EntreContos

Detox Literário.

Uma mulher normal (Amatis)

“Não, não creio em mim.

Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!

Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim…”

Excerto de “A Tabacaria”, de Álvaro de Campos

 

— Boa tarde, Doutor. Posso?

— Olá, Clara. Entre, por favor. Como está?

Clara, uma mulher de meia-idade cujo rosto conservava ainda alguma beleza, aproximou-se, era alta, elegante e discreta. Não fossem as olheiras, o ligeiro tremor no canto dos lábios e as mãos excessivamente compridas e estreitas, terminando em dedos longos e esguios que traíam uma natureza neurótica e instável e dir-se-ia uma pessoa normalíssima.

Ele levantou-se para a cumprimentar. O rosto espelhava bonomia e afabilidade, contudo a sua expressão era de tal forma permanente que não se poderia saber se seria genuína, ou apenas impressa na cara como parte intrínseca do seu traje de trabalho.

Cumprimentou-a com as duas mãos, num gesto afetuoso, colocando a esquerda sobre a que ela lhe estendeu e sentiu a sua pele fina e ligeiramente fria.

— A porta aberta, Clara?…

— Sabe que sim, Doutor.

O médico encostou um pouco a porta antes de se sentar.

— Então, como correu a semana? Temos progressos?

— Progressos? Não sei, mas alguns desenvolvimentos interessantes, sim. Fui a Lisboa esclarecer assuntos pendentes.

— Muito bem e conseguiu?

— Sim e não, queria situar-me em relação ao meu marido, perceber se o nosso casamento tem condições para continuar ou se é melhor aceitar que acabou de vez. Claro está, tinha esperança de finalmente encontrar a tal porta, a que precisa ser fechada, como sabe.

— E encontrou?

— Não, mas foi bom, gosto de ir a Lisboa, é lá que me sinto em casa. Encontrei-me com o Pedro e também tive uma experiência lésbica com um casal de mulheres, mas estou bastante preocupada porque já não como há quatro dias.

— Quanta informação Clara! Comecemos pela perda de apetite, por que não come?

— Expliquei-me mal, Doutor, desculpe. Continuo a comer, o que se passa é que não digiro a comida, ela volta a sair-me pela boca em forma de tiras de tecido.

— Tiras de tecido!?

— Sim, pouco tempo após comer ou beber alguma coisa começam a sair-me pela boca tiras de tecido de uma única cor ou de cores mescladas, conforme o que acabei de comer. 

— Sim, sim, estou a perceber – o médico tenta disfarçar o ceticismo – e que dizem as pessoas disso?

— Bem, como dizia o poeta “Onde Sancho vê moinhos, D. Quixote vê gigantes” e muitos não vêm nada, mas esses, em termos poéticos nem merece a pena considerar. Seja como for, aqueles que veem costumam reagir bem, alguns bem demais, devo dizer. Até tive uma proposta de trabalho: um empresário da indústria têxtil queria que produzisse os meus padrões em exclusivo para ele, “Revolucionário!” disse, – suspira – enfim, nem sempre a genialidade vem acompanhada da necessária inteligência ou sentido prático. Os tecidos que produzo não dependem de mim, mas sim do que como. Olhe, está a acontecer agora, está a sair uma tira da cor do café que tomei antes da consulta. Vê?

— Sinceramente, não vejo nada, Clara.

— Pois. Não me espanta. – Diz, em tom ligeiramente trocista.

O médico finge ignorar e continua: — Como é que isso começou?

— Foi com uma pastilha elástica. Estava nervosa, tinha passado a noite com duas mulheres e ia encontrar-me com o Pedro, então masquei uma pastilha até ela ficar demasiado mole, sabe como é? foi difícil tirá-la da boca, ela foi saindo em forma de tira e quando acabou, começaram a sair os tecidos das cores do que tinha comido. Desde aí, tudo o que como se transforma em tecido.

— Estava nervosa por causa do Pedro? O tal encontro que teve em Lisboa? De quem se trata? Deixemos as aventuras sexuais para depois, fale-me dele.

— Ora, Doutor, já lhe contei a minha vida toda, o Pedro foi o meu primeiro amor, a primeira paixão, a verdadeira experiência do fogo, foi um assunto que nunca ficou totalmente resolvido, uma porta que faltava fechar.

— E fechou?

— Bem, sim, mas ainda não era esta a que precisa ser fechada. Continuo à procura dessa.

— E como correu o encontro?

— Foi bom, estranho, triste… Não senti nada quando o vi. Após mais de trinta anos, encontrei um desconhecido, uma pessoa que nem um sobressalto me provocou e percebi que afinal essa porta estava fechada há muito. Mas gostei de estar com ele, conversámos, falámos das nossas vidas, expliquei-lhe por que o procurei e isso entusiasmou-o, percebi que era ele quem, afinal, tinha essa porta ainda meio aberta e ajudei-o a fechá-la.

— Como o fez?

— Disse-lhe que percebi que o meu marido é realmente o homem da minha vida e que não poderia ter uma relação com mais ninguém, mas que se tivesse de escolher alguém para o fazer, só poderia ser ele.

O médico arqueou ligeiramente a sobrancelha direita, aquele era o momento certo para uma pequena vingança, tinha ficado um pouco magoado com a observação dela de que não se espantava por ele pertencer à categoria dos que nem merecem ser mencionados pelos poetas e disse em tom levemente desafiador: — Mas pelo que percebi, tinha acabado de sair da cama de duas mulheres com quem se envolveu sexualmente…

Clara ignorou o sarcasmo.

— Oh, sim, é verdade, mas sabe que sou gentil e ele ficou felicíssimo, até deu um pequeno murro triunfante na mesa do café. Não custa nada ser gentil, não é, doutor?

— Mas nesse caso, por que diz que foi triste?

— Oh, o pobre não está muito bem da cabeça. Era um homem brilhante e está a ficar velho, baralha-se, não tem as ideias claras, enfim, uma pena, não acha?

O médico olhava-a com pesar, sem dúvida que ela tinha razão, ele mesmo sentia muita pena daquela mulher interessante, com alguma cultura e inteligente, agora dominada por uma demência que não reconhecia como tal. Decidiu mudar de assunto e avançar.

— E a experiência lésbica, como foi?

— Nada de especial, Doutor. Enfim, devo experimentar até as portas mais improváveis se quero encontrar a certa, mas não era esta. Olhe, é menos uma. Fisicamente foi mais ou menos, mas senti-me bastante constrangida e não tenho qualquer necessidade de repetir, não me restam dúvidas de que sou heterossexual.

Neste momento uma mulher jovem chegou à entrada do gabinete e disse: — Doutor, venho recordá-lo da sua consulta de oftalmologia, está a fazer-se tarde, vai chegar atrasado. 

— Agora não posso, Isabel, estou ocupado. Por favor, telefone a informar que não poderei ir e marque para outro dia.

— Mas…

Ela olhava para o médico e para a secretária perfeitamente arrumada, o seu rosto exprimia alguma confusão.

O médico cortou-lhe a palavra: — Faça o que lhe disse, Isabel e por favor não volte a interromper a consulta, anote a nova data na agenda.

A moça retirou-se sem proferir palavra, fechando a porta atrás de si. Clara estremeceu, as mãos contorcendo-se no regaço, os olhos inquietos movendo-se mudando para a direita e para a esquerda, a angústia espelhada no rosto. O médico inclinou-se sobre a secretária que o separava da paciente estendendo ambas as mãos num gesto conciliatório.

— Atrás da porta só está a receção e a minha assistente, Clara.

— Ou outro universo qualquer, Doutor. – Disse assustada.

 Já com voz firme, acrescentou: — Não quero voltar!   

— Clara, vejamos, esteve ausente durante dois dias, dois dias em que ninguém soube onde se encontrava e a própria Clara diz que não sabe o que se passou nesse período, alegando ter estado em múltiplos universos; mas, por tudo o que já me contou, teria precisado de décadas. Clara, o que sucedeu nesses dois dias?

— Aqui neste universo? Não sei, já lhe disse, provavelmente nada. Mas o tempo é como o espaço, as distâncias ou qualquer sistema métrico: não são uma verdade absoluta, usamos esses conceitos para nos situarmos, para termos por onde nos regular e para que o mundo faça sentido, não estamos capacitados para compreender a simultaneidade de tudo… se não medíssemos cada coisa, cada momento, cada espaço, perder-nos-íamos no caos.

— Mas de que tem medo, Clara? Se pode viver tantas e tantas vidas, o que teme? Que receia?

— Não temo nada, Doutor, apenas não quero; viver de universo em universo é esgotante, não nos acrescenta nada e pode até ser perigoso. Tudo é possível, podemos morrer lá e simplesmente desaparecer daqui: perdemo-nos lá, eu quase enlouqueci pelas tantas vezes que atravessei portas na tentativa de voltar, enquanto ia entrando em outro e outro e outro e mais outro universo, sem conseguir regressar. Num deles até cheguei a ser presa e no último, como sabe, matei-o, quer dizer matei uma réplica de si.

— Espere lá, espere lá. Foi presa porquê? Ainda não me contou essa história.

— Nem essa nem muitas outras, Doutor, não me seria suficiente a vida para contar tudo o que vivi, mas prenderam-me por fraude fiscal.

— Fraude fiscal?

— Sim. Claro que não era a mim que eles queriam prender, procuravam a outra eu que pertencia àquele universo e essa tal eu, ao que parece, devia uma fortuna ao fisco e devia estar bem escondida. Nem tentei explicar o engano, iam pensar que era doida e às tantas, em lugar de me prenderem, internavam-me, o que deve ser bem pior. Sempre lhe digo, Doutor: Se há coisa que parece ser comum a todos os universos são as Finanças e as companhias de seguros; os funcionários são todos iguais, pensam da mesma maneira, são frios, formatados e incapazes de juízo crítico. Uma verdadeira praga! Em alguns universos até já usam a inteligência artificial em lugar deles, pois não faz qualquer diferença e as máquinas sempre são mais eficazes.

— Ah! Ah! Ah! Clara, essa foi boa. Mas como saiu da prisão? 

— Ora, Doutor, foi fácil; os humanos são praticamente iguais em toda a parte e nos multiversos também existem os que veem os e os que não veem, e os que veem umas coisas e não veem outras e muitas pessoas não me viam. O Doutor continua a não ver os metros e metros de tecido cor de café com que já atapetei este chão, não é verdade? 

— Sim, é. Podia jurar que nada de palpável lhe sai da boca, mas se a Clara acredita que sim, pronto, sejamos D. Quixotes: o chão está coberto dos seus tecidos. 

— Obrigada, Doutor. Foi graças a essa cegueira de alguns que escapei da prisão: aproveitei quando um dia entrou na cela um guarda que não me via e saí. Cá fora, abri a primeira porta que encontrei e mudei de universo. – Um brilho malicioso atravessou-lhe o olhar – Também há coisas que se tornam mais simples nos multiversos.

— Estou a ver que sim. Mas quando me vai dizer por que motivo me matou? 

— Acredite que não ia querer saber, Doutor. Não tenho intenção de lho revelar. Também não interessa, visto que não foi a si que matei mas sim a uma das suas inúmeras réplicas e esse não será certamente o único universo em que já morreu – tal como não terá chegado a nascer em muitos outros. Além de que, segundo dizem boa parte dos estudiosos dos multiversos, sempre que encontramos uma bifurcação cria-se um universo paralelo onde percorremos o caminho que ali não escolhemos. Não concordo muito com essa visão, mas sou uma leiga, o meu conhecimento é apenas empírico. No entanto, a ser assim, terá surgido um universo idêntico quando o matei, um universo onde não o fiz e pode prosseguir com a sua vida ignominiosa.

— E lá estava a Clara, para me matar de novo, não?

— Não. Porque fui eu a matá-lo; eu, esta que aqui está agora, a deste universo e que, por não pertencer àquele, não terei sido replicada no que dele se gerou. Se uma eu lá existia, terá sido ela quem foi replicada para o novo. Eu, a que o matou, apressei-me a atravessar outra porta e dessa vez aconteceu o que queria; finalmente regressei. Está a ver o meu problema? Fui eu própria quem o assassinou e nunca pensei que fosse capaz de semelhante coisa. Para piorar as coisas, matei-o para nada, limitei-me a dar-lhe mais uma vida, mais uma possibilidade de continuar a ser como era.

— Você baralha-me, Clara, tenho alguma dificuldade em acompanhar o seu raciocínio.

— Também eu teria se não tivesse vivido o que vivi, Doutor. Acredite que mesmo assim continuo a ter muitas dúvidas. Não apanho o sentido dos multiversos e só quero garantir que fecho a porta certa para não correr o risco de voltar a cair naquele labirinto infinito e vertiginoso.

— Pois eu tenho pena de não acreditar nos multiversos, Clara, acho os seus relatos apaixonantes e as possibilidades extraordinárias.

— Que nada, Doutor. Já lhe disse, somos todos iguais, mais coisa menos coisa: aqui como lá, meros humanos. Uns de umas cores, outros de outras; uns mais compreensivos, outros mais rigorosos; uns liberais, outros fundamentalistas e por aí fora. Mas funcionamos de formas muito aproximadas, o que muda são as diversas culturas e a forma como se desenvolvem as características pessoais de cada um de em função da sua vivência. Nada mais. Além disso, este universo em que agora estamos pode ter surgido neste exato momento em que lhe falo e todos conservamos intactas as memórias que trazemos do passado, não somos verdadeiros filhos de uma conceção, mas antes de uma qualquer opção. Nunca saberemos qual a nossa versão original – se é que existe. Isso não tem nada de apaixonante, pelo contrário, é muito deprimente.

— Deprimente porquê, Clara? 

— Porque nos deixa no vazio, Doutor, repare: perdemos a esperança, a identidade e até o livre-arbítrio. Que identidade podemos reconhecer como nossa, quando as nossas réplicas podem evoluir de forma tão diferente de nós? Como podemos ter esperança, quando sabemos que o que corre bem num lado, acontece ao contrário no outro? Qual o significado de livre-arbítrio, se quando tomamos uma decisão não decidimos nada, uma vez que damos origem a um novo universo onde vamos fazer o exato oposto do que pensamos ter decidido? Esse é o principal motivo por que quero encontrar a porta que atravessei e me levou lá e fechá-la de vez: quero esquecer, esquecer até acreditar que não passou de um pesadelo e voltar a reconhecer um sentido para a vida.

— Clara, aceite que foi mesmo um pesadelo. – O médico usa uma voz suave, persuasiva – Não percebe que o que pensa ter vivido é impossível? 

Clara olha o médico com tristeza e prossegue: — É possível, sim, Doutor, eu sei, tenho experiência disso. Acredite que é muito triste ver como algumas pessoas de quem gostamos – o Doutor, por exemplo – se mostram tão vis quando viveram circunstâncias diferentes ou tiveram outro tipo de formação. A verdade é que todos somos capazes de tudo. Eu fui capaz de matar!

— Clara, esse pormenor não é importante. Acompanhando o seu raciocínio e crença, eu diria que a solução do seu problema se encontra na identificação da situação que provocou a sua passagem: Que decisão tomou imediatamente antes? Que porta abriu logo a seguir? É aí que deve procurar, Clara.

Ela fica estática a olhar o médico, por momentos é como se tudo tivesse parado, nem o som de uma respiração se ouve no consultório, depois rompe o silêncio e em tom pensativo, como que falando apenas para si mesma, diz lentamente: — Sim, a primeira porta. Tudo se repete. Um círculo vicioso. 

O rosto de Clara ilumina-se, exibe um imenso sorriso, levanta-se de um salto. Agora fala bem alto: — É isso, Doutor, é isso!

— É isso, o quê, Clara? 

Mas ela não lhe dá tempo, abraça-o transbordando entusiasmo.

— Indicou-me o caminho, sei o que fazer! Obrigada, Doutor, obrigada! – Diz, enquanto se dirige energicamente para a porta, que abre sem qualquer receio, desaparecendo de imediato.

— Clara! Clara!

A assistente apareceu assustada. 

— Que se passa, Doutor? Que se passa?

— Onde está a paciente que saiu daqui agora mesmo, Isabel?

— Qual paciente, Doutor? Não saiu ninguém nas últimas horas.

— Ora, Isabel, a D. Clara Lopes, a que estava aqui há bocado quando me veio recordar a consulta de oftalmologia. 

A moça olhava o médico sem saber o que pensar. 

— Doutor, só aqui estava o senhor. Sente-se bem, Doutor? Precisa de alguma coisa?

O médico fitava a assistente confuso, perdido. Depois, recuperando a compostura: — Nada, nada, Isabel. Desculpe, foi confusão minha, deve ser do cansaço. 6ª feira à tarde, não é? Pode sair, Isabel, eu fico mais um pouco, tenha um bom fim-de-semana.

Ainda preocupada, a moça hesitava. 

— Obrigada, Doutor. De certeza que não precisa de nada?

— Não, obrigado. Ou melhor, sim: não feche as portas quando sair, eu depois trato disso.

17 comentários em “Uma mulher normal (Amatis)

  1. antoniosbatista
    27 de novembro de 2020

    Resumo: Médico psiquiatra, em consulta com uma paciente, que acredita ir de um universo para outro, através de uma porta, fica confuso com uma revelação da sua assistente.
    Comentário/ Análise: Gostei bastante do argumento. Os diálogos foram bem feitos, a abordagem do subtema, universo paralelo e a dissertação sobre tempo, de um modo filosófico/ científico, ficou perfeito, destacando: “Mas o tempo é como o espaço, as distâncias ou qualquer sistema métrico: não são uma verdade absoluta, usamos esses conceitos para nos situarmos, para termos por onde nos regular e para que o mundo faça sentido, não estamos capacitados para compreender a simultaneidade de tudo… se não medíssemos cada coisa, cada momento, cada espaço, perder-nos-íamos no caos”.
    A ideia de portas e portais que levam a mundos paralelos, não é nova, original, pois o conceito dessa ideia tem origem na Antiguidade, na mitologia de várias culturas. Esse é um tema com ideias inesgotáveis. Conto bem escrito, bem arquitetado, e o final é perfeito. Boa sorte no desafio.

  2. Leda Spenassatto
    24 de novembro de 2020

    Resumo:
    Um médico em seu consultório, viaja na loucura. Em devaneios ele pensa estar consultando uma paciente.

    Comentário:
    Uma mulher Normal?
    Até muito próximo do final do seu conto, Amatis eu juro que a loucura estava com a Clara. Gostei muito da forma que você misturou as letras para nos contar uma história tão bela.
    Quando descobri que o doido era o doutor, fiquei decepcionada. Hehehe.
    Achei o final, meio que , óbvio demais. Poderia ter um desfecho, talvez, mais aberto , com possibilidades de questionamentos. Mas o conto é seu e ficou muito bom.
    De montão, te desejo muita sorte.

  3. Andre Brizola
    24 de novembro de 2020

    Olá, Amatis.

    Conto que se passa durante a consulta de Clara com seu psicólogo. Ela descreve situações relativas às suas viagens entre outras realidades, em busca da porta que deve fechar. No final, uma dica do doutor a leva em direção à porta que tanto procura.

    Há muita qualidade neste conto. Tanto na forma quanto no conteúdo. Há um equilíbrio muito grande entre as escolhas de narração. A opção por deixar grande parte do conteúdo dentro de diálogos, com poucas narrações em terceira pessoa, ajudou a aliviar a densidade do assunto. O enredo abordando possibilidades alternativas, e novas realidades geradas em cima de decisões tomadas, tem um potencial muito grande para dificultar o entendimento, ou gerar muito ruído durante a leitura. Mas aqui não aconteceu isso. O tema foi tratado com muito cuidado. Também gostei muito da forma como os dois, Clara e o Doutor, interagem. Clara é uma personagem bem realista (embora possa ficar pulando entre as realidades).

    Como senão aponto apenas o excesso de informação. Acho que uma edição faria bem ao ritmo do conto. Do jeito que está funciona bem. Mas acho que uma abordagem (pouca coisa) mais direta nos deixaria mais intrigados com a situação de Clara, permitindo que, ao chegar ao final, o impacto seja maior. Mas gostei assim mesmo.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  4. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: Um médico conversa com sua paciente que diz sofrer de uma doença que a faz cuspir em trapos tudo o que come, e ainda alega que é capaz de transitar entre multiversos.
    Olá, caro(a) autor(a).
    Primeiramente: tabacaria. Perfeito, talvez meu poema favorito de todos que já li. Obrigado pela pequena citação, Fernando Pessoa em sua magnitude é um cara inigualável.
    Gostei do seu conto. A história vai se desenvolvendo de uma forma que me chamou a atenção, me deixou preso. Alguns diálogos, no entanto, se estenderam demais. Em alguns momentos você poderia ter amenizado, tendo em vista que você tem uma escrita mais formal também, mas de forma alguma ruim. Só que esse ponto da escrita + diálogos densos, deram uma pequena atravancada em pontos específicos da história.
    Mas isso não tirou a qualidade do conto, no geral, que e muito bom. Outro ponto interessante foi ter citado o conceito matemático do Espaço de Hilbert, que é usado na mecânica quântica na teoria de bifurcação dos multiversos sempre que nos deparamos com uma escolha. Primeira vez que vejo alguém falando sobre isso (sem ser um especialista) e devo dizer que eu amei! Seu texto tá me ganhando pelas referências sensacionais! hahahhaah
    Você escreve muito bem, o final do seu conto foi bem impactante, e toda a construção do mesmo foi bem pensada. É um texto do car@lho!
    Parabéns e boa sorte!

  5. Ana Maria Monteiro
    22 de novembro de 2020

    Resumo: Clara consulta o psiquiatra devido ao seu receio de atravessar portas e repetir a experiência de se perder em multiversos, algo que afirma já lhe ter sucedido. No final, uma reviravolta inesperada.

    Comentário: Achei Clara muito crível o tempo todo, apesar de, obviamente, alguma coisa não estar bem na cabeça dela. Quando ele desapareceu no final após ter percebido qual o seu problema, penso que também percebi – Clara pertencia a outro universo e só naquele momento se apercebeu, por isso perdeu o medo da porta, antes a passou sem receio. Ela tinha classificado as pessoas em 3 tipos: as que não veem nada além do óbvio, as que veem umas coisas e não veem outras e as que veem tudo; penso que ela própria pertenceria a este último grupo, o médico ao grupo intermédio (por isso a via a ela) e a assistente ao grupo dos que não veem nada – daí ter pensado que o médico estava sozinho o tempo todo. No final, o facto de o médico querer as portas abertas, significou, na minha leitura, que ele começava a perceber o que realmente tinha sucedido. Estarei completamente enganada? Deu-se a tanto trabalho para escrever uma consulta com um final algo surpreendente em que o louco é o médico? Prefiro a minha leitura. Só gostava de saber quem raio seria o médico no outro universo onde Clara o matou. Deve ser aí que está a chave de tudo, deve ter sido nesse momento que se deu a cisão que fez Clara fugir e perder-se nos multiversos. Quer contar essa história? Depois me dirá se acertei em alguma coisa ou se naveguei na maionese. Gostei muito.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Amatis. Este conto narra uma consulta psiquiátrica entre um médico e uma paciente que afirma conseguir viajar entre universos. Mas nada é o que parece.
    Vamos primeiro para o final: o desfecho é impactante, mesmo que algo previsível. Durante o desenvolvimento, faltou alguma caracterização das personagens, se bem que o mesmo se depreende do diálogo, que é longo e elaborado. A loucura não está onde se pensa estar, o que é a melhor característica deste conto, a de fazer pensar o que é a normalidade. Em termos de fluidez do texto e linguagem, Amatis denota bastante experiência.

  7. opedropaulo
    20 de novembro de 2020

    RESUMO: Em uma consulta, mulher e psicólogo discutem o estranho refluxo da paciente e suas viagens interdimensionais entre realidades alternativas, enquanto busca que porta fechar. Ao descobrir, ela deixa o médico sozinho. Se é que ele já esteve com alguém.

    COMENTÁRIO: Praticamente um longo diálogo, a escrita é atenciosa, o narrador entrando somente para descrever a postura e os gestos dos personagens, o que concede aos dois nuances que fazem da conversa orgânica e crível. O diálogo é envolvente e intrigante, enveredando para o absurdo de forma sutil, mas chocante, o que resulta em aproximar ainda mais o leitor do texto, fazendo-o querer entender sua loucura. Entretanto, como não há exatamente um enredo, é um diálogo que se lê com atenção, mas sem muita expectativa. Há uma sugestão de que talvez Clara represente um perigo ao médico e, de fato, cria-se alguma tensão em torno disso, mas enquanto ela fala sobre sua experiência em outros universos e as reflexões que tira disso, em certo momento há uma saturação da conversa. O final estressa o leitor no bom sentido, pois ameaça dar resposta àquela sugestão de assassinato, oferecendo aquele tipo de tensão que nos prende à leitura para saber o que vai acontecer. Entretanto, a resolução envereda por um caminho que já foi aproveitado em outros textos do certame, que é a possibilidade de nada ter sido real. Apesar de ser bem consistente com o que o texto ofereceu, diante da possibilidade da loucura da protagonista ser real e aquela ser só uma versão ou mesmo de ela visível apenas para o médico, há ainda uma leve frustração, como se os momentos em que o diálogo se estendeu não estivessem compensados pelo encerramento. Com isso, chamo atenção para o fato de ter gostado do seu conto, mas de ter considerado essas fraquezas, o que refletirá na minha avaliação final.

    Boa sorte.

  8. Elisa Ribeiro
    19 de novembro de 2020

    O diálogo entre Clara e seu psicólogo. Ou não.

    Um conto algo surrealista/futurista, como anuncia a referência a Álvaro de Campos na epigrafe. Gostei do seu argumento, mas devo dizer que tal como os poemas do epigrafado, a leitura me deixou um pouco tonta.

    A dar uma interpretação psicanalítica para o seu conto, porque a isso ele me provoca, diria que Clara seria uma projeção psicológica do Doutor e o conto por sua vez seria uma projeção de certos inconformismos e perplexidades do próprios autor tais como: a ideia dos multiversos tão em moda, as experiências homoafetivas fortuitas, o insólito das burocracias estatal e privada, etc. Dessa forma, pela voz de Clara, o autor nos estaria apresentando o que considera loucura, escapando assim, sem fugir do tema do desafio, de sobre ele escrever de forma direta. Fui longe, hein, autor? E algo Álvaro de Campos nesse parágrafo meio circular.

    Gostei da forma como finalizou o conto. Talvez tenha sido totalmente previsível para quem lê com atenção em adivinhar a fecho que o autor escolherá, o que felizmente não fiz.

    O conto, em seu inconfundível português peninsular, me pareceu muito bem revisado.

    O que gostei: a imagem dos tecidos descomidos por Clara. Metafórico e poético.

    O que não gostei: como gostei muito do começo do conto, esperava um pouco mais do que ele entregou.

    Um bom conto que me divertiu e me fez pensar.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  9. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Um psiquiatra atende uma paciente que diz viajar e viver em vários multiversos. No fim, parece que toda a história é um delírio do médico.
    Gostei 😃👍 Um texto interessante, a conversa entre os dois é bem agradável e instigante, bons diálogos e ambos os personagens bem construídos. O autor vende bem a história de clara, passei a imaginar que de fato o conto entrou no campo de ficção científica e as imagens, tanto dos tecidos quanto das vidas dela, as portas e etc soaram verossímeis, embora eu tenha ficado com a pulga atrás da orelha pra achar a loucura que estava ali em algum lugar. E ela veio da forma menos óbvia, ela não era louca, ela nem existia, o louco é o médico. Achei essa jogada boa, imaginar um médico de louco se transformando em um está sempre no imaginário, é até dito popular. Um texto bem escrito e estruturado, final satisfatório. Parabéns!
    Não gostei 😐👎Apesar de interessante, toda a conversa se estende e não dá pra absorver tudo, a questão de ‘’ foi tudo um delírio’’ também é um artifício que cansa o leitor de certa forma. No mais, não encontrei muitos defeitos.
    O conto em emoji : 🗣️🌈👨🏽‍⚕️

  10. Fabio Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Resumo: Psiquiatra que precisa urgentemente de um psiquiatra.

    Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Esse médico aí tá bem ruim.
    Ele não só criou uma personagem, como também entrou na neura dela. Aprofundou sua psicose e no final deixou claro estar sofrer de perseguição.

    É claro que médico também pode adoecer. Eles não são deuses e, como qualquer outra pessoa, podem ser vitimas de neuroses e psicoses do mais alto nível. Já vi na pratica isso acontecer.

    O texto é bom. Nos traz uma realidade vivenciada pelo outro lado. Enquadrou-se bem na temática proposta.
    Os diálogos curtos são bem interessantes. Fica fácil acompanhar.

    Eu não entendi os versos de Álvaro campos que dão inicio ao texto. Eles se encaixam no texto em que circunstancia?

    Boa Sorte autor

  11. Fheluany Nogueira
    18 de novembro de 2020

    Psiquiatra atende uma paciente que diz vagar por multiversos e viver várias experiências. A enfermeira entra e sai do consultório e, no epílogo, afirma que não houve nenhuma paciente com o doutor (ou era a capacidade da mulher de se tornar invisível?).

    A sensação do leitor de que a personagem é louca e, realmente, procurou o médico, uma conversação inusitada, que mostra a fragilidade do profissional, a surpreendente reviravolta final, antíteses e muita ironia compõem um texto criativo.

    Leitura fluente e agradável, mesmo com pequenos desvios gramaticais e alguns diálogos extensos.

    Bom trabalho. Sorte no desafio. Abraço.

  12. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Psiquiatra consulta Clara, uma paciente que perdeu a noção de realidade e tem medo de portas porque afirma que pode ser transportada para outra dimensão. No desfecho se descobre que o psiquiatra não tem paciente alguma na sala e conversa só.
    Comentário : O conto é muito legal. Achei legal refletir o fato de psiquiatras poderem ter transtornos mentais. Clara é uma personagem muito interessante mas é irritante por ser muito direta.

  13. Angelo Rodrigues
    11 de novembro de 2020

    Resumo:
    Mulher com problemas, junto a seu psiquiatra, relata que vomita tecidos. Mulher que vive em multiversos, vive também inadaptada a eles. Um médico que a acompanha, que nos guarda uma surpresa ao final.

    Comentário:
    A paciente Clara apresenta uma loucura controlada quando simula sua normalidade contando experiências de sua vida. Clara, tão obscura, achei perfeito o nome antitético à personalidade da personagem.

    Vivem, médico e paciente, uma longa conversa basicamente insólita, quando ambos falam de passeios em universos.

    A porta procurada por Clara insinua-se como o limite da loucura em que Clara está mergulhada. Talvez a fechando, tudo se resolva. Então ela a busca para fechá-la e retornar à sua normalidade desejada.

    Clara se põe confusa quando, em multiversos, percebe que as pessoas podem ser magníficas e vis em polos opostos. Lida com a dificuldade, possivelmente, de se reconciliar com a compreensão de que as pessoas são naturalmente múltiplas em um único universo.

    Ao final, há duas passagens ótimas. Na primeira, tem-se a impressão de que um conto realmente voltado à psicanálise, mudou-se em direção à ficção científica – ou algo assim – com Clara dando um salto quântico pela porta. Logo em seguida, o conto retoma sua linha inicial, a da psicanálise, só que agora com o “paciente” sendo o próprio médico que, em meio às suas próprias elucubrações, fantasiava a existência de Clara. Vivia ele, no silêncio solitário de seu consultório, a sua fantasia acerca de Clara – a sua loucura dividindo-se em duas partes de si, fantasiando, quem sabe a sua própria homosexualidade ao fantasiar-se de Clara para ter experiências lésbicas (Mas aí já sou eu viajando na sua ótima história).

    Excelente pegada, ótimas transições. Todas as considerações atribuídas a Clara, neste momento, podem ser transferidas à pele do analista.
    Boas viradas, ótimas ideias.

    Se posso acrescentar algo, talvez uma revisão no comportamento do analista, que nunca deve perder o controle sobre a condução do processo discursivo com o paciente.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  14. Bianca Cidreira Cammarota
    10 de novembro de 2020

    Em atendimento psiquiátrico, médico recebe paciente com alucinações, que expõe sua história sobre múltiplas realidades nas quais ela transita.

    Amatis, senti que estava em um episódio de Doctor Who! E isso é um baita de um elogio, tenha certeza! Foi proposital, autor(a), inclusive usar o nome Clara, uma das mais interessantes (para mim) companheiras de aventura do Doutor na série?

    Acho que me toquei de quem é esse texto!! Que maravilha se for quem estou pensando!

    Mas, vamos lá.

    A história é maravilhosa! A premissa não é original em si, mas lindamente desenvolvida. As explicações sobre as multirealidades foram colocadas de forma clara (não resisti ao trocadilho…rs), definidas e bem delineadas. Não é fácil falar sobre esse assunto sem se tropeçar nos conceitos.

    A relação entre médico e paciente mostra a vulnerabilidade do profissional, o que é, para mim, muito bom, no sentido que mostra sua humanidade falha. Clara se constitui uma personagem interessantíssima. O final é muito bom, pois, apesar de todas as suas exposições colocadas logicamente em seus devaneios, ficamos ainda a pensar em sua insanidade e aí vem… a virada! A virada que sugere a criação de uma nova realidade onde o doutor tem consciência do continuum entre a realidade passada e atual.

    Gostei muito do seu texto. Muito mesmo! Premissa boa, desenvolvimento incrível e final com desfecho excelente. Meus sinceros parabéns!

    Quando o concurso terminar, desejo conversar contigo sobre seu conto e trocarmos ideias sobre esse universo que você nos trouxe.

    Um abraço.

  15. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Clara tem convicção que consegue, através das portas, viver realidades paralelas onde encontra versões alternativas das pessoas que conhece. Compartilhando suas impressões em uma sessão, entra num embate subjetivo com o Dr. que lhe analisa.

    Comentário:

    Uau! Conto que aparenta despretensioso em seu início, mas se desenvolve alcançando profundidade e complexidade. O embate entre o cético Dr. e Clara é construído de maneira inteligente, de forma que eu, como leitor, dei crédito para ambos durante a discussão, muito devido a convicção da paciente em defender suas ideias e viagens. Achei que o conto cria pequenas tensões que não se resolvem propositalmente, mostrando que, assim como as inúmeras portas que Clara disse viajar para mundos paralelos, os caminhos a serem percorridos pela história também são diversos: ela mataria o médico? As experiências sexuais teriam alguma relevância na história? Seu relacionamento com Pedro? Os tecidos? Enfim, há uma série de elementos que surgem no texto que, apesar de não se fecharem no enredo, mantém uma coerência dentro da forma como a personagem enxerga o mundo.

    Até mesmo quando as reflexões ficam um pouco herméticas e inacessíveis, a autora (ou autor) nos coloca em pé de igualdade com o Dr. que também se perde no devaneio de Clara. Apesar de longos e explicativos, os diálogos são bem conduzidos e se aprofundam gradualmente.

    A conclusão foi ótima e sugere, assim como outros contos do desafio, a construção de outra persona antagônica em relação ao louco de fato: uma Clara livre e convicta que se dissipa na porta, certa de suas decisões diante de um doutor cético e amedrontado com a própria insanidade disfarçada.

    Parabéns!

  16. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Médico enlouquece e se depara com uma viajante do espaço-tempo. Ou será que uma viajante espaço-tempo vai ao médico?

    Comentário:

    Gostei do enredo! O debate sobre a natureza do espaço-tempo ficou interessante! O desfecho é sensacional!

    Apesar disso, achei que os diálogos se estendem por um tempo um pouco longo demais, correndo o risco de dispersar o interesse do leitor.

    O texto possui pequenos deslizes de revisão, devendo ser entregue para um leitor beta ou revisor competente.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  17. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : Um psiquiatra trata Clara, uma paciente intrigante que afirma soltar tudo que come em forma de tecido pela boca. Parece perdida nos múltiplos universos de sua vida e cad porta que abre ou fecha le leva para algo totalmente novo. No final se revela que Clara é uma ilusão do próprio psiquiatra.
    Comentário : Conto muito interessante. Amei a forma como Clara conta cada capítulo de sua vida, achei interessante ela considerar cada capítulo um universo e cada escolha uma porta.

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.