EntreContos

Detox Literário.

O Canto do Homem-Pássaro (Jefferson Lemos e Rubem Cabral)

Ahu Tongariki 6

“As folhas que formavam um tapete de sangria, agora já não mais caíam. A cor de osso velho assumiu uma alvura quase ofuscante. A árvore florescia, e suas flores exalavam fogo. Ninguém as via.”

 

Malaki mergulhou no azul profundo. Sentou-se no fundo do oceano e observou a vida que o cercava. Pequenos peixes nadavam despreocupados, enquanto anêmonas multicoloridas se arrastavam preguiçosas aqui e acolá. O estado de letargia fez minutos parecerem horas, e só quando sentiu a última lufada de ar escapando pela boca, subiu para a superfície. O sol da tarde brilhava no céu sem nuvens, saltando para seu mergulho crepuscular.

Ao longe, os contornos da ilha de Rapa Nui eram visíveis. Rano Raraku se prostrava austera, como a montanha mais alta na cadeia, com sua árvore de fogo contrastando com o céu de anil. O tronco petrificado reluzia na cor de osso, entrecortado pelos veios de fogo brilhando num vermelho alaranjado, que corriam por dentro do caule feito de pedra vulcânica. Ninguém sabia quanto à origem real daquilo, mas a árvore era vista como uma representação de Make-make, e os anciões contavam histórias sobre ela. Costumavam dizer que Hotu Matu’a, o primeiro homem a pisar na ilha, esculpiu-a utilizando a mesma técnica que atualmente era utilizada para fazer os monólitos. Por tê-la feito em adoração ao deus criador, escolheu a montanha mais alta. Assim que o totem ficou pronto, a lava do vulcão ascendeu e preencheu a estrutura. Folhas vermelhas germinaram e uma profecia fora proferida. Quando o fruto genuíno brotasse, o primeiro ciclo estaria completo. O começo de tudo já estava predestinado, diziam os sábios.

Atrás de Malaki, Motu Nui, a ilha do Homem-pássaro, já começava a receber as primeiras aves da temporada. Uma profusão de andorinhas-do-mar tomava conta dos rochedos da ilha, engolfando as pedras como uma onda branca. Ele sorriu. Estava pronto para a provação. Sentia a necessidade de estar pronto. Agora já era um homem feito e sua hora finalmente havia chegado. Dali a uma semana a competição de Tangata Manu aconteceria, e ele precisava ser o nadador mais rápido se quisesse ganhar. Queria acreditar que as forças da criação estavam a seu favor.

Quando desbocou na orla da praia, por onde a estrada do templo de Akapu corria, um novo monólito era arrastado sobre um suporte de madeira. Diziam que se a pedra entrasse em contato com o chão, perdia sua magia espiritual. O tricerátopo que a carregava se movimentava devagar. O condutor o instigava com movimentos suaves, batendo uma vara de virtílio na lateral encouraçada. Um grupo de velociraptors corria no sentido contrário, subindo em direção às pedreiras, montados por homens pintados à moda dos operários de patrulha. Seus cocares de penas vermelhas pareciam crinas. Malaki seguiu seu rumo, num caminho entre campos verdes e florestas densas, e encontrou sua cabana; um emaranhado de folhas e blocos de rocha vulcânica. Ali tudo era feito de magma: os utensílios, as armas, as moradias, os túmulos e até mesmo os homens.

Uma escultura para cada Homem-Pássaro, o arauto dos deuses, que deixava o plano existencial. Todo Tangata Manu sabia quando iria morrer, e suas lápides eternizadas eram encomendadas com bastante antecedência. O chefe e profeta da tribo Kalihan, Makau’hara, era pai de Malaki, e um dia já fora consagrado na competição dos homens que falavam pelos deuses. Nadou até a ilha Motu Nui como um peixe flecha, eles diziam. Cortou as águas numa velocidade incrível, e antes que o sol manchasse o horizonte de púrpuro, alcançou a pedra da vitória. Ergueu um canto tão alto que pôde ser ouvido nas margens de Rapa Nui. Pegou não um, mas dois ovos, e voltou nadando com um em cada mão.

Um homem de feitos formidáveis; sua lápide estaria pronta dali a seis dias.

 

***

“Uma ponta amarela brotou no botão da flor, enquanto as pétalas, dia após dias, fechavam-se em seu entorno. O calor no topo da montanha era demais. A flor ninguém via”

 

Malaki encontrou seu pai sentado à fogueira quando a noite já jogava a bola prateada no céu para o horizonte. Um novo dia chegaria em breve, e Makau’hara não havia dormido.

– O que te afeta, meu pai? – sentou-se no tronco envelhecido que rodeava a pira e ficou em silêncio, aguardando a resposta, ouvindo o crepitar da lenha quase extinta.

– Meu fim é ali, Malaki. Meu Moai já está finalizado. Gur’rupanga veio me avisar dos preparativos.

– Você foi um homem de honra. Seus feitos perdurarão pela eternidade. Make-make há de te presentear por sua colaboração para com Rapa Nui.

– O que me aflige não é a partida, mas o que vem depois dela. Não profetizei a sua ida até Motu Nui por acaso. O deus quer me dizer algo.

O homem abaixou a cabeça, cansado. Já estava velho e as marcas da idade ondulavam através dos traços coloridos na face. A pálpebra pesada fazia-o parecer sempre sonolento, enquanto a voz suave tratava de lhe imbuir com uma fragilidade não natural. O alargador na orelha já caia sobre o ombro, porque a pele não mais segurava. Se os rapanui se importassem em contar os ciclos de vida, Makau’hara estaria completando 78.

– Assim como todos, fui escolhido por um profeta. O que há de errado nisso? – Malaki tinha os olhos do pai, quando jovem. E ainda trazia muito de sua juventude para vida adulta. Ingenuidade.

– Tenho sonhos com a árvore de fogo. Ela exala vida demais…

O filho virou-se para o horizonte e, no seu campo de visão, o céu arroxeado anunciava a chegada do dia. Buscou a luz enquanto virava a cabeça e só então descobriu se tratar da árvore rubra. Iluminando até a noite, com um clarão de vida e calor. A cor oscilava entre vermelho vivo e laranja solar.

– É bonita – por fim, concluiu. O velho o encarou com sabedoria e temor pesando-lhe os olhos, e disse.

– É na beleza das coisas que encontramos o nosso fim, meu filho. A morte nos leva porque é mais sedutora do que a vida.

E depois disso nada mais falou, até o fim.

O chefe tribal faleceu seis dias depois, e seu corpo foi carregado até o santuário Ahu Tongakiri. Lá, os homens mais bravos eram sepultados e seus moais ficavam dispostos numa linha reta, de costas para o horizonte e o nascer do sol. O ritual desses guerreiros era realizado antes da alvorada, e naquela madruga ainda escura e fria, Malaki viu a múmia de seu pai ser colocada dentro do monólito, enrolada em panos feitos com palha e adornos de rocha vulcânica. O buraco tinha sido feito para o corpo frágil do ancião. Dentro das estátuas, os espíritos dos maiores guerreiros estariam aprisionados, atentos. Protegendo.

A cerimônia se encerrou com o sol nascente iluminando as silhuetas gigantescas, criando rastros no chão. A maior estátua era de Makau’hara. Seu filho ficou parado ali, observando a bola de fogo subir ao céu, enquanto a sombra de seu pai o protegia. O dia avançou e, aos poucos, sua proteção recuou. A manhã finalmente havia raiado. No dia seguinte o novo Homem-Pássaro seria escolhido, e Malaki tinha certeza que ele cantaria sobre as pedras, bravejando não como um homem, mas sim como um deus.

 

***

“A flor virou fruto, e a cada dia ele crescia. O sulco rosado escorria por sua casca, e já era época de ser colhido. O fruto ninguém via. ”

Quando ele chegou à praia, grande parte dos seus concorrentes já se esticavam sobre a areia amarela. Ao longe, o mar branco havia tomado conta da pedra do Homem-Pássaro.

Malaki sonhara naquela noite.

As águas turbulentas se agitavam ao seu redor, enquanto nadava desesperado. As forças de seus músculos o abandonavam a cada braçada, e a sombra de uma lula gigante, mais escura do que a tempestade que o cercava, cruzou o fundo do mar. Fez de tudo para segurar sua coragem, prendendo a respiração, e continuou a se mover. Quando de repente, um gêiser de calor emergiu à sua frente, como o próprio Tangata Manu em chamas, explodindo um punho de espuma em direção às nuvens. A água ficou vermelha, o magma jorrou das profundezas, e bolhas escuras surgiram na pele. Acordou com o som do próprio grito, enquanto se afogava com saliva.

Agora, a sensação ruim era apenas um resquício, e uma energia diferente rodopiava pelo peito, num frescor enervante. O tempo passou despercebido, e o mundo virou uma massa gelatinosa, em câmera lenta, levando-o até o beiral da praia. A água gelada tocando seus pés; seu coração batendo acelerado; a boca seca e a percepção de cada linha desenhada na pele. Os olhos fundos de quem mal dormira fitavam o horizonte. O grito que precedia a corrida quase não foi ouvido.

 

Correu para as águas e abriu os braços de encontro ao mar. O corpo deslizou pelas marolas como um peixe lânguido, e a marcha marítima começou furiosa. Remava com toda a força que seus braços comportavam, e nada mais via ao seu redor. Ouviu um barulho distante, como o pulsar de um coração, mas as borrifadas na cara não o deixavam perder o ritmo. No rosto, o preto e o vermelho se misturavam. O sal fazia arder os novos furos no corpo, feitos para aquela ocasião, mas o atrito com o oceano era pouco e o empurrava com suavidade. Continuo deslizando, sentindo o pulsar a cada respirada. Um bater estranho e mágico, como se o coração da terra de repente despertasse. Atrás de si, o mundo era só água, e a sua frente, a rocha alva se aproximava, como se estendesse as mãos e cantasse uma canção que só ele consguia ouvir.

Tum.

Nadou com mais força. Lembrou do pai e da sua sombra o protegendo. Agora era hora de criar sua própria silhueta contra o sol.

Tum.

A pedra assomava a cada nova braçada. As aves rodopiavam formando uma coroa ao redor do cume.

Tum, tum.

Sentiu frio enquanto comia os metros nas remadas. O terror do pesadelo surgiu-lhe a mente e, por vezes, perdeu a passada. O enjoo começava a subir pelo estômago.

Tum, tum.

Estava perto, muito perto. Já podia ouvir o quebra mar e o canto das andorinhas. Seu medo aumentava e o coração palpitava, forte demais.

Tum, tum, tum.

Tocou na rocha grudenta, a água açoitando suas costas, e se ergueu. Tinha vencido. Sentiu a pedra escorregadia sob os pés, e não olhou para trás. Apenas levantou a cabeça e gritou para o céu. Um grito surgindo do fundo da alma e…

…tremeu com a terra.

TUM, TUM, TUM.

Silêncio.

Bambeou sobre as próprias pernas, caindo ajoelhado. Olhou para Rapa Nui e ouviu o estrondo. O chão se deslocou devagar, com uma fenda correu por baixo da terra, criando rachaduras como se tentáculos fossem. As veias negras se espalharam pelo mar, cunhando paredões de bolhas no oceano, e então, pararam de súbito. Como se o mundo tivesse dado um solavanco. As aves abandonaram a pedra. Malaki ouviu os rugidos de uma orquestra de dinossauros, e logo em seguida, o punho de fogo subiu ao céu.

Um gêiser titânico, como o do seu sonho, mas feito de lava. O topo da montanha desapareceu e os gases elevaram-se aos céus como se o caminho de Make-make tivesse se materializado até a terra. A lava escorreu pela boca aberta de Rano Raraku, e o mundo virou apenas chamas. A água ao redor da ilha ferveu, e ele viu, impotente, o restante dos homens seren cozinhados na caldeira de fogo do grande mar.

Não havia profecia e nem queda de reis. O sol brilhava e as chuvas caiam quando deviam. Nada fora feito no tempo indevido. Malaki observou a perdição daquilo que sempre conhecera, e nem mesmo os guerreiros de pedra impediram a catástrofe.

A competição, no entanto, estava ganha.

Era o novo Homem-Pássaro, mas não o novo guardião. Suas asas foram cortadas, enegrecidas, e tornou-se, não por vontade própria, o erudito de lugar nenhum.

O fruto alimenta o fogo.

O fruto da justiça costuma ter sabor de sangue.

Despertou na praia, as ondas esmeraldinas acarinhando seus cabelos, os corpos dos outros guerreiros em mortalhas de espuma, rolando como troncos sobre a areia, ao sabor da maré. Malaki, o Tangata manu, o novo homem sagrado de quiçá povo nenhum.

Levantou-se, a pele do peito, abdome e pernas estava coberta de bolhas. Observou o Monte Rano Raraku e não existia mais lava vomitada de sua boca assassina, somente vapores subiam de lá. Horas então certamente haviam passado… Não havia, afinal, sido um sonho, alguma outra premonição. “Por quê?”, perguntou-se. Ele cumprira as regras, deveria ser agora o preferido de Make-Make, porém, se fosse isso verdade, o deus teria inescrutáveis razões para permitir o que acontecera. E Malaki ainda lograra obter o ovo de andorinha-do-mar e o tinha atado à sua cabeça, recuperado do topo do Motu Nui e inacreditavelmente intacto, como deveria ser. Onde errara? Quem fora o responsável?

— Make-Make! – Convocou o deus sem as formalidades de praxe dos pajés, a voz tremendo de ódio, os olhos molhados de mar e de lágrimas. — Por quê?

Por alguns minutos, nada aconteceu. Então, um brilho débil surgiu no céu. A luz azulada e fria, seguramente oriunda dos confins do universo, formou cristais de gelo em pleno ar da ilha tropical. A voz soava como a de alguém ao despertar de um sono profundo.

— Não é obra minha, filho querido – o deus fez uma longa pausa, como se organizasse seus pensamentos. — Eu avisei-te em sonhos sobre o porvir… Humm… Foi Uoke! Vejo agora! Algo foi pedido e pago com sangue e fervor ao deus do fogo. O destruidor da mítica Hiva moveu mais uma vez sua colossal alavanca!

O velho deus do fogo? A entidade que era usada para assustar os pequenos que não queriam obedecer? Quem ainda adorava àquela divindade fracassada?

— Quem, ó criador? Quem pôde pedir por algo assim?

O deus, contudo, pareceu ignorar a pergunta, talvez se preparando mais uma vez para imergir em milenares sonhos gelados. Ao invés, respondeu em meio a um bocejo: — Tu és agora Tangata manu. Te dou poderes sobre o vento e o mar, pois conquistastes ambos, és ave, és peixe. O oceano será o olho de tua mente, o ar, as asas a te sustentar. Faz justiça e vinga meu povo. Tens minha benção…

A estrelinha cerúlea então cintilou e desapareceu, só deixando um rastro de frieza condensada em flocos que derretiam antes de tocar o solo. O homem-pássaro bradou novas perguntas, que jamais foram respondidas.

***

Malaki consultou o mar: percebeu cada onda a colidir contra os rochedos, ou a quebrar suave nas areias. Do topo de vagas enormes observou as vilas, cobertas de magma ainda fumegante. Não havia sobreviventes! Seria impossível, de qualquer forma… Por todo lado, os dinossauros estavam igualmente mortos e o ar rescendia a assado e queimado. Estendeu sua pesquisa e viu, do outro lado da ilha, pessoas saindo de cavernas, olhando assustadas tudo ao redor. Forçou uma onda sobre um promontório e notou detalhes: eram em sua maioria maltrapilhos e subnutridos.

Ir a pé até o outro lado demandaria dias. O homem-pássaro comandou as correntes de ar, mas apenas conseguiu erguer-se uns dois corpos de altura e caiu. Fez descer nuvens e criou redemoinhos, porém não obteve mais sucesso que antes. Aparentemente, controlar o ar exigia mais técnica e paciência do que ele supunha.

Caminhou pela areia e pelos rochedos e recolheu penas, centenas delas. Preparou cola num casco de tartaruga, fervendo algas e mexilhões. Grudou as penas por todo o comprimento dos braços. Fez uma cauda em forma de leque e amarrou-a à parte baixa das costas. Tentou outra vez, as asas davam-lhe mais sustentação e equilíbrio. Encheu o peito de confiança e então voou.

Com assombro nos rostos, o povo o recebeu, entre gritos de medo e admiração. Malaki reconheceu algumas pessoas de sua própria vila e de outras vizinhas: oleiros, agricultores, amas de leite, carregadores, pobres serviçais de todos os tipos.

— Por que estavam escondidos na caverna? Como souberam da erupção antes do desastre? – ele indagou com dureza.

As pessoas se entreolhavam e se encolhiam cada vez que ele elevava a voz. Havia se tornado uma figura ameaçadora, ele refletiu com tristeza.

— Chamam-me Ariki, mestre Orelhas-Longas. O boato se espalhou ontem à noite – começou a falar uma velha alquebrada pelos anos e cuja idade já lhe assegurava estar acima do medo da morte ou da ira dos deuses. — Disseram-nos que nós, Orelhas-Curtas, seríamos queimados por vocês depois da cerimônia do homem-pássaro. Que só estaríamos seguros aqui, nas cavernas de Poike.

O quê?! Então todos aqui são Hanau momoko? Não há nenhum Hanau epe dentre vós?

— Não, mestre. Somos todos humildes Orelhas-Curtas. O mestre por acaso teria alguma comida? Temos fome!

Malaki suspirou, descobrir o culpado seria por certo complicado. Esperava descobrir algum feiticeiro poderoso ou algo do tipo. Sem muito esforço, sentiu o mar. Deslocou ondas em sentidos opostos e encurralou um cardume de sardinhas. Com outra vaga maior atirou os peixes à areia.

— Vão até a praia. Catem os peixes. Não é muito, mas vai sustentá-los por enquanto.

— Obrigado, mestre! – a velha disse, sorrindo. — O senhor é diferente, o senhor é bom.

***

Nos meses que se seguiram Malaki auxiliou os Hanau momoko a reconstruir a ilha, fazendo chover no tempo certo sobre as novas plantações de inhame, batata-doce, banana e cana-de-açúcar, soprando o vento em moinhos que ele mesmo inventou e ajudou a construir, provendo peixe em abundância aos pescadores.

A idosa senhora, muito sábia, tornou-se sua conselheira e com frequência convocava seu suporte: “Há uma família cujo pai é viúvo e está doente e cujas crianças estão sem comida ou cuidados. Levarei alimentos e ervas até eles. Tu poderias vir comigo para reforçar a fé de que eles não estão à própria sorte, que o poderoso Homem-Pássaro se importa com os humildes e que todos são igualmente importantes”.

Desposou no ano seguinte uma Orelha-Curta muito formosa, de nome Ramana, com quem teve três filhos e duas filhas. Sua vida aos poucos se tornou a de um simples pai de família então, e ele acabou por quase se esquecer do massacre de sua tribo original, de sua promessa por justiça e vingança. Quem quer que tenha sido o culpado, que Make-Make o castigasse… Não tinha intenção de ferir aquele povo que agora se tornou seu povo.

Certa manhã, Ramana o despertou:

— Malaki, acorda, alguém deseja falar contigo!

— É cedo, mulher. Por que me acordas? O sol ainda não brilha… – resmungou.

— A velha Ariki. Ela está morrendo e quer te ver…

Havia se tornado bom amigo da velha e desconhecia que ela estivesse enferma. Saiu apressado e foi até a choupana da anciã, modesta mesmo para os padrões dos serviçais mais humildes.

A senhora sorriu quando o viu. Estava deitada sobre uma esteira. Ele ajoelhou-se junto dela, ajeitou seus cabelos cor de cinza de palha e beijou-lhe a testa. Ela fez um gesto com a mão ossuda e disse algo com a voz muito fraca. Ele aproximou o ouvido de sua boca e a escutou sussurrar: — Fui eu…

Lágrimas corriam de seus olhos cansados enquanto Malaki a encarava sem entender.

— Minha neta tinha oito anos… Havia sido surrada certa vez até não conseguir andar mais, por ter roubado batatas da casa da patroa Hanau epe, porque tinha fome. Além de aleijada, foi tão cruelmente golpeada na cabeça que ficou sonhando acordada, babando, dependendo dos outros para tudo. Mas eu cuidei dela, mesmo quando a mãe a rejeitou. Teu pai, o grande Makau’hara, resolveu que sacrificaria todos os Orelhas-Curtas inúteis depois da cerimônia do Homem-Pássaro daquele ano, a cozinheira dele me contou. Alguma profecia sonhada, algum pedido de Make-Make para melhorar as colheitas. O malvado morreu antes, mas suas ordens seriam seguidas. Minha neta, eu também, estávamos com certeza em tal lista.

— Meu pai não faria isso! Ele era um homem bom! E já não se faziam mais sacrifícios humanos desde os tempos de Hotu Matu’a!

A senhora tossiu, parecia não lhe dar atenção.

— Sabe, eu nunca gostei de Make-Make. Deus frio, que só realizava favores a vós e que aceitava-nos e convocava-nos como animais de sacrifício. Sempre queimei sementes, frutos e flores a Uoke todos os dias, desde menininha. Ele curou-me mais de uma vez, ajudou-me nos meus partos, me deu forças, uma vida longa. Então, eu, eu matei minha netinha, sangrei a pobre feito uma galinha, e ela não deu um grito, só ficou me olhando com aqueles olhinhos vazios de quem já morrera há muito e não percebera. Queimei depois seu corpo que era quase só osso. Não era um grande sacrifício para o que eu pediria, mas Uoke o aceitou de bom grado. Eu pedi: acaba, pai, com nossa opressão. Move a alavanca mais uma vez. Mata todos os malvados Hanau epe. Liberta-nos!

Os olhos da anciã ameaçaram fechar, mas ela os forçou a abrir, como se empurrasse a morte de seu abraço final.

— Eu só não contava, Malaki. Que houvesse ao menos um Orelha-Longa bom! Me apressei em julgar todos. Me perdoa, filho. Eu não deveria…

A luta da senhora então terminou de repente. O ar que escapou de seus pulmões soprou de leve os cabelos de Malaki e ele ficou ali, por minutos que lhe pareceram eras, a olhar o corpo frágil, a mirar os olhos vidrados, sem saber se deveria amá-la ou odiá-la.

Transtornado, Malaki retornou à sua casa. Vestiu uma túnica de penas, que Ramana havia preparado para ele, e alçou voo. Subiu, subiu até que a ilha virasse um triângulo distante, um pedacinho verde isolado por infindas águas de todas as demais terras: um verdadeiro umbigo do mundo.

Conectou-se depois ao mar e notou por acaso duas embarcações do homem-branco a talvez sete dias de viagem da ilha. Poderia facilmente apagá-las da face do oceano, mas já descobrira que não se tornara um instrumento da justiça divina feito um dia julgara ser. Ao invés, então, convocou uma tempestade poderosa e desviou-os completamente do seu destino, obrigando-os a retornar ao continente.

Desceu até as águas e ficou por lá, boiando, observando o passar do tempo, com os olhos cheios de água salgada. Águas suas ou do mar, isso não mais importava… Por momentos pensou em deixar-se afundar, terminar o trabalho de extermínio dos Hanau epe que Ariki começou. No entanto, decidiu engolir o choro. Aquele povo havia se tornado seu povo e cabia a ele defendê-lo enquanto forças tivesse, finalmente concluiu, elevando-se do mar e retornando à vila.

O fruto havia amadurecido…

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36 comentários em “O Canto do Homem-Pássaro (Jefferson Lemos e Rubem Cabral)

  1. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    o conto é muito poético e muito forte, sua linguagem é muito bem trabalhada e a história empolgante, talvez o final poderia ser melhor trabalhado, é muito rápido ,a embarcação do homem branco aparece e se vai, malakai sofre uma grande transformação,mas devia se focar mais na história da morte da anciã e o que se sucederia a partir dai ,mostrando uma transformação intimista do principal

  2. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Ka mate! Ka Ora! Excelente conto! Descrições poéticas mas sem exageros, metáforas bem empregadas, um herói melancólico e questionador, um cenário que evoca outros tempos, místicos, misteriosos. Tudo fui com perfeição e os dois autores, a meu ver, souberam construir uma história muito interessante. Aliás, que dupla! Não consegui até agora perceber a “emenda” do conto, tal a sintonia. Gosto de lendas polinésias, essa predileção que eles têm por divindades aladas e aquáticas. É bem típico! Isso revela um esmero sem igual na condução do conto, farta pesquisa e dedicação. A parte gramatical também ficou show! Enfim, um dos melhores contos do desafio. Parabéns a ambos os autores!

  3. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Oi, autores!

    Nossa, conto com uma narrativa firme do começo ao fim. Olha o lance de Rapanui é muito bom e o texto é bem visual, mas ainda dá vazão a divagações e sentimentos (o que acho importante). Não vejo problemas de se pesquisar na internet para saber mais sobre o lance do Deus Makemake, mas senti que cabiam explicações dentro do próprio nesse sentido. Curti a idosa e o lance com os orelhas curtas e longas (uma coisa trágica partindo de um engano, nada mais humano que isso) e as imagens foram ótimas e deleitosas. O conto se destaca por repassar uma cultura não muito difundida e acaba instigando a querer saber mais.

    Queria ter me ligado mais ao personagem, porque ele me pareceu meio inabalável demais, a narrativa, por ter termos não conhecidos acaba se atravancando, mas mesmo assim apreciei o oferecido.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 8

  4. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Toda a narração foi escrita com muito capricho por ambos os autores. A ambientação ficou ótima!! Leitura extremamente imersiva, com ótimas descrições, e até algumas palavras inventadas para melhor caracterizar o povo selvagem. Uma história densa porém divertida, com vários acontecimentos, longa, mas que não ficou cansativa. Gosto muito quando há dinossauros na história!!! Isso certamente me conquistou.

    O segundo autor soube se virar bem. Conseguiu produzir algo bastante interessante, e seguiu as regras estabelecidas pelo primeiro, o que tornou a história ainda mais atraente. O final foi bom, e fechou bem toda a obra.

  5. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Belo início paradisíaco para um conto fantástico. O conto é bonito e fascinante, no mais puro estilo da “Rosa dos Ventos” da Ursula Le Guin, mas o bater estranho e mágico pareceu-me uma reminiscência da “Queda da Casa de Usher”. O estilo dos dois autores é parecido, e o encaixe da continuação foi perfeito. Uma obra-prima, com certeza deverá estar no pódio, parabéns.

  6. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Que beleza de conto, meu Deus!
    Parabéns aos autores. Estou me impressionando com a qualidade de alguns contos deste desafio é o conto de vcs é, sem dúvida, um dos melhores que li até aqui. Gostei muito das pequenas passagens entre um trecho e outro. Trouxe ainda mais poesia para uma história cheia de belas imagens.
    E quero dar meus parabéns tambem ao autor da continuação. Na hora que a velinha falou: “Fui eu..” eu arregalei os olhos e falei “PQP!!!”.
    Não tenho pontos negativos a ressaltar. Vcs fizeram um excelente trabalho. A correção gramatical e ortográfica também ajudou na leitura do conto. Não teve nenhum errinho bobo para tirar a atenção da história. Só posso parabenizar os dois autores.
    Muito boa sorte no desafio! Um abraço!

  7. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: é sempre difícil analisar algo que não se tem a mínima noção. Mas, nesse caso, eu gostei de ter lido esse conto justamente por não conhecer nada do universo proposto. Admiro o segundo autor, que teve que enfrentar isso, e com um resultado bastante satisfatório.
    INTEGRAÇÃO: o segundo autor não deixou a peteca cair e criou uma mitologia para a história, ainda que absurda em alguns momentos.
    CONCLUSÃO: um conto com resultado positivo, ainda que muito longe da minha preferência pessoal.

  8. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    história muito interessante de ler, e fazendo paralelos para a nossa vida quotidiana, então, este conto ganha ainda muito mais relevo. Foi pena que se tenham perdido com histórias paralelas e só no final houve aquele salto tão bem dado. Parabéns para esta dupla

  9. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Nossa, que conto difícil…. Eu até pensei em ir pesquisar sobre essa mitologia pra ver se é totalmente ficção ou é baseada em alguma lenda e etc. Não fiz, por preguiça devo confessar, e porque estou mentalmente exausta.
    Toda essa construção do conto, está nítido, foi muito bem arquitetada, percebi que o autor se esforçou bastante pra fazer algo diferente. É conseguiu.

    Apesar de complexo, não é difícil o entendimento, as regras dessa “ tribo”; toda a poesia da profecia, as descrições são bem feitas. E isso já é algo a observar e elogiar.

    Achei um conto bem longo, quando pensei que o segundo autor estava entrando ainda não era, então não sei ao certo onde ele começa a tomar conta. Ou seja, houve uma boa sintonia, e o colega se esforçou para manter o ritmo. É digo que isso deve ter sido muito complicado, eu não sei o que faria.

    Resumindo a história, é um bom conto, apesar de não trazer uma empolgação ou um clímax que me instigasse, deu pra sentir os personagens. Embora eu não tenha me afeiçoado a nenhum deles. Não pretendo cometar afinco sobre coisas ilógicas que aconteceram, o segundo autor ão tomou muito cuidado com o tempo que se passa a história… ou foram os dois? Não sei, a parte dos dinossauros está equivocada.

    É complexo, e sai da minha zona de conforto como leitora, não é algo que eu esteja acostumada a ler

    Parabéns aos autores.

  10. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Bonito, bem traçado, bem escrito. A trajetória do homem pássaro , com seus ritos e mutações é tantas vezes uma analogia de nossas vidas. Reflexivo.
    Nota 9,0

  11. Simoni Dário
    18 de agosto de 2016

    Olá
    Um conto que não me agradou. A primeira parte bem superior à segunda. Creio que o autor inicial escolheu um tema complicado, de difícil complementação e aí nessa fase (complementar) tornou-se bem arrastado e cansativo.Tive vontade de pular parágrafos na etapa final. Desculpem os autores, talvez seja gosto pessoal, mas quando comecei a leitura, a estética do texto inicial começou a me ganhar para decair bastante na etapa complementar. O último parágrafo foi o brilho que faltou para toda a segunda etapa, e no quesito “fim” cumpriu bem o seu papel.
    Abraço

  12. angst447
    18 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Título bonito, quase poético.
    R – Algumas falhas de revisão:
    homens seren cozinhados > homens serem cozinhados
    as chuvas caiam > as chuvas caíam
    Eu só não contava, Malaki. Que houvesse > Eu só não contava, Malaki, que houvesse…
    E – As duas partes encaixaram-se sem que a emenda tenha ficado evidente. O segundo autor respeitou a linha de narrativa proposta pelo colega, embora tenha aumentado a ação e os diálogos no texto. Assim, considero cumprido de forma satisfatória o objetivo do certame.
    T – Uma trama sobre a saga de Malaki, homem-pássaro, diante do imprevisto – um gêiser titânico feito de lava que provocou várias mortes. E ao final do conto, revela-se a causa de tudo aquilo – um pedido feito por uma avó sentindo o peso da injustiça contra o seu povo.
    A – A economia de diálogos e a densidade da escrita pesaram um pouco na hora da leitura. O tema, embora bem trabalhado, em alguns momentos, torna-se muito denso e difícil de ser compreendido. A parte final trouxe novo ritmo que despertou a curiosidade para a razão de tudo aquilo. O conto me fez pensar em várias coisas: o pavão misterioso de Saramandaia, a ilha de Páscoa, os sacrifícios feitos aos deuses, o povo havaiano. Por quê? Isso eu já não sei responder.
    🙂

  13. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Cara, a primeira metade tá genial! Sério. Sem dúvida tá entre as duas melhores que li até agora. A segunda parte tá boa, então na média o conto ficou bem legal!
    Gostei bastante da ambientação, de toda a caracterização do local e das pessoas. Gosto bastante desse tipo de história que se passa num universo criado pelo autor. Exige uma criatividade muito grande, o que rende mais pontos.
    Os poemas sem dúvida abrilhantaram a história, parabéns!

  14. Bia Machado
    18 de agosto de 2016

    Confesso que essa foi a terceira vez que tentei ler esse conto. Nas duas outras vezes, o tom arrastado do início me causou cansaço logo de cara. A primeira parte tem muita descrição, e isso foi o que me desanimou e me fez deixar de lado mais um pouco. A ação melhora na segunda parte e acho que a sintonia entre os autores foi boa, o segundo autor parece ter conseguido seguir no mesmo rumo do enredo, apesar de não ser muito dado a expressões metafóricas, tanto quanto o primeiro. Outro ponto que fiquei meio “assim” foram os dinossauros ali, sei lá, precisava? De qualquer forma, parabéns aos autores, ao primeiro pela linguagem e ao segundo pela decisão em ousar um pouco mais.

  15. Jowilton Amaral da Costa
    18 de agosto de 2016

    Conto muito bom e muito bem ambientado. Uma boa história bem contada. A interação da dupla foi muito boa, com uns pontinhos a mais para a primeira parte, ao meu ver. Os parágrafos iniciais serviram como uma fotografia do ambiente descrito, tal os detalhes narrativos.A segunda parte consegue manter o nível, embora perca força no final. Boa sorte.

  16. Bruna Francielle
    17 de agosto de 2016

    Após um inicio de lida um tanto quanto sofrida, leitura realmente dificil, achei que a segunda parte do conto apresentou mais fluídez, mais compreensibilidade. No começo, detalhes q parecem não ser importantes para a história, se misturam com poucas frases que denotam alguma importância pra entender a parte da ação (muita descrição, pouca ação.. se não cuidar, a parte que fala da ação passa despercebida em meio a um mar de detalhismos). Da metade pro final, passei a achar a história bacaninha. Um bom final. A revelação de q era a senhora amiga dele q o traira.. a relação dos 2 pareceu superficial, não fOi aprofundada de forma q sentissemos que Malaki e a Ariki tinham uma amizade especial, apenas foi citado q tinham. Por isso, não chocou nada a revelação de que era ela.. quem matou o povo dele. A reviravolta,de ele passar a considerar o outro povo como o dele, e a frase final, foram boas sacadas. O título acabou pro perde o sentido no que diz respeito ao “Canto”, ele não cantou, hehehe’ não piou e tals.. Confesso, o título em si não chama mesmo muito interesse ao conto, tanto q ficou aqui o penultimo q estou lendo. Achei apenas que.. houve uma falta de coerencia. Na parte 1, citam-se dinossauros.. (um detalhe que gostei..) na parte 2, fala de uma embarcação de homem branco … mas nossa, o ser humano evoluiu milhares de anos em poucos anos assim ???? De dinossaros à embarcações de homens brancos, era para ter passado um bom tempo, não ? Considero o erro mais grave da história

  17. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): gostei bastante da ambientação criada no início e da conclusão feita. Tudo funcionou muito bem e nem parecia que eram dois autores diferentes escrevendo a história. A parte em que ele conhece a esposa e se torna parte dos Orelhas Curtas ficou bastante corrida (desproporcional ao ritmo cadenciado do texto até ali), mas ainda assim é necessário para o fechamento da trama. E foi, sem dúvidas, um grande fechamento.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): lindas descrições no início e ótima criação da ambientação. Alguns pequenos erros que não atrapalharam muito a leirtura. A segunda parte focou mais na trama e menos no lapidar da palavra, mas ainda assim mantive um ótimo nível. Os erros que encontrei foram esses:

    ▪ Continuo (continuou) deslizando
    ▪ com uma fenda (que) correu por baixo da terra

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): muito criativa a ambientação de uma ilha perdida. Não sei se o autor pesquisou ou invetou essa ambientação baseada na Ilha de Páscoa, mas achei bastante legal. Gostei ainda mais quando entrou forte na fantasia.

    👥 Dupla (⭐⭐): como já adiantei, nem parecia um texto de dois autores. A trama ficou bastante coesa e acredito o que o segundo autor respeitou bastante a ambientação, mesmo trazendo reviravoltas importantes.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o final funcionou bem, mas não chegou a me emocionar tanto. A parte em que a velha surgiu e morreu foi muito rápida. Talvez o impacto tivesse sido maior se fosse melhor explorada.

  18. Andreza Araujo
    16 de agosto de 2016

    Este foi um conto que eu não gostei logo de cara, pelo excesso de palavras desconhecidas (os nomes dos locais, etc.), pois me deixou meio confusa. Além disso, a história em si estava desinteressante, arrastada, sem emoção, não sei…

    Mas com o tempo eu tomei gosto pela história, tomei mesmo, e ao final já estava vibrando. E esta impressão minha não tem a ver com o fato de achar a segunda parte melhor que a primeira, pois o segundo autor incorporou bem as ideias da primeira metade.

    É um texto extremamente inteligente e cheio de significados, acredito que exigiu muita pesquisa ou grande conhecimento por parte dos autores. Estou impressionada.

    Em tempo: não é um dos meus textos favoritos do atual desafio, mas a qualidade impressiona.

  19. Marco Aurélio Saraiva
    16 de agosto de 2016

    Um belo conto, daqueles que fazem você sentir que leu um livro inteiro no final. Acho muito interessante quando autores conseguem contar tanto em tão pouco tempo, sem cansar o leitor ou diminuir a qualidade do texto.

    Ambos os escritores são muito bons! O primeiro é exímio, daqueles cuja escrita me faz ter inveja. O segundo não fica muito atrás, sacrificando um pouco (só um pouco!) das belas construções e metáforas em prol de um pouco mais de velocidade no enredo.

    A história é muito boa e original. Malaki é um bom personagem, assim como o seu pai e até Ariki, As descrições do conto são muito boas, o cenário, a atmosfera… tudo foi muito bem feito! O conto nos faz até mesmo pensar, visto que é fácil fazer paralelos entre os deuses do conto e os deuses de hoje, além das diferenças sociais do povo de Malaki e do fato dele nunca ter notado tamanha devassidão.

    Gostei da leitura. Fluiu muito bem. Eu tiraria o lance de “homem branco” no final, já que o conto me parece tão único e original que esta parte me soou mesmo como um clichê. De resto, Parabéns!

  20. Anorkinda Neide
    16 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    Um conto muito bom, completo por si mesmo. Gostei das nuances mostradas nos versos sobre a árvore, denunciando o que ninguém via: a realização da profecia. Gostei da salvação do moço, original. Um texto bem cuidado, trabalho com esmero.
    .
    Comentario segunda fase
    A continuação ficou algo corrida, muita coisa aconteceu numa narrativa superficial. Achei o final instigante com um aprendizado, afinal.
    .
    União dos textos
    Achei que ficou bem dividido, percebe-se a alteração de autores e a história ganhou novas cores, resultando que o trabalho q começou bem esmerado terminou afobado, foi a impressão que tive. Boa sorte aos autores. Abraços

  21. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Temos uma peça rara aqui: um conto baseado na mitologia Rapa Nui, um povo nativo da Ilha da Páscoa. A história versa sobre a tradição do Tangata manu, o homem-pássaro, um título conferido ao vencedor de uma competição anual que era um tipo de ritual, o culto do homem-pássro, um componente fundamental da chamada religião do homem-pássaro. O objetivo era recolher o primeiro ovo de andorinha fuligem (Manu Tara) da temporada da ilha de Motu Nui , nadar de volta para Rapa Nui e subir a falésia de Rano Kau até a aldeia de Orongo. Na mitologia Rapa Nui, a divindade Make-make era o deus principal do culto do homem-pássaro, e os outros três divindades associados foram Hawa-tuu-take-take (o Chefe dos ovos, um deus do sexo masculino), sua esposa Vie Hoa, e outra divindade feminina chamado Vie Kanatea. Cada um destes quatro também tinha um deus criado que foi associado com ele / ela. Os nomes de todos os oito seriam cantados por concorrentes durante os vários rituais anteriores à caça do ovo. Os participantes, todos os homens de importância na ilha, eram revelados em sonhos por ivi-attuas ou profetas (que podem ser homens ou mulheres). Cada concorrente deveria então escolher um ou às vezes dois Hopu (outros homens adultos de menor status), que seriam os encarregados de realmente conseguir o ovo, devendo nadar até Motu Nui transportando provisões em um pacote de juncos chamado de pora debaixo de um braço e aguardam a chegada das andorinhas do mar, na esperança de voltar com o primeiro ovo, enquanto os seus patrocinadores tribais, os competidores, esperou na vila de pedra de Orongo . A corrida era muito perigosa e muitos Hopu foram mortos por tubarões, por afogamento, ou pela queda de falésias. Uma vez que o primeiro ovo foi recolhida, o localizador iria para o ponto mais alto da Motu Nui e clamar para a costa da ilha principal, anunciando seu benfeitor pelo novo nome do benfeitor dizendo: “Vai raspar sua cabeça, você tem o ovo!” O grito seria retomado pelos ouvintes na linha costeira que iria passar-se do lado do penhasco para os competidores que esperam na vila de pedra. O Hopu mal sucedida, então nadar coletivamente volta para a ilha principal, enquanto o que encontrou o ovo permaneceria no Motu Nui e iria jejuar sozinho até que ele nadou de volta, o que ele iria fazer com o ovo garantido dentro de uma cesta cana amarrada na testa. Chegando à terra, ele devia, em seguida, subir o íngrime penhasco rochoso e, se não caísse e morresse, apresentar o ovo para seu patrono, que já teria raspado a cabeça e pintado de branco ou vermelho. Este competidor bem sucedido (não o Hopu) seria, então, declarado Tangata Manu, o Homem-Pássro, e levaria o ovo em sua mão em uma procissão descendo a encosta de Rano Kau para Anakena se ele era de um clã ocidentail, ou Rano Raraku, se ele era de um clã oriental. O novo tangata-manu tinha direito a presentes de alimentos e outros tributos (incluindo seu clã teria direitos exclusivos de recolher colheita daquele temporada de ovos de aves selvagens e filhotes de Motu Nui), e entrou em reclusão por um ano em uma casa cerimonial especial. Uma vez na residência lá, ele foi considerado Tapu (sagrado) pelos próximos cinco meses de seu status de um ano, durante os quais não deveria cortar as unhas e deveria usar uma touca de cabelo humano. Todo esse tempo ele ficaria apenas comendo e dormindo, não podendo se envolver em nenhuma outra atividade. O culto do Homem Pássaro foi suprimido por cristãos missionários na década de 1860. A origem do culto e do tempo do mesmo são incertos, como não se sabe se o culto substituiu o anterior, baseado na religião Moai, ou co-existiu com ele. [Fonte: Wikipedia]. Como é baseado em uma lenda folclórica pouco conhecida entre nós, achei que foi boa ideia se manter próximo à estória original, sem excessos de releituras. O autor faz isso, se mantém fiel à lenda original, a não ser por uma coisa. Malaki participou da competição até o ovo e recebeu o título de Homem-Pássaro. Ora, vimos que não era quem participava diretamente da busca ao ovo que recebia esse título, mas sim um, superior, uma espécie de patrocinador, pertencente a uma classe superior na hierarquia da aldeia. Uma coisa eu estranei bastante: tricerátopos? velociraptors? Então tudo se passa na pré-história? Sabemos que essa tradição cultural nada tem a ver com pré-história, pareceu uma coisa gratuita, que muda o gênero do conto de Fantasia Folclórica com base histórica para Fantasia Fantástica, o que não me pareceu uma boa ideia, neste caso. Foi bastante intrusiva e desnecessária a inclusão de dinossauros no conto, eu tiraria isso, ficaria bem melhor sem. O continuador certamente teve trabalho, já que precisou estudar a lenda original e emular a escitra do primeiro autor. O final foi satisfatório, mas esperava algo mais mítico e menos psicológico. No geral, o conto é muito bom, excelente ideia falar de uma lenda tão pouco conhecida entre nós, gostei muito, foi um grande trabalho de pesquisa e elaboração, parabéns, desejo para vocês muito Boa Sorte!

  22. Pedro Luna
    15 de agosto de 2016

    Um conto interessante. Confesso que no início achei que ia ser chato, cheio dos nomes, mas ele toma caminhos que o torna interessante. A explicação das tradições é certeira e não cansa, e a reviravolta, da destruição do povo, realmente dá um novo gás no conto. Os orelhas curtas no início me pareceu meio ex-machina, assim como a revelação no fim, de quem ferrou com tudo (tal personagem nuna havia aparecido na história), mas deu pra encarar. No geral, é um bom e interessante conto. Bem escrito tb.

  23. catarinacunha2015
    15 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: O conto é grandioso, alimentado por um vocabulário responsável. O começo foi lento, pesado, mas depois engatou a quinta e ganhou força e velocidade.

    PIOR MOMENTO: O tricerátopo, o velociraptors , os dinossauros não fizeram a menor diferença na trama; só atrapalharam. Lembrei dos pássaros quero-quero que ficam zanzando no campo de futebol em dia de clássico.

    MELHOR MOMENTO: “– É na beleza das coisas que encontramos o nosso fim, meu filho. A morte nos leva porque é mais sedutora do que a vida.” – Adoro quando encontro no texto uma frase que sintetiza a mensagem.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Não facilitou para ninguém. Acabou com o mundo e jogou o bastão pro alto.

    2ª PARTE: Depois da terra arrasada, só apelando ao Criador, né? Gostei da trama dos orelhas curtas e longas. A continuação perdeu em intensidade com a narrativa lenta, mas deu a personalidade marcante que faltava ao herói.

    PIOR MOMENTO: “Por todo lado, os dinossauros estavam igualmente mortos e o ar rescendia a assado e queimado.” – Se por todo lado tudo virou assado, como em seguida aparece gente crua? A construção não ficou boa.

    MELHOR MOMENTO: “Havia se tornado uma figura ameaçadora, ele refletiu com tristeza.” – Ah… olha o poder aí fazendo seus efeitos.

    EFEITO DA DUPLA: Eu não esperava, mas funcionou.

  24. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    Conto trás toda uma contextualização de uma cultura. Nota-se lendas, características, ideologias. Uma verdadeira obra de cunho cultural! O texto é bem escrito, personagens fortes e marcantes. Na continuação, achei que faltou um pouco mais de ação, entretanto não corrompeu em nada a beleza da mensagem que o conto quis transmitir. O enredo é muito bom. Parece que foi tirado de um livro de história. Parabéns!!! NOTA:9

  25. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: o conto atual é um dos que mais apreciei até o momento, bem regido do início ao fim. Achei fantástica a mitologia que conseguiram criar sobre os homens pássaros, assim como a ambientação no cenário pré-histórico. Tudo isso sem perder o fio da meada – leia-se enredo.
    Criatividade: bem… o protagonista é praticamente um avatar dobrador de ar e água, capaz de montar dinossauros, em um mundo regido por deuses que realmente dialogam com os seres, com direito a profecias, sonhos premonitórios. Poxa vida…
    Unidade: é perceptível certa mudança de tom na narrativa do começo para o final (da maioria sugestiva para a maioria descritiva), mas isso fez sentido de acordo com o crescimento do enredo. Gostei do modo como os fatos se desencadearam, levando à reviravolta final com Ariki assumindo a culpa pela destruição dos companheiros de Malaki.

  26. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    Esse trabalho ficou muito bom! Ótima atmosfera e estilo, transportando-nos para o mundo do conto! Os autores conseguiram um resultado bem coeso, parabéns!

    Apenas alguns errinhos localizados em alguns momentos distraíram um pouco, como falta de crase, mas nada que tenha estragado a experiência.

  27. A história do guerreiro solitário, presenciando o fim dos Rapa Nui na Ilha de Páscoa já é, por si só, uma excelente ideia para trama, através da recriação histórica. A primeira parte do conto é muito bem escrita e envolvente.

    O segundo escritor não deixou nada a desejar. E a história do povo sofrido dando a volta por cima, em novos tempos, onde quem conta é o ser humano e não os deuses, fechou o conto com chave de ouro.

    Parabéns para os dois escritores.

  28. Wesley Nunes
    10 de agosto de 2016

    O inicio do conto já chama a atenção do leitor, o autor o conquista usando um tom poética e uma narração que lembra o contar de um mito. O cenário é uma ótima escolha foi bem construído e chamou a minha atenção a forma criativa em que a cultura foi criada.

    Gosto da forma como o autor experimenta em seu texto. Tanto em relação as frases no meio dos parágrafos com um tom de profecia, como também o uso das onomatopeias. O conto possui algumas camadas, mas devo elogiar como foi mantido o foco no ciclo da vida.

    O dois autores trabalharam em conjunto e todos os meus elogios devem ser partilhados.

    Há somente uma crítica: No momento em que o personagem principal segue para seu novo povo, a história acelerou demais. Sei da quantidade máxima de caracteres, porém, ao ler o trecho mencionado, senti que ele foi condensado. A leitura foi prazerosa, entretanto, vi nessa história mais um romance de certa forma encolhido do que um conto.

    Parabéns pelo trabalho.

  29. Evandro Furtado
    9 de agosto de 2016

    Complemento: upgrade

    Apesar de densa, achei a primeira parte ligeiramente confusa. O segundo autor, apesar de mudar o tom da escrita, conseguiu desenvolver melhor a trama e os personagens, se bem que, creio eu, tenha cometido um deslize no final proposto pelo primeiro autor. Ainda assim, o conto correu bem até o final.

  30. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: O Canto do Homem-Pássaro

    TÉCNICA: * * * *
    Muito boa. Consegue criar um climão de fábula e dar fluidez à narrativa com naturalidade.
    Achei que só exagerou um pouco nos nomes complicados. Alguns eram necessários, outros pouco agregaram.

    – Continuo deslizando
    >>> continuoU

    – seren cozinhados
    >>> serem

    – ondas esmeraldinas acarinhando
    >>> forçou a barra…

    ATENÇÃO: * * * *
    Prendeu bem a minha atenção durante toda a história

    TRAMA: * * * *
    Gostei bastante desse “folclore”. Não sei se são lendas já existentes ou se foi tudo inventado, mas ficou muito bom.
    O final é até previsível (me refiro ao “culpado”), mas não deixei de sorrir quando a velha fez a revelação, tipo quando a gente está vendo um filme e vem aquele ímpeto alegre de dizer – “eu sabia!” 😀

    UNIDADE: * * * * *
    Com exceção aos pequenos lapsos de revisão na segunda parte, a fusão foi muito bem executada

    NOTA FINAL: 8,5

  31. Matheus Pacheco
    5 de agosto de 2016

    Eu achei uma boa criação para a “desconhecida” mitologia da ilha de páscoa (Eu acho).
    Mas eu tive uma duvida, se os personagens são humanos ou algo mais “transcendente” (Bonita palavra não?).
    Abração amigos

  32. Thomás Bertozzi
    4 de agosto de 2016

    Conto muito rico, cheio de detalhes, abordando uma mitologia não muito “famosa” (o termo é horrível, desculpem-me, mas não pensei em outro)

    O melhor aqui é que o autor subsequente continuou a trama no mesmo nível. Este talvez seja o vigésimo conto que leio, e, até o momento, são bem poucos os textos nos quais há uma passagem fluida entre um e outro autor.

    E ambos estão de parabéns!

  33. Brian Oliveira Lancaster
    4 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – O Canto do Homem-Pássaro (Escultor)
    CA: Impressionante. Temática original, bem explorada, porém dificílima de ser completada. O desenvolvimento entra partes, com pequenos trechos poéticos foi excelente. – 9,0
    MAR: Divisão certeira de acontecimentos, com pequenos detalhes aqui e ali que criam peças do quebra-cabeça maior. A prosa poética, os asteriscos e as onomatopeias foram escolhidas a dedo. – 9,0
    GO: Gostei, mas será uma tarefa homérica para o próximo. Tem pinta de pódio, mas a pressão será grande. Nesse quesito decepciona um pouco. Há o gancho ao final, mas como continuar um texto desse nível? O autor escreve de forma fantástica. – 8,5
    [8,8]

    JUN: Texto bastante complicado de se completar, mas nota-se exímio esforço em continuar na mesma linha de pensamento, com um final que amarra as pontas de forma excelente. – 9,0
    I: Enredo complexo, semelhante às lendas maias, com atmosfera típica permeando todo o conjunto. Tem alguns errinhos aqui e ali, mas não chegam a atrapalhar a experiência. – 8,0
    OR: Um texto bem diferente em sua premissa. É fantasia, mas utilizando mitos e lendas da América Central. Pode não ser original naquela região, mas aqui, no desafio, foi bem inusitado e cumpriu bem seu papel de compor uma boa história. – 9,0
    [8,6]

    Final: 8,7

  34. Gilson Raimundo
    3 de agosto de 2016

    O primeiro autor deve ter pesquisado bastante as lendas da Polinésia e do Pacífico Sul, pois parecia saber do que estava falando, acho temeroso um conto assim num desafio pois em geral não temos tempo para pesquisar tais lendas ficando um pouco no ar a mensagem que deseja passar, eu em particular não tive tanta empatia pela história, sabia que os nomes próprios teriam um significado importante mas o tempo não permite saciar minha curiosidade, o que me prendia era a curiosidade em saber sobre os grandes monólitos da Ilha de Pascoa, fiquei frustrado, esperava até alienígenas então vieram os famigerados dinossauros detonar o conto, numa ilha junto com humanos, só no Jurasic Park, viagem no tempo ou realidade alternativa, O segundo autor fez uma boa tentativa de continuidade, mas perdeu a característica do que o conto deveria ser, no total o conto desviou do caminho.

  35. Davenir Viganon
    2 de agosto de 2016

    Olá. Gostei deste mundo fantástico dos Rapa Nui (rolou até uns dinossauros). A leitura não fluiu muito bem por não estar familiarizado mas depois foi. Uma estória difícil continuar essa, pois exige que o continuador faça uma pesquisa também (e o anonimato impede de compartilhar material sobre). Achei bem bonito o final. Parabéns aos escritores.

  36. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Um conto cult. Bem escrito. Com uma bela mensagem.Longo ? Certamente. Monotono ? Talvez. Depende do momento que se lê. As partes se moldaram bem. Parabens aos autores.

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Publicado às 6 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .