EntreContos

Detox Literário.

A terapia do obituário (Bia Machado)

terapia-do-obituário

Nunca tinha se casado. Dos nove irmãos, apenas ele tinha ficado com a mãe enquanto os outros ganhavam o mundo, constituíam família, viviam suas vidas. Dona Francisca já era viúva, aos cinquenta e quatro, quando ele se formou em Direito aos vinte e três. Ainda assim, não era sua intenção deixar a genitora sozinha, tão debilitada de saúde que a idosa estava de uns anos para cá, principalmente depois da morte do marido.

“Não se preocupe, querido. Bem se vê que partirei logo. Vá tranquilo, tenha sua vida. Não quero ser um peso”, pedia a mulher, tentando tranquilizá-lo. Ele, porém, jamais arredou pé da casa onde tinha nascido e crescido. Tinha uma dívida para com a mãe, estava totalmente certo de que o melhor a fazer era cuidar dela, até o fim.

Logo encontrou um bom emprego, em um conceituado escritório, na rua mais movimentada do centro, infelizmente longe o bastante de casa para que fizesse o percurso todo intranquilo, pensando na mãe. Doía-lhe a alma toda vez ao sair de casa para o trabalho. A impressão era de que a mãe não estaria viva quando voltasse, ao cair da tarde. Podia imaginar a cena: chegaria em casa e a encontraria morta, no chão da cozinha, com um talho profundo na cabeça por tê-la batido na quina da mesa ao cair, o sangue já coagulado, a rigidez cadavérica depois de horas ali, a esvair-se em sangue, sem ninguém para acudir.

Não, não queria pensar, mas era mais forte do que ele. Aquilo nem parecia uma esquisitice, um trauma, nem mesmo uma ideia fixa. Era um medo real, todo mundo morria, não morria? Das formas mais simples, muitas vezes inimagináveis. Podia ser dormindo. Podia ser de repente, sem tempo para nada. Um tropeço, uma queda para o nada, um momento de emoção mais forte poderia fazer o coração parar de bater. Sabia do caso de um homem que morria de medo de morrer em um desastre de avião e por isso nunca tinha usado aquele meio de transporte. E, no entanto, não tinha falecido exatamente da forma como mais temia? Andava na areia da praia, em férias, quando um bimotor o atingiu na queda… ou seja, o ditado era bem verdade: para morrer, bastava estar vivo. E sua mãe estava bem viva… vivíssima.

Comprou uma linha telefônica com grande dificuldade apenas para que pudesse ligar de hora em hora para casa, para saber notícias. Ligava a cobrar, para o patrão não ter com o que se preocupar. No final do mês, boa parte do salário era usada para pagar a conta. Não se importava, pois não havia dinheiro que pagasse sua tranquilidade.

Doze anos depois, ao tornar-se sócio no escritório de advocacia, já tinha condições de pagar uma enfermeira. Era necessário, a mãe tinha definhado ainda mais durante aquele tempo. Já não fazia mais o trabalho doméstico, uma moça tinha sido contratada como diarista, fazendo o serviço de manhã, cozinhando e deixando tudo limpo antes de ir embora. Passava o dia sentadinha, vendo seus programas preferidos na televisão, mas o filho sabia que ela sentia dores que pareciam não deixar que descansassem totalmente, visto a expressão sofrida do rosto materno. Médico nenhum parecia dar jeito na situação.

“O que seria de mim, sem meu filho querido?”, perguntava a senhora, admitindo sua dependência com voz enfraquecida, quase um murmúrio rouco.

Seis anos depois, tinha certeza: Dona Francisca não duraria muito. Poderia ser a qualquer hora, era um fato. E ele, como ficaria quando ela desse seu último suspiro? Depois de tanto tempo, a mãe já uma septuagenária entrevada em uma cama, dependendo dos outros para as mínimas coisas, o que seria dele quando ela se fosse? Julgava já não ter idade para casar. Nem queria, a bem da verdade. Só sabia viver assim, trabalhando e cuidando dela. Tinha certeza de que sua missão na Terra era cuidar da figura materna, até o fim. Vê-la agonizar, dar seu último suspiro… E então, seria apenas ele, vivendo em memória da querida mulher que o tinha gerado e colocado no mundo.

“Todo mundo morre”, era o que ele pensava ao se deparar com os obituários do jornal. Crianças, jovens, adultos, principalmente pessoas com a mesma idade de sua mãe. Doentes como ela. Olhava aqueles nomes, tão desconhecidos. Naquele instante não respiravam mais, não sonhavam mais. Já estavam se decompondo, debaixo da terra. É, àquela hora já eram cadáveres, putrefatos, os vermes a se fartarem. Era até pecado pensar assim, mas não conseguia deixar de imaginar. Ele, que nunca tivera imaginação para coisas tão tolas, criava cenas em que via a própria mãe dentro do caixão, calculava quanto tempo levaria para que fosse apenas ossos e cabelos.

Não soube definir bem quando tudo começou. Um dia pensou que ler aqueles obituários faria com que se acostumasse à ideia da partida da mãe. Sim, seria como se acostumar à realidade, à fatalidade do cotidiano, que a quase todos se resume apenas em rotina, pura e simples. Sua querida mãezinha, assim como qualquer um, deixaria esta vida. Passou, então, talvez como uma forma de terapia, a escrever obituários para Dona Francisca.

Comprou um caderno somente para isso, para escrever o que publicaria quando o derradeiro momento chegasse. Certamente queria algo que tivesse sido produzido por ele mesmo, jamais delegaria essa tarefa a um funcionário qualquer do jornal, que nem sequer conhecia a pessoa a quem o texto se referia. “Faleceu nesta tarde chuvosa de junho…”, “Em uma manhã ensolarada de agosto, a distinta senhora deixa a vida…”, “Mãe devotada como poucas existiram e existirão…”, nada parecia ficar perfeito, nada parecia estar à altura da divindade que emanava daquela senhora. Mas escrevia. Um antes de dormir e outro ao acordar. Usava um guardanapo qualquer para rabiscar, depressa, após almoçar e enquanto aguardava o café. Às vezes, datilografava uma ideia nova entre uma petição e outra.

Com o tempo começou a escolher coroas de flores, mesmo sem comprá-las. Passava sempre em frente a uma floricultura ao voltar para o escritório depois do almoço, aproveitava então para selecionar bem qual seria a combinação perfeita de flores, o tamanho, os dizeres da faixa. Só de passar por ali e simular uma escolha já se sentia mais conformado com o destino de Dona Francisca, o mesmo que todos teriam um dia, inclusive ele.

Para disfarçar, passou a comprar as coroas para enviar ao velório de quem tinha sabido do falecimento no obituário do jornal. “Hoje envio para Margarida Souto, amanhã poderá ser para minha mãe”, dizia a si mesmo.

A coisa parecia estar surtindo efeito. Sentia-se mais preparado para o que com certeza um dia viria. Escrever obituários agora era algo tão trivial, corriqueiro, banal, fazia mais como passatempo, já era um hábito que podia chamar de agradável sem parecer que estava mentindo. Os textos curtos, até mesmo poéticos, sem querer tinham despertado nele a vontade de escrever, ainda que fossem sobre a morte, sobre o momento em que Dona Francisca se depararia com ela.

Foi então que viu algo que nunca tinha visto na fatalidade de tudo aquilo: a delicadeza. Morrer passou a ser algo sublime, o instante maior de uma vida inteira. Não importava mais quando aconteceria, pois agora estava certo: tudo seria perfeito como deveria ser, os anos de preparação tinham dado resultado. Um dia, sabe-se lá quando, chegaria a hora. Bastava apenas continuar a viver.

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43 comentários em “A terapia do obituário (Bia Machado)

  1. Rubem Cabral
    6 de novembro de 2015

    Um conto muito bom: dá para se notar a crescente paranoia transformando-se em algo mais, numa espécie de forma de arte mórbida. O filho talvez descesse por uma espiral de loucura, certamente por não ter outros interesses na vida; isso parece bem real. A morte da mãe acabaria sendo mais lamentável pela quebra da zona de conforto do filho, do que pelo amor em si…

    Achei o texto direto e bem-escrito. Limaria talvez a menção dupla de “sangue” em ” o sangue já coagulado, a rigidez cadavérica depois de horas ali, a esvair-se em sangue”, pq tenho TOC quanto às repetições. Também sugeriria localizar o conto no tempo, pois certamente ele se passa em outra época: linhas telefônicas caras, ligações custosas, datilografia, etc.

    Abraços.

  2. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Um conto surtado. Também já escrevi um conto assim, e aqui no Entrecontos, com personagens obcecados pela morte, de uma maneira incomum. Achei bacana, com situações como essa dívida que muitos sentem com a mãe, mas levada ao extremo do bizarro. E no fim, o título Terapia do Obituário fez muito sentido..haha. Criativo.

  3. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Um conto que seria bem trabalhado em alguma aula do curso de psicologia, sem dúvida. (rs!)
    Eu fui lendo e ficando com a impressão de que o filho iria começar a se incomodar com a “demora” da mãe em partir naturalmente para o andar de cima e que ele, então, faria alguma coisa mais insana do que escrever obituários e comprar coroas de flores. Mas, aproximando-se do final, a história verte para outro nível, igualmente agradável aos analistas, embora menos mórbido.
    Fiquei curioso para ver como isso vai terminar. Ou melhor, de que forma irá terminar em morte. 🙂
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

    • Caligo Editora
      6 de novembro de 2015

      Obrigada pelo comentário. Quando escrevi o texto estava inebriada de tanto ler contos do Machado de Assis, e acho que isso influenciou um pouco, ao menos tenho essa sensação. Quando a fazer algo mais insano, acho que não consigo… Pelo menos, não mais… =)

  4. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    o texto não me agarrou, parece-me um quotidiano pobre e pouco relevante, com alguma trama para encher e chegar ao limite das palavras, o que lamento pois dispersa a trama. Desejo que na 2ª parte o texto leve uma volta para agarrar e dar vontade de ler o texto e não os obituários

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Não foi essa a minha intenção, não quis encher linguiça pra chegar ao limite. Sinto que tenha te dado essa impressão.

  5. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Conto estilo popular, de fácil assimilação, para entretenimento, prazer. O enredo é simples, leve e sem sobressaltos. Talvez seja o caso de se sugerir ao autor a introdução de figuras de linguagem, ou algum colorido literário nas páginas. No entanto, o estilo muito fluente do autor é de se destacar. O que parece prejudicar um pouco é o enredo, algo trivial, que termina impedindo a maior manifestação das habilidades literárias do autor. De todo modo, um conto bem escrito e que revela talento. Além disso, são contos assim que são sucessos de venda atualmente, em uma época de novos leitores, que pedem contos simples como este.

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Olha, eu jamais escreveria algo com a intenção de ser simples somente por achar que assim teria mais sucesso. O que escrevi está aí, da forma como pensei. Se é simples, eu não sei. Escrevi da forma como achava que devia, do jeito como pensei em levar a narrativa.

      • Wilson Barros Júnior
        7 de novembro de 2015

        Olá, Bia. Bem, eu não disse que você escreveu com “intenção de ter sucesso.” Eu disse que contos escritos como o seu fazem sucesso. Na minha opinião, e claro, eu talvez esteja errado, a linguagem usada no conto privilegia a clareza no lugar de construções literárias, destacando o conteúdo do conto mais que a forma. Contos, romances assim são mais compreensíveis, e tendem a ser mais lidos. Lamento se passei impressão diferente, mas sei que os comentários podem dar margem a interpretações diferentes do que queremos dizer.

  6. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), Vésper!

    Inicialmente, quero parabenizar o autor pelo título e pala foto. Complementaram muito bem a história.

    Até o presente momento, é o conto que mais consegui sentir a presença do tema. Os personagens estão bem delineados e não é difícil imaginar a relação descrita.

    A primeira metade do texto é bem morna, nada de muito empolgante acontece. Contudo, a partir da segunda metade, o conto fica muito mais interessante. A obsessão (certamente um TOC) ganha contornos tragicômicos. O lance de escrever obituários para aliviar a pressão da morte inevitável da mãe é genial. Tem um suspiro de “a vida como ela é”. Gostei muito.

    Penso que poderia ter uma pitadinha de humor na voz do narrador, acho que combinaria muito com o estilo da história. Tirando isso, não tenho mais nada a acrescentar. Aguardo o desenrolar, embora, com o perdão do autor, já desenhado algo em minha mente, rs.

    Parabéns e boa sorte!

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Obrigada pelo comentário! Realmente, minhas influências foram Machado de Assis e Nelson Rodrigues. Pensei que nunca tinha escrito algo com esse jeitão, e não conseguia me decidir pelos dois… Enfim, foi um exercício, rs.

  7. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015

    Belo conto. É preciso enfrentar os demônios de frente mesmo das formas mas estranhas que se encontre. O final me surpreendeu. Foi leve, belo e transformador.

  8. Davenir Viganon
    29 de setembro de 2015

    Bem interessante, uma loucura alimentada diariamente. Imagino que quem vai morrer no final disso tudo seja ele. Só arrisco tentar adivinhar porque os comentários só serão abertos no fim de tudo. Independente de como vai ser, gostei da história até aqui.

  9. Fil Felix
    28 de setembro de 2015

    Gostei de como abordou essa dependência filho-mãe / mãe-filho, criou um cenário bastante real e até melancólico, que acaba se transformando em em algo mais surreal com a fixação pela morte, ficou muito interessante.

    A ideia de criar os obituários, de se afeiçoar a morte e comprar as flores, se preparando há anos por algo que ainda não aconteceu (e que tenho suspeitas que não irá) também vem de frente com algo que acho muito importante de comentar, que é a perca do momento. De vivermos em função de algo que ainda não aconteceu, de nos privarmos de toda uma vida com medo de algo ou alguém, de criar máscaras e camadas sociais devido a isso.

    Acredito que o conto levanta muito bem essa questão. Não é difícil de imaginar que, depois de tudo isso, o próprio rapaz pode morrer antes mesmo da mãe.

  10. Jefferson Lemos
    25 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Bem, eu achei o texto muito bem escrito. Não está pesado e nem cansando. Não tenho o que reclamar disso. No entanto, a história não me agradou muito. Você contou, mas ao final não contou muita coisa. Cheguei ao término sentindo falta de algum elemento que me chamasse atenção no texto.

    O fato de ele se conformar com a morte da mãe não foi uma história muito tocante, e o final também não ficou legal, ao meu ver.

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Oi, Jefferson, valeu a leitura. Sei que não é esse o estilo que mais curte, por isso o fato de não te chamar tanto a atenção. Confessando aqui que a intenção não foi mesmo escrever um conto tocante, mas sim dar vida a essas personagens que estavam engavetados há anos…

  11. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    Conto bem escrito e desenvolvido de forma sucinta. Porém, parece que pouco aconteceu no conto, nenhuma ação que precisasse de reação, e isso me incomodou um pouco.

    Acho também que poderia ser melhor desenvolvido a relação do filho com sua mãe, para que nós leitores também ficássemos sofrendo por antecedência a morte dela. Mas não houve de minha parte empatia nenhuma pela personagem.

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Que pena que não conseguiu simpatizar com as personagens, isso acontece, nada pode ser 100% unanimidade. Nem sempre um conto tem que ter ação e reação. Mas lembre que esse trecho era apenas a primeira parte. Se houve reação, muita coisa ainda teria que rolar na continuação. Obrigada por ler.

  12. Maurem Kayna
    22 de setembro de 2015

    a narrativa é muito boa até o penúltimo parágrafo, há um crescendo e uma modificação convincentes da paranoia do protagonista, mas destacar que a terapia escolhida tenha lhe despertado a vontade de escrever surgiu como uma solução meio forçada e o último parágrafo, que é um pouco ambíguo… tanto pode ser uma promessa de ótima continuação na segunda etapa como um final que esvazia a tensão anterior. Torço pela primeira alternativa.

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Valeu a leitura, Maurem! Mas o protagonista teve despertada a vontade de escrever obituários apenas, rs. Poéticos, cada vez mais, mas assim mesmo, eram apenas obituários, rs. De qualquer forma, tentei ao máximo dar um novo ritmo à segunda parte, espero que esteja melhor, que quebre a expectativa, sei lá, que surpreenda de alguma forma, rs. Obrigada!

  13. Evandro Furtado
    22 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito e bem estruturado;
    História – 8/10 – a ideia é boa, só senti que faltou um pouco mais de profundidade, talvez na continuação;
    Personagens – 10/10 – muito bem construídos, foi possível traçar um perfil do protagonista e de como sua obsessão foi adquirida;
    Entretenimento – 8/10 – faltou alguma grande reviravolta pra dar um gás;
    Estética – 8/10 – a ligação filho-mãe foi bem construída, mas podia ser mais explorada.

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Poxa, escrevi uma resposta até grandinha e deu erro… Bem, resumindo agora, obrigada por ler e comentar, e sobre reviravoltas: são meu calcanhar de Aquiles, confesso. Um dia aprendo a fazer isso.

  14. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    A terapia do obituário (Vésper)

    ♒ Trama: (3/5) ocorre uma preparação muito boa, os fatos vão se sucedendo de forma muito natural e fácil de ler, mas acaba de forma muito abrupta. Faltou um clímax ou alguma coisa que se destacasse no final. Levantou bem a bola, mas cortou fraco.

    ✍ Técnica: (3/5) não vi defeitos, li com muita tranquilidade. Contou uma grande passagem de tempo com muita habilidade. Faltou mostrar mais cenas, aumentar o nível de destaque. Gostamos das histórias, mas nos emocionamos mesmo com as cenas.

    ➵ Tema: (2/2) cotidiano de um aficionado em morte (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) não vi nenhum grande elemento criativo. Esses personagens que se fascinam com a morte são comuns nas histórias que costumamos ler.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) por contar muito à distância e não desenvolver melhor algumas cenas, o texto não passou toda a emoção desejada. A falta de clímax reduziu muito o impacto.

    ➩ Nota: 6,5

    PS.: a imagem que ilustra o conto ficou muito boa!

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Clímax: admito que não sei fazer isso. Sempre que tenho, sai algo surreal demais. E eu queria algo bem, bem normal… Sobre a técnica, não entendi o que quis dizer com aumentar o nível de destaque, se puder explicar… Falando por mim, personagens me emocionam mais do que cenas, talvez por eu ser muito visual e imaginar as coisas que leio/escrevo do meu jeito. Mas não deixa de ser um grande exercício tentar fazer isso. Clímax, de novo: talvez eu tenha ficado muito contida também, tentando não pender para o dramalhão… Valeu a leitura, os apontamentos também.

      • Bia Machado
        6 de novembro de 2015

        * Corrigindo: sempre que TENTO, sai algo surreal demais, rs.

      • Leonardo Jardim
        10 de novembro de 2015

        Oi Bia. Desculpa, só agora vi sua resposta ao meu comentário.

        Pelo que me forcei a lembrar aqui, acho que eu quis dizer “aumentar o nível de detalhes” (comentei no celular e esses corretores sempre nos traem). Quis dizer com isso que a trama foi contada de modo mais superficial. Por isso falei das cenas.

        Bom, sabendo que é seu texto, não preciso explicar esse lance de contar/mostrar, né? 😉

        Abraços

  15. Piscies
    16 de setembro de 2015

    Um conto muito bem escrito.

    Vi o cotidiano do personagem principal, mas ele estava misturado com a história da sua vida. O tema aqui é a morte, e gostei de como ela, depois de tanto habitar os pensamentos do filho de Dona Francisca, tornou-se seu cotidiano. Sua iluminação no final do conto também foi bastante interessante; uma espécie de libertação.

    Confesso que fiquei curioso para saber como seria a continuação deste conto em especial. Foi um daqueles contos que me fez torcer no nariz quando terminei, mas depois, quando comecei a pensar sobre o que li, comecei a gostar dele cada vez mais.

    A escrita está impecável. Parabéns. Boa sorte!!

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Pois é, a continuação acabou sendo um conto a mais. Acho que esse não precisava de continuação, afinal, ou não me preocupei com isso. Obrigada por ler!

      • Piscies
        9 de novembro de 2015

        Eu que agradeço pela leitura!

  16. Antonio Stegues Batista
    15 de setembro de 2015

    Preocupar-se com a mãe é normal para todo filho responsável, ainda mais quando ela se encontra em idade avançada. Mas, para o personagem, essa preocupação vai se tornando numa obsessão. Começou a imaginar quando seria o dia em que ela morreria. O objetivo dele na vida, passou a ser aquela espera pelo dia inevitável. Ele está mais que preparado para isso e vai descobrindo novos pensamentos e emoções sobre esse acontecimento inevitável.
    Gostei dessa abordagem sobre a preocupação com a mãe idosa e o dia da morte dela. Boa narrativa.

  17. Brian Oliveira Lancaster
    15 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: O título é bem curioso e todo o texto chama a atenção pelo fator inusitado. É possível sentir a angústia do protagonista. – 9,0.
    G: O texto tem uma áurea de realidade muito forte, bem presente. A melancolia permeia toda a história. É um texto levemente triste, mas casa bem com a temática. O tom poético do final caiu como uma luva, assim como o cenário construído. – 9,0.
    U: Escrita leve e fluente. – 9,0.
    A: Gostei do modo como lidou com o “absurdo” ou até “fantástico” e o transformou em algo corriqueiro. Ponto para a criatividade. No entanto, o gancho ficou um tanto subjetivo. – 8,0.
    [8,8]

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Obrigada pelos comentários! Sobre o gancho, optei por fazer uma história fechada. Tanto que penei com a tal da continuação, sei lá o que vai virar, rs.

  18. Fabio D'Oliveira
    13 de setembro de 2015

    ☬ A terapia do obituário
    ☫ Vésper

    ஒ Físico: O conto está bem escrito, isso é fato, mas acredito que o desenvolvimento deixa um pouco a desejar. A estória é passada de uma forma tão fria, tão rápida, tão formal, que é impossível para o leitor se apaixonar por ela. E o enredo sugere o contrário! Você lê o texto inteiro. Não se cansa. No entanto, o final traz consigo um grande vazio. Qual foi a finalidade de tudo isso?

    ண Intelecto: O enredo é simples, mas muito bonito. Como não se emocionar com a devoção de um filho? Bem, nesse conto não é possível… A narrativa é muito fria, sendo impossível perceber de verdade quem são os personagens. O desenvolvimento da estória também é rápido demais. O conto começa a melhorar no final, mas termina ainda morno. Enfim, não foi possível apreciar o texto nesse quesito.

    ஜ Alma: O cotidiano é a rotina de uma pessoa, em sua forma mais bruta. Mas é possível se aprofundar nesse tema, assim como em todos os outros. O conto, no entanto, fica na forma mais rasa do cotidiano. Ele está lá, mas também não está. Não é possível senti-lo. No mais, o conto funciona. Mas não apreciei o gancho que encontrei.

    ௰ Egocentrismo: Não consegui gostar do texto. Não há aprofundamento. Não há empatia pelos personagens. É tudo tão raso, tão frio…

    Ω Final: Um conto bem escrito, com uma estória concisa, mas fria e rasa. É impossível se apaixonar pelos personagens. Está com o pé dentro e fora do tema. E o gancho não é atraente.

    ௫ Nota: 5.

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      “A estória é passada de uma forma tão fria, tão rápida, tão formal, que é impossível para o leitor se apaixonar por ela.” – Acho que você devia falar apenas por si. O que sabe da opinião dos outros?

      “Como não se emocionar com a devoção de um filho? Bem, nesse conto não é possível… A narrativa é muito fria, sendo impossível perceber de verdade quem são os personagens.” Minha resposta: É… Você deve falar com todo o conhecimento de causa a respeito disso.

      “O cotidiano é a rotina de uma pessoa, em sua forma mais bruta. Mas é possível se aprofundar nesse tema, assim como em todos os outros. O conto, no entanto, fica na forma mais rasa do cotidiano. Ele está lá, mas também não está. Não é possível senti-lo. No mais, o conto funciona. Mas não apreciei o gancho que encontrei.” – Se não é possível sentir o conto, que “mais” seria esse onde ele funciona?

      “Um conto bem escrito, com uma estória concisa, mas fria e rasa. É impossível se apaixonar pelos personagens. Está com o pé dentro e fora do tema. E o gancho não é atraente.”

      Como pode dizer que o conto é bem escrito, se falou tudo isso, que é “impossível se apaixonar, que é raso, que é frio” (e deve ser mesmo, porque disse mais de uma vez…)?

      • Fabio D'Oliveira
        6 de novembro de 2015

        Olá, Bia!

        Poxa, não fique chateada! Não se esqueça que critiquei o texto e o artista por detrás dele, não a senhorita como pessoa. Não mudaria nada, pois foram essas as sensações que o texto me passou. O que posso fazer?

        Espero que você compreenda isso! Um grande abraço!

  19. Claudia Roberta Angst
    12 de setembro de 2015

    Conto bem escrito, bem dentro do tema proposto. A saga, a rotina, o cotidiano de um filho que aguarda (pacientemente?) a partida da mãe. Como dizia um amigo meu – mulher doente, mulher pra sempre.
    O filho renunciou à própria vida para ficar ali, cuidando de D.Francisca, do seu cotidiano arrastado. Imaginei que na segunda parte, D. Francisca enterrou o filho e aproveitou tudo o que ele mesmo escolheu – obituário, flores, caixão, fazendo as devidas adequações.
    Portanto, para mim, o gancho funcionou, mesmo sendo muito sutil. Boa sorte!

    • Bia Machado (@euBiaMachado)
      6 de novembro de 2015

      Obrigada, Claudia! Será que acertou o palpite a respeito da continuação? 😉

      • Claudia Roberta Angst
        6 de novembro de 2015

        Quero ler!!!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Veríssimo e marcado .