EntreContos

Detox Literário.

Caminho Marítimo para a Europa (Vitor Leite)

Aquele não era um dia igual aos outros. Como sempre, depois do trabalho enfiava-se na biblioteca nacional, e era como se ficasse desaparecido durante meia dúzia de horas, até fechar os livros, pegar na sua mochila e seguir caminho para casa, a comer um pão com qualquer coisa dentro. No metro, sentava-se sempre junto da janela, na última carruagem, quase sem ninguém dado o adiantado da hora. Ao andar junto das paredes assustava-se sempre com uma sombra, com um ruído vindo de baixo de um carro ou de dentro de uma casa.

Naquele inicio de noite chegou à rua e nem fechou a porta, como sempre fazia. Passou a porta e parou, a porta foi atrás do seu corpo, por pouco o atingiu. O estrondo que se ouviu passou junto das suas orelhas mas ele não se encontrava ali, estava transformado numa estátua, embora ainda não tivesse cócó dos pássaros na cabeça e nos ombros. A refazer-se do choque, sentia uma náusea, uma terrível dor de peito, uma vontade de virar o seu interior para fora. De repente deu três, quatro passadas para o lado, deixou cair a mochila atrás de si, encostou a mão na fachada do edifício e vomitou. Libertou uma pasta qualquer, mas nem encontrou coragem para analisar que restos seriam aqueles, mas aquele mal-estar não acabou ali.

Antes de avançar esta história convém apresentar, minimamente, esta personagem, homem de quarenta e nove anos, casado, mas a viver separado da sua família. Vive numas águas furtadas com vista para outros telhados, não podendo abrir as janelas devido ao forte cheiro da merda dos pássaros. Sendo alérgico a tudo e mais alguma coisa, convém não se aproximar muito do telhado repleto de pombas. Tem vertigens. A casa resume-se a uma sala que tem cozinha e uma cama, e, partilha o sanitário lá do fundo, com outras pessoas que não conhece. A coisa mais sexy que teve nos últimos anos foi encontrar pelos púbicos na banheira.

Desde o seu divórcio que tinha muito mais tempo para as suas investigações históricas, e como fazia diariamente nos últimos anos, também naquele fim de tarde esteve a consultar livros antiquíssimos relativos às navegações dos marinheiros que viraram costas ao Tejo e foram, sem saber bem para onde, partiram. Sabia todas as histórias desses homens, que iam com um pé no barco e o outro no fundo do mar, as suas vidas, as idas e voltas, sabia tudo. Idolatrava um tal Pedro Alvares Cabral com quem mantinha enormes e profundos diálogos. Nesse dia, com luvas brancas, tinha consultado um livro de mil e quinhentos e qualquer coisa onde acabou por descobrir umas cartas, possivelmente, dirigidas a um familiar desse Pedro. Na verdade as cartas não se encontravam endereçadas, ou melhor direcionadas a ninguém em particular, e ao fim de cinco minutos ele tinha a certeza absoluta terem sido escritas para si.

Estamos no ano de 2016 na cidade de Lisboa, ele trabalhava como funcionário público, daqueles rodeados de papel, resmas de papel e era historiador nos tempos livres, não dava ouvidos às notícias de nenhuma crise, nem da Dilma nem dos papers sei lá de onde. Era feliz sendo íntimo desse tal Pedro. Quando alguém perguntava “Mas esse já morreu, não?”, ele começava a falar de algo que só ele conseguia ver e descrevia uma vida inteira com os pormenores mais ínfimos, ponto por ponto, vírgula por vírgula. Se ninguém o mandasse calar, ao fim de quatro horas, calava-se, pedia desculpa e só voltava a falar quando alguém lhe dirigia alguma pergunta relacionada com a temática da navegação. Vivia o seu silêncio como se fosse um qualquer estado de transe, longe do sol, nunca navegava na luz de Lisboa, não sentia na pele o prazer de ser abraçado pela luminosidade que salta das pequenas pedras que desenham todo o pavimento da cidade. Pisava o chão mas também podia pisar bosta, ou seja, preocupava-se mais em andar no passado do que onde colocava os seus pés. As casas nas ruas é que o levavam para onde ele queria, o chão estava lá, mas podia bem nem existir.

Naquele momento ele sentia o desmoronar do seu mundo de conhecimento, cada uma das camadas de saber que ele diariamente e cuidadamente acrescentava em cada fim de dia. Quando todos corriam para as suas casas, este pequeno homem, dentro de um chapéu, atrás de um pequeno bigode e de uns óculos redondos perdia-se em velhos livros e papeis semi-comidos. Lia e relia a história, ficando com anos e anos bem arrumadinhos na sua cabeça, cada episódio pousado sobre outro acontecimento, tudo era estabilidade e tranquilidade. Camadas e camadas de conhecimento, muitos mil milhões de folhas de conhecimento.

Novamente abraçou a casa e verteu mais do seu interior como se fosse um bolso de um casaco. Dentro já não restava nada, mas o corpo ainda se contorcia e nada acontecia, nem um resto de… Nada! Começou a andar, ou melhor a arrastar os pés até casa, apoiando uma mão nas paredes que o acompanhavam ao longo da rua. Parou e voltou atrás para levar a mochila. Ao entrar na rua de Trás, onde ficava a sua habitação, viu que a mão estava quase em sangue, retirou a chave do bolso e abriu a porta, correu escada acima. Caiu uma duas, três vezes, e ao chegar lá acima, ficou mesmo de joelhos. A custo levantou-se, entrou em casa e ainda de casaco agarrou no telefone, fechou os olhos e com o indicador começou nove oito sete… Aguardou 4,6 segundos, uma eternidade e disparou:

– Sim?! Ouve, sou eu, desculpa ligar a esta hora, mas preciso urgentemente de falar, dá-me um segundo da tua vida, só um! Hoje, sabes, devorei uma carta do Pedro…

– Bem sei! Desde que nos separamos que devoras a vida desse! – interrompeu ela.

– Não, não é bem isso, hoje devorei mesmo uma carta dele! É sobre isso que te quero falar…

– Agora? Já estava deitada! Não podemos falar amanhã?

Silêncio. Ela continuou:

– Desculpa, mas, agora não, falamos outro dia, ligo-te amanhã ou depois!

– Isso! Sim, depois, sempre depois. Depois do depois o que resta?

Desligou o telefone e ficou um silêncio espesso como a noite lá fora. Estava só, cada vez mais isolado. Sabia disso como ninguém. Deixemos a literatura para os escritores e analisemos os acontecimentos históricos. Posso dizer que nunca mais se falaram, também podem ficar a saber que deixou de aparecer no trabalho.

Ao fim de uma semana, voltou a entrar em casa a correr, olhou em volta, uma e outra vez, e empurrou a mesa para junto da janela. Com a camisa fora das calças, agarrou em papel e num lápis, e, com o pé puxou uma cadeira meia desmanchada, acabando a cena com o atirar do seu corpo para cima dessa cadeira. O esgar que saiu da sua boca e o ranger da cadeira foram os últimos sons que se ouviram antes de começar um leve rosnar do lápis sobre o papel. O papel branco tinha uma pequena mancha de sangue ou talvez um resto de comida, tipo uma impressão digital, que a sua mão tinha deixado. Ficou imóvel a olhar para aquela marca. Arrastou a cadeira para trás e para a frente, procurou uma melhor posição e começou a escrever:

Hoje, como nas últimas três noites vi o sol nascer. Os meus olhos não se fecham desde terça-feira, seis dias e cinco noites, sinto-me mal, muito mesmo. Na biblioteca nacional descobri uma carta do Pedro a falar na existência de uma ilha.

Fala num tal Semvolta que tinha vindo do sol poente, acompanhado de mais três homens e quatro mulheres e tinham-se instalado juntamente com a população do nosso velho reino. Não trouxeram nenhum deus nem procuraram levar ouro. Desconheciam a guerra, mesmo? Não tinham armas, mas carregavam sonhos, não queriam vender nem comprar pessoas, não pretendiam matar gente, muito menos destroçar futuros, desconheciam por completo a palavra “ódio”. O Semvolta veio com a sua Gatavadia, descobriram o caminho marítimo para a Europa. Vieram lá do lado onde o sol dorme, confirmar, como diziam os velhos da sua terra, se o sol vem mesmo do lado do mal, diziam eles que era o sol que trazia o mal. Naquele texto não havia nada que explicasse o modo como tinham iniciado a comunicação entre as duas culturas, também não falava nos barcos que os tinham trazido até ali.

Ai, sinto a morte chegar, ouço os seus passos, os seus longos braços a envolverem-me! O seu bafo no meu pescoço provoca-me arrepios.

 

                Dizia Pedro a meio do texto que o povo do Semvolta viria atrás de si para viver neste mundo novo, se os deixassem partir, pois já sabemos que nestes momentos há sempre uma mão que se sobrepõe à razão e cobre a luz. Só eles tinham partido e estavam numa ilha cheia de sol, calor e gente afável. Numa noite de bebedeira, Semvolta contou, por gestos e desenhos, como era a sua terra, e quando disse que as mulheres andavam nuas despertou muitas atenções. A assistência rejubilou de alegria, com aplausos e assobios. As notícias chegaram rapidamente a muitos ouvidos, mas logo se disse que era tudo uma história de fundo de copo. Era tudo fruto do vinho. Passados dois dias já ninguém se lembrava de nada, nem se sabe mais onde fica a ilha. Como se a chuva tivesse lavado todo o enredo, tudo ficou no esquecimento. Será? Ou, foi desde aquele momento que Pedro decidiu ir ver a cama do sol?

As embarcações dos portugueses, conforme ficavam vazias de gente e alimentos iam sendo ocupadas pelo ódio, e aqueles que tinham vindo bem antes dos outros chegarem lá, tão despidos de tudo, ali estavam, sem procurar nada, somente a viver o momento e as pessoas, aprendendo. Muito provavelmente terão seguido o seu caminho, completando a volta ao mundo. Fiquei sem perceber como chegaram, se partiram, se a viagem acabou na ponta de uma faca, se um padre os espetou numa cruz. Pedro não diz nada, e eu calei a sua mão.

Sabes, voltei à biblioteca e entre prateleiras arranquei a folha com a letra desenhada pela mão do Pedro e comi-a. Mastiguei e engoli. Era horrível, de sabor, mas pior ainda de conteúdo, quase igual a muitos romances desta nova literatura, uma história sem fim, onde o leitor podia imaginar o que bem entendesse. Começava logo por não localizar a acção, falava numa ilha, mas qual? Onde estava agora essa ilha? Mas pior que tudo, dizia que tinham sido outros a atravessar o Atlântico, outros que não nós! Ninguém podia sequer imaginar essa inversão da história. Não deixei! Mas agora estou mal.

Vou morrer, sim, sei que é neste moment____  (e a linha continuava até ao limite lateral da folha).

A autópsia concluiu que o seu corpo tinha sido devorado, sim, isso mesmo: roído!, desde o interior por um vírus super perigoso, estranho e aparentemente desconhecido. Era aconselhado não haver contacto nenhum com o corpo. Assim, foi hermeticamente fechado e encaminhado para a cremação.

Acabada a cerimónia, a mulher dirigiu-se a casa dele, estava na hora da chegada dos homens das mudanças. Ding dong, dirigiu-se à porta, “boa tarde” e entraram quatro homens, melhor dizendo quatro barrigas, de braços mais gordos que musculados, todos de fartos bigodes e barba de três dias. “Onde esta a mesa, minha senhora?” Ela desviou os olhos da janela e sorriu, “naquele canto, por favor venham”. Dirigiu-se para a mesa onde o seu ex vivia na história. Os homens começaram a reclamar pois não iriam arrumar a papelada, que tudo o que era para levar devia estar pronto, e mais um palavrão e mais uma reclamação.

– Não tem qualquer problema! Podem levar, já! – Disse ela empurrando o monte de folhas para o saco preto de lixo.

Levaram o mobiliário todo e as roupas também, ela amarrou o saco preto, atirou-o para junto da porta de saída e sacudiu as mãos, uma na outra. “Ah! Falta a porcaria da gata…” Falava sozinha, aproximou-se de uma janela e começou a chamar como se cantasse alto, “Btch tch miau, gata? Xiuxiu bixaninha… Vem cá minha gatinha. Btch gata vadia vem cá”

Assistimos à perca definitiva das referências a essa inacreditável carta de Pedro Alvares Cabral. Será que, como nos filmes, ela ainda vai pôr a cabeça dentro do saco para confirmar da validade daquela papelada toda? E a carta que ele deixou? Tudo perdido dentro de um saco preto, com viagem marcada para um aterro qualquer. Ele, que podia ter saído do bolso do Fernando Pessoa, caso esse escritor tivesse existido na realidade, e não fosse uma soma de heterónimos. O nosso historiador morreu sem viver e destruiu o segredo da navegação à volta do mundo, a descoberta do caminho marítimo para a europa. Perdeu-se uma vida como se perde um metro ou uma paixão, e, no final ficámos ser perceber como o Semvolta apareceu na ilha, “Qual ilha?” pergunta alguém, mas a carta onde Pedro tinha explicado algumas coisas, perdeu-se nas entranhas do nosso homem que viveu e morreu sozinho.

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31 comentários em “Caminho Marítimo para a Europa (Vitor Leite)

  1. Pedro Luna
    3 de junho de 2016

    Olha, é um bom texto, mas confuso. O que eu entendi é que Pedro Alvares Cabral recebeu a visita da turma do semvolta, que na minha opinião era um índio, que vivia num lugar onde as mulheres andavam nuas (índias) e que esses índios vinham do Brasil. Então acho que ninguém descobriu o Brasil. Mas posso estar completamente errado.

    Agora, gostei muito do lance da carte digerida, mas que acaba detonando o sujeito, como uma bactéria comestível. Uma alternativa que não lembro de ter visto em nenhum outro texto. O personagem obsessivo também é bacana.

    No geral, bom, mas que não me ganhou total devido a confusão no enredo.

  2. Simoni Dário
    3 de junho de 2016

    * Uma correção, no final acredito que a história não ficou como é e os “outros” é que teriam levado a fama pelo descobrimento, no caso, os Semvolta. Mas também já pirei e vou parar por aqui.
    Abraço

  3. Simoni Dário
    3 de junho de 2016

    Olá Pedro.
    Conto interessantíssimo, bem dinâmico, quase na velocidade da luz, bagunça o intelecto e intriga. Ora deu vontade de desistir, ora a curiosidade falou mais alto e ganhou a criatividade e competência do autor.
    Vou me arriscar porque a velocidade e a língua tornam um pouco difícil o entendimento do enredo, li mais de uma vez e sempre entendi que os Semvolta teriam chegado a Europa, sem explicar como e relatado de onde vieram para Pedro Álvares Cabral e que este seria o único que teria acredito na conversa dos Semvolta, que imagino serem os índios, e por isso o título do conto, Caminho Marítimo para a Europa. Aí estaria a RHA, já que outros teriam atravessado o Atlântico antes, suponho que quando ele, o personagem fala que teriam sido outros a chegar e não nós, fala dos Semvolta, dando a entender que quem descobriu o Brasil foram os índios (e se for isso mesmo, achei bem amistoso por parte do autor). O personagem comeu essa parte da história e no final a mesma ficou como é. Tomara que seja isso, senão posso estar contaminada com o tal vírus…
    Legal você ser Português e participar com um texto unindo as nossas pátrias que muita história tem para contar juntas. Parabéns e ainda vou ler mais uma vez para assimilar a criatividade bem demonstrada pelo autor.

  4. Swylmar Ferreira
    3 de junho de 2016

    Conto interessante, ao mesmo tempo complexo e fácil de ler,
    Possui uma trama muito boa. É adequado ao tema, ao menos de meu ponto de vista, gramática perfeita ajuda ainda mais a obra, pena que faz pouco uso de diálogos. Confesso que mesmo sendo melancólico o final até que me surpreendeu não terminando na morte do personagem principal.
    Parabéns meu caro e boa sorte.

  5. Thiago de Melo
    3 de junho de 2016

    Olá, Pedro,

    Cara, sendo muito sincero, seu conto nao me cativou muito. Achei que ficou faltando explorar um pouco a parte “alternativa” da história. O descobridor do Brasil deixou uma carta falando sobre uma ilha misteriosa , mas ninguém sabia e o primeiro cara que percebeu isso resolveu comer a carta. Achei que a sua parte “alternativa” ficou muito sutil, mais ou menos “o que poderia acontecer? Quem eram as pessoas da ilha? Onde ela fica?” Mas o conto não respondeu a nada disso, ficou só no “e se…”. Acho que isso tirou um pouco da qualidade do conto em relação ao nosso desafio aqui.

    Boa sorte!

  6. Wilson Barros
    3 de junho de 2016

    A linguagem do autor é solta, desembaraçada.As cenas são vívidas, reais. O conto tende para o fantástico, com frases muito bem cuidadas. Não considero, como algns leitores, que toos os mistérios de uma história têm que ficar bem exoplicados. Quem gostou do seriado “Lost” sabe do que estou falando.Nesse conto, os mistérios são implícitos e permanecem , como o povo semvolta. Muito bom.

  7. Virginia Cunha Barros
    2 de junho de 2016

    Oii… tive um pouco de dificuldade nessa leitura, acho que não fui só eu que fiquei meio confusa, apesar de perceber que o autor escreve muito bem, talvez um pouco bem demais. Eu percebi humor em algumas partes, ironia em relação ao protagonista e a descoberta das cartas de 1500. Não tenho muito o que comentar sobre esse conto, desejo boa sorte.

  8. Pedro Teixeira
    2 de junho de 2016

    Olá, Pedro! Gostei demais do conto, não tanto pela trama quanto pela inteligência que você constrói um clima de estranhamento, em sentenças geniais. É o tipo de conto que só pelo refinamento da escrita conquista o leitor. Uma leitura pra lá de inspiradora, apesar de não ter pegado bem o sentido da estória. Muito bom mesmo. Parabéns e boa sorte no desafio!

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    2 de junho de 2016

    Inventivo em todas as suas arestas!

    A maneira como a história foi conduzida, embora de certo modo confusa – e não, a confusão não provém da incapacidade do autor; ela é oriunda da minha falta de aptidão em absorver a genialidade da narrativa.

    Gostei bastante. É um trabalho ousado e que deve ser lido com muita atenção.

    “(..) preocupava-se mais em andar no passado do que onde colocava os seus pés.”

    Essa frase me ganhou para sempre.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Thomás
    2 de junho de 2016

    É o conto mais “diferente” em termos de estilo, até aqui, inclusive pelo sotaque.
    A narrativa chega a ser confusa, mas prende a atenção que é uma beleza!

    A RHA fica meio no ar. Nesse ponto, achei semelhante a outro conto: “O quadro, o chapéu e o gato”, no sentido de não explorar mais as consequências do fato gerador da RHA (e apenas nesse quesito!). Há somente o estopim, o início e pronto. Acaba.

    No fim das contas, Pedro, seu estilo me prendeu e convenceu.
    Ótimo e diferente

  11. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Pedro, seu conto é minha última avaliação neste desafio. Fechamos bem.

    Observações: a narrativa é muito rápida, assim como é ligeiro o episódio descrito, mas tomado de um tom poético que torna o texto muito mais denso. O modo como as metáforas vão tomando posse da história até que a própria história se torna metáfora é algo que o autor providenciou com muito esmero. Fiquei me perguntando qual seria o vírus presente naquela carta…

    Destaques: assim como ocorre com o malfadado protagonista, em parte devoramos a história, em parte é ela que nos devora, de dentro para fora. Já ao contrário do que ocorre com o protagonista, o vírus da curiosidade que nos corrói é extremamente bem-vindo.

    Sugestões de melhoria: gostaria de saber o que aconteceria se encontrassem aquela carta em um futuro posterior, como seriam os nativos etc.

    No mais, boa sorte e parabéns.

  12. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: existe, a de que Pedro Álvarez Cabral descobriu e não descobriu o Brasil, ao mesmo tempo. Mas que a história está confusa, está.

    TÉCNICA: apesar do rebuscamento e das construções lusófonas, o texto é legível. O que me incomodou, mesmo, foi o enredo, que conduz ao nada – à perda (ou perca) da mensagem.

    EFEITO: primeiro, o estranhamento de ver que P. A. Cabral escreveu uma carta – não seria Pero Vaz de Caminha? Depois, por matar o protagonista com um vírus terrível, que só atacou ele. Improvável.

  13. vitormcleite
    31 de maio de 2016

    Vou ser sincero: este tema não me parece muito original, tendo-o já encontrado algumas vezes na conversa com amigos, a esvaziar algumas garrafas. Sim, e se os portugueses não tivessem descoberto o caminho marítimo para o Brasil? E se a meio caminho Pedro Alvares Cabral tivesse provas que os do lado de lá tinham chegado cá bem antes? De resto é uma história que talvez precisasse de muitas mais palavras para ficar mais compreensível ou de um desenvolvimento mais tradicional, mas, tenho muitas dúvidas se é importante escrever como o vizinho do lado! Boa sorte e é impressão minha ou já não sou o único português a escrever confusões por aqui?

  14. Gustavo Castro Araujo
    31 de maio de 2016

    Gostei muito do conto. Há uma atmosfera melancólica onipresente, que isola o protagonista e permite que ele mergulhe, ou seja sugado para as confissões cabralísticas, num redemoinho em que a vida do famoso (nem tão famoso, na verdade) navegador se mistura à dele próprio. Quem nunca se sentiu assim, como parte de uma história? Creio que a solidão tem esse condão de nos transportar, de fazer com que nos sintamos parte, personagens de uma narrativa alheia escrita por sabe-se lá quem.

    Acho que é este o maior mérito do conto: a maneira como foi escrito, a profusão de sentimentos e palavras é que permitem o leitor testemunhar esse afundamento, essa entrega, ou quem sabe essa fuga do personagem principal para as missivas do velho Pedro Álvares.

    Nesse sentido, minha opinião é que esse conto não pode e nem deve ser lido ou avaliado à luz de um esquema comum a todos os demais. Esse tipo de narrativa caleidoscópica, talvez até experimental, deve ser sorvida com a mente aberta ao insólito. Isso não impede, todavia, que construções frasais muito inspiradas sejam encontradas.

    Eu já estava satisfeito no penúltimo parágrafo e me via pronto a dizer que o último deles era dispensável. Só que então veio a alusão ao poeta maior português — “Ele, que podia ter saído do bolso do Fernando Pessoa, caso esse escritor tivesse existido na realidade, e não fosse uma soma de heterónimos” — e eu pensei, putz, fixe, foda, bom pra caralho. Enfim, um conto corajoso, inteligente, belo e sensível. Parabéns ao autor.

  15. Catarina
    31 de maio de 2016

    O COMEÇO é estiloso e logo sentimos as fortes imagens lisboetas. As construções são interessantíssimas, com um bom vocabulário. Houve perda de controle do FLUXO, que prejudicou a TRAMA confusa. ALTERNATIVA ficou implícita e acho que o texto, muito rico, merece ser reorganizado do FIM para o começo.

  16. JULIANA CALAFANGE
    30 de maio de 2016

    Sem ler os comentários dos colegas, é um conto interessante e confuso ao mesmo tempo. Eu, particularmente, tenho afinidade com o fluxo de texto mais corrido, sem muitos diálogos, aquele jorro de palavras q vai formando o texto de forma acelerada, como se fosse água de morro abaixo. Mas a sua estrutura é meio confusa e em alguns momentos a gente tem q reler pra entender o fio da meada. Eu gostei da psicologia (se é q posso chamar assim) do personagem ‘viciado’ em Pedro Álvares Cabral, um “rato de biblioteca”, mas especificamente da Biblioteca Nacional q é incrível, a 8a maior do mundo e a maior da América Latina! Achei sensacional quando ele resolve comer a carta, é uma imagem muito interessante e vigorosa. E tb é muito forte o sentimento que surge diante do fato de uma coisa que é tão vital e importante pra um, ser tão irrelevante pra outro, a ponto de ser jogada no lixo. Quantas histórias devem morrer assim, todos os dias, desde que o mundo é mundo? Pra mim, os dois grandes problemas do seu conto são os muuuuitos erros de revisão, o que pra mim faz o conto perder pontos na avaliação. E tb o fato de não ter entrado na proposta do RHA, já que não há nenhuma mudança no curso da história, e ninguém sabe como seria se a carta não tivesse sido comida.

  17. Pedro Arthur Crivello
    28 de maio de 2016

    sinceramente o conto é confuso demais para interpretar qualquer RHA , eu entendi que é algo como pedro alvares Cabral não voltou para a Europa depois de ter descoberto a America , porem você não assumiu essa realidade e sim pois ela como uma paralela da nossa, o que tira a verossimilhança e a proposta do desafio. fora isso a narrativa está realmente desconexa, o desfecho principalmente. a linguagem pode estar boa , mesmo usando o lusitano ,mas ainda precisa deixar a história mais clara

  18. Eduardo Selga
    27 de maio de 2016

    Esse conto não é qualquer coisa. A construção sintática em muitos trechos é carregada de imagens inusitadas e de uma atmosfera que, sendo insólita, não foge ao efeito de realidade. Ou seja, a narrava não tenta criar uma ambientação irreal: o insólito convive ao lado do real e é causado por este. Afinal, está no campo do realístico a paixão do protagonista pela História, e é esse sentimento o gerador de algumas cenas que fogem ao real. Por exemplo, se ele “idolatrava um tal Pedro Álvares Cabral” e com ele “mantinha enormes e profundos diálogos”, essas interações não aconteciam face a face e sim nos interiores do protagonista. No entanto, a frase é construída como se o “descobridor” do Brasil estivesse vivo. É um diálogo metafórico, que continua na redação da carta, posteriormente.

    É interessante observar que a missiva escrita pelo protagonista não tem destinatário explícito, e nela o personagem fala a respeito de Pedro. Fala para quem? Talvez para o próprio Pedro, seu inspirador. Convém lembrar que quando o personagem tem acesso às cartas escritas por Pedro, elas “não se encontravam endereçadas, ou melhor direcionadas a ninguém em particular”, mas o protagonista se convence de que elas teriam sido escritas para ele. Aí está a continuação do diálogo metafórico. Ainda mais: Pedro está dentro dele, não apenas emocionalmente, e sim no organismo físico, quando ele mastiga e engole, no mesmo dia mas em momento anterior, na biblioteca, uma “folha com a letra desenhada pela mão do Pedro”.

    O diálogo metafórico continua, com a morte do personagem: metaforicamente, Pedro o matou com suas cartas envelhecidas e por ter provocado nele tanta paixão pela História.

    No início falei de imagens inusitadas, algumas impressionantes como arquitetura textual. Cito aqui uma dessas passagens: “Vivia o seu silêncio como se fosse um qualquer estado de transe, longe do sol, nunca navegava na luz de Lisboa, não sentia na pele o prazer de ser abraçado pela luminosidade que salta das pequenas pedras que desenham todo o pavimento da cidade”. O(a) autor(a) não escreve “um estado qualquer de transe”, e sim “um qualquer estado de transe”. Não se trata de uma mudança de posição na frase por causa de pedantismo ou coisa parecida: parece haver uma preocupação com a sonoridade da frase, revelando maturidade autoral.

    No mesmo trecho ele fala em navegar a luz, uma bela metáfora por dois motivos: a luz é comparada ao mar, absolutamente correto a considerar a grandeza de ambos; “navegar” é um signo muito caro ao imaginário do povo português, ao que o conto remete e faz referências. Por esse exemplo, dá para ver que houve uma elaboração no texto, e literatura, muito mais do que a estorinha e ação, é esse artesanato com as palavras.

    Falando em Portugal, o(a) autor(a) faz uma brincadeira e homenagem, ao mesmo tempo em que também inclui isso na realidade histórica alternativa: Fernando Pessoa não seria uma pessoa concreta, apenas uma imagem resultante de “uma soma de heterônimos”, e ele, personagem, poderia ter saído do bolso do poeta português. Ou seja, o(a) autor(a) brinca consigo próprio(a).

    Duas observações negativas: “águas-furtadas” foi grafado sem hífen e no trecho
    “assistimos à perca definitiva das referências a essa inacreditável carta de Pedro Alvares Cabral” o correto é PERDA.

    • Anorkinda Neide
      27 de maio de 2016

      Mas se o autor for de Portugal, estes erros podem não ser erros, não sei, só acho.. rsrs

      • Eduardo Selga
        27 de maio de 2016

        Possivelmente é lusitano ou de país africano de língua portuguesa, por causa de alguma construções sintático-semânticas. Por isso, no caso de águas-furtadas busquei confirmação num dicionário do português europeu. Quanto ao verbo perder, parece-me que suas conjugações de lá para cá não mudam.

      • JULIANA CALAFANGE
        30 de maio de 2016

        Mas se escrevemos no Brasil, é justo que a revisão do texto seja feita com base na nossa gramática e ortografia (mesmo “unificada” ainda é bem diferente). Se o personagem for português é outra coisa, mas aí teria q manter essa coerência no texto todo, não acham?

  19. Ricardo de Lohem
    23 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! O título está prolixo e desnecessariamente descritivo: seu conto deveria se chamar “O Epistolófago”, teria sido muito mais marcante e, ao mesmo tempo, cristalinamente simples. Sua história mostra habilidade no uso das palavras, mas cai no erro de tratar de um tema aparentemente obscuro para a maioria das pessoas (eu incluso) e a partir dele construir uma narrativa também confusa, que hibridiza, de forma desarmoniosa, realidade histórica, surrealismo (epistolofagia) e um pouco de Sci-Fi (o tal vírus). É difícil gostar da sua história: ela é muito confusa e sem ritmo. Mas é também muito difícil não gostar, já que se percebe aqui legítima originalidade, a fuga dos clichês e lugares-comuns, a busca do novo e autêntico, uma qualidade que aprecio muito quando leio um texto. Parabéns, seu conto é bom, desejo pra você muito Boa Sorte no Desafio.

  20. Anorkinda Neide
    19 de maio de 2016

    Olá!
    Como de costume eu adoro teus textos.. rsrs
    Este, especialmente, está de reler com gosto!
    Confesso q tb não entendi muito bem, acho q a ilha é o Brasil com as índias peladas e tal, mas o titulo sugere outra coisa…
    Pra mim não faz mal que a RHA nao tenha ficado clara pq vc esbanjou capricho no texto, nas frases, no mergulho na personalidade do protagonista.
    Como falei está um deleite.
    Ahhh entendi que Pedro Alvares Cabral acabou nao descobrindo o Brasil, ao menos nao oficialmente, pois a carta era desconhecida de todos e assim permaneceu uma vez q foi digerida e o relato de nosso amigo jogado ao lixo.
    Mas eu vou reler…
    Um abraço!

  21. Davenir Viganon
    19 de maio de 2016

    Olá. Deixei seu conto por ultimo para comentar pelo simples motivo de não tê-lo entendido o suficiente para fazer um bom comentário. Não acho que seja por ter sido um escrito (provavelmente) por um português. O básico da trama eu entendi, o historiador, a paranoia e a morte por ter comido o papel. Mas a RHA ficou inalcançável para meu entendimento. Mesmo com os comentários dos colegas, acho que eles entenderam muito pouco também. Te peço desculpas por isso e espero que apareça, nos comentários para ao menos nos dar umas pistas. Com elas prometo reler e fazem um comentário que um conto bem elaborado, como o seu, merece.
    Um abraço.

  22. Evandro Furtado
    19 de maio de 2016

    Ups: O texto é repleto de figuras de linguagem com efeitos únicos em si. Parece que cada fragmento é repleto de significados únicos, imagens a serem analisadas. Também gostei do narrador interativo.
    Downs: A trama ficou bastante confusa como um todo. As cartas que, normalmente funcionariam nesse tipo de texto, mais pareceram algo jogado por aí que complicou ainda mais o desenvolvimento do tema.
    Off-topic: eu sei que tem uma doença na qual as pessoas comem papel higiênico. Será que tem algo semelhante com papel de carta?

  23. angst447
    18 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Nome de manual de viagem, mas funciona.

    * Enredo – Um sujeito obcecado com a vida de Pedro Álvares Cabral e suas aventuras. Alérgico, morando em um ambiente bastante insalubre, e ainda resolve comer cartas antigas. Tinha que dar no que deu.

    * Tema – O conto abordou o tema proposto.

    * Revisão – O texto foi escrito com acento lusitano, então, algumas coisas que posso considerar como erros, são na verdade peculiaridades de linguagem. Mesmo esse “perca” no final, que me doeu particularmente.

    * Aderência – O conto prendeu a minha atenção por revelar o cotidiano caótico do personagem e trazê-lo mais humanizado à trama. Confesso que a parte das cartas deu-me preguiça de ler, acho que foi o medo de atacar minha rinite com o cheiro de papel velho. De qualquer maneira, foi uma leitura interessante.

  24. Leonardo Jardim
    18 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐▫▫▫): entendi que o protagonista estudava a vida de Pedro Álvares Cabral e descobriu algo sobre uma ilha diferente. Não entendi, porém, se essa seria o Brasil ou outra ilha especial. Não entendi também o conceito de “caminho marítimo para a Europa”, talvez tenha faltado explicar mais para nós aqui da colônia. Enfim, não entendi bem a trama.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): o estilo diferente me agradou, acho que estou começando a me acostumar a ler textos lusitanos aqui no EC e a vê-los com outros olhos. Não é porque é diferente que é ruim, pelo contrário. Gostei do formato desse texto, das descrições, da descrição do personagem, suas aflições, etc.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): difícil avaliar esse quesito, pois não entendi muito bem. Mas com certeza não é um mote clichê.

    🎯 Tema (⭐▫): acho que faltou deixar mais claro no texto qual era a alternativa histórica. Era um mundo diferente no qual o Brasil não havia sido descoberto? Ou era uma ilha especial que ficou apenas no passado? No primeiro caso, o RHA estaria presente, no segundo não.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): gostei das sensações do início do texto, mas a não compreensão da trama me incomodou bastante. Infelizmente, esse foi o ponto crucial no impacto deixado.

  25. Olisomar Pires
    17 de maio de 2016

    RHA: Entendi que o conto fala de alguma coisa referente ao passado ter ocorrido de outra forma, tem a ver com o Brasil e Europa, no mais fiquei como um náufrago mesmo.

    Estilo: Há momentos muito bons ( o envenamento e a carta), infelizmente penso que estejam isoladas do restante, os recursos de atenção não me conquistaram.

    Conclusão: Por não ter entendido direito, não gostei, não sei o que aconteceu ou por que aconteceu – a palavra que me vem em primeiro lugar é “confusão”, só minha opinião leiga e bastante leiga.

  26. Andreza Araujo
    17 de maio de 2016

    Notei claramente um ar lusitano na escrita do autor. No início fiquei na dúvida sobre ser proposital ou não, já que o texto se passa em Lisboa e o conto é narrado pelo próprio personagem. Depois me convenci que o autor possui origem portuguesa, pois não compreendi perfeitamente algumas passagens em virtude da linguagem diferente daquela que estou acostumada. Isto não travou a leitura ou me impediu de apreciar a obra.

    Sobre a adequação ao tema: o conto parecia muito real. Fala de um historiador pesquisando a obra de um ilustre navegador. Entendi que sua intenção era afirmar que o passado não aconteceu exatamente como conhecemos. Estou certa?
    Mas eu gostaria de ter lido mais sobre no que isso implicava, ou seja, sobre a relevância da omissão deste fato histórico, pois não senti exatamente a RHA, não vi a RHA viver no conto.

    Eu não sei dizer a qual ilha o autor se refere no texto. Meu conhecimento em Geografia é tão nulo quanto em História, isto é vergonhoso, eu sei.
    Ademais, adorei as descrições da cena quando o homem passa mal, achei bem orgânico, bem convincente.

    A parte do vírus comedor de gente (rs) também achei pertinente. Lembrou-me os casos reais de arqueologia. E gostei do fato do mistério ter se encerrado com a morte do personagem.

    Apreciei a leitura no geral, gostei da “paranoia” do personagem. Abraços!

  27. Brian Oliveira Lancaster
    16 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Fazer o narrador participar da história é interessante, mas arriscado. Nas partes em que ele fala, você poderia ter colocado uma letra diferente ou itálico. É fácil perceber quando ele pede atenção do leitor, mesmo assim, ficaria melhor com algum recurso estético. No restante, o enredo transcorre bem e o suspense criado, desde que ele larga a pasta no chão, cativa.
    E: No entanto, alguns eventos se sucedem depressa demais. No início, a sensação é de urgência e o leitor acha que vai acontecer alguma coisa ali, mas prosseguindo, o texto simplesmente avança alguns dias. Seria legal demonstrar mais dos efeitos da carta deglutida. Pelo menos, a parte em que ele senta e escreve ficaram bem legais. No final, o narrador se “intromete” novamente e causa certa confusão no contexto. Seu texto tem muito potencial, mas esse narrador onisciente não caiu muito bem.
    A: Algumas coisas inexplicáveis aconteceram e entendi aonde você queria chegar. Mas a parte final precisava de um pouquinho mais de detalhes e cuidados extras, para captarmos bem os efeitos gerados pelo protagonista. Notei certa camada de fantástico no texto que lembrou alguns contos de terror.
    O: Algumas frases precisam de revisão, mas nada que você não dê conta. A escrita flui bem, e pelo que notei, há algumas palavras de origem lusitana, então não vou entrar no mérito das concordâncias verbais, pois são diferentes. Como disse acima, a ideia é bem legal, basta um pouquinho mais de organização de ideias.

  28. Fabio Baptista
    15 de maio de 2016

    Não vou comentar muito sobre a parte gramatical, pois percebi um sotaque lusitano logo no início e não sei distinguir bem o que é erro e o que é particularidade de cada país (“metro” no lugar de “metrô”, por exemplo).

    Sobre a trama… dias desses, assisti novamente ao filme “A Fonte da Vida” de Darren Aronofsky. É um filme que se assiste o tempo todo com uma sensação de estranhamento, de “o que está acontecendo” e fica se tentando juntar peças de um quebra-cabeças que nem temos muita certeza se foram feitas para se encaixar.

    Aqui, fiquei com essa mesma sensação de estranhamento, tanto pela narrativa (as intervenções e quebras de quarta parede do narrador, por exemplo, foram feitas de modo pouco usual) e, principalmente, por não saber definir muito bem se entendi muita coisa.

    É um recurso perigoso… pode tanto ser considerado genial, que foi o caso do filme, na minha opinião, quanto uma perda de tempo despropositada – caso do mesmo filme, na opinião da maioria dos críticos.

    Esse conto não chegou nem num extremo, nem no outro. Mas acabou me conquistando pelo estranhamento.

    Gostei!

    Abraço.

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Informação

Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .