EntreContos

Detox Literário.

Viúva Negra (Vitor Leite)

Aviso do autor – este texto deve ser lido somente por pessoas, e, com mais de 18 anos. Motivo? Apesar de várias fobias não existe nenhuma em especial, mas dado que o texto está cheio, inundado, repleto com cenas de sexo explícito, considerem-se todos avisados.

Ele tem fobia de publicidade enganosa, bem, na verdade de toda a publicidade, mas começou a trabalhar num grande gabinete de marketing de uma qualquer multinacional, e, ainda pergunta a si próprio o que faz ali. Na verdade inventa frases curtas, que fiquem na memória e façam as pessoas comprar. Não interessa o quê, só fazê-las comprar.

Encostado ao balcão, com o café ainda a fumegar, sentiu uma mão a pousar no ombro. Sensação desagradável que o fez estremecer quase virando a chávena de café ainda quente. O calor da mão passa pela roupa. Hei! “Ups desculpa!” Não, não aconteceu nada… “Então como vai essa adaptação?” Vai, melhor umas vezes, pior outras, vamos andando! “Sim, isso, com calma consegues. Vi-te a olhar para a VN, só te aviso! Tem cuidado! Muito cuidado mesmo, porque mesmo todo, é pouco!”

A sua cara era um ponto de interrogação, um pedido de esclarecimentos! “Mas então ainda ninguém te disse que é melhor manteres distância, mesmo física, de pelo menos três metros dela, mas o melhor mesmo é não olhar, nem sequer falar, não rir, não nada!” O ponto de interrogação transformou-se rapidamente em incredulidade. “Não acredito, mas então com quem tens falado? Não me digas que almoças sozinho, isolado do mundo!”

Não, eu gosto de almoçar junto daquela árvore, ela diz-me muito!

Eh!, Pá! deixa-te de merdas, o que é isso? Tens medo de pessoas? Falar com a árvore para saber novidades? Drogas-te ou comes daqueles cogumelos? Acorda! Chega para aí que eu conto tudo e em modo grátis!

Começou a falar daquela mulher, sempre à volta das suas suspeitas sobre aquela figura-matéria. Conhecia, em teoria, cada olhar, cada sorriso, cada gesto. Sabia, um por um, e cada um dos movimentos e o respectivo significado, com a sequência correta, parecia uma voz off a descrever qualquer ação num palco pouco iluminado, e os espectadores seguiam toda a cena, toda a trama. Não percebia muito bem onde ele pretendia chegar com todo aquele discurso e o movimento das sobrancelhas refletia todas essas dúvidas. Ele repetia tudo, virava a página, voltava atrás e retomava a história, sublinhando um gesto ou aquele movimento, e, voltava a lançar a sua voz, qual vento leve, brisa suave que envolvia qualquer ouvinte.

– Repara agora que ela vai levantar a mão, vai passar um dedo no lábio inferior do lado direito, em seguida pela sobrancelha direita e vai sorrir ligeiramente, sim isso, vês?, e agora conduz o cabelo para trás da orelha direita. – Tudo acontecia como a sua profecia, aquele discurso parecia uma ilustração. Era uma banda sonora com imagem real, onde a imagem acompanhava o discurso, um reflexo.

Naquele momento desconhecia onde ele pretendia chegar. Mas estava a ficar meio zonzo com aquele espetáculo, a voz monocórdica, desmesuradamente descritiva enleava-o num ram-ram como numa viagem de barco. Olhou novamente para o pulso, mais para informar o seu companheiro que eram horas de voltar a trabalhar do que propriamente para saber o tempo real.

– Olha agora que ela vai cruzar a perna, o joelho direito vai pousar sobre o esquerdo, isso, bem! Vês?!

De facto, parecia haver um microfone entre eles e enquanto ele discursava ela repetia cada ação sincronizada com aquela voz sincopada com silêncios e respirações como um exercício de representação teatral escolar. Chegou o momento de ela se levantar, “repara bem, como ela lança o seu olhar perdido e vê, melhor dizendo, controla os presentes e define o traçado do seu caminho de fuga. Em menos de um segundo resolve onde ataca, repara…” De repente perdeu o som, tinha desaparecido, evaporado, sumido. Ali sentado todo o seu corpo a tremia, não tinha ossos nem músculos, nem um único pingo de sangue, só gelatina e uma cara de parvo. Hipnotizado pelo seu olhar, talvez pelas pálpebras sublinhadas de negro, escondidas pelo cabelo também negro. A pouca pele branca, extraordinariamente branca, praticamente sem cor, aparecia entre a roupa negra. Já não a olhava nos olhos, era impossível, completamente impossível sem registar um qualquer terramoto ou um simples silêncio, ou mesmo um eterno momento de morte. Em silêncio e imóvel, visto de fora, porque dentro de si não faltavam mãos a mexer, a revolver tudo, a desarrumar ideias, a amordaçar vontades. Dedos enlaçados que tapam qualquer passagem na garganta e agarram os fios que imobilizam todos os seus músculos.

Toda a vida naquele espaço ficou suspensa, quando a mão dela pousou na mesa e os lábios se aproximaram da sua orelha, mas como por magia parecia falar bem junto de cada uma das suas orelhas, e sussurrou um “olá carne fresca!” Uma bofetada silenciosa. Uma autêntica seta, uma mordida na escuridão interior do seu corpo morto. Começou a sentir o coração a bater, acabando por, lentamente, se sobrepôr à voz dela. “Então novo? Já te contaram todas as maldades que eu faço? Acreditas nisso? Que te parece? Uma velvet como eu…” Tum tum tumtum tum tuuum e já não ouviu nada, mais nada mesmo. Talvez tenha fechado os olhos, talvez se tenha distraído, talvez tudo ou nada. Será que montou uma outra realidade, momentânea, vivendo no imaginário, como numa trama de um romance. Um “mais logo confirma!” foi o que o trouxe à realidade.

Ainda com o olhar ainda perdido a tentar perceber o que tinha acontecido, relembra-se da obrigatoriedade de respirar, entre lábios ligeiramente abertos volta a sentir a passagem do ar, sente o seu bafo a começar a ganhar temperatura, a aquecer o seu nariz. Não teve tempo para voltar à realidade física, com uma mão a bater no braço e a perguntar de um modo furioso: “Então, quero as novidades todas, tens que contar tudo, tudo!”

– Contar o quê? Nem sei o que se passou! Estou num pesadelo, um autêntico pesadelo, principalmente neste momento, contigo à volta da minha cabeça como um mosca.

Na verdade era hora de trabalho e a conversa acabou. Era mesmo real, tudo tinha acontecido mesmo. Sentado em frente do seu computador, ainda incrédulo recebe uma chamada interna do seu amigo a dizer para ficar em silêncio e ouvir, semelhante a uma qualquer conversa de amores desavindos num filme sem qualidade. Com o telefone junto da orelha, levanta-se lentamente e afasta a cabeça do pescoço à procura de sorrisos maliciosos nas caras vizinhas, mexendo somente os olhos, começa a “scannar” todo o espaço em seu redor esperando encontrar o autor daquela brincadeira, mas nada de suspeito se passava por ali. Voltou a sentar-se e começou a sentir leves movimentos na pele dos braços que de seguida se prolongavam para as costas. A voz chegava-lhe em aflição, como se o outro estivesse a correr para entrar num comboio, com falta de ar, sôfrego, a correr, a fugir de algo ou de alguém. As palavras eram vomitadas, atiradas em turbilhão, o discurso começava a perder-se com interferências de vácuo, entrecortadas por silêncios sempre maiores até ao silêncio total. Do lado de lá já não vinha uma voz mas sim pânico! Acabando em silêncio.

Sentado fazia resumos de tudo o que tinha ouvido na tentativa de não perder nada daquela conversa surreal. Então no papel branco começou por assinalar que a tal VN não é Vânia Nunes mas sim Viúva Negra. Vive com outras duas mulheres sempre vestidas de negro e não se conhece nenhum homem que tenha visitado a sua teia, perdão, melhor dizendo, casa. Já são três os desaparecidos, estranhamente foram vistos uma última vez sempre com ela. A polícia já está a investigar. Volta a levantar-se para comprovar que não está a ser observado, nem perseguido, nem investigado. A cada cinco minutos começou a repetir o movimento de se levantar ligeiramente da cadeira e como um submarino, procurava algum movimento suspeito. Nada. Não detectou o mínimo sinal suspeito, inclusive nas idas à casa de banho e nas bruscas mudanças de direcção, mesmo nas voltas a 360º. Nada, nada mesmo.

Na hora de saída, movimento intenso na escada, felizmente iam todos na mesma direcção, para a rua, e já no passeio, em direcção ao pôr-do-sol, sentiu um vulto sorridente a seu lado, “Então, está confirmado? Lá para as vinte e uma? Café?” atirou uma voz feminina e quente. O olhar dele foi entendido como uma confirmação, e a voz voltou com “Rua da Mão Livre ali para os lados das ancas”. Ele ficou a pensar se teria ouvido bem, uma mão livre nas ancas? Isso é morada de alguém? Só pode ser brincadeira e da grande, e quando ia pedir esclarecimentos, estava sozinho, completamente só. Delírio? Má compreensão? Correu para casa para tentar perceber o que se passava. Tremia, mas escreveu e obteve zero respostas e uma alternativa: Damião Livre, talvez! Pequena rua perpendicular à avenida das Brancas. Sim, deve ser isso. Correu para lá a confirmar se existia algum bar. Lá estava, quase fechado para a rua, quase na penumbra, poucas mesas e um pequeno espaço para música ao vivo ainda vazio. Cá fora, chegava um som de uma voz feminina, a falar de mágoas de um viver, uma qualquer música de faca e alguidar, lamurias e ais, muitos ais. Não convidava a entrar.

O movimento do fumo deixou caminho livre para o seu olhar ir ao encontro de uma pele brilhante, sublinhada por uns lábios brilhantes, de um vermelho fogo de artifício. Uma mão segurava-o impedia-o de entrar, mas duas empurravam-no para o interior e ele foi directo à mesa, por entre fumo, quase dava para cortar com as mãos como água numa piscina. Cumprimentos trocados, pedido feito, “vodka? A esta hora?”

– Tem dias e vai bem com fumo. A conversa continuou e chegaram duas amigas, sinistras, vestidas de negro, aparecidas de lado nenhum, não andavam, espalhavam-se como um liquido na água, dissolviam-se naquele fumo. De repente encontrava-se envolvido por três mulheres, enfiadas no preto, todos mergulhados num aquário enfumado. Começou a sentir cada vez menos conforto, os olhos picavam, as vozes mais pequenas, mais distantes e o choro da cantora reverberava na cabeça. Procurava que o corpo se adaptasse melhor à cadeira mas começava a ser impossível estar quieto. “Uma almofadinha?” Uma tremenda vontade de sair daquele lugar, daquela pessoa.

Vindo de um canto qualquer, o homem sente-se atingido por um raio imaginário, como um qualquer desenho, e com um sorriso Mona Lisa, levantou–se, apontou para o pulso como se tivesse relógio, pousou uma mão na testa e a outra na barriga e de seguida gesticulou um adeus com ambas as mãos. Felizmente que o som ambiente estava altíssimo, ou parecia, ou assim pretendia, era um desejo materializado real. Deixou para trás o copo vazio.

Na rua, ele acelerou o passo até à esquina mais próxima e ao virar correu, correu como se fosse atingir uma qualquer medalha, e quanto mais corria mais ar deixava para trás. No momento imediatamente antes de cair para o lado sem nenhum oxigénio, parou, equilibrou-se, pegou no telefone e ligou, quando encontrou o contacto, para o amigo. “Fugi dela!” Gritou quando ouviu alguém do outro lado. “Vai p’ra p+ta que te pariu, já viste as horas?” (Não vou contar o resto deste monologo, como leitor deve sentir-se livre para preencher duas páginas de impropérios e outras palavras assim difíceis de articular e mais ainda de digerir).

No dia seguinte ele estava fechado sobre si, muito redondinho, com os telefones desligados e, na entrada um anúncio de letras vermelhas sobre papel branco “não incomodar”. Mostrava-se muito concentrado sobre uns papeis insignificantes, intercalando algum tempo a escrever no computador. O amigo bem tentou intrometer-se naquele mundo, e obteve como resposta um levantar de braços, não exactamente como nos assaltos e muito menos como nos abraços. Levantou os braços para mostrar o momento vazio, a informação do caminho de saída, como duas setas indicativas: POR ALI!, sim, por ali.

De novo em silêncio, continuava com aquela representação, solitariamente e escondido em si mesmo. Redondinho, sem fazer de morto mas lá bem perto. Transparente, isso transparente. A vontade de o ser aumentou exponencialmente quando começou a ouvir uns saltos a aproximar-se, cada vez mais, sempre mais até parar junto da sua mesa. “Então essa hora cinderela? Vai haver explicações?” Ele respondeu, sem pensar um segundo, sem se mexer, sem desviar os olhos, sem mover os maxilares, “mais logo, no mesmo sítio e mesma hora”. Foi a solução possível, fugir em frente! O resto do dia passou assim redondinho, muito quietinho e transparente. Se o amigo ainda existisse, se ainda fosse, teria ligado naquele instante, mas não, agora era ele, completamente sozinho naquela teia.

A caixa de fumo lá estava como se fosse o dia anterior, uma continuação ou mais exactamente uma repetição. Já não ficou colado no vidro a sentir o ar da rua, dirigiu-se rapidamente para o interior, parando junto da mesa, sentando-se como se estivesse no jogo das cadeiras. Sentado, o mundo parou. Como quando estamos enfiados num livro, a ler, sem existir nada à nossa volta. Também ali, havia a mesa, quatro cadeiras com três mulheres e um homem, envolvidas por uma nuvem de fumo de uma qualquer tabaqueira mais ou menos underground. “Ontem, não existiu!” ela disse e assim foi, e de repente havia duas conversas sobre a mesa, cruzadas entrecortadas até que ele disse meio a perguntar “o que é isso de amor?” e ficou, repentinamente, um silêncio e os quatro com o copo nos lábios. A música do bar também se silenciou, parecia mesmo que o mundo acabava ali, nada existia para lá daquela nuvem de matéria-fumo.

Sentia-se estranho, perdia a noção do eu, momentaneamente os sons tinham eco, esfregava os olhos para tentar aguentar as pálpebras, a boca seca, o corpo dormente. Os corpos pareciam fugir, fantasmas que se moviam sem estrutura interior, e parecia cair do seu corpo para um precipício sem fundo, estremecendo e voltando a repetir-se tudo. A boca cada vez mais seca, por isso bebia, e com o fumo mais denso, aumentava sempre a dificuldade de ver, mesmo aquelas pessoas junto a si. Já não ouvia qualquer discurso somente sons desconexos e gargalhadas de prazer transformavam-se em gritos de terror, chamamentos de uma qualquer bruxa. Tinha que dizer que não estava bem, mas a garganta estava em lixa e bebia mais, mas a sua boca e garganta eram um simples deserto, de som, de cuspe, de palavras. Nada.

Nada e escuro. O fumo envolveu-o de tal maneira que ficou noite e o copo rolou no chão. Deixou atrás de si aquele som do vidro na pedra e já não viu que elas pegaram no seu corpo levando-o para o exterior, ar puro!, e de seguida para o carro.

Acordou nu mergulhado numa banheira de água quente encostado a um corpo de pele branca, demasiado branco para o seu gosto. Sentado na beira da água estava outro corpo nu e ainda mais branco que o mergulhado junto do seu. “Bem vindo!, já consegues dizer o teu nome? Que dia é hoje?” Pela reacção da assistência tinha dado as respostas correctas. Deixou o seu corpo deslizar para baixo de água, nove segundos e ficou sem ar, ergueu-se e quis saber onde estava, perguntando:

– É aqui o paraíso?

Entre risos conseguiu ouvir um “não há bruxas no paraíso!” e, novamente deixou cair o seu corpo, integralmente, para dentro da água. Repetiu o movimento várias vezes, até que a sua companhia decidiu sair da água. Ele suspirou e tentou erguer-se, parecendo um velho de duzentos anos, um corpo de mil quilos, quase caindo para o interior da água. Foi suportado por umas mãos pequenas, macias e delicadas que lhe transmitiram segurança e estabilidade. Ouviu ao longe passos em corrida, aproximando-se a sua companheira de banho para o segurar também. Ajudaram-no a sair da água e logo o aconchegaram num pano escuro muito quente e macio, conseguindo ainda sentir aquelas quatro mãos acariciando o seu corpo através do tecido. De olhos fechados pensava sonhar, até que um carinhoso “vamos!” junto da sua orelha o fez acreditar na vida para além da morte. Naquelas mãos iria onde elas quisessem, não estava ainda a ocupar o seu corpo, mas começava muito lentamente a reagir, a chegar. Talvez não, talvez fosse só a vontade de se sentir vivo entre aqueles corpos que não conhecia de lado nenhum. Estranho, muito estranho mesmo, tudo aquilo, só um sonho explicava o momento. Chegaram à sala, e na penumbra estava sentado no sofá outro corpo nu e com dificuldade conseguiu identificar a Vânia Nunes ou seria Viúva Negra ou somente VN, naquele instante o nome era o menos importante, podia ser ali o paraíso, podia.

 

 

Tece uma teia

                                   Envolvente

 

Mulher

                        Em tudo diferente

 

Parada no espaço e no tempo

Aguarda

                        Numa ausência de tudo, vive o nada

à espera

Com a certeza de um desfecho sempre igual.

E já se aproxima no seu andar letal

Para comer o prazer, o sexo, a vida, uma parte do futuro, o amanhã todo, completo.

 

 

– Vem cá meu amigo renascido, vem! – ouviu como uma chicotada nas costas e já enlaçado por umas pernas lisas, percebeu que não era pele em contacto com a sua, mas sim pura seda. Crescia uma vontade de agarrar, de lamber, de beijar e de agarrar novamente, e passar a mão muito de leve e morder, e agarrar e morder como quem suga a vida. Sim, aquilo é o paraíso, sem qualquer dúvida. Ela soltou-o e aproximou a cabeça do seu corpo, ainda viu o seu sexo a perder-se entre os lábios, fechou os olhos como se todo ele estivesse a ser engolido por aquela boca. Escuridão vermelha, foguetes coloridos, um carnaval inteiro, um segundo de vida que vale a morte. Será? Estar morto não é tempo demais?

Sentia o corpo a dançar ao vento, seriam as pernas a bambolear, sem força, sem ossos, ou, estaria colado na teia? Estava longe de todas as fobias ou devia viver aquele momento sem qualquer dor de distância de si, fazer daquele instante bem maior que um abraço.

Ela passeou as mãos nas pernas dele, foi até às nádegas voltou e apertou-lhe as pernas. Ele sentiu as unhas levemente cravadas na sua pele, ela abriu a boca e afastou-se, ele abriu os olhos e não viu uma mulher, mas sim uma hydra de três cabeças. Em menos de um segundo sentiu-se novamente enlaçado pelas pernas de seda e conduzido para dentro dela, movimento quase mecânico, que sem qualquer reacção ele realizou controlado por várias mãos e suspiros. Ficou imóvel em cima dela até sentir uns lábios no seu pescoço, aguardou o pior. Fechou ainda mais os olhos. Nas costas sentiu duas mãos, quatro mãos e mil dedos, muitos dedos como descargas eléctricas que lhe percorriam todos os ossos, nervos, músculos. Imaginou cada cabelo seu hirto como um sexo. Mentira! Já não conseguia imaginar nada, já era ele a viúva negra a tentar devorar o mundo inteiro em dois segundos, como se fosse acabar tudo naquele instante.

Frenético, sentia mãos e pernas nas suas costas e lábios na boca e no pescoço e em todo o lado, ouvia tambores, orquestras inteiras nos seus ouvidos empurradas por línguas saídas daqueles lábios que lhe mordiam as orelhas. Por certo, em todo o mundo os relógios encontravam-se parados. Não havia sol, nem vento, nem ondas no mar. Nem gente, muito menos sons. Nada! Nem estrelas, nem noite, nem medos. Somente escuridão e vazio. Também ele estava vazio, por dentro e por fora, não sonhava nem desejava. Estaria morto demais. E agora sem cérebro o que fazer naquele espaço livre?

A vida não tem toda a mesma velocidade, o tempo não é constante. Por vezes vai, em curtos momentos é um nada e recomeça lentamente, até chegar ao seu movimento normal, ou voa! Voa, como qualquer mente naquelas noites de frio, sendo um corpo sentado no sofá com casaco debaixo da manta e mesmo assim só um abraço aquece o interior, é a madeira que arde no interior da casa que somos. E uma mão mexe no interior, no cérebro, no coração, no desejo e lá no fundo aparece uma luz que cresce, aumenta rapidamente de intensidade com pressa fica lá em cima a ver e não para, continua a sua viagem, sempre. A fobia deste frio faz correr muitos corpos em qualquer direção, até para o vazio.

Dado o desaparecimento do protagonista desta história é impossível dar um desfecho, ou mesmo uma continuidade, a esta trama. Fica um fim em aberto até haver alguma conclusão do inquérito policial em curso.

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32 comentários em “Viúva Negra (Vitor Leite)

  1. Laís Helena
    13 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (1/4)

    Achei a narrativa extremamente enfadonha e confusa, cada hora o personagem está em um lugar, sem que uma transição satisfatória seja feita. A fobia pareceu ficar em segundo plano, assim como o poema.

    2 – Enredo e personagens (1/3)

    O enredo também pareceu confuso, devido à narrativa, e o personagem não me agradou (ainda que tenha sentido que explorá-lo talvez não fosse o foco). Ficou parecendo que você quis condensar diversos acontecimentos em apenas 3500 palavras.

    3 – Criatividade (1/3)
    Quanto à criatividade não tenho muito o que dizer. Parece que você tentou inovar na forma, mas a narrativa tirou todo o brilho.

  2. mariasantino1
    13 de junho de 2015

    Olá!

    ↓Falhas quanto à grafia “Ali sentado todo o seu corpo a tremia” (A TREMER), “como um (UMA) mosca.” Realmente a trama é confusa.

    ↑ Gostei devido à narrativa. Mesmo que se demore mais um pouco e que fique arrastado nalgumas partes, achei delicioso ficar imersa, me perder e tentar me achar nessa narrativa do além mar. O sexo prometido que se concretizou de fato sem nada de pornografia. O personagem ficou em segundo plano e ao mesmo tempo não se sabe se tudo é sonho dele ou real (Parece o conto Ladrão de Almas do Multitemas). Adorei isso: “uma mordida na escuridão interior do seu corpo morto”, “de um vermelho fogo de artifício”

    Poxa! Não sei bem o que dizer. Parabéns e boa sorte.

  3. Wallace Martins
    13 de junho de 2015

    Olá, meu caro, Autor(a), tudo bem?

    Olha, eu sempre sou tentado a gostar e admirar contos em que o arrisca e se joga em uma ideia, mesmo que ela pareça louca demais para ser escrita, contudo, não consegui me simpatizar com essa, porque o texto é confuso demais, pesado, tem muitas idas e voltas e eu lutei para entendê-lo, de verdade, li e reli para poder saber o que estava sendo dito, as redundâncias, as ênfases para efeito proposital acabaram atrapalhando mais do que ajudando, a fobia ficou confusa, ora parecia medo de uma coisa, ora parecia medo de outra, não me pareceu se aprofundar em nenhuma, sendo assim, fica estranho demais.

    Confesso que a parte que eu mais gostei, e acredito que, pelo que li nos outros comentários, tenha sido unanime foi do seu poema, é magnífico, a melhor parte, sem qualquer relutância, do conto, foi o ponto que me fisgou, que conseguiu me fazer ter mais uma luz de esperança com o conto, mas que foi se apagando, novamente, no fim, até que o final me agradou um pouco mais, mas nada que me fizesse gostar do restante do poema.

    Desculpe, mas não foi desta vez, agradeço-lhe por tê-lo compartilhado conosco e boa sorte no desafio.

  4. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Fiz a leitura há alguns dias e não foi fácil, não. Agora peguei para reler e houve um pequeno avanço nesse entendimento. O que posso dizer é que gostei da atmosfera do conto, do clima pesado, mas não devo ter conseguido compreender muito do que li. A fobia, por exemplo, pra mim não está em destaque no texto, ficou muito em segundo plano, sobressaindo-se outros elementos… Carece de uma revisão, não realizada talvez por conta do prazo estar se encerrando. Boa sorte pra você!

  5. Fabio D'Oliveira
    13 de junho de 2015

    ❂ Viúva Negra, de Viúva Negra ❂

    ➟ Enredo: Não sei o que acabei de ler. Ainda estou tentando entender. A confusão foi proposital? Parece uma grande viagem. Alucinações que vem e vão. No final das contas, o estilo é confuso e cansativo. Não ajuda em nada. Para entender, tem que se entregar de corpo e alma; e ter um pouco de sorte. Isso é ruim, muito ruim. No final, sabemos o que acontece. Início, meio e fim. Mas o importante, numa história, é acompanhar e se envolver. Não foi possível isso…

    ➟ Poema: Interessante, apesar da formatação estranha. Se eu tivesse entendido o texto inteiro, tudo, tudo, poderia avaliar melhor.

    ➟ Técnica: Portugal? Talvez. De qualquer forma, me senti um inútil agora, pois não serei capaz de avaliar um texto assim. Não sei sua origem e seus fundamentos. E se não sei, é melhor me calar.

    ➟ Tema: Vi algumas fobias… Elas estavam presentes em algumas frases. Mas não encontrei a essência do medo no texto.

    ➟ Opinião Pessoal: Não gostei. O texto é um tanto confuso. A leitura é cansativa. Peguei-me balançando as pernas. Sinal de ansiedade, para mim.

    ➟ Geral: História confusa, mas bem definida, no plano de fundo. Natureza da técnica parece ser outra da que estou acostumado, então esta parte está isenta. Poema bom. Fobias apenas nas palavras.

    ➟ Observação: Nada a declarar!

  6. Fil Felix
    13 de junho de 2015

    Particularmente, achei o conto muito pesado e difícil de ler. Apesar de falar da fobia, não a vi em nenhuma parte. Se aparece, não percebi. Não entendi muita coisa até chegar na parte da banheira, onde o texto começou a caminha melhor. Por conta desses detalhes, não foi dos meus preferidos. Não gosto de poema concreto, mas no seu caso ficou interessante e deu um outro ar ao conto.

  7. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2015

    Pois bem, Viúva Negra!
    Meio louco, esse texto. Não me agradou, a princípio. Pareceu-me tentar uma abordagem intimista sem que eu (leitora) estivesse devidamente seduzida pelo conto, não havia tempo para isso. A narrativa é confusa, fantasiosa (e isso não é de todo mau) e a escrita apresenta alguns deslizes. No entanto, nas descrições sexuais, me agradou muito. Chega a instigar, apesar de tanta bizarrice hahaha. O poema que não me convenceu tanto, Boa sorte.

  8. Anorkinda Neide
    13 de junho de 2015

    Olha! Eu gostei demais! Mesmo!
    Tá certo q o início ficou meio estranho, vc citou uma fobia q perdeu-se totalmente depois, pq eu nao consegui ligar o medo de propaganda enganosa, isso? com o lance das bruxas sedutoras.
    Deverias ter explicitado melhor isto no conto.

    Mas… quando começa o relato em que VN aparece.. a coisa ficou linda.. amei as frases todas (ok, deve ter algo a arrumar, mas eu nao me atenho a esses detalhes, vc q se vire! kkkk)
    Gostei mesmo..mergulhei com a pobre vítima, me fundi junto com ele nessa morte paradisíaca.
    Gostei do final tb,bem humorado, achei.

    Eu acho, só acho…que vc citou fobia lá no começo e depois no finalzinho, só pra adequar ao desafio 😛 pq o texto é mesmo sobre bruxas gostosas! 😛

    Abração

    • Anorkinda Neide
      13 de junho de 2015

      ahh o poema!
      então.. todo mundo gostou, eu nao!

      nao gosto dessa tendência do concretismo de visualizar o poema na folha, agora na tela… não gosto, nao simpatico, já torço o beiço qd vejo…kkk
      coisa minha

      e mesmo os versos não estão legais…mas… se enquadram na historia e isso foi bom.
      pra nao ser totalmente negativa, gostei do final,achei estes versos translumbrantes!:

      ‘E já se aproxima no seu andar letal

      Para comer o prazer, o sexo, a vida, uma parte do futuro, o amanhã todo, completo.’

      😉

  9. Felipe T.S
    12 de junho de 2015

    Quase não aguentei terminar, foi sofrido.

    Primeiramente o enredo não me agradou, mas o problema foi com a linguagem, que pra mim não casou. Achei cansativa e bem estranha.

    O texto como um todo até tem uma intenção legal, mas aqui não vingou…

    Boa sorte no desafio.

  10. Cácia Leal
    12 de junho de 2015

    Meio doido seu texto e bastante confuso. Mas gostei do final. Achei muito próxima da ideia de Saramago, pós-moderna. Quando bati o olho no conto, imaginei que seria um texto corrido, pós-moderno, em um único parágrafo, como um fluxo de consciência. No entanto, não consegui acompanhar seu raciocínio e me perdi. De qualquer forma, valeu seu conto. Gostei bastante do poema também. Acho que o conto me ganhou mãos a partir desse momento.
    Gramática: sinto muito, não tenho competência para revisar em português de Portugal!!!!!… rs… Daí, tiro que está tudo Ok…. kkkkk
    Adequação ao tema: até agora não encontrei a fobia… rs… a hidra devorou? A Viúva Negra não seria uma aranha???… rs
    No geral, foi um bom conto.

  11. Virginia
    12 de junho de 2015

    Achei o texto confuso… O poema me pareceu melhor que o conto, que estava meio que me cansando. Eu li duas vezes para tentar entender o que acontecia, mas não fui muito longe, deve ter sido falha minha, enfim. Parabéns e boa sorte !

  12. Fabio Baptista
    12 de junho de 2015

    * TÉCNICA: 2 / 3
    Esse turbilhão de pensamentos e frases que parecem diálogos sem qualquer separação junto ao “sotaque” me lembrou Saramago. Para o bem e para o mal.

    Sinceramente achei muito pesada e confusa a leitura, mas em alguns trechos, especialmente no parágrafo que vem depois da poesia, o autor consegue causar um efeito magnífico.

    Fiquei em dúvida nessa nota, mas esses lampejos garantiram mais um ponto.

    * TRAMA: 2 / 3
    Olha… devo confessar que não entendi muita coisa até chegar o poema. Não que eu tenha entendido depois, mas acho que os eventos descritos ali dispensam maiores entendimentos.

    Li certa vez que o autor tem duas chances de fisgar o leitor num conto: no primeiro parágrafo, ou na última frase.

    Aqui eu fui “fisgado” na última frase.

    * POESIA: 2 / 2
    De uma beleza inquestionável. Nem vou levar em conta a relevância ou não para a trama.

    * PESSOAL: 1 / 2
    Estava odiando até chegar o poema. Depois a coisa melhorou sensivelmente. Pena que já estava acabando.

    * TEMA: x1
    Acho que aquela frase que fala da fobia do “frio” salvou o conto em vários sentidos, inclusive na adequação.

  13. simoni dário
    12 de junho de 2015

    O desconhecido, proibido, é tentador não? O personagem mergulhou fundo nas tentações, parece que a fobia aparecia quando estava diante da VN, ficava tão desnorteado que até “sequestrado” foi, e aí se entregou de vez. O autor, certamente Portugês, escreve muito bem, desperta a curiosidade, criou passagens bem interessantes. Confesso que precisei ler umas três vezes(ou mais) para captar o conto e poder comentar. Gostei, é uma forma diferente de leitura da que estamos acostumados, e pela criatividade e bom portugês, está de parabéns!
    Boa sorte!

    • simoni dário
      12 de junho de 2015

      Ah, esqueci o poema, não comentei nos outros textos poque não entendo do assunto, mas o seu me encantou, me fez gostar de um jeito diferente, sem que eu saiba explicar. Parabéns por isso também.

  14. Evandro Furtado
    12 de junho de 2015

    Eu identifiquei um português de Portugal por aqui, me indique se estiver errado.

    Tive um pouco de dificuldade de entender a história, confesso, talvez pela linguagem muito densa. Em alguns momentos, também fiquei confuso em relação às súbitas mudanças de primeira pra terceira pessoa sem indicação prévia. Não posso negar, no entanto, que é um texto muito bem construído, com recursos linguísticos interessantes.

  15. Wilson Barros
    12 de junho de 2015

    Um estilo nebuloso que lembra um autor que gosto muito, Peter Straub. “Mão livre para o lado das ancas”, “sair daquela pessoa”. “sorriso mona lisa”, “correr com se fosse atingir uma medalha”, entre outros, foram de um humor insólito. O poema está bom, em metáforas bem-feitas como “andar letal”. O terror erótico ficou bom, também. Na verdade um ótimo conto, valorizado pelo inusitado e o texto de qualidade.

  16. Leonardo Jardim
    11 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (3/5) pensando apenas na trama, eu preciso dizer que me envolvi mais ou menos no meio, quando ele vai ao bar pela primeira vez. À partir dali eu fiquei preso e li numa tocada só. Mas não fiquei muito feliz com o final aberto. Queria alguma resolução, sei lá, alguma coisa…

    ✍ Técnica: (2/5) difícil avaliar, pois existem algumas frases muito boas e a narração é interessante, diferente, mas interessante. Por outro lado, é muito travada. O início incomoda muito, pois são várias falas e é muito complicado saber quem está dizendo o quê. Os primeiros parágrafos foram muito difíceis de ler. Acho que o autor deveria dar uma estudada em como estruturar diálogos. Talento e criatividade, sem dúvidas ele tem muita, mas falta um pouco de organização no texto e nas ideias narradas.

    ➵ Tema: (1/2) existe a fobia citada nos primeiros parágrafos, mas que são colapsadas pela história da Viúva Negra. Não é um texto sobre fobias.

    ☀ Criatividade: (1/3) femme fatale e bruxas são itens meio batidos. O próprio conceito de viúva negra já foi visto em diversos outros meios.

    ✎ Poema: (2/2) gostei muito. Intenso, com formatação interessante e dando o tom para a narrativa (até mesmo quebrando a cissura desta).

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei à partir do meio, mas esperava mais do final.

    Alguns problemas encontrados:
    ● *mas* logo confirma
    ● *Ainda* com o olhar *ainda* perdido (repetição)
    ● – Tem dias e vai bem com fumo. *travessão* A conversa continuou
    ● *mas* logo, no mesmo sítio e mesma hora

    PS.: mais pelo estilo, mas também pelo sotaque, acho que sei quem é o autor.

  17. rsollberg
    11 de junho de 2015

    Então, Viúva Negra.

    Cara, o aviso no começo do texto é uma faca de dois gumes. Sério, você instiga, mas, por outro lado, cria uma expectativa muito grande.. É como ver as 5 estrelinhas ao lado do hotel, ou o bonequinho aplaudindo de pé o filme. E aqui me senti um pouco lesado, pois esperava muito mais.

    Gostei do ritmo um pouco caótico do texto, que demando atenção, mas tem ótimas sacada. É Interessante que o autor brinca, e sabe, o tempo todo com as expressões do personagem, quase sempre sinto falta disso.

    A poesia ficou bacana.
    O desfecho também foi bom, mas o aviso lá no alto continua ecoando em minha mente.

    Parabéns e boa sorte!

  18. Gustavo Castro Araujo
    10 de junho de 2015

    Um texto divertido, surreal até a raiz. Parece um daqueles sonhos malucos do Kurosawa ou do Fellini. De algum modo, me lembrou o conto “Saturnália”, do José Leonardo, lá no desafio de filmes e cinema. Não tanto pela prosa, mas pelo clima de festa onírica, em que o protagonista deixa-se envolver por uma atmosfera que lhe é ao mesmo tempo desconhecida e irresistível. Por isso mesmo também lembra “A Festa do Século”, do Ammaniti, por causa das visões impossíveis. Claro, o presente conto não é isento de erros. Às vezes se observam alguns erros. Demais disso, o uso de longos parágrafos termina cansando a leitura. Como ponto positivo destaco as interrupções, em que o narrador se dirige ao leitor, na melhor tradição machadiana. O final também ficou interessante – aberto, mas fechado (risos) se é que isso é possível. Enfim, um trabalho interessante, diferente e, por que não dizer, corajoso. Boa sorte no desafio!

  19. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    10 de junho de 2015

    Gostei das bruxas/viúvas negras! Como vocês às carcterizou através de um véu de (quase) delírio. Delírio causado pela fobia à propaganda enganosa? Essa parte não captei muito bem. A propaganda enganosa foi da pessoa que o alertou sobre a VN ou as viúvas negras/bruxas mostraram-se voluptuosas, esfumaçantes e inofensivas? Causa estranheza uma pessoa que tem uma fobia ser um profissional que lida com o objeto do seu medo, mas existem pessoas que o fazem para enfrentá-lo (isso é fato e não há como negar) e se for esse o caso, o conto deve conduzir o leitor por essa situação. Como fobia (em qualquer grau) é intensa, senti a falta dessa intensidade. Mas é brilhante essa forma de narrar através de um véu que deixa as coisas e situações um tanto embaçadas, leitosas, desfazendo-se com um leve movimento do ar. Sem falar do seu esforço para se adequar ao máximo ao português da escrita e entendimento brasileiro sem deixar de lado a identidade da sua lingua portuguesa. Um aexperiência interessante entrar em contato com essa técnica.

  20. Tiago Volpato
    9 de junho de 2015

    Um conto interessante. Pra mim foi um pouco difícil pela linguagem, acabei me perdendo em vários pontos. Alguns trechos gostei bastante, em outros achei que você poderia ter deixado o texto mais simples pra dar uma maior agilidade no texto. O texto é bem poético e eu não sou muito fã desse estilo, mas isso é algo pessoal meu e não vou tirar méritos do texto por isso. Abraços.

  21. Ana Paula Lemes de Souza
    9 de junho de 2015

    Desculpa-me, mas a leitura foi muito truncada, não conseguia avançar na história… Fiquei torcendo para acabar logo. O excesso de informações e a forma com que foi narrado foi bastante cansativo, ao menos para mim, enquanto leitora. Não entendi nada, não vislumbrei a fobia, enfim, pra mim não funcionou. Espero sinceramente que outras pessoas gostem do conto mais do que eu! Abraço e boa sorte!

  22. catarinacunha2015
    9 de junho de 2015

    Cansei. Acredite, fiquei travando em vários trechos. Só na terceira leitura me convenci de estar diante de um longo capítulo de um futuro romance. Gostei de algumas construções em forma de prosa poética, mas fiquei me sentindo traída com o final. Rsrsrs…

  23. rubemcabral
    9 de junho de 2015

    Olá, autor(a).

    Então, gostei bastante do conto, pois você conseguiu criar uma atmosfera realmente misteriosa e as cenas de abdução do protagonista foram bastante inspiradas. O conto parece um sonho ou delírio, pois o cenário é pálido e surreal. A Viúva Negra, suspeita de assassinatos, anda por aí, solta, fazendo mais vítimas, apesar do conhecimento de todos.

    Quanto à poesia, o poema está muito, muito bom. Talvez seja o melhor do desafio!

    Quanto às normas da língua, há alguns acertos a fazer, feito, por exemplo: “– Tem dias e vai bem com fumo. A conversa continuou e chegaram duas…” = falta de separação entre diálogo e narração, e alguns outros poucos, feito já indicados pelo Sidney. A mistura de diálogos à narração principal causa um tanto de confusão a quem lê.

    Há um problema, contudo. O tema do desafio é “fobia”, e quase não há nada sobre fobia no seu texto. Não sabemos de nenhuma específica do protagonista, elas apenas são citadas muito “en passant” em certas partes do conto.

    Achei também que o aviso ao leitor, no início do texto, foi desnecessário. Primeiro, pq os leitores do blog são adultos e já houve textos aqui que fariam do conto presente um passeio no parque; segundo ,pq não houve tal dionísica profusão de carne e fluidos (haha), como prometida.

    Boa sorte no desafio. Abraços!

  24. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2015

    Calma aí, autor, que os meus neurônios rebelaram-se em motim e abandonaram o cérebro. Suas palavras deram voltas e voltas, fiquei tonta com tanta informação. Acho que tenho fobia de textos longos.
    O sotaque lusitano é evidente, mas aí estão também o poema e a fobia. Cumpriu com o combinado, então ganha pontinhos com isso. Gostei dos versos, uma verdadeira teia de poesia.
    A leitura foi um tanto penosa para mim que sinto dificuldade de ler textos longos através da telinha. O autor trabalha bem com a linguagem, mas não gostei de algumas repetições como “na verdade” no segundo parágrafo.
    Vou reler para tentar captar ideias que deixei escapar. Boa sorte!

  25. Jowilton Amaral da Costa
    8 de junho de 2015

    A narrativa é muito peculiar, muito truncada. Tem passagens poéticas e irônicas muito bem construídas, no entanto, o texto não fluiu de forma agradável, ao meu ver, além de alguns trechos estarem bem confusos, o que dificulta o entendimento. Este tipo de escrita parece uma marca do escritor. É interessante em alguns aspectos, como a originalidade da forma de contar a história. Mas, insisto em dizer, que dificulta sobremaneira a leitura. Boa sorte. Abraços.

  26. Brian Oliveira Lancaster
    5 de junho de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: O narrador onisciente prendeu a atenção logo de cara.
    G: Curti o tom inusitado, mas acho que faltou um pouquinho mais de cuidado com as construções gramaticais (se bem que, parecem lusitanas, então posso estar enganado). Um texto bem difícil de acompanhar pela sua estrutura incomum, mas é possível resgatar um tom sóbrio nas palavras jogadas. O final foi bem interessante, mas devo confessar que não curti muito a mistura de gêneros.
    U: O autor escreve bem e não foi preciso aplicar muito das “nossas regras”.
    A: Vou ser sincero: não entendi quase nada do texto. A poesia tem uma estrutura bem legal e brinca com a estética, mas a fobia, em si, ficou muito nebulosa.

  27. Rogério Germani
    4 de junho de 2015

    Olá, Viúva Negra!

    Pontos fortes

    1- O sotaque lusitano trazendo uma nova visão ao desafio sobre fobias.
    2- Poema complexo é o próprio abdômen da Viúva Negra.

    Pontos negativos

    1-Excesso de redundâncias comprometeram o texto.
    2-Técnica aplicada fez com que a leitura se torna-se cansativa.

    Parabéns pelo conto e boa sorte!

  28. JC Lemos
    2 de junho de 2015

    Olá, Viúva Negra. Tudo bem?

    Não gostei do conto. Achei muito enrolado, com muita informação desnecessária e a narração não me agradou. Fiquei meio perdido em certo momento da trama, e o cansaço se apoderou conforme eu continuava a leitura.

    O poema também não me agradou muito, mas ainda foi melhor do que a história, ao meu ver.

    Desculpe a sinceridade, mas não gosto de enrolar quando esse é o assunto.
    Espero que outros possam apreciar mais do que eu.

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

  29. Sidney Muniz
    1 de junho de 2015

    Olá caro autor(a),

    Não gostei do conto.

    nem narrativa, enredo, gramática, uso da fobia, quase nada me agradou de fato.

    O conto é uma novela de idas e voltas, muitas passagens redundantes demais e a formulação de frases precisa ser refeita. Da para perceber uma tendência lusitana, até levo isso em consideração, mas ainda assim, não curti mesmo.

    Deixo abaixo algumas observações e agradeço por nos proporcionar a leitura.

    está cheio, inundado, repleto – Entendi a ênfase, e a ironia, mas ainda assim

    de uma qualquer multinacional, – tudo bem que não importa qual é a multinacional, mas o uso desse “qualquer” não me agrada.

    Começou a sentir o coração a bater – tiraria o segundo “a” para ficar melhor.

    Talvez tenha fechado os olhos, talvez se tenha distraído, talvez tudo ou nada – Não ficou boa essa construção, confusa e repetitiva.

    Na verdade era hora de trabalho e a conversa acabou. Era mesmo real, tudo tinha acontecido mesmo. – repetição de mesmo. Sugiro: – Era mesmo real, tudo aquilo tinha acontecido?

    um levantar de braços, não exactamente como nos assaltos e muito menos como nos abraços. Levantou os braços para mostrar o momento – repetição de braços.

    Ele respondeu, sem pensar um segundo, sem se mexer, sem desviar os olhos, sem mover os maxilares, – se é sem pensar, certamente seria sem fazer o restante pois o pensamento é a mais rápida dessas ações. O texto precisa de uma enxugada, pois as redundâncias e repetições permanecem ao longo dele.

    bom, tem mais, mas deixo para o autor dar uma relida no texto depois e revisar com mais zelo, pois carece de uma lapidação.

    Não curti o texto, nem enredo, acho que a poesia nesse caso, é melhor que o conto, bem melhor.

    Ainda que não tenha gostado, outros gostarão e é assim mesmo. Foi só minha opinião de leitor.

    Desejo sorte no desafio ao autor(a) e que noutras edições sua escrita me cative mais e mostre evolução.

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Publicado às 1 de junho de 2015 por em Fobias e marcado .