EntreContos

Literatura que desafia.

Noite do Dia (Vitor Leite)

Noite do dia

Vida sem espaço para a imaginação, onde só cabe a poesia. Sou casa, o teu espaço, desarrumado, baralhado, transformado em nós. Sou vazio preenchido, boca beijada, olhos desejosos dos teus. Não sou corpo sou fogo, sou pele e mãos, uma boca sôfrega ou um sexo só. Uma cama sem limites, uma casa a arder.

Um descanso.

Como os dias que acabam sempre seguido de outro, são os teus beijos. Ris na tua pele sem fim no escuro da noite. Agarro-te como se chegássemos ao fim do mundo e rebolamos na nossa procura como se saltássemos para o infinito. Presente, o teu corpo em mim, no teu cheiro no toque das peles.

Tão longe o mundo rodopia enquanto dois corpos ardem, combustão mutua, como mãe geradora de vida, tudo acaba com um ai, suspiro último, chamas devastadoras e um fechar de olhos qual guerreiro ferido de morte.

Acaba o mundo.

Dois corpos ressuscitam, agarrados, pele na pele a ganhar força para alimentar a vontade que acaba no querer e aí começa.

Anúncios

7 comentários em “Noite do Dia (Vitor Leite)

  1. Brian Oliveira Lancaster
    9 de julho de 2015

    Diferente e incomum. A estrutura não lembra poesia, mas traz todo o sentimento embutido, de forma eficaz, rápida e rasteira.

  2. William de Oliveira
    23 de junho de 2015

    que gostoso de ler isso!
    o formato também é muito bom, foge do comum,

  3. Anorkinda Neide
    17 de junho de 2015

    Wow! Desde que foi postado este texto, eu li, devorei e fiquei com vontade de comentar, mas daí veio o desafio de contos e tive que esperar…

    Uma prosa riquíssima vc nos trouxe, Vitor, muito obrigada por este encanto, este enlevo que proporciona esta leitura.

    O final foi fabuloso, num looping tão verdadeiro, como é bom quando a poesia traduz fielmente o real, nos trazendo aquela expressão aos lábios: É bem isso mesmo! 🙂

    Parabéns
    Abração

  4. mariasantino1
    11 de maio de 2015

    Que ótima essa pequena morte. Gostei bastante sobretudo do empréstimo de sentido (cama/casa/mundo…). As epígrafes formam também um sentido:
    Noite do dia.
    Um descanso.
    Acaba o mundo
    Parabéns pelas palavras crepitantes. Abraço

  5. Wender Lemes
    10 de maio de 2015

    Bela descrição. Bem construído naquilo que diz e no que deixa por imaginar. As imagens são vívidas, mas as sugestões são ainda mais. Parabéns.

  6. Fabio Baptista
    8 de maio de 2015

    Que volúpia! 😀

    Um dos meus preferidos até aqui, Vitor.

    Parabéns!

  7. Neusa Maria Fontolan
    7 de maio de 2015

    Meu Deus! Eu cheguei a ver as cenas aqui. Muito bom mesmo. Parabéns Vitor.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 6 de maio de 2015 por em Poesias e marcado .