EntreContos

Detox Literário.

A Incrível Capacidade de Regeneração de Alfred Gold (Alfred Gold)

A vida é um enorme tombo de um lugar bem alto.

Alfred Gold

 

Alfred Gold tinha uma incrível capacidade de se regenerar de danos físicos, e percebeu isso logo no início da vida. Quando criança, Alfred tinha por hábito andar descalço em meio aos cacos de louças estatuárias quebradas que havia em sua rua, transformada em local de despejos ilegais. Algo muito comum naquele tempo na Borough of Tower Hamlets, em Londres. Era um risco que gostava de correr, pois não ligava aos danos que pudesse sofrer nos pés, no corpo todo.

Em um dia particularmente quente, em meio a uma inconsequente partida de futebol com os amigos de ócio permanente, Alfred bateu com tanta força o seu dedão do pé direito contra uma estátua do Desconhecido Penitente feita por Damien Hirst que quase o decepou, tamanho o dano que sofreu. Logo chegou a dor, depois o inchaço e seu dedo ficou vermelho, púrpura, depois negro. Com isso chegou também a latejação, a purulência, e aquela unha sempre imunda, malcuidada e fedorenta, caiu de podre. Algum tempo depois, Alfred Gold tinha dois dedões do pé direito em seu pé direito. Era uma forma estranha — e um pouco inconveniente, ele admitia — de regeneração, mas tinha boas vantagens também. Um pouco mais adiante, seu dedo que também apodrecera, caiu como uma fruta e tudo voltou ao normal no pé de Alfred, com seu dedão do pé direito renascido no pé direito, completamente novo e livre para retornar às partidas de futebol de rua em meio aos cacos de louça despejados por Damien Hirst.

Seus pais, que não eram lá muito letrados, diziam que Alfred não valia sequer meia libra, dois pence e um xelim, que fora feito de 4/9 de ossos, 5/8 de carne e 3/7 de inconsequências. Obviamente essa última parte não era visível a quem o olhasse, embora na aparência o tornasse um pouco mais alto do que realmente era, tal como os ingleses que moravam nos arredores da Tower Hamlets.

Descoberta tal capacidade de regeneração, a vida de Alfred se tornou venturosa e completamente irresponsável. Seus desejos por desafios e ousadias perderam completamente o limite da temperança e da sensatez; nada lhe era impossível. Os riscos que gostava de correr nunca traziam a proteção necessária, e lá ia Alfred tentar algo inesperado e muito perigoso pela cidade.

No auge do entusiasmo, em parceria com um amigo bengalês, também morador da Tower Hamlets, saltou do décimo andar de um prédio na Whitechapel Road, bem sobre a Aldgate East Station. Tinham como paraquedas dois guarda-chuvas masculinos velhos, desbotados e frágeis pelo uso constante — como são comuns aos ingleses de tradição. A queda e o dano que se podia prever realmente vieram a acontecer: Alfred caiu sobre um enorme cinzeiro de louça, com três jardas e um pé de raio, feito por Damien Hirst, que passava naquele momento sobre um caminhão bem sob o prédio da Station, e se esborrachou completamente. Alfred esfacelou ao infinito suas pernas e seus braços, claro, como seria esperado que viesse a acontecer.

No hospital, quatro médicos indianos de turbante e barba lhe amputaram os quatro membros na esperança de salvá-lo. Alfred era, então, uma cabeça sem juízo e um tronco podado, um toco que ria sobre a cama enquanto esperava o tempo passar. Sabia que tudo acabaria por se resolver: cedo ou tarde teria suas pernas e seus braços de volta.

Quanto ao que aconteceu com seu amigo bengalês, pouco se tem certezas. Uns afirmam que seu guarda-chuva não se quebrou, que foi pego por uma corrente ascendente de ar quente, que tomou o rumo oés-noroeste e não chegou a cair, que flutuou levemente por sobre a velha Londres por algum tempo e foi acolhido pelo corvo albino gigante que tem ninho na Tower. Outros, mais realistas que os primeiros, não falam de ventos, corvos ou correntes de ar, dizem apenas que o venturoso bengalês caiu suave sobre um táxi clandestino e fez carreira nesse ramo de negócio.

Bem, por dois dias o corpo apequenado de Alfred boiou imóvel sobre a cama do hospital. Uma cabeça pequena e um tronco sem membros foi o que restou da queda e dos ajustes feitos pelos médicos sikhs que o atenderam. Ao final de uma semana, Alfred estava novamente de pé e pronto para novas aventuras, completamente restaurado, como se nada lhe houvesse ocorrido. Um espanto, sem dúvida: brotaram em seu corpo, nos lugares certos, quatro gravetos feitos de ossos e carnes que logo se transformaram em membros — eram pernas e braços — plenos de funcionalidade.

A vida de Alfred Gold seguia. Tornara-se um homem feito e tinha uma boa situação financeira que conseguia recolhendo as peças de arte quebradas jogadas em sua rua e vendendo-as posteriormente aos colecionadores americanos abastados que visitavam Londres em busca da boa arte.

Num dia de especial infortúnio, entretanto, quando visitava o Tate Modern, um tubarão em conserva exposto por Damien Hirst foi imprudentemente derrubado e Alfred Gold, sentindo-se tão devedor a Hirst, tentou amparar aquela obra para que ela não se quebrasse. Ficou todo arrebentado, moído da cabeça aos pés quando a peça, por fim, despencou sobre o seu corpo. Levado sob urgências aos mesmos médicos indianos que o atenderam no passado, Alfred Gold foi dado como caso perdido; era o que imaginavam. O peso da grandeza da obra de Hirst havia estourado seus órgãos internos, e lá se foram pro ralo o pâncreas, baço, fígado, estômago, rins e o mesentério. Fora esse o diagnóstico. Pura agonia: a morte era uma questão de tempo, disseram sem esperança os médicos indianos.

Ao cabo de pouquíssimo tempo, Alfred se duplicou inteiramente sobre a cama do hospital e seu antigo corpo, arruinado e morto, permaneceu ao seu lado por um dia inteiro, até que os médicos, aqueles, admirados com a incrível capacidade de regeneração que tinha Alfred, viessem a confirmar o magnífico fenômeno, recolher o seu duplo sem vida e o mandar ao crematório.

Só havia um problema com as constantes regenerações de Alfred, e disso ele não sabia: sempre que regenerava o corpo, perdia um pouco da sensatez que tinha, e dessa vez a coisa foi inesperada e fulminante. Sepultaram seu velho corpo morto e no dia seguinte Alfred Gold, inteiro e regenerado, veio a falecer em decorrência de gravíssima insuficiência de bom senso. Foi quando soube, naquele dia, que disso não conseguia se regenerar.

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34 comentários em “A Incrível Capacidade de Regeneração de Alfred Gold (Alfred Gold)

  1. angst447
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Alfred, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.
    Não encontrei lapsos de revisão. Na verdade, nem os procurei, mas creio que se existirem são de pouca importância.
    A narrativa baseia-se em uma ideia bem interessante e criativa. Só consegui pensar no rabo da lagartixa… e sua regeneração.
    Há um toque de humor no seu texto que traz leveza ao conto, mas o ritmo é um tanto arrastado em algumas passagens.
    O final deixou-me um tanto confusa. O sujeito cometeu algum ato insensato que o levou a óbito?
    Boa sorte!

  2. Juliana Calafange
    16 de dezembro de 2017

    Que incrível capacidade de divertir que vc tem! Um conto basicamente estruturado na ironia, e eu adoooooro! Dei muita risada com a sua glorificação do Hirst.
    Pensando no autor austríaco Alfred Gold, parece ter sido ele a sua inspiração, devido a sua incrível capacidade de se ‘adaptar’ às situações mais adversas da vida. É uma boa homenagem.
    Também cheguei a imaginar que seu protagonista pudesse ser aquele fotógrafo americano, e que ia arder nas chamas ou ser soterrado pelas cinzas do Hindenburg enquanto o fotografava.
    Mas a sua história acaba muito de repente. Esperava saber do futuro do nosso herói. E, quando estava mais animada pra saber disso… Vc acabou com ele por pura falta de bom senso! Coitado…
    Mais uma ironiazinha, como não podia deixar de ser, pra arrematar!
    Parabéns pelo conto!

  3. João Freitas
    15 de dezembro de 2017

    Olá Alfred Gold,

    Obrigado pelo conto, diverti-me imenso a lê-lo.
    O final, como uma boa punchline, atinge-nos em choque, sem estarmos à espera e isso causou um bom impacto.
    Não concordo em nada com outras críticas ao final demasiado abrupto. De outra forma não teria resultado tão bem!
    Não é um conto belo ou de escrita poética, é um conto muito direto e fácil de ler e que cumpre com o objetivo a que foi proposto.

    Muitos parabéns!

  4. Thata Pereira
    14 de dezembro de 2017

    Pô, que sacada legal. Achei a forma como o conto foi conduzido bastante interessante e até diferente. Não existe a preparação para um ápice final, que desperta aqueles sentimentos de emoção, empatia, descontração. Acho isso difícil de fazer, porque, na maioria das vezes, o autor quer despertar sentimentos para, através deles, fisgar o leitor. Confesso que são meus preferidos, mas gosto quando um conto tem a capacidade de ser bom sem nenhum reviravolta surpreendente ou esperada.

    Por isso, não achei o final corrido, como pode parecer para alguns. Para mim, enquadras-se perfeitamente na forma como todo o enredo foi conduzido. Tem um ar fantástico gostoso de ser lido, com a questão da regeneração e para imaginar o amigo sendo conduzido por guarda-chuva por uma corrente quente. Gostei muito da história do Alfred.

    As observações ficam por conta da rima da frase “Em um dia particularmente quente, em meio a uma inconsequente” e dos dois dedões do pé direito no pé direito.

    Parabéns!!

  5. Fheluany Nogueira
    14 de dezembro de 2017

    Superpoder: O poder de regeneração física – atende a proposta do Desafio.

    Enredo e criatividade: O texto traz um humor inglês, sutil, resultante da mistura do nonsense e situações mórbidas. Não houve um conflito a ser solucionado, mas o protagonista e o seu superpoder foram bem construídos. A ambientação inglesa, com repetição de nomes de ruas, e o foco exagerado nas obras de Damien Hirst ficaram meio forçados. O desfecho ficou apressado, não houve dicas anteriores da degeneração mental do Alfred, a não ser a pouca importância que ele dava aos seus acidentes, assim sua morte foi inesperada. Devido ao título e ao pseudônimo, imaginei que o texto fosse em primeira pessoa.

    Estilo e linguagem: simples e claros, sem deslizes gramaticais importantes. Incomodaram-me algumas frases confusas, rimas e repetições, acredito que para efeito cômico, porém travaram a leitura e a interpretação do texto: “dois dedões do pé direito em seu pé direito”; “com seu dedão do pé direito renascido no pé direito”.

    Apreciação:

    Gostei muito da premissa, apesar de não ser novidade. Há muitos personagens inspirados no rabo da lagartixa, se bem que aqui cada regeneração narrada teve aspectos diferenciados. Parabéns pela participação! Abraços.

  6. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Gostei do conto. Rápido e certeiro, com umas citações legais de Londres. Ambienta a gente de maneira perfeita sem precisar ficar envolto em descrições cansativas. Gostei disso.

    Achei seu conto com uma forma de relato, meio como um crônica. Você tem um estilo bacana, rápido e direto.

    Curti esse final. Então, cada vez que se regenerava, ficava mais desvairado, mais debilitado mentalmente, até não ter mais volta.

    Parabéns pelo trabalho!

  7. Mariana
    12 de dezembro de 2017

    Olá, Douglas Adams! Hhahahahahahaha Que conto absurdo, no melhor sentido da coisa. O superpoder da regeneração, médicos indianos e táxis clandestinos. A minha única reclamação seria a de que o conto é curto e tal, mas um absurdo desses não poderia acabar de outro jeito. Parabéns e boa sorte no desafio

  8. Hércules Barbosa
    11 de dezembro de 2017

    Saudações Alfred

    Gostei do trabalho e entendo que o personagem criado era capaz de regenerar apena o seu corpo, não seu comportamento. Uma mensagem bacana de como há pessoas preocupadas em restaurar o que está apenas ao alcance dos olhos. Um ponto que achei que poderia ser melhor trabalhado é o final do texto, a causa morte de Alfred poderia ser insuficiência de bom senso faz a ideia ser boa, mas ela, no meu entender, precisa melhor ser desenvolvida para que possamos entender as consequências que as constantes regenerações corpóreas causam no bom senso de Alfred.

    Parabéns pelo trabalho e felicitações!

  9. Givago Domingues Thimoti
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Alfred Gold!

    A escrita é boa e o texto não tem muitos deslizes gramaticais. Esses são os pontos positivos do conto.

    O que me desagradou foi o final. A impressão que tive foi que pulei uma enorme parte do texto. Como assim toda vez que ele regenerava, ficava mais sem senso e daí Alfred morre do nada, velho e aparentemente senil? Ele regenerou tanto que envelheceu? Paradoxal, não?

    Para concluir, o final ficou muito sem sentido. Minha sugestão é remodelar essa conclusão.

    Peço perdão por uma crítica pesada demais, caso o autor ou autora achar que fui desmedido.

    Boa sorte!

  10. Catarina
    11 de dezembro de 2017

    O título e o pseudônimo me induziram a achar que a narrativa seria em primeira pessoa.
    Os poderes de Alfred são aterradores e isso ficou bem explicito com os dois dedões direitos. Ri muito aqui.
    Uma homenagem a Alfred Gold no mínimo exótica.
    Achei o fim abrupto e sem sentido. De que ele morreu se ele não morre? Enlouqueceu? Se ele endoidou como teve consciência de que sua mente não se regeneraria? Desculpe-me a ignorância, mas não entendi. Faleceu ou não? Gostos de finais abertos, mas acho que, neste caso, faltou nexo causal.

  11. Leo Jardim
    11 de dezembro de 2017

    # A Incrível Capacidade de Regeneração de Alfred Gold (Alfred Gold)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – a apresentação e construção do personagem foram bem feitas, assim como a demonstração de como seu poder funciona
    – a conclusão, porém, foi precipitada: em um parágrafo ele havia se recuperado de um grave acidente e no seguinte havia morrido
    – a morte foi bem corrida, parecendo uma forma do autor encerrar rapidamente o texto
    – faltou, também, uma trama em si, um conflito, algo que marcasse
    – o foco excessivo no artista ficou meio sem sentido

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – o texto é bom, sem erros que me incomodasse, mas achei algumas partes truncadas:
    – dois dedões do *pé direito* em seu *pé direito* (…) com seu dedão do *pé direito* renascido no *pé direito* (esse tipo de repetição trava o texto)
    – que passava naquele momento sobre um caminhão bem sob o prédio da Station (uma frase confusa)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – o poder não é dos novos, me lembrei bastante do Deadpool
    – mas o personagem e a ambientação londrina derem ares de novidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – regeneração (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – uma boa apresentação de poder e personagem, mas um encerramento simples e apressado reduziu bastante o impacto

  12. iolandinhapinheiro
    11 de dezembro de 2017

    Olha, gostei do teu conto. Lembrei de alguns contos non-sense do meu autor preferido, o Gabriel Garcia Márquez, Achei divertido que tudo no conto tivesse alguma influência das ações do Damien Hirst, você deve ser muito fã dele. Gostei do tom de comédia sutil que vc imprimiu à história do Alfred Gold. A irresponsabilidade do seu protagonista é carismática, embora ele não faça força alguma para agradar, ainda assim gostamos dele.

    As partes problemáticas são essa passagem aqui: “Em um dia particularmente quente, em meio a uma inconsequente partida de futebol com os amigos de ócio permanente, Alfred bateu com tanta força o seu dedão do pé direito contra uma estátua do Desconhecido Penitente feita por Damien Hirst” porque tem muitas palavras com o sufixo ENTE (particularmente, quente, Inconsequente, permanente, Penitente) e o final do texto.

    Eu estava adorando a sua história e de repente vraaaaaá, o cara morre. Não sei se foi o problema do limite de palavras ou faltou saco para suavizar, mas foi como se a bola de sorvete de creme que eu estava chupando caísse desgraçadamente no chão. Fiquei olhando seu conto acabado precocemente como se visse meu sorvete derretendo na calçada num dia de sol. Não gostei da sensação. É isso. Até agora o conto mais conquistador do desafio, o problema é que teu conto foi embora sem deixar o zap.

    • iolandinhapinheiro
      11 de dezembro de 2017

      Nonsense.

  13. Andre Brizola
    10 de dezembro de 2017

    Salve, Alfred!

    Achei que seu conto poderia facilmente se enquadrar como um dos sketches contidos em O Sentido da Vida, filme de 83 dos britânicos do Monty Python. O misto de absurdo com o humor negro me parece bastante montypythiano, e digo isso como um elogio, pois o humor daqueles ingleses é incomparável.
    Gostei das três cenas em que Alfred Gold acaba contundido, sobretudo a do futebol sobre os cacos de louça. São formas inteligentes de demonstrar a crescente falta de bom senso do personagem, que acabaria por matá-lo no fim.
    E, por falar em fim, me parece que esse foi o único deslize do conto. Ficou meio abrupto, meio deslocado. A última frase, inclusive, foi desnecessária. Como a opção foi por um fim “apressado”, aquela explicação final ficou destoante.
    Mas o fim não estraga o conto. Gostei bastante. É um enfoque legal sobre o tema do desafio e achei as incursões humorísticas bastante inteligentes e mordazes.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  14. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Alfred!
    Gostei muito do seu texto.
    Uma linguagem simples e clara.
    O poder de regeneração do dedão do pé, confesso que me pareceu engraçado. O dedão afetado cair depois do novo já ter nascido.
    A regeneração dos membros, crescerem depois de amputados.
    Por fim, todo seu corpo estar “duplo” até o velho se desfazer.
    Três formas diferentes de regeneração.
    Achei bem criativo.
    Parabéns!

  15. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    “Alfred Gold tinha dois dedões do pé direito em seu pé direito.” Eu ri nessa frase, imaginei dois dedões do pé direito no pé esquerdo.
    O texto parece mais um artigo irônico. Uma história absurda, mas dentro do tema proposto. O ponto alto do absurdo, em minha opinião, foi ele se duplicar em cima da cama do hospital e ficar o dia inteiro lado a lado. Valeu a leitura.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  16. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Tubarões têm a capacidade de regenerar sua dentição 100%. Talvez por isso você o traga como imagem, talvez, ao ilustrar a famosa e polêmica obra de Damien Hirst você faça ao leitor um convite para deslocar o foco de seu olhar, apreciando o protagonista como o estranhamento de quem vê(via) um exemplar de circo de horrores.

    Certamente o texto tem várias camadas e cada leitor entenderá o que leu de acordo com sua bagagem. No entanto, ainda que um jovem leitor desavisado leia seu conto, ainda que não esteja de posse da tal bagagem, ainda assim conseguirá apreciar o texto e sua história. Sua interessante trama sobre um homem que, ao passo que possuía a capacidade de se regenerar plenamente, perde, a cada nova chance que a vida lhe dá, a capacidade de discernir entre o que é ou não “saudável” para ele, colocando em risco a própria vida, não por uma, mas inúmeras vezes.

    O tom de humor utilizado na narrativa é muito bom e pertinente, aumentando ainda mais o bizarro tom de estranhamento.
    Ponto alto para a cena do dedão, com detalhes que dão ao leitor (ao menos para mim) a desagradável sensação de estar assistindo todas as etapas, como em uma experiência quase sensorial.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. Rafael Penha
    8 de dezembro de 2017

    Olá Alfred,

    Seu conto me parece uma crônica gostosa e bem humorada. Mas tem alguns problemas de ritmo.

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Algumas vírgulas fora do lugar me atrapalharam um pouco. Mas vou deixar para pessoas mais qualificadas corrigirem, mas nada mais me incomodou.

    3- Estilo – A história é contada como um “causo” com comicidade que realmente faz rir. Uma abordagem direta e sem muitos meandres.

    4- Roteiro; Narrativa – Segue bem e flui de maneira fácil. Mas em momentos a narrativa parece um pouco corrida e sem ritmo. Alguns nomes em inglês também me pareceram pouco naturais na descrição.

    Grande abraço!

  18. Estela Goulart
    7 de dezembro de 2017

    Olá, Alfred. Seu conto foi rápido, não enrolando muito desde o início ao fim. Percebi que você focou bastante no superpoder do personagem, o que não deixa ninguém negar acerca do desafio. No quesito gramatical está ok, porém, em relação à história, faltou um pouco mais do enredo que desse ainda mais a parte central da história. Foi uma sucessão de acontecimentos. Sobre a crítica no final, gostei bastante, bem criativa. Parabéns e boa sorte.

  19. Arnaldo Lins
    7 de dezembro de 2017

    Conto muito louco sobre um cara que se conserta as partes do corpo. Uma pegada meio surreal e escrito num ritmo legal. A coisa é meio parada porque conta a historia da vida do sujeito, ent]ão fica bem geralzão. Não saquei porque tinha que ser em outro país. Nunca ouvi falar do artista do texto, se esse tubarão da imagem for trabalho dele, vou conitnuar sem saber. Tentei puxar o conto pro lado escrachado e ficou melhor,, tipo um maluco que precisa de internação mas foi curado e voltou a viver na comunidade.

  20. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Alfred.

    Gostei do humor do conto, tudo é bem surreal e isso também casou bem com o enredo. Alfred (seu xará) tem o poder de crescer partes do corpo que foram danificadas.

    As peripécias do rapaz foram divertidas, em especial o salto com guarda-chuvas, o amigo que virou motorista de táxi, os médicos sikhs, etc.

    Apenas o final pareceu-me um arremate apressado. Teria preferido uma história mais completa com uma personagem tão interessante quanto Alfred Gold.

    Quanto à escrita, ela foi bem correta e não notei acertos a apontar.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  21. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Eu gostei da leitura. Ela é rápida. O conto está bem escrito. Esse superpoder me fez lembrar as lagartixas e a leitura me remeteu a Joseph Climber… A vida é uma caixinha de surpresas. #sóquenão para esse conto ou quase isso. Imaginava que chegaria ao final do conto com um final surpreendente, porque ao longo da leitura eu ri, com o sujeito que se foi com o guarda-chuva, com os médicos indianos, com as obras de Hirst, mas não aconteceu. Aquela frase final meio que esfriou. Gorou as minhas expectativas. Eu sei, deve ter algum significado, mas o final me decepcionou. Gostei da construção do personagem, porém queria ter lido uma trama mais impactante.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    Alfred Gold traz o superpoder de regeneração corporal, era um homem-lagartixa. Uma narrativa levada pelo labirinto da loucura com humor. Texto bem escrito, leitura só não foi totalmente prazerosa por causa das descrições das “partes mortas” aguardando ao lado das “partes brotadas”. Credo! Tão irreal quanto fantasiosa. Escrita fluente, sem embaraço. Antes de tudo, participar de um desafio como este, com esta mescla de enfoques, de colegas de universo tão multifacetado, é uma fonte de saber. Fui pesquisar sobre Damien Hirst. Não o conhecia. A ideia central do conto é sensacional, extremamente criativa.
    Parabéns, Alfred Gold!
    Boa sorte!

  23. Luis Guilherme
    3 de dezembro de 2017

    Ola, Alfred, td bao??

    Seu conto eh bom, mas achei que o superpoder acabou atrapalhando um pouco. Meu comentário parece maluco, entao vamos explixar melhor:

    Achei que voce acabou focando demais no superpoder e acabou nao estruturando um enredo pra que ele se desenvolvesse, sabe?

    Quer dizer, a capacidade de regeneração está ali, mas nao temos um enredo propriamente dito, e sim uma sucessão de situações em que ele se manifesta.

    Faltou algum tipo de envolvimento, pessoas proximas, familiares, uma historia principal pela qual o poder fosse revelado.

    Por exemplo: o menino se regenara no hospital e os médicos nao fazem nada? No minimo ele iria pra um laboratorio ser estudado hahaha.

    Por outro lado, a escrita eh competente, tem boas descrições e uma mensagem legal. Nem mesmo alguem com superpoderes vai se dar bem se nao tiver os pés no chão, neh?

    Enfim, eh um bom conto, mas q tinha potencial pra mais. Achei q a falta de um enredo, uma linha de desenvolvimento, prejudicou um pouco.

    Parabens e boa sorte!

  24. Priscila Pereira
    3 de dezembro de 2017

    Super poder: regeneração
    Oi Alfred, eu gostei do seu conto. Não peguei o sentido total do texto por não conhecer o tal artista citado, que percebi ser real lendo os outros comentários. As citações a lugares londrinos não ajudou na ambientação, para mim. O texto tem um tom de humor satírico bem interessante, está bem escrito, bem revisado e de leitura fácil. Gostei especialmente do final, acho que você quis salientar que pra tudo ma vida da-se um jeito, menos para a falta de sensatez e bom senso. Muito sábio! Parabéns e boa sorte!!

  25. Renata Rothstein
    2 de dezembro de 2017

    Hi, Alfred Gold!
    Olha, seu conto é ágil, a leitura flui sem mistérios e sem esforços (apesar de não ter entendido bem a historia se passar na Inglaterra. Há uma razão para tal? Se for gosto, okay. Se n, também okay).
    Só observando mesmo.
    Bom, o pobre do Alfred e seu super poder, ou seria um super pHoder? hahaha realmente, não sei, porque o pobre se viu em muitos apuros devido a esse tal poder.
    Mas acho que é por aí, todo super traz consequências, muitas vezes desagradáveis.
    E eis que depois de tanta desgraça, os 3/7 de inconsequências o levaram à morte.
    Gostei da frase do Alfred logo no início do conto, de certa forma explica todo o resto.
    Meus parabéns e boa sorte no desafio!

  26. Pedro Paulo
    1 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Vou começar a considerar a história pelo seu desfecho. É uma conclusão engraçada para um conto que desde o início visa traçar uma trajetória absurda, mas congruente com o que a personagem que é proposta e a maneira como é escrita. A morte por “gravíssima insuficiência de bom senso” realmente dispensa maiores explicações, uma vez que já conhecemos as peripécias de Alfred.

    No entanto, este conto traz um problema que vi no segundo envio do desafio. Há uma preocupação exacerbada em situar o leitor dentro do poder da personagem, ocupando parte do espaço com uma narrativa que nos mostra as situações em que a personagem usou o poder. Enquanto no conto “A Árvore da Vida” isso realmente se faz necessário, aqui já não é o caso, dado que o poder é bem fácil de compreender. Desse modo, boa parte do que se lê são episódios bizarros de Alfred se aproveitando do seu poder, sem um aprofundamento em coisas que seriam interessantes ver, como uma cena mais detalhada dele mais o amigo que se atirou do prédio. Ou dele com os médicos do hospital, quando começou a se regenerar. Aposto que daria uma história engraçada. Infelizmente, a estratégia de nos apresentar Alfred apesar dos acontecimentos esporádicos de sua vida não funcionou e tornou a leitura insossa.

    Não gosto de dar palpite em como o enredo deve ser levado, mas aqui não há uma trama específica. O mais próximo que chegamos a ver é ao final, quando descobrimos que a sensatez de Alfred se esvai a cada regeneração. Sabendo disso no início, a história teria sido lida de outra forma, com uma expectativa crescente em uma direção específica: até onde a insensatez vai chegar. Fazendo isso, o autor ainda não perderia a oportunidade de escrever de modo satírico.

  27. Fil Felix
    1 de dezembro de 2017

    Boa noite! Há algo no conto que sinto estar meio fora da curva, como se a ideia veio e já escreveu, finalizou e pronto, sem tempo de macerar, desenvolver melhor, ficando um pouco corrida. O Damien Hirst está entre os artistas contemporâneos mais ricos do mundo, essa obra do tubarão é super famosa, chegando a inspirar histórias como do filme A Cela (a cena do cavalo repartido), mas a insistência em trazê-lo na leitura ficou um pouco estranha, não criando uma imagem (por ser um texto curto com muita informação) para que o leitor possa relacionar suas obras, que trata da coisa da morte (os animais mortos, repartidos, as caveiras) com a regeneração do protagonista (podendo associar ao efeito de conserva dessas obras).

    O superpoder é muito interessante, não traz uma cura, mas a regeneração que cria outro membro, lembrando o rabo da lagartixa. Me lembrou um episódio de Arquivo X, do Leonard Betts, que possui um poder semelhante, podendo se regenerar por completo, de dentro pra fora. A maneira como a história é contada também ficou boa, seguindo uma pegada “Peixe Grande” de causo, quase uma crônica, porém acho que poderia se estender mais. O final não curti tanto, por cair numa questão que o conto O Inventor também levanta, que é da cutucada moral nem um pouco discreta.

  28. Paulo Ferreira
    30 de novembro de 2017

    O conto, (ou uma piada?) é um tanto complicado, visto tratar de figuras, (das artes plásticas) nem tão conhecida do público em geral, tornando a escrita de difícil compreensão, afora isso o autor trabalha muito bem o gênero satírico a que se propõe, ao ridicularizar o estereótipo da condição humana. No entanto o enredo me passou a sensação de que o que ele queria dizer não acabou ainda, dando a impressão que o autor, como não tinha uma ideia pronta, deu por acabado logo que formulou um tanto de palavras. Deixando o dito pelo não dito, pois o conto parece mais uma piada de bêbado. Àquele tipo de piada que é curta, mas que o sujeito demora pra contar, enchendo o saco de todo mundo. Quanto à gramática não vi nada de grave que a desabonasse.

  29. Felipe Rodrigues
    30 de novembro de 2017

    Gostei do conto sem muitas explicações, um relato com um tom clássico e jornalistico, por vezes emulando demais o tom inglês- irônico do humor, mas pela loucura toda da história, não passou do ponto. Gostei da relação dele com as estátuas do tal Hirst, que são a sua forma de sobrevivência, Suá loucura e desgraça. A historia do amigo que cai sobre um táxi e assim entra no ramo me lembrou bastante os contos pitorescos do Wes Anderson.

  30. Bianca Amaro
    30 de novembro de 2017

    Olá! Tudo bem?
    É um texto interessante, usando o humor. Se adequou bem ao tema Superpoderes (poder de regeneração, como diz no título), porém achei que a ideia poderia ser mais bem aproveitada.
    Faltou trama. Acho que, ao escrever, você se emocionou muito, e se esqueceu de organizar suas ideias. Colocou algumas experiências que não encaixam tão bem entre si, na minha opinião.
    Boa escolha de imagem, achei legal colocar uma imagem que combina com uma parte específica e importante da história (nesse caso, a parte em que “um tubarão em conserva exposto por Damien Hirst foi imprudentemente derrubado e Alfred Gold, sentindo-se tão devedor a Hirst, tentou amparar aquela obra para que ela não se quebrasse”).
    Apesar de combinar com o texto, o título poderia ter sido mais criativo.
    Sinceramente, eu esperava mais do final. Apesar de ter sido criativo, foi um pouco confuso. Mas a última frase, “Foi quando soube, naquele dia, que disso não conseguia se regenerar”, foi muito boa. Porém, gostei muito de explicar o motivo dele fazer coisas tão arriscadas durante sua vida: sempre que regenerava o corpo, perdia um pouco da sensatez que tinha. Isso foi interessante.

    Apesar de existirem pontos negativos, é um texto legal. Parabéns pela história e, por favor, entenda que as críticas que dei são construtivas.

  31. Olisomar Pires
    30 de novembro de 2017

    Pontos positivos: escrita muito boa, envolvente, fluida. Um texto fácil de se ler.

    Pontos negativos: Damien Hirst foi citado muitas vezes, quase se pensa ser ele o protagonista ou o núcleo do enredo. Falando em enredo, nota-se a ausência de uma trama, o texto fica mais como uma crônica ou um testemunho.

    Impressões pessoais: O conto quer dizer algo, não sei o que seja, mas isso é limitação minha e o autor não tem culpa. Há um traço humorístico forte, beirando o nonsense. Ficou bom imaginar um louco.

    Sugestões pertinentes: Gostaria de ver no texto algo mais explícito sobre o seu sentido, até mesmo sobre a ausência dele, se for o caso.

    E assim por diante: ótimo texto, divertido e irônico pelas imagens evocadas em si. Humor negro-tétrico presente na convivência do membro ou corpo sadio ao lado de um membro ou corpo apodrecido..

    Parab[ens

  32. Angelo Rodrigues
    30 de novembro de 2017

    Caro Alfred Gold,

    Superpoder da regeneração física

    Conto que tem características de paródia com o comportamento dos ingleses com suas minúcias acerca dos sistemas métricos, monetários; de medidas em geral. Brinca com a fragilidade do mercado de arte quando insiste nas “fraudes” de Damien Hirst e dá a Gold o poder de regeneração dos ingleses, povo que se reconstrói ao longo dos séculos.
    “A vida é um enorme tombo…” e quantos já não foram tombados pelos ingleses?
    Vi no conto uma grande metáfora para a capacidade de se reconstruir, embora, sem a perda da sensatez, algo que não se deve perder.
    Vi no conto o que esperava acerca de um conto sobre superpoderes: humor.
    Não imagino que pudesse ser diferente.

    Parabéns pelo conto.

  33. Antonio Stegues Batista
    30 de novembro de 2017

    Quando você fala “naquela época”em relação a rua cheia de despejos ilegais, imaginei que fosse no seculo 17, 18 ou 19, no entanto Damien Hirst, artista plástico, nasceu em 1965 e esteve no auge da fama, na década de 90. Não foi muto tempo atrás, mas tive essa impressão, achando tratar-se de tempos antigos. O que acontece com Alfred são impressionantes, a regeneração do corpo, ou partes dele, como uma lagartixa que troca de rabo.Achei estranho a frase; “dedão do pé direito, renascido no dedão do pé direito”. Não precisava repetir, mas como a história é mais engraçada do que séria, acho que foi proposital. Para mim, escritor não tem pátria, ele pode situar suas histórias em qualquer parte do mundo. Mas essa passando em Londres, como ambientação, não foi grande coisa. O final ficou fraco, parece que você não tinha outra ideia e ficou essa mesmo. A escrita é boa, a ideia, enredo, idem, mas a história das regenerações de Alfred parece mais um conto de terror/rir, não muito sério. Boa sorte.

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Informação

Publicado em 29 de novembro de 2017 por em Superpoderes.