EntreContos

Detox Literário.

Vida Roubada (Fábio Monteiro)

Há quem diga que nascer é uma dádiva, que viver é uma luta e que envelhecer é uma graça. O que acontece entre essas três verdades é aquilo o torna quem você é.

Começo a me dar conta de quem eu sou por volta dos 5 anos. Uma criança reclusa, de poucos afetos e abraços. O destino foi um pouco traiçoeiro. Me presenteou com um irmão mais velho e outro que estava a caminho. Toda atenção para estes dois.

Quando o Júlio nasceu, minha situação ficou um pouco pior.   Meu pai passava a maior parte do tempo com Mauricio, o mais velho. Minha mãe, estava sempre com o Júlio, o mais novo. Eu estava experimentando o desprazer de ser a sobra do que estes dois não precisavam. 

A falta de atenção me fez buscar o carinho dos meus pais até os sete anos de idade. Foi então que percebi que eu estava fadado a ter de aprender a viver sozinho.

A idade escolar pareceu ser uma benção. No entanto, o medo de me aproximar e ser rejeitado de novo me fez ser uma criança ainda mais recolhida do que já era. Sensações, toques, afagos nem pensar. Não admitia receber um abraço que não fosse daqueles que me deram vida. 

Não me faltava nada. Tinha casa, brinquedos, comida. Evidentemente, não eram brinquedos meus. Eram presentes deixados de lado pelo Maurício ou esquecidos pelo Júlio. Para completar ainda mais minha tristeza de vida, eles me obrigavam a comemorar meu aniversário 5 dias antes, por causa do aniversário do Mauricio. Meus pais sempre vinham com a velha desculpa: — Vamos fazer uma festa só, assim economizamos e comemoramos o aniversário de vocês dois. 

Cantavam parabéns pelo aniversário dele e se esqueciam que o meu estava para acontecer. Presentes dos tios e tias para ele. Nada para mim. Aliás, tios e tias foram outros que em nada acrescentaram minha vida. Como meus pais, eles voltavam suas atenções para o xodó da família, Mauricio, e seu caçula, Júlio. 

Quando completei 12 anos meu pai disse que eu tinha idade suficiente para trabalhar. Não me lembro dele ter feito o Mauricio trabalhar nesta idade. Me fazia carregar suas ferramentas pesadas rumo a sua labuta. 

Mauricio tinha começado a namorar e Júlio iniciava no ensino fundamental. Foco nestes dois. Foi a primeira vez que resolvi surtar. 

Numa visita feita por uma de minhas tias, peguei da bolsa dela uma nota de cinco cruzeiros. Tinham outras notas de valor maior, mas, eu não queria extrapolar. Só queria chamar atenção. Quando descobriram, Júlio e eu fomos chamados. Ele sempre aprontava, mas, eu não podia deixar que ele levasse a culpa por uma coisa que eu fiz. Tentei bancar o ladrão herói. Foi um erro. Algumas cicatrizes nunca desapareceram. Serviu de lição. Nunca mais peguei nada sem pedir permissão. 

Com 13 anos meu pai me arrumou um emprego numa loja de brinquedos. O sonho de toda criança. Ia trabalhar sorrindo, mesmo carregando resquícios de uma infância sofrida. 

O dono era amigo do meu pai e ele sempre ia na loja para saber como eu estava me comportando. Não para saber se estava tudo bem, mas, por que tinha medo de que um de seus filhos pudesse vir a ser um ladrão. 

Um dia, cansado de tudo, eu fugi.   Faltei serviço e me escondi nas mangueiras que tinham perto da igreja. Passei o dia e metade da noite lá, sobrevivendo com mangas verdes. Quando voltei, passavam das duas da manhã. Estava com frio, fome, sede. Foi quando me dei conta de que ninguém ia me procurar.

Meus pais nunca me disseram uma só palavra a este respeito. Eu entrei em casa na mesma hora que o Maurício terminava de “comer” sua namorada no sofá.

— Sai daqui sua bichinha. — Ele me disse.

Uma mistura de tristeza, raiva e ódio tomavam conta de mim. Mesmo assim, eu os amava, a minha maneira.

Voltei no dia seguinte para o trabalho. Meu pai acabou parando de me importunar. Parecia não se importar se eu ia ser um perdido, um ladrão ou um homem de bem. Esse foi o seu maior erro.

Coisas estranhas começaram a acontecer na loja. Luiz, meu patrão, me esperava todos os dias para me dar carona. Eu nem morava tão longe assim. Tocava minhas mãos e me abraçava gentilmente.  Eu gostava. 

Recebia os afetos que nunca recebi de nenhum dos meus familiares. Foi assim, até que, ele me beijou. Eu me assustei. Tive medo, mas não reagi. Simplesmente deixei ele me beijar e me tocar.  Por dentro eu chorava. O maior de todos os medos que senti. Chegava à conclusão de que meu irmão estava certo. Eu sou bichinha.

Não contei para ninguém e meu patrão me forçou a não dizer também. Continuei trabalhando como se nada tivesse acontecido, sendo constantemente lembrado de nunca dizer nada a respeito. 

Quando a loja fechava, ele me tocava, de todos os jeitos e formas. Eu até gostava quando ele me abraçava. Pensava no quão bom podia ser se o abraço viesse dos meus pais. Eles não tinham tempo pra mim.

Dos treze até os dezesseis fiquei silenciosamente sendo aliciado por um pedófilo. Um homem de quase setenta anos, pai de família, esposo, avô e muito bem quisto na sociedade. Não tinha maturidade para saber se o que ele fazia comigo era crime ou não.

Quando fiz dezessete, pedi demissão. Disse a ele que pretendia entrar no exército. Ele me ameaçou de todas as formas possíveis. Disse que ia contar para minha família e que depois me mataria. Velho insano. Ele roubou tudo de mim.

Aos dezoito, agraciado pela vontade dos céus, fui selecionado para servir a pátria. Isso me libertou das mãos daquele maldito. Como fui burro. Tamanho foi o meu sofrimento. Dias de dor, de angústia, de desesperança. Achava que seria o orgulho dos meus pais por me tornar um homem da pátria. Eles não deram a mínima.

Mauricio se formou engenheiro civil como o meu pai e estava para se casar. Júlio havia ganhado uma bolsa de estudos na Europa. Os orgulhos da família.

Servi durante dois anos, comendo o pão que o diabo amassou.  Quando sai, entrei na faculdade de Administração. Sempre fui o primeiro aluno da turma por ter facilidade nas contas. 

Conheci muitas garotas, mas, não havia mais jeito pra mim. Foram quase cinco anos sendo usado pelo mesmo homem. Ninguém sabia. Esse segredo começou a me consumir. Ficava com meninas lindas, garotas desejadas, mas, na hora H, não funcionava.

Por alguma razão o relacionamento do Mauricio não deu certo e ele ficou esquisito. Júlio havia aprontado na Europa e ficou preso por um mês por causa de drogas. Ele se dizia inocente. Um pouco mais de atenção para estes dois sofredores.

Meu pai culpava minha mãe pelo que havia acontecido com o Júlio. Minha mãe culpava meu pai por se meter demais no relacionamento do Mauricio. 

Eu seguia minha vida como um gay que não se aceitava. Carregava nas minhas memórias a frustração de uma infância sofrida e uma adolescência de abusos sexuais constantes. Coisas bem pequenas perto dos sofrimentos vivenciados pelo Júlio e pelo Mauricio.

Com 24, me formei e arrumei um emprego mediano. Ainda morávamos todos na casa dos meus pais. 

Júlio apresentou ao Mauricio um possível tratamento para sua tristeza. As drogas entravam e saiam de dentro de casa sem que nenhum dos seus donos percebesse. 

Quando as coisas iam mal, eles pegavam o que podiam para custear suas despesas com entorpecentes. Deviam até as calças para os marginais que se diziam donos da cidade. 

Durante muitas ocasiões tirei dinheiro das minhas economias para ajuda-los. Não queria que eles fossem arrebentados pelos bandidos. Me doía demais tal situação, pois, eu guardava dinheiro para sair daquela maldita casa.

Perto dos trinta conheci um cara bacana, respeitoso, gentil e muito atencioso. Ficamos amigos, parceiros e namorados as escondidas. Quando o Mauricio o descobriu ele acabou com a minha vida. 

Me espancou até o ponto de quebrar o meu braço. Perdi meu emprego e fiquei durante um ano sendo chantageado para que ele não contasse aos meus pais o que havia acontecido. Eu tinha muito medo de que todos soubessem quem eu era. Nem eu mesmo me aceitava. 

Marcos, o cara gentil e bacana com quem me envolvi desapareceu. Ele não ia querer nada com uma pessoa como eu, vítima de uma família violenta, de drogados e instável em muitos aspectos.

Não sei o que eu havia feito para merecer tanto descaso. Imaginava ter sido alguém muito ruim na minha vida anterior. Tudo o que eu conquistava, perdia. 

No ano seguinte, Luiz, o meu ex patrão pedófilo, aliciador de menor, morreu. Fiz questão de ir até o velório para ver a sua face moribunda. Esperava que ele pudesse pagar pelo que fez. Assim que entrei, minhas pernas tremeram, meu coração palpitou e minhas mãos sentiram o seu toque. Até depois de morto aquele desgraçado me trouxe desequilíbrio. 

Eu era frágil. Emocionalmente frágil. Espiritualmente frágil. Comecei a ter insônia, crises de pânico, ansiedade, transtornos de adaptação. Não conseguia parar em nenhum emprego por mais bom que pudesse ser.

Perto dos quarenta, percebi que Mauricio, Júlio e eu nos tornávamos três derrotados. Meus pais se divorciaram. Minha mãe entrou em depressão. 

Meu pai finalmente deixou aflorar o seu lado sem vergonha. Eu sabia que ele traia a minha mãe, só que, ele se reservava. Não contava por que eu sabia que ela ficar como ficou.

Foi então que meu irmão Mauricio foi morar com o meu pai. A verdade é que ele estava jurado de morte.

Antes dele ir, tentei lhe dar bons conselhos. Este foi mais um dos meus erros. Acabamos discutindo e ele partiu me deixando um presente. Uma carta que revelava a minha mãe que ela tem um filho gay.

O choque foi tão grande que ela mudou completamente. Saiu do seu estado depressivo para um comportamento agressivo. 

Não tinha muita coisa, mas, o pouco que eu tinha, ela jogou pra fora de casa. 

Gritou aos quatro cantos que não aceitaria ser mãe de um gay. Aquilo despedaçou de vez o meu coração. Procurei refúgio nos lugares mais absurdos. Parecia que todos me viam como o pior ser humano da face da terra.

Júlio não teve pena alguma de mim, mesmo eu o tendo ajudado tanto. Ainda assim, ele ajudou a mulher que me deu vida me expulsar de casa. 

Por ironia do destino, acabei acolhido por um velho que morava sozinho. Seu nome, Luiz. Ninguém sabia quem ele era, nem por que razão não tinha família. Seja como for, ele foi o único que teve pena de mim.

Todos comentavam sobre o que eu me tornei.  Só que, ninguém conhecia a minha verdade. Os poucos amigos que eu tinha viraram as costas pra mim.

Por algumas vezes pensei que teria sido mais fácil se eu tivesse me tornado um usuário como o Maurício ou como Júlio. Eles eram mais aceitos que eu. Recebiam atenção familiar e da sociedade. Foram incluídos em programas de recuperação e até receberam auxílio financeiro para conseguir reerguer suas vidas. Que ajuda um estuprado que acabou virando gay poderia ter? 

Quando conheci a história do senhor Luís, vi que não fui o único que sofri. Ele havia sido roubado pela sua esposa e filhos. Todas as suas economias tinham sido levadas. 

Ele me arrumou um emprego e finalmente pude levantar minha cabeça. Alguns meses depois ele sofreu um derrame. Passei a cuidar dele. Ironias do destino. Como entender?

Mauricio acabou vindo a falecer por overdose. Tive que assistir o enterro dele de longe.

Júlio ficou anos em tratamento. Nunca se recuperou. Meu pai sumiu. Minha mãe, destruiu sua própria vida tentando cuidar do Júlio. Ela nunca me perdoou.

Segui em frente, carregando na alma o pecado não me sentir amado. Carregando no peito a dor de querer ter sido uma pessoa normal. Por esta razão, hoje, com quase sessenta, percebo que tive praticamente toda minha vida roubada.

21 comentários em “Vida Roubada (Fábio Monteiro)

  1. sergiomendessola
    11 de abril de 2020

    12. Vida Roubada (Google)

    O roubo de uma vida. Uma vida que mal tinha começado e já estava destinada a ser um sofrimento… Toda uma vida roubada.

    Uma boa história, um envolvimento e uma boa descrição. Bom.

    Pontuação: 4

  2. Rafael Carvalho
    11 de abril de 2020

    Seu texto trás um outro sentido ao que a maioria entendeu – acredito eu- como envelhecer, trás o envelhecer de uma vida de “derrotas” de alguém não teve a sorte de encontrar quem lhe ajudasse de forma efetiva a virar o jogo e vencer a batalha.

    É um conto triste, traz uma linguagem cru e honesta. É um boa obra dentro do que se propõe. Em outras plataformas de leitura iria chover nos comentários que deveria vir com aviso de “gatilho” no enunciado do conto.

    Sobre a escrita está coerente e bem fluida, é fácil sentirmos empatia pelo personagem principal e asco pelos seus algoz.

    Parabéns pelo conto, boa sorte.

  3. Eneida Ferrari
    11 de abril de 2020

    12) Vida roubada
    Narrativa conta história da vida de menino não amado pelos pais que foi abusado dos 13 aos 17 anos por pedófilo. Tornou-se gay. Sua família se desestruturou, os dois outros irmãos drogavam-se e os pais se separam. Sua mãe ao sabê-lo gay, o expulsou de casa. Perambulou até que homem o acolheu em sua casa. Aos 60 anos sente-se como alguém que nunca foi amado e que teve a vida roubada.
    ANÁLISE: Narrativa linear, com conteúdo forte, pobre em criatividade literária. Bom português. Frases claras, bem pontuadas.

  4. Pedro Paulo
    10 de abril de 2020

    Com o enunciado inicial, estabelece-se uma ideia sobre a vida pela qual o conto passa a transcorrer, numa angustiante jornada de um indivíduo cuja vida inteira é atormentada por negligência e repúdio. Uma espiral em direção ao abismo, é um conto agonizante que não deixa nenhum momento para respirar. A escrita é fluida e a opção pela primeira pessoa é acertada, pois ao mesmo tempo em que nos informa do novo estado das coisas, também nos mostra um narrador resignado, extirpado de alegrias e opções.

    Acho que o autor poderia ter dado mais espaço a momentos em que o personagem poderia se compreender, pois todo o sofrimento também faz do conto cansativo. No momento em que se percebe que as coisas nunca melhorarão, a sequência de infortúnios perde impacto e não comove tanto quanto poderia. Dar mais desenvolvimento ao relacionamento que ele teve ou mesmo ao momento em que é abrigado pelo senhor poderia ter equilibrado a leitura.

  5. Bia Machado
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um homem relata sua vida desde os cinco anos, uma vida das mais trágicas que já encontrei narrada por aqui.

    Desenvolvimento do Enredo: Olha, eu pergunto: como você conseguiu pensar em tanta coisa ruim assim, capaz de acontecer com uma única pessoa? Se eu não tivesse que ler para o desafio, teria parado nos parágrafos iniciais, porque é muita coisa ruim de uma vez só. Ler todas essas coisas horríveis que aconteceram ao narrador me deixaram depressiva, porque acho que a ideia do enredo foi levado em certos momentos com um excesso da ideia do personagem narrador ser uma vítima. Sim, enquanto não se é adulto, realmente é complicado resolver essa situação, mas na época dele de 24 anos no texto ele dizia que estava juntando dinheiro pra sair da casa dos pais. Senhor, saísse antes mudasse de estado, alugasse um quartinho minúsculo, qualquer coisa, sumisse no mundo, com uma família dessas sumir no mundo é questão de manter a sanidade mental. Aquela coisa bem ao estilo das famílias infelizes da citação de Tolstoi.

    Composição das personagens: o texto é narrado em primeira pessoa, o narrador não floreia na composição das personagens, deixa bem certo a característica de cada um. Fez com que eu tivesse raiva da família toda e daquele velho nojento.

    Parágrafo inicial: Não gostei da forma como começou, tendo como base uma citação e não sei se concordo com isso: “O que acontece entre essas três verdades é aquilo o torna quem você é”. Pra mim ficou estranho, não sei se por estar faltando um QUE antes de torna, ou por causa dessa parte: “três verdades”. Verdade para quem? Será verdade mesmo? Como poderia explicar isso?

    Finalização: Achei o final muito corrido. E terminar o conto com o título usado fez com que eu me questionasse: pensou no título primeiro e deu um jeito de colocar isso no texto?

    • Fabio
      14 de abril de 2020

      Bia… Sim, faltou o que na tal frase inicial que voce julgou impertinente. Pensei na historia de uma pessoa real. Isso de fato aconteceu. Uma pena voce nao se sensibilizar referindo ser tanta desgraça numa vida só. As vezes, desgraças assim acontecem. Há quem tenha a chance de sair delas. Alguns nao tem a mesma sorte. Fico feliz com seu comentário. Agradeço a sua percepção dos detalhes. Mas da proxima vez, para boba, nao termina de ler não. O desafio é só diversão, se nao se diverte, nao há por que continuar a brincadeira.

  6. Claudinei Maximiliano
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um garoto se sente rejeitado pelos pais após o nascimento de seu irmãozinho. Isso que causou vários problemas psicológicos, inclusive o receio de se aproximar de outras pessoas e ser novamente rejeitado. Ainda na adolescência, foi estuprado pelo patrão pedófilo, em seu primeiro emprego. Os irmão se tornaram drogados e seus pais se separaram. Ao descobrir que ele era gay, a mãe o expulsou de casa e quem o acolheu foi um homem solitário, já velho. O tempo passou e o protagonista da história sentiu-se arrependido por ter desperdiçado sua vida e por não ter agido de forma diferente durante a juventude.

    Cometários: Talvez um dos melhores contos da série B. Leitura prazerosa que prende a atenção do leitor. O final é uma incógnita e apenas nos últimos parágrafo o leitor tem uma visão mais clara do desfecho.

    • Fabio
      14 de abril de 2020

      Como sempre…Este é o grande Claudinei..Agradeço seu comentario meu amigo. Na surpresa de nao saber se estaria por aqui nesta rodada, fiquei feliz de ter sido vc a julgar meu conto que foi um dos piores deste certame.

  7. Fabio D'Oliveira
    9 de abril de 2020

    Resumo: Acompanhamos a vida de um gay que não assumiu, sofrendo sem parar, em descasos da família e destino.

    Olá, Google!

    Serei bem sincero: tem que melhorar muita coisa aí!

    O conto está recheado de falhas, principalmente na parte técnica, então o ideal é se focar nessa parte primeiramente. Você precisa estudar um pouco sobre a escrita. E nisso se encaixa ler bastante, principalmente clássicos da literatura universal, como Moby Dick e O Morro dos Ventos Uivantes, e estudar técnicas de narrativa, como o “Mostrar X Contar”.

    Lendo as grandes obras da humanidade, Google, você absorve, subconscientemente, inúmeras técnicas de escrita. Aos poucos, começa a aplicá-los nas suas escritas de forma natural. A maioria dos escritores que escrevem muito bem, de fato, são leitores assíduos. Um ou outro, de fato, possui o talento da escrita. Mas quase todos desenvolvem esse potencial. Incluo-me nessa porcentagem grande, claro. Lendo e escrevendo que melhoro. Se fico sem fazer os dois, infelizmente, acabo estagnando. Faça isso. Leia muito.

    Sobre as técnicas, você encontra alguns sites que explicam como funciona. Esse “Mostrar X Contar”, por exemplo, é algo que vai te ajudar MUITO na hora de escrever um bom conto. Vou ressaltar um trecho:

    “Quando a loja fechava, ele me tocava, de todos os jeitos e formas. Eu até gostava quando ele me abraçava. Pensava no quão bom podia ser se o abraço viesse dos meus pais. Eles não tinham tempo pra mim.”

    “Mostrando” a história, ficaria assim:

    “Tornou-se rotina: o expediente acabava, ele trancava as portas, sempre calmo, mas alerta, pegava minha mão e íamos para o fundo da loja. Gostava dos abraços, aquela sensação tão boa, tão gostosa, deveria ser o que os meus irmãos sentiam desde sempre. Mas, quando ele começava me alisar, tocar nas partes íntimas, essa ternura sumia. Sobrava apenas o receio, o medo, a dúvida. Aquilo não parecia certo.”

    Claro, fiz no meu estilo, você faria no seu, mas mostrando algumas coisas que aconteceram, de fato, fortalecem o texto. Dá vida para ele.

    Outra coisa que você precisa evitar é a repetição de ideias. Uma das maiores falhas desse conto é isso: você reforça o tempo inteiro, incessantemente, que ele era rejeitado por todos. Eu gosto dos reforços, uma vez aqui, outra ali, mas o excesso prejudica a qualidade final do texto. O leitor não é idiota, Google. Ele já percebeu que o protagonista é rejeitado. As ações da mãe, por exemplo, quando expulsou ele de casa é um reforço válido. Não precisava adicionar partes que falam que ele, mais uma vez, estava sendo abandonado, que o irmão também virou a cara mesmo o ajudando muito, etc. Poderia apenas mostrar a cena da mãe e do irmão o expulsando. Isso seria o suficiente.

    Mas não se preocupe tanto. É normal errar. Não seja tão duro, tente evoluir aos poucos, e de forma natural. Siga as técnicas, mas não se torne refém delas. Algumas cenas que podem ser inúteis, à primeira vista, ou descartáveis, podem ter valor artístico. E algumas cenas mecânicas, sem vida, podem ser válidas para adicionar alguma informação. É tudo uma questão de equilíbrio.

    A história não é do tipo que gosto. Muito melodramática, piegas mesmo, mas respeito sua decisão em abordá-la dessa forma. É uma questão de gosto, claro. O tema ficou obscuro, também. É óbvio que ele está envelhecendo no decorrer do conto, mas esse não é o foco da narrativa, como deveria ser.

    De qualquer forma, se quiser mais ajuda, pode me procurar depois do desafio. Vamos evoluir juntos, Google!

  8. Catarina Cunha
    9 de abril de 2020

    Resumo — Filho do meio sente-se preterido pelos pais. Passa por várias tragédias pessoais e chega aos 60 se sentindo com a vida roubada.

    Técnica — Muito primária. O texto é repetitivo e com muita gordura. Nota-se claramente que o (a) autor (a) teve dificuldade para enxugar o conto para manter as 2000 palavras. Comprometendo inclusive a fluência ao retirar artigos e pronomes. Também cabe revisão dos tempos verbais.

    Trama — Um drama em que o mundo conspira contra o personagem. A melancolia dá o ritmo. Senti falta de mais emoção e menos descrição. Mas isso é só questão de prática. Escrever, reescrever, escrever, reescrever…

    Impacto — “Há quem diga que nascer é uma dádiva, que viver é uma luta e que envelhecer é uma graça. O que acontece entre essas três verdades é aquilo o torna quem você é.” Um bom começo, poderia ter explorado mais essa máxima.

  9. Jorge Santos
    8 de abril de 2020

    Olá autor. Felizmente consegui controlar o impulso de cortar os meus pulsos, caso contrário dificilmente conseguiria escrever este comentário. Estamos perante um conto intenso, de um envelhecer diferente, de alguém que nasceu numa casa de classe média, onde não faltava nada excepto o essencial: amor e respeito. É a história do filho do meio, o segundo de três irmãos. O pai preferia o filho mais velho, a mãe era mais dedicada ao filho mais novo. O do meio ficou a chuchar no dedo, desesperado por atenção mas amando a sua família. Assistimos à sua vida até aos 60 anos, uma via sacra de sofrimento. Primeiro teve de sentir o desinteresse da família, depois foi vítima de um pedófila. O sofrimento vai em crescendo até ao desagregar completamente da sua personalidade, num relato cruel.
    Em termos de gramática, dei conta de alguns erros, tal como a pontuação poderia ser mais aprimorada. Não é um texto do qual se possa dizer que se tenha gostado de ler, mas é uma realidade que me é familiar, até nos pequenos detalhes: tal como acontece com o personagem, também o meu filho festeja o aniversário 20 dias depois, no aniversário da irmã. Espero que no caso dele, as semelhanças com o seu personagem fiquem por aí.

  10. Paula Giannini
    7 de abril de 2020

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo: Protagonista tece uma ladainha de reclamações acerca da própria vida
    infeliz.

    Neste conto, o(a) leitor(a) se depara com um protagonista que, embora tenha sofrido com um destino nada amigável, não parece fazer, em momento algum da trama, um movimento em direção a uma mudança que o leve à vitória sobre suas vicissitudes.

    Escrevendo em primeira pessoa, o(a) autor(a) faz desfilar, ante aos olhos do leitor, as lamúrias do protagonista que, certamente, são extremamente verossímeis e que, poderiam acontecer com qualquer um de nós. O que de fato acontece. A vida real está repleta de personagens que passaram pelas mesmas tragédias, e, no caso do abuso, crimes. É tudo muito triste.

    No entanto, deixo aqui uma reflexão, se o(a) autor(a) me permite: por que o protagonista não causa empatia no(a) leitor(a)? Ouso opinar, pedindo mais uma vez sua licença, que, justamente neste constante ato de lamúria é que resida o ponto. Há, por incrível que pareça, no modo como o texto se constrói, uma certa falta de conflito na trama. O que o personagem quer? Bem, ele sabe o que lhe fizeram e diz isso com todas as letras, no entanto, ao contrário do esperado, não toma uma atitude para, de fato, modificar sua condição de sofredor, fazendo a tão esperada catarse que uma história dessa natureza parece “pedir”.

    Não é que a trama necessite de um final feliz, não é isso. Conflito, porém, é o que move um texto. O personagem poderia desejar algo, lutar por isso e até fracassar, porém é justamente nesse desejo de mudança que se encontraria a chave para a empatia com o(a) leitor(a).

    Deixo claro aqui, que essa é apenas a minha opinião e que, talvez, essa não reflita a dos demais leitores. Estamos aqui para aprender uns com os outros.

    Parabéns por escrever.

    Beijos
    Paula Giannini

  11. angst447
    7 de abril de 2020

    RESUMO:
    Narrador conta a vida desgraçada que teve. Nenhum momento bom, só desgraceira mesmo. Da infância sendo ora ignorado pelos pais, ora molestado por um pedófilo, até a vida adulta que lhe rendeu pouca ou nenhuma alegria. Tudo é um fardo, tudo é pesado, tudo é perda. E por fim, isolado, o narrador se entrega ao vitimismo e diz que a sua vida foi roubada.
    _______________________________________________
    F  Falhas de revisão  Esta é a parte que menos importa na minha avaliação. Só para constar mesmo.
    Há algumas falhas como falta de vírgulas ou acentos (o nome Maurício, ora aparece com acento, ora sem). Começo de frase com o pronome oblíquo ME, e outras coisinhas. Nada que faça alguém sentar e chorar.
    I  Impacto do título Bom título, embora entregue o tom dramático da obra. .
    C  Conteúdo da história  Novela mexicana perde fácil. A vida do sujeito é uma miséria total, renegado desde a infância, usado e abusado. Mas fica a questão: até onde ele foi a vítima e até onde se deixou vitimizar? O tom do conto é melancólico, como uma confissão sem fim. Não é uma leitura prazerosa, mas isso eu acho que foi intencional. Claro que é realista, mas puxa o leitor para um canto e começa a chorar em seu ombro, o que não é nada agradável.
    A  Adequação ao tema  Abordou o tema proposto, sem dúvida.
    _________________________________________________
    E  Erros de continuação  Não percebi pontas soltas.
    M  Marcas deixadas  Um ranço do quase velhinho (afinal nem completou 60 anos), mas também uma pitada de solidariedade pelo sujeito que só conseguiu extrair tristeza de toda a sua jornada.
    __________________________________________________
    C  Conclusão da trama  O final não surpreende, apenas continua no mesmo tom do conto inteiro. Sujeito infeliz continua infeliz até o fim.
    A  Aspectos quanto à originalidade do conto  Nada original, mas há alguma coisa original hoje em dia?
    S  Sugestões  Diminuir um pouco a quantidade de desgraças para poder dar destaque a alguma passagem mais contundente. Menos é mais. É tanta tristeza e maldade que os acontecimentos mais importantes ficam diluídos pela narrativa.
    A  Avaliação final  Conto com potencial de drama, mas que precisa ser lapidado para não virar um folhetim disparador de gatilhos “com-licença-vou-lá-cortar-os-pulsos- e-não-volto”

  12. Ana Carolina Machado
    7 de abril de 2020

    Oiiiii. Um conto triste sobre um senhor que durante praticamente toda a vida não foi amado pelos pais e irmãos e no fim chega a conclusão que foi como se a falta de carinho tivesse roubado a vida dele. Desde a infância ele notava a diferença de tratamento dele em relação aos irmãos, ele sentia o peso da rejeição e tudo piorou quando durante a adolescência sofreu abuso do patrão. Ele tenta ajudar os irmãos que se tornaram viciados e isso causa mais dor para ele e no fim ele reflete sobre ter a vida roubada. O mais triste foi que ele fez de tudo, tirou do dinheiro dele, e os irmãos foram extremamente ingratos. Torcia para que pelo menos a mãe pedisse perdão e fizesse as pazes com ele, mas pelo jeito ela não mudou. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  13. Rubem Cabral
    7 de abril de 2020

    Olá, Google.

    Resumo da história: homem conta a história de sua vida. Por ser filho do meio, sempre sentiu-se deixado de lado, pois os pais davam mais atenção aos seus outros dois irmãos. Cresceu e foi molestado por seu patrão, os irmãos lograram sucessos que empalideciam sua vida modesta. Finalmente, aos 17 deixou o emprego do patrão pedófilo e serviu ao exército. Já adulto, cursando faculdade, tentou envolver-se com mulheres, mas descobriu que não se sentia atraído por elas. Seus irmãos envolveram-se com drogas e outros crimes, e seus pais trataram de apoiar-los. Quando seu irmão descobriu que ele era gay, contou à mãe, que então deu-lhe as costas. Expulso de casa, foi abrigado por um amigo mais velho, também maltratado pela vida. Seu irmão Maurício morreu e o outro continuou em tratamento. Já velho, o narrador acredita que ele teve a vida roubada.

    É um bom conto dramático. Quanto à escrita, há algumas coisinhas por arrumar, feito alguns acentos “comidos”. Pessoalmente, achei o narrador frágil e dependente demais, embora eu imagine que exista gente assim.

    Boa sorte no desafio!

  14. Paulo Luís
    5 de abril de 2020

    Resumo: Criança traumatizada por rejeição em detrimento de irmão mais velho e o caçula, decide por viver a seu modo. É entregue a um senhor que lhe dá emprego, mas que em verdade era um pedófilo. Fato que traumatizou ainda mais o rapaz. Tornando-se por fim em gay. Carregando este peso pelo resto da vida.

    Gramática: A narrativa têm muitos problemas de construção frasal. Entre tantas separei esta como exemplo, (Não conseguia parar em nenhum emprego por mais bom que pudesse ser.) Em lugar deste (mais bom). O correto seria (melhor). O texto como um todo precisa de uma revisão mais elaborada.

    Avaliação: Em meu entender a narrativa está mais para uma espécie de relato do que mesmo um conto. O próprio tema, como ideia, em sendo mais bem trabalhado, terá um melhor resultado. Como está mais parece um desabafo, e de uma vitimização que dá dó.

  15. cgls9
    3 de abril de 2020

    É uma história longa, contando toda a vida desgraçada do personagem; a relação familiar; os pais distantes; os irmãos egoístas e o velho abusador. Por conta dos abusos o autor afirma que o personagem se tornou homossexual e isso é mais uma motivação da sua desgraça, nesse intervalo, a família se desfaz, os vícios vencem as virtudes e culmina com sua expulsão da casa dos pais. Seu relato se encerra, contando que foi abrigado por um senhor que também tem uma história de miséria.

    Considerações
    Gramática – Ok Técnica – OK. Desenvolvimento – Ok História… Meu Deus! Haja Prozac! Boa sorte.

  16. Fernando Cyrino
    1 de abril de 2020

    Olá, Google, tudo bem? Cá estou eu às voltas com a sua vida roubada. Você me conta a história de uma pessoa que sempre foi rejeitada, a não ser por um abusador e um namorado, que quando as coisas apertam também o abandona. Como diria a minha avó, desgraça pouca é bobagem. Discriminado pelos pais, abusado pelo patrão, agredido pelo irmão, expulso pela mãe, abandonado pelo namorado… Caramba, o índice de desgraça por metro quadrado no seu conto é altíssimo. Realmente o cara teve a vida totalmente roubada e cá com os meus botões fiquei pensando nos porquês de ele não mudar o script, não tentar pelo menos reagir. Você sabe fazer um relato, mas nesse caso, achei que faltou maior dinamismo na prosa, Ela se tornou pesada para mim depois de um certo tempo. Também pesou o fato de que logo na primeira frase, que deve ser enorme chamativo para o leitor, eu senti um estranhamento. É que você escreve: “três verdades é aquilo o torna quem você é”. Senti falta de um conectivo, algo que juntasse uma coisa à outra. Um “que”, por exemplo. Você tem um bom domínio linguístico. O que me pareceu foi que, de repente, tenha lhe faltado tempo para uma última revisão nessa sua narrativa. Bem, é isto, receba o meu abraço fraterno, amigo Google.

  17. Cilas Medi
    27 de março de 2020

    Olá Google.
    Uma vida roubada, descrita com detalhes dos muitos pecados e caminhos tortuosos que pode vir acarretar um ser humano.
    Relato triste, profundo, com parágrafos que permitem ficar mais pesado ainda o assunto da falta de carinho, do desprezo excessivo, da coragem de alimentar emocionalmente a um filho.
    Cansativo, pesaroso, conflitante e, finalmente, desastroso na maneira de contar um desabafo de vida. Articulado sim, mas infeliz demais. Envelhecer assim é mais do que a morte em vida.
    Boa sorte no desafio.

  18. Inês Montenegro
    26 de março de 2020

    O narrador expõe ao leitor os seus percalços de vida, desde os cinco anos de idade. É-nos apresentado um jovem que passou a infância negligenciado, a adolescência abusado, e a vida adulta desprezado, até à rejeição final por conta da orientação sexual. Em simultâneo, vai narrando as consequências de más escolhas da família.
    O conto aborda muitos temas de interesse e delicados, cada um deles com complexidade e emoção suficientes para valerem por si próprios: negligência, abuso sexual de menor, complexo de inferioridade, preconceito sexual, dependência de drogas, e procura identitária. Talvez a intenção em colocar tanta coisa tão complexa num só conto – com limite de palavras – tenha sido querer demasiado, pois acabou por se tornar raso e superficial, não causando o impacto que poderia; ademais, não ficaram inteiramente convincentes: porquê a clara preferência pelos irmãos, e a óbvia negligência por parte dos pais, por exemplo? Apenas por ele ser o filho do meio? Não é algo credível.
    Por seu lado, a narrativa é monocórdica, não extravasando os sentimentos do narrador e protagonista, quer através de vocábulos e estilos de linguagem, quer através de descrições. Falha ainda na revisão, em particular no que respeita à pontuação, com falha de vírgula em vocativos, por exemplo, mas essencialmente com a sua colocação onde não se justifica ou é gramaticalmente correcto, o que inclusive afecta de forma negativa a leitura.

  19. Fheluany Nogueira
    24 de março de 2020

    Síntese da vida do protagonista-narrador da infância à velhice. No geral, o conto trata da síndrome do filho do meio ou filho-sanduíche. Ele se sente inferior aos irmãos e acaba por desenvolver baixa autoestima; na adolescência é abusado pelo patrão e justifica assim a sua homossexualidade. Os irmãos se perdem com drogas e ele continua rejeitado pela família. Já está velho e seguiu “em frente, carregando (…) a dor de querer ter sido uma pessoa normal”.

    Título de livro, filme, novela que, no conto, tomou uma conotação diferente. A leitura foi tranquila, mas a história não me encantou; é sufocante. Realmente não consigo explicar o porquê. A ideia é boa, as relações familiares estão bem apresentadas, do ponto de vista subjetivo. Mas foi muita informação para explicar, à moda de Freud, o comportamento do personagem.

    Parabéns pela participação. Abraço!

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Informação

Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 2 e marcado .