EntreContos

Literatura que desafia.

Faminta (Luis Guilherme)

O jantar de sexta era sagrado pra Juliana. Um hábito que servia de motivação para aguentar (“sobreviver”) a semana frustrante: emprego medíocre (“Essa velha megera e essa gente feia o dia todo”), marido inútil (“Ele que não venha com esse negócio murcho pra cima de mim”) e as amigas que tanto invejava (“Não se toca, parece, com esse cabelo ridículo”).

Todo aquele fatigante dia-a-dia seria insuportável, não fosse a perspectiva latente da sexta-feira e seus encantos. No quarto, o calendário da Caixa marcava os passos lentos da semana. Naquela manhã, ao acordar, permanecera de olhos fechados, deliciando-se com a sensação de riscar mais um quadrado datado na folhinha – o último. Sexta-feira.

Manoel suspirava com certo alívio. Enfim sexta-feira. Mais uma semana daquelas. Não que alguma fosse diferente, sempre uma corrida desesperada contra o tempo, angustiado por finalizar todos os preparativos para a grande noite.

O calendário sobre a mesa de cabeceira, implacável, a passos rápidos rumo àquele terrível momento, derradeiro e decisivo. Uma semana de intensos preparativos culminando naquele momento. Chegou.

A manhã passou rapidamente. Juliana mal conseguia se concentrar na tela do computador. Centenas de letras difusas iam e vinham, bailando ante seu olhar vago. Almoçou rapidamente algo insípido, empurrado goela abaixo pelo suco gelado, e voltou ao estado de torpor que a carregaria até o fim do expediente. 16:00.

Finalmente livre, podia partir para o que realmente interessava. Com toda a dedicação que lhe faltava nas demais tarefas, deliciou-se num longo banho, perfumou-se e vestiu o belo vestido decotado de frente única que comprara na terça à noite pra ocasião.

O uniforme, sempre impecável, aguardava Manoel à saída do banheiro. Respirando fundo, borrifou profusamente o desodorante nas axilas e pescoço, vestiu a camisa branca e a calça preta e calçou os brilhantes sapatos sociais. Todo o protocolo, que incluía a limpeza impecável das vestes, deveria ser obedecido rigorosamente.

Às 14:00, já se encontrava no local para iniciar a preparação. A distribuição das mesas, prejudicada pela irregularidade do solo, era crucial: deveriam ser posicionadas num ângulo que fornecesse aos ocupantes uma vista limpa do interior da cova, facilitando a escolha das peças para preparo. Fosse um farto braço ou um vistoso olho, tudo seria preparado com cuidado, seguindo fielmente o protocolo de receitas.

Com um frio na barriga, Juliana estacionou o carro na escura rua próxima ao Cemitério Memorial, longe de quaisquer olhares curiosos. A ansiedade era tanta que mal conseguia manejar a chave ao trancar a porta de seu Ford Fusion, mas o verdadeiro desafio, como de costume, fora esconder a ansiedade ao se despedir do marido para o encontro semanal com as amigas na casa da Paula. “Um imbecil, mesmo”, divertiu-se.

Sempre chegava cedo para evitar a fila, que se formaria sorrateiramente atrás da grande lápide familiar que dera origem ao cemitério, mais de 100 anos antes. As pessoas chegavam pontualmente às 19:00, em grupos de no máximo três pessoas. Raramente se via um visitante solitário, mas aquela era um prazer que Juliana queria apreciar sozinha. Jamais dividiria aquele momento. Também não se via novos visitantes – tratava-se de um clube muito exclusivo, fato do qual se orgulhava.

Deliciando-se com o sonoro “crack”, Juliana sorriu ao explodir o olho numa dentada violenta. “Ah, finalmente”. Ritualmente, começava a refeição pelos olhos – a entrada perfeita. Gostava do som crocante ecoando em seus ouvidos, seguido do gosto acre e líquido do humor aquoso, que separa a córnea e o cristalino, e da textura gelatinosa do humor vítreo, que preenche todo o interior do órgão.

Durante a semana, dedicava várias horas ao estudo fisiológico do corpo humano, portanto conhecia profundamente cada característica das substâncias que ingeria.

Soltando um sonoro “Hummm”, revirou os olhos, deliciada com o gosto pútrido que agora preenchia sua boca. Preferia os cadáveres em fase inicial de putrefação, pois gostava do sabor da decomposição e dos fluídos corporais que se acumulavam nessa fase, inchando os órgãos e dilatando monstruosamente as feições. Preferia os cadáveres masculinos, sem mesmo compreender os motivos.

Os corpos masculinos eram sempre mais trabalhosos, pois costumavam ser mais pesados, e Manoel detestava preparar o pênis, devido à complexidade do procedimento.

Aquela frequentadora assídua sempre o intrigara. Em 7 anos, jamais faltara a um único jantar, e a gravidade e cuidado impecáveis com que cumpria sua rigorosa rotina de jantar demonstravam para ele um sadismo assustador. A cada mordida, revirava os olhos e gemia satisfeita, chupando os dedos, lambendo os restos e até mesmo roendo ossos a risco de quebrar os próprios dentes. Sem desperdiçar um único pedaço, devorava vorazmente sua refeição, finalizada com um sonoro arroto, atribuindo um ar grotesco à figura elegante e impecavelmente vestida.

Ao final, J, como pedia para ser identificada à chegada, pedia a Manoel que queimasse suas roupas, mas sempre levava um farrapo retirado da parte mais melecada, “para algum tipo de souvenir sinistro, como aqueles álbuns com pedaço de gente que os psicopatas costumam esconder”, divagava o velho.

Despertado de seus devaneios pelo conhecido “crack”, que ressoara a meia distância, encaminhou-se, prestativo, prevendo o próximo pedido.

– Por gentileza, senhor, poderia me servir o testículo direito e o estômago? De preferência levemente mal passados – sempre se incomodava com o sorriso debochado do homem, que formava as palavras “mal passados” nos lábios, completando-a.

Não entendia o motivo da graça. Gostava, sim, de rituais – eles lhe conferiam uma sensação de domínio. Sentia um poder inerente aos padrões e procedimentos.

Enquanto mastigava, satisfeita, o último prato de sua dieta, – os pés eram especialmente deliciosos, e sempre os deixava para o final – cantarolava aquela canção que costumava incomodar o marido.

Acordando bruscamente, o homem inspirou rapidamente, uma, duas, três vezes, mas pouco conseguiu sorver. Assustado, abriu os olhos, mas continuou em total escuridão. Num solavanco, despertou totalmente do torpor após o sono sem sonhos causado pela ingestão de clorofórmio.

Numa explosão desesperada, socou violentamente o interior do cubículo em que se encontrava, aos berros. Os gritos lhe custavam boa parte do ar e da energia de que ainda dispunha, portanto, após alguns minutos de luta desesperada, procurou se acalmar e analisar a situação.

Claudio. Esse era seu nome. A dor na têmpora e a tontura o impediam de pensar com clareza, e os últimos acontecimentos antes de acordar naquele local giravam em sua mente, causando náusea. Um beco escuro, a volta do trabalho, a súbita perda de sentidos.

Tateou o interior de seu cárcere, e ao toque seco e áspero identificou a textura de madeira rústica. “Enterrado vivo” – as palavras escaparam mecanicamente de seus lábios. A terrível percepção lhe roubou a pouca tranquilidade que tão duramente reunira. Aspirou rapidamente todo ar que conseguia, engolfado pela sensação claustrofóbica.

Shhhhh”

“Shhhhh”

“Shhhhhhhhhh”

O som desritmado e asmático da respiração ressoava pelo espaço, um débil ruído seco causado pela garganta arranhada. A cada trago inútil, sentia uma dor aguda no pulmão suplicante. As mãos, desesperadas por algo em que se agarrar, arranhavam as laterais da caixa, descolando as unhas da carne.

A dor cruciante o despertou de chofre do ataque de pânico. Choramingando baixinho, massageou delicadamente as pontas dos dedos, enquanto buscava retomar a respiração. A crise custara caro, reduzindo drasticamente a reserva de ar ambiente.

Privado de oxigênio, sentia sua consciência e percepções fraquejando. Em seus últimos momentos (“ssshhhh, sssshhhhh”), lembrou-se, tristemente, de sua filha Sofia (“sshhh”), as lagrimas escorrendo no rosto e molhando a tatuagem na clavícula que levava seu nome.

Shhhh… Sofia… Shhhh…

Felipe sempre se surpreendia com a radiância de Juliana nos domingos à noite. Nem mesmo a detestável música de abertura do Fantástico era capaz de abalar a vibração da esposa. Passava a semana toda mal humorada, e só se animava às sextas, ansiosa pelo maldito encontro das amigas, e surpreendentemente aos domingos à noite, quando voltava da caminhada pela pista próxima à casa. Jamais suspeitara que a garota o traísse, não achava que ela gostasse o suficiente de gente para se aventurar num segundo relacionamento, mas a curiosidade já o levara a segui-la pela rota.

Exceto pela conversa rápida com o velho que sempre via rondando pela região do cemitério à noite, Felipe não flagrara nenhuma atitude suspeita, e acabou desistindo de entender as excentricidades da esposa.

Sorridente, Juliana refazia a rota para a casa cantando animada a música que tocava alta no carro. Com uma sensação de dever cumprido, passara todos os direcionamentos para o jantar da próxima sexta-feira.

– Sempre o encontro almoçando no restaurante do shopping, pontualmente às 13 horas, todos os dias. Cabelos negros, olhos verdes, 1,85 de altura, uma tatuagem com o nome Sofia na região do pescoço. Sorri demais! – a vivacidade nos olhos da garota descrevendo a vítima lhe causava arrepios, e depois de todos esses anos, Manoel não era facilmente impressionável.

Com um sorriso melancólico, se despediu da sádica madame, respirando fundo diante de mais uma terrível semana que se abria.

Anúncios

52 comentários em “Faminta (Luis Guilherme)

  1. Felipe T.S
    15 de outubro de 2016

    Texto bem escrito, com algumas descrições fortes e seguras. A divisão me agradou bastante, porém a trama como um todo parece carecer de um pouco mais de “realidade”, a história não soa muito verídica. Quem sabe uma ambientação melhor, e um aprofundamento nos personagens fosse uma opção, pq apesar da fragmentação ter ajudado com o ritmo, ela ampliou demais o foco narrativo do conto e isso acaba atrapalhando, já que estamos trabalhando em um limite específico de palavras. No mais a ideia é boa, o perfil dos personagens tbm, abrem espaço para um reflexão sobre a identidade das pessoas muito interessante.

    Parabéns pelo trabalho!

  2. Pedro Luna
    14 de outubro de 2016

    Olá, achei bacana. O ponto alto do conto é a personalidade sociopata e psicopata de Juliana, magistralmente apresentada.

    ““Ele que não venha com esse negócio murcho pra cima de mim”’
    HAHAHAHA. Pô, crueldade. A gente já começa o conto detestando, e depois piora.

    O único porém mesmo é a familiaridade. Canibalismo, enterrado vivo, preparação de carne humana como se fosse a coisa mais comum do mundo. Até a menção ao clube me lembrou uma história da revista Spawn, onde ricos frequentavam um clube onde tinham que caçar uma vítima e comê-la.

    Porém, apesar de parecer batido, o conto é bom. A leitura segue fácil. No geral, positivo.

    • Thiago Amaral
      15 de outubro de 2016

      Cara, também me lembrei dessa história do Spawn, que me marcou, por sinal. hauhauhuhauha

  3. Simoni Dário
    14 de outubro de 2016

    Olá Parmegiana

    O conto mexe com os sentidos, no mau sentido.

    Enjôos à parte, a narrativa é competente e criativa, mas não curti o conto simplesmente porque não gosto desse tipo de enredo (canibalismo). Nada contra a ideia do autor, que como disse é muito criativo, apenas não conecto com essas histórias.

    Mais um enterrado vivo, a claustrofóbica aqui não agüenta.

    Bom desafio.
    Abraço.

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    13. Faminta (Parmegiana de Berinjela)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: uma história de horror pode ser bem narrada, até com leveza, mesmo que não explicite ou aprofunde a relação entre Juliana e Manoel – e qual a real motivação dele. Mas, no geral, um conto que me marcou e estará na lista.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Bizarro

  5. Pedro Teixeira
    13 de outubro de 2016

    Olá, autor(a)! O conto tem um bom ritmo e uma ótima técnica. Mas estranhei alguns pontos da trama. Os cadáveres em decomposição não convenceram, até pelas doenças envolvidas, e o fato de o cemitério ter sido escolhido para a comilança semanal também soou bastante inverossímil.
    Quanto aos personagens, estão bem construídos e os diálogos funcionam a contento.
    Algumas cenas ficaram de arrepiar e impressionam, especialmente a de Cláudio.
    Enfim, traz uma técnica apurada e envolvente, com bons perfis psicológicos, mas a trama infelizmente não me envolveu. Ainda assim é um bom conto.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  6. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Bem adequado ao tema, é claro.

    Enredo: O primeiro texto que escrevi na vida, com característica de conto envolvia uma seria killer canibal. Mas é certeza que o meu, escrito há sete anos, não foi capaz de despertar o que o seu me despertou na parte do “banquete”: enorme repulsa. Até mesmo ao tomar água aqui criou-me uma ânsia. Se era essa a sua intenção, conseguiu. O conto está bem escrito, tem ritmo. A sua divisão em pequenos trechos foi boa, ao menos senti isso na leitura. E ajuda a manter um ritmo bom de leitura.

    Personagens: São bem construídos. A Juliana me causou raiva de uma forma que cê nem imagina, rs.

    Emoção: Certamente causou emoção. Foi nojo, repulsa, indignação pelo Claudio, pela Sofia… Não foi uma leitura fácil, não é a que eu procuro por vontade própria. Ainda bem que era apenas um conto, ufa. E nesse caso, ponto para o autor/autora.

    Alguns toques: Só esse trecho: “as lagrimas escorrendo no rosto e molhando a tatuagem na clavícula que levava seu nome.” que eu destaco aqui, que me causou estranhamento. Com relação à gramática, além do acento faltando em lágrimas há também uma construção mal feita, fica parecendo que a clavícula levava seu nome, não que a tatuagem era com o nome. E com o nome de quem? A palavra “Seu” parece se referir a Claudio, quando na verdade estava se referindo a Sofia. Causou-me essa parte também um estranhamento pela situação em si: ele não estava enterrado? Como podia chorar e as lágrimas molharem a clavícula? Pela posição em que estava, poderia molhar as orelhas, uma parte do pescoço, mas a clavícula???

  7. Anderson Henrique
    12 de outubro de 2016

    Gostei. E não gostei. A idéia não é nova, mas vale ser revisitada. Meu problema foi com a construção. Apesar do texto não ter nenhum entrave e fluir, faltou alguma ousadia no narrar, algo no narrador que se destacasse. Acho que tem algo problemático no tom também. O conto vem com certo peso, mas então entra uma piadinha (às vezes uma leve menção ou ironia), que descola do clima. O conto começa bem, com um parágrafo que é um apanhado de estereótipos, mas que serão desconstruídos depois. Um ponto que pesquei: devorava vorazmente”. Devorar já não dá essa ideia de que é algo voraz? Abs!

  8. Phillip Klem
    11 de outubro de 2016

    Boa noite, Parmegiana.
    A escrita leve e sem muitos floreios e exageros contribuem para manter o leitor curioso até o final. Apesar de ter gostado da escrita, não me encantei tanto assim pela forma como o tema do desafio foi abordado aqui. Reconheço que o autor tem potencial e sabe usar as palavras muito bem.
    Pobre Cláudio… que morte terrível, não?
    Parabéns pela ousadia.
    Boa sorte.

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    11 de outubro de 2016

    É um trabalho bem escrito, com boas construções e uma ótima narrativa.

    Infelizmente, é uma história batida de canibalismo.

    Quero dizer, não vejo nenhum problemas com clichês – de fato, gosto muito quando os temas são revisitados com competência.

    Porém, achei estranha essa ideia de uma reunião de canibais dentro de um cemitério. Não sei, me pareceu um artifício utilizado de maneira forçada para se adequar ao tema.

    Enfim, um bom conto.

  10. Maria Flora
    11 de outubro de 2016

    Caramba! rsrs… terminei o texto com uma sensação de enjôo. rsrs Mas vamos lá!
    A narrativa é boa, sabe envolver o leitor, arrasta aos lugares. Movido pela curiosidade seguimos até o fim. Sua personagem é grotesca! (no bom sentido para você, autor(a)). Aliás, poderia se incrementar mais os personagens. Proporciona mais vivacidade à história ter personagens mais detalhados, mais sólidos, pode se dizer. Boa sorte no desafio.

  11. Marcia Saito
    11 de outubro de 2016

    Olá
    Ainda bem que li em outro horário que não fosse o almoço pois devolveria a amostra do que achei do conto. Rsrs
    Brincadeira…
    Achei o conto bem escrito, apesar de soar um tanto neurótico (o que é normal pra mim), com a leitura fluida.
    Porém fiquei em dúvida se estaria dentro da temática do Desafio, se fosse se apegar na esmiúça da palavra “Cemitério”.
    Tem a aura/teor mórbido tipico mas não há menção da temática.
    Não está dentre os que gostei mas ao menos está bem escrito, o que é um fato importante.
    Desejo boa sorte no Desafio.

  12. Gilson Raimundo
    11 de outubro de 2016

    Excelente conto, me lembrou “Colifrênia”, muito bem escrito e angustiante de uma trama bem cruel, este fica na memória, a dissimulação e a forma de selecionar a vítima foi bacana, a mulher tem tanto sangue frio como fome…o cemitério deixou a desejar, não esteve presente de forma efetiva no texto, mas tá valendo pela criatividade.

  13. catarinacunha2015
    10 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Como uma mulher frustrada vai bater no cemitério? Quero continuar.

    TRAMA exótica e bem desenvolvida. Tem velocidade, demais até; sinti falta de um encadeamento de ideias.

    AMBIENTE muito criativo. Fiquei imaginando a cova arrumadinha, mesa com guardanapo, taças, etc.

    EFEITO não vou jantar hoje. Talvez um bochecho com listerine azul. Só.

  14. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Se o julgamento dos contos deste desafio se ativesse unicamente aos aspectos técnicos este conto seria forte candidato. Gramaticalmente perfeito. Demais disso, a ideia também é muito boa, criativa até. Creio que se trata do único texto com alusões ao canibalismo. A par, há a competente construção dos personagens, com especial atenção a Juliana e ao garçom, com aquelas alusões aos pequenos detalhes de suas rotinas, enriquecendo o texto e tornando a narrativa mais ágil e, curiosamente, aproximando os protagonistas do leitor – há sim uma clara identificação, apesar do enredo insólito (e por que não dizer, bizarro).
    Porém, não é só o aspecto técnico que deve ser levado em conta. Para mim, tão importante quanto, é o arrebatamento que o texto provoca, é a sensação de enlevo, a epifania (repare que não necessariamente isso significa uma surpresa, uma reviravolta), algo que é etéreo e não se extrai apenas de um correto uso do vernáculo, mas do contexto emocional incutido – veja só, nas entrelinhas.
    E por que digo isto aqui apenas, quando não o fiz nos comentários aos demais textos? Porque vejo neste conto um potencial enorme. Há correção técnica e criatividade transbordante. Se o autor tivesse conseguido a façanha de provocar emoções além da mera curiosidade mórbida que o texto desperta, certamente abocanharia (perdão pelo trocadilho infame) os primeiros lugares.
    Evidentemente, não se trata de uma verdade absoluta, mas ao menos é algo para se pensar. Assim espero.
    Ótimo trabalho. Parabéns!

  15. mariasantino1
    9 de outubro de 2016

    Oi? Tudo bem?

    Eu não curti o conto 😦 Assim como o do Menino do Camboja, há má sinalizações. Porém o seu convence menos. Já li contos com temática de canibalismo. A série é o filme do Hannibal (não li o livro) são muito agradáveis (!), mas lá há uma boa amarração,sabe?
    Então, o tema entrou rasgando aí. Se fosse em um restaurante ainda vá lá, mas num cemitério??? Os personagens ficaram rasos devido a densidade da proposta. Ficaria rico e convincente se apostasse mais na psiquê de ambos (mas com esse espaço não rola).
    Não comprei a ideia e por esse motivo não vi além.
    Desejo sorte no desafio.

  16. Thiago Amaral
    9 de outubro de 2016

    O texto parece um “slice of life” de uma vida extremamente excêntrica, mais do que uma trama com começo, meio e fim.

    Trocando a boa (?) e velha necrofilia, assunto já batido, pela necrofagia, o autor encontrou um tema original para seu conto, que rendeu algumas cenas interessantes.

    A estrutura do texto, intercalando a expectativa de Juliana e os preparativos de Manuel também funcionou bem. O texto está bem escrito, fornecendo uma leitura prazerosa, e confere o devido mistério para atiçar a curiosidade do leitor.
    O momento no qual Felipe aparece, também foi interessante, mas não levou a nada. Talvez poderia ter mais relevância na história?

    O final não foi muito surpreendente e não causou impacto. Depois de tudo, a revelação final não tinha como chocar mais, já esperava qualquer coisa daquele pessoal do “clube”.

    No geral, texto muito bom, parabéns!

  17. Olá, Parmegiana,

    A leitura de seu conto foi, para mim, quase sinestésica. Pude sentir uma aflição na mandíbula na descrição do som dos olhos sendo mastigados. Igualmente me peguei fazendo “ai”, quando a unha da vítima foi arrancada. Se foi essa sua intenção, e creio que sim. Parabéns.

    O texto é o mais genuíno representante do gênero terror, mas disso você já sabe. Tem algo de nonsense, mas que conto de terror não tem? Quase todos e isso faz parte da premissa.

    Gostei muito. Você conduziu a história com maestria.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Evandro Furtado
    9 de outubro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    Além de correr bem e não possuir problemas com a sintaxe ou com a ortografia, o que facilita a leitura, o autor ainda usa de artifícios que aceleram a leitura – no caso, essa divisão fragmentada.

    Personagens – Outstanding

    Juliana – mulher independente, profissional moderna. Não gosta do emprego, tem antipatia pelo marido. Antissocial. Excêntrica, particular apreço pela carne humana.

    Trama – Outstanding

    Muito interessante a forma como você desenvolve a trama, em vários arcos. Somos levados pelos conflitos de cada personagens e suas relações. Conforme o tempo passa, a trama se adensa com novas revelações.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Very Good

    A narrativa em terceira pessoa é ideal para que possamos navegar pelas múltiplas histórias que se desenvolvem. O gênero requer, em alguns momentos, descrições precisas, as quais o autor desenvolve com maestria.

    Efeito Catártico – Good

    Um texto visceral que consegue contorcer estômago, fígado e rim com uma mão só.

    Resultado Final – Very Good

  19. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Gostei do teu texto, mas durante a leitura pareceu-me precisares de mais palavras para concluíres este conto. Adoraria ler novamente mas a versão completa, com uma revisão ao aqui escrito e desenvolvendo esta trama, fantástica, que pode resultar num excelente texto. Muitos parabéns

  20. Pétrya Bischoff
    6 de outubro de 2016

    Olá, Parmegiana! Quanto mais leio, mais me impressiono com a imaginação humana. Quando percebi o viés canibal que seria abordado, pensei que seria apenas mias um Hannibal Lector, mas as descrições foram muito convincentes.
    Achei a mulher um saco e penso que ela só mantenha o casamento por causa da aparente normalidade de uma vida mediana.
    Não gostei de saber que os corpos jantados já estariam em estado de decomposição, soou muito forçado, com intuito de impacto no leitor.
    Apesar de a estrutura não ter me agradado, não consigo pensar em uma alternativa para apresentar as várias óticas do conto.
    A ambientação, quando no caixão, bem como a descrição do ataque de pânico, estão muito vívidas, pondo o leitor no mesmo cubículo sufocante e desesperados do personagem.
    De maneira geral, um conto que, apesar de não surpreender, agradou-me esteticamente. Parabéns e boa sorte.

  21. Fheluany Nogueira
    4 de outubro de 2016

    Ei, Parmegiana de Berinjela, baseada em seu pseudônimo e no conto, concluí que você é vegano e, pelo menos está tentando conseguir mais alguns adeptos para sua dieta.

    Ideias, desenvolvimento, construção de personagens, tudo em dose adequada. As descrições estão tão boas que estou enojada até agora. A sutileza com que foi colocado como eram selecionados os “pratos” para o jantar ficou demais. Gostei muito.

    Mas, faltou verossimilhança em vários pontos, já citados. Perguntaram também como Juliana conseguiria dinheiro para tanto luxo. Eu acredito que ela cobrava, e caro, dos outros comensais.

    Parabéns! Abraços.

  22. Jowilton Amaral da Costa
    4 de outubro de 2016

    A leitura do conto é fluida, a história é boa, as descrições também. O desfecho, mostrando que ela pode escolher quem vai devorar, nos faz realmente pensar de como ele conseguia o dinheiro para realizar sua excentricidade, ela não parecia ser rica, e para, manter um segredo desse, de poder matar e comer quem escolhesse, deveria precisar de muita grana. E neste caso, o conto perde um pouco de sua força. A parte toda do enterrado eu achei desnecessária. No geral, eu gostei do conto.

  23. Claudia Roberta Angst
    4 de outubro de 2016

    Sabe que até que eu não me choquei muito com o conto? Nem senti nojinho. Achei interessante a abordagem do tema do desafio acabar em um banquete canibal.

    A utilização do contraste entre a sofisticação da aparência de Juliana com os seus hábitos de glutona ruidosa funcionou bem. O que ela queria devorar na verdade? Os homens? Em que sentido?

    A narração desenvolve-se sem entraves na linguagem ou no ritmo. A leitura flui com facilidade e sem cansar.

    Gostei de como as vidas (e morte) dos personagens se cruzaram. Juliana, uma abelha rainha, uma dominadora, personagem forte que tem como subordinados a sua vontade três homens, suas vítimas de uma forma ou de outra – o marido Felipe, Manoel e o pobre Cláudio.

    Algumas pontas soltas já comentadas pelo Olisomar, mas tudo bem. A trama prende a atenção, embora a apreciação dependa de gosto muito subjetivo.

    Boa sorte!

  24. Davenir Viganon
    3 de outubro de 2016

    Olá Parmigiana
    O título simples foi uma boa saída para um conto tão movimentado.
    Gostei bastante das alternâncias na narrativa, tem um bom clima de suspense e gore. O ritmo de leitura foi excelente do início ao fim. Assim como outro colega sugeriu e eu concordo, acho que o homem enterrado poderia aparecer de cara e ser o suspense inicial. Independente disso, a estória é muito boa, espero que você faça uma versão estendida desse conto, após o desafio, pois a trama não coube em 1500 palavras. A questão da simbologia com a antropofagia ficou muito instigante. Gostei bastante.
    Um abraço!

  25. Wender Lemes
    2 de outubro de 2016

    Olá! Um conto instigante, apesar de internamente contraditório. Ainda que trabalhando no terreno do inverossímil, é necessário haver uma “linha guia” bem fundamentada para que o conto se sustente. As descrições são muito boas, provocam o asco exatamente como quem escreveu planejava. A questão seria que a falta de liga/propósito entre os fatos leva as descrições a soarem indiferentes ao restante da obra, como se cada uma existisse por si só. Por exemplo, a imagem do olho se desfazendo na boca de Juliana é muito bem executada, nos leva a encarar o lado canibal da protagonista de frente, mas aonde nos leva o lado canibal apresentado? Esse é o tipo de desfecho que poderia ter sido explorado. Parabéns e boa sorte!

  26. Amanda Gomez
    2 de outubro de 2016

    Olá,

    Estou em conflito, quanto a este conto, não sei se gostei ou não. Ele tem claramente boas qualidades, o texto é fluido, apesar do tema o autor conseguiu fazer uma boa versão dele, com toques originais e interessantes… Gostei do cotidiano descrito, da dona de casa, do casamento banal, dos segredos. No geral foi uma leitura muito bacana.

    O que incomodou talvez, foi o tempo que o autor gastou em descrições unicamente pra chocar, e deixou um pouco de lado o verosímil das situações, como já foi apontado aqui. Mesmo assim o texto me fez sentir algumas sensações… É fiquei com pena da vítima. Mas queria saber mais sobre o cozinheiro por exemplo.

    Enfim, um bom conto, parabéns e sorte no desafio. 😉

  27. Iolandinha Pinheiro
    1 de outubro de 2016

    Quando vi em um comentário que no seu conto havia uma cena de enterrado vivo, já fui me preparando psicologicamente para sofrer. Imaginei que isso era muito fácil de acontecer em um concurso de textos sobre cemitérios, mas até que surpreendi por serem poucos os autores que seguiram por este caminho. Suportei bem os detalhes da necrofilia, sem nenhuma ânsia de vômito, e tenho que reconhecer que estava tão nojento quanto bem escrito. O conto é fluido, o texto não tem muitos erros, a história é diferente, teve o lance da claustrofobia mas eu, malandramente, fiz uma leitura mais rápida nesta parte, e o resultado de todas as impressões que tive da leitura foi achar que o seu texto está acima da média. Não sei se vai ficar entre os mais votados, mas o seu conto mostra que vc tem potencial para ir além dele.

  28. Marcelo Nunes
    30 de setembro de 2016

    Olá Parmegiana.
    O conto está bem escrito e a estrutura agradou. O texto não prendeu minha atenção, alguns detalhes ficaram vagos como “[…] os preparativos para […]”.

    E outros detalhes sobre algumas sensações que eram para dar nojo. Mas não funcionou comigo.

    Não senti medo e nem emoção. Mesmo assim parabéns pelo texto.

    Boa sorte para você no desafio.

    Abraço

  29. Brian Oliveira Lancaster
    30 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Curioso e inusitado. Conseguiu causar o estranhamento necessário ao gênero. Não sei se poderia classificar como terror, mas não é fantástico (É fan-tás-ti-co! TAM!). Atmosfera bastante opressora, apesar de dividida.
    ME: Gostei das duas histórias se encontrarem. Captou as nuances de dois cotidianos e os uniu a um terceiro, revelando a verdade por trás dos atos somente no final. Pra mim funcionou. Destaco os toques tupiniquins da TV brasileira, assim como o cotidiano bancário (acho que é o primeiro que vejo a utilizar essa profissão por aqui). Não faz muito meu estilo, mas a construção intercalada agradou.

  30. Anorkinda Neide
    29 de setembro de 2016

    Olá, olá olá, Seu Berinjela!
    Viajando no nonsense dá pra curtir teu conto, de boas!
    Sabe o q daria um arremate legal pra nao acender a dúvida sobre o marido bananão q não desconfia de nada? Ele tb ter um ritual neste estilo, de repente sozinho,nas sextas-feiras à noite, em casa, ele comete algum pecado canibal tb, ou coisa q o valha, ou pode ser um simples pecadinho carnal mesmo! 😛
    Eu gostei da Juliana, do Manoel e até do Claudio, pobre coitado… sorria tanto! haha
    Enfim, foi divertido, bem conduzido, alguns deslizes pedindo revisao…
    Mas, é isso, tá valendo!
    Parabéns pelo talento.
    Abração

    • Ricardo Gnecco Falco
      6 de outubro de 2016

      Ótima essa sua ideia, Anorkinda! 😉 Se eu fosse esse(a) autor(a), aproveitava a dica!

  31. Fabio Baptista
    29 de setembro de 2016

    Boa técnica: apesar do uso de muitos adjetivos em determinados trechos e também das muitas quebras (algumas desnecessárias na minha opinião), a leitura fluiu bem. Teria evitado algumas palavras tipo “profusamente”.

    A trama, porém, não me agradou. Apesar dessa ideia (batida, mas interessante) de um lado sombrio por trás das pessoas “comuns”, fiquei com a impressão de que certas coisas, a parte “gore” (não sei se é a definição exata), foram narradas apenas para impressionar, sem acrescentar muito. O sadismo não me convenceu, em resumo.

    Abraço!

  32. Ricardo Gnecco Falco
    29 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Gostei bastante! A leitura fluiu sem entraves e a história foi ficando cada vez mais intensa. Li sem parar, mesmo percebendo um ou outro errinho bobo que passou na revisão. A história tem um Q de surreal e, por isso mesmo, não podemos ficar questionando muito os fatos, do tipo como ela fazia?, ou como ninguém nunca viu ou percebeu nada?, sete anos de gente sumindo semanalmente deve dar um bocado de gente, né?, ela nunca pegou uma doença séria ou afins com a carne humana putrefata?… Esta é daquelas histórias nonsense e que, exatamente por isso, soam tão diferentes da realidade. A beleza deste trabalho reside exatamente nisso. E o conto conta com o sim do leitor, com a permissão deste para deixá-lo ser levado pelo simples narrar dos fatos. E, no final, a viagem vale a pena. De 1 a 10, daria nota 8 ao conto. Parabéns pela abordagem!

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Poucos erros passaram na revisão. A técnica utilizada de segregação das partes casa com o ato pitoresco repetidamente vivenciado pela protagonista. Escrita direta e franca, dirimindo o senso de realidade no leitor e o conduzindo pela mão na história. Boa sacada do/a autor/a.

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> O trabalho precisa de uma revisão mais apurada, mas pode facilmente figurar em alguma antologia temática.

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  33. jggouvea
    26 de setembro de 2016

    Bom, bom, vamos lá. Muitos aqui que me conhecem de outros desafios devem esperar que eu vote com o fígado aqui e diga que este texto é execrável. Já li muitos textos absolutamente execráveis aqui, a que qualifiquei de “pornografia da violência”, por se basearem meramente em chocar, na descrição pura e simples de atos sem sentido, sem argumento, gerando uma mera sensação de desconforto ao ler (em quem, como eu, não aprecia violência pelo amor à violência).

    Só que este texto me agradou.

    Não porque eu tenha mudado, eu continuo o mesmo ogro ranzinza de então, mas porque seu conto é diferente.

    Claro que não é perfeito e claríssimo que não deverá ganhar um voto meu, mas fique descansado quem o escreveu que esse texto fica na “melhor metade” e terá votos.

    Vamos aos pontos fortes:

    A utilização do canibalismo necrófilo como uma metáfora para a violência autofágica de nossa sociedade. Desculpe-me se não foi isso o que você quis fazer, desculpe-me se estou lendo entrelinhas demais, mas foi isso que você, então, sem querer, expressou.

    Nesse sentido o seu texto deixa de ser hedonista e chocar por amor de chocar e se torna um manifesto estético. Do tipo que eu normalmente não leio nem assisto (não, eu não assisti “Salò” e nem “Centopeia Humana”), mas de um tipo que tem relevância artística, em vez de ser apenas um exercício de estética podre.

    A presença da luta de classes. Os diferentes papeis de Juliana e Manoel, ela prazenteira ao experimentar aquilo que o outro a contragosto faz, expressam um conflito de papeis sociais que tem muito potencial para ser mais desenvolvido. É uma pena que, por causa do pouco espaço, o marido de J e a esposa de M tenham sido sacrificados no altar dos personagens esquemáticos.

    A construção de personagens. Decorrente do anterior, traz-nos pelo menos uma Juliana com quem conseguimos estabelecer contacto. Alguns pela empatia, eu e outros pela antipatia. Você sabe que fez seu dever de casa quando os seus personagens são fáceis de amar ou odiar, quando o leitor sai do texto querendo transar com ou matar a sua criação. Juliana é absolutamente detestável e eu alegremente lhe daria um tiro na testa, com uma arma de caçar elefante.

    Vamos aos pontos fracos:

    Se é para chocar, vai ao osso, homem. Talvez não houvesse espaço para desenvolver assim, mas começar o texto com a cena do homem enterrado vivo faria muito melhor efeito.

    O marido. Que ele realmente não tenha curiosidade pela mulher é algo impensável, ainda mais considerando que já não têm uma vida sexual e ela é tão jovem. Esse marido é um personagem que tem seu passado e seus problemas, só isso explica sua atitude contra-intuitiva.

    O cemitério. Ou melhor, o encontro no cemitério. Não é o tipo de coisa que deixaria de chamar a atenção na vida real, então é o tipo de coisa que requer uma explicação. Lembre-se do conselho do mestre King: o leitor aceita mais o impossível do que o improvável.

  34. Ricardo de Lohem
    26 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Sabe, vou contar uma coisa: não coisa de histórias que giram em torno da tentativa de chocar o leitor. Quero dizer, tudo bem querer chocar, mas quando não há mais nada, fico entediado. Uma canibal, e isso deve me chocar, porque não há muito mais: não há suspense, horror, enredo, personagens instigantes, ou humor. E só chocar é coisa que não me choca, preciso de mais. Da próxima vez, comece a escrever antes, para dar tempo de elaborar mais. Como está, parece carne ainda crua. De qualquer modo, valeu o esforço, desejo para você Boa Sorte.

  35. Fil Felix
    26 de setembro de 2016

    Delicatessen

    Um conto que envolve canibalismo e até um certo nível de necrofilia palatável. Recorre as descrições detalhadas de corpo, carne humana mastigada e degustada para gerar sensações.

    GERAL

    A leitura flui bastante bem e é um dos pontos positivos, não se tornando cansativa. Mesmo quando parece que será repetitiva, o autor consegue dar um plot twist. No início pensei que seria mais um conto com narrativas a partir de pontos de vista diferentes, mas me surpreendeu. Tanto o cozinheiro quanto a protagonista chegam a cativar, além do marido que de nada suspeita. As reuniões, a morte encomendada e o grande banquete foram muito bem desenvolvidos, deixando o conto redondo. Muito interessante. Já sou formado em três temporadas de Hannibal, então não me revirei todo de nojo como alguns colegas. Mas ao contrário de algumas críticas à verossimilhança, eu entrei na magia e curti todas as sequências, principalmente a imagem estética que forma.

    Sobre este trecho: “Tateou o interior de seu cárcere, e ao toque seco e áspero identificou a textura de madeira rústica. “Enterrado vivo” – as palavras escaparam mecanicamente de seus lábios.”. Foi uma das partes que mais gostei, acho que conseguiu transpor bem a sensação de ser enterrado vivo, algo que não era tão raro de ocorrer no passado. E é uma daquelas sensações que tentamos imaginar. Como poderia escapar?

    BUGUEI

    Não encontrei erros grosseiros, está bem escrito. Só não entendi direito onde eram feitos os preparativos/ jantar. No próprio cemitério? Com direito a mesas, cadeiras e até uma churrasqueira? Ninguém descobriria?

  36. Eduardo Selga
    24 de setembro de 2016

    A selvageria em que a coletividade humana vive e se aprisiona cada vez mais, numa espécie de ritual macabro no qual estão incluídos homicídios e toda a sorte de barbaridades ocorrendo diariamente como se fossem inevitáveis ou necessários, nossa selvageria civilizada está representada na presente narrativa, alegoricamente, por meio do enredo e da protagonista.

    A antropofagia não é, apenas, coisa de indígenas ou povos imersos na escuridão de uma cultura a qual não nos propomos a compreender. Não. O inevitável de existir nas estruturas construídas pela sociedade implica, assim nos querem fazer acreditar, engolir o outro, o mais frágil, nosso necessário inimigo. Por certo se trata de uma deglutição bem menos carnal do que a literalidade do gesto antropofágico que conhecemos, mas, ainda assim, é profundamente cruel engolirmos o outro pelas suas beiradas, ou seja, em seu íntimo, em suas emoções, quando, por exemplo, passamos por cima de alguém em nome do que quer que seja, preferencialmente escudados por uma causa considerada nobre.

    A personagem Juliana, ao vestir-se impecavelmente para jantar cadáveres, é o pútrido que se pretende disfarçar com afrancesados perfumes, é o animal falsamente domado pelas regras sociais, como podemos ver em “[…] devorava vorazmente sua refeição, finalizada com um sonoro arroto, atribuindo um ar grotesco à figura elegante e impecavelmente vestida”.

    É um domínio falso porque as normas consideradas de boa convivência não raro provocam um engessamento do Homem, de modo que a brutalidade sempre busca um meio de escapar. Exemplo disso, no conto, é o comportamento da personagem em relação à sua rotina semanal, até chegar o momento de sua delícia, o instante em que a fera se manifesta no cemitério. O desprezo pelo marido, de quem debocha e com isso se diverte, é, simbolicamente, o solene menosprezo que muitas vezes temos pelo outro.

    O garçom, Manoel, é um personagem que segue o caminho oposto, e a antinomia entre ambos os personagens, naquilo que significam, funcionou muito bem. Ele é, enquanto ideia representada por um personagem, o verdadeiro antagonista de Juliana, não Cláudio, sua vítima, como talvez possa parecer, na medida em que, embora igualmente destruído pela rotina, é a tentativa do Homem não se render à animalidade, manter-se civilizado. Símbolo disso é o horror nutrido por ele quando se trata da tarefa da qual está incumbido, e a estranheza que sente pelo comportamento de Juliana como em “[…]e a gravidade e cuidado impecáveis com que cumpria sua rigorosa rotina de jantar demonstravam para ele um sadismo assustador”.

    Curiosamente, e repetindo o que é possível observarmos no lado de cá da ficção, na chamada vida real, a civilidade está a serviço da barbárie. Observemos em nosso entorno e respondamos: não é essa a briga que temos travado hoje, no Brasil e, em larga medida, no mundo?

    O digníssimo esposo de Juliana, Felipe, é a nossa ingenuidade de supor que o real não tem camadas, que tudo está posto do modo como está disposto e não há grande mistério a ser desvendado, numa alienação preguiçosa. É a nossa inocência que arregala os olhos para o óbvio (“Felipe sempre se surpreendia com a radiância de Juliana nos domingos à noite”). Ele até se permite desconfiar da esposa, mas não tem muita disposição em vasculhar as estranhezas, e se contenta com a normalidade aparente.

    Quanto ao personagem Cláudio, outra alegoria: a ferocidade da vida, do modo como ela é construída, por vezes não nos faz sentir soterrados, imóveis, sem ar? Se Juliana é o Homem-predador, Cláudio é o homem-presa. Logo, temos dois lados da mesma moeda, posto que o Homem mata a si próprio.

    No entanto, a despeito de o enredo possuir um viés simbólico bastante rico, o banquete no cemitério soa forçado, e aqui não falo de inverossimilhança quanto ao que chamamos realidade, afinal trata-se de um enredo situado no discurso no insólito. Porém, é um insólito vacilante, e a cena do enterrado vivo, sem dúvida de grande intensidade dramática, parece-me “colada” no texto, com o intuito de impactar a trama. É como se não pertencesse a ela, efetivamente.

    Ambas as cenas sofrem com a falta de espontaneidade necessária ao insólito, na medida em que essa estética trabalha com certa naturalização do absurdo, por meio de um universo posto como insólito desde o início da narrativa ou, caso contrário, apresentando o absurdo paulatinamente, mas com um ingrediente necessário: certa confusão proposital entre realidade e irrealidade. Nenhum dos dois casos eu identifiquei no conto.

    Houve alguns escorregões na construção textual, afetando a coesão. Em “o jantar de sexta era sagrado pra Juliana. Um hábito que servia de motivação para aguentar (“sobreviver”) a semana frustrante […]” os verbos AGUENTAR E SOBREVIVER pedem complementos diferentes. Considerando que o segundo verbo, posto entre parênteses, funciona como uma espécie de extensão de significado do primeiro, seria adequado que também ele tivesse o mesmo complemento de AGUENTAR. Assim, se AGUENTAR A SEMANA FRUSTRANTE está correto gramaticalmente, não o está SOBREVIVER A SEMANA FRUSTRANTE, pois aí deveria haver crase.

    A construção “[…] e as amigas que tanto invejava (‘Não se toca, parece, com esse cabelo ridículo’)” soa bem estranha porque o que se encontra fora dos parênteses está no plural, ao passo que está no singular o que se encontra dentro deles. É perfeitamente possível supor que a frase entre aspas é uma generalização, uma espécie de frase que exemplifica a inveja, mas o choque plural-singular foi grande.

    Em “[…] vivacidade nos olhos da garota descrevendo a vítima lhe causava arrepios, e depois de todos esses anos, Manoel não era facilmente impressionável” o correto seria MAS DEPOIS para transmitir a ideia de oposição entre duas ideias. O uso do E causa o efeito de consequência imediata entre duas ideias, o que não me parece o caso.

    Coesão textual: por causa das falhas apontadas, razoável.

    Coerência narrativa: razoável.

    Personagens: do ponto de vista simbólico que eu analisei, eles estão bem construídos (lembrando que outras perspectivas são sempre possíveis), mas a articulação entre eles não ficou tão boa.

    Enredo: do modo como foi construído demanda maior espaço para desenvolvimento de cenas e de referências de modo a ajustar a coerência narrativa, ou a redução do espaço de algum personagem, como por exemplo, Felipe.

    Linguagem: como já disse, a hesitação do insólito prejudicou um pouco.

    • Parmegiana de Berinjela
      24 de setembro de 2016

      Boa tarde, Eduardo, tudo bem?

      Poxa, que comentário legal! Muito bom ter o texto analisado de forma tão profunda. A análise simbólica foi muito precisa! Tem muito do que eu queria transmitir, e muito que eu nem mesmo tinha pensado.

      Parabéns pela seriedade e profissionalismo com que faz a análise, acho muito construtivo pra autores iniciantes como eu. Esse é o segundo desafio que participo, bem como a segunda vez que escrevo algo “profissionalmente”, ou seja, levando a sério, concluindo algo, mesmo. Antes só escrevia coisas soltas e sem levar a sério.

      Só queria comentar algumas coisas, não justificar, mas comentar pontos que você levantou:

      Primeiro, a questão do AGUENTAR e SOBREVIVER. Fiquei na dúvida quanto a isso na hora de escrever. Pensei em usar (“sobreviver a”) – ficaria “aguentar (“sobreviver a”) a semana frustrante – mas achei que ficaria forçado, não soaria natural, então acabei deixando assim mesmo, não consegui pensar numa maneira melhor de representar um verbo transitivo indireto e um direto no mesmo contexto. Talvez a melhor opção fosse reescrever a frase de outra maneira, não sei o que você acha.

      Segundo, no trecho sobre a inveja que sente das amigas, a ideia foi realmente usar um pensamento específico pra exemplificar o hábito.

      Terceiro, no trecho “[…] vivacidade nos olhos da garota descrevendo a vítima lhe causava arrepios, e depois de todos esses anos, Manoel não era facilmente impressionável”, eu realmente quis usar E, e não MAS, pois a ideia não era de adversidade ou contrariedade, e sim de adição. Deveria expressar algo como “isso deixou Manoel impressionado, e olha que o homem não era facilmente impressionável”, ressaltando o quanto aquilo deveria ser sinistro pra que até mesmo alguém tão “calejado” se surpreendesse.

      Enfim, obrigado pela atenção e cuidado na análise do texto.

      Abraço!

  37. Priscila Pereira
    24 de setembro de 2016

    Oi Parmegiana, seu texto é terrível!! Não na qualidade, mas na impressão que deixa no leitor. Tirando os furos já comentados (que para mim são irrelevantes) seu texto está ótimo, soberbo. Me deu muito nojo, revirou o meu estômago, de verdade!! Fiquei um tempão pensando em você como autor e cheguei a duas conclusões: ou você é um ótimo escritor com uma imaginação incrível, ou um psicopata (que medo de você), pessoas normais não imaginam coisas assim…kkkk. Parabéns pelo texto e muito boa sorte!!

    • Priscila Pereira
      24 de setembro de 2016

      Ops… o site estava travando e não ia nenhum comentário… agora foram 3… desculpe!!

  38. Priscila Pereira
    24 de setembro de 2016

    Oi Parmegiana, seu texto é terrível!! Não na qualidade, mas na impressão que dá no leitor. Tirando alguns furos já comentados, seu texto está ótimo, soberbo. Me deu mito nojo, revirou o meu estômago, de verdade!! Fiquei um tempão pensando em você como autor e cheguei a duas conclusões: ou você é um ótimo escritor com uma imaginação incrível, ou um psicopata ( que medo de você) pessoas normais não imaginam coisas assim… Kkkk. Parabéns pelo texto e muito boa sorte!!!

  39. Priscila Pereira
    24 de setembro de 2016

    Oi Parmegiana, seu conto é terrível!! Não na qualidade, mas no que desperta no leitor. Tirando os furos já comentados, está ótimo, soberbo!! Me deu muito nojo, revirou mesmo o meu estômago. Fiquei um tempão pensando em você como autor e cheguei a duas conclusões: ou você é um ótimo escritor, com muita imaginação, ou é um psicopata… (Que medo de você) pessoas normais não imaginam coisas assim… Kkkk. Parabéns pelo texto e muito boa sorte!!

    • Parmegiana de Berinjela
      24 de setembro de 2016

      Boa tarde, Priscila, tudo bem?
      Você ficou com tanto medo de mim que até ressaltou isso três vezes? hahaah

      Obrigado pelo comentário!
      Fique tranquila, não sou psicopata, sou uma boa pessoa hahahah

      A ideia do texto era ser chocante, gosto desse tipo de escrita, que incomoda, e tal.
      Enfim, fico feliz que tenha gostado, escrevi com muito carinho.

      Abraço!

      • Priscila Pereira
        24 de setembro de 2016

        Psicopatas nunca iam admitir ser assim mesmo… Todos se consideram pessoas ótimas… Kkkk 😉

  40. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2016

    A idéia é boa, o texto é bem escrito, mas me soou inteiramente inverossímil.

    A questão do dinheiro para bancar esse “capricho” como já observado é o que chama a atenção, logo de início, como uma senhora classe média e deprimida teria condições, financeiras e mentais, de bancar e manter isso ? Sendo que ela mesma pode escolher suas vítimas ?

    Depois vem a questão da logística da refeição em um cemitério que costumam ser públicos, ainda que de noite, quando são cuidados por seguranças, justamente para se evitar invasão de vândalos.

    A polícia nunca desconfiou ? Um desaparecimento por semana por 7 anos ? Que assassino perfeito é esse (que também é cozinheiro) ?

    O marido a seguiu na caminhada de domingo, mas nunca a seguiu nos encontros das sextas-feiras ?

    Enfim, apesar da fluência da narrativa, são buracos demais.

    Estritamente quanto ao texto, encontrei partes confusas, por exemplo:

    “Ao final, J, como pedia para ser identificada à chegada, pedia a Manoel que queimasse suas roupas”.

    – roupas de quem ? Da J ? do Manoel ? da vítima ? subentende-se que seria da vítima porque ela queria um ” farrapo da parte mais melecada”, mas é confuso.

    “Sempre chegava cedo para evitar a fila…” , “… em grupos de, no máximo, 03 pessoas”, “… de um clube muito exclusivo”.

    Como pode ser tão exclusivo se tinha até fila e subgrupos com 03 pessoas cada ?

    O que nos leva de volta à incongruência da logística da refeição: mesas, talheres, pratos, panelas – um homem de 1,85, que foi a vítima da vez, deve pesar. geralmente, 80 ou 90 quilos, como os participantes apreciavam quase tudo (até os ossos), diria que dá uns 70 quilos de material a ser cozido ou assado, é necessário um grande aparato para poder servir ou deixar disponível isso tudo e o assassino, além de tudo, era velho.

    Claro que num mundo de fantasia tudo pode acontecer, entretanto, o conto se finca na realidade, portanto, certas regras e coerência precisam ser mantidas.

    A leitura é boa, até divertida, mas não conseguia parar de pensar nesses furos.

    Desculpe se fui chato.

    Boa sorte.

    • Parmegiana de Berinjela
      24 de setembro de 2016

      Bom dia Olisomar, tudo bem?
      Obrigado pelo comentário!

      Infelizmente tive pouco tempo pra trabalhar o texto, e quase não consegui fazer, então meio que tive que mandar a primeira versão, então não consegui trabalhar as ideias como gostaria, e podem ter ficado furos na historia.

      De qualquer forma, como comentei abaixo, achei que tivesse ficado subentendido que o marido a sustentava. Sabe quando a ideia tá clara na sua mente, mas não fica clara pra quem lê? Devia tê-la explicitado melhor. Obrigado pelos toques.

      Abraço!

      • Olisomar Pires
        24 de setembro de 2016

        Sua escrita é muito boa, foi a parte estrutural da estória que não me convenceu. Claro que isso é detalhe, talento, o mais importante, você tem. 🙂

  41. Taty
    23 de setembro de 2016

    Muito boa a idéia do canibalismo metódico. Texto bem escrito e leve, no sentido da leitura.

    Não houve surpresas ou enganações, não ficou muito legal a mulher ter um emprego medíocre, reclamar do marido e andar de carrão, bem vestida e tudo, sem falar que esses “clubes” exigem um nível financeiro elevado ou não se sustentam por tanto tempo. Isso depôs contra a estória. Talvez eu tenha entendido mal.

    Mas é um bom conto, o tema entrou na história como cenário de restaurante, deve valer.

    Acho que é isso.

    • Parmegiana de Berinjela
      24 de setembro de 2016

      Bom dia, taty! Tudo bem?
      Obrigado pelo comentário!

      Infelizmente não tive tempo suficiente pra trabalhar a história como eu gostaria, e meio que tive que mandar a primeira versão, daí acho que foi com alguns furos rsrs.

      Quanto à questão financeira, queria deixar subentendido que o marido a sustentava, mas acho que não ficou claro. Sabe quando a ideia fica clara na sua mente, e você acaba não passando essa ideia pro papel? ahhaha

      Obrigado pelas observações! Abraço!

  42. Evelyn
    23 de setembro de 2016

    Uau!
    Digo o quê? Não sei o que dizer disso tudo. Tudo perfeito. Eu adorei.
    Chamo o seu personagem ou você de Hannibal, Parmegiana? Esse conto me revirou o estômago. No bom sentido. Criatura! Estou até agora pensando o que comentar. Não sei. Ficou tudo muito perfeito. Tão tenebrosamente perfeito ou tão perfeitamente tenebroso.
    Gostei de como entrelaçou tudo. Da sequência. Das palavras. Tudo na medida certa.
    Parabéns!
    Abraços!

    • Parmegiana de Berinjela
      24 de setembro de 2016

      Bom dia, Evelyn! Tudo bem?
      Fico feliz que tenha gostado! Quase desisti do conto, tava estagnado e sem ideias, e extremamente sem tempo, mas me dediquei ao máximo.

      Fica tranquila que só a Juliana é Hannibal, eu sou totalmente do bem, rsrs.

      Obrigado pelo comentário!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 23 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .