EntreContos

Detox Literário.

O Sétimo Pecado (Wilson Barros Júnior)

– Vivifica, vivifica nossas almas, oh Senhor…

Há muito eu não ouvia o antigo hino galês, recriado em português pelo Reverendo Wright. O nome desta antiga canção, “Ebenézer”, significa “até aqui nos ajudou o Senhor”. Meu pai, de tradicional família evangélica, inspirou-se neste nome para colocar o meu próprio.

Hoje é domingo, posso ouvir o órgão da Igreja Presbiteriana de Cancaia. A letra, a melodia, me enchem de paz; apesar de tudo, ainda me considero um homem temente a Deus. Por favor, escutem o que tenho a dizer, e condenem-me, e talvez perdoem-me.

Quando éramos muito pequenos nossos pais decidiram que eu e Amanda nos casaríamos. Parece um anacronismo absurdo, mas eu e ela nos adorávamos. Brincávamos por horas intermináveis, compreendíamos, necessitávamo-nos. Nosso casamento, que nossos pais alardeavam para todos, parecia-me natural e inevitável, até o dia em que, aos quinze anos, eu descobri que era gay.

Eu passeava em minha bicicleta, quando meu olhar foi atraído para um garoto um pouco mais velho, de pela clara e lábios vermelhos como sarças de fogo. O rapaz me fitava e parou sua bicicleta. Também parei a minha; tive a impressão que meu coração também parava.

Jairo, este era seu nome, falou, finalmente, com um sorriso nos lábios cheios.

– Vamos ao açude? – ele parecia ciente do efeito que causava em mim.

Fomos. Lá, tiramos a roupa e entramos na água. Nadamos um pouco, enquanto eu ardia em desejos pecaminosos. Finalmente, encostamo-nos nas tábuas escondidas entre ramos, na margem do açude. Por alguns instantes deixamo-nos envolver na solenidade da tarde, profanada apenas pelo grito dos pássaros, penetrante, fecundo.

Então beijamo-nos, minhas pernas não conseguindo suster-me, mesmo com meu peso reduzido pela água.

Ainda encontramo-nos algumas vezes, até as férias terminarem e Jairo voltar para Cuiabá. Passamos a nos corresponder, furiosamente no início, depois raramente, até, como uma chuva fina, cessarmos.

Durante estes dias, eu via Amanda muito pouco, e ela ressentiu-se bastante disso. Meus pais notaram, e censuraram energicamente meu procedimento. Assim, voltei a encontrar-me com ela, com a frequência de sempre, para irmos à praia e ao Shopping Center Equatorial.

Em pouco tempo nosso relacionamento voltou ao “normal”. Frequentemente, agora, eu dava um jeito de ficar com algum rapaz, mas o fazia com extremas precauções, e cumulava Amanda com todo tipo de atenções, para que ela de nada desconfiasse. Nisto obtive bastante sucesso, e creio que nem meus pais nem Amanda suspeitavam de minha sexualidade.

O tempo passou e ficamos noivos. Então casamo-nos e tivemos um filho.

Nos primeiros anos de casado, entreguei-me a mais paixões que na adolescência. Eram relacionamentos incompletos, que me deixavam insaciado, a mercê de desejos vorazes. Descer de um paraíso amoroso e voltar para um lar absurdo desgasta a felicidade com que acabamos de nos alimentar. É como apagar mil sóis. Minha gula era um típico caso de má nutrição.

E por mais que eu tentasse disfarçar, Amanda, agora começou a notar minhas ausências, minhas conversas evasivas, meu ar. Não demorou muito tempo para que ela descobrisse tudo – da pior maneira possível. Foi duplamente doloroso para ela, a traição e o motivo. Além do mais… Não gosto de me lembrar, mas o homossexualismo masculino é preconceituosamente associado a doenças como AIDS e Sífilis.

– Ebenézer – Amanda chorava, devastada pela dor -, como pôde fazer isso comigo?

No fundo é interessante que a reação do meu pai – Amanda, diferentemente de mim, achou que minha família deveria saber – tenha sido também, como Amanda, achar que o fato de eu ser gay era direcionado contra ele. Possesso, ele perguntava se eu não havia pensado nele, em tudo que fizera por mim.

Claro, eu sabia que os dois tinham sido severamente atingidos em sua vaidade, de pai e de mulher. E notava também, no ódio que agora me dirigiam, um estranho componente social, como que de casta. Pessoas como Amanda e meu pai facilmente rotulam aqueles que não aprovam como párias.

Por outro lado, meu pai era um ilustre comerciante em Cancaia. Em uma cidade pequena, as pessoas fingem admirar os ricos com a mesma intensidade com que os invejam e odeiam. Odeiam, claro, porque sua riqueza, acumulada e inútil, consome os recursos que bastariam para todos. Mas também os invejam, e logo os pobres substituem os ricos, repetindo a avareza, perpetuando a miséria.

Deste modo, a cidade recebeu alegremente os rumores da minha torpeza. Todos se sentiram especialmente deleitados quando meu pai decidiu, a fim de curar-me, internar-me na Clínica Redentora da Suprema Unção, para onde fui levado em um sombrio domingo.

A Clínica Redentora era habitada principalmente por toxicômanos, mas também por psicopatas além de qualquer recuperação. Ia além do nome e ultrapassava um simples purgatório, constituindo um inferno em toda a sua extensão. Lá, conheci os abismos invocados pela humanidade. Como no famoso conto, sentia-me cercado por paredes ardentes, que semelhante a pecados mortíferos, empurravam-me cada vez mais em direção ao fundo do poço.

Passou-se um ano.

Há duas semanas declararam-me curado e recebi alta. Por generosidade do meu pai, moro agora neste pequeno apartamento, no décimo andar de um prédio de sua propriedade, próximo à Igreja Presbiteriana, que ainda não tive oportunidade de revisitar.

Hoje, enquanto soam as notas da canção de “Ebenézer”, sinto apoderar-se de mim um torpor, uma recusa em lutar, em seguir em frente. E esta fraqueza, ao mesmo tempo minha força e minha coragem, é que me impele a atirar-me pela janela.

Enquanto não chego ao chão, admiro-me de finalmente sentir-me em paz. É como se as discussões que tive com meu pai e Amanda não passassem de uma piada, da qual eu deveria ter rido bastante, e eles também. Vou caindo, e enquanto meu corpo se contorce no ar, penso na insignificância do que vivi, comparada com a imensa paisagem que desliza velozmente ao meu redor.

Aqui termino este relato, antes do momento em que me espatifarei no solo. Sei que deve haver outro lugar. Mas chegarei lá?

45 comentários em “O Sétimo Pecado (Wilson Barros Júnior)

  1. Sidney Muniz
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Sidney Muniz

    Gostei um pouco!

    O conto vinha bem, mas o final não deu certo, ele caindo e dizendo isso tudo, sei lá, não gostei.

    A narrativa não é ruim, mas carece ser lapidada, bem como a alternância de vocabulário que em certos momentos causou uma desconexão do “eu leitor” com o conto.

    Trama (1-10)=7
    Narrativa (1-10)=7,5
    Personagens (1-10)=7
    Técnica (1-10)=7
    Inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=4
    Título (1-5)=5

    Parabéns e boa sorte!

  2. Jowilton Amaral da Costa
    22 de fevereiro de 2015
    Avatar de Jowilton Amaral da Costa

    Bem, eu não gostei. Achei a história insossa e um tanto clichê. O drama do personagem não me convenceu, acho que deveria ser narrado de outra forma, de uma forma mais natural, sem tentar “panfletar” o conto. Boa sorte.

  3. Edivana
    22 de fevereiro de 2015
    Avatar de Edivana

    Realmente achei incrível esse conto. Pois é uma crítica bem elaborada (assim espero), do preconceito, nesse caso religioso, contra a homoafetividade. Não me passa despercebido a nossa atual situação política nesse assunto e o quanto me sinto envergonhada por ela. Parabéns pelo enredo, é bom ler contos assim.

  4. Alexandre Leite
    21 de fevereiro de 2015
    Avatar de Alexandre Leite

    Dramático e bem escrito, ficamos amarrados à angústia do personagem.

  5. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Leo Jardim

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) gostei do encaixe dos pecados, da forma como foi tratada e coube no espaço.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, ajudou muito da imersão.

    ➵ Tema: (2/2) luxúria, vaidade, ódio… (✓)

    ☀ Criatividade: (1/3) histórias que existem por aí.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) não sofri pelo protagonista, nem senti sua depressão. Não fui cúmplice do seu sofrimento.

    Problemas encontrados:
    ● Em pouco tempo nosso relacionamento voltou ao “normal”. (vírgula)
    ● No fundo é interessante que a reação do meu pai (vírgula)

  6. Lucas Almeida
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Lucas Almeida

    Eu não gostei muito do texto pois já conhecia este tipo de história, o que para mim soou como repetição. Faltou inovação e um pouco mais da presença do pecado nele, na minha opinião pessoal, é claro, não me crucifique.
    Outra coisa, quero chamar a atenção para a parte em que você escreveu
    “(…)homossexualismo masculino é preconceituosamente associado a doenças como AIDS e Sífilis.” – palavras com o sufixo “-ismo” já trazem o sentido de doença, então a frase que colocou não cabe pois essa “doença” não existe. Então o melhor mesmo era você ter colocado “homossexualidade” e depois dizer que errônea e preconceituosamente usam a palavra homossexualismo.
    De qualquer forma, boa sorte.

  7. Pedro Luna
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pedro Luna

    Não gostei do conto. :/ até senti a escrita sincera do autor, e gostei dela. Mas a trama não me agradou. Achei um relato direto e frio, sem ganchos. O drama do rapaz homossexual se parece tanto com outros mil casos que já conhecemos. É um texto com qualidade, mas não com os elementos que me fariam elencá-lo entre os favoritos.

  8. Leandro B.
    19 de fevereiro de 2015
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Ebenézer.
    Achei bem escrito. Bacana direcionar os pecador para além do personagem principal. Contudo, achei o comentário sobre a gula um pouco deslocado, como se jogado ali apenas para somar a lista. Acho que ficaria melhor sem.

    Gostei da história e achei o final muito bom, exceto pelo uso do verbo “espatifar”, pode parecer besteira, mas acho que não combinou muito com o tom utilizado no restante do conto.

    Algumas vírgulas me pareceram estranhas. Talvez seja bom dar uma verificada.

    De resto, até então está entre os meus favoritos.

    Bom trabalho e boa sorte!

  9. alexandre cthulhu
    19 de fevereiro de 2015
    Avatar de alexandre cthulhu

    pontos fortes:
    Um conto cheio de emoção e sentimentos trágicos. Toda a narrativa é excelente e apetece ler mais e mais
    parabéns
    Pontos a melhorar:
    algumas frases melhor construídas: “Passou-se um ano.
    Há duas semanas declararam-me curado e recebi alta” se ler em voz alta, verá que não soa bem.
    mas isso não manchou o seu conto.
    Continue!

  10. Swylmar Ferreira
    19 de fevereiro de 2015
    Avatar de Swylmar Ferreira

    A vantagem de ler contos curtos é a questão gramatical, em geral tem poucos erros, inclusive de concordância. Este texto está muito bem escrito, o enredo, o personagem central, o uso de primeira pessoa. A questão foi a narrativa que começou bem e terminou de modo abrupto trazendo a conclusão óbvia.

  11. Rodrigues
    18 de fevereiro de 2015
    Avatar de Rodrigues

    Achei a história fraca e a técnica também não ajuda. O conto está muito mecânico, explicativo demais é não há boas descrições de cenários. Há algumas passagens onde a narrativa se sobressai, a naturalidade de alguns trechos é impressionante e o motivo do suicídio convence, o pária, o rebelde, comparado a doentes pela simples opção sexual, foi uma comparação cabível e, no ambiente claustrofóbico em que o personagem encontra-se no final, a morte seria mesmo a única saída. Achei mediano.

  12. Bia Machado
    18 de fevereiro de 2015
    Avatar de Bia Machado

    Um texto que não me cativou, sinto muito autor. Acho que alguns trechos precisam ser pensados, principalmente a ideia de que parte do conto está sendo narrado enquanto seu corpo cai… Outra coisa, o narrador se refere a homossexualismo, quando na verdade o termo correto é homossexualidade, a não ser que o próprio personagem acredite que tem uma doença, isso não ficou muito claro pra mim. Acho que falar resumidamente da vida da personagem em até 1000 palavras deu um ritmo muito corrido. Se quisesse mesmo seguir com a ideia, talvez fosse melhor começar já mostrando que o cara quer se jogar e ele relembrar algumas coisas, as que se destacaram, para que tomasse aquela decisão.

  13. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    17 de fevereiro de 2015
    Avatar de Carlos Henrique Fernandes Gomes

    Muito bom conto, senhor Ebenézer. Tocou num assunto que poucos ousam fazer. Carregou o leitor na palma da mão até o fundo do poço sem dar chance a ele de recusar, por causa da excelência da narrativa. Só chamarei a atenção para o antipenúltimo e penúltimo parágrafos onde achei coisas que me soaram incoerentes: “E esta fraqueza, ao mesmo tempo minha força e minha coragem…” causou estranheza e poderia fazer menção não a força e coragem, mas a vontade de… e “Vou caindo, e enquanto meu corpo se contorce no ar, penso na insignificância do que vivi…” também ficou estranho por causa do corpo se contorcendo. Esses dois parágrafos são o motivo do conto, por isso essas duas coisas me chamaram a atenção e tiraram um pouquinho da credibilidade dele; só um pouquinho que nem dá para perceber. É difícil tratar com a profundidade merecida as coisas em poucas palavras e você foi muito bem! Pecou direitinho.

  14. Maurem Kayna (@mauremk)
    17 de fevereiro de 2015
    Avatar de Maurem Kayna (@mauremk)

    Essa história poderia ter funcionado muito bem se o ritmo da narrativa se associasse, de algum modo, ao da queda. Mas da forma como foi montada, parece que o final foi pensado de sopetão

  15. Pedro Coelho
    15 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pedro Coelho

    Boa estoria, gostei da maneira com que o narrador vai ficando cada vez mais melancólico conforme vai chegando ao final. Trata de questões interessantes como existência, condição humana, desejos reprimidos. Apenas não senti luxuria no Ebenézer, e senti que o autor tentou forçar isso. Tem uma passagem que o narrador também tenta encaixar avareza, mas também ficou muito raso e forçado.

  16. Rodrigo Forte
    15 de fevereiro de 2015
    Avatar de Rodrigo Forte

    Gostei muito! O texto me prendeu desde o início e o final deixou um gosto amargo na boca. Só achei que a relação com a esposa poderia ser um pouquinho mais explorada, mas isso não tira muitos pontos do texto.

  17. rsollberg
    12 de fevereiro de 2015
    Avatar de rsollberg

    É um conto muito bem escrito e bastante triste. Li com bastante calma e não encontrei qualquer deslize (não que eu tenha capacidade para isso ou que isso seja uma real preocupação pra mim, rs).

    Percebo que o Autor tentou “tocar” em todos os pecados e acho que isso pode ter prejudicado a trama central. Apesar da estória estar bem delineada – com inicio, meio e fim – não consegui embarcar 100% na narrativa.

    Gostei muito deste trecho: “Descer de um paraíso amoroso e voltar para um lar absurdo desgasta a felicidade com que acabamos de nos alimentar. É como apagar mil sóis. Minha gula era um típico caso de má nutrição.”

    O desfecho atendeu bem a proposta e deu um tom melancólico e oportuno ao texto. No final das contas, é uma história que gera reflexão e isso é sempre um ponto a favor.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Thata Pereira
    11 de fevereiro de 2015
    Avatar de Thata Pereira

    Acho que o tema “homossexualidade” sobressaiu o tema principal. O sétimo pecado foi pouco explorado e isso me incomodou, principalmente pelo fato de nomear o título. Li esperando um tema e, apesar de ter aparecido, parece ser apenas uma citação no meio de outro fator que se destacou.

    Boa sorte!

  19. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo Araujo

    Conto bem escrito, com um certo ar de melancolia. Bacana a ideia de falar de amor dessa forma. O homossexualismo é ainda uma barreira na literatura e mesmo aqui no EC são raros os textos sobre o tema. Dito isto posso apontar que a história é muito maior do que o limite permite. Não há tempo para que o protagonista conquiste o leitor. De sua infância até o ato de suicídio muita coisa acontece — é como um filme tocado com o quíntuplo de velocidade. Se posso fazer uma sugestão é que o autor transforme esta história em algo maior, que aprofunde os dramas do narrador, de modo que não seja necessário alongar-se na descrição do salto para a morte.

  20. williansmarc
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de williansmarc

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 6
    Ortografia/Revisão: 8
    Técnica: 7
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Não me conquistou. Achei a trama um pouco previsível, apesar da temática homossexual do conto ser pouco usual. A sequencia infância-pecado-suicídio está sendo usada em diversos contos também. Algumas virgulas foram usadas de forma estranha e deixou o texto um pouco truncado.

    Boa sorte no desafio.

  21. Gustavo de Andrade
    8 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo de Andrade

    Método Tintim por Tintim:
    “e talvez perdoem-me.” –> se eu lhe condeno, acho difícil perdoar, uma vez que o perdão é o reconhecimento do arrependimento e a consequente desnecessidade de punição/condenação.
    “eu descobri que era gay.” –> a narração da atração por outro garoto suplanta a necessidade da constatação de que se descobriu a homossexualidade, algo que merece atenção em qualquer texto e principalmente em contos curtos.
    Tenho ambivalência quanto ao modo como a relação com Amanda e a família foi apresentada: embora seja bom entrar na história já acontecendo, me pareceu faltar envolvimento e honestidade nos tratamentos.
    Quanto à sexualidade: se ele teve filhos com Amanda, transaram (muito provavelmente). Seria interessante a narração das sensações dele no sexo com Amanda, para ou exibir a bissexualidade e a confusão (talvez não dê pra desenvolver isso num conto desse tamanho) ou demonstrar a repugnância ao sexo feminino, talvez falando em como ele pensava em outros rapazes para se excitar e não levantar as suspeitas de Amanda.
    “Não demorou muito tempo para que ela descobrisse tudo – da pior maneira possível” — aí fica explícita a incompletude do conto, onde há lacunas onde não deveria haver (mostrar ela descobrindo de fato) e não há o estímulo de pensá-las onde deveriam ser estimuladas (como é de fato a sexualidade dele?; qual a honestidade dos sentimentos de Amanda? etc). E outra: “da pior maneira possível” é vago demais, só adiciona palavras que não detêm significado real. Ficamos nos perguntando qual é a “pior maneira possível”, mas de forma muito subjetiva e desfocada.
    Citar de repente a vaidade e o ódio pareceu mais um artifício para se adequar ao tema do desafio do que uma narração de fato.
    Ficamos ressentidos com Ebenézer: o cara se esforça muito pra ser infeliz! Nunca sai da caixinha, um personagem reacionário demais (i.e. atua na maior parte das vezes em contextos de reação).
    Quanto à pergunta no final, tive o mesmo problema que com o conto da Barata (o seu tá melhor, relaxa): é algo que tenta invocar uma emoção, mas como conclusão de um conto onde não houve atrelamento suficiente com as personagens, não pareceu uma procissão coerente de fatos.

  22. mariasantino1
    8 de fevereiro de 2015
    Avatar de mariasantino1

    Olá!
    Eu gostei bastante do conto, de como você construiu o seu personagem dando vida a ele ao ponto de eu me importar. Tem muitas construções frasais bacanas, mas temo que não tenha conhecimento suficiente para captar as referencias 😦 O Reverendo James Wright eu já sabia quem era, mas o conto famoso que foi citado —>>> Lá, conheci os abismos invocados pela humanidade. Como no famoso conto, sentia-me cercado por paredes ardentes, que semelhante a pecados mortíferos, empurravam-me cada vez mais em direção ao fundo do poço. — Eu não peguei. Até vim na net catar alguma referencia, na ânsia de me deparar com algo mais instigante, e encontrei algumas coisas — “Um abismo invoca outro abismo, e isso indica a necessidade de conservar intactos os princípios eternos, tutelares das sociedades, sem os quais o mundo se converteria num caos.— JAIME BALMES” Legal, né? Mas queria mesmo ler o conto que você referiu.
    Gostei demais da sua narrativa e da sua preocupação não só em contar os fatos, mas também de criar, construir a trama (isso é encantador pra mim).
    Posso dar um pitaquinho? Achei que essa entrega logo de cara de que o cara era gay muito corrida. —>>> parecia-me natural e inevitável, até o dia em que, aos quinze anos, eu descobri que era gay. — Trocaria para: parecia-me natural e inevitável, até o dia em que, aos quinze anos TIVE UMA EXPERIENCIA HOMOSSEXUAL, ALGO QUE DESENCADEOU A MINHA QUEDA (daí até casaria com a queda em si e daria suspense.) Também acharia bacana que ele ficasse confuso quanto a opção sexual afirmando que só se sentia completo com as experiencias por fora, mas sinto que poderia esbarrar nas malditas 1000 palavras.

    Parabéns pelo conto, boa sorte e um abraço.

  23. Anorkinda Neide
    8 de fevereiro de 2015
    Avatar de Anorkinda Neide

    Um conto gay, já bastante batido…gostaria de ver alguma inovação, além da vida dupla e do suicídio….:(
    Mas o texto está certinho, só acho q faltou imaginação.. desculpe, autor(a)..
    Novamente vou dizer que este texto cabe em várias temáticas além de ‘pecado capital’.
    Boa sorte ae!

  24. Luan do Nascimento Corrêa
    7 de fevereiro de 2015
    Avatar de Luan do Nascimento Corrêa

    Conto de uma intensidade grande, mas que é em parte aliviada pela escolha de não se apresentar muito profundo e com uma escrita mais pesada – é tensa, em sua última parte, mas não muito profunda. Ao fim, resta um sentimento intenso, mas não tanto quanto poderia ser com uma escrita diferente, e isso de certa forma é bom. Sem dúvidas foi bem escrito e bem elaborado. Parabéns!

  25. Cácia Leal
    7 de fevereiro de 2015
    Avatar de Cácia Leal

    Muito bom, gostei bastante. Embora discorde do fim que Ebenézer teve, com os tratamentos, a internação, que o levou ao suicídio, o texto retrata bem o que se passa em alguns lares quando o assunto envolve homossexualidade. Muito bem escrito, bem trabalhado e de fácil leitura. Parabéns ao autor.

  26. Andre Luiz
    6 de fevereiro de 2015
    Avatar de Andre Luiz

    Olá, Ebenézer!

    A)Primeiramente, seu título é convidativo e sua introdução é intensa, com uso da primeira pessoa de forma brilhante. A história toma um rumo totalmente inusitado quando o narrador se descobre gay, o que anula as perspectivas de um casamento pleno heterossexual, então esconder a real sexualidade é uma problemática muito bem tratada no conto, com respeito acima de tudo. Além disso, adorei as comparações com o sistema de castas, muito bem-vindas.

    B)O único erro que achei foi de ortografia, em “pela clara”, no que deveria ser “pele clara”. Parabéns e sucesso no concurso!

  27. Luis F. T.
    6 de fevereiro de 2015
    Avatar de Luis F. T.

    Nossa! Conto marcante, profundo e trágico, especialmente por refletir situações reais. Texto bem escrito. Está de parabéns!

  28. Thales Soares
    6 de fevereiro de 2015
    Avatar de Thales Soares

    Não sou uma pessoa adequada para avaliar este conto. Não sou homofóbico, porém, esse tipo de história em nada me chama a atenção. Da mesma forma que eu fico broxado quando olho para um homem, eu fiquei ao ler este conto. Nas cenas românticas com o Jairo (eu tinha um amigo gay com esse nome) eu tive que imaginar uma mulher ali no meio, peladinha, toda gostosinha… não que eu ache isso mais adequado… mas foi só para sentir o sentimento a que texto estava me propondo naquele momento. Foi até interessante saber como funciona alguns mistérios do mundo gay. Eu não sabia com quantos anos eles se descobriam, por que eles se casavam com mulheres ou por que se escondiam no armário.

    Mas devo admitir que a escrita está fenomenal! Foi isso que me guiou até o final da história, mesmo sendo sobre algo que eu acho sem graça. Parabéns ao autor ou autora. Você é monstruosamente habilidoso(a) na arte de escrever! Tenho certeza que muitas pessoas irão adorar a história e que o conto será bem votado no final. Eu não gostei unicamente por gostos pessoais, mas a qualidade está excelente! Parabéns.

  29. Gilson Raimundo
    6 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gilson Raimundo

    Um conto que mostrar qual o caminho leva a repressão, direto pra baixo, principalmente quando se esta no décimo quinto andar. Fica um alerta, não adianta forçar uma mudança nas pessoas, ela acontece e cada um segue seu destino. Muito habilmente o autor trabalha entre sexo, religião e aceitação social.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    6 de fevereiro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    Meu sistema: EGUA.

    Essência: interessante o formato utilizado, como um relato. Acaba passeando por quase todos os tipos, de forma suave. Nota – 9,00.

    Gosto: apreciei o estilo da escrita e da construção do personagem, com a coragem de abordar um tema bastante complicado. O meio com suas nuances e o final foram as melhores partes. Nota – 8,00.

    Unidade: nada chegou a me incomodar. Nota – 10,00.

    Adequação: uma quase montanha-russa de tipos estampados ao redor. Nota – 10,00.

    Média: 9,3.

  31. Mariana Gomes
    5 de fevereiro de 2015
    Avatar de Mariana G

    A historia é bem simples em sua totalidade, talvez não tenha tido a profundidade merecida por causa do limite de palavras, profundidade que fez muita falta, pois os acontecimentos parecem muito soltos. Boa sorte e tchau!

  32. rubemcabral
    5 de fevereiro de 2015
    Avatar de rubemcabral

    Bom conto: bem escrito, com um personagem bem desenhado dentro do espaço restrito do desafio. A história é um pouco previsível, mas a narração é agradável e, como disse, o protagonista é convicente. Situações como a dele devem ainda ocorrer, em especial em cidades pequenas e conservadoras.

  33. Tiago Volpato
    5 de fevereiro de 2015
    Avatar de Tiago Volpato

    Esse é o pai do ano. Muito sagaz do parte dele colocar uma pessoa recém saído da rehab num apartamento no décimo andar. Pena que nosso amado e poderoso J.C. não dê um pouquinho de miolos para seus seguidores!

  34. Alan Machado de Almeida
    5 de fevereiro de 2015
    Avatar de Alan Machado de Almeida

    Ótima história com um herói homossexual. Que não precisou nem dizer que se passava no passado para que o leitor se fazer entender (ao menos é o que parece estou certo?) O final é triste, mas acho que não teria como ser outro.

  35. Virginia Ossovski
    4 de fevereiro de 2015
    Avatar de Virginia Ossovski

    Gostei bastante da história e da forma como foi escrita. Várias frases ficaram muito boas ! “É como apagar mil sóis”, para mim foi a que deixou mais claro os sentimentos que foram levando Ebenézer até seu final trágico. Sucesso no desafio !

  36. Ricardo Gnecco Falco
    4 de fevereiro de 2015
    Avatar de Ricardo Gnecco Falco

    Abordagem interessante para o tema. Precisa de uma correçãozinha verbal aqui e ali, mas nada que um atirar-se mais profundo na revisão não resolva facilmente.
    Só achei um pouco forçado o nomear de alguns pecados, como se o autor/autora temesse a não adequação de sua criação ao tema proposto, por parte de algum leitor mais cri-cri, ou invejoso… 🙂
    Mas foi uma boa leitura.
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

  37. Lucas Rezende
    4 de fevereiro de 2015
    Avatar de Lucas Rezende

    Olá, autor(a).
    O conto prossegue sem problemas, não identifiquei nenhum erro que atrapalhasse na leitura.
    A história traz um tema interessante ao certame, a tentativa de cura do personagem ficou bastante chocante, frente a ignorância e preconceito do pai desapontado.
    Vi em passagens algumas menções a outros pecados, o que achei bastante válido.
    (Por favor, contos sobre outros pecados! rs 🙂 )
    Bom conto.
    Boa sorte!!!
    May the force be with us…

  38. Eduardo Selga
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Eduardo Selga

    Ao contrário do que normalmente encontramos em textos ficcionais que retratam suicídio, não há nas palavras do personagem-narrador nenhum sinal de morbidez emocional ou desequilíbrio psíquico, tão somente uma leve tristeza, e isso indica muito fortemente a premeditação do ato. A frieza do personagem-narrador perante sua tragédia particular é sem dúvida o grande trunfo do conto, e pode mesmo —felizmente— chegar a incomodar certo tipo de leitor.

    Há uma questão bem curiosa posta em cena. O personagem narra o histórico de sua vida, atira-se janela abaixo, continua sua narrativa e diz, ao fim, que “Aqui termino este relato”. Não me parece que, até lançar-se pela janela, ele estivesse escrevendo o relato, como é comum em suicidas fictícios ou reais, do mesmo modo que evidentemente não o estava fazendo durante a queda. Então ele estava narrando oralmente? Sim, mas para quem? É aqui que entra o ponto interessante: parece-me que ele estava narrando de si para si, em pensamento ou até mesmo monologando. Ora, monólogos extensos não são nada fáceis de serem sustentados sem perda de qualidade textual, e este conto consegue manter a exposição de emoções do personagem sem fraturas, o que me parece uma tarefa difícil porque não há aquelas emoções extremadas que facilitam a construção textual por ensejarem sempre geram muitas passagens “carregadas” e até mesmo melodramáticas. A tonalidade pastel que predomina em todo o conto é um fator que em tese dificultaria a construção de um texto que se sustente, mas o(a) autor(a) consegue dar conta do recado.

    Outro dado importante é a naturalidade narrativa. Digo isso porque em alguns contos que exploram uma ambientação ou um comportamento “condenáveis” é comum percebermos que a narrativa exige termos “chulos” e o autor não o faz por receio ou por alguma trava moralista. Em casos assim, o texto fica Frankestein, algo como um mendigo vestindo black-tie. Neste conto, o narrador se expõe com tanta naturalidade, sem impingir-se culpa ou coisa assim, que a linguagem chula não caberia (como de fato não foi usada). Sua identidade de gênero está tão bem resolvida que uma linguagem agressiva não encontra lugar. Portanto, não é que a falta de uso do palavrão, estereotipadamente ligado aos universos periféricos (homossexuais, marginais, etc.) tenha sido medo ou moralismo do(a) autor(a): não há espaço. O palavrão, comum em instantes de contrariedade emocional, também não surge aqui porque o personagem-narrador está muito bem consigo próprio. A recusa em continuar a lutar é uma decisão sólida, límpida, não fruto de abalos emocionais.

    Gramaticalidades

    Um “[…] e talvez perdoem-me” o correto teria sido ME PERDOEM, porque os advérbios de dúvida, como TALVEZ, chama para si o pronome oblíquo ME.

  39. Gustavo Aquino dos Reis
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo Aquino dos Reis

    Conto muito bom. Embora a história seja clichê em seu argumento (rapaz homossexual que, desprovido de perspectiva, se suicida). Há um ou outro errinho ortográfico, que não tolheu o conto.

    Parabéns

  40. Claudia Roberta Angst
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    Pobre homem atormentado. O relato de seu sofrimento em primeira pessoa funcionou bem. Lembrou-me de leve de um personagem de Sessão de Terapia, vivido por um rapaz lindo, lindo, lindo de enormes olhos castanhos. Fiquei com ele na cabeça enquanto lia o conto. Não encontre erros que mereçam ser mencionados, o autor soube conduzir a narrativa muito bem. O final trágico dá um tom melodramático e não chega a surpreender, mas emociona. Bom trabalho.

  41. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Jefferson Lemos (@JeeffLemos)

    Sobre a técnica.
    Magnífica! Narra com propriedade, sabe onde e quando contar e mostrar.

    Sobre o enredo.
    Muito bom! Ilustra muito bem a sociedade de hoje em dia, que mesmo mudando aos poucos, ainda é preconceituosa em sua maioria. Entretanto, devo dizer que concordo com algumas coisas citadas por Amanda, mas isso não vem ao caso. haha
    Ficou muito bom, e muito verossímil.

    Parabéns e boa sorte!

  42. Pétrya Bischoff
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pétrya Bischoff

    Gostei da abordagem que o autor utilizou, aqui não sinto o pecado da luxúria, mas sim o “grande atentado à moral e bons costumes”, o homossexualismo. Tratado, também, como enfermidade. Gostaria que a mulher dele (amiga íntima que o era) tivesse percebido, descoberto, entendido antes e, pq não, apoiado. Mas essa não é uma realidade. A narrativa é um misto de íntima e distante, ao passo que ele abre os sentimentos já com desdém da própria vida. A escrita não apresenta surpresas, e penso que nem precisaria disso. De maneira geral, gostei. Parabéns e boa sorte.

  43. Sonia Rodrigues
    3 de fevereiro de 2015
    Avatar de Sonia Rodrigues

    Gramática:
    Ainda encontramo-nos algumas vezes. / correto: Ainda nos encontramos algumas vezes.
    ambiguidade: … facilmente rotulam os que não aprovam como párias. /. melhor inverter: facilmente rotulam como párias aqueles que não aprovam. (ou ficará parecendo que párias está relacionado ao verbo aprovar e não ao verbo rotular. Um exemplo: ela rotula de bobo aqueles que não aprova como marido.)

    Alguns trechos pouco elaborados soam infantis: pessoas como Amanda e meu pai facilmente rotulam os que não aprovam…/ …achar que eu ser gay era direcionado contra ele. / o homossexualismo masculino é preconceituosamente associado a doenças como aids e sífilis. (obs: errado. A promiscuidade é que é associada a doenças./ obs2: a meu ver a frase é desnecessária para o contexto do conto)
    Trama – fraca.
    Seria interessante focar no tal “tratamento”. Do que se tratava? Aprofundar neste aspecto, do tratar o que não é doença, ou como drama ou com humor, daria força ao enredo.
    Outra idéia seria focar no aspecto religioso, já que este fator determinou o nome do personagem, que a ele se refere duas vezes no início e no final do conto – trabalhar esta ambiguidade ser fiel a si mesmo versus agradar a família também aprofundaria o tema e o tornaria mais humano, pois a maior parte das pessoas em algum momento se depara com esta escolha de fazer o que quer ou fazer o que lhe pedem aqueles a quem ela ama.
    Lembro-me de ter lido um belo conto, situado no século XIX, em que uma jovem casa-se com um homossexual justamente por ser seu amigo – ela o livra das pressões da sociedade ao mesmo tempo em que garante para si mesma a liberdade de estudar e seguir uma carreira pela qual sente forte vocação, pois que não sente interesse em sexo. Este duplo segredo do casal de amigos introduziu um diferencial neste conto.
    O relacionamento entre pai e filho / personagem e noiva poderia ter sido melhor explorado. Como uma moça não percebe que o homem é gay? Em que século se passa essa história? Se for nos dias atuais, não convence, pois, mesmo sendo ambientada no centro do país, que nem é tão atrasado assim, essa persistência do personagem em trilhar os rumos traçados pelos pais soa estranha. Ele poderia ter mudado de cidade, desmanchado o namoro com sinceridade, explicando que era só amizade, e ir ser feliz em outro lado. A mim parece que a dificuldade de se assumir está mais nele que nos demais. O que o amarra? Insegurança? Comodismo? Senso do dever? Este aspecto poderia ter sido mais trabalhado.

    A morte sempre me parece uma saída fácil demais. Até Eça de Queiroz em seu Primo Basílio caiu em pecado. Não sabe o que fazer com o personagem problema? Mata ele! Gênio foi Tolstoi, que, diante de sua adúltera Ana Karênina, a deixou bem vivinha para causar grande constrangimento ao marido e a toda sociedade moscovita, bagunçar a vida de outro conde e virar um clássico. Enfim, mortes ajeitadas e suicidas me fazem torcer o nariz.
    O final está pobre. “antes do momento em que me espatifarei”? Francamente. Desculpe, autor, mas seu texto me remete direto para a história infantil do sapo e do urubu, e ouço até a trilha sonora do disquinho de vinil “afasta-te, pedra, senão eu me esborracho”. Enfim, se o camarada pulou, claro que vai se espatifar e a pergunta que todos se fazem diante da morte é justamente se existe algo e se vai chegar lá. Eu estou aqui imaginando o desespero do gay se, ao chegar do outro lado, encontrasse o paraíso muçulmano, cheio de virgens….tendo vontade de voltar rapidinho para esta vida.

    O seu começo foi instigante: o antigo hino galês. Acontece que poderia ter sido o hino da China! O conto prossegue e este hino galês só serviu para dar nome ao personagem? Já que começou com ele, poderia ter usado mais, porque o pai escolheu esse hino e não outro. O autor poderia ter fechado o conto com outra referência tão interessante quanto a do começo.

  44. Alan Machado de Almeida
    2 de fevereiro de 2015
    Avatar de Alan Machado de Almeida

    Leitura gótica, geralmente gosto desse estilo.

  45. Fabio Baptista
    2 de fevereiro de 2015
    Avatar de Fabio Baptista

    Olá, autor

    Sua escrita oscila entre bons trechos e metáforas (como a do grito penetrante dos pássaros e “furiosamente no início, depois raramente, até, como uma chuva fina, cessarmos”) e outros pedaços um pouco confusos, tipo:
    “No fundo é interessante que a reação do meu pai – Amanda, diferentemente de mim, achou que minha família deveria saber – tenha sido também, como Amanda, achar que o fato de eu ser gay era direcionado contra ele.”

    Já não é o primeiro (e creio que não será o último) conto a abordar todos os pecados. Dado o espaço diminuto para o desenvolvimento algumas coisas ficam meio forçadas, colocadas só de relance apenas para constar.

    Também me incomodou o tom panfletário da narrativa. Sei lá, tipo: o cara estava prestes a se matar e parecia que estava lendo um discurso do Jean Wyllys…

    Veredito: não gostei.

E Então? O que achou?

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Publicado às 2 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .