EntreContos

Detox Literário.

A mutação (Estevão Reis)

Paula fechou-se no quarto. Com a respiração ofegante procurou algo que servisse de arma, mas em vão. Fixou os olhos na porta. Toda ela tremia, tentando-se esconder na esquina daquela divisão da casa, as unhas em sangue de tentar raspar o revestimento da parede. O quarto não tinha nada a não ser uma luz que tremeluzia no tecto e uma porta de madeira com marcas de humidade.

O som de alguém a bater à porta quebrou o silêncio.

– Vai-te embora! Deixa-me em paz!

Nova batida, mais forte. Ela desata a chorar.

A batida seguinte arranca a porta das dobradiças, caindo a poucos centímetros de Paula. Um rapaz pouco mais velho do que ela, não mais do que vinte anos, entra no quarto. No seu olhar de ódio, Paula não consegue reconhecer quem ela em tempos amara.  

– Deixa-me em paz!

O grito foi imediatamente seguido pelo primeiro ataque. O corpo dela é projectado contra a parede oposta. A visão do corpo inerte no chão não o faz parar. O ataque seguinte seria ainda mais brutal e deixaria o chão coberto de sangue.

 

* * *

Pedro acordou na cela do hospital psiquiátrico. Era um quadrado com três metros de lado, com paredes revestidas de borracha branca. A porta era forrada do mesmo material. Tinha uma pequena janela com grades exteriores de ferro, localizada a dois metros de altura.

Sentou-se na cama e ajeitou os vincos do pijama igualmente branco. Fez planos para o seu dia. Isso demorou, exatamente, 30 segundos. Costumava andar à volta do pequeno quarto até às 10h da manhã. Por essa altura, costumava ser levado para o pátio ou para a sala comum. Ali convivia com os verdadeiros doentes, aquele que viviam encerrados nas suas mais diversas patologias do foro psiquiátrico. Tentara conviver com alguns, mas cedo se cansou e optou por isolar-se. Era frequente vê-lo encostado a um canto, a ler um livro ou a ver televisão – mas, naquele dia, a sua rotina iria ser diferente. Iria dar os habituais 352 passos até ao gabinete médico onde seria feita uma avaliação psicológica pelo Doutor Ramirez, um médico psiquiátrico cubano que parecia um lutador de Wrestling.

Pedro preparou-se para enfrentar o olhar estranho de Ramirez e o cheiro a colónia barata que ele insistia em usar mas, assim que entrou no consultório, deu de caras com um homem desconhecido, alto e vestido de negro. O olhar frio parecia ter saído de um filme de terror. A qualquer outra pessoa, a visão daquele homem poderia ter impressionado, mas para Pedro era apenas outro médico para lhe fazer perguntas estúpidas.

– Bom dia, Pedro. Eu sou Filipe Braz e …

O Pedro interrompeu-o.

– … e veio substituir o Dr. Marquez. Não é o primeiro médico que o substitui. Vem tentar determinar a minha insanidade.  

Pedro sentou-se na cadeira à frente da secretária. Braz estava de pé. Dois enfermeiros estavam junto à porta. Não eram os enfermeiros que normalmente acompanhavam o Pedro – estes pareciam-se mais com seguranças, de compleição forte e com evidência de estarem armados.

– Engana-se. Primeiro, eu não sou médico, sou cientista. Depois, eu sei que o Pedro não tem nenhuma doença do foro psiquiátrico. É um jovem absolutamente normal. Teve boas notas na escola, dedicou-se a projectos voluntários, música, teatro, desporto. Os seus amigos tecem-lhe os maiores elogios.

– Que amigos? Eu deixei de ter amigos, depois daquela noite.

– O que pensa que aconteceu nessa noite, Pedro?

Pedro fechou os olhos. Tinha pesadelos com aquela noite. Os gritos da Paula ecoavam ainda na sua cabeça. Depois, só via o sangue.

 Eu era completamente apaixonado por ela. Mas ela queria terminar tudo. Isso deixou-me furioso.

Braz colocou em cima da secretária uma série de fotografias. A ex-namorada do Pedro em primeiro plano, o corpo parecendo ter sido atacado por um animal. O Pedro fechou os olhos, as lágrimas começaram a escorrer pela cara.  

– Não conseguia parar. Eu sou um monstro.

– Entendo. E se eu lhe dissesse que há uma razão para se mortificar?

– Não há razão nenhuma que justifique o que fiz.

– Existe. Tente manter a sua mente aberta. Este é o resultado da minha pesquisa. A minha especialidade é o estudo do DNA. Fiz uma análise estatística e descobri algo interessante – em casos como o seu, onde pessoas que levam uma vida absolutamente normal levam a cabo crimes violentos, têm uma base comum. Identifiquei essas sequências no seu próprio DNA, Pedro.

– Portanto, a culpa não é da minha mente, mas das minhas células. Elas é que estão programadas para que eu seja um monstro.

– De certa forma. O nosso cérebro mais primitivo, também chamado de reptiliano, é responsável pelas nossas funções mais básicas. É a base do nosso comportamento mais agressivo. Mas não explica como é que o Pedro conseguiu duplicar a sua força. Gostaria de fazer alguns testes, com a sua permissão. Podem ser algo desagradáveis e haver alguma dor envolvida.

A resposta do Pedro foi imediata: – Quando começamos?

 

* * *

 

Estava num gabinete médico, semi-nu e preso a uma maca. Estava frio. Braz tinha-o informado de que a temperatura do ar condicionado seria reduzida.

– Esta sala é insonorizada, por isso vai poder gritar à vontade. Precisamos trazer o monstro que tem dentro de si. É esse monstro que precisa de tratamento, não é o Pedro. É aí que os psiquiatras falham. – Disse Braz, mostrando uma arma imobilizadora ou stun gun na gíria inglesa. Pedro sabia o que aquilo era e engoliu em seco.  

– Quer dizer que eu me vou transformar no Hulk?

Braz deu uma gargalhada sonora.

– Sim, Pedro. Não poderia estar mais certo.

Ele encostou a arma ao peito do Pedro e disparou uma vez. O choque elétrico atingiu-o em cheio e ele nem teve tempo de gritar. O corpo contorceu-se, a sala começou a cheirar a carne queimada e ele acabou por desmaiar.

Quando recuperou os sentidos, continuava preso à maca. O peito doía-lhe. Tentou falar, mas não conseguiu. Braz continuava a seu lado, com a arma na mão. A simples visão da arma provocava agora um terror quase sobrenatural ao Pedro.

– A bela adormecida acordou finalmente. Podemos prosseguir?

O olhar de Braz tinha um brilho sádico. O segundo disparo foi ainda mais forte do que o primeiro. O Pedro ficou imobilizado durante meia hora, mas não perdeu os sentidos. Durante todo esse tempo, Braz limitou-se a sentar-se a seu lado e esperar.

– Tenho todo o tempo do mundo, Pedro. Não vamos a lado nenhum.

O Pedro já não conseguia ouvir a voz cínica de Braz. Queria libertar-se. Esse desejo apoderava-se dele e era a força mais poderosa que alguma vez tinha sentido na vida. Sentia as mãos e os pés firmemente presos, mas ele tinha um único objetivo: libertar-se, pegar na arma imobilizadora, enfiá-la no ânus de Braz e disparar. Este levantou-se e regulou a arma para a potência máxima.

– Esta vai ser a prova maior, Sr. Pedro. Ou o monstro emerge ou o Pedro morre. Não há terceira hipótese.

Ele encostou a arma ao pescoço do Pedro. O que se passou a seguir foi rápido:

  1. Pedro conseguiu soltar-se;
  2. Projectou Braz contra a parede;
  3. Matou um dos guardas, partindo-lhe o pescoço;
  4. Deixou o segundo guarda inconsciente.

Depois, fugiu do hospital, refugiando-se no bosque. Tinha a plena consciência de ser um monstro. Braz tinha-o deixado num estado intermédio, do qual não conseguiria libertar-se. Meio Hulk, meio Banner. Foi nesse estado que ele se perdeu no mundo. De tempos a tempos, aparecia nos noticiários. Os seus crimes horrendos estavam a deixar todos em sobressalto.

* * *

 

O desejo era forte, ainda mais forte do que a força do monstro que Braz acordara dentro de si. A vontade de ir para a montanha obcecava-o. As respostas esperavam por ele ali. Sabia-o de uma forma instintiva, como se uma voz que não era a sua estivesse a ordená-lo. Demorou mais de um mês a chegar, atravessando terras e rios, caçando animais para se alimentar. Evitava todo e qualquer sinal da civilização. Tinha a noção de se estar a tornar, ele próprio, num animal selvagem, mas conseguia viver bem com isso. Compreendia que o monstro era, na realidade, o seu verdadeiro eu, aquele que sempre escondera dentro de si.

* * *

 

A montanha erguia-se diante dele. Não era diferente das outras que já atravessara, mas sabia que esta era o seu destino. Toda a existência do Pedro, que agora era um monstro, convergira para aquele momento. No topo da montanha encontraria a resposta. A certeza disso era avassaladora, pensou, enquanto subia a encosta – uma encosta demasiadamente inclinada para o Pedro de antigamente, mas um passeio no parque para o monstro que tinha dentro de si.

No topo da montanha estava uma pessoa. Pedro reconheceu-o de longe. O Dr. Braz. A pessoa que ele mais odiara durante toda a longa viagem desde o hospital estava ali, à sua espera, desarmado. O Pedro imaginou várias formas de acabar com ele, mas nada fez. Algo retraía o seu impulso, tal como tinha acontecido na sala do hospital. A sua vontade tinha sido a de matar o investigador, mas, na altura, Pedro limitar-se a descarregar a sua fúria nos seguranças e a fugir.

– Demoraste.

A voz forte de Braz ressoava de uma forma estranha na sua cabeça. Como se não estivesse a ouvi-la mas sim a senti-la por um qualquer processo telepático.

– Não consegui apanhar o Expresso dos Monstros. Vim a pé.

– O que importa é teres sentido o meu chamamento. Eu sou como tu. A mutação no DNA foi identificada por mim no meu próprio DNA. Todos somos ligados por uma consciência única. Uma matilha espalhada por todo o mundo. Eu sou o Alfa. Ajoelha-te perante o teu senhor!

O cérebro do Pedro começou a ser invadido por pensamentos contraditórios. Queria racionalizar o que estava a acontecer, mas o monstro tinha tomado conta do seu corpo e deu por si ajoelhado em frente ao Dr. Braz, que pousou a mão na cabeça dele.

– Juntos, vamos instaurar uma nova ordem. Seremos nós a espécie dominante. Seremos donos e senhores de todo o planeta. O que o nosso irmão Adolf não conseguiu, conseguiremos nós.

Pedro percebeu a referência a Adolf Hitler. Também ele tinha a mutação no seu DNA. Também ele fora um monstro, causador de milhões de mortos. Recordou-se das imagens que vira do Holocausto. A possibilidade de fazer parte de algo semelhante gerou no Pedro uma fúria superior à provocada pelos choques eléctricos de Braz. Havia um monstro ainda maior dentro de si, um poder imenso que irrompia dele e que o investigador, ainda com a mão na cabeça de Pedro, ignorava.

– Agora és o meu servo. Seguir-me-ás até à tua morte.

A voz de Braz ecoou na encosta das montanhas vizinhas. Sem se levantar, Pedro segurou a mão que Braz tinha pousada na sua cabeça, numa atitude de submissão.

– Sim, amo.

Braz tentou libertar a sua mão, mas as mãos do Pedro eram mais fortes. Conseguiu levantar-se, mantendo ainda a mão de Braz presa num aperto titânico. Aumentou ainda mais a pressão. Agora era Braz que se ajoelhava, a sua cara mudando de cor. O som dos ossos a partir quebrou o silêncio. Pedro libertou a mão de Braz, que urrava de dor, tentando segurar a mão que pendia do braço.

 – Como se eu fosse capaz de seguir um homem que não se dignou a ler todo o meu processo.

O Pedro pegou no corpo de Braz e arrastou-o até ao precipício.

– Porque se tivesse lido, saberia da minha ascendência judaica e dos meus familiares que morreram em Treblinka. Obrigado por ter despertado em mim algo mais forte do que o meu próprio monstro pessoal.

Braz tremia de dor e de fúria. Vociferava insultos animalescos enquanto o Pedro pegava no seu corpo como se fosse um brinquedo e o atirou ao abismo. Os berros terminaram num impacto surdo contra a rocha, cento e cinquenta metros mais abaixo.

Tudo tinha terminado. O Pedro sentiu uma estranha felicidade. Imaginou a Paula do seu lado, ali com ele. Ela gostava da montanha.

A Paula. A doce e bela Paula.

O arrependimento invadiu o Pedro. O monstro que havia dentro de si desaparecera.

O abismo chamava-o.

Pedro merecia o castigo.

Bastava um passo em frente e o seu corpo juntar-se-ia ao de Braz.

 

FIM ALTERNATIVO 1

Pedro levanta-se e lança-se ao abismo. O seu corpo seria encontrado alguns dias depois, já em avançado estado de decomposição, ao lado do corpo de Braz. Seria notícia dos jornais durante alguns dias e prontamente esquecido. Entretanto, algures no mundo, um novo Alfa estava já a ser eleito e a revolução dos mutantes continuaria.

 

FIM ALTERNATIVO 2

Pedro levanta-se e vai à sua vida. Era um homem procurado, mas podia mudar o seu destino. O mundo precisava saber que muita da violência actual tinha origem numa mutação genética e que poderia pôr em causa toda a humanidade. Anos depois da sua morte, e devido aos seus esforços, seria criada a primeira vacina contra a violência.

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28 comentários em “A mutação (Estevão Reis)

  1. Renata Rothstein
    18 de dezembro de 2017

    Olá, amigo(a) lusitano(a) Estevão Reis, Tudo bem?
    Seu conto é curto, direto e bastante criativo.
    Alumas revisões são necessárias, acredito que os colegas já as apontaram, além de por mais que saibamos que em Portugal fala-se diferente, os artigos tornam-se, muitas vezes, excessivos – “o Pedro”, quando se está falando com o próprio, exemplo.
    A parte no enredo que explicaria a violência descabida de Pedro dever-se à uma mutação genética, e mais, ele ser descendente de judeus, me pareceu muito estranha, causou um certo incômodo.
    Se as violências forem explicadas pelos genes, abre-se um precedente para um extermínio/penas de morte etc. (coisa de loucos, eu sei).
    Um detalhe que gostei muito foi dos finais alternativos, acho que o conto não é, necessariamente, obrigado a apresentar um final.
    No geral foi uma leitura fácil, mas esses detalhes étnicos, e seu desenrolar no conto me incomodaram.
    Boa sorte!

  2. Sigridi Borges
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Estevão Reis!
    Gostei da forma clara que usou para escrever o conto, mas cuidado com alguns problemas ortográficos, concordâncias e artigos indevidos.
    O texto, separado em cenas, me agrada muito. As pausas me prenderam do início ao fim.
    Pedro apresenta uma diferença básica em relação ao Incrível Hulk. Ele se lembra dos fatos ocorridos durante os ataques de fúria. Também gostei disso.
    Sugiro um único final, mais desenvolvido.
    Mesmo assim, achei interessante a apresentação de dois finais distintos.
    Parabéns.
    Obrigada por escrever.

  3. Hércules Barbosa
    14 de dezembro de 2017

    Saudações.

    as influências que percebi neste trabalho foram, além da literatura fantástica capitaneada por Tolkien com o indispensável o Senhor dos Anéis,há também uma referência ao clássico de Robert Louis Stevenson, Dr. Jekil and Mr. Hyde. A mesma pessoa habitando um perfil humano e outro monstruoso necessita de habilidade no enredo para ser tratado. Aqui o objetivo foi conseguido e ter usado o Fulher como parte de uma ordem de seres que dominariam o mundo foi corajoso, mas acho que poderia ser melhor trabalhado, mas os limites do conto devem ser respeitados. Também gostei da ideia de dois finais alternativos. é ousado, mas eu ficaria com apenas um final.
    Parabéns pelo trabalho e sucesso no desafio.

  4. Fheluany Nogueira
    14 de dezembro de 2017

    Superpoder: uma enorme força controlada pela fúria, surgida por uma mutação no DNA.

    Enredo: bastante criativa a premissa de que uma mutação no DNA explicasse a violência do homem. O protagonista foi bem construído, diferente do Hulk porque se lembra de todos os fatos vivenciados, consegue se dominar pela vontade e sente remorsos. A ideia de formar um exército de mutantes com o Alfa liderando lembra os filmes de X-MAN; o trecho que inclui Hitler serviu adequadamente para justificar a revolta de Pedro.

    Estilo e linguagem: A enumeração dos fatos quebrou a narratividade e os finais alternativos quebrou o impacto final. O texto pede uma revisão ortográfica, do uso da crase, emprego do artigo antes de nome próprio, mistura de tratamento (pronomes e verbos) e uso dos tempos verbais. Mas nada que trave a fluidez

    Apreciação: No geral é um bom trabalho, um texto de leitura agradável e divertido, com certa dose de suspense e referências interessantes.

    Parabéns pela participação! Abraços.

  5. Leo Jardim
    14 de dezembro de 2017

    # A mutação (Estevão Reis)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – a premissa é bem interessante: um mutação no DNA que explica a crueldade humana
    – gostei do personagem Pedro, amargurado pelo que fez
    – a cena em que ele foge do manicômio foi muito corrida; ainda estou na dúvida se gostei da enumeração de fatos
    – a ideia do Alfa controlando os outros mutantes é boa e a introdução do Hitler faz sentido, mas a descendência judaica do Pedro surgiu muito tarde, quase um Deus Ex
    – a questão dos dois fins alternativos é controversa, não gosto muito, mas o problema é que os dois foram frios e distantes, escritos como resumos, ensaios; se eles fossem, ao menos, melhor desenvolvidos, com emoção e melhor finalizados…

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – algumas palavras em português lusitano que não sei se a escrita está certa, mas peguei algumas variações do tempo verbal entre pretérito e presente
    – tirando disso, achei a escrita fluída e bem desenvolvida
    – Fixou os olhos na porta. Toda ela tremia (quem tremia? Paula ou a porta? É óbvio quem é, mas confesso que deu uma travada na leitura)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – superpoderes e mutação são comuns, mas essa abordagem da bestialidade e do Alfa ficou criativa

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – apesar de não ser exatamente o foco do conto, a superforça (✔) foi um elemento importante

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫):

    – um ótimo início até a cena do manicômio, mas acredito que o limite de palavras impediu uma melhor conclusão
    – não gosto muito da escolha por dois fins, acredito que o autor poderia ter escolhido um e se concentrado nele por mais tempo, deixando-o menos resumido
    – da forma como ficou, reduziu muito o impacto

  6. Givago Domingues Thimoti
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Estevão Reis!

    Tudo bem?

    Infelizmente, não gostei muito do conto. A história é boa e tem uma forte relação com a famosa conspiração sobre os “Reptilianos”, que seriam uma espécie de humanos melhorados buscando a dominação mundial.

    O pecado é o excesso de referências, que tira a essência do autor (ou autora). Veja bem, não estou dizendo que você tenha copiado ou algo assim. Quero dizer que sua criatividade ficou escondida debaixo das referências. Você sabe que ela está lá, porém, por causa de tantas ligações a coisas externas, fiquei com a sensação de estar lendo algo relacionado ao Hulk, e não ao Pedro.

    Minha recomendação é tentar diminuir essas referências.

    Não me sinto muito seguro para comentar quanto à gramática já que não sou tão bom no assunto hehehe, principalmente quando o autor parece utilizar o português de Portugal, o qual não sou familiarizado com regras e certas palavras.

    No mais, boa sorte no Desafio!

    PS: Perdoe-me se a crítica foi pesada demais.

  7. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Gostei demais! A forma como a narrativa foi construída, com bastante ação e com um dilema enfrentado pelo protagonista ficou muito bem delineada, muito bem feita.

    Gostei particularmente da cena em que ele escapa do dr. Braz, com a enumeração das ações.

    Também achei ótimo dar ao leitor a oportunidade de escolher qual o melhor final para Pedro que, para mim, seria o numero 2 🙂

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

  8. Estela Goulart
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Estevão. Primeiramente, destaco seus pequenos deslizes quanto à revisão do conto. Sabemos que não há nada prejudicial ao entendimento, mas isso deve ser colocado em prática. Sobre o contexto, interessante abordagem sobre o Nazismo e sobre o Holocausto, além da mistura desses elementos com os mutantes X-Men. O conto atende ao proposto tema do desafio, e as abordagens finais deixam o leitor na escolha de um final. Mas… por que não escolher o seu final preferido, Estevão? Impressione o leitor. Parabéns e boa sorte.

  9. iolandinhapinheiro
    13 de dezembro de 2017

    Um conto com uma ótima fluidez, interessante e com uma abordagem adorável. Não dá para não lembrar do Hulk, mas o autor conseguiu inserir novidades. A sacada de colocar o Hitler entre esta nova raça de humanos foi genial. Seria afinal esta a tal raça de arianos que ele tanto falava? Achei muito bacana, adequado ao tema, um conto com charme de histórias em quadrinhos. Parabéns. Sobre a gramática há uma mistura de tempos verbais que pode ser melhorada. Selecionei um trecho: “Braz tremia de dor e de fúria. Vociferava insultos animalescos enquanto o Pedro pegava no seu corpo como se fosse um brinquedo e o atirou ao abismo. Os berros terminaram num impacto surdo contra a rocha, cento e cinquenta metros mais abaixo.” Repare que há um “pegava” na mesma frase em que há um “atirou”. Nada que uma revisão não resolva. Também não curti a possibilidade de dois finais. Mas isso não é grave. Um abraço e muita sorte no desafio.

  10. Catarina
    12 de dezembro de 2017

    Temos aqui um Hulk além-mar ( “tentando-se”, “tecto” “colónia”, “projectos”, etc – o que não é uma crítica, mas prefiro ler o português moderno com uma boa revisão). Algumas referências aos mutantes de X-MAN e um passeio pelo Holocausto judaico. Gostei da mistura.
    Achei bem movimentado, mas pouco criativo. O texto precisa de uma boa enxugada e aprofundamento da trama.
    Os finais alternativos tiraram a força do personagem por serem óbvios.
    Enfim, continue escrevendo!

  11. Andre Brizola
    11 de dezembro de 2017

    Salve, Estevão!

    Acho que o grande mérito de seu conto é fazer com que Pedro transforme o seu defeito em superpoder. É quase uma origem de super herói, pois nada impediria que, a partir dali (e quando digo a partir dali quero dizer o final 2, que foi a minha opção), Pedro tenha se dedicado a fazer o bem a outros com o seu poder. Um tributo à Paula, por assim dizer.
    Mas, tenho que dizer, achei que algumas opções pro enredo não funcionaram muito bem. Por exemplo a ascendência judaica. Pareceu algo meio do nada. É uma surpresa para o leitor, e alguns podem gostar da surpresa, outros podem achar que foi um coelho tirado da cartola, um logro. Uma sugestão seria ter dado um sobrenome a Pedro (que costumam denunciar a origem da pessoa), citado logo no começo da história e deixado lá, para que o leitor fizesse a conexão sozinho, antes de Bruce… quero dizer, Pedro, partir para o contro ataque. Mas é só uma sugestão.
    Fico feliz que o mal tenha sido derrotado aqui. Não queremos um Caveira Vermelha telepático perambulando pelo mundo, não é?

    É isso! Boa sorte no desafio!

  12. Felipe Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    O conto homem-e-criatura acabou se afastando da essência do que é mais interessante neste tipo de história, que é o mistério sobre o processo de transmutação, ou o porquê dele ocorrer. A explicação científica, colocada nos diálogos, soou deslocada, apenas ali para, como num jogo, dar sentido ao texto, e esse sentido para mim nunca é necessário. Gostei do final, com a revelação da origem do ser, essa virada foi empolgante . Não gostei dos finais alternativos.

  13. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Um poder violento é o que temos aqui.
    É interessante esse texto. Seria uma nova raça onde os seres tem enorme força e são dominados pela fúria.
    Fim Alternativo 3 ou minha alternativa.
    Pedro matou o Alfa (Brás) então por direito se tornou de imediato o novo Alfa, e como tal mandaria sinais a toda matilha, ordenando que todos se embrenhassem na floresta e lá vivessem escondidos para sempre.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  14. Arnaldo Lins
    8 de dezembro de 2017

    Um Hulk muito doido que não perde a memória, boa sacada. O hulk de verdade é todo lesado, só falta babar. Esse aí não, é doido, mas lembra de tudo e dá até pra controlar a coisa do monstro. Aí apareceu um médico mais doido que o monstro, colocaram Hitler no meio e bagunçou tudo. Funk, aché, rock e MPBosta numa bacia rasa e não é que ficou da hora? Dá um puta filme pra agradar todo mundo. O lance da gramática não dou muita bola não, dando pra entender, pra mim tá valendo, então tudo beleza nessa parte.Só não desce a parada de matar a mulher por causa de uma besteira, sei lá, deixou muito sinistro. Dá raiva do doido, enquanto com o Hulk de verdade, a gente sente dó. O bichinho é feio pra diabo, retardado e tal, mas só mata os bandido. Acho que é por aí.

  15. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Ao contrário de muitos por aqui, gostei da ideia do final aberto e alternativo. Ao dar protagonismo ao leitor, o(a) autor(a) não só quebra a quarta parede, como deflagra suas próprias dúvidas na hora mesmo em que escreve. Qual de nós nunca se pegou lutando entre dois possíveis desfechos? Eu sim, sempre.

    A cada dia gosto mais de comentários abertos justamente por isso. Ao ler a opinião dos outros escritores, temos uma visão de uma fatia daquilo que poderíamos chamar de “mercado” dos leitores (na falta de uma palavra melhor). Por aqui, temos uma fatia do universo das letras.

    O que disse acima foi para refletir acerca da opinião da maioria de que o autor deveria, sim, ter optado por um dos dois finais. Assim, podemos notar que o leitor, mesmo gostando de “adivinhar” de certa forma o que vem pela frente, gosta mesmo é que o(a) autor(a), o dono da história, se apodere totalmente de seu direito de escolha. Nesse modelo, é o(a) autor(a) quem deve decidir por nós. É ele quem cria a história e gostamos do conforto de ler o final dela, do modo como seu criador a concebeu. Muito interessante notar isso. Você não acha?

    Sobre o conto em si, o poder que você escolheu é um clássico do gênero, super-força descontrolada pelo “super-humor” do protagonista. Todos temos muito de médico e de monstro e a ideia mexe com o imaginário do leitor.
    Pobre da minha xará, que acabou morta por nada. Rsrsrsrs

    Parabéns pelo conto.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. Luis Guilherme
    6 de dezembro de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Pelo visto, temos um amigo do além-mar. Sempre bom tê-los conosco.
    Mas vamos ao que interessa:

    O conto é legal, mas não me conquistou totalmente,

    A premissa é bem legal, e a forma como foi contada, também. Porém, achei que as situações foram passando muito rapidamente, sem realmente terem uma profundidade ou significado que marcasse o enredo. Isso acaba causando a sensação de que tudo acontece de repente e termina de repente. Por exemplo: uma informação importante seria o “super-poder” que a mutação de DNA causou em Braz, que era o Alfa dos mutantes mas foi facilmente subjugado pelo protagonista sem nem mesmo oferecer resistência e um conflito final.

    A passagem pelo sanatório também foi rápida e deixou coisas no ar. Por exemplo: o protagonista parece usar os padrões pra combater a propria insanidade. Por isso, talvez, ele conta os passos e movimentos que faz durante o dia. Essa briga entre sano e insano podia ser melhor explorada.

    A aparição de Hitler, apesar de engraçada, não causou muito efeito em mim. Achei um pouco forçada, e conduziu a uma reviravolta sem graça. Nada até então sugeria que o protagonista fosse judeu.

    O final alternativo me deixou em dúvida. É uma conclusão divertida, mas que não causou o efeito desejado, a meu ver.

    Por outro lado, tem os aspectos positivos. A escrita é boa e tem um tom engraçado natural, um humor intrínseco, o que torna o conto gostoso de ler. O enredo é bom e tem muito potencial, achei que poderia ser melhor explorado, como citei acima, enriquecendo e aproveitando ainda mais desse potencial.

    Enfim, acho que foi uma história que ficou apertada no limite, e que bem explorada e mais trabalhada, renderia um ótimo conto (pelo potencial criativo que tem).

    Parabéns e boa sorte!

  17. Fabio Baptista
    5 de dezembro de 2017

    A escrita, com sotaque português bem acentuado é até gostosa de ler, apesar de alguns deslizes, sobretudo na mistura de tempos verbais e repetição de palavras (porta no começo, por exemplo), que não passam batido na avaliação.

    A história é interessante, um tipo de mutação que dá superforça e ferocidade. O autor foi inteligente em já citar o Hulk, como se nos avisasse “sim, eu sei que está parecido” rsrs. Dos contos que li, aliás, acho que esse é o mais enquadrado no tema.

    O conflito final causou expectativa, mas quando enveredou para a questão do nazismo meio que quebrou um pouco o clima. Essa justificativa de ser judeu caiu de paraquedas, quase um Deus Ex.

    Esses finais alternativos não ficaram legais. A ideia foi até boa, mas não funcionou.

  18. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Estevão.

    Então, achei o conto mediano. Atende ao tema do desafio, sem dúvidas, mas algumas falhas o prejudicaram:

    – variação temporal: muitas vezes conjugaram-se os verbos no passado e no presente sem que se descrevessem ações que aconteceriam em tempos diferentes;
    – falar de si na terceira pessoa – isso realmente ficou estranho, O Pedro pra cá, O Pedro pra lá.

    A história do rapaz que num acesso de raiva matou a namorada, por ser um mutante, é interessante. Assim como a conspiração de domínio da humanidade. A revelação da ascendência judaica do Pedro e a eliminação do Braz ficaram um tanto bruscas. Não gostei muito dos finais alternativos, teria preferido que o autor houvesse escolhido um só.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  19. Mariana
    4 de dezembro de 2017

    Um conto com cara de roteiro de cinema, mas que consegue ser interessante pelas questões que coloca: o mal é metafísico ou genético? possuímos poder de escolha para além do que está marcado em nossos genes? Como pode dizer que amamos alguém que tratamos como nossa propriedade? Dentre outras… Eu particularmente curti a ideia de dois finais, apesar de achar o segundo bastante clichê. Aliás, o conto flerta com o clichê cinematográfico, deixo com humildade a sugestão de que o autor reescreva algumas sequências (a morte do médico, por exemplo) tentando fugir um pouco do óbvio. Mas é um bom conto, parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Priscila Pereira
    3 de dezembro de 2017

    Super poder: força descomunal e violência desenfreada.

    Oi Estevão, eu gostei do seu conto.
    Não entendi porque ele foi internado no hospital psiquiátrico, você não apontou nada que levasse a polícia a não aprende-lo pelo crime, o que seria o óbvio. Você trocou o nome do médico no meio do texto, de Ramirez para Marquez. Nota-se que você é estrangeiro. 🙂
    Gostei do final aberto e com finais alternativos e escolhi o segundo, gosto de finais felizes…
    Um bom conto, bem escrito, interessante e inteligente. Parabéns e boa sorte!!

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    De um colega lusitano(a). Pedro, em razão de uma mutação no DNA, possuía superpoder para o mal. Cruzando o limiar do controle, virava besta-fera, sanguinário. Um conto diferente, reflexivo, com enredo inteligente. Carece de revisão. Leitura tranquila, sem dificuldade. O final aberto, com alternativa para a opinião do leitor, é interessante. Apesar de ficar perplexa com suicídio, não vejo escolha. Se continuar a vida, ele terá desafios que poderão acabar em novos assassinatos. Ele não tem controle sobre seus atos quando chega ao insuportável. Com a morte, será um mutante a menos. Ainda bem que é ficção, misericórdia…
    Parabéns, Estevão Reis!
    Boa sorte!

  22. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    A introdução me fez querer saber o que haveria na sequência. Achei essa introdução bem boa. O que seguiu, nem tanto, talvez porque não tenha me arrebatado por completo. Essa dualidade – bem e mal – devia estar mais definida. Uma das coisas que não gostei foi você ter deixado claro sobre a referência. Não era preciso dizer que Adolf era Hitler. Deixe o leitor perceber, ok? Acredito que fique melhor. Porém, gostei das referências de uma forma geral – sobre médico e monstro, Hitler, Banner e Hulk… Sobre a escrita: tem alguns erros. Outra coisa: deu para perceber sua nacionalidade. E eu não colocaria aqueles itens como itens. Não gosto de itens dentro de um texto literário, não de forma tão explícita. Não sei se me fiz entender. Está dentro do tema. Não fica claro a índole boa de Pedro para o segundo final alternativo.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Pedro Paulo
    3 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Acredito ter lido um conto um tanto formulaico. O protagonista não é uma pessoa comum, sendo relegado às margens da sociedade, em uma instituição para insanos. Lá, não surpreendentemente, ele descobre que sua “peculiaridade” é mais do que ele pensava, colocando-o num caminho de novas descobertas a respeito de si próprio e do seu lugar no mundo, com segredos e fatores que vão para muito além dele.

    Avaliando pelo lado técnico do texto, a escrita é ágil, descreve quando tem que descrever e sabe fazer transições de uma cena a outra. Os diálogos são bem práticos, até porque os dois personagens que realmente conversam não têm reais conversas para além do que a trama exige deles. Gostei da separação que o autor fez das ações de Pedro ao se libertar da câmara de tortura. Agora, tomando o conto pela trama, é um tanto problemática ou, no mínimo, confusa.

    Acho que a maior crítica é ao poder, pois a trama anda justamente por conta da natureza dele, que se explica como uma forma de super força embasada na raiva, associada a uma mutação genética e sempre culminando na violência, como se um animal selvagem assumisse o controle do protagonista. É uma outra forma de descrever o Hulk, o qual o autor fez bem em não deixar de mencionar na história. O que me deixa confuso é a escolha que o autor fez para o segundo final alternativo (algo sobre o que também comentarei mais adiante), com a criação de uma vacina para a violência. É um caminho bastante complicado para seguir, pois, veja bem, com o poder da personagem explicando o assassinato da namorada (porque, aparentemente, o poder o deixa sem pensar), este parece inocentado do crime que fez. Segundo o próprio, ele a amava muito e o término o irritou ao ponto de ele brutaliza-la à morte. É algo bastante confuso e simplório. Mesmo que ela importasse muito para ele, não parece ser um gatilho suficiente para deixa-lo furioso ao ponto de ceder à selvageria (supostamente a motivação do assassinato, não ele próprio). Faz o poder ser volátil demais, simples demais. Afinal, num momento é um término e noutro é a potência máxima das cargas elétricas que o impulsionam à “transformação”. Inclusive, quando ele reencontra Braz, o narrador tinha acabado de nos explicar que ele tinha deixado de ser Pedro para ser um animal, de modo que seja estranho que ele chegue falando e raciocinando ao ver Braz, supostamente a personificação do seu ódio, aquele que o torturara.

    A explicação do investigador, o “alfa”, acrescenta mais uma camada ao poder de Pedro, colocando o rapaz como apenas uma mutação dentre outras que fazem parte de um plano maior, mutantes que estariam destinados a dominar o mundo, no que o autor incluiu uma associação a Hitler. Ao meu ver, a tentativa de dar um plano de fundo ao poder, este já bem confuso, falhou. É algo que só aparece no discurso delirante de Braz e que acaba não tendo a força, vindo mais como uma explicação genérica de caráter expositivo, sem uma profundidade nas personagens, até porque a única reação de Pedro é a ojeriza ao holocausto, sem uma real reflexão sobre si e as implicações de fazer parte de uma nova espécie (não que ele tivesse que refletir a respeito, mas era o único espaço no texto em que o autor poderia ter aproveitado para dar mais substância à revelação). Portanto, a descoberta de que ele é judeu e, por isso, conseguiu reestabelecer controle de si mesmo, veio com o mesmo vazio da explicação de Braz, servindo apenas ao enredo, para livrar Pedro daquela situação. Foi forçado.

    E, agora chegando aos finais. Não me importo com o elemento dos fins alternativos, mas eu encaro só o primeiro como um final de verdade. Não porque eu ache que suicídio é a única alternativa do protagonista, mas porque o segundo é bastante forçado e contraditório. Ao dizer que “o monstro que havia dentro de si desaparecera”, faz entender que Pedro se livrara da manifestação violenta de si, talvez retendo apenas a super força (o que é estranho, porque as duas coisas estavam intrínsecas antes). Então não faz sentido que Pedro consiga realmente voltar à sociedade e se fazer entender para os demais, uma vez que o fator da “violência” se esvaiu dele. Além do mais, incidente ou não, Pedro ainda é um assassino! Matou a namorada porque ela quis terminar o namoro. E, mesmo que uma vacina fosse criada, uma alfa ainda emergiria. Enfim, é um final problemático que tenta ignorar pontos importantes, dos quais eu enfatizo a namorada, que é quem inicia o conto e fica desprezada ao longo do enredo, diluída nas grandes reviravoltas da trama. O outro final, por sua vez, é um tanto vazio e previsível. A única coisa que nos faz importar com a personagem é ele ser vítima do próprio poder e, mesmo com um arrependimento mencionado, não é algo aprofundado e fica esquecido, de modo que não nos importamos muito com o Pedro. Porém, o primeiro final ainda é razoável e coerente, contrário ao segundo.

  24. Antonio Stegues Batista
    2 de dezembro de 2017

    Alguns problemas de gramática, digitação e repetições de palavras no início, inclusive de descrições. A ideia de despertar, ou identificar o instinto selvagem e primitivo no Homem, não é nova. Existem literatura e filmes a respeito
    A história começou bem, apesar do erros, depois caiu para algo menos serio, tipo terror classe B. O enredo é bom, mas parece que foi trabalhado às pressas, sem muito cuidado e preocupação com a concepção das ideias, ambientação e descrições. Achei alguns trechos fantasiosos demais, inverossímil. Boa sorte.

  25. Olisomar Pires
    2 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: o conto inspira uma boa reflexão sobre comportamentos violentos.

    Pontos negativos: os finais alternativos. Eles retiram totalmente a “magia” do texto. Parece um exercício de sala de aula.

    Impressões pessoais: parece-me que não havia superpoder realmente. Há relatos de pessoas sob pressão que aumentam sua força ou agem descontroladamente, nem por isso lhes dão créditos de superpoderosos. Além do quê, não se vê no texto a transformação do protagonista. Lembrando o conto “O médico e o monstro”, acho que não há uma luta de personalidade aqui.

    sugestões pertinentes: uma releitura do enredo com mais emprego da diferenciação dos personagens Pedro e o monstro.

    E assim por diante: um bom texto, inclusive com a figura do líder alfa, numa visita aos contos sobre vampiros e lobisomens, que de certa forma, são homens transformados e agem violentamente.

    Parabéns.

  26. Paulo Ferreira
    2 de dezembro de 2017

    Quem dera os decifradores de códigos achassem esse maligno DNA, mas é improvável que isso aconteça, pois tudo indica que não há nada de genético, porque esta malignidade é mesmo cognitivo-comportamental.
    Levando-se em consideração os dias de hoje, e por que não, os de ontem e os de anteontem. Basta lembrar o Imperador da Dinastia Ming, Hong Wu, o qual foi considerado o tirano mais intransigente e irracional da história chinesa. Cujo sujeito mandou executar tantas pessoas que, durante seu reinado, os funcionários do governo tinham o hábito de dar o último adeus à família cada vez que era convocado para uma audiência matinal, e de trocarem congratulações entre si por terem sobrevivido até a noite. A Disnatia Chin queimou vivos milhares de estudiosos a fim de suprimir o conhecimento e o confucionismo. E no ocidente civilizado, neste último século que nos precedeu, – sem incluir Hitler -, e o nosso tão aclamado e idolatrado, século XXI, um ser humano tem sido morto, legal ou ilegalmente, (por pessoas dotadas ou não de poder, cometidos tanto por tiranos, quanto por um pai ou uma mãe que atira um filho de um décimo andar do prédio) a cada vinte segundos. Este índice é três vezes maior que os primeiros cinquenta anos do século passado. Portanto, verifica-se que essa dita congenialidade não serve como parâmetro para definir a maldade humana. Mas voltemos ao seu conto, pois estava esquecendo-me da minha opinião sobre.
    Pra começo, apesar do meu dito como improvável, eu torço pela segunda alternativa como final para o conto. A ideia do conto é muito boa, no sentido de chamar a atenção para assunto tão importante para uma humanidade tão conturbada. Entretanto senti falta de um argumento mais contundente. Quanto à gramática percebi uma escrita descuidada com a revisão de texto, visto estes erros: (tentando-se esconder – colónia – deu de caras – Pedro limitar-se a descarregar). .
    Um enredo bem desenvolvimento e articulado com segurança. Um bom conto

  27. Bianca Amaro
    2 de dezembro de 2017

    Olá Estevão Reis. Parabéns pela sua história.
    É uma história muito interessante, com várias referências.
    A imagem combinou perfeitamente com o texto, assim como o título.
    Muito interessante criar uma explicação para a violência, baseada na ciência. Mais interessante ainda explicar o motivo do próprio Adolf ter feito tantas atrocidades. O fato do personagem principal ter negado a oportunidade de Braz por não concordar com sua filosofia foi muito bom também.
    Porém, o texto traz a dúvida: o que ele fez? Cometeu suicídio ou revelou ao mundo o que havia descoberto sobre a violência? Do modo que o texto fluiu, acredito que ele optou pela segunda opção, mas eu ainda gostaria de saber o que o autor decidiu.
    Parabéns pelo seu texto.

  28. Angelo Rodrigues
    2 de dezembro de 2017

    Caro Estevão Reis,

    Superpoder de se tornar um monstro (?)

    Conto de construção linear faz reviver a chaga do Nazismo com passagens por Bruce Banner e Hulk e o Médico e o Monstro. Confesso que tantas referências me deixaram confuso quanto ao superpoder de Pedro: o mal pelo mal (Hitler), o mal pela mutação atômica dos raios Gama (Hulk), o mal pela natural mutação genética (Pedro e Braz).
    A despeito de ser uma narrativa linear, com Pedro não desgrudando da voz do narrador, imagino que o conto pudesse ter menos referências, clarificando que tal mutação apenas o tornasse um sujeito violento.
    A mutação genética da violência (MAOA-L – gene guerreiro – e CDH13), decorre de um gene relacionado ao comportamento criminal que, se combinados, aumentam ainda mais a capacidade de violência das pessoas. Salvo engano, creio que o autor tenha querido explorar essa ideia.
    A insistência em chamar Pedro de “monstro”, não nos deixou saber no que ele se transformava (se é que se transformava), salvo em alguém forte e perverso.
    Gostaria de ver o escritor escolher um (apenas um) final, aquele no qual devêssemos acreditar, aquele escolhido como “real” pelo autor.

    Parabéns pelo conto.

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Informação

Publicado em 1 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.