EntreContos

Detox Literário.

A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo” (Fabio Baptista)

 

Gotículas de garoa acumulavam-se na janela do escritório e, vez ou outra, escorriam, sem a menor pressa, desenhando no vidro azulado linhas tão imprecisas e aleatórias quanto os caminhos da vida e distorcendo o mundo de aço e concreto que se estendia até perder de vista lá fora. A chuva fina vidro afora, os bocejos vidro adentro, a apatia, a incontrolável vontade de ir embora, de estar em qualquer lugar exceto ali, estampada em cada semblante, em cada olheira, em cada consulta ao relógio, em cada suspiro. De minha cadeira sem apoio para os braços, a tudo isso eu observava. Era um dia frio e chuvoso, um dia de trabalho numa terça-feira no meio de agosto.

Em outras palavras, era um dia chato pra cacete.

— Dri, você trouxe sombrinha? Empresta? – perguntei à minha vizinha de baia. – Vou ali na Starbucks rapidinho, tá um tédio aqui que só por Deus.

— Ai, Gaby, você vai lá? Traz um descafeinado pra mim?– ela se animou, sacou a sombrinha da bolsa e a pousou na minha mesa.

Só então lembrei que Adriana não tinha muita noção de que certas coisas não combinam com certas pessoas como, por exemplo, guarda-chuvas da Minnie não combinam com ninguém que já tenha ingressado no mercado de trabalho. Seja como for, acho que consegui disfarçar emendando um “brigada, miga” e pegando a sombrinha. Afinal, como dizia meu vô: “a cavalo dado, não se olha os dentes” e, ademais, havia boletos empilhados na minha gaveta, ávidos por serem pagos por quem não gostasse de me ver na rua fazendo cosplay de Mary Poppins do jardim de infância. Então, prendi meu cabelo num coque frouxo e fui à Starbucks.

***

“Nome?”, a atendente da cafeteria fez a pergunta protocolar. “Gabriela”. “Graziela?”. “Gá-bri-é-la”, repeti, imaginando se havia um módulo do treinamento dedicado exclusivamente a errar o nome dos clientes.

— Oi… – alguém disse, cutucando meu ombro.

Olhei para trás e, pela primeira vez, vi o rosto do grande amor da minha vida. Lógico que ali na hora eu não sabia disso, então fiquei tentando reconhecê-lo. “Putz, eu ia me lembrar dessa barba… até que esse boy é gatinho, hein… tem uma monocelha que só por Deus, mas é gatinho…”, pensei.

— Você não me conhece, nunca nos vimos – ele se adiantou, percebendo minha cara de interrogação. – Meu nome é Roberto, apesar de no copo estar “Alberto” – ele se apresentou, mostrando o copo de café vazio com o nome errado. – Prazer.

— Prazer… Gabriela. Daqui a pouco vão me chamar por Graziela, mas confie em mim: é Gabriela mesmo.

— Você acredita em coincidências, Gabriela?

— Coincidências?

— Gabriela, quais as chances de, numa cidade desse tamanho, com tantas pessoas que entram, saem e têm seus nomes trocados aqui nessa Starbucks o tempo todo… – ele tomou fôlego, preparando a cartada final da conversinha mole que eu já estava doida pra cair: – Quais as chances de uma desconhecida com a sombrinha da Minnie encontrar um desconhecido com guarda-chuva do Mickey? – ele falou, revelando o objeto que ocultava ao lado da perna.

— Ah, não… meu, não é possível – fiquei impactada. Realmente parecia coisa do destino. E quando é do nosso interesse, conseguimos ver com bastante facilidade os sinais da providência divina. – É seu isso?

— Não, não é meu… bom, agora é – ele falou, balançando a cabeça e arqueando a sobrancelha à moda Monteiro Lobato. – É uma longa história, na verdade. Uma longa história que eu adoraria te contar em um jantar – fez o convite, me entregando um cartão com seu telefone.

— Tipo um encontro?

— Tipo um encontro.

— Tá, eu saio pra jantar com você se… se você acertar qual foi o café que eu pedi.

Ele fez menção de protestar, mas percebeu que era pegar ou largar.

— Hoje está frio, então é uma bebida quente, com certeza. Quase fim da tarde, a hora que bate aquele sono e precisamos de um bocado de cafeína para não dar umas pescadas no trabalho. Você não desceria aqui pra tomar um café simples. Então minha aposta é: expresso triplo.

— Ora, ora, parece que temos um Sherlock Holmes aqui!

— Acertei? – ficou surpreso ao descobrir seus talentos detetivescos e feliz com a comprovação de que os ventos do destino sopravam a favor de nossas velas. – Você me liga pra gente marcar?

Assenti e nos despedimos com um beijo no rosto. Ele saiu a passos largos, sem disfarçar a cara de menino arteiro levemente (ou já seria totalmente?) apaixonado. Antes que eu pudesse refletir sobre os complexos elementos químico-filosófico-espirituais do amor e da paixão, meu pedido finalmente ficou pronto.

— Graziela? – me chamaram pelo nome escrito no copo. – Um venti Frapuccino e um tall descafeinado pra viagem. Desculpa a demora.

Nunca contei a Roberto sobre essa minha pequena trapaça no direcionamento dos tais ventos do destino.

***

Saímos para jantar na sexta-feira. Conversamos sobre guarda-chuvas com motivos infantis, sobre bósons e quarks (não, não entendíamos nada sobre isso, só caímos nesse assunto por causa do filme do Homem-Formiga), sobre ressacas de vinho e sobre como foi péssimo o final de Game of Thrones. Conversamos sobre tudo, como se tivéssemos crescido juntos na mesma rua e nos conhecêssemos desde a Era Mesozoica quando os humanos moravam em cavernas e caçavam dinossauros e mamutes (isso a gente inventou depois tipo… da quinta taça).

Depois do jantar, caminhamos em silêncio. A noite estava bonita, mas um pouco fria, então ele tirou o paletó e cobriu meus ombros. Como quem não queria nada, deslizou os dedos pelos meus braços e desceu até encontrar minha mão. Havia um milhão de estrelas no céu. E, naquele instante, todas elas brilhavam para mim. Foi isso que senti quando nossos lábios se tocaram e, quando dei conta, estava apaixonada pela segunda vez na vida.

No dia seguinte, fui até a casa dele, para “assistir Netflix”.

***

— Casa de Papel ou Stranger Things? – ele abriu a porta, com essa pergunta inusitada e aquele sorriso que podia derreter toda a reserva de ouro do Banco Central da Espanha.

— Tá querendo que eu durma, é? – sorri de volta, mostrando a garrafa de vinho que havia trazido.

— Não, nem passou pela minha cabeça que você fosse dormir aqui… – ele falou, com uma cara de safado que me arrepiou todos os poros dos pés à… nuca. – Mas se você quiser, o sofá é bem confortável.

— Hum… então o sofá é confortável, é?

— Bom, a cama é mais…

Nem abrimos o vinho.

Nos beijamos e nos abraçamos e nos entrelaçamos, como só se faz quando as veias estão entupidas de serotonina, adrenalina, ocitocina e todos os hormônios que o corpo só produz quando estamos apaixonados e não sei por que diabos não produz a vida inteira porque todo mundo ia ser feliz pra sempre vivendo num constante estado de tesão. Ele me atirou na cama, confortável como prometido, me beijou com a medida certa de furor e carinho. Com habilidade de cavaleiro experimentado, fez incursões em reinos distantes, detendo-se, a princípio, em duas montanhas gêmeas que encontrou pelo caminho. Desbravador ávido por conquistas maiores, continuou sua jornada em direção ao sul, passando pela planície conhecida como “caminho da felicidade”, até encontrar uma campina de grama perfeitamente aparada. Ali, ele sugou com gosto tudo que aquela boa terra tinha para lhe oferecer e depois penetrou em seus meandros, chegando aos recônditos mais profundos, para depois sair e tornar a entrar, mais rápido… isso, mais fundo, entrando e saindo… de novo, isso… assim… até Gaia tremer numa erupção de puro deleite.

Suor e sorrisos denunciavam a perfeição do momento. Então, para meu estupor, ele disse:

— Sei que vai parecer loucura, mas: eu te amo.

Foi a vez dele ficar espantado ao me ver fechar a cara, pegar minhas coisas e ir embora sem dizer nada nem olhar para trás.

***

“Eu te amo”. Três palavrinhas tão curtas e tão difíceis de dizer. Eu já havia falado, na primeira vez em que me apaixonei por alguém, na longínqua oitava série.  Era o menino mais popular da sala (com uma napa de tucano que só por Deus, mas um charme em forma de pré-adolescente) e eu, sempre meio tímida e desengonçada, não acreditei quando ele disse que estava a fim de ficar comigo. Ficamos. Uma, duas, três vezes, todas no corredor atrás da cantina, apelidado por alunos e inspetoras como “beijódromo”. Decerto com o intuito de alçar voos maiores do que os beijos, ele disse: “eu te amo”. E eu, boba, respondi sem conter a felicidade: “eu te amo”. O plano dele provavelmente teria dado certo, se não tivesse ido ao beijódromo naquela mesma tarde, não comigo, mas com a minha (assim eu considerava até então) melhor amiga.

Talvez pareça exagero, mas aquilo me traumatizou demais. Nunca imaginei que se pudesse dizer que se ama alguém da boca para fora, sem amar de verdade, sem ter certeza. Ao mesmo tempo em que não queria mais me ferir, também não queria magoar ninguém. Hoje eu amava, mas e se amanhã esse amor viesse a morrer? Quando é possível se assegurar? Com um mês de namoro? Dois meses, um ano? No altar, quando nascer o primeiro filho? Qual a hora certa? Na falta de uma resposta conclusiva, eu preferia me abster.

***

Voltei a falar e a sair com Roberto. Expliquei sobre meu trauma e ele foi compreensivo, mas não conseguiu disfarçar certa chateação. Ainda tentou algumas vezes, porém, diante do meu desconforto e falta de reciprocidade nas palavras, acabou desistindo. Nós viajamos, saímos, jantamos, fomos ao cinema, tomamos vinho e “assistimos Netflix” tantas vezes e de tantos jeitos, em tons pra E. L. James nenhuma botar defeito. Mas sempre faltava alguma coisa. Eu tinha medo de que essa fosse a pequena rachadura que acabaria por derrubar a muralha. Mas não conseguia fazer nada a respeito e isso me sufocava.

Até que um dia, sem mais nem menos, acordei com o sentimento de “de hoje não passa”. Eu diria as famigeradas três palavras e deixaria completo o nosso amor. Era um sábado e eu dei um “bom dia” tão animado ao sair do prédio que o porteiro deve ter pensado que eu estava sob efeito de drogas. Não deixava de ser verdade – o amor é o mais doce e mais viciante dos entorpecentes (é o que dizem… eu mesma nunca experimentei muitos entorpecentes para comparar). Fui comprar vinho, pão e queijo para fazer fondue à noite e finalmente dizer o que eu tanto queria dizer e Roberto tanto queria escutar. No caminho, ele ligou. Atendi, eufórica:

— Oi, amor! Tô indo no mercado, hoje à noite vamos… amor?

— Dona Gabriela? – uma voz desconhecida falou do outro lado da linha, abafada numa sinfonia de buzinas e sirenes. – Seu número está cadastrado para chamadas de emergência no celular do senhor Roberto. A senhora o conhece?

— Conheço… conheço, sim… o que aconteceu?

— O senhor Roberto sofreu um acidente – a socorrista falou, com a firmeza e serenidade trazidas pela experiência, mas com a humanidade de quem nunca se acostuma por completo a dar más notícias. – Está sendo encaminhado ao hospital Santa Catarina.

O resto foi um borrão. Não lembro como cheguei ao hospital, não lembro de preencher fichas, nem passar por catracas. Só lembro da angústia desesperadora, do sentimento de impotência aguardando horas pelo término das cirurgias, caminhando a esmo nos corredores brancos, sem notícias, sem saber o que estava acontecendo, sem poder fazer absolutamente nada. Só de ver o semblante do médico que veio dar a notícia, já comecei a chorar. O estado era gravíssimo. Há dois tipos de lesões em órgãos vitais – um deles pode ser tratado e recuperado; o de Roberto era o outro. Ele estava na UTI e passaria por uma nova cirurgia no dia seguinte. Mas, de alguma forma, eu sabia que não haveria dia seguinte.

Diante da situação irreversível, após muita insistência e um quase escândalo, me concederam quinze minutos de visita. Entrei no quarto. Silêncio desolador interrompido apenas pelos bips periódicos do monitor cardíaco. Roberto estava ligado a tantos fios e coberto com tantas faixas que mal se podia reconhecer. Ele iria embora e tudo que eu podia fazer era segurar sua mão. Quinze minutos. O bip ritmado do monitor. Dez minutos. Cinco. Veio a enfermeira avisar que meu tempo estava acabando. Veio a urgência, veio o desespero e, então, a serenidade. Com ela, a certeza. Quebrando todos os protocolos hospitalares, me debrucei sobre a maca, beijei sua boca e disse em seu ouvido:

— Eu te amo. Desde o primeiro jantar, desde o primeiro beijo, desde a primeira vez que vi você lá na cafeteria… sinto que sempre te amei, mesmo antes de te conhecer. E, aconteça o que acontecer, vou te amar por toda minha vida. Adeus. Adeus, meu grande amor.

Queria poder dizer que minhas palavras surtiram efeito imediato, que o bip do monitor cardíaco acelerou, que ele teve uma recuperação milagrosa graças ao poder do amor. Mas não foi assim. Roberto morreu na manhã seguinte.

E aquele foi o dia mais triste da minha vida.

***

Isso foi há muito tempo.

Depois de toda dor e tristeza, depois de todo luto e de todos os dias sem cor e sabor, a vida volta a florescer, meio a contragosto e repleta de medos e dúvidas a princípio – terei esperado o suficiente? A vontade de ficar com um novo alguém agora não macula a imagem do amor que senti no passado? –, mas volta. Acabei me envolvendo com outros caras. Com uns não deu certo provavelmente por eu buscar neles o pouco (ou o muito) de Roberto que eu não haveria de encontrar em mais ninguém. Com outros, porque não era pra dar certo mesmo. Até que conheci um homem maravilhoso (com uma pança que nem minha xará musa fitness Pugliesi daria jeito, mas maravilhoso), ao seu modo, com pouco de Roberto, mas muito de Thiago – com suas próprias virtudes e suas próprias imperfeições, que me acolhiam e me completavam. E assim eu me apaixonei pela terceira e última vez na vida.

E o “eu te amo”? Ah, esse eu falei quando meu coração sentiu que deveria falar. Sem hesitações, sem pressas descabidas. E então não se passou um dia, mesmo após as brigas mais ferrenhas, sem que eu tivesse falado. Eu te amo. Tivemos dois filhos e três netos – eu não imaginava que pudesse caber tanto amor num só coração. Tanto amor que transbordava e tornava inevitável e irresistível dizer – eu te amo. Eu te amo.

Hoje o dia está bonito e os meninos brincam com o avô e com os cachorros no quintal. Da minha cadeira de balanço na varanda, a tudo eu observo, agradecendo a Deus por ter sido tão abençoada. Com o sol chispando suas fagulhas no lago e nos banhando com a luz da vida, me perco em lembranças que são só minhas. Permito-me um sorriso bobo e, também, uma lágrima solitária. Não sei se tudo isso é muito clichê, ou muito piegas. Só sei que foi assim. E eu faria tudo de novo.

Porque essa é a história da minha vida.

Essa é a minha história de amor.

24 comentários em “A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo” (Fabio Baptista)

  1. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Gabriela conhece a segunda paixão de sua vida, mas não consegue dizer “eu te amo”, quando decidida a finalmente dizer, ele morre num acidente. Anos mais tarde ela encontra outro amor, casa e tem filhos, com este aprende a dizer amor, todos os dias, pois não esquece do seu amor.

    Uma história clichê, assim como a personagem própria diz no final. Acredito que esteja bem aos moldes dos livros sabrinescos (nunca li, pois sempre imaginei serem desta forma) e para este gênero é um conto muito bem escrito. Emotivo, confesso que as vezes me dá algumas cutucadas emocionadas, um texto que se propõe a tal fato e é um total acerto no quesito.
    Confesso que o texto não faz nem um pouco meu estilo de leitura, lições de vida e histórias clichês, acredito serem um tanto ruins para um desafio de literatura. Talvez o escritor não escreva sempre histórias dessa forma, sei bem, pois também no último certame escolhi uma história clichê, com certas lições e foi uma escolha para ver como eu me sairia neste quesito. Acredito que o autor se saiu bem, foi competente na sua história e escrita e teria um bom número de leitores que gostariam muito de seu conto, que insisto, é realmente bom ao que se propõe e não tenho muito o que dizer onde mudar e porque mudar, mas minha nota final ao conto acaba sendo baixa, pois não vejo pontos positivos dentro dos quesitos sugeridos para este certame (criatividade, impacto e técnica).

  2. Priscila Pereira
    15 de setembro de 2019

    Olá, dona Gabriela, que suponho ser um autor e inclusive tenho quase certeza de quem é você, até chutei lá no grupo… Bem, eu gostei muito do seu conto, é exatamente o estilo que gosto de ler e assistir, romântico, um toque de humor, uma pitada de tragédia… Então me fisgou direitinho. Imagino que não seja o tipo de leitura preferida do resto do grupo, o que é uma pena…
    Gostei bastante da forma elegante que você descreveu a cena hot. Só uma coisa não me convenceu, vc não conseguiu, pelo menos pra mim, convencer que a narradora é realmente uma mulher, por isso acho que o autor é homem. Escrever em primeira pessoa é difícil pq temos que soar exatamente como nosso personagem e eu lia imaginando, quem escreveu isso foi um cara… 😁
    Não vou poder dar nota pra você, mas se pudesse seria um 4,8. Ótimo conto! Parabéns!!

  3. Leo Jardim
    15 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: Gabriela conhece seu grande amor numa Starbucks, mas tem medo de dizer “eu te amo”, devido um trauma passado. O rapaz acaba sofrendo um acidente e ela diz no leito de morte. Um tempo depois, ela se apaixona de novo e, dessa vez, não teve mais medo de dizer as fatídicas 3 palavrinhas.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): bastante simples, com cara de fanfic (aquelas histórias que o pessoal inventa nas redes sociais), mas muito gostosa de ler.

    Ganha pontos no desenvolvimento dos personagens e o foco da trama no mesmo ponto (o trauma da protagonista em dizer “eu te amo”).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): muito bem escrito, com tom irônico, personagens carismáticos e ótimas piadas e comparações. A descrição do sexo é fantástica!

    🎯 Tema (⭐⭐): um Sabrinesco teen de ótima qualidade [✔].

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não há nada de muito novo no mote, mas quando as coisas são feitas com esmero e com bons personagens, tudo tem ares de novidade. Destaque, aqui também, para a criatividade narrativa da cena sabrinesca.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): um texto, como já disse, muito gostoso de ler. Daqueles que, em poucas palavras, já estamos apaixonados pelos protagonistas. Isso amplia ainda mais o impacto com a morte do rapaz. Fiquei triste por eles e feliz por saber que Gabriela finalmente encontrou o amor para dizer “eu te amo”. Um bom texto!

    😏 Pitadas Sabrinescas: melhor metáfora de sexo que li no desafio: “Com habilidade de cavaleiro experimentado, fez incursões em reinos distantes, detendo-se, a princípio, em duas montanhas gêmeas que encontrou pelo caminho. Desbravador ávido por conquistas maiores, continuou sua jornada em direção ao sul, passando pela planície conhecida como “caminho da felicidade”, até encontrar uma campina de grama perfeitamente aparada. Ali, ele sugou com gosto tudo que aquela boa terra tinha para lhe oferecer e depois penetrou em seus meandros, chegando aos recônditos mais profundos, para depois sair e tornar a entrar, mais rápido… isso, mais fundo, entrando e saindo… de novo, isso… assim… até Gaia tremer numa erupção de puro deleite.” 😁

  4. Gabriel Bonfim
    15 de setembro de 2019

    É a história de Gabriela e seu segundo amor, aprendendo sobre o momento certo de dizer “eu te amo” e ao mesmo tempo passando por uma experiência triste de sua vida.

    Eu gostei de como você passou de uma ironia cotidiana, fazendo comparações de séries e cultura pop para um completo (como você mesmo disse) “vicío” do amor, gostei de como até a descrição mudou, até atingir um ponto de vista melancólico e finalizando de uma forma comum e satisfatória. Não tenho brandas críticas, mas se fosse apontar alguma coisa seria de como a história exauriu o seu drama muito rápido, mas nada demais, parabens!

  5. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 A história de Gabriela, em uma dia tedioso no trabalho decide ir comprar um café para espairecer, leva com ela um guarda-chuva da minnie emprestado. Chegando lá é abordada por um homem com um guarda chuva do mickey, surpresos pela coincidência e pela atração mútua, marcam um encontro e começam um relacionamento. Um ‘’eu te amo’’ os separa momentaneamente e a morte eternamente. No fim ficaram só as lembranças.

    Enredo🧐 Encontrei nesse texto o que sentir falta em todos os outros que eu vi. O começo de um romance sabrinesco. De forma espontânea, leve, despretensiosa… foi fofo, romântico, gerou aquela sensação boa de estar lendo um romance leve daqueles que eu tanto gosto. O desenvolvimento da história se seguiu muito bem feita, é um romance dos tempos de hoje, as referências foram bem usadas e causam familiaridade. Aliás tudo no conto me trouxe familiaridade. É interessante notar que o nosso presente hoje é o passado da personagem, que lembra desse momento lá na frente, rodeada pela família já quase no fim da vida.

    Gostei 😁👍 Gostei do amor a primeira vista, das referências tão atuais, algumas sacadas e é claro, da escrita inspirada e muito segura do autor. Tem passagens muito bonitas como a da cena do sexo. E o título é muito bonito também.

    Não gostei🙄👎 O texto me causou a mesma sensação de quando eu descobri que ‘’ como eu era antes de você’’ teria uma continuação, sei lá, pra mim podia acabar ali e eu não queria ver ela seguindo a vida sem ele hahahaha totalmente egoísta, eu sei.

    Impacto (😕😐😯😲🤩) 😲O texto me causou boas sensações, eu gostei de tudo, sobretudo o começo. Fiquei com a sensação de está lendo um legítimo sabrinesco.
    Tema (🤦🤷🙋)🙋 Adequadíssimo.
    Destaque📌 “ Nos beijamos e nos abraçamos e nos entrelaçamos, como só se faz quando as veias estão entupidas de serotonina, adrenalina, ocitocina e todos os hormônios que o corpo só produz quando estamos apaixonados e não sei por que diabos não produz a vida inteira porque todo mundo ia ser feliz pra sempre vivendo num constante estado de tesão.” ISSO!!!

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) = 😍 Sabrinesco com amor a primeira vista, drama, paixão. Tudo isso conduzido por uma escrita experiente e inspirada.

    Parabéns!

  6. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    A história de uma grande paixão de Gabriela/Graziela que havia medo de dizer “eu te amo” por um trauma do passado. Um novo trauma no presente faz com que ela mude seu ponto de vista.

    CONSIDERAÇÕES
    Os personagens são palpáveis e de fácil assimilação, porém a falta de polarização entre eles enfraquece os objetivos da protagonista, que fica mais interna no conflito de dizer “eu te amo”. Cada personagem ter um detalhe marcante deu-lhes um pouco de carisma.
    Os locais são poucos descritos, mas por se tratarem de lugares cotidianos para uma boa parte das pessoas, que acabam difundindo um tipo de cultura, foi fácil de visualizar e isso não atrapalhou a narrativa.
    A narrativa é uma história de amor interrompida que reforça a ideia de nunca sabermos quado veremos alguém pela última vez então devemos sempre ser sincero sobre o que sentimos, principalmente quando isso é amor. Entretanto, há uma enxurrada de clichês que, ao meu ver, enfraqueceu a narrativa junto com a pouca polarização. O conflito de negar dizer “eu te amo” não apresenta nenhuma perca aparente, pois ainda assim continua com Roberto. Isso muda um pouco quando ele sofre o acidente, embora se ela tivesse dito “eu te amo” no início da história isso não mudaria nada sobre o acidente dele, ou seja, pareceu que o conflito de dizer eu te amo ou não pouco importava para a trajetória externa, já que ele morreria de todo jeito. Apesar do final um pouco sombrio, a narrativa é um tanto animada.
    O ritmo da história foi bom, não pareceu apressado nem lento demais. Tenho um receio pessoal, e isso não afetou na avaliação, sobre essas quebras de textos que designam um período de tempo ou fechamento de cena, pois não me parecem úteis quando não há nenhuma alteração significativa para a visão da história.
    NOTA 4

  7. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: Um casal se conhece num estabelecimento comercial e marcam um encontro. Em um breve tempo eles se envolvem profundamente um com o outro. Ela se assusta quando ele diz que a ama e quando decide dizer para ele, este sofre um acidente e morre. Depois de outros namoricos, ela encontra outro cara com quem casa, tem filhos e netos, e aprende que a hora certa de dizer que ama é na hora que se quer dizer.

    Eu, como leitora, me senti assistindo a algum filme romântico no Netflix. Sabe quando você está cansado/cansada e não quer uma história complexa e sim um enredo simples para poder relaxar? Foi exatamente o que senti quando li seu conto, Gabriela. Contando que eu o li numa segunda-feira, no intervalo do meu trabalho, querendo estar em “n” outros lugares menos rodeada pelas responsabilidades profissionais (faltou só a garoa na minha janela), pois é, seu conto cumpriu exatamente o que eu estava precisando: uma leitura leve, um enredo corriqueiro. Piegas e clichê? Com certeza. Mas a vida também é feita disso (!), desses momentos, dessas histórias, de guarda-chuvas coloridos, de amores vividos, de amores morridos (rsrs).

    O fato de não ter colocado personagens fisicamente perfeitos (como vemos muito em livros como Sabrina) fez com que seu conto se diferenciasse e se tornasse mais real. A personagem principal ganhou minha simpatia com “foi péssimo o final de Game of Thrones” e que iria dormir se assistissem a séria “Casa de Papel” (devo fazer ressalvas quanto à “Stranger Things” que eu gosto).

    Gostei! Parabéns pelo trabalho!

  8. Renan de Carvalho
    11 de setembro de 2019

    Uma garota conhece o amor da sua vida na fila de um café. Os dois marcam encontro, se dão bem, mas após a primeira noite de amor ele resolve declarar o seu amor e isso faz com que ela se afaste, devido aos seus traumas do passado. Quando ela resolver dar ao Amor uma oportunidade, eis que num golpe do destino o rapaz fica entre a vida e a morte e por fim vem a falecer. Ela segue sua vida sem mais temer dizer eu te amo.

    O texto é muito bem escrito, repleto de sacadas contemporâneas bem interessantes, e talvez isso tenha me feito desgostar do texto, me perdi no tempo quando ela falou netos e cadeiras de balanço, pois quebra um modelo cognitivo global de hoje, ao meu ver, o modelo de avó de hoje mudou, e se for uma avó do futuro, que assistiu “netflix” a cadeira de balanço foi meu anti-clímax. Apesar de ser clichê a perda do amor recente para a morte, se tivesse parado no dia mais triste, talvez eu gostasse mais. Um abraço.

  9. Fernando Cyrino
    9 de setembro de 2019

    Ei, Gabriela, que história mais gostosa você me contou… Uma menina que sai pra tomar café no Starbucks e por lá se encontra com seu príncipe encantado. O cara do guarda-chuva do Mickey casando com a sombrinha da Minnie que ela usava. A história de amor, o trauma de ouvir o “eu te amo”, o adiamento para dar a resposta e o acidente que o leva à morte. O “eu te amo” dito ao final da vida, quando já vegetativo ele não mais era capaz de a ouvir. E então acontece mais uma vez o amor. E ela se casa com um barrigudo e é nesse momento que me conta a história, sentada na cadeira de balanço a observar o marido com cachorros e netos em frente.
    Gabi, sabe que eu achei que a história deveria ter acabado naquela visita ao hospital? Sim, naqueles quinze minutos meio trágicos da segunda declaração de amor da vida. E aqui me cabe fazer uma reflexão: O que se passou em seguida, no meu modo de ver, leva a sua narrativa para outra esfera. Seu conto parte para uma viagem pela Ficção Científica. Liga o sabrinesco anterior a uma visão de futuro, eis que no presente, o tempo do Roberto falecido após o acidente, já havia Netflix e Starbucks. Então, o tempo do último amor me carrega a uma viagem no tempo, dirigida por você, ao amanhã de mais alguns anos à frente. Acho, Gabriela, que se tivesse fechado as cortinas (não aquelas do beijódromo) com a morte do namorado seu conto teria ficado excelente. Um belo de um sabrinesco trágico, acho que eu iria te dizer. Nesse caso de ter me enveredado pelo futuro, achei também que poderia ter havido algum indício de que estávamos dando um salto na história… Mas aqui estou eu tergiversando, não é mesmo? Que domínio da nossa complexa língua portuguesa você tem. Bacana isto. Trata-se, no meu modo de ver, de uma escritora (sim, uma mulher) experimentada nas lides (epa, palavra mais esquisita) do conto. Seu conto tem emoção, encanto e humor na dose exata. Fez-me rir e me entristeceu nos momentos certos, exceto pelo que, como você já sabe, considerei como uma esticada que não enriqueceu a história. Bem, o fechamento, já te disse, poderia ter-se dado um pouco antes. Melhor estacionar por aqui. Sinto que já estou me alongando demais. Parabéns pela sua bela história. Com certeza que seu conto irá para as cabeças nesse certame (outra palavra chata, né?).

  10. Estela Goulart
    9 de setembro de 2019

    Personagem que encontra um outro personagem por coincidências e, a partir disso, resulta em um conto previsível. Ela tem trauma de relacionamentos diante de uma situação na infância. Mas vive uma história boa depois de conhecer o primeiro personagem.

    Como mesma disse, é um conto clichê. Não esperava, no entanto, mas é bastante previsível se fizermos uma análise maior. Ainda assim, achei bom. É bem escrito, sucinto e consegue ser claro.

  11. Elisabeth Lorena Alves
    8 de setembro de 2019

    A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo” (Gabriela)
    Conto Sabrinesco
    Resumo: Um Conto sobre memória afetiva. Uma avó relembra um relacionamento que se tornou problemático por causa de um trauma com o tempo de dizer “eu te amo”. No dia que decide também se declarar para o namorado, ele sofre um acidente e morre. Depois ela conhece alguém refaz a vida e cria seu próprio tempo de se declarar.
    Comentário

    Geral. A história é longa. Tem problemas sérios com o tempo-narrativo e falta força narrativa na sequência.
    Positivo: Foco narrativo é bom, segurou bem a primeira pessoa e respeitou o tempo gramatical. Apesar do conflito óbvio: a morte de Roberto, tem, nesse aspecto, uma linearidade bem executada. Também tem uma sintaxe poética quase bíblica típica da escrita do rei Salomão quando relata a primeira experiência sexual do casal, o que destoa de um “pra cacete” em relação ao clima no início da narrativa.
    Negativo. Tempo histórico marcado. Não dá para situar o texto no Tempo Mnemônico, as idéias de memória não convencem pelo excesso de contemporaneidade. Uma matemática simples mostra as falhas de idade do texto. Por exemplo, Baia é o espaço de telemarketing e a personagem é uma avó que recorda. Como Telemarketing nessa apresentação veio no início dos anos 2000, antes havia serviço de telefonia comercial, mas eram em escritórios comuns, em menor proporção e para venda de cartões de crédito, logo, ela não seria avó ainda, já que os filhos é do segundo relacionamento sério e estamos no ano 2019. Starbucks também é recente no Brasil (2006). Netflix e os filmes introduzidos como referencial também são elementos da atualidade, basta observar que Games of Thrones, que começou em 2011, terminou recentemente. Há outros problemas de referências, uma avó até adaptaria, mas faria referência ao marco anterior quando fala de “Cinquenta Tons” (…) se referiria ao filme “Nove e meia semanas de amor”; ao referir-se a alguma personalidade do corpo perfeito usaria Jane Fonda e não a vegana de araque. Também a parte que diz piegas é desnecessária, o enredo pode ser fraco ou já abordado, mas não piegas – aqui cria um equívoco de foco narrativo, trazendo para a voz da narradora uma negação à tudo que está posto, divergência que só aconteceria com uma mulher na adolescência, um homem talvez pensasse isso de sua história e talvez, seja a voz do autor que quebrou a barreira narrador-autor. Afirmar a pieguice desfaz das caracterìsticas da própria personagem, ela aprendeu que cada um tem seu tempo de declarar amor e afirma que faria tudo de novo, ou seja, não há excesso de sentimentos, é mesmo o escritor ‘surfando’ na pele da narradora.
    Em se tratando de tempo no texto, a marcação temporal, quando não apresentada pelo narrador, vai ser encontrada pelo leitor nos elementos da escrita, no texto em análise, esse cronograma se dá em situações, espaços-lugares e conflita com o tempo da leitura porque a morte de Roberto e a vida posterior da narradora deu um salto da juventude pós luto ao seu tempo de avó. Fato que cristaliza o tempo não dado como espaço mnemônico e essa memória conflita com o espelho da realidade, espaço em que o escritor cria seu texto. Obviamente é uma ficção, mas ela tem que se fixar em tempo aceitável e firmar a idéia de fato consumado, do modo que foi colocado, fere o encontro com a realidade e o leitor não mergulha na leitura …
    Sucesso no Desafio.

  12. tikkunolam90
    5 de setembro de 2019

    Esqueci do resumo, hahaha. Aqui vai:

    Resumo: Num dia entediante, Gabriela conhece o amor de sua vida numa cafeteria, Roberto. Depois do segundo encontro, com um desfecho desastroso, com o homem dizendo as três palavras do amor rápido demais, Gabriela entra num conflito interno sobre o momento certo de dizer “eu te amo”. Quando se conserta por dentro, pronta para declarar seus sentimentos, acontece a tragédia: Roberto sofre um acidente. Numa cama, à beira da morte, ele finalmente escuta as palavras que tanto ansiou. No final das contas, Gabriela encontra um novo amor, mas, claro, sem esquecer seu segundo grande amor.

  13. tikkunolam90
    4 de setembro de 2019

    Olha, vou ser bem sincero agora: sua escrita é maravilhosa. A personagem-narradora desenhou a narrativa ao seu gosto, dando vida ao texto. Sério, senti a existência dela pulsar em cada linha de cada parágrafo. A personalidade dela, existente nas palavras, realçou a leitura. Para completar, a sua desenvoltura no desenvolvimento da história, encaixando as partes importantes com maestria, sem se perder no raciocínio, deixou a leitura bem prazerosa.

    Sobre o Português, bem, não posso comentar muito, mas pareceu perfeito. Soube contar o que era necessário e mostrar o que era necessário, tudo na medida certa, evocando minhas emoções. Mas admito: apesar da mensagem bonita, a forma como ela foi passada me deixou incomodado. Senti que toda a excelente técnica aplicada no texto preparou-me e direcionou minha atenção para aquela situação, aquela tragédia, e a partir daí, virou a famosa ladainha do “valorize antes de perder” ou “diga que o ama antes que seja tarde”. E isso foi broxante, pois você, de certeza, com certeza tem capacidade para fazer melhor do que essas técnicas furadas à la Sete Vidas com Will Smith. Emociona, mas é uma emoção forçada, frágil e que empobrece o resultado final.

    Sobre o romance, achei muito bom, bem aplicado, não me simpatizei muito com a protagonista, mas Roberto me agradou, e achei isso muito bom. A personalidade de cada um é tão sólida que consegui gostar e desgostar de cada um, mesmo tendo a mesma visão de Roberto que Gabriela tinha: que o via como uma pessoa maravilhosa. Talvez por isso tenha gostado dele, e se fosse o caso dele não ser, de verdade, o mesmo cara legal que foi desenhado, seria melhor ainda, pois isso revela a qualidade da narrativa, focada primariamente nos pontos de vista da mulher.

    Ah, claro, a cena do sexo ficou impecável, hahahaha. Parabéns pela desenvoltura e criatividade.

    Fora a parte final, que atrapalhou um pouco, o conto está impecável. Seu trabalho não foi em vão e tampouco depreciado. Desde que me propus a ler o que o próximo realmente escreve, de fato, deixando de lado aquele olhar crítico do que eu faria melhor, pude aproveitar melhor as histórias dos meus colegas. E posso dizer que você entregou um conto maravilhoso. Parabéns mais uma vez!

  14. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá, Gabriela, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.
    Resumo:
    Uma jovem traumatizada com o “Eu te amo”, desde a adolescência, certo dia, em uma cafeteria, encontra um grande amor, mas que pelo trauma vivido, não lhe diz a famigerada frase. Em sequência esse amor sofre um acidente e vem a morrer. Cuja palavra lhe foi dita na hora da morte. Sequela que lhe segue pelo resto da vida. Mas que enfim encontra o grande amor de sua vida levando-a ao casamento, aos filhos, aos netos. E assim viverá feliz como nos contos de fadas.
    Gramática:
    Uma leitura fluente sem nada que desabone gramaticalmente, um texto correto.
    Comentário crítico:
    Um conto muito bem construído, cujo enredo segue numa linha continua num perfeito: meio, começo e fim. O que incomoda nesse tipo de literatura é o enredo açucarado, como se esse tema não propicie um argumento com maior intensidade. Mas que atende perfeitamente o tema proposto pelo desafio. É, com supremacia, um autêntico conto sabrinesco.

  15. Elisa Ribeiro
    25 de agosto de 2019

    Eu gostei da história e da forma como você a contou até a “o dia mais triste” da vida da protagonista. Não gostei, porém, da parte final que desfechou a trama. A narrativa acelerou fazendo caber uma vida inteira – namoros, casamento, filhos, netos – em três breves parágrafos. Minha impressão foi a de que o autor quis dar um final feliz para a personagem, mas para mim esse desfecho tão acelerado e tão banal tirou um pouco o brilho do conto.

  16. A hora certa de dizer eu te amo

    Gabriela é uma jovem entediada em um dia de expediente. Ao ir a uma cafeteria, com o guarda-chuva da Minnie emprestado pela amiga, ela conhece Roberto, com um guarda-chuva do Mickey. A coincidência faz o rapaz puxar conversa com Gabriela, que aceita o flerte. Os dois combinam um jantar e, após trocas de carícias, combinam de “assistir Netflix” juntos. Após um encontro bastante quente, Roberto não se contém e declara amar Gabriela. A garota, irritada, vai embora, sem dar maiores explicações. O motivo é um trauma de adolescência, quando um namorado disse amá-la e, mais tarde, foi flagrado no “beijódromo” com sua melhor amiga. Depois disso, Gaby nunca conseguiu dizer “eu te amo” para outro namorado. Gabriela e Roberto superam a situação, ela conta ao rapaz seu trauma e eles estabelecem um relacionamento. Quando a jovem resolve que é hora de enfrentar o trauma e dizer ao amado que, de fato, o ama, é surpreendida por uma ligação de uma socorrista informando que ele sofreu um acidente. No hospital, diante de um Roberto inconsciente e fatalmente ferido, Gabriela diz a ele que o ama. No dia seguinte, ele morre. O tempo cura a tristeza e Gabriela segue sua vida e casa-se com Thiago, para quem diz “eu te amo” quando sente ser a hora certa, sem encanações.

    Aqueles que optam pelo gênero sabrinesco, denominação cunhada no grupo do EntreContos, devem, ter muita cautela. Afinal, não é fácil encontrar as características do estilo e, por mais que os romances “Sabrina” sejam populares, eles estão bem concentrados em um nicho específico. Dá para se passar uma vida toda sem ler um sabrinesco, tranquilamente – por isso eu optei por escrever uma ficção científica. Não é o caso do texto escrito por “Gabriela” (quase certeza que o autor é um homem). Se o autor já não estava familiarizado com as características do sabrinesco, fez bem o dever de casa. É um conto romântico, com erotismo bem pudico (acho que o pessoal tá errando nesse ponto), adoçado no ponto certo. A descrição da relação sexual é muito bem elaborada, onde o autor mostra que domina o sabrinesco com muita classe. Também dá para perceber que o autor não tem vergonha de jogar no campo dos clichês do romântico (coincidências, tragédia, fim feliz, humor ingênuo). A narrativa é eficiente, o domínio da gramática é evidente.
    Particularmente, acho que houve uma falha no desenvolvimento dos personagens secundários, que ficam meio que resumidos em características físicas – a monocelha de Roberto, a barriga do Thiago. Opção do autor, sem dúvidas. Independente do gênero, acredito que a história fica mais rica quando se desenvolve um pouco mais os personagens, mesmo que secundários.

    Nota
    Originalidade: 5
    Domínio da escrita: 5
    Adequação ao tema: 5
    Narrativa: 5
    Desenvolvimento de personagens: 4
    Enredo: 4

    Total: 4,7

  17. Fernanda Caleffi Barbetta
    19 de agosto de 2019

    O texto é lindo, muito bem escrito, bem desenvolvido, sensível e engraçado ao mesmo tempo. Adorei. A personagem Gabriela tb foi muito bem apresentada e conseguiu fazer com que estabelecêssemos uma conexão com ela. Sem dizer que o texto é verdadeiro e traz uma bela lição. Parabéns.

  18. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: Quando é a hora certa para dizer eu te amo? Através desse maravilhoso conto que essa pergunta é respondida. Gabriela é uma mulher decidida em sua vida, mas que teme se decepcionar novamente, arriscando dizer eu te amo para a pessoa errada, ter seus sentimentos feridos e ficar com a sensação de que perdeu tempo da sua vida se entregando a alguém que não a merecia. Mas após um encontro na Starbucks, dizer eu te amo se fará uma fatídica necessidade.

    Comentários: O conto é excitante em vários sentidos, tanto nas descrições, poéticas e cheias de encantos mil, e no que desrespeito ao próprio tema da história. O conto traz um questionamento da declaração do amor, ao invés de romantizar o tema, mostrando de forma crua, mas singela e repleta de beleza as forças que três palavras podem ter. O bem que podemos proporcionar no amor não se resume a falar, mas sim demonstrar. Ao longo do conto vemos a melhor e mais feliz forma de amor: o amor próprio, pelo qual nos cuidamos, nos valorizamos e realizamos dividindo com o outro, multiplicando nossa própria essência. Parabéns cara escritora, recomendo a publicação desse conto numa antologia se não for selecionado entre os três primeiros colocados desse certame.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  19. Luis Guilherme Banzi Florido
    7 de agosto de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 7 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: história de amor sobre mulher q se apaixona, e, com medo de dizer eu te amo por traumas do passado, só consegue dizê-lo quando é tarde demais: o amor de sua vida está à beira da morte. Aprende com seus erros, redescobre a vida, e relembra seu amor passado observando os netos e o marido brincando.

    Comentário:

    Gostei! Excelente história de amor. O começo, devo dizer, não tava me agradando muito. Parecia um pouco engraçadinha demais pro meu gosto, com várias tiradas na escrita. Porém, aos poucos foi crescendo em mim e me ganhou. A história de amor com Roberto foi muito bem construída. A forma como os dois se conheceram me soou muito natural e me deu um pouco de vontade de passar por algo parecido hahahuahua.

    Além disso, o conto tem várias lições importantes. Primeiro, a gente costuma deixar as experiências negativas do passado (especialmente no ambito amoroso) nos traumatizarem, influenciando e criando barreiras em nossa vida. Assim, acabamos nos fechando pra novas oportunidades e novos amores. Quem nunca, né?

    Isso ficou bem retratado no conto. O conto deu um recado claro: tome cuidado, pq talvez, quando você acordar, já seja tarde demais. Pra ela quase foi. A morte do rapaz foi tocante, e a cena final da vida dele foi mto bonita. Parabéns!

    Fiquei na expectativa do que aconteceria a partir dali. E foi tudo muito bem. O luto e o retorno à vida foram muito bem criados, e o final é tocante.

    A escrita é segura e quase impecável. Como falei, a linguagem, a princípio, não me agradou muito, mas isso é gosto pessoal: não gosto muito de tiradinhas e tal. Mas com o tempo, as situações foram amadurecendo e eu fui me envolvendo bastante com a escrita, então a impressão inicial passou.

    É isso. Muito bom trabalho. Parabéns e boa sorte!

  20. Evandro Furtado
    5 de agosto de 2019

    A história de uma adolescente millennial que se apaixona por um cara numa fila de café. Eles logo ficam loucos um pelo outro, ele diz que ama, ela foge, o cara morre, ela casa com outro, e a vida vai.

    Se eu lesse esse conto em qualquer outro lugar, ia ser aquele meme do Jameson. Ia jogar pro lado e dizer: “Lixo”. E isso é exatamente o que torna esse conto tão maravilhoso. É evidente que o(a) autor(a) toma para si essa “estética” e cria uma história a partir disso. É claro, acaba deixando passar algumas passagens boas demais para o tipo de história. O final, aliás, é extremamente profundo, travestido de uma simplicidade adolescente. Realmente, um golpe de mestre.

  21. Antonio Stegues Batista
    5 de agosto de 2019

    A HORA CERTA DE DIZER EU TE AMO
    Resumo:
    A história de Gabriela que conhece Roberto numa cafeteria e se tornam namorados. Roberto sofre um acidente e morre. Tempos depois, Gabriela conhece outro rapaz, Thiago. Os dois se casam e são felizes para sempre…

    Comentário
    O conto é uma história de amor como muitas outras encontradas em revistas como Sabrina, Julia, Bianca, dos anos 80/90, que encantaram jovens adolescentes. Gostei da escrita, da construção das frases, uma narrativa leve, às vezes dramática, com doses de humor e erotismo. Embora não tendo algo mais interessante e impactante, está adequada ao tema “Sabrinesco”.

  22. Gustavo Araujo
    3 de agosto de 2019

    Resumo: garota encontra o amor de sua vida na Starbucks. Depois de um início promissor, o relacionamento tem um baque pela incapacidade dela em dizer que ama o rapaz, por conta de um trauma da adolescência. Quando finalmente ela está prestes a superar isso, e dizer que ama o sujeito, o destino interfere e o cara acaba morrendo. A vida segue para a garota, ela se casa e tem netos, e também supera o bloqueio “euteamístico”. No fim, ela se apresenta no fim da vida, revelando que essa fora sua história de amor.

    Impressões: é um conto sabrinesco-raiz, com todas características do gênero que flerta com o romance, com o erótico e com a ingenuidade. O destaque altamente positivo vai para o início do romance, para a maneira como foi apresentado ao leitor. Tudo é verossímil, não parece forçado. Há lá a insegurança misturada com a ansiedade, com as observações engraçadas, com a expectativa, com a auto-crítica irônica (muito bem vinda, aliás), que tornam Gabriela uma personagem cativante. A descrição da cena de sexo é outra bola dentro (sem trocadilho, por favor), já que diz tudo sem apelar ao vocabulário Fórum Ele&Ela, sem parecer vulgar ou explícito.

    Então surge o acidente com o Roberto e a partir daí o conto perde um pouco de força, especialmente pela aceleração que se denota na narrativa. É esse maldito limite de palavras (que aliás, prejudicou meu conto também), que nos faz buscar soluções rápidas para questões complexas. Há, neste caso, certa emoção na despedida do casal, mas receio que não houve tempo suficiente de narrativa para que o leitor pudesse sentir isso com a profundidade desejada.

    O final do conto é, infelizmente, a parte mais prejudicada, já que somos levados à velhice da narradora em poucas linhas. Talvez fosse melhor limar esses parágrafos e terminar mesmo com a morte do Roberto, investindo mais no desenvolvimento do romance deles.

    Enfim, é um bom conto, especialmente pela primeira metade, mas que sucumbe, a meu ver, quando a questão do “momento em que se deve dizer eu te amo” deixa de ser relevante, com a morte de Roberto. Em todo caso, como eu disse no início, é um conto sabrinesco por excelência, e que por isso deverá ser bem avaliado. Não preciso desejar boa sorte no desafio kkk Um abraço!

  23. Higor Benízio
    3 de agosto de 2019

    Graziela conhece Alberto numa cafeteria e acabam se apaixonando, mas antes que ela pudesse dizer “eu te amo”, o rapaz morre num acidente. Graziela então, depois de outros relacionamentos, casa com outro homem, tendo com ele filhos e netos.
    Achei o texto muito ruim. A voz narrativa de Graziela tem passagens bem infantis, que destoam com outras meio metafóricas demais. Parece uma garota de 15 anos escrevendo, para depois descobrirmos que se trata de uma senhora! (quero dizer com isto que o narrador não é coerente com ele mesmo). “Essa é a minha história de amor”, sério? Assistir Netflix e transar? Será que uma senhora não poderia nos dar uma visão mais enxuta, mais madura, mais sensível? Recomendo o livro “Os quatro amores” do Lewis para você ter mais armas na hora de escrever sobre o assunto.

  24. Pedro Paulo
    2 de agosto de 2019

    RESUMO: Nas incertezas do acaso, Gabriela conheceu o certeiro amor da sua vida. Em um relacionamento de muito carinho e felicidade, enfrentou o dilema de confessar seu sincero amor até o dia de decidir superá-lo. Com a abrupta morte do seu amado, morreu também a possibilidade de resolver seu dilema. No entanto, a vida seguiu, outras paixões se sucederam até o amor definitivo, que se consolidou sendo também a sua vida.

    COMENTÁRIO: Sabrinesco estando um gênero a desvendar, em que uma caracterização final só será feita assim que os demais contos forem lidos, arrisco dizer que este conto tenha todos os pontos necessários para se encaixar nesse tema. Trata-se de uma história de amor com toques eróticos que se pronunciam primeiro no tom de uma provocativa travessura para depois aparecerem em criativas analogias, o que dá sutileza à maneira como se trata o “profano”. Apesar de que, sendo apenas minha segunda leitura, devo dizer que não estarei dando pontos por sutileza.

    A escrita flui bem, a narração em primeira pessoa funciona ao nos absorver nas intimidades e pensamentos da personagem a ponto de sentirmos também o seu amor e o seu luto. Da mesma forma, a autora soube os momentos de detalhar e os outros de narrar com mais amplitude, permitindo maior passagem do tempo para dar credibilidade ao amadurecimento da relação. Vemos o encontro de Gabriela e Roberto primeiro, bem como a primeira vez em que partilham a cama, e depois somos levados pelo caminhar do relacionamento. Serviu para que a morte do sujeito fosse mais impactante e, como já estávamos próximos da personagem, que também nos doesse. Mas, então, avaliando o conto estruturalmente.

    Apresentação; consumação; conflito; desenvolvimento; catarse; conciliação. Essa é a minha tentativa de delimitar as etapas pelas quais o enredo do seu conto passa. Foi impossível não pensar que: “as coisas indo bem do jeito que estão, vai dar errado”. E aí deu. Imaginava-se que, a protagonista superando seu dilema aos ouvidos do amado moribundo, teríamos possíveis caminhos: a milagrosa recuperação ou a saída cética. Optou pela segunda, mas referenciando a primeira, acho que num primeiro reconhecimento da autora do quão previsível estaria sendo. Depois, uma rápida narração, já não tão efetiva como foi na caracterização do relacionamento com Roberto, cuidou de cumprir a etapa de conciliação que finalizou o conto, as últimas palavras da autora sendo também relativas a reconhecer certa pieguice no conto.

    Em suma, o conto traz os elementos na medida certa, havendo algum descompasso ao final. A questão é que está tudo tão na medida certa que o engajamento não foi grande e, portanto, o impacto, pequeno. Boa sorte!

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Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .