EntreContos

Detox Literário.

Hissatsu (Gustavo Araujo)

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Hideo Nakamura tentou enxugar os olhos com o punho. A manga da jaqueta, porém, só fez espalhar o suor, turvando momentaneamente sua visão. A nitidez veio em ondas, não deixando dúvidas sobre o que havia à frente. Em meio à beleza plácida do atol jazia ancorado um porta-aviões da marinha americana.

Sentiu um nó na garganta, as mãos trêmulas. Um calafrio subiu pela espinha, espalhando-se pelos ombros. Com o coração disparado empurrou a manete à frente, exigindo toda a potência do motor da aeronave. A respiração ficou curta. Segurou a manopla do manche com as duas mãos, como se dali pudesse extrair coragem.

Não podia ter medo, não podia. Não iria desapontar seus ancestrais, seu país, o Imperador.

Apontou o nariz do avião para baixo. Conferiu o velocímetro. Os ponteiros denunciavam a aceleração constante. Voltou a olhar para a embarcação placidamente posicionada em um mar cor de esmeralda. A visão borrada pelo movimento da hélice lembrava um filme projetado em câmera lenta.

***

Mãe,

Não tenho certeza se esta carta chegará até a senhora, mas escrevo assim mesmo.

Cheguei à base há um mês. Sei que era seu desejo que eu me juntasse ao Exército, considerando a obrigatoriedade do alistamento. Mas devo dizer que a Marinha foi a escolha acertada. Este é um dos poucos lugares que permanecem a salvo da influência das forças de terra. Imagino também que o treinamento aqui não será tão severo.

Espero passar um período de relativa tranquilidade. Com sorte, a guerra terminará logo e eu poderei voltar para casa.

***

– Parabéns, Nakamura! – disse Tetsuo, um sujeito baixo, com olhos pequenos que lembravam gotas de piche. Tinha a expressão faceira de quem dá uma notícia há muito aguardada. – Chegou a sua vez.

Hideo sorriu. Não era um sorriso verdadeiro. Estava mais para uma expressão de simpatia teatral, uma reação falsa que pretendia transparecer algo próximo de felicidade. Não queria desapontar Tetsuo. Gostava dele.

– Sua família vai ficar contente. É um orgulho…

Já não o escutava. Em sua mente surgia a imagem do relógio de bolso que herdara do avô, ainda garoto, quando vivia em Kumamoto. A lembrança dos ponteiros pequenos que imitavam setas, movendo-se impassíveis, era tão nítida que ele podia ouvir seus minúsculos estalos inexoravelmente devorando o tempo.

Havia chegado à base de Kanoya, atendendo à convocação, logo depois de terminar a faculdade. Vinha acompanhado de um defeito vergonhoso semeado ainda na infância, o medo irracional de morrer, algo que tentava disfarçar por meio de uma expressão sempre dura e pouco dada a sorrisos.

Ponderava que o recrutamento seria a oportunidade ideal para superar essa fraqueza. Havia guerra e a necessidade de defender sua terra sagrada estaria acima de qualquer trauma. Poderia vencer qualquer temor.

Por um tempo acreditou nisso. Seguiria os passos de seu pai, que havia lutado na guerra contra a Rússia há mais de quarenta anos. Mais relevante ainda, manteria alimentada a chama acesa por seus antepassados mais longínquos, que haviam ombreado com o próprio Tokugawa.

Honrar o Yamato, o espírito das tradições do Japão; honrar a família, os antepassados. Honrar o Imperador. Não, não haveria espaço para qualquer medo.

Mesmo quando o capitão Oishi o castigava por esquecer o Gunjin Chokuyu, mesmo quando recebia golpes de hanbō por desatenção, mesmo quando sentia o rosto inchado e os lábios sangrando, mantinha a crença de que tudo era necessário.

– Acostumados ao sofrimento, nossos militares não temerão a morte – dizia o capitão já no primeiro dia de instrução quando ensinava aos convocados como tirar a própria vida utilizando a baioneta, caso cercados pelo inimigo.

Oishi era um homem compacto. A Hideo parecia um rinoceronte, proferindo vezes sem conta o mantra a ser seguido por qualquer militar japonês:

– O soldado do Imperador jamais se rende. Prefere morrer a cair nas mãos do inimigo.

Com o tempo, Hideo repetia o lema mesmo sem pensar, movendo os lábios numa prece muda durante os momentos mais difíceis. Era esse o espírito do soldado nipônico: enquanto os efetivos de outros exércitos eram fracos e indolentes, o soldado do Imperador era preparado para morrer. Mercenários não se comparavam a quem lutava conforme o bushidō.

De certa forma, acostumara-se à onipresença da morte e, eventualmente, ao sacrifício da própria vida pelo Imperador. Eram ideias abstratas e improváveis, porém, eis que suas missões como aviador restringiam-se a patrulhar o mar ao sul de Kyushu, uma região alheia à ameaça dos americanos. Talvez por isso fizesse planos para o futuro. Quando a guerra terminasse, iria se dedicar à profissão de geólogo. O Japão necessitaria de estudiosos nessa área, gente apta a compreender a geografia instável do país. Ajudaria o Império a se reerguer. Atiraria uma pedra. Honraria o nome de sua família dessa forma. Era nisso que gostava de acreditar.

***

Mãe,

Aguardei sua carta com muita ansiedade. Quando finalmente chegou eu a li e reli dezenas de vezes. Fiquei preocupado com as novidades sobre Haruki, mas quero acreditar que ele é forte o bastante para suportar a rotina na Coreia.

E a senhora, como tem passado? A dor nas costas melhorou? Sinto por não haver ninguém para ajudá-la nas tarefas diárias, mas, como dizem por aqui, é tempo de sacrifícios.

Nossos treinamentos se intensificaram. Existem boatos de que seremos designados para missões de ataque dentro de algumas semanas, mas creio que se trata apenas de especulação.

A boa notícia é que as cerejeiras estão em flor. Sempre que passo por elas, lembro de casa, de como a senhora as adora.

***

Certo dia, o contra-almirante Takeshi chegou a Kanoya trazendo instruções sobre uma estratégia que iria mudar o curso da guerra no Pacífico.

Hideo estava no refeitório lotado quando a notícia foi repassada. Kanoya seria a primeira base de Kyushu dedicada à formação de unidades especiais de ataque, os Tokubetsu Kōgekitai, ou simplesmente, os Tokkōtai: aviões tripulados por pilotos experientes, pesadamente armados, que seriam lançados contra as embarcações inimigas. Tal qual o vento divino que impedira a invasão mongol de Gengis Khan, as aeronaves da Marinha Imperial repeliriam os bárbaros, preservando a pureza do solo japonês.

No mesmo instante, Hideo viu desmoronar a proteção retórica que havia construído para si. Sentiu a boca seca e uma vontade irrefreável de fugir. Iria morrer, isso agora era um fato inconteste. Uma certeza e não mais uma hipótese contemplativa.

De acordo com o contra-almirante Takeshi, os Tokkōtai já vinham promovendo ataques esporádicos próximo às Filipinas, com um sucesso sem precedentes. Nada menos do que dezesseis embarcações da marinha americana haviam sido afundadas ou severamente danificadas por jovens pilotos, como Kiyoshi Ogawa, que sacrificaram suas vidas em nome de Sua Majestade. Era natural, então, que os ataques passassem a ser coordenados, de modo a extrair da estratégia o máximo de efetividade.

Por um instante, Hideo imaginou o pai entrando no refeitório e resgatando-o, como costumava fazer quando o filho estava em perigo. Balançou a cabeça. Isso jamais aconteceria. Seu pai estava morto há mais de dez anos. E, além disso, para Nakamura-sama, não haveria vergonha maior do que ver seu menino acovardar-se. Uma razão para cometer seppuku, certamente.

Apenas voluntários poderiam participar das unidades especiais. Morrer com honra exigia um comprometimento pessoal, ressaltou o contra-almirante Takeshi. Dizendo isso, mandou vendar todos os presentes no refeitório.

Explicou, então, que navios americanos se preparavam para atacar Iwo Jima e Okinawa e que era dever da Marinha impedi-los, evitando o próximo passo, a invasão em massa de todo o território japonês. Frisou que devido ao enorme poderio do inimigo, a única estratégia capaz de detê-los se traduzia na utilização dos Tokkōtai, exigindo, portanto, o sacrifício supremo de quem se dispusesse a aceitar a honra de tal incumbência.

Nisso, pediu que os voluntários erguessem os braços.

Hideo não podia declarar-se como tal. Não era hora de morrer ainda. Tinha só 22 anos. Percebeu a crueldade do momento. Não havia como trocar olhares com outros pilotos, saber se mais alguém pensava como ele. Imaginou-se sozinho, o braço abaixado. Seria mandado para Guam. Pior, desgraçaria sua família, seus antepassados, sua história.

Ouviu o roçar dos tecidos das camisas, o som inequívoco de que muitos, senão todos, tinham os braços estendidos para o alto. Não tinha como fugir. Acompanhou-os. Ninguém deixou de se apresentar como voluntário.

Covarde. Sou um covarde.

À medida que as semanas passavam, as instruções de voo ganharam novos elementos, ainda que a estratégia fosse simples: um grupo pequeno de caças protegeria o Tokkōtai até a chegada aos alvos. Se possível, acompanhariam a conclusão da missão e retornariam à base, relatando aos superiores os danos causados ao inimigo. Em alguns casos, porém, o Tokkōtai poderia partir sozinho, em uma jornada solitária de auto-imolação. Nesses casos, apenas as interceptações de mensagens pelo rádio poderiam confirmar o sucesso da missão.

De qualquer maneira, a um Tokkōtai  só seria permitido voltar à base se não encontrasse as embarcações a serem destruídas. E mesmo assim, se esses retornos se repetissem, o piloto estava sujeito à execução por covardia.

– Quer saber onde será? -, perguntou Tetsuo, arrancando Hideo de seus devaneios.

Ele o encarou por um instante e devolveu a pergunta:

– Faz diferença?

Em verdade, não queria acreditar que sua ordem havia chegado. Depois que as primeiras unidades partiram, semanas antes, depois que os primeiros conhecidos levantaram voo para nunca mais voltar, Hideo começou a alimentar a esperança de que o armistício talvez o salvasse. A guerra já findava na Europa. Terminaria também no Pacífico, isso era certo. Assim, viveria.

Ao escutar seus próprios pensamentos, envergonhava-se. Medo de morrer? Os americanos vinham bombardeando Tóquio e Osaka incessantemente. As cidades estavam arrasadas, passando por incêndios dia e noite. Milhares haviam perecido. Mulheres, velhos, crianças. Bombardeios estratégicos, era esse o nome, um eufemismo que significava, na verdade, a execução contumaz de civis e a destruição completa das cidades.

Precisava acreditar que era, ele próprio, o vento divino. Com outros como ele seria possível expulsar o invasor, fazer com que buscassem a diplomacia. Era essa a única linha de ação. E se isso demandava o sacrifício de seu bem maior, o enfrentamento de seu maior medo, então que assim fosse.

– Atol de Ulithi – disse Tetsuo, com aquela expressão típica de quem sabe que está surpreendendo.

– Não deve ser… Ulithi fica a mais de quatro mil quilômetros daqui…

­- Bem, vi quando a mensagem chegou pelo rádio – disse Tetsuo, fingindo não perceber o desconforto do amigo. – Será um ataque isolado, sem escolta.

Tetsuo era um bom sujeito. Havia sofrido junto com Hideo o mau humor do capitão Oishi. Quando Risu – apelido que ganhara por lembrar um esquilo – foi designado para o setor de inteligência, Hideo passou a receber em primeira mão as novidades sobre as operações. O quando e o onde. O porquê geralmente não importava.

– Missão isolada? – perguntou, mais para dar a impressão de que acompanhava o raciocínio de Tetsuo do que por interesse verdadeiro.

– Sim, uma viagem solitária, para não chamar atenção. Será um Zero completamente carregado. Bombas ou torpedos. Ainda estão decidindo.

Eu vou morrer.

– Quando é a partida? – perguntou Hideo, a voz denotando uma aceitação inesperada mas não desejada.

– Os detalhes serão definidos hoje, no entardecer. Haverá uma reunião… Você conhece a rotina. À meia-noite você levanta voo. Sua chegada ao local do ataque deve ocorrer no início da manhã.

– Início da manhã.

– Exato. Início da manhã.

– Quatro mil quilômetros?

– Sim. Você mesmo disse há pouco…

– Combustível só para a ida. Não há como regressar…

– Claro. Você é um Tokkōtai, né?

***

Mãe,

Fui apontado para uma missão que muito me enobrece: morrer pelo Imperador. Para mim e para toda nossa família trata-se de uma honra. Seguramente, a senhora saberá das notícias pelos jornais e pelo rádio. Com nossos aviões afundaremos os navios do inimigo, rompendo o cerco que nosso país vem sofrendo.

Sei que a senhora pode ficar triste com a minha partida, mas peço, por favor, que enxergue a minha morte como algo necessário para que o nosso Japão se mantenha intocado.

As cerejeiras estão mais bonitas que nunca.

***

A voz de Tetsuo ainda preenchia a carlinga do avião.

Você é um Tokkōtai, né?

Por que algumas pessoas tinham a sorte de não ser escolhidas?

Infelizes que não morrerão com honra.

Hideo olhou ao redor. À frente, o breu infinito. A solidão era arrebatadora. Há quanto tempo havia decolado? Duas horas? Três?

Kumamoto.

O que seu avô pensava quando estava prestes morrer?  “Menino”, dissera ele, a voz arranhando a garganta, “repare aqui uma coisa.” Hideo, então com oito anos, aproximou-se e observou o relógio que o velho segurava. “Cada segundo que passa é uma gota de vida que se evapora.” O homem tinha o rosto plácido, salpicado por manchas nas têmporas e pálpebras que se derramavam sobre a vista. “Chegará o dia em que os ponteiros deixarão de se mover. A vida encontrará seu fim. No instante derradeiro você irá se perguntar se tudo valeu a pena.” Hideo fez que sim com a cabeça, mesmo sem compreender direito. Em seguida, o velho completou: “Espero que você fique satisfeito com a própria resposta.”

Era injusto. Ter a vida abreviada assim, ainda no início. Jamais seria geólogo. Jamais perpetuaria o nome de sua família. Jamais veria o Japão se reerguer. Não ficaria velho. Não se casaria. Não comemoraria a chegada do outono no Shūki kōrei-sai.

Cale-se. Seu nome será eternizado. Graças a você, o Império terá uma chance de sobreviver.

Os primeiros raios de sol avançaram sobre o mar, conferindo à água um brilho dourado, desaparecendo atrás de nuvens lenticulares logo em seguida. Hideo desceu à altitude mínima, tangenciando as ondas revoltosas. Precisava evitar os radares americanos. Logo a embarcação estacionada em Ulithi surgiria no horizonte.

E se pousasse seu avião em um atol ou numa ilha próxima? Poderia se render. Se tivesse sorte, os americanos o tomariam como prisioneiro. Teria, quem sabe, uma vida próspera na América.

Cale a boca! Render-se não é uma opção.

Era evidente que os aliados venceriam a guerra.

Isso é absurdo! São mercenários!

O que acontece depois, o quê… Não podia dar fim à própria vida assim, por causa de um motivo tão fútil. A guerra… Quem decide os rumos dos combates nunca vai ao front…

É mentira. Pense em Nishizawa.

Não, não seria correto arremessar seu avião em um navio americano. Qual a utilidade de morrer pelo Imperador? Se os americanos o acolhessem, poderia se casar, ter filhos. Trabalhar como geólogo em Nova York. Poderia viver.

Viver em vergonha. Sem honra.

***

Com o entardecer Hideo voltou ao alojamento. Já recebera as instruções. Conhecia os procedimentos, a rota a ser seguida. Os desvios.

Adormeceu.

Um sonho recorrente: quando menino fora perseguido por um urso em Hokkaidō. Assustado, começara a correr. Conhecia a fama dos ursos selvagens do norte do país. Ouvira falar dos ataques a adolescentes que gostavam de acampar perto das montanhas de Sapporo; de como haviam ficado irreconhecíveis depois que um animal daqueles os surpreendera. Naquela ocasião, Hideo vira a si mesmo dilacerado. Morto. No fim, fora salvo por seu pai, que com um tiro para o alto espantara o urso.

Acordou suado.

Lavou-se e sentou-se à mesa isolada. Seguindo a tradição inaugurada com os primeiros samurais, redigiria seu jisei, o poema da morte. Estranhamente, estava em paz consigo mesmo.

Quando estava pronto, dirigiu-se ao aeródromo. O Zero estava abastecido. Duas bombas de quinhentos quilos. Era uma bela aeronave. Hideo examinou os rebites da fuselagem pintada de verde escuro. Nas asas, reluziam os discos vermelhos com contornos brancos. Sob a carlinga, uma pequena bandeira do Império, com os raios do Japão em guerra se projetando de um sol enfurecido.

Uma gravação abafada de Umi Yukaba – “Quando se vai ao Mar” –, vinha de algum canto desconhecido. A melodia derradeira devotada aos Tokkōtai era inspirada em um poema de Otomo no Yakamochi.

Balançou a cabeça e endureceu a expressão, aguardando.

Ao despedir-se do capitão Oishi, bebeu um gole de saquê. Em seguida curvou-se. Tetsuo ajudou-o a amarrar a bandana branca na cabeça, com o mesmo sol carmim pintado na fronte. Por último, ajeitou o lenço branco no pescoço, simbolizando a pureza de espírito.

– Sayonara -, disse Hideo, a voz amarga e trêmula.

– Longa vida ao Imperador -, respondeu Tetsuo.

Subiu no avião e atou os cintos.

“O medo é uma doença. Pode ser natural para as pessoas comuns, mas não para um soldado de Sua Majestade”. Mesmo sob o estrondo do motor, era como se ouvisse o capitão Oishi. “Pobre de quem tem medo. Será incapaz de levar qualquer missão a cabo. Será lembrado como um covarde. Depois, será esquecido. E a verdadeira morte de um homem acontece quando ninguém mais se lembra dele.”

Ao decolar, Hideo podia abandonar o teatro. Conseguira disfarçar muito bem sua doença.  Imaginou a mãe, em casa. Lágrimas verteram sobre o rosto jovem. Os ponteiros do relógio avançavam para o fim inevitável.

***

Querida mãezinha,

Esta madrugada levantarei voo pela última vez. Devo ser sincero. Estou com medo, muito medo. Não sei como serão meus últimos momentos. Queria vê-la pela última vez, ouvir uma história e dormir ao som de sua voz. No entanto, devo cumprir minha missão. Por favor, não chore. Saiba que seu filho pensou na senhora até o último momento, mesmo quando as flores de cerejeira já haviam caído.

Adeus.

***

Quando apontou o nariz do avião para baixo, Hideo analisou a embarcação. As instruções eram para arremessar o Zero contra ela imediatamente. Deveria evitar a ponte de comando, mirando entre a torreta e os dutos de exaustão. Se acertasse, a explosão seguiria em ondas, afundando o porta-aviões e tudo mais que estivesse nele.

Não havia tempo a perder. A partir do momento em que fosse percebido, sofreria o ataque das armas anti-aéreas. Tinha que ser rápido, implacável.

Sobre o convés enxergou os marinheiros. Corriam feito galinhas, certamente surpresos por ver um avião japonês, solitário, em um local tão longe da costa. Sabiam que se tratava de um kamikaze e isso provavelmente causava um pânico ainda maior naqueles homens. Ao lado, no deque, aviões Corsair com as asas dobradas para cima, revelavam que não havia, pelo menos àquela hora, qualquer intenção de atacar Iwo Jima.

Talvez tudo fosse um erro, afinal. Hideo poderia pousar na água. Pedir desculpas aos marinheiros ianques. Ninguém morreria naquela manhã.

Viu quando alguns deles se posicionaram atrás de uma metralhadora. Em seguida apontaram o cano da arma na sua direção. Explosões próximas fizeram o Zero balançar. Hideo recordou a palestra de Nishizawa, de como ele, o mais famoso aviador japonês, ensinara a técnica para enganar os atiradores em terra ou mar.

Nishizawa afundou o H.M.S. Sydney. O melhor piloto que o Japão produziu transformou seu Zero em um míssil, matando mais de quatrocentos marinheiros australianos. Um herói.

Herói. Hideo.

Não tinha coragem de matar uma mosca.

É mentira.

Tinha medo de morrer.

Viver é superar os piores temores.

Como poderia ceifar a vida daqueles sujeitos? Em outra ocasião poderiam ser amigos. Talvez se sentassem à mesa de um bar em Tóquio para contar piadas. Hideo os ensinaria a beber saquê e a usar o hashi. Não, não poderia matá-los simplesmente. Tinham família, como ele mesmo. Não…

Outra explosão, mais próxima agora, fez o Zero balançar.

“Eles vão invadir o Japão se não fizermos nada, se não adotarmos essa estratégia drástica”. Foi que disse o contra-almirante Takeshi. “Eles nos transformarão em escravos. Violarão nossas esposas e filhas. É por isso que precisamos detê-los.”

A honra.

O medo.

Passaremos para a história como fanáticos? Como pilotos dotados de uma determinação cega, com um senso de cumprimento do dever tão forte a ponto de nos roubar qualquer discernimento?

O sol se esgueirou entre as nuvens, espalhando sua luz difusa sobre o mar. O momento mais belo do dia – de qualquer dia – é o que aparece mais cedo. Assim como a vida.

Uma carga de artilharia atingiu a asa direita de Hideo. O avião se desestabilizou. O segundo fatal apresentava-se. O relógio iria parar. Os ponteiros se moveriam pela última vez.

Hideo aprumou o Zero na direção do porta-aviões à sua frente.

Com a manete toda à frente, pensou na mãe. E na morte certa a um só golpe.

Hissatsu… Hissatsu…

Nada mais triste
Do que a cerejeira que floresce
antes de seu tempo.

Quando sopra o primeiro vento
Levando consigo a breve existência
A manhã se torna noite
E as flores caem sem alento.

Que seja ouvido o último anseio
Que as flores caídas permitam
O renascer de uma árvore
Sem qualquer receio.

……………………………………………………

Post atualizado em 15/06/2015, às 11h05

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59 comentários em “Hissatsu (Gustavo Araujo)

  1. Laís Helena
    14 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (4/4)

    Gostei muito do conto. A narrativa é boa (notei apenas um erro de digitação) e é possível perceber que o autor pesquisou muito ou possui muito conhecimento sobre o assunto. Gostei da fobia retratada (o medo da morte), pois é algo que gosto muito de abordar em minhas histórias. O poema se encaixou muito bem no contexto.

    2 – Enredo e personagens (3/3)

    O enredo é muito bom, intercalando os flashbacks com os momentos no presente para explicar a fobia. O personagem foi bem explorado, o que tornou a fobia mais real.

    3 – Criatividade (3/3)
    Tratar a fobia de morte em um contexto como esse tornou seu texto muito interessante.

  2. mariasantino1
    13 de junho de 2015

    Oi!

    ↓Muitos personagens acabaram me deixando tonta (mais), me fazendo voltar e reler novamente várias vezes. O conto também se alonga um pouco além (em minha opinião)

    ↑ As cartas me ganharam. A parte de levantar a mão me fez sentir o peso sobre os ombros do personagem e os flashes ajudaram a sentir isso. Foi um dos poemas que mais curti (esse e o do “queijo do Alentejo”), me demorei pra comentar porque estava relendo. Gostei de como você deu ar de realidade para seu conto e a melancolia do final.

    Parabéns! Boa sorte.

  3. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Hum, acho que sei quem é o autor. Só acho, mas ele pode ter despistado bem, comentando de forma “estranha” e tudo mais, hehehe. Muito comovente o conto, muito sofrido e ao mesmo tempo bonito, como não ser? Imagino o que tantos pilotos japoneses tenham passado, tendo que morrer pelo imperador… Acho que foi um final condizente com o que poderia ter acontecido mesmo. Só com uma coisa não concordei, a fobia. Ficou mais um medo da morte, mas não a ponto de ser uma fobia. Confesso que tenho muito, muito medo da morte. Tanto da minha quanto das pessoas que me são caras… Fobia da morte deve ser algo terrível! Parabéns!

  4. Wallace Martins
    13 de junho de 2015

    Olá, meu caro, Autor(a), tudo bem?

    Posso começar meu comentário realizando um pedido? Espero que sim, porque quero muito que me ensine a escrever assim. HAHAHAHAHA… Brincadeiras à parte, você é um escritor maravilhoso, sem sombras de dúvida a melhor narração que li dentre todos os contos, parabéns, de verdade.

    Amo a cultura japonesa, e esse conto me fez viajar por ela, tão rico em detalhes, as passagens perfeitas, o protagonista que tinha vida própria, que parecia conseguir entrar em contato comigo, conversar, me contar a história dele entre risos e choros, pois, mesmo com um narrador em terceira pessoa, o protagonista consegue criar uma intimidade magnífica com o leitor.

    Mas, meu caro, faltou a fobia, propriamente dita, o conto é magnífico, mas foge do tema, infelizmente, o medo dele deveria ser mais forte, tirá-lo mais do controle, mesmo que eu tenha lido em alguns outros comentários que foi baseado em um fato, deveria ter adaptado o mesmo, arriscado mais, deixado-o mais fora de si quando a situação, real, de morte passasse pela cabeça dele, entende? Quem sabe, nos momentos das tão maravilhosas cartas, ele não sofresse das sudoreses, das tremedeiras, da taquicardia, que o impedisse, momentaneamente de escrever as cartas, deixasse a letra tremida, mas ele mesmo assim relutasse para continuar a escrevê-la até o fim, seria magnífico!

    Não há o que comentar sobre o poema, lindo, de uma sensibilidade absurda e perfeito, não há outra forma de descrevê-lo.

    De verdade, a sua escrita é foda, desculpa a palavra, mas só existe essa, quero um dia chegar ao mesmo nível.

    Parabéns pelo ótimo conto, agradeço-lhe, de todo o coração, por tê-lo compartilhado conosco e boa sorte no desafio.

  5. Fil Felix
    13 de junho de 2015

    Nossa, muito bom mesmo seu conto. Tem uma ternura, um sentimento sendo passado sem ser brega ou piegas. O poema trabalha para o contexto e fecha com chave de ouro.

    O que mais gostei foi como conseguiu passar toda a cultura japonesa, da honra, do tradicional e da família, mesclando com o medo de morrer, com as dúvidas se é um gesto heróico ou não, fora as cartas para a mae, que dão mais um toque emocional. Muito bom.

  6. Fabio D'Oliveira
    13 de junho de 2015

    ❂ Hissatsu, de J. Clavell ❂

    ➟ Enredo: Tanatofobia? Muito arriscado! Enfim, o texto é fantástico. Narrador em terceira pessoa e mesmo assim tão intimista! Amei como tudo foi contado. E as sequências ficaram em harmonia. As cartas são emocionantes. E, o melhor de tudo, o protagonista tem vida própria! Parabéns!

    ➟ Poema: Excelente. A lamúria final de um artista que foi obrigado a se tornar um guerreiro.

    ➟ Técnica: Maravilhosa! Parabéns!

    ➟ Tema: Como disse no início, é uma fobia arriscada. E sinto dizer que você não conseguiu acertar dessa vez. Que pena! A fobia é gerada por um medo extremo e exagerado. Em virtude, praticamente todo medo é irracional. Então não basta falar que ele tem um medo irracional de morrer, entende?

    ➟ Opinião Pessoal: Gostei muito do texto, mesmo saindo dos trilhos quando se trata do tema. O protagonista é um artista!

    ➟ Geral: História boa e bem desenvolvida, em geral. Poema muito bonito. Fora do tema. Gostei bastante do resultado final, porém!

    ➟ Observação: A história, apesar de ser boa, é clichê. Oriento que arrisque mais, pois tem talento natural para a escrita!

  7. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2015

    Buenas, J.!
    Que merda esse nó na garganta que teu texto me deu. É um sentimento sem reparação, pois é a algo real que passou, no entanto, não diminui a dor nem mesmo por não os ter conhecido. Ao longo da leitura fui sentindo uma raiva dessa adoração (em muitos casos imposta, é verdade) pela nação.
    A narrativa é maravilhosa e asa descrições nos sufocam. Gostaria de ter tirado o personagem daquele avião, todos os kamikazes de suas missões e de suas nações suicidas, de toda essa humanidade que preza por um título ou terras e não por sua gente!
    As cartas são emocionantes e o poema idem. Parabéns e boa sorte!

  8. Anorkinda Neide
    13 de junho de 2015

    Vou te contar, hein!
    Pra que tudo isso? Chorei feito um bebê!

    Particularmente, eu não acho que ocorra algo parecido com os kamikases do passado e do presente…rsrrs (trágico!) mas vale o questionamento, o colocar-se no lugar do cara.
    Ainda mais num questionamento tão sensível e bem executado.
    Sinceramente, te odeio por tanta emocão envolvida! :p

    Acho que ficou sim, nublada a fobia, mas entendo, vc entrou na emoção… pq citaste a fobia lá no começo e o inusitado de ele entrar pras forças armadas… mas ficou esquecido depois de todo o intimismo e mergulho nos fatos, detalhados tão perfeitamente, eu acho… nem posso avaliar com imparcialidade.

    Sequer o poema tenho condições de avaliar, pq o li numa nuvem de lágrimas… e reli tb e agora passadas algumas horas da leitura, ainda nao posso ler sem engasgar.
    Não acho q ele esteja deslocado não.. qd citaste que os samurais escreviam antes de morrer, fiquei esperando pelo poema e amei qd ele chegou, finalizando o conto.

    sim, finalizando, pq aquele último trecho ali…vc retira, ok? por favor? vou ignorá-lo solenemente! kkkkkk

    Obrigada por esta leitura, adoro ler e chorar!! amooooooo muito tudo isso!

    abração

    • Anorkinda Neide
      13 de junho de 2015

      a imagem é o poema de sua autoria?!!!!!!!
      ceus!
      vc quer ganhar o desafio mesmo, hein?! kkk

      show!!!

      • J. Clavell
        13 de junho de 2015

        Achei que ficaria mais legal colocar a imagem do poema do que a tradicional foto do avião em chamas prestes a se chocar com um porta-aviões. Como tenho um amigo japonês legítimo, bastou pedir a ele para traduzir. Não é uma tradução literal, mas uma adaptação àquele idioma. Achei que ficou muito bonito, além de verdadeiro 🙂

    • J. Clavell
      13 de junho de 2015

      Ohayo-gozai-mass, Anorkinda-san! Obrigado pelo comentário tão gentil! Por incrível que pareça, o conto se baseia em fatos reais. Como tentei explicar aí embaixo para o Rafael Sollberg, jovens universitários eram recrutados à força para a guerra. E, ao contrário da imagem de fanáticos, muitos deles questionavam essa obediência cega ao bushido (“o caminho do guerreiro”), escrevendo cartas, diários e poemas. Quanto ao último trecho, realmente, vendo agora, devo admitir que poderia ser suprimido. Obrigado novamente pelo retorno!

      • Anorkinda Neide
        13 de junho de 2015

        uau!! é?
        obrigada por me responder… agora emocionou mais ainda! se isso é possivel! bah!!

  9. Felipe T.S
    12 de junho de 2015

    Bom, eu tenho certos problemas em ler textos de autores nacionais, narrando contextos meio distantes de nós… É besteira, eu sei, mas sei lá, sinto que sem uma pesquisa extensa ou algum tipo de experiência, dificilmente o texto vai alcançar o nível de emoção e veracidade necessário para me conquistar.

    Mas aqui, até que foi diferente. hehehe

    Gostei da história, da forma como você trabalhou o tempo, os intervalos narrativos. Certo é que fiquei bem perdido com as expressões japonesas usadas, mas ainda assim, a narrativa é excelente. Acho que o medo em si, podia ter ganhado mais destaque, de qualquer forma, um dos textos que mais gostei por aqui.

    Meus parabéns!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Felipe-san! Fico contente por você ter gostado do conto mesmo fugindo do estilo que você aprecia. De fato, alguns temas são universais e independem do cenário. Obrigado por ler e comentar!

  10. Cácia Leal
    12 de junho de 2015

    Um excelente trabalho de pesquisa, parabéns! Os jargões, os termos japoneses, quase uma viagem no tempo. E em épocas em que fazem 70 anos da vitória da 2º Guerra Mundial (em maio fez 70 anos, mas acho que você sabe disso), o texto se torna ainda mais valioso. Além disso, seu texto está muito bem escrito. Não encontrei defeito algum. Texto de um exímio escritor!!! Não posso dizer o mesmo com relação ao poema, desculpe… rs. Como é japonês, talvez você devesse fazer algum haicai (pesquise sobre isso…). As cartas que ele escrevia à mãe também eram e forma de poema por quê? Não ficaram legais nesse formato.
    Gramática: encontrei alguns pequeníssimos deslizes, um deles é a vírgula depois do travessão, na fala do narrador: “Quer saber onde será? -, perguntou Tetsuo” (não existe essa vírgula, você pode continuar a pontuação de onde continuou a última fala do narrador). Pequenos detalhes que não prejudicam a leitura. E você colocou um hífen, em vez de travessão, como nos outros diálogos seus.
    Criatividade: Muito criativo, espetacular.
    Adequação ao tema: não me pareceu muito fobia. Ele tinha medo de morrer sim, como qualquer pessoa. Um medo comum ao ser humano. Mas nada no conto caracterizava isso como fobia. Tudo levava a crer que era um temor apenas.
    Enredo: Muito bom, rico e bem trabalhado. Um conto excelente e um exímio escritor. Parabéns!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Cácia-san! Obrigado pela leitura atenta e pelas observações no intuito de melhorar o texto.

      Na verdade, eu estudei um pouco sobre a poesia japonesa, especialmente aquela escrita na época da II Guerra. Havia três tipos de poema adotados pelos pilotos tokkotai: kanshi, waka or haiku, cada qual com características singulares e que, em linhas gerais, obedecem a uma métrica bem definida, com base em “ons”, em sons próprios do idioma, quase equivalente às sílabas.

      Neste conto optei por usar a forma waka, que permite o uso de “ons” mais longos. Esse estilo era, na realidade, o favorito dos militares japoneses. Você pode conferir mais sobre isso no endereço
      https://en.wikipedia.org/wiki/Death_poem

      Ou você pode conferir alguns dos poemas aqui: http://kamikazeimages.net/writings/index.htm

      Por conta desse viés, optei por redigir um poema com base nas cerejeiras, uma vez que essa flor correspondia, assim como ocorre até hoje, à imagem que os japoneses tinham (e têm) de si próprios. Diversos tokkotai escreveram poemas com elas, identificados com sua existência efêmera.

      Não satisfeito, pedi a um amigo que vive em Tóquio que traduzisse o poema para o japonês. Ele o fez adaptando a linguagem quando necessário e usando os caracteres kanji, escrevendo-o de cima para baixo e da direita para a esquerda, como é o correto por lá. É a imagem que ilustra o conto.

      De todo modo, agradeço muito as suas palavras e fico feliz por você ter gostado do que eu escrevi. Obrigado mesmo!

  11. vitor leite
    12 de junho de 2015

    uma história muito boa, muitíssimo bem escrita, muitos parabéns. Dois pequenos senãos: uma frase por acabar – ou eu não percebi? – (No mesmo instante, Hideo viu desmoronar a protecção retórica que havia construído para.) e – um pouco de brincadeira – aqui na cidade do porto sempre que se fala do Japão tem que se falar das camélias ou japoneiras uma (a única) planta que floresce no inverno e que existe no Japão e muito nesta cidade. resumindo: muitos parabéns e nem precisa de boa sorte pois ficará certamente entre os primeiros classificados. Conto irrepreensível.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Vitor-san! Obrigado pela leitura atenta e pelo comentário! Creio ter falado nas camélias, sim. É que para o português falado no Brasil elas se referem às cerejeiras, a flor símbolo do Japão. Um abraço e mais uma vez, obrigado!

  12. Wilson Barros
    12 de junho de 2015

    Uma grande ideia um conto sobre um kamikaze. Os detalhes deram a verossimilhança ao conto, tornando-o magistral. É possível sentir a cada momento o drama do personagem. O detalhe das cerejeiras foi comovente. O poema, estilo Oscar Wilde, por si só já vale o conto. Perfeito, parabéns.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Wilson-san! Obrigado pela leitura e pelo exagero em lembrar de Oscar Wilde.

  13. Virginia
    12 de junho de 2015

    Muito bom, conto perfeito! A história está montada de forma impecável, com frases bonitas e conteúdo. As cartas que o piloto escreve para a mãe dão um nó na garganta, e parece ter havido bastante pesquisa por parte do autor, porque a credibilidade é altíssima. Só posso dar meus parabéns ao autor!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Virginia-san! Como expliquei ao Rafael, aí em baixo, as cartas se baseiam em missivas reais, escritas pelos pilotos tokkotai! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  14. Evandro Furtado
    12 de junho de 2015

    Cara, realmente gostei muito do texto.

    Isso nos faz pensar: o que realmente uma fobia? Nessa situação específica, acho que o medo de morrer se encaixa muito bem. Também achei o tom muito natural, o uso das palavras em japonês, a forma como as cartas foram escritas, deram realmente um tom como se fosse um nativo falando – gostei especialmente das cerejeiras.

    Também gostei da forma como desenvolveu a história, quebrando a linearidade e dando o tom certo. Além disso, foi muito emocional.

    Parabéns.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Evandro-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  15. Leonardo Jardim
    12 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (4/5) muito boa e comovente. Prendeu até o final para sabermos se ia mesmo morrer ou não. As cartas foram um show à parte. O único ponto que descontei é que no fim não arriscou muito.

    ✍ Técnica: (5/5) excelente, nem tenho o que dizer, a não ser que quero um dia ser capaz de escrever com essa facilidade. Não descontei ponto, mas boiei em algumas palavras nipônicas.

    ➵ Tema: (1/2) o conto fala o tempo todo do medo de morrer, mas as ações do protagonista não são de alguém com fobia. O medo que ele tem da morte é muito semelhante ao que quase todos nós teríamos no lugar dele.

    ☀ Criatividade: (3/3) achei bastante criativa a abordagem do medo vivido pelo kamikaze.

    ✎ Poema: (2/2) bonito, no tom comovente da trama.

    ☯ Emoção/Impacto: (4/5) fiquei realmente comovido pelo drama do protagonista. Não ganhou nota máxima, pois o final acabou sendo muito dentro do esperado, acho que elevei muito minhas expectativas.

    Alguns problemas que escaparam na revisão:
    ● Não comemoraria a *chegada* do outono
    ● O melhor piloto que o Japão transformou seu Zero em um míssil (remover “produziu”)

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Leo-san! Muito obrigado pela leitura e pelas palavras! Sinto pelo final não ter sido do seu agrado, mas é que eu tentei dar um desfecho “real” à trama. Não sei se ficaria legal se Hideo tivesse pousado na água e se entregado aos americanos. Isso iria contra aquele código de honra a que ele estava tão aferrado, né? Mas obrigado pela sugestão!

  16. rsollberg
    11 de junho de 2015

    Boa Tarde, J Clavell.

    Esse foi um dos primeiros textos que li no desafio. Contudo, optei por ler mais uma vez antes de comentar.

    É um conto muito bem escrito e ambientado. Resta claro, que houve uma preciosa pesquisa, que dá imensa credibilidade para o enredo.

    A história é muito boa, especialmente porque ela é crível, real e ai tenho sempre que concordar com Hemingway “Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.”

    Penso que o grande diferencial foi o ponto de vista escolhido pelo autor, pois quando pensamos em kamikazes, pensamos em máquinas desprovidas de sentimento. E aqui, o autor mostra o contrário, o intimo, o medo, o embate entre honra/dever e os anseios pessoais.

    Não sei bem ao certo se consegui enxergar plenamente a fobia…
    A poesia é ótima, com um tom bem oriental de sabedoria.

    Parabéns e boa sorte!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Rafael-san! O conto é baseado no livro “Kamikaze Diaries”, de um autor chamado Emiko Ohnuki-Tierney, aliás disponível para download. Nessa obra, ele tratou de desmistificar a imagem de loucos suicidas que por eras os tokkotai ostentaram, algo propagandeado pelo governo japonês naqueles dias e que, infelizmente, sobreviveu à guerra. O livro é incrível e conta como os militares japoneses recrutaram jovens universitários e os “convenceram” a se sacrificar pelo imperador. Há cartas e poemas de cortar o coração e que colocam por terra toda essa imagem de fanatismo, mostrando o lado humano e contestador que muitos deles se orgulhavam em ter. Há cartas reveladoras, que nos fazem perceber o alto nível intelectual desses garotos que, ao mesmo tempo, sentiam saudades de casa e não se conformavam em terminar com suas próprias vidas tão cedo. Uma leitura que vale muito a pena.

  17. Simoni Dário
    11 de junho de 2015

    O texto está bem narrado, mas penso que a medo de trair o povo japonês, o Imperador e a honra da família foram mais fortes. Dentro de uma cultura rígida no sentido que foi espetacularmente abordado no conto, o rapaz era um pouco ingênuo, parece que se alistou na marinha pensando que seria mais “tranquilo”por ali. Não entendo muito essa coisa de guerra, ele era da marinha, mas pilotava aviões? Ou era um porta aviões? Me perdoe a ignorância no assunto, mas fobia faz a pessoa não enfrentar, paralisar diante do que lhe causa medo, por isso, apesar da brilhante história criada e que prende do início ao fim, não me passou credibilidade quanto ao tema do desafio. Penso que ele, sendo fóbico dessa natureza, não se alistaria nas forças armadas jamais, a “covardia” seria o fim para o moço.
    O texto cansou um pouco com excesso de explicações, mas é tocante e o autor tem mutos méritos, o talento com a escrita é evidente.
    Parabéns e boa sorte!

    • Simoni Dário
      11 de junho de 2015

      *o medo foi mais forte…

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Simoni-san! Obrigado pela leitura! Como expliquei ao Carlos, logo abaixo, o alistamento era obrigatório naquela época, afinal havia guerra. O máximo que o recruta conseguia era escolher onde servir, marinha ou exército. Havia, naqueles dias, a crença de que a marinha era mais “tranquila”, já que no exército as exigências e os castigos físicos eram bem mais conhecidos e temidos. Muitos jovens, ao serem chamados, optaram pela marinha por causa disso, numa fase da guerra em que não havia, ainda, as missões tokkotai. E sim, a marinha tinha aviões que podiam ficar em bases no litoral ou em porta-aviões, em alto mar. No conto, Hideo está numa base em Kyushu, a ilha mais ao sul do Japão.

      • simoni dário
        13 de junho de 2015

        Obrigada pelo retorno J.Clavell, li suas respostas aos comentários e gostei mais ainda do texto. Parabéns novamente, agora é só aguardar o pódio!
        Abraços

  18. Gustavo Castro Araujo
    11 de junho de 2015

    A ideia do conto foi abordar o lado humano dos kamikazes, mostrar que por trás da imagem de fanatismo existiam pessoas preocupadas com o dia a dia, com suas famílias e que até mesmo questionavam a obediência cega à ordem vigente. No entanto, receio que texto tenha resvalado num sentimentalismo fácil, especialmente por conta da relação do protagonista com a mãe. O trecho final, aliás, a última frase especificamente falando, me pareceu apelativa em demasia – em vez de um conto oriental traduziu-se numa espécie de dramalhão mexicano…

    Também acredito que o uso de termos técnicos e regionais tirou a espontaneidade da história – ao que parece o autor teve a intenção de demonstrar a todo custo que pesquisou sobre o assunto, só que isso acabou travando a leitura. Realmente era necessário escrever em japonês o nome do local em que o personagem comemorava a chegada do outono?

    Quanto à fobia, não sei se o “medo de morrer” pode ser entendido como tal. Para mim, fobia é algo doentio, um temor de fundo psicológico que na maioria das vezes não se justifica. Ora, medo de morrer é algo que todo mundo tem, não é mesmo?

    Por fim, acho que o poema ficou deslocado – talvez ficasse melhor se inserido no trecho em que o personagem acorda e decide escrevê-lo.

    Enfim, uma ideia que até pode parecer interessante, mas que merecia uma execução melhor.

    De todo modo, boa sorte no desafio.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Gustavo-san! Sinto muito pelo conto não ter sido do seu agrado! Mas obrigado pela leitura assim mesmo!

  19. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    10 de junho de 2015

    “Não há um ato mais bárbaro que a guerra! Não existe um outro fato mais trágico do que a guerra! Entretanto, essa guerra ainda continuava. Não há um povo mais infeliz do que aquele dirigido por líderes estúpidos.” (Daisaku Ikeda) Que conto excelente escrito por quem conhece a cultura japonesa e suas tradições, além da história. Hissatsu, se não me engano, significa “mortal”. No início duvidei de duas coisas: que o Hideo tivesse um nome que brasileiros também tem, mas a sonoridade e forma de escrever pode até ser de japonês, e duvidei também que ele tendo esse medão todo de morrer fosse se alistar em uma das forças armadas. A aceitação desse destino de forma quase que fácil também não me convenceu tanto assim, mas como o homem japonês entende essas coisas de honra de forma diferente e com uma seriedade ímpar, e isso foi bem mostrado, acabei me convencendo. E você conseguir me convencer é que foi o máximo de ler esse “belíssimo” conto de guerra que não acabava mais (o conto). Sinto-me honrado em receber seu presente e reverencio-o curvando-me com uma inclinação de 75 graus (Saikeirei).

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Carlos-san! “Hissatsu” é uma expressão que significa “morte certa com um só golpe”. Os manuais dos tokkotai instruíam os pilotos a gritar tal palavra no momento de se chocar com as embarcações inimigas. Já “Hideo” é um nome típico japonês, que significa “herói”. Achei bem apropriado para o conto. Quanto ao alistamento, bem, não se tratava de um ato voluntário. Na II Guerra, todos os homens com idade o suficiente era recrutados, ou seja, eram obrigados a acatar o chamamento das forças armadas. O máximo que conseguiam era escolher para onde iriam: exército ou marinha. E sim, você pescou bem a ideia que eu quis passar, de que o dever para com a honra a que estava submetido o protagonista suplantou o medo que ele tinha de morrer. Obrigado mais uma vez pela leitura e pelas observações!

  20. Tiago Volpato
    9 de junho de 2015

    O texto é muito bem escrito. Você demonstrou não só domínio do texto quanto do assunto apresentado aqui, parabéns! Nem sei o que comentar aqui, como já apontado, achei a presença da fobia pouco explorada no texto, talvez a única coisa negativa que possa ser apontada aqui. Você mandou muito bem no conto!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Tiago-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  21. Ana Paula Lemes de Souza
    9 de junho de 2015

    Gente, que história linda, que técnica perfeita. Isso não vale, é anti-jogo. Rs! Dá pra ver que houve muita pesquisa histórica, com resultado em um trabalho surpreendente! Valorizo isso por demais, porque, no geral, meus trabalhos também têm esse teor de esmero e dedicação (nem sempre, claro, mas normalmente eu assim o faço). Os trechos, a forma com que foi escrita… Foi tudo bem genial.
    Adorei a ideia do medo da morte, era algo que eu cogitei escrever… Talvez porque me identifique com o personagem principal.
    O poema brilha, as notas escritas para a mãe são irretocáveis, totalmente perfeitas.
    Não senti a falta da fobia propriamente dita, como vi os leitores reclamando… Esse desafio seria um porre – com o perdão da palavra – com roteiros planificados, abordando a clássica fobia… Aquela padronizada. Tenho algumas fobias, inclusive, em relação à morte, que vez ou outra se manifesta em uma fobia diferente… A fagofobia, por exemplo, é algo que convivo em períodos de grande estresse, mas nem sempre é algo paralisante. O medo exacerbado, irracional, se manifesta de diversas formas!
    Ah! Eu amei, gostei mesmo… Está na briga pelo meu pódio, sem sombras de dúvidas!!!
    PARABÉNS!!! Um abraço!

    Alguns erros:
    – Eram ideia abstratas = Eram ideias abstratas
    – Hideo viu desmoronar a proteção retórica que havia construído para. -> Nesse trecho, receio que faltou algum nome ou palavra. Releia…
    – Queria vê-la pela última vez,, ouvir -> Houve uma duplicação de vírgulas!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Ana Paula-san! Obrigado pelas palavras e pela leitura atenta. Fico contente que tenha gostado tanto a ponto de defender a abordagem da fobia 😉

  22. Fabio Baptista
    9 de junho de 2015

    * TÉCNICA: 2 / 3
    Vou começar com um “mea culpa”. Esse conto me convenceu definitivamente que atribuir notas entre 1 e 3 não foi uma boa ideia. Mas já comecei assim e não posso mudar os critérios agora.

    Enfim…

    A técnica é muito boa. A clareza da escrita e a fluidez narrativa impressionam. De oportunidades de melhoria na revisão, só achei um “a” faltando numa parte que ele fala do avô. É tão pouco que nem anotei, pra não perder o ritmo da leitura.

    Porém, acredito que o autor pecou ao querer explicar demais, talvez para evidenciar o trabalho de pesquisa. Boa parte do conto é um tanto didática e consequentemente, sem muita emoção. Acredito que o drama ganharia força se viesse mais conciso, mais focado nas cartas (ponto alto da história) do que na contextualização do cenário, nomes de castigos, peso das bombas, etc.

    Quando a história vem mais para o lado pessoal, ela brilha. Destaco esse trecho, que achei genial:

    “O sol se esgueirou entre as nuvens, espalhando sua luz difusa sobre o mar. O momento mais belo do dia – de qualquer dia – é o que aparece mais cedo. Assim como a vida.”

    * TRAMA: 3 / 3
    Simples, eficiente e bem executada.
    A ideia de um Kamikaze com medo de morrer é de uma criatividade extrema. Eu nunca havia parado para pensar nisso, no lado humano desses caras… por mais que sejam “doutrinados” (eufemismo para “lavagem cerebral”) certamente os instintos humanos devem aflorar ali na hora derradeira.

    O desenvolvimento me lembrou um pouco Moby Dick, onde temos páginas e mais páginas de descrições técnicas sobre a rotina dos marinheiros para lá no finalzinho aparecer a baleia. E quando ela aparece… é foda!!!

    * POESIA: 1 / 2
    É bela, mas não possui tanta relevância para a trama, apesar de bem encaixada.

    * PESSOAL: 1 / 2
    Gostei bastante. Mas esse excesso de detalhes “técnicos” não permitiu que chegasse no “gostei pra caralho!”.

    * TEMA: x1
    Achei bem adequado. O medo do sujeito foi descrito o tempo todo.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Fabio-san! Talvez eu tenha mesmo exagerado nas descrições técnicas, mas fico contente por você ter conseguido captar a essência da história. Só discordo da relevância da poesia. Muitos kamikazes deixaram poemas ao partir para a missão derradeira, repetindo a tradição inaugurada pelos samurais do século XVI. Esse tipo de poema tem o nome de “jisei” e refere-se precisamente à morte de quem o escreve. Concordo que a trama sobrevive sem ele, mas acreditei que a inserção dos versos pudesse tornar a narrativa mais fiel à História.

  23. Catarina Cunha
    9 de junho de 2015

    Conto do caralho! Com todo respeito, claro. Narrativa intimista digna de cinema japonês. Akira Kurosawa ficaria enamorado. Para o meu gosto poderia ser mais curto, mais enxuto, mais moderno. Mas tem gosto pra tudo, né? O que não desmerece em nada a qualidade deste conto e do poema.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Catarina-san! Obrigado pela leitura e pela lembrança do mestre Kurosawa!

  24. rubemcabral
    9 de junho de 2015

    Olá, autor(a).

    Muito bom o conto! Gosto de observar quando escritores pesquisam para lograr mais veracidade aos textos, e este foi o caso aqui.

    Quanto ao português, há pequenos acertos a fazer, feitos os observados pelo Sidney, porém foram bem poucos. A poesia está bem-feita e o contexto foi bom também.

    Achei apenas que a fobia ficou um pouco apagada, mas isso não tirou o brilho do conto.

    Outra coisa boa é que os personagens, em especial o protagonista, ficaram bem desenvolvidos. Senti pena do kamikaze, e isto é sinal de que o texto é bom.

    Boa sorte no desafio. Abraços.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Rubem-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  25. Claudia Roberta Angst
    6 de junho de 2015

    Apesar de longo e detalhado, o conto me agradou bastante. Fiquei presa à leitura sem sentir o tempo passar. A narrativa está muito bem desenvolvida, com informações fundamentadas e personagem verossímil.
    Não sei se a fobia foi o destaque do conto, mas está lá, sem dúvida. Assim como o poema, que eu achei fofo. Adoro a imagem de cerejeiras floridas.
    Enfim, um ótimo conto. Boa sorte!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Claudia-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário. Obrigado, principalmente por achar o poema fofo, rs Cerejeiras são uma paixão nacional do Japão. A população se identifica muito com a flor, fazendo poemas, homenagens diversas e até mesmo festivais. É um apego tão forte que muitos textos a utilizam como metáforas, inclusive poemas e inclusive poemas deixados por pilotos kamikazes que enxergavam a si mesmos na brevidade de tais plantas.

  26. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    6 de junho de 2015

    Olá, Clavell. Tudo bem?

    Ótimo conto! A narração é magistral, levando em um passeio pela história tão imersivo, que nem percebi quando acabou. Os momentos finais, a tensão, as lembranças, confrontos… Gostei demais dessa parte.
    A fobia ficou um pouco apagada durante a história, mas estava lá. Foi vencida no final, mas com um preço alto a ser pago. Também achei que o poema ficou um pouco deslocado, mas completou bem a história.

    Há alguns errinhos pelo texto, mas é coisa mínima.

    Parabéns pelo ótimo texto e boa sorte!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Jefferson-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  27. Brian Oliveira Lancaster
    5 de junho de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: Estava sentindo falta de um texto assim por aqui.
    G: A história prende desde o início, até pelo seu contexto de guerra. Gostei do tom geral que permeia todo o texto. O clima nipônico e histórico é muito bem descrito. A fobia, que muitos devem ter, está bem clara. A volta ao início, no fim, foi a chave de ouro.
    U: Apenas uma frase no meio ficou cortada. De resto, escrita fluente, fácil de ler e de acompanhar.
    A: A poesia ficou um tanto deslocada, mas casou bem com a atmosfera geral. É um ótimo texto oriental.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Brian-san! Obrigado pela leitura e pelo comentário!

  28. Rogério Germani
    3 de junho de 2015

    Olá, Clavell!

    物いへば唇寒し秋の風

    Vamos à análise do conto.

    Pontos fortes

    1- Pesquisa elaborada para confecção do conto.
    2-Técnica impecável nas alternâncias entre as, as cartas e a narração do texto.

    Pontos negativos

    1- “Em meio à beleza plácida do atol jazia ancorado um porta-aviões da marinha americana.”

    Faltou uma vírgula após atol, já que a ordem da frase foi alterada.

    2-“Não comemoraria a chega do outono no Shūki kōrei-sai.”

    = chegada

    3- Como já disseram, a honra ficou mais marcada no conto do que a fobia.

    Parabéns pelo conto e boa sorte!

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Rogério-san! Obrigado pela leitura e pelos apontamentos!

  29. Jowilton Amaral da Costa
    2 de junho de 2015

    Contaço. Uma narrativa excelente, uma condução equilibrada e emocionante. Vi algumas coisinhas que fugiram da revisão, coisa pouca mesmo, que não tiram em nada o mérito do autor. Em contrapartida, a fobia foi pouco explorada, na minha opinião, a honra, o certo e o errado pesaram muito mais nos últimos momentos do texto do que especificamente o pânico de morrer. Penso que alguém com fobia de morte não subiria dentro de uma avião para se matar, nem fodendo. Tirando isso, acho que o conto é favoritíssimo a ganhar o desfio. Um belo texto. Parabéns e boa sorte.

    • Jowilton Amaral da Costa
      2 de junho de 2015

      Desafio, e não desfio.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Konban-wa, Jowilton-san,

      Obrigado pelo comentário. Talvez, e só talvez, um piloto tokkotai conseguisse vencer o medo da morte pela necessidade de defender a honra, quer dizer, para não desgraçar seu nome e o nome de sua família. Mas só talvez, né?

      Arigatp!

  30. Sidney Muniz
    1 de junho de 2015

    Olha, é um contaço, diga-se de passagem!

    Gostei muito do enredo, há partes magníficas. Gostei muito da poesia. o que me afastou um pouco foi a Fobia, que não senti muito no conto, senti mais o “medo” “anseio”, mas não fobia. Talvez eu tenha deixado algo escapar, mas é um dos ótimos contos dessa edição, certamente.

    Deixo agora algumas observações:

    Eram ideia abstratas e improváveis, – ideias

    se trata de apenas de especulação / Sempre que passo que por elas – isso foi proposital? bom, se foi tudo bem (mesmo assim não gostei… risos) esse que/que – de/de… acho que não precisava forçar a repetição.

    No mesmo instante, Hideo viu desmoronar a proteção retórica que havia construído para. – para o que? faltou algo aqui.

    isso agora era uma verdade concreta. Uma certeza plena e não mais uma hipótese contemplativa. – isso era uma verdade concreta/ certeza plena – Não acho que precise dessa afirmação. Estou sendo chato com redundâncias, eu sei, mas acho que o leitor pode imaginar mais, sem que o autor tenha que ficar reforçando algo, com o mesmo algo. Fica cansativo.

    Parabéns e boa sorte ao autor(a), e obrigado por proporcionar tal leitura.

    • J. Clavell
      12 de junho de 2015

      Arigato, Sidney-san!

      Agradeço a leitura atenta, os comentários e os erros apontados!

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Publicado às 1 de junho de 2015 por em Fobias e marcado .