EntreContos

Literatura que desafia.

Ópera Espacial (Victor O. de Faria)

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I

Raiava o Sol sobre as águas, montanhas e florestas, indicando que um novo amanhã se iniciava. O objeto pontiagudo, alto e semitransparente, venerado por diversos grupos de criaturas locais, permanecia imóvel, estático e sem qualquer reação.

Aquele dia seria especial. O líder do grupo, mais velho e mais esperto, recolheu um dos ossos de animais selvagens e ensaiou maior aproximação. Chegou o mais perto possível, enquanto dezenas de olhos curiosos o perseguiam. Bateu o osso na estrutura.

A onda de choque produziu um som retumbante jamais ouvido. Devido ao susto, recuou. Mas a curiosidade não lhe deixou em paz. Tentou outra vez enquanto os outros se aproximavam lentamente.

Logo, todos estavam realizando a mesma ação e se deleitando com a melodia produzida. Até que um deles trouxe um crânio e bateu nos dois, de forma compassada. Após isso, um deles raspou o osso em seus cabelos compridos. O som mostrou-se agradável.

Talvez não fosse esse o real objetivo da entidade. Mas o fato é que, naquele dia, nasceu o embrião do que viria a ser, milênios mais tarde, a orquestra sinfônica “Macacada Reunida”.

Se um ponto de interrogação pudesse surgir da cabeça do artefato, este ponto estaria aceso e piscando em neon. Precisava contatar sua contraparte distante, de alguma forma.

O líder jogou as baquetas de osso para o alto, enquanto era aplaudido. Dizem que a primeira palavra falada se resumiu à apenas três letras: “bis”.

Não muito longe dali, no meio do oceano, figuras indistintas arrastavam-se para fora das águas… Astronautas.

II

A estação japonesa Yoshitaka, financiada pela iniciativa privada, dançava graciosamente seu balé ao redor da Terra. Em seu interior, as mais diversas experiências, envolvendo plantas, micróbios e animais pequenos, eram executadas em baixa gravidade. Nenhum de seus tripulantes relatou problemas durante o ano que passou. No entanto, aproximava-se a época das Perseidas e sua intrigante chuva de micrometeoritos.

O telão azul piscou três vezes e a película vermelha subiu. Naquele instante a sinfonia invadiu o ambiente, afastando as cortinas carmesins dos beliches.

Maia se esforçou para que suas cordas vocais iniciassem o diálogo em dó maior. Colocou a mão sobre o peito e pôs-se a cantarolar.

– O que está a ocorrer, querido esposo? Fizestes o que Yuri mandaste fazer?

Respondeu em ré menor, esticando o braço direito para frente.

– Amada esposa! Sabes que tenho o maior sentimento por ti e que nunca lhe abandonarei. Mas por que insistes em citar esse distinto cavalheiro? Acaso pensas que possuo níveis mentais abaixo do que esperastes?

– Perdoe-me, ó querido. Sei que nosso confinamento não nos faz bem. Se estás aqui, ao meu lado, é porque desejou-me desde o início.

– Dito isso, ó amada, percebas que os níveis de nosso gás vital esvaem-se, como poeira levada pelo vento!

– Podes verificar a maquinaria, tão sóbria, instalada recentemente? Ou seria demasiado fardo para ti, adorável Amano?

– Nada, jamais, será suficiente para definir o que faço por ti, belíssima Maia. Agora, despeço-me de vós, em paz.

– Que os bons ventos o acompanhem! Ou melhor, que vós consigais encontrá-los a fim de dar-lhes o merecido descanso. Tape-os. Acoberte-os. Assim como fazes comigo todas as noites inebriantes.

Yuri entrou pela ampla escotilha, girando como um parafuso maleável. A ponte de comando espaçosa colaborava com seus movimentos de garça. Introduziu o assunto, após esticar o braço esquerdo para cima e o direito para frente.

– Agradabilíssima dama e eloquente cavalheiro! Trago-lhes notícias deveras agourentas. Desejo-lhes sorte, antecipadamente. Prosseguindo, temo que nossa carruagem celestial seja alvejada por impropérios do espaço, em pouquíssimas horas. Somos ave migratória qual recua de um vil caçador e seus estilhaços de morte encapsulada!

– O que dizes é verdade, inegável amigo?

– Com todo o sopro que me resta.

– Ouviste, amado marido?

– Temo que estejas certo, colega Yuri. Ó, céus! Seremos vítimas do destino cruel e implacável?

Levantou a mão como se fosse comer uma maçã. Prosseguiu, fechando os olhos.

– Entrarei nas trevas da cúpula interior. Sozinho! Desamparado! As luzes condescendentes em meu pulso guiam-me em direção ao desconhecido e provável exílio dos ventos uivantes!

– Não estarás sozinho, caro amigo! Irei convosco. Enfrentarei o destino caso a filha da foice queira brincar com teu fôlego de vida. Ampararei Maia caso algo aconteça a ti!

– És mui esperto, notável cavalheiro. Mas escapa-te pequenos detalhes. Irás à frente, pois somente vós conheceis aquela estrutura. Afinal, a projetastes.

Calou-se diante do fato. A tripulação passou a arquivar notas e envolver suas importantíssimas descobertas em plástico protetor, ao som de tristes violinos. Se existisse a real necessidade de deixar a estação espacial, não perderiam suas pesquisas.

Amano e Yuri vestiram-se adequadamente. Com acenos e gestos graciosos flutuaram pelos tubos de comunicação. Distantes da presença de Maia podiam recomeçar as desavenças diárias.

– O que pensas ao cortejar minha amada, em minha própria presença?

– Desejo dar-lhe opções, incontrolável amigo. Caso algo aconteças a ti… Ó, destino cruel!

– E por que achas que algo tem de acontecer comigo? Não estarias sendo deveras pretensioso?

– Vós não compreendeis.

– O que exatamente, ó desprezível, porém fiel, cavalheiro?

– Se vossa descoberta com os detritos úmidos da Lua chegar aos notáveis ouvidos do Conselho, diga-me… O que pensas que acontecerá?

– Transferência, se é o que desejas que meus lábios serenos articulem em vossa presença.

– A primeira empresa de mineração lunar. Tornar-te-ás famoso, notável companheiro.

– Famoso e sozinho, como um ovo de pinguim-rei abandonado, sem acalento e desejoso de carinho!

– Falaste bem. Sozinho. E Maia, quem cuidará de tua flor do campo? Não meditastes nisso?

O vácuo dificultava o pleno entendimento das notas vocais. Dois barítonos esforçavam-se para manter um diálogo compreensível enquanto atravessavam a estrutura tubular. Estavam quase no fim quando avistaram o brilho intenso da colônia de pequeninas pedras espaciais.

– Pare! Aprecies o que o horizonte sombrio nos traz!

– Julgas que sou um completo quadrúpede de carga. Vós vos enganastes! Posso ser apenas o mecânico de nossa carruagem, mas tenho tanto conhecimento quanto tu o tens! Dar-te-ei um exemplo.

– Surpreendei-me!

– A massa gelatinosa que vês resulta da separação, ó dor, de seus componentes. Dito isso, não chegastes à conclusão de que estamos presenciando apenas um cartão de boas vindas, envolvido em laços de veludo púrpura, cor de surpresa?

– Tens total razão, sapiente adversário.

A notícia ruim espalhou-se rapidamente pela estação. Aquela chuva era resultado de alguma colisão no espaço profundo, como se algum fenômeno perturbasse o Cinturão de Asteroides. As famosas Perseidas nada tinham a ver com o evento. Maia ajustou os controles internos e alertou a ponte de comando.

– Ó amigos! Trago-lhes más notícias! Aproxima-se um evento catastrófico. O destino brinca com suas frágeis crianças inocentes! A chuva que vistes não trará renovação à nossa alma e sim, as tenebrosas mãos da escuridão. É deveras cedo para abandonarmos nosso veículo estelar, mas vós fostes preparados para estas adversidades! Mantende-vos firmes!

A escotilha da extensa ponte suspensa, que dava acesso aos motores, foi deslocada lentamente para a esquerda. A despressurização tomou-lhes minutos preciosos. Nesse meio tempo não conversaram absolutamente nada. Os instrumentos falariam por eles. Ao término do fato, retomaram sua prosa poética.

– O que pretendes fazer, Amano, o indomável?

– Assim que me deixares terminar… Dir-lhe-ei.

– Chega de brincadeiras, ó amigo. A partir daqui, deves pedir desculpas. A situação é séria.

– Te preocupas à toa, conquistador de mulheres comprometidas.

– É o que dizes. O que arquitetas, afinal?

– Já vistes o que fazem quando um asno empaca?

– Não compreendo tuas falas sem sentido.

– Vou girar o chicote e descê-lo em seu lombo, percebes?

– Acreditas que um solavanco ajudará em tal caso, ó experiente companheiro?

– Verás com suas próprias meninas a dançar!

Abriu o canal de comunicação e informou à tripulação o que pretendia. Um empurrão daqueles podia tirá-los da órbita terrestre, no entanto, não havia muitas opções. Seriam cravejados por micrometeoritos ou permaneceriam vagando pelo espaço, sem rumo. E pior, a estação rasgar-se-ia ao meio devido ao próprio peso. Disse algumas palavras à Maia antes de colocar em prática tal decisão.

– Amar-te-ei onde quer que estiveres! Nas profundezas do espaço, em uma carruagem celestial rumo ao paraíso, ou no interior de um esquife estelar em direção a Júpiter! Até mesmo… Se estiveres com outra pessoa na ocasião de meu desaparecimento.

– Ó querido! Desejava que nossa história não terminasse assim, sem um ponto final, com infinitas reticências…

A aproximação da chuva interferiu no sistema de transmissão. Yuri, diante da estrofe apaixonada, procurou retratar-se.

– Peço-lhe perdão por meu comportamento indevido. Se vós tivésseis outra chance…

– Ó amigo imbecil! Estás aqui comigo. Não notastes?

Digitou a sequência, desceu a chave e aguardou diante do “fantasma” de seu companheiro. Parecia que já tinha morrido com o susto, assim que Amano esclareceu os fatos.

Um zunido estridente percorreu toda a estrutura. Testemunharam, com tristeza, uma das asas de Ícaro se despedaçar em meio a movimentos suaves, desprovidos de som. Como uma poesia que chega ao fim, a estação bateu suas asas para longe, levando consigo a cúpula mecânica, presa à estrutura por tênues linhas de fio titânico.

Inesperado. Ainda tiveram a oportunidade de observar as brilhantes gotas irregulares passarem raspando nas penas de seu pássaro migratório, machucando-o levemente nas pontas.

O solavanco os jogara contra a parede. Levantaram-se do chão.

– Ouvistes? Ainda permanecemos, eu e tu, presos ao veleiro da caravela dos céus!

– Alto e claro. Se quiserdes, posso beijá-lo agora!

– Deixai de algazarras por enquanto, indeciso companheiro. Ainda temos de puxar-lhes as rédeas!

– Contatarei o Conselho.

– Com que fim empreenderás nesse portento?

– Nossa frágil esfera, cor azul de cristal, tem o direito de saber o que descobrimos. Não concordas tu?

– Voltas à vida e já desejas minha transferência, não é, sábio cavalheiro?

– Julgas-me mal.

– Prova-me.

– O Conselho tem total acesso às operações manuais, como uma mãe que permite o breve afastamento de seu filho, mas não sem antes dar-lhe um celular. O destino sorri novamente para pobres criaturas jogadas ao léu.

– Poderão corrigir-lhe a rota?

– Sim. E devíeis desejar-me sorte, ó obtuso companheiro.

– Eu é que vou beijar-lhe agora!

Maia retomou o acesso à intercomunicação.

– Pensais que não estou ouvindo-lhes? Que história é essa de beijos, ó distintos cavalheiros, senão escolheram “outro caminho” em meio às experiências de morte.

Riram. Yuri solicitou acesso ao canal. Transferiu tudo o que podia ao Conselho, incluindo as informações sobre o tão falado detrito úmido lunar. Aquela descoberta alteraria todo o curso da exploração vindoura, incluindo a vida de seu amigo. O atraso característico não foi sentido enquanto permaneceram mudos, aguardando resposta. Os instrumentos musicais iniciaram a crescente final.

O Conselho retomou o controle da estação, mas devido aos danos permanentes, precisou ser estabilizada na órbita do satélite terrestre. Levaria quase um mês para serem construídas as peças de reposição, tempo que Amano dispunha, antes de ser enviado à colônia lunar.

– Antes que vá, querido, desejo fazer-te um pedido.

– Tudo o que minha aurora boreal desejar; dar-te-ei!

– Tudo mesmo, é o que dizes?

– Dou-lhe a palavra de um homem que voltou dos confins do universo e da morte, apenas porque vós esperastes!

Yuri permaneceu quieto. A culpa era dele. Sentiria falta de sua estranha amizade, mas poderia granjear os encantos de Maia; uma disputa que vinha desde os tempos da faculdade. Com Amano longe, reconquistaria seu “status quo”. Apesar de considerarem sua união como casamento, não havia nenhum ofício ou documento oficial no espaço, apenas quando voltassem à Terra, o que demoraria muito tempo.

O feliz início, de desenvolvimento conturbado, encontrava seu triste final naquela cápsula deslocada de Yoshitaka, levando consigo uma carga solitária e acima de tudo, humana. Acompanharam sua descida no planetoide ferido. Religou a transmissão à rádio assim que acoplou o módulo ao hangar de número um. Livre de seu concorrente, Yuri finalmente pôde colocar um ponto final em sua disputa.

– Ó amigo de eras! Não podia deixar-te às escuras, enquanto sofreis aí embaixo! A umidade encontrada nos detritos não provinha da Lua!

– O que dizes, ó besta quadrada de quinta dimensão?

– Foi apenas para tirar-lhe do caminho.

– O que foi que fizestes?

– Cuidadosamente retirei a tampa de vidro espesso e eis que…

– O que?

– Aliviei-me!

– Você… Como?

– Mijei! Pronto, falei!

Amano não sabia se ria ou se chorava. O período de sua transferência era de aproximadamente onze meses e meio. Não deixou por menos, afinal, ainda havia o pedido de Maia.

– Saibas tu, que com essa brincadeira de criança levada, estarei melhor aqui embaixo! Vejo-te em um ano!

Não era a reação que o outro esperava.

– Espere! O que há de tão engraçado, amigo de onças?

– Aguardes e verás… Ou melhor, prefiro dizer-te isso agora. Sentir-me-ei perfeito após isso!

– Digas!

– Maia pediu, com sua lábia fatal e dotes femininos, que “mexesse os pauzinhos” enquanto estivesse fora. Portanto, daqui exatas cinco horas, sua mãe estará aí em cima. Com vocês. Desejo-lhe toda a sorte do mundo. Eu estarei bem, aqui embaixo, colhendo pedrinhas. Desligo-te na face com uma gargalhada sinistra. Tu a mereces!

Aquela notícia foi um tremendo balde de água fria. Teria de aguentar a sogra de seu amigo durante um ano, sabendo que ele mesmo provocara aquilo. Conhecia bem aquela simpática senhora. Perguntaria sobre tudo, depois argumentaria sobre tudo, para em seguida questionar tudo.

A fim de encerrar a ópera que se iniciara há alguns dias, resolveu pegar emprestada a frase mais sublime dita pela humanidade, desde tempos remotos, e que deveria ser utilizada dali em diante sempre que necessário.

Estufou o peito e terminou tudo, de forma suave e sutil, homenageando maravilhosamente seus antepassados.

– Mas que m…

(…)

Não muito tempo depois, o primeiro homem a viver na Lua fez uma descoberta que o deixaria duplamente famoso. No sítio de escavação, onde futuramente estabeleceriam a segunda colônia, um grande artefato semitransparente, alto e retangular o aguardava. O objeto refletia a luz solar como um espelho terrestre e ao captar as ondas do subconsciente próximo tentou se comunicar.

– J… U… P… I… T… E… R.

– Quem tem a audácia de sussurrar aos meus ouvidos, ó criatura vil? Saibas tu, que o improvável se faz presente! Afinal, aboli as comunicações a fim de apreciar o belíssimo nascer da Terra! Um paradoxo!

Pensou um momento no que havia dito e sentiu calafrios diante do fato constatado. Ignorou. Tocou naquela estranha estrutura e a sentiu vibrar. Perfeito!

Escavou o local durante algumas semanas e carregou o monolito com o auxílio de máquinas automatizadas. Levou mais duas semanas para terminar seu projeto. Não sabia o motivo, mas o nome do quinto planeta ressoava nos cantos escondidos de sua mente, como uma melodia insistente e difícil de esquecer.

O objeto tentou se comunicar uma última vez. Mas as cordas presas cirurgicamente em sua estrutura impediram a ação da unidade telepática. Amano pulou em cima e testou sua teoria. O som produzido por aquele instrumento era divino!

Sorriu. Era o primeiro homem a possuir uma gigantesca harpa espacial!

Se um ponto de interrogação pudesse surgir da cabeça do artefato, este ponto estaria aceso e piscando em neon. Precisava contatar sua contraparte distante, de alguma forma.

Não muito tempo depois, sem explicação, toda a tripulação desapareceu.

III

A estação russa Kraken, financiada pela iniciativa privada, dançava graciosamente uma troika ao redor de Júpiter. Sua principal função, descobrir as circunstâncias desconhecidas que cercavam o desaparecimento da antiga estação espacial Yoshitaka, não preocupava a tripulação. Aproveitariam para executar pesquisas sobre a maior tempestade alienígena conhecida pelo homem.

Vladimir, Helena e Krauser analisavam as informações obtidas por meio do computador central. Seu estilo era diferente dos primeiros viajantes do espaço. Sempre terminavam as frases sapateando e esticando um dos braços para cima, enquanto diziam “hey!” de maneira forte e autoritária. Vladimir se pôs de pé de repente e indagou com sua voz arrastada e “R” acentuado.

– Helena, qual ser o resultado do última viagem?

– Há uma massa indistinta no interior do olho do furacão.

Permaneceram um de frente para o outro enquanto batiam os pés alternadamente, com pulinhos, e circulavam a mesa holográfica, segurando os quadris. Nesse instante Krauser entrou. Em meio às mesuras e muitos “erres” explicou o que havia descoberto.

– Parece que nossa bailarina oriental foi atraído pelo gravidade da planeta.

– O que sugere?

– Lançarmos Matryoshka. Verificar!

Vladimir sabia que esta tarefa competia aos três, afinal, anos de treinamento e experiência na colônia marciana garantiram sua escolha para esta expedição. Resmungou.

– Filho da Laika; com mil Sputniks! Hey!

Bateu os pés. Não tinham escolha. Deixaram a estação a cargo de seus subordinados e fizeram os preparativos para se deslocarem até as coordenadas recebidas, com o máximo de cuidado, senão poderiam ser tragados por Júpiter.

O módulo espacial foi lançado sem maiores dificuldades. Em poucas horas atingiriam o objetivo. Aproveitaram para escutar Baryshnikov e treinar alguns movimentos. Apenas um brilho incomum no interior da grande mancha vermelha os incomodava, como se alguém segurasse um espelho e o refletisse em suas faces.

A sombra disforme encontrada nas coordenadas revelou-se lentamente. A grande estação parecia vazia e silenciosa, desprovida de qualquer sinal terrestre, praticamente morta. Aproximaram o módulo, de curiosas formas cilíndricas concêntricas, e adotaram procedimentos de ancoragem.

– Quem de nós ir até lá?

– Quem fizer menos pontos no Tetris!

– Proklinat’! Nunca fui bom nessas coisas.

Sapatearam antes de iniciar a disputa. Minutos depois, Vladimir acabou perdendo. Lá fora, o estranho brilho parecia intensificar-se. Olhou-o de relance. A escotilha principal da estação fantasma exibia um estranho aviso intermitente em japonês. Solicitou tradução ao seu colega Chan. Ouviu apenas resmungos.

– Japonês não é tudo igual! Chinês também não! Mas se insiste em intelomper nossa janta de aloz flito, aqui vai a tladução: “Não peltulbe. Tâmo ensaiando para o glande momento”.

Aquilo só não era mais estranho e improvável do que ocorria neste instante na superfície de Júpiter.

Ordenou que sua equipe lançasse a sonda menor à Europa, uma de suas luas. Acompanharam na tela seus movimentos. Não havia nada anormal, nem esperavam algo assim. As montanhas rochosas e vales recortados continuavam calmos, serenos. Uma mistura de azul, cinza e branco, completava a paisagem de planaltos extraterrestres.

Passaram-se minutos até que escutassem um “bip”, cada vez mais forte com o passar do tempo, até que a sonda deixou de emiti-lo. Algo interferiu em seus sensores. Assim como relâmpagos que surgem e desaparecem em segundos, uma bola de fogo azulada foi cuspida por Europa. Disparou ao espaço exterior a uma velocidade incrível. Passou de raspão em Vladimir e na estação fantasma.

Devido ao grande susto, não perdeu tempo. Entrou com o código-mestre cedido pela empresa e quebrou a sequência de senhas geradas pela escotilha. Entrou bem a tempo de ver a mancha do planeta se movimentar. Tentou coçar os olhos, mas lembrou-se que o capacete não deixava. Alguma coisa acontecia, diante de todos.

Teve a leve impressão de estar no lugar errado. Yoshitaka não era daquele jeito. Entrou e desceu. Ao virar-se, deu de cara com um anfiteatro espaçoso e luxuoso, construído onde antes havia uma cozinha e sala de exercícios.

Poderia ser alucinação? Então, o que dizer de Júpiter estar sendo sugado para dentro dele mesmo? Ao presenciar macacos engravatados segurando violinos e violoncelos, bem como uma fêmea da espécie enrolada em um cachecol, de batom vermelho-marciano, desmaiou. Aquilo era demais para ele.

Monsieur Mike Monkey Maestro ergueu o queixo e falou, do alto de sua altivez.

– Companheiros símios! É chegada a hora de brilharmos, como nunca se fez antes em nossa história, desde que deixamos a terra primitiva para trás. Nossos tataravôs, de tempos remotos, estariam orgulhosos de nossa tradição. Finalmente chegamos a tempo de tocar no espetáculo que se descortina, o qual estávamos destinados.

Levantou seus pés e segurou de forma suave a batuta entre os dedos indicador e médio.

– Preparem os vocais! Aos violinos! Iniciem a transmissão aos mundos conhecidos! Afinal, esse era o desejo do Venerável, ser acordado ao som de pétalas de rosas deslizando sobre asas de borboletas cor de vinho! Que a crescente sonora acompanhe os últimos eventos deste quadrante e o “spoiler” que virá em seguida!

Um dos flautistas se aproximou.

– Chefe, o que é “spoiler”?

– Ora, você não leu?

– Não.

Coçou a cabeça.

– Nem eu. Que se dane! Hoje estou com a macaca! O show deve continuar.

O som registrado pelos satélites terrestres lembrava onomatopeias bem conhecidas, começando de forma simples até atingir a maior escala: Tã… Tã… Tã… Tã-Dã!! Tambores ressoaram.

Uma sombra gigante libertou-se da gravidade monstruosa do planeta, eclipsando totalmente as duas estações espaciais; a mesma espécie de monolito que tornou famoso o astronauta Amano, agora desaparecido. Um retângulo imensamente superior em todos os sentidos, mantendo apenas as mesmas proporções.

Vladimir entrou na Matryoshka e voltou rapidamente à estação. Ordenou que Kraken ativasse a aceleração contrária imediatamente, com toda a força, rumo à Terra.

O que ocorreu em seguida foi apagado dos registros humanos (incluindo seu encontro com os macacos evoluídos). No entanto, o que se sabe é que o tão esperado contato se deu de forma inesperada, através de uma mensagem que mudou para sempre a humanidade e seu modo de olhar o céu e as estrelas.

Depois de duas tentativas, finalmente na terceira, enquanto certo advento rotulado como “spoiler” nos documentos secretos alterava o sistema solar, o monolito falou. Sua frase tão profunda, sublime e inspiradora permaneceu gravada nas estrelas, durante dias…

– ALGUÉM SABE A SENHA DO WI-FI?

Nunca mais o universo seria o mesmo.

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30 comentários em “Ópera Espacial (Victor O. de Faria)

  1. Rodrigues
    17 de novembro de 2014

    é um trabalho e tanto. assim como vários contos que li aqui, essa intensidade de referências e homenagens me incomodou um pouco. fora isso, acho que precisa de uma revisão mais detalhada. enxugar um pouco também seria interessante. destaco o que achei de positivo: a competência do autor para ligar os elementos, a descrição inicial e o humor à Douglas Adams.

  2. Thiago Mendonça
    17 de novembro de 2014

    Olha, seu texto é muito bem escrito e revisado. Tudo está muito bem colocado lá. Comédia, irreverência… Tenho que admitir que está tudo muito bem encaixado. A trama e o humor, entretanto, não me fisgaram. Talvez uma segunda lida me faça apreciar um pouco mais seu texto, mas não foi dessa vez. Parabéns e boa sorte!

  3. Victor Gomes
    17 de novembro de 2014

    Além de moroso e floreado, achei intelectualóide. Mesmo que a intenção fosse a de acentuar o tom jocoso na narrativa, a execução foi um tanto cansativa. A linguagem culta, no geral, é bem empregada, mas falha em alguns pontos, por exemplo, quando usou o pronome “lhe” para falar na segunda pessoa e misturou o tratamento de segunda pessoa do singular e do plural (tu/vós), muitas vezes dentro do mesmo período.

    A intenção era cômica, mas não conseguir rir, exceto a pergunta no final, que muito mais tem a ver com o nosso contexto atual do que com o texto. hehe Acho que um conto de sci-fi humorístico deveria mostrar mais conhecimento e sarcasmo… não esse resultado bonachão com piadas um tanto forçadas. Ficou uma coisa meio “Todo Mundo em Pânico” sobre “2001: Uma Odisséia no Espaço”, que é um filme deveras profundo.

  4. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    Excepcional. Bem-humorado na dose certa, magistralmente construído e de escrita indefectível. “ALGUÉM SABE A SENHA DO WI-FI?” – Impossível fechar de maneira melhor kkkk. A odisseia no espaço nunca mais será vista da mesma maneira. Parabéns e boa sorte.

  5. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    É de se louvar contos que não têm medo de ousar, como este. A mistura de odisséia espacial (2001 e 2010) com ópera ficou para lá de surreal, narrada de maneira exemplar, isenta de erros e cheia de tiradas criativas. A evolução desde a descoberta do monólito, passando pelas estações espaciais, tudo pontuado por observações irônicas, ficou bastante interessante. O único porém, a meu ver, é que o conto se alongou demais. Talvez uma narrativa mais enxuta tivesse um resultado melhor. Do jeito que ficou – especialmente o segundo ato – o texto exigiu uma dose extra de paciência, especialmente nos diálogos, excessivamente longos. De todo modo, dá para perceber que a ideia foi reforçar o estilo, fazer o contraponto com o universo espacial. Por sair da mesmice, o conto ganha pontos, em todo caso.

  6. Jefferson Reis
    15 de novembro de 2014

    Nunca assisti a “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Preciso assistir.

    Gostei do conto. Algumas partes estão realmente arrastadas, mas não tanto para gerar uma crítica muito negativa. O uso que Stan Lee Rubik fez da linguagem para caracterizar os personagens merece bons pontos.

    A trama não me prendeu. O que me agarrou foi justamente a técnica do autor. O cenário que a narrativa me fez criar é insano. Um absurdo.

    Uma essência que se aproxima daquela do filme Laranja Mecânica.

  7. williansmarc
    11 de novembro de 2014

    Gostei muito da primeira e da terceira parte, nem tanto da segunda, achei um pouco enfadonha.

    Senti falta do HAL-9000, mas entendo que diante do que o autor(a) propôs não caberia no conto um robô psicopata.

    Como sugestão, diria para incluir na segunda parte uma ou duas cenas cômicas para quebrar um pouco o ritmo sério desse trecho.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Felipe Moreira
    9 de novembro de 2014

    Não é surpresa alguma encontrar nesse desafio um texto que tenha se inspirado no clássico 2001. A surpresa, ainda mais agradável, foi encontrar uma técnica muito competente e bem humorada de narrativa, moldada cuidadosamente ao ambiente. Eu não conhecia 2010, sequer havia escutado. =\

    Porém, o texto é muito bom, mas o segundo ato foi mais longo do que eu esperava. O diálogo não me incomodou, foi até divertido e caiu bem ao ambiente proposto, ainda regado de humor. O final foi engraçado, aquele de me fazer rir com vontade mesmo.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. GARCIA, Gustavo
    9 de novembro de 2014

    Vim ser do contra. Achei o segundo ato o primor do conto; no terceiro, me cansei.
    Achei as relações e brincadeiras sagazes, com um tom de comédia de cabaré, muito boas no segundo ato. No entanto, as promessas do enredo e a forma como você vinha construindo complexidade através de linhas simples me fez esperar algo que não me atingiu no terceiro ato… Esperava algo mais sagaz e impactante, mas acabei me deparando com algo meio “corta-caminho”, me pareceu… :/ (Não me entenda mal, não foi um Deus Ex Machina, de forma alguma! Só que na metade do caminho do 3º ato eu me peguei fazendo uma leitura mais dinâmica porque estava meio saturado.)

  10. Virginia Ossovsky
    7 de novembro de 2014

    Gostei bastante do início, mas achei a segunda parte cansativa e só consegui gostar do final, ótimas revelações…Ri nessa e em algumas outras partes, especialmente no final e na piada do Tetris. Resumindo, gostei da ideia do conto, mas só consegui me interessar de verdade quando estava quase acabando… Não que a história não seja boa; é ótima, na verdade, e muito divertida. Parabéns e boa sorte!

  11. piscies
    5 de novembro de 2014

    Sua escrita é divina. Acho que, não fosse ela, não teria lido até o final. Gosto de ler textos bem escritos, mesmo que o conteúdo não agrade tanto.

    Demorei para pegar o “ritmo” do texto. Gostei da ideia de um “musical em prosa”, mas pensar na ideia é uma coisa, ler de fato é outra. Achei massante.

    Mesmo assim, as piadas estão aí, e não pude deixar de sorrir quando li o verdadeiro plano de Yuri e o contra-golpe de Amano. os russos também foram engraçados, trocando a purrinha por tetris.

    Foi um texto estranho mas divertido de ler. Boa sorte!

    NOTA: Este filme ainda está entre os filmes que devo assistir antes de morrer, junto com o livro. Este texto acaba de avançá-los algumas posições para frente. Hehehe.

  12. Wallisson Antoni Batista
    5 de novembro de 2014

    Ri muito com a ultima fala, ficou muito bom. Você tem o método parecido com o meu, você usa a cordialidade de Alvares de Azevedo misturado com os “Wi-Fies” do século XXI. Uma coisa meio nova, meio velha. Adorei e me identifiquei muito com o conto.

  13. rubemcabral
    5 de novembro de 2014

    Bem, vamos lá: entendi a brincadeira com a expressão “Ópera Espacial” sendo tomada literalmente, uma sociedade moldada desde o início pelo monolito.
    O segundo ato, contudo, tá esticado e moroso por demais, creio que deveria ter sido mais “enxugado”. O terceiro ato, que faz uso dos acontecimentos de “2010”, é divertido. Algumas sacadas, feito citar Tetris, Matryoshka e outros elementos, foram bem engraçadas.

  14. Andre Luiz
    1 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A) Sem comentários acerca da ambientação e cenário, extremamente bem produzidos e tematizados. A forma como a descrição é feita me agradou bastante, mostrando que o autor tem domínio da norma padrão e de sistemas de coesão e coerência na escrita. Logo, percebo a preocupação em retratar o espaço, a questão da ópera e tudo mais, pecando apenas em uma linguagem talvez mais rebuscada que a dos clássicos brasileiros.

    B)O enredo é fortemente amarrado, com elementos coesivos que permeiam a norma padrão. Contudo, o excesso da segunda pessoa e o abuso do rebuscamento da linguagem torna o entendimento difícil, sendo que fiquei confuso em várias partes. Assim, sugiro uma modificação na linguagem, visto que as falas arrastadas demais deixam-nos entediados.

    Considerações finais: O conto é brilhante, sendo que o autor domina técnicas singulares de escrita, o que,no entanto, acaba atrapalhando a beleza do conto. A ópera foi bem construída, os primatas músicos, a história entre Maia e Amano, além de tudo mais que apareceram no texto, agradaram-me por demais. Não assisti ao filme, porém tive condições de entender grande parte do texto. Parabéns e sucesso no concurso!

  15. Fil Felix
    30 de outubro de 2014

    Eu tenho uma relação de amor e ódio com o filme 2001 (nunca li o livro nem conheço 2010). Ao mesmo tempo que adoro o visual e a abertura, extremamente épica, o restante do filme se arrasta até dizer chega. Talvez numa segunda assistida as coisas melhorem.

    No seu conto aconteceu algo semelhante. Gostei do início, mas o restante achei um pouco confuso. Boiei em várias partes. Gosto do climão espacial e, na minha mente, algumas sequências ficaram bem legais. Mas no geral achei um pouco cansativo. Tentei fazer várias ligações com o Planeta dos Macacos, com a aparição do monolito em épocas diferentes, mas meio que me brochou com o final, voltado pra comédia hahahaha.

    Sei que o conto é uma sátira, mas estava levando a sério =/ Obs: quem não viu 2001 deve ter boiado no Danúbio Azul.

  16. Eduardo Selga
    26 de outubro de 2014

    É um conto original em sua proposta de fazer uso, com personagens no espaço, de diálogos típicos da ópera, necessariamente redundantes em seu vocabulário, e também da música folclórica russa. Ao utilizar-se de personagens japoneses, remeteu ao teatro kabuki e também à ópera tradicional europeia, sempre com um gestual exagerado e “firulas elegantes” na fala. Por isso, o português quase arcaico usado faz todo o sentido, muito embora, parece-me, o(a) autor(a) esteja correndo risco de ter seu texto mal avaliado por causa da recepção textual, na medida em que a régua a ser usada pelo leitor médio será o conjunto de referências estéticas da contemporaneidade. Colocar-se noutro tempo e noutra estética não é tarefa das mais simples.

    O uso do barroquismo galhofeiro e também das falhas de concordância (“- Quem de nós ir até lá?”) na elocução de personagens russos, a “dislalia” a la Cebolinha dos japoneses, não me parecem ter sido usados por causa de preocupação com o verossímil, fundamentalmente, e sim para produzir efeito humorístico. Essa tarefa, acredito eu, Stan Lee Rubik consegue atingir em larga medida, embora tenha havido certo exagero no desenovelar da segunda parte. O trecho relativo à sogra me parece estar sobrando.

    A textura desse conto não é aleatória. Os elementos inseridos, quase todos, possuem uma função estética bem perceptível. A cena dos símios ocupando a nave japonesa, retomando o início e fazendo dela um teatro, por exemplo, pode ser entendida como uma ridicularização da espécie humana e sua arrogância no palco do planeta Terra. Bastante simbólica e, como o texto quase todo, irônica. Outro exemplo de construção bem pensada, podemos observar que os inícios da segunda e da terceira parte se dão da maneira praticamente idêntica. É rítmico, como o uso das da ópera de da troika fazem lembrar. Entretanto, acredito que por causa da grande distância entre ambos os inícios, esse efeito talvez tenha se perdido um pouco na recepção textual.

  17. Douglas Moreira
    26 de outubro de 2014

    Nossa, acho que o porquê de eu não ter gostado se dá pelo fato de eu não ter visto o filme (desculpa). Não me agradei de jeito algum. A linguagem também foi desgastante, ainda mais pelo tamanho do texto. Desculpe, mas não gostei de fato.

  18. JC Lemos
    26 de outubro de 2014

    Arrastado…
    Gosto de Sci-fi, mas a linguagem rebuscada me desanimou completamente. Acho que o fato de eu não ter visto o filme colaborou um pouco também.
    A história ficou meio confusa para mim, não sei se entendi direito. Creio que tenha a ver com macacos na ópera. Haha

    Enfim, outros com certeza irão entender. Está bem escrito, e irá agradar.

    Parabéns e boa sorte!

  19. Leonardo Jardim
    26 de outubro de 2014

    Bom, devo reconhecer que minha leitura ficou prejudicada por eu não ter visto o filme (sim, eu sei, a culpa é minha, eu deveria ter visto esse clássico!). Talvez por isso, eu achei a trama confusa. A forma como foi contada (como uma ópera) ficou bem divertida, embora cansativa em algumas partes (principalmente no segundo ato). Aliás, esse segundo ato acabou ficando como um todo muito grande e cansativo. De qualquer forma, o texto está muito bom e com passagens hilárias. Mesmo sem entender muito, dei boas risadas. 🙂

  20. Anorkinda Neide
    26 de outubro de 2014

    Oh céus! Entendi nada, quase… como fazer um comentário decente? rsrsrs
    Não consegui achar engraçado, embora todo o conto tentasse isso, é uma ópera-bufa? rsrsrs
    Meu desgosto talvez provenha do fato de eu não gostar de ópera, nem filmes musicais, sinto muito.
    Boa sorte ae!

  21. Claudia Roberta Angst
    24 de outubro de 2014

    Looooooooooooongo. Gostei da referência ao filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, os macacos e os ossos…
    O autor sabe lidar bem com as palavras e domina bem as regras da linguagem culta. A ironia dá um tempero a mais. No entanto, devido à extensão do conto, o ritmo da narrativa é prejudicado.
    A fala final foi perfeita, ótimo desfecho, bem casado com a atualidade.
    Boa sorte!

  22. Fabio Baptista
    24 de outubro de 2014

    ======= TÉCNICA

    Muito boa, sem dúvida.

    Mas, em determinados momentos o virtuosismo jogou contra a clareza (entendi a proposta da ópera, mas… ficou confuso, infelizmente. Principalmente o Ato II).

    – alvejada por impropérios
    >>> “Impropérios” dá uma conotação verbal, não física, como era o caso

    – dir-lhe-ei
    >>> pensei que estava errado kkkkk. Mas dado o domínio do autor no trato com a linguagem, fui conferir… e quem estava errado era eu! Boa, aprendi uma nova.

    ======= TRAMA

    Então… o conto ficou muito longo. O 2º ato principalmente.

    Tendo assistido 2001 dá pra entender melhor certas coisas (se não tivesse assistido, provavelmente nunca teria imaginado o monolito…), mas mesmo assim em determinadas partes a leitura se arrasta.

    O 3º Ato é muito bom. Comecei a rir com a fala do russo e não parava mais. Lembrou-me o sotaque daquele professor do pica-pau:

    “Temos aqui uma pica-pau…” kkkkkkkkkkkk

    ======= SUGESTÕES

    – Encurtar um pouco a história.

    – Diminuir um pouco a linguagem rebuscada no 2º ato

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: **

  23. Daniel Vianna
    24 de outubro de 2014

    Por um lado, também achei extenso e um pouco cansativo. Por outro, o desenvolvimento até que foi interessante, em razão da narrativa poética e das ironias. Em geral, se o texto fosse um pouco mais curto acho que eu não teria reservas. Agradável.

  24. Stan Lee Rubik
    24 de outubro de 2014

    Agradeço as críticas até agora. De repente me senti velho. Quem nunca viu, ou leu, “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e “2010 – O Ano em que Faremos Contato”, achará certas passagens confusas mesmo (não tinha pensado nisso, falha minha). Obviamente adicionei um toque pessoal no final do cap. 1 e do cap. 2, que leva a certo evento no cap. 3. Mas não se preocupem, coloquei vários avisos de spoiler a fim de não estragar a surpresa de quem ainda vai ler (ou ver) 2010. Já, quanto aos diálogos em geral, leia o título atentamente e você irá entender.

  25. Maria Santino
    24 de outubro de 2014

    Opa! Beleza?

    Adoraria que o climão de 2001 Uma Odisseia no Espaço fosse mantido até o fim, pois adorei o início (me encantou e fisgou de cara!), mas gostei da ousadia e união da primeira cena com a outra no final. Gostei também de algumas ironias como: orquestra sinfônica “Macacada Reunida” (sinceramente, isso nem música é. Pra mim, claro). Ri com alguns diálogos: ó desprezível, porém fiel, cavalheiro?[…] O que dizes, ó besta quadrada de quinta dimensão? […] Filho da Laika; com mil Sputniks! Hey! Achei bem bacana. O nome Krauser sempre me lembra o game Resident Evil 😛 , só a quebra dos diálogos que não seguiram a narrativa na parte da ópera me fizeram desgostar (em parte). O restante eu apreciei é bem insólito e divertido, me vi observando o retângulo imensamente superior em todos os sentidos… (Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas – Einstein)
    Como sugestão, diria somente para ser mais coeso, para que não fique moroso, mas, em todo caso eu gostei do conto.
    Abraço! Boa Sorte

  26. Cácia Leal
    24 de outubro de 2014

    Os diálogos estavam bastante confusos e a história, um pouco longa demais, cansou, talvez porque eu não curta muito esse tipo de filme. Mas o desfecho final, realmente, foi a melhor parte! Foi engraçado. Boa sorte.

  27. Sonia Regina Rocha Rodrigues
    23 de outubro de 2014

    Gostei. Uma gozação bem legal com Odisséia no Espaço.
    Esse final do cafê a sena do wi-fi foi ótima.

  28. simoni c.dário
    23 de outubro de 2014

    Muito divertido! Achei o enredo meio confuso e complicado de entender, mas com ótimas tiradas sarcásticas. Muito inteligente. Gostei mais da última parte, e as últimas frases me renderam boas gargalhadas.
    Parabéns!

  29. Lucas Rezende
    23 de outubro de 2014

    Grande, em!
    Achei muito curiosa a história, os diálogos ficaram cômicos. Adorei a forma que colocou os erros de gênero na fala dos russos. O aloz também me tirou boas risadas.
    A escrita está em ordem. A trama é um pouco confusa, mas divertida. Parada, mas divertida.
    Me agradou, apesar dos pesares.
    Boa sorte!!!

  30. Luiz Eduardo
    23 de outubro de 2014

    Muito legal a última fala kkkk

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Publicado às 22 de outubro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .