EntreContos

Detox Literário.

O Regresso de Aquiles (Jorge Santos)

Acordei com a certeza de estar morto, mas a dor aguda que sentia na parte de trás da cabeça mostrou-me que estava enganado. Abri os olhos. Um líquido espesso toldava-me a vista. Percebi que era sangue. Talvez meu, não sei. Senti a falta de dois dentes. Cuspi um deles, sentindo o sabor agridoce do sangue. A visão regressou aos poucos, mas teria preferido não ver quem estava comigo Eu estava deitado no chão, imobilizado por cordas que me prendiam os pulsos por trás das costas. Os tornozelos estavam tão apertados que não sentia os pés. Tinha a certeza de que não me aguentaria de pé, mesmo que estivesse solto.

– Vejo que já acordaste. Agora, quero que me digas onde está o dinheiro. 

Chamavam-lhe de Polegarzão. Era um homem novo, de cabeça rapada e o corpo cheio de tatuagens. Não era especialmente alto nem forte, mas o olhar determinado mostrava que não estava para brincadeiras. Liderava um dos grupos de criminosos mais recentes da cidade e era famosa a forma como lidava com os seus inimigos. 

– Eu não sei de nada. – Menti. Tremia como nunca tinha tremido na vida, e não era a primeira vez que via a morte à minha frente. Era apenas a primeira vez que tinha a certeza de já estar, para todos os efeitos, morto. 

– É interessante como dizem todos isso. Trouxe dois amigos seus. Pode ser que o ajudem a lembrar-se. 

Imaginei imediatamente quem eram. O Juca e o Adriano. Os meus companheiros no crime. Senti um aperto no coração quando pensei que eles também estariam ali, mas não estava à espera de que o Polegarzão tirasse dois volumes de dentro de um saco e os atirasse com força contra mim. Percebi serem as cabeças deles. Senti-me profundamente agoniado, vomitei. 

– E então? 

– Eu não sei de nada. Foram eles que esconderam o dinheiro. – Disse, quando senti que tinha força suficiente para falar.

– Vou ajudar-te a recordar. 

Polegarzão pegou num alicate e aproximou-se. Num gesto rápido prendeu a minha mão direita e senti a pressão no meu polegar. 

– Já te lembras de alguma coisa?

Abanei a cabeça. Sabia que qualquer que fosse a minha resposta estaria morto. A única diferença era que ele não teria o que procurava. A pressão foi seguida por uma dor aguda. Polegarzão exibiu o seu mais recente troféu, o meu polegar. Nem dei por estar a berrar. 

– Vocês são todos iguais. Primeiro recusam, depois gritam. No final choram.

A porta abriu-se. Entrou um homem fardado. Um polícia de arma em riste. A minha salvação. Um homem mais inocente teria pensado assim, mas eu já tinha vivido o suficiente para saber que continuava morto. Pelo menos, Raquel não assistiria ao meu fim. Nem Ulisses, o meu filho. Os dois eram a minha luz. Um segredo guardado de todos. A certeza de que os dois continuariam em segurança, mesmo depois de eu ter partido, era o meu único motivo de orgulho. Recordei o momento em que, abraçando o corpo nu de Raquel, lhe contei toda a verdade. Disse-lhe que era um criminoso, que tinha roubado e matado. A vida tinha-me levado a isso, escorraçando-me para fora do caminho como se eu fosse lixo. Felizmente que os meus pais já tinham morrido quando fui preso pela primeira vez. Quando saí, vi que todas as portas se tinham fechado e recorri aos únicos amigos que me restavam. O crime era a única resposta, a única via possível. Um dia, encontrei Raquel. 

A minha luz. 

Senti o aço da arma do polícia encostado à minha cabeça, recordei o olhar vivo do meu filho e depois não senti mais nada, nem sequer o som do disparo. 

 

A igreja era grande, feita de pedra negra como a noite. Nas paredes haviam imagens de demónios. No altar, no sítio onde esperava que existisse uma cruz, havia uma estátua de Belzebu, com cinco metros de altura. Percorri a igreja sozinho. Não demorei muito tempo a perceber onde estava. Um demónio aproximou-se de mim. 

– Aquiles Pereira? 

Assenti. 

– Eu sou Agares. Sabe onde está?

– Estou onde mereço estar, pelos crimes que cometi. 

Agares, meio bode, meio homem, bateu os cascos da frente. 

– Nós também achamos isso. Se bem que no seu caso ainda chegámos a ter dúvidas. Foi um processo complicado. Felizmente que as suas más acções compensaram as boas, ou não teríamos a felicidade da sua presença. Temos para si uma panóplia interessante de castigos, o chamado Menu 3. Nem queira saber o que os outros menus lhe tinham destinado. 

Notei um sorriso no canto da boca horrenda da criatura, apenas um segundo antes do chão se abrir e eu cair num caldeirão de óleo a ferver. O sofrimento foi atroz e duraria horas até pouco restar do meu corpo. Depois um demónio pegou no que restava e pôs tudo outra vez no sítio, reconstruindo-o com uma paciência milenar. No dia seguinte voltava acontecer tudo de novo. Só à sexta-feira tinha direito a folga, se podia chamar de folga a um dia em que os demónios subiam das suas tocas para nos atazanar a paciência. 

– Eu sei quem tu és! A tua mulher foi puta durante dez anos. 

Mentiras. Eram a especialidade dos demónios. 

– Ela já te esqueceu e está a foder outro. 

– O teu filho sai ao filho da puta do pai. Está aqui está na cadeia, a ser enrabado todos os dias até não querer outra coisa. 

Era isto todas as sextas-feiras. Um castigo ainda pior do que o caldeirão de óleo a ferver. Tinha a única vantagem de me fazer lembrar da minha família. O desejo de regressar era tudo o que eu tinha. A única esperança de uma alma penada. 

– Eu quero regressar. – Comuniquei um dia a Agares. Ele riu-se alto e bom som. 

– Daqui nunca saiu nenhuma alma, desde o início dos tempos. Foi este o acordo que o Pai fez com o Outro. Só os demónios podem regressar à terra. 

“Só os demónios.”

Havia uma hipótese.

– E o que eu teria de fazer para me tornar num demónio? 

Agares olhou-me de cima a baixo. 

– Tu nunca conseguirias… terias de abandonar toda a tua humanidade e fazer coisas que me repugnariam a mim. 

– Eu consigo. 

– Treta. És apenas um homem que quer regressar para a família. Como todos, aqui no Inferno. Não é assim que as coisas funcionam. 

– Eu sou diferente. 

Agares projectou-me contra a parede da igreja. Depois desapareceu. No dia seguinte, não fui  atirado para o caldeirão. Levaram-me para um sítio isolado onde dois demónios me mataram uma segunda vez e me atiraram para uma torrente de lava. Renasci um ser diferente. A partir daquele momento, era um demónio. Torturava os meus semelhantes como tinham feito comigo. Queimava-os, rasgava-lhes as entranhas, cortava-os aos pedaços. Mantinha sempre escondidas as lembranças da minha mulher e do meu filho. Fui um demónio tão mau que um dia tive direito ao meu prémio: pude regressar durante 24 horas. Um mísero dia.  

Não tardei a descobrir que os outros demónios não tinham mentido. A Raquel estava com outro homem, um caixa de supermercado chamado Raúl. Era, aparentemente, um homem bom que tentava desesperadamente fazê-la feliz. Isso devia ser suficiente para mim, mas apetecia-me arrancar-lhe o coração. Observei-os enquanto faziam amor na cama que eu tinha comprado para Raquel. Ela já não era a mulher que eu conhecera. Parecia uma sombra, como se uma parte dela tivesse morrido comigo.  

Uma outra descoberta deixou-me ainda mais ressentido. O meu filho, agora com 18 anos, fazia parte de um gangue com ligações ao Polegarzão. Descobri que aquele regresso mais não era do que uma nova forma de suplício. Uma brincadeira de Agares. Outra pessoa teria desistido. Mas eu não tinha chegado tão longe para desistir. 

Naquela manhã, Raúl sentia-se diferente. Teria sido o jantar mais pesado, talvez. A ideia de ter sido possuído pelo demónio do ex-companheiro da namorada nunca lhe passaria pela cabeça. Na realidade, apenas a ideia de desfazer o colchão onde dormia com Raquel o obcecava. Pegou numa faca e abriu-o com violência. Aos berros, Raquel observava-o, em pânico com a transformação do companheiro. Raúl parou assim que encontrou cinco maços de aquilo que descobriu ser dinheiro. Entregou-os a Raquel. 

– Pertence-te. – Disse ele. 

Raquel abanou a cabeça. Depois atirou os maços de notas ao chão. 

– Não passa de papel manchado de sangue. Aquiles morreu por causa disto. Eu não o quero aqui. Mais vale fazer com ele uma fogueira. 

– Ele não quer isso. 

– Como é que sabes, Raúl? Agora deu-te para saberes o que os mortos querem ou deixam de querer? 

– Ele não quer que destruas o dinheiro.

– Ouve, amor… eu tenho de ir trabalhar. Quando chegar, não quero esse dinheiro cá em casa. E trata de arranjar o colchão, a menos que gostes de dormir no chão, como os animais. Eu prefiro o sofá. 

Raquel saiu. Raúl fitou os cinco maços de notas. Tirou algumas para comprar um colchão novo, enfiou o resto num saco e saiu de casa com destino incerto, ou para um destino que, para ele, era incerto. As pernas sabiam bem o caminho. Primeiro, comprou o colchão. O demónio que o possuía lembrava-se dos gostos de Raquel, da luta que fora a compra do primeiro colchão. Escolheu um bastante caro, ao gosto dela, e mandou entregar em casa. Depois passou pela florista. Também ali a escolha foi simples, ao gosto dela. Apenas Aquiles conhecia verdadeiramente a mulher que amara.   

Seguiu à procura de Ulisses. Sabia onde ele estaria, nas traseiras do antigo centro comercial abandonado. Era um rapaz robusto, de corpo tatuado e de cabelo quase rapado e pintado de azul. Ostentava uma cicatriz na bochecha esquerda que lhe desfigurava o rosto de feições efeminadas. 

– O que é que queres, Raúl? – Perguntou, numa voz áspera. Os outros riram-se.

– Quero falar contigo a sós. – Disse Raúl.  

– É mesmo frouxo, o teu padrasto. – Disse um deles. 

– Vai-te embora! – Gritou o outro, apontando-lhe uma arma. 

O que aconteceu a seguir foi rápido. Raúl apanhou a pistola, atirou o companheiro de Ulisses ao chão puxando-lhe pelo braço e pisou-lhe a cabeça com a bota. Depois apontou a arma ao outro amigo de Ulisses, que levantou os braços. 

– Desapareçam! – Ordenou Raúl, libertando a pressão da cabeça do companheiro de Ulisses, que se levantou num ápice. Os dois fugiram. Ulisses permaneceu impávido e sereno. Depois começou a bater as palmas enquanto atirava a beata do cigarro para o chão. 

– É realmente isto que queres ser, Ulisses? 

– Você pode ir para a cama com a minha mãe, mas isso não lhe dá direito a sermões.

– Não é um sermão. É uma pergunta. Responde-me.

– Há mais alguma coisa? Quer que eu vá trabalhar para um banco? Está tudo fechado. Eu ia a uma entrevista de emprego e tresandava a criminoso, mesmo quando não era. 

– É este o teu futuro? E se houvesse uma alternativa? 

– Não há alternativas.

– E se houvesse alternativa, Ulisses? 

– Gostava de abrir um restaurante com a Eliane. Já temos falado nisso. E ela está grávida. Complica tudo. Não temos dinheiro. Nenhum banco me empresta. 

Raúl tirou do bolso um dos maços de notas e entregou-o a Ulisses.

– Usa-o bem. Não fales nisto à tua mãe. Sai da cidade, se não estes a quem chamas de amigos nunca te vão deixar ter uma segunda oportunidade. Não queiras acabar como o teu pai.

Ulisses examinou o conteúdo do pacote e abanou a cabeça. Satisfeito, Raúl foi-se embora. Pouco tempo depois sentiu-se livre e confundido. Tinha uma breve ideia do que tinha feito e a firme  certeza de estar a ficar maluco. Olhou para o relógio e correu para o emprego, tentando imaginar a desculpa que iria dar por ter faltado toda a manhã. 

 

Bateram à porta. Um rapaz transportava uma mala. 

– É para si. Mandaram entregar. 

– Eu não abro nada. Está maluco, filho da puta? Quem mandou?

– Ele só disse que era um presente de Aquiles.

Polegarzão pegou na mala e despachou o rapaz com um gesto ríspido. Colocou-a na mesa e abriu-a a medo, desconfiado. Lá dentro estavam quatro maços de notas e ele começou a rir. 

“Não te rias, filho da puta”, sussurrei-lhe ao ouvido. Ele ainda olhou em volta para tentar ver quem falara. A porta abriu-se, um homem entrou, de arma na mão. 

– Afinal sempre era verdade! Não queria acreditar quando um desconhecido me ligou a dizer que tinhas o nosso dinheiro e que ias ficar com ele. Nem nos bandidos podemos confiar, hoje em dia! – Disse, e disparou um tiro que desfez a cabeça de Polegarzão. 

 

Silvino fechou a porta do seu gabinete na esquadra de polícia e abriu a mala em cima da mesa. Os quatro maços de notas salpicados de sangue de Polegarzão reluziram à fraca luz. Representavam a sua aposentação. Agora podia desaparecer e ir viver para o Hawai. Tinha conseguido o seu objectivo. Devia sentir-se o homem mais feliz do mundo, mas no seu espírito só havia mágoa e tristeza. Que raio de altura para desejar ter uma consciência limpa. Mas a consciência limpa num polícia corrupto era como a virgindade de uma puta. 

Silvino não conseguia esquecer todos os que tinha matado e torturado. Sentiu que os mortos lhe sussurravam ao ouvido, reclamando a sua própria vida, e que não se calariam onde quer que ele estivesse. A única saída para calar as vozes estava ao alcance da sua mão. Pegou na pistola, encostou-a à cabeça e disparou. 

No canto do seu gabinete, o demónio Aquiles riu-se, satisfeito com o seu trabalho. No dia seguinte o suicídio do polícia corrupto faria as manchetes dos jornais. 

Quando Raúl regressou a casa depois do trabalho, Raquel encheu-o de beijos. Ele levou-a para o quarto e fizeram amor numa cama decorada com pétalas das flores favoritas de Raquel. Atingiram os dois o orgasmo ao mesmo tempo, ele completamente desgastado, ela berrando o nome de Aquiles a plenos pulmões. Porque ela sabia com quem tinha estado. Uma mulher nunca esquecia uma paixão. Quanto a Raúl, ele não se importava. Desde que ela fosse feliz, não se importava de ser  corno por causa de um morto. Sempre era melhor do que ser encornado por um vivo. 

 

O próprio Agares esperava Aquiles à saída da casa de Raquel. 

– Terminaste?

Aquiles assentiu, enquanto fumava um cigarro. 

– Parece ter corrido bem. E tenho mais dois inquilinos lá em baixo à tua espera, Aquiles. Mas vou dar-te a escolher. O nosso amigo lá de cima ligou-me. Disse-me que conseguiste a tua redenção. Podes escolher. Podes ser o primeiro demónio da história a ir para o Céu. Qual é a tua decisão? 

Aquiles pensou por um momento.

– Ir para o céu? Ná… Prefiro ir lá para baixo. É mais divertido. 

Desapareceram os dois. Reza a lenda que no chão do sítio onde eles tinham estado apareceu uma mancha que nunca ninguém conseguiu tirar.

20 comentários em “O Regresso de Aquiles (Jorge Santos)

  1. Fabio Baptista
    15 de dezembro de 2019

    RESUMO:
    Aquiles é morto por seus inimigos da vida do crime, deixando esposa e filho. Vai ao inferno e após um período sofrendo torturas, consegue se tornar um demônio e voltar 24h para a Terra. Nesse período, ajuda ao filho que estava desvirtuado e obtem sua vingança.
    No final, tem a escolha de ir para o céu, mas decide ficar no inferno.

    COMENTÁRIO:
    Esse foi o primeiro conto que li no desafio e foi meu preferido entre todas as séries. Apesar do plot lembrar um pouco Spawn e de alguns problemas, por exemplo: a facilidade e rapidez para Aquiles tornar-se demônio, a violação da regra de que o demônio abriria mão de sua humanidade (Aquiles possui sentimentos bem humanos ainda).
    Mas foi o texto que mais me despertou a vontade de continuar a ler, independente das obrigações do desafio. Um bom casamento de ótima técnica narrativa com uma boa história.

    NOTA: 4,5

  2. Leo Jardim
    15 de dezembro de 2019

    🗒 Resumo: Aquiles é um bandido, que é morto por outro e acaba no inferno, onde é torturado de diversas formas. De tanto se empenhar, ele consegue se transformar num demônio e voltar à Terra para, possuindo o corpo do novo namorado da esposa, salvar o filho do crime, matar o cara que o torturou e fazer o policial corrupto se suicidar. Recebe a chance de ir para o céu, mas prefere continuar no inferno.

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): muito legal e complexa. Envolveu um grande período de tempo e, provavelmente por isso, acabou ficando corrida em algumas partes. Faltou, por exemplo, fazer as torturas e esforços que ele fez para virar demônio e ir para a Terra parecerem mais árduos, pois acabou parecendo que foi fácil demais. Ficou parecendo que qualquer um poderia conseguir sair do inferno e conseguir a redenção qdo fosse para a Terra.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): boa, não cheguei a encontrar erro importante. Percebi que era uma escrita lusitana, que segue algumas regras diferentes das que usamos aqui e, portanto, não as anotei.

    ▪ teria preferido não ver quem estava comigo *ponto* Eu estava deitado no chão

    🎯 Tema (🆓️): fantasia 👹

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): é um tema até bastante comum, mas que sempre rende boas histórias

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): gostei bastante do conto. Embora tenha aquele problema de parecer que tudo dá muito certo para o protagonista, o conto se fecha muito bem.

  3. fabiodoliveirato
    15 de dezembro de 2019

    O regresso mais clichê de todos.

    Resumo: Aquiles é morte e vai para o Inferno. Decide se tornar um demônio, pois, assim, sairia da tortura e viraria torturador. Melhor assim. Mas, sua verdadeira intenção era retornar ao mundo dos vivos e resolver suas pendências.

    Querido autor, o Português usado é de Portugal, então não tenho a menor capacidade de avaliar a parte técnica, hahaha. Abstenho-me em relação a isso, apenas adiciono que a leitura foi ágil, simples e fácil.

    A história, infelizmente, não me cativou em nenhum aspecto. É uma coletânea de clichês. O regresso para acerto de contas, o filho seguindo o mesmo caminho do pai, a vingança concretizada, até o final não surpreende. Gostei de uma coisa, porém: a violência. É difícil encontrar um conto que consegue abordar esse tema com naturalidade. E você conseguiu. Está tudo inserido no contexto da vida e história de Aquiles.

    Eu acredito que você consegue entregar histórias mais criativas, sem apelar para clichês pobres. Mostrou domínio no processo criativo. Falta liberar sua imaginação.

  4. Catarina Cunha
    14 de dezembro de 2019

    O que entendi: ladrão é morto por não entregar local do dinheiro. Vai pro inferno e lá vira PHD em práticas demoníacas. Como prêmio, volta à humanidade por 24 hs. Resgata o dinheiro escondido no colchão, salva o filho da bandidagem, faz a mulher feliz com o corpo do novo marido, e ainda se vinga de seus assassinos. Volta pro inferno e vive feliz eternamente.

    Técnica: A linguagem direta e o uso do sarcasmo lembram muito algumas frases maravilhosas que ouvi em Lisboa. Um humor popular, rascante e sem compostura. Aqui bem representado.

    Criatividade: Há facilidade em criar e desenvolver a ação, sem comprometer a fluidez do texto.

    Impacto: Leve, assim como o texto. Embora não tenha me impressionado, a carnificina digna de açougue, é bem divertido.

    Destaque: “Felizmente que as suas más acções compensaram as boas, ou não teríamos a felicidade da sua presença.” – A felicidade é relativa. Ri muito aqui.

    Sugestão: Rever algumas expressões esquisitonas, como esta: “ me repugnariam a mim”. Acho que em qualquer país de língua portuguesa não cai bem. Assim como “felizmente …felicidade” é redundância mesmo.

  5. Daniel Reis
    14 de dezembro de 2019

    Resumo: Aquiles, um bandido comum, é torturado por Polegarzão em busca da informação de onde está o dinheiro do crime. Como seus parceiros estão mortos, ele sabe que não tem chance. Pensa na mulher e no filho, até ser executado pelo policial corrupto. Vai ao inferno e convence o diabo a torná-lo um igual, com a finalidade de voltar à terra. Por se portar muito mal, consegue 24 horas na terra. Nessa volta, descobre que a mulher está com outro, e o filho entrou para a gangue do Polegarzão. O outro, Raul, é possuído pelo seu espírito, e com isso ele volta para sua mulher, dá o dinheiro a ela, e a mostrar ao filho, como se fosse o padrasto, que o crime não compensa, e com o dinheiro dar outro rumo à vida dele. Finalmente, procura Polegarzão e executa sua vingança. O policial corrupto que o matou, vendo a cena, se matou (?). Ainda como demônio, Aquiles faz amor brutal com a mulher, que o reconhece no corpo de outro. O demônio Agares o espera, e comunica que ele pode ser o primeiro demônio a ir para o céu. Mas ele prefere continuar no inferno.
    Método de avaliação: “Análise Jacquiana”
    Receita: mistura de elementos policiais, mitológicos e sobrenaturais, com mensagem de redenção que na verdade não redime.

    Ingredientes: um bandido morto, sua transformação em demônio no Além e seu retorno como vingança e ajuste das coisas.

    Preparo: o texto é claramente português, mas a história poderia acontecer em qualquer lugar do mundo. Algumas soluções não funcionam tão bem, como o arrependimento e suicídio do policial.

    Sabor: uma história um pouco paradigmática demais, com elemento de moralidade muito destacado. Particularmente, acho que faltou ao protagonista escolhas, ele sempre fez o que o autor quis que ele fizesse.

    Frases motivacionais (quase aleatórias) do Eric Jacquin (ou coisas ele possivelmente diria) : “Eu é que decido se o peixe está bom”.

  6. rsollberg
    13 de dezembro de 2019

    O Regresso de Aquiles (Aquiles Pereira)

    Achei bem interessante esse estilo noir meio sobrenatural do conto. Muito entretenimento, muita correria, holywood pura. Na verdade, uma pitada bem grande de adrenalina e pouquíssima emoção. Não por outra razão não sentimos qualquer empatia pelo protagonista, aqui o destaque foi para as ações em detrimento do fluxo de consciência.

    Penso que as pinceladas de humor mais escrachado combinaram com o estilo da história, aqui deixo um exemplo do que digo: “Desde que ela fosse feliz, não se importava de ser corno por causa de um morto. Sempre era melhor do que ser encornado por um vivo.”.

    Coincidências da vida, Àgares foi um dos demônios que escolhi para protagonizar um dos primeiros contos meus aqui no E.C, nele um fugitivo ajuda um demônio de segunda grandeza a ser mais malvado para ascender de nível, “O demôno que me segue”. Lá, na oportunidade, era só humor ácido, aqui a coisa é mais séria.

    Senti falta de analogias mais inspiradas, em um texto com esse jeitão, “negro como a noite” é muito batido. Faltou mais sarcasmo e nova perspectivas nas metáforas, bem como nos diálogos.

    Achei o final bem oportuno, mostrando um pouco do caráter do protagonista e desmistificando um pouco sua própria história de que foi “forçado” a ser bandido, quando da sua escolha final conhecemos sua verdadeira índole. Um moderno anti-herói.
    Não me passou despercebido a brincadeira com o nome Áquiles, nem como seu filho Odisseu, as referências são sempre muito bem vindas.

    Penso que como maior espaço para o desenvolvimento dos personagens, motivações e trama o conto teria arrancado maior empatia deste leitor. Do jeito que está, serviu como simples entretenimento

  7. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    12 de dezembro de 2019

    Aquiles, após se envolver em atos ilícitos, é assassinado por Polegarzão e pelo policial Silvino. Ele vai para o inferno, onde é torturado física e psicologicamente. Ele revela a Agares, o demônio que o acompanha, que gostaria regressar à terra. Aquiles fica sabendo que a única forma disso ocorrer é ele se tornar um demônio. O que ele prontamente aceita, torna-se um demônio, tortura outros pecadores e obtém o direito de regressar. Na Terra, ele descobre que os demônios não haviam mentido: sua esposa, Raquel, casou-se com outro homem, Raúl. Seu filho Ulisses, aos 18 anos, entrou para o mundo do crime, para a gangue do Polegarzão. Aquiles, então, toma posse do corpo de Raúl. Ele retira o dinheiro roubado por Aquiles do colchão e o dá para Ulisses, mandando-o abrir um negócio e abandonar aquela vida criminosa. Depois, Raúl/ Aquiles põe em prática um plano que termina com as mortes de Polegarzão e Silvino. No fim do dia, ele faz sexo com Raquel, que reconhece estar na cama com Aquiles. Ao fim de sua jornada, Aquiles recebe de Agares a informação de que conseguiu sua redenção, poderá ir ao céu. Mas o agora demônio Aquiles prefere o inferno na nova condição.

    Aquiles Pereira, sua história é recheada de ação. O texto é ágil, bem redigido e se qualifica plenamente para a história que você conta. Gosto de ler contos no Desafio que me parecem ter potencial para atingir um público leitor mais amplo do que o nicho do EntreContos. Afinal, não podemos escrever apenas para escritores amadores como nós. “O regresso de Aquiles”, sem dúvidas, é um desses contos que pode encontrar leitores bem mais amplos em outras plataformas.

    Seu conto faz algumas escolhas, como não dizer sobre a origem do dinheiro e, afinal, de qual roubo se tratava. Hitchcock ensinou isso muito bem, algumas coisas não precisam ser explicadas, o espectador/ leitor só precisa de uma informação, a de que há algo errado, não precisa saber em detalhes o que é. Dito isso, acredito que o personagem Aquiles é uma incógnita para o leitor, o que não é bom. Sabemos que ele se envolveu em crimes, que ama a família e… bom, basicamente é isso. Acredito que faltam informações que poderiam gerar uma maior empatia do leitor com ele. Talvez você pudesse nos induzir a crer que ele era uma boa pessoa e que só estava se tornando um demônio para rever a família. E, ao fim, descobriríamos que ele gostou de ser um demônio. Tudo bem, boas pessoas não vão para o inferno. Mas, da forma como é posto, não é uma surpresa ele escolher a vida de demônio. E seria um final mais impactante se isso ocorresse.

    Enfim, acho que seu texto peca, mesmo, é no desenvolvimento dos personagens. Seria interessante conhecer mais de Raquel, entender o motivo de ela estar com Raúl. Ou o que levou Ulisses ao mesmo erro do pai… Eu bem sei, o limite de tamanho do texto prejudica nesse ponto. Mas seria melhor para entender melhor o universo e acredito que você poderia fazer isso de forma concisa. Bom, mas são só ponderações, o conto é bom, tem muitas virtudes e me agradou. Desejo sucesso no desafio.

  8. Carolina Pires
    11 de dezembro de 2019

    Resumo: Aquiles, um criminoso, é morto pelo seu rival. No inferno, após comer o pão que o diabo amassou, vira um demônio para ter o direito em regressar a terra (vida real) por vinte e quatro horas. Após acertar alguns pontos e vingar-se de outros, Aquiles consegue sua redenção, mas decide voltar para o inferno por ser mais divertido (ou para continuar sua vingança).

    Só tenho uma coisa para dizer: um dos melhores contos! (rsrsrs) Excelente em todos os aspectos. Personagens de uma singularidade incrível, história com curso totalmente inesperado, enredo muito bem trabalhado, diálogos bem colocados, enfim, daria um curta bem engraçado/trágico/terror/suspense/interessante etc. Poderia ser mais uma história com o tema vingança, mas a irreverência do escritor fez com que o conto não caísse na mesmice. Enfim, parabéns, Aquiles! Seu conto bem que podia virar um filme! (rsrsrsrs) 😀

  9. Priscila Pereira
    10 de dezembro de 2019

    Resumo: Um homem morre e vai para o inferno onde faz um acordo com os demônios para se tornar um demônio e poder voltar para a terra e se vingar de quem o matou e ver como estava a família.

    Olá, Autor!
    Olha, seu conto está muito bem escrito, deu muita aflição ler todas as partes de tortura, tanto as quando ele estava vivo, quanto as que ele já estava no inferno. Sua ambientação está muito boa mesmo! Os personagens estão fortes e bem delineados, a narrativa é direta e organizada ( só não entendi porque no final muda de primeira pessoa para terceira, nas partes da possessão eu entendi, pq ele estava contando o que o outro cara fazia por estar possuído, mas no final poderia ter voltado a ser em primeira de boa, seria até mais interessante). O enredo é muito bom, li tudo com interesse não travando em parte alguma. Um ótimo conto! Parabéns e boa sorte!!

  10. Fil Felix
    10 de dezembro de 2019

    Resumo: um homem é torturado e morto por um chefe de gangue, indo parar no inferno. Sofre diariamente outras torturas até ter a chance de reencarnar novamente por um dia, podendo estar com sua esposa outra vez e ajudar no futuro do filho.

    O conto traz uma mitologia de demônios, torturas e retorno à Terra que me lembrou um pouco de Spawn. Aquiles é mandado direto ao inferno por sua conduta na Terra, o que nos leva a crer que ele não era tão bonzinho assim. E o demônio Agares fica responsável por suas torturas diárias. Esse sonho do morto em revisitar o mundo real e ficar apegado às lembranças de sua família não é novidade, aqui ele tem a chance de virar um demônio e ganhar o bônus de ficar 24h no mundo. Essa parte acho que ficou um pouco confusa ou rápida demais, já que o Agares diz que não é assim tão fácil, mas no parágrafo seguinte ele já se transforma em um. Não comenta muito sobre o que precisava, além de pedir. Sua estadia na Terra é passageira, mas lhe garante o ticket para subir ao céu, mesmo que tenha matado algumas pessoas no processo. Isso demonstra, na visão do conto, que os fins justificam os meios e que o dinheiro, mesmo que sujo, salva tudo. Era só o que o filho dele precisava. E é engraçado pensar isso, quantos dos nossos problemas o dinheiro não resolveria. Sua subida ao céu, então, só dependeria de algumas mortes, grana e vingança, nada muito edificante. Sendo assim, essa visão mais bad boy do protagonista (que ainda decide seguir a carreira de demônio), seguindo um estilo mais anti-herói de ser, acabou não me convencendo tanto. Talvez vê-lo enganando o demônio/ inferno teria me surpreendido mais.

  11. Gustavo Araujo
    8 de dezembro de 2019

    Resumo: Aquiles, um criminoso contumaz, é morto por um rival, Polegarzão. Vai para o inferno, onde é seguidamente torturado. Depois de alguma negociação, ele mesmo se torna um demônio e retorna à terra, onde tenta acertar as contas com aqueles que ficaram por lá – Polegarzão, o filho, e a ex-esposa.

    Impressões: conto infanto-juvenil que se aventura pela temática de fantasia. O enredo é simples, adequado a essa faixa etária, orbitando uma trama de vigança. Há algo de “O Conde de Monte Cristo” aí, aquele do Dumas, com a libertação do prisioneiro que volta aos seus para se vingar daqueles que o traíram e também para colocar no caminho certo aqueles de quem ainda tem saudades. O estilo narrativo é fluido, sem arroubos intelectualistas ou mesmo metafóricos, o que favorece a leitura rápida e descompromissada. Talvez os personagens pudessem ser um tantinho mais bem explorados, mas do jeito que estão cumprem o papel de entreter. Não é daqueles contos memoráveis — e nem se propõe a isso — mas deixa seu recado de modo competente. Parabenizo o autor e desejo boa sorte no desafio.

  12. Luis Guilherme Banzi Florido
    6 de dezembro de 2019

    Bom dia/tarde/noite, amigo (a). Tudo bem por ai?
    Pra começar, devo dizer que estou lendo todos os contos, em ordem, sem saber a qual série pertence. Assim, todos meus comentários vão seguir um padrão.
    Também, como padrão, parabenizo pelo esforço e desafio!

    Vamos lá:

    Tema identificado: suspense

    Resumo: a história de Aquiles, crimonoso que morre e volta como demônio para ajudar sua família e se vingar de seus algozes. Ao final, prefere seguir demônio que ir ao céu.

    Comentário:

    Gostei! Um conto bem interessante e gostoso de ler. Vamos por partes:

    Primeiro, a escrita é muito boa. Flui num ritmo muito bom, não tem entraves… Isso, somado a um ótimo enredo, me rende uma boa leitura. quando vi, já tinha acabado., Muito bom.

    A escrita, mesmo sendo de um colega Português, foi clara e direta. Você, que já demonstrou sua perícia na escrita, tem uma técnica muito boa, Jorge. Sempre gosto de ler seus contos, especialmente os suspenses (ainda lembro com carinho do conto do desafio terror).

    A história de Aquiles, ainda que não muito inédita, é muito boa, e o clima de suspense permeia o conto todo. Aliás, existem algumas surpresas que serviram de tempero. Por exemplo, eu tinha ctza que ele se vingaria do Raul, por ressentimento e ciúmes. Mas o homem, apesar de ter se tornado um demônio, conseguiu, de alguma forma, manter sua humanidade e o controle das emoções. Deu pra entender pq ele ddisse pro Agares que não era alguém comum.

    O conto tem um toque de humor sutil, também, que casou bem. Gostei muito da parte do corno hahahahah.

    O desfecho também é bom, mas devo dizer que dei uma enroscada quando ele fala que Deus considerou que ele tinha feito a redenção. Sei lá, o cara optou por virar demônio, voltou pra terra, e por mais que tenha ajudado a família, o que não dá pra dizer que seja um grande ato caridoso, ele se vingou e matou duas pessoas. Acredito que o único ato de redenção ali tenha sido ele não judiar do Raul. Mas achei um pouco fora da realidade que tenha sido concedida a ida ao céu, após tudo que ele fez. Mas isso é só opinião (note que é análise de enredo, e não análise religiosa, uma vez que eu nem sou cristão).

    Enfim, muito bom trabalho. Parabens e boa sorte!

  13. Evandro Furtado
    2 de dezembro de 2019

    Car(x) autor(x)

    Estou aproveitando esse desafio para desenvolver um sistema de avaliação um pouco mais técnico (mas não menos subjetivo). No geral, ele constitui nas três categorias propostas no tópico de avaliação: técnica, criatividade e impacto. A primeira refere-se à forma, à maneira com a qual x autor(x) escreve, desde o uso de pontuação, passando por ortografia e mesmo escolhas de estruturação. A segunda refere-se ao conteúdo, ou seja, a que o conto remete e quais as reflexões que podem ser levantadas a partir disso. Por fim, a terceira refere-se ao estilo, quais as imagens construídas e as emoções que elas evocam. Gostaria de pontuar, também, que, muitas vezes, esses critérios têm pontos de intercessão entre si, sendo que uma simples palavra pode afetar dois ou mesmo três deles. A pontuação final é dada, portanto, pela média dos três critérios, sendo que uma nota elevada em um deles pode elevar a nota final. Dito isso, prossigamos à avaliação.

    Resumo: Um sujeito é assassinado e vai para o inferno. Vira demônio e volta pra terra para vingar-se.

    Técnica: O uso do pretérito imperfeito no começo do texto deixou a leitura um pouco incômoda (não no sentido desejável). A narrativa, no entanto, vai se alterando e ganhando mais consistência conforme o conto avança.

    Criatividade: O conto muda de direção durante várias vezes ao longo de sua duração. Apesar de entreter, a ausência de um tema central acaba evitando que adquira um caráter mais contemplativo que possa permitir a(x) leitor(x) reflexões mais profundas.

    Impacto: A descrição do inferno é bem interessante e impactante e é o ponto alto do conto. Infelizmente, ela é breve e pouco desenvolvida. Acredito que maior desenvolvimento nesse arco poderia ter gerado resultados melhores para o conto ao final.

  14. Pedro Teixeira
    30 de novembro de 2019

    Um conto divertido, descompromissado, que me lembrou um pouco os trabalhos do Garth Ennis. Está bem escrito, com um bom ritmo. Poderia ter mais desenvolvimento dos personagens, e a trama segue um caminho já visto muitas e muitas vezes. Mesmo assim, foi uma leitura que me agradou bastante.

  15. Leila carmelita
    27 de novembro de 2019

    Sinopse
    Aquiles é um homem que vive no mundo da criminalidade. Roubos e mortes compõem a maioria de seus pecados. Mas o seu antigo parceiro, o Polegarzão, o mata para ficar com todo o dinheiro que conseguiram, seu destino certo é o Inferno. Durante anos ele é torturado por Agares. Ao longo do tempo, Aquiles encontra uma maneira de regressar a Terra e acertar as contas, mas o preço talvez seja alto demais.

    Comentário
    O começo do conto me pareceu clichê em demasia, relembrando-me de um conto muito ruim que li no primeiro certame no qual um estuprador serial killer era torturado no Inferno com requintes de sadomasoquismo. Mas a final eu entendi sua proposta, caro entrecontista. Além de brincar com a visão maniqueísta, o protagonista do conto sempre está em meio a uma “tábua de carneardes”. A moralidade muitas vezes entre em conflito com as necessidades. A marginalização de populações mais pobres e desassistidas são condicionadas pelas condições socioeconômicas, fico feliz de você não ter moralizado a pobreza, usando do discurso segregatício da meritocracia. A vingança aqui é realizada baseada em princípios de justiça, em que vingança se torna seu sinônimo. Isso nos leva a seguinte questão: é possível fazer justiça com olho por olho e dente por dente? De acordo o protagonista e o próprio final do conto, sim. É uma história com uma pesada crítica social, se utilizando de fantasia e muito gore.

    Notas de Leila Carmelita
    – A Gata de Luvas – 4,0
    – A Hora da Louca – 4,5
    – A Onça do Sertão – 3,6
    – A Pecadora – 5,0
    – App Driver – 1,0
    – Estantes – 5,0
    – Famaliá – 3,5
    – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada – 5,0
    – Lágrimas e Arroz – 1,0
    – Muito Mais que Palavras – 1,5
    – Na casa da mamãe – 3,5
    – O Legado da Medusa – 4,5
    – O que o Tempo Leva – 1,8
    – O Regresso de Aquiles – 4,0
    – O Vírus – 2,5
    – Suplica do Sertão – 5,0
    – Trilátero Ourífero – 4,5
    – Uma História de Amor Caipira – 1,0

    Contos favoritos:
    Melhor técnica – Estantes
    Mais criativo – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada
    Mais impactante – A Pecadora
    Melhor conto – Suplica do Sertão

  16. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de novembro de 2019

    Resumo
    Raul vive no mundo do crime e morre nas mãos de um bandido ainda pior do que ele, deixando esposa e filho. Devido às suas escolhas em vida, ele vai direto para o inferno onde passa os dias mergulhado em óleo fervente, exceto por um dia da semana, em que passa sendo torturado psicologicamente pelos demônios. Quando questiona o diabo sobre o que deveria fazer para voltar à Terra e ver sua família, o diabo responde que precisaria ser mal o suficiente pra tornar-se um demônio. Ele consegue a proeza e tem direito a um dia na Terra, oportunidade que usa para ajudar o filho a abandonar a bandidagem e para vingar-se dos bandidos que o mataram. No final, recebe a chance de ir para o céu, mas escolhe o inferno.

    Comentário
    Gostei da ideia do conto, da mensagem transmitida.
    Bem escrito, com apenas um pequeno equívoco gramatical. Personagens também bem desenvolvidas, assim como o cenário. Parabéns.
    Só achei um pouco um pouco forçado ele ter salvo a vida do filho com um maço de dinheiro, mas foi só a minha percepção.

    haviam (havia) imagens de demônios

  17. angst447
    24 de novembro de 2019

    RESUMO:
    Aquiles é um bandido, que se vÊ capturado por outros marginais que querem descobrir onde está o dinheiro que ele roubou. Ele se recusa a dizer e por isso é torturado e morto. Desperta no inferno, sendo torturado mais uma vez e enxerga como única saída tornar-se um demÔnio para poder regressar e ver como estava sua família. Encontra a mulher com outro sujeito e se apossa de seu corpo, e assim revela o esconderijo do dinheiro no colchão do casal. Ainda de posse do corpo de Raúl, procura o filho Ulisses que também se tornara um fora da lei. Oferece uma nova oportunidade ao rapaz, dando-lhe dinheiro para refazer sua vida junto a namorada grávida. Depois, vai se vingar de seus torturadores e assassinos. Consegue. O demÔnio chefe diz que recebeu uma proposta de transferi-lo para o céu, mas Aquiles prefere ficar no inferno, pois o considera mais divertido.

    AVALIAÇÃO:
    Conto que segue a linha de suspense policial. Trama bem desenvolvida com atrativo cenário que desperta a curiosidade do leitor. Linguagem bem cuidada, mas sem rebuscamentos desnecessários.
    A escolha dos nomes dos personagens pareceu-me intencional.
    Há evidente sotaque lusitano, e portanto algumas diferenças do uso da língua portuguesa são explícitas. Só percebi como falha de revisão: “[…] haviam imagens de demónios.> HAVIA imagens
    O ritmo do conto é bastante ágil, pontuado por boas imagens e diálogos rápidos. A leitura flui de forma agradável, sem entraves ou marasmos. O toque de humor e ironia funcionou muito bem.

    Parabéns por ter participado desta última rodada da Liga 2019. Feliz Natal e que 2020 seja inspirador e cheio de possibilidades.

    • Jorge Santos
      16 de dezembro de 2019

      Feliz Natal também para si e para os seus.

  18. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de novembro de 2019

    O REGRESSO DE AQUILES (Aquiles Pereira)

    Resumo:

    A história de Aquiles, Raquel, Ulisses (filho deles), Raúl. Aparecem Polegarzão (líder do grupo de criminosos), Silvino (policial), Agares (o demônio) e Eliane (namorada de Ulisses). Fala sobre um acerto de contas “pós-morte”. Texto “felomenal”!!!

    Comentário:

    Misericórdia! Confesso que, em algumas partes, a leitura foi um suplício. A crueza de arrancar dedos, cortar cabeças, enfiar alguém em caldeirões de líquidos em fervura, isso tudo dá um desconforto sem medida. Mas, também devo confessar que, analisando a montagem da trama, foi o conto mais completo que li até agora. Tudo se encaixa, as peças são bem trabalhadas, lógicas (na composição). Pela colocação pronominal e alguns outros detalhes, percebe-se que é texto lusitano, que eu admiro muito. E então cheguei ao interessante debate filosófico sobre a complexidade de ser corno. Fato inusitado?! Olhe, acho que vi isso em “Dona Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado. Outro Jorge?! Ficou sensacional! “Quanto a Raúl, ele não se importava. Desde que ela fosse feliz, não se importava de ser corno por causa de um morto. Sempre era melhor do que ser encornado por um vivo”. Deslizes na escrita, tirante um “haviam” indevido, não percebi mais nada. A leitura é fluente e prende o leitor. Dá uma vontade danada de saber como tudo isso acaba, uai! No desafio, até aqui, um dos melhores textos que li.

    Parabéns, Aquiles Pereira!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  19. Angelo Rodrigues
    9 de novembro de 2019

    O Regresso de Aquiles
    Resumo:
    Sujeito vai ao Inferno e sofre, pede uma segunda chance e volta à Terra dos vivos. Por aqui acerta as coisas com a mulher, com o filho e com o Polegarzão. Forças superiores intercedem: há chance de Aquiles ir para o Céu. Aquiles diz que não, que o Inferno é mais divertido.

    Comentários:
    Caro Aquiles Pereira,
    Gostei do seu conto. Ágil, de boa escrita, conta uma história sem muitos rodeios. É o que se tem pra contar e conta.
    Quando se gosta de um conto e não se vê nele o que mudar, fica-se sem o que escrever, meio sem o que falar. Não há pieguice, não há rodeios desnecessários. Gosto disso. Gosto de contos que estimulam seguir adiante, e foi exatamente isso que aconteceu comigo durante a leitura.
    Esses contos onde ocorrem o confronto entre o diabo e seu antagonistas são interessantes, pois dão a oportunidade de discutir a alma, o lado grandioso ou comezinho da vida.
    Levei um susto quando em dado momento, Aquiles pareceu redimido, perdoado, dando ao conto um tom “religioso” de recuperação da alma. Então falei: ia tão bem e a religião pegou o coitado do escritor. Só que não, o conto deu uma volta e Aquiles se mostrou o que realmente era, sua alma, e seguiu feliz no Inferno.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado às 1 de novembro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 4, R4 - Série B e marcado .