EntreContos

Detox Literário.

Última Ilusão (Pedro Paulo)

Depois de mais uma sessão de diarreia e vômito, Gilberto Alves soube que morreria naquela noite. Como nas outras vezes, limpou-se como pôde e se deixou cair na poltrona encardida da saleta. Estirado como estava, uma das mãos alcançava a cerveja quente que deixara no chão e a outra jazia pousada em cima da barriga inchada, preparada para apertar quando a próxima pontada de dor viesse.

Nunca pensou que teria a chance de esperar pela morte. Sempre imaginara que acabaria morrendo repentinamente, sem tempo para reflexões. Um tiro na cabeça, talvez.

─ Com certeza tem gente para atirar em mim.

Era a motivação de estar escondido naquele apartamento podre e não em um hospital, onde poderiam droga-lo até que morresse esquecido de que estava morrendo. Também não conseguiria comprar as drogas no contrabando, pois os idiotas que estavam atrás dele eram os próprios traficantes que ludibriara. Lembrando deles e (sempre) indiferente ao perigo, ele riu.

─ Dei a eles uns papeis crepom e os fiz pensar que era dinheiro de verdade! ─ completava mais de cinco anos de solidão, então falar sozinho se tornara um hábito.

O pior da inevitável espera até a morte era que ele acabava com tempo de sobra para pensar, sem nada para distraí-lo ou entorpece-lo. E, matutando sobre os seus últimos momentos, Gilberto Alves chegou à percepção de que não queria morrer sozinho. Era uma noção horrível, pois era claro que morreria sozinho, algo que ele constatava com um aperto no peito, os olhos um pouco úmidos, a mente distante em uma centena de arrependimentos. Foi em um desses devaneios que ele teve aquela ideia: talvez eu não precise morrer sozinho.

Ora, ele já fizera, com um mero estalar de dedos, resplandecer a aurora boreal no céu crepuscular de uma cidadezinha do sertão! A memória era clara em sua mente. Era uma época em que sua voz não era rouca e agourenta:

─ Mas senhoras e senhores! O espetáculo que tenho para vos apresentar não é para ostentar debaixo de uma tenda. Nesse, precisaremos de assistência… ─ algumas mãos se levantaram ─ Não, não desse tipo. Nessa ilusão, quem vai me ajudar será o próprio céu!

Lembrava-se das vaias da plateia, do dirigente do circo vir até o seu ouvido lhe murmurar pragas, perguntar se ele estava doido. Gilberto não se alterara em nenhum momento. Com o mesmo sorrisinho espertalhão no rosto, ajeitou a cartola e guiou todos para fora do circo. Quando as luzes vieram aos céus, em faixas brilhantes de verde e rosa, não teve um a descolar os olhos daquele cenário fantástico. Mas as ilusões que criava nunca lhe chegavam como para as outras pessoas. Ele era como um engenheiro que, diante da máquina mais fantástica do mundo, só conseguia vê-la pelas engenhocas que a faziam funcionar. Não foi diferente com a aurora boreal nordestina e era por isso que agora, moribundo e abandonado, ele temia levar a cabo o que vinha pensando.

Nos últimos anos, suas ilusões já não eram mais as mesmas, não nasciam com a mesma textura de realidade que as de antes possuíam. Ele não era tão jovem, mas definitivamente não era tão velho para estar tão degradado. Devia aquele desgaste aos vícios que alimentara nos últimos dez anos, o pior de todos sendo o vício de enganar e iludir as pessoas. Gilberto temia que se tentasse fazer o que pensava, não conseguisse nem mesmo materializar a ilusão. Acabaria diante de um piscar de luzes disformes que pouco a pouco se apagariam e não tornariam a brilhar. E, mesmo que conseguisse trazer a ilusão à vida, saberia que era mentira e não adiantaria em nada. Mas bom, ele chegava à mesma conclusão todos os dias e ainda continuava pensando naquilo.

Uma pontada de dor o deixou meio inclinado para frente, encolhido na poltrona enquanto apertava a própria barriga. Passou a língua pelos lábios ressecados, a visão escureceu um pouco, a cabeça começou a doer. Tinha a impressão de que, caso levantasse, desmunhecaria em sua última queda.

─ Se for para fazer, tenho que fazer logo.

E um estalar de dedos não bastaria. Enferrujado como estava, precisaria do esforço de todo o seu corpo e de toda a concentração que pudesse reunir. Meio inclinado para frente, fixou os pés no chão e esticou os dois braços, as palmas bem abertas viradas para a parede. Suas mãos magricelas tremiam. Ele respirou fundo e começou.

Foi só quando o suor começou a escorrer pelas suas têmporas que a primeira luz faiscou a um metro de si. Depois de mais um minuto, a luz deixou de piscar e se manteve brilhando e flutuando, esticando-se para os lados como se estivesse tentando construir ramificações. Ele sentia a dor do trabalho constante dos seus intestinos arruinados, mas ignorava, mantendo-se focado na sua criação, que já tomava forma e relevos. Mesmo quando sentiu aquela dor aguda no ventre, indicando que deveria ir ao banheiro, ele se manteve como estava, mãos erguidas, dedicado a fazer nascer (ou renascer) a figura em que vinha pensando nas últimas semanas.

Mas não resistiu até o fim. As mãos foram à barriga e ele se colocou de pé, pronto para correr. Só que já era tarde demais. Na verdade, não chegou a dar nem um passo à frente, pois assim que se levantou, viu-se assaltado pela escuridão. Caindo de joelhos, ele sentiu o cólon arder. Depois de uma série de ruídos vergonhosos, ele constatou um novo peso nas calças e, de cara no carpete, sentiu o fedor. Ele havia se borrado. Uma das mãos agarrou o carpete para tomar apoio e impulsioná-lo para cima, mas não lhe restava forças, tudo o que conseguiu foi arrancar alguns fios sujos para si. Gemendo, decidiu-se por ficar ali. Teria esquecido do que tentara fazer antes daquilo se não fosse o perfume, tão forte que suplantava o fedor. Precisou se esforçar para olhar para cima. Ela estava ali.

A própria imagem dela era a primeira mentira. Não a via tinha cinco anos e a moça que agora estava diante dele não era a mulher que o abandonara anos atrás. A moça à sua frente tinha os cabelos cacheados avolumados até os ombros, os lábios grossos abertos em um largo sorriso e os olhos castanhos brilhantes, como quem acabou de ter uma ótima ideia. A gravidez dela já se pronunciava por debaixo do vestidinho de estampas coloridas. A mulher que o deixara anos antes era mais velha e nunca tinha voltado a estar grávida depois do aborto espontâneo. No lugar do brilho do olhar, ela o olhava sempre de soslaio, como se o deixasse avisado do rancor que tinha por ele. Não sabia qual das duas facetas da mesma pessoa tentara trazer para lhe fazer companhia em seus últimos momentos, mas se sentia com sorte por ser aquela que estava diante dele. De alguma maneira, ela sorriu ainda mais. Ao se aproximar, o perfume o fez se esquecer de que estava todo sujo. Ela o acariciou o rosto e ele lhe amparou a mão com um toque suave e incrédulo. A pele dela era macia, como havia sido quando a conhecera.

─ Você está aqui.

─ Eu não pensava que o maior mágico do mundo ficaria gagá, dizendo coisas óbvias desse jeito.

Ele riu.

─ Mágico não, eu sou um…

─ Ilusionista! É, eu sei! ─ ela foi se sentando, colocando o braço em volta do seu ombro. Enxugou o suor da sua testa ─ Grande erro. ─ ela o tocou no queixo, virando seu rosto para ela ─ Então, qual é o seu plano para a noite de hoje?

─ Eu estou certo de que hoje vai ser a noite em que eu morro ─ Gilberto deu dois tapinhas no joelho dela ─ e você vai poder assistir a isso bem de pertinho.

Ela deu de ombros, os cantos da boca curvados para baixo.

─ Deve ser o primeiro espetáculo que você conduz ao longo de semanas, benzinho. Talvez acabe até sobrevivendo.

─ Ah, não, por favor. Isso seria terrível.

─ Então você desistiu mesmo?

Gilberto olhou para ela. A ilusão que criara era exatamente como havia sido a sua esposa. Trazia uma espécie de aura reluzente em seus contornos, algo que muito provavelmente outras pessoas comuns não poderiam ver, mas ele enxergava. Ainda assim, teve que desviar o olhar para admitir em voz alta.

─ Sim, eu acho que desisti, sim.

─ Foi depois que eu saí?

─ Você fugiu! Não simplesmente saiu.

─ É verdade. Fugi de você, daquele nosso casamento terrível. Se tivesse ficado, provavelmente acabaria como você.

Ela não se mostrou nem um pouco afetada ao dizer aquilo, as palavras saíram como se tratasse de qualquer assunto banal. Ele relevou, mesmo que demorando alguns instantes para falar.

─ Demorou algum tempo para eu desistir.

─ Ora, devem ter acabado as pessoas para você enganar, não é? Apostadores, traficantes, policiais e assaltantes. Não escapou um de suas ilusões.

─ Eu era muito bom. ─ não fez questão de esconder o orgulho.

─ O melhor. O melhor ilusionista da cidade, da região. Poderia ter sido o melhor ilusionista do mundo. Por que saiu do circo?

Ele deu de ombros. Uma breve luta com o choro atrasou um pouco sua resposta, mas não deixou de soar arrependido.

─ Eu achei que aquilo não era mais pra mim… eu acho. Achei que podia fazer mais do que aquilo.

─ Mais do que aquilo sendo cheirar cocaína e apostar todo o seu dinheiro em jogos?

Em um movimento brusco e enfraquecido, libertou-se do seu abraço. Arrastou-se um pouco para longe, deixando um rastro amarronzado e fétido no carpete. Abalado, pôde sentir o fedor que saía dele. Ela reclinou-se e engatinhou por ali, ficando meio deitada por cima do rastro de sua merda. Mas ainda brilhava e exalava aquele doce perfume. Sua expressão ainda era jovial e esperançosa.

─ Por que você está falando essas coisas?

─ Ora, Gil. Eu sou sua criação. De certa forma, é você que está falando essas coisas ─ o descontentamento dele não mudou. Ela respirou fundo, parecendo uma professora que ia tentar uma nova forma de explicar um assunto ─ Olhe ─ Foi se acomodando mais perto dele, imaculada pela sujeira que ele deixara em seu caminho ─ O que eu acho é que você não quer morrer sozinho. Mas você sabe que também não vai para o céu, sabe de tudo o que fez e acha que merece estar castigado… então você me trouxe até aqui. Me trouxe como gosta de se lembrar de mim. Mas também me trouxe para te falar a verdade. Você não quer se esquecer do que aconteceu, meu bem. Sabe que não poderia morrer e deixar tudo para trás. ─ ela tomava uma de suas mãos para si ─ Você quer morrer e levar consigo tudo o que é seu, as coisas boas e ruins.

Ele a olhava nos olhos e via no fundo daquele brilho, enxergando por detrás dele, vendo o vazio que havia ali. Mesmo sendo uma mulher de mentira, ela falava a mais completa verdade. Por um tempo, Gilberto não conseguiu dizer nada, e quando se percebeu caindo para frente, já era tarde demais para falar qualquer coisa. Ela o amparou antes que alcançasse o carpete e, de alguma maneira, acabou se acomodando no colo dela. Estava tudo muito escuro, sua visão o mostrava apenas um doloroso resvalar de luz, então preferiu manter os olhos fechados. Mesmo assim, sentia o perfume dela e sabia que estava deitado em seu colo. Ela ainda estava ali. Sem vê-la, conseguiu chorar com mais facilidade. Gilberto falou com dificuldade, parte porque precisava dividir o esforço de falar com o de respirar e em parte pelo choro que embargava as suas palavras.

─ Eu não quero morrer.

─ E o que você quer fazer?

─ Eu… eu não sei. ─ estremeceu ─ Não tem nada para fazer, não mais. Só tem coisas que eu poderia ter feito.

─ Comigo?

Ele esticou o braço para trás, até sentir o volume rígido na barriga dela. Tocou com cuidado, como fizera vários anos atrás, quando sua verdadeira esposa estivera consigo.

─ Com você. Com nossa família.

─ Nós teríamos sido uma família bonita, não é?  

─ Teríamos… eu nunca pensei que fosse ter uma família feliz, sabe? Quando eu tive a chance… quando eu te conheci e você engravidou, pensei que tinha que enricar. Acho que sempre fui sobre isso, enricar: ─ e realmente era puro achismo ─ Meu pai dizia que eu nunca ganharia um tostão.

─ Você ganhou muito mais do que um tostão. ─ o tom dela o parabenizava.

─ E perdi tudo, inclusive você.

Ela arrumava e desarrumava o seu cabelo em uma carícia reconfortante. Não precisou vê-la para saber que ela pensava no que dizer.

─ Mas eu estou aqui ─ e beijou a sua testa.

A maciez dos lábios dela o deixou desnorteado, pois, por um instante, imaginou que ela estava mesmo ali. Sua barriga doía, mas ele tinha os dois braços abertos estirados no chão, indiferente à dor. Todos os seus sentidos trabalhavam em assimilar e validar a presença dela, todo o resto ficando esquecido. Mas ela estava certa, ele precisava ser castigado. Mesmo que não quisesse, havia algo nele, um senso de justiça e arrependimento que o fazia relutar contra a ideia de morrer em paz.

─ Não, você não está aqui. Eu… eu estou alucinando.

─ Não, meu bem. Você está se iludindo.

Ele soltou uma risadinha fraca, que foi quase um bufar.

─ E tem diferença, é?

─ Ah, talvez não tenha. Mas para Gilberto Alves, o maior ilusionista desses sertões, seria muito injusto tratar de uma de suas maiores ilusões como uma mera alucinação.

─ Então admite que é uma ilusão?

Ela não respondeu. Não saberia dar mais uma resposta esperta àquilo. Sua esposa certamente seria capaz de driblar a pergunta, mas aquilo era uma ilusão gerada para ludibria-lo e, ao mesmo tempo, comprometida e obrigada com a sua mente. Aquilo era uma criação sua, não havia escapatória.

─ Sou.

Por um tempo, Gilberto Alves ficou ali, chorando enquanto se deixava acariciar pela esposa. Balbuciava desculpas e se encolhia, estremecendo tanto pelo choro como pelo frio que o invadia e arrepiava. Quando sentiu os músculos relaxarem e a completa escuridão se assomar sobre sua visão já debilitada, ele não soube se perguntou, ou se só pensou as palavras:

─ O que é esse breu? É outra ilusão?

Tendo falado ou não, ele ouviu uma resposta. E era a voz da esposa:

─ Não, meu amor. Isto é completamente real.

Gilberto Alves morreu deitado sozinho no carpete podre, sorrindo enquanto pensava que a morte era uma ilusão.

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54 comentários em “Última Ilusão (Pedro Paulo)

  1. Bianca Amaro
    31 de dezembro de 2017

    É uma história realmente mágica (o que combina com a imagem do começo), com uma ótima narrativa (que revela o talento do autor ou da autora) e com a leitura fácil.

    O começo, um pouco nojento (não que isso seja ruim) nos faz querer continuar lendo, para ver o que o personagem vai fazer e o que causou sua miserável situação.

    Além disso, gostei do final e de como os sentimentos melancolicos são mostrados.

    Enfim, parabéns e boa sorte!

  2. Hércules Barbosa
    30 de dezembro de 2017

    Saudações

    A ideia de fazer com que um ilusionista dialogue com a ilusão esposa sobre a partida da mulher real e, pelo que entendi, usar um pouco de escatologia para fazer um paralelo sobre como a vida do ilusionista se tornou depois dessa separação atraem a atenção de quem está lendo.E o arrependimento pelas escolhas feitas é enfatizado ao longo do texto. Gostei muito.

    Parabéns pelo trabalho e sucesso.

  3. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Gostei bastante de como criou tudo num cenário só, gosto da coisa do apartamento, da história num cubo. E é um conto escatológico, no início achei meio estranho e fiquei com um pé atrás, não sou fã de muita merda em texto (em relação às palavras, essa crueza), mas depois fui curtindo a maneira como lidou. Também sou chegado numa alucinação (acho que poderia ser meu, o conto!) e como não esqueceu que a ilusão é produto da mente dele. Mesmo estando ali, na sua melhor forma, ainda é uma parte dele. É ele conversando com ele mesmo, mesmo em alucinação. Essa ideia, a de como lidamos com a gente, com nossos desejos, ainda mais nesse fim de vida, ficou excelente.

  4. Fabio Baptista
    30 de dezembro de 2017

    Última ilusão, último comentário do certame e talvez meu último comentário no EC.

    Vamos lá…

    Foi um bom conto, bem escrito, sabendo dosar bem a crueza da situação (morrer sozinho com as calças cheias) sem descambar muito para o escatológico. Talvez tenha ocorrido uma repetição desnecessária de situações, tanto da diarreia quanto, posteriormente, dos diálogos do casal. Ou talvez eu só esteja exausto depois de tantos comentários.

    Eu fiquei intrigado com o superpoder, no caso era a ilusão, correto? Mas o cara é referenciado (por ele mesmo, enquanto projeção da esposa) como “o maior ilusionista desses sertões”… se havia mesmo um superpoder, acredito que ele se consideraria o maior do mundo, sem pensar duas vezes. Enfim… a cena da aurora foi muito legal e me lembrou uma das coisas que ainda quero fazer na vida, mesmo que precise ficar acampado um mês nos confins da Noruega.

    A ideia do diálogo com a esposa/ilusão é interessante, talvez tendo caído um pouco na repetição, como comentei anteriormente. Isso me lembrou duas coisas distintas: o filme Blade Runner 2049, onde o policial androide é casado com uma mulher holograma e também o jogo Batman Arkham Knight, onde o Batman fica interagindo com um Coringa projetado pela imaginação.

    Acredito que o conto funcionaria melhor se apresentasse mais do background com a esposa e da decadência do ilusionista, mas isso certamente exigiria muito mais palavras.

    Bom conto.

    Abraço!

  5. Felipe Rodrigues
    30 de dezembro de 2017

    PORRA! Que conto perfeito! A história está se passando na minha cabeça enquanto tento entender a merda linda e metafórica que acompanha o protagonista, suas criações, o bem-estar final causado pela criação da mulher, entre outros mil aspectos e sutilezas que me farão reler essa beleza por mais alguns dias. Estou ainda sem palavras, não conseguiria chegar ao nível do conto e acabaria por destratá-lo. Nota máxima desde já!

  6. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    Projetar uma ilusão para si próprio e amenizar as dores da partida, uma boa sacada. No entanto, achei que o conto perdeu muito ao focar demais nessa DR. Entendi que aquelas coisas precisavam ser ditas pois precisavam ser ouvidas pelo ilusionista, mas mesmo assim ficou um pouco cansativo ficar só naquela conversa. Apesar disso, gostei do personagem problemático, que iludiu tanto que se ferrou e terminou sozinho, e das doses de escatologia. Texto com pitadas de “sujeira”, mas sem exagero, o que me agradou. Consegui visualizá-lo bem.

  7. Higor Benízio
    30 de dezembro de 2017

    Uma ideia genial e muito bem executada. De longe o melhor que li até agora. Essa sacada do ilusionista se iludir no leito de sua própria morte… Parabéns, gostei muito. Não tenho nenhuma crítica. tudo foi muito bem feito, não tiraria e nem colocaria nada.

  8. Edinaldo Garcia
    30 de dezembro de 2017

    Última Ilusão (Trompe L. Oeil)

    Trama: Ilusionista velho vive seus últimos momentos em casa.

    Impressões: Um texto que soa como um monólogo. O próprio protagonista é a mulher. Ilusão criada por sua mente, materializada pelo seu poder. O conto possuiu uma tensão de que a morte vai chegar certamente, mas quando? O ritmo arrastou-se um pouco e isso deu um tom cansativo nos últimos parágrafos, pois quase todos os bons elementos da vida do homem foram jogados na mesa nos primeiros parágrafos.

    Linguagem e escrita: É boa. só achei erros de acentuação verbal quando há junção com o pronome como em: ludibria-lo – ludibriá-lo (há outros verbos faltando acentuação) nada que estrague a obra.

    Veredito: Bom conto.

  9. Priscila Pereira
    30 de dezembro de 2017

    Superpoder: Ilusionismo

    Olá Trompe, eu já tinha comentado antes, mas o comentário não foi e se perdeu… 😦
    Eu gostei bastante do seu conto, ele me pareceu bem cru, mostrando as ultimas horas de um moribundo sem firulas ou excessos sentimentais. Gostei especialmente de como você introduziu todas as explicações necessárias ao longo do texto de forma muito natural. Sua escrita é firme e bem pensada, madura. A conversa com ele mesmo, na forma de sua ex esposa foi muito boa, arrependimentos, pesagem de uma vida. Parabéns e boa sorte!

  10. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    30. Última Ilusão (Trompe L. Oeil):
    A PREMISSA é o ilusionista morrendo – o poder dele é a materialização, personificado na mulher dele. Quanto à TÉCNICA, é uma história dark, que lembrou um pouco Constantine, e que tem um elemento de repugnância na morte miserável do protagonista. Francamente, não me atraiu, essa crueza. Quanto ao APERFEIÇOAMENTO, acho que se o autor estiver satisfeito, não há muito que eu possa indicar. Mas, se fosse meu, eu tiraria um pouco da escatologia e investiria mais na história de fundo do protagonista com sua mulher, e no aspecto de mau caráter e golpista (no sentido de estelionatário) dele.

  11. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Trompe L. Oeil. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Que delícia de leitura! Quanta ambientação! Um conto que vai melhorando a cada frase, que se adensa. Precisa de revisão na acentuação, é certo. Mas é perfeito. Também houve uma frase estranha logo no início, até pensei que o seu protagonista tinha o superpoder de morrer e renascer sucessivamente. Foi esta que, sem parágrafo de permeio, me levou a pensá-lo: “Gilberto Alves soube que morreria naquela noite. Como nas outras vezes”, entretanto, logo percebi que fora induzida em erro.
    Mas depois, o conto vai melhorando e melhorando, ganha densidade, ganha sangue e cor e dor e emoção. Ganha o leitor. Então, que dizer? Nada, apenas que coloque os acentos em falta, porque quanto a conteúdo e boa escrita, transborda. Por vezes falo na diferença entre o saber escrever e o ter o dom; você tem o dom, é um/a verdadeiro/a autor/a. Eu estive lá e não foi ilusão; pelo menos não dele e, construída por si, colocou-me no local a ver,observar, sentir, cheirar… Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  12. Ana Carolina Machado
    28 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito bom. Fiquei com muita pena do Gilberto, dele ter morrido sozinho apenas com a ilusão da ex-esposa com ele. independente do que ele tenha feito eu fiquei com pena. O diálogo entre ele e a ilusão foi muito bom, as coisas que na verdade era ele mesmo falando. Os arrependimentos e o perfume dela que pareciam reais, com certeza foi a melhor ilusão que ele criou. Ele era um grande ilusionista, pena que se perdeu no meio do caminho. Gosto muito de histórias e filmes com ilusionistas, um dos meus favoritos é um chamado O ilusionista e um de um grupo de ilusionistas que roubam bancos. Gostei muito daquela parte que fala de quando ele criou a aurora boreal no nordeste, achei bem criativo e seria uma coisa bonita que eu gostaria de ver. Parabéns. Boa sorte!

  13. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Trompe, como é difícil morrer! Pior ainda, como é terrível morrer só! O seu conto me traz essa questão de maneira forte. Um soco no estômago. Gostei da maneira como conta a sua história. Você apresenta um domínio grande da língua e me conduz para dentro da ilusão vivida pelo triste e decadente moribundo. Gostei da metáfora, apesar de ser um tanto escatológica, do nosso herói (herói?) ir se libertando das suas merdas antes de partir. E o mal cheiro a se confundir com o perfume da ilusão da mulher que chega… Ele irá limpo dos podres que seu intestino carrega. O conto precisa de uma revisão. Há uns errinhos saltando aqui e acolá que terminam por incomodar. Abraços.

  14. Marco Aurélio Saraiva
    27 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Porra… cacetada. Uma salva de palmas aqui. Eu bati palmas na vida real, sério!

    Que conto magnífico. Você não só fez o superpoder aqui ser algo essencial para a trama – você introduziu um conflito real que Gilberto tinha consigo mesmo. O leitor vê os momentos finais da sua vida, onde ele reflete sobre tudo o que fez de errado e a morte solitária que teria que ter. E, para ajudar nas suas divagações, um último truque. Uma última ilusão.

    Que ideia magnífica.

    A sua esposa era senão a sua própria mente falando para ele tudo o que ele não conseguia falar. Era uma ilusão, tal qual ele sempre fez, mas agora ele ludibriava a si mesmo.

    E que contraste!

    A diarréia que ele sentia e que escorreu pelo tapete demonstra a vida “de merda” que ele resolveu ter, especialmente após o abandono. A sua esposa, por outro lado, bela e cheirosa, representa o total contraste: tudo aquilo que ele poderia ter e não teve, a vida que poderia ter vivido e não viveu. Ela zomba dele, deita na própria merda dele e não perde o seu perfume. Na sua barriga ela carrega o seu futuro perdido; enquanto, na barriga dele, ele carregava apenas podridão.

    Há tantas frases interessantíssimas aqui que fico até perdido. É um conto e tanto. Nota máxima!!!

    DESTAQUES:

    “Nunca pensou que teria a chance de esperar pela morte. Sempre imaginara que acabaria morrendo repentinamente, sem tempo para reflexões. Um tiro na cabeça, talvez.”

    “Ele a olhava nos olhos e via no fundo daquele brilho, enxergando por detrás dele, vendo o vazio que havia ali. Mesmo sendo uma mulher de mentira, ela falava a mais completa verdade. ”

    “Gilberto Alves morreu deitado sozinho no carpete podre, sorrindo enquanto pensava que a morte era uma ilusão.”

    =====TÉCNICA=====

    Perfeita. Ponto final. Seu estilo é limpo, deleitoso, com um ritmo agradável e descrições primorosas. Como costumo dizer: nem vou me alongar muito nesta parte para não soar muito puxa-saco.

    Parabéns!

  15. Andre Brizola
    26 de dezembro de 2017

    Salve, Trompe!

    A capacidade de conseguir contar uma cena, usando apenas palavras, e transformá-la em algo vívido é um superpoder. E, tal qual uma super força, ou super velocidade, pode ser utilizada tanto para o bem, como para o mal. Aqui ela foi utilizada quase que toda para o bem, pois temos um diálogo muito cru e verdadeiro sobre decisões tomadas na vida, decisões encaradas como erradas pelo protagonista, e discussões sobre causas e consequências.
    Mas a capacidade que citei também foi utilizada para o mal. Há um pouco de exagero no que diz respeito ao problema intestinal do personagem, algo que foi plenamente estabelecido na primeira frase do conto. Entendo que a intenção era deixar claro o quão podre estava a situação do ilusionista. Mas tanto foco no assunto gerou ruído, gerou incômodo.
    A melancolia surge aqui e ali nos diálogos bem conduzidos, não deixando o tom se desviar da linha central. Tanto o ilusionista quanto a mulher estão bem centralizados dentro dessa linha, pouco deixando margem para um questionamento além dos fracassos que levaram o personagem a uma condição tão solitária. Bastaria isso para gerar desconforto no leitor, até!
    Não há como saber se o superpoder existe ou não com total clareza. Na minha visão o personagem passa por delírios que antecedem a morte. Ficamos sem saber se a cena da criação da mulher aconteceu de fato ou se era apenas fruto da alucinação.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  16. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Poderia dizer que o conto, sem cair em nenhum momento na pieguice fácil, é emocionante. Entretanto, ser ou não ser emocionante é efeito de recepção textual, para o que contribui muito o universo emocional do leitor. Para alguns, o conto não terá esse colorido.

    Sendo efeito de recepção textual, não significa necessariamente que as cenas narradas tenham carga emocional bastante para classificarmos a narrativa como “emocionante”. Ou seja, não é critério de valor seguro para o objeto literário, porquanto o grau de subjetividade é grande.

    No entanto, objetivamente falando, para quem se emociona com o texto não há como avaliá-lo sem levar o efeito em conta.

    Então vamos lá.

    O enredo é muito bem narrado. Nesse sentido, nenhuma observação relevante a fazer quanto à estrutura e linguagem. Os personagens são bem construídos, o que é percebido nos diálogos: há efetivamente duas personalidades interagindo, não apenas as representações de um homem e de uma mulher. Como seus valores morais são opostos, torna-se fácil visualizá-los pela palavra. Isso é interessante porque vários autores fazem do personagem (às vezes mais de um) extensão linguística do narrador (e isso não é nenhum defeito), fazendo muitas vezes com que o texto adquira cores pastéis nesse aspecto.

    O drama proposto – a morte solitária – atrai essa tonalidade mansa, mas o que temos é o contrário: as cores fortes de personalidades fortes. O resultado é surpreendente.

    Fica uma saborosa dúvida: mesmo sendo o protagonista ilusionista profissional, os efeitos de luz e sua ex-esposa teriam sido resultado de seu talento ou será a alucinação que acomete alguns antes da morte? No trecho abaixo há algum indício de resposta.

    “─ Não, você não está aqui. Eu… eu estou ALUCINANDO”.
    “─ Não, meu bem. Você está se ILUDINDO”.

    O protagonista diz para a mulher que ele está tendo uma alucinação (delírio), ao passo que ela retruca afirmando na verdade ele está se iludindo (enganando-se). Engana-se ao pensar que é um delírio, mas não é? Nesse caso, a mulher seria de fato resultado de seus poderes. Ou se engana ao pensar que criou a mulher, quando na verdade ele nada fez? O curioso é que o(a) autor(a) grafou “eu estou alucinando”, com o verbo ALUCINAR no intransitivo, significando CAUSAR DELÍRIO. Em quem? Nele mesmo? Nesse caso, deveria haver o pronome ME.

    Volto a perguntar: a mulher é uma criação dele ou um delírio? A pergunta insiste em se fazer porque às vezes ela se comporta como humana, mas há uma passagem em que ela se animaliza (“Ela reclinou-se e engatinhou por ali, ficando meio deitada por cima do rastro de sua merda”).

    Faltaram acentos em “droga-lo” [drogá-lo], “entorpece-lo” [entorpecê-lo], “ludibria-lo” [ludibriá-lo].

    O correto seria PAPÉIS CREPONS, não “papeis crepom”.

    Em “não vai para o céu”, o correto seria “Céu”, pois substitui a ideia de Paraíso, substantivo próprio.

    Em “Ela o acariciou o rosto”, há mau uso dos oblíquos. Se os substituirmos pela forma direta a frase ficaria assim: “ela acariciou ele o rosto dele”, o que não faz sentido. Assim, a frase oblíqua esta inadequada. Melhor seria “Ela lhe acariciou no rosto”.

  17. Renata Rothstein
    25 de dezembro de 2017

    Olá!
    Trompe L. Oeil, tudo bem?
    Estou aqui meio que sem saber o que comentar sobre seu conto, e gosto quando isso acontece, é sinal de que algo nele me tocou profundamente.
    Achei muito boa a narrativa, esse jogo de pensamentos e questões não resolvidas, a presença da mulher nos últimos instantes de vida do ilusionista, o que foi e não feito, o que jamais será, inclusive a parte mais escatológica veio muito bem dentro do momento vivido pelo protagonista.
    Uma morte solitária, um esquecimento, o abandono no meio da merda, literalmente…achei bastante filosófico, gostei muito, embora não tenha visto super poder, mas um aspecto super do ser humano.
    Parabéns, abraço!

  18. Estela Goulart
    25 de dezembro de 2017

    Olá. Seu conto é bom, achei interessante a abordagem filosófica. Quase todo o texto se baseia no tema da ilusão, superpoder do personagem. Não encontrei falhas na escrita. Poderia ter sido melhor, mas ainda não sei o que faltou. Talvez a insistência em abordar uma mesma análise, e o texto permanecer nisso. Parabéns e boa sorte.

  19. Leo Jardim
    25 de dezembro de 2017

    # Última Ilusão (Trompe L. Oeil)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – trata-se mais de uma cena que uma trama em si, mas consegue contar o passado do protagonista e sua decadência
    – não sei se mais alguém comentou isso, mas houve um foco excessivo nos problemas intestinais dele; no início já dava pra ver que ele tava literalmente na merda, mas o conto voltou a isso o tempo todo
    – a ilusão da esposa dele criada ficou muito boa e bem trabalhada: consciente de ser uma ilusão, travou um ótimo diálogo com seu criador
    – o fim ocorreu exatamente como o previsto e mesmo a conversa dos dois não trouxe grandes revelações: só aumentou ainda mais a decadência dele

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – descrições muito vívidas, mas um pouco exageradas em algumas partes
    – ótimo diálogo com a ilusão, mas precisa acertar a pontuação
    – Grande erro. ─ *ela* (Ela) o tocou no queixo, virando seu rosto para ela *ponto* ─ Então, qual é o seu plano

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – não há nada de muito novo, mas o faz com muita personalidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – ilusão, doce ilusão (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – o mergulho na mente do grande ilusionista ficou muito bom e bem trabalhado, mas o fim linear reduziu um pouco o impacto

    OBS.: sobre pontuação no diálogo, recomendo a leitura de um artigo que escrevi: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  20. Juliana Calafange
    24 de dezembro de 2017

    Muito interessante seu conto, Trompe! Uma trama muito bem construída, onde diversas ideias se sobrepõe, no momento derradeiro do protagonista.
    Me lembrou o filme Jogo Perigoso, uma adaptação do livro de Stephen King, onde o fantasma do marido morto e o seu próprio, como um reflexo dos seus pensamentos, aparecem para uma mulher que está em uma situação limite, à beira de morrer.
    O momento da morte como momento catártico, quando enfrentamos o ‘juízo final’, analisamos nossos atos em vida e descobrimos se merecemos céu ou inferno. A diarreia como uma referencia purgatória, que ‘deixa sair’ todos os pecados, toda a nojeira da vida, todos os equívocos em nome do amor, permitindo que o protagonista, ironicamente um ilusionista, se perdoe pelos erros cometidos antes de deixar este mundo. Uma metáfora do amor – ah, o amor! – que nunca é de verdade aquilo que é pra nós em ilusão.
    Um conto excelente, parabéns!

  21. Gustavo Araujo
    24 de dezembro de 2017

    Um conto muito bem escrito, em que se sobressai a prosa madura, cheia de segurança, de quem sabe muito bem como conduzir uma narrativa. Isenta de erros e com forte apego no psicológico, a trama nos leva à mente de um velho (ou talvez nem tanto) mágico de circo que, na hora H, vê-se contestando a si próprio, seus pecados, seus arrependimentos, tudo consubstanciado na figura da esposa (talvez morta). Não há certeza sobre muita coisa – nem mesmo se o tal superpoder -, eis que os devaneios e as incertezas dominam a história. Só que se sabe é que o protagonista está só e morre só. Apesar de eu apreciar muito mergulhos filosóficos, com personagens densos e contraditórios, houve algo neste conto que não me desceu bem. A começar pelas alusões escatológicas que, por desnecessárias, quebraram totalmente o ritmo intimista necessário para a situação. Falar que o cara “se borrou” depois de toda a abordagem psicológica foi como um balde de água fria… Outra coisa foi que, a meu ver, o personagem não cativa, não permite uma identificação com o leitor. Isso, a meu ver, é conseguido ou por meio de falhas de caráter mundanas (afinal, todos as temos), ou por temores, ou por anseios, o que não consegui visualizar. Em verdade, quase nada nele me cativou, o que é uma pena, pois o texto tinha tudo para ser arrebatadora. Não consegui me alegrar por ele ou sentir pena dele – e isso, na minha modesta concepção, é o que torna o texto diferenciado. Estou abordando esse lado, reforçando os aspectos negativos da minha experiência como leitor, porque noto no autor muito potencial. Sua escrita é muito boa, seu jeito de narrar é excelente. Falta, apenas, permitir que seus personagens se tornem mais íntimos de quem lê. É isso. No geral, um ótimo trabalho, mas que poderia ser excepcional.

  22. Rafael Penha
    24 de dezembro de 2017

    Olá, Ashley

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante e fluida. Sem problemas de gramática que tenham me atrapalhado.

    3- Estilo – Um texto bem original. A forma de narrar a história é triste, mas convidativa. Não cansa. O texto tem um tom sombrio e melancólico, perfeito para a história narrada.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa simples e bem objetiva.Um homem em seus dias finais. Seu drama é bem descrito e suas habilidades também. A ilusão é excelente no que se propõe. Um espectro de outra pessoa, mas atrelada a sua mente, capaz de fazer e dizer apenas o que sua mente consegue. O flerte com a morte também é interessante de ser mencionado no fim, deixando um caráter dúbio e uma curiosidade no leitor

    Muito bom.

    Grande abraço!

  23. Bia Machado
    23 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Muito bom, um ilusionista (que tem naturalmente esse poder), em seu último dia de vida, cria a ilusão da esposa pela última vez e com ela reflete sobre alguns pontos da sua vida. Se não foi isso, me desculpe pela interpretação! Mas foi como seu conto me tocou.
    – Ritmo: 1/1 – Adequado para o texto. No diálogo e nas reflexões vamos construindo as personagens e a situação em que se encontram.
    – Personagens: 1/1 – Estão adequados à narrativa. Não posso dizer que morri de amores, nem por um e nem por outro, mas são bem construídos, em minha opinião.
    – Emoção: 1/1 – Gostei do conto, foi uma leitura feita de uma vez, imersa no universo do personagem.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Está adequado, embora paire uma dúvida: era mesmo superpoder, ou alucinação? Mas acho que isso só vem a acrescentar ao conto.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que eu tenha percebido.

    Dicas: Não me vem qualquer dica agora, a não ser a de continuar escrevendo, mais textos como esse. Parabéns!

    Frase destaque: “Ele era como um engenheiro que, diante da máquina mais fantástica do mundo, só conseguia vê-la pelas engenhocas que a faziam funcionar.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  24. Iolandinha Pinheiro
    23 de dezembro de 2017

    Olá, autor.

    Uma abordagem criativa do tema deste desafio. O cara, um ilusionista, usa seu último dia sobre a terra tendo uma grande crise de consciência. A questão da diarreia constante do sujeito me fez imaginar que seria como se ele fizesse uma limpeza de seus problemas, defeitos, mágoas, arrependimentos e tudo isso virasse os próprios excrementos. Há um momento no texto em que ele não consegue se livrar desta carga e fica dentro, sobre, envolvido nela, porque existem aquelas lembranças, as culpas de que não se pode ou mesmo não se quer se libertar.

    Acho que esta culpa que restou foi exatamente a que ele sentia pela sua relação com a esposa e os erros que cometeu em relação à família que deveria ter constituído com ela ao invés de escolher outros caminhos que o levaram à perdição.

    Não sei se estou interpretando corretamente, mas foi isso que o seu texto passou.

    Os superpoderes ficaram por conta de projetar ilusões para os outros e para si próprio. Bem escrito. Parabéns, e sorte no desafio.

  25. Luis Guilherme
    22 de dezembro de 2017

    Bom diaaa! Tudo bão por ai?

    Gostei do conto!

    No fundo, me parece tratar do arrependimento diante da morte, algo bem comum, triste, e que gerou otimas obras tanto na literatura quanto no cinema.

    Você trouxe mais uma boa historia sobre o assunto.

    Não quer divagar demais aqui, mas algo realmente lamentável é desperdiçar a vida e só notar isso no momento final, não é? Digo isso não de forma fatalista, mas é algo que sempre reflito, quando penso sobre a forma como estou vivendo. Será que tenho arrependimentos? Amarguras? Desentendimentos bobos?

    No caso do protagonista, ele sabia exatamente a hora que morreria, mas a maioria das pessoas morre subitamente. E quando isso acontece, o que deixamos pendente?

    Acho que é algo a se refletir, e seu conto trouxe essa boa reflexão.

    Por tudo isso, e pela incapacidade de redenção do protagonista, seu conto tem um tom melancólico e depressivo. Isso foi bem transmitido, por meio de uma boa trama e uma linguagem clara e tecnicamente muito boa. Parabéns!

    O poder apareceu, deixando uma dúvida no ar: tudo aquilo realmente aconteceu, ou era apenas uma alucinação?

    Obviamente o homem realmente fora um grande ilusionista, mas o que fica no ar é: ele tinha o PODER de criar ilusões, ou eram truques? Pra mim, essa dúvida deixou um gostinho de quero mais e elevou o nível do conto. Pq? Pq ela nos deixa pensando se o homem realmente conjurou a ex-esposa ou apenas alucinou, projetando suas proprias angustias na forma da mulher.

    Enfim, gostei mesmo, bom trabalho! Parabéns!

  26. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá, autor(a). Gostei do seu conto. No fundo, fala de uma forma elegante de ilusões e solidão. Um ilusionista tem a sua derradeira ilusão no momento da sua morte. Uma coisa é certa: ninguém aplaudirá, mas o texto em si está bem estruturado, numa linguagem simples e com ritmo. A leitura flui sem problemas e quando terminamos queremos mais, o que atesta a qualidade do texto. A adequação está presente, bem como a emoção.

  27. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá Trompe L. Oeil (gostei do pseudónimo),

    A primeira metade do conto é muito boa! Um conto que contrasta muito bem a luminosidade das criações do personagem principal e o negrume que vai na sua alma.
    A segunda metade não gostei tanto, achei que dedicou demasiados parágrafos a uma imagem e mensagem que já havia sido criada: o resignar, o arrependimento, as possibilidades não aproveitadas na sua vida familiar.

    Terminou com uma frase poderosa: “Gilberto Alves morreu deitado sozinho no carpete podre, sorrindo enquanto pensava que a morte era uma ilusão.”

    Parabéns pelo conto!

  28. Paula Giannini
    19 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Mais que uma boa história, gosto de perceber o trabalho por traz do que leio. A linguagem que o autor buscou, as dualidades que o moveram no conflito, a construção dos personagens, enfim.

    Aqui, temos um conto deveras interessante no que toca a questão da dualidade. Se é que se pode chamar assim. Um texto no qual o(a) autor(a) fala de ilusão para mostrar a realidade, tal qual, muitos de nós a conhece. Um personagem quase árido, que fala com dureza, pensa do mesmo modo, mas, que no fundo, quer apenas uma chance para refazer os caminhos da vida de maneira diferente do que fez. Assim, o autor escolhe palavras duras, termos até, de certa forma, chulos, para mostrar o que há de mais execrável na alma e no corpo humanos, para, em contraponto, apresentar ao leitor o poder da ilusão. Talvez até, do sonho.

    A imagem de se morrer sem saber, ou melhor, na ilusão, é outro ponto alto e realmente muito forte, ao menos para mim.

    Um conto maduro nas escolhas e na realização.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  29. Catarina Cunha
    19 de dezembro de 2017

    O melhor primeiro parágrafo do desafio até agora. Pegou o leitor pelos intestinos.
    O texto dramático espelhando todas as nossas metáforas de arrependimento e ilusões. Tem a crueza do escatológico desespero da proximidade da morte lenta. Ótimo conto, coisa de quem já é medalhão.

  30. Givago Domingues Thimoti
    19 de dezembro de 2017

    Olá, Trompe L. Oeil

    Tudo Bem?

    Amei a história! A forma como foi conduzida demonstra talento do autor; leitura fácil, fluída e que prende a atenção do leitor.Não encontrei nenhum erro gramatical. Em certos pontos do texto, nota-se a dor do ilusionista.

    Arrisco a me dizer que não encontrei nenhum ponto negativo.

    Parabéns e boa sorte!

  31. Fheluany Nogueira
    18 de dezembro de 2017

    Superpoder: Criação de imagens, ilusões, até para si próprio. (Não sei se está adequado ao tema, já que o ilusionismo usa truques e aquela última mágica pode ser uma alucinação.)

    Enredo e criatividade: Momentos que antecedem a morte do protagonista, história triste, deprimente que retrata o abandono e os remorsos por atos que o deixaram naquela condição. A narrativa é bem construída, a vida do protagonista é avaliada mediante a ilusão de que a ex-esposa estivesse ali.

    Estilo e linguagem: Linguagem simples, clara, bom ritmo constante, descrições realistas do ambiente bem mórbido. Poucos problemas com a revisão, faltam alguns acentos e vírgulas; troca dos pronomes lhe/o e algumas construções frasais confusas.

    Gostei da ideia e da execução. Bom trabalho. Parabéns! Abraços

  32. angst447
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Trompe, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma sutil, mas eficaz. Um ilusionista que usa seu poder para criar imagens que impressionam.
    Linguagem clara, sem rebuscamentos desnecessários. O conto poderia ser um pouquinho mais conciso, mas acho que minha opinião é baseada na preguiça mesmo.
    Ritmo constante, sem problemas. A leitura torna-se um tanto mais vagarosa em alguns pontos, mas o interesse cresce à medida que o passado do protagonista é revelado.
    Não encontrei grandes problemas com a sua revisão, a não ser alguns acentos faltando.
    O final, apesar de previsível, ficou muito bom.
    Boa sorte!

  33. Mariana
    18 de dezembro de 2017

    Um dos contos mais tristes do desafio, já que mostra algo presente em todos nós: fraqueza e arrependimentos. Os dois personagens são muito bem construídos, não senti simpatia pelo ilusionista, mas me solidarizei com ele. O seu poder tornou-se um vício e o matou, uma morte solitária e suja. Interessante pensar sobre as escolhas que fazemos com aquilo que carregamos. No mais, apesar de não haver qualquer ação (apenas o diálogo e as lembranças do ilusionista com o seu produto final), a leitura é muito ágil. Um conto redondinho. Parabéns e boa sorte no desafio.

  34. Rubem Cabral
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Trompe L. Oeil.

    Gostei do conto. É muito triste, é verdade, mas é muito bom em desnudar a alma humana. Um resumo do texto: homem com o poder de criar ilusões fantásticas está por morrer sozinho depois de uma vida de excessos e cria uma última ilusão.

    A construção dos personagens ficou muito boa. Gostei em especial da esposa: ela é a memória idealizada da mulher, mas também é o ilusionista e age como tal. A sinceridade dela é um ponto alto do conto.

    Quanto à escrita, só notei alguns acentos “comidos” em alguns verbos com pronomes oblíquos: “droga-lo” vs. “drogá-lo”, etc. De resto, o conto está bem revisado. Uma frase num diálogo me incomodou um pouco: “Mais do que aquilo sendo cheirar cocaína e apostar todo o seu dinheiro em jogos?”. Talvez trocar o “sendo” por “significando” e grafar o “mais que aquilo” com itálico ou entre aspas deixaria tudo mais claro.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  35. Regina Ruth Rincon Caires
    17 de dezembro de 2017

    Texto excelente. Escrita fluente, primorosa, de muita criatividade. Interessante a morbidade da ambientação, juntando a fraqueza física, prostração, melancolia, solidão. Tudo negro, escuro, tudo fétido. A leitura gera desconforto, não poderia ser diferente. A descrição é tão minuciosa, o leitor parece estar ali, no “apartamento podre”. Retrata o momento final da vida onde o indivíduo procura a remissão, o perdão pelos erros de toda a caminhada. Conto denso, reflexivo, profundo. É carrancudo porque o teor exige isto.
    Parabéns, Trompe L. Oeil!
    Boa sorte!

  36. Amanda Gomez
    17 de dezembro de 2017

    Olá!

    Achei seu conto muito interessante, criativo e bem executado.

    O ilusionista, gostei do personagem, gostaria que as cenas fisiológicas fossem mais sutis, a todo momento minha mente desviada da história para lembrar que ele estava todo cagado….é isso não foi muito agradável, acho que não precisava ser tão explícito.

    A história tem um grande potencial para algo maior, enquanto ele falava de sua vida eu imaginei como seria legal que essa cena atual fosse uma forma de contar o passado, digo… enquanto ele vivia sua ilusão o autor nos contava sua história com cenas, pq é de fato muito interessante a trajetória que o levou até ali.

    O final perdeu um pouco o impacto por ser um tanto previsível, mas ainda assim é um ótimo conto.

    Parabéns, e boa sorte no desafio.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      Acho que eu não retiraria a diarreia da história. Foi algo bastante apontado pelos outros comentaristas, mas eu incluí no conto como algo que fica sendo referenciado em situações diferentes, mas úteis à imagem que eu queria trazer, como quando a esposa dele engatinha por cima e se mantém limpa. A maior importância é a de ser algo que está na história para podermos atribuir à morte da personagem. A causa do óbito de Gilberto Alves foi devido à desidratação.

      Agradeço pelo comentário!

  37. Antonio Stegues Batista
    17 de dezembro de 2017

    Um ilusionista em seus últimos momentos de vida, divaga sobre sua vida. Cria uma ilusão e com ela troca ideias, análises sobre seu comportamento, arrependimentos, perda de oportunidades. Não entendi o que ele fez ou fizeram, para morrer daquele jeito. Drogas? Veneno?
    Não sei se capacidade de criar uma ilusão é um poder! Sugestão também não é poder, se assim fosse, um psicólogo o teria e assim por diante.
    Acho um erro terrível, o leitor crítico, dizer como, certa frase ou parte de um conto, ou mesmo o personagem, deveria ter feito. Se fosse diferente, em certos casos, não haveria uma história para ser contada, é lógico!
    Fiquei aqui divagando sobre uma coisa que nada tem a ver. Boa sorte.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      Discordo contigo sobre a ilusão, Antônio. Em certo momento, a “esposa” dele o chama de mágico, mas ele a corrige dizendo que é um ilusionista. Isso foi uma maneira sucinta de dizer que ele não faz truques, mas sim ilusões, e, o fato de eu ter o escrito dentro deste desafio, já indica que suas habilidades vão para além do natural. Mesmo que não esteja indicado no conto, o poder dele é bem específico: a criação de ilusões palpáveis aos cinco sentidos humanos.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      E agradeço pelo comentário!

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      Esqueci de responder à sua pergunta.

      Gilberto morreu de desidratação, o que ironicamente poderia ter provocado alucinações, algo que se associou ao seu poder, fazendo a ilusão da esposa ser uma mistura entre alucinação e ilusão criada.

  38. Miquéias Dell'Orti
    14 de dezembro de 2017

    Oi

    Um mágico (ilusionista, desculpe) que passou seus últimos momentos na merda, literalmente falando. A história é bacana. Falar sobre arrependimento é complicado… Para Gilberto, suas falhas, desapegos, erros que podiam ser evitados trouxeram o arrependimento à tona só no momento onde a vida e a morte se encontraram… certamente ele pagará pelos seus atos no pós-vida.

    Projetar a pessoa amada para que não morresse sozinho só mostrou o quanto ele era covarde e egoísta, na minha opinião… Então, morrer naquele fedorento instante foi uma morte devida.

    O final ficou bom, mas a última frase… Não sei… Sem ela a história teria um desfecho muito mais potente, acredito. Com a ilusão que ele mesmo criará dizendo-lhe que a morte, enfim, era real.

    Parabéns pelo trabalho!

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      Eu não consigo concordar e nem discordar sobre a última frase, Miquéias. Quando li o seu comentário, consegui imaginar o conto sem ela, mas, depois, decidi que ela deve estar na história. Mais acima, um outro participante destacou a frase como uma boa conclusão para o conto. Então é algo que varia.

      Quanto às ações de Gilberto Alves, acho que consigo ter a compaixão. Pois, na medida em que ele tenta não morrer sozinho, faz isso em companhia da mulher que crê ter mais desapontado, fazendo desse último empenho uma tentativa de reconciliação, mesmo que seja consigo mesmo. Na primeira versão da história, a primeira pessoa que ele traz é o pai, que no conto chega a ser mencionado.

      Agradeço pelo comentário!

  39. Sigridi Borges
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Trompe L. Oeil!
    Confesso que não me identifiquei com seu conto.
    Peço desculpas.
    Qual o superpoder?
    Um ilusionista capaz de usar o superpoder contra ele próprio?
    Desperdiçar a vida da forma como foi colocado, a meu ver, deprimente demais.
    Claro que seu texto foi bem escrito, colocações claras.
    O abandono e a tristeza ficaram claros.
    Decisões devem ser tomadas sempre pensando nas possíveis consequências.
    Gilberto Alves “sente seus músculos relaxarem dando espaço para a completa solidão”. Morre pensando ser ilusão.
    Obrigada por escrever.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      Suas perguntas são um pouco confusas Sigridi, pois em um momento parece não saber do poder da minha personagem, mas no outro o reconhece e questiona se o verdadeiro poder é se utilizar das próprias ilusões contra si mesmo.

      O poder da personagem é mesmo o de gerar ilusões palpáveis aos cinco sentidos humanos. Na história, porém, ele utiliza contra si mesmo, no intento de não morrer sozinho, o que não funciona tão bem, pois compete com a sua vontade de pagar pelos próprios erros e, ainda por cima, é feito em um momento no qual ele está momento e a ilusão se materializa como um “instinto de sobrevivência”.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      E ah, claro. Agradeço pelo comentário!

  40. Neusa Maria Fontolan
    13 de dezembro de 2017

    Bom conto.
    Um ilusionista capaz de iludir a si próprio? Isso que é poder!
    Uma pena que, com tamanho dom, ele tenha desperdiçado a sua vida no vício e jogos. Perdeu tudo que lhe era bom. Esposa, família, trabalho, liberdade e até sua vida.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  41. Paulo Ferreira
    10 de dezembro de 2017

    O enredo construído com esmero dramático, sólido e muito bem definido. Um conto inteligente e bem trabalhado em sua narrativa. O qual acredito ser este o verdadeiro poder da mente do homem, aquele que existe em si como ferramenta de seus próprios poderes latentes, ou seja o poder construído por uma mente lógica, mas que muitas fezes entressacha-se pelo inconsciente, e ou, os alucinógenos de seus próprios pensares. Gramática condizente com a qualidade do conto, tudo ótimo.

  42. Evelyn Postali
    10 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Coitado do Gilberto Alves. Morrer num tapete podre, em meio ao seu próprio excremento é deveras triste. Um fim trágico. Podemos fazer várias reflexões ao longo dele, mas não podemos esperar ação, ou alguma emoção mais forte, ou tensão. Foi um mau uso de superpoderes, o que ele escolheu para si. Nossas escolhas têm consequência. E ele viveu o que escolheu. Ele poderia ter sido famoso e poderia ter trilhado uma carreira de fama. O conto tem começo, meio e fim. É um bom conto e está bem escrito. Contudo, faltou um tiquinho de emoção, ou algo que movimentasse a trama.
    Boa sorte no desafio.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      É verdade, Evelyn. Eu aproveitei o conto para desenvolver um pouco mais o diálogo, de modo que a história se desenrole a partir das reflexões do protagonista e da conversa com a sua esposa. Em minha defesa, acho que também não prometi mais ação, toda a história sendo, desde o começo, sobre a morte de Gilberto Alves e a sua última ilusão.

  43. Angelo Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    Caro Trompe-l’Oeil,

    Superpoder: confesso que não vi, salvo se compreendida a ilusão pré-morte como tal.

    Conto linear cuja vida do protagonista é relatada desde seus últimos momentos até a morte.

    Um homem que se perdeu procura encontrar-se nos momentos que antecedem a sua morte. Como um ilusionista, traz à mente a figura de uma esposa que compôs um relacionamento frustrado em uma outra época. Num jogo de comiserações, os dois têm um diálogo sobre as oportunidades perdidas, frustrações e arrependimentos insuperáveis àquela altura da vida.

    Não é um tema novo e a condução não foi ruim. A escolha de um ambiente degradado empurrou o conto para o canto escuro da morbidez, o que não o tornou empático. Não é algo ruim, mas algo que precisa ser superado durante a leitura, aceitando as escatologias descritas.

    Boa sorte com o desafio.

    • Pedro Paulo
      6 de janeiro de 2018

      O superpoder é o de criar ilusões palpáveis aos cinco sentidos humanos, embora não tenha sido colocado dessa forma no conto, deixado implícito pelas duas conjurações do protagonista:a a aurora boreal e a própria esposa.

      Agradeço pelo comentário!

  44. Olisomar Pires
    10 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: bela história, criativa e mágica. Condução muito boa, escrita fluente e de fácil leitura. A dor e arrependimento pelas escolhas que não podem ser mais mudadas.

    Pontos negativos: não vi.

    Impressões pessoais: abandono, tristeza, solidão.

    Sugestões: aumentar a história.

    e assim por diante: um incrível texto sobre a vida e decisões.

    Parabéns.

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Publicado às 9 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .