EntreContos

Detox Literário.

Incógnita (Gabriel Moraes)

 

Com o copo de uísque na mão, a matemática se sentou na poltrona com um suspiro mortificante.

Tomou o drinque, sentiu a bebida queimar cada centímetro de seu corpo, lhe aproximando cada vez mais do mundo das ideias. Olhou para o lindo copo que segurava. Seria esse o receptáculo cujo vidro serviu para entregar o veneno a seu pai?

Veja, o pai dessa matemática também era um matemático. Genética, talvez. Uma herança, uma maldição.

O fogo da lareira estava fraco, suas sombras se lançavam sobre o tapete de cor vinho. Lá fora, a noite era um cobertor molhado o qual deixava algumas gotas caírem sobre o vidro das janelas. Um chiado expelido por um antigo rádio vibrava o campo eletromagnético ao seu redor. Essa matemática suspirava de luto.

Aquela maldita casa, sozinha, apenas com suas lousas e com seus cômodos vazios, era de se esperar a morte de seu pai com tanta depressão quantitativa.

Do lado da lareira uma lousa branca armazenava algumas equações, umas estranhas expressões que a filha nunca conseguira identificar. Estranhos prazeres que seu pai amava calcular, algumas letras gregas, algumas incógnitas sem solução. Humildes números sem respostas, assim como a vida do matemático, seu próprio criador.

Uma lágrima salgada circundou a bochecha da filha, queria que seu pai estivesse aqui. Nunca pensou que falaria uma coisa dessas, estivera tão dedicada a fugir de casa, a viver sua própria vida, a contar suas próprias histórias. Agora, lá estava ela, a cética matemática vestida com um traje escuro do funeral recém efetuado, suja com a poeira dos mortos e úmida com lágrimas que nem mesma a mais escura nuvem poderia precipitar.

O som do rádio finalmente soltou algumas palavras, a matemática decidiu se levantar e jogar alguns galhos secos na lareira, enquanto alimentava o fogo, se perguntava quem naquele século ainda tinha uma lareira em casa. Só o seu pai mesmo.

Olhou de relance para uma foto dele pendendo em uma das paredes de tijolos antigas, sua barba branca de pensador, sua pose formal como a de um acadêmico, mas seus olhares cansados do final da vida.

Riu sarcasticamente, baixinho, está tudo bem em rir, não tem ninguém em casa para lhe julgar. Tentou forçar uma gargalhada, mas não conseguiu.

Lembrou-se do pai sentado naquela mesma poltrona avermelhada, lendo um de seus livros preferidos. Frankenstein, ou o Prometeu Moderno. Era realmente seu livro favorito, decorava páginas e páginas daquela obra e recitava suas bizarras anedotas para a filha, bem naquele lugar, bem naquela sala, em frente a lareira, e em frente aquelas lousas cheias de números.

A mulher acabou lendo Frankenstein por influência de seu pai, e quando disse que não achara nada demais, o homem irrompeu em fúria, como poderia ser a filha dele? Uma frase ancestral ressoou em sua mente.

Foi um exagero, uma bronca daquelas apenas por causa de um livro? Faria sentido aquilo?

A matemática levou a mão em direção a boca, onde seus dedos roçavam em seus lábios sempre que começava a formular uma hipótese. Logo suas unhas coçariam o seu couro cabeludo, desenvolvendo a tese, e então chegaria a conclusão com um estalo de dedos.

Tinha algo de errado, era como olhar para os dados coletados de um experimento bagunçado, as incertezas eram claras.

Se levantou e procurou o livro, Frankenstein… achou ele em uma das estantes, naquela mesma sala de estar. Seu pai tinha várias versões daquela horripilante obra. Amaldiçoou Mary Shelley por ter roubado o único homem de sua vida. Por que ele gostava tanto disso?

Folheou um dos livros e viu várias anotações, círculos, e até expressões matemáticas nas bordas das páginas.

Ele morreu louco, seu pai morreu louco. A matemática devolveu o livro como se o objeto pudesse sugar a sua sanidade, e tornou a se sentar na poltrona da reflexão. Outra lágrima fugiu da represa de seus olhos. Podia ser sensível agora, estava longe da academia, longe do lugar onde precisava parecer forte o tempo inteiro para que seus parceiros homens não a criticassem pelas costas.

Uma passagem preta e branca passou por seu hipocampo, outra memória perdida agora encontrada. Era seu pai mergulhado em seus estudos, folheava um livro sobre anatomia, analisava músculos e ossos, passando seus dedos enrugados pela superfície lisa da obra.

Por que seu pai estava lendo um livro sobre anatomia? Ensinava sobre a nobre Teoria dos Conjuntos na universidade, o assunto não tinha nada a ver com a biologia humana.

Lembrou-se de sua face recurvada sobre a imagem de um retrato de um corpo sem pele, uma ilustração horripilante. Os dois globos oculares na imagem olhavam diretamente para a pequena matemática quando se aproximara de seu pai. De acordo com sua memória vaga, ele tinha se assustado, olhou a filha como se não a conhecesse, parecia uma gárgula, um golem de carne de origens ancestrais, criado para a razão e para a lógica. Fechou seu livro tão rapidamente quando encontrou os olhos da filha e rastejou para seu porão, o lugar onde costumava passar seu tempo estudando.

Por que lembrou disso agora? Suas memórias conspiravam com seus sentimentos para lhe trazer a ruína.

O matemático foi um homem peculiar, mas havia algo mais…

A matemática se levantou de sua poltrona, começou a andar em frente da lareira, encarando o fogo como se ela fosse o primeiro hominídeo a o descobrir, seus dedos penteavam seu próprio cabelo escuro, estava agitada.

O porão, com sua porta carcomida e sua existência misteriosa. Tinha alguma coisa de estranho naquele lugar. A mulher pensou em explora-lo, nunca tinha descido naquele cômodo o que poderia acontecer? Seu pai já estava morto, seu enterro acabou de acontecer e a única coisa que morava naquela casa eram moléculas arranjadas de formas específicas.

Sem fantasmas, nem vibrações espectrais, apenas probabilidades.

Contudo, um medo antigo a suprimiu, não queria entrar lá. Recordava-se dos lances de escada de madeira, um leve brilho de uma vela no fundo do caminho íngreme, o bobo receio do escuro de uma criança na madrugada. Lembrou-se de uma voz, uma voz cuja origem a garotinha sempre imaginou ser de um programa de TV, afinal, seu pai também era humano e tinha os seus vícios midiáticos.

“…gire duas vezes no sentido horário, e três vezes no anti-horário! Basta dar o tranco e tudo vai dar certo, sim, tem que calibrar de uma forma… certa…”

Era a voz de um homem em meio a um chiado e pausas longas, como se citasse instruções em um livro de receitas.

O que estava pensando? Se deu conta das abomináveis teorias as quais possuíram a sua mente. O corpo de seu pai estava pálido e seco, prestes a apodrecer em um caixão embaixo da terra. Valia a pena refletir sua história naquele momento?

Prestara suas homenagens quando o encarou em seu descanso eterno. A tarde estava nublada e o cemitério estava cheio, mais cheio do que esperava. Lotado de seus companheiros de trabalho, professores e pesquisadores, a maioria homens e caucasianos. Olhou para baixo e viu o corpo morto de seu pai bem arrumado e elegante, sua mente por fim descansando depois de raciocinar por sua vida inteira.

Um funeral comum e esperado por todos.

Subitamente a chama da lareira estalou e a matemática estremeceu quando imaginou os olhos de seu pai abrindo de seu caixão, olhando para o céu e então para ela, agarrando a filha pelo braço enquanto suspirava palavras medonhas em seu ouvido. Tinha um giz na outra mão, riscava as roupas da filha procurando formar equações e engasgava em sua saliva repugnante. Todos os homens estavam sentados observando e discutindo a aula do professor morto, como uma discussão elaborado das leis racionais da morte. A matemática chorava em desespero, tentando se livrar de sua prisão. Finalmente o giz estalou e quebrou ao meio, então o cadáver vivo simplesmente torceu seu dedo e o quebrou com um som agoniante. Sangue escorria debaixo de suas unhas tortas e foi o bastante para que o homem continuasse seu cálculo, finalizando suas contas ao sangue.

Quando terminou seu seminário suspirou para a filha: “basta girar filha, basta girar…”.

A mulher deu por si chorando em frente as chamas da lareira. Devia ter passado alguns minutos em sua visão horrenda pois o fogo estava quase se esvaindo.

Mas logo parou de chorar, se virou, e olhou paras as lousas. Eram quatro na sala. Uma ao lado da lareira, duas perto do retrato de seu pai e a última de costas para a janela, onde as gotas deslizavam sobre o vidro e uma névoa duvidosa podia esconder quaisquer horrores da noite.

Puxou todas as lousas e as colocou lado a lado, pegou o giz, estremecendo, e se dedicou ao que nasceu para fazer. Seu pai a olhava do retrato, julgando cada movimento seu e criticando sua lógica.

Sua mão tremia e mais de uma vez se virou subitamente para encarar o vazio, pensando que algum observador estaria à espreita.

Um relâmpago quebrou o silêncio e iluminou a mente da matemática, outra memória veio à tona, uma visão, confirmando sua proposição.

Foi no verão, as férias em uma campina verdejante, o vento balançando a saia de sua mãe enquanto ela pintava um quadro belíssimo. Um paraíso.

Na época, a garota tinha encontrado um esquilo morto embaixo de uma árvore de galhos retorcidos e raízes emergidas. Ela o tocou com sua mão pequena, procurando ser cuidadosa, como se a suavidade pudesse lhe devolver a vida. Entregou o corpo ao seu pai, procurando respostas, mas ele apenas a olhou com um olhar seco e triste, era hora de ensinar-lhe uma lição importante sobre a morte, toda criança deveria aprender sobre o assunto.

Não foi isso que aconteceu, não houve aprendizado algum sobre a vida e a morte.

No final da tarde, quando as nuvens carregadas se aproximaram como garras no céu, a brisa suave cessou e a grama da campina permaneceu estática como um mar de espinhos, a matemática viu. Sua mãe pintava um quadro que agora parecia horripilante, seu pai se aproximou da mulher e a garotinha lembrava-se de sentir felicidade.

Mas agora, um frio percorreu todo o seu corpo quando a memória foi restaurada. No ombro do seu pai estava o maldito do esquilo. O animal morto cujo cadáver foi encontrado pela garotinha. Ele deveria… estar morto. Seu pai abraçou a sua mãe e a luz solar desapareceu com as nuvens. O quadro cheio de cores se tornou vermelho, símbolos matemáticos surgiram na pintura, insanos, incompreensíveis, impossíveis.

O esquilo olhou para a garotinha com os olhos esverdeados e artificiais, sua cabeça se movendo lentamente, não era mais um animal, era outra coisa. Uma incógnita, uma possibilidade.

Então a memória foi embora, o surto onírico levou a matemática a realidade. As lousas agora estavam completamente arrumadas e ordenadas, a chama na lareira era uma mera lembrança.

A equação foi solucionada. A matemática olhou para a incógnita, procurando entender. Girar duas vezes no sentido horário e três vezes no anti-horário.

Era um conhecimento ancestral, um conhecimento longe de qualquer tecnologia moderna. Não deveria estar ali. A humanidade não estava preparada para aquela ciência. A morte era o infinito e nenhum humano pode entender o infinito.

Se a mulher tinha entendido aquilo completamente, não podia mais parar, o porão estava a sua espera.

Deixou a sala, deixou aquele lugar que para sempre marcaria sua vida, a lareira apagada… a janela enevoada, as lousas com as equações solucionadas e o quadro vigilante do pai.

A porta do porão era de madeira e estava trancada com uma pesada fechadura. Não possuía a chave, aquele umbral nunca mais seria ultrapassado, os segredos foram perdidos junto com a morte de seu pai.

Quase desistiu, entretanto, ouviu.

Um ruído, um súbito som foi detectado pela matemática. Não é possível, quem estaria fazendo sinistras conspirações no porão abandonado de seu pai? Jurou ouvir a voz, a tão familiar voz robótica da TV, exclamando instruções para o fantasma do matemático.

Apesar do medo, apesar da agonia crescente que tentava impedir a mulher de se mexer, houve um impulso da curiosidade, do mistério, e tornou a se mover. Procurou cada centímetro da casa, cada gaveta, cada escrivaninha de madeira, atrás de cada quadro. Correu como se sua vida dependesse disso, e então encontrou.

De alguma forma, sempre soube que poderia encontra a chave do porão, mas inventava desculpas em função de seu medo. Agora não havia volta. As chaves estavam escondidas no fundo falso de uma gaveta, e em menos de cinco minutos a mulher girava os mecanismos da fechadura e ouvia o som do trinco se movendo.

A porta se abriu lentamente, e um lance de escadas íngremes e suspeitas a esperava.

Como um sonho, como uma marcha do mundo ideal, ela desceu os degraus um por vez.

O som aumentando, a voz se tornando distinguível, as equações em sua cabeça.

“Gire…basta girar, você… consegue. ” A voz sinistra continuava seu ritual.

O porão estava cheio de caixas, escondidas na escuridão. A única iluminação provinha da mesma vela cuja existência era constante naquele porão. Uma bagunça, objetos jogados por todos os cantos, a madeira a sua volta rangendo, e os passos e guinchos das ratazanas dentro das paredes.

Em um canto escuro, a TV estava ligada, pequena e antiga. A interferência em sua tela era cinza e luminosa.

Em pé, como uma sombra alta e esguia na escuridão, estava a fonte da voz robótica. A matemática não conseguia distinguir suas formas por completo, e agradeceu por isso. Pois tinha certeza que se observasse por completo, iria ficar insana, assim como seu pai. Presumiu que era a morte. Sua sombra não tinha braços, mas duas magras pernas podiam ser distinguidas no porão. Tinha um rosto, o qual abrigava uma luz vermelha oscilante, o que seria suas costas estava curvada sobre o teto.

Em poucos segundos, a matemática não respirava mais, como podia? Suava, ofegava, e em sua frente, a própria forma da morte. Sentiu lágrimas tocando seus lábios novamente, mas teve medo de expressar seu sentimento.

Sentado ao lado da TV, e da criatura incompreensível, em uma poltrona suja e rasgada, estava seu pai, completamente nu, a gárgula morta-viva. Vivo, enfim, vivo.

Em seu peito, uma luz vermelha oscilante, engrenagens e formas cuja engenharia o ser humano nunca entenderia, uma manivela.

A luz vermelha da criatura apontou para a recém-chegada.

“Gire, criança, gire para ele. ”

A voz saia de todos os lados e tremia a sala.

Com passos curtos, a matemática se aproximou do corpo de seu pai na poltrona, o corpo da mulher se tornando vermelho quanto mais se aproximava devido a única luz incidente.

Girou, duas vezes no horário, e duas vezes no anti-horário, a manivela empurrando o peito do pai, fazendo as engrenagens trabalharem, o fazendo gemer como um animal. Seus dentes batendo e seus músculos se contraindo.

Quando terminou, seus olhos se abriram, o olhar amarelo e escuro do matemático encarou a sua alma, não era vida, não era morte, não era seu pai, era uma incógnita.

22 comentários em “Incógnita (Gabriel Moraes)

  1. André Felipe
    15 de junho de 2019

    Uma matemática vela a morte do pai também matemático. A situação a faz delirar e lembrar de instruções do seu pai. No final ela faz o corpo do seu pai reviver.

    Outro bom conto sombrio, mas não exatamente de terror a meu ver. As intervenções do narrador em itálico não agregou nenhum sentido e ainda deixou confuso. Eu tive que voltar para procurar quem estava falando. No final eu não entendi o ser que apareceu perto do corpo do pai. Pareceu um ser fantástico dentro de uma proposta de ficção científica; achei confuso. No mais não teve erros maiores e ponto positivo para a estrutura. Boa sorte.

  2. Elisabeth Lorena Alves
    15 de junho de 2019

    5- Incógnita
    Resumo
    O narrador conta a história de uma mulher recém chegada do enterro de seu pai que a visitar determinada sala da casa, revisita suas memórias e adquire outra percepção sobre elas. O crepitar do fogo na lareira e um som constante fazem fundo para o lugar em que tudo acontece. A junção da ideia do moderno prometeu e de uma incógnita matemática em frente à mulher, amante dos números como o pai recém enterrado, abrem uma gama de possibilidades e ela consegue enfim resolver algo que o pai não terminou. Ato contínuo ele desce ao porão e lá encontra algo que a assusta e seduz: uma réplica incomum do pai, que ela aciona, seguindo as instruções que ouve constantemente.

    Comentário
    O texto é bem escrito. Bem detalhado. Bem relacionado com o texto de Shelley. A personagem tem características muito fortes. Entende-se que ela lutou por um espaço entre seus iguais em inteligência, mas diferentes em gênero e oportunidades.
    No campo das ideias, o texto é muito bem direcionado. As imagens de mexer com a vida pós morte é bem delineada. O olhos do esquilo, a percepção dos globos oculares da imagem olhando fixamente para ela, a comparação do pai com gárgula e golem. Aqui é mais interessante porque as gárgulas são figuras monstruosas que possuem ideia de movimento, os golens (judeus) são seres monstruosos imóveis.
    Nesse Conto o autor também mescla equilíbrio e conflito no mesmo instante. O enterro do pai é o que traz matemática para frente da ação na sala, realidade e recordações se mesclam, criando um campo de nova realidade em que tudo torna-se possível. Entretanto nesse Conto essa mescla fica bem acertada, sem espaços para suposições do leitor.
    O interessante do trabalho com as personagens é a forma em que o narrador forma a ideia de antagonismo no pai que é agora uma figura ausente. O que me falta no Conto é um clímax mais marcado, para a minha leitura, ele é um pouco caricato:

    “Em pé, como uma sombra alta e esguia na escuridão, estava a fonte da voz robótica. (…) não conseguia distinguir suas formas por completo… Presumiu que era a morte. (…) não tinha braços, mas duas magras pernas podiam ser distinguidas no porão. Tinha um rosto, o qual abrigava uma luz vermelha oscilante, o que seria suas costas estava curvada sobre o teto.” Entretanto, esse caricaturismo não estraga o Conto, que se torna cíclico quando matemática aciona o mecanismo no pai-gárgula-prometeu, pois, como o esquilo, o homem matemática é também uma incógnita.
    Uma frase que resume muito a relação pai-filha, a meu ver, é a que o narrador marca quando a matemática vê o pai:”Vivo, enfim, vivo.”

  3. Benjamim Nkadi
    15 de junho de 2019

    A Matemática, filha do Matemático, vai em busca do pai morto por meio de probabilidades e resoluções dentro do porão escuro.

    A estória em si não me cativou muito, porém gostei o ponto de vista da reflexão que a mesma traz. Acho que todos nós, quando perdemos alguém muito próximo, assim como a Matemática partimos numa busca incessante, através de cálculos, para deslindar os segredos da vida e a morte.

  4. Carolina Pires
    13 de junho de 2019

    RESUMO: Uma jovem mulher, filha de um grande matemático, está sentada na poltrona, em frente à lareira, pensando na morte recente de seu pai. Havia pouco tempo que o enterro do pai se concluíra. Ela lembra-se de eventos do passado enquanto divide sua atenção nos cálculos matemáticos desenhados nas lousas espalhadas pela parede da casa. A mulher, chamada constantemente de “a matemática” pelo narrador, recorda-se do livro preferido de seu pai, Frankenstein, e começa a desconfiar da atividade que ele (seu pai) desenvolvia no porão daquela casa. Com ajuda de suas memórias e de seus próprios cálculos, ela descobre o esconderijo da chave e entra no porão escuro. Sentado em um poltrona está o corpo de seu pai, cuja uma engenhoca em seu peito é um convite para que ela dê vida a um ser que está menos para humano do que para uma incógnita.

    CONSIDERAÇÕES: Bem (rsrs), não achei original e, por este motivo, o final foi bem previsível. Ao meu ver o autor/a autora fez uma versão de conto inspirada na história de Frankenstein, tanto que cita o livro no conto. Essa inspiração talvez não tenha permitido que o autor/a autora conseguisse fugir do final semelhante ao do clássico. O que quebrou – e muito – a originalidade do conto. Em contrapartida achei interessante a forma como foi construída o clima de tensão. A lareira, a chuva molhando a janela, a solidão da jovem após um velório recente, a menção do livro e de eventos estranhos dão uma áurea macabra interessante. Quanto à estética e à escolha de alguns termos e construções adjetivais, o autor/a autora cometeu alguns deslizes (estéticos), os quais vou elencar com o intuito de ajudar na escrita de grande potencial. Em algumas partes, o narrador pareceu dar espaço à voz de outra pessoa, refiro-me a fragmentos colocados em itálico: “queria que seu pai estivesse aqui” e “Por que seu pai estava lendo um livro sobre anatomia?”. Deu a entender que seria uma frase pronunciada ou pensada pela personagem principal, a matemática, mas como o pronome possessivo não está em primeira pessoa, ocorreu-me uma dúvida quanto à essa voz. Mas não sei se foi um erro ou se a construção foi intencional. Outra coisa que me incomodou foi o excesso da palavra “horripilante”. Como não é uma expressão comum, o excesso dela pode ser prejudicial ao texto. Diferente do que acontece com a repetição da palavra incógnita, por exemplo, que apesar de também não ser comum, é a chave da história. O autor/a autora seguiu um padrão adjetival que, esteticamente, não é bom, que é colocar o adjetivo simples antes do nome: “lindo copo”; “horripilante obra”; “bobo receio”; “pesada fechadura”; “sinistras conspirações” etc. Esse tipo de construção (em excesso) dá um ar de artificialidade ao texto, são descrições, digamos, que empobrecem o seu texto. A expressão “lindo copo”, por exemplo, poderia ter sido evitada, uma vez que está na mesma linha que a palavra “receptáculo”. O adjetivo simples (e barato) em contradição com a escolha de uma palavra tão rebuscada não conversa, e isso acaba por prejudicar o texto. Excesso de palavras em um mesmo parágrafo como “passagem”, “passou”, “passando” também não é bom. Deslizes como “achou ele” entram em choque com a intenção explícita do autor/ da autora de rebuscar constantemente o vocabulário do conto. Se o autor/a autora tivesse dado este foco apenas à idiossincrasia dos termos matemáticos, teria dado um resultado estético bem mais interessante e não artificial e forçado que me passou. Quero deixar claro que enxergo um potencial latente de sua escrita, por isso minhas críticas tão pontuais. Da próxima vez, tente ser mais natural, usar palavras simples – palavras SUAS –, mas em construções bem formuladas. Esse efeito deixa o texto tão rico que jamais a intenção do rebuscamento será capaz de alcançar.

    Boa sorte na competição. 🙂

  5. Renan de Carvalho
    12 de junho de 2019

    Após enterrar seu pai, uma matemática, se depara com seus pensamentos. Entre lembranças, ruídos e conjecturas ela tenta montar um quebra-cabeça lógico deixado pelo recém falecido pai morto… ou vivo?

    Conto muito bom. Instigante e audaz. Possui uma evolução crescente que faz acompanhar a agonia das descobertas da personagem.

  6. Higor Benízio
    12 de junho de 2019

    Resumo: A filha de um falecido matemático passa por transtornos e alucinações no antigo escritório do pai. Ao final, ela descobre que seu pai havia construído uma espécie de “Frankenstein” com o próprio corpo.

    Achei o texto muito bom. Existem boas sacadas na narrativa (a forma como trabalhou “incógnita”, por exemplo), e frases charmosas. Faltou um revisão melhor, nada muito sério. E, ao meu ver, “matemática” ficou meio na contra mão. Talvez se indicasse com letra maiúscula (“Matemática” ou “A Matemática”) seria melhor – ou usar o nome normal da mulher mesmo.

  7. Uma mulher está sozinha na casa do pai, que acabou de ser enterrado. Ela toma uísque enquanto relembra momentos da infância e a personalidade do seu progenitor. Na sala, há quadros com fórmulas matemáticas, então incompreensíveis para ela. Pai e filha são matemáticos. E, ao retomar situações vividas com o pai, ouvir um comando longínquo, a mulher se dirige ao porão, com encontrando sentido para a fórmula e uma situação intimidadora.

    O conto é muito bem escrito, redigido com elegância. Enquanto narrativa, embora o resumo acima possa sugerir algo estático, o texto tem uma elaboração que move o leitor, prende sua atenção. Eu poderia criticar o ápice, que se dá em um curto espaço no fim. Ou seja, o texto segue em um ritmo bem cadenciado e, na reta final, acelera. Mas é uma questão de estilo, não compromete e, inclusive, deve agradar muita gente. Enfim, um conto executado de forma muito madura.

  8. Maria Vilhena
    27 de maio de 2019

    um robô. decepcionei.

  9. Momo Blair
    26 de maio de 2019

    Conto: Incógnita
    Autor: Engenheiro

    Resumo: Uma matemática que acabara de sair do velório de seu pai, que também era um grande matemático, estava refletindo e resolvendo as equações deixadas por seu pai antes da morte, em sua antiga casa onde viveu muito momentos com ele. Momentos que vinham subitamente em sua memória junto com suas reflexões sobre quem foi e como foi seu pai em vida. Quando ela por fim consegue resolver as difíceis equações deixadas pelo seu pai, a matemática resolve adentrar no porão, que quando criança não tinha coragem de frequentar. No Porão ela encontra um ser robótico misterioso e seu pai, seu pai estava vivo. A matemática despertou seu pai com as coordenadas já deixadas por ele. Ele acordou, mas ela percebeu que não estava vivo, nem morto, não era nem o seu pai, mas sim uma incógnita.

    Opinião: Sinceramente achei muito interessante a história, ela usa termos técnicos da matemática e acredito que isso ajudou bastante a construir a áurea da história, uma ambientação mais fria e calculista de vida e morte, como é tratada na obra Frankenstein. Foi muito inteligente do autor assumir de forma clara sua inspiração incluindo a obra como parte da história, sendo o livro preferido do personagem. Minha vontade era entender melhor o que é a incógnita, mas isso é porque sou uma leitora muito curiosa e a história deixou com um gostinho de continuação, mas claro, a incógnita tem que fazer jus ao nome, continuar como um mistério fazendo o leitor imaginar por si como seria essa “coisa” que nem é viva, nem é morta, ou imaginar como será o comportamento deste ser, será parecido com o do pai falecido? Ou será algo completamente diferente? O final do conto abre várias indagações que tem que ser raciocinadas pelo próprio leitor e é muito bom quando o leitor não tem a inteligência subestimada, tudo explicado as vezes me incomoda, então, parabéns autor pela a escolha da incógnita. No início, as informações sobre frequência de ida do pai matemático ao porão, que ele estava estudando anatomia e que gosta de Frankenstein, deixaram o final e o desenrolar da história previsíveis, talvez fosse mais interessante o final ser surpreendente, preparar o leitor para o final infelizmente tira o suspense da história de terror. A história tem muito mais pontos positivos que negativos, é um ótimo conto, gostei!

  10. Amanda Gomez
    25 de maio de 2019

    Olá,

    A história de uma mulher ”matemática” que volta a sua cada depois da morte do pai. Essa volta trás memorias adormecidas e questionamentos sobre sua relação com ele a a própria natureza do homem que ela achava que conhecia. Aos poucos as coisas vão fazendo sentido, ou perdendo o sentido. No fim ela descobre quem era o pai, o que ele estava fazendo, as formulas e todos os segredos guardados.

    É um ótimo conto, me entreteve do inicio ao fim, muito bem escrito a personagem é muito interessante assim como suas memorias, seu passado e o próprio pai. Ao mesmo tempo que ele é um pouco previsível também, quando citou Franquestain, quando falou de formulas e loucura eu meio que já sabia pra onde ia caminhar o conto. Isso é bom pq cria uma expectativa, mas ao mesmo tempo a demora para o desfecho incomoda. A questão do terror em si fica apenas no fina, numa cena em que ela imagina o pai acordando no velório e a atacando e o próprio fina, com ele transformado em algo que ela ainda iria tentar entender.

    A demora dos acontecimento é mais um desenvolvimento caprichado do autor, podia ter enxugado aqui ou ali mas no geral não prejudica a obra em si.

    Enfim, parabéns pelo trabalho, boa sorte!

  11. Vera Marta Reis
    24 de maio de 2019

    Considerações
    Adequado ao tema, relatou fatos bizarros de forma criativa, usando a ciência e a tecnologia
    como justificativa para o desfecho. Gostei muito.

  12. Vera Marta Reis.
    23 de maio de 2019

    Incógnita( Engenheiro)

    Após funeral do pai, matemático.
    A filha também matemática, recorda e descrever a sala, lousas,
    Lareira , livro e o porão.
    A mãe, seus quadros, o coelho que reaparece quando já estava morto.
    A chave do porão, a voz metálica depois a pessoa, nem viva, nem morta. Incógnita.

  13. Estevão Kinnek
    23 de maio de 2019

    Resumo: matemática, filha de matemático, põe-se a pensar sobre o pai que acabou de morrer e passa por certas situações estranhas após o funeral, até que o inimaginável (para a matemática) acontece.

    Comentários:

    Olá, tudo bem, Engenheiro? Então, na primeira vez que li seu texto, a primeira metade achei muito enfadonha. Muito detalhe, muitas divagações, que não me ajudaram a entrar no clima do terror.Aí quando o terror aconteceu, li aquele “basta girar filha” e qualquer sensação de suspense deu lugar à graça, porque eu imaginei ela girando (risos). Me perdoe. A ideia é até interessante, mas quando apareceu o livro Frankenstein, meio que já me induziu a pensar que a coisa iria por esse rumo. O final ficou muito estranho. Se o pai tinha acabado de ser enterrado, como ele já estava lá? Ou eu perdi alguma coisa no meio da leitura? Isso é realmente uma incógnita. Acho também que você deveria ter dado um nome para a moça, porque chamá-la quase o tempo todo de matemática, matemática, ficou bem cansativo… Bem, acredito que é necessária uma boa reestruturação desse texto, se for pra ser mesmo um conto de terror, se a intenção for essa. Gostei do lance do esquilo. Me lembrou Cemitério Maldito.

    Toques gramaticais:
    lhe aproximando cada vez mais do mundo das ideias >>> aproximando-a cada vez mais do mundo das ideias

    como se ela fosse o primeiro hominídeo a o descobrir >>> como se ela fosse o primeiro hominídeo a descobri-lo

    imaginou os olhos de seu pai abrindo de seu caixão >>> imaginou os olhos de seu pai abrindo (dentro?) de seu caixão

    como uma discussão elaborado das leis racionais da morte >>> como uma discussão elaboradA das leis racionais da morte

    Quando terminou seu seminário suspirou para a filha: “basta girar filha, basta girar…”. >>> Aqui faltou vírgula, depois de terminou e antes de filha, da forma como está ficou parecendo que basta girar a filha. Desculpe, mas eu ri.

  14. Antonio Stegues Batista
    19 de maio de 2019

    Gostei do conto, uma história sombria, misteriosa, com uma atmosfera antiga, gótica. Só o que me incomodou foi a falta do nome da mulher, a repetição de “a matemática”, ficou enjoativa, monótona. Ficamos sabendo desde o início que ela era matemática e no resto do texto deveria ter o nome dela. Esse conto merece ser reescrito e melhorado, caro autor, pois tem um excelente enredo.

    Boa sorte no próximo tema.

  15. Thiago Barba
    16 de maio de 2019

    Conta a história de uma matemática que matou seu pai, também matemático, envenenado. Ela é perturbada por sua história com o pai e no final, acaba encontrando com ele.
    O início do conto parece que vai ser fraco até chegar a parte que o leitor descobre que ela matou seu pai envenenado.
    O texto utiliza de vários clichês do gênero, como por exemplo um relâmpago para cortar o pensamento da protagonista. Ela é atormentada pelo seu passado, mas no texto mostra isso não consegue me trazer de forma crescente, não trazendo surpresas, todo o meio do texto não me fez conhecer querer entender ou caminhar com a personagem, mas me deixava o tempo inteiro pensando porque isso? Porque ela tá assim? Não foi uma construção comigo como leitor, era algo q já estava posto na personagem.
    Gosto que o final termine nessa incógnita, mostra que o pior ainda está por vir e isso é interessante.

  16. Fabio Monteiro
    12 de maio de 2019

    Incognita (Engenheiro)

    Um assassinato?
    Um Frankenstein?
    Ficou em evidência para mim que Matemática fora quem tirou a vida do pai. Por razões que não ficaram claras. Por um segredo? Por raiva por ter tomado uma bronca quando leu o livro Frankenstein? É difícil dizer.
    Um jogo de palavras enigmáticas que nos leva a varias reflexões sobre a Matemática (filha).
    O pai, homem inteligente, matemático conhecido, aparentemente com muitos amigos conforme citado no texto. Homem peculiar, cheio de segredos a serem descobertos.
    Sobre a trama: A frase: “gire duas vezes no sentido horário e, três no anti horário”. Determina alguns acontecimentos ao longo da narrativa. Ao final se descobre ser o segredo para abrir o porão que Matemática passou todo o texto refletindo sobre se e como deveria abri-lo.
    Ponto Forte: Usar termos matemáticos para justificar ações da pessoa (Matemática). Gostei da analogia.
    Ponto fraco: Precisei ler três vezes e não entendi bem onde o autor queria chegar. Suspense ou terror? Assassinato? Ficção?
    Comentários: O texto é rico em uma diversidade de detalhes, embora, não tenham me causado terror. No mais, suspense, em tentar descobrir o que houve. Também não posso elencar este como sendo um comentário de todo preciso. Narrativas de terror precisam de certo suspense. Apenas, percebi que o texto carregou-se demais deste gênero.

  17. Prometeu
    8 de maio de 2019

    O conto narra momentos de uma matemática que acabara de enterrar seu pai, que ao que parece se suicidou. Ela está na casa dele e rememora trechos de suas vidas, indicando que tinham uma relação fria e distante. Ela analisa as equações deixadas por ele, percebendo que não as compreendia. Suas lembranças trazem-lhe desconforto, somado a tudo o que acabara de acontecer. Em seus devaneios, ela ouve sons vindos do porão. Mesmo reticente, ele decide descer até o lugar onde seu pai passava muito tempo. Ela encontra a chave, depois de muito procurar. Ela desce ao porão e se depara com um corpo que é de seu pai, mas com aparatos mecânicos acoplados, além de um ser sombrio que lhe lembra a morte. A voz que ela ouvira vinha daquele ser sinistramente bizarro e indicava-lhe como agir, girado a manivela presa ao corpo do pai. Ela segue as instruções e o corpo dele responde como um robô. Ele era algo como Frankenstein, criação de seu pai.

    Eu gostei um pouco. O conto me fez querer saber o que aconteceria. Apesar de várias memórias confusas, dos devaneios misturados ao que parece ter sido uma conexão pós-morte. Eu gostei do clima de suspense que o autor conseguiu criar. As personagens ficaram em segundo plano, com o foco na história propriamente. O que não vejo como falha. O texto não tem reviravoltas e segue um ritmo constante até o fim. Achei que o fim foi um pouco sem graça, afinal, havia um espectro sinistro lá, mas aquilo pareceu não afetar a mulher, que apenas optou por ignora-la.
    O domínio sobre a língua portuguesa é razoável. Percebi apenas falta de crase em partes que requeriam o uso e essa frase que poderia ser melhor dividida: O som do rádio finalmente soltou algumas palavras, a matemática decidiu se levantar e jogar alguns galhos secos na lareira, enquanto alimentava o fogo, se perguntava quem naquele século ainda tinha uma lareira em casa. Só o seu pai mesmo.
    O som do rádio finalmente soltou algumas palavras. A matemática decidiu se levantar e jogar alguns galhos secos na lareira. Enquanto alimentava o fogo, se perguntava quem naquele século ainda tinha uma lareira em casa. Só o seu pai mesmo.
    Você usou a palavra matemática 22 vezes para se referir à mulher. Isso é muito amador. Você poderia ter dado um nome a ela e variar as referências a ela como o nome, o pronome pessoal e também o título de matemática.

  18. Prometeu
    8 de maio de 2019

    Eu gostei um pouco. O conto me fez querer saber o que aconteceria. Apesar de várias memórias confusas, dos devaneios misturados ao que parece ter sido uma conexão pós-morte. Eu gostei do clima de suspense que o autor conseguiu criar. As personagens ficaram em segundo plano, com o foco na história propriamente. O que não vejo como falha. O texto não tem reviravoltas e segue um ritmo constante até o fim. Achei que o fim foi um pouco sem graça, afinal, havia um espectro sinistro lá, mas aquilo pareceu não afetar a mulher, que apenas optou por ignora-la.
    O domínio sobre a língua portuguesa é razoável. Percebi apenas falta de crase em partes que requeriam o uso e essa frase que poderia ser melhor dividida: O som do rádio finalmente soltou algumas palavras, a matemática decidiu se levantar e jogar alguns galhos secos na lareira, enquanto alimentava o fogo, se perguntava quem naquele século ainda tinha uma lareira em casa. Só o seu pai mesmo.
    O som do rádio finalmente soltou algumas palavras. A matemática decidiu se levantar e jogar alguns galhos secos na lareira. Enquanto alimentava o fogo, se perguntava quem naquele século ainda tinha uma lareira em casa. Só o seu pai mesmo.
    Você usou a palavra matemática 22 vezes para se referir à mulher. Isso é muito amador. Você poderia ter dado um nome a ela e variar as referências a ela como o nome, o pronome pessoal e também o título de matemática.

  19. neusafontolan
    6 de maio de 2019

    Uma versão moderna de Frankestein, deve ser
    Parabéns pelo conto

  20. José Leonardo
    5 de maio de 2019

    Olá, Engenheiro.

    SINOPSE:
    Uma matemática retorna do funeral do pai (também matemático). A casa está cheia de reminiscências. Mal os olhos tropeçam na lousa ou noutro objeto, e a lembrança do pai tem à tona. E reflexões sobre o porquê. O interesse do pai por outras áreas do conhecimento. A possível loucura. Recordações da infância; a mãe pintando um quadro estranho. A descida ao porão, de onde saem ruídos. A sombra ao fundo, com uma companhia assustadora. Revelação.

    ANÁLISE:
    É o primeiro conto que leio e já recebi alto impacto. Sua escrita não é requintada, mas por vezes se torna enigmática como o próprio mote. Isso é espetacular num conto — quando há esse matrimônio sagrado. Não sei se o compreendi por inteiro, mas isso não é um empecilho, já que acredito que contos dessa estirpe não darão todas as respostas, embora para alguns pareçam óbvias quando concluída a leitura.

    Sabemos que há uma relação ao mesmo tempo terna e estranha entre esse pai e a matemática, e que provavelmente ele foi vítima da “loucura do conhecimento extremo” tal qual um Quixote. Não sabemos quais moinhos de vento estavam diante dele; mesmo assim, as equações precisavam de respostas, as incógnitas tinham de ser reveladas. Então, uma grande incógnita se revela para a matemática. Ela estaria em meio a uma alucinação? Teria herdado a loucura do pai?

    Seu texto nos deixa repletos de perguntas, e essa é a grande graça dos contos de terror. Parabéns pelo que foi executado aqui. Há um ou outro erro de pontuação que certamente será corrigido em versões posteriores do seu conto, mas, no geral, a matéria lapidada está em excelente estado.

    Desejo a você sucesso neste desafio.

  21. Sidney Muniz
    2 de maio de 2019

    Resumo: Incógnita (Engenheiro)

    O conto fala de uma filha de um matemático. Começamos a história pelo prisma da filha, acompanhando seus passos após o enterro do pai, que era apaixonado por Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, e essa paixão o levou muito mais além de um simples fascínio pela obra, o pai da persona trabalhava as escura no porão onde havia uma espécie de espectro (talvez a morte) que tinha um aparato com o poder de reanimar seu pai, que estava lá, aguardando que a filha apenas acionasse o equipamento, e foi o que ela fez, trazendo de volta o corpo do pai, a alma, quem sabe.

    Bem, temos aqui um trabalho “mais do mesmo” pela falta de originalidade a meu ver, mas isso não é o maior problema, penso que as escolhas que o autor(a) fez durante a narrativa é que prejudicaram o bom trabalho, que poderia ser muito melhor.
    Nota-se a capacidade técnica, que ao mesmo tempo ficou ofuscada pelo excesso de palavras “aquelas quebra clima” onde meu eu leitor esperava algo mais cotidiano e de repente temos palavras que destoam da narrativa num todo. Claro que o conto tem uma pegada mais científica, mas o narrador tem alguns deslizes que me incomodaram nesse caso.
    Quanto a história em si, não curti muito, achei que o terror ficou forçado, tem certo impacto, mas não o susto, já a trama num geral é meio clichê, até mesmo por citar e partir da ideia do Frankenstein.
    O final também é uma incógnita de fato, pois não alcançamos nada ao final da leitura e o espectro/morte que aparece tira todo o brilho que deveria existir com a ciência que é vendida desde o início do conto, o que foi frustrante.
    O que tem de mais positivo para mim é a ambientação, o passo a passo, os ângulos que podemos enxergar com a narrativa dos detalhes e ambiente. Nisso o autor(a) foi muito bem.

    Avaliação: Incógnita (Engenheiro)

    Alguns detalhes me travaram, durante a leitura:
    “recém efetuado” “seus parceiros homens”
    uma foto dele pendendo – Acredito que deva ter uma vírgula depois de dele.
    mas seus olhares cansados do final da vida – Como descreve uma foto, nesse caso deveria, ao meu ver, ser; seu olhar cansado do final da vida.
    sempre soube que poderia encontra a chave do porão – poderia encontrar
    A voz saia de todos os lados e tremia a sala. – saía

    Avaliação:
    Terror: de 1 a 5 – Nota 2 (Não me assustei, nem chegou perto)
    Gramática – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Alguns erros, seja gramática ou escolha de vocabulário que me travaram a leitura)
    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 4 (Dá pra notar o talento, é óbvio)
    Enredo – de 1 a 5 – Nota 2 (Acho que não tem uma trama em si, está tudo solto demais)
    Personagens – de 1 a 5 – Nota 3 (No fim não me empolgaram o suficiente, não torci por eles)
    Título – de 1 a 5 – Nota 3 (Não procuraria um conto de terror com esse nome)
    Total: 17,5 pts de 30 pts

  22. Paulo Cesar dos Santos
    2 de maio de 2019

    Incógnita, uma obra interessante que conta os lamentos de uma filha, que sozinha na primeira noite após o sepultamento do seu pai, tem que vencer o medo de passar a noite em sua casa…
    Olá engenheiro, gostaria antes de tecer comentários a sua obra, de dizer que este observador, é um iniciante, então como em um habeas corpus preventivo, aceite meu pouco conhecimento. Entenderei sua decepção por minhas vagas criticas.
    Acho que seu trabalho, unido a seu pseudônimo, casaram muito bem, fez uma trama envolvente, que remonta a uma trama cheia de ideias, porém, acaba em uma incógnita.
    obs. Para um ignorante como eu, (nesta arte que é a matemática) você deu show ao terminar seu trabalho: “… não era seu pai, era uma incógnita…”
    Parabéns, espero que tenha uma ótima aceitação, sou um pouco avesso a este tipo de arte, mas não há como não observar a bela trama, digna de um engenheiro….
    Pontos negativos? Sinceramente não encontrei, por não ser o tipo de leitura, filme, “conto” e outras ramificações deste trabalho, evito explorar,contudo foi bem elaborada.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série C - Final, Série C2 e marcado .