EntreContos

Detox Literário.

Capitão Narigudo (Fabio Baptista)

A luz do sol leva oito minutos para chegar a Terra.

E eu levei só um segundo para me apaixonar por você.

Átomos de hidrogênio foram esmagados no âmago da nossa estrela, espalhando uma chuva de fótons por todos os lados. A grande maioria se perdeu, partículas condenadas a viajar pelo vazio silencioso sem jamais serem notadas. Alguns, no entanto, seguiram em direção a um pálido ponto azul, e atravessaram as nuvens e apostaram corrida com as gotas de chuva, até encontrarem você. Ah, se aqueles fótons soubessem quão afortunados eles foram! Quase tão afortunados quanto eu, ao ver seu rosto pela primeira vez e descobrir que, querendo ou não, iria te amar pelo resto da vida.

— Chuvinha chata, hein? – eu disse, abrigando-me debaixo do mesmo toldo.

— Pois é… o dia estava tão bonito. Agora essa droga, bem na hora de ir embora – você respondeu, desabafando mais para o vento do que para mim.

— Bom, pra mim o dia só ficou bonito agora… – arrisquei, sem acreditar no que estava fazendo (nunca fui dessas coisas, juro). Sem descruzar os braços, você virou a cabeça e me olhou, semblante fechado. Por um instante, meu sangue congelou nas veias e me arrependi por não ter adiado a estadia no útero da minha mãe por mais trinta anos, mas, então, você sorriu.

E todo o maldito universo fez sentido ao menos uma vez.

Nos apresentamos, conversamos sobre as coisas bobas que os casais que se descobrem apaixonados conversam, demos risadas encharcadas de garoa e dopamina, xingamos os motoristas dos carros que jogaram água na calçada, e xingamos os que não jogaram também. Tudo estava encantadoramente perfeito, até você me contar sobre o seu emprego no jornal para, em seguida, fazer a inevitável pergunta:

— E você, o que faz da vida? Além de abordar moças desconhecidas com cantadas de pedreiro, é lógico.

— Eu… – hesitei, como sempre hesitava nessa parte. – Eu sou um super-herói – falei de uma vez, decidindo que não mentiria para você.

— Super-herói? – você caiu na gargalhada. – Tá tirando onda com a minha cara?

— Não… não estou, não – gargalhei também, fazendo parecer que estava.

— Tá… e quais são seus poderes? Você voa, tem superforça e tal? – você perguntou, com o espírito de quem entra numa brincadeira.

— Infelizmente, não. Na verdade, é um negócio mais estilo Professor Xavier.

— Você é médium?

— Não! Xavier dos X-Men!

— Ahhhh… o carequinha na cadeira de rodas! Hahahaha! – você riu tanto da bobagem que havia falado que até ficou vermelha.

— É, não sei se são os termos mais politicamente-corretos para se referir a ele, mas é esse aí mesmo – confirmei, enquanto sentia seu cheiro e desejava poder ouvir suas risadas para sempre.

— E qual é o seu nome de super-herói? “Homem-o-dia-ficou-bonito-agora”? “Super-Suburbano”? “Mister-Brasil”? Nossa… nome de super-herói não combina com brasileiro, né?

— Não, eu não tenho esse tipo de codinome e…

— Ah, já sei um nome legal! – você me interrompeu, falando desenfreada, empolgada com a própria imaginação. – Capitão Narigudo!

— Capitão o quê? – perguntei, levando instintivamente as mãos ao nariz. – Por quê?

— Ah, filho… olha o tamanho dessa napa! Hahahaha. Podia ser “super-ladrão-de-ar” também, mas esse combina mais com vilão.

— Rá, rá, rá… como você é engraçada. Meu semblante está sério agora, mas por dentro estou me acabando de rir, viu?

— Calma, não é tão feio assim. Só um pouco desproporcional, mas até que tem seu charme. Agora, fala a verdade… o que você faz da vida?

— Olha, tem uma lanchonete ali e essa chuva não tá com cara que vai passar tão cedo. A gente pode ir comer alguma coisa e daí eu te explico tudo com detalhes. Se você estiver com fome…

— Esse é o meu segredo, Capitão… eu sempre estou com fome.

Sim, como se eu já não estivesse apaixonado o suficiente, você ainda foi lá e parafraseou Vingadores.

***

Durante os cheeseburguers, milk-shakes de morango e a porção de batata com cheddar (putz, você estava com fome mesmo!), te contei sobre a equipe e a divisão secreta da ONU, sobre nossa batalha anônima contra um inimigo ardiloso, jurei de pé junto que não trabalhava com nenhuma super-heroína parecida com a Scarlet Johanson e, claro, tive que mexer os garfos com telecinésia pra você começar a acreditar em alguma coisa.

— Tá, então deixa ver se entendi: Existe um grupo de super-humanos, a maioria com poderes de telepatia. Mas tem uma menina mais forte que o Schwarzenegger… e tem um cara que pega fogo. E tem uma raça de alienígenas chamada Klógs que quer se infiltrar na Terra, e vocês lutam contra eles com ajuda de uma outra raça alienígena chamada Greys, que já está infiltrada na Terra e não luta diretamente, mas fornece armas pra que vocês lutem e tentem destruir a base dos Klógs em Netuno…

— Nereida – corrigi.

— Isso… Nereida. E vocês acionam telepaticamente essas máquinas de combate lá em Nereida e lutam, igual naquele filme dos robôs gigantes. Porque se eles conseguirem terminar a base, vão se reforçar e dominar a Terra, é isso?

— Bom, resumindo assim parece meio bobo, mas… é isso.

— Olha, e eu saí do trabalho pensando que “porra, Vanessa, já te pago uma fortuna e você ainda quer aumento?” seria a coisa mais surpreendente que poderia escutar hoje.

— Se eu disser uma mais surpreendente ainda… você me dá um beijo? – perguntei, me inclinando para frente e parando de sorrir por um instante.

— Faça o seu melhor, Capitão…

— Eu te amo. Quero me casar e ter filhos com você. Quero assistir todos os filmes da Marvel ao seu lado. E os da DC também, fazer o quê. Quero passear no parque de mãos dadas aos domingos e tomar sorvete e conversar e dar risada, enquanto as crianças brincam com o Spike (nosso cachorro). Quero ficar com você até o fim desse mundo e, se houver um Céu, quero ficar com você lá. Para sempre.

Abri meu coração como jamais havia feito, com a urgência daqueles que finalmente encontram o amor e desejam a eternidade, mas sabem que o tempo é matéria-prima escassa. Você secou a boca com um guardanapo, sentou-se ao meu lado e me deu o beijo mais doce de todo o universo.

— Só uma coisa que precisa ficar bem clara antes da gente continuar – você disse, me encarando com firmeza. – Não gosto de cachorro, eu gosto de gato. Então, nada de Spike.

Seis meses depois, num sábado frio de primavera, nós nos casamos.

***

A cerimônia foi simples, como você queria. Apenas familiares próximos e amigos chegados, o que resultou em cento e cinquenta pessoas do seu lado e meia dúzia do meu. Os Klógs, quietos por quase um mês, resolveram atacar bem na véspera, como se tivessem escolhido a data em que mais me causariam problemas. Assim como eu, os poucos amigos que vieram estavam apreensivos, conferindo os relatórios da batalha a cada dois segundos. Mas ainda éramos humanos e o vinho nos fez esquecer um pouco a guerra e até arriscamos uns passos de Macarena, nos divertindo como se não soubéssemos que o mundo corria perigo.

Depois do “aceito”, do “pode beijar a noiva”, do bolo e das intermináveis fotos com padrinhos, nós conseguimos nos falar. Você estava com um sorriso tão feliz, brilhando no vestido branco como deviam brilhar os anjos no Paraíso, no princípio da Criação.

— Gostei dos seus amigos – eu falei.

— Gostei dos seus, também. O cara que pega fogo veio?

— Não, ele precisou fazer hora-extra.

— Pena. Ele podia dar uma força aumentando a temperatura lá na cozinha. Pessoal do buffet tá meio devagar, todo mundo com o estômago nas costas e essa janta não sai. – Então você cochichou no meu ouvido: – Mas, vem cá… você não falou que só trabalhava com mulher feia? Quem é a super-vagabunda ali?

— O nome dela é Camila, amor. E ela tem super-audição…

— Sério? – você arregalou os olhos na direção da moça, crente que havia cometido a maior gafe da paróquia (literalmente).

— Não, tô zoando. Ela consegue fazer contas mais rápido do que um computador quântico, só isso.

— Ai, seu besta! Vou contar seu codinome pra eles, hein, Capitão…

— Nem pense nisso!

A felicidade daquele dia ficou tatuada no meu coração e me aqueceu e me deu esperanças em muitas e muitas noites de frio e medo nas trincheiras de Nereida.

***

Dois anos depois, nasceu Heitor. Eu tinha escolhido “Enzo Gabriel”, mas você me demoveu dessa ideia, alegando que toda criança parecia ter esse nome agora. Sabe, você estava certa. Só na classe do Heitor havia oito Enzos (sem exagero). Heitor só tinha cinco. E em algum momento todos eles se apaixonaram pelas Sofias e Lauras. Independente do nome, ser pai foi a experiência mais incrível que já tive. Ver aquele ser sorridente e indefeso aprendendo uma coisa nova a cada dia, era uma bênção da qual nunca me julguei merecedor. Se pudesse escolher um superpoder, certamente escolheria parar o tempo e congelaria nossa vida ali, para sempre.

Mas os Klógs não estavam muito preocupados com a minha felicidade, e foi nessa época que os ataques se intensificaram. Estávamos perdendo posições estratégicas e precisamos dobrar os turnos, guerrear à exaustão. Eu lutava por você, por Heitor, pelo planeta. As semanas fora de casa eram um sacrifício pelo nosso futuro e eu sempre tive certeza que você entendia e, bobamente, pensei que até se orgulhava de mim. Mas um dia, após longa campanha, cheguei em casa e você me recebeu com um beijo frio.

— Fica fora o maior tempão… e, quando volta, só fica olhando esse celular, nem fala comigo, nem brinca com o Heitor – você disse.

— Amor, eu tenho que acompanhar os relatórios e ficar atento pra ver se não vão precisar de mim.

— E quando eu preciso de você aqui em casa? Como faço pra te chamar?

— Vanessa, a gente já conversou sobre isso. Se eu não trabalhar…

— Vai acontecer o quê? O que os Klógs vão fazer se dominarem o mundo?

— Eles vão nos controlar nos bastidores como se fôssemos marionetes, vão nos escravizar aos poucos, até não restar mais liberdade nenhuma no mundo.

— Então deixa eu te contar uma coisa, Capitão: o mundo não precisa dos Klógs pra ser uma merda.

— Isso torna tudo mais difí… – o celular tocou e eu desviei o olhar para atender. Estavam me convocando. – Eu tenho que ir.

— Acho que eu vou junto. Tenho um superpoder agora, sabia? Eu me tornei a Mulher-Invisível…

***

Quando voltei pra casa, você estava ainda mais fria e distante. Então eu fiz algo que não deveria ter feito. E essa carta é, entre outras coisas, para te contar e pedir desculpas por isso. Eu vasculhei seus pensamentos. Fui até o último dos seus neurônios para tentar descobrir se ainda me amava. E o que encontrei, me fez tremer mais do que uma armada de Klógs. Você estava apaixonada pelo novo carinha da redação. Eu vi suas memórias, vi que ele te elogiava, te dava atenção, te fazia rir. Vi que vocês nunca tiveram nada, mas não faltava vontade. Fiquei triste, revoltado e magoado. Mas o que eu podia esperar? Era injusto continuar com você e te privar daquele amor. Definitivamente não era o que eu queria, mas negar a realidade seria puro egoísmo. Mais cedo, mais tarde, eu acabaria morrendo em batalha de qualquer forma. Por amor a você, decidi abrir mão de tudo.

Mas antes, resolvi vasculhar a mente do filho da mãe, só pra ter certeza.

Então vi que o sujeito não era boa coisa. Sem muito esforço, plantei na cabeça dele a irresistível vontade de fazer intercâmbio na Nova Zelândia (espero que tenha se endireitado por lá, ou levado uma mordida de Dragão-de-Komodo e morrido). Com um pouco mais de trabalho, apaguei as sinapses que te atraíam a ele e refiz as sinapses que te atraíam a mim.

“Tudo que se faz por amor está além do bem e do mal”, Nietzsche filosofou. Eu me apaguei a isso nas noites em que a consciência ficava mais pesada. Pensei em te contar por várias vezes. No fundo, sabia que era errado e, também, sabia que teria feito o mesmo caso descobrisse que o cara era uma boa pessoa.

Até que os Klógs deram uma trégua e, numa noite de dezembro, nós fomos caminhar no parque. Heitor ficou encantado com as luzes piscando ao redor das árvores e nós choramos em silêncio, tamanha era a alegria que tínhamos no simples fato de observá-lo correndo e tomando sorvete.

— Olha, mamãe… aquelas árvores não precisam se preocupar com as formigas – disse Heitor. Nós, intrigados, perguntamos por quê. – Ué… – ele falou, como se estivesse prestes a explicar a coisa mais óbvia do mundo – com essas luzes em volta, as formigas vão tomar choque!

Não sei se um dia você vai me perdoar. Mas naquele momento, eu me perdoei.

E me convenci que teria feito tudo de novo.

***

Em quatro bilhões de anos, a Via Láctea colidirá com Andrômeda. Humanos, Greys, Klógs e quaisquer outras raças que ainda tenham a desventura de estar vivas, perecerão. Outras galáxias estarão muito longe e não haverá para onde fugir. No fim inevitável, todas as guerras, todos os amores, todos os sorrisos, frustrações e tristezas, o bem e o mal, os atos covardes e heroicos, tudo que já esteve nesse canto esquecido do universo, vai imiscuir-se ao pó das estrelas, vai desaparecer como se nunca tivesse existido. E não haverá ninguém para chorar ou sentir saudade.

Em quatro bilhões de anos, estaremos condenados, de um jeito ou de outro.

Mas o câncer no seu pâncreas decidiu que não iria esperar tanto tempo assim.

Você morreu numa tarde de setembro e minha vida nunca mais foi a mesma depois disso. Minha rotina foi, na verdade. Porém, parte do meu espírito (a parte feliz) se perdeu. Heitor cresceu e se tornou um rapaz muito bonito e inteligente. Casou com uma moça linda (chamada Sofia! rsrs) e arrumou um bom emprego, numa dessas empresas de tecnologia. Acho que ele esqueceu meu telefone, mas tudo bem. Hoje, depois de muito tempo, liguei para ele. Estava numa reunião ou algo do tipo, me atendeu com voz apressada. Pra não atrapalhar, eu só disse “filho, eu só queria que você soubesse que eu te amo muito. E que eu penso em você e sinto sua falta, todos os dias da minha vida”. Ele respirou fundo e respondeu, agora com a voz embargada “também te amo, pai”.

Já me despedi dele e agora me despeço de você, meu amor. Por muitas vezes, desejei que os Klógs me vencessem em combate, para que eu pudesse ir ao seu encontro. Bom, hoje acho que finalmente os miseráveis vão me atender. A base deles está montada e tentaremos uma última ofensiva, mas não temos muitas chances. Eu fiz o que pude. Eu combati o bom combate e te amei em todos os momentos. Foi um grande privilégio. Se houver um Céu, rezo para que Deus tenha piedade da minha alma e faça meu caminho chegar até você.

De alguma forma, eu sei que você está me esperando.

 

Com amor,

Capitão Narigudo.

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46 comentários em “Capitão Narigudo (Fabio Baptista)

  1. Mônica
    4 de janeiro de 2018

    Fiquei emocionada e meio sem graça de comentar aqui. No último conto seu, falei menos do que a vontade e acabei sendo rude. Talvez tenha sido a bala na cabeça, mas pensando bem, foi o tira da misericórdia.

    Talvez você discorde, mas a obra de arte ela é separada do seu autor quando nasce e percorre o mundo por conta própria. No anterior, onde se tem detalhes da intimidade, inclusive o lado da parede, e foram acentuadas as frustrações da vontade de sentido, talvez, pelo limite de palavras, tenha deixada o ápice a desejar. Mas, nesse a emoção aflorou mesmo sem o “sorriso de sol de domingo”.

    Há uma harmônia nas necessidades conflitantes ao invocar os desejos independente das verdades, as que exigem realizações fantasiosas, imaginativas. É algo semelhante a Catarse de Aristóteles, no final temos a calma da mente, e o autor fez de modo tão suave ao longo da narrativa que só depois de terminar a leitura é que o leitor percebe que se trata de um profundo ensaio e não apenas uma história de super-heróis e forças intergaláctica.

    Tem uma frase de Nietzsche que diz: “Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como.”

  2. Marco Aurélio Saraiva
    30 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Uau. Uma odisséia e tanto! Uma história de amor, tristeza e comédia. Tudo narrado com humor nas horas corretas, tal qual o uso correto das pitadas de drama e de sofrimento. Sim, a sua história faz passear pelo leitor todos estes sentimentos.

    Só achei estranha a pitada de ingenuidade logo no início, quando casal se conhece e, na mesma noite, estão perdidamente apaixonados e prometendo um casamento com filhos! Bem fora do comum, não? Mas acho que, em parte, entendi a sua jogada: muito do seu conto explora os clichês das histórias de herói. Guerras com forças alienígenas, amores instantâneos e completos, um time de heróis com poderes diversificados, referências ao mundo pop… você trabalha com a comédia muito bem, conseguindo, inclusive, inserir no meio dela o drama necessário para fazer meus olhos tremerem um pouco quando soube que a esposa do Capitão Narigudo tinha morrido.

    Também acho que, de certa forma, o seu texto foi uma ode em forma de comédia aos textos do EC. Há diversas referências aos “clichês internos do EC”, como os nomes de Sofia e Laura. Posso estar errado, mas foi o que me pareceu, ehehehe!

    Foi uma leitura prazeirosa e bastante autoral. Não conheço muitos que conseguem equilibrar as risadas com o drama como você fez.

    =====TÉCNICA=====

    Você escreve muitíssimo bem. Não sei se foi proposital mas, às vezes, o seu texto navegava entre o formal e o informal. Como o texto era narrado em primeira pessoa e, no final, entendi que era uma carta de despedida, achei que a informalidade havia sido uma decisão consciente do autor para emprestar uma certa veracidade à carta. De um forma ou de outra, você sabe usar bem as palavras, sabe explorar os seus personagens e intigar sentimentos no seu texto como poucos. Só achei a narrativa um tanto apressada em alguns trechos mas, pudera, com uma história tão grandiosa fica quase impossível não correr um pouquinho!

  3. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    O conto tem a pegada que eu gosto, esse lance de te levar. É uma escrita simples, mas que não te faz ficar pensando nisso: é simples. O leitor simplesmente vai, como se fosse guiado. Então não fica dúvida que como leitura, foi uma das melhores até agora, se não a melhor. Em relação a trama, ela é boa, mas infelizmente eu não tenho como deixar de dizer que existe nela algo de familiar, não só pelo estilo de escrita, mas pelo estilo de enredo, a muitos contos que já li no entrecontos. Não sei explicar bem: a construção dos personagens, o carisma aliado a certo cinismo e deboche, piadas, referências, a parte do drama (que normalmente envolvem perdas, câncer). Eu realmente estou batendo nessa tecla porque acho que a turma, e eu incluso, entrou num pequeno loop de ideias e abordagens. Espero em 2018 que nós ousemos mais. A boa notícia é que não estou tirando pontos por conta disso e teu texto vai ter boa nota porque foi uma leitura muito boa que pisquei o olho já estava acabando de tão natural. Abração

  4. Leo Jardim
    30 de dezembro de 2017

    # Capitão Narigudo (Charles)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – Esse é o meu segredo, Capitão… eu sempre estou com fome (o diálogo estava incrível até aqui, mas foi nesse ponto que o texto me ganhou!)
    – os personagens são muito carismáticos e essa cena inicial da chuva é uma que vou guardar para estudar todos os dias como fazer
    – depois da cena inicial, o conto continuou muito bom, o casamento foi bem legal, mas não foi do mesmo nível da cena inicial
    – a trama em si não é muito complexa, até meio linear, mas compre bem o papel de ser uma fofa carta de amor
    – a parte da guerra com os Klógs ficou meio turva, não entendi muito bem como ela era: se eles usavam robôs controlados por telepatia, pra que os poderes deles eram úteis lá no outro planeta? E como eles morriam em combate? Sei que não era o foco, mas podia ter explicado mais ou mesmo simplificado as coisas (teletransporte, por ex.)
    – o grande clímax do conto, pra mim, foi quando ele resolve usar os poderes para fazer ela se apaixonar por ele de novo
    – depois que isso ocorre, tem a cena do parque com o filho que é muito bonita, talvez devesse ter terminado ela
    – o fato é que o fim após o clímax acabou se estendendo muito; não chegou a prejudicar e ficou triste e fogo, mas fiquei com essa impressão (nada muito grave)

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐):

    – já falei do excelente diálogo e construção dos personagens, mas ainda tenho que registrar que o resto também ficou muito bem construído, com boas sentenças, descrições e entrando na mente dos protagonistas quando necessário, trazendo as questões filosóficas que tanto amamos
    – A luz do sol leva oito minutos para chegar *a* (à) Terra

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – os poderes e tudo mais não foram o destaque, mas sim os personagens tão reais

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – estava até mais da metade do conto achando que descontaria uma estrela porque os poderes eram só plano de fundo de uma comédia romântica
    – mas aí veio a cena em que ele descobre que ela não o amava mais: sem os poderes, isso não ocorreria; e que questões que isso traz, hein? No lugar dele, será que teria feito o mesmo?

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫):

    – após um início sensacional e risadas gostosas até mais da metade com várias boas referências (até o uso do meme doo Enzo), o conto sobe um degrau na escadaria da qualidade na cena que já citei um monte de vezes
    – o fim, porém, dá uma pequena decaída, ficou um pouco melodramático demais, mudando o tom usado até então; mas como o nível estava muito alto, a queda nem foi tão importante assim

  5. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    46. Capitão Narigudo (Charles):
    A PREMISSA escolhida, uma namoro de super-heróis, se não é extremamente original, teve o mérito de contar com tratamento sobre o assunto com leveza de história cotidiana, um relacionamento comum, incluindo os sentimentos muito humanos de vingança, frieza e saudade. Na parte da TÉCNICA, destaca-se a construção frasal, desde a abertura, a meu ver excelente: “A luz do sol leva oito minutos para chegar a Terra. E eu levei só um segundo para me apaixonar por você.” Na parte do APRIMORAMENTO, acredito que tenha pouco a sugerir, apenas noto que em alguns pontos a história quase resvalou para o sentimentalismo, e o superpoder ficou em segundo plano. E o formato de carta póstuma também não me agradou.

  6. Edinaldo Garcia
    29 de dezembro de 2017

    Capitão Narigudo (Charles)

    Trama: Super-herói faz desabafo revelando o lado humano de um ser com superpoderes.

    Impressões: Um conto com cara de carta. Poético e emocionante. Personagens carismáticos, com uma pitada de humor de muito bom gosto. Um conto cheio de açúcar com boa pegada dramática e muitas doses de ficção científica. Tudo funcionou bem e até algumas cenas meio absurdas como o fato de o protagonista ter acabado de conhecer a mulher amada e já lhe pedir em casamento (!), mas soou tão bonitinho… Como não se apaixonar por esses personagens?

    Linguagem e escrita: É boa, fluida, leve.

    Veredito: Um conto muito gostoso de ler.

  7. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Charles. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    O seu conto tem drama e comédia na dose certa e assim não vira tragicomédia. Está muito bem escrito e conduzido. Gostei imenso da fluidez narrativa e da forma como o capitão Narigudo se abre perante o nosso olhar, sem rodeios nem heroísmos, apesar de ser um super-herói. Aliás, isso faz parte natural da sua vida, não é nada estranho ou anormal. O seu tom é descontraído e ligeiramente melancólico em simultâneo. Você escreve com muita competência. Notei um único deslize na revisão, fruto, certamente, de um erro de digitação daqueles que passam completamente despercebidos, foi aqui: “Eu me apaguei a isso”, seria “apeguei”, certo? Então, vale a pena mudar essa letra. Só houve um único momento em que a leitura me travou, foi quando ele regressa a casa e é recebido com esta frase: “— Fica fora o maior tempão… e, quando volta, só fica olhando esse celular, nem fala comigo, nem brinca com o Heitor – você disse.”, penso que isso não sucederia assim, ela o receberia friamente e diria esta frase alguns minutos mais tarde após ele atender o telemóvel. Só aponto estes dois pormenores devido à extrema competência do texto, que não merece mácula; a um contista mais fraco nem referiria. Ou seja, a pequena chamada de atenção, pode não parecer, mas é um elogio. E com tantas competências, ainda se adequou perfeitamente ao tema proposto. Gostei muito da sua história e do seu espírito. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  8. Catarina Cunha
    29 de dezembro de 2017

    Nada melhor do que começar um conto com duas frases simples e bombástica. Aqui já me fisgou pelo supercílio.
    Temos aqui os melhores diálogos do desafio. E o grande trunfo deste conto é o mergulho profundo no cotidiano de um homem comum, com seus erros e acertos, mas com um trabalho perigoso, exaustivo e necessário: um super-herói. Gostei do foco principal ser a sua família e não o seu trabalho.
    Vai perder só uns décimos por causa dessa gordurinha na cintura do conto que desacelerou a trama no meio e comprometeu o fim. Merece uma enxugada.

  9. Amanda Gomez
    28 de dezembro de 2017

    Olá!

    Eu entendi as referências!!

    Foi um prazer ler seu conto, literalmente, me divertir muito, rir bastante de vários trechos, você conseguiu contar essa histórias com doses perfeitas nos momentos certos.

    Não consigo pensar em que parte mais gostei… o inicio, os primeiros diálogos são ótimos e cativam o leitor de imediato. Depois o tom vai ficando mais sério, mais explicativo,entra em ação os dramas.Mas mesclado a tudo isso o humor continua ali…a gente não espera e do nada está rindo.

    Gosto bastante de histórias assim, leves, bem contadas, divertidas. Tem umas pieguices mas isso só acrescenta também.

    Quando o conto sai da comédia romântica pra chegar ao quase melodrama eu senti sim, falta do ritmo anterior, pois acabou tornando-se previsível. Mas ofuscou só um tantinho de nada.

    Pra mim este conto fica de igual pra igual com outros tidos como mais ” cabeças” aqueles rebuscadinhos ( que também adorei) e isso é a melhor parte do desafio!

    Ps: eu realmente adoro quando entendo todas as referências em uma história rs.

    Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

  10. Miquéias Dell'Orti
    28 de dezembro de 2017

    Oi 🙂

    Bem… acho que esse é um dos contos mais bonitos do desafio.

    Tem um início que apresenta bem os dois personagens e a relação entre eles.. o amor que surge de uma conversa, o nascimento de um filho… e também os problemas, as brigas, o distanciamento… tudo isso dentro de um universo onde Klógs querem invadir o planeta…

    E eu acho que o grande mérito do conto é esse. Os Klógs estão arrebentando com o barraco… eles querem foder a porra toda… mas a gente está pouco se lascando pra isso… queremos saber é o que vai acontecer com o Narigudo e Vanessa (que por sinal me lembrou muito a mina do Deadpool no filme dele, acho que por conta do senso de humor).

    A carta foi uma sacada e tanto… deu uma estrutura fechada para a história… gostei do recurso… mas acho que os diálogos poderiam ter sido trabalhados de forma diferente (a não ser que você realmente escreva cartas assim, daí tudo bem kkkk)

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

  11. Rubem Cabral
    28 de dezembro de 2017

    Olá, Charles.

    Muito bom o conto: bem narrado, com bons personagens e diálogos naturais.
    A ideia de alguém combatendo alienígenas usando robôs controlados por telepatia lembrou-me um tanto Pacific Rim. Achei um bocado fantasiosa a ideia, mas a leveza e a simpatia dos personagens carregaram o conto. Inclusive, a “invasão” mental feita pelo capitão deu um toque de humanidade a ele, o que foi bem bacana: ele não é perfeito.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  12. Fernando Cyrino.
    28 de dezembro de 2017

    Que conto gostoso, que conto bonito acabo de ler aqui no Desafio. Uma história contada em forma de carta e que funcionou otimamente. Gozado que comecei torcendo o nariz para as primeiras frases. Mas aos poucos a narrativa do Capitão Narigudo me conquistou. Dizer mais o quê? Um conto, sem dúvida para o primeiro, no máximo o terceiro lugar, arrisco-me a dizer. Parabéns mesmo. Um abraço.

  13. Fabio Baptista
    28 de dezembro de 2017

    Finalmente li o conto que estão falando que é meu e tive que duplicar a dose de insulina de hoje! hauhauhau

    Açúcar à parte, eu gostei. Curti principalmente os diálogos, soaram muito naturais, as piadas entre o casal (rachei o bico no “super-vagabunda” kkkkkkk), etc. O superpoder (tema) estava bem em segundo plano e cheguei a desconfiar que era apenas uma lorota do cara, mas há um elemento na história que não poderia ocorrer sem o tal poder – a mudança das sinapses da esposa. Esse, aliás, acho que é o ponto alto no lado “filosófico” da coisa (que gosto bastante). Foi certo, foi errado? Eu faria? Pqp… ainda bem que não tenho esse poder, a tentação seria grande kkkk.

    Na parte técnica, eu teria trocado os travessões por aspas, na parte dos diálogos. Acho que ficaria com mais cara de carta dessa forma.

    Abraço!

  14. Ana Carolina Machado
    27 de dezembro de 2017

    Oiii. Antes de mais nada gostaria de dizer que amei a frase do início:”A luz do Sol leva oito minutos para chegar a terra. E eu levei só um segundo para me apaixonar por você ” . Achei tão bonito e doce esse início de conto. A construção das frases formaram um conjunto perfeito que passa a verdadeira ideia de um amor a primeira vista. Gostei muito das referências as coisas do universo nerd, aos filmes da Marvel. E gostei também da forma como a história foi narrada, em formato de uma carta em que o personagem conta tudo de uma forma bem pessoal. Achei interessante como o personagem era meio que um herói anônimo, tipo ele lutava contra os aliens, mas ninguém sabia e a mulher dele meio que não entendia as ausências dele por causa dessas lutas. Achei isso bem triste, pois se ele morresse em combate como acho que vai acontecer devido ao que diz no final, ninguém ia saber, visto que a única que sabia, a mulher dele, também já havia morrido. Parabéns. Boa sorte!

  15. Estela Goulart
    27 de dezembro de 2017

    Olá. Até agora, foi o conto que eu mais ri durante a leitura. Até tentei criar um ponto negativo dizendo que tudo fluiu muito rápido e muito direto na vida do personagem, mas por que não pode ser assim na vida real, não é? De qualquer forma, a história é muito legal. Encontrei alguns pequenos erros gramaticais, mas não me atrapalhou em nada. Talvez, o conto aparente ser meio desleixado, escrito às pressas, mas acho que o que vale é a intenção da história. E sua intenção foi bem clara: contar a história de um super-herói eternamente amante de sua esposa. Parabéns e boa sorte.

  16. Givago Domingues Thimoti
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Charles!

    Tudo bem?

    Para mim (faltando a leitura de três contos), arrisco dizer que esse é o melhor conto do Desafio. Bem escrito, equilibrado, fluído, inteligente e com final, ao mesmo tempo devastador e perfeito! Sei que foi meio sombrio, mas, não sei o porquê, mas arrancou um sorriso de mim. Talvez tenha sido a sensação de dever cumprido que o autor da carta teve.

    Adorei a referência à Nietzsche, muito bem escolhida

    Parabéns e boa sorte!

  17. Luis Guilherme
    27 de dezembro de 2017

    Bom diaaaa! Tudo bão por ai?

    Caraaaca, que conto incrível! Parabéns, Capitão Narigudo. Já valeu meu dia! HAhaha

    Só falta um pra eu ler, então a não ser que tenha uma grande surpresa, acho seguro dizer que esse será meu conto preferido do desafio. É simplesmente maravilhoso.

    Pra começar, os diálogos estão perfeitos. Completamente naturais e fluidos. Incríveis. A forma como eles se conheceram, a conversa naquele dia. Me lembrou até um pouco aquela trilogia “Antes do por do sol”. Nele, também, os diálogos são a alma do enredo.

    Mas o seu conto não ficou só nos diálogos. A leitura é muito prazerosa, não dava vontade de acabar. Todas as situações são muito reais e palpáveis, sei lá.

    Até metade do conto, mais ou menos, achei que o superpoder seria apenas um plano de fundo da história (o que não seria ruim), mas ele foi crescendo em importância a partir do momento que criou um conflito no enredo, levando o conto ao clímax. O momento em que ele invade a mente dela é forte e chocante.

    Aliás, talvez pela questão dos conflitos familiares, o conto me fez lembra de Os Incríveis. Claro que são histórias bem diferentes, mas são boas abordagens de superpoderes afetando positiva e negativamente a vida em família.

    O conto tem vários momento bem engraçados, também! Em especial, na parte dos Enzos. Hahahaha. Caraca, não acredito que tô rindo de um meme dentro de um conto! hahahahah

    Por fim, gostei bastante de descobrir que se tratava de uma carta meio que de despedida/desculpas dele pra ela, especialmente ao descobrir sobre a morte da mulher. A dose de drama foi na medida, sem ficar muito doce.

    Enfim (ufa), um excelente conto, divertido, com um pouco de drama, natural e muito real, que coloca o conflito entre salvar o mundo e salvar o próprio casamento (em ambos os casos, apelando pros superpoderes, rsrs)

    Abraço, parabéns e boa sorte!

    Boas festas!

  18. Pedro Paulo
    27 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Com este conto, o autor mostrou domínio da trama, nos dando uma narrativa que, enquanto soa como uma declaração de amor, não deixa de nos apresentar personagens identificáveis e uma história para seguir que está totalmente dentro do tema proposto do desafio. Então, já inicio o comentário lhe parabenizando.

    A história é toda cadenciada no tom de uma comédia romântica, com um narrador personagem que redige sua história destinada ao amor da sua vida, começando do dia em que a conheceu. Aqui, os diálogos importam bastante, pois além de demonstrarem uma dinâmica leve, atraente, são pontuados por ponderações do homem, que intensificam o seu amor pela futura esposa. Há certos trechos que parecem exagerar nessa admiração, mas eu relevo por parecerem naturais à emoção que ele sentia ao escrever a história.

    Com esse desenvolvimento inicial, ficamos envolvidos com os personagens a ponto de sentirmos por eles quando as coisas começam a ficar ruins e ele invade a mente dela, indicando nuances que são tão necessárias para construir personagens que pareçam reais, imperfeitos como qualquer ser humano. A morte da esposa também é sentida e dá um desfecho poderoso à história, dando sentido àquela carta, que nesse ponto vem não só como declaração, mas também como um pedido de desculpas, de reconciliação (com ela e consigo mesmo), algo que o personagem menciona e nos deixa pensando o que aconteceu com a esposa… e a resposta é avassaladora.

    Ainda vou comentar a esperteza do autor em relegar toda a trama espacial, da guerra nas estrelas com os Klógs, para o segundo plano da história, ao mesmo tempo em que ela pontua a dinâmica central do conto, estando presente quando ele conhece a esposa, no casamento quando os colegas de trabalho se fazem presentes, nos problemas maritais, sendo a razão do seu afastamento e, depois, na conclusão da história, num último desejo do protagonista de morrer na guerra, esta que esteve tão presente em toda a sua vida, mas não tanto no conto. Uma abordagem muito bem feita do tema do desafio, parabéns!

    Aliás, as referências e piadas não passaram batido aqui, só para que saiba.

  19. Paula Giannini
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Não sei se você conhece, creio que não, pois não é vendido em livrarias, o livro de contos “O Herói Insone” – David Mendes – Editora Oito e Meio. No livro, há um conto (que dá nome ao livro) e que levanta uma “tese” muito interessante. O texto traz a trama de um pai de família que “pira” se imaginando o herói para seu filho e esposa. O que me chamou atenção nele, no entanto foi o que meu marido, ao ler, comentou comigo. Ele me disse que todo homem sentia aquilo. Uma necessidade oculta, um desejo de ser o super-herói daqueles que tanto quer proteger.

    Confesso que, ao iniciar minhas pesquisas para o desafio, pensei em abordar esse tema que, ao passo que é tão cotidiano, oferece terreno fértil para o fantástico e a aventura.

    Seu conto, para mim, fala justamente desse aspecto masculino (ou não) da vida de todos nós.

    Seu protagonista tanto poderia ser um poderoso herói salvando a humanidade e, assim, afastando-se da família, devido à quantidade de ocupações necessárias para tanto, como um trabalhador comum, trazendo trabalho para casa, sem tempo para mulher e filho. E esse, para mim, é o ponto alto de sua premissa, bem como da trama.

    Confesso (este comentário está cheio de confissões) que quando li sobre o câncer, por um breve instante imaginei que o(a) autor(a) perderia a mão de um trabalho que vinha sendo construído belamente com todas as características necessárias a uma boa comédia romântica (o encontro, os instantes onde tudo são flores, o momento do grande conflito, onde tudo parece perdido e, enfim, o final feliz, que aqui o autor reverteu introduzindo o câncer na vida da esposa), felizmente, entretanto, ao menos para mim, isso não aconteceu. O texto resvalou, mas não caiu no piegas. Chegou, também devo confessar, a me dar um nozinho na garganta.

    Um belo conto, redondinho, do início cheio de poesia interestelar, ao final.
    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Paula Giannini
      27 de dezembro de 2017

      Ah! Esqueci de dizer que quando li o título e vi a imagem, pesei que se trataria de uma homenagem a “Cyrano de Bergerac”. 😉

  20. Fheluany Nogueira
    26 de dezembro de 2017

    Superpoder: lutar contra inimigos galácticos, penetrar nos pensamentos, alterar sinapses nervosas.

    Criatividade e enredo: Gostei do formato epistolar, da mistura de romance, do cotidiano e ficção, tudo em tom de humor.

    Estilo e linguagem: estão bem amarrados, o tom confessional com diálogos mesclados tornaram a leitura mais leve e agradável. O foco narrativo de primeira pessoa coloca o texto mais próximo da fala e justifica as poucas falhas gramaticais. Bom trabalho. Parabéns! Abraço.

  21. Fil Felix
    26 de dezembro de 2017

    Boa tarde! Quando assisti o filme Melancolia, achei estranho que, com o mundo literalmente acabando, a galera tava bem tranquilona. E tive uma sensação parecida aqui, que me incomodou um pouco. A história, levando em conta o começo do romance, os anos de casado, o filho, os problemas, o desinteresse amoroso e final trágico, segue um esquema que acontece com (praticamente) todo mundo, sendo assim bastante identificável com o leitor, romântico e legal. Porém a questão do super-herói e o contexto alienígena ficaram bem estranhos. Poderia ser qualquer profissão ali, assim como o poder só tem real utilidade quando ele afeta a consciência dela e do crush. Acho que o autor tentou mostrar a vida secreta dos super-heróis, lidando com família e tudo o mais, mas comigo não funcionou muito bem. Tem uma HQ, o Homem-Animal, que retrata isso (ele é casado, pai e herói falido), porém os poderes estão sempre no meio de tudo (ele até vira vegetariano). E pela temática do desafio, senti que isso ficou muito no fundo, estava ansioso pela esposa realmente entrar em contato com a rotina do marido, que os aliens invadissem a cidade, algo que não desse a entender que está bem lá longe. Fora isso, escrita muito tranquila de ler, optando por um formato mais descontraído, com gírias e termos de internet (como os rsrs), que dão uma despretensão ao texto.

  22. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Os três primeiros parágrafos (particularmente o terceiro) sugere que a narrativa tomará determinado caminho, com uma narrativa mais intimista. Entretanto, logo a seguir o discurso muda completamente, assumindo, por assim dizer, a “normalidade” de uma narrativa destinada ao público jovem. Ao final, contudo, o(a) autor(a) retoma o intimismo inicial e descobrimos, surpresos, que o motivo de o discurso do narrador ser elaborado como se houvesse um interlocutor é que o texto é uma missiva, uma carta de despedida. Entretanto, não é uma epístola ao pé da letra, escrito exclusivamente em terceira pessoa: a inserção de diálogos retira o foco da voz narradora e ilumina a relação dos personagens, como se não fosse uma epístola.

    Ao optar por esse caminho, o(a) autor(a) dá ao texto duas características nítidas: um bem elaborado bom humor e um exagero romântico. A primeira é bastante típica da literatura jovem e, não raro, resulta em diálogos abobados. Não é, entretanto, o caso. O tom do humor está na medida certa, dosando bem com o drama do personagem, acerca do qual o(a) autor(a) parece ter tomado cuidado para não escorregar no dramalhão.

    A segunda característica, em minha opinião, comprometeu a qualidade narrativa. Acontece por parte do personagem um amor instantâneo, aceito pela mulher após algum diálogo. Isso é demasiado clichê, como aquelas cenas de namorados correndo um para os braços do outro na praia ou o cavalheiro que apanha um embrulho caído das mãos da mocinha e, a partir daí, apaixona-se.

    Alguns erros gramaticais.

    “A luz do sol leva oito minutos para chegar A TERRA” [à Terra].

    “NOS APRESENTAMOS […]” [apresentamo-nos].

    “POLITICAMENTE-CORRETOS” [politicamente corretos].

    “[…] igual NAQUELE [àquele] filme dos robôs gigantes”.

    “Eu me APAGUEI [apeguei] a isso […]”.

  23. Renata Rothstein
    25 de dezembro de 2017

    Oi, Charles!
    Boa noite, e ainda é noite de Natal, todos os sentimentos mais à flor da pele, e agora, 23:43, vem esse conto de romance, ficção científica, aventura e drama – enfim, completo – fechar minha noite de Natal com chave de ouro.
    Seu conto é perfeito, vc sabe escolher as palavras, e usa muito bem, a história de amor de Vanessa e Capitão Narigudo, a vida em família com a chegada de Heitor, a partida de Vanessa, vitimada por um câncer no pâncreas (tbm perdi alguém muito especial com um câncer assim, no pâncreas, e é raro em pessoas jovens, mexeu aqui cmg), olha, tudo excelente, só quero mesmo agradecer pela leitura, por estar presente no Desafio.
    E boa sorte!
    Um grande abraço

  24. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de dezembro de 2017

    Que doçura de texto! Neste início de noite, chuvinha mansa, depois de todas as emoções do Natal, a leitura deste conto foi mais um alento. Se a alma já estava renovada, agora há amor transbordando por todos os lados. Que habilidade tem o autor de retratar uma história tão forte e tão delicada! E a técnica de construir um conto em forma de carta é surpreendente. A narrativa vai ganhando ritmo, o amor vai criando corpo, a teia se alastra e envolve o leitor. Os diálogos são interessantíssimos, a declaração de amor, tão simples e pura, é das mais bonitas que já vi. O texto precisa de uma leve revisão. Que leitura prazerosa, que presente!
    Parabéns, Charles!
    Boa sorte!

  25. Sigridi Borges
    25 de dezembro de 2017

    Olá, Charles!
    Seu conto está de acordo com o tema proposto pelo desafio.
    Gostei muito.
    Sou romântica e você ganhou uma leitora com um olhar apaixonado.
    Leitura rápida, simples e sem problemas gramaticais.
    Triste no final, mas mostra a esperança do reencontro do casal.
    Interessante salientar que, no início, parecia uma boa cantada. Demorou para que a moça acreditasse que o rapaz tinha mesmo um superpoder.
    Obrigada por escrever.

  26. Antonio Stegues Batista
    25 de dezembro de 2017

    Achei muito bom esse conto de amor, mas fiquei meio frustrado com o final triste. O cara tem o poder de transformar impulsos nervosos, mas não o de matar células cancerígenas? Isso não vale! Algumas partes ficaram supérfluas, como a das galáxias num futuro pra de lá de distante.Um enfeite para alongar o texto, penso eu. De qualquer forma, o resto está muito bom, a ideia, o enredo, inclusive o humor, bem sacado.

  27. Rafael Penha
    24 de dezembro de 2017

    Olá , Charles

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante e fluida. Sem problemas de gramática que tenham me atrapalhado.

    3- Estilo – Um prólogo interessante, mas um pouco demasiado. O autor coloca comparações e alusões de forma simples e fluida no texto, mas em alguns pontos, elas extrapolam os limites. Nada que incomode, mas passou um pouco do limite do agradável. Uma história de drama e amor bem narrada e comovente.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa fácil e envolvente. Dois personagens muito bem desenvolvidos, que a cada frase nos comovem e nos fazem torcer por eles. A história da vida dos dois é progressiva, evolui, tem altos e baixos, como toda a relação. Gostaria de ter entendido um pouco mais sobre a guerra (viagens até Nereida não se fazem em algumas semanas) mas, entendo que este não é o cerne do conto. Apesar de achar que o ponto de Ândromeda se chocar com a Via Láctea, ser um pouco demais (vamos morrer muito antes disso) o arremate com o câncer foi excelente. O final é comovente e deixa portas para o leitor imaginar, apesar de no fundo, saber a verdade.

    Resumo: Conto bem excelente.

    Grande abraço!

  28. Bia Machado
    22 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Gostei bastante! Pra falar a verdade, foi como um bálsamo após algumas leituras mais pesadas. Tem uma parte meio “punk” aí no meio, mas com leveza tudo foi levado pelo autor (autora). Em certo momento, quando ele vai contando um monte de coisa pra ela logo assim, de cara e diz que seis meses depois se casaram, achei meio forçado, pensei “como assim?” Mas depois, olhando
    pra mim mesma, fazendo as contas, conheci meu marido em maio… E em novembro fomos morar juntos. Hum, terá ele alguma identidade secreta também? Professor de Química sempre é um tanto suspeito…
    – Ritmo: 1/1 – Daqueles contos que o narrador vai levando a gente. Adoro quando isso acontece, quando nem penso no tamanho, ou em quanto falta para terminar ainda a leitura.
    – Personagens: 1/1 – São daqueles que me cativam de cara e eu vivo, sofro e rio com eles. E é assim que tem que ser. São muito humanos, com suas falhas. Nada de maniqueismo. Assim é muito bom, também.
    – Emoção: 1/1 – Ainda preciso dizer que gostei demais, demais, do conto?
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Totalmente adequado.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Se tinha alguma coisa, não percebi, tanto que o conto fluiu.

    Dicas: O que dizer? Só que o Narigudo renderia muitas outras boas histórias, eu acredito. #fikadika

    Frase destaque: “Você morreu numa tarde de setembro e minha vida nunca mais foi a mesma depois disso.” – Escolhi esta porque, apesar de ser dramática, mostrar um momento triste na história, ainda assim eu não chorei como poderia ter acontecido, provavelmente pela leveza da sua narração.

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  29. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá! 🙂

    O seu texto é o penúltimo que estou a ler do desafio. Li textos mais emotivos, outros com um tom mais descontraído.
    O seu conseguiu jogar com ambos de forma muito natural e conseguida. Gostei por isso muito do conto, mais da vertente divertida e descontraída do conto que da vertente mais emocional que me pareceu um pouco lamechas para o meu gosto.
    Mas tem passagens brilhantes e bem construídas e por isso dou-lhe os parabéns!

    Boa sorte e obrigado por ter escrito!

  30. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá Charles.
    Gostei da criatividade do seu conto, mostrando a vida privada dos super-heróis. Fez-me lembrar os The Incredibles, cruzado com X-men e os homens de negro. O trabalho do super-heroi é encarado como tal, e parte daí a riqueza do conto. Até o maior dos super-herois podem ter problemas conjugais. E o facto do superpoder dele apenas ser visível quando resolve esse mesmo problema é interessante. No entanto, são demasiadas as referências.

  31. Paulo Ferreira
    20 de dezembro de 2017

    Um conto um tanto ingênuo e uma escrita adocicada, mas é agradável de ler, talvez, exatamente por essa despretensão, e ou, a simplicidade do enredo. E, também, talvez por isso mesmo a escrita flua tão bem sem atropelos ou malabarismos desnecessários. Um texto leve e, sem querer ser redundante, apaixonante. Escrito em forma de carta de forma muito bem trabalhada. E como outros trabalhos que já passaram por esse desafio é mais um com sabor juvenil, muito bonito. Quanto à gramática, nada consta que o desabone, exceção feita a um deslize de digitação. (me apaguei – não seria me apeguei?)

  32. Higor Benizio
    20 de dezembro de 2017

    Vou te falar que a única coisa que me incomodou foi usar Nietzsche na hora de falar de amor, mas esses são outros 500. No mais, estranha um pouco a história dos alienígenas etc, mas de alguma forma o autor(a) conseguiu envolver alguns absurdos na narrativa sem se perder, talvez esse seja o maior mérito do conto. Um bom exercício pode ser reescreve-lo com uma mão um pouco mais pesada e verossímil, como se fosse mesmo uma carta, sem diálogos e etc.

  33. Neusa Maria Fontolan
    18 de dezembro de 2017

    Bom conto em forma de uma carta de amor.
    Açucarado, mas eu gosto muito.
    Foi uma leitura envolvente, com nosso super-herói narrando o seu grande amor pela esposa. Pena que ela teve uma vida curta, mas ele nunca deixou de amá-la e tinha esperanças de reencontrá-la após a morte.
    Não achei errado ele refazer as sinapses que a atraiam a ele.

    Parabéns e obrigada por escrever.

  34. Evelyn Postali
    17 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Eu fiquei com um pé atrás com o começo. Não sei o motivo. Depois de ler as duas primeiras frases e pensei: já li isso em algum lugar. Mas é lógico. É um texto que fala de apaixonamento. Foi fluindo na leitura e na trama. Eu li sem problemas do começo ao fim, deslizando nos acontecimentos do casal que foi se afastando aos poucos, porque seria impossível para o Narigudo encarar seu trabalho de super herói e de companheiro e pai. Não percebi erros de escrita ou construção. Final infeliz, como pedem as histórias de amor ultimamente. Eu esperava um final feliz. Ao menos, para aliviar as centenas de finais infelizes, mas não deu, né? Fazer o quê?
    Boa sorte no desafio!

  35. Andre Brizola
    17 de dezembro de 2017

    Salve, Charles!

    O conto é uma história simples, com inserções super-heroicas, criando um misto interessante de romance com ficção científica, embora com o primeiro tomando mais importância no enredo.
    Há alguma intensidade na narração do personagem principal, e talvez esse fosse o fator mais interessante de todo o conto. Embora estejamos sendo guiados por um ponto de vista parcial, fica legal pensarmos que, como dono de um poder capaz de manipular nossa mente, o Capitão Narigudo estivesse nos induzindo a ver o romance como algo bonito. Mas como se trata de uma carta, esse meu entendimento acabou sendo descartado na assinatura no final.
    E porque comento que seria legal se o personagem estivesse nos manipulando? Porque, na verdade, ele não é exatamente um paladino, já que não resistiu ao próprio poder e acabou invadindo e alterando a mente da amada, numa tentativa egoísta de manter aquilo que, para ele, era a condição ideal de vida e relacionamento. É momento tipicamente vilanesco, mas que, diluído no clima romântico e confessional, acaba sendo “perdoado” pelo leitor.
    No geral é um conto acima da média. Gostei do pano de fundo sci-fi, e achei o romance bastante crível. Não ganha pontos na originalidade, entretanto.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  36. Olisomar Pires
    16 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: a escrita é boa e fluida. A trama de fundo é ótima.

    Pontos negativos: A trama de fundo ficou no fundo, não respirou.

    Impressões pessoais: gostei do conto, pela escrita e técnica, mas houve algum excesso na simplicidade do amor e o efeito me foi contrário, pareceu-me falso desde o início.

    Sugestões: inserir ações que contradigam o sentimento declarado pelo protagonista e sua visão das coisas bastante romanceadas.

    E assim por diante: bom conto, leve e tranquilo, eficiente naquilo a que se propõe.

    Parabéns.

  37. Felipe Rodrigues
    16 de dezembro de 2017

    É delicado comentar esse tipo de conto, pois o referencial que o envolve não me atrai, mas, que habilidade tem o autor para a escrita! A história é envolvente, embora o mel se exceda em momentos, a relação entre os dois é crível e bonita, mas a mulher não parece ter sido aprofundada no que se refere à personalidade, enfim, a conta pra mim ficou na metade, mas que invejinha dessa habilidade pra levar o leitor.

  38. Iolandinha Pinheiro
    15 de dezembro de 2017

    Que conto gostoso, terno, fácil de ler! A gente vai se envolvendo e torcendo pelo Capitão Narigudo e sua família margarina. Mesmo com um ou outro problema de gramática, eles não atrapalharam nem um pouco a fluidez do conto.

    Gostei das táticas dele para fazer a esposa de desapaixonar. Queria ter este superpoder, só não sei se teria coragem de usar, seria trapaça, não é?

    No finalzinho vc acabou utilizando uma frase clichê, mas “it happens”. O pano de fundo (as lutas contra os “Klógs” e os outros heróis amigos dele ficaram esquecidos num cantinho, eclipsados pelos dramas pessoais do sujeito. Mas o seu conto é tão bom que isso não me fez desgostar dele.

    Os diálogos dele com a namorada para explicar o que ele fazia ficaram perfeitos. Adorei.

    Um beijão.

  39. Juliana Calafange
    15 de dezembro de 2017

    Adorei seu conto! Por vários motivos: eu adoro física, astrofísica, então eu viajei nas nuvens de fótons e fui até Nereida com você. Eu também adoro cartas de amor, e a sua é das mais belas. E eu adoro a ambiguidade, o lusco-fusco, a dúvida, acho isso muito interessante quando se trata de literatura. O tempo todo fiquei (e continuo) na dúvida se essa carta foi escrita por um super-herói, ou se foi escrita por um esquizofrênico que pensava ser um super-herói. Porque a historia se encaixa perfeitamente em ambas as possibilidades e isso é o mais genial do seu conto.
    Meus sinceros parabéns!

  40. angst447
    15 de dezembro de 2017

    Olá, Capitão Narigudo, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado, de maneira sutil, quase sabrinesca, mas foi.
    Pois é, comecei a ler o conto e quase tirei conclusões erradas só pelo título. Pensei que se tratava de algo cômico, um super herói sem tendências a lágrimas. Nada disso. É uma narrativa que fala do amor, de romance, de família, de saudade, toda essa xaropada que eu, particularmente, adoro.
    O ritmo é quase perfeito, a trama vai nos conduzindo pelo corredor das palavras e chegamos logo ao final. Tudo muito lindo, açucarado e com jeito de quero-isso-aí-pra-minha-vida.
    Não encontrei problemas de revisão. Costumo dizer que começar frases com pronomes oblíquos está errado. Deve estar mesmo, mas no caso de “Nos apresentamos” , acho que ficou mais natural.
    É isso: gostei bastante do seu conto, Narigudo.
    Boa sorte!

  41. Bianca Amaro
    14 de dezembro de 2017

    Tenho que admitir que não gosto muito de romance. Mas, no caso de seu texto, fiz uma exceção. Simplesmente amei.
    Eu já gostei muito do início. Achei bem legal usar termos científicos, isso mostrou muito da personalidade do personagem.
    Narrou a paixão do personagem de um jeito bem profundo, o que mostra a habilidade do autor.
    O fato do texto ser na verdade uma carta foi muito criativo. E eu realmente gostei muito das referências que você foi colocando no texto. Elas deram um ar muito legal no texto e não ficaram exageradas. Bom, é o que eu acho. A que eu mais gostei foi “Esse é o meu segredo, Capitão… eu sempre estou com fome”. Eu achei muito legal, haha.
    Eu só achei que o casamento dos dois ocorreu muito rápido. Ele acabou de conhece-la e já a pediu em casamento. Achei isso um pouco exagerado, mas pode ser para mostrar que ele realmente a amava e não conseguiu esperar muito para se casar.
    O superpoder foi bem utilizado, gosto muito de telecinese. E gostei de ter um pouco de ficção científica.
    Dizer que a amada dele ficou com câncer no pâncreas foi emocionante e triste. Muito triste. Ele amava ela tão intensamente, e ela simplesmente morre. De câncer ainda. Mas mostra como a vida é. Apesar de estar em um mundo de ficção, ficou real.
    O “Com Amor, Capitão Narigudo” fechou perfeitamente o texto, e fiquei com uma sensação de “quero mais” ao finalizar a leitura.
    Eu realmente gostei muito do seu texto. MUITO. Para mim, está entre os melhores do desafio.

    Meus sinceros parabéns, e boa sorte!

  42. Gustavo Araujo
    14 de dezembro de 2017

    Gostei MUITO da leveza que permeia a maior parte do conto. A aproximação, a conquista, os primeiros anos do casal, tudo isso é contado de maneira simples, porém profunda. É impossível não abrir um sorriso gigante quando o casal se encontra, com surgem as piadinhas, a cumplicidade, e até mesmo as primeiras rusgas. Pelo tom confessional que conduz a narrativa (algo que, mais tarde, descobrimos ser uma carta de despedida), meio que deu para adivinhar como tudo terminaria. Mas isso, em vez de servir de spoiler, só serviu para tornar a leitura ainda mais compulsiva. “Afinal, ela escapa ou não?” É uma bela história de amor, e como as melhores, não tem um final feliz. Essa é uma estratégia excelente para ganhar o leitor (e eu aposto que vai ganhar muitos), especialmente com esse arremate, que nos joga lá para o início, fechando o ciclo da epifania que torna o texto marcante. O ponto negativo reside no superpoder, que foi inserido na trama na base da porrada. O foco da história está na relação dos personagens, de modo que tanto faria se o cara fosse gerente de banco, mestre de obras, sapateiro, florista, etc… O trabalho – fosse qual fosse – o afastou da esposa e isso precipitou o fim do romance. O superpoder, como se vê, ficou só na lembrança, nos apontamentos indiretos, no nariz do sujeito kkkk De todo modo, é um ótimo conto, sem dúvida. Farejo aqui uma ótima classificação =)

  43. Angelo Rodrigues
    13 de dezembro de 2017

    Caro Charles,

    Superpoder de lutar contra inimigos galácticos e tal.

    Gostei do seu conto. Uma boa transposição da vida moderna para a vida galáctica.
    Imaginei-o em um emprego estressado, num trabalho horrível com exigências à toda hora, com concorrentes Klógs, esposa querendo atenção, filho querendo companhia e tal. Bem legal.

    Gostei bastante do tom de humor com que você levou o conto. Superpoder e seriedade, para mim, não combinam muito. Acho que você achou o tom correto para tratar a questão.

    Mas confesso que quando entrou o tal câncer no pâncreas perdi um pouco aquele clima fantasioso da vida do cara com a mulher, foi como saltar das nuvens e cair no chão. Ok, é assim que as coisas funcionam, mas foi um salto.

    Boa sorte no desafio.

  44. Priscila Pereira
    11 de dezembro de 2017

    Super poder: telecinesia

    Oi Charles, seu conto coincidiu muito com meu gosto, estórias de amor são minhas prediletas, e como uma “expert” rsrsrs, posso te dizer que a sua estória está muito boa, melosa no tanto certo, com uma boa dose de realidade. A parte sobre os poderes ficou em segundo plano, poderia ser retirada sem dano ao enredo, mas deixou tudo mais interessante. O texto em forma de carta confissão ficou perfeito. Gostei muito! Parabéns e boa sorte!

  45. Mariana
    10 de dezembro de 2017

    Nossa, o autor (a) deve estar apaixonado para escrever com tanta intensidade!

    Um conto bonito, que retrata a faceta mais humana de alguém superpoderoso: o amor. Esse, que nos torna as melhores pessoas do mundo e as piores também. Foi legal que, apesar da imagem e do começo meloso (quem não fica açucarado quando ama, né?), nem tudo foi um céu de brigadeiro: ocorreram mágoas, problemas, ausências.
    Bastante fantasioso com Klógs e cia e, ao mesmo tempo, real. Atende perfeitamente ao tema do desafio.
    Gostei mesmo, deixo a sugestão de escrever um outro conto na perspectiva da Vanessa – não deve ter sido fácil para ela.

    Parabéns e boa sorte no desafio

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Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .