EntreContos

Literatura que desafia.

A índia branca (Andreza Araujo)

Quando a maior das naus ancorou próximo à praia, toda a tripulação comemorou batendo rapidamente com os pés, repetidas vezes, sobre o convés, gerando um barulho ritmado. Alguns bradaram gritos de guerra, animados.

A pessoa mais importante naquela nau jazia calada e imóvel na popa da embarcação, com os braços cruzados e o cenho franzido, procurando qualquer obstáculo que os impedissem de conhecer aquela terra recém-descoberta. À sua direita, ele avistou outras duas naus menores. À sua esquerda, apenas a imensidão do Oceano Atlântico.

As velas dos três mastros já haviam sido recolhidas e amarradas antes do lançamento da âncora, apenas o movimento das águas foi suficiente para impulsionar, vagarosamente, a nau até perto da praia.

Aritana desceu do tombadilho pela escada de estibordo. Chegando ao convés, um homem apontou para a água, mostrando a Aritana a posição de uma pequena embarcação. Aritana anuiu, descendo a escada de cordas do lado de fora da nau, seguido pelo homem que o abordara.

Suas mãos calejadas seguravam-se firmemente, mas seus músculos, já envelhecidos, começaram a tremer quando estava prestes a saltar para o pequeno barco. Ele disfarçou qualquer tipo de indisposição, não queria externar suas fraquezas.

Ierê foi o primeiro a descer na praia. Seus pés calçavam um sapato de couro costurado à mão de modo rudimentar. Ele anuiu silenciosamente para si mesmo, observando a areia e a vasta floresta à sua frente. Então retirou seus sapatos e fechou os olhos, abrindo os braços para absorver a energia daquele lugar.

Na mão direita, Ierê segurava duas maracás. Logo em seguida, passou uma das maracás para sua mão esquerda, e começou a dançar, sacudindo as maracás, e entoando um canto na língua tupi. As sementes secas agitaram-se no interior do chocalho feito de cabaça, produzindo um som conhecido por todos que ali estavam.

Aritana observava o ritual de dentro do barco, não ousaria pisar naquele terreno sem a purificação de Ierê. Os cabelos longos e grisalhos de Ierê quase tocaram a areia quando ele se inclinou para frente com as maracás. Em seguida, ele pulou num pé só, rodeando em volta de si mesmo, ainda com uma melodia nos lábios. Finalmente, agitou vigorosamente os chocalhos acima de sua cabeça e abriu os olhos, se aproximando da embarcação onde se encontrava Aritana e outros três índios.

– Cacique Aritana, a terra está purificada – disse o Pajé Ierê, na língua tupi.

As penas azuis do cocar de Aritana balançaram com uma corrente de ar, o mesmo vento que apenas afagou suas duas tranças sobre o peito. No centro do cocar, três penas alaranjadas se destacavam. Suas roupas, assim como os demais índios de sua tribo, variavam em tons de bege.

Foi assim que Aritana pisou pela primeira vez em Portugal. Mas eles preferiram chamar Portugal de Ibitinga, que em sua língua significava “terra branca”, por causa da grande quantidade de areia branca naquela praia – a primeira visão que eles tiveram daquele local.

 

***

Abati vasculhava o cômodo sujo e bagunçado. Com suas mãos ariscas, empurrou alguns móveis empoeirados – ou o que restou deles – mas não encontrou nada de interessante. Ela pensou ter visto um vulto, e olhou para trás; não havia mais ninguém ali. Na sua frente, entretanto, algo se movia conforme ela caminhava. Abati passou a palma da mão sobre a poeira do velho espelho e se encantou com sua própria imagem.

A penteadeira de madeira era rica em entalhes, o tampo da mesa sofrera com os agravos do tempo e sua única gaveta estava no chão, quebrada. O espelho móvel sobre a penteadeira exercia em Abati um fascínio imensurável. Curvada sobre a mesa para enxergar mais de perto, Abati encontrou seus próprios olhos azuis. Os longos cabelos loiros ela já conhecia, pois os trançava todos os dias. Mas seus próprios olhos… era raro ver seus próprios olhos.

Sua pele queimada de sol escondia a alvura de nascença, mas ela sabia que era diferente dos demais índios de sua tribo. Abati endireitou sua postura e caminhou até o armário, abrindo-o em seguida. Ela encontrou algumas roupas, embora o tecido estivesse frágil e rasgado, ela viu que eram lindas, eram coloridas! Abati esboçou um sorriso, ali, sozinha. Talvez o mundo fosse realmente tão valioso a ponto de precisar ser explorado.

 

***

 

Toda a tripulação da maior das naus já estava na praia quando o primeiro nativo apareceu entre as folhagens. Era um homem esquisito, branco. Branco demais. Os índios rapidamente se movimentaram, alguns em posição defensiva, outros, em ofensiva.

O cacique Aritana adiantou-se e gritou, em sua língua, para o homem se aproximar. O homem branco saiu completamente de trás da densa vegetação, mesmo sem entender o que aquele índio dissera, e caminhou até a praia, parando a alguns metros de distância daquele povo de pele bronzeada. Os índios pareciam pacíficos, afinal, talvez eles só estivessem ali à procura de um lugar para morar. Poderiam ter fugido da Peste Negra, o mesmo motivo que impulsionou os homens brancos do oeste europeu ao nomadismo.

Mas o homem branco não estava sozinho. Uma mulher de cabelos castanhos volumosos esgueirou-se entre os troncos das palmeiras e surgiu na praia, caminhando até o homem em seguida. Ela trajava um vestido pesado em tons de rosa. Suas roupas, assim como as do homem, guardavam vários rasgados. Os maltrapilhos pareciam famintos.

– Vocês têm comida? – Perguntou a mulher em português com sotaque europeu.

Os índios se entreolharam, sem nada entender. A mulher acariciou sua barriga e começou a chorar.

– Acho que eles estão com fome – comentou Ierê para Aritana.

Um índio correu até uma das embarcações e pegou um fruto seco, entregando-o ao casal. Não tardou para que outros brancos aparecessem na praia.

“Como são dóceis esses nativos”, pensou o cacique.

 

***

 

– Tupã, o deus trovão… – Falava a índia Guaracema, gesticulando bastante – ele criou tudo. Terra, mar, estrelas…

– Trovão…? – Perguntou uma criança.

– Chuva, barulho! – Respondeu Guaracema, em português. E continuou a explicação na língua tupi.

No fundo do cômodo, uma mulher amamentava um bebê enquanto assistia àquela aula. Guaracema, incomodada, a olhava a todo instante, mesmo quando o bebê dormia.

Havia mais crianças do que adultos na sala; eram os descendentes daqueles que sobreviveram ao terror da peste negra, que praticamente extinguiu a vida no oeste europeu.

Ambos os povos conseguiam se comunicar razoavelmente depois de alguns poucos meses. Os brancos indicaram uma antiga universidade como o local Ideal para morarem. As paredes eram sólidas e havia muitas salas. A sugestão agradou a ideologia social indígena.

Os índios ensinaram os brancos a caçar e a plantar corretamente. Mas os brancos não estavam satisfeitos, sentiam que eram explorados pelos índios. Não tinham permissão para irem sozinhos à floresta, nem podiam explorar a cidade abandonada, pois era “muito perigoso”. Tudo o que eles faziam se resumia em acompanhar os índios, seguir os índios, aprender com os índios. Deus virou Tupã, praça virou ocara, filho virou membira e liberdade… bem, esta palavra a índia Guaracema ainda não tinha ensinado ao povo europeu.

 

***

 

Perto daquela construção que um dia fora a Universidade de Coimbra, havia um rio. Ele fora batizado de Pará. Entre a universidade e o rio, ficava a antiga igreja de Santiago. Abati deixou a casa que invadira e caminhou na direção da igreja. Não era um prédio suntuoso. A igreja era, de certo modo, modesta. O que hipnotizou a índia branca foi exatamente o seu mistério; entrar nas casas “dos outros deuses” era proibido até mesmo para os índios.

Abati olhou ao seu redor, avistou as construções tomadas por uma densa vegetação, consequência do abandono dos homens. Certificou-se de que não tinha ninguém por perto e subiu os degraus até a porta de madeira. Tentou empurrar com as mãos, em vão, a pesada porta. Então jogou seu corpo contra a porta e conseguiu abri-la depois de tentar umas quatro vezes.

A índia branca nunca ficara tão admirada em sua vida; as luzes que entravam pelos vidros quebrados iluminavam todo o amplo salão. Ela própria sentiu-se iluminada quando estava lá dentro, talvez por isso fosse proibido entrar ali; era espetacular em demasia. Curiosa, caminhou até o altar, passando entre os bancos de madeira da igreja.

Atrás de uma mesa caída, ela encontrou três caveiras usando longos vestidos pretos. Com o susto, a índia branca deu um passo para trás. Sua mãe dizia que “ela iria virar caveira” se fizesse coisas erradas, como pular sozinha no rio Pará, então desde menininha ela tinha medo de caveiras. Preferiu não se aproximar e saiu da igreja. Talvez ela tivesse ido longe demais naquele dia.

 

***

 

A mulher de cabelos castanhos aguardou, impaciente, seu marido retornar. Ela já estava grávida quando ele a deixou com aquele grupo de homens brancos. Ele fora procurar o “lugar ideal” onde os poucos sobreviventes da peste negra pudessem morar. O ponto de encontro seria a praia, aquela praia, em virtude de sua ampla visão.

Mas ao invés de ver o seu marido, ela encontrou os índios, ou melhor, os índios os encontraram. Afinal, eram eles – os brancos – que estavam perdidos naquela terra desconhecida pelos moradores de Pindorama, o país das palmeiras.

A mulher pegou o bebê, enrolou-o em uma colcha e saiu da universidade, com a intenção de caminhar até a praia, a quarenta e cinco quilômetros de distância. Apenas sabia, entretanto, a distância em dias. Seria cerca de meio dia de caminhada. O desespero que a abateu moveu seus passos. Não estava em sã consciência, ela sequer sabia em qual direção ficava a praia. Apenas queria fugir dali e ficar o resto dos seus dias na praia, aguardando o seu marido.

A índia Guaracema seguiu seus passos, de modo sorrateiro. Tinha esse costume de vigiar a mulher e o bebê, embora a única pessoa a perceber isto tenha sido a própria mulher de cabelos castanhos. A índia encontrou o olhar aturdido da branca e a abordou. Afinal, não fazia sentido aquela mulher estar ali, sozinha, depois do pôr do sol.

A mulher branca começou a balbuciar coisas desconexas, tamanha sua ansiedade ao avistar aquela índia que lhe provocava medo. A índia anuiu, complacente, fingindo entender as palavras em português. Na verdade, apenas identificou algumas palavras que ela repetia exaustivamente, como “praia” e “marido”.

Guaracema se aproximou, sorriu e abraçou a mulher com o bebê. Quando afrouxou o abraço, pegou o bebê do colo da mãe, que desfaleceu em seguida, com um grande corte na garganta. Guaracema acariciou o rosto do bebê com a mão suja de sangue, ainda segurando a faca usada.

Uma chacina se sucedeu na frente da universidade quando um dos brancos saiu gritando, logo atrás de Guaracema. Os outros europeus e índios rapidamente seguiram até o saguão principal. Os europeus iniciaram o ataque, como se estivessem engasgados, como se esperassem há meses por esta oportunidade.

Os índios, treinados na arte do combate corpo-a-corpo, não tiveram dificuldades para eliminar o pequeno grupo de homens brancos. Guaracema, afastada da balbúrdia, fingia estar perplexa com tudo.

– Vou cuidar de ti… Abati – disse a índia para o bebê.

Os índios pouparam as mulheres e as crianças, que deixaram a universidade, levando consigo os ensinamentos aprendidos. Demorou décadas até que um novo encontro entre índios e brancos novamente ocorresse no oeste europeu.

 

***

 

Abati significava “cabelos dourados”. Mas a índia branca jamais entendera por que era tão diferente dos demais. Já havia perguntado à sua mãe, obviamente, mas esta apenas respondia que ela havia sido “beijada pelo sol”.

Diante da magnitude da biblioteca da Universidade de Coimbra, a curiosa Abati analisava os quadros nas paredes. Eram pinturas tão reais quanto admiráveis. Havia homens brancos retratados, algumas mulheres brancas também, e animais, mas ninguém de cabelos dourados.

Sentia-se só. Como se tivesse sido abandonada há muito tempo. Como se tivesse perdido suas raízes, suas crenças, sua verdadeira vida.

Guaracema encontrou a filha, sentada no chão da imensa biblioteca, folheando livros que ela não sabia ler. Com uma faca na mão, a índia a chamou.

– Venha me ajudar a preparar a galinha, Abati!

A jovem correu ao encontro da mãe, beijando-lhe a face e abraçando-a fortemente. Perguntou-se o que seria de sua vida se nunca tivesse conhecido sua mãe, a única pessoa em quem confiava no mundo.

 

EPÍLOGO

 

Com fortes dores, Guaracema se arrastava dentro de uma floresta em Pindorama, sua terra natal. Ela contava mentalmente até cem, e quando terminava a dor voltava, cada vez mais forte. Quando se viu suficientemente afastada de sua tribo, agachou no mato, com as pernas abertas, nua.

Guaracema apoiou-se numa das árvores, cravando suas unhas no tronco quando uma contração a atingia. Assim ela passou grande parte do dia, empurrando, sozinha, o bebê que carregava no ventre.

A índia aparou a queda do bebê e o analisou, limpando a face dele com as mãos. Era um menino, e ele chorava bastante. Ainda não tinha aberto os olhos, apenas chorava. O bebê parecia mais avermelhado do que ela esperava, mas Guaracema nunca tinha visto um bebê nascer antes, pois era este o costume de sua tribo; as mulheres seguiam sozinhas para parir na floresta. Se a índia acolhesse o bebê, ela o alimentaria com o seio, e o elo estaria feito.

Guaracema, entretanto, notou que havia algo errado. O bebê não movia suas pernas. Ela aguardou, virou o bebê para um lado e para o outro, mas ele apenas movia seus braços. A índia o largou sobre a terra e cavou, enterrando-o vivo com a placenta. Então caminhou de volta à sua aldeia, ainda com dificuldades para caminhar, sentindo uma imensa falta de ar.

Todos na aldeia sabiam o que ocorrera, ninguém a julgou. O infanticídio era uma prática comum em algumas tribos indígenas de Pindorama. E ainda seria comum nos anos 2000.

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33 comentários em “A índia branca (Andreza Araujo)

  1. Pedro Luna
    3 de junho de 2016

    Achei interessante a manobra utilizada, a peste negra devastar a Europa e os sobreviventes serem colonizados pelos indígenas. Fiquei meio assim quanto a fragilidade dos sobreviventes em relação a fome. Pois eu pensei no inverso, índios morando no Brasil e cultivando os próprios alimentos, caçando. Óbvio que a europa é um lugar diferente, mas tinha a possibilidade de plantar, de caçar. Nesse momento, me lembrei de algumas obras apocalípticas que mostram que a diminuição da raça humana faz nascer mais natureza e ajuda na proliferação de animais. Então achei um pouco estranho a mulher chegar chorando de fome. Eles não estavam em uma ilha deserta.

    Mas esse foi só um detalhe. A inversão, apesar de clichê, foi bem utilizada e o texto é bem escrito. O autor demonstra conhecimento sobre cultura indígena. Abraços.

  2. Swylmar Ferreira
    3 de junho de 2016

    Oi autor(a)
    Legal a inversão colonizador/colonizado, ainda mais porque explicou o motivo, peste negra. Gostei dos personagens Abadi, Guaracema que dão força à obra.
    A trama é muito boa, simples, a adequação ao tema exposta de início com a chegada dos índios (cacique Aritana ?) ao continente europeu. Gramaticalmente excelente, facilitando a leitura. O enredo é muito bom, com diálogos interessantes e conclusão bacana.
    Parabéns meu caro e boa sorte.

  3. Wilson Barros
    3 de junho de 2016

    História muito poética, narrada em forma de diálogos muito bem elaborados e um enredo criado de modo muito refinado. A inversão da colonização é um tema original , cativante e que emociona. O destaque aqui é a profundidade filosófica que o conjunto obteve. Muito bom, parabéns.

  4. Thiago de Melo
    3 de junho de 2016

    Olá, Jaçanã,

    Seu conto me deixou meio confuso em algumas partes. Acho que os diversos cortes, entre a perspectiva de personagens e inclusive indo pra frente e para trás no tempo, me complicaram um pouco a seguir a leitura num fluxo contínuo. em determinado momento eu precisei parar e voltar um pouco para entender de quem se estava falando.
    Para mim, o ponto alto do seu conto foi a cena em que Abati entra na igreja abandonada. Parabéns! Ficou excelente. Consegui me transportar para dentro da narrativa e o resultado foi muito bom. Tão bom que pareceu até curto demais esse trecho.
    No mais, achei que o seu conto atendeu à premissa do desafio e te desejo sorte.

    Abraço

  5. Virginia Cunha Barros
    2 de junho de 2016

    Oii! Gostei da escrita suave e dos nomes indígenas! Então… parece que o jogo virou para os europeus, né? Fiquei imaginando uma Europa destruída, quando a índia branca entra no quarto e encontra os vestidos… dá pra sentir o vazio que ela deve ter sentido. Meu deus, e o que foi esse epílogo, de arrepiar a própria mãe enterrar o bebê vivo. Parabéns!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    2 de junho de 2016

    Pindorama! Guaracema! Aritana! Que delícia ler e repetir em voz alta os nomes indígenas!

    Jaçanã, gostei muito do seu conto. Adorei a ambientação criada, a narrativa enxuta e a RHA contextualizada na inversão dos papéis do colonizador e do colonizado. Achei totalmente cabível o término da história – o infanticídio de Guaracema.

    Há alguns deslizes na repetição das personagens nas cenas. Porém, esses problemas mínimos não ofuscam a beleza da sua obra.

    Parabéns!

    E boa sorte no desafio!

    Observação: li teu conto escutando uma música de J.Velloso, interpretada por Maria Bethânia, chamada Kirimurê. Peço que você escute-a também, por favor.

  7. Thomás
    2 de junho de 2016

    Jaçanã, seu texto é grandioso. Muito bom.
    Gostei da inversão de papéis: além de muito bem feita, com ela vc mergulha na RHA.

    Confesso que precisei ler duas vezes. Até a parte da peste negra tudo parecia meio no ar, mas isso se deu por conta do meu preconceito. Afinal, é o índio quem “chega”.
    Uma vez livre dessas amarras (graças a você!), a coisa fluiu muito melhor.

    Só o epílogo me deixou meio confuso, a princípio, pois conta um fato anterior ao resto todo. Acho que ele funcionaria melhor se fosse um prólogo.

    No mais, parabéns!

  8. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Jaçanã. Seu conto é o vigésimo quinto que avalio.

    Observações: embora a ideia de trocar o conquistador pelo conquistado, por si só, não seja nova, este texto a executa muito bem. O sentimento de Abati ao ver uma cultura diferente, que poderia ter sido a sua, adiciona um mistério a mais ao texto, uma vez que ela era naturalmente deslocada no ambiente em que cresceu. Imagino que o estranhamento dela não seja uma questão de identificação, mas a simples percepção de que a sua comunidade era um limite muito pequeno em relação ao que existia.

    Destaques: gostei bastante da levada da narrativa, sem deixar de propor a reflexão, mas também sem se tornar pesada demais a ponto de ser cansativa.

    Sugestões de melhoria: não tenho muito a acrescentar, me perdi um pouco durante as mudanças de linha temporal, principalmente no começo, mas depois que os tempos ficaram mais definidos o texto fluiu bem.

    Parabéns e boa sorte.

  9. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: gostei muito da inversão da descoberta da Europa pelos índios, e da decrepitude daquela sociedade. Possibilitou um bom desenvolvimento do contexto, mas a história em si ficou para o final – e, principalmente, para o epílogo.

    TÉCNICA: escrita muito desenvolvida, tecnicamente notável quanto ao uso das ferramentas de um contador de histórias. Está de parabéns!

    EFEITO: o resultado foi bastante positivo, apesar de eu achar que o epílogo não é realmente um apêndice de história, mas o coração dela. Por isso, não o intitularia assim, mas o deixaria sem divisão, como uma explicação tardia.

  10. vitormcleite
    31 de maio de 2016

    Bom conto, apesar de ter momentos que merecem ser trabalhados este conto consegue agarrar o leitor, muitos parabéns. Gostava de ler esta história desenvolvida sem limites de palavras nem de tempo, pensa um pouco e refaz este texto ele merece e está a pedir. Penso que abordas uma temática que passou pela cabeça de muita gente, mas tu conseguiste atingir uma leitura leve, muitos parabéns

  11. Catarina
    31 de maio de 2016

    O COMEÇO nos situa imediatamente no denso FLUXO, que o autor manteve magistralmente até o fim. A TRAMA intercortada, técnica que parece estar na moda, foi muito bem costurada. A ALTERNATIVA está tão explícita em suas consequências, o texto está tão coeso, que o FIM doeu pela exatidão.

  12. Pedro Teixeira
    30 de maio de 2016

    Olá, autor! Gostei demais das descrições, e da narração da chegada dos índios. Senti falta de entender em que momento os índios brasileiros chegaram a esse nível de desenvolvimento tecnológico, apesar disso não ser essencial para a estória. O que me incomodou mais aqui, na verdade, foi o jeitão de capítulo de uma narrativa maior , que fica ainda mais forte com o final. No mais, é um conto com uma boa premissa, imagens muito bem pensadas e narração competente. Parabéns e boa sorte no desafio!

  13. Anorkinda Neide
    29 de maio de 2016

    Ah… me pegou pelo coração! hehe
    Primeiramente, desde bem pequenininha eu choro, me emociono, eu sinto saudade dos indígenas, é uma coisa tao forte q preocupava minha mãe. Filmes de cowboy sempre foram um banho de lágrimas pra mim, mas eu chorava mais mesmo qd o filme focava a vida dos indios, é um negocio louco! Dae que a tv Globo faz uma novela em 1979, euzinha tinha 7 aninhos, cujo titulo é Aritana. Bem, eu enlouqueci de vez e pra sempre. Nao lembro de nada, apenas do índio e q mnha mae fez um boneco de pano, chamado Aritana! Me acompanhou por rmuitos e muitos anos.
    Já viu né, o q q o primeiro capitulo deste conto fez comigo! kkk Vi ali um Aritana já velho, descobrindo a Europa! 🙂 Emoção! kkk
    .
    Pensando racionalmente, acho q está bom, bom mesmo este primeiro capitulo, as repetições de palavras nao me incomodaram, ao contrario, achei tudo meio poético.
    Depois veio Abati e amei ela pelo seu paralelo inverso comigo, pois q eu me maravilho com artefatos e costumes indigenas assim como ela se identificou com as coisas europeias.
    .
    Depois veio a historia da adoção dela pela índia, bem, dae já acho q perdeu o tom poético, acho q vc precisou reduzir as informações sobre o ataque dos indios, ficou meio confusa aquela parte. Mas o assassinato da mãe branca de Abati foi muito bom.
    .
    Agora… o epílogo, claro, choca… mas eu ja conheço a tradição indígena, já postei sobre isso no meu blog, no entanto, eu nao sei, nao lembro se pesquisei sobre,.. se as índias que tem seus filhos defeituosos mortos ‘enlouquecem’, sentem arrependimento ou pior, inveja de outras maes com filhos. Acho q não. Isso me soa muito, muito ‘branco’, sentimento de ‘branco’, sabe como é?
    O que poderia justificar melhor o roubo da menina era Guararema ter se apaixonado pelos cabelos beijados de sol que a menina tinha.. rsrs
    .
    Tirando este final pro qual torci o nariz, eu amei esta conto. Parabens,

    • Jaçanã
      2 de junho de 2016

      Fico feliz que o texto tenha despertado em ti esses sentimentos, mesmo que de modo indireto 🙂

      Sobre o epílogo, entendo sua observação. Digamos que foi o meu lado branco falando hauahuah vai ver a índia ficou com inveja porque ela queria muito um bebê… não? Ok, rsrs

  14. Pedro Arthur Crivello
    26 de maio de 2016

    gostei da inversão brasil-Europa, e principalmente o motivo da Europa não ter se desenvolvido tecnologicamente pela peste, mas não sei como os índios ficaram motivados a sair de suas tribos e conquistar os outros mundos. a sua narrativa e fluida no começo, mas é truncada no final , não percebemos muito bem que é a origem da índia branca. sua linguagem foi bem usada e a proposta foi atendida, embora eu ache que o epilogo no final foi desnecessário e podia ter dado espaço para um final mais arrebatador.

  15. Gustavo Castro Araujo
    25 de maio de 2016

    Gostei bastante do conto. Subverter a linearidade é um recurso que me atrai, especialmente quando bem executado, como aqui. Funciona mais ou menos como um quadro impressionista: visto de perto, só se enxergam as pinceladas mas, ao fim, quando nos afastamos, percebemos o todo, vivenciando uma espécie de epifania. Ah, então era assim! Então, Abati era… a índia! A índia branca! Roubada da mãe por uma índia invejosa. Putz, eu não esperava por isso haha

    Enfim, excelente ambientação (ainda que com pontos a corrigir, como as repetições e as eufonias, conforme a galera apontou), que mesmo tratando de uma RHA conhecida – a inversão de papeis na colonização –, tem o mérito de criar uma história nova nesse ambiente. Inveja, medo e ciúmes são aqui abordados em dose bastante para construir uma atmosfera de suspense e, ao final, de indignação.

    Aos leitores que têm criança em casa pode ser chocante a atitude de Guaracema de abandonar (enterrar, na verdade) o filho defeituoso, mas isso explica, de modo terrivelmente verossímil, o assassinato da mãe portuguesa e o roubo da criança branca. É impossível terminar o conto indiferente a isso.

    Exatamente por esse aspecto é que o texto se destaca. Quando se termina de montar um quebra-cabeças, a sensação é sempre de realização. O mesmo se tem aqui. Parabéns!

  16. Leonardo Jardim
    25 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): a trama é um pouco desconexa e só se encaixa perto do final: a Europa foi dizimada pela peste e os brasileiros é que colonizaram os europeus. A premissa é interessante, mas o desenvolvimento ficou confuso. Muitos personagens foram apresentados sem muita importância para a trama. Acho que o foco da narrativa deveria ser o tempo todo em Guararema. Por que ela matou a mãe da menina? Se ela fosse o foco, talvez isso tivesse ficado mais claro. O autor narra muito os acontecimentos, mas precisa entrar mais na mente dos personagens, seja direta ou indiretamente, para que possamos comprar suas motivações. Do jeito que o texto foi contato, ficou muito jornalístico.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): as cenas narradas foram bem claras e o trabalho de pesquisa bem feito, mas o texto ficou com cara de cru, sem maiores trabalhos linguísticos. O que mais me incomodou, porém, foram algumas repetições de palavras iguais muito próximas que exemplifico abaixo:

    ▪ *Aritana* desceu do tombadilho escada de estibordo. Chegando ao convés, um homem apontou para a água, mostrando a *Aritana* a posição de uma pequena embarcação. *Aritana* anuiu…”

    ▪ “Ierê segurava duas *maracás*. Logo em seguida, passou uma das *maracás* para sua mão esquerda, e começou a dançar, sacudindo as *maracás*…”

    Uma dica que posso dar e uso sempre nos meus textos (minhas primeiras versões de textos são cheias de repetições) é utilizar o seguinte site para me ajudar a capturá-las: repetition-detector.com/?p=online

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é um mote totalmente novo (eu cheguei a pensar em usar nesse desafio), mas foi abordado de forma que foge dos clichês (que geralmente envolve comédia).

    🎯 Tema (⭐⭐): a peste dizimou a Europa, o Brasil nunca foi descoberto e evoluiu a ponto de construir barcos (acho que seriam diferentes das naus portuguesas) para chegar até Portugal.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): passada a satisfação inicial de ver o tema abordado, a trama muito superficial e o epílogo desconectado me impediram de apreciar mais o texto.

    • Jaçanã
      25 de maio de 2016

      Gosto muito dos seus comentários, amigo Leonardo! 🙂

      A justificativa para o assassinato da mãe biológica de Abati é explicada no epílogo, onde Guaracema assassina seu próprio bebê quando ainda morava no Brasil (Pindorama). Ou seja, a mulher enlouqueceu depois, ficou com inveja da portuguesa e roubou a criança.
      Guardarei aqui no bolso sua sugestão sobre me aprofundar mais nos personagens 😉
      Vou favoritar esse site que captura as repetições. Adorei!
      Agradeço os comentários!

  17. Evandro Furtado
    19 de maio de 2016

    Ups: Os personagens são, particularmente, bem desenvolvidos. Suas motivações são claras, seus atos são justificados.
    Downs: À trama falta certa clareza de objetivo. Nem estou falando da quebra da linearidade, achei ousado e funcionou no final. Só gostaria de saber qual é o ponto do texto, afinal. Você começou a trabalhar a invasão de forma geral e, de repente, parou. Seguiu com o arco de Guaracema – que, aliás, acho bem mais poderoso do que o anterior. Mas, me pareceu que a primeira parte foi só uma justificativa para entrar no tema. Veja bem que ela pode ser substituída por várias outras narrativas e, ainda assim, a segunda parte funcionaria.
    Off-topic: “Pindorama, Pindorama, é o Brasil antes de Cabral…”

    • Jaçanã
      25 de maio de 2016

      Olá, Evandro!
      Minha intenção era mostrar uma Europa destruída, com foco no drama de Guaracema e Abati.
      Ou seja, a invasão era apenas para iniciar a RHA, nunca foi meu propósito me aprofundar nesta parte.
      Se isto funcionou ou não, aí são outro 500!
      Valeu! 🙂

  18. Simoni Dário
    17 de maio de 2016

    Olá Jaçanã.
    Tenho dificuldade com textos em cortes, me atrapalho um pouco com a leitura, vou e volto algumas vezes para captar, então a leitura não fluiu para mim como deveria e o seu texto merecia, pois está muito bom. A narrativa dos detalhes de cada cena está muito boa. O epílogo até que funcionou comigo porque sou acometida de uma certa preguiça para pesquisar de vez em quando, e por mais que já tenha lido sobre as histórias de infanticídio no meio indígena, no seu conto especificamente quando li fiquei chocada e facilitou o entendimento. Mesmo com a riqueza de detalhes que você deu dos personagens não consegui visualizar muito bem a mãe legítima de Abati ( que nome bem criativo!). Nesse caso a personagem que vi foi uma mulher sem rosto carregando uma boneca nos braços, foi estranho, mas foi como recebi a imagem. Digo isso apenas para constar, porque o texto é bom e você está de parabéns!
    Bom desafio!

    • Jaçanã
      25 de maio de 2016

      Pois é, amiga Simoni. Também acho que dei pouca importância para a mãe biológica de Abati. Pensei em colocar um nome nela para ver se isto a humanizaria mais. Não sei por que mudei de ideia, rsrs.
      Sobre o nome de Abati (e todos os outros nomes no texto), eles são fruto de pesquisa, não são criação minha! Consultei um dicionário de nomes indígenas e escolhi os nomes pelos seus significados. Aliás, Pindorama é como os índios chamavam o Brasil antes de Cabral, exatamente como observou o nosso amigo Evandro.
      Valeu e bom desafio pra você também!

  19. Claudia Roberta Angst
    17 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Definição da personagem Abati – a índia branca. Simples, mas válido.

    * Enredo – O conflito entre índios e europeus, sendo os primeiros os conquistadores, os colonizadores. O assassinato da mãe de Abati, seguido do seu rapto/adoção, foi o ponto máximo do conto. A falta de identificação de Abati com o seu povo, os índios, é bastante crível.

    * Tema – O conto abordou o tema proposto pelo desafio.

    * Revisão – nenhum lapso chamou a minha atenção.

    * Aderência – Comecei a ler o conto com boa vontade, mas aos poucos, a leitura pareceu-me um pouco arrastada. Em algumas passagens, meu entusiasmo voltou – como no assassinato/rapto e o epílogo. Eu, particularmente, gostei de como o final foi conduzido. No entanto, acho que o conto ganharia mais força se alguns parágrafos fossem enxugados e até eliminados. Menos é mais.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    17 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Uma abordagem excelente de troca de pontos de vista, sem exagerar nos fatos ou acrescentar muitas informações. A diferença cultural foi bem explorada no contexto.
    E: A história consegue manter o tom de curiosidade até o fim, pelo seu fator inusitado e pela escolha certeira das divisões. Apenas a parte do ataque achei um tanto apressada, pois o texto não dava indício do que iria acontecer antes. O epilogo é interessante, mas não chegou a acrescentar muito à história. Pra mim, se terminasse ali quando a índia cria a filha europeia já era um final satisfatório. O “depois” se arrastou um pouquinho, mas não tira o brilho do enredo.
    A: Não tenho dúvidas neste quesito. A maioria das diferenças foi bem explorada, afinal, todos os povos têm suas qualidades e defeitos. Não é um texto sonhador, chegando a ser realista, como demonstra a conclusão.
    O: Escrita leve, bem pontuada e com marcações itálicas bem distribuídas.

  21. Eduardo Selga
    17 de maio de 2016

    Há muitos problemas nessa narrativa, da concepção à estrutura formal. No primeiro caso, além das boas observações da Juliana Calafange, gostaria de lembrar que apenas inverter os pólos da História, fazendo dominador e dominado mudarem de posição e espaço geográfico, é pouco criativo em se tratando de narrativa ficcional que exige, por definição, engenho.

    Não sou adepto da ideia de que o conto, necessariamente, precise ser uma pílula com alta dosagem de ação, uma reviravolta a cada parágrafo, e toda essa abobada espetacularização da narrativa. No entanto, o conto é condensação, nele o espaço é limitado, motivo pelo qual, como disse o escritor argentino Julio Cortázar, há a “necessidade de escolher e limitar uma imagem ou um acontecimento que sejam significativos, que não só valham por si mesmos, mas também sejam capazes de atuar no leitor como uma espécie de abertura, de fermento que projete a inteligência e a sensibilidade em direção a algo que vai muito além do argumento visual ou literário”. Portanto, na narrativa nada pode estar gratuito, ao contrário do romance ou da novela, que permitem situações assim. No entanto, esse texto se arrasta e há muitas passagens desnecessárias e/ou desconectadas do construto textual.

    Do ponto de vista formal, ocorrem ao menos dois casos de comprometimento da eufonia. São eles: “[…] batendo rapidamente com os pés, repetidas vezes, sobre o convés […]” (PÉS / CONVÉS) e “Vou cuidar de ti… Abati” (TI / ABATI).

    A palavra MARACÁ foi usada de maneira equivocada. Ela é masculina e não feminina, como está indicado em “Na mão direita, Ierê segurava duas maracás”. Além disso, no sétimo parágrafo ela é repetida três vezes, um exagero para uma palavra sonoramente tão marcante.

    Exagero também há no uso do verbo ANUIR. Por ser praticamente desconhecido na fala e pouco usado na escrita, deve-se evitar usá-lo em abundância. Assim como se deve evitar dois advérbios terminados em ENTE muito próximos um do outro, também por causa da eufonia, como em “finalmente, agitou vigorosamente os chocalhos […]”.

    • Jaçanã
      25 de maio de 2016

      Oiê!
      Concordo sobre ser pouco original a concepção da RHA em si. O que tentei fazer foi criar um drama baseado no choque cultural entre os povos, representado na figura da índia branca. Ou seja, meu interesse era mostrar uma jovem que não sabia a qual mundo pertencia por não se identificar com os índios. Por isto existem os trechos onde Abati invade casas naquela Lisboa abandonada, onde ela descobre e aprecia os itens do povo branco, numa grande ironia de minha parte.
      Todas as cenas tiveram um propósito. Se isto não foi enxergado, então a falha é minha.
      Vou me policiar para não me alongar demais nas cenas de menor importância para a trama. Abraços!

  22. JULIANA CALAFANGE
    16 de maio de 2016

    bom texto. Gostei do começo, da sua descrição da nau chegando à Europa. Me pareceu estar lendo a carta de Caminha ao contrário… também gostei da maneira sutil com q vc incluiu assuntos como a catequização, a igreja católica etc. Muito interessante, por fim, a coisa das “identidades”, da maneira natural com q a índia rejeita o filho defeituoso, contrastando com a sensação de vaidade quando ela rouba a filha da mulher branca escravizada. Uma Escrava Isaura às avessas. Só acho q vc pode melhorar ainda o texto dando jeito em algumas coisas que não bateram bem: a natureza não tinha nada a oferecer para as pessoas comerem em Portugal quando os índios chegaram? Os europeus não sabiam caçar nem plantar? Tinham esquecido? Os índios não estranharam o clima? Nem a maneira como os europeus se vestiam? Esses detalhes me parecem pouco “difíceis de engolir”, então minha sugestão é q vc mexesse um pouco nisso… Um dos melhores contos q li até agora. Parabéns!

    • Jaçanã
      17 de maio de 2016

      Fico muito feliz por alguém ter notado o lance da “catequização dos brancos”, apesar de ter sido bem sutil, é verdade.

      Pois é, eu narrei a diferença entre as roupas deles, mas não narrei o estranhamento dos índios. Pensei que ficaria implícito, mas eu reli o trecho e realmente não ficou.

      Também pensei nestes outros pontos que você comentou, mas não quis me aprofundar. Preferi focar na história de Abati. São detalhes que poderiam enriquecer o conto? Certamente. Foi uma escolha minha omitir alguns detalhes (por exemplo, eu não soube como inserir o lance do clima). Mas as suas observações são pertinentes.

      Agradeço muitíssimo os elogios 🙂

  23. Fabio Baptista
    16 de maio de 2016

    Minha primeira ideia quando o tema do desafio foi escolhido foi mais ou menos essa… inverter os papeis colonizador / colonizado ou sobre quem escravizou quem. Achei que aqui o autor conseguiu atingir esse objetivo com bastante sucesso.

    O começo foi um pouco travado, com repetições de palavras (“nau”, por exemplo) e descrições muito detalhadas que não contribuíram para o andamento da história. Porém o decorrer é muito bom e a cena em que a bebê é roubada da mãe ficou particularmente inspirada.

    Eu não curti muito esse epílogo, com cara de Wikipedia.

    Talvez pudesse trabalhar melhor a questão da índia não poder ter filhos depois desse evento, surgindo daí a “justificativa” para roubar a criança branca e cria-la como sua.

    Conto muito bom, no geral.

    Abraço!

    • Jaçanã
      17 de maio de 2016

      Repeti mesmo, né? Nem me liguei, mas você tem razão, falha minha.
      Poxa, eu gostei tanto do início do texto… rsrs A intenção com as descrições detalhadas era exprimir realidade. Mas eu posso ter trocados os pés pelas mãos, afinal, nem todo mundo sabe o que é tombadilho, por exemplo, isto deve ter travado a leitura, imagino.

      Em off, digo que faltou um pedaço desta história. Minha intenção era narrar toda uma guerra entre estes “índios colonizadores” e outros índios brasileiros. Nesta guerra, Guaracema perderia o marido. Por isto ela aparenta(?) estar sozinha na Europa. A “justificativa” para o roubo, no meu entendimento, foi uma mistura de inveja com arrependimento. A índia ficou transtornada por ter matado seu próprio filho. Enlouqueceu, digamos. Por isso ela persegue a mãe.

      Agradeço os elogios, abraços!

  24. Davenir Viganon
    16 de maio de 2016

    RHA: Europa é achada por indígenas.
    A inversão que promoveste no teu conto, ficou muito boa. Abati (a menina branca, loira e de olhos azuis adotada pela colonizadora índia) é a personagem que conduz a estória, enquanto os índios serviram apenas para situar esse mundo que criaste. Para uma estória que poderia ser sobre alteridade, imaginar outra realidade na visão de outras pessoas, acabou ficando mais uma estória sobre a heroína de olhos azuis. O conto prende pela imaginação na construção desta realidade alternativa. O autor praticamente recontou o “descobrimento” português com os ponteiros trocados. Abati acabou sendo o menos interessante, mas o conto é rico em imagens variadas. Uma estória simples e bem contada.
    Em off: Cogitei fazer uma RHA parecida com a sua, onde os Aztecas encontrariam a Europa, mas acabei abandonando a ideia.

  25. Ricardo de Lohem
    15 de maio de 2016

    Bom conto, baseado na ideia de uma inversão histórica entre europeus e índios. O enredo é bastante ralo, quase inexistente, mas o texto mantém sua força graças às descrições bem elaboradas do resultado de sua RHA. Não chega a ser empolgante, mas tem boa qualidade. Parabéns, desejo Boa Sorte no Desafio.

  26. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Belíssimo texto, diria poético, lembrei de Oswald de Andrade ( fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português.). É tão alternativa que beira o non-sense, entretanto, é muito bem escrito, apesar de eu, particularmente, não apreciar o recurso de recortes de um ponto a outro. Gostei bastante. Parabéns.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .