EntreContos

Detox Literário.

Dia de Trabalho (Edinho)

Eu sou o negro gato, eu sou o negro gato. Acordei com essa canção em minha cabeça. Fui beber água cantarolando-a. A boca estava seca, a língua igual a uma esponja de aço grudada no céu da boca e parecia que eu havia mastigado merda na noite anterior. Essa era a minha tríade de todas as manhãs de ressaca. Fui para o banheiro e dei um mijadão soltando gemidos. Abri o chuveiro e coloquei a mão para sentir a temperatura, sempre levava alguns segundos para esquentar. Regulei a quantidade de água para que ficasse realmente quente, tinha que sair fumaça de dentro do banheiro quando eu abrisse a porta, se não fosse assim, não valia o banho. E o banho era demorado, tinha essa não de economizar, foda-se o meio ambiente, foda-se os reservatórios vazios em São Paulo, até porque havia um gato na eletricidade daqui. Eu sou o negro gato.

A música não saia da minha cabeça. Quem será que cantava ela? Não lembrava. E onde eu a ouvi? Também não lembrava. Só poderia ter sido recentemente, para que ela ficasse me alugando daquele jeito. “Bum bum bum”, bateram na porta. Assustei-me. Morava sozinho, não deveria ter alguém querendo entrar no banheiro. Peguei o rodo no canto do boxe, segurei-o como se fosse um taco de bete e fui até a porta, as pernas tremendo, apesar da profissão que exercia eu era um grandessíssimo de uma bunda mole. Quem é? Usei minha voz mais grave para falar, na tentativa de amedrontar quem quer que fosse. Já esqueceu de mim, foi? Uma voz feminina respondeu do outro lado. Ah, caramba, havia esquecido completamente dela. Não, não, que isso, Mércia, claro que não esqueci de você, eu estava só tirando uma onda, gata. Meu nome é Renata. A voz feminina respondeu entredentes e silenciou. Aguardei um pouquinho. Silêncio total. Abri uma fresta, coloquei a cabeça para fora e olhei ao redor. No corredor não havia ninguém. Escutei a porta da frente sendo batida com raiva. “Pou!”. Errar o nome sempre dava certo.

Eu tinha um amigo que dizia que uma ficante perfeita era a que se transformava numa pizza no dia seguinte para que a gente pudesse comê-la novamente e não tivesse que nos despedir ou marcar outro encontro, muito menos ter que levar em casa. Sempre achei esse pensamento machista demais, mesmo ele tendo certa razão. Em contrapartida, uma amiga de infância dizia que sonhava com o dia em que os homens que ela saía se transformassem, ao amanhecer, não em pizza, e sim, num vibrador, para que ela pudesse enfim ter um orgasmo e não ter que olhar para as fuças dos sujeitos que gozavam em três minutos e achavam que trepavam bem pra caralho. Com toda certeza, esse desejo dela não era direcionado para mim. Eu sou o negro gato, eu sou o negro gato. Voltei para debaixo do chuveiro.

Aproveitei o vapor do banheiro e fiz a barba. Eu fazia a barba todos os dias. Vesti uma calça jeans escura, uma camisa social azul marinho de manga longa e calcei minha bota marrom de bico fino. Coloquei dois pinguinhos de Ives Sant Laurent nos pulsos e mais dois em cada lado do pescoço.

Eram onze da manhã. Para uma segunda-feira era o melhor horário para se trabalhar no calçadão do centro da cidade, o fluxo de pessoas era intenso, o que facilitaria minhas habilidades manuais. Se fosse fim de semana o melhor seria ir para o mercado central.

Minha atividade principal era bater carteira. Não como um desprezível trombadinha, favor não confundir um punguista clássico, de estilo, com um sacana qualquer fedido e malvestido. Eu era um artista. Nunca usei de violência e quem eu roubava só ia saber que foi roubado muito tempo depois e não fazia a mínima ideia de quando, onde ou quem o havia furtado. A prestidigitação eu aprendi com o meu velho, que tinha como hobby a mágica.

Filho único de um casal maduro, minha mãe quando me teve já estava com quase cinquenta, meu pai beirava os sessenta, fui criado como um reizinho. Temos que chamar a atenção do público para um lado enquanto agimos de outro, meu filho. Ele me dizia de forma professoral enquanto me ensinava seus truques.  Claro que nunca passou pela cabeça dele que eu fosse usar os ensinamentos para furtar coisas. Ele era o homem mais correto que conheci. Saudades do meu pai.

A minha mãe ainda era viva, mas mudou-se para seu estado natal pouco depois da morte do meu velho. Ela alegava saudade do resto da família, dos irmãos, primos e tios que ainda estavam neste mundo, contudo, eu sabia que era pelo meu trabalho, que a envergonhava. Eu sempre fui muito discreto no serviço, nunca havia sido preso ou coisa assim, mas, existe um ditado que diz que mãe sabe de tudo. E parecia que ela sabia mesmo. Peguei-a me olhando desconfiada por várias vezes enquanto me fazia perguntas. Onde você trabalha mesmo? Qual é a função? Qual é a empresa? Eu respondia pacientemente, para não levantar mais suspeitas. Mãe, sou corretor de seguros, a senhora sabe bem disso. Tenho sala alugada e tudo. E tinha mesmo. Até a carteirinha de corretor eu tinha, falsificada, logicamente, assim como o diploma, também falsificado, de Ciências Atuariais. Curso que realmente havia frequentado, porém, abandonado no terceiro período. Nas horas em que deveria estar nas aulas eu perambulava pela cidade, testando minhas habilidades gatunísticas — era um amador nesta época — e gastando o dinheiro que meu pai dava para pagar a mensalidade.   Quando minha mãe foi embora da cidade, fiquei mais tranquilo para exercer minhas funções. Não precisava sair de casa cedo para despistar. Mesmo assim, também sentia muita saudade dela.

Peguei minha pasta 007, fechei a porta da casa, o portão e me encaminhei para o ponto de ônibus. Nunca aprendi a dirigir. Carros e trânsito me davam arrepios. Enquanto andava, cumprimentava todos os conhecidos que esbarrava pelo caminho. Algumas vezes parava na frente da casa de alguém para trocar umas palavras. Como vai, seu Antônio? Tá tudo bem, meu filho. Seu Antônio dizia sorrindo. Bom dia, dona Carminha? Olá, Edinho, indo trabalhar? Pois é, dona Carminha, tem que se pegar no batente, né? Sempre fui um tagarela inveterado, além de simpático e atencioso como um político em campanha eleitoral infinita. Todos gostavam de mim, sobretudo os velhinhos. Eu sabia como tratá-los e a qualquer hora meus ouvidos estavam prontos para um desabafo sobre ossos doloridos, filhos desinteressados e remédios caros.  A maioria conhecia-me desde que nasci. Eu morava na casa que era dos meus pais — que agora é minha — em um conjunto de um bairro classe média da zona sul da cidade. Fiquei com a casa e dois bons apartamentos, que estão alugados e que rendiam uma boa grana no final do mês. Mas eu era um viciado em neurotransmissores. Adrenalina antes e durante os furtos e endorfina depois. Eu sou o negro gato, eu sou o negro gato. Maldita música que não saía da minha cabeça!

Só pegava os ônibus executivos com ar-condicionado e com a tarifa um pouco mais alta. Eu tinha que manter a aparência. Poderia muito bem subir no ônibus mais lotado que houvesse e começar minha jornada de trabalho por ali mesmo, no entanto, eu não era um sacana que roubava gente humilde e batalhadora. Eu gostava dos metidos a riquinhos, os classe médias que se achavam melhores do que os outros. Também não tinha nada de Robin Hood, o lucro do meu labor era somente meu. Os ricos de verdade eu não roubava. Esses caras tinhas costas largas, bons advogados e acima de tudo eram desconfiadíssimos e andavam, geralmente, com seguranças a tiracolo. Na verdade, eu conhecia alguns deles e frequentava os mesmos ambientes. Sabia separar muito bem a vida pessoal da vida profissional.

Durante o percurso para o centro da cidade, iniciei o dia com um aparelho celular de uma senhora. Assim que entrei, a vi conversando ao telefone. Eu já estava com o bisturi na palma da mão para realizar a cirurgia. Antes que eu me acomodasse ao lado dela, na poltrona do corredor, ela terminou a ligação e colocou o telefone no compartimento de fora da bolsa, que em seguida aninhou-a no colo.  Aí foi só brilhar. Coisa mesmo de mestre. Enquanto batíamos um papo amistoso sobre trivialidades cotidianas, filhos — os dela — boletos, preço da passagem, do combustível, a nova doença na China, eu executava a operação. Ah, essa doença não vem pra cá não. Ela disse. Eu estou muito preocupado. Se chegar por aqui e tivermos que nos isolar, como estão especulando por aí, vai prejudicar muito o meu trabalho. Eu falava gesticulando bastante com minha mão esquerda, onde estava meu indiscreto relógio de ouro, ao mesmo tempo que a direita fazia uma precisa incisão no couro da bolsa bem abaixo do nicho onde estava o celular. Antigamente eu usava uma gilete ou estilete, mas o bisturi era, sem dúvida, mais elegante, combinava comigo. Com a ferida aberta, aparei o sangramento do aparelho pelo retalho e o ocultei, como num passe de mágica, entre minhas costas e o encosto do banco. Depois foi só pegá-lo com a mão esquerda, desligá-lo e guardá-lo maciamente no bolso da calça. A mulher não esboçou nenhuma desconfiança. Tudo foi feito com tranquilidade e destreza profissional. Sem nenhuma modéstia, eu tinha o dom e era muito foda no que fazia.

 Saltei dois pontos antes do que eu pretendia, logo após executar o furto, mas, valeu muito a pena. O aparelho era gringo, uma maçã de última geração, novíssimo.  

Passei em um dos meus receptadores, antes de ir pro calçadão. Grande Edinho, a mão mais leve do Oeste, o que tem pra mim? Armandinho perguntou todo alegre. Ele gostava de me ver. Coisa boa, irmão, coisa muito boa, como sempre. Respondi mostrando o aparelho. Porra, velho, mandou muito bem mesmo. Dou quinhentão. Não fode, Armandinho, quero no mínimo mil. Embolsei oitocentos em dinheiro vivo. Estava de bom tamanho.

O calçadão estava convidativo para o trabalho. Era a semana que antecedia o domingo do Dia das Mães. O centrão fervilhava de carteiras a serem roubadas e de patos a serem enganados.  Eu não trabalhava apenas com carteiras e celulares, fazia a minha correria nas mais diversas áreas com a ajuda luxuosa de outros trambiqueiros do centro da cidade. Se as pessoas comuns soubessem do tanto de cobras criadas que as cercam todos os dias, esperando a hora certa de dar o bote, certeza, não sairiam de casa.

Para os trabalhos com internet, WhatsApp, redes sociais, sites de encontros, entre outros assuntos de informática eu tinha a ajuda do Algo, ou melhor, Algoritmo, apelido que eu dei a ele. Algo era um adolescente nerd típico, esquisito e com cara de punheteiro que trabalhava com os pais numa barraquinha de eletroeletrônicos no mercado central. Para o carteado, meu parceiro era o barman, segurança, cafetão substituto, um verdadeiro faz tudo do puteiro Doce Mel, o Tranca. No Doce Mel havia uma sala especial só para jogadores de carta e pros tremendos otários que gostavam das máquinas caça níqueis. Tranca sempre arrumava uns trouxas louquinhos para perder o salário do mês no pife ou no poker. As vezes eu jogava para perder, as vezes para ganhar, não importava, o certo era que sempre depenávamos o pato. Para romances relâmpagos com alguma senhorinha carente e com dinheiro para gastar, meu carteiro elegante era o Tio Barnabé, o dono de um barzinho da praça do Fausto, que era cagado e cuspido, inclusive a mesma risada, o personagem do Sítio. Simpaticão e risonho, O Tio não levantava nenhuma suspeita com suas dicas de mulheres e recadinhos amorosos que eu escrevia para ele entregar.

Passei a tarde rodando pelo centro. Duas carteiras aqui, um celular ali, um “bobo” acolá. Satisfeito, encerrei as atividades as seis da tarde em ponto, porque ninguém é de ferro, e corri para o happy hour.  Álcool, pó e sexo era minha tríade de todas as noites. Eu sou o negro gato, eu sou o negro gato. Caralho!

Fui para o Genius, um pub onde bandas de rock locais tocavam todos os dias a partir das sete da noite. Lá encontraria com a Lilian, a garota da frase do vibrador. Lilian era meu grande amor. Eu a amava mais do que tudo na vida. Sei que soa brega, mas o amor é brega mesmo. Quem nunca cantou bem alto “eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir, ter você é meu desejo de viver” também nunca amou verdadeiramente alguém nesta vida.  Nós nos relacionamos por alguns anos, aí esfriou, brigamos e terminamos. O amor continuava de ambos os lados, não tinha dúvida. É que a convivência estraga os sabores, como quando temos a disposição nosso prato predileto todos os dias. De uns anos pra cá nos reaproximamos e ficámos, vez ou outra, sem nenhum compromisso.  

Fui para o balcão. Lilian já estava lá. E aí, Edinho, trampou muito hoje? Perguntou irônica, ela sabia de tudo. O dia foi bastante satisfatório. Afirmei. Foi lá no Bolão? Ela perguntou. Claro que sim. Respondi. Então passa pra cá. Ela falou. Pegou a parada e foi para o banheiro. Lilian tinha o nariz nervoso. Minutos depois ela voltou toda contente com sua maquiagem retocada. Bebemos algumas doses de vodca e assistimos a primeira banda tocar e fomos para minha casa.

Enquanto Lilian trabalhava, tive uma espécie de epifania. Puta que pariu! Gritei. O que foi, te machuquei? Lilian perguntou assustada, levantando a cabeça. Não, não, não foi isso. É que lembrei quem canta a maldita música que tá me consumindo a cabeça o dia inteiro. A música é do Roberto Carlos e eu escutei ontem quando assistia o The Voice kids. Falei eufórico. Ah, tá! Lilian respondeu sem empolgação e retornou ao que estava fazendo. Recostei-me melhor na cama e comecei a cantarolar a música. Eu sou um negro gato de arrepiar. E toda minha vida sempre dei azar… a cabeça de Lilian subia e descia, subia e descia, ritmicamente, como se aprovasse a cantoria.  

9 comentários em “Dia de Trabalho (Edinho)

  1. misapulhes
    15 de setembro de 2021

    Olá, Edinho.

    Resumo: O conto narra um dia de trabalho (donde o título) do protagonista, um muito bem sucedido gatuno batedor de carteiras (e outras coisinhas mais) que o faz voluntariamente.

    Considerações: Poxa, gostei do conto. O personagem é simpático e o texto é divertido e leve. Não sou daqueles que acha que um conto precisa ter um final bombástico para gerar um grande efeito. Fosse assim, teria que desprezar um Tchekhov, por exemplo. Portanto, o fato de ser um simples relato do dia de trabalho, uma história linear, sem clímax não me desagrada.

    As ressalvas ficam para:
    (1) a contradição no linguajar. Já foi citado em outros comentários. A forma de falar mais precisa, digamos, usando ênclises, por exemplo, não parece combinar com as gírias, os xingamentos, mas, mais ainda, com frases como “cantava ela”. Ainda sobre a linguagem, há trechos que destoam por outros motivos. Veja a frase “também nunca amou VERDADEIRAMENTE nesta vida”. Esse advérbio, seja olhando pelo lado da fala mais polida, seja pelo lado da mais informal, parece ser COMPLETAMENTE desnecessário.
    (2) Ritmo. Também não ligo muito com as descrições, o “contar” em vez de mostrar. Parece combinar com o estilo do narrador e do conteúdo do texto. Mas talvez haja um excesso aqui e acolá. Por exemplo, nas descrições do banho.

    Por fim, o texto precisa de revisão. Além da contradição citada acima, há grafias erradas em: “saia” (onde o correto é saÍa) e ficámos (onde o correto é ficamos – a não ser que o autor seja de Portugal. Aí, fica meu pedido de desculpas hahah). Há outros erros gramaticas, como quando se diz “homens que ela saía” (o correto é “com que ela saía”), e “que esbarrava pelo caminho” (onde o correto é “com que esbarrava pelo caminho”, ou, num outro sentido, “que esbarravaM”).

    O cômputo geral é de um texto agradável, com potencial para ser melhor. Boa sorte e um abraço!

  2. Misael Felipe Antônio Pulhes
    15 de setembro de 2021

    Conto: Dia de Trabalho
    Pseudônimo: Edinho

    Olá, Edinho.

    Resumo: O conto narra um dia de trabalho (donde o título) do protagonista, um muito bem sucedido gatuno batedor de carteiras (e outras coisinhas mais) que o faz voluntariamente.

    Considerações: Poxa, gostei do conto. O personagem é simpático e o texto é divertido e leve. Não sou daqueles que acha que um conto precisa ter um final bombástico para gerar um grande efeito. Fosse assim, teria que desprezar um Tchekhov, por exemplo. Portanto, o fato de ser um simples relato do dia de trabalho, uma história linear, sem clímax não me desagrada.

    As ressalvas ficam para:
    (1) a contradição no linguajar. Já foi citado em outros comentários. A forma de falar mais precisa, digamos, usando ênclises, por exemplo, não parece combinar com as gírias, os xingamentos, mas, mais ainda, com frases como “cantava ela”. Ainda sobre a linguagem, há trechos que destoam por outros motivos. Veja a frase “também nunca amou VERDADEIRAMENTE nesta vida”. Esse advérbio, seja olhando pelo lado da fala mais polida, seja pelo lado da mais informal, parece ser COMPLETAMENTE desnecessário.
    (2) Ritmo. Também não ligo muito com as descrições, o “contar” em vez de mostrar. Parece combinar com o estilo do narrador e do conteúdo do texto. Mas talvez haja um excesso aqui e acolá. Por exemplo, nas descrições do banho.

    Por fim, o texto precisa de revisão. Além da contradição citada acima, há grafias erradas em: “saia” (onde o correto é saÍa) e ficámos (onde o correto é ficamos – a não ser que o autor seja de Portugal. Aí, fica meu pedido de desculpas hahah). Há outros erros gramaticas, como quando se diz “homens que ela saía” (o correto é “com que ela saía”), e “que esbarrava pelo caminho” (onde o correto é “com que esbarrava pelo caminho”, ou, num outro sentido, “que esbarravaM”).

    O cômputo geral é de um texto agradável, com potencial para ser melhor. Boa sorte e um abraço!

  3. Priscila Pereira
    14 de setembro de 2021

    Olá, Edinho!

    Ambientação: muito boa, deu pra visualizar o conto todo, como se tivesse vendo um filme brasileiro ( que detesto 😂)

    Enredo: simples, sem reviravoltas, nem plot Twist, bem executado. O protagonista é detestável, mesmo não sendo um criminoso perigoso, matador de criancinhas, o que mérito do autor.

    Escrita: olha, não sei se é um estilo novo, mas na minha opinião, o texto perde muito em dinâmica e harmonia pela falta de marcação dos diálogos.
    Tirando isso, a escrita é boa, bem jovial e moderna.

    Considerações gerais: não amei nem detestei. É um bom conto. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  4. Andre Brizola
    13 de setembro de 2021

    Olá, Edinho!

    O conto é sobre um fora da lei que, curiosamente, estabelece para si leis próprias, cuidando de seu comportamento para não infringir nenhuma delas. O enredo, escorado em um dia de “trabalho” do personagem, traduz sua vida mergulhada na criminalidade, alheio a quase toda consequência em potencial.

    Embora esteja totalmente dentro do tema, devo fizer que não fiquei muito satisfeito com o conto, embora ele tenha lá certos atrativos. O que me incomodou demais foi a forma escolhida para apresentar o enredo, com narração em primeira pessoa. Isso acabou prejudicando as oportunidades de diálogos que, quando surgem, são apressados, rasos e, até, de certo modo, dispensáveis para o conto. Talvez eles sejam dessa forma por estarmos tendo apenas a visão do narrador, e se ele não vê sentido em dialogar, menos ainda teria em conta-los para alguém. Opção do autor, tudo certo aí. Mas achei que não funcionou.

    Como positivo cito as descrições das infrações cometidas durante o dia. A variedade, e a disposição com que são praticadas, acrescenta ação ao texto. Há dinâmica, e isso é bom. Tudo isso serve como escape dos parágrafos travados pelas descrições de diálogos.

    Mas esse é um conto que eu acho que deveria ter passado por mais algumas revisões. Há alguns problemas com pontuação, e com tempos verbais, que poderiam ter sido corrigidos com uma leitura mais atenta. Mas, principalmente, a flutuação entre roubar e furtar não deveria ocorrer aqui, já que o personagem diz que não usa violência, e roubar é, essencialmente, tomar algo para si de forma violenta, seja ela verbal, em forma de ameaça, ou agressão. O que ele faz é furtar, e um criminoso que se diz um artista não confundiria os termos, imagino.

    É isso aí. Boa sorte no desafio!

  5. Angelo Rodrigues
    13 de setembro de 2021

    3 – Dia de Trabalho

    O conto ia bem, até saber que o bandido havia estudado Ciências Atuariais. Aí, não!! Podia ter continuado na profissão e dado trambiques em fundos de pensão e seguradoras, sem medo da Polícia. Deu mole – anote: isso é uma brincadeira, pois sou atuário há 43 anos.
    O conto atravessa o tempo na descrição de um dia de trabalho de um pequeno bandido, que o é por gosto e não por necessidade. Tem um ar de “Acossado”, com Belmondo.
    O conto tem ritmo, que volta e meia é quebrado por toques acessórios que, a rigor, não são exatamente necessários, particularmente ao final, na simulação de que a garota o está chupando. Não precisava. Houve uma preocupação estética com o momento e o final foi um pouco negligenciado – justo por isso, imagino.
    Há uma dicotomia entre o que o protagonista é – narrando em primeira pessoa – e o modo como ele fala de si mesmo e das coisas que o cercam. Tem uma linguagem que busca parecer malandra, desbocada, ao mesmo tempo em que esbarra no polimento das palavras.
    Há frases que precisam de revisão, como no trecho:
    “… Em contrapartida, uma amiga de infância dizia que sonhava com o dia em que os homens que ela saía se transformassem…”, que precisa ser corrigido para “… com os homens com os quais ela saía…”, ou algo assim…
    Ou ainda em boxe, quando o correto seria box. Boxe é luta, não lugar de banho, embora alguns levem um tremendo banho lutando boxe sobre o ringue.
    Conto legal, que pode ser melhorado, particularmente rebaixando a linguagem malandra que, de modo geral, parece – em quase todos os textos que usam este recurso – um pouco aquém da realidade, ou mesmo caricata.
    Parabéns pela ideia do conto e boa sorte no desafio.

  6. claudiaangst
    9 de setembro de 2021

    O conto aborda o tema proposto pelo desafio.
    O título e o suposto conflito do narrador estão relacionados com a letra de Negro Gato. Só consegui fazer associação com o termo “gatuno” e a ligeireza dos felinos que se tornam todos pardos à noite, ou seja, ninguém consegue distinguir uns dos outros.
    O texto desenvolve -se com muitas passagens descritivas, o que desacelera o ritmo de leitura.
    O desfecho da narrativa funcionou para mim como um anti-climax, sem acrescentar impacto algum. Talvez tenha sido porque criei expectativas demais.
    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  7. thiagocastrosouza
    1 de setembro de 2021

    Caro Edinho, gostei do conto, apesar das ressalvas. Há muito contar e, por ser em primeira pessoa, o texto acaba ficando um pouco verborrágico. Sei que é uma característica do personagem, pois o mesmo se coloca como um autêntico tagarela, mas esse descrever de ações, principalmente na introdução, fazem com que a trama do conto demore a desenrolar. Percebi também um conflito de linguagem; muita informalidade, que funciona bem, aliada a uma escrita mais normativa, como “assustei-me” ou “segurei-o”, o que gera certa confusão.

    O personagem tem carisma e profundidade; sabemos seu passado, sua maneira de pensar e como conduz a vida. Contudo, toda essa bagagem prévia acaba não servindo à trama, pois o conflito aqui, ao meu ver, é inexistente ou irrelevante. Talvez essa tenha sido a ideia do autor, como denuncia o título; atravessar um dia de trabalho de um ladrão profissional, e o conflito fosse, simplesmente, descobrir de quem é a música do Negro Gato, o que acontece naturalmente no parágrafo final.

    Em síntese, gostei do conto, mergulhei em um universo muito interessante, cheio de personagens e figuras marcantes, mas emergi rapidamente quando o conto chegou ao fim.

    Grande abraço e boa sorte!

  8. Antonio Stegues Batista
    29 de agosto de 2021

    Dia de Trabalho

    Ambientação= dentro do tema Foras da Lei

    Enredo= Punguista relata seus feitos. Para mim, um enredo médio, nem bom, nem ruim.

    Escrita= Boa.

    Considerações Gerais= O protagonista/narrador, se vangloria de seus feitos e tem seus atos fora da lei, como um trabalho igual a qualquer outro. Ele vem de uma família normal, o pai é um homem integro, a mãe uma boa mulher. Em vez de fazer faculdade, ele preferiu o caminho do crime. Ou seja, já nasceu fora da lei. Se justifica, dizendo que só rouba ricos, como se isso fosse diminuir sua condenação nas fornalhas do inferno. Achei que a música do RC teria alguma relevância no texto, mas não, apenas uma leve analogia ao gato gatuno. Boa sorte.

  9. Emanuel Maurin
    28 de agosto de 2021

    O autor manda muito bem no discurso indireto livre, tem ritmo e quando abre o diálogo faz com precisão. A imagética e o cenário são muito bons. O enredo é cativante e o final é bem legal. Ah! Tem partes engraçadas e não é forçado. O que é bem difícil de fazer. Gostei muito.

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Informação

Publicado em 28 de agosto de 2021 por em Foras da Lei.