EntreContos

Detox Literário.

Maria Mulambo (Tritão)

Éramos um grupo de meninos entre 10 e 14 anos de idade que se reunia na praça central quase todos os dias, depois das aulas. A cidade, ainda pequena, começava a ganhar alguns confortos e desconfortos dos tempos modernos. Televisão, por exemplo, era em preto e branco e mesmo assim só na casa de gente endinheirada ou na vitrine das Casas Pernambucanas. As avenidas principais passavam por obras de alargamento, tentando comportar o aumento da frota em circulação – Chevrolets, Fords e muitos, muitos Fuscas. Em breve, com essas reformas urbanísticas, nossa praça perderia um pedaço da sua área, e nós, além do espaço, parte da nossa juventude e inocência. Mas não sabíamos de nada – ainda. 

Ao redor da fonte ornamental e suas sereias de bronze, andávamos em bicicletas fazendo “tranquinha”, jogo no qual os participantes pedalam num espaço restrito, trancando-se uns aos outros, e não se pode colocar o pé no chão ou sair da área combinada. Jogávamos bola dente-de-leite ou capotão, nem que fosse no esquema “três-dentro-três fora” (quando só há três ou quatro jogadores disponíveis e um deles vira o goleiro provisório –  para mudar a escalação, é preciso fazer três defesas ou os da linha devem chutar três vezes a bola para fora dos limites dos chinelos, nossas traves improvisadas). Também havia o jogo do bete ombro, usando latas de azeite e tacos feitos com madeiras roubadas das construções adjacentes. Depois de tudo isso, conversávamos muito, em geral reunidos em subgrupos por faixas etárias; às vezes, sem muito o que fazer, acabávamos todos juntos, mais novos e mais velhos, para falar bobagens ou inventar besteiras.

Um dos mais novos ali, vindo de família que se dizia então “remediada” – eu não era o mais pobre da turma, mas não tive os brinquedos e roupas que os mais ricos ostentavam. Deles, o que eu mais cobiçava eram as chuteiras com travas das Casas F., tradicional loja de esportes. Mas tê-las, na praça, não faria diferença alguma. O combinado era sempre jogar descalço para não estragar a grama – acordo informal com os policiais que faziam a ronda esporadicamente, apesar de não haver muita criminalidade a ser combatida. Existia, sim, um ou outro furto mixuruca nas lojas, um batedor de carteiras de passagem, brigas de bar ou aquilo que poderia ser classificado, genericamente, como “ameaça à ordem pública”. Maria Mulambo acabou incluída nesta última categoria.

Dela, não sabíamos nada, a não ser que talvez tivesse esse nome, pois atendia quando assim era chamada – só por Maria, não por Mulambo, este último inventado por nós. Era uma mulher negra, ainda jovem – não tinha nem vinte e cinco anos quando a conhecemos. Magra, esbelta, pobremente vestida, fisionomia sempre inexpressiva. Às vezes aparecia comportada, tímida e assustadiça. Tinha traços suaves de rosto e parecia-se fisicamente com a cantora americana Nina Simone; tal como ela, com suas mudanças de humor e comportamento, surgia com um turbante de trapos ao redor da cabeça, discursando palavras ininteligíveis, com atitude imperial, hierática, raivosa. Andava com uma sacola grande de juta, pedindo esmolas nas casas. Em sua fase maníaca, portava-se mais como se estivesse fazendo do que recebendo um favor. Desempenhava o papel de “louca mansa”, uma daquelas figuras que povoam o folclore das cidades. Só que a Maria Mulambo era especial. Foi, por algum tempo, a nossa louca de estimação.

No começo, os meninos mais velhos contavam histórias mirabolantes, a maioria inventada para assustar os mais novos, sobre como ela ficou daquele jeito: diziam que havia feito um pacto com o diabo, que não deu certo; ou que tinha sido empurrada grávida da escada e batido a cabeça (nessa versão, continuava a carregar o feto morto e ressecado dentro de sua sacola). E outras invencionices mais – um jurava que ouviu dizer ser ela a empregada doméstica que fora seduzida e abandonada pelo patrão, depois escorraçada pela patroa; ou outro, que soubera por aí que ela havia surpreendido o marido com outra mulher em sua própria cama e, enlouquecida, matado os dois a marretadas. Isso, entre outras pérolas, próprias da fértil imaginação dos pré-adolescentes.

Nas primeiras vezes em que eu a vi senti por ela um misto de curiosidade, pena e medo. Não conseguia antecipar como ela iria se comportar em seguida e isso me assustava muito. A total ausência de sentimentos reconhecíveis em seu rosto dava a Maria a característica expressão “vazia”, quase a casca de alguém que não estava mais ali.  Nos dias distímicos, era bicho acuado, pedindo licença com os olhos. Nos dias maníacos, marcava sua presença hipnótica com um balanço felino, delirante, como se estivesse num desfile real. Sua postura imperial, superior a todos e principalmente a nós, meninos, a alçava muito acima dos olhares e pensamentos maldosos da plateia. Parávamos disfarçadamente a partida de futebol só para observá-la, rebolando, e continuávamos depois o jogo em meio a comentários jocosos, em voz baixa. Nenhum de nós, nem os mais velhos, tivera a coragem de mexer com ela. Até o dia em que Otávio tomou a iniciativa.

Foi num fim de tarde em que esticamos um pouco mais o futebol até a escuridão. Já estávamos descansando, sob a luz do poste, quando um de nós sugeriu um desafio bizarro: o participante deveria dar duas voltas correndo na praça e a seguir, embaixo da luz, olhar para cima e apertar a garganta com os dedos ao redor do incipiente pomo-de-adão, interrompendo o fluxo do sangue para o cérebro. E quem teria coragem? Otávio foi o primeiro. Da turma dos mais velhos, já ostentava a penugem do bigode e fumava escondido um ou outro cigarro, orgulhosamente furtado da carteira do seu pai.

Otávio deu não duas, mas três voltas na praça. Parou resfolegante embaixo do poste, jogou a cabeça para trás e apertou firmemente as carótidas. Em menos de dez segundos, o rapaz começou a balançar e a ficar grogue. Tinha os olhos abertos mas não via nada. Só não apagou por completo porque a pressão no pescoço acabou afrouxada e o fluxo de sangue voltou ao normal. Ainda assim, por uns segundos, permaneceu trôpego e confuso, até recuperar a consciência de onde estava.

A gurizada ria da cena, mas Otávio, irritado, não entendia a razão. Não acreditou que tivesse feito papel de bobo e, impondo respeito, intimou quem seria o próximo.

 Com medo, ninguém apareceu.

Só a Maria Mulambo, caminhando devagar, pela praça.

“Moça, vem aqui um minutinho, por favor…” – pediu o Otávio. O resto da turma ficou de boca aberta. 

E ela veio. Nesse mesmo ritmo. Quase pedindo licença

Estava em sua fase depressiva. Aproximou-se – humilde, confusa, envergonhada. 

“Vem ver uma coisa bem bonita que eu vou te mostrar, só olhe para cima, para a luz e as estrelas, e respire bem fundo…” – risos maldosos começaram a pipocar.

Docilmente, ela obedeceu ao Otávio, talvez na fantasia de ver alguma coisa inesquecível. O rapaz colocou os dedos, firme e suavemente, ao redor da laringe dela. Sob a luz do poste, vi que olhos de Maria eram bem claros e iam perdendo o brilho aos poucos.

Trinta segundos de silêncio absoluto. Dava para sentir o batimento do seu coração desacelerando. Maria Mulambo desmaiou lentamente enquanto balançava, olhos agora brancos, a íris voltada para cima. Otávio assustou-se ao não sentir mais pulsação no pescoço dela e afrouxou a pressão. 

Sem o apoio dele, Maria perdeu o equilíbrio e desabou de costas. No chão, começou a tremer convulsivamente, olhos fechados, falando uma língua incompreensível. 

Os outros, inclusive Otávio, saíram correndo. Só eu fiquei ali, confuso e preocupado ao ver aquela mulher em transe na calçada. Não sabia o que fazer. Não sabia o que estava acontecendo com ela.  Aquilo me fascinava. Cheguei a me aproximar para vê-la possuída por aquela força invisível. Subitamente, Maria Mulambo ficou completamente inerte. E, sem aviso, abriu os olhos, fixando-os em mim, vazios. Pânico e ignorância me fizeram fugir o mais rápido que pude…

 

Exceto por algumas risadas nos dias seguintes, todos se esqueceram da brincadeira idiota e da cena da Maria Mulambo. Menos eu. O que será que teria acontecido com ela? Passamos semanas sem vê-la e outros interesses começaram a aflorar. Os mais velhos cochichavam entre si, lendo às escondidas revistas roubadas de seus pais ou compradas dissimuladamente nas bancas, em embalagens de plástico opaco. Eles se recusavam a nos mostrar, dizendo que nós, os mais novos, éramos crianças demais para entender do que se tratava, mas que um dia iríamos saber. 

Tempos depois, estávamos na praça quando Maria Mulambo reapareceu. Era ela, com certeza, mas muito diferente. Cabelos soltos, mais livre, menos empertigada, sem demonstrar um pingo de preocupação com a aparência ou com qualquer coisa ao seu redor. 

Será que se lembrava de nós e do que havíamos aprontado com ela? Aparentemente, não.

Passou direto, sem olhar, como se não estivéssemos ali. Foi à fonte no centro da praça, tirou a roupa e entrou na água, mergulhando completamente nua. Maria Mulambo dançava, ria e brincava ao lado das sereias de bronze, com sua pele negra arrepiada brilhando ao sol a pino, molhada pelo jorro gelado das águas da fonte.  Seus cabelos longos, antes armados e emaranhados, escorriam lisos e soltos sobre seus seios fartos.

Naquela hora não houve, entre nós, menino que não fosse homem.

Apareceu um guarda com seu apito, nervoso.

“Onde já se viu, sua louca, pelada na fonte em plena luz do dia?”

Não que ele achasse ruim aquela nudez exuberante – mas o senso do dever prevaleceu e o fez apitar com mais força. Maria nem deu sinal de se importar com isso. Continuava em seu universo próprio, jogando água para cima, encantada com o arco-íris formado nas gotículas que refletiam a luz do sol; ela ria, ria muito. Ria sozinha, com seu sorriso alvo, puro e sem malícia.

O policial, confuso, foi buscar reforços e voltou em seguida com outros dois colegas.

Maria Mulambo continuava sem dar a mínima para os gritos e ameaças dos guardas. Até que um deles, mais baixinho e atarracado, resolveu entrar na fonte para buscá-la à força. Quando já estava quase a alcançando, a mulher percebeu a intenção do invasor e mudou completamente de atitude. Foi uma surra memorável: o policial levou de mão aberta, de mão fechada, teve os ralos cabelos puxados e arrancados, quase se afogou e acabou por escapar, ligeiro, antes que fosse a nocaute.

Os outros dois policiais, ao invés de ajudá-lo, acabaram caindo na risada. E nós também. O próprio agredido, aliviado ao ver-se livre daquela encrenca, achou graça e levou na esportiva – preferia ir para casa trocar a farda molhada. Ainda bem que, naquele tempo, eram todos da paz. Os guardas concordaram que a maluca não ficaria ali por muito tempo.

Não foi o que aconteceu.

Maria Mulambo começou a comparecer à fonte da praça regularmente, quase todos os dias, para tomar seu banho. Tornou-se atração fixa e quase certa, não só para nós, como para os mais velhos, os taxistas e aposentados que faziam ponto do outro lado da praça. Sessões concorridas, que acabaram incomodando as respectivas mães e esposas, além das carolas invejosas e outros defensores da moral e bons costumes.

Finalmente, numa ocasião em que ela ainda não havia entrado na fonte para o banho, foi abordada por uma mulher e dois homens de jaleco. Sem violência, só na conversa, conseguiram convencê-la a acompanhá-los, docilmente, até uma ambulância a serviço da Prefeitura. 

 

O tempo passou e Maria não voltou mais à praça. Eu fui com meus pais morar em outro estado, assim como outros meninos daquela turma mudaram também – de interesses, de companhias, de vida. A praça, enfim reformada, perdeu espaço e encanto; a fonte, agora desativada, foi transformada em canteiro de terra adornado com flores sem graça, ainda que pitoresco, pela visão dos torsos nus das sereias de bronze emergindo, parcialmente enterrados no solo. 

Décadas mais tarde, depois de casamentos e separações, voltei a morar sozinho na cidade.  A cada reencontro fortuito com um ou outro daqueles meninos, agora homens feitos, eu perguntava sobre a Maria Mulambo. Alguns dela só tinham vaga lembrança. Outros, nem isso. Notícias, nenhum soube dizer.

E eu não sei se poderia confessar a eles o que vi.

Casualmente, procurando uma farmácia aberta no meio da noite, resolvi estacionar o carro ao lado da praça. As imediações estavam praticamente abandonadas, sem iluminação, tomadas por usuários de drogas, prostitutas e traficantes. De relance, tive a impressão de ver uma mulher mais velha, caminhando pela calçada do outro lado da rua, na direção contrária; tinha exatamente a mesma presença de Maria, sua altivez e exuberância. Até seu rosto parecia muito o dela, ainda que estivesse escuro e tanto tempo houvesse passado entre nós. Foi muito rápido, então não posso dar certeza. Mas, na volta ao carro, resolvi olhar uma última vez por entre as árvores e arbustos que agora cercam a praça, para ver se a encontrava por ali. Acho que foi apenas miragem: o vulto esguio de Maria Mulambo dançava entre as outras sereias da fonte,  sob o jorro da água da fonte a esguichar em seu corpo nu, com seu alvo sorriso iluminado pelo brilho da lua –  puro, limpo, sem malícia alguma.

25 comentários em “Maria Mulambo (Tritão)

  1. Paula Giannini
    24 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – A emblemática figura da louca da cidade nas memórias do protagonista.

    Minhas impressões:

    Confesso que aguardava ansiosamente por esta emblemática figura no desafio: “a louca” de uma comunidade. Toda cidade, especialmente as pequenas, possui seus personagens lendários, e, dentre eles, os loucos aparecem em profusão. A bela que se desnuda na fonte, o louquinho que mostra suas partes íntimas aos transeuntes, a colecionista de gatos, e por aí vai. Assim, para esta leitora aqui, a escolha da premissa foi perfeita. Ideias dessas que pensamos como escritores, por que não enveredei por este caminho?

    Interessante notar que a pena por trás do conto é bela e notadamente experiente no que faz. Um conto claramente pensado, com elementos chave muito bem escolhidos, e, uma bela pitada de nostalgia. A empatia por parte do leitor é certeira. Grande parte da audiência certamente se identificará como as memórias deste menino, seja no que toca a figura da louca (colorida com os pincéis da memória do narrador, o que permite, inclusive, uma certa estereotipia e quase folclórica em sua construção), seja no que tange as recordações de sua própria infância (o que, mais uma vez, também vem pincelado com as lentes da saudade).

    O conto toma ares das antigas coleções Primeiros Passos, Para Gostar de Ler, Vaga Lume, e, certamente agradará ao leitor de todas as idades, o que é um grande trunfo deste belo trabalho.

    Parabéns pelo excelente conto.

    Como digo a todos, se minhas impressões não estão de acordo com seu trabalho, apenas desconsidere-as.

    Desejo grande sucesso no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  2. Elisa Ribeiro
    24 de novembro de 2020

    A história de Maria Mulambo, a doida da praça de uma pequena cidade interiorana, contada a partir das memórias do narrador personagem.

    O conto é muito bem escrito e o enredo tem elementos para a imediata identificação leitor, seja pela ambientação em uma pacata cidade de interior comum, seja pela descrição das brincadeiras comuns a todos meninos adolescentes, seja pela personagem doida de estimação que todos guardamos na lembrança. O conto também acerta no tom de memória, sempre uma aposta segura para capturar o coração do leitor.

    A narrativa é ótima, parágrafos na medida para não cansar o leitor, em que se alternam períodos mais simples e mais complexos. Linguagem na mesma linha simples e direta, a tonalidade poética impressa mais no enredo do que na linguagem. A única estranheza me pareceu o detalhamento excessivo das brincadeiras juvenis ralentando a primeira parte do texto.

    O texto me pareceu muito bem revisado.

    O que não gostei: certa romantização da loucura, muito grave aqui no seu texto para mim sobretudo por focalizar a questão dos banhos públicos dos desarrazoados, algo que desde muito pequena corta o meu coração. Mais do que a falta de comida, a falta de decoro que a loucura provoca e a ausência de privacidade que a vida nas ruas impõe é um tipo de desumanização que me afeta profundamente. Daí que a cena do banho da personagem na fonte provocando escárnio e diversão, insinuando sensualidade e até certa superioridade da personagem, funcionou muito-muito mal comigo. Desculpe.

    O que gostei: da narrativa impecável e exemplar.

    Parabéns pelo conto excelente, azar o meu que tive um gatilho ruim no clímax da sua história.

    Desejo sorte. Um abraço.

  3. Claudia Roberta Angst
    23 de novembro de 2020

    RESUMO
    Narrador relembra acontecimentos de sua infância em uma cidade pequena. Lá, ele e seus amigos conhecem a misteriosa Maria Mulambo, uma mulher ainda jovem, mas que apresenta comportamento alienado, de quem possui distúrbios psíquicos. A molecada encanta-se pela figura extravagante , e acabam por considerá-la sua “louca de estimação”. Inconsequentes, os meninos acabam por submeter Maria Mulambo a uma situação bastante perigosa, o que agrava o seu estado psíquico. Quando ela reaparece na praça, passa a se banhar nua na fonte em plena luz do dia, o que a faz ser internada. Anos depois, o narrador volta à cidadezinha, e pensa rever Maria Mulambo banar-se na fonte.

    AVALIAÇÃO
    Qual a cidade que não tem uma figura que vira folclore?Ainda mais em cidades pequenas, isso é muito comum.
    O tom do conto segue em notas de melancolia, nostalgia temperada com uma dose de remorsos e de encantamento. A loucura de Maria Mulambo – sua liberdade escancarada – fica marcada na memória do menino.
    O ritmo do texto no geral é fluido, mas a parte em que o narrador descreve os pormenores relacionados aos jogos de futebol tornou a leitura um tanto travada. Talvez porque o assunto não me desperte muito a atenção, mas acredito que essa passagem estendeu-se um pouco além do desejado.
    Enredo bem conduzido, personagem muito bem construída e que atraí a curiosidade.
    O(A) autor(a) apresenta habilidade com as palavras e sabe muito bem como elaborar um texto que desperte empatia e admiração.
    Boa sorte e deixe Maria banhar-se na sua liberdade.

  4. Leandro Rodrigues dos Santos
    22 de novembro de 2020

    Não consegui imergir na narrativa devido a extensão das cenas, as minucias, ao meu ver: irrelevantes, donde se preocupa mais em descrever o que é um jogo, do o quê sentia o personagem. Até onde segui trata de um narrador onisciente contanto sobre a estigma da louca da cidade na sua infância.
    Tecnicamente tem poucos erros no uso da colocação pronominal e muitas repetições de conectivos: ‘como’, ‘que’ e ‘e’ (sugiro, se me permite, a substituição por gerúndio, vírgulas e sinônimos. Se não, desconsidere).

  5. antoniosbatista
    22 de novembro de 2020

    Resumo: Narrador conta a história de sua infância em uma pequena cidade onde havia uma moradora com problemas mentais.
    Comentário: Nos pequenos povoados sempre existe um morador que se destaca, tanto pelo seu modo de agir, quanto de se vestir, ou/e aliado a isso, o seu trabalho. Me lembro de um caboclo idoso que vendia cestos de vime na cidade onde eu morei. Mas isso já é outra história.
    Gostei do conto, bem escrito. Se é ficção, me parece que o autor juntou suas próprias lembranças no texto. A personagem Maria, é bem interessante e a narração consegue prender o leitor. Geralmente os autores tentam terminar a história com algo impactante, às vezes conseguem, outras vezes fica apenas melancólico, abstrato, e mesmo, deixando um vácuo sem resposta.
    O final foi bom, ficou com uma atmosfera poética, um sentimento de saudade. Boa sorte.

  6. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá tritão. Gostei do seu conto, que narra a história de uma mulher com problemas psicológicos e que costuma nadar nua na fonte da praça. É uma história bastante equilibrada, com momentos descritivos e de acção bastante bem definidos e personagens bem caracterizadas. Está tudo no lugar certo, no tempo e no ritmo certo. O leitor fica preso no emaranhado de imagens, algumas delas de grande sensualidade. O conto tem um arco narrativo longo que acompanha a vida do narrador, enquanto que apresenta a existência de Maria “Mulambo” como que parada no tempo. Uma existência triste, mas quem são os sãos de espírito para julgar aqueles que são felizes na loucura? Acho que esse é o objectivo deste conto, o de mostrar que a loucura é, apenas, uma forma diferente de existir.

  7. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Tritão.

    Conto sobre a relação de garotos de uma cidade e a “louca da aldeia”, Maria Mulambo, e de como a memória de infância ficou gravada na mente do narrador. Contado em primeira pessoa, trata-se de uma memória afetiva elevada à superfície da mente do narrador graças ao fato de ver, na rua, uma mulher semelhante à Maria Mulambo de sua infância.

    O texto é muito bom e carrega a peculiaridade de ser, provavelmente, “baseado em fatos reais”, pois o nível descritivo e a preocupação com certos detalhes deixam tudo muito real e palpável. A cena da “brincadeira” dos garotos com Maria é narrada até com certo arrependimento, me parece. Algo autobiográfico.

    Maria Mulambo é uma daquelas personagens que permitem fácil familiarização se você conhece o contexto, ou seja, se teve infância em uma cidade pequena, ou um bairro, ou vila, ou algo assim. São personagens da vida real, que andam pelas ruas, geram memórias e desaparecem, da memória e das ruas, sem que o fato afete a vida das outras pessoas. Aqui em minha cidade tivemos o TKS (que andava pelas ruas com uma caixinha, murmurando Pink Floyd no vazio do objeto, simulando um rádio), a Maria Borsuda (que gritava palavrões e, às vezes, tirava a roupa quando falavam do Collor para ela – sério!), o Palmeirense (que não falava, apenas andava pelas ruas com camisas do Palmeiras, e às vezes da Caldense), entre outros. Todos, uma hora ou outra, desapareceram e viraram apenas saudosismo.

    No geral o conto é bem amarrado e acerta no que se propõe. Não entra profundamente na loucura da personagem, mas ocorre em sua função. Não tem excessos (nem para o bem, nem para o mal), e flui de forma fácil. Simples e ligeiro. E, como bom saudosista que sou, gostei bastante.

    É isso. Boa sorte no desafio.

  8. Fernanda Caleffi Barbetta
    20 de novembro de 2020

    Resumo
    Jovem conta sobre sua infância em uma cidade pequena relembrando as peripécias com seus amigos e a presença constante de uma mulher com problemas mentais.
    Comentário
    Gostei do seu conto, da forma como percorreu pelas lembranças e acontecimentos do passado, chegando ao presente de maneira bastante coerente. O final com uma boa pitada de fantástico foi uma escolha acertada.
    Muito boa a forma como desenvolveu a caracterização de Maria Mulambo e dos demais personagens também, os tornando bastante reais. Neste sentido, só sugeriria que alterasse ou subtraísse o “fisionomia sempre inexpressiva” porque fica claro que nem sempre era assim.
    Achei a parte onde explica as brincadeiras da infância um pouco cansativa. Os parênteses, como este que coloco a seguir, acredito serem desnecessários: “ três-dentro-três fora” (quando só há três ou quatro jogadores disponíveis e um deles vira o goleiro provisório – para mudar a escalação, é preciso fazer três defesas ou os da linha devem chutar três vezes a bola para fora dos limites dos chinelos, nossas traves improvisadas).
    Algumas palavras não foram uma boa escolha: como incipiente (incipiente pomo-de-adão) e hierática
    “jogou a cabeça para trás e apertou firmemente as carótidas. Em menos de dez segundos, o rapaz começou a balançar e a ficar grogue.” Não me pareceu inverossímil essa passagem. Pareceu exagero esta reação em dez segundo, com a própria pessoa apertando o pescoço… mas posso estar enganada.
    “Só eu fiquei ali, confuso e preocupado ao ver aquela mulher em transe na calçada. Não sabia o que fazer. Não sabia o que estava acontecendo com ela. Aquilo me fascinava.” – confuso e preocupado não são reações de quem está fascinado.
    Parabéns pelo texto.

  9. Amanda Gomez
    18 de novembro de 2020

    Resumo📝 Nostalgico um homem relembra o passado de criança e uma figura particular que fez parte do seu imaginário e da cidade. Maria mulambo.
    Gostei 😃👍 Um texto que soube compor muito bem esse ar nostálgico, as cenas do passado são muito bem descritas, os costumes, os lugares as crianças e a própria Maria Mulambo. Acho que todo mundo tem lembrança de uma ” personagem” assim durante a vida. Lembro de algumas. Também, Marias, mulheres sem história conhecida. As pessoas criavam as próprias teorias. Seu texto trouxe muitas referências e isso causa identificação imediata. O narrador quando criança demonstrava a exata ingenuidade e curiosidade de uma criança comum. Ele adulto demonstra a fantasia que ele nem sabia que tinha com a mulher. Gostei do retrato que fez da mulher, fora do padrão, demonstrando a beleza poética da personagem. Conto bem escrito que retrata o tema de forma cotidiana. Por ser em primeira pessoa não sabemos se essa áurea poética tem a ver apenas com a percepção de fantasia de um menino encantado, se faz juz a realidade da mulher em condições de rua. Achei isso legal.
    Não gostei 😐👎 Nada em particular, o texto é redondinho.
    O conto em um emoji : 👨‍🦱⛲💃🏿

  10. Ana Maria Monteiro
    17 de novembro de 2020

    Olá, Autor.
    Resumo: Um homem recorda com nostalgia os seus tempos de criança. Numa cidade pequena onde a civilização começava a despontar. O personagem principal é Maria Mulambo, uma mulher jovem, louca misteriosa e alheada de tudo, que mexe com a imaginação dos meninos que acabam por maltratá-la contribuindo para o agravamento do seu estado e levando a que acabe por ser internada. Anos mais tarde, o narrador, já adulto, regressa à cidadezinha, onde Maria Mulambo foi praticamente esquecida e tem a sensação de a rever.
    Comentário: Foi um prazer ler o seu conto, sentir o pulsar da memória de infância – tão real. Você levou a cabo com grande destreza essa tarefa de nos pegar pela mão e levar a dar um passeio aos nossos anos de meninos. Na pequena cidade onde vivi a minha adolescência, também tínhamos um louco de serviço e pergunto-me se terão existido cidades ou vilas que não tivessem o seu.
    Ao seu conto não faltou nada, está todo ele pincelado a sépia, é poético, evocativo, muito bem escrito, com princípio, meio e fim, sem malabarismos, lê-se, sente-se e compreende-se sem esforço. Teve uma coisa de sobra, a meu ver, foi a descrição pormenorizada de como se processavam os jogos. Essa descrição caberia bem em um romance ou novela, no formato conto vem em excesso. Curiosamente, é precisamente esse pormenor, essa necessidade de explicar, que cimenta a minha ideia de que o conto descreve recordações verdadeiras do autor (com ou sem Maria Mulambo, pois esta pode ser fictícia).
    Também me satisfez bastante que, apesar de um menino a ter maltratado, Maria sai do conto sem beliscadura e envolta numa aura de beleza, o autor tratou-a muito bem, respeitou-a e levou o leitor a admirar a sua beleza – pura, alva, sem malícia alguma.
    Um conto muito belo que certamente saiu de um excelente autor.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: O protagonista recobra as brincadeiras de infância, detendo-se principalmente na “louca” local, que vira atração da cidade e, enfim, uma quase esquecida, marcando uma presença vaga na cabeça de alguns, exceto na do protagonista, que lembra bem dela.
    COMENTÁRIO: Um conto interessante, trabalhando bem um sentimento nostálgico que se expressa bem no uso da 1ª pessoa. Além da forma como foi narrado, as memórias que compõem o texto, sobretudo as das brincadeiras, retratam muito bem o período de infância e puberdade em que se localiza a maior parte da estória. Como confirmei nos comentários, não fui o único a reconhecer parte da minha própria infância em seu texto. Essa conexão com o leitor se deve a uma habilidade narrativa e a uma sensibilidade de quem escreveu ao selecionar bem o que colocou dentro do enredo. Incomodei-me um pouco com a maneira como a personagem representativa da loucura foi tratada, mas desvencilhei-me do incômodo ao me relembrar que a perspectiva escolhida foi a de um protagonista jovem e que, apesar de ser injusto, a marginalização de pessoas com transtornos é muitas vezes ao caricaturar, transformando a pessoa ou o grupo de pessoas em uma “atração local”, aspecto que foi muito bem construído aqui e dá ao conto a verossimilhança que se instala desde o início. Como crítica, coloco que principalmente no início houve muita explicação e que os parêntesis, em sua maioria, poderiam ter sido descartados, tendo engordurado um pouco o texto.
    Boa sorte.

  12. Jefferson Lemos
    16 de novembro de 2020

    Resumo: a história de maria mulambo e de como foi a relação íntima, de certa forma, e distante dela com o protagonista.m, que se via fascinado pelos trejeitos da mulher.

    Olá, caro autor.
    O início da sua história, apesar de concordar com o Misael sobre as muitas explicações e tudo mais, me levou para a minha infância também. Foi um bom sentimento, ainda mais de poder relacionar os seus lugares com os da minha memória.
    Gostei de como a trama foi se desenvolvendo, sem trazer nada de muito absurdo ou novo, mas feito com competência para ser bom. Estou ficando muito satisfeito com alguns contos que tenho lido nessa última leva de leituras que tenho feito, e o seu é um deles. É leve, bem escrito, chama a atenção e tem uma trama que dá vontade de acompanhar. A loucura também tá ai, faz parte importante da história, e essa perspectiva no ponto de vista do fascínio pela inocência foi uma sacada bem legal.
    Parabéns pelo conto e boa sorte!

  13. Misael Pulhes
    15 de novembro de 2020

    Olá, “Tritão”.
    Resumo: garoto conta sobre Maria, a quem apelidaram Mulambo, mulher que marcou sua infância, que sumiu, e que talvez tenha reaparecido no presente.
    Comentários: O conto é um misto gostoso de suspense, quase flertando com elementos de terror até (eu senti isso, juro), e numa trama muito bem construída. Eu gosto desses contos um tanto lineares, com um ou outro caso que dão um ápice na história (no caso, a “brincadeira” das crianças, e as idas de Maria à fonte). E o desfecho é muito bom. Amarra bem uma história que pode até ser real, mas tem cara daqueles relatos de senhores mais velhos que botam os sobrinhos e netos no chão pra contar algo inesquecível da infância.
    A crítica principal é ao início do conto. O estilo parece até de outro escritor, destoa do resto da história. A descrição do que eram os jogos das crianças, e muitos parênteses explicativos são totalmente desnecessários ao meu ver.
    O conto é muito bom. Parabéns. Boa sorte!

  14. Fheluany Nogueira
    14 de novembro de 2020

    Da perspectiva de adulto, narrador relembra as brincadeiras na praça, os amigos e a presença de Maria Mulambo, uma maluca que impressiona a todos.
    Cada cidade tem a sua Maria Mulambo; a minha era chamada de Furupa e já escrevi sobre ela (com outro nome), aqui mesmo no EC, no conto “A Hora da Louca”. Assim, o leitor tem a impressão de lidar com fatos verídicos sob um ponto de vista melancólico, sensível, mas em tom de relato. O enredo é bem desenvolvido, mas as emoções pouco exploradas.
    Bem escrito, ritmo tranquilo. Minha ressalva vai para a introdução alongada e algumas cenas gordurosas dentro da trama.
    Sorte no desafio. Um abraço.

  15. Fabio Monteiro
    14 de novembro de 2020

    Resumo: Um grupo de amigos se diverte com a trágica historia de vida de uma mulher (pobre, negra e portadora de um transtorno mental).

    O inicio da narrativa nos dá uma boa percepção do que Maria Mulambo deve ter vivido.
    Se hoje ainda vemos pessoas com as características de Maria sendo martirizadas e sofrendo com o desrespeito, imagine na época como o conto fora descrito.

    O serviço social, o apoio a saúde mental, as casas para desabrigados são projetos bem recentes. Existiam, mas não da forma como são instituídos hoje.
    Maria poderia ter recebido cuidados e atenção de acordo.

    O que vi no conto foram molecagens, maldades da juventude, comportamentos impróprios e desumano, abuso de incapaz, transgressões variadas.
    O narrador (protagonista) me pareceu ser aquele que demonstra maior compaixão. Não sei o que o levou a escolher tais amizades, mas, não foram as melhores.

    O desenrolar dos acontecimentos mexeram com os pensamentos do protagonista. Tenho certeza de que ele carregou algum sentimento de culpa por permitir o que aconteceu com Maria.

    O conto é bom.
    Seria esta uma historia verídica?

    Tenho a sensação de que sim.

    Boa Sorte autor(a)

  16. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : O conto conta a bela história de Maria Mulambo.Maria Mulambo é uma moça com problemas mentais e comportamento chamativo. É sufocada por um garoto e seu transtorno aumenta e ela começa a tomar banho nua na fonte da praça.Os conservadores da cidade reclama e Maria Mulambo é levada para outra cidade.
    Comentário : O conto é simplesmente maravilhoso. Para mim Maria Mulambo é uma heroína consumida pela loucura, uma mulher exuberante que vive na solidão.Me deixou triste refletir que nossa linda Maria Mulambo nunca irá casar a menos que um homem saiba como conviver com ela mas por outro lado Maria Mulambo me parece ter a inocência de uma criança. Maria Mulambo representa também a mulher que deseja se libertar,cada peça de roupa que ela tira é um peso que sai.Fiquei chocada com a violência do garoto que maldosamente sufocou nossa eterna Maria Mulambo.O conto possui uma sensualidade leve e inocente,é impossível não imaginar a beleza do corpo de Maria Mulambo e o que seus observadores pensaram e fantasiaram em suas mentes. Maria Mulambo merece fazer parte de um livro de contos, o autor tem obrigação de eternizar nossa Maria !

  17. Bianca Cidreira Cammarota
    7 de novembro de 2020

    Reminiscências do protagonista quando garoto, envolvendo seus amigos da época e uma mulher insana, sem teto.

    Tritão, teu conto é suave, descritivo, uma história talvez com algum fundamento real que te pertence ou que você ouviu de outrem. Ele é poético, não por inserir um lirismo patente, mas antes na singeleza da tua narração.

    A descrição mais detalhada do ambiente físico e temporal tem, na minha opinião, razão de ser. A maior parte dos leitores participantes do certame não viveu a época do relato e nem sei se um dia imaginaram realmente um mundo como o que você descreveu. E, por isso mesmo, a necessidade de ambientação mais delongada. (será que estou certa?)

    Para mim, foi um tipo de viagem no tempo, pois acho que peguei uma época similar, com situações parecidas e sentimentos muito semelhantes. Tua mão desliza nas palavras (ouso até supor que, por vezes, utiliza o papel e caneta para escrever em vez do computador). Diferentemente da maioria dos contos até o momento publicados, não há violência na loucura em si, mesmo com o episódio de Otávio na praça com Maria).

    Teu conto é para reflexão calma em uma tarde amena, para pensar na vida, no que não entendemos, no passar do tempo, no que somos. Acho até que estou reconhecendo tua escrita… e a tua sensibilidade em cada detalhe para erigir este conto, criá-lo com esmero e dá-lo a todos de coração.

    Obrigada por um conto tão singelo, tão belo, tão cuidadoso no relato, na construção e na escrita. Maravilhoso!

  18. Giselle F. Bohn
    6 de novembro de 2020

    Narrador fala de mulher com problemas mentais que conheceu na infância.
    Conto muito bonito, muito bem escrito, com um ritmo delicioso, personagens bem delineados e boas descrições. Gostei muito disso tudo.
    Minha crítica seria apenas que algumas descrições me soaram desnecessárias, como, por exemplo, o tipo de jogo de futebol. Também gostaria de ver um início mais impactante, menos “burocrático” do que foi feito. Mas nada disso tirou o brilho do conto.
    Parabéns e boa sorte!

  19. Angelo Rodrigues
    6 de novembro de 2020

    Resumo:
    Narrativa de um garoto – que se torna homem feito -, falando sobre suas aventuras juvenis, logo transportada para sua vida adulta.

    Comentários:
    Conto muito legal. Li-o do princípio ao fim, e não precisei retornar para entender ou averiguar essa ou aquela passagem. O texto está escrito com rigor, com domínio do desejo de contar.

    Fala de Maria Mulambo. Uma história pitoresca, assombrada, formadora de caráter quando bem compreendida. Parece que o nosso protagonista a entender com rigor.

    Agarrando-se à tenra idade, o protagonista tem experiências que atravessam décadas.

    Trouxe-me estranhas lembranças.

    Que garoto não teve suas Marias Mulambos?

    Perto de minha casa – dividíamos fundos de quintal – havia a Wanda Polaca, uma moça judia, a filha mais velha de uma família que migrou da Polônia para o Brasil quando da II GG. Um pouco mais velha que nós, de minha turma, ela nos perseguia – era violenta – dizendo coisas que não entendíamos. Era doida, achávamos que era doida. Nunca soube se era realmente doida. Nunca teve amigo ou amiga.

    Um dia Wandinha morreu.

    Gostei de como o conto que, sem uma explicação necessariamente constituída, deixou-nos o viés poético do sensível narrador.

    Boa sorte no desafio.

  20. Leda Spenassatto
    5 de novembro de 2020

    Resumo :
    Brincadeiras de meninos com uma moradora de rua.

    Maria Muambo me pareceu uma dessas pessoas que os meninos quando se juntam perdem o bom censo e tiram para zoar.
    Talvez , ela fosse muda, pois não deu um pio sequer.
    Seu conto não é pesado, tem sequência e estilo. É cheio de detalhes e rico em descrições.

    Só precisa de uma revisão ortográfica mais aprofundada.

    Sucessos no certame.

  21. Marco Aurélio Saraiva
    5 de novembro de 2020

    Resumo: o protagonista cresceu na cidade onde Maria Mulambo, uma louca, perambulava. Em sua mente ficou cravada certa cena da infância, quando os pirralhos pregaram uma peça na mulher. Mais tarde Maria foi levada por médicos e ele, muitos anos depois, jura ter visto ela ainda na fonte, apesar de desativada.

    Foi gostoso ler o conto e acompanhar Maria pelos olhos do narrador. Maria Mulambo tem um quê de lascívia, e bate muito com um estereótipo feminino muitas vezes retratado por autores e autoras: a mulher livre, autossuficiente, que de tão solta a voar é vista como louca. Engraçado como esta imagem de um ser liberto das amarras da sociedade tem mais presença feminina do que masculina; como se a imagem da mulher, no subconsciente coletivo, fosse a imagem de alguém preso e que ninguém nunca viu realmente livre, dando asas à imaginação.

    O conto tem início, meio e fim, com um desfecho satisfatório. Achei uma leitura boa.

    Seu estilo é meio retraído, eu diria, como se as palavras estivessem pedindo para serem libertas (como Maria). Senti a tentativa de emprestar uma atmosfera de terror na cena do parque à noite, quando os meninos aplicaram em Maria a peça, e de simular um tom fantástico ou onírico no final, com pitadas de nostalgia. Não foi muito bem sucedido em nenum dos dois casos, por quê me parece que sua escrita tem um tom jornalístico, descrevendo demais, discorrendo em detalhes mil e pouca ambientação.
    Ainda assim é uma escrita correta com pouquíssimos erros e que me fez ler até o final.

    Resumindo: uma boa leitura e um conto interessante, mas que pede melhor ambientação e mais envolvimento do leitor.

  22. Flávio dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    memórias da infância e a ligação com Maria Mulambo, uma mulher mentalmente perturbada.

    Comentários:
    O autor possui uma sutileza ao seu conto, tendo momentos nostálgicos.
    O contato dos garotos com a personagem Maria Mulambo é sensacional.
    Outro ponto a ser elogiado é que o conto se passa por várias fases da vida e mostra que certos momentos são memoráveis e fundamental para a construção de uma pessoa.

  23. Thiago de Castro
    5 de novembro de 2020

    Resumo: Narrador relata sua infância com nostalgia, lembrando das brincadeiras, amizades, amadurecimentos e, claro, da “louca da cidade”, Maria Mulambo.

    Comentário:

    Conto carregado de nostalgia, trazendo brincadeiras de infância, a perda da ingenuidade e o amadurecimento amargo. A loucura está na figura da personagem Maria Mulambo, que remete ao louco folclórico, presente em toda cidade pequena, nas praças, rodoviárias e imediações do centro da cidade. O enredo acompanha o protagonista junto de seu crescimento, enquanto a personagem emerge no cotidiano da cidade. Interessante pensar que o comportamento de Maria Mulambo variava de acordo com suas crises, depressivas ou efusivas. Achei que teria, muito pelo mistério implantado pelo autor, alguma tragédia traumática fruto dessa ambiguidade, que marcaria o narrador que possuí um tom trágico também, mas não. O conto parte para mais para um reencontro com a personagem e com a memória do protagonista. Ao invés da praça edênica, ele se dá na degradação suja da cidade, porém Maria Mulamba continua imaculada e pura.

    Gostei, temendo um pouco que a personagem título fosse colocada num papel de ridícula pela sua cor e condição, mas no final, ela que sai ilesa diante das transformações urbanas, do tempo. Me lembrou do conto “Varandas da Eva”, do Milton Hatoum.

    Boa sorte no desafio!

  24. Anderson Do Prado Silva
    5 de novembro de 2020

    Resumo:

    Crianças, em uma praça, convivem com uma louca.

    Comentário:

    A sensibilidade e sutileza do contar impressionam. O enredo é apresentado de forma leve e, por vezes, poética.

    O domínio do léxico é pleno e os personagens cativam.

    O texto possui alguns belos excertos. Os parágrafos, nem longos nem curtos, têm a medida exata para não cansar, demonstrando domínio da técnica narrativa.

    A imagem que encerra o conto é muito bela.

    Não me deparei com erros gramaticais que pudessem ser percebidos por um leigo como eu, apenas fiquei na dúvida se “dela” não deveria constar entre vírgulas em “Alguns dela só tinham vaga lembrança”.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

  25. Lara
    5 de novembro de 2020

    Resumo : O conto retrata a história de Maria Mulambo, uma mulher com transtornos psicológicos que um dos garotos resolveu maltratar lhe deixando sem ar, depois disto ela começou a tomar banho nua na fonte da praça. Depois acaba sendo levada para fora da cidade. O garoto que conta a história vira homem mas nunca esquece Maria Mulambo e pensa vê-la na rua mas é apenas imaginação.
    Comentário : O conto é muito bom. Mas achei o garoto que buliu com ela muito maldoso e o considero culpado por ter agravado o transtorno de Maria. A história me parece ser real, pelo menos inspirada em fatos reais.

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Informação

Publicado em 5 de novembro de 2020 por em Loucura.