EntreContos

Detox Literário.

Em cruz ilhada (Nínive)

Gente de muita fé habitava aquelas cercanias do Brejeiro Bravo. Nome esse mais sem razão de ser, ao menos por se considerar a prevalência da seca, cuja sede tinha que esperar, ano após ano, o vislumbre do dia de finados. Bravo é das histórias das antigas, das que avô conta pra filho e neto escuta de rabeira, cabreiro, entendendo pela metade.

Já pr’mais de dez anos que o Zeca Antunes não aparecia por lá. Soube-se de conversa certa, pela Vila como um todo confirmada, que tinha se mudado com a família para os lados de Altamira no Pará. Num tempo ainda sem as facilidades da comunicação, as notícias propagandeavam assim, de boca em ouvido ou quando os rastros dos sujeitos clamavam alto lá de onde tinham sido pisados. “O estrago foi grande demais pr’aquelas bandas”, sussurravam os botecos, as quitandas e os bancos das igrejinhas do Bravo.

Don’Ana recebeu a notícia da volta do homem como a um tiro no peito. A casa de fazenda, já de muito benzida e repintada de branco, por bem pouco esquecera as noites em que abrigava o próprio diabo. O apadrinhamento distante, por parte do pai de Dionizio para com os irmãos do Zeca Antunes, fez da Estância Malta um lugar de paragem certa nas andanças do amaldiçoado.

Naqueles tempos, homem de cerimônia, Zeca mandava recado sete dias antes, que era para o anfitrião evitar contrair visita. Ali por volta das oito da noite marcada, a casa ouvia o tilintar dos sinetes de prata nos arreios do bando. Chegavam. Zeca Antunes apeava na porteira e seguia cauteloso, puxando o cavalo baio, enquanto mais dois ou três, a depender da empreitada, permaneciam em riste, sobre as celas, como num paredão de morte. “Satisfação, Seu Dionizio. Sua bença, Don’Ana” era o jeito do cumprimento ao deslizar o chapéu na testa suada e pousando sobre a cinta de balas e pistola de cada lado.

Os meninos da casa, naquelas épocas ainda muito pequenos, se amontoavam nos quartos de porta fechada e iam aparecendo, uma a um, quando se apercebia que Zeca ia relaxando e contando causos de riso enquanto comia a janta recém preparada. “Vem pra cá, moçada! Desacorçoe não que eu sou de paz pra quem tem paz. Cês querem dar uma olhada nas arma? Sei que menino é curioso! Né não, Seu Dionizio?” dizia para o arreceio de Don’Ana, enquanto bulia nas carabinas encostadas na trave da porta. Comia primeiro e depois mandava levar uns pratos para os que espreitavam lá fora. Dormia um em cada intervalo de três horas, ali mesmo na soleira da varanda, enquanto o outro montava vigia na ponta do terreiro. Zeca Antunes dormia a noite inteira, na rede da varandinha dos fundos, longe das vistas e dos quartos da casa.

Dessa vez, no dia mesmo em que Dionizio trouxe a notícia do reaparecimento, Don”Ana agarrou os joelhos em prece e jejum pela noite adentro. Chamou um por um dos meninos e recomendou-lhes que não dessem as caras mesmo que Zeca Antunes chamasse.

― Uai, mainha! Mas esse arrelio agora por quê? Lembro dele, até que contava uns casos engraçados e sempre trazia bala ― disse Jocélio, um dos mais velhos.

― Que engraçado o quê, menino! Com o maldito não se brinca, nem quando ele brinca com a gente, ouviu? ― respondeu ela enquanto temperava a carne para fritura.

O bando apontou no horário certeiro. Podia-se avistar o soltar das fumaças, vagarosas, perfazendo rastros no escuro e desaparecendo à medida que a luz fraca da casa desvelava os rostos. Zeca vinha na frente, com os ossos da cara sobressaltando a pele e olhos de quem pouco repousara. Dois homens de meia idade, muito armados, o acompanhavam como de costume. E do lado, um outro cavalo, com um franzino, não mais que menino sobre a cela, de cara para o chão e mãos atadas por uma corda bem ajustada.

― Satisfação, Seu Dionizio. Sua bença, Don’ana ― disse enquanto apeava a uma certa distância.

― Ô, Zeca! Vamos achegando. Quanto tempo não vem pra uma visita? ― respondeu Dionizio, num esforço da gentileza necessária.

― Pois, é, companheiro. A vida tem me aperreado por demais, não sabe? Tive que montar tenda em outras banda. Mas aqui tô eu de volta, porque esse mundo pode até sê grande, mas pra nós que conhece as estrada, não tem aperreio o bastante, não.

― Certo. Então vamos entrando que a janta tá na beira do fogão ― completou o dono da casa enquanto os homens desciam o menino do cavalo e o colocavam, ainda com as mãos amarradas, num canto qualquer da parede.

A curiosidade pela presença do prisioneiro afetava sobremaneira as mentes dos dois velhos, mas longe do destemor necessário para que a pergunta saltasse-lhes à língua. Don’Ana percebeu que Zeca tinha um olhar afadigado como nunca o vira nos tempos mais antigos. Comia com uma mão no garfo e outra que batia os dedos na mesa, num descompasso agoniante. Foi então que, sem sobreaviso, ela tomou coragem para fazer o tipo de pergunta que não se faz a um homem como aqueles.

― E, Zeca, diz cá uma coisa. Qual razão te trouxe dessa vez aqui pelas bandas do Brejo?

― Pois, então, Don’Ana. Agradecido porque tava mesmo sem jeito pra lhe introduzir nessa prosa. Minha vinda dessa vez, com os meus mais elevado respeito ao Seu Dionísio, tem por fim a sua santa pessoa ― o que levou aos ossos da velha um gelo cadavérico indisfarçável, e continuou. ― Pois tenho aqui comigo um revés pro qual home nenhum no mundo consegue dar solução.

― Então, diga, Zeca. De que trata essa sua questão? ― interrompeu Dionísio, deixando a carne no prato por cortar.

― Pois, ocês deve ter apercebido que tenho comigo um home a mais. Na verdade, um não mais que menino amarrado ali naquelas corda.

― Sim, claro que demos conta, Zeca ― completou o velho.

― Esse menino iniciou as andança comigo não faz muito tempo. Menino bão, de vista certeira, mente aguçada. De valentia como poucos, mas que acabou por extraviar num tiro errado e fez a maior besteira que Um do bando Zeca Antunes pode fazer nessa vida. Tanto que avisei pr’esse muleque, Don’Ana! Tanto que avisei.

― Mas o que foi, homem? Fala de vez! ― insistiu Dionísio enquanto a mulher esfregava a palma no dorso num movimento desapercebido.

― O Seu Dionízio bem sabe que eu sou home de qualquer serviço. Que num escolho cara, nem cheiura de bolso. Mas tem uma coisa que num faço e num deixo ninguém do bando fazer sem uma paga definitiva, que é mirar em muleque, em pirralho, seja de amigo, de parente, inimigo, tanto faz. Com menino pequeno não, ninguém pode bulir. Isso é regra pra morte e dessa eu não apeio da decisão.

― E tá mais que certo, homem! ― concordou Dionízio, lançando para a mulher um olhar com certo desafogo.

― Pois, é exatamente aí que mora a questão relevante, num sabe? Veja ocês que esse amaldiçoado, com suas descurpa, Don’Ana, pela minha falta de cortejo, mas ele arranjou uma peleja besta por conta de jogo de bola com outro menino e acabou por espalhar os miolo do pobre rua afora com uma balada só.

Don’Ana levantou-se da mesa e pediu licença para ir lavar o rosto, pois sentia que a pressão subira em demasia.

― E, desse modo ― continuou o Zeca ― resolvi de plena vontade passar aqui por causa de quê num conheço nessa vida pessoa mais sabida e de fé que sua senhora, Seu Dionísio. E pedindo sua descurpa mais uma vez, mas é que essas questão mais detalhada a gente costuma deixar mesmo é com as mulher, né não?

― É! Verdade mesmo ― repetia o velho sem muito pestanejo.

― Pois tá aí uma encruzilhada das que nunquinha estive nessas minhas andança. Home igual eu não pode voltar nas decisão tomada, Seu Dionísio, porque pro meu serviço, a falta da reputação é igual revólver sem bala. E de maneira que também não posso dar a sentença pr’esse muleque porque era de contrariar a outra decisão de igual valor.

Don’Ana sentou-se no banco que ficava nos fundos da cozinha, enquanto engolia forçado um copo de água fria. A mente ia e vinha sem conseguir apegar a nenhuma lembrança ou pensamento que entregasse as palavras certas. Olhando para o semblante mudo do marido e para a cara caída daquele homem rude do outro lado da mesa, fez saber o que primeiro veio-lhe à mente.

― Pois, penso, Zeca, que ocê me toma por uma qualidade que não tenho, e fico muito agradecida, mas não sei se tô à altura pra tamanho aconselhamento ― disse ela amparando-se no encosto da cadeira.

― Ah! Pois não se desengrandeça, Don’Ana. E sei bem que a humildade é outra das suas grandeza, mas posso garantir que enxergo uma santa a longa distância. A senhora fique sabendo que avistar essa casa de parede branca e sentar aqui na sua mesa sempre foi, pra minha pessoa, uma gota d’água na língua no meio desse inferno.

― Pois, então o deixe ― bradou ela num respiro só.

― O quê? A Don’Ana disse o quê?

― Disse que deixe ele ir. Que solte de uma vez e deixe a justiça pra quem pode fazer justiça.

― Mas sem nenhum castigo, Don’Ana? Lhe parece justo com o pobre menino que esse desavergonhado deixou no chão?

― Pois, se me pergunta, essa é a resposta que lhe tenho. No que me parece, e peço que perdoe a minha muita honestidade com as palavra, a sua ideia de justiça é demasiada sem retorno, Zeca. O único jeito é manter esses copos na marca que tão. Deixa que quem tem a medida certa vai se encarregar de completar, sem tirar, nem por. Pois escute uma coisa: nem eu, nem ocê, nem Dionísio, nem ninguém nessa terra de desgosto tem grandeza pra tamanho julgamento. Então, meu filho, a gente tem é que largar pra quem pode ― concluiu ela, fixando no homem do outro lado da mesa, já de pé sobre as botas esporadas e sem o total entendimento das coisas que ouvira.

Zeca movimentou-se meio atabalhoado, caminhou em direção à porta que dava na varanda, fez um assovio fino e um gesto em direção aos capangas que comiam lá fora.

― E olha que tá resolvido, companheiro! Pode soltar o muleque. Vem cá filho da sua mãe. Não é a toa que ela chamava Piedade. Que o Deus de Don’Ana a tenha. Entra, garoto, e se ajeita aqui, pois que filho meu senta é na mesa comigo.

9 comentários em “Em cruz ilhada (Nínive)

  1. Wilson Barros
    17 de setembro de 2021

    Conto no estilo de Jorge Amado, do “Seara Vermelha”, ou “Menino de Engenho”, de José Lins, que conta as histórias dos temíveis bandos que iam visitar as fazendas. Na série do engenho há capítulos e mais capítulos dedicados ás visitas dos cangaceiros. Uma boa recordação. O enredo é bem feito, a finalização é surpreendente e boa. Realmente, não vejo em que se possa mudar o conto, que realiza o que se propõe.
    Destaco a linguagem dos cabras nordestinos, que saiu perfeita, em um excelente trabalho.
    Conto muito bem tramado.

  2. Priscila Pereira
    14 de setembro de 2021

    Olá, Nínive!

    Ambientação: muito boa, mais no sentido da descrição de personagens, sentimentos e motivações, do que do ambiente que ficou mais pra imaginação do leitor.

    Enredo: simples, mas bem executado. No final, me parece que o rapaz é filho do Zeca Antunes, não é? Acho meio inverossímil ele pedir conselho do que fazer com o menino… Ainda mais pra uma “parente” tão distante.

    Escrita: muito boa! Pessoalmente não gosto do pretendo regional. É bom quando uma pessoa de determinada região escreve profundamente sobre ela, mas não quando alguém tenta forçar esse conhecimento. Não sei de me fiz clara…
    Mas, tirando esse regionalismo forçado, achei a escrita bem competente, firme e certeira.

    Considerações gerais:. Achei o título muito estranho…
    De resto, achei um conto muito bom. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  3. Angelo Rodrigues
    13 de setembro de 2021

    1 – Em Cruz Ilhada

    Um conto bem construído quando as partes se encaixam na lógica narrativa.
    Tenho uma certa implicância com a voz narrada dos caipiras que, de modo geral, não exprimem a realidade do falar regional, ainda que regional não sejam e pareçam não ser de lugar algum. Soam como vozes postiças e beiram a estranha metafísica das novelas regionais da Globo.
    Torço para ver uma linguagem simplificada, embora não carregada de erros que pretendam indicar o desalinho educacional dos atores do texto. Soa, por mais que se tente ou gere gosto ao leitor desatento, falso.
    De passagem, comento que achei o título do conto um tanto esquisito, que parece entrar de costas para parecer que está saindo. Acho que esse tipo de abordagem com as palavras transmite ao leitor alguma insegurança quando ao que terá pela frente na leitura. “A Encruzilhada”, referindo-se à escolha de Don’Ana, seria um título soberbo para o conto, e nada rocambolesco.
    Mas esse não é o ponto. A história é o ponto, e ela foi bem construída.
    O desfecho foi interessante, embora ganhe o viés do clichê: a inocência bondosa de Don’ana salva a todos e a história termina tomada pela voz da felicidade.
    A trama levou a que um conto de foras da lei ganhasse um viés moral, beirando a fabulação. Não ficou ruim, embora esperasse a ação dos foras da lei e não foras da lei como pano de fundo para uma história moral.
    Mas está no jogo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. Kelly Hatanaka
    11 de setembro de 2021

    Muito bom!
    Um conto bem regionalista, com um linguajar próprio, em que tudo se encaixa perfeitamente.
    Gosto de como o temor por Zeca contrasta com seu modos, que parecem amigáveis. Fiquei com vontade de ver um pouco de sua maldade, mas preciso admitir que deste jeito, sem mostrar, ele fica de fato mais assustador.
    A maneira como a tensão é construída ao longo do texto é coisa de mestre.

    No fim, imagino o alívio de Don’Ana por ter aconselhado o perdão ao menino. O que Zeca teria feito se se visse na necessidade de matr o próprio filho?

    Gostei muito de seu conto, parabéns!

  5. claudiaangst
    8 de setembro de 2021

    O conto aborda o tema proposto pelo desafio.
    Achei o título interessante.
    A linguagem empregada condiz com o perfil dos personagens. Imaginei um bando de cangaceiros procurando pouso pelo caminho.
    Faltou uma vírgula separando o vocativo: Venha cá (,) filho da sua mãe.
    O ritmo da narrativa é bastante irregular, sendo lento no início é um tanto apressado no final. Acredito que a preocupação com a ambientação e o limite de palavras tenham sido a causa da disparidade do andamento da trama.
    O final do conto me surpreendeu positivamente. Nem havia desconfiado da relação entre o fora da lei e o prisioneiro do bando.
    O tom de suspense manteve-se bem até o final. A solução encontrada pela sábia Don’Ana foi simples e trouxe alívio a todos.
    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  6. thiagocastrosouza
    1 de setembro de 2021

    Conto bem construído e ambientado, com léxico trabalhado, como se as palavras tivessem sido apanhadas com gosto pelo autor ou autora . O cerne do conto está na figura de um matador, um fora da lei, tentando ser justo à sua maneira, dentro do que enxerga como justiça em um local tão remoto e violento. Há uma boa tensão construída até esse dilema ser revelado, porém, a resolução, que não é ruim, se dá de forma muito depressa. As personagens são bem construídas e a figura de Zeca, apesar de não vermos ele em ação, surge um tanto aterrorizante mais pelo que os outros dizem sobre ele do que as ações que dele nos são apresentadas.

    Enfim, embarquei na história e senti o mesmo nervosismo de Ana e Dionísio, mas o alívio repentino, resolvido em um único parágrafo, foi pouco para a grande expectativa que muito bem você construiu.

    Parabéns e boa sorte!

  7. Emanuel Maurin
    22 de agosto de 2021

    Olá, Nínive.

    “Zeca Antunes sai do Brejeiro Bravo pra mais de dez anos”, mas o autor não explica o motivo. O estrago foi grande demais pr’aquelas bandas”, quais estragos? O leitor precisa de ter as imagens dessas duas cenas.
    O temido bandido voltou e o leitor continua sem saber o que fez o tal Zeca Antunes e seu bando para as pessoas o tratarem com tanto medo e respeito.
    Os diálogos são longos e cansativos.
    Como já foi dito, pelo que li, esse Zeca Antunes é homem perigoso, mas vc contou a braveza dele, ao invés de mostrar.
    O final surpreende e foi o ponto alto do conto.

  8. Antonio Stegues Batista
    21 de agosto de 2021

    Encruzilhada
    Uma história que podia se passar no Velho Oeste americano, ou outro lugar qualquer, mas o linguajar é típico do Homem do interior nordestino, referindo-me no geral e não me detendo nas características de cada região, como o estado de São Paulo que tinha, ou tem, em evidencia o linguajar caipira. A ambientação é nordestina, provavelmente. O bando poderia ser o de cangaceiros, mas aí faltou os detalhes do traje típico, chapéu enfeitado, cartucheiras cruzadas sobre o peito, dedos cheios de anéis, pistola Luger, o rifle e a adaga. Mas são bandidos do sertão, como os cangaceiros. A escrita é regular, com altos e baixos foi difícil manter o linguajar no mesmo ritmo, mas gostei dos detalhes entre ações, das descrições. É um bom enredo e o final ficou excelente. Me lembrou de um conto de Prósper Merrimé, Mateo Falconi, uma história que se passa na Córsega, sobre um pai que mata o filho para preservar a sua honra. Boa sorte.

  9. Cilas Medi
    21 de agosto de 2021

    ― Que engraçado o quê, menino! Com o maldito não se brinca, nem quando ele brinca com a gente, ouviu? ― respondeu ela enquanto temperava a carne para fritura. Perfeito. E a agonia nas palavras até o desenlace, ponto a ponto, chegando a beira do sacrifício de ler mais e mais. Mas, como sempre, finalizado e o ar solto, aos borbotões… ainda bem que Don’ Ana sabe o que faz e o que diz. Parabéns!!!

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Informação

Publicado em 20 de agosto de 2021 por em Foras da Lei.