EntreContos

Detox Literário.

As dores de cada um (Senhor Aspirina)

1. Namunyak.

Lá fora, em algum lugar, existia ainda aquele quarto ricamente decorado com temas africanos. Lanças, escudos e uma máscara tribal Masai nas paredes. Inúmeros lençóis coloridos, cobrindo o leito e travesseiros com estampas de bichos e paisagens de savanas já empoeiradas na memória. Bolsas de soro, sondas, agulhas, aparelhos e frascos com pílulas estariam por lá também, contrastando da decoração de cores fortes.

dentro, contudo, havia um bosque espinhoso, de árvores retorcidas e pálidas e que cercava  todo aquele universo com seu abraço tenaz. O céu parecia ali nunca esgotar sua cota de lágrimas glaciais, enlameando as trilhas e esterilizando a terra com sal. Por todos os caminhos em direção ao centro, leõezinhos jaziam afogados em poças, baobás tombados, com as raízes à mostra, guerreiros cobertos de varíola agonizavam mortes desonrosas. O vento uivava sem parar por entre os galhos finos: “Vá embora!”, “Deixe-me em paz!”, mas o nobre doutor Jorge Arenas nunca fora de dar ouvidos às vozes incorpóreas. Afinal, tinha uma missão a cumprir.

Depois de horas, dias ou meses – o tempo era sempre relativo em tais paragens – ele finalmente alcançou um casebre de barro, esterco de vaca e galhos em meio a uma clareira da floresta-labirinto. Sem pedir licença, o homem afastou uma cortina de capim seco junto à porta e entrou. Estava escuro lá dentro, mas era possível discernir uma cama hospitalar no centro do único cômodo, onde algo jazia quase inerte.

— Você não é bem-vindo aqui, estrangeiro cor de fome e de enfermidade – guinchou sem cerimônia uma criatura humanóide com cabeça de hiena. — Vá embora! Deixe-me em paz!

— Pois vim sem convite mesmo – o doutor sorriu. — Posso me sentar?

A coisa piscou seus olhos escuros e cansados e girou a cabeçorra, curiosa pela invasão e pelo atrevimento. Ergueu as costas do colchão de espuma de silicone – completamente estranho àquela choupana primitiva  – e expôs veias, nervos e tendões, que, como um rendado elástico, ligavam-na ao mundo ao redor.

— Seu tempo aqui acabou – sentenciou o homem. — Você já a deu o suficiente de você mesma, e é hora de ir embora. De se seguir adiante.

Surpresa, a criatura jogou o pescoço para trás; seu focinho enrugou-se numa imitação ruim de gargalhada, esboçando dentes amarelos e irregulares. O som de sua risada histérica parecia ecoar de todas as partes daquele lugar.

— Ora, mas se a morte dela ainda não chegou, se Enkai ainda não a quer de volta, ainda é cedo – ela disse. — E não há isso, essa coisa de“suficiente”, eu sempre posso dar mais. Muito mais.

Em resposta, a coisa agarrou parte do rendado de suas costas e torceu com violência, cerrando os dentes com prazer. O microverso inteiro tremeu, a chuva se intensificou lá fora, os espinhos da floresta seguramente ficaram mais agudos e o vento soprou mais desesperançado.

Jorge observou a entidade à sua frente com quase pena no olhar. Eles eram todos sempre assim: tão orgulhosos, tão poderosos em seus reinos mesquinhos. Discursavam, diziam bravatas, demonstravam poder… Seguiam um roteiro nunca lá muito criativo.

— Eu acho que não fui claro – ele sacou uma faca do cinto e com um único golpe rasgou o “rendado” das costas da hiena, que tentou mordê-lo, enquanto ele agilmente saltava de lado. — Eu não vim aqui para pedir nada. Seu contrato acabou, entendeu? Finito!

O mundo sacudiu então outra vez. A choupana de súbito desapareceu junto com a cama, a floresta ao redor, o céu chuvoso, o próprio solo infértil e encharcado sumiu sob os pés de ambos. Estavam logo rodeados por um breu sem substância, e a mulher-hiena parecia desorientada.

— Eu tenho esse poder, não muito útil pra mim, mas bem efetivo contra os da sua espécie – ele explicou enquanto limpava a lâmina na perna. — Você agora tem a opção de ficar aqui, sozinha e inofensiva na escuridão, até que o seu deus Enkai venha enfim buscar sua hospedeira, ou pode me acompanhar e viver com outros iguais. Se eu fosse você, aceitaria meu convite. O tempo aqui passa lentamente e pode ser muito aborrecido esperar… – ele então esticou o braço e a ofereceu a mão.

Impotente, a criatura começou a chorar baixinho. Aproximou-se e deitou a pata peluda sobre a palma de Jorge. Em meio a soluços, ela comentou: — Ela, ela sempre teve muito medo de hienas, sabia? Nunca gostou também de beber leite com sangue ou comer carne crua, e era mal-vista por isso nos tempos antigos da tribo em Ngorongoro. Mas, mas… Fiz daqui o meu lar… Ora, isso não é justo! Não é!

Jorge colocou o outro braço por sobre os ombros da criatura. Não havia necessidade de ser cruel, de pisar quem já estava derrotada. A mulher-hiena devolveu-lhe um olhar agradecido no semblante feioso.

— Não. Nunca é. Nunca foi – ele suspirou, antes de ambos desaparecerem dali.

***

— Mamãe está curada? – perguntou aflita uma moça magra e incrivelmente alta quando Jorge despertou do transe. Ao fundo, uma mulher grisalha de pele muito escura agora dormia tranquila, com expressão serena. Os aparelhos registravam pressão arterial normal, assim como batimentos cardíacos sem oscilações.

— Não – ele respondeu. — Minha secretária não lhe explicou a natureza dos meus serviços? Eu não posso curar ninguém, apenas removi a dor. Podem suspender a morfina, mas o tratamento deverá continuar. Você tem os meus dados bancários pro pagamento combinado?

— Tenho sim.

— Ótimo! – Jorge procurou onde deixara os óculos e o paletó. — Hã, diga a senhora Namunyak, quando ela acordar, que ela não precisará mais ter medo de hienas.

***

2. Theodora.

Os anos se passaram e sua vida era boa. Cada cliente desesperado pagava uma média de cem mil dólares por seus serviços, depositados em sua conta em Luxemburgo, ou em Genebra, ou nas Cayman, sempre no sentido oposto dos ventos em que navegavam os auditores fiscais. Os clientes recomendavam-no também, avidamente, uns aos outros, em uma espécie de propaganda secreta boca a boca. “Arenas: o guru extirpador da dor”.

Jorge já acumulara um patrimônio de alguns milhões, e não se sentia mais compelido a usar do seu poder com tanta frequência. Às vezes, somente, em alguma rara demonstração de altruísmo, visitava algum hospital público e aliviava setores inteiros de suas dores, secretamente.

Fora isso, vivia de festa em festa, recuperando-se do jet lag constante, de ressacas curadas com mais ressacas, praticamente alimentando-se somente de canapés e queijos finos, ou daquelas porções minúsculas, típicas reduções e espumas dos restaurantes estrelados. Foi então, nalgum banquete meio cafona de um conhecido de um conhecido, festa daquelas cheias de subcelebridades, com cascata gigante de camarões com molho rosé e jazz lounge tocando num maldito loop infinito, que ele viu Théo pela primeira vez.

A mulher duns trinta e poucos anos fumava sozinha na varanda, em tempos em que ninguém com menos de cinquenta e mais de dezoito ainda fumava. Trajava um vestido negro cintilante, de costas nuas, embora a temperatura lá fora beirasse zero grau. Não tremia, não parecia se importar, ou sequer tomar conhecimento do frio… Apenas soprava anéis de fumaça mesclados ao vapor da própria respiração, e acompanhava com olhar blasé o desvanecer de suas criações no céu sem estrelas.

— Não. Eu não me importo com a droga da minha saúde. Não faço questão alguma de entregar um cadáver saudável aos legistas quando eu virar comida de verme – ela resmungou quando notou o estranho se aproximando.

— Hahaha. Desculpa, não, eu não ia comentar sobre seu cigarro. Não fumo, mas não é problema meu…

Ela virou-se e acendeu outro. Quando ele encarou seu rosto iluminado pelas chamas do isqueiro, sentiu-se subitamente perdido e pequeno, paralisia-fascínio de presa que de repente esbarrasse com um grande felino na mata – Blake teria recitado Tyger, Tyger!

Os olhos dela tinham um tom verde-escuro raro, com pupilas raiadas de outras nuances esmeraldinas. Passaram-lhe a sensação – não de todo agradável – que se tem ao se observar dentro de um poço antigo, cheio de musgo, ou um mar de sargaços, com monstros espreitando sob a superfície imprecisa. Cabelos escuros cascateavam até seus ombros nus e leitosos, e completavam o visual de diva de filmes noir.

— Não fuma? Quel est alors ton poison? – ela sorriu e, embora tivesse belos dentes, aquele aparentava ser um sorriso social, mera convenção, um entreabrir de lábios, sem reais alegria ou calor.

— Eu não falo bem francês…

— O meu é também uma boa porcaria, mas costuma causar boa impressão quando estou menos bêbada. Poderia ser cavalheiro e me trazer outro Manhattan, hã… Qual o seu nome, senhor “cachinhos castanhos”?

— Jorge – ele respondeu. Saiu da varanda, foi ao bar e retornou com a bebida.

— Essa era a preferida de Al Capone – ela comentou ao bebericar. — Prazer, eu sou a Théo – Theodora -, mas não ouse me chamar assim! Então, ficará até mais tarde pra provar da ayahuasca do Bertrand?

— Quem?

— O anfitrião, o careca aniversariante de pulôver xadrez ali no meio da sala, ô cacete! Você é penetra, Jorge?

— Não.

— De qualquer forma, é provável que tudo seja falso, coisa “ai-ai-olha-só-como-sou-descolado”. Acho difícil ele ter a coisa real, aqui em Bruxelas. Sabe, talvez seja só um panelão de chá verde com gengibre ralado e corante,  pra ficar bem esquisito, mas os gringos otários vão alucinar da mesma forma. Uma vez bebi café descafeinado à noite e não consegui dormir porque bebi café, e nunca durmo se o faço depois das oito, mas se era descafeinado, era meio placebo? Dormi quando racionalizei que era inofensivo, mas despertei outra vez quando lembrei que placebos funcionam se você crê neles. Talvez agora café descafeinado lhe causará insônia, Jorge, se você se recordar de nosso “encontro às escuras” – ela piscou um olho.

E a conversa fluiu aleatória, em associações curiosas. Ela soava inteligentíssima e inquieta, parecia conhecer de tudo, ter interesses díspares e opiniões bem originais também. Deitado mais tarde no hotel, Jorge enumerou na cabeça alguns dos assuntos levantados por Théo em ávida sequência: idiomas urálicos e a importância do “de que forma?” e não do “quando?”, e sua influência na alma húngara; ruivos teriam certamente mais DNA neandertal; religião e o Zeitgeist da Idade Média centrado no pós-vida; seriam as revistas de fofocas disseminadoras de mensagens criptografadas ou mecanismos de algum plano nefasto de idiotização das massas?

O importante – pensou o doutor Arenas – é que tinham trocado seus contatos. E ele sabia que sua vida não seria mais a mesma.

***

Por três dias seguidos Jorge apenas conseguiu deixar recados que nunca foram retornados. Passada quase uma semana, quando já havia parado de insistir, ela finalmente ligou.

— Me desculpe, Jorge. De repente tudo ficou… escuro, nada mais fazia sentido e eu não tinha ânimo nem sequer pra levantar ou ter pena de mim… Hoje finalmente comi algo e tomei banho. Isso vem e vai, e meus remédios não estão funcionando mais.

— Depressão? – ele perguntou.

— Em parte. Transtorno bipolar… Dói até na alma às vezes… E eu poderia em outros dias devorar o mundo…

— Podemos nos encontrar, Théo? Eu acho que posso ajudar.

— E você é terapeuta? Ou só tá querendo me comer?

— Não sou. Quero, mas não é só isso que quero… – ele riu.

— Então vem. Anota meu endereço…

***

Ele alugou um carro esportivo para impressionar. Conduziu até o destino, orientado pelo GPS. Era uma propriedade antiga meio decadente, numa vila próxima, com enormes jardins relvados e alguns hectares de extensão. Uma governanta veio recebê-lo e ele subiu até o terceiro andar do casarão num elevadorzinho com porta pantográfica. Uma enfermeira o esperava e o conduziu até o quarto.

Deitada, numa cama com dossel, Theodora estava muito abatida. Seus olhos então assemelhavam-se a pedras baças, e o cômodo cheirava à noites insones.

Por quase uma hora Jorge explicou como descobriu seu poder, quando com quinze por acidente viu-se transportado para dentro de uma cidade em chamas ao segurar a mão de sua mãe durante uma crise de terríveis enxaquecas em salvas. Numa terceira incursão, semanas depois, localizou o Avatar da Dor dela, escondido numa torre no centro da cidade.

— Era uma aranha vermelha com o rosto de mamãe, que martelava a cabeça sem parar. Ela sempre odiou aranhas. Cada pessoa tem um ou mais e eles vivem da dor que produzem, são criações da própria consciência do hospedeiro. Não devem ser mortos, mas afastados. Com o passar dos anos, desenvolvi procedimentos e armas mentais. Precisei de dez sessões até remover o avatar de minha mãe. Hoje em dia faço tudo em menos de duas horas em tempo real. Você não tem dor física, mas… Poderia tentar contigo?

— O que preciso fazer?

— Feche os olhos e relaxe. Me dê sua mão…

***

Um conjunto de escadas de Escher, que subiam, retorciam-se em ângulos impossíveis e não levavam a lugar algum, dava as boas vindas ao lugar. Ao finalmente encontrar uma passagem numa porta escondida, Jorge penetrou uma subcamada de paradoxos e becos sem saída. “Poderia Deus criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele poderia erguer? Se não pode criar, não é onipotente. Se pode e não consegue levantá-la, não é onipotente”, alguém recitava com voz monocórdia. Dúvidas existenciais e dogmas eclodiam sob forma de serpentes a partir de ovos cinzentos e enrolaram-se em suas pernas.

— Ah, não! Cobras não! – ele gritou, enquanto pisoteava os répteis.

Arrastou-se então por um pântano de pensamentos suicidas. Cruzou um oceano de lágrimas fractais, subiu uma montanha de amores não correspondidos, baixou até um vale de vergonhas pegajosas.

Rompeu outra camada e só havia escuridão além: densa, impenetrável, enlouquecedora. Por eras talvez, mais por teimosia, seguiu. Encontrou enfim uma casinha decorada por azulejos hidráulicos, de aspecto familiar. A porta estava entreaberta e ele entrou.

— Olá, seja bem-vindo – cumprimentou-lhe uma naja de duas cabeças, de cujo corpo brotavam milhares de filhotes. — Esperava por você.

Jorge ia começar o seu discurso de expulsão, quando notou que a coisa tinha além do rosto de Théo, seu próprio rosto também.

— Uma das escadas Escher levava de volta à sua própria mente, Jorge. Foi por onde entrei e me fundi a seu avatar. Você saiu também de Théo e nunca notou. Estamos agora em casa…- ela explicou. — Desejo que liberte todos meus irmãos e que passe a me servir.

— Mas a Théo, eu tenho que…

— Ela entregou você, em troca de a abandonarmos para sempre. Podemos ser muito convincentes! Um acordo: você foi moeda de troca.

Jorge sacudiu a cabeça em negação e gritou. Avançou com a faca em punho e atingiu o abdome da criatura, que partiu-se em dois e cresceu outra vez rapidamente.

— Não! É hora de se seguir adiante – as duas disseram a uma só voz, com um sorriso cheio de presas. — Ansiamos que nos leve a conhecer o mundo, a semear nossos bebês em cada mente. Nosso próprio Arauto da Dor! Vamos, dá-nos tua mão. Não apreciamos violência desnecessária.

— Mas, mas isso não é justo – ele parecia desorientado.

— Não. Nunca é. Nunca foi. E essa sempre foi a graça das mudanças!

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68 comentários em “As dores de cada um (Senhor Aspirina)

  1. angst447
    16 de dezembro de 2017

    Olá, meu caro Senhor Aspirina, tudo bem?
    O conto aborda o tema proposto pelo desafio com sucesso e um toque a mais de poesia. Ah, gostaria de chamar este texto de meu.
    Não encontrei lapsos de revisão, a não ser uma crase a mais em ” à noites insones.” Para haver crase aí, teria de ocorrer concordância entre o artigo e o substantivo – às noites. No caso, o correto seria ” A noites insones”.
    A linguagem é um tantinho rebuscada em alguns momentos, revelando um ritmo que se encaixa tanto em compassos como em versos. A leitura flui que é uma beleza, nem senti que já atravessava a linha de chegada.
    Enfim, a narrativa prende a atenção e o desfecho surpreende. Na minha opinião, seu conto mereceria uma frase final mais impactante.
    No mais, eu apreciei muito o seu trabalho.
    Boa sorte!

    • Sr. Aspirina
      17 de dezembro de 2017

      Olá, Claudia.

      Obrigado pela leitura generosa. Sim, é verdade: não existe crase aí. Eu só pensei no “cheirar a” x “cheirar à” e não atentei ao restante… Mas são muitas regrinhas!

      Vou tentar limpar um pouco o texto dos excessos e palavras incomuns.

      Obrigado outra vez e boas dores!

  2. Edinaldo Garcia
    16 de dezembro de 2017

    As dores de cada um (Senhor Aspirina)

    Trama: Sujeito com o poder de entrar na mente das pessoas para retirar-lhes as dores -tanto físicas quanto psíquicas.

    Impressões: Contaço. Nos primeiros parágrafos eu fiquei louco para criticar o conto, confuso, sem direção, numa linguagem que presava mais pela beleza do que pelo dinamismo das cenas, no entanto, ao sabermos que o protagonista estava dentro de uma mente tudo faz sentido e o que era um defeito mostrou ser algo primoroso. A narrativa segue simples no segundo ato, depois do poder nos ser apresentado, salvo algumas descrições exageradas de Théo e sua personalidade que parecia ser inverossímil, pois está ela falando francês e solta de súbito um sonoro “cacete”, depois a bipolaridade explica isso também, outra grande sacada do autor. No terceiro ato a narrativa volta àquele aspecto estranho, mas dentro da proposta do autor em nos mostrar uma mente perturbada, cheia de tristezas e experiências traumáticas.

    O final, embora aceleradinho, ficou muito bom, fechando muito bem o conto.

    Me restou algumas dúvidas Há um floresta e logo descreve o solo como infértil. Como assim? Aí faltou uma revisãozinha. E qual é o cheiro de noites insones?

    Linguagem é escrita: É excelente. Exceto algumas construções exageradamente poéticas que tira o sequência da leitura, mas raros os casos. No todo o texto é magnifico. Queria eu ter bolado esse enredo. Rsrs.

    Veredito: Um conto primoroso e bão bissurdo que daria fácil para se tornar um romance ou um livro de contos do personagem onde cada conto seria uma trama episódica e tals. Eu compraria o livro; na verdade seria o primeiro da fila para comprá-lo.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Edinaldo.

      Muito obrigado pela leitura atenta e pelos elogios e críticas. Era uma floresta de árvores mortas, de galhos finos e sem folhas, só espinhos. Noites insones devem ter cheiro de suor, de lençóis embolados, de lágrimas secas… Fica à imaginação de quem lê.

      Eu quis realmente fazer o início do conto difícil, para dar uma sensação de “que diabos tá acontecendo aqui?”. As coisas se esclarecem logo, feito você pôde notar.

      Obrigado outra vez e boas dores!

      • Edinaldo Garcia
        16 de dezembro de 2017

        Suas explicações fazem todo sentido. Faltou um olhar mais apurado meu, sobretudo quanto à floresta.

        Você tem um grande personagem nas mãos. Daria pra fazer inúmeras aventuras com ele.

  3. João Freitas
    16 de dezembro de 2017

    Olá Senhor Aspirina

    Ainda não li a maioria dos contos. Mas posso já dar o seu como um dos favoritos?
    Criativo, fantástico e muito bem escrito.
    Adorei a referência ao paradoxo da omnipotência de Deus. Ao contrário de outros comentários, não me incomodou o inicio. Repleto de mistério mas não demorou a oferecer um melhor entendimento ao leitor.
    A sua escrita é rebuscada sem ser pretensiosa. O final foi a cereja no topo do bolo. O doutor, habituado a lidar com dores físicas, acaba enfrentando um outro tipo de dor completamente diferente.

    Um conto que merecia ultrapassar as fronteiras do Entrecontos. Parabéns! 🙂

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, João.

      Muito obrigado pela leitura generosa. Fico feliz que tenha gostado.

      Abraços e boas dores!

  4. Mariana
    15 de dezembro de 2017

    É um texto sofisticado, repleto de referências e citações. O mundo dos sonhos aqui é retratado é vasto material para o estudo da mente humana. Gosto de personagens como o do texto: possui defeitos, não é irreal. Com um poder desses, quem seria santo de não tirar nenhuma espécie de proveito? Por fim, a conclusão é triste, mas condiz com o restante do texto.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Mariana.

      Relendo notei que pesei um pouco a mão. A versão com mais palavras está mais equilibrada.

      Obrigado e boas dores!

  5. Fheluany Nogueira
    14 de dezembro de 2017

    Superpoder: remover a dor e os avatares através procedimentos e armas mentais desenvolvidos pelo protagonista. Os avatares vivem da dor que eles mesmos produzem, são criações da consciência do hospedeiro. Ao final, há uma reviravolta decorrente da traição: o doutor vai plantar a dor ao invés de removê-la.

    Enredo e criatividade: uma trama bastante interessante, no início um pouco confusa, até que entendemos que se trata do ambiente do limbo-consciência. Daí as coisas vão se esclarecendo, ganhando forma em estilo bem peculiar. Personagens bem construídas, alusões filosóficas, culturais e artísticas, contexto original e desfecho surpreendente.

    Estilo sofisticado com citações em palavras estrangeiras e referências diversas, que o enriquecem, mas dificultam a leitura e compreensão. A linguagem é grandiloquente, são bem pequenos os deslizes gramaticais, apenas estranhei: “Você já a (o “a” está sobrando?) deu o suficiente de você mesma (…) De se seguir adiante.” (o “se” está sobrando?); “ele então esticou o braço e a(LHE?) ofereceu a mão”; “cheirava à noites insones”(a crase é dispensável?).

    Apreciação: Gostei muito da premissa e ainda mais da execução. Parabéns pelo trabalho! Abraços.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Fleluany.

      O início do conto foi propositalmente difícil. Eu gosto de quebra-cabeças, então costumo ir entregando a trama aos poucos. É como eu gosto de ler também.

      Quanto às correções, sei que a crase em “cheirar à” é para diferenciar de “cheirar a”. Por exemplo: Maria cheira a flor x Maria cheira à flor. No primeiro descrevemos a ação de Maria, no segundo, que ela tem cheiro de flor. “Você já a…” = “Você já deu a ela…”. Quanto aos outros itens, eu não tenho certeza, teria que dar uma consultada sobre o uso de pronomes oblíquos. Talvez você esteja certa!

      Obrigado pela leitura generosa e boas dores.

  6. Givago Domingues Thimoti
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Senhor Aspirina!

    Tudo bem?

    Gostei do conto. Geralmente, o tema psiquê me interessa muito. A forma como você abordou o assunto foi muito interessante e abriu um enorme leque. Espero que o senhor (ou senhora) considere, seriamente, a possibilidade de escrever um livro sobre Jorge, o expurgador de dores.

    A única coisa que achei negativa sobre o seu conto seja o início um tanto truncado e confuso. Não nego que foi um pouco difícil evoluir a leitura.

    Parabéns e boa sorte!

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Givago.

      Obrigado pela leitura generosa. Eu gosto de escrever contos com certo esquema de quebra-cabeças, gosto de entregar a trama aos poucos, de atiçar a curiosidade. Por exemplo, nos primeiros minutos de “Matrix” não entendemos nada, tudo parece absurdo. Até a cena depois da pílula, quando Neo descobre que a Matrix é uma simulação da realidade. Meu texto modesto não é tão complexo, mas segue um esquema semelhante.

      Obrigado outra vez e boas dores.

  7. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Adorei a história.

    A forma como você ambienta e descreve o local-limbo-consciência onde o doutor está ficou demais.

    Gosto de contos assim, que vão mostrando aos poucos para gente. As coisas vão se resolvendo um pouco de cada vez.

    Sua escrita tem um estilo bastante particular, da qual gostei muito.

    A personalidade afetada de Theodora ficou bem construída, a personagem mostra a que veio. Só achei que a relação dela com o doutor Arenas podia ser mais trabalhada, mas isso não diminuiu meu gosto pela narrativa 🙂

    Por fim, achei interessantíssimo o contexto que permeia a história, com a temática da depressão e de outros transtornos mentais que se manifestam das formas mais traiçoeiras e estranhas.

    Um belo trabalho. Parabéns.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Miquéias.

      Obrigado pela leitura generosa. A Théo fica melhor desenvolvida no conto com mais palavras, com 2500 foi só o que eu consegui fazer… 😦

      Obrigado outra vez e boas dores!

  8. Estela Goulart
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Sr. Aspirina. Belíssimo conto. Confesso que achei muito confuso no início, talvez pelo fato de eu não saber o significado de certas palavras. Aliás, a escrita é complexa, lenta e cansativa, se o leitor não está realmente atento não vai muito longe. Apesar disso, achei excelente a ideia do superpoder de curar a dor. É um bom conto, e sugiro que futuramente comece um livro. Senti que foi muita informação para pouco espaço. Parabéns e boa sorte.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Estela.

      No começo eu quis esconder o que estava acontecendo, atirando o leitor dentro da “cena” do subconsciente. Acho que fica tudo claro quando o doutor desperta do transe: ele estava na mente de uma mulher de ascendência africana que estava muito doente (com câncer?).

      Vou tentar rever o texto e “limar” algumas expressões de difícil compreensão.

      Obrigado pela leitura generosa e boas dores.

  9. Hércules Barbosa
    12 de dezembro de 2017

    Senhor Aspirina, Saudações

    A criatividade para desvendar e tratar os medos das pessoas torna o trabalho uma joia rara de escrita literária. O começo do texto é impactante com a cena das hienas. A única ressalva que faço é a prolixidade do trabalho, ms na técnica da escrita, vocabulário, diálogos e impacto narrativo causado pelo poder de Jorge e a soturna Theodora são digna de elogios.
    Parabéns pelo trabalho!

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Hércules.

      Muito obrigado pela leitura generosa! Abraços e boas dores!

  10. Iolandinha Pinheiro
    12 de dezembro de 2017

    Mas que conto bárbaro! Nem estava gostando do começo com a mulher hiena e o exterminador, mas a partir do momento (logo em seguida) em que ocorreu a explicação dos fatos, eu peguei minha pipoca e fiquei me deliciando com cada cena que surgia em minha cabeça a partir da sua condução da história. Tenho lido contos muitos bons, mas o seu texto me levou para outros níveis de prazer.

    Seu texto é muito bem escrito, sua história é criativa e interessante, o desenrolar é envolvente, os personagens são o recheio do churros. Que personagens! O Jorge é pura sedução, elegância, cultura, charme. Estava quase me apaixonando por ele aí chegou a Théo, aquela traidora, rs.

    Para resumir, eu AMEI o seu conto. A única coisa que eu mudaria seria o final meia boca da cobra grávida de duas cabeças. Achei que o conto merecia uma final megapower e fiquei um tanto frustrada. Mas ainda assim o seu texto continua sendo o top 1 da minha avaliação, vamos ver se encontrarei outros de que goste mais.

    Adorei as palavras estrangeiras, as referências psicológicas, artísticas, culturais, acho que isso enriquece o texto. Felizmente eu já conhecia as suas referências e as achei super pertinentes, se não as conhecesse, pesquisaria, porque não me aborreço em aprender coisas novas.

    Enfim. Sorte e felicidade. Beijos.

    Iolanda

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Iolandinha.

      Obrigado pela leitura generosa. O final ficou um tanto apressado, realmente.O início foi misterioso pq tive a intenção de esconder a trama e esclarecer aos poucos depois.

      Obrigado outra vez! Abraços e boas dores.

  11. Leo Jardim
    12 de dezembro de 2017

    # As dores de cada um (Senhor Aspirina)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – muito boa e complexa
    – fiquei impressionado como o autor conseguiu fazer tanto com tão poucas palavras: apresentou o poder num caso de uso, mostrou o personagem, a mocinha, contou a origem do dom e encerrou a trama com praticamente todas as pontas amarradas; parabéns por isso
    – essa técnica de fazer caber muito em pouco exige algumas ferramentas que aqui me incomodaram um pouco, como o infodump (excesso de informação em pouco espaço), diálogos explicativos e as explicações tardias; o autor fez isso com técnica refinada, mas mesmo assim ficou aparente
    – Theodora é uma personagem fascinante, muito bem construída; quem não cairia numa armadilha assim…
    – sobre o “golpe” no fim, achei que o trabalho foi bastante bem feito, dada a complexidade da trama e o curto espaço

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐):

    – muito boa, profissional
    – o autor demonstra domínio das principais ferramentas da linguagem
    – a descrição dos olhos da Théo, por exemplo, ficou muito boa, apesar de ser uma gordurinha; uma prova de que, com moderação, a gordura aumenta o sabor da leitura
    – a própria construção das personagens e dos mundos oníricos também são destaques positivos

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – entrar em sonhos para resolver problemas físicos não é um tema novo, mas o conto o aborda com personalidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de tratar enfermidades através do mundo dos sonhos (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫):

    – achei o texto excelente, o melhor que li até agora (não foram muitos, é verdade, mas creio que continuará entre meus melhores até o fim)
    – conta uma trama complexa, com uma personagem apaixonante e fecha todas as pontas de maneira satisfatória; não é um texto de arrancar lágrimas ou explodir cabeças, mas é externamente eficiente (e nem um pouco burocrático 😁)

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Leo.

      Obrigado pela leitura atenciosa! Realmente, tive que cortar mais de 500 palavras e isso teve consequências.

      Na verdade, o cenário de trabalho de doutor é o subconsciente. Não são exatamente sonhos, embora a ambientação os lembre mesmo.

      Gostaria de ter desenvolvido melhor a Théo, expor melhor os conflitos de sua personalidade, etc.

      Abraços e boas dores!

  12. Catarina
    12 de dezembro de 2017

    O conto tem uma trama inteligente e envolvente. Alegorias bacanas. No começo, psicodélico fantástico, pensei ser uma viagem de ácido ou pesadelo. Mas a aterrisagem causou um efeito difícil de escrever: o impacto da realidade com o “cortem a morfina” no lugar de “acordou”.
    Um pouco longo e detalhista para poucos acontecimentos, questão de gosto.
    O desfecho foi inesperado, o que é muito bom.

    OBS: “Por três dias seguidos Jorge apenas conseguiu deixar recados que nunca foram retornados. Passada quase uma semana, quando já havia parado de insistir, ela finalmente ligou.” – Se ela nunca retornou como ligou depois de uma semana? Isso é apenas um detalhe insignificante, mas me incomoda como leitora.

    • Sr. Aspirina
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Catarina.

      Obrigado pela leitura generosa. Na frase que você destacou eu quis dizer que ele tentou e não conseguiu falar com Théo por três dias. Uma semana depois do encontro, ela finalmente ligou. Acho que vou rever, para não soar confusa.

      Obrigado outra vez e boas dores!

  13. Rafael Penha
    12 de dezembro de 2017

    Olá Senhor Aspirina,

    Seu conto é bem legal e traz uma premissa pouco explorada .

    1- Tema: Se adequa aos parâmetros do desafio, sendo um superpoder bem místico e introspectivo.

    2- Gramática: Rebuscada, mas direta. Nenhum erro que me incomode.

    3- Estilo – A história é contada de forma um pouco misteriosa no início, e aos poucos entrega a habilidade do protagonista. Segue interessante, mas senti uma pequena barriga no meio.

    4- Roteiro/ Narrativa – O texto é bem construído e a narrativa flui bem, até chegar à conversa com Theo. Achei o diálogo um pouco fraco. Mesmo sabendo da intenção da personagem falar como matraca, confiante e soberba, a fala dela não me parece condizer com a mulher de garbo e elegância que foi descrita. O protagonista, apesar de se adiantar, mal fala, pois a mulher toma toda a atitude e se joga. Achei que um homem como ele poderia desconfiar. Enfim, achei que o protagonista não foi bem desenvolvido, e Theo, muito diferente do esperado de uma dama refinada. O final, achei um pouco sem propósito. Não foi mostrado em momento nenhum que ele teria um inimigo que queria se apossar dele. Achei um pouco fora de contexto.

    5- Resumo: Um bom conto, com uma idéia muito interessante e inovadora. Me parece que carece de um melhor desenvolvimento de personagens, mas a ambientação e a descrição dos poderes do protagonistas estão excelentes.

    Grande abraço!

    • Sr. Aspirina
      12 de dezembro de 2017

      Olá, Rafael.

      Obrigado pela leitura atenciosa. O conto ficou com um final apressado e algumas coisas não ficaram muito claras. Quando pronto o texto tinha 3056 palavras e tive que cortar bastante para caber no limite de 2500.

      Vejamos, a Théo tem Transtorno Bipolar. Isso significa que tem episódios de mania, quando fala muito e interage de forma entusiástica, e outros depressivos, quando não quer ver ou falar com ninguém. Na festa ela estava num momento de euforia e no dia seguinte num depressivo. Daí o comportamento que não casou bem com seu status social.

      O final, creio que por eu ter cortado tanto, não deixou passar bem a questão do Avatar da Dor de Théo. Os avatares são projeções dos hospedeiros. Gente inteligente/complexa tem avatares idem. Talvez a dor na alma da depressão seja maior que dores físicas, etc.

      Enfim, ao explicar tanto aqui ficou claro que meu final precisa ser revisado…

      Obrigado outra vez! Boas dores.

  14. Andre Brizola
    11 de dezembro de 2017

    Salve, Sr. Aspirina!

    Acho que o termo mais apropriado ao seu conto é elegante. Um texto rico de referências, com uma direção claramente definida e um distanciamento do maniqueísmo que o tema poderia inspirar.
    Gostei muito do protagonista. Extremamente bem delineado dentro de seu espaço, e com um superpoder muito criativo. Gostaria de chamar a atenção também para o enredo bem sacado e ambientado.
    Achei que as duas primeiras partes do conto, a primeira paciente e a festa, foram conduzidas com maestria, enquanto que o desfecho, embora adequado à trama, tenha me parecido um tanto quando curto e apressado. O embate no início, com a mulher-hiena, é muito mais rico e detalhado que o confronto final. Era o ápice do conto, e acabou muito rápido. Acredito que isso se deva à limitação do desafio, mas mesmo assim, me deixou decepcionado.
    Em tempo, quando da citação às escadas de Escher, não sei por qual motivo associei às escadas de Leonardo, do castelo de Chambord, que se entrelaçam quase como o DNA. Tinha achado genial a sacada! Depois que me toquei que havia confundido as referências. A opção pelas de Escher, entretanto, fazem muito mais sentido para o enredo!

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Sr. Aspirina
      12 de dezembro de 2017

      Olá, André.

      Obrigado pela leitura atenciosa. Sim, o final está apressado. O conto quando pronto chegou a 3056 palavras e tive que editar um bocado para chegar a exatamente 2500. Enfim, se eu tiver a oportunidade, apresento depois a versão maior.

      Obrigado outra vez e boas dores!

  15. Sigridi Borges
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Senhor Aspirina!
    Gostei muito do seu conto.
    Maravilha seria se pudéssemos mesmo tirar a dor (física ou psicológica) de alguém, independente mesmo da cura.
    Interessante lembrar das escadarias sem fim de Escher. Sou fã.
    O texto apresenta citações e referências muito pertinentes mas, alguém com pouca bagagem teria mais dificuldade na leitura.
    Parabéns!
    Jorge usava seu superpoder para ganhar dinheiro até que, pela grande quantia que já havia recebido, resolve tirar a dor de pacientes em hospitais públicos.
    Entendi que o dinheiro, no início, era essencial. Por fim, já não lhe era o principal.
    Sei que por vezes só 2.500 palavras já não sejam mais suficientes.
    Obrigada por escrever.

    • Sr. Aspirina
      10 de dezembro de 2017

      Olá, Sigridi.

      Obrigado pela leitura! Sim, é verdade que alguns leitores terão experiências mais ricas, conforme sua bagagem. Talvez eu tenha exagerado um pouco aqui e ali… Mea culpa!

      Quisera ter umas 5000 palavras e acho que o produto final ficaria mais palatável.

      De novo, muito agradecido pela leitura generosa e boas dores!

  16. Felipe Rodrigues Araujo
    9 de dezembro de 2017

    Gostei bastante do conto. A ideia do poder foi bem original e a história foi construída com maestria. Algumas descrições me incomodaram, mas nada que tire o brilho dessa história com uma conclusão que deixa o leitor de queixo caído. Parabenizo o autor.

    • Sr. Aspirina
      10 de dezembro de 2017

      Olá, Felipe.

      Têm umas coisinhas que soaram meio estranhas e que vou rever: lágrimas glaciais, por exemplo, achei estranho depois.

      Agradecido pela leitura generosa.

      Abraços e boas dores.

  17. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Olá Senhor Aspirina. (adorei o pseudônimo)
    Belo poder esse, não? O de curar a dor.
    Ao contrário do suposto em que não devemos cobrar por um dom dado por Deus, ainda mais o de cura, Jorge aproveitou bem o dom que tinha e enricou.
    Acompanhamos , muito bem por sinal, a sua trajetória até ele cair na armadilha do demônio da dor (ou seria o demônio da sedução? Ou os dois juntos?) Théo enganou ele direitinho, mas se pondo no lugar dela, uma pessoa com uma dor crônica faria qualquer coisa para aliviar essa dor. Enfim, é um bom texto.
    Parabéns e obrigada por escrever.

    • Sr. Aspirina
      10 de dezembro de 2017

      Olá, Neusa.

      Sim, sim, você captou direitinho os detalhes do enredo! 🙂

      Obrigado pela leitura generosa e boas dores!

  18. Arnaldo Lins
    8 de dezembro de 2017

    Conto maneiro sobre viagem na mente do outro pra arrancar algum tipo de problema. O texto mesmo já é uma viagem. Legal até a tampa. Só fiquei meio caído com o final, a armadilha ficou meio forçado demais pra um cara safo como o Doc, já era pra ter se ligado que um dia arranjaria problemas. No mais é um conto bem feito, coisa que nem em mil anos consigo escrever, mas sei reconhecer o mérito do outro.

    • Sr. Aspirina
      10 de dezembro de 2017

      Olá, Arnaldo.

      Sacumé: às vezes o muito malandro pode se dar mal, rs.

      Obrigado pela leitura generosa. E boas dores!

  19. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto é extremamente interessante. Uma mistura de fluxo de consciência, com FC e até teoria da psicanálise.

    Costumo pensar que citações e referências devem funcionar como camadas em um texto. Se o leitor tem a bagagem necessária para aproveitar uma determinada camada, ótimo. Se não, é preciso que o conto funcione dentro de um universo próprio e independente que permita com que, ao ser lido pelo tal leitor sem a tal bagagem, ele funcione de forma plena.

    Acredito que sua história funcione em ambos os casos.

    Quanto ao conto em si, o ponto alto, ao menos para mim, são as alusões aos avatares. Logo no início, ao nos apresentar a hiena, o autor os faz deslizando a narrativa entre mundos. Assim, o mote principal da história é entregue aos poucos e não de uma vez, deixando o leitor em dúvida se tal animal se tratava de uma alucinação, mundo paralelo ou, no caso, uma espécie de manifestação do subconsciente deprimido da paciente.

    É interessante notar que, talvez funcionando como mais uma camada dentro de sua criação, a depressão realmente se manifesta de formas que poderiam, de fato e na vida real, ser representadas por estas figuras antropomorfas.

    Outro ponto alto é o destino de seu protagonista. O veneno é a crua e vice-versa.
    Um conto que tem fôlego, certamente, para uma narrativa mais longa. Um romance, quem sabe.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Sr. Aspirina
      10 de dezembro de 2017

      Olá, Paula Giannini CMXLIII.

      Muito grato pela leitura generosa. Em verdade, Jorge costumava livrar as pessoas de dores físicas, a mãe tinha enxaquecas em salvas, a sra. Namunyak teria câncer (tomava morfina)… Talvez o grande erro do doutor foi subestimar a “dor da alma”, que corroí toda alegria e que escurece toda a luz.

      Assim que eu tiver mais tempo, gostaria sim, de alongar a história.

      Obrigado e boas dores.

  20. Luis Guilherme
    6 de dezembro de 2017

    Boa tardeee, tudo bem por ai?

    Caramba, que conto interessante! Super maneiro!

    Gostei muito, mesmo.

    Vamos lá:

    O começo parecia confuso, mas rapidamente tudo se esclareceu, e de uma forma muito interessante. Gostei bastanteda ambientação interna das pessoas, suas angustias, medos e dores. Toda a alegoria que você usou pra representá-las foi o ponto alto do conto. Me lembrou um pouquinho, de alguma forma, o conto da árvore da vida.

    O superpoder é super criativo e inovador. E o melhor: tá absolutamente encaixado no enredo. Não soa como algo colocado à força ali, mas permeia muito bem todo o conto.

    A escrita também está muito boa. Não notei erros gramaticais importantes. A forma de escrita é boa e fluida.

    O fim também é excelente. O superpoder acabou sendo uma armadilha pra ele mesmo, né?

    Enfim, excelente conto. Parabéns!

    Ah, já ia esquecendo: amei os avatares e os ambientes, tanto que gostaria de ler mais, algo como um compilado dos trabalhos do Jorge, pra conhecer outros mundos e avatares, rsrs.

    • Sr. Aspirina
      6 de dezembro de 2017

      Olá, Luis.

      Agradecido pelas palavras de incentivo! Gostaria mesmo de ampliar o conto com mais visitas ao mundos dos avatares.

      Abraços e boas dores!

  21. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Senhor Aspirina.

    Então, gostei bastante do conto. Jorge Arenas é alguém capaz de penetrar na mente das pessoas e localizar e remover seus “avatares da dor”.

    Achei a escrita muito boa, com algumas metáforas bem bacanas e descrições ricas. Gostei em especial das descrições da Théo e a comparação dos olhos com um poço.

    Vi um monte de referências espalhadas pelo texto: William Blake, Escher, etc. Os diálogos ficaram bons e as personagens, em especial a Théo, bem desenhadas.

    O final ficou um pouco seco, penso que teria sido melhor esticá-lo um pouco mais.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Sr. Aspirina
      5 de dezembro de 2017

      Olá, Rubem.

      Obrigado pela leitura! Sinto, eu tive que correr um pouco no final, 2500 palavras é um mundo para alguns, mas para mim é um “dedal”, haha.

      Abraços e boas dores.

  22. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Esse texto é cheio de referências. Gosto disso. Porque, enquanto se lê, vai se lembrando de outras coisas. Nem todos conseguem fazer isso: colocar as referências dentro do texto de uma forma caprichosa e entrelaçada tão bem que a leitura vai fluindo e vamos construindo outros textos a partir dele, sem nos darmos por conta. Gostei da primeira parte, onde construiu o personagem e o universo onde ele atua – microcosmo/macrocosmo, ou microverso e macroverso, como queira. Eu só acho que seu microverso seria nanoverso porque implica em ir muito mais para dentro. Com relação à escrita, encontrei algumas pouquíssimas falhas de construção. Nada muito comprometedor. Gostei da maneira como construiu a história de Jorge, que não é nada heroico nem altruísta, e de como deu a ele um final, surpreendendo na leitura. Quando li a pergunta – qual é o seu veneno? – saquei que ele sucumbiria aos encantos de Théo e, depois, confirmei, porque, não só sucumbiu aos encantos da mulher, como caiu na cilada das serpentes. Confesso que gostaria de ler mais aventuras de Jorge nos microuniversos alheios, porque ele é um médico muito peculiar. Está dentro do tema. O personagem tem um superpoder, o da cura.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Sr. Aspirina
      5 de dezembro de 2017

      Olá, Evelyn.

      Obrigado pela leitura! Poderia me passar algumas falhas que você tenha observado?

      Obrigado outra vez e boas dores.

      • Evelyn Postali
        5 de dezembro de 2017

        Lembre de me chamar depois do desafio para eu apontar com mais detalhe, mas não é nada muito tenebroso, não. Baci!

  23. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    Jorge tinha o superpoder de eliminar a dor (física ou psicológica). Conseguia adentrar o inconsciente das pessoas, extirpar os medos sempre representados por animais.
    De início, confesso que me interessei ainda mais pelo texto quando li: “sempre no sentido oposto dos ventos em que navegavam os auditores fiscais.” Isso é muito pessoal. O uso do cachimbo deixa a boca torta, fazer o quê?!
    Texto primoroso, enredo muito bem construído. A escrita é esplêndida, precisa, clara. O uso de palavras estrangeiras não atrapalhou o entendimento. O autor tem total domínio de linguagem. Narrativa bem arrematada, estrutura perfeita. Muita criatividade. O leitor é fisgado pela ideia inteligente.
    Será que a Théo não foi uma criação da máfia da indústria farmacêutica?! Parece piada, mas pensei nisso. Senhor Aspirina, de qual laboratório o senhor veio?!
    Parabéns pelo conto!
    Boa sorte!

    • Sr. Aspirina
      5 de dezembro de 2017

      Olá, Regina.

      Muito obrigado pela leitura e pelos elogios. Acho que a Théo apenas se cansou do mal que a afligia. Ora, sou da Bayer, é claro.

      Abraços e boas dores.

      • Regina Ruth Rincon Caires
        6 de dezembro de 2017

        Boas dores é ótimo!!!!!!!!!! Ainda mais na minha idade……….. kkkkkkkkkkkk

  24. Priscila Pereira
    3 de dezembro de 2017

    Super poder: tirar a dor

    Oi Sr Aspirina, gostei muito do seu conto!
    Muito inteligente, bem escrito e bem revisado, intrigante e instigante. Um caçador da dor ser ludibriado por ela, muito interessante… Não há quem nunca tenha sido visitado por esses avatares e com certeza faríamos de tudo para nos livrarmos dela. O final aberto permite muitas interpretações, a minha é que a dor conseguiu reverter o poder dele e de agora diante ele iria espalhar a dor e não aniquilá-la. Não sei se está certa essa interpretação, mas foi o que intérprete… Um ótimo conto! Parabéns e boa sorte!!

    • Sr. Aspirina
      5 de dezembro de 2017

      Olá, Priscila.

      Obrigado pela leitura! A sua interpretação está perfeita: Théo havia secretamente entregue Jorge aos avatares da dor. Jorge passará a ser um Arauto da Dor, levará dor ao invés de retirá-la.

      Abraços e boas dores.

      • Priscila Pereira
        12 de dezembro de 2017

        Dor boa é dor morta!! Kkkk

  25. Renata Rothstein
    2 de dezembro de 2017

    Oi, Senhor Aspirina!
    Um pseudônimo “inocente” para um escritor tão inteligente e refinado.
    Lembrei do Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo rsrs (bom, nada a ver, pero…).
    Seu conto nos traz o super poderoso Jorge, que embrenhando-se nas profundezas abissais da origem da dor consegue aniquilá-las – e note, tudo isso com muito talento, criatividade e maestria.
    Daí surge a personagem misteriosa – Théo -, que não estava na festa por acaso, é claro.
    Será – penso – que o envolvimento sentimental/sexual teria “mexido” com o poder do doutor?
    Por que foi levado tão ingenuamente, sem perceber ser instrumento de um plano egoísta?
    Interessante demais essa mistura de possíveis e improváveis poderes psicológicos, ainda mais narrados de forma assim tão brilhante.
    Sei que há vários elementos no conto que vêm de outras histórias, mas olha, gostaria de ver uma versão alongada do seu conto.
    Até agora o melhor conto, sem dúvida.
    Meus parabéns e boa sorte!

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Renata.

      Obrigado pela leitura. Penso que o avatar de uma mulher inteligentíssima e culta seria também um avatar muito esperto, visto que ele era em parte a Théo também. Talvez o erro de Jorge foi ser confiante demais em seus poderes, ter subestimado os avatares da dor.

      Obrigado pelas palavras de estímulo. Fiquei muito contente! Também admiro o seu trabalho.

      Abraços e boas dores pra você!

  26. Paulo Ferreira
    2 de dezembro de 2017

    A princípio tive a sensação de ainda está no desafio terror, visto tanto mistério e estranheza com relação à criatura do casebre. (Só do meio pro fim me caiu a ficha de que o personagem infiltrava-se na mente de seus pacientes no propósito de curá-las de suas mazelas). O que tem sido a própria tendência deste desafio, pois a maioria dos contos, até agora apresentados, tem demonstrado forte propensão ao sobrenatural, como se os superpoderes só subsistam e consistam neste tema. Quanto ao conto, Sr. Aspirina, (Eu tenho um cachorrinho que atende por Dipirona, ks, ks, ks…) é um conto muito bem elaborado. Um enredo consistente e muito bem desenvolvido. Um enredo bem composto, criativo e sem perder o ritmo desenvolve a trama com maestria. Embora tenha achado-o um pouco longo, mas não é coisa tão grave. O conto é forte. Com uma redação primorosa; limpa e objetiva no que diz respeito sua forma redacional; adequadamente bem escrita e em concordância com a norma gramatical. Exceção feita às citações de estrangeirismos. É sempre bom clarear para o leitor, como reclamou o colega Antônio, pois nem sempre temos um computador em mãos para nos dar uma tradução, mesmo que precária. Afinal, (Qual é o seu veneno?) enfim, respeitar o leitor é sempre bom. Aliás, o que significa “Microverso”, será um universo pequeno? Existe universo pequeno? Também houve um lapso de digitação, onde ficou repetida uma frase “de um conhecido de um conhecido”. No mais, seu conto é belíssimo e muito bem realizado. Boa Sorte.

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Paulo.

      Obrigado pela leitura. Não tive intenção de inserir muitos estrangeirismos. Alguns já fazem parte do vocabulário comum: jet lag, noir, blasé, loop, etc.

      Microverso é um universo pequeno. Existem (?) universos pequenos em teoria, os chamados pocket universes. A frase que diz “de um conhecido de um conhecido” não tem erro: eu queria dizer que Jorge foi à festa convidado por um conhecido de outro conhecido, ou seja, que ele não tinha muito contato com as pessoas desta festa, visto inclusive que ele não sabia quem era o anfitrião.

      Quanto à frase em francês, eu realmente deveria tê-la traduzido!

      Obrigado outra vez e boas dores para você!

  27. Bianca Amaro
    2 de dezembro de 2017

    Olá Senhor Aspirina. Parabéns pelo seu texto. É realmente interessante, explorando o psicológico. Um personagem interessante, com um superpoder mais interessante e criativo ainda: retirar a dor das pessoas.
    O título combinou perfeitamente com o texto, assim como a imagem. Porém, eu acharia ainda melhor se fosse uma imagem de uma obra surrealista. Mas isso não importa.
    O jeito que usou para representar a dor, o medo das pessoas foi impressionante. É o que a pessoa tem medo (aranhas, hienas, cobras, etc) com seu rosto, atormentando sua mente.
    Uma trama interessante, o personagem principal aproveitava seu poder de curar a dor para enriquecer (e, em raros casos, para ajudar pessoas em hospitais públicos, em um ato de altruísmo). Com isso, levava uma vida boa.
    Mas ele foi traído pela mulher que se apaixonara (isso me leva a pensar que o autor tem uma visão negativa do amor, mas pode ser somente uma teoria), e quando foi na mente dela para livra-la da dor, foi aprisionado. Seu poder virou sua fraqueza. Usar o que ele falava para aqueles que expulsava foi uma ótima ideia. Dá a ideia de que o que ele fez com os medos voltou para si. O final está muito longe de ser um final feliz.
    É um bom texto, com uma trama bem elaborada, agoniante, com um bom uso da gramática.
    Mas eu realmente espero que tenha uma continuação. Terminar dessa maneira? É agoniante demais, haha.
    O uso de termos mais técnicos, apesar de mostrar que o autor tem o domínio do tema que escreve, deixa a leitura muito complicada para os leigos.
    Muito bom. No início pode ter sido um pouco confuso, mas foi um bom texto.
    Meus parabéns e boa sorte!

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Bianca.

      Obrigado pela leitura! Não, eu confio e acredito no amor, embora tenha escrito algo sobre uma traição. Em verdade, faltou-me espaço para desenvolver mais a Théo. Ela viva a dolorosa depressão há muitos anos e não a suportava mais. Trocar a dor por um romance que mal começara não lhe pareceu tão ruim.

      Abraços e boas dores!

  28. Pedro Paulo
    2 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Antes deste desafio começar, um dos entrecontistas publicou no grupo, abrindo espaço para mandarmos sugestões de temas. Eu repeti a sugestão que dei depois do desafio comédia: “jornada no subconsciente”. Devo assumir que, caso essa sugestão se concretizasse, eu certamente já não ganharia, dado que o Senhor estaria participando. Muito bem, vamos ao conto.

    Em primeiro lugar, tomo como acertada a decisão de iniciar o conto sem se preocupar em nos situar sobre quem é a personagem ou o seu poder, dando preferência a nos deixar descobrir ao longo da situação que acompanhamos logo no começo. Nesse ponto, devo parabenizar o autor pela atenção às descrições. As dores ficam muito bem representadas nos ambientes criados e, mais do que isso, ficam personificadas, criando imagens fantásticas que chocam e dão várias possibilidades à história. Com a escrita competente e a natureza episódica dessa primeira situação, já ficamos esperando pelos próximos encontros do Doutor, curiosos para saber o que mais o autor nos apresentará.

    Quando conhecemos Théo, esta é a nossa expectativa inicial, mas então o autor a aumenta, tendo construído uma tensão sexual entre os dois que nos faz ter uma segunda ansiedade: eles vão ficar juntos? Enfim, o que provoca o reencontro acaba sendo uma doença, a qual o Doutor se propõe a resolver, encaminhando, assim, o protagonista a encontro das duas situações pelas quais esperamos: a próxima dor com que ele lidará e a sua possível relação com Théo. Tudo é feito com uma escrita ágil, que enquanto encaminha a história, também define as prioridades narrativas e desenvolve as personagens. Enquanto outros contistas passaram a maioria do conto explicando e citando casos que demonstram o poder da personagem, aqui o autor soube nos apresentar o protagonista sem fazer a história ser sobre ele e o seu poder.

    A conclusão me deixou desapontado, mas só porque me deixou ansioso. Sugiro que expanda a história. Embora sirva como final, vejo-me atraído o suficiente para querer ler sobre como o Doutor vai se livrar dessa nova posição de “Arauto da Dor”. Embora não conte a história de um super-herói, há um teor quadrinesco na personagem e na história. Eu gostaria de ver mais sobre isso, mais é só um anseio meu.

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Pedro Paulo.

      Obrigado pela leitura. Sim, eu gostaria de ter alongado mais a história, de justificar e explicar mais coisas, em especial o final, que ficou um tanto truncado.

      Obrigado outra vez!

      Abraços e boas dores!

  29. Olisomar Pires
    1 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita muito firme, elegante e envolvente. Realmente um prazer de leitura. personagens bem construídos e empáticos. Enredo completo e singular.

    Pontos negativos: A primeira parte do texto possui uma criação excelente que não foi acompanhada pelas demais partes. Algo se perdeu nessa transição.

    Impressões pessoais: ótimo conto sobre fantasia fantástica que se casa bem com a realidade do “curador” e seu poder. As descrições das dores transformadas em animais representando os medos dos pacientes ficaram muito boas e nos atiçam a curiosidade, torci para que houvesse mais pacientes, apenas para ver a criatividade do autor.

    Sugestões pertinentes: prolongue esse conto na primeira oportunidade e nos deixe ler.

    E assim por diante: o conto deixa uma sensação de injustiça mesmo: “— Não. Nunca é. Nunca foi.”

    Parabéns.

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Olisomar.

      Muito agradecido pela leitura! É verdade: a pegada meio surreal do início não se mantém no restante do conto, mas pensei que nem todos teriam a paciência de ler algo longo e difícil de se entender. Escrevi a primeira parte propositalmente mais obscura, para o leitor ir entendendo o que se passava aos poucos.

      De novo, obrigado!

      Um abraço e boas dores!

  30. Antonio Stegues Batista
    1 de dezembro de 2017

    O protagonista tem o poder de penetrar na mente das pessoas para encontrar suas dores, seus males, como criaturas psicomorfas, e matá-las, extirpa-las do corpo enfermo, como se seres vivos fossem. O texto foi bem construído, mas tem algumas frases e palavras incomuns, que não entendi. O leitor não é obrigado a saber de tudo, nem outra língua que não seja o português.A não compreensão total do texto, é um ponto negativo. (Será que sou burro demais?) Não entendi o que é uma escada de Escher e outras frases me soaram estranhas. A ideia é boa, mas acho que não foi bem explorada. Boa sorte.

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Antonio.

      Muito agradecido pela leitura! Em verdade, não tive intenção de tornar o texto difícil, apenas brinquei com algumas metáforas e não usei de dicionário ou algo do tipo para escrever. Quanto à frase em francês, sim, ficaria melhor que eu a houvesse traduzido, mas meu conto já tinha exatas 2500 palavras, então eu teria que cortar algo para encaixar a tradução. Sinto por isso!

      Abraços e boas dores!

      • Sr. Aspirina
        4 de dezembro de 2017

        Olá. Esqueci de mostrar as escadas de Escher.

        Abraços.

  31. Angelo Rodrigues
    1 de dezembro de 2017

    Caro Senhor Aspirina,

    gostei do seu conto. Bem urdido me foi conduzindo até o final.
    Em princípio um pouco solto, achei, sem dizer a direção que tomaria, mas, bem direcionado, foi conduzindo a um diálogo límbico entre o “doutor” e a dor representada pelos elementos de medo dos pacientes. Interessante.
    A ideia de “comer” a dor, a morte etc não é nova – não há demérito nisso -, mas seu conto transita bem em seu desenvolvimento. Parabéns.
    Achei-o um pouco alongado desnecessariamente, mas talvez isso decorra da minha expectativa de passear menos pelas palavras e esperar uma ação acontecer, pulando etapas; mas isso não prejudicou, creio, o desenvolvimento do conto.

    Parabéns pelo conto.

    • Sr. Aspirina
      3 de dezembro de 2017

      Olá, Angelo.

      Muito agradecido pela leitura. Em verdade, desejava alongar mais, para esclarecer melhor alguns pontos e desenvolver melhor a relação entre Jorge e a Théo, mas talvez assim ultrapassaria os bons limites de um conto.

      Obrigado e boas dores!

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Informação

Publicado em 1 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.