EntreContos

Detox Literário.

Teatro das Vozes (Matheus Pacheco)

Teatro das Vozes de dias abusivos, de corais silenciosos que no frio fazem cantar para as Profundezas do Senhor que da terra já abandonou.

Teatro das Vozes que paira sobre a Noite Estrelada de astros disformes, sobre campos secos da Igreja solitária.

Noite Estrelada do Teatro das Vozes, que revela sobre o homem um Marte irado e caótico, trazedor da guerra e da violência.

Teatro das Vozes de tenores dispersos a procura do Caminho de volta, que cantam aos dançantes pés das tristes músicas.

Teatro das Vozes noturnas daqueles perdidos pela vida, guidados pelos choros prantos das mães desoladas.

Teatro das Vozes arauto da Tragédia que em seu doce sussurro desperta o Sino-da-Gota ideal do Abismo.

Sino-Gota que badala pela Noite Estrelada do Teatro das Vozes fazendo com as mais brutais tempestades parecerem garoas contra as lágrimas perdidas de crianças abandonadas.

Teatro das Vozes da Noite Estrelada que exala loucura e preocupação aos homens presos nas próprias mentes.

Teatro das Vozes do Sino-da-Gota que toca baixos graves de latão rachado e aço enferrujado.

Teatro das Vozes que ecoa nas Ruínas Monásticas, saqueadas e queimadas pelos povos bárbaros e selvagens.

Ruínas Monásticas do Sino quebrado pelo frio vento da Noite Estrelada que nas sombras abriga o Teatro das Vozes.

Ruínas Monásticas que refletem o interior da alma humana, abandonada pela fé dos homens,  mas ainda assim imponente e forte.

Teatro das vozes que clamam aos Santos pela paz do Senhor, de cantores que fazem o Corpo e o Sangue seu alimento transubstanciado.

Teatro das vozes que imita a Noite Estrelada em desolação e solidão no frio calculo de ações racionais.

Teatro das Vozes que potencializa o ruido do Sino que traz os fantasmas que assombravam os jovens para assombrar os velhos.

Noite Estrelada que carrega as Ruínas Monásticas como uma Mãe carregando o filho em ternura e calor.

Ruínas Monástica que abriga o Teatro das Vozes da Noite Estrelada e os protege do Sino da Gota.

Sagrada Profundeza do Senhor, que permite o entendimento humano da própria realidade distorcida.

Sagrada Profundeza que acolheu o Sino Quebrado pelo Teatro das Vozes durante a Noite Estrelada.

Profunda Gnose distópica, que escuda o Teatro das Vozes de sua Majestosa música.

Santa Sophia, Parte do Senhor, que ilumina as línguas do Teatro das Vozes em sua espreitada pelas Profundezas.

Teatro das vozes que pressente o Final, que canta ao mundo sons de agonia e de horror. Noite Estrelada que assombra artistas e pensadores. Sina-da-gota que quebra seu corpo ao próprio som de seu triunfo contra os justos. Ruínas Monásticas que espelham a Alma abandonada dos homens que um dia tentaram ser Santos. Sagrada Profundeza do entendimento que agora está fria e sozinha, esquecida e dominada por fungos e raízes. Profunda Gnose que transmite uma falsa Exegese ao mundo homogêneo. Santa Sophia que teve do útero seu filho tirado e jogado contra a pedra de Sião. Verdadeiro Ser Humano que espera pacientemente seu tempo no Senhor. Homem genérico que não reza nem se movimenta ao pregar igualdade.

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17 comentários em “Teatro das Vozes (Matheus Pacheco)

  1. Priscila Pereira
    22 de dezembro de 2018

    Como fazer um resumo??? Não sei… Preciso mesmo??

    Para mim esse texto é um poema, muito bom, por sinal. Pode ser também uma prosa poética, mas acho que não, porque não consegui achar um começo, meio e fim. Não há enredo, não há personagens… Me desculpe, autor(a), eu gostei da beleza lírica do seu poema, mas não pude chegar a uma compreensão satisfatória do seu significado.

  2. rsollberg
    19 de dezembro de 2018

    Fala, Demi.

    Storyline:Um demiurgo “cria” aqui o Teatro das Vozes, causa e consequência de muitas coisas. Temos filosofia, religião, que precisaria de uma semiótica insana, que, no momento, não possuo., Peço perdão por não conseguir resumir de outra maneira, vez que no meu entendimento é um texto de ampla interpretação, quase cifrado, com inúmeras referências. Somente fazendo a exegese do texto tenha como cumprir essa condição de maneira mais satisfatória.Não tenho Hagia Sophia para me ajudar, tampouco gnose suficiente para tecer comentário mais profundo.

    Não sei se o “teatro das vozes” é a farsa da oração, ou a representação de uma reunião de preceitos deturpados, criado pelo homem, obviamente. Essa liturgia atemporal de justificação, espécie de validação moral de comportamento,

    Infelizmente esse canto não ecoou no meu superego primal e pouco erudito.
    Mais uma vez, enquanto homem genérico e amoral, peço desculpas pela avaliação.

  3. iolandinhapinheiro
    18 de dezembro de 2018

    Olá, autor! Boa tarde. Acho que li umas cinco vezes e na última eu tive uma epifania (será?), logo, depois de muito espremer o juízo eu cheguei à seguinte conclusão: O teatro das vozes nada mais é do que uma referência à vida de Jesus, desde a concepção, nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição.

    O autor se utiliza de frases que nos levam a pistas sobre o que quer transmitir. Há muito de dor, de perda, de tristeza e escuridão neste texto, o que provoca um certo mal estar em que lê.

    A narrativa é toda lúgubre, depressiva, a imagem da torre no meio do lago reafirma esta solidão. O conhecimento nos deixa desolados, a ilusão da felicidade nos mantém confiantes, mas é apenas ilusão. A solidão é a nossa única verdade além da certeza da morte.

    Sabendo que na história de Santa Sophia não consta que seu filho foi tirado do útero e jogado contra uma pedra, deduzo que o autor não se refere à Santa, mas à Sophia – Sabedoria para os gregos, o que seria o filho da Sabedoria? Seria a Filosofia que deu origem à todas as ciências?

    Devo estar totalmente errada em minhas elucubrações, mas quem disse que existe a versão correta? Vou ficando por aqui e desejando que vc tenha muita sorte no desafio e o parabenizando pela coragem remeter um texto com este nível de complexidade.

    Um abraço.

  4. Pedro Paulo
    16 de dezembro de 2018

    RESUMO: Pelos versos, parece que o autor quis buscar o retrato do inerente caos da sociedade por através de representações, como o próprio “Teatro das Vozes” titular da obra. Confesso que em termos de enredo, não achei algo muito sólido para poder resumir, encontrando apenas algumas referências a ideais cristãos e aos sofrimentos não escutados da sociedade.

    O CONTO: No outro conto, com o qual este foi pareado, ainda hesitei, mas aqui eu acho que posso sim afirmar que não me encontro diante de um conto. A escrita é boa, o jogo de palavras é intrigante e evoca uma lógica própria à obra, mas não consegui apreender um enredo de início, meio e fim, com qualquer progressão na história a não ser a montagem de um cenário caótico, que pareceu condizente com a escatologia cristã, pelas menções ao Sangue e à Carne de Cristo. Minha avaliação é que isso é um tanto problemático dentro deste certame, pois embora tudo seja feito numa linguagem metafórica que é bonita e inevitavelmente provoca ao leitor a necessidade de se esforçar, não traz uma história bem definida, o que é essencial a um conto.

    Boa sorte!

    A DISPUTA: é uma disputa difícil e todas as outras foram, mas esta traz uma singularidade de ambos os contos terem me surpreendido por se trazerem em formatos que não parecem condizentes com o que um conto seria.

    Em “Crescer”, vê-se uma espécie de monólogo motivacional de caráter absurdo, enquanto em “Teatro” temos o que parece ser um poema descritivo do caos da sociedade. Em ambos os casos, não existe uma trama bem definida, pela qual se possa orientar a leitura em avaliação das decisões do autor quanto à narrativa. Existe, mais do que isso, um bom emprego da escrita, no que terei que fazer consistir a minha avaliação. Ambos os contos imergem o leitor e o obrigam a prestar muita atenção, pois há um esforço para justamente desorientar quem lê. De toda maneira, com base nisso, acredito que aquele que tem mais linearidade e, doravante, passa uma mensagem mais clara, é “O Que Você Quer Ser Para Crescer”, o qual nesta rodada favorecerei com o meu voto.

    Desejo muita boa sorte aos participantes para os confrontos que virão!

  5. Sidney Muniz
    15 de dezembro de 2018

    Poxa, mais um que por respeito voltei para reler e saí tão confuso e frustrado quanto antes, pois continuo não enxergando um conto, e aqui, para piorar não há história, um enredo, um algo que eu posso elogiar… É repetitivo, é maçante, é sem nexo. Desculpe, quero ler mais de você, enxergar que essa foi apenas uma escolha equivocada, e quem sabe ouvir o seu lado da história, o que realmente você defendeu aqui.

    Sorte e sucesso sempre!

  6. Givago Domingues Thimoti
    11 de dezembro de 2018

    Teatro das Vozes – (Demiurgo)
    Caro(a) autor(a),
    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!
    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.
    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor
    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.

    RESUMO: O conto aborda, suponho eu, Demiurgo, um deus menor, responsável por criar o nosso mundo e suas reflexões acerca de sua criação e os habitantes. Teatro das Vozes seria uma referência ao Planeta Terra. Noite Estrelada, por sua vez, representa o Universo.

    IMPRESSÃO PESSOAL: O conto falha em alguns aspectos importantes. É um daqueles contos-enigma, com muitas alegorias, que fazem o leitor quebrar a cabeça para (pelo menos tentar) entender a narrativa. Porém, mesmo com pesquisando acerca de palavras as quais considerei pistas, falhei no objetivo do(a) autor(a), pois senti uma grande falta de nexo nas construções. No final, a impressão que tive foi a de que li um aglomerado de frases com uma construção bonita, mas vazias de sentido.

    ENREDO: Como abordei acima, o enredo é um enigma, com algumas pistas deixadas pelo autor. Por ser tão aberto, é um conto onde a narrativa é incompreensível caso o leitor não embarque na ideia proposta. Acredito que abordar a premissa do Gnosticismo e o ponto de vista do Demiurgo é interessante. Entretanto, o exagero no mistério tornou a narrativa fraca, dependendo em demasia de um conhecimento prévio sobre a doutrina e uma dose de explicação do(a) autor(a).

    Adoraria que, ao final do Desafio, um resumo sobre a história seja escrita pelo(a) autor(a)

    GRAMÁTICA: Foi possível perceber alguns erros gramaticais, tais como falta de vírgulas e acentos gramaticais em palavras como “ruído” e “cálculo”

    PONTOS POSITIVOS:
    • O final possui uma crítica bastante interessante. Pregamos igualdade, mas não a buscamos.

    PONTOS NEGATIVOS:
    • Conto aberto demais;
    • Enredo sem nexo;
    • Alta dependência de um conhecimento prévio sobre o Gnosticismo. O conto não se sustenta por si mesmo.

  7. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2018

    Olá, Autor(a)

    Tudo bem?

    Resumo

    Partindo da imagem das ruínas de um antigo templo, o autor tece sua prosa poética, quase na forma de um cântico religioso, exaltando o sagrado naquilo que se convenciona chamar santidade, e, no profano.

    Meu ponto de vista

    Existe um local onde o conto toca o leitor através da trama do tecido das palavras. Isto foi o que ocorreu comigo neste texto. O modo como o(a) autor(a) optou por construir seu trabalho, transformou, para mim, a fluência das palavras, quase em música.

    Há muito o que se dizer aqui sobre o entendimento do teatro das vozes como um cântico, uma espécie de missa, exaltação ao que há de sagrado nas paredes que abrigaram essa sacralidade em outros tempos, assim como no homem, ele mesmo, um templo, em seu corpo e alma.

    Parabéns por seu trabalho.
    Boa sorte no campeonato.
    Beijos
    Paula Giannini

  8. Marco Aurélio Saraiva
    8 de dezembro de 2018

    Não entendi nada.

    =)

    Algo no seu poema fala comigo sobre o sofrimento da humanidade, a luta pela sobrevivência, a injustiça do mundo. Eu acho. Mas isso sou eu projetando qualquer coisa que imaginei ver nas linhas.

    Antes de mais nada: o texto não é um conto. Não é uma história com personagens e trama. É um poema, e um poema extremamente etéreo e subjetivo. Alguns poetas brincam com palavras e despertam emoções com a construção de frases que, mesmo desconexas, tocam a alma. Outros contam histórias quase em prosa mas pontilhadas de rimas e ritmo. O seu poema, porém, não faz nada disso (para mim, ao menos): as frases são um tanto desconexas mas não despertam emoção. Não há história entre as linhas. A leitura me pareceu mais uma grande coleção de palavras colocadas nos lugares errados.

    Para não dizer que não aproveitei nada, digo que gostei da forma como o poema evolui, aos poucos introduzindo ideias de frases que se confundem com o resto do texto e aparecem recorrentes em outros lugares. Ficou interessante, mas longe do ideal ou mesmo do legível.

  9. Ana Maria Monteiro
    7 de dezembro de 2018

    Observação: um misto de oração e poema, num texto soberbamente escrito mas que, definitivamente, não é um conto. Li imaginando ópera e recordando “O desespero da piedade”
    Prémio “Elogio da conscientização”

  10. Catarina Cunha
    7 de dezembro de 2018

    O que processei disso tudo aí: Quase nada. Li várias vezes e tenho que provar que o fiz. Complicado. Vi um conjunto de belas e bem estruturadas frases que falam de grande sofrimento da humanidade. Acho que a coisa é meio filosófica, como a humanidade transformou o mundo num grande teatro de horrores e deu nessa merda que estamos vendo hoje.

    Título: É lindo e poético.

    Melhor imagem: “Teatro das Vozes de tenores dispersos a procura do Caminho de volta, que cantam aos dançantes pés das tristes músicas”

    Impacto: Nenhum. O texto não me envolveu, embora seja muito bem escrito. Talvez eu não seja suficientemente culta para entender as entrelinhas e suas subjetividades.

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    1 de dezembro de 2018

    Resumo/Comentário/Avaliação: TEATRO DAS VOZES (Demiurgo)

    Confesso que, apesar de muita leitura e muita pesquisa, não posso afirmar que entendi o texto. A mim, a escrita soa como uma composição poética, uma louvação, uma ladainha. Parece prece, súplica, uma cantilena de desafogo. Transmite pedido de arrimo, uma invocação para que a desilusão se abrande.
    A escrita é esmerada, instruída, filosófica. Não há deslizes, apenas um erro de digitação.
    A imagem escolhida pelo autor é da torre sineira do lago de Resia, área de terra que foi inundada com a construção de uma hidrelétrica. A cidade ficou submersa, apenas o campanário ficou exposto. Procurei ler sobre o fato, queria saber se havia correlação com o conto. Pode ser…
    Fui ao pseudônimo. Demiurgo pode ser o organizador do universo ou o intermediário de Deus na criação do mundo. Enigmático…
    O texto traz beleza que pode ser sentida quase em todos os parágrafos. O autor baila com as palavras, usa figuras e expressões que fisgam o leitor.
    Algumas:
    “trazedor da guerra e da violência”
    “dançantes pés das tristes músicas”
    “choros prantos das mães desoladas”
    “lágrimas perdidas de crianças abandonadas”
    “homens presos nas próprias mentes”
    “ fantasmas que assombravam os jovens para assombrar os velhos”
    “Homem genérico que não reza nem se movimenta ao pregar igualdade.”

    Enfim, se há um conto nesta bela composição, neste poema que grita por um entendimento, por um “desfazer” do caos, minha compreensão ficou aquém.

    Portanto, diante da decisão que me cabe, tendo no páreo: TEATRO DAS VOZES (Demiurgo) e VÊNUS DE MILO (Praxiteles), o meu voto vai para VÊNUS DE MILO (Praxiteles).

    Boa sorte!
    Abraços…

  12. Sidney Muniz
    28 de novembro de 2018

    Resumo: Outro texto que também não classificaria como um conto, afinal não o é. O texto é quase uma oração, um meio-poema, mas o pior que para mim é bem repetitivo e maçante… Do que fala? Bem, sinceramente li e depois reli algumas partes e para mim ficou sem pé nem cabeça, peço desculpas ao autor(a), mas não tem como avaliar esse texto em alguns critérios.

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 3 – É bom, mas depois de ler o texto até perde o brilho!

    Construção dos Personagens: 1 – Não há personagem e na ausência dele avalio o narrador e nesse caso não dá pra dar nota, pois nem chega perto da categoria conto, em minha opinião.

    Narrativa: 1 – Nota mínima devido ao formato de texto e narrativa não funcionar comigo.

    Gramática: 5 – Não vi nada de errado!

    Originalidade: 1 – Fora da categoria, não dá pra avaliar.

    História: 1 – Sinceramente, não há história.

    Total de pontos: 12 pts de 30

  13. Wilson Barros
    26 de novembro de 2018

    Um poema em prosa, em um estilo místico, gótico, esotérico, soturno, lúgubre. As vozes do teatro clamam aos santos e prenunciam guerras e mortes. O Poema fala de monges, mosteiros e santos antigos, no mais puro estilo barroco.
    Poderia ter sido escrito por Allan Poe, autor de “Os sinos”:
    “Escuta os trenós com sinos
    Argentinos
    Que Países de festas felizes seus cantos ensinam!”
    (“Os sinos”, Edgard Allan Poe)
    Teatro das Vozes é mesmo um bom nome para um teatro. Foi uma boa sacada o paralelismo sino-da-gota / sina-da gota. O Poema às vezes tende para um horror lovecraftiano, mencionando profundezas antigas. Parece também uma lamentação futura, sobre um passado remoto de guerras religiosas. O clima foi bem trabalhado pelo autor, que conseguiu seu objetivo.
    Erros:
    sobre a Noite Estrelada >> sob a Noite Estrelada
    guidados >> guiados
    calculo>>cálculo
    ruido>>ruído
    Ruínas monástica >> Ruínas monásticas

    sino-gota, sino-da-gota, sino da gota sina-da-gota>> as várias grafias podem ser interpretadas como licença poética, acho que são aqueles sinos pendurados na porta que tocam com o vento

    obs: a ilustração é excelente

  14. Gustavo Araujo
    26 de novembro de 2018

    Resumo: Olha… Nem sei o que dizer. Parece um fluxo de consciência jogado a esmo, uma espécie de divagação sobre o mundo e seus atores, seus anseios, medos e pecados.

    Impressões: Seguramente há um público para esse tipo de narrativa. Lastimo dizer que eu mesmo não me incluo nesse círculo. É que o conto requer um nível de abstração, de entrega e de viagem que eu não consigo empregar. A mim a leitura pareceu arrastada, com idas e vindas, palavras repetidas aqui e acolá para gerar um efeito de eco, de resgate, de vai e vem. Não funcionou comigo. Sou do tipo leitor-reacionário, que prefere o esquema conservador que conduz de A para B, não necessariamente nessa ordem, de modo que construções como esta, que lembram a arquitetura de um folheto de missa (com todo respeito) não conseguem me tocar. É inegável que a pessoa que escreveu sabe o que está fazendo e controla o ritmo do conto. Isso é sempre louvável. Também dá para perceber a perícia da escrita por meio das construções frasais, da boa ortografia e do acatamento às regras gramaticais. Contudo, a meu ver, falta ao conto (se é que se pode chamá-lo assim) a alma. Apesar de parecer uma exortação, um grito de ordem contra alguma coisa (que eu não soube dizer o que é), não há um clímax, não há propriamente um desenvolvimento. Como exercício de escrita talvez se sustente, mas como história, para mim ao menos, não. Desculpe, mas não gostei.

  15. Fheluany Nogueira
    23 de novembro de 2018

    Temos, aqui, uma organização textual que se orienta pelo ritmo interior no agrupamento das imagens captadas pela sensibilidade e projetadas pelo mundo da sugestão.

    Resumindo a mensagem: no século da tecnologia, a comunicação é valorizada na reprodução de sentimentos e enfrentamento de situações. A dramaturgia procura despertar uma gama de sensações, crenças e reflexões, entretanto, para que este fenômeno ocorra, artistas e pensadores precisam de uma performance virtuosa e ágil, pois a nova ordem, criada pela globalização deixou o mundo próximo ao fim, em ruínas, com uma falsa sabedoria. A iluminação espiritual é buscada através do desprezo pelo mísero composto universal: “Teatro das vozes que pressente o, que canta ao mundo sons de agonia e de horror” — as vozes devem revelar o subtexto, os significados, e dar vida ao texto. Assim, o pseudônimo (Demiurgo) refere-se ao princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza o caos preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos.

    O texto é complexo, traz referências filosóficas, religiosas e históricas, como, por exemplo, Santa Sofia, protetora das mães, das viúvas e intercessora contra as doenças da pele mãe de três filhas (Fé, Esperança e Caridade), cujo nome significa “sabedoria de Deus”.

    A atmosfera textual é distópica e niilista, o cenário é trágico, a formatação é ambígua: uma oração? um poema? uma ária? Para conto, faltam os elementos constituintes (enredo, tempo, espaço, personagens, narrador, conflito, desfecho).

    O texto é composto por versos livres, longos, formados por uma só frase, exceto o último. Ocorrem repetições, como estribilhos e o uso da inicial maiúscula em diversas palavras sugere personificações ou destaque, recursos que impregnam o texto de musicalidade.

    As palavras vêm com uma pungência arrasadora, protestando firme ou com sutileza nas entrelinhas, ou lírico cantando o sensório da vida, metaforizadas, carregadas de simbologia. Gostei muito da linguagem poética das emoções despertadas, mas não se trata de uma narrativa com temática definida e desenvolvimento linear, mas antes uma articulação ficcional, na qual a palavra provoca mais um estado de espírito do que uma realidade narrativa de combinações estáveis.

    Parabéns pela participação. Boa sorte no Desafio. Abraço.

  16. Miquéias Dell'Orti
    22 de novembro de 2018

    RESUMO

    O texto nos traz algo como uma ode ao que o autor chama de “Teatro das Vozes”. Inicia-se com certas referências do teatro à violência, à tragédia e à miséria humana.

    Ao longo da obra, outros elementos tomam forma, interagindo (por assim dizer) com o Teatro das Vozes, como o grande sino que se quebra pela potência do próprio som; a Noite estrelada que recai sobre o Teatro das Vozes abrigando-o; e as Ruínas Monásticas que parecem querer demonstrar quão inabalável pode ser a fé, mesmo esquecida e arruinada.

    O desfecho apresenta Santa Sophia, mãe da Fé, do Amor e da Esperança, iluminando o Teatro. Apresenta também o chamado Verdadeiro Ser Humano, criatura que, segundo demonstra o texto, prega a igualdade, mas permanece inerte diante do mal.

    MINHA PERCEPÇÃO:

    O Teatro das Vozes me parece uma grande alegoria à miséria humana, um grito de socorro diante do sofrimento e penúria das pessoas mais carentes. Também há uma reflexão (segundo entendimento do meu eu-leitor) sobre essa face egoísta dos homens, que mesmo a observar o sofrimento, permanece distante e alheio a maldade, corroborando de forma velada com todo o mal que presenciamos.

    Um poema sem rimas, com versos soltos (os famosos versos brancos, me parecem, mas não tenho certeza por conta da métrica). O autor soube construir a narrativa de forma concisa e não há erros aparentes nem falhas de revisão.

    Um bom trabalho.

  17. Fabi
    21 de novembro de 2018

    Texto potente e poético que narra um teatro de vozes como se o texto encenado fosse lido em voz alta.

    Texto muito potente, entretanto é mais poesia que conto a me ver, mas a leitura flue muito bem.

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .