EntreContos

Detox Literário.

A árvore da vida (Viveirista)

Nascimento

 

A árvore da vida
inúmeros frutos,
abriga em seus ramos.
Quando um apodrece
e à morte entrega seu néctar,
dá lugar a novas existências
num ciclo infindável
de recomeços.

 

*

 

Doença

Em espasmos violentos, Benício debatia-se em uma poça de seu próprio vômito, no corredor da escola.

*

Crescimento

Sempre fora uma criança doente. Quando nasceu, mal chorou. O médico, assustado com o comprimento anormalmente grande de seus braços e pernas e os cabelos grossos demais para um recém-nascido, entregou a frágil criança ao colo da mãe; “vai se chamar Benício”.

Mas não era apenas o estranho aspecto corporal que preocupava o doutor: o bebê tinha ares melancólicos que jamais testemunhara em seus mais de 30 anos de profissão.

Suas preocupações se mostrariam válidas com o passar dos anos. Benício era uma criança quieta e distante. Jamais chorava, e conservava um tom pálido, quase translúcido, que inspirava cuidados e atenções extra. Porém, mesmo os frequentes exames jamais apresentaram nenhum resultado preocupante, e os pais acabaram aceitando a natureza sombria do filho. O médico, pouco convencido, seguiu acompanhando o crescimento do estranho paciente.

Benício começou a falar cedo. Suas palavras soavam lentas e estranhamente precisas, diferentes do balbuciar incoerente comum ao aprendizado da fala. Não somente o que dizia, mas seu olhar concentrado e penetrante causava uma estranha sensação no ouvinte.

Por algum motivo, o garoto gerava uma certa empatia em todos que o encontravam. Algo em seu jeito soturno causava uma atração irresistível aos adultos, que sempre procuravam ficar ao seu redor. Era como se ele os entendesse, mesmo que ninguém jamais ousasse pronunciar essa sensação em voz alta. Parecia capaz de aliviar suas angústias e preocupações, como se pudesse enxergá-las e removê-las.

Aos 7 anos, os problemas começaram. Familiares à palidez e calmaria incomuns à idade, os pais já haviam descartado qualquer possibilidade de doença: Benício era apenas uma criança diferente. Mas então, vieram os espasmos e desmaios.

O menino sofria constantes ataques, que o deixavam num estado de torpor temporário, com os olhos desfocados e um aspecto fantasmagórico. Ainda assim, o atônito médico nada constatava nos inúmeros exames.

O estado letárgico durava alguns minutos. Ao voltar, o garoto pouco falava: ninguém compreenderia. Mas esse não era o principal motivo de seu silêncio. Benício tinha decidido seguir voluntariamente por aquele caminho, usando o dom com que nascera.

O menino tinha uma particularidade: via a vida. Sempre o fizera. Conseguia percebê-la em sua plenitude. Seus diversos ramos, frutos e flores, sua infinidade de possibilidades. Via as pessoas. Não a casca atrás da qual se escondiam, mas seus medos e alegrias mais profundos. Via seu aspecto terrível, sentia a pulsação de sua existência.

E as pessoas são muito diferentes em sua essência. Conseguia percebê-las perfeitamente. Enquanto andava pela rua, supermercados ou nas constantes visitas ao hospital, observava todos que passassem. Flores retorcidas, anões cabeçudos, crianças com 5 pernas, ursos monstruosos com seus pelos vermelhos, adoráveis corcéis, criaturas felpudas sorridentes, monstros com centenas de pequenos chifres. Infinita diversidade.

A natureza de cada ser é única. Com um simples olhar, Benício conhecia o fruto da vida que desabrochava em cada um.

Enxergava através dos olhos, tocava a alma. Desde que se lembrava, conseguia atravessar o casco superficial e sentir a vida.

Com o tempo, desenvolvera também a capacidade de se expandir. Abandonava o corpo, tocava a vida e espalhava-se pelo amplo espaço. Caminhava livremente pelo imenso jardim, onde a árvore da vida se espalhava graciosamente. Nesse plano astral, assumia sua forma essencial: três metros de altura, longos braços quase roçando o solo, terminando em dedos finos e compridos como gravetos, cabelos verdes espessos como os pelos da crina de um cavalo, a pele de casca de árvore, um brilho agradável emanando dos olhos cinzentos.

Por detrás das brumas da realidade, enxergava a magnífica árvore: seus infinitos galhos e ramos, frondosos e repletos de frutos – brilhantes esferas de incontáveis cores, nutridas pelo mesmo néctar. Interligados.

Alguns frutos adoeciam, apodrecendo. A princípio coloridos e reluzentes, adquiriam um aspecto negro e envelhecido. Aliás, era justamente a podridão dos frutos doentes que o preocupava. E era nisso que sua existência adquiria um significado: seu dom, sua missão.

Quando um fruto podre ameaçava destruir um galho, as brumas da existência se conturbavam. As pessoas comuns não percebiam a perturbação no ambiente em sua verdadeira forma, porém, sentiam seus efeitos: angustiadas, choravam e deprimiam-se. Cegas, mal notavam as mudanças substanciais no meio ao redor: as formas se retorcendo, o odor pútrido no ar, as cinzas caindo lentamente, como que resultado de alguma queimada, ou mesmo o céu adquirindo um agourento tom rubro.

Nessas horas, o corpo físico de Benício sofria contrações violentas, e, em meio à dor, seu espírito desligava-se da carne e caminhava pelo solo que nutre a árvore. Caminhando lentamente, movia seus longos membros, deslocando-se entre as verdadeiras formas das pessoas. Tocava a árvore da vida e cuidava de seus frutos.

Havia decidido, mesmo ao custo do próprio corpo, proteger o caule e suas folhagens. Os frutos podres precisavam ser retirados, antes que contaminassem galhos, ramos e folhas.

Adentrar o jardim da vida custava muito a seu frágil corpo, mas acabar com os frutos problemáticos era o verdadeiro desafio: mais que removê-los, era necessário comê-los, sugando a seiva e engolindo o veneno; jogar um fruto estragado no solo da vida é impensável, nunca se sabe o que pode germinar.

*

Morte: primeiro ato

Mesmo a contragosto, Karina matriculou o filho na escola.

– A gente precisa deixar ele crescer, pô! – a voz de Leandro saía abafada. Talvez o homem questionasse as próprias palavras. – Até hoje mantivemos o menino preso em casa, mas uma hora ele vai descobrir a vida, e o impacto vai ser maior, querida, cê sabe.

– Ele é muito frágil. Você sabe que o Benício não sabe lidar com as situações. E se as crianças tirarem sarro dele? E se ele tiver uma crise no meio da classe? Lê, a gente precisa proteger ele. Vamos ficar com ele aqui em casa, a gente mesmo vai ensinando umas coisas pra ele – chorosa, a mãe se agarrava a falsas esperanças.

 

Morte: segundo ato

As cinzas eram cada vez mais constantes, agora que o garoto abandonara o seio do lar. Esvoaçavam constantemente ao seu redor, bailando ao vento, numa imitação perfeita da neve – como se o mundo todo queimasse em chamas, fazendo chover suas cinzas e perturbando a fina camada da realidade. Benício observava a podridão desse mundo que se desintegrava rapidamente ao seu redor.

 

Quando as brumas
incendeiam-se violentamente,
e a chuva de cinzas
escorre em lágrimas pelo mundo retorcido;

É tempo de morte
para que a vida espalhe seu manto.

 

O franzino garoto ouvia súplicas de desconhecidos em vozes desesperadas, e via seus rostos por todo lado; gritos sufocados, sofrimento e dores. Seguindo esses rastros, localizava agressores em suas viagens etéreas, enquanto seu corpo físico retorcia. Assassinos, estupradores, corruptos. Adentrava o jardim, encarando os ventos da violência. Os céus, acima da grande árvore, tingidos de magenta e vermelho, ruminavam a queda dos frutos envenenados com raios e tempestades.

Indiferente a tais ameaças, o garoto, caminhava decidido em direção aos frutos fétidos. Estendendo os longos braços, utilizava os dedos finos e cumpridos para retirá-los do galho. Ao mastigar o asqueroso alimento, Benício ouvia um gemido longo e fúnebre, sentindo morte e vida entrelaçarem-se em seu âmago, enquanto a seiva tóxica escorria por sua garganta.

 

Morte: terceiro ato

Martins gargalhava. Em seu escritório no décimo sétimo andar de um prédio comercial de luxo, milhões de dólares misturavam-se às prostitutas que dançavam provocantes sobre a mesa. O notebook jazia destruído ao chão, empapado pelo sangue dos incontáveis corpos desfalecidos.

– Filhos da puta! E agora, quem é o dono dessa porra? Há-há-há! – o homem gritava, alucinado, encarando pela janela a insignificância do mundo abaixo. Tinha a seus pés os corpos de todos os possíveis adversários. Agora, toda a rede de prostituição e drogas do sul do Paraná estava concentrada nas mãos de um único homem. – Eu sou um DEUS, porra!

Parou de súbito. Levando as mãos à garganta, engasgou-se. A gargalhada morreu, dando lugar a um acesso de tosse que lutava contra o afogamento. Sentia as entranhas retorcerem-se, enquanto algo dentro de si era sugado, mastigado, destruído. Numa luta furiosa, contorceu-se no chão, nadando no sangue dos desafetos. Seu próprio sangue agora jorrava pela boca e demais orifícios, misturando-se à poça vermelho-vivo. No fim, aliados e inimigos formavam uma única poça de fluidos e carne.

Esbugalhados, os olhos de Martins testemunharam a travessia, seu brilho sumindo no remoto do tempo.

Os atônitos legistas teriam mais uma das bizarras mortes recentes para lidar.

 

Morte: ato final

Em espasmos violentos, Benício debatia-se em uma poça de seu próprio vômito, no corredor da escola.

Respirando com dificuldade, vislumbrava a grande árvore tremulando na tormenta. Seus galhos ensaiavam convites, e um sussurro inumano acalmava seu coração: “é hora de vida”.

A enfermeira da escola tentava, inutilmente, reanimar a criança, enquanto os colegas choravam copiosamente e gritavam coisas incompreensíveis.

Enquanto abraçava o tronco da árvore da vida, pronto para a ela retornar, Benício relembrava os incríveis feitos de sua curta existência. Olhando ao redor, avistou todas as sementes que plantara germinarem simultaneamente, abrigando, em si, o potencial de infinitas vidas. Na morte, sua vida apenas começava.

 

No ciclo infindável
que é a natureza da vida,
um fruto que cai
adubando o solo
Se torna a raiz da eternidade
de infinitas existências.

 

Nascimento

[…]

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40 comentários em “A árvore da vida (Viveirista)

  1. Juliana Calafange
    16 de dezembro de 2017

    Mais um conto extremamente criativo neste desafio! O eterno ciclo da vida, da Natureza, a grande Mãe, que nutre e semeia, e também mata e decompõe. Muito bacana a sua premissa.
    Mas achei o texto meio confuso, emaranhado. O início, apesar de trazer imagens muito belas e poéticas, me pareceu um pouco descritivo demais.
    E fica muito estranho, quando abruptamente vc apresenta o pai e a mãe, com apenas duas frases, na parte ‘Morte: primeiro ato’. Pra mim, ali podia ser um ponto de maior conexão com o leitor, no sentido de trazer um pouco mais pra realidade as consequências, ou os reflexos, daquele mundo espiritual vivenciado pelo Benício. Quantas angustias aqueles pais devem ter sentido, por não compreender a real natureza daquele filho ‘diferente’? Senti falta dessa conexão com a realidade ao longo de todo o texto.
    Também me pareceu desconexa a parte do Martins. O personagem me pareceu jogado ali aleatoriamente. Pensei, quem é esse cara, de onde ele veio? Entendi q vc quis dar um exemplo do que Benício fazia com os ‘frutos podres’, mas achei q vc podia ter escolhido um exemplo melhor, menos desligado da trama. Talvez alguém da escola.
    No final, quando ele passa mal no corredor, também. Achei muito desconexa a realidade, dos colegas chorando e a enfermeira tentando reanima-lo, com o Benício no outro mundo, agarrado ao tronco da árvore. Dá a impressão de que esse menino não tinha qualquer relação com o q acontecia na vida real, que vivia o tempo todo nesse mundo paralelo. E, se fosse assim, como ele poderia frequentar uma escola, se relacionar com pessoas? Sabe, eu acho q o que faltou no seu conto foi um link um pouco mais forte entre o mundo do espírito e o da matéria na vida desse menino. Como aquele tal ‘fio de prata’, sabe?
    Enfim, é minha opinião. Boa sorte e parabéns!

  2. João Freitas
    15 de dezembro de 2017

    Olá Viveirista!

    Gostei do conto, foi uma leitura aprazível, e a história está muito criativa e foge aos padrões do esperado para uma história de superpoderes.
    A escrita é bonita, ainda que não seja totalmente fluída, e, opinião pessoal, a poesia não acrescentou muito à minha experiência de leitura.
    Ainda que não tenha muito a ver, o poder do Benício me fez lembrar um pouco o tal personagem do Green Mile que após curar os demais, expelia uma mancha negra a simbolizar o negrume da doença.
    Gosto de escrita redonda e adornada e nesse aspeto o seu conto é exímio. 🙂

    Obrigado por escrever. 🙂

  3. Amanda Gomez
    13 de dezembro de 2017

    Olá!

    Um conto muito interessante, cheio de alegorias, poesias e o que mais couber.

    A leitura em si não é muito fácil, tem que se desprender do fato de que terá quê ler com atenção dobrada, pra mim foi uma experiência muito boa.

    Gostei das metáforas, da forma como você juntou as peças, da imaginação mesmo que você depositou no seu texto.

    As imagens não ficaram muito boas na minha mente, mas sei que elas são, consegui imaginar a visão dele sobre as coisas, as pessoas como frutos.

    Mas eu senti falta do personagem, ele é muito ausente, não se sabe quase nada dele, ele é o que aparenta, um sopro, que pode se tornar uma ventania.

    O superpoder aqui é original, e o autor soube desenvolver ele de forma competente.

    Os poemas são belíssimos!

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  4. Givago Domingues Thimoti
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Viveirista!

    Tudo bem?

    Não tem muito o que falar. O conto está muito bem escrito, desde o enredo até as partes gramaticais.

    A única coisa negativa que destaco são os poemas, os quais quebraram o ritmo da leitura.

    Acredito que a escolha do nome do personagem principal foi muito feliz. Benício significa abençoado ou homem bom.

    Parabéns e boa sorte!

  5. Fheluany Nogueira
    13 de dezembro de 2017

    Superpoder: Ver as pessoas pela essência, sem máscaras, alimentar-se do mal e gerar outra vida com o bem restante. Conto adequado ao tema proposto.

    Enredo e criatividade: Título, pseudônimo, nome do protagonista (Benício significa “abençoado”, “homem bom”), versos e texto, tudo muito bem amarrado e justificado. A estruturação circular do texto também ficou muito pertinente, já que se relaciona ao ciclo da vida. A Árvore da Vida é quase um clichê em livros, contos, filmes, mas aqui é vista em um ângulo novo e interessante.

    Estilo e linguagem: Além dos versos, a escrita é bastante poética, pela escolha do vocabulário e construção frasal; como o assunto pede, já que o superpoder é desenvolvido como uma alegoria, numa sucessão de metáforas. A leitura exige bastante atenção e conhecimento filosófico, o que a torna difícil.

    Apreciação: Gostei muito da ideia e da execução. Parabéns pelo trabalho! Abraço.

  6. Thata Pereira
    13 de dezembro de 2017

    A escrita é tão linda que se torna um pouco difícil de ler. Isso não é uma crítica negativa, mas o conto pede bastante concentração. Ainda sobre a escrita, apenas uma escolha me incomodou (bastante): “comprimento anormalmente grande”, achei exagerado e mesmo que fosse mesmo essa intenção, achei exagerado além do normal. Comprimento anormal (que prefiro), ou grande comprimento soaria melhor para mim e passaria o recado.

    O conto me lembrou muito o primeiro episódio de uma série que nunca encontrei alguém que também assistiu rsrs’. Chama-se “Milagres entre o céu e o inferno”, que teve a primeira temporada transmitida uma vez no SBT. O primeiro episódio narra a história de um menino que tinha o poder de curar as pessoas doentes, mas morria aos poucos. Fazia muito tempo que não lembrava disso, foi uma boa lembrança.

    O conto também me remete a ideia das escolhas, de fazer o certo ou o que parece ser o certo. Aquela ideia clichê do “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Só gostaria de entender se os pais sabiam do dom do filho, li a parte do crescimento duas vezes, buscando a resposta, mas ou ela não está no conto ou me passou desapercebida.

    Enfim, uma associação que me tocou muito enquanto lia o conto é que acho que um pouco da gente sempre “morre” quando conseguimos perceber algum aspecto de alguém ou de algo como verdadeiramente ele é. Perde-se o encanto da “casca” e algo em nós transforma-se.

    Parabéns!!

  7. Miquéias Dell'Orti
    12 de dezembro de 2017

    Oi,

    Caraca, que enredo criativo. Um garoto que tem o poder de, digamos acabar com o mal… comendo-o.

    A narrativa é muito bacana, tem um estilo particular e está bem delineada.

    A estrutura que você usou colaborou pro conto ter um ar poético que teve tudo a ver com a história, mas achei que o final saiu um pouco fora do ritmo da narrativa como um todo. A entrada do cafetão-mor não teria problema, mas acho que houve certo exagero por parte das suas realizações. Aquelas prostitutas todas dançando com dinheiro aos montes boiando em uma lagoa de sangue meio que destoou do clima que a história vinha apresentando.

    No mais, é um bom conto, com uma história muito bonita e tocante.

    Parabéns pelo trabalho.

  8. Catarina
    11 de dezembro de 2017

    Um texto de extrema delicadeza e com imagens bem fixadas.
    Encontrei alguns tempos verbais estranhos, mas nada que tenha prejudicado a trama.
    Os poemas, embora belos e pertinentes ao enredo, não me caíram bem. Parece que tirou a velocidade da prosa.
    A noção de eterno ciclo da vida ficou cult e elegante.

  9. Hércules Barbosa
    11 de dezembro de 2017

    Saudações

    Achei a trama de Benício bem desenvolvida. à medida que fui lendo, ele me lembrou o personagem Jake Chambers, da clássica série “A Torre Negra”, de Stephen King, só que no caso de Benício ele tem um “tempero” gótico em sua composição. Esse tratamento que ele dispensa sobre vida após a morte, embora já trabalhado por outros autores, é um campo rico de criação. A capacidade de Benício em enxergar como as pessoas realmente são me fez lembrar de Oscar Wilde com “O retrato de Dorian Gray”, aonde a pintura retratando Dorian revelava a monstruosidade da alma envolta ao corpo sempre jovem de Dorian. O final do texto termina de maneira poética (Aliás, recurso bem utilizado ao longo do trabalho) com a morte sendo o início da vida. Não sei se foi influência, mas sendo foi bem utilizada, o trecho que narra Benício se alimentando dos frutos podres da árvore da vida me fez lembra também de como os antigos Egípcios, exímios observadores do comportamento animal, retratavam o inseto Escaravelho, inseto que deposita seus ovos em fezes ou em corpos em decomposição, para que a partir deles se alimentem: a morte gerando a vida

    Parabéns pelo trabalho

  10. angst447
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Viveirista, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso e muita habilidade.
    A linguagem empregada é clara, mas ao mesmo tempo revela um tom poético que muitas vezes pode não agradar a todos os leitores.
    Ritmo muito bom devido à ótima caracterização de Benício e descrição de sua vida/morte. As divisões do texto e os poemas não me incomodaram, pelo contrário, trouxeram leveza à narrativa.
    A metáfora da árvore, com seus galhos, raízes e frutos, funcionou bem. Os frutos podres, caídos, ao invés de servirem de alimentos para vermes e fertilizante para o solo, tornaram-se inevitável veneno para Benício.
    O nome Benício significa “aquele que vai bem” , ou seja, alguém saudável. E apesar da palidez e convulsões, havia mesmo nele uma saúde maior que lhe permitia espalhar sementes do Bem.
    Boa sorte!

  11. Leo Jardim
    11 de dezembro de 2017

    # A árvore da vida (Viveirista)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – achei a trama meio truncada com esse monte de recortes
    – senti falta de algo mais concreto, a maioria das cenas ocorria no plano astral, acho que faltou maior relação entre o que acontecia lá e os reflexos aqui, como no caso do mafioso
    – sobre a cena do mafioso, ela ficou muito boa por demostrar as consequências dos atos etéreos do Benício, mas ficaria melhor se fosse menos desconectada da trama, tivesse, por exemplo, alguma relação com o passado do menino
    – acho que oq faltou, na minha opinião, foi um fio mais forte de história no mundo real, uma trama de coisas acontecendo em decorrência das outras…

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫):

    – muito boa, bem descrita, ótima ortografia e construções frasais
    – faltou, porém, nesse quesito, um melhor desenvolvimento do personagens: embora Benício fosse uma criança doente, em nenhum momento me apeguei a ele, acabei por ler a história toda observando ele de longe

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – um dom criativo

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de manipular a árvore da vida (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – uma ótima premissa e poder, mas um conto narrado com muita distância, não me deixou apegar ao personagem, reduzindo, assim, o impacto do fim

  12. Iolandinha Pinheiro
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Viveirista. Gostei do seu conto. Vc criou uma espécie de Jesus Cristo do Século XXI, perfeitamente inadaptado ao nosso mundo de disfarces. Um conto criativo, fora da curva, Seu herói escapa das nossas dimensões e vive num “mundo invertido) onde as coisas são o que são e não o que aparentam. No começo eu cheguei a pensar que o conto ia ficar só em uma autocontemplação, mas aí você nos surpreende com um desfecho impactantes que nos faz juntar todas as peças e formar uma estória plena de sentido. Antes de escrever o meu conto para o desafio até me ocorreu colocar Jesus como protagonista, ainda bem que não o fiz. O conto está adequado ao tema, a escrita não trouxe problemas, só tenho que dar parabéns. Abraços e sorte.

    • Iolandinha Pinheiro
      11 de dezembro de 2017

      Agora que eu vi o monte de erros no meu comentário. Desculpe. Desconsidere os erros e fique só com a ideia do que eu escrevi.

  13. Andre Brizola
    10 de dezembro de 2017

    Salve, Viveirista!

    Gostei muito da forma como você demonstrou o superpoder de Benício. Achei que toda a composição do “outro mundo” muito rica e interessante, desde a variedade de representações das essências até a descrição da árvore e seus frutos.
    O conto todo é permeado por um clima meio etéreo, se me permite tal comentário. E acho que foi uma decisão acertada ao inserir cenas do mundo físico ao redor de Benício, pois os contrastes funcionaram para deixar toda a relação do garoto com a árvore ainda mais estreita.
    Não achei, entretanto, que seja um texto de leitura fácil. Não é exatamente uma crítica, mas desde o início temos essa relação formada de Benício com a dramaticidade de sua vida, e isso é bem depressivo. A morte anunciada em vários atos contribui para isso.
    Agora, não gostei realmente de uma coisa. Benício é retratado desde o início como um ser que se relaciona diretamente com a vida em si. A via e escolheu tratar da árvore, eliminando os frutos que apodreciam, até mesmo se sacrificando no processo. Entretanto, Benício, ele mesmo, acabou causando a morte de diversas pessoas. Me pareceu algo taxativo, sem chance à redenção. Como uma espécie de anjo da morte direcionado à pessoas ruins. E, pra mim, isso me pareceu muito contraditório. É uma interpretação minha, talvez errada, mas que achei que prejudicou o conto.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Viveirista
      10 de dezembro de 2017

      André, bom dia!

      Tinha decidido nao responder os comentários antes do fim do desafio, mas achei seu comentário bastante pertinente e resolvi responder.

      Primeiro, obrigado pelo comentario!

      Sobre a questao de Benício matar as pessoas más, a ideia foi que ele apenas retirava o veneno da vida delas, dando oportunidade de um reinício “purificado” numa nova vida.

      É por isso que no fim, tem o trecho:

      “Enquanto abraçava o tronco da árvore da vida, pronto para a ela retornar, Benício relembrava os incríveis feitos de sua curta existência. Olhando ao redor, avistou todas as sementes que plantara germinarem simultaneamente, abrigando, em si, o potencial de infinitas vidas. Na morte, sua vida apenas começava.”

      Ou seja, a ideia nao eh de um Benício vingador, e sim restaurador da pureza da vida, mesmo (e principalmente) das pessoas más, que merecem uma nova chance. Talvez isso nao tenha ficado claro, e aí é falha minha.

      Um abraço!

  14. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Grande criatividade!
    Benício vivia entre dois mundos, o material e o espiritual. Tinha uma missão, diminuir (diminuir porque acho que nem mil Benício acabaria com ela totalmente) a podridão do mundo.
    Considero dentro do tema, sim. Ter o dom de arrancar o mal pela raiz (nesse caso arrancar o fruto podre da árvore) é um superpoder sim. E mais, ele tinha também o poder de ver as pessoas como elas eram realmente, suas almas, e não a casca que as mascara.
    Foi um texto lindo, gostoso de ler.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  15. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Viveirista!
    Amo poesia!
    De início, pensei ser um conto completamente diferente do que li.
    Sua imaginação foi bem além do que eu esperava.
    Confesso que não aprecio esse estilo, mas seu conto foi bem trabalhado, divisões pertinentes.
    Senti um choque muito grande entre todo o enredo e as palavras utilizadas no diálogo entre os pais.
    Achei muito criativo, mas confesso que, por diversas vezes, tive de reler alguns pequenos trechos.
    Continue escrevendo.
    É uma excelente arte!

  16. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Pensar na vida como um todo, uma espécie de aura coletiva onde, tudo aquilo que de bom e de ruim faz parte de uma única árvore, etérea e para a qual o bem e o mal causam reais consequências foi, no mínimo, algo extremamente criativo.

    Gostei do modo como o conto está estruturado e de como o(a) autor(a) conseguiu manter o mesmo ar etéreo na narrativa, na trama e até na imagem apresentada.

    Se pensarmos na vida como um ciclo, e é o que ela é, o renascimento após a morte deveria nos ser algo natural. Mas não é. Sofremos com a ideia de morte, ao passo que comemoramos o nascimento, a vida.

    A premissa criada pelo autor é muito boa. Temos aí, uma primeira ideia quase tão intangível quanto a proposta de trama. Um menino capaz de ver a vida em sua plenitude, com tudo o que ela tem de bom, assim como todos os seus “frutos podres”.

    A escolha dos frutos podres, como metáforas para o mal, confesso, fizeram-me refletir um pouco sobre as escolhas do(a) autor(a). Para uma árvore, um fruto que amadurece ao extremo, apodrece e cai, no entanto, isso não é algo ruim. Não para o vegetal. Talvez sim, se pensarmos no fruto como uma vida desperdiçada, não colhida ou comida. Mas, para a estrutura do vegetal em si, ao contrário, o fruto podre será justamente semente para novas gerações de plantas. Entendi, no entanto, exatamente onde o autor quis chegar. O mal é a praga que, obviamente, faz com que a árvore da vida adoeça. Uma ação de mal reflete no todo, no bem, na estrutura orgânica da “aura” da vida em si.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. Estela Goulart
    7 de dezembro de 2017

    Olá. Confesso que no início fiquei um pouco em dúvida a respeito do início do conto, mas isso é uma dificuldade minha, e creio que não tenha atrapalhado a compreensão dos leitores em geral. Sua história é ótima no quesito gramatical, e inova na parte teatral. Acredito que é um texto bastante filosófico e é uma boa leitura, faltando apenas alguns detalhes que você poderia abranger melhor. Parabéns e boa sorte, Viveirista.

  18. Arnaldo Lins
    7 de dezembro de 2017

    Lance de poesia misturado com teatro. Até bonito mas não é minha praia então fico só ns parte do jeito que foi escrito. Parece que o menino lá tava perdidaço e o mundo dele era mais no outro mesmo. Isso aí não combinou com o jeitão deprimido do cara. S sabia tudo que sabia pra que ser um chatonildo? Na gramática tudo beleza. O conto é legal só me dá meio que preguiça. Desculpa aí.

  19. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Viverista.

    Gostei do conto. Menino tem o poder de transitar pelo plano astral e de eliminar o mal antes que esse corrompa a Árvore da Vida.

    Interpretei com uma visão meio cristã: ele foi um mártir, que deu a vida por nós. A sua possível reencarnação dá a entender em algo de inspiração hinduísta ou espírita.

    O conto é bonito e não encontrei erros por revisar. Apenas na parte em que o traficante aparece o texto derrapou: ficou um bocado caricatural e pouco real. Eu reveria essa parte, pois destoa do restante do conto, que é muito bom.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  20. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Como num ciclo sem fim. Foi o que pensei quando cheguei ao final. Ele veio. Ele retorna para a árvore e, depois, ele vem novamente. E assim, purifica a realidade e o mundo espiritual. Esse é um superpoder muito intenso. Esse conto é muito bom. Gostei dele. Gostei de como construiu o personagem e o mostrou. A leitura é agradável, sem percalços. Não percebi erros de escrita ou de construção. A trama é simples, mas não simplória. As relações vão se construindo e nos deixando perceber de uma maneira mais impactante o personagem.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  21. Mariana
    3 de dezembro de 2017

    Que lindo conto!

    Benício, um menino com o poder de enxergar as pessoas: benção ou maldição? Ao ler o conto a comparação com Cristo, que entrega a sua vida pela humanidade, é latente. Pobre Benício, o bom menino que ingenuamente tentava nos proteger do mal. E que dá a sua vida pelo mundo, pela grande árvore. A história é realmente muito bonita e a escrita, poética sem ser piegas, ajuda muito. A estrutura circular, como uma roda do ka, está maravilhosa. Só me resta dar os parabéns pelo excelente conto

  22. Luis Guilherme
    3 de dezembro de 2017

    Tarrrrde, tudo bao por ai?

    Gostei do conto!

    Adoro poesia. A anorkinda vive me chamando pra participar da janela da poesia, mas infelizmente nunca consigo escrever nada. Acho poesia realmente um desafio, e te parabenizo por isso.

    Achei o enredo bem diferente! Nao esperava encontrar esse tipo de superpoder por aqui, e fui positivamente surpreendido.

    O conto tem um certo tom soturno que agradou na leitura. Imagino adaptado em imagem, como uma historia sombria, meio qhe encoberta com uma camada cinzenta.

    Gostei das descrições, dao uma profundidade ao conto e combinam com o tom melancólico .

    Concordo com alguns colegas que pediram mais profundidade na construção personagens secundarios, acho que agregaria valor ao todo.

    Enfim, belo e emotivo trabalho. Parabéns!!

  23. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    Um texto emocionante. A técnica de iniciar a narrativa com a frase que compõe o desfecho, o epílogo, aqui é utilizada com propriedade. Achei uma riqueza de criação do autor ao centrar a árvore da vida, o cuidado que se deve ter para eliminar os frutos podres, puro veneno. Benício veio ao mundo com a missão de purificar, tinha o superpoder de eliminar o mal, não permitir que o veneno contaminasse as pessoas, como se isso fosse possível. O enredo foi tratado de maneira poética, espiritualista. A capacidade de trabalhar com a morte, com a fragilidade da criança, com a experiência da vida, tudo foi muito suavizado, metaforicamente trabalhado. Texto muito criativo, inteligente, tocante, muito bem escrito. As imagens são poeticamente construídas.
    Parabéns, Viveirista!
    Boa sorte!

  24. Renata Rothstein
    2 de dezembro de 2017

    Olá, Viveirista!
    Seu conto é muito criativo, fico assim imaginando como você começou a desenvolver a ideia sobre um menino aparentemente estranho, mas cuja estranheza consistia justamente no poder de acessar a árvore da vida, cujos frutos, quando podres, deveriam ser eliminados, e mais, devorados pelo menino Benício.
    Vi muita poesia, muita beleza e tristeza, também.
    A descrição do ser verdadeiro, ou espiritual de Benício foi bem semelhante às formas descritas por pessoas que afirmam terem avistado seres extraterrestres, e também gostei bastante desse possível enfoque.
    Bom, sobre a escrita, acho que vi apenas uma vírgula a mais, ou seja, nada demais.
    Pontos que poderiam ter sido mais trabalhados, na minha humilde opinião:
    – a origem da família do menino, um perfil mais aprofundado dos pais do menino;
    – as razões para Benício sempre se manter calado: ele tinha noção de que era um ser “especial”? Não se preocupou com o que os pais sentiriam, já que ingerindo diuturnamente frutos podres o seu fim não poderia ser outro?
    São só observações 🙂
    Enfim, seu conto me emocionou, me envolveu, amei demais, parabéns e boa sorte!

  25. Ana Carolina Machado
    2 de dezembro de 2017

    Oiiii! Achei muito interessante e criativo o seu conto. Pelo que entendi os frutos ruins na árvore da vida eram as atitudes ruins das pessoas, isso explica aquela cena da morte do Martins, por isso ele sentiu como se algo dentro dele fosse sugado e mastigado. E esses frutos foram aos poucos envenenando o garoto. O
    conto teve vários momentos poéticos, principalmente no segundo ato da morte dele. Senti falta um pouco de saber mais sobre os pais do menino. Acho que a relação da mãe do Benício poderia ter sido um pouco melhor trabalhada, pois ela ficou muito em segundo plano. Poderia ter mostrado ela desconfiando que o filho poderia fazer parte de algo maior ou algo assim, pois pelo que entendi ela meio que suspeitava que algo poderia ocorrer com ele na escola, por isso talvez não quisesse que ele fosse. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  26. Paulo Ferreira
    1 de dezembro de 2017

    É um conto por demais alegórico, recheado de alusões metafísicas, no que concernem às citações da espiritualidade do personagem e tudo o que possa demonstrar fundamento religioso e espiritual nele, mas o autor cai em contradição no desenvolvimento do texto quando diz lá no início do conto, segundo este trecho: “Por algum motivo, o garoto gerava uma certa empatia em todos que o encontravam. Algo em seu jeito soturno causava uma atração irresistível aos adultos, que sempre procuravam ficar ao seu redor”. E mais adiante na fala de seus pais cita esta: “Até hoje mantivemos o menino preso em casa, mas uma hora ele vai descobrir a vida… Ele é muito frágil. Você sabe que o Benício não sabe lidar com as situações”. Ora, esse menino já era bastante experimentado com as coisas da vida. E ele conhecia o humano e a natureza, era um dom inerente em sua forma nata. Pelo que eu entendi, ele espiritualizava a matéria. Portanto, nada o assustaria. Estranho também ficou a cena do escritório, complicada de entender, me pareceu pouco fora do contexto, embora saiba que a intenção era sadomizar o sacro, se não me engano. As falas dos pais também me pareceram desconexas com o resto da escrita. A ver estas: “A gente precisa deixar ele crescer, pô!… O impacto vai ser maior, querida, cê sabe”. Entretanto o enredo é muito bem desenvolvido. Quanto à escrita não percebi erros graves, exceção as falas do pai.

  27. Priscila Pereira
    1 de dezembro de 2017

    Super poder: comer os frutos podres antes que contaminem toda a árvore da vida.

    Olá Viveirista, ei gostei bastante do seu conto!! Você além de contista é um poeta! Lindos versos, parabéns!!

    As descrições do outro “plano” ficaram ótimas, deu para imaginar bem esse mundo. Sua ideia foi ótima, uma criança que vê a verdadeira forma da vida e da morte e come os frutos podres, matando assim seus corpos e impedindo que espalhem mais violência e maldade. É um poder e tanto! Pena que ele teve que morrer!

    Está bem escrito, fluído, bem revisado, é inteligente e interessante. Parabéns pelo conto e muito boa sorte no desafio!

  28. Angelo Rodrigues
    30 de novembro de 2017

    Caro Viveirista

    Superpoder de comer a morte (e outros)
    Um texto poético que transita entre dois enredos: a árvore da vida e o comedor da morte.
    Acho que o texto, muito bom, precisa ser melhor trabalhado.
    A construção comparativa entre Morte: Terceiro Ato e Morte: Ato Final, criou uma subjetivação que pode ser revisitada pelo autor para criar mais clareza acerca do que ele pretendia dizer: o bem e o mal, o útil e o brutal, a doçura e a violência.

    Senti um degrau na passagem de nível entre essas duas ideias.

    Parabéns pelo conto.

  29. Felipe Rodrigues Araujo
    29 de novembro de 2017

    O começo do conto me deixou bastante entusiasmado. A criação deste garoto em que sensibilidade e monstruosidade caminham juntas, foi algo muito original e até mais interessante do que muita coisa aclamada por aí. Por outro lado, a parti do momento em a narrativa sai desta direção – a inserção esquemática do empresário e as descrições do plano idílico – o conto acabou perdendo um pouco da unidade, do brilho e do fôlego inicial.

  30. Fil Felix
    29 de novembro de 2017

    Boa noite! Um conto diferente, traz um garoto com o dom de supersentir tudo, de enxergar além, observar fisicamente aquilo que os olhos não veem, tudo numa grande alegoria que você colocou como a Árvore da Vida, a coisa do mundo astral, onde a essência das pessoas se mostram.

    Além da Árvore da Vida, de trazer o fruto do conhecimento do bem e do mal, das mazelas do mundo, há outras interpretações bíblicas, como o protagonista mártir, que morre pelos outros, que consome do mal para brotar o bem, da morte em três dias. Metaforicamente, são criações muito boas. Visualmente, o conto também merece destaque, com ótimas descrições, trazendo a questão do renascimento e do ciclo ao final, com as reticências. Muito bom.

    Sinto que o conto ficou um pouco confuso, mesmo com as divisões, por ser um assunto muito grande resumido, com cenas que surgem correndo, se atropelando. É o tipo de texto que exige mais calma, que o leitor vá construindo a imagem na sua cabeça, entrando neste mundo que propõe. Em relação ao tema, eu trataria mais como um conto espiritual do que poderes, mas é sua visão do desafio. Particularmente, não gostei do trecho com o traficante, senti que estava ouvindo um disco e de repente, vroum, deu uma travada no som, destoando da beleza. Como o colega de baixo comentou, talvez fosse mais interessante ser todo um conto sensorial, sem alguns diálogos como do pai com a mãe.

  31. Olisomar Pires
    29 de novembro de 2017

    Pontos positivos: o texto é uma poesia em andamento. Escrita boa e fluida. Belas imagens.

    Pontos negativos: os personagens comuns destoam muito do protagonista , o que seria natural dado o poder dele, mas me soaram distantes demais dos problemas físicos apresentados pelo ser de luz.

    Impressões pessoais: achei meio forçado a preocupação do médico do garoto e depois esse médico desaparecer da história sem mais.

    Sugestões pertinentes: seria interessante se o protagonista interagisse mais no plano físico, até mesmo se se sentisse seduzido pelos males dos encarnados. Outra ideia seria a inclusão de espíritos diabólicos atacando o garoto diretamente.

    E assim por diante: Belo texto, muito cativante e emotivo. Transportando-o numa metáfora, pode-se dizer que representa nossa luta contra as tentações (maus frutos). As quadras e seus versos são muito bonitos, gostei especialmente desse:

    “É tempo de morte
    para que a vida espalhe seu manto.”

    Parabéns.

  32. Pedro Paulo
    29 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Este conto trabalha a temática dos superpoderes enquanto criando uma história que se embasa na existência de um “estado de equilíbrio” para a vida, mais especificamente para o elemento da vida que escapa aos olhos humanos, aquele que se relaciona à alma, à verdadeira essência das pessoas. Intrinsecamente relacionado a isso, vemos o protagonista, o qual nos é trazido pelo autor como um cujo próprio nascimento é ligado ao limbo no qual é definido esse estado de equilíbrio para a vida, representado materialmente pela árvore.

    O poder da personagem é viajar para esse limbo e, mais do que isso, parece que desde o seu nascimento ele tem a missão de manter saudável a árvore da vida, alimentando-se dos frutos podres e sacrificando o próprio bem-estar, o que eventualmente implica em sua morte. No fim do conto dá a entender que a morte serve apenas como uma etapa para o renascimento. Desse modo, a ideia de uma árvore eterna que se renova fica implicada no protagonista que observamos do início ao fim, revelando o intuito do autor ao escrever o conto.

    A linguagem usada é direta, mas com descrições muito bem calculadas, evocando imagens que nos imergem na ambientação fantástica da história, de modo que possamos enxergar pelos olhos de Benício e assistir ao mundo místico que ele nasceu para ver.

    No entanto, há um porém. Enquanto o conto é escrito dentro do tema e o autor fez um bom trabalho em nos situar dentro do próprio “universo” no qual vive Benício, falta à história uma trama pela qual possamos seguir. Há sim uma história sendo contada, a que vai do nascimento à morte do protagonista, mas o autor se concentrou em nos contar essa história pela perspectiva da função de Benício enquanto intermediador do mundo “material” e do “limbo da árvore”, sem dar real atenção ao Benício como personagem, mesmo enfatizando o aspecto estranho do garoto (que implica em uma solidão silenciosa). Se o próprio protagonista não foi desenvolvido, os outros personagens praticamente não apareceram, que, dos citados, eu lembro de cinco: o doutor, o pai, a mãe, o traficante e a enfermeira. Todos esses aparecem apenas como instrumentos para levar a história de um ponto ao seguinte, de modo que quando lemos a conversa dos pais, ela destoa do que estávamos lendo antes. E, embora sirva para explicar a justiça que Benício conduz enquanto em controle do seu poder, a cena do traficante também destoa. Mais do que isso, tanto a cena dos pais como a cena do traficante contam com diálogos clichês e desnaturais (apesar de eu ter achado graça do pai falando que “um dia ele vai descobrir a vida”), cujo efeito negativo se sobressai dada a qualidade com a qual o resto do conto foi escrito.

    Eu consigo enxergar a trama, mas ela se apresenta mais como uma história sobre o poder da personagem do que sobre a personagem, o que seria melhor se pudéssemos ver um pouco mais de Benício para além da missão dele. Essa alternativa empobrece uma história na qual a ambientação é muito bem apresentada e poderia ter sido aproveitada melhor.

  33. Bianca Amaro
    29 de novembro de 2017

    Olá Viveirista, tudo bem? Foi um texto interessante. Talvez tenha sido um pouco confuso, mas é algo bonito de se ler. A linguagem que utilizou é ótima, dá a vontade de ler mais e mais. Além disso, é bem poético, e o modo que fala sobre a vida e a morte é interessante.
    Também gostei da parte em que disse como o garoto conseguia ver as pessoas, as enxergando por dentro. Corcéis adoráveis a monstros. É uma boa ideia.
    Foi um texto criativo, porém, acredito que está um pouco confuso.
    Dividir em “tópicos” foi uma boa ideia, assim sua história ficou mais organizada.
    É um bom texto, porém, ainda sinto que faltou alguma coisa.

  34. Antonio Stegues Batista
    28 de novembro de 2017

    A Arvore da Vida é uma parábola. A Vida como uma árvore, todos os seres como frutos. Numa árvore, como na Vida, há os bons e maus frutos. Benício é um espírito evoluído que come os maus fruto para proteger os outros, no mundo espiritual, ou astral. Há uma conexão com o mundo físico. Só não entendi porque ele veio ao mundo físico fazer a mesma coisa. A escrita é bem criativa, a estrutura bem legal, com os parágrafos com títulos e tal. Adequado ao tema, Benício com superpoderes. Um texto poético, sem dúvida, mas desconfio que algo não está bem nesse enredo.

  35. Susana Martinho
    28 de novembro de 2017

    “No ciclo infindável
    que é a natureza da vida,
    um fruto que cai
    adubando o solo
    Se torna a raiz da eternidade
    de infinitas existências.”

    Lindo! ❤

    • Viveirista
      29 de novembro de 2017

      Olá, Susana! Tudo bem? Que bom que gostou!

      Cliquei no seu perfil e fui redirecionado pro seu site. Gostei! Parabéns pelo trabalho.

      Abraço!

      • Susana Martinho
        29 de novembro de 2017

        🙂 Obrigada! Fico contente por saber. Também gostei muito do texto que comentei no teu blogue! Continuação de boas escritas. 🙂

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Informação

Publicado em 28 de novembro de 2017 por em Superpoderes.