EntreContos

Detox Literário.

A História de uma Vida (Marco Piscies)

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Sávio entrou na Lojas Americanas e deixou que seus passos o guiassem até a pequena sessão de aluguel de filmes. Aquele mísero espaço com algumas prateleiras era tudo o que havia sobrado da Blockbuster, a extensa rede de locadoras a qual ele frequentara desde pequeno.

Escolheu a sessão de romance por costume e iniciou o longo processo de escolha do próximo longa-metragem que assistiria: pegar uma capa; ler a sinopse; ver o elenco; devolver a capa. Antes, aquilo era diversão. Agora tudo era monótono. Não havia sorriso em seu rosto. Com a fina linha desenhada no lugar da boca, os olhos pesados, procurava o filme ideal para sua tarde.

Não havia filme ideal.

Nada estava ideal há três meses, desde que ela se fora. Eles costumavam assistir filmes juntos nos fins de semana, ao lado de potes de pipoca e garrafas de H2OH. Nada substituía os minutos que passavam juntos escolhendo filmes, rindo com sinopses ou falando mal de algum título de segunda categoria que tinham alugado no passado.

Não havia mais risadas agora. Não havia nada. Sara tinha falecido em um acidente de carro, abandonando-o em um poço de tristeza.

Não viu quando pegou a capa de “O lado bom da vida”. Quando percebeu, estava olhando para a ilustração dos rostos de Jeniffer Lawrence e Bradley Cooper, cortados pela metade e com meios sorrisos, completando um ao outro. Lembrou na hora da discussão brincalhona que teve com Sara quando leu o título, um ano antes.

“Cara, que tradução tosca”.

“Deixa de ser fresco, Sávio. Não tem como traduzir ‘Silver Linings’. Traduz aí que eu quero ver”.

Ela sempre falava com aquele sorriso leve no rosto. Suas covinhas da bochecha o deliciavam.

“Qualquer coisa seria melhor que ‘o lado bom da vida’. É muito genérico. Pra mim eles tinham este título guardado em um repositório de títulos genéricos e pegaram o primeiro que apareceu quando viram que não dava para traduzir ao pé da letra”.

Continuaram com a discussão por alguns minutos, em meio a risadas e beijos. No fim acabaram alugando o filme. Sara confessara que fora um dos melhores romances que assistira.

Algo estava borrado na capa de DVD que segurava. Quando tentou limpar, percebeu que eram seus olhos. Suas mãos tremiam.

Lembranças ruins?

A voz veio de outro mundo. Ele teve de se recompor para notar que havia um homem parado ao seu lado, com um filme em mãos, olhando-o com pena. Não soube o que dizer.

O homem trajava uma cartola marrom, tão incomum quanto seu sobretudo da mesma cor. Tinha a barba preta salpicada de fios brancos, perfeitamente cortada em cavanhaque, e o olhava de cima, tamanha sua altura. Quando viu os olhos vítreos de Sávio, tentou continuar a conversa.

– Ela o abandonou?

A voz rouca do homem era perturbadora. Sávio fungou uma vez, limpou os olhos com uma das mãos e devolveu o DVD para a prateleira.

– Desculpa mas eu não te conheço.

Virou-se então para a sessão de Blu-rays, de costas para o estranho homem de cartola, esperando que entendesse o recado. Sua cabeça estivera cheia demais nas últimas semanas; não havia espaço para conversas com estranhos randômicos, mesmo que parecessem de bem.

Sem olhar para trás, pegou o primeiro título que entrou ao alcance das mãos e ouviu a voz do homem ainda mais próxima.

– Perdoe-me se incomo…

– Porra!

Sávio deu um passo rápido para frente e virou-se para o homem que agora estava enfadonhamente próximo. Tinha sentido seu hálito quente na nuca quando o ouvira falar.

– Sai daqui cara. Não te conheço já falei. Meus problemas são meus problemas.

O homem de cartola permaneceu parado, as duas mãos segurando o filme que pretendia alugar, por um segundo. Tinha agora uma expressão de curiosidade, como se não entendesse a reação de Sávio. O segundo transformou-se em dois, e mais outro. Seu olhar petrificante começava a incomodar.

O senhor pareceu ler seus pensamentos. Abrindo um leve sorriso e desfazendo a pose de estátua, falou.

– Perdoe importunar-te. Não irá mais acontecer. Apenas desejava que soubesse que existem pessoas que entendem a dor que estás sentindo.

Sávio permaneceu calado. O estranho inclinou a cabeça em uma mesura, depositando o DVD que segurava sobre a prateleira de Blu-rays com o que pareceu todo o cuidado do mundo.

– Eu alugaria este filme, mas acredito que ele o ajudará mais do que a mim.

– Pode levar cara.

Ele negou solenemente com um gesto com uma das mãos.

– Não, não.

Então se foi.

Sávio voltou a respirar normalmente. Começou a vasculhar os Blu-rays sem prestar atenção no que estava fazendo, os pensamentos voltados para o que acabara de acontecer. Soltou uma risada nervosa. Um senhor o havia avistado com lágrimas nos olhos e tentado ajudar, e ele o rechaçara como um louco.

“Isso mesmo, agora estou dando foras com senhores bem-intencionados. Mais um pouco e estarei nas ruas bebendo cerveja barata, como Daniel falou”.

Estivera decidido a mudar sua atitude mas sempre que tentava fazer algo novo a imagem de Sara vinha à tona e seu coração parava. Alguns chamavam aquilo de depressão, outros de “fase”. Tudo o que Sávio queria era que passasse.

Chacoalhou a cabeça e tentou afastar os pensamentos obscuros. Acabou pegando o box de Matrix para assistir os três de uma vez e dirigiu-se ao caixa. No caminho, passou pelo DVD que o homem deixara sobre a prateleira. Seus olhos foram atraídos para a capa.

“A história de uma vida”.

“Estrelando Robert Sandnew, Catarina Esprinova e Gisele Brandão.”

A capa ilustrava os rostos de um homem e duas mulheres de feições comunais, olhando para o horizonte. Era provável que fossem os atores listados como “estrelas”, apesar de Sávio nunca ter ouvido falar de nenhum deles. No verso, a sinopse.

“Três pessoas, três histórias e uma torrente de emoções. Delicie-se em conhecer Robert, Catarina e Gisele na sua jornada pela vida e tudo o que ela traz consigo.”

Apesar de nunca ter ouvido falar daquele filme, Sávio decidiu alugá-lo. Filmes independentes costumavam lhe agradar. Não se importava com efeitos especiais que custavam milhões de dólares. De qualquer forma, sua consciência pesava pela falta de bons modos com o senhor de cartola. Parte da sua mente lhe dizia que aquilo era o mínimo que ele poderia fazer para remedar seu erro.

—————————–

Já era noite quando abriu a porta de casa. O celular captou o sinal wi-fi, alertando a chegada de diversas mensagens do whatsapp. Eram de sua mãe, amigos e familiares tanto da sua parte quanto da parte de Sara, todas com o mesmo conteúdo:

“está na hora de recomeçar”.

“Eu sei que foi um choque, mas ela não gostaria que você ficasse desta maneira”.

“Nós te amamos e queremos o seu melhor”.

Estava aliviado por morar em outro estado, longe de sua família direta. Os parentes de Sara sentiam-se inibidos para visita-lo diretamente sem obter permissão prévia, e os amigos do trabalho permaneciam a uma distância segura. Apenas Daniel mantinha alguma participação ativa nas tentativas de reanima-lo, mas não havia mensagem alguma dele para ler.

Sem tirar os tênis, colocou o DVD de A História de uma Vida no aparelho e estirou-se no sofá. Tinha consigo uma batata Pringles inteira para comer e um refrigerante que ainda estava gelado. Esperou que tivesse tempo para abrir o pote de batatas e servir o refrigerante em um copo que estivera sobre a mesa a semana inteira, mas o DVD pulou diretamente para o menu principal, sem a chamada da produtora ou trailers.

O menu consistia em uma tela preta, sem música de fundo, com três opções em texto branco:

> Robert Sandnew
> Catarina Esprinova
>Gisele Brandão

Não soube o que fazer. Pegou a capa que largara aberta sobre a mesa de centro para ver se tinha deixado escapar alguma informação, mas não havia mais nada escrito. “Três pessoas, três histórias”, ele pensou, e escolheu o primeiro nome da lista. Estava curioso para saber como seria o filme, fato que por si só já era grande mudança em sua rotina. Suas últimas noites em casa repetiam certo padrão: assistir filmes sem prestar atenção, em sua maioria filmes que ele já havia assistido. Em algum momento, chorar ao lembrar de Sara. Não raro chorar amargamente, prometendo para si mesmo que levantaria no dia seguinte pronto para seguir em frente, apenas para repetir o processo todo de novo.

O filme teve início sem música introdutória: apenas o fade-in para a cena inicial. A filmagem era de altíssima qualidade, diferente dos filmes independentes que costumava assistir. Não havia trilha sonora. A primeira cena foi a filmagem do nascimento de um bebê menino, mostrando a felicidade da mãe, as lágrimas de alegria do pai, o alivio triunfal do médico. Todos falavam em inglês mas não havia legenda. Tudo parecia mais real do que um filme comum: os sons dos aparelhos hospitalares, as conversas, o médico retirando a touca e as luvas. Sávio tinha a impressão de que, se prestasse bastante atenção, poderia sentir o cheiro do hospital.

Um corte repentino introduziu outra cena, agora com a criança mais crescida. Seu nome, como era de se esperar, era Robert Sandnew. Sávio entendia bem o inglês e resolveu que deixaria o mistério da ausência de legendas para depois, assistindo o filme assim mesmo. As cenas eram jogadas umas após as outras, sem interlúdios ou deixas. Não haviam momentos dramáticos, perseguições de carro, tiroteios, explosões, beijos apaixonantes ou traições inesperadas. Aquelas eram as cenas da vida de Robert, e Robert era uma pessoa normal.

Então acabou.

Após um fade-out da cena do último suspiro de Robert, aos 74 anos, a tela ficou preta. Não haviam créditos. Música de conclusão. Nada. Apenas o derradeiro negrume.

Sávio ainda tentava entender o que tinha acabado de assistir quando o DVD retornou automaticamente para o menu principal, onde as três opções antes apareciam.

Uma quarta opção havia surgido. Ao lê-la, sentiu um calafrio subir-lhe do da espinha à sua nuca.

> Robert Sandnew
> Catarina Esprinova
>Gisele Brandão
> Sávio Trangielli.

Sentiu o coração parar. Instintivamente, olhou ao redor procurando o autor da pegadinha. O que era aquilo? Algum tipo de brincadeira do pessoal do trabalho? Leu e releu a opção dúzias de vezes, até estar convencido de que era realmente o seu nome escrito na tela da televisão.

Soltou uma breve risada nasal, abrindo um meio sorriso que ele não sabia se era de desconforto ou de surpresa. “Vocês me pegaram”, ele pensou. Sem mais o que fazer, apertou o botão no controle remoto e inclinou-se levemente para frente, tentando disfarçar para si mesmo a ansiedade.

O filme que desenrolou diante dele na TV era impossível.

Sávio estava consciente de sua mandíbula semiaberta e seus olhos que não piscavam. Assistiu sua vida filmada por um cinegrafista perfeito que nunca esteve realmente lá. Seu nascimento. Brincadeiras infantis. Momentos íntimos com namoradas da adolescência. Cenas dele sozinho tomando banho. Como no vídeo de Robert Sandnew, não havia como ignorar a falta de trilha sonora. Era tão perturbador quanto entender que uma pessoa o vigiara durante toda a sua vida, e então condensara seus melhores momentos em 30 minutos de produção cinematográfica.

Assistir ao filme era como estar fora de seu corpo; como ter uma segunda opinião sobre sua própria história. Sávio crescera em uma família pobre, que mal tinha condição de manter o barraco que seu avô construíra. Demonstrou desde o princípio uma inteligência fora do comum. Passou no vestibular para uma faculdade de renome com apenas dezesseis anos, foi descoberto por caça-talentos e conseguiu um excelente emprego em uma empresa de pesquisas tecnológicas de ponta. Escreveu um paper que circulou o mundo. Fez palestras. Apareceu em revistas.

Então conheceu Sara, a nova colaboradora da equipe de pesquisa.

Sávio assistiu a si mesmo apaixonando-se por ela e não pôde conter as lágrimas. Nada daquilo fazia sentido. Não havia cameraman em sua vida. Como aqueles vídeos haviam parado ali?

O derradeiro fade-out surgiu repentinamente, no ápice de sua carreira e vida romântica, transportando-o de volta para o presente. A tela, ao invés de permanecer negra como anteriormente, exibia agora Sávio, sentado no seu sofá na sala, assistindo à própria TV.

Uma câmera atrás dele o filmava em tempo real.

Levantou um braço. A imagem na televisão fez o mesmo. Virou-se espantado para trás, afastando-se do sofá caindo ao chão. Não havia nada ali, mas ele sabia que sua imagem na televisão agora olhava diretamente para ele.

Olhou novamente para a TV. Lá estava ele, no chão da sala, sentado e confuso, assistindo a um filme que o assistia.

– Sávio?

A voz de sara invadiu seus ouvidos como melodia suave. Um novo calafrio percorreu todo o seu corpo, deixando seus pelos eriçados. Olhou ao redor.

– Quem está aí?

– Sou eu, ora. Que bobo. O que houve? Você parece assustado.

Seu coração explodia acelerado em seu peito. Sentia falta de ar. Quando olhou receoso novamente para o filme, viu Sara de pé logo a frente, olhando-o com seu sorriso debochado. Desviou o olhar da TV, na direção de onde ela realmente estaria. Um espaço vazio preenchia dolorosamente a sala.

No filme, Sara andou até ele. Tocou-lhe o rosto. Ele fechou os olhos, sentindo o toque da amada. Não a via, mas a sentia. Ela estava ali, agachada diante dele, olhando-o ternamente, como fizera durante tanto tempo.

– Já passou, meu amor. Não precisa ficar assim. Vem cá.

Ela puxou seu rosto para seu busto, fazendo-o suspirar quando sentiu a pele macia dos seus seios. Então chorou. Abraçou-a desesperadamente, soluçando, sem fala. Queria falar tantas coisas. Ensaiara aquele encontro durante três meses, e agora que a tinha em seus braços nada saía de sua garganta, apenas mais pranto.

Não se lembrava de quando caíra no sono. Dormiu no colo dela, no sofá, enquanto sentia sua mão feminina e delicada acariciar seu couro cabeludo.

—————————–

Acordou com as batidas de Daniel à janela da sala.

– Eu consigo te ver no sofá. Acorda porra.

A voz do amigo tomou forma vagarosamente ao passo que despertava. Sávio acordou confuso. Olhou ao redor tentando encontrar Sara, mas a voz do amigo o puxava bruscamente para a realidade.

– Já vou.

Sua voz estava rouca. A televisão estava negra. O DVD player, desligado.

Sávio sentiu uma enorme vontade de apertar no Play novamente e ver tudo de novo. Queria sentir o toque dela. Queria abraça-la, como fizera na noite anterior.

Teria sido um sonho?

– O que você tá fazendo?

Percebeu que estivera sentado no sofá, olhando a televisão desligada. Pela primeira vez olhou para o amigo na janela. Daniel vestia uma camiseta leve, e os fones do iPod surgiam pela gola. Um deles ainda estava pendurado em um dos ouvidos.

Lembrou que tinha marcado de correr com ele naquela manhã. Andou, derrotado, até a porta do apartamento, destrancando-a para que ele entrasse.

– Você tá péssimo cara – o amigo falou – andou chorando de novo?

– Bom dia pra você também.

Sávio subiu as escadas até o banheiro para lavar o rosto. Viu seu reflexo no espelho, os olhos vermelhos e inchados, e as manchas negras profundas sob eles. Esperou que Sara aparecesse, abraçando-o por trás em um movimento familiar, mas nada aconteceu.

Quando desceu as escadas mais ou menos da forma que se apresentara, Daniel franziu o cenho.

– Cadê a roupa de correr? Os tênis?

– Não tô a fim de correr hoje, Daniel.

Ele andou até a porta e a segurou aberta. Não queria a visita de ninguém. Queria apenas ver Sara novamente. Daniel nunca entenderia aquilo. Não tinha sido um sonho. O toque dela; o hálito fresco em suas narinas; a maciez de sua pele. Tudo tinha sido real demais.

Daniel ficou parado, olhando-o em silêncio, pelo que pareceu uma eternidade.

– Sávio… vai começar tudo de novo? Já tivemos esta conversa cara…

– Daniel. Só hoje. Não quero sair.

– Sávio…

– Porra, se manda. Me deixa em paz.

A expressão preocupada do melhor amigo transformou-se em mágoa e, em menor escala, raiva. Sem outra palavra, Daniel se retirou. Sávio fechou a porta.

Em algum lugar no fundo dos seus pensamentos, ele se arrependia do que acabara de fazer. Mas a vontade de reviver o que tinha sentido na noite anterior anuviava tudo. Andou a passos largos na direção do DVD player. Seu coração parou quando o aparelho acusou estar sem disco algum.

– Queres revê-la, não é verdade?

A voz do homem de cartola soava menos rouca agora. Mais profunda. Ele estava logo ali, na entrada da cozinha, com um DVD em mãos, exatamente como estivera na primeira vez que o encontrara. A descarga de adrenalina em seu corpo fez suas pupilas dilatarem. Suas mãos começaram a tremer. Sávio deu passos nervosos para trás.

– Que merda é essa?

O homem pareceu rir de sua reação previsível.

– O que experimentastes ontem. Sara. Tu queres novamente, não queres?

Queria. Queria aquilo mais do que tudo. Mesmo assim, tateou a estante da sala e, esticando os pés para alcançar o topo, muniu-se de um revólver calibre trinta e oito. Engatilhou e apontou a arma para o homem que, por sua vez, pareceu não se preocupar.

– Quem é você?

Um cineasta. Sou quem produziu este filme. A pessoa que acompanhou toda a sua vida, desde o pré-natal até hoje, com crescente curiosidade.

Ele deu um passo à frente. Sávio deu um passo para trás, ameaçando puxar o gatilho. O homem deu outro passo. Gesticulava enquanto falava, com uma das mãos ainda segurando o DVD.

Sou um colecionador de boas histórias.

– Saia da minha casa.

A distância entre os dois diminuía, passo ante passo.

Podes tê-la para sempre, Sávio. A história dos dois, eternamente gravada, servindo de inspiração para tantos outros, por décadas sem fim. Quando tudo estiver acabado, ainda assim você e Sara hão de estarem lá, suas histórias para sempre unidas.

O peito do homem tocou o cano do revólver. Agora, de tão perto, Sávio notava a profundeza dos seus olhos. A negritude sem fim.

Basta que digas sim.

A mão do pesquisador tremia incontrolavelmente.

– Sim a quê?

O sorriso débil que o homem ensaiou em seu rosto cinzento foi a cena mais perturbadora que Sávio já presenciara.

– Ao contrato. Basta aceitar ser a estrela principal deste meu empreendimento. Eu saberei quando teu coração disser sim.

– Saia da minha casa.

O sorriso se desfez em um segundo. O homem não parecia irritado, apenas profundamente decepcionado. Tratou de refazer seus passos em lentidão solene, de costas para a arma que o ameaçava. Deixou o DVD sobre a mesa da sala, então abriu a porta da frente. Antes de sair, lançou novo olhar para Sávio.

É realmente simples. Sua vida daqui em diante será derrotada. O brilho que tens termina aqui. Suas pesquisas falharão por conta de tua depressão. Logo, a empresa não terá escolha senão afastar-lhe do cargo. Eventualmente tu conseguirás superar a perda, mas nunca mais será o mesmo. Tentarás perseguir seus objetivos sem sucesso algum. Acabarás esquecido em um leito, lembrado por poucos dias, então apagado para sempre da história. Pense nisso. Pense na diferença entre o agora e o futuro. Qual é a melhor cena para conferir-lhe o primoroso final?

O homem fechou a porta atrás de si. Sávio permaneceu imóvel, as mãos ainda segurando um revólver que apontava para a parede.

O DVD sobre a mesa da sala exibia agora quatro pessoas na capa. A angústia subiu-lhe a garganta quando viu o rosto de Sara ao lado dos outros três já conhecidos. Ela mirava o horizonte com um olhar tristonho, tentando segurar com a ponta dos dedos os cabelos negros esvoaçantes que caiam sobre seu rosto.

Sávio pôs o DVD no player e sentou no sofá, derrotado. Não se assustou ao ver o nome extra no menu: Sara Machado. Cada vez que apertava o botão para descer uma opção, seu coração pesava mais. Quando finalmente deveria apertar o botão OK, seu dedo não quis se mover. Garras invisíveis saíam do seu peito, segurando sua mão com todas as forças, impedindo-o de seguir em frente; implorando-o pra que não o fizesse. Continuou, a parte sã de sua consciência. O filme da história de Sara teve início.

Os trinta minutos de filme foram uma mistura sublime de sentimentos. Sávio via Sara novamente, de um ângulo que nunca teve acesso. Viu suas mentiras, e sorriu ao perceber que ele também mentira sobre sua vida. Quem não o fazia? Também viu suas verdades. Viu seus sonhos, suas façanhas e seus amores. Viu a primeira vez que ela deitou seus olhos sobre ele. Viu quando os dois se enamoraram e começaram a vida juntos.

Então viu o carro. O acidente. Os pneus derrapando; seu corpo voando pelos ares e caindo sobre as pedras. Seus membros destorcidos em ângulos impossíveis. Sua vida escorrendo pelo seu corpo, indo embora aos poucos. Então sentiu suas emoções. Terror, ódio, loucura, saudades. Viu tudo o que ela pensara antes de morrer: seus projetos inacabados, seus pais, seus arrependimentos e seus triunfos. Então viu a si mesmo no meio da torrente de pensamentos fúnebres que atravessaram a mente da amada. Ele estivera lá, nos momentos finais de Sara, ocupando seus pensamentos; e todas as suas lembranças eram boas.

O filme voltou a exibir a sala de Sávio. Sara estava logo ao seu lado no sofá, observando-o. Sentava-se daquele jeito moleque, com os dois pés sobre o forro, uma perna caída e a outra servindo de apoio para os braços. Ele olhou para o lado e viu apenas o sofá mas, quando esticou as mãos, sentiu a pele suave da mulher que mais amou no mundo.

– Você sabe o que eu quero, não sabe?

Ela falava em sonetos sublimes. Ele sabia o que ela queria, e não concordava. Queria ficar com ela para sempre.

Sávio olhou para a televisão mais uma vez, e viu que ela fazia o mesmo. Vislumbrou seu rosto repleto de imperfeições perfeitas. Segurou suas mãos. Fechou os olhos.

—————————–

Daniel já tinha batido na porta ao menos quatro vezes. Agora espiava pela janela, sem nada encontrar. Tinha o peito apertado pelo que acontecera no dia anterior e queria tentar conversar com o amigo novamente. Sabia que, naquela fase, ele não tinha muitos aliados a quem recorrer. Não queria perder Sávio para aquela maldita depressão. Não permitiria isso.

– Sávio? Cadê você cara?

Ele bateu no vidro da janela. Sávio apareceu logo em seguida, descendo as escadas, trajando roupas leves e um tênis esportivo. Daniel abriu os braços, sem entender, e andou até a porta.

– Cacete tu tava dormindo? Já são dez da manhã.

– Tava no banheiro. Um homem não pode cagar em paz?

Daniel olhou para o amigo e viu em seus olhos o brilho que não via a tanto tempo. Sávio sorriu. Daniel gargalhou.

Sávio saiu pela porta aberta e começou a fechá-la quando o amigo o segurou.

– Não vai pegar o DVD pra entregar na Blockbuster?

Sávio olhou para o DVD sobre a mesa, então terminou o movimento para fechar a porta, trancando-a.

– Não precisa.

Antes que Daniel perguntasse qualquer outra coisa, Sávio trotou até a rua.

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Na sala, o homem de cartola pegou o DVD, lançou um longo olhar para a capa e suspirou com renovada decepção.

36 comentários em “A História de uma Vida (Marco Piscies)

  1. Rodrigues
    17 de novembro de 2014

    a parte mais interessante desse conto começa a partir do momento em que o protagonista começa a assistir o DVD. uma boa construcao, justamente no momento em que o filme boyhood, do linklater, chegou aos cinemas, creio que foi uma influencia, e das boas. e verdade que o texto é meio burocratico, mas o autor soube levar o leitor com tranquilidade, por horas meio telegráfico, mas conduzindo sem maiores problemas.

  2. Willians Marc
    17 de novembro de 2014

    Muito bom. Gostei muito desse conto, achei a trama bem feita e acredito que esse tenha sido o conto mais criativo do desafio (só falta eu ler dois contos do desafio)

    Achei um ou dois errinhos que passaram pela revisão, mas como estava lendo no celular em um trem lotado, não os anotei…

    Não tenho sugestões que acrescentem ao texto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  3. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    Legal, bem diferente. Não sou o maior fã desse tipo de narrativa, mas em questões técnicas você foi muito bem, enquadrou-se no tema também. Parabéns e boa sorte.

  4. rubemcabral
    17 de novembro de 2014

    Ótima história, cheia de elementos metalinguísticos e mistério. A escrita apresentou algumas falhas, mas o cerne, o bom mote do conto, o colocou dentre os melhores do concurso. Muito bom!

  5. Fil Felix
    17 de novembro de 2014

    Parabéns pelo conto, curti bastante! Em especial o formato que você deu à ele. A sequência onde ele coloca o DVD e você lista os menus, com o nome dele, achei genial. Todo o recorte dessa cena está perfeito.

    Gosto de contos que abre espaço para interpretações, principalmente aqui onde o autor não explica nada, a função do homem de cartola ou o que teria acontecido caso ele tivesse dito SIM. Isso é bom, faz o leitor pensar e ver o conto com outros olhos. A escrita também está boa, com vários toques contemporâneos como o whatsapp e cia. Só acho que a cena dela no sofá ficou melosa de mais e tiraria alguns pontos cômicos (como os diálogos com o amigo).

    Não sei se você se baseou em algum filme ou não, mas me lembrei de títulos como Quero Ser John Malkovich com uma pegada de Cidade dos Sonhos do Lynch.

    • Trevor Lincoln
      17 de novembro de 2014

      Oi Fil, obrigado!

      Eu não baseei o conto em nenhum filme. O tema do conto é um “Filme”, apenas isso. Todas as referências que li em outros comentários foram interessantes, apesar de eu não ter pensado em nenhuma delas! rs rs.

  6. Gustavo de Andrade
    16 de novembro de 2014

    Poxa! Que sacanagem. Esse final é aberto a interpretações, mas elas me parecem meio superficiais demais. Senti falta, nos outros elementos do texto, da intensidade que você empregou no relacionamento do Sávio e da Sara… pareceu a coisa mais honesta. Faço um paralelo deste conto com o filme Click, com Adam Sandler. Começa com uma premissa aí, quando as pessoas responsáveis pela trama perceberam que deviam findar a história de alguma forma, inseriram elementos sem qualquer explicação satisfatória, acabando por empobrecer a trama. Já devem ter falado, mas: toma cuidado com as vírgulas e segundas pessoas!!!

    • Trevor Lincoln
      17 de novembro de 2014

      Oi Gustavo, obrigado pelo comentário.

      Sério que achou as interpretações do final fracas? Achei três diferentes nos comentários das outras pessoas, todas bastante legais (para mim, claro, rs).

      Obrigado pelas críticas também. Tudo anotado.

      Abraço!

  7. Andre Luiz
    16 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A)Sávio é um bom personagem, às vezes sinalizando ser meio bobalhão. (Seria a tragédia com Sara a causa disto? ) Daniel também é outro ponto a se comentar, atuando como o despertador de Sávio, acordando-o do transe momentâneo das visões com o homem da cartola. Aliás, este último é misticamente cativante, trazendo o leitor para o texto e convidando-o a continuar apenas para saber os porquês levantados por ele.

    B)O enredo é bom. Sávio grudado no sofá. O acidente com Sara. A história dos DVDs e tudo mais. Sendo assim, acredito que a produção é uma ótima reflexão sobre o real e o imaginário, os limites da percepção de cada um. Logo, Trevor Lincoln mergulha-nos na trama, questionando-nos a todo momento se estamos mesmo sendo assistidos por mentes aleatórias, em um mundo cada vez mais manipulado e vigiado.

    Considerações finais: A reflexão do texto é boa, porém há algum ponto a se melhorar, pois sinto que faltou algo. Infelizmente, fiquei apenas na sensação, e não consegui discernir o que é exatamente. Em uma sociedade da espionagem, todos estamos sujeitos a nos tornarmos Sávios. Espero apenas que não haja uma Sara em minha vida… Parabéns e sucesso no concurso!

    • Trevor Lincoln
      17 de novembro de 2014

      Obrigado pelo comentário Andre!

      Eu sei como é sentir falta de algo no texto e não saber dizer o quê. Sinto isso várias vezes quando leio contos dos desafios. Alguns simplesmente parecem faltar algo para dar aquele “tchan”, rs.

      Agradeço a sinceridade. Vou tentar dar um “tchan” nos próximos desafios, hahaha!

  8. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Sarah Parker reloaded! Gostei muito do conto, especialmente porque ele lembra – não só por causa do nome da protagonista-que-nunca-aparece – o texto que escrevi para o desafio “viagem no tempo”. Naturalmente, criei uma expectativa, inclusive antevendo (e desejando) que o sobrenatural (ou a fantasia) acabasse influenciando no decorrer dos acontecimentos. Não fiquei frustrado. Tive o tempo todo essa sensação de conto-irmão: histórias de amor que desafiam o espaço-tempo.

    Por isso mesmo gostei do desenvolvimento, da construção psicológica do Sávio, de seu inconformismo quanto à partida da mulher amada e, por fim, da redenção. Achei que ficou tudo bem amarrado e envolvente. Ri em alguns trechos e me peguei torcendo por eles em outros. Essa identificação, aliás, supera o fato de eu ter escrito algo com o mesmo mote. Vai além. Pude me identificar com o Sávio enquanto leitor e isso é um mérito tremendo para quem escreve, pelo menos no meu conceito.

    O senão do texto fica por conta da falta de revisão. Não vou me alongar neste quesito, até porque certamente o Eduardo Selga e o Fabio Baptista os abordaram de maneira exaustiva, mas é algo que deve ser sopesado, especialmente porque a história, em si, é muito boa. Com as correções necessárias, o conto fica dez. Parabéns ao autor.

    • Trevor Lincoln
      17 de novembro de 2014

      Obrigado Gustavo!

      Caramba, voltei lá no desafio da Viagem no Tempo agora e vi o seu conto. Vou ler! Não lembro de ter lido, hahahaha. De qualquer forma, acho que foi uma coincidência interessante.

      É, confessei em outro comentário que dei mole na revisão do texto. Pressa é inimiga da perfeição =( e olha que eu ainda tinha dias para entregar o conto.

      Obrigado!

  9. Thiago Mendonça
    14 de novembro de 2014

    Gostei da trama, apesar de achá-la um pouco inconstante. Às vezes romance, às vezes suspense, acabou que tirou um pouco minha imersão. Você escreve bastante bem, e, se tivesse dixando o texto um pouco mais conciso, regular e com um foco mais claro, poderia ter escrito um dos melhores contos do certame. De qualquer maneira, ótimo trabalho.
    P.S: uma coisa que se desconcertou é o fato de, no começo, você usar muitas referências desnecessárias, como Pringles e Whatsapp. Acho que isso tira a beleza do conto e deixa ele ‘datado’ (a não ser que essa seja a ideia geral do conto, mas achei que nesse caso não se aplicava tanto)

    • Trevor Lincoln
      17 de novembro de 2014

      Thiago, obrigado pelo comentário!

      Achei interessante a sua nota sobre as referências desnecessárias. Realmente, imagino alguém lendo este conto daqui a 20 anos (se deus quiser! rs) e não entendendo nada.

      Vou ler mais sobre isso. Obrigado pelo toque!

  10. Eduardo Selga
    14 de novembro de 2014

    Salvo engano, dentre os que eu li até agora, é o único conto que se propõe a sair da dimensão do chamado “real”, ou pelo menos o que consegue fazer isso com grande eficiência. Ele dialoga bem com a literatura fantástica (a palavra aqui usada como gênero narrativo, não como adjetivo significando “sensacional”), com o personagem de cartola que parece inspirado no Fausto de Goethe e discurso narrativo que apresenta alguns recurso sofisticados, como o mise en abyme (“narrativa em abismo”), que causa a sensação de repetição, a narrativa de uma narrativa. Essa ferramenta, usada por vários autores do realismo mágico (uma espécie de versão do fantástico europeu na América Latina), como o argentino Júlio Cortázar, nos podemos vê-la no trecho “A tela, ao invés de permanecer negra como anteriormente, exibia agora Sávio, sentado no seu sofá na sala, assistindo à própria TV”. A tela mostra exatamente a cena que ocorre na sala, uma narrativa maior narra uma narrativa menor. Quando bem usado é sempre fascinante.

    Um bom exemplo de fantástico que podemos encontrar no texto, além da própria cena a que me referi anteriormente, está em “Ele olhou para o lado e viu apenas o sofá mas, quando esticou as mãos, sentiu a pele suave da mulher que mais amou no mundo”, em que a presença de Sara não é fisica, mas não ficamos sabendo ao certo se é efeito psicológico da saudade ou um fantasma, já que ela é falecida. E que bom que não sabemos com certeza, pois ao construir hipóteses dentro de um enredo bem elaborado, o leitor pode sentir o peso da situação colocada, a força estética do texto. Mas veja: em enredos mal montados essa indeterminação não funciona, ganha outro estatuto: o do incompleto. Mas não é esse o caso do presente conto: nesse aspecto ele é muito bom.

    Há alguns problemas com as escolhas vocabulares. Talvez tentando enriquecer o texto, mas felizmente sem cair no exagero da raridade, do beletrismo, há palavras que parecem fora do lugar, como em “enfadonhamente próximo” e “feições comunais”. Muito embora “Enfadonho” signifique “desagradável” (o significado pretendido no trecho), seu uso na escrita e na fala está muito mais associado a “monótono”, “tedioso”, o que faz com que soe estranho. No segundo caso, é plural de “comuna”, que vem a ser algo semelhante a “município”. Porém, a intenção, malograda, foi significar “comum”.

    Quero citar dois problemas de ordem gramatical, embora existam mais: o primeiro, a falta de uso da vírgula nos vocativos, como em “pode levar cara”, que deveria ser “pode levar, cara”. Entre o verbo e a gíria usados há uma mudança de tom, já que “cara” serve para lembrar o sujeito (Daniel) que é a ele que a fala é dirigida. Esse chamar a atenção, que é o vocativo, exige vírgula.

    O segundo caso é a mistura de TU e VOCÊ. Entendo que pretendeu o autor, ao usar a segunda pessoa gramatical, emprestar ao homem da cartola ares de mistério e/ou respeitabilidade. Mas TU não se mistura com VOCÊ na mesma elocução, e em várias passagens isso ocorre, como em “É realmente simples. Sua vida daqui em diante será derrotada. O brilho que tens termina aqui”. “Sua” só é válido em se tratando de VOCÊ; sendo TU, deveria ser TUA.

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Eduardo,

      Obrigado pelo comentário e pelos elogios. Quanto às observações sobre as falhas, são notas importantes que vou manter em mente. Esse tipo de comentário é muito útil para a evolução contínua da minha técnica.

      Novamente, obrigado!

  11. Anorkinda Neide
    13 de novembro de 2014

    Goste bastante, principalmente devido ao final, que me surpreendeu.
    Fiquei presa no terror e no suspense e torci pelo protagonista.
    O final redentor me agradou em cheio!
    Achei a narrativa gostosa de ler e nao vi erros importantes.
    Parabens

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Obrigado Anorkinda!

      Que bom que você gostou do final. Percebi que muitos ficaram confusos ou não gostaram desta parte. Eu, pessoalmente, tinha três finais diferentes para o conto e acabei escolhendo este por achar o melhor mesmo, hehehe.

      Abraço!

  12. JC Lemos
    12 de novembro de 2014

    Olá autor, tudo bem?

    Muito bom!
    Gostei do que você fez, da forma como fez e do resultado disso tudo. Conseguiu criar um personagem bem definido, verossímil. Aquele que passa por tudo que nós passamos em nosso cotidiano. E essa coisa toda “fantástica” deu uma temperada diferente na história.
    É meio lenta, mas é basicamente como se o dvd surgisse em nossa frente e a vida de Saulo seria o filme da vez.
    O homem da cartola lembrou-me o senhor do filme “A Caixa”.

    Bem, o que pode ser consertado já foi mencionado, então agora só me resta parabenizá-lo pela sua ótima narrativa, e desejar-lhe sorte no desafio!

    Ressaltando, muito bom texto!

  13. Brian Oliveira Lancaster
    12 de novembro de 2014

    Meu sistema: essência. Imersão total. A referência sutil ao filme Click, com pegadas bastante originais, foi ótimo. E o final, que destoa do que estamos acostumados, caiu muito bem. Escrita leve, bem humorada onde era necessário e criação de expectativas no ponto certo. Mais um para os favoritos.

    • Brian Oliveira Lancaster
      12 de novembro de 2014

      Adendo: seria uma boa ideia os filmes deixarem você escolher qual história deseja ver. Tem um jogo que fez isso, dos tempos de PS1, acho que era “Wild Arms”, onde podia-se escolher a história de 3 personagens em qualquer ordem que, no fim, se encontravam para um enredo maior.

  14. Claudia Roberta Angst
    11 de novembro de 2014

    Fiquei até com pena do rapaz! O começo foi um tanto vagaroso, mas mesmo assim, consegui engrenar fácil a leitura . Os elementos (um chuva de logotipos e rótulos) conhecidos deram um ar de familiaridade à narrativa. A ideia do DVD com nomes surgindo foi bem bacana. Criou um clima de suspense-quase-terror. O final não ficou claro para mim, mas quem disse que finais devem ser claros? Boa sorte!

  15. Jefferson Reis
    11 de novembro de 2014

    Não gosto desse tipo de história de amor, é muito melosa; mas gosto de histórias de mistério e terror, foi isso que me prendeu.

    Quando a televisão mostra Sávio assistindo a si, puts, que frio na espinha. Imaginei alguém atrás do personagem e também atrás de mim. Concordo que o terror deveria ser mais trabalhado e, bem, o leitor entende que o protagonista ama Sara e está sofrendo muito pela perda, então o narrador não precisa dizer (escrever) isso o tempo todo.

    Em alguns momentos, o conto se aproximou muito de meu cotidiano: Lojas Americanas, tédio ao ler sinopses de filmes, wi-fi, whatsapp. Foi muito legal o homem da cartola surgir em um cenário tão comum.

  16. Virginia Ossovsky
    8 de novembro de 2014

    História muito boa! Achei o começo um pouco cansativo, mas logo que apareceu o senhor de chapéu vi que o conto ficaria empolgante. A melhor parte foi quando o nome do protagonista apareceu na tela, cheguei a ficar com medo (daria uma boa história de terror). Parabéns e boa sorte!

  17. Fabio Baptista
    7 de novembro de 2014

    ======= TÉCNICA

    Eficiente. Conta a história e não desvia a atenção do leitor.
    Alguns diálogos soaram “forçadamente naturais”… tipo, parece até natural, mas dá pra “ver” a sombra do autor.

    – rede de locadoras a qual ele frequentara desde pequeno
    >>> Não acho legal o uso de “a qual”, “o mesmo” e similares.
    >>> Usaria: “rede de locadoras que frequentava desde pequeno”

    – Sara confessara que fora um dos melhores romances que assistira
    >>> Esses mais que perfeitos parecem estar na moda… eu não gosto.

    – subir-lhe do da espinha à sua nuca
    >>> Sobrou um “do”. Tiraria esse “sua”

    – Já tivemos esta conversa cara
    >>> Já tivemos esta conversa, cara (em outros diálogos também faltou essa vírgula).

    – destorcidos
    >>> distorcidos

    ======= TRAMA

    Começou água-com-açúcar, confesso que pensei que ficaria entediado.

    Porém, quando o nome do sujeito apareceu na tela depois de assistir ao primeiro vídeo, a palavra que me veio à cabeça foi – “genial”.

    O texto ganhou aqueles contornos macabros de “creepypasta”, com uma pegada meio “O Chamado” e, meu… chegou a dar medo.

    O “reencontro” com a amada voltou a ficar no chove-não-molha…

    A montanha-russa subiu de novo no reencontro com o velho e a proposta de contrato.

    O final foi inusitado, mas não entendi muito bem o porquê do velho ter voltado sendo que o personagem não iria assinar o pacto.

    Resumindo, acho que teve mais altos que baixos resultando em um conto acima da média, mas que deixou uma sensação de “poderia ser melhor”.

    ======= SUGESTÕES

    – Dar mais enfoque no suspense/terror.

    – Acho que essa história pedia um final menos “feel good”.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ****
    Impacto: ***

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Oi Fabio, obrigado pelo comentário!

      Gosto dos seus comentários pois eles sempre adicionam bastante, indicando falhas e possíveis acertos. Anotei tudo. É com as falhas que aprendemos, não é?

      Abração!

  18. Maria Santino
    6 de novembro de 2014

    Boa Noite, Autor/a!

    Um final enigmático, hum? Gosto de finais assim. No geral eu gostei, gostei da melancolia e do lance com o DVD, que é bem instigante. Comparei o cara da cartola com o personagem Jason do seriado LOST (o cara era Onipresente e Onisciente além de misterioso). Não achei seu conto sensacional e nem uma escrita cativante (como já vi em alguns contos aqui postados), mas me prendi. Infelizmente achei o conto muito parado, esperei a todo instante uma reviravolta do balacublaku (credo!) que não veio. O ponto de tensão entre o homem da cartola e o Sávio é bacana, mas depois esfria, o que acho uma pena, pois seria aí uma boa hora para levantar tudo. Ainda assim, como disse anteriormente, eu achei bacana.
    Sorte!

  19. simoni dário
    6 de novembro de 2014

    A narrativa flui como toque de seda. Envolve a cada parágrafo e não dá vontade de parar a leitura até que se chegue no final.
    A depressão de Sávio é bem descrita. Sofri junto com ele.
    Só também não captei a mensagem do momento final. Li o comentário da Sonia que parece ter entendido bem, e, se foi esse o entendimento do autor, realmente ficou muito bom.
    Parabéns e boa sorte!

  20. Sonia Regina
    6 de novembro de 2014

    Parabéns uma história bem interessante.
    Gosto de histórias sobre perdas e resiliência.
    Seguir em frente porque essa seria a vontade do ser amado, exige coragem, decisão e inteligência.
    Enredo bem elaborado. Ao tentar fugir da realidade através da fantasia, o personaggem é obrigado a se confrontar com seus sentimentos, e ao invés de escolher a fuga da realidade, escolhe abandonar a fantasia e enfrentar a vida.
    Enganar o diabo, ou deixá-lo com cara de tacho, é sempre um final atraente.

  21. Wallisson Antoni Batista
    6 de novembro de 2014

    Parabéns. O que mais me chamou a atenção nesse texto foi a forma que ele retratou aquela velha vida cotidiana de ir as locadoras, que hoje em dia estão quase extintas. O enredo está ótimo, acho que a cumplicidade entre leitor e personagem se destaca bastante nesse conto, fazendo com que o leitor crie em sua mente a imagem categórica do personagem e até mesmo se colocando em seu lugar.
    Ótimo conto. Parabéns e boa sorte.

  22. daniel vianna
    6 de novembro de 2014

    Cara, eu me amarro nestes textos surreais, sabe? E em personagens enigmáticos como o homem da cartola marrom. Gosto muito dessa coisa de não explicar nada e deixar na interpretação do público. O personagem simplesmente está ali, nem tudo é para ser compreendido, algumas coisas devem apenas ser sentidas. Gostei do texto. Concordo com o comentário do colega Leonardo no sentido de que merecia uma revisão, talvez até com alguns cortes, mas, em geral, agradou. Parabéns.

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Obrigado Daniel!

      Confesso que realmente deixei a desejar na revisão. Fiz apenas três ou quatro revisões pessoais, mas não consegui pedir para mais ninguém revisar o texto por mim. Acabou que ficou com apenas a minha revisão de autor que, como nós bem sabemos, é bastante viciada.

      Vou tentar fazer melhor no próximo desafio. Obrigado e abraço!

  23. Leonardo Jardim
    5 de novembro de 2014

    Muito legal. Texto bem escrito e confesso que fiquei totalmente preso na história. No momento em que o nome dele apareceu no DVD eu confesso que fiquei tenso 🙂 . Teve um ou outro errinho que não atrapalhou e seriam removidos com mais uma revisão.

    O final foi bom, mas fiquei um pouco confuso e precisei ler mais uma vez. Fiquei um pouco na dúvida sobre a identidade do homem de cartola e a decisão do Sávio. Posso estar enganado, mas parece que o homem é tipo um capeta e Sávio não caiu na tentação de ter a amada (vender a alma). Se não for isso, me perdoe, mas foi oq eu entendi 🙂

    Enfim, uma leitura muito agradável. Estou impressionado com a qualidade dos textos daqui. Obrigado e parabéns!

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Obrigado Leonardo!

      Conforme expliquei pro Lucas, a subjetividade aqui é proposital. Desculpa fazer você ter que reler o texto para entender, rs rs.

      Abraço!

  24. Lucas Rezende
    5 de novembro de 2014

    Parabéns, autor.
    O conto realmente é emocionante. O personagem cativou muito, a cena em que ele “encontra” Sara pela primeira vez chega a dar arrepios. Só achei um pouco confuso a subjetividade de quem é o senhor de marrom e o destino de Sávio no fim da história.
    O conto tem tamanho certo e está muito bem escrito.
    Uma bela história.
    Boa sorte!!!

    • Trevor Lincoln
      14 de novembro de 2014

      Obrigado Lucas!

      A subjetividade foi proposital. Deixei nas mãos da imaginação e consciência do leitor a decisão sobre a identidade do senhor de cartola e o destino de sávio.

      =]

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Publicado às 5 de novembro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .