EntreContos

Detox Literário.

Trovador (Resiliente)

Daquele que vos fala não ouviras nenhuma palavra. SILÊNCIO. Apenas gritos em forma de prosa precariamente desenvolvida nas minúcias daquele que um dia foi um grande orador. Sabidamente o ilustre contador de estórias não se debruça infalivelmente nas páginas vazias como um grande literato. Por isso, paciência é necessária.

Comecemos com o monocultivo da representação mental da métrica, da forma, da estrutura. Bandoleiros, como eu, são seres incapazes de regrar o conto. O vocábulo revoltoso se curva diante da soberania do receptor. A linha temporal é tão menos importante quanto o léxico. Que terrível seria descontinuar o fluxo para uma consulta ao glossário. Não temos rodapé. Me dedico agora a navegar à contra corrente daquela na qual fui concebido. A obra escrita é imutável, é aquilo que está impresso sob o vernáculo. Embora amotinados, como eu, possam reverter o trâmite. Onde se esconderão a métrica, a forma e a estrutura então? TRANSGRESSÃO. Não seria este apenas mais um paradoxo do entendimento que adotei em minha limitada existência?

Não me resta nada além de compartilhar meu sofrimento. Contemplar a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento. O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma. Continuo com disciplina e obstinação trilhando meu caminho através da náusea. Assim como meu discurso, o texto entra em decadência até conhecer seu fim. Ainda que meu destino tenha sido decretado pela força de um oráculo humano, nenhuma autoridade me intima a ter satisfeito minha tendência fundamental. Sinto falta da ária. Por isso as laudas me põem desgostoso. Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.

Ah, sim. Tratando-se de um completo desnude, não posso faltar com a  motivação. O ar já não dedilha minhas cordas tão amavelmente. Mas a mente insiste em cantar e por isso ouso transmutar melodias em sentenças sem nunca esquecer que sou fundamentalmente um trovador. A vaidade de adquirir um novo rótulo não me seduz o que poderia resultar em uma daquelas definições gráficas que não me atrevo a me encaixar.

Findado meu queixoso relato, que seria muito mais benquisto se ao menos fosse ouvido devido a calorosa defesa da minha voz, percebo que o esforço não faz jus ao menos a alcunha de conto. Muito generosamente um mini ou micro. Uma parte milionésima daquilo que poderia ser arte. Resulta, então, neste fragmento vergonhoso que afigura um arremedo da minha própria existência. PARODIA.

 

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24 comentários em “Trovador (Resiliente)

  1. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Resiliente!

    Tenho uma interpretação bastante particular de seu texto. E, sinceramente, ela me faz gostar demais do que li. A partir do momento que entendo que se trata de uma crônica, e não um conto, mas que por trás do cronista há um contista contando a história de um cronista tentando escrever um conto, a coisa fica bem interessante. E experimental! É isso? Não sei dizer, mas é como entendi.
    O texto é muito bom, feito com muito esmero e com uma escolha bem peculiar de termos (naquela linha, é crônica, é conto?). As reflexões ditaram o tom do texto e o fizeram parecer meio desabafo, meio exercício de força de vontade. Achei interessante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  2. Luís Amorim
    21 de abril de 2018

    O enredo tem algumas frases bem bonitas, poéticas mesmo, mas não é bem um conto, antes uma crónica. Mas estas também têm direito ao seu espaço, embora fosse pedido um conto neste desafio. Talvez fosse dispensável o quadro com as letras perto do fim, bastando estruturar a crónica de outro modo. Como positivo destaco também que este enredo trouxe-nos de volta a “profissão” de trovador.

  3. Evandro Furtado
    21 de abril de 2018

    Esse é um daqueles contos que quando a gente analisa, percebe que gosta mais do que achava. Escrever sobre o ato da escrita, nem sempre é fácil. Você o fez de forma, simples, mas profunda. Apontou aspectos que nem sempre a gente se debruça, mas que sempre estão presentes em quem escreve. Gostei particularmente do caça-palavras porque mostra como o escritor se perde nas suas palavras, nas suas sentenças. Na escrita, a gente encontra um modo de ser a gente mesmo, como se tivesse em um sonho.

  4. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, trovador. Gostei do seu texto sobre as dificuldades da criação da poesia. Estas dificuldades são-me familiares, mas eu já assumi não ser a poesia “a minha praia”. Encontrei alguns erros no seu texto, nomeadamente a falta de acentos. Já assumi, em conjunto com a minha falta de jeito para a poesia, que não me debruçaria sobre erros de português que pudessem ser causados por diferenças linguisticas entre os nossos dois países. Por outro lado, há o problema do seu conto não ser um conto. Mas, como estamos no domínio experimental, tudo é possível, até um conto que não é conto.

  5. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Se é um fragmento vergonhoso, o que faz aqui? Assim como no conto “Pelúcias”, aqui do desafio, acontece certa “fetichização” de desditas como se isso fosse algo louvável ou mesmo digno de algum fio de empatia, como quem busca um companheiro desafortunado pra ouvir, risonho, suas maledicências que de distraem de lavar a louça suja na pia ou arrumar o próprio quarto. Fica a mesma dica de leitura que deixei no texto do Teddy: “Amor”, de Clarice Lispector (link para ler online: http://www.releituras.com/clispector_amor.asp) , ou, um texto meu aqui do Entrecontos (link: https://entrecontos.com/2015/09/10/o-cara-com-o-charuto-cronica-higor-benizio/), ou ainda o bom conto O Elefante, A Sequoia, O Caranguejo e O Sapo aqui do desafio (https://entrecontos.com/2018/03/12/o-elefante-a-sequoia-o-caranguejo-e-o-sapo-dylan/) todos estes tratam a questão em algum aspecto, de um jeito mais bacana, mais maduro, que soa menos pedinte.

  6. iolandinhapinheiro
    18 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Apresentar uma crônica sobre a própria dificuldade em escrever um conto experimental é o que eu posso entender como experimentar e se arriscar.

    Vc apostou num escrita intimista, no fluxo de pensamentos em fina escrita, onde os sentimentos brilham em um mergulho na própria frustração. O risco era que muitos não entendessem ou apreciassem, mas eu admiro a coragem dos que tentam.

    Ainda que curto o seu relato é denso, não há personagens, não há enredo, mas um desabafo estiloso de alguém que se deparando com a impossibilidade de apresentar o que foi pedido, ofereceu o que tinha, sua dor.

    Acho que estou viajando aqui, rs.

    Parabéns pela ideia, se não der certo pelo menos vc foi fiel a si mesmo.

    Um abraço e sorte no desafio.

  7. Fabio Baptista
    15 de abril de 2018

    Eu meio que “fugi” desse comentário por algum tempo, esperando que a terceira ou quarta leitura ou algum comentário oportuno me trouxesse uma melhor compreensão. Infelizmente isso não ocorreu e estou aqui sem muito a comentar além de algo prolixo que no fundo quer dizer “não entendi patavinas”.

    Não que necessariamente houvesse (ou precisasse haver) algo a ser entendido, mas tenho impressão, e isso ocorreu em vários outros textos, que o experimentalismo foi interpretado como algo que deveria deixar o leitor “sem pai nem mãe” durante a leitura.

    No caça-palavras (sou ruim com essas coisas), só encontrei “ESCRITOR”, “CRONISTA” e “ATOR”.

    De positivo, algumas frases bonitas ao longo do texto. Essa aqui, provavelmente uma das melhores do desafio: “O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma.”. Mas foi pouco.

    Abraço!

  8. Mariana
    13 de abril de 2018

    Cronista, eis a palavra.

    Um texto muito bonito sobre as dificuldades e belezas da escrita, sobre como é difícil dar conta da magnitude da arte – sempre será a milionésima parte daquilo que chamamos arte. Todos aqueles que escrevem se identificarão ao ler o texto.
    No entanto, há a ausência de experimentalismo e de enredo – é um fragmento de alguém que nem vislumbramos quem é. O que não diminui a beleza e o alcance já comentados. Parabéns e boa sorte no desafio

    Ps: Adorei o pseudônimo, todo escritor é resiliente com os seus fracassos.

  9. Rose Hahn
    11 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Bagual (tradução: porreta);
    . Enredo: Lamurioso e glamouroso, mas ficou devendo.
    . Adequação ao tema: Por conta do caça-palavras.
    . Emoção: “Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas”.
    . Criatividade: Ótimo trovador, tem potencial para ser tb. contador.

    Nota: 10 7 6 5 4 3
    8 6 2 1 9 5
    3 3 8 4 6 9
    5 2 9 7 7 10
    1 1 3 8 6 4

  10. José Américo de Moura
    11 de abril de 2018

    Muito bom: “Não possou elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto go não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.” Uma verdade que faz o sofrimento de uma alma que agoniza ante uma tristeza de morte. O autor escreveu esse conta e disse em poucas palavras o que muitos pretendiam dizer com muitas e não conseguem.

    Um grande pensador, parabéns

  11. Evelyn Postali
    9 de abril de 2018

    Tão poético! Eu me vi refletindo sobre a escrita, sobre essa dor de querer arrancar de dentro o que se quer dizer e o não-dizer que consome a alma. Não sei se considero um conto. Talvez uma reflexão. E o experimentalismo, ao meu entendimento, se concentra nessa questão do agora, do estar se fazendo enquanto se faz – não sei se me fiz clara.

  12. Paula Giannini
    8 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Oculto sob o ofício de escrever há o sofrimento. Dor de se colocar a própria alma no papel (ou na tela) de modo a rasgar-se de dentro para fora. Após parido, o texto está morto. Criação natimorta para o pai que vê todos os demais fazerem dela o que bem entenderem. Após o parto, o texto é do leitor, e é ali que a alquimia se fará (ou não).

    Trazendo um texto sobre a arte da criação, ou, mais que isso, justamente sobre a dor do contista, cronista como alguns chamaram por aqui, e eu diria simplesmente escritor ou artista, o(a) autor(a)/personagem/narrador investe na intertextualidade para falar de si ao passo que, também, de cada um de nós.

    O trabalho é ótimo, escrito por alguém que possui uma verve belíssima e que, mesmo em meio desabafo (ainda que em forma de ficção), consegue cativar o leitor trazendo, junto ao azedume do desgosto, uma ótima prosa poética.

    Parabéns pelo trabalho.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini .

  13. Jowilton Amaral da Costa
    2 de abril de 2018

    Acho que o texto é um exercício de escrita, com passagens bacanas, sem enredo, personagens, clímax. Tá mais para crônica do que para conto, mas, tá valendo, já que o desafio é experimental, Está bem escrito, achei a criatividade baixa e me impactou pouco. Boa sorte no desafio.

  14. werneck2017
    31 de março de 2018

    Olá,

    Olá,
    Seu conto não-conto traz pérolas de rara beleza como a que segue:

    O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma. Continuo com disciplina e obstinação trilhando meu caminho através da náusea. Assim como meu discurso, o texto entra em decadência até conhecer seu fim.

    Dito isso, seu conto faltou conflito, faltou entusiasmar. Se o autor começa se desculpando, é esperado que ele reverta o quadro e surpreenda, ou que ele entusiasme o leitor e o leve a uma experiência emocional satisfatória, o que não aconteceu. Malgrado a beleza poética, o conto não entusiasmou nem pelo elemento experimental ( que a meu ver faltou) nem pela estória narrada que se manteve insossa e sem atingir o clímax esperado no conto. Boa sorte no certame!

  15. Antonio Stegues Batista
    31 de março de 2018

    Um conto /cronica? A lamentação de um autor sem ideias, que vai colocando frases rebuscadas, na página, coisas que vem à sua cabeça até algumas são dispensáveis porque não contam nenhuma história, apenas mostram a falta de algo mais original e surpeendente. Acho que a experimentação aqui falhou. Boa sorte.

  16. Fheluany Nogueira
    31 de março de 2018

    O resiliente ao passar por uma situação difícil, consegue fazer o que fazia antes sem perder o seu foco. Assim é o texto desenvolvido: um conto com cara de crônica, um desabafo em prosa poética, pequenas falhas gramaticais. É aquele fazer, negando que o faz — não deixa de ser uma experiência. Parabéns pelo trabalho. Abraço!

  17. Paulo Luís
    30 de março de 2018

    Um conto que não é conto, mas que não deixa de ser. Um trovador sem melodia, mas de palavras cheia de sons. Mas sua resiliência é enganadora, pois o tenho em minha conta, tanto quanto, “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente”. Não é mesmo senhor experimentador, pois digo que experimentou muito bem. Parabéns pelo belo prosear em versos.

  18. Ana Maria Monteiro
    30 de março de 2018

    Olá, Resiliente. Ou será que devo dizer cronista? Ou Trovador? Você decidiu ocultar o cronista só para quem queira procurá-lo, chamou-se de resiliente (e é bom para si que o que seja – para si e para todos, note-se) e intitulou este desabafo de trovador. O certo é que decidiu participar e fez muito bem. Tenho para mim que é a primeira vez que o faz e desejo que não seja a última. Gostei do que li e percebi que se tenha retratado (quantos entre nós não se sentiram assim miseravelmente diminutos ante uma folha de papel em branco?).
    Mas acho que acabo por escolher trovador (acertei) devido, em parte, a este excerto: “O ar já não dedilha minhas cordas tão amavelmente. Mas a mente insiste em cantar e por isso ouso transmutar melodias em sentenças sem nunca esquecer que sou fundamentalmente um trovador.”
    Faltaram alguns acentos, isso sim. Penso que logo na primeira frase quereria afirmar “ouvirás” e não “ouviras”, que é bem diferente. Esse foi o mais chato de todos, até por ser logo no início. Mas quanto ao resto, na qualidade da escrita não há nada a apontar, apenas a elogiar.
    Poderemos considerar um desabafo como experimental? Sim, penso que sim, se for autêntico, pois raramente o autor se despe “descaradamente” e acredito que você o tenha feito. Então foi experimental, isto para não repetir o que sempre digo: toda a escrita é experimental. Somos sempre virgens perante o papel “…a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento.”
    E sendo a escrita “a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.”, como poderá alguém afirmar que este grito sufocado não é experimental? É sim.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. Angelo Rodrigues
    30 de março de 2018

    Caro Resiliente,

    não sei como dizer, mas tenho um pouco de resistência a textos que começam com desculpas por estarem ali… exatamente… como textos. Se posso somar, diria que não é um bom começo, dado que, se o próprio escritor não acredita no texto, no que virá mais adiante, deus do céu, quem acreditará? Certamente não eu, que tenho mil coisa para ler (metaforicamente, estou falando).
    Entendi a sua proposta do “Eu sou o que não sou e vou dizendo isso até completar a minha cota de texto” e me exponho aqui como tal. Um limítrofe trovador-contista-escritor-relator, enfim, autor.
    Mas… não sei. Acho que, como costumam dizer aqui, faltou pegada. Faltou entusiasmar, de alguma forma, exatamente, o leitor. Ao tempo em que sobraram desculpas por não ser exatamente… o quê?, dado que o “eu não sou isso”, mas “sou aquilo”, não se explicitou no “eu sou isso”, entendeu? Foi bem assim.
    Sei lá, ficou confuso.

    Em resumo, seja resiliente com o que escrevo, dado que posso não ter compreendido seu texto como deveria.

    Boa sorte no desafio.

  20. Ricardo Gnecco Falco
    29 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = Um trovador. Uma trova. Um conto não-conto… E o eterno desafio de se caçar palavras que ultrapassem a quadrada caixinha que as contém… Taí, curti bastante este experimento. Parabéns!

    PONTOS NEGATIVOS = O experimento, embora válido, não soa como um conto experimental, mas aproxima-se mais de um texto reflexivo, filosófico ou, atém mesmo, etimológico.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Eu gostei do experimento, mas a história acabou ficando, paradoxalmente, quadradona demais, sem molejo, sem rebolado, sem a ginga e fluxo característicos ao Conto.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Continuar arriscando; quem sabe até mesmo criando mais personagens ou antagonistas (mesmo que imaginários), que trouxessem uma certa tensão ou aquele sentimento de ápice e queda tão característicos ao gênero.

    Boa sorte no Desafio!

  21. Priscila Pereira
    29 de março de 2018

    Olá Resiliente, você não tinha o que escrever, não se considera contista e sim trovador mas queria participar e escreveu sobre isso. Eu gostei! As palavras difíceis, os questionamentos, a desesperança no final… Tudo deu um tom decadente elegante…kkk
    Boa sorte!

  22. Fernando Cyrino.
    29 de março de 2018

    Meu caro autor Resiliente, você me apresenta as suas reflexões em cima de um caça-palavras. Legal tal criação, meu caro escritor, mas acho que o “pano de fundo” a história em si, não ficou a contento. Ela ficou devendo enquanto narrativa mesmo e baixo conflito. Sinto ter que lhe dizer isto aqui, como cronista que sou da sua história. Acho que, como escritor, poderia ter desenvolvido mais o texto, mesmo que brinque com o seu tamanho a final. Você se mostra um bom relator, tem domínio sobre as palavras e isto é essencial para a arte da literatura. Bem, é isto. Uma ideia bacana, mas que, na minha opinião, não foi suficientemente trabalhada. Meu abraço fraterno.

  23. Regina Ruth Rincon Caires
    29 de março de 2018

    Autor, escritor, relator, cronista, ouvi seu queixoso relato. Não o julgo como “fragmento vergonhoso”, nem como arremedo. É um texto brilhante, de escrita refinada, trabalho de mestre. A folha branca persiste, também, diante de mim.

    Escritos que me tocaram:
    “Bandoleiros, como eu, são seres incapazes de regrar o conto.”

    “Que terrível seria descontinuar o fluxo para uma consulta ao glossário. Não temos rodapé.”

    “Contemplar a página vazia tão ansiosa pelos meus versos me põe em eterno padecimento. O instante que a tinta toca no papel é aquele que precede o momento da morte de mais uma cota da minha alma.”

    “Não possuo elevado senso para reconhecer que a escrita é o canto do não canto. Que é a voz que ecoa no silêncio todas as palavras ditas, sussurradas ou gritadas.”

    Senhor Resiliente, não sei lhe dizer o que acabei de ler. Se apenas um relato, um desabafo, uma crônica, um bilhete, uma carta, um depoimento, ou apenas um grito silencioso. Mas li um texto reflexivo. E gostei muito.

    Parabéns pelo texto!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  24. Cirineu Pereira
    29 de março de 2018

    Bem, inicio sempre as leituras instigado pela identificação da característica experimental de cada conto, porém aqui, como nos confessa o próprio narrador “…esforço não faz jus ao menos a alcunha de conto” sequer um conto temos. E o experimentalismo, estaria no caráter prolixo do texto, na – perdoe-me por não encontrar expressão mais adequada -, na “encheção de linguiça”?

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Publicado em 28 de março de 2018 por em Experimental.