EntreContos

Detox Literário.

Essa Menina Donalu (Eduardo Selga)

Luísa era filha da ex-princesa Dona Ana, o que fazia dela Luísa de Donana. Aos olhos de seu pai, entretanto, era Naninha. Para a ternura de Véio Bá, lá no quintal, era “essa menina Donalu”.

Morava num bairro de dois nomes. Ou melhor: ele um dia foi Labirinto dos Mulembás, mas quando adulteceu, ficou taludinho, deslabirintou e brotaram casinhas, suspeitaram que nas árvores do lugar havia todo o tipo de assombração. Isso era coisa que ia dar má sorte ao bairro e às pessoas, ninguém duvidava. Mas como ousadia para derrubar as árvores era algo inexistente, por medo dos supostos fantasmas, acharam melhor alterar o nome do bairro e esperar o falecimento delas. Menos arriscado. Foi aí que alguém, durante uma missa, se lembrou de uma Martha que era santa, e o lugar foi rebatizado: para o bem de todos e felicidade geral seria Martha Santíssima, onde Luísa morava com seus doze anos e o pai.    

No quintal da casa de Luísa havia um pé de mulembá, próximo do qual estavam enterradas as cinzas de sua mãe. No bairro e na cidade, o último exemplar da espécie. Magnífico, meio assustador por causa dos quase vinte metros de altura, chegou àquela casa muito antes de Luísa. Antes mesmo de Dona Ana, até. Coisa do vento, dos passarinhos, de quando o lugar ainda era pastagem para boi dormir, sem haver naquele ambiente gostoso de morar os primeiros casebres.

Cem anos depois, estava velhíssimo o mulembá… Quem sabe até meio caduco, seu tanto maluco, como costumam ficar os velhinhos que parecem desmanchar de tão velhinhos. Inventava poesias beatas, chinfrins e meio cantadas, para declamar nos ouvidos pacientes de Luísa. Nesses momentos misturava os fatos das vidas de Dona Ana e da sua e pensava que os infinitos ramos do tronco eram um indesculpável excesso da natureza. Desgostava de si.

Apesar disso, um amigo e tanto. Às vezes sabia ouvir as queixas da menina Luísa, que para ele era Donalu. Quando o pai ralhava com ela por tudo e por nada, Luísa queria virar adulta para ser feliz como só as pessoas grandes pareciam ser. Assim poderia acompanhar, dançando e cantando e até percutindo algum instrumento musical, o barco enfeitado de bandeiras azuis e brancas da festa de São Benedito, junto às princesas e à rainha do congado — uma festança do bairro. Sentia-se feliz e madura só de ouvir as cantorias, o matraquear dos reco-recos, os tambores, os apitos do mestre do congado que para ela lembravam gritos de maria-fumaça, invencionice que, por sinal, nunca existiu na cidade. Lastimável: com ela a vida poderia ser mais linda. Principalmente se atravessasse Martha Santíssima.

Mesmo se num passe de mágica atingisse a maioridade, nada estaria resolvido: o congado só desfilava pelas ruas do bairro nas vésperas do Natal. Então, melhor subir no mulembá e conversar com ele. Se o mau humor da árvore estivesse desmesurado, e a noite — que já tingia o céu — se fizesse generosa, poderia trocar ideias com a lua.

Como era inviável adultecer de improviso, por mais que rogasse a Deus que ele fosse gente boa e lhe fizesse esse favor, ela trepava na galharia do último mulembá de Martha Santíssima. Muito ranzinza, algumas vezes ele parecia querer reclamar de tanto peso para alguém tão idoso, mas sustentava o silêncio para ouvir os protestos dela e até seus choramingos. Porque delicadeza tem dessas coisas.

Minutos antes de subir na árvore, o dia já estava quase todo dormindo e a noite começava a sacudir suas asas para voar seu voo de coruja. Nesse momento, o pai de Luísa — homem ao mesmo tempo amoroso e severo — diante de nova insistência se irritava mais por fora que por dentro e dizia “não, eu já disse não!” com um sorriso meio escondido dentro das palavras ásperas e do rosto trincado pela censura meio teatral.

— Vou repetir: você não vai mergulhar na escuridão para subir em árvore nenhuma, mesmo que o escuro esteja aqui, cercado pelos muros do nosso quintal. Entenda isso, Naninha.

— Mas pai, nem é essa escuridão toda… Além disso, e se a escuridão for assim… uma espécie de caminho num labirinto de mulembás que a gente precisa atravessar?

O riso, que antes era apenas uma ameaça no canto da boca, foi pego em flagrante. Não todo ele: miudinho, sem dar o braço a torcer, mas o bastante para Luísa sentir que o pai não estava disposto a usar o chinelo. Isso facilitava o diálogo.

— Hum… Como anda poética a minha filha… Não é mais simples conversar com o mulembá durante o dia, Naninha?

— Véio Bá é meio esquisitão, pai.

— Ah, claro… Como não me lembrei disso? Eu lá sei quem é “Véio Bá”?!

— É o nome do mulembá. Não acredito que o senhor tenha se esquecido. Certa vez, no meio de uma das poesias desinteressantes que ele gosta de inventar, me disse ao pé do ouvido e eu redisse ao senhor.

— E posso saber quem o batizou com esse nome?

— Foram as cinzas de mamãe enterradas perto dele, eu acho. Mas Véio Bá me falou que foi uma assombração que morava escondida nas folhas. Não sei… Às vezes ele parece meio assim-assim das ideias. Ou então se faz de surdo. É muito sol quase todos os santos dias, coitadinho. Olha só: de repente, sem que eu tenha feito nada, acontece de não querer conversar, mas mente para mim na maior caradura, dizendo que estou vendo coisas, que posso falar à vontade. É só para não me entristecer, eu sei. Quando é assim, quem desconversa sou eu: finjo acreditar e puxo assunto com a lua. É meio sonolenta, mas me conta uns casos muito lindos. Ela diz serem histórias de suas paixões, dos amores da lua. Por isso tudo não dá para ser durante o dia: se acontecer de Véio Bá fingir me escutar eu tenho a lua. Entenda isso, pai.

Resolveu embarcar no universo poético da filha.

— Você e suas fábulas… Eu já lhe falei que não deve dar ouvidos a essa lua: ela não sabe o que diz, principalmente quando está cheia. Parece meio bêbada, lunática. Deve ser a escuridão… Ela não enxerga direito as coisas.

E riu de verdade. Quando se deu por vencido e começou a tratar de outras coisas, Luísa já estava na penumbra do quintal, na seminoite, certa da impunidade, ocultando-se dos olhares reprovadores do pai e de suas palavras, que perderam boa parte da musicalidade após a morte de Dona Ana. Luísa se empoleirava encorujadamente em sua árvore estimada e ranzinza.

Mal se acomodou entre dois braços do mulembá, percebeu para sua grata surpresa que as folhas e flores estavam bem-humoradas. Era o que Luísa precisava: conversariam até o pai decretar esgotada sua escassa paciência e exigir “desce daí, Naninha, imediatamente!”, antes que ficasse nervoso de verdade. Era preciso aproveitar ao máximo, portanto.

— Mulembá da minha vida!… É tão gostoso ver o senhor feliz deste jeito…

— Nem há de ser possível a tristeza tirar uma casquinha de mim nesta noite que se aprochega, essa menina Donalu. Olhe para o céu e você vai ver, luzidio como se apenas as estrelas morassem nele: até a lua quer dançar. Se eu não tivesse cem anos de raízes enterradas no quintal convidaria essa menina para um saracoteio daqueles.

— Veja só que beleza… Ela parece com vontade de rodopiar, como se fosse uma princesa do congado. Será que ela viu o passarinho verde, como meu pai costuma dizer?

— Ora, ora, louvado seja! Essa menina Donalu quase acertou. Princesa, não: rainha do congado. É que hoje é o dia que é hoje.

— Eu sei, mas ainda não entendi o motivo de tanta felicidade.

— Cinquenta anos da banda de congado de Martha Santíssima, a Dores da Lua. Por isso ela está assim, apaixonada e apaixonante.

— Que legal… Não vai ter bolo, parabéns, velinhas?

— Carece não, essa menina Donalu. Mais um nadica de nada de tempo e vamos ouvir a cantoria passando aqui, bem defronte, cantando de coração para as santas e santos padroeiros. No dia em que a banda nasceu foi tal e qual. Eu me lembro muito bem, pois eu florescia imenso. Estava plantado aqui há um tempo que já estava perdido na linha do horizonte quando ouvi pela primeira vez. Uma formosura. Ouça, ouça! Já consegue ouvir os instrumentos e o vozerio?

Na rua, desfilando bairro afora, os que tocavam tambor de couro cru ou reco-reco de madeira eram homens, quase todos; as mulheres dançavam ao som da canção, colares multicores, e vez por outra giravam como se fossem piões, embelezando as saias baianas. Mais bonitas ficavam as quatro princesas: traziam os estandartes da Dores da Lua, cheios de santos sarapintados. Uma lindeza as mulheres esvoaçando pelas ruas de Martha Santíssima. Eram nuvens no chão. A rainha também girava sua beleza, sua bandeira maior que os estandartes.

A lua não cabia em si, felicíssima. Acompanhava o desfile, ladeada por suas próprias princesas — as estrelas. Pelo seu brilho no céu quem quisesse veria: estava muito sorridente e enternecida, como se a aniversariante fosse ela. Sentia a mesma emoção de alguns moradores que assistiam ao desfile ou seguiam a banda, pois também se consideravam homenageados, de certa maneira. Cantavam todos, vozes retumbantes:

 

Eu vou me esforçar

Eu tenho uma palavra a cumprir

Essa cantiga que eu tenho a carpir

É para minha padroeira me ajudar…

 

No meio da cantoria alguém soprava forte um apito, na cadência com que um maestro vibra a batuta. Era o mestre da banda quem normalmente fazia isso, mas naquela noite aconteceu o inimaginável para quem conduzia o congado desde muito jovem: esqueceu o instrumento, sempre pendurado no pescoço em dias de apresentação.

Quem estava apitando, se ele se esqueceu? Se a música não fosse dançante e deixasse as pessoas prestarem atenção aos detalhes, ao que acontecia em torno, elas teriam visto: de algum modo, quem assoviava notas mais altas parecia ser era a própria lua e as estrelas faziam eco com notas menores.

Os dançarinos se aproximavam da casa de Luísa, e quanto mais saliente ficava a cantiga mais ela percebia as folhas do mulembá se arrepiarem. A árvore não estava, porém, com o mesmo contentamento de quando Luísa subiu em seus galhos. Era mais que antes: havia um fascínio. Tinha quase certeza de que, ao jeito delas, as folhas cantavam e dançavam.

— Ah, Véio Bá… como eu gostaria de fazer parte da Dores da Lua, sentir a música na pele até chegar ao coração… Mas, sabe como é, se eu descer daqui e for para a rua à noite sem o consentimento de papai…  

— A peleja não é tão cabeluda quanto parece. Se essa menina Donalu fechar os olhos e imaginar a sua pessoa entre os dançantes… Sua mãe me deu poderes. Consigo fazer a menina estar lá em três tempos, sem sair daqui. Um formigamento na ponta dos dedos, as vistas empretecidas, uma zonzeira adoidada, borboletas por dentro e, pensou que não, essa menina será a quinta princesa.    

— E papai? Daqui a pouco ele abre a porta dos fundos e vem aqui. Mesmo sem o nervosismo de antes, vai mandar que eu desça pra dormir. Mas como, se não estarei aqui?

— Vai estar aqui e lá, mas não se amofine com seu pai. Neste momento ele está muito entretido na janela, maravilhado com o que está vendo no desfile da Dores da Lua.

— Aí a emenda fica bem pior que o soneto: se ele me vir dançando no meio da rua, como vou explicar?

— Não vai ver. Essa menina Donalu será invisível para ele e para todas as outras pessoas. Agora feche os olhos. Vou salpicar neles a memória de sua mãe.

— É o que faltava… Eu virar fantasma!…

— Nem de longe. Fantasma é coisa de gente morta, e a menina é mais viva do que eu, que já estou arrumando as malas para findar minha história na Terra. Mesmo vivinha da silva, ninguém vai enxergar a quinta princesa dançando na banda do congado.

Luísa desconfiou por completo daquela conversa. Só podia ser birutice de Véio Bá, mas não queria magoá-lo nem estampar melindre no rosto ou nas atitudes. Então fez o que ele sugeriu, com uma enorme vontade de rir, repetindo dissimulação do pai.

O quase riso desapareceu tão logo viu muito claramente dentro de seus olhos fechados, negros como um poço sem fundo, as gigantescas lua e estrelas. E entre elas sua mãe flutuando. Os astros pareciam tangíveis, como se morassem dentro de Luísa. Mas… não deveriam estar suspensos no céu?

Instantes depois, no meio da rua cheia de música, os dedos ainda dormentes, um pouco desorientada, Luísa fez dos olhos um arregalo, o que afugentou do interior de si as imagens da lua e das estrelas. Abriu a boca num sorriso assustado. Ora essa… Então Véio Bá não estava decrépito a ponto de falar asneiras: junto do barco alegórico de São Benedito colorido com bandeirinhas, da padroeira bordada nos estandartes, do povo, da rainha e das outras princesas ela era de fato a quinta, contrariando a tradição da Dores da Lua, que mandava existir apenas quatro.

Lindamente vestida, Luísa mostrava um estandarte que parecia ter todas as cores imagináveis das vestes dos santos. E girava, e girava, e girava desembaraçada seus doze anos de idade ao som da cantiga, cuja letra, jamais ouvida, era como se conhecesse desde sempre.

 

Vai adiante menina fervorosa

E leva a nossa bandeira

Para honra da santa miraculosa,

Da sagrada padroeira.

 

Ao que parecia, ninguém estava notando sua existência entre a gente feliz de tanto dançar, conforme Véio Bá garantira. Como era possível, se Luísa se enxergava completamente e sentia o próprio corpo? A árvore centenária fizera outra Luísa, material e invisível. Ao mesmo tempo, sentia estar naquele momento na copa da árvore, de olhos fechados.

Assustou-se ao ver seu pai na janela da casa. Difícil acreditar que não conseguia enxergá-la, pois olhava diretamente em sua direção. Seu rosto era outro, um plágio querendo chorar. Emocionado pela felicidade com uma veemência que Luísa há muito não via acontecer.

A esquadria funcionava como moldura, de modo que o pai de Luísa podia perfeitamente ser confundido com um quadro bonito de ser apreciado. Estava distraído com uma imagem que lhe causava encanto e susto: todas as quatro moças a conduzirem os estandartes eram pequenas variações de sua saudosa e amada esposa, que no tempo de namoro havia sido uma das princesas mais bonitas da Dores da Lua. Impossível o quanto eram praticamente idênticas à Dona Ana!… Embora conhecesse todos os integrantes da banda, aquelas moças ele nunca tinha visto antes, nem desfilando, nem nas ruas de Martha Santíssima. Maduras, esguias e elegantes. Sobretudo, nenhuma delas pareceu estar ali de verdade quando, simultaneamente, todas o cumprimentaram com idêntica mesura.

Lembrou-se da filha. Era preciso que ela descesse do mulembá para dormir. Afinal, estava ficando tarde, a lua começava a ficar alta e estranhamente bonita. Ah… mas aquelas princesas eram tão… familiares… Naninha podia ficar mais um pouquinho na árvore querida — o famoso Véio Bá — só até a banda passar, lembrando coisas de amor.

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46 comentários em “Essa Menina Donalu (Eduardo Selga)

  1. Bianca Amaro
    31 de dezembro de 2017

    Um texto interessante, com muito potencial. Achei interessante o protagonista ter doze anos, e o poder encaixou perfeitamente com a personagem (afinal, isso é algo que, normalmente, os autores gostam de fazer, combinar o poder com a personalidade. Acho isso muito legal).

    Apesar de algumas frases terem soado estranho e o superpoder pode ser um simples fruto da imaginação da protagonista, é um texto legal, com uma trama com potencial. A autora também é boa, fez uma ótima narrativa.

    Parabéns por escrever e boa sorte no desafio!

  2. Hércules Barbosa
    30 de dezembro de 2017

    Saudações

    Eu devo registrar que sou um entusiasta com textos que tragam cultua, folclore e linguagens regionais. Graciliano Ramos, José Lins do Rego e, em especial, Guimarães Rosa, fizeram com tanta maestria essa ambientação em seus trabalhos que eles ultrapassam sem consentimento limites geográficos estando ao alcance de todas as pessoas.
    A técnica aqui usada é corajosa e bem empregada. Quando partimos para usar um vocabulário típico da região devemos compreender-assim eu entendo-que devemos usá-lo com a maior propriedade e autenticidade possível, mas que isso ajude a tornar a narrativa clara e coesa.
    Os resultados aqui encontrados são bastante satisfatórios, mas confessos que nos diálogos eu também me perdi um pouco

    Parabéns pelo trabalho e sucesso.

  3. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Um conto muito bonito, redondo, sobre amor, imaginação e ternura, com passagens bem inspiradas. Adorei que a árvore veio de longe, trazida pelos pássaros, e a moldura da janela, foram lindas. Amo a coisa floral e acabei me identificando. Em relação ao poder, tem a árvore que pode falar ou a menina que pode conversar com outras coisas, não sei em qual mirou. Eu colocaria como imaginação (algo que critiquei em outros contos, por ficar muito abstrato), mas que aqui acabei comprando a ideia porque se entrega ao fantástico, ao “super”, não sendo apenas cotidiano. Achei as descrições um dos pontos altos, todas bem vívidas, principalmente da banda passando, recheada de Santos, estandartes, roupas, música e dança, como se estivéssemos ali. Adorei.

  4. Higor Benízio
    30 de dezembro de 2017

    Gostei do regionalismo empregado na escrita, que não soou forçado em nenhum momento, isso é um mérito. Só achei que em alguns trechos ocorrem um excesso na escrita, deixando ela pesada e chata em alguns momentos. Recomendo a leitura do livro “A Ladeira da Memória” , de José Geraldo Vieira, uma aula de escrita.

  5. Felipe Rodrigues
    30 de dezembro de 2017

    Apesar da técnica empregada ser muito boa e o cenário, maravilhoso, acabei me perdendo por diversas vezes na troca entre os diálogos, tanto devido a esta oscilação de personagens quanto pelo tamanho das falas. O regionalismo foi bem empregado, algo de que realmente pesquisou o folclore e com competência arremedou isso em conto, além da inserção das poesias que corroboram de forma orgânica na ampliação do universo. Um porém é que por vezes acho o trato com a palavra se excedeu.

  6. Priscila Pereira
    30 de dezembro de 2017

    Superpoder: Conversar com o Mulembá e com a lua

    Olá André (esse é o nome do meu marido <3), olha, pra mim foi difícil conseguir ler o seu conto, me senti uma péssima leitora, porque a dificuldade vinha do excesso de lirismo e poesia e eu queria muito entender e gostar mais desse tipo de escrita. Passando essa dificuldade, o texto me pareceu muito bonito, extremamente bem escrito, de uma inteligência surpreendente e de um bom gosto ímpar. Só uma coisa me causou estranhamento: a idade de Luísa. No texto diz que ela tem 12 anos, mas lendo os diálogos, visualizava ela como tendo 6, não estava casando… De qualquer forma o conto é belíssimo! Parabéns e boa sorte!

  7. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    31. Essa Menina Donalu (André):
    De cara, o universo infanto-juvenil e o lirismo me remeteram ao livro “Meu pé de laranja lima”, uma das minhas leituras preferidas, ainda como adulto. Quanto à PREMISSA, a meu ver, o superpoder e um dom ou um talento imaginativo, não exatamente um poder específico, o que não invalida a história como um todo. Mas a ambientação, o regionalismo contido, o folclore envolvido, tornam a história muito bela e emolduram a narrativa. A TÉCNICA é envolvente, lírica mesmo. Não tenho nada a recomendar como APRIMORAMENTO, para mim esse conto é uma joia. Parabéns!

  8. Marco Aurélio Saraiva
    29 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Este é um daqueles contos etéreos, metafóricos, onde cada frase pode significar mil coisas. A história de Luísa é uma fábula sem final, o retrato de um momento em uma vida ainda longa e cheia de esplendor. Sua forma de narrar ajuda nesta ambientação meio mágica, transportando muito bem o leitor para a mente de uma menina de doze anos que perdera a mãe tão cedo.

    Será que as suas conversas com o Véio Bá e a Lua eram suas formas de distração, para que não lembrasse sempre da mãe que se fora? Será que começaram no momento em que a perdeu?

    Há certo paralelo com a puberdade aqui. A forma como Luisa brinca ideias que não lhe são apropriadas: sair de noite, dançar em um festival, conversar com pessoas que trazem a ela ideias diferentes. Ela anseia em ser adulta para ver a vida, e seu pai a segura com todas as forças que um pai deve segurar a sua filha criança, ciente de que, uma vez que a infância se vai, não há mais volta, só saudade.

    Gostei da leitura e dos pensamentos que ela gera. A cena final, com o pai de Luisa figurando em um quadro de saudades, na janela de sua casa, foi muito bonita. Este conto foi escrito com muito esmero.

    O único porém aqui é que não vi praticamente adequação alguma ao conto. Não tem como levar a sério os “poderes” de Luisa de conversar com o Véio Bá e a Lua, ou de “projetar” a sua presença na festa. Ficou claro que tudo não passava da própria imaginação da garota. Mas, de qualquer forma, um excelente texto.

    =====TÉCNICA=====

    Acho que não há o que falar aqui, já que eu mal conseguiria adicionar alguma coisa à sua maravilhosa escrita. Você escreve de forma muito bela e natural. Se estilo é bem autoral, único de uma forma meio dançante, meio mágica. O ritmo é gostoso, fazendo a leitura fluir bem, apesar de algumas vezes empacar em uma ou outra descrição desnecessariamente complexa. Mas isso é opinião pessoal do leitor.

    Destaque para a frase abaixo:

    “Eu já lhe falei que não deve dar ouvidos a essa lua: ela não sabe o que diz, principalmente quando está cheia. Parece meio bêbada, lunática. Deve ser a escuridão… Ela não enxerga direito as coisas.”

  9. Amanda Gomez
    29 de dezembro de 2017

    Olá, André!

    Acho que acessei mais a pagina do seu conto, do que do meu próprio, de tantas tentativas que fiz pra terminar de ler o texto, mas ler ler.. de verdade, profundamente, até ter o máximo de conhecimento da sua história.

    Hoje dei uma relaxada, um ambiente tranquilo, voz alta e violá! Consegui!! 🙂

    Eu gosto muito de leitura poética, eu descobri esse gosto aqui no entre contos, pois até então eu não tinha esse hábito. Sempre que vejo esse tipo de narrativa mais poética, regional eu já espero que eu vou gostar muito, já espero que seja ritmado, que seja fácil, tanto que eu só consigo ler esse tipo de narrativa em voz alta.

    Eu gostei muito da sua narrativa, mas eu tive problemas sérios com ela… pq ela não tem a fluidez que eu estava esperando, em um parágrafo eu tropeçava várias vezes e depois voltava, e tropeçada de novo.. e enfim, já estava chegando em um ponto de brincar com ele para passar o tempo ao invés de terminá-lo. Confesso que quase desistir.

    Essa é a minha ressalva quanto ao seu conto. A falta de fluidez.

    Então, percebi que pra lê-lo da forma correta eu tinha que aprender o ritmo, como se seu conto fosse uma canção cujo qual eu não sabia a melodia, de tantas vezes que tentei, enfim consegui achar esse ritmo, agora posso cantá-lo…ainda com uma certa desafinação, mas consigo.

    E meu caro autor, a sua música é muito bonita.

    Temos aqui mais uma história visual, onde o sucesso dela depende tanto da forma como o autor escreveu quanto da imaginação de quem a leu. As cenas foram se desenhando, eu já sabia a melodia e então tudo funcionou perfeitamente bem. Gostei da Menina Donalu, do sotaque dela, da voz de criança, da sua imaginação…( poder) de como ela via o mundo. Gostei da ambientação, achei particularmente bonita a passagem em que fala da transformação do labirinto de mulembá até brotarem casinhas e tornar-se o que é hoje.

    E o conto é todo isso, descrições cheias de sutilezas, diálogos ricos e o visual. Imaginar a cena final foi algo muito bonito. Sua história me lembrou uma animação em particular ” Festa no Céu” essa festa que você descreveu me veio a mente em forma de animação, e achei muito curioso isso. E no meio dessa festa a gente vai descobrindo mais sobre Naninha, o pai… o Mulembá e a Lua.

    Enfim.

    Parabéns pelo dom inegável que você tem com as palavras, é um texto difícil, mas uma bela melodia, um ótimo trabalho.

    Parabéns, Boa sorte no desafio!

  10. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Essa Menina Donalu
    Olá, André. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Pareceu-me que o seu conto está muito bem escrito, mas não estou muito em condições de o avaliar. Creio que atende ao tema, talvez de forma ligeira, mas não se furtando a ele. É uma história bonita e delicada, contada numa linguagem muito poética e doce. Ainda assim, é mais um momento que uma história. Uma relação com uma velha árvore que mais parece um avô e que não garanto que seja o superpoder da menina ou imaginação sua, seguida do superpoder da árvore de colocar a menina no cenário, e uma vez mais não sabemos se é real ou imaginário. Gostei mais da segunda parte que do início, algo lento. Ao menos reconheci a música final, de Chico Buarque, mas muita coisa me deve ter passado ao largo. Em todo o caso, essa poesia toda tem força imagética. Gostei. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  11. Fabio Baptista
    28 de dezembro de 2017

    A técnica do conto é excelente. Passagens muito bem construídas, frases que, quando lidas isoladamente, geram inúmeras interpretações e constroem a cena na cabeça do leitor de um jeito que não se vê todo dia.

    Reconheço esse mérito e a maior parte da nota será por conta disso.

    Mas a verdade é que eu não gostei do conto, não me foi uma leitura agradável. Minha atenção se dispersou por diversas vezes e tive que revisitar parágrafos inteiros para concluir a leitura com a atenção exigida pela ética do desafio.

    Eu não sou muito fã de linguagem poética, mas em determinados casos, acredito que ela jogue a favor da trama, como no caso do conto “águas que passam” – ali há poesia, mas a trama “anda”. Aqui eu senti que a linguagem, talvez pelo exagero no rebuscamento, jogou contra o andamento da narrativa e acabou me travando, me impedindo de apreciar a história, a ponto de em alguns momentos eu pensar “o que está acontecendo aqui, meu Deus do céu?” e ter que voltar.

    Enfim… muito bem escrito, mas não me agradou como leitor.

    Abraço!

    • Fabio Baptista
      28 de dezembro de 2017

      *errata: “águas que atravessam”, não “águas que passam”

  12. Gustavo Araujo
    27 de dezembro de 2017

    Assim como “A Lenda de Joconda”, este conto encanta os olhos de quem aprecia literatura enquanto arte. Não há arroubos de ação, reviravoltas inesperadas, sequências aceleradas. Este conto é um quadro impressionista, dotado de cores fortes, intensas e provocantes. Concebido com alguns dos elementos mais instigantes nossa cultura, acerta ao misturá-los com questões universais, como a amizade, a devoção, a inocência e o amadurecimento. O realismo fantástico permeia a história da menina Donalu e do Véio Bá, a árvore centenária que resiste à modernidade que chegou até mesmo a Martha Santíssima. O mulembá parece ansioso por realizar – ou resgatar – seus desejos por intermédio da menina, convencendo-a a participar do congado. Simbiose, claro, pois a menina também usa a árvore para dividir seus medos, talvez em substituição à mãe. Sobre eles, a figura do pai, que pode parecer distante mas que é evidentemente um esteio. Também ele é um sonhador, enxergando no congado seus dias mais auspiciosos. Essa magia, aliás, contamina mesmo quem lê o conto. Impossível não se sentir ao lado de Donalu, nos galhos do velho mulembá, torcendo para que ele aguente o nosso peso e, enfim, nos encaminhe secreta e subversivamente para o congado, só para nos ver felizes, nem que seja com aquele riso contido, de canto de boca, mas que no fundo deseja ser descoberto por quem gostamos. Não vou ficar aqui discutindo se há ou não superpoder. O conto supera e muito essa questão. Tal como Joconda, deveria figurar numa edição de renome, ser disseminado como exemplo de boa literatura. Parabéns!

  13. Ana Carolina Machado
    27 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito interessante. O superpoder da menina de falar com a árvore que tinha poderes foi muito criativo. Ainda sobre o poder que a transportou eu acho que a magia podia ter sido despertada pelo festival, a árvore tinha os poderes dela, mas acho que tinha algo no festival também,porque de alguma forma o pai também pareceu afetado, pois magicamente via nas princesas que dançavam a figura da saudosa esposa. Além disso até a lua parecia envolvida nele. Parabéns. Boa sorte!

  14. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Meu caro André, que conto bonito é este! Poesia pura a contar a interação da menina Luísa com a velha árvore dos seus encantos. A presença da festa, o congado dos pretos forros das lembranças da minha infância, o envolvimento da cultura simples do nosso povo que veio das Áfricas. Você cria as palavras, usa as metáforas de forma livre e criativa. Donalu, encantadora e encantada, a quinta dançarina na festa da Martha Santíssima. Tudo bom demais de se ler, curtir e se encantar. Parabéns.

  15. Andre Brizola
    26 de dezembro de 2017

    Salve, meu caro Xará!

    Primeiramente devo dizer que o estilo do conto não é exatamente a minha praia, e por isso talvez não tenha conseguido extrair dele tudo o que você tenha tentado passar.
    A primeira impressão que tive é de que o Véio Bá seria o personagem superpoderoso, com a capacidade não só de falar (visto ser uma árvore), mas também de criar uma realidade em que Luísa poderia existir em dois momentos simultaneamente. Seria uma explicação mais simples e mais “na cara”. E menos interessante que a segunda que me veio à mente, na verdade. Luísa poderia estar exercendo apenas a sua imaginação, coisa de criança, ao conversar com o amigo imaginário, e se colocar invisível na festa, dançando de forma que nem seu pai poderia perceber.
    Mas, devo dizer, qualquer uma das duas formas de enxergar o texto me deixam bastante satisfeito, pois há tanta riqueza nas descrições, tanto sucesso na criação de Luísa, seu pai e o Véio Bá, que qualquer uma das duas funciona.
    Meu único senão é que o conto é meio longo para os eventos que narra. Há muita poesia e elegância, sim, mas um tantinho além da conta.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  16. Renata Rothstein
    26 de dezembro de 2017

    Olá, André
    Boa noite!
    Ótimo conto, belo, lírico, criativo e muito bonito de ver essa apresentação regional, tive a sensação de ser transportada para o ambiente do conto.
    O poder de Luísa era o da imaginação? Ou realmente o velho mulembá tinha seus mistérios? enfim, vc escreve com maestria, meus parabéns!
    Abraços

  17. Estela Goulart
    26 de dezembro de 2017

    Olá, André. Gostei do conto, mostra um incrível domínio da língua portuguesa e uma criatividade exemplar (superpoder legal da árvore). Não tenho grandes ressalvas negativas, apenas uma. Às vezes, o que é simples destrói obstáculos em certas ocasiões, lembre-se disso. Seu texto é excelente, ninguém dúvida que saiba escrever com maestria. Só lembre-se do meu conselho. Parabéns e boa sorte.

  18. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Se entendi bem, o início do conto parece funcionar como um jogo de linguagem. As três denominações da protagonista significam que, na verdade, Luísa tem múltiplas significações, a depender do ponto de vista. Luísa é como uma narrativa literária.

    O(a) autor(a) lança mão da cultura popular brasileira como cenário, mas não apenas: a festa popular é o gatilho do poder. A congada afeta a menina e o desejo dela afeta a árvore centenária, de tal modo que, a depender do leitor, o superpoder pode estar na congada, na menina ou na árvore. Nenhuma afirmação, entretanto, é segura, e mesmo a ambientação tem uma porção fantástica e outra realística. Por exemplo: o mulembá e Luísa são representações de coisas bem concretas – árvore e criança –, mas a transposição dela para o desfile não, na medida em que ela está na rua e na árvore simultaneamente. Uma parte é corpo e a outra é alma? Não sei, mas entendo haver essa mescla de real e irreal, corpóreo e incorpóreo.

  19. Leo Jardim
    25 de dezembro de 2017

    # Essa Menina Donalu (André)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – o texto é de uma beleza estonteante, mas a trama é simples: uma menina que perdeu a mãe conversa com a árvore centenária no quintal de casa e esta realiza seu desejo de participar da festa folclórica da cidade
    – não é nada grave, mas a informação de que a vila tinha dois nomes parece ter sobrado, pois não acrescentou nada à trama
    – gostei bastante da criação da relação da menina com a árvore: ficou meio verdade e meio invenção dela; a personalidade do mulembá ficou muito bem construída, ranzinza e simpático
    – outro grande destaque foi o último parágrafo, a reação do pai à festa: ele vendo ali a esposa que perdera; a relação da menina com o pai também ficou muito boa

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐):

    – é um daqueles textos que dá prazer de ler, com regionalismo, mas sem deixar confuso
    – a criação dos personagens e dos mitos ficou muito clara e bem feita, assim como os diálogos (o mais interessante é que eles fogem do padrão utilizado, mas ainda assim ficaram muito bons)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – tem um pequeno quê de repetição de textos regionais: a festa folclórica, a criança na árvore…
    – mas foi bem pouco; o restante do texto tem bastante personalidade.

    🎯 Tema (⭐▫):

    – considerei a adequação parcial ao tema, pois quem parece ter poderes é a árvore;
    – outra interpretação seria acreditar que a menina teria o dom de conversar com as coisas, mas ainda assim poderíamos pensar que era invenção da cabeça dela…

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫):

    – o conto é lindo, a menina é supersimpática, o relacionamento com o pai é muito bem construído e a cena final me ganhou; um ótimo texto

  20. Juliana Calafange
    24 de dezembro de 2017

    Uau, que conto lindo e bem escrito. Nota-se que a linguagem narrativa é especial, lapidada, estilo do(a) autor(a), que certamente é já experiente na arte da escrita! Me encantei com os termos, as palavras minuciosamente escolhidas para provocar esse efeito de encantamento que a história merece e exige. Muito bonita a relação da menina com a figueira (ou mulembá). E nesse aspecto, o conto fala sobre a estupidez do preconceito, pois que a árvore, ao contrário de ser má, de trazer desgraça, é uma boa alma que zela pela felicidade da pequena Luisa. Pena que os idiotas derrubaram todas as outras.
    Também é linda a relação da criança, em sua imaginação, com a banda. Tenho uma lembrança de quando eu era menina, ia passar as férias de verão na casa de praia do meu avô, no nordeste do Brasil. Ficava numa pequena praia, uma vila de pescadores. Estes, moravam no alto de um morro e os abastados veranistas (como o vovô), tinham suas casas em baixo, perto do mar. Mas os pescadores tinham um bloco de Carnaval. O bloco saía do alto do morro e descia, passando pela beira da praia, na frente da casa do vovô. E eu me lembro vividamente da sensação de euforia quando eu escutava as primeiras batidas no bumbo, lá no alto do morro, avisando que o bloco ia passar. O seu conto me levou de volta pra essas lembranças. Acho que não existe muita diferença entre uma cidade pequena no Brasil ou em outra parte do mundo.
    Também muito bem construída a relação do pai com a filha, e com a lembrança da falecida esposa. Um belíssimo conto, acho que está disputando o pódio! Parabéns!

  21. Rafael Penha
    24 de dezembro de 2017

    Olá, Ashley

    1- Tema: Se adequa mas com ressalvas. o Superpoder é da arvore? está apenas na mente da menina?

    2- Gramática: Uma outra virgula fora do lugar, mas que não me atrapalhou.

    3- Estilo – Um texto bem original.sem dúvida, muito poético. Talvez por isso, a leitura tenha se tornado penosa e arrastada para mim, apesar de muito bonita.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa por demais bonita e poética, mas que ficou devendo no enredo. Ela brilha aos olhos mas a história não prende e se torna maçante. Talvez o autor pudesse investir mais no desenvolvimento da história e dos personagens, pois está mais para poesia que para conto.

    Grande abraço!

  22. Bia Machado
    23 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Um enredo simples impregnado de realismo fantástico, com uma linguagem poética que, sem comentários!
    – Ritmo: 1/1 – Que delícia ler um conto escrito dessa forma. Foi como se a cada expressão diferente, estranha, poética, eu tivesse uma “surpresinha”, foi como um “brinde” pela leitura do texto.
    – Personagens: 1/1 – Encantadores, a árvore e a menina. O pai vem trazendo um cadinho de realidade pra toda essa fantasia.
    – Emoção: 1/1 – Gostei bastante!
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Para mim, adequado, por mais que a gente possa pensar que isso tudo talvez seja imaginação da criança eu, leitora, quero pensar que havia esse superpoder aí, entendeu? 😉
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que me chamasse a atenção.

    Dica: Só uma: continue escrevendo desse jeito aí, moço ou moça.

    Frase destaque: “De algum modo, quem assoviava notas mais altas parecia ser era a própria lua e as estrelas faziam eco com notas menores.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  23. Sigridi Borges
    23 de dezembro de 2017

    Olá, André!
    Fiquei presa no seu conto do início ao fim. Gostei.
    A menina conversava mesmo com a árvore ou era só fruto de sua imaginação?
    Por causa disso, a dúvida sobre o superpoder.
    Escrita meio poética, em forma de prosa.
    Para quem gosta, um prato cheio, mas para o admirador de contos em si, a leitura se torna cansativa.
    Obrigada por escrever.

  24. Iolandinha Pinheiro
    23 de dezembro de 2017

    Olá, autor.

    O seu conto é uma espécie de prosa poética que, inclusive, tem muitas rimas ao longo do texto. Vc teve a preocupação de colocar uma forte carga de lirismo em uma ambientação que, por si só, já apresenta todo um peso poético em vista da antiguidade do bairro, das lembranças, do Mulembá que conversa com a menina…

    Eu adoro poesia, mas acho que quando se mistura com prosa tem que existir uma dosagem certa para que não se perca a fluidez e o sentido. O investimento maciço em poesia acabou por sufocar a história que ficou em segundo plano e não cumpriu, a meu ver, o seu propósito.

    Os diálogos ficaram absolutamente artificiais. Acho que faltou contar mais a história e mostrar menos a beleza de cada detalhe da cena, de cada sentimento ressaltado.

    A questão é que eu estou analisando um conto, e faltou conto no seu texto. Se aceitar sugestões, enxugue muito a parte poética e traga mais elementos da história para que possamos mergulhar melhor nela. A beleza pela beleza não me encanta.

    Decerto que a escrita é de qualidade, mas tem que saber dosar cada elemento dela para gerar um equilíbrio importante para a compreensão do conto.

    Desejo sorte no desafio.

  25. Pedro Paulo
    23 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    É um conto poético, envolto em uma linguagem muito bem articulada que nos dá a história de uma maneira elegante, tanto nas metáforas elaboradas como nas próprias conversas das personagens. Em alguns momentos, fiquei me perguntando se não era estranho a menina falando de maneira tão requintada, mas tomo para mim que faz parte da tônica que o autor escolheu. As personagens são convincentes, bem como a relação entre elas, demonstradas por através de diálogos e reações que determinam muito bem o lugar de cada um.

    Não vejo a árvore falante como um elemento determinante do desafio dentro do tema – pois ela figura mais como uma personagem fantástica, algo que já acho “destoante” se for levado em conta só por sua natureza sobrenatural – com o superpoder mais propriamente dito só aparecendo no final, quando a menina é transportada. Parece um conto que já estava escrito, mas foi adaptado para o desafio. A leitura, mesmo que graciosa, torna-se um pouco lenta e, como o conto integra o desafio, isto se torna um ponto negativo, pois passamos a leitura esperando por um sinal do tema, de alguma demonstração de superpoder ou até mesmo de uma alusão, mas é algo que só vem no final e acaba prejudicando a leitura. Ainda assim, é um conto belíssimo, parabéns!

  26. Luis Guilherme
    22 de dezembro de 2017

    Boa tarrrde, tudo bem por ai?

    Que lindo conto!

    Pra ser sincero, até mais ou menos a metade eu tava com meio má vontade pq tava achando que o conto não se enquadrava bem no tema. Mas aí a coisa foi me pegando de tal forma que encantou.

    Mas pra não fugir da questão do tema: eu realmente tava achando que tava fora do tema, mas daí o enredo me levou a uma dúvida parecida com o conto anterior ( a ultima ilusão): a menina REALMENTE conversava com a arvore (o que constituiria uma forma de superpoder), ou ela apenas imaginou?

    Enquanto eu achei que obviamente era imaginação, a força do tema não me parecia suficiente. Mas a partir do momento em que o conto me deixou numa agradável confusão, acabou mudando minha opinião.

    Enfim, o tema foi tratado de forma agradável.

    A escrita, também, é muito bela e rica. O jogo de palavras que você emprega, as licenças poéticas que emprega, tudo enriquece e embeleza, tornando a leitura super agradável.

    Muito bom, ótimo trabalho! Parabéns!

  27. angst447
    21 de dezembro de 2017

    Olá, André, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com muita imaginação e poesia.
    A linguagem empregada possui carga poética, cheio de imagens, símbolos e referências. Lembrei-me de “Grandes Sertões Veredas”, assim como de Mia Couto e do livro “Meu Pé de Laranja Lima”. Tudo junto e misturado.
    Não encontrei lapsos de revisão.
    O ritmo da narrativa não é dos mais confortáveis, tornando-se bem lento em alguns momentos, o que torna a leitura menos fluída. Entendo que essa lentidão é necessária para expor a trama sem lhe roubar a poesia. Um risco que vale a pena correr.
    Boa sorte!

  28. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá, André.
    Há uma ternura muito grande que transparece do seu conto. Infelizmente, perdi muito do seu sentido no emaranhado formado por imagens confusas e linguagem regional, suponho. Mas eu, sendo Português, não me sinto à vontade para avaliar a utilização da linguagem em contos como este. Como leitor, tenho de reconhecer que me dificultaram a leitura. Há um ritmo muito próprio e um cruzar de tradições que não fazem parte do meu vocabulário cultural – tudo isso fez com que a leitura ficasse presa.

  29. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá!

    É um conto que me cativou mais pelas partes que pelo todo. Algumas passagens são lindas de se ler. Outras um pouco mais confusas e enfadonhas. Pelo que entendi de outros comentários, usou alguns regionalismos que poderão ter dificultado a leitura mais ainda para um Português, mas nesse ponto o “responsável” sou eu. 🙂
    Penso que acima de tudo, o autor procurou pintar um quadro mais que contar uma história. Não vejo mal nenhum nisso, é uma opção que pode dividir opiniões.
    O escritor é obviamente talentoso, e talvez procurou acima de tudo expor esse talento. Como um futebolista talentoso que abusa no drible, talvez o autor possa procurar num próximo conto usar o drible apenas em momentos oportunos, seria esta a minha humilde sugestão.

    Parabéns e boa sorte! 🙂

  30. Paula Giannini
    20 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),
    Tudo bem?

    Que conto lindo! Um trabalho rico em beleza, camadas, significados. E, mais que tudo, brasilidade.

    Um texto que encanta, instiga, brinca com o imaginário do leitor, ao menos assim foi comigo.

    O(a) autor(a) abre o trabalho apresentando diretamente todos os personagens, e, resumindo, nas entrelinhas quem é quem. “Luísa era filha da ex-princesa Dona Ana, o que fazia dela Luísa de Donana.” (Princesa da congada, nas entrelinhas entendemos que a mãe de Luisa era um elemento de extrema importância e beleza dentro dessa festa que, de certa forma, é o centro da vida da menina e o coração do conto). E assim segue, “Aos olhos de seu pai, entretanto, era Naninha.” (Ora, para o pai ela era a filha querida, e ponto). “Para a ternura de Véio Bá, lá no quintal, era “essa menina Donalu”.” (E eis que o autor nos apresenta esse personagem enigmático. Um velho, mas que velho? Ele se encontra no quintal. Mais adiante saberemos se tratar de uma árvore centenária).

    Esse início é construído com mestria e, embora se trate apenas da porta de entrada para o que virá adiante, já comunica ao leitor à que esse(a) autor(a) veio.

    A narrativa lembra “Cem Anos de Solidão”, lembra “Meu Pé de Laranja Lima” (José Mauro de Vasconcellos povoou minha infância por via de minha mãe que era ávida leitora desse autor), lembra as escolhas de palavras de Guimarães Rosa, e, para mim, lembrou um livro belíssimo que indico por aqui e que, dificilmente terá sido lido pelo(a) autor(a), embora este, certamente, leu outros do mesmo peso. “Revoada de Pássaros”, um estudo folclórico que encontrei em um sebo da Fundação Cultural de Belém, com relatos, imagens, partituras e histórias de uma manifestação folclórica única no Brasil, no Pará. O cordão de pássaros. À semelhança da congada, do reisado, do pastoril, os cordões possuem estruturas próprias, povoados por animais, príncipes, princesas e, um enredo cheio de histórias. Bem, seu conto me lembrou esse apaixonante recorte de nossa cultura pelo qual me apaixonei há uns anos.

    Na trama, deparamo-nos com uma história singela. A menina que, solitária e saudosa da mãe, conversa com sua árvore amiga e até com a lua, em busca de seus sonhos, sua identidade, seu amadurecimento. E é sobre a árvore que ela sonha com o dia que, assim como a mãe, girará suas saias bonitas em meio à procissão da congada.

    A passagem onde o pai vê o rosto daquela que ama em todas as princesas é de uma poesia ímpar. Algo que ficará gravado para sempre em mim, como leitora. Uma cena de filme que passou em minha cabeça, com os rostos girando e cumprimentando o pai… Belo.

    Outro ponto alto são as escolhas das palavras, tratando árvores quase como humanos, com sua alma, seu falecimento, sua vida. Muito belo. Palavras têm seu significado, por óbvio, mas um(a) autor(a) consciente, maduro e seguro do que faz, utiliza-se delas como matéria para sua criação, (re)significando significados, ampliando o significado oculto em cada sentimento que um vocábulo evoca.
    Sua verve me deixou rendida autor(a).

    É uma pena que o Brasil não conheça o Brasil. Precisamos nos aprofundar na riqueza sem igual que há por trás de nossas manifestações culturais. A congada, por exemplo, está presente em todo país, inclusive no Sul, ao contrário do que li em algum comentário por aqui. Então, por que é tão distante de nós? O que negamos em nós? No dia em que resgatarmos estes aspectos, resgataremos a nós mesmos como povo. Um povo belo e forte culturalmente. O que já somos, mas ainda não sabemos.

    Parabéns por sua verve de puro encantamento.

    Desejo-lhe sucesso no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  31. Catarina Cunha
    20 de dezembro de 2017

    O grande trunfo deste conto é o estilo elegante e regional. Os personagens estão bem definidos e a prosa poética encanta sem afetação. A beleza das coisas simples em todo o seu esplendor e magia.

    O conto merece uma boa enxugada para ficar mais ágil, mas sua essência é muito profunda e tem a leveza das fadas. Bom conto.

  32. Givago Domingues Thimoti
    19 de dezembro de 2017

    Olá, André

    Tudo bem?

    Que pepino tenho em minhas mãos?! Acho que a polêmica aqui é se está dentro do tema. Para mim, atende pero no mucho. Não ficou muito claro se era a árvore que tinha super poderes ou a menina.

    O fato concreto aqui é o talento do autor ou autora que misturou, com muito sucesso, um conto meio fábula com poema. Para quem não curte um texto com poema (como eu) pode não conquistar, mas funcionou comigo! Geralmente, leituras assim se mostram quebradas e truncadas, entretanto, desta vez foi diferente.

    Parabéns e boa sorte!

    PS: Gostei da referência à música do Chico Buarque – A Banda

  33. Fheluany Nogueira
    18 de dezembro de 2017

    Superpoder: Uma árvore que tem o poder de falar com a menina, e transportá-la para outro lugar, tornando-a invisível. Ou imaginação?

    Enredo e criatividade: Poesia? Realismo fantástico? Um texto encantador, não traz uma história, apresenta cenas emocionantes, romantizadas.

    Estilo e linguagem se fundem em poesia e imagética. Cada palavra não traz apenas a carga de sentido, traz plasticidade e lirismo. A personificação do mulembá e da lua, os neologismos são surpreendentes e fascinantes. Os diálogos acompanharam o clima do texto, mas pareceram-me forçados.

    Gostei muito da ideia e da execução, apenas não sei se o conto se enquadra bem na proposta do Desafio. Parabéns pelo trabalho diferenciado! Abraços

  34. Rubem Cabral
    18 de dezembro de 2017

    Olá, André.

    Um conto muito bonito, cheio de poesia e de regionalismos. Algumas passagens são realmente muito líricas, feito o passar da congada, com Luísa invisível e a mãe projetada em todas as princesas.

    Quanto à adesão ao tema do desafio, eu diria que é bastante tênue, devido ao clima de realismo mágico do texto: árvore senciente e habitada por espíritos, menina que fala com a Lua e com a árvore, projeção astral, fantasmas, etc.

    A escrita, embora muito bonita e imagética, mistura às vezes diálogo e narração, o que tornou alguns trechos um pouco confusos, ao menos para mim.

    No mais, um bom conto!

    Abraços e boa sorte no desafio.

  35. Mariana
    18 de dezembro de 2017

    O conto é muito bonito, poesia sensível. A menina fala com árvores e outros seres, seria imaginação ou real (não está declarado em lugar nenhum que é apenas imaginação, correto?)? Vou considerar, para a adequação do texto, a segunda opção. Sendo sincera: essa beleza toda, pessoalmente, não é minha praia não. A leitura, em alguns momentos (como o das poesias) chegou a se arrastar, pois parece que cada palavra foi colocada com o intuito de soar o mais sensível possível (o que é um mérito também, muita gente ama esse tipo de texto). Enfim, parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de dezembro de 2017

    Que lindeza de texto! A árvore que fala é fruto da imaginação, ou não, e o poder deve ter vindo da mãe de Luísa, cujas cinzas foram depositadas na terra, junto ao velho tronco. O conto é uma poesia e a mágica da fala da árvore encanta o leitor, norteia a narrativa. Texto muito bem trabalhado. O autor revira as emoções, é um turbilhão de memórias e sentimentos, tudo arrematado com muita poesia. O desfecho é primoroso. A doçura da figura do pai lidando com as lembranças é envolvente.
    “… Naninha podia ficar mais um pouquinho na árvore querida — o famoso Véio Bá — só até a banda passar, lembrando coisas de amor.”
    Parabéns, André!
    Boa sorte!

  37. Antonio Stegues Batista
    17 de dezembro de 2017

    O texto tem mais poesia do que propriamente uma história e sem superpoderes. Menina que conversa com uma árvore. Claro que é um belo texto, mesmo com os errinhos que tem na construção de frases. Mas como história, ficou a desejar. Na minha opinião, as palavras são bonitas, mas achei a história bem fraquinha. Boa sorte.

  38. Edinaldo Garcia
    16 de dezembro de 2017

    Essa Menina Donalu (André)

    Trama: Menina tem como melhor amigo uma árvore no quintal de casa.

    Impressões: Mais um conto cuja poética chama bastante atenção (está virando marca neste desafio). O texto possuiu uma união belíssima de palavras. Como não gostar da garotinha, pré-adolescente (12 anos)? A figura de uma verdadeira menina como deveria ser em vez dessa geração adultizada atual. O poder fica dúbio, pois teria ela o poder de conversar com seres diversos como a árvore e a lua, ou seria imaginação? Como não lembrar de Meu Pé de Laranja Lima? Um texto tipicamente para agradar ao público feminino.

    Linguagem é escrita: Excelente.

    Veredito: Um belíssimo conto. Um conto que poderia ser trabalhado em sala de aula nas séries iniciais de alfabetização.

  39. Miquéias Dell'Orti
    14 de dezembro de 2017

    Oi

    Primeiro pensei que poder da menina fosse o de conversar com a árvore e com a lua, mas depois percebi que era mais do que isso… a árvore e a lua era figuras tocadas pela mãe… envoltas no folclore da congada… talvez a mãe dela que detivesse o poder e que tivesse feito com que a árvore se tornasse confidente da filha.

    Um conto bonito… poético, mas com um um tom teatral interessante, principalmente nos diálogos. Achei que a forma dada à história casou certinho com o enredo, que tem um tema folclórico.

    Eu confesso que não sou muito fã desse tipo de texto, tendendo à prosa poética… pra mim ou é um coisa, ou outra… mas a história em si não desagradou.

    Não há uma trama, mas quem disse que precisa ter trama, drama, suspense, plot twist e a coisa toda para ser um bom trabalho, não é?

    Parabéns!

  40. Paulo Ferreira
    14 de dezembro de 2017

    Está mais para um conto de fantasia, mas que também transborda em superpoderes poéticos e, talvez por isso mesmo, encantador e mui belo. Muito bem narrado. Uma linguagem poética beirando o virtuosismo da escrita. Muito bem aplicado os bonitos e interessantes neologismos, “adultecer, deslabirintou, encorujadamente”. É um trabalho de quem realmente sabe o que quer dizer e como dizê-lo. Um autor que já está pronto, não só para este desafio, mas outros tantos que vierem.

  41. Neusa Maria Fontolan
    14 de dezembro de 2017

    O conto é pura poesia
    Não diz muito…
    Uma árvore que tem o poder de falar com a menina, e tem o poder de transportá-la para outro lugar? Será poder da árvore ou pura imaginação da menina?
    A cena final com o pai, saudoso, olhando pela janela já valeu o conto todo.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  42. Pedro Luna
    11 de dezembro de 2017

    O conto adota a poesia, não só nas construções das passagens, mas também nos diálogos. Bom, eu não sou fã de poesia. E muito menos em diálogos, pois os deixam meio caricatos e irreais. Então para mim não foi uma grande leitura. A boa notícia é que o pessoal aqui adora.

    EM relação a trama, os superpoderes não me passaram muita firmeza. Foi mais um lance mágico, de fantasia (a árvore falante). Uma pegada onírica e porque não apenas psicológico? Existia tudo apenas na mente da criança? Gostei bastante da cena do pai observando a banda. Foi algo bem romântico, emocionante, sem dúvidas a melhor parte do conto.

    Porém, reafirmo, apesar de bem escrito, não me senti lendo um material sobre superpoderes, além de eu não ser o público ideal para textos tão poéticos.

  43. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    É uma poesia esse conto. E não vemos muita poesia em contos. A linguagem poética é algo que nos remete muito mais para dentro da fantasia, do sonho, do irreal. Ela nos enlaça e encanta. É mágica. E nós vamos seguindo esse estandarte. Essa história é muito linda, mesmo parecendo apenas um pedacinho da vida da menina, do mulembá e do pai da menina. Eu gostei muito das imagens que eu construí – árvore (vida, morte), cinzas enterradas ao pé da árvore dando nome para ela e sendo a essência do seu existir como entidade mágica, a banda de congado, a lua que enfeitiça e faz as princesas parecerem todas iguais, e por aí vai… Só por isso vale todo esse desafio. É o melhor conto do desafio, até agora. Os superpoderes estão aí, na ação da árvore, que faz Luísa estar em dois lugares diferentes sendo ela a mesma em ambos, apenas invisível para todos, lá, no meio da dança, a rodar enquanto a lua brilha, a banda passa e o pai suspira de saudade.
    Parabéns!

  44. Olisomar Pires
    10 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: estilo poético, uma viagem na fantasia, bem escrito.

    Pontos negativos: o conto não diz muita coisa. É um episódio sem conexão com algo a mais, algumas pistas são jogadas, mas nada que permita um bom caminhar pela história. O tema não me parece ter sido obedecido, pois a garota poderia estar apenas imaginando tudo.

    Impressões pessoais: gostei bastante da árvore e dos diálogos com uma voz mais rural, digamos assim. Há construções frasais bem interessantes e bonitas.

    Sugestões: encontrar um meio termo entre a imaginação e a realidade, mesclando os dois.

    E assim por diante: belo conto, meigo pela inocência da criança em contraponto à suposta sabedoria inata do seu subconsciente.

  45. Angelo Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    Caro André,

    Superpoder que vi como limítrofe entre a capacidade real de se transmutar ou livre pensamento da menina Luísa.

    Conto de caráter onírico, bem estruturado e fluido. Achei-o um pouco alongado. Para alguém do Sul e do Sudeste, muitos termos que caracterizam tal festejo ficam um pouco no ar por falta de compreensão. Não é culpa do conto, mas do distanciamento regional.

    Com uma menina de doze anos protagonizando o conto com um mulenbá de cem anos e um pai já viúvo, achei os diálogos acima do natural, com palavras, frases e estruturas dissociadas das idades, particularmente da menina. Sempre falo sobre diálogos, algo feito para tocar adiante a trama e derrubar escritores. Todos sabemos como são os diálogos, por profissão ou apenas por falar e ouvir. Quando algo nos parece dissociado da vida real, vira um calo no texto.
    Seus diálogos são bons. Esse é o problema, dado que dissociados do falar corrente.

    Notei algumas construções frasais estranhas, como essas:
    “… onde Luísa morava com seus doze anos e o pai.”, como se “doze anos” fosse algo material quanto o é o pai.
    “… quando o lugar ainda era pastagem para boi dormir…”, soando estranha quando introduz numa frase fática, uma parte de um ditado: …coisa para boi dormir.
    “Mas como ousadia para derrubar as árvores era algo inexistente, por medo dos supostos fantasmas, acharam melhor alterar o nome do bairro e esperar o falecimento delas.” Creio que aqui houve informação demais: a ousadia para derrubar as árvores, os fantasmas das árvores atormentando os moradores, a mudança do nome do bairro, a espera de que as árvores falecessem. O próprio termo “falecer” empregado para a morte (no tempo) de árvores parece soar estranho.

    Boa sorte no desafio.

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Publicado às 9 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .