EntreContos

Detox Literário.

Sermão da Sexagésima Vez (Eduardo Selga)

sermão1

Assim, observando do lado de fora, ninguém diz que na torre do mosteiro abandonado, construção desconstruída, naufragada num dos inúmeros caminhos sem destino de Nada, nela ainda vivem dois frades. Apesar dos escombros, de a civilização ter desaparecido do Planeta, de alguns corpos mumificados pela temperatura e pelas teias das aranhas; apesar das dunas e das trepadeiras que vieram céleres desde Outro Lado, rastejando às pressas para se apossarem do novo território… Apesar disso, eles ainda estão lá, perpetuadores de um tempo por demais desaparecido. Nem em memória ele ainda existe, porque é imprescindível haver alguém para pôr em movimento as rodas dentadas do passado. Em verdade, em verdade fustigo, é um tempo que não é.

Se viventes em Nada vivessem, quem por acaso se detivesse diante da construção, ruínas, veria não uma imagem resolvida, e sim nódoas, vultos manchando o ar e fundindo dois corpos aos trajes capuchinhos. Porém, do mesmo modo que as orelhas captariam uma espécie de antimúsica fétida no ar, os olfatos não deixariam de perceber o hálito podre que exala da torre, certamente. Daquela ali em especial, não das outras seis que, tomadas pelo abandono dos tempos, silêncio, quase inodoras, também não estão desabitadas, exatamente: os que nelas vivem, mortos invisíveis inclusive a si próprios, ainda não se deram conta da extinção. E continuam, guardados em si, bemóis e monges, esperando as ordens do regente do coral.

No interior daquela torre, alguns pergaminhos apócrifos de autoria dos apóstolos proibidos boiam na lama espessa que brota do chão, paredes, goteja do teto, acumula-se no piso, empesteia, e tanto que atinge o umbigo dos dois frades. Outros textos, sem dicção, os que têm menos a dizer ou nada, não: jazem afogados nas camadas inferiores das estantes.

Sobe numa das bancadas, livrando-se, ao menos temporariamente, da viscosidade da lama, mas não da náusea inseparável dela. Possuído pelos fantasmas marianos do canto porque ninguém mais que ele, outrora, regera as vozes do coral. Incêndio no corpo, pupilas abertas; mãos meladas de suor, esperma e lama, no presente instante frade Venéreo é cansaço de se masturbar inutilmente e tanto, pois o desejo permanece, como sempre, inteiro e silvestre. Por mais que se esfregue. E procure, com os olhos da imaginação, a dádiva que Mariano traz, amestradamente, entre as pernas. Divino.

Sobe. Luxurioso, provocando em frei Mariano a ira (santa?) mansa e surda e muda, porém visível naqueles olhos de capeta, naqueles olhos que só Jesus, Venéreo executa uma das raras felicidades de sua vida capuchinha: striptease, exibindo, a pouco e pouco, sua bunda desfalecida, seu corpo obeso e tomado pelas chagas, algumas das quais sangravam quando ele, como quase sempre, em estado de paixão carnal. Na palma das mãos e no rasgo do peito, principalmente.

Venéreo, desce daí. Vem pra lama. Tu precisas se dar a conhecer o limite entre a paixão e o ridículo, inúmeras vezes já te preveni… Esta mania sátira de quereres ser Cristo, com chagas e tudo, só porque me amas, é blasfêmia. Bem sei que eu sou um deus, o único que restou de sobejo para contar a história se ainda houvesse uma. Entretanto… Podias ao menos minorar o indigesto da paródia, o oitavo pecado capital conforme ensinamentos dos apóstolos proibidos. Se parodiares São Sebastião, por exemplo… Ele também tem lá suas feridas…

Ai, Mariano, pelo amor de… Não me peça para fingir que você não existe, minha cara segunda pessoa; que meus lábios tomados por estas úlceras que a terra há de comer não sangram quando meu corpo se lembra de seus beijos desbocados.

Tanto mais quanto proibidos, Venéreo.

Mesmo assim, sangram! Beijos, portanto.

Portanto, desce! Há tempos nosso tempo de purgação exauriu-se, deveríamos habitar neste momento outro ambiente. Tu, o báratro merecido ao beijar o pecado da carne na boca; eu, devidamente salvo junto aos anjos do Senhor, tangendo minha harpa. Mas não… Tu amas feito louca, te rasgas diuturnamente, gemidos e gritos de gozo infernais. São eles a causa deste lameiro, fedentina que não evapora. Até esqueceste a palavra!…

Que palavra?

Os apóstolos proibidos, eles nos afiançaram a todos que…

Ah, tá… Mas eles estão aí, boiando, inchados de tanta água podre e blá-blá-blá. Eu aqui, ferido e sangrando a cada vez que me lembro, a cada vez que meu corpo quer voltar ao passado… Isso ainda é alguma felicidade.

Cobre-te! Que inferno! Honra o hábito que tu vestes e a missão de um frade. Só porque algumas vezes satisfiz tuas sandices, teus desejos, nem por isso vou ficar atolado a um tempo que, conquanto pareça, já não existe. Volta para a realidade, carecemos dela mais do que tu necessitas de teus gozos animalescos.

E abrir mão de me derreter, me consumir de tanta felicidade que a carne pode proporcionar? Nunca!

Eu não vou mais te beijar, já o disse! Tampouco me amarfanhar contigo atrás das estantes, até porque os Mandamentos Proscritos de Babel, os Evangelhos Caliginosos e todos os outros que conseguimos esconder do Planeta merecem respeito e não querem ouvir teus arrulhos de pomba no cio. Os pergaminhos mais antigos já reclamaram comigo, estão exaustos de serem batizados por aquela tua seiva repugnante, aquele chorume branco e viscoso a escorrer…

Ah… meu capetinha divino… Esse mau humor eu conheço. Um bom estímulo nos locais certos acaba com ele. Olha bem para cá e diz: estou ou não irresistível para a sua fome que insiste em esconder-se debaixo de nossa roupa horrorosa de frade?

Frade Mariano suspira fundo, mãos à cintura, olhos no teto como se nele o Céu fizesse morada. Desiste daquele sermão pela sexagésima vez descabido, e não apenas porque a epiderme infecta de Venéreo o seduz inexoravelmente: Deus já não há — nunca houve?—, tampouco os vê fornicando, tem essa certeza particular enquanto às suas costas, para além das outras torres do mosteiro, no céu rubro de Nada, notas antimusicais voando de ponta-cabeça e sem partituras, grasnando imensas como os pteranodontes de arribação que deveriam estar em Outro Lado, como as dunas e as trepadeiras um dia estiveram.

70 comentários em “Sermão da Sexagésima Vez (Eduardo Selga)

  1. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Belo poema barroco, estilo Milton, repleto de religiosidade e notas “antimusicais”. Um conto em forma de poema, ou vice-versa, de extrema força dramática. A arte é toda Gongórica: o preciosismo, as antíteses, as metáforas… A retomada das velhas escolas, instiladas por novos sopros, faz parte da literatura. Parabéns pela originalidade e pelo conto interessante.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Que bom receber comentários baseados na Teoria Literária. Sim, é barroco (ou neobarroco, acho mais adequado), daí certa aspereza na recepção textual, que alguns leitores podem sentir.

  2. Luan do Nascimento Corrêa
    23 de fevereiro de 2015

    O conto está bem escrito. Creio que a descrição está um pouco vaga, talvez confusa, por isso há certa dificuldade em entender tal universo. Mas o principal pôde ser captado, a relação dos dois e seus diálogos (embora estes sejam um tanto rebuscados).

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Sim, Luan, há mesmo vaguidão e certa dificuldade na recepção textual, conforme o leitor, mas essas características são propositais. Não pretendi contar uma estória no sentido da relação imediate entre causa e consequência, antes reger uma orquestra de palavras.

  3. Sidney Muniz
    23 de fevereiro de 2015

    Não gostei.

    Um texto enxuto mas com uma narrativa um tanto quanto carregada, cansativa mesmo. Talvez seja questão de gosto pessoal.

    Algumas repetições como a palavra “apesar”, no início do conto, palavras como “amarfanhar” soam um tanto forçadas para criar um ambiente, ou sustentar algo que infelizmente não me convenceu.

    Trama(1-10)=7
    Técnica (1-10)=7
    Narrativa (1-10)=7,5
    Personagem (1-10)=7,5
    inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=4
    Título (1-5)=4 Não gostei muito do título, achei ousado porém pouco instigante.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Sim, a narração é carregada mesmo, em função do ambiente insólito que pretendi estabelecer. A homossexualidade entre religiosos católicos é algo difícil de ser tratado entre eles. Logo, se o personagem Venéreo é tão explícito, o outro frade tem dificuldades em assimilar isso, embora participe dos desejos de Venéreo. Isso cria um ambiente tenso. um lugar tenso. Uma linguagem tensa..

      • Eduardo Selga
        24 de fevereiro de 2015

        Completando, Sidney, o título é uma intertextualidade com “O Sermão da Sexagésima”, escrito e proferido pelo padre Antônio Vieira, para a corte portuguesa, lá em 1655. Ele trata dos motivos pelos quais os sermões não conseguem convencer o “rebanho”. Observe com o personagem, neste conto, não consegue convencer Venéreo, a ponto de desistir.

      • Sidney Muniz
        24 de fevereiro de 2015

        Gostei muito da explicação do título! Realmente achei ousado.

        Um ponto que acho que temos que entender é que há regras, mas as exceções devem ser levadas em conta.

        Acho que a homossexualidade seja bem difícil e ser digerida entre quaisquer sejam as pessoas… Apenas acho, afinal não temos certeza de nada, ou temos?

        Entendi sua proposta Eduardo. Achei ousada, e o trato com a língua pátria é mesmo interessante.

        Sinceramente adoro seus comentários, mas discordo em um ponto. Não sei se todos os “religiosos católicos” lutam contra isso, afinal antes de padres são seres humanos, antes de serem religiosos são carne, então não há “em minha opinião” uma fórmula exata das coisas, se é que me entende.

        Mas esses são seus personagens, então acredito que você tenha razão sobre eles. E realmente você conseguiu me passar essa diferença entre os dois. Mas, contudo, ainda talvez por minha culpa, achei a narrativa, e o ambiente criado um tanto quanto exagerados (não era essa palavra), talvez sobrecarregado… sim, sei que você queria criar algo assim, mas senti que ficou maior do que deveria, tenso demais mesmo, e isso pode ser mesmo um mérito seu, pois criou o que de fato queria, E não é por que não gostei que não ficou do tamanho certo, certo? Creio que sim.

        Entendi também a necessidade aqui da verossimilhança, o que de fato seu texto exige devido a linha adotada. Gostei disso, por isso a minha percepção e notas não foram ruins,visto que de fato a qualidade e homogeneidade se faz presente durante o conto.

        Há sim algumas situações mais forçadas, outras mais poéticas, mas novamente afirmo que é minha percepção mesmo, tão pessoal como minhas torradas acompanhadas de um delicioso chá para um saboroso café da manhã com meus filhotes…

        Bom, sem muito o que acrescentar por aqui, continuo aprendendo e muito com seus comentários que me fazem refletir constantemente, tamanho seu poder de percepção, salve é claro algumas coisinhas que também acabam sendo mais pessoais… mas se elas não existem, daí passamos a ser robóticos demais.

        Parabéns, não somente pelo conto, mas principalmente por ser tão bom amante dessa arte por vezes tão maltratada pela maioria.

  4. Jowilton Amaral da Costa
    22 de fevereiro de 2015

    Tentei trocar o “me pegou” por “agradou” mas saiu dois comentários. Desculpe.

  5. Jowilton Amaral da Costa
    22 de fevereiro de 2015

    Sem dúvida está muito bem escrito, ótima técnica, e o autor demonstra erudição e um léxico digno de nota. No entanto, o conto não me empolgou, achei um tanto chato e cansativo, apesar de curto. A estória não me agradou. Boa sorte.

  6. Jowilton Amaral da Costa
    22 de fevereiro de 2015

    Sem dúvida está muito bem escrito, ótima técnica, e o autor demonstra erudição e um léxico digno de nota. No entanto, o conto não me empolgou, achei um tanto chato e cansativo, apesar de curto. A estória não me pegou. Boa sorte.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Jowilton, de fato o conto não é empolgante. Felizmente. É que não concentro meus enredos na ação, e sim nos aspectos psicológicos e filosóficos dos personagens. Assim, o conto se torna um pretexto para, esteticamente, discutir o Homem.

      Provavelmente por isso ele é cansativo. É mesmo. Precisa ser para tentar mostrar o Homem além do externo, do visível.

  7. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Se há o mundo esquecido dos seus, que se esqueçam eles do mundo, e das suas misérias, que os sermões sejam uma válvula de escape para os prazeres que, no fim das contas, não deveriam simbolizar pecado. Abraços.

  8. Alexandre Leite
    21 de fevereiro de 2015

    Marcante e intenso.

  9. Leandro B.
    21 de fevereiro de 2015

    Oi, Lázaro.
    O conto tem uma pega poética que sempre achei difícil de acompanhar, mas desde que comecei a acompanhar a entrecontos (quem diria!) venho gostando cada vez mais.

    Eu não sei se é coincidência, ou se o pessoal que se volta para os textos mais líricos costumam ter uma bagagem maior, ou se eu simplesmente não entendo boa parte das metáforas, mas o que leio por aqui do gênero sempre parece ter sido elaborado por um “profissa”.

    São, também, os textos que fico mais inseguro para comentar, mas saiba que gostei bastante da construção singela do mundo (ou do momento do mundo) e também consegui criar empatia com os anciãos.

    Não tenho uma crítica “construtiva” aqui, mas gostei bastante do que li, e te agradeço por isso.

    boa sorte.

  10. Lucas Almeida
    20 de fevereiro de 2015

    Parabéns pelo texto, muito bem escrito, gosto de textos que dão sensações estranhas na hora da leitura. Sensações em relação ao conteúdo, como a repulsa de imaginar dois frades doentes mergulhados em luxuria. Causou arrepios positivos para dar uma nota decente a você. Porém, acredito que um pouco mais de pecado nele poderia prender ainda mais a leitura, já que sou um leitor que gosta de ver o tema do texto presente em cada sentença.
    Boa sorte 🙂

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Bom, Lucas, A onipresença do tema é algo de que não faço questão, exceto se for uma necessidade estética. Muito mais me encanta a narrativa, sua cuidadosa construção. O tema, para mim, é de fato um pretexto para eu dar luz a enredos e personagens que habitam certo universo simbólico, sentimentos difíceis de nomear.

  11. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (2/5) achei um pouco confusa, um pós morte talvez. De qualquer forma, não gostei da abordagem excessivamente podre. Foi uma leitura “suja ruim”, gerando sentimentos desgostosos, como nojo, ao contrário de alguns contos que teve um “sujo bom” (Flores de Vênus, por exemplo).

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa e muito apurada, mas achei excessivamente rebuscada, prejudicando um pouco o ritmo.

    ➵ Tema: (2/2) podridão total (✓).

    ☀ Criatividade: (3/3) muito criativo mesmo.

    ☯ Emoção/Impacto: (1/5) só sentimentos ruins 😦

    Dúvida:
    ● em verdade fustigo (esse erro foi intencional?)

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Leonardo, o que é uma “abordagem excessivamente podre”? A relações humanas e sociais são feitas também dessa matéria escura, nada ética ou cristã, que é o nosso outro lado. Tentar demonstrar isso num conto é tentar mostrar outro lado humano que as narrativas “limpinhas” evitam. Afinal, é muito desagradável nos darmos conta da lama em que vivemos, e que somos. Ademais, literatura não pode ser apenas o “clean”, o discurso previsível, o positivo, o “pra cima”: a arte é o avesso.

      Sim, é rebuscado mesmo, exatamente em função do ritmo, que pretendi lento. O indigesto precisa ser digerido aos poucos.

      No trecho “em verdade fustigo” (fustigar: provocar) foi um intertexto com o bíblico “em verdade vos digo”.

      • Leonardo Jardim
        24 de fevereiro de 2015

        Entendi sua leitura do mar de lama em que estamos mergulhados, apenas não curti tanto. No final, creio que essa percepção negativa afetou minha avaliação.

        Sobre a técnica, não disse que era rebuscado como um defeito, apenas como motivo para não dar a nota máxima (por ter atrapalhado a fluidez).

        Sobre o “em verdade fustigo”, tive a sensação correta. Quis confirmar se o correto seria “vos digo” ou uma releitura do termo bíblico.

        Grande abraço.

  12. Pedro Luna
    20 de fevereiro de 2015

    ”antimúsica fétida”… massa.

    Não sou o cara certo para comentar esse conto. Porque li e não sei dizer o que entendi. Me sinto burro. E mesmo se no fim das contas esse texto não dissesse nada com nada (não sei se é o caso), eu ainda me sentiria assim. Enfim, tem autores que tem esse dom mesmo, de emburrecer olhos não preparados. Achei bem escrito, mas não direi que gostei porque não entendi direito a história. Frades gays que sobreviveram ao fim do mundo? Haha.. olha a minha mediocridade. Pelo menos vi o pecado escancarado aí. Espero que o autor me perdoe, mas não posso fazer nada se não sou o cara certo para criticar, mas preciso cumprir esse papel como participante.

  13. Swylmar Ferreira
    19 de fevereiro de 2015

    O texto é muito bem escrito, mas apresenta linguagem pouca objetiva, a narrativa é boa e bastante descrita, a trama é interessante e a conclusão rápida.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Swylmar, ser objetivo é sempre um valor positivo em literatura? A literatura não deve antes sugerir que afirmar categoricamente? Luz demais sobre o objeto não o ofusca? Pulgas atrás da orelha não são boas?

  14. alexandre cthulhu
    19 de fevereiro de 2015

    pontos fortes: boa narrativa e uma envolvencia interessante , incluindo dois frades
    Pontos a melhorar: A sua forma de escrever com vocabulos muito cuidados, adicionado a uma historia onde a acção se desenrola devagar, pode cansar o leitor
    contudo, percebi que li um texto de alguem que já escreveu muito
    Continue

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Alexandre, como eu de certa maneira já disse aqui noutras respostas, ele foi feito para cansar certo tipo de leitor, para incomodá-lo.

  15. Bia Machado
    18 de fevereiro de 2015

    Haha, gostei do conto! Bem escrito, com o humor bem dosado e que diverte naturalmente, ao menos pra mim foi difícil não rir alto aqui, com o povo de casa dormindo. Valeu a pena pensar: “Vou ler só mais esse antes de dormir”, rs. Parabéns, inclusive pela revisão. Suspeito do autor. Mas só suspeito, sem me comprometer (muito), rs.

  16. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    17 de fevereiro de 2015

    Que viagem ao Purgatório! Dante ficaria preocupado com esse seu conto; talvez pudesse desbancar o dele! Se colocar em versos, vira um poema como o dele. Encadear esse tipo de vocabulário refinado numa prosa poética que é um conto e que precisa dar conta de um tema, num pequeno espaço, é um Trabalho e tanto. Isso sem falar do Talento. Mais uma vez você nos brindou com imagens de um mundo fantástico, sem estranhamentos.

  17. Maurem Kayna (@mauremk)
    17 de fevereiro de 2015

    Tem algumas imagens interessantes como os bemóis monges do coral; História há e é boa, bem contada até, mas acho que as descrições sobram, especialmente no começo, mas fica entre os contos que contam, para mim.

  18. Gilson Raimundo
    16 de fevereiro de 2015

    Uma descrição poética de um possível purgatório onde se não existe arrependimento jamais haverá redenção.

  19. Rodrigues
    16 de fevereiro de 2015

    Wow! Quantas imagens repugnantes. Gostei muito desse conto, da dualidade entre o religioso profano e o moralista, que se vê muitas vezes perdido perante o pecador ao lado, é praticamente uma extensão do outro (simbolizando uma crítica ferrenha aos nossos tempos?) Esse ambiente sujo por vezes pula das linhas e é, além de tudo, uma extensão dos frades. Sei lá, achei muito bom.

  20. Rodrigo Forte
    15 de fevereiro de 2015

    Achei o início beeem travado, ficou muito descritivo e um pouco maçante, fornecendo detalhes desnecessários. No entanto, quando a coisa engrenou, comecei a gostar e no fim o sentimento que fiquei em relação ao todo foi positivo. Parabéns pelo texto.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Rodrigo, o que pretendi não foi contar uma estória, com a relação causa-consequência posta de modo evidente, não foi um texto realístico. A estética dele é outra, na qual se incluem as descrições por construírem uma atmosfera, uma ambientação, não um lugar ou um tempo. Isso trava? Trava, mas todo conto precisa ser fluido? Acho que essa fluidez depende da estética.

  21. Cácia Leal
    13 de fevereiro de 2015

    Legal o conto. Gostei. A maneira como foi escrito, as palavras bem escolhidas, o jeito de querer chocar, como dois monges levando aquelas vidas de pecado. Interessante. Muito criativo. E o monge, ao final, rendendo-se à luxuria, excelente. Porém, achei algumas partes um pouco confusas, pode ser a minha interpretação que não tenha alcançado os pensamentos do autor.

  22. rsollberg
    13 de fevereiro de 2015

    Esse é um daqueles contos que vc não tem muito o que comentar.
    A escrita é primorosa e as descrições são sublimes. Na realidade, o texto já me ganhou no primeiro parágrafo.

    É denso, demanda atenção, mas é possível perceber a carpintaria por trás de cada frase, cada palavra. “Se viventes em Nada vivessem, quem por acaso se detivesse diante da construção, ruínas, veria não uma imagem resolvida, e sim nódoas, vultos manchando o ar e fundindo dois corpos aos trajes capuchinhos”.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Thata Pereira
    12 de fevereiro de 2015

    Achei o início um pouco perturbador. Por conta de crescer em uma família católica, ter sido catequista e tudo mais. Mas gostei, principalmente dos diálogos, achei as descrições muito boas e o conto é muito agradável de ler.

    Boa sorte!!

  24. Claudia Roberta Angst
    11 de fevereiro de 2015

    Clara habilidade no emprego das palavras. O autor sabe conduzir a narrativa como deseja e não comete deslizes (pelo menos, não os encontrei).
    O tom pareceu-me um pouco demais sermão, Padre Antonio Vieira debochando da própria obra. Está muito bem trabalhado, reafirmo a notável capacidade do autor de lidar com as palavras. No entanto, algo não me agradou até a metade do conto: a temperatura morna tendendo ao frio do monastério…Culpe a lua, ou a TPM, mas só fui curtir mesmo o final. É um bom trabalho, eu é que estou chata. Boa sorte!

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Achei sua observação acerca do padre Antonio Vieira perfeita. Dos comentários até agora lidos, você é a primeira a percebê-lo.

  25. williansmarc
    11 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 6
    Ortografia/Revisão: 8
    Técnica: 6
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Não consegui imergir nessa trama. Em certo ponto achei até meio non-sense os diálogos, mas talvez eu não tenha entendido a mensagem do autor(a). Notei também uma certa mistura de tom formal e coloquial nos diálogos.

    Falhas de revisão:
    fustigo >> vos digo?
    amestradamente >> adestradamente?
    Há tempos nosso tempo >> repetição incomoda de tempo

    Boa sorte no desafio.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Quanto às falhas de revisão: o FUSTIGO (verbo FUSTIGAR) é proposital, para gerar um intertexto com o trecho bíblico “EM VERDADE VOS DIGO”. Considerando o contexto da frase, percebe-se a intenção no uso de FUSTIGO.

      O AMESTRADAMENTE não é erro: vem do verbo AMESTRAR.

      Quanto a “HÁ TEMPOS NOSSO TEMPO”. Aqui eu corri o risco de HÁ TEMPOS e NOSSO TEMPO serem entendidos como pertencentes a um mesmo campo semântico , o que não é verdade. HÁ TEMPOS se refere a algo ocorrido no passado, e NOSSO TEMPO se refere a um período de purgação dos personagens (o que não é passado). Então, o que fiz foi um trocadilho, mas que, é verdade, pode ser confundido com repetição pura e simples.

      • williansmarc
        24 de fevereiro de 2015

        Olá, Eduardo.

        Mais uma vez fui pego desprevenido pelo seu amplo conhecimento. O lado positivo: aprendi com esses erros que eu pensei serem seus, mas na verdade vão pra minha conta.

        Abraço.

  26. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2015

    Frades supratemporais, vivendo no Nada, alheios ao tempo e ao espaço, onde a eternidade e os minutos têm o mesmo valor. Envoltos por lama e pergaminhos, entregam-se aos prazeres da carne. Gays, até porque não têm mais ninguém — e talvez nem queiram ter. Será o inferno? Paraíso? Estariam num plano onde vige a ausência de tudo? Este conto brinca com a imaginação do leitor. É provocativo sem apelar. E, o que é melhor, levanta questões desconfortáveis. Abriríamos mão de uma vida terrena em troca de uma não-existência num plano virtual? Ops, já não é o que fazemos?

  27. Gustavo de Andrade
    10 de fevereiro de 2015

    O conto se constrói de forma bela, poética e sombria, mas penso que peque pelo excesso. As personagens ecoam personalidades mas parecem mais entidades que seres tangíveis, e algumas descrições são por demais elaboradas e floreadas, trazendo um tom decerto confuso em certas passagens.

    Anotações:
    o “nela” no primeiro parágrafo me parece fora de lugar. Penso que não haveria necessidade do pronome uma vez que “torre do mosteiro abandonado” não está tão longe, com uma distância de só duas descrições.
    “os que nelas vivem, mortos invisíveis inclusive a si próprios, ainda não se deram conta da extinção” — frase sensacional.
    “no presente instante frade Venéreo é cansaço” — entendi o espírito da frase, mas pareceu uma construção esquisita.
    Não gostei do jeito que a informação foi dispensada em “Bem sei que eu sou um deus, o único que restou de sobejo para contar a história se ainda houvesse uma”. Quebrou um pouco o diálogo.

    Tratou-se de um texto bom pois invocou certa soturnidade e sugeriu um pós-apocalipse diferente, mas esses alicerces não me pareceram suficientes para carregar a narrativa.
    Boa escrita 😉

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Gustavo, você captou algo bem a propósito: de fato os personagens soam como se fossem entidades, e isso é um dos pontos nos quais pretendi tocar, ou seja, no conto a ideia de representação de pessoa é posta na mesa. Não é um questionamento, mas abordo o personagem como representação de sentimentos largados no escuro. Não são “pessoas”: antes, ideias.

      Sim, o texto é “floreado”, o que pode gerar confusão. Isso ocorre por estar, esteticamente, próximo ao Neobarroco, que valoriza a sintaxe e a semântica, dando importância menor à ação, à objetividade. Repare que se formos contar essa estória oralmente, teremos dificuldades, pois não é uma estória: é um estado de espírito pesado.

      Quanto ao NELA, o que fiz foi romper o fluxo natural da frase. O enorme trecho que coloquei após “[…]ninguém diz que na torre do mosteiro abandonado[…]”, funcionando como aposto ou adjunto, faz com que o leitor perca o fio da meada. Assim, retomo “a torre do mosteiro” usado o NELA. É um anacoluto, figura de linguagem pouco comum em textos contemporâneos e na qual há uma desobediência gramatical. Usei-o como ferramenta de estranhamento. Mas não a surpresa pela surpresa, e sim algo que nos faça sair do lugar de conforto.

  28. Gustavo Aquino dos Reis
    9 de fevereiro de 2015

    O conto me agradou em certa maneira. Porém, embora admire descrições minuciosas, esse trabalho exagerou um pouco no tom prolixo da narrativa. Algumas frases foram muito bem colocadas. No entanto, outras tornaram a narração um pouco cansativa pelo excesso.

    No mais, um bom trabalho

  29. Andre Luiz
    8 de fevereiro de 2015

    Olá, caro Lázaro!

    A)Sua forma de narrar essencialmente lírica me contagiou, mesmo que tenha tornado a leitura mais lenta e cansativa. Além disso, traz uma perspetiva interessante sobre os fatos além de uma ótima técnica de descrição do conto como um todo.

    B)Seu único erro foi o excesso de adjetivos, infelizmente. Boa sorte e sucesso!

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      André Luiz, essa questão do adjetivo é complexa. Muita razão tem quem defende que no texto ficcional o elemento substantivo é mais relevante que sua qualificação, mas não creio que isso deva ser tomado como regra geral. Quando os adjetivos são redundantes, sequenciais e sem função estética nisso (lindo e bonito, por exemplo), entendo ser erro; quando, no entanto, funcionam como como gradação ou amostragem de aspectos distintos (abandonado, desconstruída e naufragada, por exemplo), aí entendo não haver erro, embora a leitura se torne densa. Mas esse aspecto, a densidade, como já disse aqui noutros comentários, é uma necessidade deste conto.

  30. Anorkinda Neide
    8 de fevereiro de 2015

    Pois! Um texto bem pesado e sujo.. hehehe
    Os caras embebidos no pecado da luxúria mais podre.. aff deu nojinho…kkk
    Pode ser um texto bem feito, mas em nada me agradou.
    Boa sorte ae!

  31. mariasantino1
    8 de fevereiro de 2015

    Cara! Que inveja da tua narrativa, dessa subjetividade toda que me fez pensar na forma ereta de uma torre… Puxa vida! Não vou conseguir comentar sem rasgar seda 😦
    Gostei do jogo de palavras com todas essas rimas acidentais e propositais, destaco: Todas! 😛 Gostei das várias construções frasais e imagens. O desejo pungente do frei que você pincelou tão bem como uma luta da consciência do que um dia ele achou correto e da corrupção desses próprios valores que faz o leitor quase tocar na dor sem ver. Li e reli esse conto e mesmo assim fico boquiaberta com as sensações que o texto é capaz de fazer. Venério? Que nome!
    O segundo melhor texto do certame (em minha opinião)
    Forte abraço!

  32. Mariana Gomes
    7 de fevereiro de 2015

    Interessante esse conto, uma boa escrita e muita subjetividade, entretanto, é fácil as palavras confundirem, mas a pegada religiosa não foi clichê(na minha humilde opinião). Gostei muito. Boa sorte no desafio!

  33. Thales Soares
    7 de fevereiro de 2015

    Sabe, quando leio um conto como esse eu fico meio chateado comigo mesmo. Fico me sentindo meio burro, pois tenho dificuldade de compreender tudo o que se passa quando a leitura é tão densa e pesada como a deste conto. Minha mente quer logo sair voando, partir pra ação… ela fica numa ansiedade aguda enquanto eu tento filtrar todas as palavras para poder entender o que está se passando na história. Não sei o que é esse bloqueio que eu tenho. E eu detesto ter que comentar contos como esse justamente por isso. Eu não quero desprezar uma obra feita por um autor absurdamente habilidoso só porque meu gosto não se encaixa com esse tipo de escrita. É fácil de notar que estou diante de arte pura, e que este escritor está num nível muito superior ao meu. Fico feliz em ver alguém assim, pois acho inspirador. Mas fico triste por ainda não estar num nível de leitura capaz de acompanhar tamanha grandiosidade.

    Enfim… o conto está com uma escrita impecável. Mas eu não gostei do estilo. Desculpa, eu tenho gostos meio incompreensíveis. Mesmo assim, reconheço o mérito da obra. Parabéns.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Thales, vivemos todos nós na pós-modernidade, período em que a ação e o espetáculo são sobrevalorizados, em detrimento da reflexão. Meus contos seguem a contramão disso. Daí sua estranheza. Eu não conto uma estória, do modo como estamos acostumados: eu caminho ao largo, personificando nos personagens os medos humanos.

  34. Luis F. T.
    6 de fevereiro de 2015

    Comentei anteriormente, mas só desse conto não consigo visualizar meu comentário. Por garantia, repito-me: o conto é bom, a idéia é original e foi bem executada. O único porém foi a escrita um tanto rebuscada e o fato de haver um excesso de contos sobre luxúria, o que acaba desgastando um pouco o tema.

  35. Brian Oliveira Lancaster
    6 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.

    Essência: atingiu o objetivo. Nota 10,00.

    Gosto: um estilo peculiar de escrita, bem diferente e com leves tons poéticos. Obriga o leitor a ler com atenção. Há uma troca um tanto brusca quando a narração passa aos diálogos, mas não chega a incomodar tanto. As imagens conseguem causar o estranhamento característico. Nota 6,00.

    Unidade: diferente, estiloso, quase uma prosa poética. Nota 10,00.

    Adequação: bem, não tenho muito que dizer. Nota 10,00.

    Média: 9,00.

  36. rubemcabral
    6 de fevereiro de 2015

    Que piração! Então, vamos lá: conto muito bem escrito, com ótimo world-building e uma dose cavalar de blasfêmia e surreal.

    A leitura me causou incômodo e vejo isso como um ponto positivo. Entender o mundo criado e suas regras – se é que elas existem – é um desafio ao qual eu não me propus, portanto o conto funcionou bastante bem comigo.

  37. Virginia Ossovski
    5 de fevereiro de 2015

    Gostei, achei poético. A abordagem da luxúria ficou legal, apesar de não ser totalmente original, me fez lembrar de muita coisa. Escrita muito boa, parabéns e sucesso no desafio !

  38. Pedro Coelho
    5 de fevereiro de 2015

    O texto é criativo e foge dos clichês comuns a um tema tão banal atualmente como luxuria e sexualidade. Porém é muito raso. O autor enrola, enrola e não sai do lugar. Outro problema foi que eu senti que o autor forçou uma sofisticação que resultou em um cultismo falso. Tive a impressão que ao escrever ele tinha um dicionário ao lado para tentar enfeitar o texto o máximo possível e soar mais inteligente. Deixando o texto muito confuso e chato de ler.As vezes menos é mais.Nos demais aspectos as personagens são bem construídas a medida do possível o enredo é abordado de forma e tema diferentes. Mas mesmo podendo ser o estilo do autor a complexificação do texto atrapalhou-o muito.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Pedro, se você está considerando o ato de narrar como uma representação mimética do real, aí sim, eu não saio do lugar. Até porque não existe um lugar “de fato”, no conto. No entanto, o texto literário demanda uma leitura além da camada externa. É preciso observar o simbólico, o psicológico, o filosófico. Nesse sentido, o conto caminha, e muito. Ele, sem sair da torre, põe em evidência algumas questões, como a hipocrisia, a sexualidade reprimida dos sacerdotes católicos, a manipulação dos fatos históricos, o diálogo entre o concreto e o abstrato.

      Consulto, sim, o dicionário, e sempre o faço. Aliás, alguém que pretenda escrever esteticamente precisa consultar o estoque de palavras de sua língua. Porém, não o faço para encontrar a “palavra rara” (o beletrismo é algo que condeno), e se há palavras em meu texto consideradas “estranhas”, não é em função de nenhum peneiramento vocabular. Repare que meu conto é uma arquitetura, não uma contação de estória. Assim, o sonoro e o imagético é para mim fundamental, o que me faz construir rimas internas, anacolutos, metáforas e outros recursos da linguagem escrita que exprimam a necessidade estética do texto (isso que você chama de “cultismo falso”). Não é uma exibição, um espetáculo, embora possa parecê-lo, conforme o leitor.

      • Pedro Coelho
        1 de março de 2015

        De fato há progressão, ainda que de forma diferente, relendo ficou mais claro. Quanto a isso fui equivocado em meu comentário. Mas eu não questiono o fato de alguém usar dicionário. Descrevi só uma impressão minha da existência de beletrismo. Se confere ou não, só quem pode responder é o autor. Só disse o que senti ao ler um rebuscamento excessivo. O texto é bom, mas na minha opinião a sofisticação deixou muito confuso.

  39. Pétrya Bischoff
    5 de fevereiro de 2015

    Poooooois bem! Eu não sei se entendi. Penso que não tenha captado tudo do todo. A escrita é rebuscada (ou pretende isso), em alguns momentos eu não sei (sinceramente) se estava tudo desconexo ou eu não tive capacidade de decifrar. De qualquer maneira, gostei de grande parte da escrita, como algo Dantesco. A narrativa sim pareceu-me confusa, e as descrições não foram tão convincentes. Há algumas passagens com muito potencial que, mesmo assim, não me atingiram, como, por exemplo, quando fala do odor das antimusicas…
    De maneira a impressionar, gostei bastante dos diálogos. 🙂
    Parabéns e boa sorte.

  40. Sonia Rodrigues
    5 de fevereiro de 2015

    Sermão da Sexagésima Vez (Lázaro Beleléu)

    Português bom.
    Frase interessante: “Em verdade, em verdade fustigo, é um tempo que não é.
    Pela frase inicial, parece ter havido um holocausto: “Apesar dos escombros, de a civilização ter desaparecido do Planeta, de alguns corpos mumificados pela temperatura e pelas teias das aranhas; apesar das dunas e das trepadeiras que vieram céleres desde Outro Lado, rastejando às pressas para se apossarem do novo território…”

    Trama – exagerada nos adjetivos e confusa.
    Deixar o leitor completar o texto é um recurso bastante utilizado nas distopias, porém, aqui, acho que não funcionou. Talvez o que aconteceu, se foi em nosso planeta ou em outro, não importe para o desenrolar do enredo, mas, se for assim, poderia muito bem colocar os dois frades no mundo normal mesmo. Vultos, anti música, parece um pesadelo. Frades mal resolvidos entre a castidade e o homossexualismo? Li, reli e fiquei perdida. Não entendi o texto.

    • Eduardo Selga
      24 de fevereiro de 2015

      Interessantes suas colocações. Quanto ao fato de ser confusa, o texto talvez seja se você considerar os protocolos da realidade empírica, ou seja, nosso mundo concreto. Como vivemos tempos que valorizam o efeito do real no texto, quando temos o insólito que tira quase completamente o chão do leitor (a referência da realidade), o texto soa confuso.

      Mas e se os parâmetros forem outros, que não os concretos? Observe que a descrição lembra um local fora de tempo, no fim há “pteranodontes de arribação” e a lama existente na torre não é verossímil, se considerarmos a realidade concreta. Logo, esteticamente, o conto se distancia do realismo. Portanto, pretender dele os mesmos códigos de causa-consequência do texto realístico é talvez improcedente.

      Observe como nos guiamos por ideias prontas: o fato de no início estar narrado um cenário de destruição (escombros, corpos mumificados, teias de aranha, dunas, trepadeiras…) não significa necessariamente holocausto. Esse cenário pode ter sido causado por fatores diversos (aqui considero “holocausto” como homicídio planejado de um grande número de pessoas). Mas, veja: os motivos não interessam, neste conto, porque nele a ação não importa. O relevante é o estado emocional dos protagonistas, que estão num “tempo que não é”. Não estamos falando, pois, de realismo.

      “Distopia” é um conceito bastante mal usado, fazendo da subversão do tempo histórico elemento único para defini-la. Mais que distópico, o conto se inclui no Fantástico Contemporâneo, até porque não se percebe claramente nele os tempos. Tudo é vaguidão no conto, e não há nenhuma importância em relação a quando ocorreu. Não é à toa que os lugares são identificados como Nada e Outro Lado. São nomenclaturas vagas para identificar espaços vazios de tempo.

      Falando sobre os adjetivos, vou repetir ipsis litteris, o que disse ao André: “Quando os adjetivos são redundantes, sequenciais e sem função estética nisso (lindo e bonito, por exemplo), entendo ser erro; quando, no entanto, funcionam como como gradação ou amostragem de aspectos distintos (abandonado, desconstruída e naufragada, por exemplo), aí entendo não haver erro, embora a leitura se torne densa”.

      Não se pode dizer que sejam “Frades mal resolvidos entre a castidade e o homossexualismo”. Apenas Mariano talvez apresente tal indecisão, e mesmo assim a depender do leitor. Venéreo não tem nenhuma dúvida.

  41. Tiago Volpato
    5 de fevereiro de 2015

    Nunca entendi essa história de celibato. Então, se Deus fez as pessoas para elas amarem, encontrarem umas as outras e terem filhos, não seria o celibato pecado? Eles pegam os sentimentos que Deus colocou nelas e tentam anular, dizer que são santos que só Deus basta e blábláblá, mas e a natureza do homem? Se o homem funciona assim, negar essas coisas não devia ser pecado?
    Pra mim religião nunca fez sentido…

  42. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    5 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Eletrizante e muito interessante. Gostaria de poder criar algo assim, insólito e ao mesmo tempo compreensível. Gostei de como a história se desenrolou como um papiro, exibindo a trama de uma forma diferente.
    Sobre o enredo.
    Tenso, assim como muitos outros do certame. Porém, acho que a luxúria em excesso acabou exercendo um aura negativa sobre mim. Queria poder ver outros pecados, e nesse texto há mais do que já foi postado. Sei que é um pouco desleal, mas a cabeça acaba caindo na mesmice. Apesar da narrativa muito interessante, a trama não me conquistou muito, apesar de incomodar em certos momentos. De uma boa forma, claro.

    Parabéns e boa sorte!

  43. Alan Machado de Almeida
    4 de fevereiro de 2015

    Invejo esse tom poético que alguns escritores aqui do site tem. Achei algumas partes difíceis de ler, mas acho que por deficiência minha do que do texto, que tá muito bom. Como já tinha revelado antes, esse está entre os que mais gostei.

  44. Fabio Baptista
    4 de fevereiro de 2015

    E dá-lhe luxúria!

    Olha, autor… não sei se tem algum significado oculto aí perdido nas entrelinhas, essa questão dos dois frades na torre, o “outro lado” e tal, mas o fato é que acabei me sentindo perdido em boa parte da história, meio sem saber direito o que se passava.

    A técnica empregada foi boa, mas o estilo de escrita (muito formal eu achei) não me atrai.

    Veredito: não gostei.

  45. Alan Machado de Almeida
    4 de fevereiro de 2015

    bom também. Acho que vou por no meu top-3

  46. Ricardo Gnecco Falco
    4 de fevereiro de 2015

    Não entendi. Eu confesso…
    😦

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 4 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .