EntreContos

Detox Literário.

Trovador (Amanda dos Santos)

Daquele que vos fala não ouviras nenhuma palavra. SILÊNCIO. Apenas gritos em forma de prosa precariamente desenvolvida nas minúcias daquele que um dia foi um grande orador. Sabidamente o ilustre contador de estórias não se debruça infalivelmente nas páginas vazias como um grande literato. Por isso, paciência é necessária.

Comecemos com o monocultivo da representação mental da métrica, da forma, da estrutura. Bandoleiros, como eu, são seres incapazes de regrar o conto. O vocábulo revoltoso se curva diante da soberania do receptor. A linha temporal é tão menos importante quanto o léxico. Que terrível seria descontinuar o fluxo para uma consulta ao glossário. Não temos rodapé. Me dedico agora a navegar à contra corrente daquela na qual fui concebido. A obra escrita é imutável, é aquilo que está impresso sob o vernáculo. Embora amotinados, como eu, possam reverter o trâmite. Onde se esconderão a métrica, a forma e a estrutura então? TRANSGRESSÃO. Não seria este apenas mais um paradoxo do entendimento que adotei em minha limitada existência?

Não me resta nada além de compartilhar meu sofrimento. Contemplar a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento. O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma. Continuo com disciplina e obstinação trilhando meu caminho através da náusea. Assim como meu discurso, o texto entra em decadência até conhecer seu fim. Ainda que meu destino tenha sido decretado pela força de um oráculo humano, nenhuma autoridade me intima a ter satisfeito minha tendência fundamental. Sinto falta da ária. Por isso as laudas me põem desgostoso. Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.

Ah, sim. Tratando-se de um completo desnude, não posso faltar com a  motivação. O ar já não dedilha minhas cordas tão amavelmente. Mas a mente insiste em cantar e por isso ouso transmutar melodias em sentenças sem nunca esquecer que sou fundamentalmente um trovador. A vaidade de adquirir um novo rótulo não me seduz o que poderia resultar em uma daquelas definições gráficas que não me atrevo a me encaixar.

Findado meu queixoso relato, que seria muito mais benquisto se ao menos fosse ouvido devido a calorosa defesa da minha voz, percebo que o esforço não faz jus ao menos a alcunha de conto. Muito generosamente um mini ou micro. Uma parte milionésima daquilo que poderia ser arte. Resulta, então, neste fragmento vergonhoso que afigura um arremedo da minha própria existência. PARODIA.

 

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54 comentários em “Trovador (Amanda dos Santos)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Esse é o terceiro conto que faz referência ou utiliza imagem de caça palavras para ilustração. No seu eu não vi relação entre intenção e propósito, a linguagem narrativa achei muito rebuscada para o meu gosto e careceu de um experimentalismo mais ousado.

    Boa sorte no desafio!

  2. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Não vejo problemas em se apresentar um texto que não tem muito jeito de conto, mas a questão aqui é que, pra mim, o experimental ficou muito forçado, não vi relação das palavras cruzadas com o texto, só foi posto lá, a meu ver, não resolve muita coisa, não dá “aquele tcham”… Então, eu não consegui compreender o que o
    experimentalismo significou pra você…

  3. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Primeiramente eu devo me desculpar pela pressa que este comentário está sendo escrito, correndo riscos de má interpretação dos contos ou erros gramaticais..
    Tristeza e remorso é o que esse conto trás, pois aquele que nele escrevia se decai ainda mais nesses males animados.
    Vou dizer que eu me assustei quando vi o texto porque eu achava que ele era gigante e eu estou com o tempo contado para os comentários…
    Desculpe…
    Mas eu discordo do que foi dito por alguem nos comentários em relação a uma encheção de linguiça….
    ótimo conto e uma abração

  4. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de abril de 2018

    Eu gostei desse conto. O linguajar não me incomodou, pelo contrário. Achei muito bem tecido e com uma crítica inerente. Eu só acho que ficou faltando um pouca mais de gordura na obra, a autora, ou autor, poderia ter utilizado muito mais do limite de palavras.

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Pois repare na dualidade… alguns acham que mesmo curto o texto possui apenas ou muita gordura e não/pouco conteúdo. Outros acham que foi pouco desenvolvido.
      O que faço? Absorvo tudo e aprendo. É parte do processo.
      A você, especificamente, agradeço a critica e aviso que o tamanho foi proposital. Achei que ficaria muito pedante e prolixo por conta do estilo que escolhi. Talvez um parágrafo a mais não faria mal a ninguém…

      • Gustavo Aquino Dos Reis
        27 de abril de 2018

        Sim, meu amigo.

        O que fazemos com os apontamentos dos colegas? Os conselhos são facas de dois gumes. Falando por mim: eu os absorvo, leio cuidadosamente cada dica e apontamento, minto para mim mesmo dizendo vou levá-los ao pé da letra.

        Então, depois, quando escrevo novamente, ignoro tudo e enveredo pelo amor, pela dor, pela catarse, pela quebra das opiniões dos outros e até das minhas. Parabéns mais uma vez, meu irmão.

      • Gustavo Aquino Dos Reis
        27 de abril de 2018

        Acho que é por isso que nunca vou para frente nos desafios… Haha

  5. Anderson Henrique
    27 de abril de 2018

    Costumo travar na leitura sempre que encontro um rebuscamento insipiente em textos contemporâneos. Achei que este fosse mais um destes casos, mas tive a felicidade de encontrar um crítica justamente ao um modo de escrita que, em mãos menos habilidosas, soa artificial e ultrapassado. E aqui foi justamente o que você fez: escreveu de maneira excessiva, rebuscada e pedante justamente para montar uma crítica. E acertou também no tamanho do texto, que se fosse maior, seria terrível para o leitor. Gostei da proposta, gostei da crítica (ou paródia). Parabéns e obrigado por levantar a questão.

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Me alegra muito ler seu comentário.
      O anonimato não permite que o leitor saiba muito sobre o autor. Por isso usar uma voz que não é minha foi uma das experimentações pessoais que empreguei no texto. Portanto, cada comentário, positivo ou negativo, discutindo justamente sobre o estilo me faz sentir que alcancei algum sucesso nesta empreitada.

  6. Rubem Cabral
    27 de abril de 2018

    Olá, Resiliente.

    Inicialmente, quando vi o “pesca-palavras” quase ao fim do texto, imaginei algo lúdico, onde as palavras em maiúsculas estivessem escondidas, e alguma surpresa também.

    Contudo, a crônica revelou-se, ao invés, um tanto erudita e pomposa no linguajar, e acabei por não fazer a conexão necessária entre leitor e texto: a leitura seguiu, mas sem emocionar, sem incomodar. Senti-me como alguém que leu um texto técnico, por exemplo.

    Seja qual tenha sido sua ideia ou tese, penso que você poderia tê-la desenvolvido melhor, que o que foi apresentado aqui ficou relativamente truncado, que a comunicação não se fez.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Agradeço as considerações.
      É interessante que o texto pareça distante. A erudição exagerada possui esse efeito. Algumas palavras são melhor ouvidas que lidas… “se ao menos fosse ouvido devido a calorosa defesa da minha voz”

  7. RenataRothstein
    26 de abril de 2018

    Uma crónica bem escrita, vejo que vc, Resiliente, tem o dom da escrita, não consegui captar se houve uma tentativa de “protesto ” nas suas muito bem traçadas linhas, no emaranhado de letras aparece a palavra cronista…muito boa sorte!

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Sem protestos. Apenas dor e tinta. ;D

  8. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Realmente, um texto experimental para o autor, mas talvez um pouco descontextualizado no desafio. Tem característica de crônica ou ensaio, até pela linguagem do narrador e tom, sem uma linha de história, só de reflexão. Acho que o autor é talentoso, mas precisa ainda burilar mais esse texto para aperfeiçoá-lo. Boa sorte no desafio!

  9. André Lima
    25 de abril de 2018

    O texto tem um grande defeito para esse desafio: é difícil classificá-lo como um conto. Se isso foi proposital, é um tiro no pé.
    O excesso de palavras rebuscadas incomodou. Desculpe, mas não gostei do texto, tampouco consigo enquadrá-lo no desafio.

    O autor demonstra ter habilidade, o que me faz pensar que aproveitou mal o talento.

    Boa sorte no desafio!

  10. Thata Pereira
    25 de abril de 2018

    Eu gosto demais dessas críticas ao que é ou não é, ao que deve ser e ao que não deve ser. É um conto rápido, nem tão simples de ler e, por isso, importante ser rápido, mas não encontro novamente aqui a experimentação. Reforço o que disse em outros comentários: não estou me importando com isso para aplicar as notas, pois é algo que depende de autor para autor, mas quando não identifico a experiência, relato.

    Essa sofisticação nas palavras me fazem encarar o conto mais como uma prosa poética, mas olha eu aqui fazendo exatamente o que o conto está criticando… rsrs’ Gosto da crítica, não sei se me agrada a forma como foi escrita e acho fantástica a crítica ao próprio conto: parte forte do texto.

    Boa sorte!!

  11. Sabrina Dalbelo
    24 de abril de 2018

    Olá,

    Eu entendi o experimentalismo no uso acentuado de termos rebuscados relativos ao exercício de escrita. Está ali.
    O texto traz o foco para a construção da forma, não do conteúdo. E isso é bem bacana, pois demonstra o elevado conhecimento do autor nesse quesito.
    Eu não tô nem aí, como muitos falam, “ah, mas não é conto, ah, mas é crônica”… blah, blah, blah… estamos experimentando.
    O texto é bem escrito e funciona bem para o desafio.

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Touché! Não possuía ambição que alguém associasse a linguagem ao tema. O experimental está lá mas é acima de tudo um desafio pessoal. Agradeço seu comentário.

  12. Catarina Cunha
    24 de abril de 2018

    Frase masoquista: “Assim como meu discurso, o texto entra em decadência até conhecer seu fim.”

    Um ensaio de crônica, um autoflagelo de dar dó. Rsrsrs. Gostei do caça-palavras. Achei cronista, escritor, relator… Mas o que isso tem a ver com o conto? Acho que o experimento aqui ficou assim-assim.

    É claro que você domina a escrita e criou várias frases geniais; no entanto vazias de trama. Tive a impressão que você estava sem nada para contar e resolveu se contar para ver no que dava.

    Um caso raro de conto curto e cheio de gordura. Peço desculpas, mas tenho certeza que você poderia ter feito melhor.

    Parabéns pelo esforço.

  13. Luis Guilherme Banzi Florido
    23 de abril de 2018

    Bom dia! tudo bem?

    olha, sendo sincero não me envolvi muito com a leitura. notei uma pegada meio crônica, mas a linguagem excessivamente rebuscada atrapalhou um pouco a experiência para mim.

    não entendi muito bem a função do caça-palavras, também.

    entendi como divagações de um cronista sobre o processo criativo da escrita.. quase como as confissões de um escritor sem motivação.. me senti um pouco na pele do narrador, afinal, quem nunca passou por isso?

    enfim, tem um conceito legal, e uma forma ousada, mas não me envolveu muito enquanto leitor.

    boa sorte e parabéns!

  14. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá,

    Uma elegante forma de contar que não tem nada pra contar. Eu gostei do seu experimento, da forma rebuscada, da angústia transformada em poesia, tem passagens belíssimas de fato. Não tem enredo, é mais um desabafo de um autor que está em crise existencial na escrita é que se vê em dificuldades de escrever algo pré estabelecido, a ausência desse saber o deixa alheio ao que de fato é capaz de fazer.

    Quando a gente fica muito nessas questões de escrever pra isso e aquilo, corremos o risco de nos esquecer por simples prazer, sem saber pra onde vai, se o texto ganhará vida ou terá algum leitor. Às vezes Isso nem importa.

    Um texto simples, mas sofisticado, gosto de ler contos assim, ainda que para o experimento ficasse um tanto modesto demais..

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  15. Ana Carolina Machado
    22 de abril de 2018

    Oiii. Achei o conto bem criativo,ele é uma reflexão sobre a escrita e o ato de escrever. Gostei muito daquela frase que diz que a escrita é o canto do não canto. Parabéns pelo seu conto. Abraços.

  16. angst447
    22 de abril de 2018

    Pobre narrador, sofre tanto com a falta de inspiração e coragem de escrever um conto! São por que sendo um trovador deveria cantar sua criação e não a por no papel.Calar a própria voz,cedendo as luzes as palavras é sem dúvida uma nova experiência para ele. O canto ecoa e chega aos ouvidos de todos. Já a poesia, a literatura em geral, viaja pelos olhos alheios em silenciosa jornada.
    A linguagem é densa para se adequar aos arcaísmos de um trovador. O tamanho do conto é convidativo e evita que a leitura se torne muito cansativa. Para sorte!

  17. Rsollberg
    22 de abril de 2018

    Fala, resiliente!

    Percebi um conto camuflado por um crónica, pois em determinados momentos conseguimos visualizar bem o protagonista e sua jornada dolorosa.
    A escrita é muito boa, refinada, com uma proposta bem delineada.

    Esse trecho é muito bom e me fez lembra de um citação do Gene Fowler que resumidamente diz que escrever é muito fácil, basta encarar um folha em branco até que sua testa comece a sangrar. “Contemplar a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento. O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma”

    Parabéns

  18. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Resiliente!

    Tenho uma interpretação bastante particular de seu texto. E, sinceramente, ela me faz gostar demais do que li. A partir do momento que entendo que se trata de uma crônica, e não um conto, mas que por trás do cronista há um contista contando a história de um cronista tentando escrever um conto, a coisa fica bem interessante. E experimental! É isso? Não sei dizer, mas é como entendi.
    O texto é muito bom, feito com muito esmero e com uma escolha bem peculiar de termos (naquela linha, é crônica, é conto?). As reflexões ditaram o tom do texto e o fizeram parecer meio desabafo, meio exercício de força de vontade. Achei interessante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  19. Luís Amorim
    21 de abril de 2018

    O enredo tem algumas frases bem bonitas, poéticas mesmo, mas não é bem um conto, antes uma crónica. Mas estas também têm direito ao seu espaço, embora fosse pedido um conto neste desafio. Talvez fosse dispensável o quadro com as letras perto do fim, bastando estruturar a crónica de outro modo. Como positivo destaco também que este enredo trouxe-nos de volta a “profissão” de trovador.

  20. Evandro Furtado
    21 de abril de 2018

    Esse é um daqueles contos que quando a gente analisa, percebe que gosta mais do que achava. Escrever sobre o ato da escrita, nem sempre é fácil. Você o fez de forma, simples, mas profunda. Apontou aspectos que nem sempre a gente se debruça, mas que sempre estão presentes em quem escreve. Gostei particularmente do caça-palavras porque mostra como o escritor se perde nas suas palavras, nas suas sentenças. Na escrita, a gente encontra um modo de ser a gente mesmo, como se tivesse em um sonho.

  21. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, trovador. Gostei do seu texto sobre as dificuldades da criação da poesia. Estas dificuldades são-me familiares, mas eu já assumi não ser a poesia “a minha praia”. Encontrei alguns erros no seu texto, nomeadamente a falta de acentos. Já assumi, em conjunto com a minha falta de jeito para a poesia, que não me debruçaria sobre erros de português que pudessem ser causados por diferenças linguisticas entre os nossos dois países. Por outro lado, há o problema do seu conto não ser um conto. Mas, como estamos no domínio experimental, tudo é possível, até um conto que não é conto.

  22. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Se é um fragmento vergonhoso, o que faz aqui? Assim como no conto “Pelúcias”, aqui do desafio, acontece certa “fetichização” de desditas como se isso fosse algo louvável ou mesmo digno de algum fio de empatia, como quem busca um companheiro desafortunado pra ouvir, risonho, suas maledicências que de distraem de lavar a louça suja na pia ou arrumar o próprio quarto. Fica a mesma dica de leitura que deixei no texto do Teddy: “Amor”, de Clarice Lispector (link para ler online: http://www.releituras.com/clispector_amor.asp) , ou, um texto meu aqui do Entrecontos (link: https://entrecontos.com/2015/09/10/o-cara-com-o-charuto-cronica-higor-benizio/), ou ainda o bom conto O Elefante, A Sequoia, O Caranguejo e O Sapo aqui do desafio (https://entrecontos.com/2018/03/12/o-elefante-a-sequoia-o-caranguejo-e-o-sapo-dylan/) todos estes tratam a questão em algum aspecto, de um jeito mais bacana, mais maduro, que soa menos pedinte.

  23. iolandinhapinheiro
    18 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Apresentar uma crônica sobre a própria dificuldade em escrever um conto experimental é o que eu posso entender como experimentar e se arriscar.

    Vc apostou num escrita intimista, no fluxo de pensamentos em fina escrita, onde os sentimentos brilham em um mergulho na própria frustração. O risco era que muitos não entendessem ou apreciassem, mas eu admiro a coragem dos que tentam.

    Ainda que curto o seu relato é denso, não há personagens, não há enredo, mas um desabafo estiloso de alguém que se deparando com a impossibilidade de apresentar o que foi pedido, ofereceu o que tinha, sua dor.

    Acho que estou viajando aqui, rs.

    Parabéns pela ideia, se não der certo pelo menos vc foi fiel a si mesmo.

    Um abraço e sorte no desafio.

  24. Fabio Baptista
    15 de abril de 2018

    Eu meio que “fugi” desse comentário por algum tempo, esperando que a terceira ou quarta leitura ou algum comentário oportuno me trouxesse uma melhor compreensão. Infelizmente isso não ocorreu e estou aqui sem muito a comentar além de algo prolixo que no fundo quer dizer “não entendi patavinas”.

    Não que necessariamente houvesse (ou precisasse haver) algo a ser entendido, mas tenho impressão, e isso ocorreu em vários outros textos, que o experimentalismo foi interpretado como algo que deveria deixar o leitor “sem pai nem mãe” durante a leitura.

    No caça-palavras (sou ruim com essas coisas), só encontrei “ESCRITOR”, “CRONISTA” e “ATOR”.

    De positivo, algumas frases bonitas ao longo do texto. Essa aqui, provavelmente uma das melhores do desafio: “O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma.”. Mas foi pouco.

    Abraço!

  25. Mariana
    13 de abril de 2018

    Cronista, eis a palavra.

    Um texto muito bonito sobre as dificuldades e belezas da escrita, sobre como é difícil dar conta da magnitude da arte – sempre será a milionésima parte daquilo que chamamos arte. Todos aqueles que escrevem se identificarão ao ler o texto.
    No entanto, há a ausência de experimentalismo e de enredo – é um fragmento de alguém que nem vislumbramos quem é. O que não diminui a beleza e o alcance já comentados. Parabéns e boa sorte no desafio

    Ps: Adorei o pseudônimo, todo escritor é resiliente com os seus fracassos.

  26. Rose Hahn
    11 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Bagual (tradução: porreta);
    . Enredo: Lamurioso e glamouroso, mas ficou devendo.
    . Adequação ao tema: Por conta do caça-palavras.
    . Emoção: “Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas”.
    . Criatividade: Ótimo trovador, tem potencial para ser tb. contador.

    Nota: 10 7 6 5 4 3
    8 6 2 1 9 5
    3 3 8 4 6 9
    5 2 9 7 7 10
    1 1 3 8 6 4

  27. José Américo de Moura
    11 de abril de 2018

    Muito bom: “Não possou elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto go não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.” Uma verdade que faz o sofrimento de uma alma que agoniza ante uma tristeza de morte. O autor escreveu esse conta e disse em poucas palavras o que muitos pretendiam dizer com muitas e não conseguem.

    Um grande pensador, parabéns

  28. Evelyn Postali
    9 de abril de 2018

    Tão poético! Eu me vi refletindo sobre a escrita, sobre essa dor de querer arrancar de dentro o que se quer dizer e o não-dizer que consome a alma. Não sei se considero um conto. Talvez uma reflexão. E o experimentalismo, ao meu entendimento, se concentra nessa questão do agora, do estar se fazendo enquanto se faz – não sei se me fiz clara.

  29. Paula Giannini
    8 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Oculto sob o ofício de escrever há o sofrimento. Dor de se colocar a própria alma no papel (ou na tela) de modo a rasgar-se de dentro para fora. Após parido, o texto está morto. Criação natimorta para o pai que vê todos os demais fazerem dela o que bem entenderem. Após o parto, o texto é do leitor, e é ali que a alquimia se fará (ou não).

    Trazendo um texto sobre a arte da criação, ou, mais que isso, justamente sobre a dor do contista, cronista como alguns chamaram por aqui, e eu diria simplesmente escritor ou artista, o(a) autor(a)/personagem/narrador investe na intertextualidade para falar de si ao passo que, também, de cada um de nós.

    O trabalho é ótimo, escrito por alguém que possui uma verve belíssima e que, mesmo em meio desabafo (ainda que em forma de ficção), consegue cativar o leitor trazendo, junto ao azedume do desgosto, uma ótima prosa poética.

    Parabéns pelo trabalho.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini .

  30. Jowilton Amaral da Costa
    2 de abril de 2018

    Acho que o texto é um exercício de escrita, com passagens bacanas, sem enredo, personagens, clímax. Tá mais para crônica do que para conto, mas, tá valendo, já que o desafio é experimental, Está bem escrito, achei a criatividade baixa e me impactou pouco. Boa sorte no desafio.

  31. werneck2017
    31 de março de 2018

    Olá,

    Olá,
    Seu conto não-conto traz pérolas de rara beleza como a que segue:

    O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma. Continuo com disciplina e obstinação trilhando meu caminho através da náusea. Assim como meu discurso, o texto entra em decadência até conhecer seu fim.

    Dito isso, seu conto faltou conflito, faltou entusiasmar. Se o autor começa se desculpando, é esperado que ele reverta o quadro e surpreenda, ou que ele entusiasme o leitor e o leve a uma experiência emocional satisfatória, o que não aconteceu. Malgrado a beleza poética, o conto não entusiasmou nem pelo elemento experimental ( que a meu ver faltou) nem pela estória narrada que se manteve insossa e sem atingir o clímax esperado no conto. Boa sorte no certame!

  32. Antonio Stegues Batista
    31 de março de 2018

    Um conto /cronica? A lamentação de um autor sem ideias, que vai colocando frases rebuscadas, na página, coisas que vem à sua cabeça até algumas são dispensáveis porque não contam nenhuma história, apenas mostram a falta de algo mais original e surpeendente. Acho que a experimentação aqui falhou. Boa sorte.

  33. Fheluany Nogueira
    31 de março de 2018

    O resiliente ao passar por uma situação difícil, consegue fazer o que fazia antes sem perder o seu foco. Assim é o texto desenvolvido: um conto com cara de crônica, um desabafo em prosa poética, pequenas falhas gramaticais. É aquele fazer, negando que o faz — não deixa de ser uma experiência. Parabéns pelo trabalho. Abraço!

  34. Paulo Luís
    30 de março de 2018

    Um conto que não é conto, mas que não deixa de ser. Um trovador sem melodia, mas de palavras cheia de sons. Mas sua resiliência é enganadora, pois o tenho em minha conta, tanto quanto, “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente”. Não é mesmo senhor experimentador, pois digo que experimentou muito bem. Parabéns pelo belo prosear em versos.

  35. Ana Maria Monteiro
    30 de março de 2018

    Olá, Resiliente. Ou será que devo dizer cronista? Ou Trovador? Você decidiu ocultar o cronista só para quem queira procurá-lo, chamou-se de resiliente (e é bom para si que o que seja – para si e para todos, note-se) e intitulou este desabafo de trovador. O certo é que decidiu participar e fez muito bem. Tenho para mim que é a primeira vez que o faz e desejo que não seja a última. Gostei do que li e percebi que se tenha retratado (quantos entre nós não se sentiram assim miseravelmente diminutos ante uma folha de papel em branco?).
    Mas acho que acabo por escolher trovador (acertei) devido, em parte, a este excerto: “O ar já não dedilha minhas cordas tão amavelmente. Mas a mente insiste em cantar e por isso ouso transmutar melodias em sentenças sem nunca esquecer que sou fundamentalmente um trovador.”
    Faltaram alguns acentos, isso sim. Penso que logo na primeira frase quereria afirmar “ouvirás” e não “ouviras”, que é bem diferente. Esse foi o mais chato de todos, até por ser logo no início. Mas quanto ao resto, na qualidade da escrita não há nada a apontar, apenas a elogiar.
    Poderemos considerar um desabafo como experimental? Sim, penso que sim, se for autêntico, pois raramente o autor se despe “descaradamente” e acredito que você o tenha feito. Então foi experimental, isto para não repetir o que sempre digo: toda a escrita é experimental. Somos sempre virgens perante o papel “…a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento.”
    E sendo a escrita “a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.”, como poderá alguém afirmar que este grito sufocado não é experimental? É sim.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  36. Angelo Rodrigues
    30 de março de 2018

    Caro Resiliente,

    não sei como dizer, mas tenho um pouco de resistência a textos que começam com desculpas por estarem ali… exatamente… como textos. Se posso somar, diria que não é um bom começo, dado que, se o próprio escritor não acredita no texto, no que virá mais adiante, deus do céu, quem acreditará? Certamente não eu, que tenho mil coisa para ler (metaforicamente, estou falando).
    Entendi a sua proposta do “Eu sou o que não sou e vou dizendo isso até completar a minha cota de texto” e me exponho aqui como tal. Um limítrofe trovador-contista-escritor-relator, enfim, autor.
    Mas… não sei. Acho que, como costumam dizer aqui, faltou pegada. Faltou entusiasmar, de alguma forma, exatamente, o leitor. Ao tempo em que sobraram desculpas por não ser exatamente… o quê?, dado que o “eu não sou isso”, mas “sou aquilo”, não se explicitou no “eu sou isso”, entendeu? Foi bem assim.
    Sei lá, ficou confuso.

    Em resumo, seja resiliente com o que escrevo, dado que posso não ter compreendido seu texto como deveria.

    Boa sorte no desafio.

  37. Ricardo Gnecco Falco
    29 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = Um trovador. Uma trova. Um conto não-conto… E o eterno desafio de se caçar palavras que ultrapassem a quadrada caixinha que as contém… Taí, curti bastante este experimento. Parabéns!

    PONTOS NEGATIVOS = O experimento, embora válido, não soa como um conto experimental, mas aproxima-se mais de um texto reflexivo, filosófico ou, atém mesmo, etimológico.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Eu gostei do experimento, mas a história acabou ficando, paradoxalmente, quadradona demais, sem molejo, sem rebolado, sem a ginga e fluxo característicos ao Conto.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Continuar arriscando; quem sabe até mesmo criando mais personagens ou antagonistas (mesmo que imaginários), que trouxessem uma certa tensão ou aquele sentimento de ápice e queda tão característicos ao gênero.

    Boa sorte no Desafio!

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Este texto foi recebeu menos da minha atenção do que merecia. Os comentários estão me inspirando em trabalhar um pouco mais o Trovador. Suas sugestões são bem vindas!

      • Resiliente
        27 de abril de 2018

        *Este texto recebeu
        Parece que tenho que revisar melhor e digitar mais devagar os comentários também. ;P

  38. Priscila Pereira
    29 de março de 2018

    Olá Resiliente, você não tinha o que escrever, não se considera contista e sim trovador mas queria participar e escreveu sobre isso. Eu gostei! As palavras difíceis, os questionamentos, a desesperança no final… Tudo deu um tom decadente elegante…kkk
    Boa sorte!

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Sempre tenho o que contar, afinal o que é um trovador além de um contador de histórias? Brincadeiras a parte, agradeço o comentário.

  39. Fernando Cyrino.
    29 de março de 2018

    Meu caro autor Resiliente, você me apresenta as suas reflexões em cima de um caça-palavras. Legal tal criação, meu caro escritor, mas acho que o “pano de fundo” a história em si, não ficou a contento. Ela ficou devendo enquanto narrativa mesmo e baixo conflito. Sinto ter que lhe dizer isto aqui, como cronista que sou da sua história. Acho que, como escritor, poderia ter desenvolvido mais o texto, mesmo que brinque com o seu tamanho a final. Você se mostra um bom relator, tem domínio sobre as palavras e isto é essencial para a arte da literatura. Bem, é isto. Uma ideia bacana, mas que, na minha opinião, não foi suficientemente trabalhada. Meu abraço fraterno.

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Agradeço pela crítica e concordo plenamente. Deveria ter trabalhado mais e o farei no futuro. Creia, existe um pano de fundo que optei não abordar diretamente. Ao que parece coloquei muitos móveis na frente e ocultei demais.

  40. Regina Ruth Rincon Caires
    29 de março de 2018

    Autor, escritor, relator, cronista, ouvi seu queixoso relato. Não o julgo como “fragmento vergonhoso”, nem como arremedo. É um texto brilhante, de escrita refinada, trabalho de mestre. A folha branca persiste, também, diante de mim.

    Escritos que me tocaram:
    “Bandoleiros, como eu, são seres incapazes de regrar o conto.”

    “Que terrível seria descontinuar o fluxo para uma consulta ao glossário. Não temos rodapé.”

    “Contemplar a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento. O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma.”

    “Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.”

    Senhor Resiliente, não sei lhe dizer o que acabei de ler. Se apenas um relato, um desabafo, uma crônica, um bilhete, uma carta, um depoimento, ou apenas um grito silencioso. Mas li um texto reflexivo. E gostei muito.

    Parabéns pelo texto!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Agradeço imensamente as gentis palavras!

  41. Cirineu Pereira
    29 de março de 2018

    Bem, inicio sempre as leituras instigado pela identificação da característica experimental de cada conto, porém aqui, como nos confessa o próprio narrador “…esforço não faz jus ao menos a alcunha de conto” sequer um conto temos. E o experimentalismo, estaria no caráter prolixo do texto, na – perdoe-me por não encontrar expressão mais adequada -, na “encheção de linguiça”?

    • Resiliente
      27 de abril de 2018

      Sinto que tenha achado uma encheção de linguiça. Cada construção ali evoca um sentimento. E sim, é uma admissão sobre como não saber contar algo mesmo possuindo os recursos para tal.

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Informação

Publicado às 28 de março de 2018 por em Experimental e marcado .