EntreContos

Detox Literário.

Entrelinhas (Tussen de Lijnen)

Enfim! Obrigado, muito obrigado. Graças a você, leitor, agora existo. Não é ruim essa minha meia existência. De forma alguma! Mas é condicional, é condicional. Sem você, aí, do outro lado, segurando o papel ou, mais provavelmente, olhando diretamente para a tela de seu equipamento eletrônico, eu sou nada. Nenhum impulso, nenhum desejo. Nada.

Todos aqui somos nada, na verdade. Eu, meus colegas e vizinhos, enfermeiros, médicos, visitantes. São nada também os pássaros do jardim, as flores do jardim. O próprio jardim só existe agora, enquanto você está aí, lendo. As janelas gradeadas, as paredes acolchoadas e as belas roupas brancas e azuis com que todos aqui desfilamos pelos corredores pálidos e gelados cheirando a formol. Deixam todos de existir no momento em que a tela fica escura, ou o papel é deixado de lado.

Sou conhecido por 47-B. Meu nome anterior já não faz mais sentido. Daniel, Daniela, Julio, Julia, tanto faz. Hoje sou Quarenta e Sete, sobrenome B. Meu quarto e minha ala. Mas pode me tratar por 47. Só tenho sobrenome mesmo quando gritam comigo: “Quarenta e Sete Bê, solte essa seringa! Quarenta e Sete Bê, desça do parapeito! Quarenta e Sete Bê, cuspa os cacos de vidro!”

A vida aqui é pacata. Passeio pelos corredores vislumbrando, através das janelas, o colorido do exterior cortado por listras verticais, cinzas e metálicas. Mas as árvores, as nuvens, os contornos dos prédios, são exatamente como me lembro. Minhas idas ao jardim são poucas e controladas. Nunca sozinho. Minha companheira, a enfermeira Joice, me observa o tempo todo. Eu entendo, é seu trabalho. Mas o que eu poderia fazer? Correr e escalar o muro, buscando a liberdade nas ruas? De forma alguma. Sou feliz aqui. E sou mais feliz quando passo a existir.

Meus colegas não aceitam muito bem essa nossa condição de existência, essa nossa vida submissa à vontade e disponibilidade de um terceiro. Acham que, quando prego sobre isso, não estou em minhas plenas faculdades mentais. Mas são uns inocentes, doentes mentais que lidam com realidades além desta aqui. Delírios, esquizofrenias. Nenhum deles tem a mesma consciência expandida que eu, infelizmente. Prego a incapazes de compreender. Mas prego, assim mesmo.

Outros que não aceitam a verdade são os funcionários. Médicos, enfermeiros, seguranças. Todos me ouvem, com muita paciência e disposição. Mas seus olhos entregam a descrença. Ninguém quer ouvir, ou crer, que a própria existência é condicionada à vontade de um outro, como você, leitor, que me faz existir neste exato momento. Curiosamente, carregam no próprio corpo adereços e tatuagens religiosas, e fazem contato com seu ser superior socialmente aceito a todo instante. A incoerência me incomoda, mas a engulo. Minhas revoltas anteriores nunca surtiram mais efeito do que alguns dias confinado no andar de cima, onde as paredes são macias e as roupas tem mangas longas.

A enfermeira Joice é o epíteto desse comportamento negacionista. Nos conhecemos no minuto em que coloquei os pés nesta instituição. Já naquela época passou a acompanhar os meus desenvolvimentos. E já naquela época me ouvia com os olhos, não com os ouvidos. “Joice”, dizia eu, “não sou louco”. “Claro”, dizia ela em resposta, “agora tome seus remédios”. Muito profissional, ela. Nunca dera margem para os conhecimentos que eu, ávido por compartilhar, derramava verbalmente em seus olhos surdos. “Sim, Quarenta e Sete, claro. Deixe-me afrouxar essa amarra para você ficar mais confortável”.

Mas, chega, por enquanto. Esse exercício de existência me deixou eufórico. E, se me notam eufórico, voltam a me dar comprimidos inteiros. Em nosso próximo encontro falarei sobre alguns dos funcionários. E talvez sobre alguns dos meus colegas.

*  *  *

Joice bateu levemente. Como não ouviu resposta, tentou a maçaneta e, sentindo-a destrancada, entrou para encontrar o médico roncando baixinho, recostado na antiga cadeira de couro e os óculos na ponta do nariz. O livro, ainda parcialmente seguro em uma das mãos, deslizava milímetro a milímetro em direção ao chão.

– Doutor? Doutor Santana? – Foi entrando devagar pelo consultório. Desviou do divã e deu a volta na imensa escrivaninha de jacarandá, herança de épocas mais tradicionais da clínica. Pegou o livro da mão flácida do médico e o deixou cair em cima do tampo escuro do móvel. O peso do volume provocou um estalido, e o médico se endireitou despertando do cochilo.

– Enfermeira Joice? Perdão, eu estava concentrado.

– Não tem problema, doutor. Depois do almoço eu também pego no sono se pegar algo para ler. Doutor, queria te mostrar isso – disse a enfermeira, tirando do bolso do jaleco azul um texto manuscrito.

O médico ajeitou os óculos e esticou a mão.

– Achei isso hoje no quarto 47. 

Doutor Santana passou os olhos rapidamente pelo papel. – Está recomeçando, não é? Faz algum tempo já que ele havia deixado isso de lado.

– Sim, doutor, o pessoal estava até começando a achar que ele ia acabar saindo dentro de alguns meses. Muito pacato, muito educado. Até nos ajuda a controlar os mais exaltados, de vez em quando.

– Não vamos nos precipitar, entretanto. Vou encaixá-lo em algum horário. Acho que amanhã já consigo vê-lo. Devolva o manuscrito ao quarto dele. Não queremos que ele fique agitado, ou que se coloque na defensiva – esticou o papel de volta à enfermeira e abriu uma agenda. Bateu o dedo em cima da página aberta – Aqui, avise-o para me visitar amanhã, no primeiro horário. Vamos ver em que pé está essa situação.

– Obrigada, doutor. Espero que seja só uma preocupação boba. Mas se pudermos controlar isso logo no início, quem sabe ele continua melhorando sem uma recaída mais grave. Obrigada. Vou deixar o senhor retomar sua… leitura.

A enfermeira saiu e o médico ficou contemplando a janela por algum tempo, refletindo sobre a situação do paciente. Então bocejou longamente, arrumou os óculos na ponta do nariz e voltou a se recostar na cadeira. Em alguns segundos já estava adormecido.

 

*  *  *

– Bom dia! Como estamos hoje? Por gentileza, sente-se aqui no divã. Faz algum tempo que não o recebo aqui, Quarenta e Sete.

– Bom dia, doutor Santana. De fato. Não nos encontramos nessa rotina de médico e paciente há algumas semanas. Fiz alguma coisa para merecer esse encontro?

– Que tal se conversarmos um pouco sobre essas semanas que ficamos sem nos encontrar? Há algo que gostaria de me dizer? Algo relevante que eu deva saber?

– Acho que não, doutor. Mas estou ficando assustado. Eu fiz alguma coisa suspeita e vieram relatar para o senhor, não foi? Coitada da Joice. Só pode ter sido ela. Seja lá o que for que eu tenha feito, pedirei desculpas a ela. Não foi minha intenção.

– Não, Quarenta e Sete. Veja bem, não aconteceu nada de grave. Só achei que deveríamos retomar alguns temas de nossas conversas mais antigas. A enfermeira Joice falou muito bem de você, na verdade. Disse que vislumbra, em um futuro próximo, a sua partida da clínica.

– Ah, doutor, eu agradeço. Mas sou muito feliz aqui. Não gostaria de sair. Mas, claro, eu entendo. Estamos em uma clínica. Não posso ficar aqui, a menos que eu esteja… bem, que esteja louco.

O médico abriu um caderno de anotações e buscou uma página no começo. Arrumou os óculos na ponta do nariz e leu em voz alta: “não existimos, o senhor e eu, não até que nos leiam”. – Você se recorda disso? O que pode me dizer sobre isso?

– Doutor, eu me lembro disso. E, desde o dia em que o senhor anotou isso aí no caderninho, já não tenho mais incomodado ninguém com essa história. Bom, pelo menos ninguém que realmente fique incomodado.

– Certo. Então ainda estamos acreditando nessa teoria, correto?

– Doutor, não quero que isso soe como coisa de um paciente normal da clínica, mas, sinceramente, não é exatamente uma questão de acreditar. Não falo de fé. Falo de fato.

– Conte-me mais, por favor.

– Doutor, nada mudou, na verdade. Se eu tenho algum nível de loucura, ele permanece o mesmo. Ele existe porque estou sendo lido desta forma. Nas páginas em que fui criado, fui descrito desta forma. Só posso mudar se assim estiver escrito e se assim for lido. 

– Entendo. Então, digamos, por uma hipótese, que esteja escrito que daqui em diante, ao invés de sua receita de remédios, você passe a tomar uma nova. Não teria problema algum, correto? Estaria escrito.

– O senhor entende, então?

– Acho que entendo. Mas acho que será preciso que voltemos a conversar novamente em breve. Mas, por enquanto, fico feliz que tenhamos batido esse papo, Quarenta e Sete. Mas vamos já deixar marcado. Quero vê-lo novamente em quatro dias. Mesmo horário?

– Mesmo horário, doutor. Nos vemos daqui a alguns dias.

– Ao sair, por gentileza, peça à enfermeira Joice que passe por aqui o mais rápido possível.

*  *  *

Acredito que não preciso descrever nada do que aconteceu hoje para você, certo? Você leu toda a minha conversa com o doutor Santana. Desculpe-me pelas letras tremidas, mas estou tenso, estou tenso. A enfermeira Joice saiu do consultório com um papel e foi direto à enfermaria. Vão mudar minha medicação. Provavelmente para algo mais forte. Não posso tomar algo mais forte, não quero virar um vegetal. Eu penso. Eu raciocino. Essa é a minha força, e não vou perdê-la. Não vou.

Eu estou certo. Só existo quando sou lido. Você sabe disso, não sabe? Você não sabia de nada disso até começar a me ler. E, depois que parar, deixarei de existir. Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência. Não, só existo aqui mesmo, neste momento em que me lê.

Eu não queria ter que provar. Não queria provar isso a ninguém. Seria muito mais fácil se todos conseguissem enxergar o mesmo que eu. Mas momentos extremos pedem medidas extremas. Sou muito feliz aqui. Mas é hora de mudar. Não perderei minha essência para medicamentos.

Veja, esta é minha cama. Ela é de um metal pintado de branco, com um colchão duro, embrulhado em um lençol verde. Está limpo. O travesseiro, também embrulhado em verde, já está no chão, onde o joguei mais cedo quando acordei. Meu quarto é quadrado, tem uma janela pequena, gradeada e alta. A porta é simples, mas forte. Está fechada no momento. Não trancada, não posso trancá-la por dentro. Mas, no momento, é o suficiente estar fechada.

Você pode se assustar, mas é como as coisas são. Só existo se você estiver aí, me lendo. Assim como o quarto. Assim como a cama, como tudo aqui. Nada é ou foi dito sobre o corredor do lado de fora. Se o corredor é curvo, ou reto, ou se não há corredor de fato. O corredor só existirá no momento em que você o ler. Mas… E se você ler que, ao abrir a porta, ao invés do corredor eu me deparar com uma rua? Se você ler sobre a rua, ela existirá. E, se eu sair pela porta, estarei nessa rua. Certo? Uma rua qualquer, longe daqui.

Portanto, como prova daquilo que creio, da minha existência condicionada, sairei por aquela porta e estarei em uma rua. Você terá lido isso, o que garante o meu sucesso, garante a minha fuga. Eu não queria fugir, acredite. Mas é necessário, é necessário. 

Abro, então, essa porta, e a atravesso para a liberdade. Agradeço com todo o meu ser por me proporcionar esta saída. Talvez voltemos a conversar em outra oportunidade. Até mais. Cuide-se.

*  *  *

Quarenta e sete deu dois passos decididos em direção à porta. Pegou na maçaneta, a mão tremia levemente. Ele demonstrava uma crença muito forte. Mas, como ser humano, não podia deixar de temer pelo fracasso. Chegou mesmo a fechar os olhos ao puxar a porta. E então deu o passo seguinte, saindo do quarto.

A rua era movimentada o suficiente para que ninguém notasse por mais do que alguns segundos o homem vestido em roupas de hospital. Carros passavam indo e vindo, e a gente na calçada parecia ocupada demais para prestar atenção em alguém em trajes extravagantes. Quarenta e Sete, então, entrou no fluxo do caminhar apressado da multidão e sumiu para a liberdade.

*  *  *

– Alguém deve tê-lo visto. Não é possível! 

– Sumiu, doutor. Sem deixar nenhum rastro. O pessoal da segurança revirou o prédio, viu as filmagens do circuito interno. Mas nada. Absolutamente nada. Sumiu como se nunca tivesse existido.

– Joice, isso é ilógico. Há uma explicação, só não estamos conseguindo enxergá-la.

– Eu sei, doutor. Daqui a pouco o pessoal da segurança vai começar a ouvir os internos. Talvez algum deles tenha visto alguma coisa. Alguns gostavam muito do Quarenta e Sete. Como pode? Todo mundo achava que em breve ele sairia curado… 

– Pode me dizer com qual dos internos ele passava mais tempo? Ou se ele mantinha uma amizade mais próxima com alguém especificamente?

– Não, doutor, ele era igualmente amigável com todos. Mas… Bom, há um deles que talvez se enquadre nessa definição. Mas acho que o senhor não conseguirá nada dele. Nunca diz nada, e parece catatônico na maior parte do tempo. O Quarenta Sete mostrava as coisas que escrevia para esse paciente.

– Mostrava? Joice, por favor, localize-o e traga-o ao meu consultório. Imediatamente.

– Claro, doutor. Agora mesmo.

*  *  *

Pouco mais de dez minutos após a conversa com a enfermeira e o doutor Santana recebia em seu consultório o interno do quarto 13. Não havia se preparado direito, pois ainda estava muito nervoso com o evento do sumiço do Quarenta e Sete. Então, quando o viu entrar, tudo o que conseguiu dizer foi “sente-se”. Joice, que acompanhava o paciente, colocou-se à direta do médico, observando.

O doutor arrumou sua poltrona de modo que ficasse de frente para o interno. Pegou caderno e caneta, ajeitou os óculos na ponta do nariz e, com o olhar passando por cima das lentes, fitou em linha reta. Os olhos azuis, antigos, cansados, emoldurados por uma pele excessivamente branca, de quem vive essencialmente fora do alcance da luz do sol, estavam bem abertos e atentos.

– Peço desculpas, mas a urgência exige que eu seja direto. Quarenta e Sete falou com você?

Os olhos azuis perscrutavam as reações, e a caneta traduzia tudo no caderno de anotações.

– Imagino que ele tenha pedido para manter tudo em segredo. Mas é de vital importância que você nos diga tudo o que sabe. O bem-estar de seus colegas aqui na clínica pode estar comprometido.

A testa do médico, sempre tão tesa, marcada apenas pelas rugas do tempo, agora se dobravam sob o peso da preocupação.

– Você tem que nos dizer algo. Por favor, diga algo. 

– Doutor, o olhar dele… Os olhos se movem.

– Eu sei que consegue nos ouvir.

– Os olhos dele se movem como se estivesse… 

– Sim, eu percebi. Ele parece lendo. Está nos lendo, interno? Consegue dizer algo?

– Doutor, desculpe-me, acho que não vamos conseguir nenhuma resposta. Ele só continua mexendo os olhos. Acho que não é o momento para isso. Tenho medo de como ele possa reagir.

– Perdão, Joice, perdão. Eu mesmo estou me sentindo mal – o doutor colocou o caderno de lado e passou os dedos nos olhos fechados. – Isso foi um erro. Leve o paciente ao seu quarto. Ele não reage às nossas palavras. Bom, não reage mais do que isso aí, esses movimentos de leitura.

Joice levantou e, com delicadeza, ajudou o interno a se levantar também. Algumas palavras tranquilizadoras, um braço de apoio e os dois se encaminharam para a porta. Doutor Santana deu a volta na escrivaninha de jacarandá e deixou o corpo cair pesadamente na cadeira. Pensava na fuga de Quarenta e Sete, sim, mas, naquele momento, o interno que acabara de sair de seu consultório o intrigava mais.

“Ele estava me lendo”, pensou. “Não estava me ouvindo, estava me lendo. Estava lendo…”

19 comentários em “Entrelinhas (Tussen de Lijnen)

  1. Paula Giannini
    27 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Personagens só existem ao serem lidos, ficção ou realidade?

    Minhas Impressões:

    Este conto traz uma excelente premissa. Personagens escritos que só tomam vida ao serem lidos, e isso é algo que, certamente, já instigou muitos autores interessados em criar uma excelente trama. Interessante notar, entretanto, que, indo de encontro ao tema proposto no desafio, o(a) autor(a) desenvolve a narrativa de tal premissa a partir do ponto de vista de um louco. Internado em um manicômio, é ele quem imagina ser lido, até que suas impressões atinjam também seu psiquiatra. Assim, o(a) escritor(a) utiliza-se, de certa forma, de metalinguagem, deixando seu leitor (ao menos esta leitora aqui) com a estranha sensação de que, ao fechar o livro (a tela) estará dando fim à vida daqueles personagens.

    Um trabalho bem interessante que, de certa maneira, flerta também com a realidade mágica, quase quebrando a quarta parede, e dando ao leitor a sensação de que os personagens poderão se rebelar e fugir do texto a qualquer momento.

    Como digo a todos por aqui, se acaso minhas impressões não estiverem de acordo com seu trabalho, apenas desconsidere-as.

    Parabéns pelo trabalho instigante.

    Desejo boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  2. antoniosbatista
    26 de novembro de 2020

    Resumo : Paciente de um hospital psiquiátrico, acredita que só existe quando alguém lê o que ele escreve. No final, o médico dá sinais que sofre dos mesmos delírios.
    Comentário/Análise: Após a leitura, achei que os diálogos não ficaram cem por cento bons. Me pareceu foçado, não natural. Também em relação ao médico, ao entrevistar o paciente do quarto13, ele inicia pedindo desculpas: – “ Peço desculpas, mas a urgência exige que eu seja direto”. Não acho que o médico precise pedir desculpas ao seu paciente, por querer curá-lo ou outra coisa qualquer, ainda mais a alguém sofrendo das faculdades mentais, que não está no seu juízo perfeito para se importar com as regras das relações sociais. O diálogo com o leitor ficou rude, sem emoção. O argumento é bom, mas precisa de uma boa “lapidação”. Boa sorte.

  3. Leda Spenassatto
    25 de novembro de 2020

    Resumo:
    O paciente 47-B de um manicômio só se sente vivo quando está sendo lido. De tanto ensistir nessa afirmação, deixa o seu médico com a mesma sensação.

    Comentário:
    Que bárbaro isso! Só existo quando estou sendo lido.
    Já ouvi muito dizer que funcionários, de grande empresas, como bancos por exemplos, não passam de um número. E, a partir do momento que são despedidos deixam de existir.
    Seu texto é belíssimo, é real, mas me intrigou o fato de 47-B ser um paciente de um manicômio e ser tão lúcido. Até o doutor , no final do conto, duvidou de quem estaria alalisando quem.

    Essa trecho ficou exepcionalmente brilhante. Amei!

    ‘Eu estou certo. Só existo quando sou lido. Você sabe disso, não sabe? Você não sabia de nada disso até começar a me ler. E, depois que parar, deixarei de existir. Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência. Não, só existo aqui mesmo, neste momento em que me lê.’

    Parabéns!
    De montão, te desejo sucessos.

  4. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: Um paciente que acredita que está sendo lido por alguém, e que as coisas que a pessoa escreve sobre ele podem mudar seu rumo na história que vive.

    Olá, caro autor!
    Eu adorei o seu conto! Acho que até o momento foi a ideia mais original do desafio, essa abordagem diferente me pegou desprevenido, o lance dele sair na rua depois foi genial! Gostei da sua escrita também, não achei cansativo e a cadência foi bem legal. As reflexões que você trouxe para como o texto existe além da leitura são as mesmas que eu me faço. Gostei muito mesmo, esse vai levar uma das minhas notas mais altas, com certeza. Não é uma escrita extremamente primorosa como já vi aqui, mas é muito competente, bem pensada e trabalhada com competência.
    Parabéns pelo seu conto, eu gostei muito!
    Boa sorte!

  5. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Tussen.

    Conto sobre um paciente de clínica, 47B, que acredita ser um personagem sendo lido, e que sua existência só ocorre quando é lido. No final ele se aproveita da possibilidade de criar para si uma rota de fuga através da escrita e da leitura e foge da clínica.

    Texto que usa a metalinguagem para criar a história de 47B, que pode ser louco por crer que só existe enquanto está sendo lido, mas que prova sua teoria ao conseguir fugir da clínica através de um artifício fornecido pelo texto e pela leitura. Uma proposta interessante e que foge do padrão dos contos deste desafio, até o momento (ainda não li todos os contos). Há um autor inglês, Terry Eagleton, teórico e crítico de literatura, que aborda uma situação semelhante a isso em seu livro Como Ler Literatura (uma leitura muito agradável, inclusive).

    Gostei do tom leve que permeia o conto. O ritmo funciona de maneira adequada e as trocas nas vozes dos narradores, primeira e terceira pessoa, acrescentam algum dinamismo ao enredo. E achei legal o contraste entre o 47B pacato (até nos ajuda a controlar os mais exaltados, de vez em quando) e o 47B realmente louco (Quarenta e Sete Bê, cuspa os cacos de vidro!).

    Acho que a parte técnica está bem ajustada, e percebi apenas um erro (acredito que de digitação) em “Joice, que acompanhava o paciente, colocou-se à direta do médico”. Acho que não seria “direta” e sim “direita”. Mas não sou o leitor mais atento a esse tipo de falha nos textos.

    No geral um conto divertido e que atende a proposta do desafio.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  6. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    47 B é interno em uma instituição psiquiátrica mas acredita que é personagem de uma narrativa.
    O argumento é ótimo e alguns momentos do conto me pareceram simplesmente geniais. O texto está bem escrito, com boas escolhas lexicais para o contexto, linguagem direta e muito bem revisado.
    Indo de forma bem direta ao ponto, o problema grave para mim foi a narrativa. Em geral, achei o ritmo do conto lento. Levando em conta a premissa metalinguística do conto e a passagem em que o médico surge dormindo com um livro nas mãos, penso que tenha sido intencional. Ou talvez apenas um ato falho do autor… Se me permite, uma hipótese que imaginei enquanto lia seria substituir alguns diálogos por discurso indireto. Penso que seria uma opção para dar uma acelerada na narrativa.
    O que gostei: desse momento que aqui destaco do seu conto. “Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos.” Sensacional! Também gostei demais quando você nos trancou, leitores, no hospício na pessoa do doidinho silencioso que só mexe os olhos.
    O que não gostei: respeito suas escolhas narrativas, mas o ritmo lento do conto não funcionou bem comigo nessa experiência estafante de leitura aqui do EC. Não imagino o quanto seria diferente em outra situação de leitura.
    Finalizo dizendo que é um ótimo conto que merece destaque pela singularidade da abordagem aqui no desafio.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  7. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá autor. Gostei bastante da ideia base do seu texto e da forma como o mesmo foi estruturado. É a prova de que ideias complexas podem ser descritas de uma forma elegante, que não obrigue a uma segunda leitura. No seu texto um doente internado num hospital psiquiátrico tem a ilusão de que está a ser lido. A constatação de que a realidade é um texto facilita-lhe a fuga. Achei a ideia genial, um pouco do tipo de Matrix, mas sem a parte tecnológica. De resto, nada a apontar. Parabéns

  8. opedropaulo
    20 de novembro de 2020

    RESUMO: 47-B sabe do grande segredo. Nos conhece e sabe também do quanto a sua realidade é frágil e condicionada. Não podem impedi-lo de viver essa realidade, então ele decide aproveitá-la para fazer dela a sua rota de fuga, deixando para trás médicos, enfermeiras e insanos, todos bastante confusos.

    COMENTÁRIO: A abordagem desse conto é singular e muito bem trabalhada, estabelecida logo no primeiro parágrafo, de onde segue consistente. A mescla da primeira e da terceira pessoa serviu bem para nos fazer entender como o personagem via a sua realidade e ao dar a voz ao narrador o conto não perde sua qualidade, com uma narração prática, muito capaz de situar os personagens e os cenários, fazendo bom uso do diálogo para avançar a narrativa. Há o ponto negativo de que os personagens são, no geral, acessórios, com as personalidades não excedendo as suas “funções” na trama, o que tira um pouco do conto. Apesar disso, é uma leitura intrigante e divertida, em que a tensão vai se instalando na medida que loucura e fantasia se misturam. A sacada final, de trazer o leitor para o conto, foi inteligentíssima e condizente com a premissa da estória.

    Boa sorte.

  9. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Conto feito a partir da perspectiva consciente de um personagem da história. Ele entende tudo, e precisa fugir daquele lugar.

    Gostei 😃👍 Achei um conto muito bom, o autor se valeu de bastante criatividade, não necessariamente sobre a metalinguística, mas a forma como conduziu tudo, muito legal mesmo. É aquele tipo de conto ‘’ explode cabeça’’ que pelo sim e pelo não acaba criando paradoxos. Toda a menção a terceira pessoa… tipo, o cara foi escrito para saber mais que os outros, ainda assim não tem controle disso pois esse conhecimento é premeditado pelo escritor onisciente de sua própria história. Os outros personagens compõem muito bem essa questão ‘’ matrix’’ negacionista de que tudo é loucura, os sãos. Mas são apenas outros personagens arquitetados, e tem aquele personagem que faz a vez o leitor. Fiquei imaginando pra onde foi o 47-B, uma outra página que não está ao alcance dos nossos olhos? Nós, que temos o dom mágico de fazê-los existir. Achei bonito seu texto, tem um ar poético sobre o que é ser escritor e leitor e o incrível poder que essas duas coisas tem.

    Não gostei 😐👎 Nadinha, um conto ótimo do começo ao fim.

    O conto em emoji :📖 🏨👨🏻‍💻

  10. Fheluany Nogueira
    18 de novembro de 2020

    O protagonista é nominado 47 B (quarto e ala numa clinica psiquiátrica). Ele crê que seja um personagem de ficção e que, portanto, somente existe quando sua história é lida.

    Título, pseudônimo (do holandês: entre as linhas) e trama nos remetem à metalinguagem, à criação (lembrando que analistas costumam pedir aos pacientes que escrevam sobre o seu dia, suas emoções. Eu mesma escrevo para estar ocupada desestressar, passar o tempo — devo ser meio biruta…).

    E tem aquele provérbio: Três coisas que cada pessoa deve fazer durante sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. São atos que deixarão um legado, uma memória, uma reputação. Escrever é uma forma de eternizar pensamentos e palavras. É recriar a vida.

    Amei o conto, a criatividade da premissa e a execução bem elaborada, com ares de realismo fantástico — texto bem escrito, dinâmico e cativante. O leitor se sente um personagem com a quebra da quarta parede. A leitura fluida se deve à estrutura em pequenas partes e à alternância de foco narrativo.

    Muito bom trabalho. Sorte no desafio. Abraço.

  11. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: 47-B é um paciente que acredita ser um personagem de um livro e que seu destino será o que o escritor escrever, acredita também que todos os que o rodeiam ali são também personagens ou, alternativamente, o Autor criou 47-B e decidiu dar-lhe liberdade criativa de autodefinição dentro do tema do desafio.

    Comentário: confesso que ao iniciar a leitura torci o nariz, duvidosa; o conto me pareceu, de caras, ser mais daqueles de entercontista para entrecontista o que, podendo não ser mau, é sempre muito limitativo. Felizmente, essa sensação logo desaparece e o contraste entre o que o conto é e a fraca promessa inicial, potencia muito o agrado que se experimenta ao ler.

    Gostei muito do seu conto, ele é antes de mais, uma reflexão sobre personagens criados por escritores e a vida própria que ganham, seja pela mão do próprio autor enquanto escreve e muitas vezes se surpreende pelo facto de o seu personagem estar a criar contornos que não havia pensado antes de começar, seja pela interpretação de quem lê e o que conserva do que leu. Esta última observação está perfeitamente contida aqui: “Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência.”

    Este conto é uma magnífica homenagem a todos nós, nós que escrevemos e nós que lemos. Tudo está realmente nas entrelinhas, entre o que se escreve e o que se lê – e aí cabem muitos universos.

    O conto não termina, apesar de o seu desfecho estar excelente. Na realidade, um personagem está a ler outro personagem e, assim, a criar todo um novo mundo entre o significante o e significado.

    Obrigada pela leitura.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Fabio Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Resumo: 47 B é o nome do personagem internado numa clinica psiquiátrica. Ele propõe a tese de que uma pessoa só existe se ela puder ser lida. Quase como se quisesse nos dizer que precisamos deixar uma marca para evidenciar nossa existência neste mundo.

    Um personagem sábio. Confesso que não vi nas suas ações atos próprios de loucura. Por que exatamente ele esta internado? Seria por causa da sua escrita?
    Se for isso nós do E.C já nos tornamos insanos.
    Mesmo sendo esculachados nos comentários o povo não consegue parar de escrever e mandar os seus contos.

    O conto é muito bom. Eu fiquei pensando por um tempo o que seria da minha vida sem a escrita. As pessoas extravasam sentimentos de varias formas. Escrever com certeza é uma delas.

    A bíblia e as antigas escrituras estão aí para nos provar que a tese de 47B é verdadeira. Quem nada deixou escrito simplesmente não existe.

    Boa sorte autor(a)

  13. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Paciente de um sanatório parece estar se recuperando muito bem, até que ele começa a dizer que só existimos se estivermos sendo lidos. Buscam aumentar sua medicação e ele foge para não se tornar uma marionete.
    Comentário : Conto muito legal. Faz muito sentido para nós escritores, que sentimos necessidade de sermos lidos para sentir que estamos vivos.Gostei do protagonista ver sua vida como capítulos e ele não está totalmente errado.

  14. Bianca Cidreira Cammarota
    11 de novembro de 2020

    Paciente em sanatório tem delírios sobre a vida, esta condicionante a ser uma história que, somente quando é lida, realmente existe.

    Quando iniciei o conto e vi a premissa, fiquei com o pé atrás, pensando que cairia em clichê. Ledo engano, para minha felicidade! O texto é ágil, envolvente e a utilização da quarta parede juntamente com a narrativa de terceira pessoa em alternância deram equilíbrio ao enredo. O tema loucura é o principal, mas no final tem um toque bem-vindo de surrealismo (o paciente 13 estar “lendo” a cena que vivia foi demais!). Os diálogos são críveis, os personagens palpáveis, o enredo bem conduzido.

    Autor(a), que conto maravilhoso! Imagino o trabalho que foi necessário para compor o texto; todavia, sinto que você se divertiu na construção da sua criação. Proporcionou ao leitor, na minha opinião, uma experiência excelente, criativa e atrativa! Parabéns!!!! E agradeço por ter fornecido este texto. Gostei mesmo!

  15. angst447
    9 de novembro de 2020

    RESUMO
    O narrador – paciente 47-B – acredita ser (o que é de fato) um personagem fictício dentro de um enredo que aborda a loucura. Acaba fugindo da clínica psiquiátrica (ou trama) e o médico reflete sobre um outro paciente que não ouve o que diz, mas lê suas palavras e atos.

    AVALIAÇÃO
    Conto bem escrito, construído com recursos metalinguísticos. A leitura flui muito fácil, favorecida pelos diálogos elaborados de maneira clara e natural.
    A quebra da quarta parede, chamando o leitor para o jogo, dá poder a quem lê o conto, e é verdade… se uma história não é lida, ouvida ou percebida de alguma forma, ela deixa de existir, de ter o seu registro.
    O(A) autor(a) faz uso da narração intercalada entre a primeira e terceira pessoa, definindo pequenos capítulos que amarram a trama. Ao fugir da clínica, 47 deixa de ser o narrador, e passa a ser apenas um personagem que vai desaparecendo da memória. Será que somos todos o paciente 13, lendo tudo o que se passa nesse conto?
    Foi uma leitura leve e divertida. Parabéns pela participação. Boa sorte e que 47 encontre outros leitores neste mundo louco.

  16. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Paciente de uma clínica acredita ser um personagem de ficção, só passando a existir quando outras pessoas o leem. Sua condição gera curiosidade para os médicos e enfermeiras que o avaliam, gerando a incerteza se de fato suas reflexões são fruto da loucura ou todos são personagens de um conto.

    Comentário: Texto metalinguístico, extremamente irônico e divertido! Ri quando o protagonista disse que a vida no hospício é pacata, mesmo querendo pular do parapeito e cuspindo cacos de vidro. No entanto, houve uma quebra que me pareceu proposital, trazendo o mundo real da perspectiva dos médicos, o que me desencantou um bocado. Mesmo assim, a incerteza sobre o que é real ou não segue firme até o final do conto, onde, se não entendi mal, somos o paciente que lê o médico. Fantástico e sagaz! Você foi muito feliz nessa brincadeira, e terminamos a leitura com um estranhamento propício para o tema do desafio. Um texto de ilusão e cheio de engenhosidades, como outros bons que encontrei por aqui.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  17. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem está convencido de que é o personagem de uma história.

    Comentário:

    É o melhor enredo, o mais criativo, com que me deparei! É difícil não se sentir pessoalmente envolvido com um enredo que promove o leitor à personagem!

    Os capítulos narrados em primeira pessoa, com seus argumentos metalinguísticos, são os melhores. Os capítulos com diálogos não possuem nada de especial, mas cumprem seu papel dentro do enredo. A descrição do médico dormindo com os óculos na ponta do nariz e livro aberto sobre o colo me soou clichê e destoante da qualidade do resto do conto. O capítulo em que o louco abre a porta e deixa o quarto rumo à rua criou uma cena muito poética.

    O texto está muito bem escrito e revisado. Não notei qualquer ousadia em termos de linguagem, prevalecendo o uso denotativo das palavras.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei muito, e boa sorte no desafio!

  18. Angelo Rodrigues
    8 de novembro de 2020

    Resumo:
    Um interno de uma clínica imagina-se em um mundo em que tudo existe quando se lê esse mesmo mundo. É parte dos fatos que se sucedem à medida que o que está escrito se revela.

    Comentário:
    Conto interessante.

    Já teci comentários a respeito de loucos que narram a sua própria loucura e a possível inconsistência que isso acarreta.

    Esse conto, entretanto, parece não tentar narrar uma loucura, não uma loucura de fato, mas um arranjo literário que se move em direção à fantasia. Sob esse aspecto ficou legal. É loucura, mas é fantasia. Um misto de “realidade” que é tangenciada pela ficção. Um mundo mágico construído pelo protagonista, que só existe na medida em que se o pode ler.

    O autor criou mundos que se revelavam através da leitura.

    Creio que tenha usado bem as diversas vozes narrativas, alternando-as em pequenos capítulos.

    E para não dizer que tudo são flores, direi que achei pouco plausível que o psicanalista/psicólogo tratasse o paciente como “Quarenta e Sete”.

    Todo referencial médico/paciente sempre se dá na busca uma conexão do paciente consigo mesmo, e tratá-lo como um número está fora de questão, pois o dissocia de si mesmo, algo que nem paciente nem médico – se ele não for sádico – deseja.

    Lembrando que toda vez que se quer criar uma cisão na alma de alguém, numere-a, como normalmente acontece nas prisões.

    Boa sorte no desafio.

  19. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O conto conta a história de 47, um paciente de uma clínica psiquiátrica que afirmava em seus escritos que só existimos se alguém estiver nos lendo e que tudo de alguma forma já foi escrito, até que ele escreveu sua fuga e fugiu para não se tornar um vegetal. O psiquiatra pergunta a um de seus amigos se sabia algo sobre a fuga de 47 mas esse paciente apenas o leu e nada falou.
    Comentário : O conto é maravilhoso. O conto mostra uma verdade muito clara, nós seres humanos só existimos totalmente se alguém estiver nos lendo, sabendo que existimos, não existimos sem os demais. Mas fiquei preocupada com 47, para onde ele foi ? Onde estará sendo lido agora ?

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.