EntreContos

Literatura que desafia.

Esperança Negra (Priscila Pereira)

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Logo no início da Nova Era todos os humanos foram cadastrados, catalogados, seus óvulos ou espermatozoides foram coletados e seus órgãos reprodutores foram esterilizados. Com o avanço da biotecnologia e o aprofundamento do estudo da genética, já era possível alterar o DNA de acordo com a vontade dos cuidadores. Cada casal poderia ter apenas uma criança. O que era mais do que suficiente, já que as doenças, imperfeições físicas e até desvios de caráter foram abolidos da genética humana.

Mais um dia monótono e irritante começava na maior e mais cara clínica de fertilização in vitro do país. O Dr. Frank Enstein, um senhor de idade avançada, de cabelos brancos e charme latino, um dia já amara apaixonadamente o seu trabalho. Agora estava cada vez mais enjoado com a estupidez, vaidade e futilidade das novas gerações.

-Então Sr e Sra. Silva, vocês estão prontos para decidirem como será o bebê?

-Estamos sim doutor. Já estudamos o catálogo e entramos em um consenso.

-Ótimo. Vamos começar então.

Os Silva estavam ansiosos, depois de muita conversa decidiram que seria bom criar uma criança. E a melhor parte seria escolher cada aspecto físico e psicológico.

-Vocês podem optar pelos vários pacotes promocionais, damos até cinquenta por centos de desconto em etnias pouco procuradas como a negra, asiática, latina, entre outras. Vocês estariam interessados?

-De jeito nenhum doutor. Queremos o melhor que o dinheiro pode comprar. –Disse o Sr Silva parecendo ofendido com tal proposta.

-Claro, claro. Como quiserem. Já decidiram o sexo?

-Vai ser um menino. – Diz o Sr Silva com uma voz grave e orgulhosa, que combina bem com seu aspecto forte, saudável e de aparência distinta, mas muito comum naquela época.

-Tem certeza? O número de meninas tem caído drasticamente nos últimos tempos, se continuar assim vamos ter que intervir, senão a espécie humana estará em risco.

-Mas doutor, nós preferimos mesmo um menino. Fazemos questão! –Disse a Sra. Silva, olhando para o marido em busca de aprovação. Tinha uma aparência impecável e sem graça, que combinava muito bem com sua falta de inteligência espontânea e criativa.

-Tudo bem. Vamos continuar.

O doutor não sabia onde a humanidade iria parar se os futuros cuidadores continuassem seguindo modinhas e apenas gostos pessoais na hora de encomendar uma criança. Não podia nem pensar isso em voz alta, mas achava que desde que os homens começaram a brincar de ser deus que a espécie humana entrou em queda livre. Ele não queria estar presente quando a futilidade humana alcançasse o ápice. Parou de devanear e prestou atenção ao trabalho que estava fazendo.

-Etnia?

-Branca, é óbvio. –Disse a Sra. Silva revirando os olhos.

– Altura?

-Um metro e noventa e cinco centímetros. –Disse o Sr Silva prontamente.

-Índice de massa corporal?

-Vinte.

-Tem certeza? Com quase dois metros e só vinte de IMC, vai ficar desproporcional.

-Desculpe doutor, mas os cuidadores somos nós, queremos que ele seja muito alto e magro. –Disse a Sra. Silva com ar um tanto ofendido.

-Claro. –Disse o doutor reprimindo a desaprovação e enfado que sentia.

-Cabelo?

-Liso e loiro, é claro.

-Estrutura facial?

-Ocidental, mais precisamente a europeia.

-Cor dos olhos?

-Azuis.

-Porte físico?

-Atlético.

-Ótimo, acabamos o aspecto físico. Vamos tratar do intelecto. Qual vai ser o Q.I?

– Na média, não queremos que ele seja discriminado por ser inteligente demais ou de menos.  –Disse a Sra. Silva com um ar de quem entendia do assunto.

O doutor teve que usar toda a sua ética e profissionalismo para não rir e continuou:

-Crença?

-Ateu.

-Visão política?

-Capitalista de esquerda.

-Profissão?

– Pensamos muito a respeito disso e queremos que ele tenha uma profissão que dê muito dinheiro e tenha pouco trabalho, então decidimos que a melhor opção é a política. –Disse o Sr Silva com muita convicção.

-Sei. Um político com um Q.I mediano é tudo o que precisamos.

Os Silva pareceram não notar a ironia.

-Personalidade?

-Sanguíneo e Colérico. Acho que dá pra misturar, não é doutor? –Disse a Sra. Silva ansiosa.

– Claro, porque não? Acho que já temos o suficiente. Amanhã vocês poderão voltar para o procedimento.

-Mas já, doutor? No catálogo ainda tem várias perguntas.

– Já deu para perceber o que vocês querem.

– O senhor poderia tirar algumas dúvidas?

-Claro. –Disse o doutor com irritação aparente.

– Ele não terá o nosso DNA?

– Não. Claro que não. Como está explicado no catálogo, para cumprir todas as suas expectativas teremos que usar partes de vários DNAs.

– Sei, e o nascimento? –Disse a Sra. Silva com uma apreensão aparente.

– Não se preocupe. A Sra. terá uma gravidez normal e sem incômodos, seu DNA foi programado para isso. O parto será normal induzido por drogas. A Sra. estará dormindo, quando acordar seu bebê estará em seus braços e não haverá nenhuma lembrança embaraçosa ou constrangedora.

-Ótimo. Obrigada doutor.

-Não se esqueçam que não aceitamos devoluções. Paguem o preço integral na saída. Nos vemos amanhã, nesse mesmo horário.

Depois que os Silva foram embora, o doutor ainda ficou um bom tempo pensando. Seu DNA não fora modificado, já que havia nascido antes do começo da Nova Era e dava graças a Deus por isso. Quanto mais ele se aprofundava no estudo da genética, mais se perguntava se era certo tirar o livre arbítrio dos seres humanos dessa forma. Ter outras pessoas decidindo cada aspecto de sua personalidade e caráter era assustador, muito mais até do que a parte física. Lembrou-se de uma citação dos antigos, sobre uma pedra que é lançada por alguém e no meio do caminho toma consciência e acha que está no controle de seu vôo, não sabendo que seu destino já havia sido determinado. Essa geração era como aquela pedra.

***

Tudo correu esplendidamente bem no parto da Sra. Silva, até o bebê ser mostrado para o Sr Silva.

-Mas o que é isso? Alguma brincadeira? Porque o meu filho é negro?

-Foi como vocês escolheram. Tudo conforme o protocolo. E não é ele, é ela. Não é linda? –Disse uma jovem enfermeira, simpática e desinibida.

-Uma menina negra? Mas não foi isso que eu pedi, de jeito nenhum.

-O Sr vai ter que falar com o doutor então.

-Pois então vá logo chamar ele.

-Fique calmo, não é o fim do mundo, o doutor virá quando tiver que acordar a Sra. Silva. Enquanto isso as enfermeiras cuidarão da sua filha.

-Não é minha filha.  Mas que absurdo!

A Sra. Silva acordou como que de um sonho bom, estava muito bem humorada e revigorada. Nada como dar a luz para que uma mulher se sinta completamente bem.

-Olá querido! E então? Nosso bebê é o mais lindo de todos?

-Escute querida, ocorreu algum engano, fique calma, por favor.

-Como assim, um engano?

-Você deu a luz a uma menina negra. Querida, o que aconteceu? Por favor, acudam, a Sra. Silva desmaiou!

Quando a Sra. Silva recuperou a consciência, só conseguia pensar em como explicaria para suas amigas a sua situação.

-Querido, como vamos criar um bebê que não fomos nós que projetamos?

– Tudo vai dar certo, assim que o doutor chegar teremos um esclarecimento.

-Não sabemos nada sobre ela. Não somos selvagens para criar uma criança que não temos ideia do que vai se tornar, afinal de contas, quem foi que escolheu essa criança? E porque ela veio parar no meu útero?

A Sra. Silva já estava descontrolada quando o doutor chegou. Entrou calmamente no quarto aparentando ser o homem mais inocente do mundo.

-Me digam, o que aconteceu?

– Olhe o Sr mesmo. –Disse o Sr Silva apontando para o pequeno berço onde dormia alheia a todo o drama, uma menininha rechonchudinha, com cabelinho encaracolado e lábios desenhados perfeitamente. Parecia uma bonequinha.

-Estou vendo…

-O que o Sr tem para falar sobre isso?

-Ah, isso… Na verdade isso foi um erro meu. Já estou velho e cansado, peço que me perdoem.

-Perdoar? Como poderemos te perdoar? Vamos ter que ficar com ela? –Disse desesperada a Sra. Silva.

-Não. Eu ficarei com ela. Vou criá-la como se fosse minha.

-E o nosso filho?

-Daqui a seis meses a senhora poderá voltar para uma nova fertilização, por minha conta é claro. Já reportei meu erro para o corpo médico e me desliguei da clínica. Um novo médico cuidará do seu caso.

***

O Dr. Frank saiu da clínica carregando seu bebê nos braços como se fosse seu bem mais precioso. Na verdade ela era mesmo. Aquela linda menininha carregava em seu DNA toda a pesquisa do Dr. Frank, era sua obra prima, o ser humano mais próximo da perfeição. Apesar do aperfeiçoamento do DNA do bebê, o doutor teve o cuidado de não interferir em sua personalidade e caráter. Iria criá-la como os antigos. Deixaria que ela escolhesse suas crenças e princípios, ela seria livre.

Olhando em seus olhinhos pretos como carvão, parcialmente ocultos por cílios enormes, o doutor sorriu, tinha grandes planos para essa pequena tão especial. Deu um beijo delicado na testa do bebê e foi para casa, onde tudo já estava preparado para a criação e educação da menina.

Seu nome será Sarah Manning, e ela será a responsável pela queda desse império de clones, não clones científicos, mas aqueles ditados pela moda e futilidade. Ela será a esperança da humanidade.

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86 comentários em “Esperança Negra (Priscila Pereira)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): acho que, primeiro, o título acaba dando dicas da parte mais importante da trama (nascerá uma criança negra). Além disso, o clímax poderia ser melhor trabalhado, pois a reação do médico foi muito simples e anticlimática, poderia trazer mais complicações e impacto, tipo ele ter que fugir com o bebê.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): boa, narra cenas bem nítidas, bom diálogo, mas precisa ter mais atenção a alguns pontos da gramática, principalmente pontuação. Ao iniciar um diálogo, use travessão ao invés do hífen. E não esqueça da vírgula antes ou depois do aposto, como por exemplo em:

    ▪ De jeito nenhum *vírgula* doutor

    💡 Criatividade (⭐▫▫): não achei muito criativo, pois é um tema muito batido e a resolução, por causa disso, acabou ficando até mesmo previsível (com ajuda do título).

    🎯 Tema (⭐▫): desculpe, mas o texto é sci-fi e não X-Punk. O segundo foca na marginalidade do mundo tecnológico. No seu caso, por exemplo, seria no tráfico de genes e contrabando de pessoas e coisas do tipo.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): como já disse, o final acabou sendo previsto e isso diminui bastante o impacto. Num conto, ainda mais num desafio, fazer com que o leitor termine o texto ainda pensando nele é o desejado. Se, por exemplo, tivesse a luta pela vida da menina negra, o final teria bem mais impacto.

    ⚠️ Nota 6,0

    OBS.: sobre pontuação no diálogo (travessão x hífen), sugiro essa leitura: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Leonardo, obrigada pelas dicas, essa foi a primeira vez que ouvi falar nesse tema do punk, então até que saiu um texto mais ou menos… até mais!!

  2. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Você teve uma boa ideia, mas parece que a execução não saiu tão bem assim. Achei os diálogos um pouco… forçados. Tudo bem moldar os traços físicos e até mesmo determinar o temperamento deste futuro ser, mas escolher crenças e ideologias, aí não conseguiu me convencer.

    Usar a literatura para expormos nossas opiniões e crenças e muito válido e quase todos fazemos isso, mas devemos tomar cuidado com o panfletarismo simples, que manda aquela mensagem direta, mas abre mão da qualidade literária.

    Boa sorte.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Renato, obrigada pelo comentário, não sou familiarizada com esse tema, então não sabia até onde podia ir, acho que fui longe demais… até mais!!

  3. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Acho que foi uma tentativa de biopunk, talvez? Vai um pouco pela premissa do filme “Gattaca”, mas exagera e parece querer transformar a coisa em uma sátira, em algo que traga humor. Não vi muita graça, não em todos os momentos, e achei uma crítica exagerada à busca pela perfeição genética. Além disso, ficou meio deslocado no “punk”, mas valeu o esforço. O que mais complicou no texto foi certo exagero no enredo. Pra mim os diálogos não soaram naturais, há um tom também exagerado neles, talvez pelo aspecto meio que artificial (aquele IMC 20 foi bem complicado, hoje em dia o IMC nem é mais utilizado para algo tão específico, há exames bem mais detalhados para definir essa questão corpórea). Sobre o final, fico pensando: precisava daquilo tudo? De enganar a mulher daquele jeito? Podia ter feito uma fertilização utilizando outra barriga de aluguel, seria bem fácil pra ele, na posição em que se encontra, de médico e pesquisador…

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Bia, obrigada pelo comentário, na verdade não sabia mesmo como escrever um texto punk…kkk já fiquei feliz de ter saído alguma coisa… até mais!!

    • Bianca Machado
      18 de dezembro de 2016

      E curiosidade, Priscila, você já assistiu “Gattaca”? =)

      • Priscila Pereira
        18 de dezembro de 2016

        Ainda não Bia, mas vou procurar e assistir!! Obrigada pela dica!!

  4. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    17. Esperança Negra (Motherboard): Nota 7

    Olá, Placa Mãe,
    Então, vamos ao seu conto. Eu estava gostando muito de como você construiu a sua história. Gostei da ideia do futuro “distópico/utópico” em que as pessoas escolhem cada aspecto da vida dos filhos. Muito interessante, assustador e, infelizmente, até certo ponto possível.
    Gostei da perspectiva desiludida do médico também. Imagino que esse trabalho seria extremamente desgastante psicologicamente.
    Porém, achei que o final do seu conto ficou meio apertado. Temos a reviravolta de a criança nascer diferente do programado, mas o médico fica com o bebê e fica tudo por isso mesmo. Achei que poderia ser explorada um pouco mais essa parte da história.
    Também achei que a referência que você tentou passar (Sarah Manning) não ficou muito clara para quem não assiste a série. Eu por exemplo, não assisto, mas quando vi aquele nome resolvi pesquisar na internet e achei que era uma referência à serie Orphan Black. Mas se eu não tivesse me dado a esse trabalho, passaria batido.
    Imagino que você ainda teria espaço de palavras suficientes para explorar um pouco mais o final da sua história.
    De qualquer forma, parabéns e boa sorte no desafio.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Thiago, obrigada pelo comentário, então, na minha pesquisa para descobrir o que era o estilo punk eu descobri que Orphan Black (uma série que eu gosto muito, e recomendo) era no estilo biopunk e não aguentei e coloquei o mesmo nome, mas sem muita importância mesmo… até mais!!

  5. Pedro Luna
    16 de dezembro de 2016

    Não gostei muito. Tipo, todo o pano de fundo é super interessante. A ideia de fabricar o próprio filho, escolhendo personalidade e atributos físicos. Muito bom e ainda esconde críticas a sociedade e a preconceitos. Mas no fim, o doutor vira o salvador da pátria e surge com um plano mirabolante de gerar a criança que no futuro seria a esperança da humanidade. Sinceramente, acho que a viagem foi além da conta nessa parte, e não compactuou com o resto do texto. Prefiro guardar na memória a primeira parte, essa sim muito boa.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Pedro, obrigada pelo comentário, que bom que pelo menos alguma coisa te agradou!! Até mais!!

  6. Fil Felix
    16 de dezembro de 2016

    GERAL

    A leitura é tranquila e o conto funciona rápido, sem mostrar muitos floreios e indo direto ao assunto, o que é bom. Mas acho que peca em esmiuçar alguns detalhes e cair no branco x negro. Senti que poderia ter ido um pouquinho mais longe, levantado outras questões sociais e mais irônicas. Silva é um dos sobrenomes mais comuns do Brasil, fica cômico ao procurarem pelo perfil mais incomum no país. Mas o nome do médico acaba quebrando uma noção de maior realidade (Frankenstein?).

    O X DA QUESTÃO

    Legal ter trazido um tema pouco comum no desafio. A manipulação genética é algo que não está tão longe de nós e o detalhe de ter que construir a partir de outras amostras que não do casal, mostra um cuidado com o tema. Só achei estranho conseguir escolher ideologias (como a posição política), através do DNA. Quando o doutor diz que ela terá o parto dormindo, lembrei da música Protesto Olodum, do trecho “mãe que é mãe no parto sente dor”. Ao não sentir nada, é praticamente tirada toda a humanidade do processo, tornando mais artificial ainda.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Fil, obrigada pelo comentário, gostei da forma como dá as dicas sem depreciar o texto, obrigada de novo… até mais!!

  7. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: achei esse conto razoavelmente bem estruturado, fechado e revisado, mas sem grande apelo nos demais quesitos. Embora eu ache admirável que tenha optado por trabalhar com menos palavras e focar no episódio que narrou, é preciso pensar também na densidade daquilo que se está narrando, para que não passe muito depressa.

    Criatividade: o conto é quase todo diálogo, o que me deixou impressionado pela capacidade de criar a ambientação na cabeça do leitor sem precisar propriamente descrevê-la. É necessária muita criatividade para isso.

    Carisma: nada contra os contos curtos, mas senti realmente a falta de um pouco mais de “recheio” no conto, como se tudo tivesse sido rápido demais, entende? Basicamente, o médico fica puto com o casal superficial, sabota o procedimento e leva a filha rejeitada, com um grande futuro à espera, para casa (claro, bem melhor narrado no conto, mas a essência é essa).

    Parabéns e boa sorte.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Wender, obrigada pelo comentário, gostei dos toques, com certeza levarei em conta no próximo texto!! Até mais!!

  8. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Cara, que conto daora! Daora por ter conceito e profundidade. Devo dizer que esteticamente ele não tá tao agradável quanto alguns outros, tem algumas falhas pequenas na fluência, mas não compromete. Porém, conceitualmente é um dos que mais me identifiquei até agora!
    Me lembra muito a questão da adoção (acho que não por acaso, né?)
    Não sei se você curte rap, e mesmo que não curta, dá uma pesquisada na musica “depósito dos rejeitados”, do Eduardo.
    Enfim, belo trabalho. Parabéns!

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Luis, obrigada pelo comentário, gostei muito!!! 🙂

  9. Waldo Gomes
    15 de dezembro de 2016

    Bem, digamos que é bem escrito, tem uma certa linha que se aproveita, mas o açúcar azedou o caldo.

    Nem falo da coisa implícita e absurda da “esperança da humanidade”, refiro-me às incoerências da trama, coisa mais em pé nem cabeça.

    Lamento.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Waldo, obrigada pelo comentário, é uma pena não ter gostado… até mais!!

  10. Amanda Gomez
    14 de dezembro de 2016

    Oi, tudo bem?

    O conto é meio dúbio.

    Todos os elementos da tecnologia que é capaz de fabricar literalmente uma pessoa é interessante, as explicações tais como os diálogos que explicam isso por meio de conversas também facilita o entendimento. É rápido e eficiente.

    Toda a futilidade humana é destacada, os estereótipos são jogados e etc. A mensagem principal do conto (acredito que seja isso) o culto a beleza, a estética futilidade, ideologias, isso está bem transparente , mas… a margem dessas questões está outra que se destaca tanto pelo título quanto pelas cenas finais do conto: Uma criança negra nasce, e ela é a esperança do mundo.

    Ok, ela nasceu sem a influência de genes que todos os outros nascem, isso já faz dela.. livre pra ser o que quiser e tudo mais. Só achei desnecessário a ênfase na cor, na raça, pois tanto fazia, se ela fosse latina, asiática, indígena, se ela surgiu sem as influências genéticas, já se torna algo diferente de todos os outros. E por si só – a esperança.

    Foi meio forçado, achei um demérito as outras ‘’raças’’ que também parece em extinção. Mas ok, entendi, entendi.

    Achei interessante o outro lado na moeda. A miscigenação entre as pessoas ainda é uma prática comum, mas a influência ideológica faz com que estes prefiram filhos que nada pareça com eles, para não ficar à margem dessa nova sociedade.

    É isso, boa sorte no desafio.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Amanda, obrigada pelo comentário, tudo que você falou me fez pensar… não tive a intenção de deixar as outras raças de lado e sim demarcar bem uma diferença, acho que poderia ter sido muito mais sutil. Até mais!!

  11. Leandro B.
    14 de dezembro de 2016

    Ola, Motherboard.

    A ideia do conto é interessante e atual. Com os avanços da tecnologia genética, talvez em um futuro não tão distante seja possível modificar os traços de uma futura criança.

    No entanto, achei a intromissão mental bastante exagerada. Veja, a discussão sobre o impacto genético no comportamento humano remonta ao século XIX e foi particularmente “estudado” por um “médico” chamado Cesare Lombroso, que afirmava que a criminalidade era sobretudo uma questão hereditária, interna ao indivíduo, por conta de algum atavismo de “raças” primitivas.

    Enfim, da pra sacar que assim a criminalidade foi naturalizada e, ao invés de ser vista como uma questão social, foi vista como uma questão de saúde mental. Hoje em dia as teorias lombrosianas já foram ultrapassadas, embora algumas escolas de pericia criminal ainda se baseiem no seu trabalho.

    Enfim, o conto traz afirmações perigosas e, pelo andar da narrativa, ele tenta passar uma ideia justamente contrária a essas afirmações. Talvez fosse legal mexer em uma ou outra coisa para evitar essa contradição.

    Achei o primeiro parágrafo desnecessário. Você informou o universo da história de maneira exageradamente didática. Acho que seria muito mais bacana aprender sobre esse universo enquanto lemos o conto, o que é extremamente possível com o restante do material que você tem.

    Alguns erros de revisão passaram, especialmente algumas virgulas faltando em uns vocativos. Besteira que da para ajeitar em uma próxima revisão.

    Sobre o tema do desafio, achei um pouco pálido. Me parece mais uma distopia, mas também não sou perito no assunto.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Leandro, obrigada pelo comentário. Você foi gentil em chamar o tema de pálido, na verdade eu nem sabia o que era o tema punk, fiz o melhor que pude com a informação que consegui… rsrsr até mais!!

  12. mariasantino1
    14 de dezembro de 2016

    Olá, Autor(a)!

    Pois bem, o seu texto tem uma crítica social pungente, válida, importante e tem muitas sacadas irônicas, como: “Um político com um Q.I mediano é tudo o que precisamos.” É um futuro tenebroso focado em aparências — “Quando a Sra. Silva recuperou a consciência, só conseguia pensar em como explicaria para suas amigas a sua situação.” — e, de fato, se pudéssemos escolher, como seria, hein? Essa passagem dá o que pensar “[…]Não somos selvagens para criar uma criança que não temos ideia do que vai se tornar,…” A sacada da pedra também é ótima e reflexiva, mas… (olha o mas aí para estragar tudo), da forma que está o seu texto mais parece um panfleto sobre FUTILIDADE VS RELEVÂNCIA. Sabe aquela frase de que o leitor tem que esquecer de que está lendo uma obra fictícia? Então, eu concordo que isso deva acontecer para criar algum vínculo com o leitor, para que ele se importe, torça ou fique puto e não apático. Então, ao menos comigo, li e não deixei de ter consciência de que tudo estava ali como agente denunciante, didático. Se posso, diria para que vc apare mais a intromissão do narrador onisciente e deixe mais subjetivo para que o leitor chegue as conclusões.

    Em resumo, o cerne é sensacional, mas é como um filme com bom roteiro, porém com atores ruins.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 7

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Maria, obrigada pelo comentário, que bom que gostou de alguma coisa… não tinha a intenção que fosse panfletário, mas lendo agora me pareceu um pouco sim… ooops.. kkkk agora já foi… Até mais!!

  13. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado Motherboard, seguem meus critérios de análise:
    PREMISSA: um universo onde a escolha pessoal prevalece sobre a ordem natural. Gostei da ideia, apesar de não entender onde o punk aparece aí.
    DESENVOLVIMENTO: a história constrói-se principalmente pelos diálogos, e algumas vezes perde um pouco a força pela própria banalidade do discurso das personagens.
    RESULTADO: Aquém do esperado, inclusive em aderência ao tema. Obs. Eu não conhecia Black Orphan, então a referência passou batido para mim.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Daniel, obrigada pelo comentário. Pena que não te agradou de todo. Recomendo a série Orphan Black se gosta do biopunk, é bem legal!!

  14. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Prevalece essa segunda nota, ao ler pela segunda vez, com mais atenção.
    A ironia inicia com o doutor Frank Stein, mais que sugestivo. Um texto sem erros, o que é bastante importante para qualquer conto, salienta, sempre, o cuidado na apresentação. O argumento sobre em ser político, mais um ponto na ironia, fora do alcance dos futuros pais. E a vitória da esperteza sobre a arrogância. Gostei. Nota 8,5.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Cilas, obrigada pelo comentário. Que bom que gostou!!

  15. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! A história começa parecendo que vai ser boa: gostei do início. Apesar dos clichês, achei o humor muito bem-vindo num desafio marcado por histórias sérias. Daí começaram os problemas. Todos querem ter filhos brancos, até os negros?!?! Todos querem só filhos homens?!?! Claro que se trata de uma paródia tosca do racismo/machismo e qualquer outro ismo que se queira, mas não tem graça, nem faz sentido. E no fim uma menina negra – suponho que também lésbica, feminista e de esquerda, talvez autista? – vai salvar a humanidade, uma menina que é o estereótipo supremo de todas as minorias oprimidas numa só Messias politicamente correta. O macho branco como um símbolo do Mal, a mulher negra como símbolo do Bem, o tosco neo-maniqueísmo da assim chamada esquerda contemporânea. Já vi muitos expressarem essa ideia de maneira mais ou menos clara, mas usar como tema de uma história de modo literal resultou tão absurdo que acabou sendo engraçado, de certa maneira. Esse final, bizarro de tão caricatural, me deixou até em dúvida: Seria panfletagem ou ironia?!?! Não gosto de panfletagem em histórias, acho que quem quer dedicar sua habilidade de escrever para defender ideias político-sociais deve escrever ensaios, não literatura. História cujas linhas só existem para defender causas não são histórias e, na minha opinião, não merecem ser pontuadas como histórias. E se foi uma ironia, não foi bem feita, pois um texto irônico deve conter dicas que conduzam o leitor a interpretá-lo como tal. A propósito, não entendi uma coisa: por que você não escolheu a foto de uma menina negra para ilustrar seu conto? Não seria mais coerente? Até, e tenha boa sorte.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Ricardo, obrigada pelo comentário. Cara, você é muito chato, sem brincadeira, não só pelo seu comentário aqui, mas em quase todos os textos… dá pra achar o texto ruim sem ser um completo idiota. Não vou responder as suas perguntas sem cabimento, e me desculpe se peguei pesado, mas não seja tão ranzinza cara, é muito chato mesmo ler os seus comentários… até mais!!

      • Sick Mind
        17 de dezembro de 2016

        Priscila, não a conheço e também não sei quais os seus hábitos de leitura. Mas gostaria de dizer que você não está sozinha dentro do universo da Ficção Científica. Nos últimos anos, a quantidade de publicações que buscam dialogar com a questão daerepresentatividade, vem crescendo. Isso está incomodando muitos artistas de vanguarda e também aos apreciadores da arte de ‘status quo’. Caso não tenha ouvido falar sobre a polêmica da premiação do Hugo Awards de 2015, sugiro que você pesquise pelo tema, pois ele complementa muito bem a situação que você passa ao ser confundida como uma panfletária. Vale também lembrar, que o movimento New Wave dentro da Ficção Científica (e até outros, como o próprio Cyberpunk) surgiu para fazer exatamente isso que você fez, questionar a sociedade de sua época. Procure também pelo Manifesto Irradioativo, iniciativa nacional de autores, blogueiros, leitores, editores e etc, de trazer a riqueza étnica e cultural para dentro da Ficção Científica.

  16. rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    Esperança Negra (Motherboard)
    Caro (a) Motherboard.
    Antes de tudo, Frank Einstein?!?!! Boas gargalhadas. Em razão do sangue latino colocaria “Franco”, rs.

    O ponto positivo do conto é a agilidade. Os diálogos são diretos e fazem o conto avançar. Não curti apenas esse:“-Tem certeza? O número de meninas tem caído drasticamente nos últimos tempos, se continuar assim vamos ter que intervir, senão a espécie humana estará em risco.”, muito explicativo. É o tipo de intervenção que perde a credibilidade, escrito só para o leitor e não para os personagens também.

    O conto faz boas críticas, mas se perde em alguns momentos; como a escolha das profissões, e para piorar, colocar político como opção, vez que é algo que depende de outros fatores. Contudo, o mundo criado pelo autor não é difícil de ser visualizado, nesse sentido, a advertência é muito oportuna. Na minha opinião, creio apenas que o texto podia ser desenvolvido mais com reflexão e menos como se fosse um esquete, onde perde-se o ponto e o contraponto. Nesse sentido, acho que essa passagem, ótima por sinal, ilustra bem o caminho que o texto deveria ter observado mais :”Lembrou-se de uma citação dos antigos, sobre uma pedra que é lançada por alguém e no meio do caminho toma consciência e acha que está no controle de seu vôo, não sabendo que seu destino já havia sido determinado. Essa geração era como aquela pedra.”

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi, obrigada pelo comentário! É verdade, Franco teria ficado ótimo!! Pena que não pensei nisso!! Valeu pelas dicas!! Até mais!!

  17. Jowilton Amaral da Costa
    12 de dezembro de 2016

    Um bom conto. A narrativa é boa e a leitura fluiu bem. O enredo não tem tanta surpresa, não empolga muito, já que o título meio que entrega o que vai acontecer assim que começamos a ler o texto. Gostei da referência da pedra que toma consciência logo apôs ser lançada e acredita que pode controlar seu voo. Boa sorte no desafio.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Jowilton, obrigada pelo comentário! Gostei!!

  18. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Texto cheio de ironia, gostei, muitos parabéns, só lamento que tivesses ficado demasiado agarrado(a) aos estereótipos, mas é um texto bom de ler e que nos deixa a pensar, por isso, muito obrigado.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Vitor, obrigada pelo comentário e pela nota tão alta, sei que não merecia tanto, muito obrigada mesmo!!

  19. catarinacunha2015
    7 de dezembro de 2016

    Uma narrativa enxuta e objetiva. Sem parangolé dietético nerd e sem espuma cheirosa. Um alívio ver um estilo punk subtendido no raciocínio dos personagens. Agora, caramba, de onde vem essa mania de explicar os contos no final?

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Catarina, obrigada pelo comentário, me desculpe por explicar demais…rsrsr tenho que confiar na inteligência dos leitores….rsrsr até mais!!

  20. Davenir Viganon
    6 de dezembro de 2016

    Olá Motherboard
    Gosto do tema da manipulação genética e a forma com foi mostrado, ao gosto do mercado e tornando o filho um mero produto de consumo. Uma boa estória, sem enrolação. Por causa do título do nome do Dr. Frankenstein, o final estava encaminhado e a referência a série Orfhan Black foi bacana. O conto é simples e mas a mensagem poderia ser mais incisiva, ainda que tenha o pressentimento que já será o suficiente para angariar “haters”. Bom conto!

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?” [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Vou te indicar “A formiga elétrica” pois discute bastante a condição humana, como fez teu conto. Acho que vais gostar!

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Davenir, obrigada pelo comentário. Que bom que você gostou… e estava certo, tenho mesmo alguns “haters”…kkkk Até mais!!

  21. Anorkinda Neide
    6 de dezembro de 2016

    Olá!
    Um bom conto .. me me conquistou de todo, mas estes tres últimos parágrafos são a glória! hehe
    Gosto de finais positivos.. e esta é uma baita distopia hein… diferente de todas as outras, gostei da originalidade. Gostei da reflexão levantada,, confere com as minhas proprias.
    Parabens e boa sorte!

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Anorkinda, obrigada pelo comentário. Fiquei feliz que tenha gostado!! O engraçado é que quase ninguém gostou do final… pelo menos uma!!!!! Até mais!!

  22. Bruna Francielle
    5 de dezembro de 2016

    Tema: estou em dúvida se seria punk ou ficção científica

    Pontos fortes: a história desperta interesse, e não é cansativa de se ler. Passa rápido.
    – O tema, biogenética, foi abordado de forma clara, simples e certeira, sem complicações. Isso ajudou bastante a leitura.

    Pontos fracos: Talvez haja alguma crítica ao padrão da moda? Ou ao “racismo”? Caso tenha sido uma crítica, ou uma tentativa de se fazer uma crítica, que é o que pareceu, penso que faltou argumentos para que a suportem. Como, porque exatamente o casal deveria escolher um bebe negro e não um branco? Para não ser modinha, para provar que não é ”racista”, para salvar a humanidade, risos? Não tem argumentos, nem fatos.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Bruna, obrigada pelo comentário. Levarei em conta a falta de argumentos nos textos posteriores. Até mais!!

  23. Rubem Cabral
    5 de dezembro de 2016

    Olá, Motherboard.

    Gostei do enredo da história, mas não tanto da escrita. Explico: há um bocado por revisar, a narração é simples, e os diálogos estão ruins.

    Há certo ar de fábula no conto, considerando o quanto os Silva são esteriotipados e preconceituosos. O médico, embora pouco ético, é o único personagem realmente interessante.

    Considerando prós e contras, darei nota 6,5.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Rubem, obrigada pelo comentário. Pena que não te agradou… Até mais!!

  24. Sick Mind
    4 de dezembro de 2016

    Esse biopunk passa uma mensagem bem clara, mas é exagerado ao tentar definir certos aspectos da vida de alguém com edição genética, como emprego. Sou a favor do uso da ficção científica como crítica social, mas há maneiras melhores de lapidar essas críticas dentro do texto, para impressionar o leitor. Ser muito direto acabou por tirar um pouco da magia do desenvolvimento história.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Sick, obrigada pelo comentário! Pena que não te agradou!!

  25. Eduardo Selga
    3 de dezembro de 2016

    O conto trata de um tema altamente controverso nas lides científicas, a eugenia, a técnica que lança mão da genética para, supostamente, “melhorar” a espécie humana, escolhendo essa característica em detrimento daquela, coisa que a natureza faz a partir de suas leis. Toda a primeira parte da narrativa, inclusive, se lida em separado do final, pode ser interpretada como uma defesa dessa técnica, por meio dos personagens e do discurso, não apenas uma exposição ficcional. Isso porque o Doutor Frank Enstein, homenagem ao famoso personagem, já acontecida nesse desafio nos contos “O silêncio das deusas desnudas” e “Cosmonautas caronistas”, apresenta uma oposição muito tíbia às pretensões dos futuros pais, cujas vozes se sobressaem. Na verdade, a contrariedade do médico é demonstrada com maior pujança no discurso indireto (é o narrador que fala por ele), não no direto, no diálogo com o casal. E há dois motivos para ele não falar diretamente, e quando o faz é timidamente: ele está, do ponto de vista ideológico, em minoria; ele tem ética profissional.

    Felizmente, a segunda parte, não obstante menor, com maior impacto discursivo por ser o final e não soar falso ou forçado, como que dilui a postura preconceituosa dos pais. Um preconceito, aliás, institucionalizado na sociedade de que trata o conto, pelo que se depreende a partir do diálogo estabelecido entre os personagens.

    No entanto, acredito ter havido um deslize. É possível, pela seleção genética, estabelecer quais características físicas e psíquicas predominarão num sujeito, mas os comportamentais dependem do meio ambiente social. Por isso, acredito que ter sido um engano colocar a relação com o divino e posicionamento político como algo geneticamente manipulável. Até onde conheço, ninguém é geneticamente ateu ou deísta.

    É interessante a postura do médico. De um modo geral, as pessoas idosas ou mesmo as que chegaram na meia-idade tendem a manifestar um comportamento mais conservador, e isso faz parte do instintivo de preservação. Apesar disso, o médico tem uma atitude não preconceituosa, e se posiciona contrariamente à maioria da sociedade. O casal, presumivelmente com idade média mais nova do que a dele, ao contrário, está profundamente arraigado aos ditames sociais, motivo pelo qual é muito racista e sexista. Nesse sentido, o fato de a esperança para a humanidade partir da geração mais velha, é instigante. Como também o é a esperança estar personificada em alguém pertencente à camada excluída de prestígio social, a ser educada nos moldes antigos. É curioso isso, pois esses modelos costumam ser excludentes, eurocêntricos etc.

    Há uma ironia saborosa no texto: apesar de arrogantes e distintos, o que denotaria relevância social, o sobrenome do casal é Silva, um sobrenome associado ao populacho, portanto indistinto.

    Há uma farta quantidade de erros gramaticais, principalmente relativos ao uso da vírgula.

    Em “vamos começar então”, é preciso uma VÍRGULA antes de ENTÃO.

    Em “de jeito nenhum doutor”, A VÍRGULA fica antes de DOUTOR.

    Em “o Sr vai ter que falar com o doutor então”, novamente a VÍRGULA antes de ENTÃO. Além disso, após SR é preciso ponto, como em todas as abreviaturas de pronome de tratamento.

    Em “disse o doutor reprimindo a desaprovação e enfado que sentia” a vírgula é após DOUTOR.

    Em “me digam, o que aconteceu?”, o problema está no pronome ME, que por ser obliquo não pode iniciar oração. Não haveria problema se a linguagem dominante no texto fosse a coloquial, mas não é o caso.

    Em “perdoar? Como poderemos te perdoar? Vamos ter que ficar com ela?’ existe uma incompatibilidade entre o TE e o ELA.

    Coesão textual: muito prejudicada.

    Coerência narrativa: a questão do ateísmo da opção política, como já disse, afetaram a coerência.

    Personagens: o comportamento do médico, incompatível com o conservadorismo que se espera de alguém de sua idade faz o personagem ser bem interessante. Quanto ao Sr. e Sra. Silva, o casal é meio clichê em sua arrogância, mas a ironia do sobrenome ficou ótima.

    Enredo: bom enredo.

    Linguagem: boa. As posturas do médico e do casal ficaram bem demarcadas pela narração, no primeiro caso; pelos diálogos, no segundo.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Eduardo, obrigada pelo comentário tão minucioso, gostei bastante, pode ter certeza que seguirei suas dicas!! Até mais!!

  26. Gustavo Castro Araujo
    3 de dezembro de 2016

    O conto é simpático e dentro de seu enredo aparentemente simples traz uma mensagem poderosa, acompanhada de uma mordaz crítica social. Não basta ler como se entretenimento fosse – o texto é bem mais do que isso. Uma interpretação meramente literal, engessada, tornaria a leitura mero passatempo, até porque a trama em si está repleta de buracos. O que torna o conto bom, como eu disse, é o que extrapola a narrativa, eis que se refere a questões sensíveis. Embora trate de eugenia, não é difícil transpor a argumentação para as questões relativas a adoção de crianças. Em ambos os sentidos, a perfeição é traduzida pela criança branca, com QI necessário para se comportar de acordo com o discurso dominante. O mais interessante é perceber que, ao nascer a criança negra, somos automaticamente levados a pensar que o experimento falhou, isto é, que a eugenia, ao contrário de trazer à luz um rebento perfeito, fez o contrário. Repare que o autor não faz essa afirmação, mas eu, como leitor acostumado a essa realidade em que o branco predomina, assim percebi, para então ser surpreendido com a assertiva de que a bebê negra era, sim, a perfeição em pessoa. Shame on me. Ótimo conto, que serve para jogar na cara os preconceitos que nos cercam e que bovinamente não percebemos.

    • Priscila Pereira
      17 de dezembro de 2016

      Oi Gustavo, obrigada pelo comentário!! Gostei bastante!!

  27. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Motherboard,

    Tudo bem?

    Também sou fã da série Opahn Black e achei bem legal sua recriação da origem de Sarah Manning.

    A manipulação genética é uma premissa que dá muito pano para a manga e você optou sabiamente por este caminho. A criação de seres humanos perfeitos é uma espécie de distopia. Você foi além, incluindo também a personalidade de cada novo ser em cada uma das criações, como escolhas arbitrárias dos pais. Gostei.

    O ponto de virada com a bebê negra nascendo também foi muito interessante. Achei somente muito súbita a revelação de que foi o médico quem fez a troca, premeditadamente, mas isso pode se dever às poucas palavras disponíveis no Desafio.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  28. Pedro Teixeira
    1 de dezembro de 2016

    A primeira coisa que notei é que faltaram elementos “punk”, mas como não li nada biopunk talvez se enquadre aí. Achei que há ideias bacanas, mas tudo soou ingênuo demais pra mim, muito calcado numa série de estereótipos, e isso tornou os personagens um tanto rasos, artificiais: eles reúnem tudo o que pode ser considerado mais fútil num ser humano, e isso até poderia ser válido como visão de futuro, mas faltou falar mais sobre a linguagem corporal do casal e do médico. Por exemplo, em vez de dizer que a mulher parecia ofendida, dizer que ela contraiu os lábios, ou alguma outra reação,até porque o “parecer ofendido” já havia sido usado antes. A ideia de que todas as características, até as da personalidade, seriam resultado do DNA também me pareceu quase fantasiosa, sem um contexto que a justificasse. O texto flui bem, e está bem revisado.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Pedro, obrigada pelo comentário. Então… deve ter faltado muito do punk sim, até porque nunca havia ouvido falar nisso antes…kkk então… Até mais!!

  29. Evandro Furtado
    1 de dezembro de 2016

    Gênero – Good

    Um interessante biopunk com elementos cômico-satíricos muito bem combinados.

    Narrativa – Average

    O ponto negativo é a imprecisão do uso dos tempos verbais com sentenças no passado e no presente ao mesmo tempo. O ponto positivo é o excelente uso do humor de forma muito sutil, por exemplo, o diálogo no qual a mulher desmaia.

    Personagens – Average

    Não fazem muita diferença na trama. Poderiam ser quaisquer outros e a história funcionaria.

    Trama – Good

    Muito inteligente e bem desenvolvida. Ao longo do texto o autor traz várias questões muito interessantes de forma indireta, o que aumenta a qualidade do texto. Infelizmente o final é meio cafona e deixa a desejar.

    Balanceamento – Good

    Uma sátira extremamente interessante que vai muito bem até o final.

    Resultado Final – Average

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Evandro, obrigada pelo comentário. Sabe que eu gosto muito do seu jeito de avaliar? Vou arrumar um parecido pra mim…rsrsrsr, pena que o texto não tenha te agradado muito!!! Até mais!!

  30. Marco Aurélio Saraiva
    1 de dezembro de 2016

    Uma chuva de críticas envolve o conto, tirando a atenção do leitor do que realmente deveria interessar: o enredo. A história é bem rasa, com um personagem cheio de potencial mas mal explorado.

    As críticas inclusas no conto (ao capitalismo, ao ateísmo, ao famoso homem-branco-loiro-europeu, entre outras) são tão óbvias que ficaram superficiais. A coroação disso é a imagem da mulher negra como o ser mais próximo da perfeição. Tudo pareceu tão forçado que não agradou no final. Talvez se estes pensamentos estivessem inseridos durante o desenvolvimento dos personagens e do cenário, as críticas fossem mais impactantes.

    A escrita está boa. Simples e sem erros. Houve uma ou outra confusão com o tempo verbal, mas nada que comprometesse a leitura, que seguiu fluída e satisfatória.

    Boa sorte!

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Marco, obrigada pelo comentário. Vou tentar escrever com mais sutileza para os próximos desafios… até mais!!

  31. Fabio Baptista
    28 de novembro de 2016

    A premissa desse conto é ótima. Apesar de ser um tema já tratado em muitos outros lugares (e qual tema já não foi?), essa questão da manipulação genética para gerar seres humanos “perfeitos” sempre rende boas histórias e dá o que pensar.

    Estou com a série Black Mirror ainda muito viva na cabeça e não pude deixar de pensar que esse conto renderia um belo argumento para um episódio.

    Isso foi até a metade.

    Depois que a criança nasce (nos últimos parágrafos para ser mais específico), porém, senti que o texto exagera no tom panfletário (já havia dado mostras antes, mas de uma forma mais irônica). Além disso, fico imaginando se a tal criança perfeita fosse branca… o texto ganharia uma conotação racista por “dizer” isso?

    A parte técnica é ok. Nada comprometedor, mas também nada de encher muito os olhos. Na gramática, só me incomodou um pouco a falta de vírgula em situações como a do exemplo abaixo:

    – Estamos sim doutor
    >>> Estamos sim, doutor

    NOTA: 7

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Fábio, obrigada pelo comentário. Eu não pretendia que fosse panfletário, nem pensei nisso, mas vendo os comentários agora, pode parecer sim, infelizmente… o fato dela ser negra foi só um meio que usei para os pais notarem logo o engano, o fato dela ser “perfeita” era só porque não havia manipulação nas áreas de caráter e personalidade, só de aprimoramentos de habilidades. Mas infelizmente eu não soube escrever isso direito… kkk até mais!!

  32. Brian Oliveira Lancaster
    28 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Uma atmosfera bastante interessante, resvalando no campo apenas científico, mas com certos elementos do Biopunk. É quase uma história “comum” de FC, mas contém uns detalhes aqui e ali, como escolha de fatores (parecendo um game de rpg) e bloqueio do livre-arbítrio. Infelizmente, estes elementos se tornaram muito fracos no decorrer da trama. – 7,0
    R: A história tenta emular um estilo dramático e consegue acertar até certo ponto. Algumas partes parecem escritas apenas para gerar polêmica, mas são forçadas e não atingem o objetivo. Somente ao final, onde é retomado a parte do “engano”, a trama fica mais natural. A história em si é interessante e assustadora, pois daqui a pouco quase estaremos nesse nível. Cativa pela premissa, mas o miolo pedia um maior cuidado. – 8,0
    E: O primeiro parágrafo, se fosse escrito em itálico, ficaria melhor, pois é apenas uma introdução àquele mundo, não se conectando diretamente ao segundo parágrafo. Como a trama é relativamente simples, o corpo do texto se desenvolve bem. O final compensa os problemas citados acima. – 8,0
    M: Há uma troca inconstante de tempos verbais na explicação de certos diálogos. Fora isso, a simplicidade atinge o objetivo. O enredo tem “coração”, só faltou um pouquinho mais de cuidado com a estrutura. – 8,0
    [7,8]

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Brian, obrigada pelo comentário. Gostei de como você analisou.Não tenho nenhuma experiência com a FC e muito menos com os punks, então até que me saí bem…rsrsr

  33. Fheluany Nogueira
    27 de novembro de 2016

    TRAMA: inspirado no romance de Mary Shelley, Dr. Frank Enstein é o chefe do Laboratório da Nova Era encarregado da reprodução humana que somente ocorre de forma artificial. Como no romance original ele sente remorsos dos “monstros” criados e cria aquela forma que seria enjeitada pelos outros , mas resgataria a humanidade. Bem estruturada e inteligível.

    LINGUAGEM clara, sem erros gramaticais, traz LEITURA fluente e leve.

    PERSONAGENS: além da referência clássica ao médico, que é bem trabalhado no texto, aparece outra personagem da série de televisão canadense de ficção científica, “Orphan Black”, centrada em Sarah Manning (nome dado à menina criada que foge dos padrões preferidos na narrativa e a que se refere o título). O conto, como a série, levanta questões sobre as implicações morais e éticas da clonagem humana e seus efeitos sobre questões de identidade pessoal.

    Gostei da releitura e fusão das obras citadas, acredito que o TEMA proposto foi explorado. Parabéns pelas ideias. Abraços.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Fheluany, obrigada pelo comentário. Você captou muito bem a mensagem do conto. Pena que muitos pensaram ser panfletário… até mais!!

  34. Zé Ronaldo
    27 de novembro de 2016

    O texto flui com facilidade e leveza. Apesar de prosa, o texto carrega em si um lirismo fenomenal com base na forma em que trata do assunto.
    A personagem do doutor é forte e carismática.
    A trama foi bem gerada e sua desenvoltura se dá naturalmente.
    A ideia geral do texto é espetacular, acaba por ser um texto de crítica ao que nos é atual.
    O desfecho amarra a história toda, deixando-a bem estruturada e convincente.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Zé, obrigada pelo comentário. Que bom que gostou!!

  35. Dävïd Msf
    27 de novembro de 2016

    história previsível desde o princípio. não gostei…

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi David, obrigada pelo comentário.

  36. Tatiane Mara
    26 de novembro de 2016

    Um conto simples com abordagem meio exagerada num tema bastante polêmico.

    Os diálogos não me convenceram, pareceu-me mais uma mensagem do autor preocupado com a questão e se utilizando de uma parábola para explicar.

    Faltou empatia, seja com o médico arrependido, seja com o casal doutrinado ou com a pequena criança estereotipada.

    É isso.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Tatiane, obrigada pelo comentário. Pena que não te agradou… Até mais!!

  37. olisomar pires
    26 de novembro de 2016

    Boa história, apesar dos clichês de sempre. A narrativa segue tranquila, até por não ter algo que sugira um clímax, visto que a coisa foi entregue quando relatou a dúvida do doutor antes da inseminação.

    Não ficou muito bom o nome do médico em contrapartida ao nome do casal, mas isso é escolha do autor, só acho que comprometeu a credibilidade.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Olisomar, obrigada pelo comentário. Pena que não te agradou… quem sabe em um próximo.. até mais!!

  38. Zé Ronaldo
    25 de novembro de 2016

    Perfeito o texto! Ótima crítica atual. Bravo!

  39. Cilas Medi
    24 de novembro de 2016

    Dissertativo, descritivo e sem nenhuma emoção ou suspense, o esperado ao iniciar o conto. Não houve surpresa final, apesar da flagrante intenção de tentar polemizar com o negro e o branco e o esteriótipo do branco lindo, azul e maravilhoso. Nota 7,0

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Cilas, obrigada pelo comentário.

  40. Evelyn Postali
    24 de novembro de 2016

    Oi, Motherboard…
    Eu gostei do seu conto. Ele não me pareceu um x-punk de cara. Nem sei se é. Mas está bem escrito e gostei do que li; de como tudo se encaminhou para um final não muito surpreendente, mas adequado. Não encontrei erros de escrita, não consegui parar neles, se eles estão aí, no texto. Eu li com muita agilidade porque a linguagem proporciona uma leitura bem corrida. Gostei do que se esconde atrás de toda a sua história. Essa coisa de preconceito, de achar que a beleza está em determinados estereótipos, de pensar que se é inferior por ter escolhas que não são as da maioria. Se fosse listar tudo o que pensei do começo do diálogo dos Silva até o final, bem… Teria que escrever um tratado sobre o ser humano e seus recalques, preconceitos e insatisfações infinitas; sobre como as escolhas fazem da nossa vida uma vida de liberdade e de como a liberdade e o conhecimento de si deve estar primeiro dentro de nós para que as escolhas façam sentido.
    Enfim… Não devo me estender muito.
    Parabéns pelo conto.

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Evelyn, obrigada pelo comentário. Que bom que você gostou, fico muito feliz!! Até mais!!

  41. angst447
    24 de novembro de 2016

    Olá, autor.
    Não discutirei sobre a adequação ou não do conto ao tema proposto pelo desafio. Não me sinto suficientemente esclarecida para fazer isso.
    Que delícia de conto curtinho! Levei até um susto quando cheguei ao fim.
    Não encontrei lapsos de revisão. Mais um ponto para você.
    A narrativa está bem amarrada, sem entraves. A ideia na qual se fundamenta o conto não é original, nem causa espanto, mas funcionou bem.
    A manipulação genética levada a um nível de individualismo absurdo. Seres descartáveis, sem sentido algum de sobrevida. Mas eis que nasce a Esperança… Bem, aí tem um toque sim de lição de moral, mas quem nunca?
    Boa sorte!

    • Priscila Pereira
      18 de dezembro de 2016

      Oi Claudia, obrigada pelo comentário. Fiquei superfeliz que você tenha gostado!!! Até mais!!

  42. Dävïd Msf
    24 de novembro de 2016

    Achei previsível demais. Já imaginamos a conclusão da história logo no começo da leitura…

E Então? O que achou?

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Publicado às 24 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .