EntreContos

Detox Literário.

Folhas de Outono (Regina Ruth Rincon Caires)

O parque estava quase vazio. As pessoas escolheram o aconchego entre paredes, rejeitando, de vez, o vento frio da tarde e o sol tímido do final de outono. Poucas crianças brincavam na caixa de areia, permanentemente observadas pelos olhos zelosos dos adultos.

Agasalhado feito esquimó, um menino veio em minha direção e despejou o balde com areia no banco em que eu estava sentada. Não resisti em devolver um sorriso diante da alegria daqueles olhos inocentes. Ajeitei-me mais à borda do banco. E ele, gostando da brincadeira, repetiu o gracejo por inúmeras vezes. Nem percebi quando parou. Não notei quando ele saiu do parque, e assustei-me quando vi o monte de areia ao meu lado. Areia fina, tomada por folhas secas.

Enquanto meus dedos, instintivamente, retiravam as folhas, meus pensamentos continuavam distantes, atrelavam-se a lampejos de cenas pregressas. Encanto fugidio. Lembranças que brotavam como feixes de luz cruzando a memória. Breves, mas articuladas. Permeadas, reiteradamente, por aquele rosto sereno marcado por covinhas nascidas de um sorriso ingênuo. Sim, ingênuo. Ou será que a pureza estava nos meus olhos?! Não. Era real. Com o tempo, ficou ainda mais claro. Havia candura.

***

O moço chegou num repente, trazia a prosa cantada das terras paranaenses. Falava de coisas que eu não sabia, e encantava. Costumes diferentes, gostos diferentes. Era o último a falar, ouvidos atentos. Talvez não compreendesse o modo de vida do meu povo, talvez precisasse de um tempo. Ou também poderia estar encantado, querendo ouvir.

Tínhamos exatamente a mesma idade. E a adolescência efervescente irrompia pelos poros, pelos gestos. Demandava controle. Ficávamos perdidos no turbilhão de hormônios e pecados, de desejos e pudores, de vontades e vergonhas. Inexperiência pura, e medo. Muito medo. Tudo levava a um drama de consciência que nos fazia perder o sono por noites e noites, e, talvez por isso, flutuávamos por dias e dias. Ou nada disso. O enlevo era magia castiça. A sedução instalava-se com todo o seu domínio. Imperativa.

Entre as atividades do dia, em qualquer sobra de tempo, estava eu a meditar sobre isso. Até conseguia formar um pensamento quase palpável sobre como não perder o controle, e, mais ainda, como conseguir dissimular a presença de tais sensações. Mas tudo ia por terra quando via aquele rosto. Se eu deixava transparecer, não sei. Mas, dentro de mim, não havia qualquer gerência. Instante seguinte, lá estava eu a flutuar.

Pertencíamos à mesma roda de amigos, frequentávamos as mesmas reuniões dançantes. Gostávamos dos mesmos ritmos, das mesmas músicas. Eram muitos “mesmos”, e era muito bom tê-lo por perto.

A reunião acontecia, animada. Estávamos sentados lado a lado. Na vitrola, uma mistura de Beatles, Roberto Carlos, Aretha, Taiguara, Marmalade, Mutantes, Bee Gees, Adamo, Elis, Creedence, Rolling Stones… Muitos dançavam, alguns conversavam, outros fumavam, bebiam. Muitos risos, muita vida. Num dado momento, estávamos apenas os dois no sofá. E o tema de amor de Romeu e Julieta tomou conta do ambiente. Num ímpeto, ele colocou a mão sobre a minha e me convidou para dançar. Foi um susto tremendo, ele nunca dançava! Refeita, aceitei.

Quando nos dirigimos à pista, aconteceu uma chuva de aplausos e risadas. Dispensável dizer que ficamos avexados. Tive a irrefutável certeza de que eu não soube camuflar nem sentimentos, nem sensações, nem coisa alguma.

E, naquele momento, pude perceber o quanto ele era alto. Enlaçou-me com o braço e minha face ficou colada em seu peito. Era morno. A mão grande e macia segurava a minha com firmeza. E o rosto, encostado na minha testa, dava um aconchego não só no corpo, aninhava a alma.

Terminada a música, ele não deixou a minha mão. E dançamos mais uma, e mais uma, e mais uma…  Juntos, encostados, sentindo o toque, o perfume, o pulsar, a pele. Naquela noite, quase não falamos, mas nossos olhares, cúmplices e envergonhados, disseram muito. E a noite acabou. Não houve pedido de namoro, despedimo-nos ali mesmo.

Na volta para casa, eu pairava. Nem sentia os pés tocarem o chão, tinha a sensação de que o corpo estava envolto em bolhas. Nada de frio ou calor. Corpo e alma levitavam.

E foram mais três semanas de cumplicidade, de aninho, de abraço, de dança, de feitiço, e o pedido chegou. Somado a tudo que já havíamos experimentado, ficamos trêmulos. Era uma tremura que alcançava até mesmo a nossa fala. E tudo aconteceu enquanto dançávamos. O pedido, a resposta, o encanto, o abraço. A completude do momento. Eu nem queria que a música acabasse. Queria que o momento fosse eterno.

Naquela noite, ele me acompanhou até perto de casa. De mãos dadas. E na despedida, um abraço interminável. Trêmulo.

A convivência tornou-se transcendente. Os assuntos brotavam de todos os lados. Ele era encantado por corrida de carro e conhecia as diversas escuderias. Apaixonado pela Lotus. De início, eu não entendia nada, se bem que aprendi muito pouco sobre isso. Mas guardei, por muitos anos e com muito carinho, uma pintura com colagem que ele fez para mim. Ficou pregada na parede do meu quarto, e não lembro quando foi que a tirei de lá.

Apreciava música orquestrada. Presenteou-me com um vinil de Ray Conniff  – “Turn Around Look At Me”. E eu também aprendi a gostar.

Entendedor de números, as ciências exatas o enfeitiçavam. E era excelente em humanas. Ele falava de outros lugares, de outros horizontes, de outros sonhos. Falávamos de tudo, era muito bom estarmos juntos.

Eu sonhava com o primeiro beijo. Passava horas a imaginar como ele seria, como eu reagiria, o que eu deveria fazer com as mãos, se teria que fechar os olhos ou mantê-los abertos… Quase treinei diante do espelho, só não o fiz por puro recato. Ou por achar que a cena ficaria patética e poderia quebrar o encanto.

E ele aconteceu. Numa volta para casa, percebi que ele estava meio reticente, até mesmo no andar. Vagaroso, mão mais quente que de costume, suada, suspiros fora de hora. Não vou mentir. Pressenti que o momento do beijo estava bem perto. De repente, ele parou diante de mim, colocou as mãos no meu pescoço, olhou-me demoradamente. Meio sem jeito, abaixei os olhos e ele beijou minhas pálpebras. Segurou meu rosto com imensa ternura e seus lábios desceram, tocando a minha boca. Um beijo suave. Ficamos ali, abraçados, juntinhos, tremendo. E foi uma longa caminhada até chegarmos ao portão de casa.

A partir daquela noite, não era apenas prazeroso estarmos juntos, sentíamos necessidade do toque, do abraço, do beijo. Ficamos reféns da cumplicidade de sonhos, das palavras de amor sussurradas no ouvido.

E, naquela delicadeza envolvente, sem dizer palavra, ele me mostrou que braços não apenas abraçavam. Eles uniam. Unificavam. Suavemente, durante um beijo, ele tomou as minhas mãos espalmadas no seu peito e as levou a enlaçarem o seu pescoço. De início, feito bailarina, fiquei nas pontinhas dos pés. Mas, depois, com a força dos seus braços contornando a minha cintura, ergueu-me do chão. E girava, lentamente. Assim, de peitos acochados, colados num doce bailado, até as batidas de nossos corações soavam uníssonas. De alma, éramos um só.

Contávamos as horas que nos separavam, e o tempo voava quando estávamos juntos. Foram meses de puro arrebatamento. Fascínio em cada encontro.

Um dia, chegou mais calado que de costume. Os abraços eram mais apertados, o olhar, ainda que carinhoso, trazia uma sombra diferente. Sempre muito franco, com voz muito baixa, cuidadosamente comentou que, em breve, voltaria para a sua terra. O trabalho sob os cuidados do seu pai, na empresa construtora, acabara, e haveria a remoção para outra obra. Houve um silêncio estarrecedor. Sabíamos que o dia da partida chegaria, mas, quando se é jovem, tempo sempre é sinônimo de infinitude.

Os últimos encontros não perderam o encanto, mas havia medo. Estávamos inquietos. Jurávamos amor eterno.

A despedida aconteceu numa noite fria de julho. Na praça da matriz, deserta, ainda que absolutamente agasalhados, tremíamos sem parar. Fiquei aninhada no seu peito por horas. Era morno. As suas mãos macias não cansavam de acariciar o meu rosto. E foram tantos beijos… Tantas promessas.

Não sabíamos, mas aqueles foram os últimos abraços, os últimos toques.

Assim como veio, partiu.

Era preciso, tinha de ser. Ou não ser.

***

Tantas cartas, tantos telegramas. Nenhuma resposta.

***

E a vida, esse espetáculo mágico, essa engrenagem incessante que gira ao sabor do vento, que não para nem mesmo em respeito à dor, que nos impulsiona e nos leva, independentemente de consentimento, sempre nos surpreende com a imprevisibilidade. Talvez aí esteja o feitiço de ser.

Com as redes sociais derrubando fronteiras, encurtando distâncias, tudo está na janela, no alcance da vontade. A opção de abri-la, geralmente, é buscada por curiosos, por inconformados, por cavucadores de respostas. Sempre fui tudo isso. E procurei. Encontrei página com o mesmo nome. E uma com o mesmo rosto. Bem mais velho, não poderia ser diferente, mas as covinhas formadas pelo sorriso confirmaram que eu havia encontrado aquele moço que lá, num tempo passado, encantava. Deixei uma mensagem.

Um ano depois, recebi resposta. E conversamos muito. Por escrito. Surpreendente como a amizade pode ser perene. Distância e tempo não mudaram muitos dos nossos bons sentimentos. Falamos sobre nossos pais, meus irmãos, amigos. Sobre datas, e, principalmente, sobre os novos amores arrebanhados no hiato de quase meio século. Formou-se engenheiro civil! Estava no terceiro casamento. Foi mais rápido que eu. E falamos sobre o passado. Sentia-se responsável por não ter voltado. Imagine! Éramos praticamente crianças, adolescentes despreparados. Tudo foi como deveria ter sido.

Emocionei-me quando disse que ainda guardava minhas cartas e meus telegramas. Que foram lidos e relidos durante muito tempo, que gostava da maneira como eu escrevia. E ainda tinha lembrança de que éramos do mesmo mês, do mesmo ano, do mesmo signo, do mesmo temperamento.

Ri muito quando me confessou que, quando me deixava no portão de casa, tarde da noite, voltava quase correndo pelas ruas com medo de ser abduzido por um marciano, ser levado por um disco voador. Realmente, a casa dele era bem distante e ficava numa área pouco habitada. Além disso, as manchetes, à época, tratavam da chegada do homem à lua, das presunções sobre habitantes em Marte. Fiquei imaginando a cena… Ainda bem que ele não viu e nem ouviu, mas gargalhei por minutos. E sempre que me lembro disso, eu não resisto e rio de novo.

Contou-me sobre a aventura concretizada. Fazia pouco tempo, cruzara o continente de norte a sul, pilotando uma Hayabusa, e sentia-se pleno, realizado. Deslumbrou-se com o deserto do Atacama, apaixonou-se pelos Andes.

Falamos muito sobre a inocência daquele tempo, mas não trocamos palavra sobre os nossos momentos. Se acaso não os esqueceu, ele os trancou na memória, sem compartilhamento. Como sempre, juntados às vivências amoitadas em algum canto que não mais será remexido. Tudo tão particular. Visceral a ponto de não existir palavra capaz de traduzir o arrepio que corre pelo corpo quando qualquer fagulha de lembrança é revivida.

***

O som estridente da sirene fez meu corpo estremecer. Hora de fechar o parque. Nas asas do devaneio, o tempo voou e a noite não tardaria. A névoa cobriu as árvores e a visão ficou turva. O vento forte levou as folhas secas que eu havia separado, redemoinhos incontroláveis espalhavam-nas por toda parte. Imitando a vida, tudo procurava se acomodar em algum canto.

Ergui a gola do agasalho, o frio castigava.

Logo chegaria o inverno. E, em seguida, a primavera. Mais uma…

Capuletta Adormecida

…………………………………….

Texto atualizado em 26/09/2019

 

24 comentários em “Folhas de Outono (Regina Ruth Rincon Caires)

  1. Anônimo
    22 de setembro de 2019

    Que belo conto, narrativa espetacular com os sentimento perfeito.

  2. Zuleika
    19 de setembro de 2019

    Voce, sempre me emocionando, você, sempre esse prazer imenso ao ler seus contos.Você, amiga, tão distante e tão colada em meu coração.
    A Rede Social me presenteou com algumas alegrias e você certamente é uma delas, quiçá a mais bela.
    Meu beijo.

  3. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Quando jovem, ela teve uma grande paixão, voltou a ter contato com ele, muitos anos depois, pelas redes sociais. Ela ainda tem esse afeto muito presente na vida.

    Gosto da história, tenho certo apreço por amores idos, nunca esquecidos. Não tenho muito o que criticar do texto, gosto da linguagem, da forma que a história foi contada, adoro as sutilezas do texto, só tenho um certo freio em relação aos asteriscos no meio da narração, no início e no final entendo a utilização, mas no meio me fez reler e até encontrei graça como recurso poético, mas veio ele deslocado da forma original que o asterisco foi utilizado na primeira vez, o que traz um estranhamento, parece que volta a ser no futuro quando ela estava no parque. Entendo que não é, ele é utilizado como recurso de tempo, mas ainda conta a história passada e não tem retorno ao presente.
    Bee Gees e não Be Gees.

  4. Gabriel Bonfim
    15 de setembro de 2019

    O conto é sobre o relacionamento de um casal de jovens, sua separação e depois o seu reencontro junto com suas reflexões quando adultos.

    O conto consegue emocionar com seus devaneios existenciais, junto com o pensamento de que um relacionamento passageiro e jovem ainda sim pode apresentar um bom aprendizado e trazer boas lembranças. Gostei muito e me fez refletir!

  5. Renan de Carvalho
    14 de setembro de 2019

    Uma senhora relembra de um amor do passado que pela vida teve que se afastar e do reencontro recente nas redes sociais. Mas a verdade da se encarregou de manter as memórias bem guardadas, onde quer que estejam.

    Conto bem escrito. Narrativa carregada de memórias de “colchinha” de retalhos. Primeiri amor. Muito bom. Um abraço.

  6. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 Um senhora em manhã (?) fria de fim de outono relembra do passado, em especial do seu primeiro amor. Dos momentos em que viveu dias luminosos com uma pessoa a qual tinha terna semelhança sobre muitas coisas. Os dois se separaram de forma natural e se encontram virtualmente muitos anos depois. O amor ficou para trás, restou cultivar uma amizade nostálgica.

    Enredo🧐 Achei a história cheia de ternura, ela está presente em todos os momentos do texto. Gostei que retrata um passado, os costumes eram um pouco diferente, principalmente o romance. O autor trabalhou muito bem a ambientação e o desenvolvimento natural dos personagens, a escrita quase poética foi um ponto alto também.
    Gostei 😁👍 Gostei da passagem do tempo, de acompanhar um romance à moda antiga, da escrita e belas passagens. Gostei da passagem sobre a amizade natural que ultrapassa os anos, não tem estranheza. Gostei de ficar só nisso também. A vida é assim, em tudo é como um romance com um final feliz.

    Não gostei🙄👎 Não diria “ não gostei” mas o conto apesar de bonito e muito bem executado, não tem muita força. se separar a escrita primorosa do enredo sobra um devaneio, uma lembrança comum do passado.

    Impacto (😕😐😯😲🤩) 😯Não me impactou, mas me deixou encantada, mais pela escrita em si.
    Tema : Está adequado. Romance leve, casto e sabrinesco sim!
    Destaque📌 “E, naquela delicadeza envolvente, sem dizer palavra, ele me mostrou que braços não apenas abraçavam. Eles uniam. Unificavam. Suavemente, durante um beijo, ele tomou as minhas mãos espalmadas no seu peito e as levou a enlaçarem o seu pescoço. De início, feito bailarina, fiquei nas pontinhas dos pés. Mas, depois, com a força dos seus braços contornando a minha cintura, ergueu-me do chão. E girava, lentamente.”]

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) 🙂 Um conto que propõe a candura nostálgica do primeiro amor, escrita belíssima que dá gás ao enredo comum.

    Parabéns, boa sorte no desafio!

  7. Leo Jardim
    14 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: uma senhora sentada num parque no outono relembra seu primeiro grande amor, que teve que se mudar e só foram conversar novamente já velhos, pela internet.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): é bastante agradável de ler, mas achei uma história muito ordinária. Toda a trama ocorre sem sobressaltos, sem conflito. Eu queria evitar dizer, mas não consigo: tudo muito morno (😅).

    Os personagens se destacam e o autor mostra domínio completo da pena, mas faltou algo mais forte para ser contado. Um conflito mais forte. O conflito escolhido é comum demais. Acredito que muitos de nós tivemos um primeiro amor que não deu certo por motivos alheios. A novidade seria a internet, mas nem isso foi muito além, já que de tão real e comum, o reencontro também deu errado. Muito verossímil, como só a vida consegue ser, mas ordinário demais para um conto.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): uma escrita perfeita, na minha opinião. Madura, de alguém que saber exatamente o que está fazendo. Invejável.

    🎯 Tema (⭐▫): é um texto romântico, mas pra ser Sabrinesco precisaria ter algo erótico.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): como já disse, achei o texto muito comum.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei do texto, é uma leitura agradável, mas esperei por algo mais que não veio. Uma reviravolta ou um conflito mais forte. Creio que o autor optou pelo ordinário, mas acabou exagerando da dose.

  8. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    Uma mulher no parque começa a lembrar de um amor adolescente que não durou por muito tempo, mas que ela ainda sente saudades. Mas a hora de fechar o parque chega e todo devaneio termina.

    CONSIDERAÇÕES
    A protagonista cria um certo carisma ao iniciar a história com um momento que traz um clima dramático e um pouco triste. Como ela é a narradora, quase tudo ganha um tom meio acinzentado, além disso, sabemos onde a história irá terminar devido seu início. Considero uma personagem satisfatória para a narrativa.
    Os espaços são bem descritos e o relacionamento dos dois personagens também é bem construído. As ações, e o constante receio dos personagens, trazem um pouco de realismo ao amor adolescente.
    A história é bem simples, sem surpresas ou reviravoltas que não fossem previstas, já que no início já levamos um “spoiler”. O romance construído pelos dois também é um pouco clichê, incluindo a despedida. Mas a leitura é bem macia e rápida, salvo alguns momentos que parece arrastada e repetitiva. O início e o fim da história dariam para serem removidos sem interferir necessariamente na narrativa, talvez se eles carregassem um significado mais simbólico para o que ocorreu além de um mero devaneio num parque. Ao mesmo tempo, essas duas partes, trazem um aconchego consigo. Está bem escrito.
    É bem fluída e carrega um sentido bom, isso é reforçado pela sensação de sabermos até onde vamos, sem tensionar muito o leitor.
    NOTA 4,4

  9. tikkunolam90
    13 de setembro de 2019

    Resumo: Num parque, em que trabalha, uma pessoa relembra de seu grande amor, primeiro amor, como o romance foi se construindo de forma pura e autêntica. A separação e o reencontro com o advento das redes sociais, que uniram e desuniram muitas pessoas. É isso, uma singela lembrança do amor.

    O ser humano consegue construir coisas bonitas.. Esse texto tem uma beleza que me deixou inebriado, como se tomasse um bom vinho na companhia de uma pessoa amada, aquele torpor leve, que deixa nossas faces rosadas e sorrisos, geralmente amarelados, à mostra sem vergonha.

    Obrigado pela leitura. Você possui uma escrita sensível e um Português exemplar. Mas, melhor que isso, sabe construir um conto. Não subestima o leitor. Dá o charme da poesia à criação. E sabe costurar as cenas.

    Parabéns!

    Manteve o foco na história dela, da pessoa que lembra, entregando muita coisa em poucas palavras. O tema foi explorado com excelência, focando-se no romance, mesmo não aderindo nada voltado ao erotismo, que parece ter sido uma exigência, mas não é algo que prejudica a qualidade do conto. Há muita sensualidade, porém.

    Enfim, não tenho o que criticar nesse conto, pra mim, ficou perfeito dentro do que se propôs fazer.

    Mais uma vez: parabéns!

  10. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: Uma mulher, numa praça no final do outono, se recorda de um namoro na adolescência com um jovem da sua idade que depois teve que partir. Anos depois (ela ainda se recordando) eles se reencontram numa rede social e conversam sobre tudo e contam como estão na atualidade. Ela se levanta e vai embora da praça, fazendo analogias da vida com os estados da natureza.

    Primeiro gostaria de parabeniza-la pelo conto, Capuletta Adormecida. Que delícia de leitura. Leve como tem que ser. Deu-me uma sensação tão gostosa de nostalgia, de descobrimento de nós mesmos, de inocência até. E depois, no segundo momento das lembranças da narradora-personagem, uma maturidade e simplificação das relações humanas, uma narrativa feita com a mesma leveza, a leveza da certificação de que a vida é realmente feita de ciclos e, consequentemente, de memórias. E que somos resultados disso tudo.

    Que texto gostoso de ler. Ele me tocou.

  11. Fernando Cyrino
    9 de setembro de 2019

    Olá, Capuletta, que linda história de amor sabrinesco você me trouxe. A menina que se apaixona e dança e dança e dança. Que namora o garoto que um dia terá que retornar à sua cidade, eis que a família está naquela cidade por conta de uma obra e elas são sempre temporárias. O menino que vai embora e o coração da garota que sofre, que escreve, que anseia por respostas que só virão meio século depois. Aqui estou eu encantado com a sua história. Ela me trouxe lembranças, encantos também do meu tempo de menino e adolescente. Vi-me sentado na praça relembrando histórias bonitas e outras também belas, mas mesmo assim tristes, eis que com finais não esperados. Bem, uma escrita fina, alguém com capacidade de fazer uma narrativa encantando, prendendo o leitor. Uma história bonita a provar que o sabrinesco pode ser sutil e delicado. Parabéns. Dizer mais o quê? Ah, já sei. Parabéns, seu conto me encantou, alegrou-me esse final de tarde. Meu abraço.

  12. Estela Goulart
    9 de setembro de 2019

    Narradora que conta ao leitor sua vivência com um amor marcante quando ele conta que precisa voltar à terra natal. Se reencontram pela internet.

    É difícil comentar um conto tão curioso. Parece superficial, algo que seu conto realmente não foi. Havia sentimento, havia a presença de alguém que sofreu, chorou, viveu, teve medo, etc. Você escreve muito bem, suas palavras e analogias encantam. Há tanto vocabulário que encanta. Ainda assim, não compreendi a história. O início e o final do conto. Isso é pessoal, posso ter imaginado algo e outro não. Não vou falar disso. Meu único comentário é a excelente técnica e o modo como parece que a autora escreve uma carta. Muito bom.

  13. Elisabeth Lorena Alves
    8 de setembro de 2019

    Folhas de Outono (Capuletta Adormecida)
    Conto Sabrinesco
    Resumo. Uma mulher em um encontro com uma criança em uma praça, revisita seu primeiro amor. Através de suas memórias conhecemos seus pensamentos e sua sensualidade precoce, sua ideia de controle de seus desejos pueris recém descobertos e conhecemos seu amado em um reencontro que também é memória.

    Comentário
    Mais um Conto Mnemônico. Aqui o que prevalece é a memória do primeiro amor da narradora. O foco narrativo é bem costurado na primeira pessoa, sem acesso às memórias do outro, a não ser as que foram acessadas pelo diálogo no reencontro.
    O Conto tem uma estrutura bem delineada. Não deixa dúvidas de ser uma história bem contada, com todas as pontas costuradas a contento.
    As personagens são interessantemente demarcadas, a narradora e o moço, ambos sem nome e essa pretensa impessoalidade é a força da narrativa, porque através do que descobrimos, acabamos íntimos desse casal de adolescentes que descobrem enfim, juntos, o amor.
    O tempo e espaço é o que a memória nos permite ver na narrativa bem construída. O desenvolvimento – ação – é uma trama bem elaborada de idéias. Os momentos dessa narrativa ocorrem de forma sincronizada, indo da Introdução doce até o momento em que a protagonista descobre sua divagação e desperta para voltar à sua realidade.
    O Conflito é psicológico e o clímax real. O ponto de desequilíbrio fixa-se na notícia de que o moço nômade voltará para sua terra e a despedida em si é o momento em que o clímax se apresenta.
    O desfecho é o reencontro momentâneo e a despedida final, já sem as angústias do primeiro amor. Gostei do nome usado como pseudônimo, dá a ilusão de uma Julieta que teve uma nova oportunidade e que mesmo adormecida – porque vive na lembrança da narradora – pôde viver algo doce e sem proibições mortais. Vejo muita doçura nessa possibilidade de revisitar o passado, como se mesmo a praça, que é real, fosse parte da lembrança.
    O Conto, Folhas de Outono, é um conto perfeito, desde o nome até sua conclusão. Tem picos de suspense, sensualidade juvenil e temores comuns ao primeiro amor. E a realização desse amor acontece no primeiro beijo.
    É um texto muito bem elaborado no que tange aos aspectos vocabulares. O campo semântico mostra a junção de ideia de dois Outonos. O climático, presente nas palavras que o caracterizam: tarde fria. Sol tímido. Folhas secas na areia. Outono da vida. Cenas pregressas. Olhar puro. Sorriso ingênuo. Encanto fugidio.
    A sensualidade, o amor e o fogo esperados de um Conto Erótico-sabrinesco surge detalhada principalmente no excerto:
    “Tínhamos exatamente a mesma idade. E a adolescência efervescente irrompia pelos poros, pelos gestos. Demandava controle. Ficávamos perdidos no turbilhão de hormônios e pecados, de desejos e pudores, de vontades e vergonhas. Inexperiência pura, e medo. Muito medo. Tudo levava a um drama de consciência que nos fazia perder o sono por noites e noites, e, talvez por isso, flutuávamos por dias e dias. Ou nada disso. O enlevo era magia castiça. A sedução instalava-se com todo o seu domínio. Imperativa.”
    Estão postos aí os desejos inconfessos, pecaminosos para aquelas duas crianças; o medo e os dramas de consciência que torna o desejo mais apetitoso; o excesso de libido que provoca insônia e em tudo isso ainda se mantinha a magia da pureza adolescente, do desconhecimento do momento esperado.
    A linearidade para que o beijo acontecesse é formada devagarinho, passo a passo, sem comprometer a narrativa: dançaram uma noite de surpresa; olharam-se cúmplices; tiveram vergonha de si e dos outros. Entre o primeiro toque mais íntimo na dança e o pedido de namoro três semanas se passaram e para o beijo outro tempo. E quanta doçura nesse narrar: “ele aconteceu. Numa volta para casa, percebi que ele estava meio reticente, até mesmo no andar. Vagaroso, mão mais quente que de costume, suada, suspiros fora de hora. Não vou mentir. Pressenti que o momento do beijo estava bem perto. De repente, ele parou diante de mim, colocou as mãos no meu pescoço, olhou-me demoradamente. Meio sem jeito, abaixei os olhos e ele beijou minhas pálpebras. Segurou meu rosto com imensa ternura e seus lábios desceram, tocando a minha boca. Um beijo suave. Ficamos ali, abraçados, juntinhos, tremendo. E foi uma longa caminhada até chegarmos ao portão de casa.”
    É o tipo de narrativa que faz você acreditar em amores que criam borboletas no estômagos e pirilampos nos olhos!
    A despedida é filosófica e poética. Filosófica porque apresenta a percepção real de tempo pelas pessoas mais jovens: “Sabíamos que o dia da partida chegaria, mas, quando se é jovem, tempo sempre é sinônimo de infinitude.” Poética porque é narrada com suspense e doçura: “Jurávamos amor eterno. (…) aconteceu numa noite fria de julho. Na praça da matriz, deserta, ainda que absolutamente agasalhados, tremíamos sem parar. Fiquei aninhada no seu peito por horas. Era morno. As suas mãos macias não cansavam de acariciar o meu rosto. E foram tantos beijos… Tantas promessas.”
    O tempo é bem marcado do ponto de vista social, com as reuniões nas casas dos amigos e a liberdade de fumar no meio dos outros, o namoro no portão; no aspecto tecnológico: vinil do Ray Coniff, telegrama; no aspecto cultural está nas opções de músicas apresentadas: “Beatles, Roberto Carlos, Aretha, Taiguara, Marmalade, Mutantes, Be Gees, Adamo, Elis, Creedence, Rolling Stones…
    O reencontro é no Outono dos dois. Se dá de forma inesperada. Já que cartas e telegramas não tiveram respostas, um contato tecnológico avançado garante o reencontro e as releituras do primeiro amor. As cartas que chegaram e que foram lidas com frequência; os elogios aos dotes de escritora da narradora; as coincidências de signos, mês de nascimento e temperamento. Os medos do rapazote que deixava a namorada e saia correndo com medo de seres extraterrestres e disco voador. As realizações pessoais. O passeio continental de Tsuzuki. Tudo se completa. Ela viaja nas memórias e ele pelo mundo.
    O retorno ao tempo real acontece com o aviso de que o parque logo se fecha e o Conto se fecha junto, guardando todas as verdades dessa mulher sem nome e sem rosto que nos deu um pouco de suas lembranças.
    Pela linguagem, estrutura, beleza da narrativa, nota 5.

    Melhor Frase: “E, naquela delicadeza envolvente, sem dizer palavra, ele me mostrou que braços não apenas abraçavam. Eles uniam. Unificavam.”

  14. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá,Capuletta Adomecida , boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: De um banco de praça em fim de tarde de outono, personagem rememora namoro da juventude. A separação por contingências da vida. E o reencontro através das redes sociais leva-nos as reminiscências do passado

    Gramática: Sem problemas, a leitura flui sem percalços. Não me foi perceptível erros de gramática.

    Comentário crítico: Um enredo singelo sem grandes consequências. Literariamente inocente. Comporta-se mais como um relato ingênuo de memórias de uma adolescente. Provavelmente a escrita típica do que se é conhecido por sabrinesco. E fica nisso, sem grandes alardes. Uma leitura fácil e comportada.

  15. Elisa Ribeiro
    1 de setembro de 2019

    Emoldurada como uma recordação, a história de um amor adolescente. Uma trama singela, narrada com sensibilidade, que deve agradar bastante por aqui.
    Como comentário para uma eventual revisão, sugiro observar a repetição dos “tremores” na descrição das reações dos apaixonados. Contei quatro ocorrências.

    Para mim, embora sem grandes surpresas, uma leitura agradável.
    Parabéns pela participação! Um abraço.

  16. Fernanda Caleffi Barbetta
    20 de agosto de 2019

    Apesar de ser um texto sem acontecimentos arrebatadores, gostei da história e da forma como foi contada. Muito sensível e bonito. Parabéns.

  17. Folhas de outono

    Mulher de meia idade aproveita um fim de tarde no parque perdida em seus pensamentos. A partir do olhar ingênuo de uma criança, brincando com areia perto de seu banco, ela relembra de tempos em que ela também vivia na ingenuidade a efervescência da adolescência. Sua primeira paixão foi um garoto da mesma idade, vindo do Paraná. Com cautela, os dois se aproximaram, dividiram uma dança em um baile, seguida de outras. O rapaz, após algumas semanas de cumplicidades, a pediu em namoro, que se seguiu de mais aproximações físicas, mãos dadas, abraços, até o tão esperado primeiro beijo. Os dois tinham gostos em comum e iam também influenciando um ao outro – ela aprendeu a gostar de Ray Conniff por intermédio dele. Mas, em meio a tantas trocas de carinhos e descobertas, o garoto disse que sua família estava de mudança. O pai seria transferido para outra cidade. Com muita tristeza, o casal se despede na noite derradeira. Ela escreveu cartas para ele, sem receber respostas. Até que, décadas depois, através de redes sociais, ela o encontrou e os dois trocaram mensagens. Eles relembraram o passado, falaram sobre as vidas que tiveram, mas não trocaram maiores palavras sobre os momentos vivenciados um com o outro. Então, a mulher escuta a sirene do parque, que a traz de volta das lembranças para a necessidade de ir antes que o local feche.

    É, sem dúvidas, um dos textos mais bonitos do certame. Capuletta tem uma escrita muito sensível, delicada, que se encaixa perfeitamente na história contada. O enredo é simples, uma mulher relembrando sua primeira paixão. Mas é uma história muito bem narrada.
    Tenho observado no concurso muitos autores confundindo Sabrina com Emanuelle, apelando para um erotismo exagerado, quase vulgar, o que não acredito ser a essência do sabrinesco. Capuletta, por sua vez, vai em sentido contrário e talvez alguns sintam falta de um pouco mais de “calor” no enredo. Não é um sabrinesco clássico, no meu entendimento, já que as histórias daqueles livros costumavam ter um final feliz, o que não é bem o caso aqui. Assim, talvez seja mais um conto romântico do que sabrinesco. Na minha opinião, ficou melhor sem doses extras de açúcar ou pimenta.

    Originalidade: 4
    Domínio da escrita: 5
    Adequação ao tema: 4
    Narrativa: 5
    Desenvolvimento de personagens: 5
    Enredo: 4

    Total: 4,5

  18. Luis Guilherme Banzi Florido
    19 de agosto de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 23 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: senhora viaja no tempo ao relembrar uma velha paixão de adolescência, subitamente interrompida pela distância. Uma bela reflexão sobre a passagem do tempo e as mudanças da vida.

    Comentário:

    Que texto lindo! Posso estar enganado, mas achei que tem a assinatura da Regina. Como falei no resumo, seu conto é uma bela reflexão sobre a transitoriedade da vida e pelas surpresas do destino.

    Vamos por partes. Primeiro, queria dizer que o ponto mais forte do conto é a linda linguagem. Toda a leitura fluiu leve e belamente, a ponto de me sentir acolhido e abraçado pelas palavras. Gostei muito.

    ÀS vezes, textos que se baseiam em divagações do passado correm o risco de se tornar cansativos e longos, o que não foi o caso. Quando vi, já tinha acabado.

    Gostei, também, da metáfora das estações do tempo, relacionando-as à passagem da vida. E devo dizer que concordo plenamente. Assim como o universo tem seus ciclos, o planeta tbm (4 estaçoes), e a vida de forma geral (nascimento, velhice, doença e morte).

    Eu diria, por exemplo, que existe uma equivalência perfeita:

    Nascimento – primavera
    Amadurecimento/envelhecimento – verão
    Doença – outono
    Morte – inverno

    O conto é eficaz em transmitir essa mensagem, de que a transformação é parte da vida. A mudança é sempre difícil, quando chega, mas nos leva a crescer e tornar o que somos.

    Enfim, antes que eu comece a divagar demais, vou encerrar kkkkkkk.

    O final é bem legal, também, saber que eles se reencontraram após todo aqele tempo, e o carinho permanecia intacto.

    Parabéns, belo trabalho!

  19. Evandro Furtado
    15 de agosto de 2019

    A história de um casal que vive uma paixão de juventude e depois se separada. Ainda assim, um laço invisível une-os. Reencontram-se virtualmente décadas depois e falam sobre as experiências que viveram nos anos que ficaram separados.

    Curiosamente, a primeira parte é morna. As descrições da juventude são rasas, superficiais, exatamente como devem ser. Conforme avança, o conto matura com os personagens e vai se tornando mais profundo e reflexivo, torna o amor cafona em parte de uma existência mais complexa.

  20. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: Reviver as memórias é um ato humano que evidencia a nossa perenidade, mas que um apego a um passado distante, reviver as memórias é construir uma narrativa. Num dia, em pleno dia de outono num parque, o sorriso de um garoto traz à tona lembranças adolescentes mescladas a sonhos juvenis numa senhora.

    Comentário: Particularmente eu gosto muito de histórias que tratam da questão da memória. Vemos aqui a construção do primeiro amor, os encontros e desencontros em que nós pobres mortais, homens e mulheres, estamos à mercê. O autor não escreveu um Sabrinesco aqui, não investiu em nenhuma parte erotizada em sua narrativa, por isso darei menos pontos, o que não significa que o conto tenha menor qualidade.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  21. Pedro Paulo
    11 de agosto de 2019

    RESUMO: O conto é uma coleção de memórias, visitadas pela protagonista, já idosa, e pertencentes à sua juventude… a um amor da juventude. Tudo é lembrado em seus pormenores, nas expectativas, nos medos, nas promessas e, especialmente, nos sentimentos, doces de uma forma que só podem ser na adolescência. As lembranças também perpassam pelo momento da abrupta (só na inocência da juventude, já que sabiam que aconteceria) separação. Mas também se lembrou do reencontro, propiciado pelos meios virtuais, e da conclusão e do mútuo perdão. Ao fim, a vida segue, sucessivos invernos.

    COMENTÁRIO: É um conto doce e muito bem escrito, engajando o leitor com os sentimentos das personagens e evocando uma inocência verdadeira que permeia toda a leitura. Hoje em dia é engraçado pensar em toda a tensão envolta num primeiro beijo, mas existe no recobrar de memórias do conto uma ambientação eficiente, em que não se questiona esses limites, mas se compreende e, especialmente, se torce pelas personagens, tão envolvente que a escrita é. Ao mesmo tempo, quando ficamos informados de que é uma memória quase cinquentenária, o amadurecimento da personagem reaparece e é palpável, com as novas lembranças, agora sobre reencontrar o seu amor de infância, assumindo uma nova tônica, mais madura, que até ironiza todo o romantismo das lembranças anteriores. O desfecho do conto é também o passar de uma mensagem, esta verdadeira, mais de acordo com as últimas recordações da personagem do que com o teor onírico de sua adolescência: a vida segue sem se preocupar com o ritmo e com o romance de outros tempos. Mas não é um final triste, não. Parabéns!

  22. Gustavo Araujo
    9 de agosto de 2019

    Resumo: mulher recorda um amor de juventude e o reencontro muitos anos depois.

    Impressões: o conto possui uma qualidade invejável, que é a verossimilhança. De fato, parece ter sido escrito de coração, como se a pessoa que o escreveu tivesse realmente vivido esse amor de verão. A culpa disso é a prosa bem trabalhada, hábil e honesta, que, apesar de mergulhar fundo ao descrever o momento em que a personagem-narradora se apaixona, não cai na armadilha da pieguice ou do apelo fácil. Ao contrário, a narrativa prima pela sensibilidade, pela inocência, que ao menos antigamente parecia ser a regra para as garotas criadas em famílias tradicionais. Por isso é fácil compreender e acreditar na ansiedade da narradora, na antecipação do beijo, na angústia da despedida e na resignação da separação.

    Interessante que a autora evitou o enredo que recai sobre a maioria dos contos de amor: a tragédia à la “Love Story”, com uma doença, uma morte trágica por parte de um dos amantes. Confesso que cheguei a pensar que isso ocorreria quando mencionou que o sujeito gostava de carros. Claro, teria seu valor, mas achei bacana a preferência dada à vida como ela é, com a separação que dói na alma, mas que não vai muito além disso.

    Seguindo essa linha, bacana também ver que o reencontro de ambos, graças às redes sociais, não levou a uma reunião do tipo “oh, então eles se reconheceram como amor da vida um do outro”. Não, ainda que temperado pela memória reavivada, o fato de se reencontrarem provocou apenas uma cosquinha na alma, como provavelmente acontece na vida real, já que as pessoas se acostumam a seus destinos e têm receio de mudanças radicais.

    No fim, a protagonista parece mais adaptada à solidão, preferindo reviver de memória seus melhores dias. Deve ser assim que ocorre quando a gente fica velho. Todo mundo fala, mas ninguém quer andar de montanha russa quando tem noventa anos. Melhor contar as folhas de outono no parque.

    Enfim, um conto sensível, bem construído e que certamente agradará muitos leitores. Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Antonio Stegues Batista
    9 de agosto de 2019

    Folhas de outono

    Resumo:
    Senhora de meia idade, sentada no banco de um parque, relembra sua juventude, seu primeiro amor, as emoções do primeiro encontro, encontros e desencontros.

    Comentário:
    Personagem idosa, sentada num banco de praça lembrando sua juventude ( já li algo parecido num desafio passado). Não é um texto original, magnífico, mas é um bom texto. A escrita é boa e notei certos termos do passado não tão distante. Um texto adequado ao tema, simples, sem grandes pretensões. Uma história amena, calma, melancólica como as folhas de outono, anunciando o inverno.

  24. Higor Benízio
    5 de agosto de 2019

    Uma mulher encontra anos depois um antigo namorado no Facebook, e os dois trocam mensagem. O conto se desenrola enquanto a mulher devaneia sobre o assunto sentada numa praça.

    É um bom conto, apesar de eu achar que o tempo poderia elucidar melhor certas fantasias. A escrita exagera um pouco em algumas passagens, como essa:
    ” Ficávamos perdidos no turbilhão de hormônios e pecados, de desejos e pudores, de vontades e vergonhas. Inexperiência pura, e medo. Muito medo. Tudo levava a um drama de consciência que nos fazia perder o sono por noites e noites, e, talvez por isso, flutuávamos por dias e dias”
    Mas quem nunca exagerou um pouco?

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .