EntreContos

Detox Literário.

A Porta (Doutor)

Sozinho no apartamento de luxo, Samuel preenchia o silêncio com os sons das teclas do computador. A porta do quarto principal chamava a atenção à esguelha; pesava o mundo para o seu lado como uma força gravitacional. Tentou ignorá-la. Quando os dedos aquietavam, o tique-e-taque do relógio de parede assumia o primeiro plano, retumbando compassado pela sala. O cômodo, apesar das mobílias, mais parecia um vasto vazio cheio de pinturas e retratos a velar com olhos atentos. Cortinas obstruíam a luz do Sol ainda jovem, desbotando o ambiente.

A tela do laptop era um nicho de luz não-natural. Visto de longe, Samuel era um rosto flutuando na sombra. Uma notificação surgiu: sua mãe estava online.

“Oi mãe”, digitou, “tentei te ligar a semana toda. Como estão as coisas por aí?”.

A mensagem surgiu na tela sem confirmação de leitura. Aguardou. Alguém girou a maçaneta da porta do quarto e, para ele, o tempo parou. Quando olhou, a porta estava perfeitamente imóvel; a maçaneta parada como deveria estar. Da esquina surgiu Paolo, trotando para a sala casualmente. O husky siberiano encontrou um lugar no sofá e se deitou.

Samuel voltou os olhos para a tela novamente. Sua mãe estava offline e a mensagem jamais foi lida. Tentou voltar a trabalhar, mas os dedos tremiam. Só então notou o coração acelerado. Levantou-se e resolveu levar Paolo para passear. Só lembrou na última hora de vestir a máscara N95. Na parede, o relógio marcava seis e quinze da manhã.

As luzes do corredor do prédio acenderam ao detectarem sua presença. O silêncio era tal que ele podia distinguir o zumbido característico da eletricidade encontrando os filamentos da lâmpada. Todo o lugar parecia um gigante solitário, apesar de seus poucos quatro andares, dois apartamentos por andar. Ouviu seus passos e os sons das unhas de Paolo ecoarem. Só foi gratificado com a melodia do mar quando saiu do prédio pelo portão lateral.

O dia estava cinzento. A brisa litorânea recebeu-o suave. Fez o caminho de sempre: deu a volta no quarteirão, virando à direita todas as vezes. Paolo, mesmo acostumado ao percurso, sempre parecia feliz em esticar as patas para fora do apartamento. Urinou em postes, cheirou, defecou e, quando notaram, estavam de volta à entrada. 

Samuel tentou voltar a trabalhar, mas a porta ao lado ocupava todos os pensamentos. Fechada; magnânima; sorridente. Desistiu. Foi encontrar uma caneta e um caderno em branco – teve mais dificuldade de encontrá-los do que esperava. Acomodou-se ao lado de Paolo no sofá e começou a escrever.

Já peço desculpas, doutor, mas você falou para escrever o que vem à mente, e a primeira coisa que penso é que isso é uma perda de tempo. Nunca vi sentido em escrever pensamentos. Já faz um mês desde a nossa última consulta e sequer pensei em escrever alguma coisa à mão. Então hoje, de repente, senti esse desejo inexplicável. Tenho certeza de que é a porta.

Tenho que dizer que acho que Clozapina não está fazendo efeito. Você pediu para que eu os trancasse no quarto e esquecesse deles por um tempo, e foi o que fiz; mas hoje juro que vi a maçaneta mexer. 

Acabo de rir aqui. Só de escrever a última frase me senti um idiota. Eu sei: você sempre falou para que não me auto depreciasse, mas foi o que senti na hora. Não tem ninguém no quarto. Eles não existem. Eu sei, e o fato de eu saber quer dizer que o remédio está fazendo algum efeito sim.

Acho que estou sendo afetado pelo isolamento social. Nunca imaginei isso; você sabe como gosto de ficar sozinho. Tenho meus jogos, e meu trabalho, e não ligo muito para sair de casa. A pandemia não mudou muito a minha rotina, mas esta semana foi diferente. Acho que não vi ninguém a semana toda. Está certo, o governo lançou agora a lei de isolamento, mas nunca vi o povo obedecer assim, tão rápido. Parando para pensar, acho que não falei com ninguém desde segunda-feira. Minha mãe e meu pai estão presos na Itália ainda – o voo deles foi cancelado de novo – e não respondem minhas ligações. Minha equipe toda do trabalho está de férias e estou aproveitando para dar um gás maior no projeto.

Ao menos a pandemia está servindo para alguma coisa: nunca estive tão focado no trabalho.

Já me sinto melhor. Odeio quando você está certo, doutor, mas espero não ter que escrever mais vezes. Minha mão já está doendo.

Horas depois, o arranhar das unhas de Paolo na porta da sacada quebrou sua concentração. Samuel foi pego de surpresa pela ausência do Sol. Não tinha visto o tempo passar.

Lá fora a noite o abraçou mais escura que o habitual. Sentia como se, caso esticasse as mãos longe o suficiente, fosse capaz de tocar o lençol negro que cobria Búzios naquele fim de dia. Todas as estrelas estavam lá – e a lua também – mas o sentimento era o de que o mundo tinha escurecido um pouco mais desde a última vez que prestara atenção. Da sacada avistou alguém andando pela calçada, encontrando o caminho adiante com a ajuda de uma lanterna. Samuel sorriu.

De volta à sala encontrou novamente o caderno e a caneta mas, quando estava prestes a começar a escrever, uma notificação soou no laptop. Fabíola estava online e falava com ele.

“Samuel?”.

A mensagem surgiu abaixo da foto de uma mulher que exalava jovialidade com um sorriso de dentes brancos. Samuel respondeu:

“Fabíola? Caramba, não nos falamos há anos. Como você está?”.

“Estou bem. Menino, acho que te vi hoje”.

“Duvido muito”. 

“Você está morando aqui em Búzios?”

“Como sabe??”

“Então eu te vi, lerdo. Você e aquela coisinha fofa do seu husky”.

“Ah é, você já conhecia o Paolo né?”

“Sim, claro. Caramba, que coincidência gigante. Como você veio parar aqui?”

“Longa história”

“Quer me contar pessoalmente? Estou ficando doida com esse negócio de isolamento, e olha que nem tem duas semanas”.

“É, você sempre foi dessas, não aguenta ficar um minuto sem gente por perto”.

“Então, vamos? Faz um século que não falo com ninguém da faculdade também”. 

“Não tem nada aberto”

“Vem aqui para casa, ou eu vou para a sua. Prometo que passo álcool em tudo. =)”

Samuel levou longos minutos para responder. 

“O apartamento está uma zona”

Fabíola respondeu com um emoji impaciente.

“Você sempre foi todo certinho. Vem para cá então, a gente pode conversar do jardim. Estou cuidando da minha mãe, ela é grupo de risco, então é melhor não entrar”

O rosto de Samuel – flutuando entre as sombras ao redor do nicho de luz – passou outros longos minutos encarando a tela do laptop. Voltou-se para a porta do quarto – uma porta comum, velha, até um pouco feia. Riu para si mesmo e, voltando-se novamente para Fabíola, concordou com o encontro.

Quase joguei este caderno fora. Me senti um idiota hoje pela segunda vez. Só não jogo fora por quê bem ou mal está me ajudando, e acho que você, doutor, vai gostar de ler. Enfim, daqui de cima vi um homem andando na calçada e uma antiga amiga da faculdade falou comigo no messenger. Que imbecilidade achar que não tinha visto nem falado com ninguém desde segunda-feira. Só por quê hoje de manhã não vi ninguém durante o passeio com Paolo, devo ter criado memórias falsas. E ando desligado, inclusive, porque a Fabíola me viu e eu não a vi. Estou lendo esse livro do Mário Sérgio Cortella e ele fala sobre a memória e sobre o cérebro; sobre a capacidade que temos de inventar coisas só para fazer uma ideia ter algum sentido. Somos como deuses, criando uma realidade totalmente diferente só com o poder da mente;

Caramba, o que eu estou escrevendo? Cismei de virar filósofo agora?

Enfim, marquei de encontrar com a Fabíola amanhã no quintal dela. Para dizer a verdade estou me sentindo um idiota pela terceira vez, por quê falei para ela que o apartamento estava uma bagunça só para não recebê-la aqui. 

Quer saber? Vou voltar lá agora e remarcar para ela vir aqui. Meus pais têm uísques e vinhos guardados na adega. Vai ser legal. Você e minha mãe vivem falando para eu perder o medo das pessoas. Além do mais, ela foi uma das poucas que conversava comigo na faculdade. Acho que vai ser divertido.

Não queria admitir mas estou gostando disso de escrever com papel e caneta. Meu pulso dói por quê acho que nunca mais escrevi à mão, mas é legal ter que parar para pensar em cada palavra antes de pôr no papel. No computador eu saio escrevendo e, quando erro, apago e volto. No papel não tenho esta facilidade. Acho que isso de fazer as coisas devagar me ajuda: percebi que um dos poucos momentos em que paro de balançar a perna que nem um alucinado com tique nervoso é enquanto estou escrevendo à mão.

Não escrevo faz três dias. Na verdade, tentei escrever ontem e anteontem mas rasguei tudo antes que eles lessem. A sala está infestada de papel picado. Agora que coloquei o sofá escorando a porta do quarto estou me sentindo mais seguro. Paolo está ali, dormindo, e de vez em quando, quando eles tentam sair pela porta, ele acorda.

Eu escreveria para você, doutor, se é que você está lendo isto, mas acho que agora estou escrevendo mais para mim mesmo. Botar as coisas no papel me ajuda a ordenar os pensamentos.

Eu quase a deixei entrar!

Como não tinha notado antes? Tudo está estranho demais. A maçaneta girando. Todos sumiram. Então assim que eu noto que estou sozinho há dias, vejo um homem na rua e a Fabíola – com quem não falo há anos – vem conversar comigo. E só ela! Meus pais ainda não me atendem. Ontem tentei falar com o Pedro e com o Josias e eles nem online estavam – logo eles, que estão sempre jogando alguma coisa na internet! 

Está óbvio que esta não é a Fabíola. São eles tentando sair do quarto. E o homem, segurando uma lanterna de noite? Quem anda pela rua com uma lanterna?? Será que o homem era um deles? Será que eles estão ali fora, esperando que eu saia de novo com o Paolo só mais uma vez?

Já entendi por que não escrevo para você, doutor. Porque você é um deles. De agora em diante, escrevo só para mim.

Pense, Samuel. Como eles descobriram que você descobriu? Não estou escrevendo nada disso no laptop, então não tem como me espionar. Será que eles conseguem ler o caderno? Mas como, se estão trancados no quarto?

Paolo?

Pensei muito antes de escrever estas palavras. Mais de uma vez quis rasgar o caderno inteiro. Na verdade, quase rasguei – algumas das últimas folhas que escrevi semana passada estão bem amassadas.

Não vou tentar me justificar. Doutor, acho que tive o que você chama de episódio, mas agora está tudo bem. Consegui sentar com calma e raciocinar. Estou angustiado. As pessoas ainda não me atendem na internet ou no telefone. Não consigo falar nem com você. Preciso de ajuda. Pedi desculpas para a Fabíola pelo messenger e pedi para ela voltar.

Parei para pensar e o homem de noite com a lanterna – e a noite muito escura – até fazem algum sentido. Provavelmente faltou luz na rua mas o prédio ativou os geradores. Lembrei também que a Fabíola sempre falou na faculdade que a mãe dela morava em Búzios – eles não tinham como saber disso, eu nunca tinha escrito em lugar algum.

Eu sei, doutor, estou falando deles como se fossem reais, mas foi a forma que encontrei de lidar com a situação no momento. É muito mais fácil achar que são reais e que estão trancados no quarto do que tentar fingir que não existem. Acho que, em parte, eles querem que eu ache que eles não existem. 

Espero que você atenda o telefone logo. Temos que marcar uma consulta nem que seja online.

A Fabíola chegou.

Samuel abriu a porta e Fabíola o surpreendeu com um uivo macabro, mimetizando os fantasmas dos filmes de terror, serpenteando os dedos e arregalando os olhos.  Ao final, gargalhou.

– Esse prédio é assustador, parece que não vive ninguém aqui! O que há com você, ficou realmente assustado?

Ele, parado e segurando a porta a meio caminho, riu de si mesmo.

– Não, claro que não. Entra. O prédio está vazio sim. A maioria é apartamento de veraneio e com o isolamento social ninguém está vindo para cá.

Fabíola deixou as sandálias no tapete de entrada. Os pés descalços tocaram o assoalho de madeira com curiosidade e cuidado. Prestava atenção em tudo. O vestido de cores quentes perdia um pouco da vivacidade ao ser abraçado pela pouca luminosidade do lugar. Teve que olhar para cima para mirar os olhos de Samuel.

Você não mudou nada.

  Só faz uns três anos. 

Ela riu.

  Eu te abraçaria, mas estou cuidando da minha mãe e estou toda paranoica.

A amiga ofereceu-lhe o cotovelo e ele não teve reação. Passaram alguns minutos descontraídos onde ela tentou ensiná-lo a nova forma de cumprimentar alguém. Samuel surpreendeu-se ao notar um sorriso no próprio rosto. Se há semanas não falava com ninguém, sentia que fazia mais de um mês que não ria de verdade.

Esse apartamento é gigante mesmo – Fabíola caminhava pela sala – é ainda maior do que aquele que você morava em Copa.

Era no Leblon.

A amiga dirigiu-lhe um olhar debochado. Andou até um sofá perigosamente próximo da porta do quarto e deixou o corpo afundar no estofamento.

Olha esse sofá!

Ele soltou uma risada sem sal. A porta chamava novamente seus olhos como um planeta a manter por perto suas luas. 

Bebe alguma coisa? Uísque? Vinho?

Tem Itaipava? – o silêncio de Samuel a fez gargalhar novamente – vamos de uísque.

Unhas arranharam a porta do quarto por dentro, seguidas por lamentos agudos e arrastados. Tão rápido como começaram, chegaram a um fim abrupto.

O que é isso?

Não é nada. Vamos para a sacada. A vista de noite é bonita, você vai ver

Samuel, tem um sofá na frente da porta.

Deixa isso aí, vem.

Guiou-a para a sacada, de onde a lua – naquele dia gorda e brilhosa – chamava toda a atenção para si. Fabíola suspirou, tentando absorver toda a vista de uma só vez.

Cacetada, Samuel, seus pais têm muito bom gosto.

Aproveite. Já volto com o uísque.

Não vamos falar mesmo do quarto proibido, trancado com um sofá? E de quando você me deixou esperando do lado de fora da porta naquele dia, fingindo que não estava em casa?

Ele a encarou sem saber o que dizer. Ela o fitava com um meio sorriso, parecendo divertir-se com sua confusão e, ao mesmo tempo, realmente curiosa para saber as respostas daquelas perguntas.

Está tudo bem com você? Samuel, quando eu falei que você não mudou nada, na verdade eu estava sendo agradável. Você está pálido e parece mais magro. E assustado.

Eu estou bem, e aquilo no quarto não era nada.

Parecia o Paolo chorando. Cadê ele?

Deve estar na casinha dele na área de serviço.

Deixa eu ir lá ver?

Depois, primeiro o uísque.

Saiu antes que a amiga o bombardeasse com mais perguntas. Cruzou a sala com passadas longas. As garrafas de vinho e de uísque, escolhidas de antemão, esperavam-no solitárias sobre o balcão da cozinha. Notou as mãos trêmulas quando tentou servir a bebida.

O som do sofá sendo arrastado fez seu coração afundar no peito. Correu para a sala, a garrafa de uísque ainda na mão. Fabíola tinha afastado o sofá e abria a porta do quarto.

O que está fazendo?

Deixa de ser bobo, Samuel, caramba. O Paolo não vai me morder. Eu quero apertar essa gracinha.

Os lamentos que saíam de dentro do quarto se intensificaram. O arrastar de unhas tornara-se constante. O mundo pareceu agir em câmera lenta. Enquanto ela abria a porta, Samuel pôde ver a mão negra se esgueirando para fora, os dedos secos, feitos de brasas, deixando marcas de queimadura na parede. Galgavam apoio para se puxarem para fora.

A garrafa de uísque voou pela sala e atingiu Fabíola em cheio na cabeça, explodindo em centenas de cacos empapados com álcool e sangue. Samuel chegou um segundo depois, a tempo de fechar a porta. Deixou o corpo escorrer pela madeira, pela maçaneta, e derramou-se em pranto no chão. Adiante, Fabíola gemia, tentando manter a consciência.

Não sei quanto tempo se passou desde a última vez que eu escrevi. Estou com muita fome. 

Ela ficava lamentando lá dentro, pedindo para sair. Eu quase abri a porta. Quase. Tenho que lembrar disso: eles tentam te enganar, mandam gente de fora, fantasiada de amigos. Eles querem sair. Você tem que se lembrar disso, Samuel. Eles querem sair e nada que você pensar justifica abrir essa porta.

Eu sou um idiota. Como não vi? Ela nem lembrava de onde eu morava. Não era a Fabíola, eram eles. Estão por todo lugar. São o doutor, são meus amigos, são meus pais. Não tem mais ninguém normal no mundo, eu acho, só eu.

Mas se o mundo inteiro são eles, quem sou eu?

22 comentários em “A Porta (Doutor)

  1. Paula Giannini
    24 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Jovem paranoide em seus delírios.

    Minhas Impressões:

    Escrito em distintas vozes narrativas, terceira pessoa, primeira (epistolar), estilo dramático (ausência de narrador), o conto trata de personagem que, além de paranoide, mostra traços de uma personalidade dissociativa. Assim, a efusão de técnicas e vozes utilizadas pelo(a) autor(a) mostra-se, de certa forma, coerente com a personalidade criada para seu protagonista.

    Visualmente, em um primeiro momento, o efeito soa confuso. Interessante notar que o primeiro contato do leitor com o trabalho é justamente o visual, ou seja, o modo como as letras organizam-se no papel (tela). Se por um lado, porém, o efeito pode soar confuso, por outro, guarda, como dito acima, total coerência com a loucura, tema do desafio.

    A trama é dinâmica e a quantidade de acontecimentos que se desenrolam, sem de fato se desenrolar, tudo é fruto da mente do personagem, prendem a atenção da audiência com uma leitura dinâmica e muito visual. O texto, caberia perfeito em um roteiro para cinema, e, até para o teatro.

    Parabéns por seu trabalho.

    Como digo a todos, se minhas impressões não estiverem de acordo com seu trabalho, apenas desconsidere.

    Desejo sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  2. Elisa Ribeiro
    24 de novembro de 2020

    Homem em isolamento social durante a pandemia mantém a porta do quarto trancada para conter os monstros que lá habitam enquanto dialoga por meio de anotações em um caderno com seu psiquiatra.

    Gostei muito da cena inicial. A ênfase no som ao redor do personagem me empolgou, imaginei que a doideira do personagem fosse se desenvolver em torno da obsessão sonora, como uma espécie de neurastenia, mas na verdade a loucura dele se manifestou como uma espécie de paranoia, o que acabou me frustrando um pouco por causa dessa expectativa inicial.

    Gostei do argumento, da ambientação bem contemporânea, das costuras no enredo. O que não funcionou muito bem comigo foi o diálogo do personagem com o psiquiatra por meio dos registros no caderno. Até compreendo a escolha do autor, mas na minha leitura acabou soando artificial e pouco verossímil em um conto com uma pegada tão realista.

    Resumindo, uma ideia muito boa que restou um pouco comprometida por algumas escolhas na execução.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  3. Leandro Rodrigues dos Santos
    22 de novembro de 2020

    Não imergi no texto, pois na minha visão o conteúdo não foi acompanhado pela técnica. Ao que me parece, conta a história de rapaz mentalmente perturbado relatando as suas visões mediante escritos ao seu psicólogo.
    Cuidado com o erro da construção de imagens no conto, logo no início relata do silêncio ante ao som das teclas, porém em seguida diz do barulho do relógio, tão logo, não era silêncio e sim uma sobrepujo de sons. Se não tivesse o som das teclas teria o do relógio e não o silêncio.
    Tecnicamente tem erros de conjugação verbal, veja o uso mediante as ações, o conto é referido no passado, desta forma fique atento ao uso do pretérito perfeito e ao mais que perfeito. Tem erros de conjugação pronominal (atente-se ao uso, verifique as regras), e repetições de conectivos: ‘mas’, ‘e’, ‘como’ (sugiro, se me permite: substituições por sinônimos, gerúndio e vírgula).

  4. angst447
    21 de novembro de 2020

    RESUMO
    Samuel, vivendo em isolamento social devido à pandemia, tem episódios de paranoia, provavelmente causados pela esquizofrenia. Escreve uma espécie de diário destinado ao seu psiquiatra e relata seus dias e suas impressões do mundo ao seu redor. Há uma porta misteriosa de um quarto trancado, e por trás podem mesmo existir os “outros” já mortos, ou apenas fantasmas e alucinações.
    AVALIAÇÃO
    Conto que apresenta uma densidade psicológica que vai se condensando gradativamente. O enredo é costurado de tal maneira que o leitor fica confuso sobre o que está acontecendo com Samuel. Na verdade, o que não se sabe é se atrás daquela porta estão monstros imaginários ou as vítimas do protagonista. Inclusive, pensei até que os pais de Samuel estivessem lá, mortos, e não na Itália. O moço desconfia de todos, até mesmo do cão e os empurra para o quarto, atrás da porta. O recurso da escrita como uma terapia surte algum efeito, mas dura pouco, Samuel oscila entre uma tênue sanidade e um redemoinho de pensamentos paranoicos.
    O desfecho deixado em aberto proporciona livre interpretação. Há quem goste e há quem não suporte isso. Achei bem realizada a sua “conclusão”.
    Boas descrições e construção bem feita do protagonista.
    Boa sorte e destranca logo esta porta.

  5. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Doutor. Este foi um dos contos mais loucos do desafio. E dos mais confusos também. Nele, um homem com problemas psicológicos vive encerrado num apartamento, com mania da perseguição (algo comum de distúrbios como a esquizofrenia). Recebe a visita de uma antiga colega de faculdade que sente curiosidade em ver o que faz barulho dentro do quarto. E mais não digo para não fazer spoiler.
    Creio ter entendido o conto, que se passa muito na cabeça da personagem. No entanto, ficou excessivamente confuso, especialmente o final, que dá a entender que as visões que ele tem podem ser reais – o que estragaria o conto, no meu entender. Prefiro imaginar que ele tem os pais encerrados num quarto. É mais sinistro e condizente com o tom negro do conto.

  6. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Doutor.

    Conto sobre Samuel, vivendo em isolamento social devido à pandemia, desenvolve comportamento paranoico e passa a registrar suas impressões e considerações em forma de diário.

    Um bom conto sobre uma forma de loucura que eu ainda não havia visto aqui no desafio, a paranoia. O personagem, claramente afetado pela solidão imposta pelo isolamento social, vai criando um cenário em que se torna o centro das atenções, onde “eles” são os seus antagonistas e buscam uma forma de alcançá-lo.

    O texto é lento, e isso não é uma crítica. A sensação de paranoia não seria crível se o desenvolvimento fosse apressado, e aqui o ritmo favorece muito a trama desenvolvida para Samuel. Acompanhamos o desenrolar de sua relação com Fabíola, que surge como uma espécie de válvula de escape, mas que, no final, acaba sendo tragada para dentro da paranoia de forma brusca e violenta.

    Gostei também da mescla de estilos do texto. A narrativa em terceira pessoa é a voz da razão para o leitor, nos dando a quantidade de realidade necessária para entender e medir os devaneios e a intensidade com que a paranoia atinge Samuel em seus relatos no diário. Tudo muito bem encadeado e descrito.

    Não tenho críticas a fazer com relação a enredo e forma. Há, sim, alguns erros a serem revisados, algumas vírgulas e erros de digitação, mas que não atrapalharam a minha leitura. Coisas para se resolver após o desafio e deixá-lo perfeito.

    É isso. Boa sorte no desafio.

  7. antoniosbatista
    20 de novembro de 2020

    Resumo: Rapaz com surto psicótico, vive sozinho num apartamento. Mantém a porta de um quarto trancada, achando que existem monstros lá dentro.

    Comentário: Gostei do argumento, da escrita, da narração sem devaneios desnecessários, sem se deter em detalhes longos e chatos. A estrutura também ficou ótima, interessante as confissões do protagonista escrevendo num papel que, para o leitor, elucida alguns fatos. Só não gostei da pergunta no final. Pareceu que ficou faltando algo mais. Boa sorte.

  8. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Homem sozinho na quarenten apresenta problemas mentais ao lidar com a solidão e as vozes atrás da porta. No fim a loucura do personagem é esclarecida de maneira impressionante.

    Gostei 😃👍 Um conto muito bem construído, sem pressa, com todos os pequenos detalhes que no final compõe o desfecho da história. Gostei da sutileza como as coisas foram acontecendo, as cartas foram uma boa opção para entendermos mais as angústias do personagem. Um jovem rico, que se vê sozinho em plena quarerentena. Estava lendo os comentários pra vê se alguém mais entendeu o mesmo que eu, e parece que não. No quarto estão todos que ele encontrou pela frente né? Os pais, o doutor e por fim a amiga. Presos, definhando. Né? Né? Né?? Kk. Bem, foi o que eu entendi e isso me surpreendeu ao final, achei que eram só delírios, mas quando ele prende a menina lá fica clara a ausência dos pais. E o motivo do doutor não responder e etc. Muito bom ( se for isso) Texto muito bem escrito, parabéns!

    Não gostei 😐👎 Não sei, nada em específico e talvez o final um pouco aberto. Alguns cortes de cenas soam confusos, mas nada grave.

    O conto em emoji : 👀✍️🚪

  9. Ana Maria Monteiro
    17 de novembro de 2020

    Olá, Autor,
    Resumo: Samuel está em isolamento devido à pandemia. Ele sofre de distúrbios mentais, está convencido da existência “deles” e é medicado. O isolamento agrava o seu estado de saúde e ele escreve manualmente o seu diário, por indicação do médico. Para evitar a invasão “deles”, fecha-os numa divisão da casa. Quando uma amiga o visita e tenta abrir a porta que dá para essa divisão, ele tem um surto e agride-a. No final ele mergulha na loucura definitiva a ponto de, muito lucidamente, se perguntar quem é, se “eles” são todo o mundo.
    Comentário: Mais um conto que pede um comentário longo. Um excelente conto, muito bem delineado e desenvolvido.
    Temos o relato que nos introduz, desde fora, a Samuel, um homem jovem e de classe alta que se encontra sozinho com o seu cão, numa casa de férias, em confinamento. A sua perturbação também nos é mostrada desde o início e o leitor (eu, pelo menos) acredita que vai ler um conto em que o será abordado o tema Covid e as repercussões que o confinamento pode ter na mente de uma pessoa antes disso saudável. Puro engano.
    Na verdade, Samuel sofre de esquizofrenia (a Clozapina é indicada no tratamento desses doentes e o seu comportamento e estado de espírito compravam o diagnóstico) e a sua estabilidade emocional encontra-se muito comprometida pelo isolamento e provavelmente também por deixar de tomar a medicação – atitude muito frequente nesses doentes e razão pela qual não devem viver sozinhos. Os pais (se é que realmente existem, uma vez que não consegue contactá-los nem é contactado por eles) estão em Itália, presos pelas limitações que a pandemia impôs nesse país e, posteriormente, em outros.
    Por indicação do médico, Samuel escreve manualmente o que lhe vem à mente – um recurso muito inteligente para transportar o leitoa para dentro da mente doente de Samuel, onde reina a paranoia de perseguição já antes levemente mostrada, mas que nos seus escritos vai relatando a sua dimensão e desenvolvimento.
    O aparecimento e visita de Fabíola, antiga colega de faculdade, acelera o processo dissociativo e o ter de recebê-la em sua casa leva a paranoia de perseguição a um desenvolvimento mais rápido e ele isola-se cada vez mais dentro desse redemoinho que toma conta dos seus pensamentos: “eles estão em toda a parte, veem tudo, disfarçam-se de qualquer pessoa, apenas para invadirem o seu espaço.
    Acredito, pelas últimas frases, que Fabíola tenha acabado por morrer, tal como o cão. Por sua vez, Samuel, definitivamente ensandecido, acredita que todo o mundo se resume a “eles”, o inimigo e termina interrogando-se sobre quem é.
    A última frase é genial, o conto é excelente, a escrita é primorosa, aa mudanças de voz são esclarecedoras e oportunas e o autor está de parabéns. Espero vê-lo no pódio.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: Talvez se possa dizer que Samuel vive sozinho mais o seu cachorro, mas há a porta, ali na parede se manifestando quase como um ente à parte. Como relata em seu diário, a porta “os” guarda, separando-os dele, mantendo-o em segurança. Tentaram até mesmo estratégias alternativas, como o disfarce pela identidade de uma velha amiga. Mas ele foi mais esperto, meteu-a lá dentro também. A porta os separa, a porta o protege.
    COMENTÁRIO: Um excelente conto sobre paranoia. É bem equilibrado, descrevendo em detalhe as ações do personagem enquanto entremeia nessas descrições a opressiva presença da porta. Outro recurso que equilibrou a leitura foi os trechos de diário, desocupando o narrador de explicar o que se passa na cabeça do personagem ao dar voz ao próprio Samuel, momento em que também se aprende um pouco mais sobre ele, sua classe social, os hábitos e a personalidade. Além da caracterização afiada, a narrativa também se constrói muito bem, construindo uma tensão em torno do encontro com a amiga, uma vez que, diferente dela, sabemos que sua visita pode ser o gatilho para a paranoia crescente de Samuel. Com isso, o final não desaponta, desdobrando o encontro de colegas em mais uma explosão da loucura vai dirigindo cada vez mais as ações do rapaz. O final fecha bem a estória, ainda que deixe aberto para algumas possibilidades. É uma conclusão redonda, correspondente ao que se edificou ao longo do texto e que, justamente por isso, não surpreende tanto. Embora não tenha sido a intenção de quem escreveu, o impacto é um aspecto que valorizaria esse trabalho como um bom conto que compete entre outros bons contos.
    Boa sorte.

  11. Jefferson Lemos
    16 de novembro de 2020

    Resumo: a história de Samuel e a porta de sua casa que nunca pode ser aberta. Ele escreve os relatos do seu dia em forma de diário lidos no decorrer da história.

    Olá, caro autor.
    Gostei do seu conto, no geral. Apesar de um pouco lento no início, a trama vai se desenvolvendo bem e traz elementos muito interessantes. Ambientação ficou ótima. A maneira como você trabalhou a personalidade do seu personagem também, foi bem crível. Os surtos e a loucura foram bem inseridos, e senti muita pena da Fabiana no fim.
    É um conto bem escrito, com uma história angustiante, mesmo que feita de uma forma mais descontraída, com os diários e tudo mais. E gostei de como a mudança de ponto de vista não alterou a qualidade narrativa.
    É um bom conto com uma boa história, parabéns!
    Boa sorte!

  12. Misael Pulhes
    15 de novembro de 2020

    Olá, “Doutor”.
    Resumo: Samuel tem algum problema psicológico, ao que parece. Isso se intensifica durante a pandemia do coronavírus. Ela passa a tentar lidar com isso, entre altos e baixos, escrevendo, aconselhado por seu médico, um diário.
    A ambientação do conto é muito boa e não demora a conseguirmos nos inserir no “espaço” do conto. O clima de suspense também é bem desenvolvido e há boas reviravoltas no conto. O uso do idioma é muito competente. A história ainda se vale bem de algumas ambiguidades, de forma que, a junção da terceira pessoa nada onisciente com a primeira pessoa do diário nos deixa na dúvida do que de fato acontece – apesar de que a probabilidade maior é que, de fato, o protagonista tenha essas alucinações (mas a narrativa permite uma empatia tão boa com Samuel que, vez ou outra, dá pra duvidar).
    Eu achei o ritmo um pouco lento no início. Algum exagero descritivo aqui e acolá, talvez. Mas as viradas são muito boas.
    Também senti falta de clareza (mas a culpa pode ser minha!) no trecho em que Fabíola abre a porta. Samuel emendou a garrafa na cabeça dela? Ou a garrafa voou do nada?
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  13. Fheluany Nogueira
    14 de novembro de 2020

    Protagonista-narrador sente-se perseguido e o isolamento por causa do coronavírus agrava seu estado, ao ponto de escrever em caderno para que não leiam seus apontamentos e aprisionar uma amiga que foi visitá-lo; apesar de que esses personagens podem ser frutos de delírios, bem como o doutor.

    O conjunto da narrativa é apresentado como um documento falso, como um diário, em que Samuel faz referência explícita ao fato de que está escrevendo ou contando uma história, de forma conscientes de si e as suas razões para temer “eles”.

    O ponto de vista (incluindo opiniões, pensamentos e sentimentos) vêm apenas do narrador, e das informações que ouve da amiga e do analista. Assim, é criado um ar de intimidade com o leitor, alimentado pelo suspense-terror. A”porta” do título tem um papel de relevo na trama.

    O enredo é bem desenvolvido, as emoções estão bem exploradas. Bom trabalho. Sorte no desafio. Um abraço.

  14. Fabio Monteiro
    14 de novembro de 2020

    Resumo: Samuel sofre com os efeitos da pandemia. O isolamento social provoca no rapaz a sensação de estar sendo perseguido. Orientado pelo seu psiquiatra, ele escreve sobre os acontecimentos cotidianos de sua vida.

    Já vi situações piores que as do Samuel. A pessoa adoeceu tanto que não saia de dentro do quarto. Um misto de fobia e depressão associado a questão do isolamento.

    O personagem conseguiu trabalhar bem seus medos até um certo ponto. Era nítido de que precisava de mais ajuda. O interessante é que essa ajuda veio, seja pelo cachorro, pela escrita, ou talvez, pela amiga que surgiu como um anjo na sua vida.

    Eu costumo dizer que Deus coloca nas nossas vidas exatamente o que precisamos, no momento certo, na hora certa. Você não precisa correr muito por ai para encontrar essa ajuda. Ela esta bem ali, diante dos olhos. É só saber olhar com atenção.

    O conto me agrada. Condiz com os meus pensamentos e minha forma de ver a vida.
    O personagem me cativa. Me espelhei nele em alguns aspectos.

    Boa Sorte autor(a)

  15. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : História fascinante sobre um homem que sofre de mania de perseguição e delírios. A quarentena piora seu quadro e ele acaba por agredir e trancar uma amiga em seu quarto.No final ele não sabe nem quem ele é.
    Comentário : O conto é fascinante. Eu mergulhei na loucura do homem e em alguns momentos até olhei para minha própria porta hahha.Achei legal o autor ter explorado o fato das doenças mentais atingirem todas as camadas da sociedade, realmente a riqueza não trouxe paz e felicidade para nosso protagonista.

  16. Bianca Cidreira Cammarota
    7 de novembro de 2020

    Rapaz com alterações mentais procura superar suas dificuldades frente à doença em pleno isolamento social, utilizando, por recomendação médica, anotações manuais sobre seu estado de espírito, embora com pouco sucesso. Quando uma antiga amiga o visita, o protagonista surta.

    Doutor, seu conto é ótimo! Com elementos de suspense, terror e loucura, envolve-nos na trama, chamando-nos a vivê-la intensamente (pelo menos ocorreu assim comigo). A premissa em si não é original, mas o seu desenvolvimento foi maravilhoso e cuidadoso.

    Acredito que, se o certame tivesse com um limite maior de palavras, o crescente da imersão da personagem na loucura poderia ter mais, digamos, escalas. (Particularmente, gosto de textos grandes, com tempo e espaço para expormos o que desejamos). Não sei se era sua intenção alongar o texto (caso pudesse) e colocar mais degraus da insanidade. Porém, essa minha observação não é uma crítica e sim uma exposição de gosto pessoal meu.

    Gostei muito do conto!!! Parabéns pelo ótimo trabalho!

  17. Leda Spenassatto
    6 de novembro de 2020

    Resumo:
    Esquizofrenia ou Fobia Social.

    Samuel parece uma pessoa portadora de Fobia Social, ou de esquizofrenia.
    Seu conto é um fiel retrato do sofrimento humano de muitos jovens mundo a fora.
    Quase consegui ver, Eles trancados no quarto.
    Doutor você conseguiu, como num desenho, passar muito bem o que se propôs.
    Parabéns!
    Sucessos!

  18. Angelo Rodrigues
    6 de novembro de 2020

    Resumo:
    Jovem vive em isolamento por conta do Coronga. Tem surtos psicóticos persecutórios enquanto alterna seus diálogos com seu analista.

    Comentários:
    O autor alterna tratamentos. Ora cuida da vida quotidiana de Samuel, ora o põe escrevendo sobre sua vida em seu caderno, onde dialoga com seu analista.

    Buscando estabelecer um contato pessoal com Fabíola, ocorre um salto, talvez um surto persecutório, e tudo na cabeça do nosso protagonista começa a se dissolver. Tem algum senso de que não está só, que querem atacá-lo de alguma forma.

    De repente, o nosso protagonista entra em conflito com o médico que o assiste, achando que este, o médico, também é um deles. Não sabemos ainda quem são eles.

    Ao receber a amiga Fabíola, seu surto se revela terminal. Fabíola também são eles – seja lá quem for -, e o querem dominar. A tempo, Samuel se dá conta de que ela é um deles, então a domina.

    O objetivo do texto, ao que me pareceu, está centrado num surto paranoico de Samuel, algo persecutório, inominado, provavelmente agravado por sua solidão nesses dias de pandemia. O rapaz precisa se cuidar rapidamente.

    O conto está centrado na subjetivação do mal, no ELES indeterminado. É uma solução razoável para central o conceito do mal. Não é um mal caminho, mas, por outro lado, também não é novo e, se não for conduzido com bastante rigor, tende a não despertar medo ou curiosidade.

    Imagino que o conto precisa ser bastante trabalhado, vencendo, passo a passo, os clichês típicos do enredo proposto.

    O texto precisa de uma razoável revisão.

  19. Flávio dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    a vida solitária de Samuel.

    Comentários:
    Um conto que mescla muito bem o terror com o suspense.
    A loucura está na paranóia do personagem e seu isolamento. Sua mente acaba criando ambiente para conforta-lo.
    Esse conto reflete também nas pessoas que estão tendo problemas em relação a pandemia do Covid-19.

  20. Thiago de Castro
    5 de novembro de 2020

    Resumo: Samuel, isolado devido a pandemia do Covid-19 começa a ter recaídas episódicas de loucura. Por meio de anotações, acompanhamos seus conflitos e o destrinchar do conto.

    Comentário:

    Conto claustrofóbico e paranoico, muito em conta da perspectiva em primeira pessoa. A loucura aqui se agudiza com o isolamento do personagem, e toda a ambientação criada pelo autor carrega um ar depressivo e melancólico. Num primeiro momento, achei que as cartas seriam um recurso para informar o leitor, um caminho fácil para trazer dados sobre o estado mental do protagonista, porém, apesar de um pouco explicativo no começo, elas ganham um papel fundamental para adentrarmos na paranoia de Samuel e acompanhar sua degradação. Os cortes temporais foram efetivos e eu consegui visualizar o conto com uma estética de terror, um curta metragem que adoraria assistir. A tragédia é iminente ao longo do conto, junto com a sensação de solidão profunda do protagonista.

    Mesmo longo, o texto correu bem na leitura.

  21. Anderson Do Prado Silva
    5 de novembro de 2020

    Resumo:

    Jovem paranoico tenta encontrar uma forma de lidar com seus dramas.

    Comentário:

    O clima de suspense e terror foi criado com bastante competência. Ajudado pelos diálogos e mudança de voz narrativa, o texto flui bem.

    O autor soube amarrar a trama, deixando pelo caminho pistas que prendem o interesse.

    Título muito bom para o pretendido pelo autor.

    Achei a frase que encerra o conto muito perspicaz.

    Não me deparei com erros gramaticais que pudessem ser percebidos por um leigo como eu, apenas fiquei na dúvida se não estaria faltando algumas vírgulas nas indicações de lugar: “Lá fora”; “Da sacada”; “De volta à sala” etc.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

  22. Lara
    5 de novembro de 2020

    Resumo : Um homem mora em um apartamento de luxo. Possui delírios graves de perseguição. Uma amiga vai visitá-lo e ele acaba por a ferir e lhe trancar no quarto.
    Comentário : Amei esse conto. É como se eu fosse o jovem. Vivi tudo na pele dele. Fiquei com pena da amiga e preocupada se ela vai ficar bem depois que o surto dele passar. O final me deixou intrigada, será que os problemas mentais surgem pela falta do autoconhecimento ?

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Informação

Publicado em 5 de novembro de 2020 por em Loucura.