os traumas que a deixaram assim… mas no caso desse conto isso não foi prejudicial. Foi divertido imaginar um passado para essa personagem.

  4. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    O jogo de palavra é incrível, foi muito bem trabalhado, trazendo ao leitor toda a história e a dor da personagem. A própria narração lembra uma música, que nos lembra dança! Um ótimo conto, impecável na forma, dramático no conteúdo.

  5. Felipe Alves
    27 de janeiro de 2017

    Olha, eu achei muito bom viu. Sério, gostei. É um assunto muito interessante e uma forma bem interessante de se ver ele. Boa Sorte

  6. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Esse conto ao meu ver fala do vazio existencial, ela supre esse vazio dançando. Muito comum nos dias de hoje, seja dançando ou com qualquer outra atividade. Boa sorte!

  7. Luiz Eduardo
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom, apesar de ser um tema difícil de tratar. Nunca é fácil se colocar no lugar do outro. Parabéns.

  8. Jowilton Amaral da Costa
    27 de janeiro de 2017

    Achei o conto médio, até porque é um poema. O texto é bem escrito, mas, não me causou o impacto necessário para acha´-lo bom. Isso aconteceu muito pela forma poética, que não me agradou muito. Boa sorte.

  9. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    D esse eu gostei, a escrita funciona como um poema, mas gostei.

    A té as repetições fizeram bem ao texto, até parece um trecho de música.

    N o que se refere a enredo é que ficou morninho, faltando um algo mais.

    C omo microconto já achei que ficou um pouco fora.

    A s pistolas em formatos de cifrões ficou lindo!

    R esta apenas a essência, a mulher que dava lugar a dançarina que dava lugar a prostituta. Uma sempre sedendo lugar a outra, a outra sempre morrendo ali.

    I sso foi o que mais gostei no conto!

    N ão sei quais seriam esses traumas, mas me pareceu abuso sexual, Será?

    A gora é pensar mais sobre o texto, pois ao final do comentário fiquei bastante dividido. Num geral curti bastante!

  10. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Noir,

    Tudo bem?

    Você escreveu quase um poema, não foi? Gostei muito da dicotomia criada ao relatar com tanta delicadeza, um universo tão bruto.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio

    Beijos

    Paula Giannini

  11. Gustavo Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Mais um texto poético, não me chamou muito a atenção, mas foi muito bem escrito! boa sorte!

  12. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Interessante a forma que você escolheu para narrar. As repetições aqui parecem bem dentro de contexto. Uma mulher que carrega traumas da juventude e caída na prostituição. Infelizmente, muitas mulheres acabam entrando para este mundo tem um histórico de abandono e abusos.

    Bom trabalho e boa sorte.

  13. Douglas Moreira Costa
    26 de janeiro de 2017

    O conto transmite algumas imagens que podem ser abertas em muitas coisas, cria a ideia de um passado conturbado, de um dia caótico na vida da personagem. E cria a imagem de, no presente, uma mulher infeliz dançando no palco, com o rosto inexpressivo, enquanto apenas executa seu trabalho tetando se livrar dos fantasmas que a assolam. Muito bem conduzido, e com uma frase final muito bonita.

  14. Tiago Menezes
    26 de janeiro de 2017

    O conto é bastante original. Gostei da forma como decorreu a situação. Ela dançava por um motivo e o que ocorria era outra coisa. Consegui sentir o que ela devia estar sentindo, e como ela deixava de ser quem era, aos poucos… Muito bom, parabéns.

  15. Poly
    25 de janeiro de 2017

    Gostei muito da poesia do texto, narrando o que deve passar pela cabeça desta dançarina.
    O conto só não traz o desfecho que normalmente se espera de um conto curto.

  16. Andre Luiz
    25 de janeiro de 2017

    -Originalidade(10,0): Um conto que instiga por ser diferente. Primeiramente, não tem aquela pegada de “história narrada” que os outros contos têm. Ao que me parece não é uma narração de um fato na vida da dançarina, mas da própria vida que ela está sofrendo num período de tempo.

    -Construção(9,5): Sensacional a forma como foram introduzidas as antíteses no conto.

    -Apego(8,0): Senti falta de um algo mais que me fizesse conectar com a dançarina, mas no todo gostei.

    Boa sorte!

  17. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    gostei deste texto, apesar da constante repetição de palavras tornar a leitura um pouco arrastada, mas percebo a intenção. Mas a história e a temática são muito fortes e mantêm a nossa atenção até ao final. Parabéns

  18. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Gostei do modo como usou as antíteses para construir essa personagem tão contraditória: uma stripper que faz o seu melhor, mesmo que o melhor de si já não signifique nada. Não há reviravoltas ou reflexões implícitas, é apenas uma vida de decepções narrada de forma muito bela. A narrativa poética é imersiva, ainda que algumas construções não estejam à altura do todo (pistolas de cifrões, por exemplo).
    Parabéns e boa sorte.

  19. Leo Jardim
    25 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): num ritmo (de dança?), o texto conta a história triste e amargura dessa dançarina noturna que dança e se destrói a cada dia. Bonita.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): achei poético, ritmado, bem construído com boas analogias e contradições (esquecer x recordar, esperança x desilusão, sobrevivendo x morte e existência x inexistência). Muito boa.

    💡 Criatividade (⭐▫): não chega a ser um mote novo.

    ✂ Concisão (⭐⭐): o texto conta bastante com poucas palavras e figuras de linguagem.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): não chegou a ser um grande impacto, nem me fez pensar, talvez tema batido, mesmo sendo um bom microconto.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Vou confessar: não sou dançarino, realmente não gosto de dançar, mas admiro quem tem essa paixão. E aqui parece que o autor é um apaixonado pela dança, que imaginou uma vida (duas décadas) em que a maior paixão se torna justamente a maior maldição. Acho que resultou um bom perfil de personagem, mas não uma história completa. Abraço!

  21. rsollberg
    24 de janeiro de 2017

    Eu achei bacana, original.
    Consegui enxergar até algo meio musical, ritmado.
    Mas o conto não se trata só disso, há algo além dessa estrutura.
    Existe a história, aparentemente, de um stripper, que dança para viver, ou melhor, para sobreviver apesar de morta por dentro.
    Então, o que parece de inicio ser um texto para o alto, é na realidade bem triste.
    Parabéns

  22. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO bem simples. Molhou a cabeça com as mãos em concha e voltou para a segurança da areia. Poderia ter ousado com o tema, mas preferiu a linguagem direta sem encanto. Palavras soltas, sem emoção. IMPACTO? Apenas o julgamento do personagem pelo autor. Ô coisinha perigosa…

  23. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Gostei muito! O tema é batido, mas a forma como foi explorado foi sensacional. Suas palavras “dançam” com a personagem, como uma música. A série de antíteses é perfeita. Achei que cansaria delas, mas cada nova antítese me fazia ler mais.

    Não acho que o conto peca pelo tema óbvio. Sim, a prostituição foi discutida na literatura centenas de outras vezes, mas quão raro é ler um texto sobre este problema com tanto sentimento? Com tanta verdade?

    Gostei muito da leitura. Parabéns!

  24. Evandro Furtado
    24 de janeiro de 2017

    O paralelismo empregado é interessante e contribui pro desenvolvimento da personagem. Mas o que pega aqui é a estrutura. Tá próxima demais da de um poema.

    Resultado – Average

  25. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto, da poesia e, sobretudo da frase final. Não é a mesma história/sentido, mas me lembrou da música “Bandolins”, de Oswaldo Montenegro. Boa sorte!

  26. Fheluany Nogueira
    23 de janeiro de 2017

    O título e o pseudônimo remetem ao Cinema Noir com personagens moralmente ambíguos, com dramas permeados por niilismo, desconfiança e paranoia, rodados em ambientes urbanos realistas. A bailarina com carreira fracassada, resta-lhe ser stripper. É assim a trama trazida aqui, em um formato poético, rimado, mais para versos do que prosa. Ficou bonito. Parabéns pelas ideias e execução. Abraços.

  27. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Não costumo gostar de narrativas mais puxadas para poesia, com ritmo quase cadenciado por versos e tal. Mas dessa aqui, eu gostei.

    Narra de um jeito bem real e amargo essas desventuras da nossa “dançarina”.

    Gostei.

    Abraço!

  28. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    Um conto repleto de antíteses melancólicas. Gostei até, desse jogo de palavras que mostram a personalidade da dançarina, mas foi só isso. Achei bonito o final, fecha muito bem a ideia que quis passar, após usar o desenvolvimento tal qual o poema. Um bom conto.

  29. Thayná Afonso
    21 de janeiro de 2017

    Nossa! Não esperava encontrar algo que me agradasse com tanta intensidade. Gostei muito do seu estilo, com certeza adoraria conhecer mais do seu trabalho. “Ela dançava para existir. E enquanto dançava, desaparecia.”, essa parte foi sensacional. Meus mais sinceros parabéns! Definitivamente um dos meus favoritos.

  30. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Estar sempre distante da existência e do conhecimento do seu interior. Passado de traumas e decepções a fez ficar, solitária, fria, inconstante em suas afirmações de ser e não ser, estar e não estar. Uma forma de fuga da realidade, estando em movimento. Gostei do tema e da forma fluida em expressar. Boa sorte!

  31. chrisdatti
    21 de janeiro de 2017

    “Ela dançava para esquecer.

    Ela dançava por esperança.

    Ela dançava para sobreviver.

    Ela dançava para existir. ”

    Totalmente embalado em poesia. Pronto para ser consumido em frases a princípio, conflitantes, que se chocam através de uma conjunçãozinha “e” no sentido de “mas” (expressando adversidade e não adição).
    A dança catártica (ou sua tentativa de purificação, será?) entremeia esse paradoxo até que a última oração encerre com chave de ouro todo conflito existencial: “Ela dançava para existir. E enquanto dançava, desaparecia.”
    Belíssimo. Parabéns!

  32. Tom Lima
    20 de janeiro de 2017

    É bem forte o texto. As contradições da vida de uma forma bastante poética. Muito bem executado. A leitura flui e as imagens se formam, através dessas contradições. Os traumas são a motivação de toda essa contradição que se tornou a vida da moça. Muito bom!

    Abraços.

  33. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do seu conto. Mais que da ideia, propriamente dita, gostei da forma com que você fez evoluir a personagem, a repetir os passos de uma coreografia que a levava para cada vez mais longe. Mas, como sempre presa aos detalhes, achei a escolha de certas palavras meio duras dentro do tom delicado e poético que vc adotou ( trauma/ décadas/abria mão de seus próprios valores, etc) Sem falar que “próprios” aparece repetido como “próprias” no parágrafo seguinte… Tem gente que diz que eu gosto de catar pelo em ovo, mas eu acho que textos, principalmente quando especiais, devem ser cultivados com todo cuidado e atenção…

  34. Mariana
    20 de janeiro de 2017

    Ele está bem escrito, mas, enquanto lia, quis dar um sacode na menina… A ideia de que traumas são a causa de nossas escolhas erradas… Não, não concordo.

  35. Priscila Pereira
    20 de janeiro de 2017

    Oi C. Noir, eu gostei do seu conto, gostei muito das metáforas, está muito bem pensado e executado. Dá para ver a ambiguidade da dançarina, ver seu sofrimento, sua esperança desesperançada. Um ótimo conto. Parabéns e boa sorte!!

  36. Iolandinha Pinheiro
    19 de janeiro de 2017

    O conto passa uma ideia de perda de identidade. Talvez no remoto passado fosse uma bailarina promissora, uma aprendiz que por algum motivo teve suas esperanças frustradas e agora dança em um lugar que não é digno dela, por isso desaparece enquanto dança, não queria estar ali. Ela sonhava com os palcos e sobrou para ela a boate. Interessante.

  37. waldo Gomes
    19 de janeiro de 2017

    Belo texto, poético, sem dúvida.

    Narra a decepção de alguém com alguma coisa que aconteceu há mais de 20 anos.

    É a choradeira de sempre, com palavras e imagens bonitas.

    Bem escrito e etc. mas como conto, microconto, sei não… falhou.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .