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Detox Literário.

Os frutos dourados do sol (Kal-El)

Quando criança, Rubens considerava a mãe uma super enfermeira. Com algumas simples palavras, ela tinha o poder de sarar as feridas e amenizar a dor. Quando ele se machucava, ela fazia o curativo e dizia; “Vá brincar. Não foi nada”. E voltava ele a brincar como se nada tivesse acontecido.

Rubens era inteligente, mas por ser introvertido, tímido, na escola sofria bullying. Por causa de sua timidez e falta de iniciativa, fez poucos amigos. Na adolescência começou a gostar de gibis, histórias em quadrinhos, especialmente de super-heróis e seus superpoderes. Dos gibis passou para os livros de ficção científica. Ficou fã da sci-fi.

Quando a mãe morreu, e como ele não conseguiria pagar o aluguel da casa sozinho, foi morar numa pensão. E foi lá, na pensão, que ele conheceu Regina, uma moça simples, humilde e tímida como ele. Para engatar namoro, foi demorado, uma dificuldade! Primeiro trocavam olhares e sorrisos tímidos, quando se cruzavam no corredor, ou na entrada do prédio. Depois ele criou coragem para cumprimentá-la; Oi!

Ficou super feliz quando ela respondeu; Oi! Ele queria passar de um simples cumprimento, para um primeiro diálogo, mas faltava-lhe coragem. Porém, o acaso deu uma “mãozinha”. Certo dia, quando ela chegava do supermercado com algumas sacolas de compras, uma delas rompeu o fundo e algumas laranjas se espalharam pelo corredor. Ele saia naquele momento do quarto e prontamente correu para ajudar. E foi nesse momento que eles começaram a conversar e se tornaram amigos. Da amizade passou para o namoro, que deu um salto curto para o casamento. Uma cerimônia simples no cartório. Como padrinhos, dois inquilinos da pensão.

Com o salário dele como padeiro, e o salário dela como costureira numa fábrica de roupas, eles conseguiram alugar uma casinha com dois cômodos, quarto e cozinha. Os móveis, compraram em suaves e longas prestações. Nos primeiros anos a vida do casal, foi uma maravilha, a paixão era tudo que precisavam.

Mas Regina foi se modificando com o tempo, começou a reclamar da vida que levava, da falta de recursos para comprar um fogão novo, roupas de grife, joias que ela não tinha para se enfeitar e tantas outras coisas. Parece que agora, só a paixão não basta. Aos 36 anos, Rubens continuava a ser padeiro, não tinha ambições, se contentava com pouco. Regina começou a brigar com ele. De esposa apaixonada e dedicada, transformou-se numa mulher implicante, fria. Se não havia motivos para discussão, ela os inventava.

─ Você é um panaca. Rubens! Não sei onde eu estava com a cabeça que fui casar contigo! Em vez de fazer um curso profissionalizante, fica gastando dinheiro à toa com esses livros! Vou colocar tudo no lixo!

─ Sou assim e minha vida é essa, queira você ou não. E não mexe nos meus livros!

Furiosa, ela retrucou: ─ Ah é? Pois eu vou embora, qualquer hora!

Ele achava que a mulher falava por falar, mas certo dia ao chegar em casa do trabalho, não a encontrou. Sobre a mesa da cozinha, havia uma carta escrito atrás da conta de luz. Ela dizia que não suportava mais aquela vida, que iria morar sozinha, bem longe dele e outras razões que para ele, eram absurdas. Furioso, rasgou o papel em picadinhos e em seguida abriu o roupeiro para rasgar as roupas dela. O roupeiro estava vazio, ela tinha levado todos os seus pertences.  

Voltando à cozinha, estacou bufando de raiva. Passou as mãos pela cabeça. Para onde ela foi? Os pais dela já morreram, não tem irmãos, somente uma tia que nem ela sabia onde morava! Ele não tinha nenhuma pista para onde ela poderia ter ido. A cozinha estava em ordem, a pia limpa, a mesa com uma toalha engomada, o piso encerado. Só agora ele via como a esposa era caprichosa. Até o ar tinha um cheiro de jasmim! Ele detestava perfume, mas agora o perfume que havia no ambiente do lar, era agradável.

Um pensamento cortou sua mente como um relâmpago; Regina tem um amante e foi embora com ele!  Essa ideia, aumentou ainda mais a dor e a mágoa. Decidiu sair, precisava encontrar a mulher. Em seu peito havia um conflito de sentimentos, não sabia se a odiava ou amava. De qualquer forma, precisava encontrá-la.

Foi ao banheiro e depois saiu de casa. Atravessou a praça. Num banco, um casal abraçado, o homem metia o rosto entre os seios da mulher. Logo adiante uma meretriz interpelou-o, convidando para um programa. A mulher exalava cheiros diversos, cheiro de muitas mãos. Ele a repeliu e se afastou quase correndo. Passou por um grupo de jovens em frente a uma boate. Todos cheiravam a álcool. De dentro da boate saía um odor de cerveja e suor.   

Rubens admirou-se por sentir tantos cheiros, era como se o sentido do olfato tivesse aumentado a capacidade de receber e identificar os odores.

Continuando a sua procura por Regina, (como um cão farejador) ele parou por um momento diante da entrada de um Shopping Center. Lá dentro circulavam muitas pessoas, donas de casa com as mãos cheirando a cebola, empresários com seus ternos cheirando a lavanda e fumo de cachimbo, jovens mascando chicletes de hortelã, o ar das lojas cheirando a tecido novo, couro e verniz. Não, Regina não estava ali.

Atravessou a rua e entrou num motel. Distraído lendo o jornal, o recepcionista não viu quando ele subiu para o primeiro piso. No corredor, abriu a primeira porta que encontrou. O quarto era pequeno apenas com uma cama, uma lâmpada com luz mortiça iluminava um ambiente sufocante, fedendo a corpos suados e azedos. Um casal nu estava sobre a cama, numa posição grotesca e ridícula. Ele achou engraçado e começou a rir. A mulher se assustou com a presença dele e caiu da cama. Não era Regina. O homem avançou como um elefante furioso balançando a trompa, deu-lhe um soco e o empurrou para fora.

Com o nariz dolorido, mas ainda rindo, Rubens desceu as escadas correndo, e saiu do prédio. Continuou correndo até escorregar numa poça de água e cair de costas no chão. Com as costas e o nariz doloridos, se encostou no canto de uma parede. Próximo tinha uma lata de lixo de onde saia uma infinidade de odores desagradáveis. Sentindo-se cansado, ajeitou-se, esvaziou a mente e acabou dormindo.

Acordou com a claridade do dia e com dois adolescentes inclinados sobre ele. Um deles revistava seus bolsos enquanto o outro arrancava o relógio do seu pulso. Ele ergueu-se rápido procurando recuperar seus bens, mas foi empurrado. Desequilibrou-se, deu dois passos para trás e caiu num bueiro, despencando num lugar escuro, húmido e malcheiroso. Escorregou na lama, caindo sentado. Virando-se, olhou para ambos os lados da galeria onde só havia trevas. Trevas que pareciam ocultar algo ameaçador e nauseabundo. Levantou-se rápido, ergueu os braços e segurando-se nas bordas, saiu do bueiro

Sentado no chão, encostado na parede do prédio no outro lado do beco, estava um morador de rua.  

─ Eles já foram embora. – afirmou o sujeito, gesticulando com uma garrafinha de plástico. Rubens sentou-se no papelão, ao lado dele. Sujo e fedorento, era agora um irmão de infortúnio. Sentia-se como igual, um maltrapilho, um Zé ninguém.

─ Me chamo Rubens. E o senhor? Qual o seu nome?

─ Paulus Vinicius Proculus, às suas ordens.

─ Que motivos o levaram a ter essa vida miserável, Paulo?

─ Por diversos motivos, arrogância, maldade, descrença, desprezo e tantos outros sentimentos nocivos da alma humana. E você?

─ Minha mulher me abandonou. Me acha um pamonha, fraco, fracassado. Até estou começando a concordar com ela. Não estudei, não me qualifiquei, não tive coragem para progredir na vida! Se eu pudesse voltar no tempo, poderia modificar a situação, mas não tenho nenhum superpoder para isso.

─ Aí que você se engana, meu amigo! Todos nós temos superpoderes. Eu, por exemplo, sou imortal.

Rubens olhou para o homem, para aquele rosto barbudo, olhos embaçados e inchados pelo álcool. Paulo, além de mendigo, devia ter problemas mentais. Talvez fosse esse mesmo, o motivo de estar naquela condição.

─ Não se ache um fraco, um derrotado- disse Paulus, num tom paternal ─ Você tem superpoderes, só ainda não os descobriu. Talvez você tenha a mesma essência de uma ave marciana, muito antiga, com o superpoder de modificar o tempo e o espaço.

─ E quais são os seus superpoderes, Paulo?

─ Sou imortal, como já disse. Vivo há vários séculos, participei de grandes eventos da história. Conheci Nero, Alexandre, Aníbal. Cheguei com Cabral a essa terra que deram o nome de Brasil.

─ Não serão visões em tua cabeça, causada pelo vício da bebida?

─ Bebo para apressar o fim que não chega. Darei com gratidão, uma moeda ao Barqueiro. Minha longevidade e minha jornada sem fim, é a pena que ganhei por ter empurrado aquele que carregava a cruz. Fui soldado de Roma. “ Anda mais rápido! Gritei, ao que Ele respondeu: Eu vou e repousarei, mas tu, tu irás de hoje em diante e só pararás com a minha segunda vinda”. Desde então, tenho andado, numa jornada sem fim.

─ Então, você está pagando pelos teus pecados?

─ De uma maneira ou de outra, sempre acabamos pagando alguma coisa. Por ventura os chacais e os cães não costumam urinar na entrada dos templos?

─ Como desprezo pela religião?

─ Ao contrário!  Como contribuição de sua ilustre essência aos dízimos dos fiéis.

Rubens ergueu-se.

─ A conversa está boa, mas tenho que ir. Preciso procurar minha mulher.

─ Adeus! E não se esqueça de seus superpoderes, Ave Marciana!

Chegando à avenida, Rubens sentiu no ar, o perfume de Regina. Ele olhou para todos os lados e a viu transitando pela outra calçada. Ansioso para falar com ela, ele correu para atravessar a rua. Ouviu uma freada de pneus, sentiu o baque e depois a escuridão. Quando recuperou a consciência, descobriu que estava deitado numa cama de hospital. A enfermeira ao vê-lo despertar, aproximou-se.

─ Como o senhor está se sentindo? Sente alguma dor?

─ Não muito forte, um pouco na cabeça e nas pernas. O que aconteceu?

─ O senhor foi atropelado. Felizmente sem gravidade. Por milagre não sofreu nenhuma fratura. Vou avisar o médico que o senhor acordou.

A enfermeira saiu e dali a instantes entrou alguém. Ele regozijou-se ao ver Regina. Finalmente, ela criou juízo e voltou! Mas as palavras dela fulminaram a alegria e a expectativa dele.

─ Eu trouxe os papéis do divórcio para você assinar – disse Regina num tom frio, pegando os documentos na bolsa. Ele sentiu-se infeliz com a indiferença dela, em relação ao acidente que sofreu.

─ Para quê? Vou morrer, mesmo! Você fica viúva, vai se livrar de mim de qualquer jeito!

─ Não banque o bobo! Já conversei com o médico e ele disse que você não tem nada. Daqui a pouco vai te dar alta.

─ Não vou assinar nada. Quero morrer!

─ Vai sim. É melhor para nós dois. Vou esperar na recepção.

Regina saiu do quarto e dirigiu-se para a recepção. Sentou-se num banco. Cerca de 20 minutos depois, uma mulher chegou da rua, avisando os seguranças que havia um homem na beira do terraço, querendo se matar. Regina estremeceu. Só pode ser Rubens! Ela correu para o elevador, entrou e marcou o 6° andar. Quando saiu, subiu um lance de escada e chegou na porta que dava para o terraço. Ali já estava um segurança, tentando convencer Rubens a desistir do pulo para a morte. Ao ver Regina, ele barrou-lhe a passagem.

─ Sou a esposa dele – disse ela.

─ Ok!  Então, procure conversar com ele, enquanto os bombeiros não chegam.

Ela deu um passo para frente. Sentiu um frio na barriga ao ver o marido de pé, sobre o parapeito.

─ Rubens, não faça isso! Vamos conversar. Desce daí!

Ele lançou um olhar inexpressivo para a esposa e voltou a mirar o vazio. Regina estava aflita. Se dissesse que voltaria para ele, estaria mentindo. Se ele morresse, se sentiria culpada. Mas ela não teve tempo para dizer mais nada. Rubens abriu os braços e se atirou. Regina sentiu um choque, quando a adrenalina se espalhou pelas artérias. Correu para o parapeito e olhou para baixo. Não viu nenhum corpo estatelado na calçada. Um relâmpago e tudo dissipou-se.                                            

***

Chegando ao corredor, Rubens estacou e sorriu, ao ver a garota atarefada, recolhendo as laranjas espalhadas pelo chão. Largou os livros e foi ajudá-la. Colocaram as frutas em outra sacola.

Ele voltou a pegar os livros e se apresentou, formalmente ─ Me chamo Rubens.

─ Prazer, Regina. Obrigada pela ajuda – disse ela, com um sorriso tímido. Olhou para os livros que ele carregava. ─ Está estudando?

─ Ah! Sim, estou fazendo um curso de engenharia elétrica e também mecânica quântica. Pretendo trabalhar na NASA.

─ É? Que legal!

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29 comentários em “Os frutos dourados do sol (Kal-El)

  1. angst447
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso. Premissa criativa.
    Linguagem clara, sem rebuscamentos desnecessários. Há algumas falhas que escaparam a sua revisão, já apontadas pelos colegas. Nada que uma segunda revisão não resolva.
    O ritmo da narrativa é um pouco lento, pois há algumas voltas que poderiam ser descartadas. O diálogo acelera um pouco o ritmo de leitura, mas depois ele volta a ralentar.
    Boa sorte!

  2. João Freitas
    16 de dezembro de 2017

    Olá Kal-El

    O seu texto valeu pelo final surpreendente. Fez-me gostar um pouco mais dele. Gosto de escrita simples mas algo me desprendeu da sua.
    Sou fã de viagens no tempo e gostei do discurso final, uma pena que o inicio e o meio não tenham acompanhado o nível do final.

    Obrigado por ter escrito. 🙂

  3. Sigridi Borges
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El!
    Confesso que fiquei pressa em seu escrito do início ao fim.
    Escrita simples e sem muito rodeio.
    Mas…
    Achei que Rubens seria a Ave Marciana do mendigo.
    Será?
    Um casal básico onde o homem não tem a pretensão de evoluir e só acorda quando perde a esposa e encontra o mendigo.
    Superpoder de voltar no tempo e mudar sua história e suas decisões.
    Gostei muito.
    Obrigada por escrever.

  4. Fheluany Nogueira
    14 de dezembro de 2017

    Superpoder: super olfato, manipulação do tempo e imortalidade (do mendigo). Encaixa-se no Desafio.

    Enredo e criatividade: o cotidiano, um romance falido e o retorno no tempo, com a chance de corrigir os erros – ideia bastante envolvente. A narração é bem simples, os elementos ficaram dispersos, muita informação supérflua e faltou mais foco no superpoder. O desfecho ficou interessante, mas confuso e forçado.

    Estilo e linguagem: ocorrem falhas gramaticais de ortografia, uso das preposições, emprego dos tempos e modos verbais, pontuação. Os diálogos estão artificiais. No conjunto o texto agrada e diverte. Acabei por sentir simpatia pelo Rubens, lembrou-me algumas pessoas que vivem dizendo: “Ah! Se pudesse voltar no tempo…”

    Gostei muito da ideia. Parabéns pela participação! Abraços.

  5. Givago Domingues Thimoti
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El

    Tudo bem?

    A história do conto é boa e bem trabalhada. O que me desagradou um pouco foram os diálogos, principalmente a parte com os mendigos. Achei extremamente forçado e artificial.

    O início também não está bom. Truncado e com alguns erros gramaticais. Acho que vale a pena revisar essa parte para tentar melhorar o conto.

    A impressão que fica é um conto com uma boa história, mas uma execução um tanto deficiente em certos pontos.

    Boa sorte!

    PS: Esse cara tem um dos poderes mais “que porréssa?!” que já vi. Farejador.

  6. Leo Jardim
    13 de dezembro de 2017

    # Os frutos dourados do sol (Kal-El)

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫):

    – a trama carece de um pouco de falta de foco: começa na infância com o bullying, depois a pensão, depois o relacionamento com a Regina, tudo isso muito rápido, contado superficialmente; se esses momentos não eram tão importantes para a trama, o ideal é que fosse ainda mais resumido: um parágrafo ou menos
    – o conto melhora qdo Regina sai de casa, pois ali temos um desenvolvimento e o conflito exposto
    – mesmo ali, há diversas cenas que sobram, como a do motel, do shopping, etc.
    – a parte dos poderes ficou meio dispersa: nunca se fala sobre os poderes dele, depois ele parece ter algum tipo de super olfato (que mais adiante ele parece ter perdido); depois, ele encontra o judeu errante (que já andou aparecendo por aqui no EC); Por fim, acaba descobrindo poder de manipular o tempo; ficou jogado
    – ele voltar no tempo e redefinir seu destino é um bom encerramento mas da forma como foi, acabou parecendo um Deus Ex.

    – abriu a primeira porta que encontrou: quem é que deixa a porta do quarto do motel aberta?

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫):

    – alguns erros de pontuação e de estruturação textual incomodaram e travaram a leitura
    – Ele *saia* (saía) naquele momento
    – Ele saia naquele *momento* do quarto e prontamente correu para ajudar. E foi nesse *momento* que eles (repetição próxima)
    – Nos primeiros anos *vírgula* a vida do casal *sem vírgula* foi uma maravilha
    – *Parece* (parecia) que agora, só a paixão não *basta* (bastava)
    – Você é um panaca *vírgula* Rubens!
    – fica gastando dinheiro à toa com esses livros (onde, antes no texto, havia sido citado que ele gostava tanto dos livros?)
    – os diálogos e pensamentos misturados à narração causam uma certa confusão, talvez seja melhor marcá-los em itálico ou colocar entre aspas
    – balançando a *trompa* (tromba)
    – Eles já foram embora *sem ponto* – afirmou o sujeito
    – Talvez fosse esse mesmo *sem vírgula* o motivo de estar naquela condição.
    – Rubens sentiu *vírgula* no ar, o perfume de Regina

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – uma salada de elementos batidos, mas que gerou um suco diferente

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – super olfato, imortalidade, viagem/manipulação do tempo (✔). Não foram o foco do texto, mas não há de se negar que há superpoderes.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫):

    – o texto confuso gasta muito espaço antes de apresentar o conflito e, mesmo depois disso, carece de foco narrativo; o reboot do fim é um bom final, mas tem baixo impacto devido aos problemas anteriores

    Obs.: não entendi muito bem nem o título nem a imagem :/

    Obs2.: sobre pontuação no diálogo, recomendo essa leitura de um artigo que escrevi: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  7. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Legal sua escrita. Sem muitos floreios, o que é bom. O texto ficou com aquela cara de relato… direto ao ponto.

    Infelizmente, os diálogos me pareceram muito artificiais. Principalmente na parte em que ele encontra o mendigo Paulus. Na minha opinião, um cara que foi abandonado pela mulher, acabou de levar uma sova por ter invadido um motel e ainda por cima caiu em um bueiro não sentaria ao lado de um mendigo na rua e falaria “Que motivos o levaram a ter essa vida miserável, Paulo?”… ficou estranho…

    O final surpreendeu. Bacana essa jogada dele voltar para se redimir dos erros… mas (falando como leitor) achei que você poderia ter sido mais profundo… ele voltar e só mudar de emprego… sei lá… ele tinha que fazer tudo diferente, inclusive não ficar mais com aquela mina (na minha opinião rs).

    Parabéns!

  8. Hércules Barbosa
    13 de dezembro de 2017

    Saudações kal-El (Cidadão Kriptoniano? hahahaha)

    A maneira como o enredo é desenvolvida sobre a habilidade de Rubens em diferenciar aromas e a posterior descoberta de poder controlar o tempo e o espaço com o auxílio do imortal mendigo se mostra cativante. o começo do conto entendi tendo passagens longas, mas nada que faça a história se perder. Entendi nesse trabalho-me arrisco a escrever-um desejo humano de ser proprietário da sua própria vida, podendo voltar ao tempo para modificar aquilo que incomoda a cada um de nós ou no presente ou desejosos em desfazermos de nossos “esqueletos” e nos tornarmos pessoas melhores. Parabéns pelo trabalho.

  9. Estela Goulart
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El (legal o nome). Bem, o final de seu conto em minha opinião foi o mais genial, afinal conseguiu me surpreender de acordo com a história. Comecei por ele para destacar algumas outras características: muitas informações no início, de modo que o leitor não tem uma prévia de como vai ser o enredo; o fato do superpoder do olfato, fiquei em dúvida dos motivos; a capacidade de controlar o tempo ou será que o personagem estava apenas sonhando? Enfim, a gramática do texto é diferente, mas nada que prejudique a compreensão. Acho que faltou escolher um foco no texto. Parabéns e boa sorte.

  10. iolandinhapinheiro
    13 de dezembro de 2017

    Olá! Gostei muito de seu conto. O começo é um pouco longo mas o final compensa qualquer problema do resto. Adorei o seu arremate. Genial. Deu todo o sentido para o conto e o exercício do super poder mudou mesmo a vida dele e da esposa.

    Sensacional. Não encontrei problemas de gramática fora o “húmido” com h e algumas posições dos pronomes, mas isso no seu país deve ser o correto, então esta tudo certo. O encontro com o mendigo foi determinante para abrir a interface e acessar os super poderes dele. Talvez todo mundo tenha que fazer alguma coisa para liberar isso. Os cientistas afirmam que temos poderes que nem imaginamos e só não os acessamos porque só utilizamos uma pequena porcentagem dos nossos cérebros. Resumindo. Gostei do seu conto. Parabéns por ele. Adorei o final. Beijos.

  11. Catarina
    12 de dezembro de 2017

    Eu encontrei aqui mais o ensaio de uma novela do que um conto.
    Várias passagens desnecessárias (passeio pelo shopping, a conversa com o mendigo imortal, etc). Pouco foco no principal: o superpoder. A ideia é legal, mas o super olfato não fez diferença para a trama. A volta no tempo para mudar a vida ficou meio perdida. Dá para trabalhar mais. Não em tamanho, mas em consistência. Desenvolver mais o superpoder com o efeito dele.
    Desculpe-me se eu que não entendi as entrelinhas.

  12. Andre Brizola
    11 de dezembro de 2017

    Salve, Kal-El!

    É muito comum o tema superpoder ser aliado à enredos bombásticos, extravagantes e totalmente irreais, portanto, a opção por contar uma estória do cotidiano, um romance frustrado, refinado com a possibilidade de, no final, recomeçar do zero e tentar novamente, é bem reconfortante. É uma grande ideia.
    Mas eu tenho que confessar que não consegui desenvolver pelo protagonista a empatia necessária para torcer por ele. Na maior parte das vezes eu acabava vendo que ele errava demais em situações desnecessárias para sua própria jornada.
    Acredito que a intenção tenha sido demonstrar que a sequencia incessante de eventos mal sucedidos (os cheiros, o motel, o roubo, o mendigo) tenha sido para mostrar que a situação estressante de Rubens serviria de catalisador para o desenvolvimento do poder da ave marciana. Se não foi isso tudo bem, mas foi como interpretei a coisa toda.
    Revivente, de Ken Grimwood, conta uma história parecida com a sua, onde o protagonista tem a oportunidade de recomeçar sua vida tendo o conhecimento das vidas anteriores. O livro foi a inspiração para o filme Feitiço do Tempo, com o ótimo Bill Murray!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  13. Fabio Baptista
    10 de dezembro de 2017

    A narrativa é simples, sem grandes atrativos e sem grandes entraves. O texto flui com naturalidade. Notei apenas um ou dois erros de revisão.

    A trama acabou dando muitas voltas e apresentando muitos elementos que não tiveram relevância. Tipo o poder de cura da mãe… pensei que isso faria diferença em algum momento, mas não. Era só pra comprovar a tese de que todo mundo tem um tipo de poder?

    O Judeu errante caiu de paraquedas no conto, como uma figura forçada do mestre que ajuda o discípulo a despertar seu potencial. E o potencial era voltar no tempo? Bom, esse seria o melhor dos superpoderes!

    Abraço!

  14. Felipe Rodrigues Araujo
    10 de dezembro de 2017

    Gostei da saga pela rua, do encontro com o mendigo, o texto me prendeu, mas os clichês de gênero me incomodaram bastante. Mãe santa, ex-mulher interesseira e fútil e a mulher que não é dele, a estranha, é puta, fora a moral cristã. Rubens, no final, resolve optar pelo viés de ascensão social, o que acaba reduzindo Rubens a uma pessoa superficial.

  15. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Até pensei que o superpoder de Rubens fosse um super olfato, mas não. Ele tinha o poder de voltar no tempo. Não ficou claro como ele descobriu esse poder. O encontro com o mendigo também não me levou a nada, pelo contrário, comecei a colocar dúvidas ex: Acho que nesse trecho ele se refere a Jesus Cristo, não? – “Minha longevidade e minha jornada sem fim, é a pena que ganhei por ter empurrado aquele que carregava a cruz. Fui soldado de Roma. “ Anda mais rápido! Gritei, ao que Ele respondeu: Eu vou e repousarei, mas tu, tu irás de hoje em diante e só pararás com a minha segunda vinda”. Desde então, tenho andado, numa jornada sem fim.” – então… Se o início da vida do mendigo foi na mesma época de Cristo, como ele conheceu Alexandre (creio que seja Alexandre o grande) e Aníbal.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  16. Arnaldo Lins
    8 de dezembro de 2017

    Aí, a coisa do texto tem uma ideia muito boa, não é nova, mas é boa. voltar no tempo sempre é bacana. Escrito bem legal, só achei que muita coisa tá sobrando e outras coisas não dão liga, saca? o negócio do mendingo entregando o jogo pro primeiro mané que encontra é duro pra engolir, a mulher que larga do cara, descobre que ele tá todo fudido no hospital e vai lacrar o cara, tamb[em não desce na goela. Sei lá, só acho essas parada uma tentativa de dar fôlego pra estória. Não é que seja ruim, a estória [e boa, mas foge do tanto que a gente, no caso, eu, dou conta de acreditar numa boa. não sei se deu pra entender, mas é por aí.

  17. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Quem nunca imaginou uma alternativa diferente de vida. E se, em determinado momento, tivéssemos feito diferente? E se pudéssemos voltar no tempo, dobrar a matéria da quarta dimensão, girar o planeta ao contrário como o super-homem? Será que tudo seria, realmente diferente?

    A premissa é ótima.

    O desenvolvimento, com nada mais nada menos que o cotidiano, também funciona bem. Adélia Prado costuma dizer que não há maior matéria prima para o escritor que seu próprio dia-a-dia. É no cotidiano que se constroem os maiores dramas, as mais incríveis comédias.

    Gostaria, no entanto, de tecer uma reflexão acerca da volta de seu personagem no tempo. Bem, o homem se casa e ao que parece, tudo corre bem até que a crise financeira bate à porta do casal. Assim, a mulher o deixa e friamente pede o divórcio, no momento mesmo em que o protagonista sofre um acidente, em pleno hospital. Ainda assim, acreditando no amor que sente por ela, o homem segue tentando. Ótimo. Não há nada de errado nisso. O que me intriga, entretanto, é o fato de a volta no tempo, ou melhor, a mudança operada no personagem não passar por uma catarse, resolução psicológica ou mesmo mudança de caráter. Não. A mudança é apenas a de escolha de profissão e, assim talvez, provável sucesso financeiro. Sendo assim, será mesmo que o casamento desse “novo homem“ será, realmente, diferente? Não sei. Me parece que não.

    Reflexões de uma leitora boba à parte, o texto demonstra uma bela habilidade de contar histórias. O final surpreende, o que demonstra, igualmente, que o escritor planejou e pensou em sua criação, antes de colocá-la no papel.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  18. Luis Guilherme
    6 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a), tudo bem?

    Seu conto é bom, mas tem alguns poréns que gostaria de destacar.
    Vamos por partes:

    Pra começar, voc~e tem uma boa história nas mãos. 2 superpoderes parecem ter surgido no homem ao desenrolar da historia: o “super-olfato” e o poder da ave marciana (adorei esse!)

    Porém, achei que o conto acabou correndo demais e deixando muita coisa pelo caminho, que acabou fazendo falta na plena apreciação do enredo. Ou seja, os eventos acontecem de forma frenética, muitos deles pouco acrescentando ao todo, e outros que seriam necessários acabam não sendo abordados.

    Por exemplo: no começo, você fala sobre a mãe do protagonista, mas logo ela morre e não acrescenta muito ao enredo. Pelo que entendi, a abordagem da infância tinha como objetivo justificar a personalidade tímida dele.. Isso é legal, mas acabou ficando muito superficial. Ou seja, acredito que seria melhor não ter essa parte, ou caso você acredite que ela seja crucial, trabalhar melhor (note que não to querendo te dizer oq fazer com sua historia, quem sou eu pra fazer isso? são só minhas opniões como leitor).

    Exemplo 2: a cena do motel. Foi uma cena engraçada, mas que pouco acrescentou ao todo, sabe?

    Pq to dizendo isso? Não quero ser um mal-humorado, o que quero dizer apenas é que tem momentos que acho que poderiam ser mais explorados, mas que pelo visto ficaram sem espaço. Acho que é só uma questão de otimização do conteudo do conto.

    Mas vamos lá, pra não parecer que to aqui pra reclamar de tudo. Pq to falando isso? Pq senti muito potencial no conto!O protagonista foi bem construido e suscita empatia, o super poder é criativo e interessante, e o velho morador de rua é um otimo personagem (alias, ele é uma das coisas que gostaria de ver melhor trabalhadas no conto. Adorei o velho!

    Ou seja, só me extendi apontando um monte de coisas pq achei que valeria a pena, pois o conto tem um otimo potencial.

    Também é engraçado e bem humorado (exceto a esposa, que é um porre hehehe.. não sei se vale a pena se esforçar tanto por ela e mudar seus gostos, procura outra, Ruben).

    Mas é isso aí. Desculpa se fui chato, mas me esforcei pra apontar coisas que pudessem ajudar a explorar todo o potencial do conto.

    Parabéns e boa sorte!

  19. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El.

    Então, eu gostei da ideia por trás do conto, mas achei a condução, a narração da vida do meu quase xará um bocado aleatória, cheia de momentos que não acrescentaram muito à história. Por exemplo: o “poder” da mãe de Rubens não teve importância, o “poder” do super-olfato, idem. Encontrar o Judeu Errante só serviu para revelar o possível poder da ave marciana capaz de dobrar o tempo e o espaço.

    Enfim, ficou um pouco um balaio de gatos que comeram ração com rebite.

    O texto pede também um pouco de revisão: “saía” (verbo) x “saia” (vestimenta), variação temporal, etc. Os diálogos, em especial com o mendigo imortal, ficaram ruins.

    A conclusão do texto ficou bonita, embora um pouco forçada com as escolhas de profissão do Rubens.

    Abraço e boa sorte no desafio.

  20. Priscila Pereira
    3 de dezembro de 2017

    Super poder: voltar no tempo para corrigir erros.

    Oi Kal El, eu gostei do seu conto. Mas vi alguns problemas… Não entendi o que o título e a imagem têm a ver com o conto… O começo foi desnecessário, deveria ter focado no casal o conto todo… A parte sobre o olfato apurado do personagem ficou sem sentido também, até pensei que tivesse a ver com o super poder dele, mas ficou perdido no texto… O encontro com o mendigo não levou a lugar nenhum também… Não sei, foi uma leitura rápida e interessante, mas parece uma colcha de retalhos descombinados que no fim acaba agradando por ser estranha e única, acho que foi assim que acabei gostando do seu conto… Parabéns e boa sorte!!

  21. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Eu pensei que eu fosse seguir a leitura até o fim nesse marasmo, mas o final mudou o meu entendimento do conto. O final salvou em parte o conto. Contudo, acho que foi bem corrida essa contação da vida de Rubens. Tem uma passagem no conto, onde você escreveu: Foi ao banheiro e saiu de casa. Eu fiquei pensando qual o motivo dessa frase estar aí? Não tinha necessidade de escrever isso, eu creio. Sem contar o fim, a parte onde descreve a trajetória do casal e a descoberta de seus superpoderes – ser imortal e poder voltar no tempo para fazer diferente – foi meio que entediante. A leitura se arrastou mesmo. Digo isso porque você contou de forma linear. Lógico: cada um encontra sua forma de contar a história. Achei válido, sim. E está dentro do tema.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    Pensei que o superpoder estivesse no olfato privilegiado do personagem. O autor caprichou na descrição dos cheiros. Mas, na realidade, o superpoder só fica explicado ao final do conto. Rubens trazia a capacidade de voltar no tempo. Escrita simples, clara. Narrativa linear. O autor construiu um enredo corriqueiro, mostra “a vida como ela é”, e nos surpreende no final. Que bom seria se todos nós tivéssemos esta capacidade, não é?

    Parabéns, Kal-El!

    Boa sorte!

  23. Renata Rothstein
    3 de dezembro de 2017

    Olá, Kal-El!
    Vejamos: o super poder de Rubens é de voltar no tempo, pelo que entendi.
    A história é boa, flui facilmente, acho que você foi bastante criativo e feliz na sua escrita, apesar de ser um enredo, de ceerta forma, bastante batido, esse de voltar no tempo (já vi vários filmes assim, e digo, isso não é demérito, ao contrário).
    Necessita de uma boa revisão, organizar os parágrafos, vírgulas, nada demais ou que comprometa.
    Não entendi o título, então “dei um Google” e vi sobre Ray Bradbury e seu llivro de ficção científica, e acho que tem ligação o apelido dado por Paulo, o morador de rua, e o salto para a “morte” e a história de Rubens e Regina, outra vez..
    Gostei muito do seu conto, de verdade!
    Boa sorte no desafio.
    Abraços

  24. Pedro Paulo
    2 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Olá, Kal, filho de El. Tomo o seu conto como um que nos traz a história de Rubens e Regina, do início ao fim infeliz e, depois, ao início de novo. Assim sendo, acredito que os primeiros parágrafos, que contam a trajetória de Rubens na sua infância reservada, mas amparada pelo amor materno, não importe muito. É justo que nos avise sobre a timidez de Rubens e que fale da mãe dele, mas acaba sendo que isso não agrega muito na história. A timidez talvez importe para sabermos da conexão que ele demorou a estabelecer com Regina, mas isso poderia ter sido demonstrado com a história começando com ele já a encontrando no corredor.

    Eliminando aquele começo e iniciando já com o encontro dele com a futura esposa, a história seria exclusivamente sobre eles e você poderia nos dar mais detalhes para além de “nos primeiros anos foram assim” e “depois ficou diferente”. Do jeito que foi narrado, as decisões e ações das personagens pareceram servir apenas ao enredo, para leva-lo de A a B, de modo que não sentimos o impacto da saída de Regina. Inclusive, é só nesse momento que você passa a narrar pela perspectiva da personagem, destacando seus sentimentos associados às ações e, o mais importante, com um objetivo. Então quando ele começa a procurar por Regina, nós também passamos a ansiar pelo reencontro dos dois.

    Os fatos que se sucedem nos vêm na mesma pressa que pode ser vista ao longo dos outros acontecimentos, mas dessa vez eles serviram bem para criar uma atmosfera urbana ao redor da busca da personagem. O encontro dele com o mendigo é verdadeiramente estranho e sofre um pouco daquilo de levar de A a B. Vi outros entrecontistas apontarem a estranheza desse encontro, também, mas eu me peguei pensando que não haveria outra forma daquela conversa não ser estranha. Então eu gostei dela. Acho que não é só levar de um ponto a outro, pois também causa uma mudança no protagonista, o que resulta no final.

    Sobre o final. O reencontro dele com Regina realmente parece meio forçado. A moça aparece e a primeira atitude dela é a de trazer o papel do divórcio. Embora demonstre o rancor de um casamento mal sucedido, ainda é uma atitude estranha e, mais do que isso, não foi realmente construída. Como eu disse antes, o que houve foi uma breve descrição, que dizia “o casamento ficou assim e ela passou a brigar e reclamar disso e disso”. Inclusive, as reclamações dela ficaram um pouco estranhas à personagem, pois enquanto ela reclamava do marido, não mostrou nenhuma atitude para mudar a própria situação de vida, o que talvez mostre uma mulher que acredita ser o marido o responsável por este tipo de providência, etc, etc. Não foi algo aprofundado no conto.

    Do mesmo modo que a atitude dela é estranha, a dele de repentinamente se decidir pelo suicídio é tão estranha quanto, mesmo depois da conversa absurda com o mendigo, que não deu realmente um indicativo do que fazer. Até então, Rubens parecia bastante decidido de si e mesmo a noite horrível que teve não me pareceu ser capaz de muda-lo tão drasticamente. Eu gostei do resultado final, com ele pulando do prédio e saindo no corredor, ainda que tenha sido meio abrupto e inexplicado. Eu avalio o conto como um que demorou a começar e encontrar o seu problema (a busca por Regina e pelo reestabelecimento do casamento apaixonado), tendo o resolvido com pressa e muitos momentos que só servem para fazer a história ir para frente, sem atenção aos personagens e suas motivações.

  25. Paulo Ferreira
    2 de dezembro de 2017

    Eu gostei imensamente do final. Surpreendente. Confesso que no desenrolar da leitura eu estava anotando severas críticas ao enredo e sua escrita piegas. Que mais parecia uma fotonovela, não uma escrita literária. Até mesmo me perguntei se aquela cena das laranjas caídas no corredor não lembrava as típicas cenas dos filmes, categoria “B”, hollywoodianos. Só ficou faltando aquele olhar olho-no-olho e a fala: “eu te conheço não sei de onde”. E se Aquela entrada estabanada e sem motivo no motel teria algum sentido ou era só alegoria para enfeitar o conto? Também estava concluindo que os personagens estavam mal construídos, visto que eles passavam da água pro vinho sem o mínimo sentido. Isto sem falar do mendigo com sua entrada meteórica e sem conveniência, com seus conceitos bíblicos sobre pecados e maldições. Se o conto estivesse mantido o final conforme sua construção, eu teria mantido esta mesma opinião, mas o grã-finale salvou todo o conto. Quanto à gramática, nada a contestar.

  26. Bianca Amaro
    2 de dezembro de 2017

    Oi Kal-El, tudo bem? Parabéns pelo seu conto, gostei muito.
    Amei o personagem principal, um homem que tem interesse em ficção científica, livros, HQ’s. Isso me encantou.
    O romance foi interessante, e o jeito que as coisas andaram foi realista.
    É agradável de se ler, e a trama é interessante, com várias reviravoltas.
    O descobrimento de seus poderes foi de certa forma interessante, porém, como ele nunca havia reparado que tinha os poderes de viajar no tempo?
    O final foi realmente muito bom. Amo finais felizes. Ele conseguiu fazer sua vida andar do jeito que queria, refazer o que fez de errado. E o texto mostrou isso muito bem.
    E a escolha do curso que ele fez combina muito com o personagem.
    Porém, me senti confusa quanto ao título e imagem. Talvez tenha sido referência a algo, mas não entendi muito bem.
    Parabéns Superman, e boa sorte!

  27. Olisomar Pires
    2 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: criatividade, personagem protagonista bem colocado.

    Pontos negativos: a escrita, principalmente na metade superior, é meio truncada. Melhora bem depois do encontro com o “mendigo”, mas nesse momento, a coisa ficou meio forçada nos diálogos.

    Impressões pessoais: um bom conto com enredo interessante.

    sugestões pertinentes: Talvez uma revisão, ou melhor, um polimento no texto, o abrilhantasse mais. O autor possui talento.

    E assim por diante: Imagem e título combinam entre si, mas me parece que não se conectam ao texto.

    Parabéns pela criação e perseverança é tudo.

  28. Antonio Stegues Batista
    2 de dezembro de 2017

    Os Frutos Dourados do Sol, é o título de uma coletânea de contos de Ray Bradbury. Não sei se o autor usou inconscientemente, ou proposital, como homenagem àquele autor de histórias extraordinárias. Pode ser que o título se refere às laranjas que regina comprou, talvez não, si lá! Não importa, gostei do conto, é um bom enredo. Só achei estranho Rubens dizer que está fazendo curso de mecânica quântica, que faz parte da física. Achei as falas do mendigo meio estranho também. Boa sorte.

  29. Angelo Rodrigues
    2 de dezembro de 2017

    Caro Kal-El

    Superpoder de dobrar o tempo
    Gostei do conto. Em princípio me pareceu que tomaria um rumo estranho, mas não, seguiu bem, se foi aprumando aos poucos, a linguagem ficando mais fluida.
    Conta uma história que a maioria dos humanos gostaria de viver: a chance de se refazer, refazer a sua própria história, no tempo, revendo erros e corrigindo rumos.
    De uma coisa não gostei: se era para rever o passado, dando a Rubens outro destino, por que o fez escolher a mesma mulher, sabida, já, alguém com desamor no coração. Mas esta é outra história, não a sua.
    Um conto despretensioso, narrado de forma linear, sem plots acessórios. A vida de modo geral é assim, e os que se querem escritores às vezes complicam mais que o necessário.
    Parece que se o conto não ficou complicado não ficou bom, precisa de uma “trama”, de um “enredo” com “viradas” exatamente para seguir um modelo americano de contar histórias e fazer filmes. É quando esquecem que há muitas formas de narrar, e que uma delas é essencialmente linear (particularmente a narrativa japonesa clássica – Viva Kawabata!) e simples.

    Confesso que não entendi o título, que me pareceu não se coadunar com o texto, salvo eu não haver entendido algo.
    Kal-El é o Superboy (1945), a ilustração é Assíria. Acho que aqui faltou uma escolha “ilustrativa” mais afinada, mas tudo bem, o que importa é o conto.

    Parabéns pelo conto.

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Informação

Publicado em 1 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.