EntreContos

Detox Literário.

Pomona (Jefferson Reis)

Ouvi Samara e Alexandre correndo pela escada da varanda. Atravessaram a espaçosa sala de estar e em instantes estavam atrás de mim, na cozinha, pulando e gritando. Desliguei a torneira da pia e enxuguei as mãos, virando-me para encará-los:

– Calma! Um de cada vez, o que vocês querem?

– Pai, o Xande nunca jogou Silent Hill. Ele só conhece Angry Birds.

Samara, minha filha de sete anos, ria provocadoramente. Notei que o pequeno Xande, nosso vizinho e filho do caseiro, fechara a cara.

– Não conheço apenas Angry Birds, sua besta. É que nunca ouvi falar desse jogo ai, deve ser muito velho.

Sorri, desenganado:

– Vocês são anjos que vieram me salvar do tédio?

Samara se mostrou confusa.

– O que que é tédio, pai?

– Nada, uma coisa chata.

– Pai, pai, podemos jogar? Por favor!

Os cabelos negros da pequena, soltos, dançavam de um lado a outro.

– Sem mim, filha? Você tem certeza?

– Ah, eu consigo. É fácil. E não tenho medo.

Samara jogara Silent Hill comigo pela primeira vez aos cinco anos. Para mim, não fazia sentido algum criar qualquer suspense ou superstição em cima de jogos e filmes, de modo que pouco censurava minhas filhas nesse sentido. Era apenas um jogo antigo e bobo sobre uma cidade amaldiçoada.

– Tudo bem, podem ir, mas não façam bagunça no quarto. E tomem cuidado com meu Play.

Os dois sorriram um para o outro e deixaram a cozinha em passos largos, mesmo assim ainda pude ouvir quando Xande disse a Samara algo como “O seu pai é louco, mas um louco legal”.

Voltei para meu trabalho com as louças sujas do almoço, mas acabei por avistar o pobre Robert arfando no quintal, deitado próximo a uma planta desconhecida. “Coitado”, pensei. “Eles esgotam o cachorro quase até a morte, depois o abandonam com sede por causa de um jogo”. Enchi uma jarra com água do filtro e sai da casa de fazenda pela porta dos fundos.

– Robert! Aqui, rapaz.

O pequeno beagle surgiu com as orelhas abaixadas e esperou que eu despejasse o líquido cristalino em uma de suas cumbucas de água. Antes de beber, lançou um olhar comprido para mim, como se agradecesse. Escutei então o motor do carro de Diandra e em segundos o veículo estacionava sobre o cascalho da entrada.

– Desculpe a demora, tive uns problemas na escola – ela disse ao se aproximar depois de bater a porta.

Beijei-a nos lábios.

– Tudo bem, amor. Você perdeu o almoço, mas ainda pode provar a sobremesa, pudim de pão. As crianças disseram que está uma delícia.

Diandra era uma mulher atraente, inteligente, prestativa e com bonitos cabelos loiros tingidos. Nosso namoro era recente, mas eu estava inteiramente certo de que deixar a capital e me aventurar pelo interior não seria de todo ruim. Desde que eu chegara a São Martim, há três meses, ela havia me ajudado de várias formas.

– Adoro pudim! Comerei ele quase da mesma forma como o Robert bebe aquela água.

Gargalhei.

– Estava correndo atrás das crianças pelo quintal. Ficou sozinho quando os pequenos decidiram jogar videogame. Mas venha, ainda tenho que terminar um trabalhinho.

Arrastei Diandra para a cozinha e ela se ofereceu para enxugar a louça, mas a fiz se sentar à mesa e servi um pouco de pudim.

– Realmente está muito bom, Raul, você manda muito…

– Pai…

Maiara entrou de repente no aposento e pareceu surpresa com a presença de Diandra.

– Ah, desculpa, não sabia que estava aqui, não vi seu carro. Quer dizer, pensei que viria para o almoço, mas…

– Tudo bem. Não deu para vir, mas peço desculpa.

Minha filha adolescente parecia estranhamente tímida, o que causou um pequeno embaraço entre Diandra e ela.

– Pai, estou indo lá, tá?

– Lá onde, Maiara?

Ela estava impaciente.

– Na casa da Solange. Ai, droga, falei disso antes do almoço, você deixou.

Observei-a, temeroso. Ela acabara de fazer dezesseis anos e estava mais pálida do que nunca. As mãos frágeis e trêmulas escondidas embaixo da camiseta, o cabelo castanho escuro caindo sobre o rosto escovado.

– Você está bem, filha?

– Ai, cada pergunta. Estou bem, ué. – Um sorriso insosso brotou-lhe nos lábios. – Ela está me esperando. Lá o sinal da internet é melhor do que aqui. Vamos fazer um trabalho da escola.

Relutei:

– Você ainda não sabe andar por ai sozinha.

– São apenas alguns metros cortando pela floresta. Não dá nem um quilômetro. Volto antes de escurecer. Que droga, você nunca se importou com isso.

Deixei escapar um resmungo.

– Vai, Maiara, mas se não tiver voltado às seis, vou lá te buscar.

Minha filha mais velha se despediu de forma nervosa e me deixou sozinho com Diandra.

– Ela está estranha – comentei.

– Será que foi por minha causa?

– Não, meu bem. Sei lá, quem entende essas meninas?

Diandra se levantou para se aproximar de mim. De mansinho, me abraçou:

– Não deve ser fácil criar duas meninas sozinho. Ainda mais uma adolescente.

– Fácil não é, concordo, mas também não é impossível. Há tantos pais solteiros ou divorciados por ai. E há tantas mães que criam os filhos sozinhas.

– Eu sei, mas quando se é viúvo.

Fingi um sorriso, desliguei a torneira, sequei a pia.

– O que acha de assistirmos a um filme?

 

O olhar triste da tarde se alongou pelo assoalho em uma luz dourada que morria a nossos pés. O sofá era uma canoa sem remo, estávamos à deriva. Meu braço adormeceu sob o peso de Diandra, o pudim me causou indigestão. Fiquei me perguntando se ela também estava desconfortável, mas não tive coragem de mudar a posição. Inventei uma desculpa para me levantar:

– Vou ver como os pestinhas estão.

Caminhei sonolento até o quarto. Samara e Xande estavam fascinados diante da tela. Monstros fantásticos e humanos monstruosos habitavam aquelas cabecinhas.

– Chega de videogame, pirralhos – eu disse, mas eles não desviaram o olhar da televisão. Puxei o plug da tomada e recebi o enxame de reclamações. – É sério, vão se sentar um pouco na varanda, respirar ar puro, sei lá.

Antes de voltar para o sofá, parei para observar a paisagem pela janela longa do corredor. Do lado esquerdo, a fazenda, cuja gerência era minha função, perdia-se de vista. Do lado direito, a mata – em tons de verde escuro, verde claro e dourado – começava a escurecer com o crepúsculo. Consultei o relógio de pulso. Maiara tinha uma hora para estar em casa. Fiquei ali por mais algum tempo, absorto, até Diandra me assustar com sua voz calma.

– Você perdeu o final do filme. Ele morre.

Voltei ao presente e me senti culpado por tê-la deixado sozinha.

– Ah, droga, o filme. Bem, achei que ela morreria, não ele.

– Não faz diferença, todo mundo morre mesmo.

Seu sorriso era cansado.

– Acho que está na hora de eu…

– De forma alguma. Você vai ficar para o jantar. E vai me ajudar com ele, é claro.

Aquele momento idiota foi interrompido por Samara, que entrou correndo, seguida por Xande.

– Pai, o Robert sumiu. Procuramos por ele em todos os lugares, no barracão, no celeiro. Procuramos até no quintal da casa do Xande.

Os dois estavam suados e arfantes.

– É, seu Raul, chamamos ele um tempão, mas ele desapareceu.

– Ele é um cachorro, deve estar correndo atrás de alguma galinha.

Samara fez cara de choro.

– Mas nós procuramos. Eu acho que a bruxa pegou ele. A culpa é minha, que não prendi ele na corrente.

Agachei-me para ficar na altura de seus olhos.

– Filha, aqui não é a cidade grande. Robert pode ficar solto sem aquela corrente. Na fazenda, ele tem mais liberdade.

Xande estava impaciente.

– Ai, seu Raul, vamos procurar ele. Tadinho, se a bruxa pegou ele, vai comer ele.

Minha paciência estava diminuindo:

– Mas que raio de bruxa é essa? Vocês não acham que estão bem grandinhos? Samara, faça-me o favor. Daqui a pouco aquela praga aparece.

Essa foi a deixa para a pequena cair no choro.

– O senhor não entende. Ele não vai mais voltar. Eu vi a bruxa, mas não sabia que era bruxa, foi o Xande que me contou. Aquela mulher alta e magra, estranha, sorrindo e me chamando. Ela não fala nada, só fica fazendo sinal com a mão.

Perdi a cabeça:

– Você andou assustou minha filha, moleque?

Levantei-me e me deparei com Diandra me olhando. Olhar de desaprovação.

– É uma lenda local. A mulher da floresta é vista pelas crianças. São muitos os relatos. Fala-se sobre isso desde quando minha mãe era pequena. A Bruxa de São Martin faz parte do folclore da cidade. Tenha calma com as crianças.

Senti o peso das palavras. Ensaiei algo para dizer, mas decidi mudar de assunto.

– Samara, vá pegar uns biscoitos e sirva o Xande também. Vou procurar o Robert. Talvez ele tenha seguido sua irmã. E pare de chorar, sua molenga.

Antes de sair, parei e me dirigi às crianças.

– E não saiam de casa.

 

Diandra ainda mantinha aquele sorriso insuportável quando descemos a escada da varanda e ganhamos o quintal.

– Às vezes não sei quem é mais criança, Raul, eles ou você.

– É, eu sei – resmunguei. – Tenho perdido a paciência com frequência. Ando preocupado com as meninas, receoso. Nunca senti isso. Não sou um pai protetor, sempre tentei ser um cara legal.

Olhei fixamente para a mulher ao meu lado. Ela já não sorria, parecia se sentir culpada.

– Meu comentário foi inoportuno, desculpa.

– Ok, só me fale dessa bruxa.

– A mulher da floresta, ou dama das árvores, como também é chamada, faz parte do imaginário dos moradores da cidade há anos. Ninguém sabe exatamente como o mito surgiu, mas fala-se de uma mulher que vivia em uma fazenda nos arredores de São Martim. Um dia, ela desapareceu. Minha avó dizia que era uma jovem senhora que foi assassinada pelo marido por ter perdido o bebê em uma gravidez de risco. Seu espírito procura eternamente por um filho. Há outra versão para a lenda. Nela, a bruxa foi uma mulher que, em vida, sequestrava e matava crianças em uma casa em algum lugar por ai.

– História muito parecida com a loira do banheiro e suas irmãs. Até lembra um pouco aquele filme, a Bruxa de Blair.

– Sim, lembra mesmo. Há alguns anos, um grupo de adolescentes, inspirados nesse filme, saiu para fazer um documentário. Sabe o que aconteceu?

Arregalei os olhos.

– Eles morreram?

Diandra não disse nada, fazendo mais suspense com o olhar do que com o silêncio. Por fim, respondeu:

– Sim.

Ela tentou parecer séria, mas se entregou com uma risada.

Não acreditei no quanto eu havia sido inocente.

– Diandra! Dessa vez você me pegou.

 

Procuramos Robert por todos os lugares e a cada grito sem resposta, mais temeroso eu ficava. Ele estava na família há bastante tempo. Imaginei Samara chorando e Maiara reclamando da fazenda, da cidadezinha sem nada, sentindo falta da mãe, dos amigos que deixara na capital, do ex-namorado.

– Preciso encontrá-lo, Diandra. Se ele não voltar…

– Daqui a pouco ele aparece, você vai ver. Acho que ele seguiu mesmo Maiara.

Maiara. O dia escurecera mais rápido do que eu imaginava. A floresta, ao longe, não era convidativa. Os galhos de algumas árvores secas se erguiam como garras contra o céu avermelhado. “Aquela mulher alta e magra, estranha, sorrindo e me chamando. Ela não fala nada, só fica fazendo sinal com a mão”.

Caminhei com Diandra até a orla da floresta. A brisa da tarde trazia o cheiro típico que meu olfato se negava a acolher. Distingui a entrada da trilha estreita que levava às casas de alguns funcionários da fazenda do outro lado do mato.

– Você sabe alguma coisa da família de Solange, a amiga da minha filha? – perguntei.

Ela não pareceu surpresa com a pergunta.

– É boa gente. Nunca ouvi nenhuma reclamação sobre eles. Fui professora da Solange no primário. Era uma menina quieta. Quieta até demais, mas obediente e educada. A mãe é católica devota, acho que se chama Sônia.

Concordei.

– O homem se chama Osmar. Pilota um trator, trabalha com máquinas.

Analisei novamente a trilha e mudei bruscamente de assunto.

– Vou entrar. Pensei em pegar o carro e ir até lá pela estrada, mas acho que o cachorro está ai dentro. Cachorrinho de apartamento esse, viu! De qualquer forma, Maiara deve estar vindo por esse caminho. Você vem?

Diandra não aceitou minha mão estendida. No lugar, ofereceu-me um olhar aterrorizado, de espanto.

– Ah, Raul, eu… Eu não gosto de florestas.

Encarei aquela declaração como algo absurdo.

– Você cresceu rodeada por florestas, não entendo.

Minhas palavras apenas fizeram com que Diandra se afastasse devagar.

– É uma coisa de criança. Depois eu te explico. É que… Tenho medo de… Não quer esperar mais um pouco? Ainda não são seis horas, daqui a pouco ela vem.

– Estou preocupado além do normal, não quero esperar.

Ela nada falou. Olhava para a entrada da trilha atrás de mim. Compreendi.

– Você a viu, não foi?

Os lábios de Diandra se estreitaram numa linha trêmula.

– Não sei o que vi, Raul. Era apenas uma menina imaginativa. Estou ficando com frio. Droga! Olha, vou para casa preparar o jantar. Volta logo.

De costas, caminhando com os braços cruzados, Diandra parecia se conter para não correr, como quando sentimos o perigo cada vez mais perto, mais perto, mas não queremos perder o controle, pois não sabemos se o mal realmente existe ou se é algo que criamos para nos destruir.

– Estou começando a me arrepender de ter aceitado o emprego nesse fim de mundo – sussurrei antes de mergulhar na floresta.

Era outra atmosfera. Uma confusão. As árvores combatiam o céu metalizado, que era visível somente em pedaços. Raízes grossas e curvadas me fizeram pensar em estranhas criaturas mitológicas. Avancei vacilante, condenando-me por não ter nenhuma lanterna em mãos. “Mas que exagero”, pensei. “Minha filha de dezesseis anos não vê problema algum em usar esse atalho, por que isso deveria me aterrorizar um pouquinho sequer? A mulher da floresta. Que besteira!”.

A trilha tinha várias curvas. Numa delas, um galho podre de uma árvore moribunda havia caído e tomava metade do caminho. Desviei dele, mas acabei com a camisa cheia de carrapicho.

– Robert! Robert! Cachorro sem vergonha.

Parei de caminhar na esperança de ouvir os latidos de um cão perdido e desesperado. Nada ouvi além do farfalhar das folhas. Nenhum cachorro correndo entre as árvores, nenhuma adolescente cheia de tédio cantarolando com os fones no ouvido, nenhuma maldita bruxa com seu chapéu pontudo e sua vassoura de palha.

Assim, no silêncio, caminhei por dez, vinte minutos. Maiara havia mentido. A trilha se estendia por mais de um quilômetro e parecia não ter fim. “São apenas alguns metros cortando pela floresta. Não dá nem um quilômetro. Volto antes de escurecer”.

– É isso o que ganho por dar liberdade demais a elas, mentiras – sussurrei.

O tempo estava esfriando rapidamente. Consultei o relógio. Vinte e duas horas e vinte e quatro minutos, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete. Os ponteiros giravam alucinados.

– Mas você inventa de quebrar logo agora? Robert! Maiara!

Vinte e duas horas e quarenta minutos.

Fiz uma curva para a direita e parei, confuso. Observei o caminho à frente. A trilha fazia outra curva, dessa vez para a esquerda. “Só posso estar perdido”, raciocinei. “Esse caminho não foi feito por um ser humano em sã consciência”. Voltei, quase correndo, e me espantei com algo: a curva que eu acabara de fazer à direita, que agora deveria estar à minha esquerda, continuava à direita.

– Droga, estou perdido. Estou começando a entender o pobre do Robert.

Fiz novamente a curva e saí em uma descida desajeitada que me levou a uma clareira. Pude observar o céu noturno com suas estrelas recém nascidas. “Ok, tá tudo bem”. O relógio marcava alguns minutos além da meia-noite. Então escutei. Algo como um tecido era arrastado sobre as folhas. Parecia chegar por todos os lados. Eu, no centro do espaço vago, ocupava o palco. Havia alguém na plateia.

– Tem alguém ai?

O silêncio era amigo ou inimigo? Tomei coragem e procurei pela continuação da trilha, mas nada avistei na penumbra. Tampouco encontrei o caminho por onde viera. Vacilei por entre as árvores. “Daqui a pouco encontrarei a trilha e sairei daqui”, forcei-me a acreditar. Imaginei ouvir novamente o tecido pesado sendo arrastado e apertei o passo, desviando com dificuldade dos troncos finos e grossos. A imagem de Maiara também perdida aumentava meu tormento. Novamente parei, de súbito, é seja lá quem for que estivesse me seguindo, também parou. “Isso é coisa da minha cabeça”.

Encontrei a casa assim que voltei a caminhar. Estava literalmente caindo aos pedaços. Aproximei-me sentindo um respeito que me assustou. Era como se estivesse adentrando um território sagrado. Apenas uma casa antiga, pobre, abandonada, mas tinha alma de castelo, imponente, com mil e uma masmorras em seu subsolo. Ali, quase todas as árvores eram secas, dezenas de braços magros que se lançavam na direção do espaço sideral. Não pude me conter.

Ousei entrar no primeiro cômodo. Onde deveria ser a sala de estar, havia um piso afundado. No canto, por conta do rebaixamento do solo, um buraco que lembrava a garganta de uma serpente. O cheiro era acre. Passei, apoiando-me na parede que se descascava ao menor toque, e adentrei um pequeno corredor. Havia sinais nas paredes, evidenciando onde, num passado desconhecido, ficavam quadros dependurados. A cada passo, mais vulnerável eu me sentia.

Na cozinha, parei logo que cruzei a porta e quase não consegui segurar o peso de meu corpo, pois minhas pernas falharam quando percebi o vislumbre da mulher de negro do outro lado do aposento. Alta, magra.

Haviam desenhado-a com carvão exatamente como vivia em minha imaginação. O negrume era tão vivo, mesmo dentro da escuridão, que quase saltava da parede encardida em minha direção com a mão estendida, sedenta, clamando por minha criança interior.

– Então você é a mulher da floresta – sussurrei.

Deixei a casa sem visitar os quartos e corri desorientado, não me importando com os galhos e espinhos que arranhavam a carne de meu rosto. Uma casa ridícula no meio do nada e algum caipira vagabundo inventara de desenhar a tal da mulher da floresta na parede. E eu não estava fazendo nada bonito ali, deixando-me levar por uma lenda local.

Só parei de correr quando encontrei a trilha. Minhas pernas doíam, meu abdome doía, minha respiração estava acelerada. O caminho sinuoso me levou novamente para o ponto de partida. Avistei minha casa com as luzes acesas e agora quem sentia a sensação do perigo era eu. “Autocontrole, Raul”.

 

O cheiro do jantar havia tomado conta da casa. Atravessei a sala de estar e fui direito à copa cozinha. Diandra e Samara me esperavam ali, sentadas à mesa.

– E então, pai, você achou ele? Nossa, como você está sujo e suado – interpelou-me a menina assim que me viu chegar.

Fiz cara de espanto.

– Então ele não voltou com a Maiara? Cadê a Maiara?

Olhei interrogativo para Diandra, que respondeu:

– Chegou há um tempo, disse que havia comido na casa da Solange, tomou banho e foi para o quarto. Não sabe onde está o Robert.

Puxei uma cadeira e me juntei a elas, decidindo-me se contaria ou não que havia me perdido na floresta, entrado em pânico, imaginado coisas.

– Resolvi sair da trilha um pouco e por isso demorei. Acabei tendo problemas com alguns espinhos. E meu relógio deu pau.

Diandra pegou em minha mão.

– Eu já estava ficando preocupada.

Sorri para ela e me dirigi a Samara.

– Cadê o Xande?

– A mãe dele chamou ele para casa.

Suspirei.

– Filha, amanhã procuramos o Robert novamente caso ele ainda não tenha voltado. Acho que ele está por ai, fazendo alguma danura.

– Mas ele vai dormir lá fora?

– É o jeito, meu bem.

 

Depois do jantar, Samara adormeceu rapidamente no sofá. Levei-a para a cama e me despedi de Diandra, que precisava trabalhar cedo no dia seguinte. Fiquei por algum tempo sozinho diante da TV, mas logo desliguei o aparelho e resolvi dormir. No caminho, entrei novamente no quarto da pequena para me certificar de que ela estava realmente bem agasalhada.

Quando passei em frente ao quarto de Maiara, percebi que a porta, contrariando a rotina, estava destrancada. Então, pela força das emoções que havia sentido naquele dia, fui instigado a agasalhar também a filha mais velha, o que eu não fazia há anos. A luz fraca da luminária tornava visível o rosto adormecido, cada vez mais parecido com o rosto da mãe. “Como são parecidas”, exclamei. E só então me dei conta de que não conhecia minha filha. Não aquela, calada, arredia, que se escondia de mim em quartos fechados e, agora, nos sonhos.

Não, não estava bem agasalhada, por isso abri o guarda-roupa para pegar mais um edredom, mas o que chamou minha atenção foi a câmera digital no fundo da gaveta. Na última vez em que eu a havia visto, estava entre minhas coisas, ainda na capital. Liguei-a.

A primeira fotografia mostrava Gina, Maiara e Samara no restaurante que costumávamos frequentar. Na segunda, eu fazia uma selfie da família em frente a estufa principal no Jardim Botânico de Curitiba. Lágrimas se atreveram a escorrer por minha face. Na terceira foto, minha família perfeita ainda completa brincava no carpete felpudo do apartamento onde costumávamos ser felizes.

O terceiro arquivo era um vídeo.

Apertei o play.

O cenário era escuro e não estava em sintonia com as fotos. Quem segurava a câmera parecia estar tremendo. Quando a imagem entrou em foco, reconheci Solange, a nova amiga de Maiara, parada em frente a um computador.

– É seguro, claro que é seguro – ela disse. – Já acessei algumas vezes. Uso esse computador somente para isso, foi um presente. O ID é bloqueado. Podemos navegar na Deep Web sem nos preocupar. É como eu falei, são sites não indexados. É lá que está o site da Dama.

– Não sei, não – disse Maiara, que segurava a câmera. – Por que eles precisam do vídeo?

Solange era uma moça gordinha e parecia zangada.

– É uma prova. Com isso, avançamos de nível. Seremos sacerdotisas. Teremos poder sobre os iniciantes. Você não quer ser uma sacerdotisa?

A pergunta pairou no ar, desfigurada.

– Quero. Droga! Mas…

– Coloca a câmera ali em cima.

A câmera fora posta em cima de algo. Maiara entrou no campo que estava sendo filmado. Tanto ela quando Solange usavam mantos escuros e maquiagem pesada. O lugar onde estavam parecia um pequeno paiol.

– Venha! Segura minha mão, Arbusto.

– Solange…

– Você deve me chamar de Mangueira.

Aquilo estava embrulhando meu estômago, era estranho demais. Quando as duas, em uníssono, começaram a declamar uma espécie de ritual, comecei a tremer.

– Nós a invocamos, Dama das Árvores, rainha dos labirintos de folha e espinho. Estamos preparadas para a grande função. Você, que caminha entre os troncos, receba nosso sacrifício de sangue.

Ao ouvir tais palavras, a câmera por pouco não escapou de minhas mãos. Prendi a respiração. O ganido de Robert quase não pode ser ouvido. Maiara o segurou, mas foi Solange quem afundou o punhal.

– Não! – sussurrei.

No vídeo, Solange ainda aparecia com as mãos avermelhadas.

Desliguei o equipamento de filmagem sem acreditar naquilo.

Uma vontade imensa de chorar me dobrou, com força. Lembrei-me de Samara dizendo que Robert jamais voltaria. Lembrei-me do dia em que Maiara nascera prematura.

Maiara.

Olhei para ela na cama.

Seus olhos grandes, enormes, fixos em mim.

29 comentários em “Pomona (Jefferson Reis)

  1. Thiago Mendonça
    17 de novembro de 2014

    Gostei do deu trabalho. A ambientação ficou bem legal, dessas de suspense/lenda urbana. Eu deixaria, porém, o texto mais sucinto. Num conto de suspense, nenhuma palavra pode ‘sobrar’. Se você parar a ação para ficar explicando as coisas, nem que seja por um parágrafo, isso pode desviar a atenção e tirar o ‘gancho’ do leitor. Bom trabalho!

  2. Rodrigues
    17 de novembro de 2014

    esse conto tem um final que da medo, é impactante. a criacao dos personagens está muito interessante e nesse aspecto as crianças são o ponto alto. a desconstrucao que acontece ao final, deixando leitor e protagonista abismados, foi sensacional. mas o conto realmente poderia ser mais enxuto. gostei bastante.

  3. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    A ideia é interessante, mas acho que poderia ser bem mais efetiva com um terço do tamanho. Consciente ou não, usou a estratégia de muitos filmes do mesmo gênero, que é apresentar muitas informações para desviar a atenção do expectador, o que não funcionou de uma maneira muito legal, ao menos para mim (se a intenção era causar medo, eu não sabia se devia sentir medo do jogo, da mulher da floresta, da amante perfeitinha demais, de alguma coisa que tivesse transtornado a filha mais velha, de tudo ao mesmo tempo, enfim… muita informação e acabei não sentindo medo de nada disso). Por outro lado, você domina bem a ortografia e o conto se adequou bem ao tema (se adequou inclusive ao tema do penúltimo desafio, que era “Bruxas” rs). Parabéns e boa sorte.

  4. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Excelente conto. O suspense cresce na medida certa, sem atropelos. O autor foi perito em preparar o terreno, fazendo-nos cúmplices da trama toda. Muito boa também a caracterização do narrador, com todas as suas dúvidas e questionamentos. Essa luta interior dele consigo mesmo, tentando sufocar um pânico incômodo, foi o melhor do conto. Achei que tudo iria terminar na casa abandonada, com ele encontrando Maiara e cachorro sacrificados, de modo que o desenrolar terminou me frustrando um pouco. O finalzinho, no entanto, recuperou o alto nível. Aberto, teve aquele gosto de “caraca, e agora?” – com direito a criança-poltergeist e tudo mais. Cheguei a pensar que Maiara voltaria seus fogos contra a irmã, já que um sacrifício humano seria ainda mais relevante dentro da lógica do conto.

    Enfim, um conto muito bom, acima da média. Parabéns.

  5. Fil Felix
    15 de novembro de 2014

    Gostei do seu conto por flertar com o cinema de terror hollywoodiano, daqueles estilo Lenda Urbana, Horror em Amytiville e afins. Todas as características estão aí, gerando um suspense interessante e um final inesperado. Então em relação à conteúdo, posso dizer que curti – justificando minha nota -, principalmente por esse lado. Entretanto, há diversos pontos que precisam melhorar.

    A história está arrastada, os personagens são hollywoodianos demais kkkk, nenhum com grande profundidade e as coisas se desenrolam muito facilmente – quase que didaticamente. A escrita está boa, tudo ocorrendo com bastante clareza, mas acho que faltou uma construção melhor. A primeira parte está repleta de adjetivos simples, numa revisão poderiam ser substituídos por frases melhor elaboradas. Apesar desses “probleminhas”, a história engrenou de vez a partir do momento em que ele chega em casa. Então foque nesses pontos positivos e boa sorte!

  6. Willians Marc
    12 de novembro de 2014

    Gostei da trama e de como foi conduzido o mistério durante o conto. Acho que algumas partes poderiam ser cortadas para dar mais síntese ao texto, como por exemplo toda a conversa sobre o videogame (apesar da referência ao jogo silent hill, que por sinal é muito bom). Também achei a bruxa da cabana meio sem graça, gostaria que ela tivesse falado algo para o protagonista ou o amedrontado um pouco mais.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Felipe Moreira
    12 de novembro de 2014

    O texto é muito bom tecnicamente. O que mais gostei foi a ambientação e a lucidez com que o protagonista foi trabalhado, oscilando suas emoções de acordo com os acontecimentos. A narrativa não desliza, é segura e objetiva, o que facilitou na hora dos “golpes” de suspense. Além disso, o texto explora bem o tom familiar… Desde as brincadeiras no quintal, a preocupação com a filha Maiara até o relacionamento com Diandra, o que ao meu ver, foi maior do que esperado. Talvez o diálogo entre eles tenha sido muito extenso, o que diminuiu um pouco o meu interesse no conto. Retomei o fôlego com o suspense na floresta. E o desfecho, que rumava para algo suave, arrebatou.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Gustavo Garcia De Andrade
    11 de novembro de 2014

    Pois, a trama que você constrói é, de fato, arrebatadora (no sentido de construir e entregar tensão) mas pareceu-me que faltou uma naturalidade nas construções. Alguns diálogos e situações me pareceram meio forçados, por exemplo: O pai chamando a atenção estranhamente das crianças e depois tratando o fato como um “surtinho” e não tratando mais do assunto; a explicação subitamente didática pela namorada sobre as lendas da vizinhança etc.; a inclinação e entrega da filha a qualquer espécie de ocultismo. Isso acabou quebrando, um tanto considerável, a dinâmica da narrativa e a credibilidade geral do conto (embora sua arquitetura de fatos a fim de instigar o leitor tenha acabado por funcionar, reitero que poderia ter sido melhor trabalhada através de personagens e situações mais orgânicas).

  9. Brian Oliveira Lancaster
    10 de novembro de 2014

    Meu sistema: essência. Independente das revisões que o texto necessita, o ambiente criado, opressivo e com toques de suspense, ficou muito bom. Do meio para frente desperta a curiosidade do leitor e continua em uma crescente até o final – intrigante e assustador ao mesmo tempo. Algumas construções iniciais devem ser reavaliadas, mas no geral, atingiu muito bem o objetivo, que era causar o estranhamento característico desse gênero.

  10. rubemcabral
    10 de novembro de 2014

    Não gostei: achei por demais “esticado”, sem clima ou suspense, com narração – bem escrita – porém pouco criativa. Não consegui me ligar aos personagens, sentir medo ou algo do tipo, infelizmente.

  11. Virginia Ossovsky
    7 de novembro de 2014

    Conto maravilhoso! Não conseguia parar de ler, simpatizei de cara com o narrador e com a história em si. O final me deixou morrendo de vontade de ler uma continuação. Só não entendi o título… seria o nome da bruxa da floresta? Acho que seria interessante se fosse o “nome de guerra” da Maiara (em vez de Arbusto) ou mesmo da Solange (credo, que menina tenebrosa). Enfim, parabéns pelo conto e boa sorte.

  12. JC Lemos
    7 de novembro de 2014

    Olá autor, tudo bem?

    Muito bem. Gosto de contos de terror e suspense, e esse seu me lembrou o climão hollywoodiano. Como já foi dito anteriormente, também achei a primeira parte bem arrastada, mas do restante ao fim, ficou muito bom! Sua narração é
    formidável, pois nos atrai para dentro da história de forma bem real, nos fazendo sentir o que a personagem sente. Parabéns por isso. As cenas da floresta foram muito bem narradas, mas o fim foi, sem dúvidas, o melhor trecho.

    Fiquei tentando entender quem era a Dama, e no fim pensei em The Woman In Black. Mas fiquei com MAMA na cabeça também.

    Independente de qual seja, ficou bom, e você merece os parabéns!
    Boa sorte!

  13. Andre Luiz
    6 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A)As personagens são extasiantes, deixando-me absorto na trama e com vontade de finalizá-la na intenção de saber seu final. Desde Diandra até a própria bruxa da floresta, que compõem o conto de forma impecável, sendo importante do início ao fim. (Aliás, se não me engano, vi que alguém criticou os nomes, porém Xande é apelido para Alexandre, e Diandra não é inventado, apenas um nome inovador, que, com certeza, já vi ao menos na chamada do Enem ou de outros vestibulares.) Logo, gostei bastante da forma como Robert e os humanos se relacionam, bastante adequado à realidade. Quanto à bruxa, uma história a parte: Deixou-a para o final, guardando a surpresa e embelezando ainda mais a história.

    B)O enredo é convidativo, como já contei que fiquei ansioso para terminar. Não porque estava ruim; pelo contrário, está excelente e, mesmo que o conto seja aparentemente grande, em meu ver, nada precisa de ser descartado, pois tudo – até mesmo a parte do pudim – compõe a trama; visto que, os personagens também não precisam ficar a história inteira correndo ou sofrendo pela ação da bruxa, não é?

    Considerações finais: Uma pequena, mas interessante, história que me ocorreu. Enquanto eu estava absorto na leitura deste conto, interessado e instigado para saber o que aconteceria, tive de parar para ir à aula de inglês. Fui, porém fiquei com a mente na história, querendo saber onde estavam as garotas, o que seria a bruxa e o porque do título do texto. Pomona? Não consegui entender a escolha do nome, porém em nada prejudicou minha leitura. Pelo contrário, instigou-me. Parabéns pelo conto e boa sorte no concurso!

    PS: Mandrágora. (Fã de Harry Potter? o/)

  14. piscies
    6 de novembro de 2014

    O conto é muito bom. Gostei do clima de suspense, e prendi a respiração com Raul na floresta. Gostei bastante do final também. É assustador e deixa que nossa imaginação faça o resto do trabalho.

    A narrativa está quase 100%. Muito boa, com alguns paralelos e comparações muito interssantes, mas também alguns parágrafos com explicações desnecessárias. Por vezes parece que você quer ter certeza que o leitor entendeu o que você quis dizer, então adiciona um “pois…” e começa a explicar algo que não deveria (a meu ver).

    O que me incomodou também é que aparentemente Raul gosta muito de falar sozinho, sussurrando para si mesmo. A passagem onde ele encontra a bruxa desenhada em carvão, por exemplo, foi estranha. Na minha imaginação, ele olha a bruxa, sussurra tranquilamente para si mesmo: “Então você é a mulher da floresta”, e só então resolve correr. Eu me imagino correndo loucamente no segundo que eu pusesse os olhos no desenho.

    Mesmo assim o conto está fantástico. Parabéns!

  15. Wallisson Antoni Batista
    5 de novembro de 2014

    Ficou muito bom, o enredo, a aprofundação em relação aos personagens. Otimo, maravilhoso.

  16. Fabio Baptista
    4 de novembro de 2014

    ====== TÉCNICA

    A técnica é muito boa. Toda a narração é feita com clareza e há pelo menos duas passagens bem inspiradas.

    Fiquei um pouco incomodado apenas com o excesso de pretéritos mais que perfeitos, principalmente onde a combinação com as palavras próximas soou quase uma cacofonia:
    – Fechara a cara
    – Samara jogara

    – Andou assustou
    >> assustando

    – Quase não pode ser ouvido
    >> pôde

    ======= TRAMA

    A história é muito extensa. A maioria dos participantes está optando pela utilização das 4000 palavras permitidas e as leituras estão ficando cansativas.
    Conforme já comentado pelos colegas, muita coisa poderia ser suprimida aqui, sem grandes perdas para a trama principal. Silent Hill por exemplo, foi uma pista falsa que gerou frustração (pensei que teria algo a ver com o jogo e me decepcionei ao perceber que não).

    O desenvolvimento, apesar da qualidade da narrativa, é arrastado… demora muito para chegar no excelente final.

    ======= SUGESTÕES

    Diminuir o numero de personagens.
    Deixar o conto mais conciso.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: ***

  17. Daniel Vianna
    30 de outubro de 2014

    Acho que a menção a tédio no início foi uma pista. E isso se deu porque o texto se arrastou, já que muito do início devia ser editado. Houve uma leve gradação no suspense, mas não o suficiente para salvar a narrativa que, no entanto, está bem correta. Acho que o que faltou nesse conto foi ritmo. Talvez uma caracterização menos detalhada naquela parte inicial em família, ou algum mistério incluído no caminho pela floresta. Algum acontecimento a mais poderia ajudar.

  18. Anorkinda Neide
    28 de outubro de 2014

    Eu até que gostei do conto ser longo, pq me ambientou e me fez conhecer os personagens. Gostei das crianças Samara e o vizinho.
    Concordo com Maria que a frase de resposta do pai para a namorada não está legal, pessoas envolvidas na situação nao falam isso, só que está fora, pelo nao falam assim gratuitamente.
    Gostei dos personagens todos, só achei estranho vc falar em Curitiba, eu estava lá nos EUA, em alguma das cidades pequenininhas que tanto aparecem em filmes dessa natureza, realmente seu conto é bastante clichê com algumas inovações como o video para a deepweb.
    Mas gostei e fiquei aterrorizada com o final! hehehe
    Abração

  19. Leonardo Jardim
    27 de outubro de 2014

    Gostei. A partir do momento em que ele entra na floresta, o conto me pegou e eu me vi ansioso para saber o que ia acontecer. A bruxa não apareceu, mas o final foi bom, eu me surpreendi e confesso que a última frase marcou (imaginei o olhar macabro da menina e fiquei com medo… hehe).

    Como já disseram, o problema do conto é o excesso de cenas que não acrescentam em nada na trama. O desenvolvimento arrastado não é um defeito, ajuda a criar o suspense, mas o clima de suspense demorou a aparecer (só na parte da floresta, como eu disse). Uma sugestão é eliminar essas cenas desnecessárias (um conto deve ter só o que é importante para a trama, qualquer gordura extra deve ser cortada), como por exemplo as já citadas cenas do video game e do pudim. Além disso, você poderia ter desenvolvido um pouco mais a relação do pai com a filha adolescente (que acabou se mostrando a filha mais importante para a trama). Mas é um bom conto. Parabéns!

  20. Douglas Moreira
    26 de outubro de 2014

    O texto é até bom, uma vez que me fez querer muito saber o que estava por trás dos sumiços. Mas é muito estendido no que diz a acontecimentos. Entendo que você tentou nos ambientar e mostrar um mundo com o qual eu me identificar, mas com todos os acontecimentos, como o Sillent Hill me fez esperar surpresas atrás de surpresas. Acho que o que você pecou foi o estendimento o excesso de expectativa que criou. Mas parabéns e Boa Sorte.

  21. Eduardo Selga
    25 de outubro de 2014

    Não sou partidário de que todo conto precise ter, necessariamente, ritmo acelerado e uma surpresa atrás de outra. Isso, acredito, é determinado pela proposta estética. Porém, o presente texto se arrasta sem que haja um motivo estético para isso. E nesse processo há personagens e cenas em excesso. Xande e a namorada do protagonista são dispensáveis, bem como o longo trecho do pudim. Mandrágora poderia cortá-los sem piedade, porque conto não precisa ser longo ou curto, isso também é determinado pela proposta estética. Se a estória fechou o seu ciclo, esticar é comprometer o texto. Do mesmo modo, supérfluos não cabem. Porque não é um romance, onde é preciso descentralizar a ação e é possível compensar mais adiante alguma passagem pouco inspirada.

    Também não acho que o autor precise fazer malabarismos textuais em nome da originalidade, por vezes uma quimera. Nem por isso deve contentar-se com clichês surrados. Floresta, bruxa, casa abandonada… É tudo muito exaurido, já que do modo como foi usado não acrescenta nada ao já conhecido. Não sei se é questão de fidelidade a tal ou qual filme, mas isso não é relevante porque a linguagem do conto não é a mesma do cinema, de modo que ele precisa resolver-se a si prório enquanto narrativa. Ainda que haja intertextualidade.

    O texto apresenta problemas em outros aspectos. Por exemplo, o uso dos pronomes, como em “haviam desenhado-a” (“haviam desenhado-na”) e “Ai, seu Raul, vamos procurar ele. Tadinho, se a bruxa pegou ele, vai comer ele.”, onde o pronome ELE aparece nada menos que três vezes e em todas elas em posição equivocada, já que os pronomes retos não podem exercer a função de predicado.

    Nesse ponto, porém, ocorre um detalhe: Mandrágora optou pela linguagem coloquial, logo, usar “procurá-lo”, “o pegou” e “comê-lo” soaria forçado na boca do adolescente da cena. A solução passaria, portanto, por reconstruir todo o período.

    Há um parágrafo que diz: “Diandra não aceitou minha mão estendida. No lugar, ofereceu-me um olhar aterrorizado, de espanto.”, para logo após ela dizer o seguinte: “– Ah, Raul, eu… Eu não gosto de florestas.” Bem, ocorre que a reação dela, em função do uso da reticência, demonstra um estado de espírito bem diverso do espanto informado pelo narrador.

    copa cozinha HIFEN

  22. Sonia Regina Rocha Rodrigues
    25 de outubro de 2014

    Há muitos elementos que poderiam ser tirados porque não acrescentam nada à história – pudim de pão, vídeogame, o filho do vizinho.
    Os nomes não ajudam – Diandra, Xande – isso é nome inventado? Aliás, tem nome de mais, o conto poderia ser mais focado nos personagens realmente indispensáveis. Já se fosse um romance … não é.
    O pai parece desejar as crianças bem longe dele, não é um pai pai, está mais para pai acidental que não se importa com os filhos – aí, que diferença faz o que acontece de ruim a seguir?
    Nada no primeiro parágrafo convida a continuar a leitura. “Ouvi Samara e Alexandre correndo pela escada da varanda.” Bem, lendo a frase eu não sinto nenhuma vontade de saber quem são Samara e Alexandre, nem de saber que escada e que varanda são essas. Falta um gancho aí no início para prometer alguma emoção ao leitor.

  23. Claudia Roberta Angst
    24 de outubro de 2014

    Olha, eu até gosto dessa coisa de bruxa, mas demorei para engrenar a leitura. Não vi o filme em questão, ou filmas. Pensei em A Bruxa de Blair e aquele outro filme com a mulher do cabelão preto (minha cunhada imitava muito bem a tal Samara). Não conheço o enredo, mas achei a narrativa morosa. O final foi mais bem sucedido no quesito de interesse e impacto. Boa sorte!

    • Claudia Roberta Angst
      24 de outubro de 2014

      * ou filmes

    • Maria Santino
      25 de outubro de 2014

      Sabe, Cláudia. Acho que o autor deu uma flertada com a Bruxa de Blair, mas o vídeo no fim é o que de fato remete ao tema proposto, pois está lá na chamada: texto com o tema filme/cinema. Então acho que o filme (esse vídeo feito para Deep Weeb) foi a proposta para se encaixar no desafio.

  24. Maria Santino
    24 de outubro de 2014

    Boa Noite, autor (a)!

    O ritmo lento da narrativa é como uma capa esvoaçante de bruxa que perdura do início ao fim. Não achei a narrativa instigante, mas não é ruim (falando só por mim, claro). A ideia central me cativou bem como o final e queria ver mais desse lance de Deep Web (essas coisas são sinistras mesmo). Mas essa bruxa aí não me convenceu muito, embora tenha gostado, acho que a lenda sobre ela já deveria ser sinalizada antes, bem como a fuga do cão. Acho que uma atenção mais voltada para o pai e a moça em questão (Maiara) daria mais densidade e fisgaria mais o leitor. Uma maior interação entre ambos, por exemplo.
    Achei belíssima essa construção: “O olhar triste da tarde se alongou pelo assoalho em uma luz dourada que morria a nossos pés.” E gostei do uso de “danura.”
    Se posso dar mais pitacos, diria para retirar essa passagem: “Fácil não é, concordo, mas também não é impossível. Há tantos pais solteiros ou divorciados por ai. E há tantas mães que criam os filhos sozinhas.” Destetei isso, soa como lição barata.
    Passou despercebido pela revisão: Você andou assustou minha filha, moleque? Você andou ASSUSTANDO minha filha, moleque? Ou, Você assustou minha filha, moleque?

    Parabéns e Boa Sorte 😀

    • Maria Santino
      24 de outubro de 2014

      Ops* quis dizer: Você andou assustou minha filha, moleque? NÃO SERIA:Você andou ASSUSTANDO minha filha, moleque? Ou, Você assustou minha filha, moleque?
      Essa é o típico deslize quando a gente reescreve algo e acaba sobrando alguma coisinha pra trás. rs.

  25. simoni c.dário
    24 de outubro de 2014

    Final chocante!
    Atiça a curiosidade, podia ser menor, mas talvez os detalhes a mais é que tenham trazido o suspense. Me prendeu.
    Muito bem escrito de fato. ë um bom conto.
    Parabéns!

  26. Lucas Rezende
    24 de outubro de 2014

    O conto começou devagar, tedioso. Conforme foi seguindo, foi melhorando. O mistério foi me prendendo, fiquei curioso. Mas, o final é muito ruim e repentino.
    Está bem escrito, flui muito bem. Acho que poderia ser encurtado um pouco, mas isso não tem muita importância.
    Uma história sem nada de novo que mesmo assim tinha potencial, porém, o fim deixou a desejar.
    Enfim, regular.
    Boa sorte!!!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 24 de outubro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .