EntreContos

Detox Literário.

Chanchada Decadente (Wender Lemes)

chanchada

Ato I – Vida Cáustica

Antonieta Burglary está sentada, semiacocorada, no parapeito da janela de seu apartamento, com as costas no batente e os glúteos nus na pedra de granito. Tem o rosto de quem esvaziou toda a adrenalina do corpo em meia hora de caos pulsante. Os cabelos negros embaraçados caem pela testa e pelas costas, meio grudados no suor quase seco da pele. Um braço abraça o lençol que cobre da cintura à canela, a mão livre cai para fora do quarto segurando um “paiero”.

Às vezes, ela leva o cigarro à boca, traga fundo e sopra para fora o máximo de sujeira que pode, devagar. Isso lhe faz bem, ver a fumaça indo embora descontrai seus músculos, seus reflexos, seus pensamentos canibais. Ela admira a madrugada, administra a brisa que carrega o ar cinzento cuspido para longe. São quase quatro, as luzes da vizinhança estão apagadas – as do seu quarto também – e ela é invisível. Ninguém se importa se ela está seminua na janela, se seus mamilos estão rígidos, se ela está viva, porque são quase quatro, o céu é cinza (escuro) e ela mora no sétimo andar.

O amante está deitado de costas na cama, mãos atrás da cabeça exibindo seus bíceps a si mesmo. Olha fixamente para o ventilador de teto ilusionista girando no sentido oposto do aparente. Vez ou outra espia Antonieta, tentando se lembrar do reboliço que acabara de acontecer, tenta se convencer de que fora acima da média – mas fora exatamente a média dos dezesseis outros reboliços conjuntos deles até ali.

– Ta parecendo que o dia vai ser quente hoje – ela disse rabodeolhando o lado de dentro do quarto, mais especificamente o lado de dentro do homem.

– Sempre é quente. A não ser que seja frio, aí é muito frio… – ele tentava parecer legal, mas era só um idiota quase engraçado, e vendo que ela continuava estática, emendou – aqui é Brasil, porra!

Sabe-se que ela riu – não muito. Ele riu da risada dela. Em alguns segundos ambos riam juntos, até o riso se envergonhar novamente, ele voltar ao ventilador, ela balançar a cabeça e olhar para baixo, para as curvas que o lençol amassado fazia sobre o seu ventre (um incômodo pneu de gordura se avolumava naquela posição fetal, o que a lembrava de que o tempo chega para todos).

Ele cochila enquanto Antonieta continua forte, não quer deixar seu posto no parapeito, mas tende ao sono. O silêncio do sol por raiar ajuda a ninar a menina encrenqueira. Com a cabeça encostada no batente, os olhos vão se rendendo à gravidade, o espaço vai perdendo luz, perdendo luz, até se perder por completo na negritude das pálpebras. O cigarro de palha é o primeiro suicida da manhã, escorregando da mão sem tato e caindo aceso na calçada vinte metros abaixo. A brasa se espalha e se apaga quase instantaneamente.

Uma lufada de ar frio bate em cheio no seio pelado de nossa companheira, fazendo-a acordar no susto, como de um pesadelo em que se matava. Nas frações de segundo ela vê os movimentos involuntários do seu corpo lhe tirarem o equilíbrio e o seu peso ir todo para fora. Parece brincadeira, mas ela mal teve tempo de gritar um grito agudo e engasgado. Quando percebeu que o pesadelo era vida, estava a meio caminho do chão numa queda rápida, nua e desajeitada, após uma conversa medíocre com Jonas (o idiota engraçado). O irônico fim de Antonieta Burglary foi ter como última visão consciente o varal de cuecas furadas do vizinho do terceiro andar. Bateu de cabeça e ombro direito no chão de concreto, num estalo seco. Não sei quanto sangue surgiu depois, mas Antonieta se espalhou e se apagou quase tão instantaneamente quanto seu cigarro, sendo assim a segunda suicida da manhã.

E o lençol? Bem, ele desceu atrás de sua ex-dona, caindo bem mais graciosamente que a própria. Por fim, ao aterrissar, fez questão de não cobrir mulher ou cigarro, não só expondo a nudez e o vício, mas acentuando-os pela sua simples e presente omissão.

Ato II – O Dia que Antecede

Aquele dia que antecedeu a morte amanheceu ao meio dia como mais um dia qualquer na vida de Antonieta “Nita” Burglary.

Ela acordou sozinha, com dor de cabeça e com o corpo desconfortável no colchão quente. Olhou para o relógio do Mickey Mouse no criado-mudo à cabeceira da cama, o ponteiro das horas criava uma estranha fenda no meio da testa do ratinho, enquanto o dos minutos lhe atravessava do nariz à orelha esquerda em um risco só. Pouco mais da metade do dia havia passado e ela nem escovara os dentes. Tanto melhor assim.

Nita procedeu com seus rituais “matinais”: defecou, higienizou aquele corpo que lhe rendia tanto, comeu, bebeu e daí por diante. Ela era indiferente à própria vida, indiferente à vida de todos. As oportunidades a levaram a ser o que era, mas não só as oportunidades. Nita ESCOLHEU fazer o que fazia, e isto sim a tirava do sério (por que você precisa ser o que você faz?).

Apesar de tudo, ela continuava vivendo, continuava acumulando o dinheiro suado de seu trabalho – sabe-se lá para quê, sabe-se lá para quem. A rotina a consumia de tal maneira que… ah-ahm… ela pensava em parar… só parar.

Não parava, no entanto.

O trânsito fechou-se na sua cara quando deixou o apartamento. Por sorte, seu destino era relativamente perto, apenas quarenta minutos, carro atrás de carro.

– Me compra umas bala, dona? – um garoto de roupa surrada a abordou enquanto os veículos estavam parados.

– Quanto é?

– Dois real o saquinho.

– Seis por dez eu pago.

– Feito.

Bom negócio para os dois, deve-se dizer. O menino vendeu em dois minutos o que demorava meia hora sem pechincha para desovar. Nita tinha bala de goma para o resto da semana, se ela vivesse até lá. Glicose em alta, consciência alheia, lá ia ela outra vez completando mais alguns metros do seu destino.

Chegou atrasada no serviço, como de costume. Muita gente a esperava (relativamente muita). Ser estrela tinha seus prazeres e um deles era fazer esperar.

Mal guardou seus pertences, o maquiador veio despejando pó nas fuças dela, a cabeleireira veio bagunçando o ninho de fios pretos, o diretor veio gritando suas palavras chulas de diretor. O resto da trupe só esperava. Dali em diante, não havia Antonieta Burglary, Nita, nada. Dali em diante, Renata Paulistinha assumia feições e gestos e corpo e molejos e volúpia da jovem comum e extremamente sedutora que era Nita.

Meia hora ou mais de produção e ela estaria pronta para mais um filme. Roteiro? Script? Não, isso era para as juvenis, ela era profissional! Só o que precisava era encarnar a personagem, o resto surgia naturalmente… ah, como era boa atriz!

Ato III – O Entregador de Pizzas e Outros Percalços

Ela está sentada no sofá e se faz de ansiosa: chacoalha pezinho, olha para o relógio, olha para cima, morde o canto da boca para desespero da nação.

A campainha toca e ela se levanta. Sai correndo na ponta dos pés, agitando suas curvas enfiadas no vestido preto colado. Finalmente…

Ao abrir a porta, surge alguém suficientemente grande para ser guarda-costas do governador, embora o governador dificilmente o quisesse guardando suas costas.

– A pizza, dona – é uma das únicas falas dele.

– Pode entrar…

O brutamontes entra com seu queixo quadrado brilhando, ainda que maquiado para não fazê-lo. Curiosamente, ele segurou a caixa de pizza rente às coxas por todo o percurso desde que se fez visível, como Sancho Pança segurando um escudo.

Enquanto isso, Renata vasculha sua bolsa de mentira, buscando dinheiro que sabe não estar lá. Tudo pelo bem da arte!

– Me desculpa, senhor, eu achei que tinha dinheiro para pagar a pizza, mas não tenho… – ela aumenta propositalmente a intensidade de sua busca, o desespero flui naturalmente em sua voz. Que interpretação, meu amigo, que interpretação!

– Bom, dona, nós da pizzaria “Pau Na Máquina” temos um lema que levamos muito a sério: “Uma pizza ou uma mamada ninguém deve negar!”- dito isto, o sujeito destampa a caixa de pizza que trazia à sua frente e o que temos atravessando comicamente o fundo do papelão?

– Nossa… mas que provolone, em?! – ela leva a mão à boca, escondendo e mostrando um passar de língua nos lábios – Bem, já que o senhor veio com tão boa vontade, quem sou eu para fazer desfeita, não é?

Daí em diante e até o fim das gravações, Renata Paulistinha segue o esquema mental que reproduz desde seus primeiros filmes.

A mecanicidade das cenas, a superficialidade das relações, toda a excentricidade e todo o profissionalismo do trabalho ficam no estúdio, com Renata. Quando sai de lá, Nita ainda é a mulher que não deve satisfações a ninguém, nem uma bala ao garoto do sinal. Assim, sua consciência segue intacta – e por que não deveria?

Consciente ou não, Nita esvazia um dos seis pacotes de bala a caminho do apartamento onde tiraria um cochilo e, mais tarde, ligaria para Jonas, para que pedissem pizza (haha), se amassem casualmente, sem roteiro, câmera ou frases de impacto. Depois… depois ela sofreria um acidente doméstico artisticamente fatal, nada além de outra fatalidade.

P.S.: Imagino que não convenha fazer aqui divulgação deste tipo de conteúdo, então aqueles que se interessarem pela história de Renata Paulis… digo, Antonieta Burglary terão de procurar por conta e risco. Não se assustem se acharem o mesmo roteiro desempenhado por personagens diferentes, é algo comum no ramo – sem preconceitos.

Cortesia do narrador.

58 comentários em “Chanchada Decadente (Wender Lemes)

  1. Thiago Mendonça
    17 de novembro de 2014

    Gostei do conto. Apesar da temática, tem um tom leve, e não apela para o explícito. Boa técnica e revisão. Parabéns e boa sorte.

  2. Rodrigues
    17 de novembro de 2014

    eu gostei do conto, mas achei que a carga descritiva e poética da primeira parte destoa demais do resto do conto, ou seja, é criada uma expectativa e, do nada, parte-se para recortes explicativos. a técnica do autor é muito boa, mas queria mais daquele começo tão vivo que realmente emulava as ninfetas e as panças peludas das chanchadas.

  3. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Bacana o conto. É irônico, engraçado e tem tiradas ótimas. O autor escreve bem e não cai na armadilha fácil dos estereótipos. A narrativa, simples, é entrecortada pelos pensamentos de quem narra, criando um liame com quem lê, como se fosse um bate papo. O conto é interessante, ainda que pouco profundo, que cumpre muito bem o objetivo de entreter. Mesmo as construções aparentemente “erradas” me pareceram propositais, como se o autor quisesse criar um jogo de palavras.Não é algo que irá marcar, ou servir de parâmetro para mudar a vida de alguém, mas é inegavelmente um bom divertimento. Creio até que aqueles que torcem o nariz para o universo pornô poderão apreciar o sarcasmo e, de repente, pedir uma pizza em casa.

  4. Brian Oliveira Lancaster
    7 de novembro de 2014

    Não sou muito desse estilo, mas deixando isso de lado (e como leitor também avaliador, sou obrigado a fazê-lo), gostei do tom da proposta e do ar “noir”. As trocas temporais que me incomodam tanto foram bem suaves, e pontuada apenas no interlúdio. Esse método de mostrar o final, para depois mostrar o caminho prende a atenção. Para encerrar, muito bem escrito e com doses certas de humor. Não parece ter erros de gramática (mas deixo isso para os que estão acostumados a pontuá-los). Ironicamente leve e ao mesmo tempo apreensivo.

  5. Wallisson Antoni Batista
    5 de novembro de 2014

    Cara quando vi o pseudônimo eu ri muito. EU julgo muito a criatividade dos pseudônimos. O enredo foi bom, a estética regular, a ortografia razoável, mas o pseudo sinceramente, foi o melhor. Parabéns.

    • Maria Santino
      6 de novembro de 2014

      Olá, Wallisson Antoni Batista! Eu fiquei muito curiosa com seu comentário neste e em outros textos, sobretudo quando você fala em pseudônimos. Também observo eles e me divirto com alguns – Neste desafio o que mais me fez rir foi o do Harrison Volkswagen (ao invés de Harrison Ford. rs), mas não dou nota para isso, não julgo nada pelo pseudônimo e acho que você também não o faz, não é mesmo?

  6. rubemcabral
    4 de novembro de 2014

    Achei excelente: divertido, bem caracterizado e muito brasileiro, muito sensorial e cheio de humor negro. Enfim, gostei bastante!

    A reclamar somente por uma história maior. Contudo, isso não convém solicitar num texto sobre pornô, hahaha.

  7. Victor Gomes
    30 de outubro de 2014

    Não é exatamente o tipo de conto que curto, tanto pela temática totalmente sexualizada e underground, mas acho que a profundidade que eu costumo apreciar não teria espaço na trama que você desenvolveu. A forma com que você trabalhou as personagens acentuou bem o tom de descaso que se tem com profissionais da indústria pornô e combinou perfeitamente com o enredo. A protagonista poderia muito bem ser Maria ou Fernanda, ou qualquer outra. Você foi bom em ser superficial (na melhor interpretação que isso permite, sério) e plástico, pois é um acontecimento verossímil e até meio clichê (a personagem com vida estigmatizada que se suicida).

    O tom poético foi bem marcado. Os diálogos foram um pouco curtos e sem propósito. Acho que você poderia ter evitado os parênteses para esclarecer quem seria Jonas e alguns comentários que pareceram vindos de fora do texto, como uma nota de rodapé de alguém que responde post do Facebook, como o “haha”.

    Eu desgostei da construção de atos. Achei meio sem propósito, principalmente quando o suposto clímax, que não foi muito forte, foi tratado logo no começo.

    Agora, eu gostei de ler. Você tem potencial! Preste atenção às críticas construtivas que deixaram para você e tente melhorar. Com certeza você – nem ninguém – não dá o melhor de si em um concurso de contos, né? 🙂

  8. Virginia Ossovsky
    29 de outubro de 2014

    Olá! Gostei muito do humor debochado e do desenvolvimento, principalmente da primeira parte! Você escreve bem! Várias frases me chamaram a atenção por serem bem construídas. A divisão em três atos facilitou a leitura, a meu ver. Entretanto, apesar de acreditar que o autor ressaltou o papel do acaso nos acontecimentos, acho que ficou alguma coisa “no ar” ao fim do texto. Senti falta de um final mais surpreendente, mas no geral o texto está ótimo.

  9. Martha Angelo
    29 de outubro de 2014

    Gostei bastante do estilo, da estrutura narrativa em 3 atos, do humor negro, um ótimo texto, mas senti que houve uma quebra de ritmo no segundo ato, não curti tanto esta parte.

  10. piscies
    28 de outubro de 2014

    Excelente conto. Gostei muito da leitura, do clima cômico, da narração agradável e da ausência de formalidades. A história é legal, a personagem é bem trabalhada e o escritor, muito competente.

    Parabéns!

  11. Pétrya Bischoff
    27 de outubro de 2014

    Buenas!
    Cara, muito boa tua narrativa; uma terceira pessoa que sabe o que já ocorreu e delicia-se em fazê-lo, ao menos senti isso.
    As descrições são impecáveis, logo nos primeiros parágrafos quis estar naquele apartamento, mesmo tão abafado e, ah!, a descrição dela fumando, todos os instantes e justificativas foi excelente! Também me agradou a estrutura, começar pela morte fez gostar sem sentir pena. E desenvolveste uma temática escrachada sem vulgaridade, pelo contrário, despertaste fascínio…
    Está de parabéns, boa sorte.

    • Alexandre Frota
      11 de novembro de 2014

      Extremamente contente que tenha lhe agradado tanto, dona Pétrya. Obrigado!

  12. Andre Luiz
    26 de outubro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A) A ambientação é impecável. A cena inicial, de Antonieta sentada, nua, no parapeito da janela em plena madrugada, é excelente, realmente muito bem executada. As personagens, no entanto, poderiam ser um pouco melhor trabalhadas, visto que achei uma menção ao nome do amante apenas nos últimos parágrafos – Jonas, pelo que depreendi. Logo, uma sugestão é aprofundar um pouco mais nas características dos protagonistas, de forma que até uma abordagem psicológica, em meu ver, seria cabível.

    B)O enredo é interessante dentro do normal. Não encontrei muitos erros de lógica nem de coerência. Não há, no entanto, uma iniciativa de continuar a leitura a partir do segundo ato. Sim, acredito que, a partir deste momento, a narrativa fica inconsistente; sendo uma sugestão inverter ainda mais o conto, colocando o ATO III em segundo lugar e convertendo-o em um ATO II. Também, acredito que cabe uma encenação mais teatral no final do texto, visto que o ATO I foi surpreendente.

    Considerações finais: O texto é realmente inovador, arrasador e coerente; mesmo que não consiga prender a atenção durante toda a obra. O terceiro ato é o menos intrigante, em meu ver. Contudo, a iniciativa é válida, assim como a proposta certamente curiosa. Parabéns pela produção e sucesso no concurso!

  13. Douglas Moreira
    25 de outubro de 2014

    A sua narração é impecável, sério. A personagem foi muito bem montada e você teceu ela com uma linha tênue entra sua perfeição e sua desgraça de caminho de vida. Mas acho que você deveria ter começado pelo ato 2 e depois o 3 o último o 1 fazendo do final uma coisa impactante uma dádiva dada a ela disfarçada de desgraça. E ao longo do texto ter dado referências ao que aconteceria. Como “O que a esperava com intervalo de poucas horas era seu dramático caminho para o fim de seu manchado estrelato”, ou algo do tipo.
    Mas parabéns ainda sim, curti muito a narração!

  14. Sonia Regina Rocha Rodrigues
    25 de outubro de 2014
  15. GARCIA, Gustavo
    25 de outubro de 2014

    Pois, vamos por partes, ou por atos!
    Achei bem maneiro, bem bacana, sensacional que você dividiu o conto nos três atos do cinema. Agora, julgando a partir da estrutura e da narrativa: achei o primeiro ato o melhor, o mais intensamente escrito; o que me fez querer continuar lendo. Aí, ao ver que o segundo era bem leve (ao mesmo tempo que ácido), me animei mais ainda. Porém, ao chegar no terceiro, não senti muita resolução.
    Resumindo: achei um (três) recorte(s) bacana(s) que você fez da vida dessa personagem, mas nada conclusivo, entende? Penso que poderia ter sido melhor se o desenvolvimento desse tom mais intenso (presentíssimo no primeiro ato, ao meu ver) também permeasse o restante do texto. No geral, parabéns por conseguir desenvolver essa sensibilidade, sério!

  16. Jefferson Reis
    25 de outubro de 2014

    Gostei bastante da primeira parte.
    Já pensei em escrever sobre atrizes do pornô, mas nunca o fiz. Você fez com maestria.

    As outras partes são interessantes, mas não se comparam à primeira, bela e sensível.

    A visão da mulher na janela, com seu cigarro e seu lençol, quase como uma divindade humana. A cena da queda, do lençol que cai à distância (uma alma que já não aceita a história que o corpo traçou), negando-se a tapar a nudez. Belíssima.

    Quanto ao tema, adorei.
    Desde adolescente, acesso pornografia.
    Pornografia gay, rs.

    Parabéns pelo conto e boa sorte.

    • Alexandre Frota
      7 de novembro de 2014

      Olá, Jefferson! Obrigado pelo comentário, que bom que o texto e o tema te agradaram!

  17. Leonardo Jardim
    24 de outubro de 2014

    Gostei do texto. Ousado, debochado e bem escrito. Muito bem encaixado no tema. Mas o ritmo realmente não ficou legal (como já disseram, ficaria melhor na ordem cronológica). Outro problema é que história é simples e a personagem não é tão envolvente. Se a história e a personagem fosse um pouco melhor trabalhados, ficariam muito bom. Mas, como disse, foi uma boa leitura.

  18. Willians Marc
    24 de outubro de 2014

    Olá autor. Gostei muito do seu conto. Ao contrário de alguns comentários abaixo, gostei dos três atos e acho essa divisão bem coerente, tratando a mesma pessoa como personagens diferentes em cada uma das três partes do texto.

    Perdoo as falhas apresentadas pelos colegas pois as construções expostas no conto foram brilhantemente executadas. Destaco também a imagem usada como ilustração, em um primeiro momento fiquei imaginando o que a pizza teria a ver com os filmes pornôs, mas depois do terceiro ato a imagem se encaixa perfeitamente ao conto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. Anorkinda Neide
    24 de outubro de 2014

    Bem, eu nao assisti Bruna Surfistinha e nem o Frota em algum pornô, alienada eu… rsrsrs
    Realmente o primeiro ato, tem um tom totalmente diverso dos outros dois e acho mesmo que o conto poderia terminar ali com a imagem tão pungente do lencol que naõ cobriu a moça.
    Imagino que o filme tenha alguma cena neste tom intimista e a partir dele, começa-se a narrar a vida da moça, será assim no Bruna Surfistinha?
    Vc diz q gosta do tom irônico, entao todo o conto poderia ser assim… mas seria um desperdicio pq vc demonstrou que pode fazer um texto muito bonito usando a densidade psicológica dos personagens, como demonstrado no primeiro ato.

    Enfim, é isso. Um abraço.

    • Alexandre Frota
      5 de novembro de 2014

      Obrigado pelo comentário, Anorkinda! A ironia é uma coisa da qual não consigo me desvencilhar, então estava tentando trabalhá-la de algum jeito diferente, misturá-la com essa questão intimista, às vezes mais explícita, às vezes menos , não sei… mas gostei da sua percepção. Enfim, vou testando, um dia sai alguma coisa razoável. Abraço!

  20. Maria Santino
    23 de outubro de 2014

    Olá, autor(a)!

    Li por diversas vezes o seu texto e por diversas vezes tentei gostar mais dele, mas, não consegui. Vejo o comentário dos amigos aí e me sinto estranha, até. Não sei se foi os casamentos de palavras que causaram uma estranheza medonha (para mim) ou se foram a interrupções do narrador (algo que não gosto em determinadas narrativas) ou se tudo esbarrou nas minhas rabugices (talvez seja a última questão, mesmo). Faço coro com os que apreciaram mais o primeiro ato (com exceção de algumas construções, eu fico só com ele mesmo). Não sei se foi proposital, mas você me fez acreditar que a Burglary era uma coroona (acho que foi o lance do pneu e a parte que o tempo chega para todos). Depois surgiu uma mulherona e eu meio que não consegui mais gostar dessa mistura. Nem das interrupções, pois gosto que me façam sentir algo e não que exponham o que quer que seja já mastigado pronto pra ser engolido.
    Enfim, adorei a grande maioria do primeiro ato, as cenas e boas reflexões, mas o restante não quis dizer muita coisa (opinião pessoal). Gostaria de ter visto aqui uma boa crítica tecida (algo que me agrada bastante), pois a ironia já está aí. Obrigada pelo “paieiro”, gosto de aprender palavras novas. Desejo sorte e peço que não se incomode com minha opinião.
    Abraço!

    • Alexandre Frota
      4 de novembro de 2014

      Olá, Maria! Em primeiro lugar, muito obrigado pela disposição de ler várias vezes o meu texto! Sinto muito que ele não tenha agradado como esperava, mas isso acontece – às vezes simplesmente não flui, não há muito remédio para isto. Espero que eu possa agradar em próximos contos. Abraço!

  21. Felipe Moreira
    23 de outubro de 2014

    Primeiro conto do desafio. Gostei bastante, conduzido de forma despretensiosa, um humor discreto que foi mais exposto pela situação do último ato. Foi narrado com uma competência acima da média, regado de uma acidez interessante.

    Tecnicamente, gostei do tamanho do texto. Acho que poderia haver uma exploração maior sobre a personalidade da nossa “musa inspiradora”, como é mostrado no segundo ato, pois achei que faltou algo. Nada muito filosófico que viesse a justificar categoricamente a sua morte. Porque a morte, esdrúxula como foi, caiu bem ao meu ver.

    Minha parte predileta é o primeiro ato, sobretudo no seu final. O pseudônimo foi divertido. O narrador foi bem pessoal e isso me obrigou a ler o texto imaginando a voz do próprio Frota, embora eu duvide que ele esteja familiarizado com alguns predicados desse texto.

    Parabéns e boa sorte.

    • Alexandre Frota
      4 de novembro de 2014

      Olá, Felipe! Valeu pela dica, desculpe por fazê-lo ler o texto todo com a voz do Frota kkkk

  22. JC Lemos
    22 de outubro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Parabéns pela iniciativa. Ser o primeiro é um desafio e tanto, e você cumpriu muito bem.
    Gostei da forma como narrou, e principalmente da forma como estruturou. Começar pelo final foi uma boa, tendo em vista que a curiosidade do leitor já foi aguçada com o segundo suicídio da manhã. Creio que o tom cotidiano ao extremo da segunda parte, viria a desestimular um pouco a leitura, mas você soube driblar.
    O conteúdo da história também foi legal, por ser diferente. De todos os filmes, nunca imaginei ver a inspiração de um desses aqui. rss

    Não tenho muito a dizer sobre a parte da gramática e afins, tendo em vista que não percebi muitos erros no texto. Para detalhes mais apurados, deixo que os amigos experts avaliem.

    Parabéns por ser o primeiro, e pelo trabalho.

    Boa sorte!

    • Alexandre Frota
      4 de novembro de 2014

      Olá JC Lemos. Tentei mesmo diversificar um pouco neste conto kkk. Pode ter sido um tiro no pé também, mas vale sempre a tentativa. Fico feliz que tenha gostado da narrativa e da estrutura. Obrigado, abraço!

  23. simoni cristina dário
    22 de outubro de 2014

    O excesso de detalhes e informações acho que fica bom em alguns textos, nesse achei meio cansativo. O texto é muito bem escrito e o autor faz com que obrigatoriamente tenhamos que voltar ao início para compreendermos melhor o enredo. Achei essa manobra muito inteligente e interessante.
    A narrativa é sem dúvida bem estruturada. Não gosto do tema, mas isso não tira o mérito e a beleza do conto.
    Parabéns.

  24. Davi Mayer
    22 de outubro de 2014

    Gostei da ousadia do autor em escrever a história começando pelo final. No inicio achei um tanto confuso, mas depois tudo foi se encaixando gradualmente.

    Algumas passagens bem construídas e interessantes, quando chega o guarda costa, por exemplo.

    Não tenho nada a dizer quanto a melhoria, o conto foi bem redondinho. O fato do suicídio, ao meu ver, foi algo meio que um querer subconsciente. Não que ela estivesse com a consciência de querer fazer este ato, mas no seu intimo estava cansada daquele vida e etc. Isso ficou bem escondidinho, mas que com uma leitura detalhada acaba de se perceber. Muito bom esse lance, pois força o leitor a pensar um pouco no que o autor quer passar.

    Parabéns e boa sorte.

  25. Daniel Vianna
    22 de outubro de 2014

    Após ler o ato I, esperava uma gradação que conduzisse à compreensão do ‘ato falho’ que ocasionou a morte (suicídio) de Renatinha/Nita/Antonieta. Enfim, o que se seguiu foi apenas o relato de seu cotidiano. Ou seja, em verdade, não houve qualquer conflito que levasse a alguma reflexão. E, nesse ponto, concordo com aqueles que afirmaram que a publicação foi apressada, já que, em minha humilde opinião, havia em sua história ótimas possibilidades. No entanto, continue praticando. A dica é apenas o trabalho da paciência, que, em verdade, digo com propriedade, já que é um defeito do qual eu partilho. Um abraço e bom trabalho.

  26. Fil Felix
    21 de outubro de 2014

    É complicado ser o primeiro a enviar o conto! A gente fica sem parâmetros pra analisar.

    Gostei da iniciativa e de se tratar do cinema pornô. Porém, o texto está “bonitinho” demais e acaba destoando do tema, principalmente pelo título ser “Chanchada” e o pseudônimo “Alexandre Frota”. Faltou um pouco de “shock value”, e não me refiro a usar palavrões ou putaria desenfreada, mas sim alguma “sustança” a mais. Ficou a história pela história. Pensei que ocorresse nos anos 70/80 (acho que o tempo não fica claro) e já imaginei as roupas da época, os homens de camisa aberta, aquela coisa mais vintage – uma pornochanchada. Algo tipo Nelson Rodrigues! (Que adoro).

    Entretanto, gostei da pegada simples (sem muita enrolação), de mostrar o cotidiano como na cena do carro, deu pra perceber um pouco do estilo de vida da personagem, e da cena em que ela cai. Usar o lençol foi um aparato e tanto, clássico! Gosto dessas mortes romantizadas e sua descrição ficou ótima.

    No mais, é o que comentei no início, faltou um pouco de clímax. Talvez a colocando como trans, ou alguma intriga no caminho com alguém que não concorde com sua profissão, algo pra não se tornar mecânico.

    *Apesar de achar que foi um homem quem escreveu (gosto de pensar na identidade do autor) e por se tratar de uma atriz pornô, não há tendência pro lado machista da coisa, muito pelo contrário! Parabéns nessa parte.

    • Alexandre Frota
      22 de outubro de 2014

      Realmente, Fil, o primeiro conto é complicado para quem posta e para quem analisa – principalmente se o autor resolve meter uma mistureba estranha como essa que eu fiz rs. Grato por suas sugestões e por sua franqueza.

  27. Claudia Roberta Angst
    21 de outubro de 2014

    Parabéns pela coragem de abrir os trabalhos!
    Quanto ao texto, senti uma mudança de humor durante o desenvolvimento da trama. Começou introspectivo, denso e depois virou escracho. Isso não é de todo ruim, mas gostei mais da primeira pizza,digo, parte.
    Apesar de não suportar o Frota, apreciei a leitura. De impaciência, eu entendo, então aceito os escapes da revisão. Não é um conto perfeito, mas cumpriu o seu papel. Revisão, lapidação e atenção às dicas dos colegas e o sucesso será garantido. Boa sorte!

    • Alexandre Frota
      22 de outubro de 2014

      Olá Claudia! A impaciência é uma coisa ingrata mesmo, mas um dia a gente aprende (ou não rs). Pode deixar, tentarei tirar o melhor dessas dicas que estou recebendo. Obrigado.

  28. Eduardo Selga
    21 de outubro de 2014

    Assim como este, há contos cuja força não se encontra no enredo; contos que estão pouco se lixando para a estorinha, porque acima dos caminhos por onde a trama e os personagens caminham está o processo de construção do texto. Em textos assim, são visíveis as marcas de carpintaria. E está nessa manipulação da palavra o valor literário.

    A começar pela escolha do pseudônimo, há, mesclada a certa sensaboria da protagonista perante a vida, uma boa dose de ironia e humor. E este oscila entre suas vertentes extremas, a sutileza e o escracho. Tivesse Alexandre Frota optado exclusivamente pelo segundo viés, teria ocasionado, talvez, maior impacto quanto à recepção textual, porém seria previsível, na medida em que a pornochanchada evoca esse tipo de humor.

    Não apenas isso: com o escracho do início ao fim, cairia por terra uma tonalidade bem curiosa do texto: ora ele se apresenta mais introspectivo, com belas descrições e imagens, ora ele escancara, com a falta desses dois elementos. Dessas duas dinâmicas narrativas emerge um resultado positivo, se considerarmos o conto como um todo. Não há que se cobrar, nesse caso, a exigência de uma univocidade de tom, pois são momentos distintos da personagem.

    Essas dimensões me parecem estar bem figuradas no modo como o narrador apresenta a protagonista. São três personas para a mesma personagem: ela é Antonieta Burglary, Nita e Renata Paulistinha. A primeira, sua face particular e anônima; a terceira, pública e clichê; a segunda, se distende a partir da primeira, sem ainda chegar na terceira. Também não terá sido esse o motivo de estruturar a narrativa em três blocos, cada qual num tom específico? Quero crer que sim, pois no primeiro ela é Antonieta Burglary; no segundo, Nita; no terceiro, Renata Paulistinha (inspirado na triz pornô Bruna Surfistinha?).

    Mas no início eu falava da carpintaria textual.

    O texto apresenta algumas imagens muito boas, por serem representações inusuais, sem cair no exagero do preciosismo. Assim, temos “[…] o lado de dentro do quarto, mais especificamente o lado de dentro do homem.” para demonstrar o olhar introspectivo e um tanto desconfiado da personagem (na verdade, “rabodeolhando”, um ótimo neologismo); temos também “O cigarro de palha é o primeiro suicida da manhã, escorregando da mão sem tato e caindo aceso na calçada vinte metros abaixo.”, que não apenas é uma prosopopeia (personificação): funciona como uma antecipação da morte da protagonista (inventaram um nomezinho em inglês para isso, mas não me lembro), em moldes similares ao fundo musical que, nos filmes, avisa o espectador da tragédia, e que funcionou muito bem no conto.

    Nos parágrafos iniciais percebi algumas dissonâncias em algumas construções frasais, que soaram desagradáveis. Como esse tipo de erro não se repetiu, entendo que passou pela greta da peneira na hora de revisar, não vi como uma inconsistência do(a) autor(a). Refiro a “quase quatro” e “braço abraça”.

    Também no início ocorrem duas situações que não pode ser consideradas pleonasmos, mas soam estranhas porque “cai” e “sopra” estão em campos semânticos similares a “fora”: os trechos são “cai pra fora” e “sopra pra fora”.

    • Alexandre Frota
      22 de outubro de 2014

      Quando li seu comentário, Eduardo, vi alguma justificativa que eu não poderia dar ao meu conto sem parecer um “paizão superprotetor”. Sou muito grato ao senhor por isso. Creio que todas as colocações que propôs conferem com o que pretendi fazer. Sobre a face pública da protagonista, há uma certa convergência de nomes compostos no ramo – dizem as pesquisas rsrs – que se iniciam com nome relativamente “comum” e terminam com nome/adjetivo no diminutivo (Bruna Surfistinha sendo um exemplo disso). Sobre Nita, poderá perceber que ela não só é uma face transitória, como bem elencou, mas que aparece em momentos físicos de trânsito (do apartamento para o estúdio, do estúdio para o apartamento) – tentei brincar com isto também.

      P.S.: Agradeço-lhe, sobretudo, por ter visto valor literário no que fiz.

  29. Sonia Regina Rocha Rodrigues
    21 de outubro de 2014

    Bem, eu não gosto deste tipo de tema, banalização do sexo, gente superficial, que vive por viver, o assunto cheira a apelação.

    quanto ao texto, acho as partes 2 e 3 perfeitamente descartáveis, a parte 1 poderia ser melhor elaborada e dar um texto inteiro, focando na distração da mulher que a faz dormir no parapeito, gostei desta imagem de caírem na sequência o cigarro, a mulher e o lençol.
    Essa descrição do suicídio do cigarro ficou boa – o cigarro normalmente visto como assassino, aqui é um suicida, isso é interessante.

    acho que poderia haver um mergulho (tipo fluxo de consciência) no mundo interior da mulher, fisgando em seus pensamentos detalhes enriquecedores, que dessem um sentido ao personagem e à cena (sabe aquela coisa da Clarice Lispector, em que o personagem não sai do lugar e coisas incríveis vão acontecendo na cabeça dele?)

    Não ficou claro para mim o que o autor quis passar com o texto, parece que escreveu por escrever uma cena que remete a outra cena, enfim, a linguagem é boa mas o tema necessita de maior clareza.

    • Alexandre Frota
      21 de outubro de 2014

      Olá, Sonia! Acho que entendi o que você disse sobre estender o primeiro ato a um conto inteiro. É uma bela ideia, mas eu tenho essa tendência avacalhadora, não sei se conseguiria criar algo do tipo que explicou. De qualquer forma, é algo a se refletir, obrigado pelas sugestões.

  30. Fabio D'Oliveira
    21 de outubro de 2014

    Opa, senhor Frota, como você está?

    Irei usar quatro critérios para avaliar os textos desse novo concurso e faço algumas considerações no final. No entanto, adianto um elogio: parabéns pela coragem e ousadia! Não é todo mundo que se arrisca assim.

    Vamos analisar!

    TEMA: Encaixou-se perfeitamente. Percebe-se de forma nítida a presença da indústria dos filmes pornô no conto inteiro. E isso ajudou bastante na construção das imagens.

    TÉCNICA: Razoável. Existem algumas construções bem interessantes, como o último parágrafo do primeiro ato. No entanto, o texto realmente carece de lapidação. As passagens estão pobres, a narrativa se interrompe diversas vezes e os diálogos soam superficiais. Vi potencial. Acho que o senhor se empolgou e enviou o texto rápido demais, um pouco mais de revisão poderia ter melhorado o texto. Veja bem, é possivel encontrar mudanças no tempo verbal sem motivo aparente. Preste mais atenção na próxima vez!

    ENREDO: Horrível. Fraquíssimo. Sem vida. Os personagens são bonecos que o escritor faz o que bem entende com eles. Portanto, são descartáveis. Agora, sobre a história em si…. Que história? Não há uma razão maior para tudo isso acontecer. Acontece, simplesmente. Não houve uma boa construção. O fim está no início e o meio no final. Incoerente, pois essa deformação na sequência dos acontecimentos não leva o leitor a lugar nenhum. Ainda estou me perguntando: por que isso tudo aconteceu? Qual é a mensagem? Sem um motivo para existir, a história também se torna descartável.

    PESSOAL: Bem, sou o tipo de pessoa que gosta de clássicos, texto com poesia na prosa, então não gostei do texto, em si. Foi como ler uma historia de faroeste sobre vingança, entende? Não sai do fator comum. Se você tivesse exposto essa situação de outra forma, mais poética, por assim dizer, poderia ter feito algo único.

    Senhor Frota, foi um prazer ter lido seu texto. Apesar de não ter gostado, acredito que minhas impressões podem ter a ajudar a evoluir como escritor. Vejo potencial. Basta acreditar nisso!

    Boa participação no concurso!

    • Alexandre Frota
      21 de outubro de 2014

      E aí, senhor Fábio?
      Obrigado pela preocupação e por se dedicar à leitura, mesmo ela não lhe sendo atrativa (sinto muito por isso). Compreendo seu posicionamento sobre meu texto e sobre minha maneira de escrever. Acho que tudo depende muito do gosto do leitor e do que ele busca na leitura, mas sempre vale a pena um ouvido atento à crítica. Enfim, obrigado pelas dicas, serão bem aproveitadas.

  31. Fabio Baptista
    21 de outubro de 2014

    ====== TÉCNICA

    Excelente, a perícia do autor é indiscutível.
    Porém achei que a escrita não casou muito com a história que estava sendo contada.

    Ficou um ar meio de formalidade, quando acredito que caberia melhor algo mais escrachado.

    Mesmo assim, o Ato III garantiu boas risadas. 😀

    ====== TRAMA

    Pra ser sincero não gostei muito, nem vi muita “utilidade”, nessa divisão em 3 atos.

    A história contada, apesar de não apresentar nenhum problema (furos na trama, etc.), infelizmente não possui muitos atrativos, assim como a protagonista que não transmite muita empatia ao leitor.

    ====== SUGESTÕES

    – Tentar escrachar mais a narrativa, tirando esse ar de formalidade.
    – Deixar a história linear, sem a divisão de atos e idas e vindas no tempo.

    ====== AVALIAÇÃO

    TÉCNICA: ****
    TRAMA: ***
    IMPACTO: ***

    • Alexandre Frota
      21 de outubro de 2014

      Grato pela leitura, pela crítica bem estruturada de sempre e pelas sugestões, Fábio.

  32. Eduardo B.
    21 de outubro de 2014

    Carece de lapidação. Algumas construções ficaram estranhas e redundantes, com termos deslocados aqui e acolá. No entanto; outras foram muito bem elaboradas e merecem destaque, a exemplo desta: “Por fim, ao aterrissar, fez questão de não cobrir mulher ou cigarro, não só expondo a nudez e o vício, mas acentuando-os pela sua simples e presente omissão”.

    Do meio para fim, a história tomou ares realmente cômicos e passou a me interessar mais. Achei o conto divertido, embora meio irregular.

    • Alexandre Frota
      21 de outubro de 2014

      Olá, Eduardo, a irregularidade que você percebeu pode estar na divisão em três atos, eles realmente destoam entre si. As redundâncias que incomodaram provavelmente foram tentativas falhas de enfatizar algo, enquanto as construções estranhas sempre acontecem, não consigo evitá-las kkkk. Obrigado pela crítica.

  33. Alexandre Frota
    21 de outubro de 2014

    Valeu Lucas! Eu até tento escrever coisa séria mas acho que não consigo, cara, acabo avacalhando os contos kkkkkkk. Que bom que se divertiu. Tomara que os demais também riam um pouco.

  34. Lucas Rezende
    21 de outubro de 2014

    Cara, parabéns!!!
    Primeiro pelo peito de ter sido o primeiro (sim, eu acho isso corajoso).
    E segundo pelo fato de trazer como tema um filme PORNÔ!
    Uma construção ou outra que eu achei um pouco estranha, mas nada que comprometeu a minha leitura.
    Ex.:” ..mas ela mal teve tempo de gritar um grito agudo e engasgado.”
    Gritar um grito agudo ficou meio estranho. Talvez soltar um grito agudo teria ficado melhor.
    A cena do cara com a trozoba na caixa da pizza eu tive que parar um pouco de ler… Pra rir. Não sei se a intenção era essa, mas eu dei boas risadas com o texto.
    Enfim, uma boa história. Prendeu minha atenção.
    Boa sorte!!!

    P.S.: Ae, Alexandre Frota, qual o seu negócio?
    – O meu negócio? Meu negócio é com…. (Pra bom entendedor meia palavra basta) Hahahahaha

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Publicado às 21 de outubro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .