EntreContos

Detox Literário.

Novo Lar (Leonardo Jardim)

A fechadura velha, com a relutância típica dos anciões, resistiu o máximo que pôde, mas acabou cedendo. Estava, afinal, desacostumada a visitantes. A porta pesada também parecia querer evitar a entrada dos novos moradores. Estes, porém, alheios às vontades do imóvel, estavam felizes como somente recém-casados mudando-se para a casa nova são capazes de ficar. Tudo era novo e belo e a idade avançada do imóvel não seria um entrave – eles viam, na verdade, como um charme extra.

Um sobradinho escondido em Laranjeiras, um bairro de classe média alta. Mais uma dentre muitas construções seculares abandonadas e sem uso na cidade. Estava há muito emaranhada em processos inventariais e por isso não via moradores há bastante tempo. Carlos era advogado especializado em casos do tipo e usou sua experiência desatando os muitos nós apertados que o processo burocrático possuía. Fizera o trabalho com muito afinco desejando agradar Mariana, sua então noiva, que desde pequena sonhava morar ali. Depois de uma longa jornada, estavam finalmente mudando-se para a casa dos sonhos.

– Nossa, amor, nem acredito que esse dia chegou – ela comentou, sonhadora, ao observar a sala vazia.

– Sim, querida! – ele disse, e beijaram-se apaixonadamente. – Está feliz?

– Muito!!! – ela respondeu mostrando um sorriso que podia dividir com o Sol a tarefa de iluminar o mundo.

Executaram o trabalho de desempacotar coisas e guardar nos móveis por várias horas. Quando finalmente ficaram sozinhos, deixaram a felicidade tomar conta de seus corpos e amaram-se no chão da sala, pois muitas caixas ainda descansavam sobre a cama. Era um daqueles momentos de felicidade que ficaria marcado eternamente em suas curtas vidas.

Carlos levantou e resolveu tomar um banho. Mariana caminhou nua pela casa em busca da mala onde guardara sua camisola. O quarto ficava no segundo andar e achava que era para onde os homens da mudança a havia levado. Cada degrau da escada gemia como se sofresse com a pressão inesperada daqueles pés descalços. As paredes também reclamavam através do encanamento antigo. Logo após os lances, percebeu algo no teto: uma abertura que dava para o sótão. Um gotejar constante escorria pela fresta e empoçava no chão. Passou o dedo no líquido escuro e viscoso: era sangue.

– Carlos! – gritou assustada, mas ele não ouviu.

Mariana subiu em uma caixa ali perto e puxou a alça de abertura da portinhola. Precisou usar mais força que o esperado. No segundo puxão, o alçapão abriu e pedaços sangrentos de coisas mortas caíram sobre ela, derrubando-a no chão.

– Querida! – Carlos gritou subindo as escadas, enrolado numa toalha. – Você está bem?

– Não, não estou – ela respondeu, retirando, com repugnância, uma mão humana de cima do peito.

***

– Tome um pouco disso, querida, vai te fazer sentir melhor – Carlos ofereceu uma xícara fumegante.

– Eles já foram? – ela perguntou, aceitando a oferta.

– Já. – Ele hesitou por uns instantes. – Está tudo limpo.

– Ouvi eles dizendo que foi recente.

– No máximo uma semana.

– Será que foi um dos pedreiros?

– Pode ter sido.  Além de nós,  só eles tinham a chave – ele respondeu, abraçando-a carinhosamente. Ela manteve-se imóvel, contemplando o chá quente.

– Mas é uma casa muito antiga. Não sabemos quem entrava aqui antes de começarmos a reforma.

– Não se preocupe com isso, querida. – Ele levantou-se, retirou um maço de cigarro do bolso e acendeu um. – Vamos trocar todas as fechaduras. – Baforou para o ar ondas de nicotina recheadas de preocupação.

– Desde quando voltou a fumar? – Mariana inquiriu, assustada.

– Ah, querida, com toda essa situação, a vontade foi mais forte.

– Carlos, conversamos tanto sobre isso…

– Preciso desestressar – ele falou, chateado. – Não foi você quem ficou horas esfregando o assoalho para tirar as manchas de sangue!

– Não foi você quem tomou um banho de pedaços de gente! – ela gritou, furiosa. – Não quero ninguém fumando na minha casa!

– Puta que pariu, que merda! – ele berrou ainda mais alto e saiu batendo a porta. – Nossa casa – disse lá de fora. – Nossa casa.

***

O dia seguinte amanheceu chuvoso e cinzento como o ambiente daquele sobrado. Carlos  voltara bem tarde na noite anterior. Acabou se atrasando e precisou se arrumar às pressas. Mariana já havia acordado na hora que ele levantou, mas preferiu fingir que não – estava bastante abalada.

Quando o marido saiu, chovia forte e um vira-lata preto procurava abrigo na soleira da porta.

– Sai daqui, peste! – ele enxotou o animal e encarou a tempestade como um guerreiro medieval enfrentando as fileiras inimigas no campo de batalha.

Mariana preparou cuidadosamente seu café com leite desnatado e cortou um pedaço de bolo sem glúten. Lembrou com carinho a mãe preparando e embrulhando aquela iguaria fit.

– Não vai relaxar a alimentação, hein, filha – ela disse, com preocupação genuína. – Comida saudável salva vidas. Acredite em mim.

Levou a xícara e o bolo ao escritório ainda cheio de caixas no chão. Abriu uma, tirou uns papéis e os colocou na escrivaninha. Estava no último ano do curso de Arquitetura e Urbanismo. A faculdade se encontrava em recesso, mas ela queria formar logo para começar a ajudar com as despesas da casa nova.

Perdida em pensamentos, acabou lembrando do sótão e de seu conteúdo macabro. O que será que tem ali? Quem poderia entrar lá? Foi retirada de seus devaneios quando ouviu um uivo forte na rua. Abriu a porta e viu um vira-lata fugindo da via que começava a alagar. Gania e choramingava daquele jeito típico de cachorros em apuros.

Deu de comer ao seu novo amigo e o secou com umas mantas que foram usadas na mudança. Quando terminou, percebeu o quão sujo ele estava. Pegou o cão no colo, ainda embrulhado, e iniciou a subida das escadas. No meio do caminho, o animal começou a se debater e chorar.

– Calma, amiguinho, calma. – Ela o segurou mais forte. – Não precisa ter medo. Eu só quero o seu bem.

Quando chegou ao segundo andar, o animal ficou incontrolável. Acabou a arranhando e Mariana o deixou cair. O vira-lata levantou-se e olhou na direção da porta do sótão no teto. Rosnava e mantinha uma postura de combate, mas ela não pôde deixar de reparar que ele tremia e tinha pavor no olhar. Caminhou lentamente na direção do animal com objetivo de acalmá-lo, mas no segundo passo uma tábua antiga gemeu e ele se assustou, correndo destrambelhadamente escada abaixo.

Mariana olhou mais uma vez a abertura do sótão e sentiu as coisas girando. Viu-se menina olhando para aquele sobrado abandonado, sonhando entrar nele e desvendando mistérios ocultos. Aquela casa era o seu maior sonho. E também participava de seus piores pesadelos.

***

Acordou com uma dor muito forte na nuca. Havia desmaiado e não sabia quantas horas haviam passado, mas sentia fome. O vira-lata latia lá de baixo, como se perguntasse se ela estava bem ou a estivesse chamando para descer.

– O que tem ali em cima, amiguinho? – perguntou com voz rouca.

Quando desceu, o cachorro jogou-se sobre ela enchendo-a de lambidas.

– Estou bem, calma. Estou bem. – Acariciou atrás das orelhas para deleite do bichano. – Vou te dar banho amanhã… se a chuva diminuir.

Olhou pela janela e percebeu que um dilúvio ainda caía sobre a cidade.

– Do jeito que está alagado, não sei como o Carlos vai conseguir chegar em casa. – Acariciou o amigo. – Vai me fazer companhia, né? Você precisa de um nome… humm… Rocky, vou te chamar de Rocky.

O animal latiu em concordância e ela o abraçou.

***

Carlos chegou muito tarde, encharcado e irritado com o péssimo escoamento da cidade. Quando entrou em casa, percebeu que sua esposa dormia no pufe da sala abraçada ao vira-lata preto que o importunara de manhã.

– Era só o que me faltava! – ele esbravejou.

Mariana acordou, olhou o marido e começou a dizer, ainda sonada, o texto que havia ensaiado:

– Ele estava com frio, com fome, a rua começou a alagar…

– Querida, você sabe que não gosto de animais – ele interrompeu.

– Você tem chegado todo dia muito tarde do trabalho. – Ela continuou com o script, dessa vez com mais ênfase. – Existe um assassino que resolveu usar nosso sótão como depósito de corpos. Tem alguma coisa muito sinistra lá. Vou me sentir mais segura com ele aqui. – Parou de falar exibindo aquela expressão de quem deixava claro que não mudaria de opinião.

Uma miríade de respostas e argumentos circularam pela cabeça de Carlos. Pensou em tudo o que passou até conseguir aquela casa, nas coisas que teve que abandonar – cigarro, bebida, amigos – para conquistar a garota dos sonhos. Lembrou como foi difícil o dia anterior, fazer toda a mudança, assinar papéis, carregar caixas, guardar coisas. Depois do episódio macabro, teve que se livrar dos corpos, tratar toda a burocracia com legistas e policiais e ainda limpar cada gota de sangue que restara. A insatisfação contida por tudo isso ia se transformando em raiva.

De manhã, aquele maldito cachorro atrapalhara o início de um dos piores dias de sua vida. Uma chuva daquelas que transformavam uma cidade tropical num pantanal de lama. Chegar atrasado e encharcado ao escritório, ficar com as meias molhadas o dia inteiro, se perder em burocracias e papéis, enfrentar o trânsito infernal na volta do trabalho. Trafegar por centenas de metros com água barrenta suja de esgoto na altura do tornozelo, arriscando ser arrastado e cair num bueiro ou morrer de infecção ou eletrocutado. Isso tudo para chegar em casa e ver sua esposa, aquela por quem dedicara seus últimos anos, abraçada no sofá com aquele pulguento. A raiva se transformou em ódio e direcionou-se por completo em um único e óbvio alvo: o cachorro.

– Não – ele gritou. – Eu não quero um vira-lata pulguento na minha casa!

Puxou o animal pelo rabo e o arrastou no chão. Mariana, chorando e gritando, correu para impedi-lo. Rocky rosnava e tentava morder Carlos, mas ele respondia com chutes fortes.

– Você tá machucando ele! – a esposa gritou. – Larga!

O advogado arrastou o animal até a porta e a abriu para arremessá-lo na rua ainda alagada. Foi quando Mariana o acertou com uma almofada no rosto. Mesmo não machucando, o pegou desprevenido e ele acabou soltando o cão. O cachorro, furioso,  aproveitou a brecha e mordeu a perna do seu agressor com força.

– Rocky, solta! – Mariana gritou.

Ele soltou, mas o estrago havia sido grande: a calça de linho que já estava bastante suja de lama agora tingia-se de vermelho.

Um forte clarão iluminou as janelas, seguidas de um trovão ensurdecedor. No mesmo instante, as luzes da casa se apagaram.

– Viu o que esse monstro fez? – Na escuridão total e sangrando, Carlos choramingava de dor.

– Ele estava só se defendendo – ela respondeu, enquanto acariciava o novo amigo. – O único monstro nessa casa é você!

***

Carlos subiu resmungando e mancando em direção ao segundo piso. Pelo barulho do encanamento, conseguira chegar ao banheiro e tomava banho. Espero que não seja grave, ela pensava sobre a ferida. Levou Rocky até a área de serviço e, com auxílio da lanterna do celular, colocou um pouco de água e restos de comida para ele.

– Vai dormir aqui, tá? Fica bem quietinho que ele vai se acostumar com você – ela olhou na direção de onde ficava o banheiro,  mas viu apenas breu. – Ele não é má pessoa. Só está estressado.

Quando levantou-se, o cachorro ganiu, deixando bem claro que não queria ficar sozinho no escuro. Ela fez um pouco de carinho, mas acabou saindo e fechando a porta. Os ganidos ficaram mais altos, intercalados com latidos sentidos. É pro seu bem, querido.

Subiu as escadas, iluminando cada degrau com cuidado para não escorregar. Quando chegou ao segundo piso, sentiu curiosidade e lançou a luz do aparelho na portinhola do sótão. Ela ouviu um som. Como se alguém caminhasse lá em cima.

– Carlos – chamou, temerosa, mas ele não respondeu. Os canos ainda rugiam alto naquela escuridão.

Deve ser a chuva, uma goteira, algo assim. Mas depois ouviu um baque surdo, como alguma coisa caindo no chão. Arrastou uma caixa e subiu nela. Esticou o braço e conseguiu alcançar a alça de abertura. O celular era a única fonte de luz, intercalada com uns clarões esporádicos da tempestade. Rocky gania e latia a cada trovão. Quando começou a puxar, sentiu algo segurando seu outro braço. Gritou.

– Calma, querida, sou eu – ouviu antes de iluminar o marido.

– Ouvi um barulho lá em cima – ela apontou.

– Deve ser um gato. – Seu rosto parecia macabro naquela iluminação. – Não vamos nos arriscar subindo lá nessa escuridão. É perigoso.

***

Carlos saiu para trabalhar no dia seguinte e a luz ainda não havia voltado. A chuva deixara estragos em toda a cidade e a companhia de eletricidade devia estar tendo muito trabalho. A lama cobria as ruas e muitas árvores desabaram, dificultando os acessos.

Estava ela sozinha com o Rocky e tinha medo daquela casa, daquele sótão. Percebeu que o celular ainda possuía um pouco de bateria e decidiu ligar para a mãe.

– Mãe – ela disse, após os preâmbulos tradicionais –, uma vez, quando eu era pequena, a senhora me contou uma história sobre esse sobrado que estou morando, lembra?

– Ah, filha. Era uma daquelas histórias contadas para assustar crianças.

– Eu sei, mas era verdade?

– Por que está me perguntando isso agora?

– Nada não – Mariana respondeu, optando por evitar preocupações desnecessárias. – É um trabalho que estou fazendo. Lembra?

– Lembro, sim… não sei o motivo, mas você sempre gostou desse sobrado. Então eu te contei uma história que eu ouvi sobre ele…

– Um homem mau que trazia moças para cá… e matava elas, né?

– Acho que naquela época eu não falava “matava”… talvez “fazia maldades”…

– Sim, claro. Mas ele existiu?

– Ah, filha… é uma daquelas histórias que se contam por várias gerações… se ele existiu, foi há mais de cem anos… não… certeza… indo… – A ligação começou a falhar.

– A senhora sabe o nome dele? Mãe? – A bateria havia acabado.

***

Sem luz, celular ou internet, Mariana resolveu subir no sótão enquanto estava sol. Carlos chegava sempre muito tarde e ainda era Quarta-Feira, ela não conseguiria segurar a ansiedade até o fim de semana. Quando arrastou as caixas, Rocky começou a latir sem parar. Resolveu descer e deixar o cachorro solto, por segurança. Ele ficou ganindo na base da escada enquanto ela subia nas caixas.

– Fica tranquilo. Se eu precisar de você, eu grito.

A jovem esticou o braço, alcançou a alça da portinhola, forçou um pouco e a abriu. Não havia uma escada, mas ela conseguiu se segurar na beirada e, apoiando o joelho, terminou de subir. Estava muito quente lá em cima e a luz do sol entrava por pequenas frestas entre as telhas. O chão parecia barroso, uma mistura de poeira acumulada em muitos anos e a água da chuva do dia anterior. Percebeu, também, manchas de uma cor diferente. Vermelhas.

Desencaixou uma telha com cuidado para não quebrar, aumentando a luz que entrava. A mancha era, sem dúvida, de sangue. Provavelmente o sótão não fora limpo devidamente depois de encontrarem o corpo esquartejado que caíra sobre ela naquele dia. Parece que aconteceu há anos.

Caminhou, quase engatinhando, por mais alguns metros, em direção a um local onde várias caixas estavam empilhadas. Abriu algumas delas e eram, em sua maioria, restos de materiais de construção. Embaixo de todas essas pilhas havia uma coisa  diferente: um baú de madeira bem antigo. Enquanto ela tentava retirar as caixas, percebeu que Rocky latia ainda mais alto. Foi quando reparou num item que não esperava encontrar ali: um prendedor de cabelo em formato de flor. Ela tinha um parecido com aquele e ainda não havia encontrado nas malas. Deve ser da vítima. Qualquer loja tem um assim.

Restava apenas uma caixa para chegar ao baú. Enquanto tentava removê-la, acabou derrubando-a. Um estrondo se alastrou por todo o sótão. Quando os ecos diminuíram, percebeu que seu cachorro havia parado de latir.

– Rocky? – Ela olhou para trás e sentiu a presença de algo num dos cantos mais escuros. – É você, amiguinho?

Ou será um rato? Ela voltou sua atenção novamente para o baú, agora acessível. Forçou a tampa e conseguiu abri-la. Tossiu e espirrou com toda a poeira levantada. Dentro, encontrou uma faca grande muito antiga manchada de sangue. Parecia recente. Embaixo da arma, existia uma pilha de papéis amarelados. Pegou um deles. Era um recorte de jornal. “Açougueiro de Laranjeiras Ataca Novamente”, dizia a manchete. A data não estava totalmente visível, mas o ano era 1892. A foto de uma jovem ilustrava a capa, provavelmente a vítima. Leu a matéria: “tem por hábito cortar o corpo das mulheres em pedaços”. “A polícia suspeita que sua base de atividades fique no bairro de Laranjeiras”. Ouviu algo atrás de si. Olhou para ver o que era, mas a única coisa que viu foi a mais completa escuridão.

***

Quando abriu os olhos, a iluminação era bem fraca. A lanterna de um celular iluminava um canto do sótão. Carlos segurava o aparelho. Mas era o que ele via que realmente a surpreendeu: um corpo humano cortado em pedaços. Ao lado, no chão, uma marmita enrolada em pano de prato. Ela sentiu o cheiro do bolo sem glúten que tinha ali. Aproximou-se um pouco e viu um dos braços: reconheceu a pulseira.

– Seu mostro, você matou minha mãe!

– Querida, não fui eu… – as sombras deixavam seu rosto macabro.

– O que vai fazer comigo? – ela perguntou, choramingando.

– Vi o carro da sua mãe na entrada e não encontrei vocês duas. – As palavras fluíam inconstantes como num rio pedregoso. – Ela me mandou uma mensagem mais cedo preocupada contigo. Eu falei que a gente tava sem luz…

– Ela veio me visitar e você a matou! – ela chorava alto. – Por quê!?

– Já disse que não matei ninguém! – ele gritou, num tom convincente.

– Então quem foi? – Olhou ao redor. – O Açougueiro?

– Que açougueiro?

– Agora tudo faz sentido – ela ergueu as mãos, aproximando-as da luz e Carlos reparou que segurava uma faca. Das mãos e dos braços pingavam gotas de um líquido rubro. – Ele sempre me quis aqui.

– Ele quem? – Ela olhava para o marido de um jeito diferente de tudo o que já havia visto. Ainda era o rosto da esposa, mas parecia ser de uma desconhecida. Sua expressão era cruel. – Querida?

– Tudo faz sentido… – ela respetiu, sombria.

A mulher caminhou lentamente até ele, com a faca erguida. Fios de sangue ainda escorriam no cotovelo e pingavam no chão.

– Ele só matava mulheres, mas acho que posso incrementar o cardápio… – disse, sorrindo de forma febril.

– Mariana, você tá aí?

– Hahahahaha. Eu sou a Mariana, amor. Só que sem as todas aquelas amarras…

Carlos, que ainda mancava da mordida da véspera, começou a recuar em direção à portinhola. Ele olhou lá embaixo e viu Rocky latindo no térreo. Quando preparou-se para descer, a mulher saltou sobre ele. O advogado segurou o braço da esposa e acabaram rolando até a abertura. Quando estavam próximos da beirada, a mulher se aproveitou e o empurrou.

O marido não esperava e acabou caindo sem jeito. Sentiu a perna quebrar em uma dolorosa fratura exposta. Sem conseguir andar, ele tentou se arrastar até a escada. Ela desceu do sótão num pulo. Estavam a poucos metros um do outro.

Mariana caminhou lentamente até o marido e agachou ao seu lado. Ele chorava de dor. Já havia desistido de fugir.

– Vai doer bastante – ela disse, sorrindo. – Mas depois passa.

A mulher então forçou a faca no punho direito dele e começou a cortar os tendões e separar os ossos. Ele urrou. Rocky, que até então só gania na base da escada, decidiu intervir. Saltou sobre ela, mordendo com força o braço direito.

– Não, amiguinho, não era pra você fazer isso – ela disse, segurando-o no pelo. – Ele é o monstro mau, lembra? Não eu.

Trocou a faca de mão e cortou a garganta do animal. Rocky soltou um gemido de lamento antes do último suspiro de existência.

Carlos se aproveitou da distração e, num movimento possível apenas com uma forte dose de adrenalina de quem está prestes a morrer, saltou sobre a esposa e tirou-lhe a faca das mãos, utilizando a força do movimento para cravá-la no peito dela.

Mariana olhou o marido com olhos profundos como um fosso infernal e sorriu. Parecia feliz. Por um instante infinitesimal, Carlos viu um vislumbre daquela mulher por quem havia se apaixonado. Foi tão curto que ele ficou na dúvida se era real ou imaginação. No instante seguinte, qualquer sopro de vida que existira naquele corpo a havia abandonado de vez.

O cérebro racional dele começou a conjecturar formas de sobreviver àquilo. Tinha uma fratura exposta na perna, estava perdendo litros de sangue na mão semi-ampultada e com o celular perdido no sótão.

Enquanto se arrastava escada abaixo, o seu lado advogado analisava as consequências daqueles atos. Seria o principal suspeito de tudo o que ocorrera  ali: homicídios triplamente qualificados, crimes hediondos. Dada a repercussão, poderia ir a júri popular e provavelmente receberia a pena máxima.

– Você venceu, seu filho da puta! – ele disse, engasgando. – Você venceu…

E, em algum lugar no escuro do sótão, uma risada macabra ecoou.

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48 comentários em “Novo Lar (Leonardo Jardim)

  1. Pedro Luna
    11 de novembro de 2017

    O conto, apesar de bem escrito, apresenta falhas estruturais quanto aos alicerces dos personagens, suas motivações, coisas assim. Diante das histórias que a mãe contava, pq Mariana ia querer viver ali?, e de achar restos mortais na própria casa logo no primeiro dia nela, como diabos esse casal continuou nessa casa? Eu acho que esses detalhes tem mais importância do que se imagina para criar a trama.

    Além disso, aqui acho que houve o mesmo problema do conto A Perdição de Anton. A personagem vê coisas sinistras, acontecem coisas bizarras e ela parece não ligar.
    Ao acordar de um desmaio, olha pro cachorro e manda um:

    “-O que tem ali em cima, amiguinho?”

    Aí ficou difícil de me envolver. Gostei de como você demonstrou a vida do casal, sua rotina de amor e raiva que convivem juntos, mas na parte do terror faltou consistência.

  2. Anorkinda Neide
    11 de novembro de 2017

    Olá!
    Bem, eu não entendi 😦
    O fantasma do açougueiro se apossou da moça e matou a mãe e o cusquinho? pobrezinho… nao poupou o cachorro…
    o marido teria q morrer, pois no começo do conto vc disse q o casal teria uma vida bem curta… alias, vc disse q o sexo no chao da sala seria inesquecivel, mas na real, tiveram bem uns dois dias atribulados, para q se lembrassem do momento épico, nao é?
    Bem, toda a historia é um tanto truncada quanto à coerência dos acontecimentos, mas é uma historia boa, só precisa ser melhor trabalhada e para isso, é ir treinando e treinando mesmo até pegar o ponto.
    Abração e boa sorte!

  3. Renata Rothstein
    11 de novembro de 2017

    Sua escrita é boa, a leitura flui facilmente, gostei do seu conto.
    A história vale-se da assombração para compor os cenários, e apesar da narrativa ter ficado sem grandes explicações e um tanto quanto corrida no final, para mim é um dos melhores contos do Desafio.
    Boa sorte!

  4. Edinaldo Garcia
    11 de novembro de 2017

    Escrita: É excelente. Dinâmica, fluída, simples, faz com que as imagens saltem aos nossos olhos. Gosto muito de textos assim.

    Terror: É aquele velho chichezão (devo ter inventado essa palavra agora), no qual tudo já foi visto e utilizado, mas eu gosto muito quando bem feito e você soube fazer. Me lembrou uma enxurradas de filmes com o mesmo que eu gosto. Há, pelo menos um falso Jump Scares em:

    […] Mas depois ouviu um baque surdo, como alguma coisa caindo no chão. Arrastou uma caixa e subiu nela. Esticou o braço e conseguiu alcançar a alça de abertura. O celular era a única fonte de luz, intercalada com uns clarões esporádicos da tempestade. Rocky gania e latia a cada trovão. Quando começou a puxar, sentiu algo segurando seu outro braço. Gritou.
    – Calma, querida, sou eu – ouviu antes de iluminar o marido […]

    E ficou muito bem elaborado.
    Exemplos de cenas clichês que ficaram incrivelmente boas

    Ela olhou para trás e sentiu a presença de algo num dos cantos mais escuros. – É você, amiguinho?
    Ou será um rato?

    Ouviu algo atrás de si. Olhou para ver o que era, mas a única coisa que viu foi a mais completa escuridão.

    Como algo que parece vigiar a protagonista, vai perturbando o leitor, colocando aquela pulguinha atrás da orelha.

    Achei estranho estranho Carlos ter tomado banho sem energia elétrica num dia frio e chuvoso, mas enfim… há quem encare.

    A mãe ter ido visitar mediate à tempestade relatada e a morte muito apressada me incomodou também.

    Nível de interesse durante a leitura: Complete. Um excelente enredo envolvente.

    Língua Portuguesa: É muito boa. Obs: Bichano não é um termo para se referir a cachorros, mas sim a gatos.

    Veredito: É excelente conto terror, mas não é um texto que eu vou guardar na memória por muito tempo visto que não teve nada de novo.

  5. Rafael Penha
    9 de novembro de 2017

    Olá, autor.

    Muito bom conto. Mais uma vez, alguns clichês bem conhecidos são expostos aqui. O casal jovem, a casa mal assombrada.

    Os dois personagens são razoavelmente bem trabalhados. A narrativa vem num ritmo crescente empolgante que faz a sequencia final ser assustadora e eletrizante. Um ótimo Thriller.

    O final, me pareceu um pouco corrido, e poderia ter sido melhor detalhado, como a morte da mãe de mariana, que ficou muito mal contada. A história do assassino também foi colocada num recurso muito simples. Poderia ter sido permeada ao longo da narrativa, enriquecendo e dando mais verossimilhança.

    O final em aberto ficou interessante, mas achei um pouco esquisita a ultima frase do advogado, pois em nenhum momento ele demonstrou conhecer a história do assassino possuidor do corpo de sua mulher.

    Muito bom conto, boa sorte!

  6. Pedro Paulo
    9 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Em mais uma história sobre um lar amaldiçoado, temos, também mais uma vez, os personagens se mudando, então tendo que se adaptar ao lugar e, ao mesmo tempo, tendo que enfrentar a natureza sobrenatural da nova morada.

    Aqui, o desenrolar dos fatos sucede muito rapidamente e com uma virada abrupta. Em primeiro lugar, temos o casal apaixonado cujas tensões os dominam logo no primeiro dia de mudança, os empurrando para uma sucessão de brigas que vai os afastando cada vez mais, ele sempre para ir ao trabalho e ela em casa, suscetível à criatura que a espreita no sótão. Inclusive, a narrativa dá mais espaço à sua curiosidade pelo sótão, já ligando o destino da personagem a isto.

    Entremeio a isto, tem o caso dos restos mortais no sótão. O momento em que a descoberta acontece não é muito prestigiado pelo autor, com um corte para a cena seguinte que resolve a situação com o mesmo desinteresse, dizendo que os policiais e legistas estiveram no local. O caso passa a ser mais referenciado nas reflexões frustradas do marido e acaba ficando um pouco estranho que eles não tenham decidido por ceder o lugar a uma investigação mais profunda. Isto custaria à trama e à suspeita do casal, então talvez o melhor para a história fosse que eles encontrassem no sótão algo mais sucinto, como cabelos, não sei. Desse modo, a credibilidade da situação não seria ferida e permaneceriam as suspeitas.

    A possessão da menina também é mais abrupta. O recurso do corte de cena vem aqui mais uma vez de forma inoportuna. A transição cria um breve momento de confusão quando ela acorda com os pedaços da mãe ao lado, culpando o marido. É algo que dá para compreender em seguida, mas que poderia ser resolvido se ela não tivesse desmaiado anteriormente. Com o autor talvez narrando a sua possessão e ela ouvindo a chegada da mãe, poderíamos entender melhor sobre entidade que a domina e a cena seguinte não seria tão confusa.

    Ao fim, há ainda uma preocupação com o marido. Ele é inocente e a noiva está claramente fora de si, pronta para mata-lo. A essa altura já sabemos da história do assassino, mas ainda é um tanto superficial, ficando inexplicável porque ainda teriam restos mortais frescos no sótão já que a casa estava abandonada, a não ser que ele se manifestasse por outras pessoas e estivessem ocorrendo outros assassinatos, o que também acaba não sendo explorado. Muito pouco desta entidade é colocado à luz, para além da sua possível origem. Portanto, quando o marido morre e deixa suas últimas palavras para praguejar contra o fantasma, é bem estranho, pois entendi que até então o marido não tinha tido nenhum contato com o ser do sótão, encerrando o conto com uma ponta solta.

    É um conto bem linear, com a chegada de duas pessoas que se distanciam e ficam a mercê da maldade deste ser maligno que assombra a casa. Logo, isto os encaminha a um embate em que ambos morrem, restando o fantasma vitorioso. Portanto, há uma progressão de fatos, faltando coerência em alguns momentos, mas que encerra a história, faltando somente um recheio, uma construção maior do antagonista e um esforço menor em distanciar o casal, ainda que tenha sido crucial para as consequências finais da trama.

    • Pedro Paulo
      9 de novembro de 2017

      Último complemento. Eu acho que fui muito interventor, sugeri demais. Eu coloquei as minhas primeiras ideias que vieram à cabeça para sanar alguns momentos que achei problemáticos na história. Também não comentei sobre a ambientação da trama, para a qual a chuva empresta uma base sólida.

      Uma perguntinha. Essa Laranjeiras de que fala é em Sergipe, amigo?

  7. Daniel Reis
    7 de novembro de 2017

    Meu caro entrecontista: achei a sua história um excelente exercício de derivação de uma situação padrão: a casa mal assombrada, o casal que mora ali, o cachorro vira-lata. Me lembrou muito um filme que vi no Netflix esses dias, baseado numa história do Stephen King (Gerald´s Game –Jogo Perigoso). De qualquer forma, aprendi com sua história, ainda que não tenha me fascinado. Principalmente, como recomendação, acho que o final ficou precipitado, quase com pressa. De qualquer forma, sucesso e continue a escrever sempre.

  8. Fil Felix
    7 de novembro de 2017

    Boa noite! Até perto do fim, foi um dos melhores contos que li até agora. Mesmo com toda a trama em cima de algo super batido em histórias assim: a mudança pra uma casa nova e misteriosa, com coisas estranhas acontecendo. A atmosfera é muito boa e nos coloca ali dentro: os corpos descobertos, o barulho, a mudança de humor do marido, o cachorro que surge do nada, tudo pontos bem clássicos, mas que trabalharam a favor. Toda a sequência de quando a luz acaba e o marido sobe pra tomar banho foi excelente, gerou suspense e medo. Porém, do momento em que ela cai em diante, ficou um pouco confuso e corrido, sem tempo pro leitor associar o que estava acontecendo ali, com o final não fazendo jus ao restante do conto. Mas ficou muito bom, no geral.

  9. Marco Aurélio Saraiva
    6 de novembro de 2017

    =====TRAMA=====

    A entidade do Açougueiro vivia na casa, e ele acabou utilizando-se do corpo de Mariana para continuar os trabalhos que fazia desde 1800 e tantas. Sua primeira vítima enquanto controlava o corpo da garota foi a própria mãe da mesma.
    É uma boa história, que segue uma boa fórmula. Senti que algumas perguntas ficaram sem resposta: será que Mariana executava os crimes do açougueiro desde criança e por isso sempre fora atraída pela casa? No final Carlos balbucia um “você venceu”… (no clássico final de terror onde todo mundo se dá mal). O que isso quer dizer? Que ele já conhecia o tal do Açougueiro e estava em seu encalço? Afinal, eles só estavam ali há 3 dias…

    O sentimento geral da leitura do seu conto é de uma história em “fast-forward”. Tudo acontece muito rápido. Mariana fica um dia sozinha e já encontra um cachorro, já passa a amá-lo incondicionalmente (acima do próprio marido) e Rocky já passa a obedecer os seus comandos imediatamente. O casal se ama numa tarde, se odeia durante a noite, e se odeia mais ainda durante a noite seguinte.

    A adição de Rocky foi um truque antigo para utilizar-se do místico, já que os animais sempre têm maior sensibilidade a eventos sobrenaturais nestas histórias. Ele também serve como um dispositivo de roteiro para identificar vilões: primeiro, Carlos o ataca (agredir um cachorro é o signo universal de maldade), o que leva o leitor a achar que ele é o vilão da história. Era isso mesmo que você (autor(a)) desejava fazer o leitor pensar, já que sempre narrava a iluminação do seu rosto como “macabra”. Isso tudo, é claro, para tentar gerar alguma surpresa no final. Rocky acaba por identificar o vilão novamente na sequência final, quando ataca Mariana, já não sendo ela mesma.

    Infelizmente, a história é muito ampla e você não conseguiu desenvolvê-la bem no limite de palavras. Nenhum dos personagens está bem desenvolvido. Não vi o amor do casal, nem vi motivo para as suas brigas tão intensas. Os problemas começam no dia 1 da estadia deles na casa, e o conto termina no dia 3. No dia 1 eles se amam, e no dia 3 ela já acha que Carlos matou a sua própria mãe, sem nem pensar duas vezes! Nem Rocky é bem desenvolvido, aparecendo de sopetão na trama. O Açougueiro também poderia ser melhor apresentado, já que, no conto, ele surge “do nada”, como uma lembrança infantil que Mariana tem.

    Um detalhe: achei muito estranho Mariana sempre sonhar em morar naquela casa, mesmo depois de sua mãe ter contado para ela sobre o homem mal que morava lá e fazia “coisas ruins” com as meninas. Isso geralmente a assustaria. Mas se a minha teoria inicial está certa, O Açougueiro usava a garota desde a infância…

    =====TÉCNICA=====

    Seu estilo é simples, com uma leitura fluente e sem muitas interrupções. Você tem algumas sacadas muito boas, como as frases abaixo:

    “Era um daqueles momentos de felicidade que ficaria marcado eternamente em suas curtas vidas.”

    “Vamos trocar todas as fechaduras. – Baforou para o ar ondas de nicotina recheadas de preocupação.”

    Porém, o texto sofreu um bocado com a falta de revisão. Parece que você escreveu tudo em uma sentada só e que, no final, você já estava de saco cheio. O início do conto é feito com mais esmero, mais atenção nas descrições e até mais emoção. Conforme o conto vai chegando próximo do final, as descrições vão ficando mais rasas e os erros começam a aparecer exponencialmente:

    “O quarto ficava no segundo andar e achava que era para onde os homens da mudança a havia levado.” – Quase certeza que aqui é “haviam”

    “Mesmo não machucando, o pegou desprevenido…” – pegou-o

    “Só que sem as todas aquelas amarras…” – “as” ou “todas”, tem que escolher, rs rs rs.

    Avistei outros erros, mas não vou lista-los todos aqui. Outra coisa que notei foi o uso extenso de advérbios:

    “..e beijaram-se apaixonadamente…”
    “…correndo destrambelhadamente escada abaixo.” – essa foi braba.

    Por fim, as descrições no final, como citei acima, ficaram mais rasas. Compare este magnífico parágrafo inicial:

    “A fechadura velha, com a relutância típica dos anciões, resistiu o máximo que pôde, mas acabou cedendo. Estava, afinal, desacostumada a visitantes. A porta pesada também parecia querer evitar a entrada dos novos moradores. ”

    Com estas descrições da metade pro final:

    “Gania e choramingava daquele jeito típico de cachorros em apuros”

    “Deu de comer ao seu novo amigo e o secou com umas mantas que foram usadas na mudança” – umas mantas?

    “Mariana olhou mais uma vez a abertura do sótão e sentiu as coisas girando.” – As coisas?

    Enfim, parece que li dois autores aqui: um que estava muito a fim de escrever lá no início, com uma escrita bem interessante e que ambienta bem o leitor; e outro mais cansado, que quer logo cortar pro final da história.

  10. Evandro Furtado
    5 de novembro de 2017

    Os primeiros dois terços do texto são espetaculares. A história é construída no andamento certo, sem acelerar ou, tampouco, ficar entediante. Os personagens são reais, vívidos, seus atos transpassam as letras e atingem o leitor, fazendo com que ele se identifique. E então, de uma hora pra outra, o autor parece que parou e falou: “vamo terminar logo essa porra!”. Do momento em que ela desmaia no sótão pra frente é uma correria só. As coisas param de fazer sentido, a história perde coesão. O andamento perfeito é substituído por uma pressa injustificável. Há sim, ainda alguns momentos de terror, mas eles se perdem na reviravolta decepcionante. O pior é que a primeira parte é muito boa mesma, tornando o contraste com o final ainda maior. Uma pena, mesmo.

  11. Gustavo Araujo
    4 de novembro de 2017

    O conto é bem construído e trabalha bem o velho clichê da casa mal assombrada. Aqui, usa-se um casal recém casado e um endereço conhecido – nas Laranjeiras – o que facilita a identificação do leitor tanto com o lugar quanto com os personagens. Contudo, não gostei muito da construção do marido, que de uma pessoa afável no início, passa para um sujeito detestável em poucas linhas, sem muita razão. Também não comprei a ideia de eles terem encontrado um corpo no sótão da casa e permanecido ali, como se isso não fosse nada de mais. Faltou verossimilhança. Numa situação dessas, a polícia teria interditado a casa para que houvesse a devida investigação, com o isolamento da área, procura de digitais, análises de DNA, e todo tipo de exame técnico. Por outro lado, não dá para negar que o suspense foi bem arquitetado, especialmente por conta da inserção do cachorro na história. Sempre é preciso de alguém ou algo para nos afeiçoarmos, alguém cujo destino tememos e nesse quesito você, autor, acertou em cheio. Enfim, um conto irregular, com bons e nem-tão-bons momentos. Com uma boa revisão no enredo, pode ficar excelente. Parabéns!

  12. Miquéias Dell'Orti
    3 de novembro de 2017

    Olá,

    O começo da sua história lança a mão de um tema clássico: recém-casados compram casarão antigo e coisas estranhas começam a acontecer. Achei a ideia bacana, apesar de correr o risco do clichê. A entrada do cão colaborou para que eu ficasse mais envolvido ainda na história, o que é bom.

    A cena dos pedaços de corpos caindo sobre Mariana ficou ótima. Me senti mal como ela deve ter se sentido.

    Comecei a notar, depois do início da história, algumas coisas estranhas. Não sei se foi apenas uma impressão minha, mas gostaria de compartilhar contigo o que senti, com o intuito de ajudá-lo, caso você tenha intenção de reescrever essa narrativa no futuro. Vejamos:
    A reação de Carlos de “Ah.. isso não é nada demais! Vamos Nessa!” após descobrir que tinha strogonoff de gente no seu sótão da sua nova casa me pareceu estranha, mas cada um cada um, né. Inclusive ele volta a fumar, e é repreendido por Mariana, o que entra em contraste com essa reação, mas talvez ele quisesse apenas esconder o medo que sentia e acalmar a esposa.

    O comportamento dele após ser mordido também me pareceu macabro demais. Ele tinha acado de levar uma baita mordida na perna, estava putíssimo com a situação e com o dia não muito agradável que estava tendo (chuva, pedaços de corpos, lama, essas coisas) e, então, quando ele encontra Mariana tentando entrar no sótão está… digamos… em plena calma.

    Na parte da ligação de Mariana para a mãe, fiquei com uma dúvida: qual trabalho ela fazia que relaciona Arquitetura e Urbanismo com uma história antiga que a mãe contava para assustá-la?

    EM contrapartida, a parte em que ela sobe no sótão pela segunda vez eleva a tensão e deixa um clima de opressão muito bem elaborado. Para mim foi o ponto alto da narrativa.

    Mas quando a mãe entra de vez na história (quer dizer, mais ou menos) comecei a ficar confuso. O diálogo de Carlos e Mariana depois que encontram o corpo da mãe está estranho. Tem, inclusive, uma passagem em particular em que não sei quem fala realmente:

    “– Ele quem? – Ela olhava para o marido de um jeito diferente de tudo o que já havia visto. Ainda era o rosto da esposa, mas parecia ser de uma desconhecida. Sua expressão era cruel. – Querida?”

    Nessa passagem, acredito que quem fala é Carlos, mas logo depois que ele fala você descreve uma ação de Mariana, e na próxima frase faz uma afirmação do ponto de vista dele. Esse tipo de coisa confunde o leitor pra caramba.

    Depois desse trecho a mulher endoida total. Beleza, o espirito do açougueiro se apossou dela, mas as passagens anteriores estão confusas e a gente não recebe essa transformação de uma maneira bacana, sabe? Parece que tudo acontece rápido demais.

    Assim, tirando essas, digamos, incongruências, as cenas de matança e de terror são muito boas. Quase dá pra sentir a dor de Carlos quando ele quebra a perna e quando corta o punho, e a Mariana transformada é de uma insanidade do car@#@#, mas as falhas infelizmente superaram os acertos pra mim. 😦

    Espero ter ajudado de alguma forma, e se você achar que alguma de minhas observações não somam em nada, pode desconsiderá-las.

    Parabéns e boa sorte!

  13. Rose Hahn
    3 de novembro de 2017

    Dario, A narrativa começou bem, interessante, a escrita fluindo, até que a seguinte frase quebrou a expectativa : “Era um daqueles momentos de felicidade que ficaria marcado eternamente em suas curtas vidas”. Caro autor, deixe que o leitor descubra que as vidas dos personagens serão curtas, e que serão abreviadas da pior maneira possível, ainda mais se tratando de história de terror. No entanto, essa informação não se confirmou inteiramente ao final do conto, pois Carlos sobreviveu. Em seguida o texto retoma o fôlego com a cena da descoberta do sótão, mas decaí com a falta de pavor do casal diante do terror que despencou do sótão e da ausência de providências para saber a origem do inusitado. Gostei de como a energia maléfica da casa foi se apoderando do casal, demonstrado nas brigas repentinas. Algumas sentenças precisam ser melhor estruturadas, como em ” Carlos voltara bem tarde na noite anterior. Acabou se atrasando e precisou se arrumar às pressas. O atraso refere-se ao dia, que ele acordou atrasado, mas ficou misturado com a noite. Também na cena em que ela acorda com uma dor muito forte na nuca devido ao desmaio, não houve questionamento do motivo do desmaio ou preocupações. No mais, algumas lacunas em aberto, como já abordado aqui pelos colegas. Essas observações são no sentido de ajudá-lo no aprimoramento da escrita, você demonstrou nos dois primeiros parágrafos que tem potencial para voos maiores, continue lapidando a pena e absorva as críticas como oportunidades de ter o texto avaliado por muitos leitores e a consequente melhoria no seu processo de escrita, Abçs.

  14. iolandinhapinheiro
    1 de novembro de 2017

    Olá, autor:

    Puxa vida, Dario Cecchini! Seu conto me empolgou. Mesmo com o começo estranho, eu pensei que tinha encontrado o CONTO ALPHA deste desafio. Pensei assim: É isso que eu quero encontrar quando leio um conto de terror. Quase nenhum erro gramatical, climático, muito bem escrito, bem arquitetado, cenas interessantes, com o suspense entrando pela casa aos poucos, personagens bem desenvolvidos e a CEREJA DO BOLO, (kkk) : um cãozinho cheio de carisma. Ou seja TUDO PARA DAR CERTO. Já tinha cinco metros de elogios para fazer. Já ia te dar um cincão na falta da possibilidade de te dar um dez.

    Aí o que vc faz? Joga a mulher no sótão, ela abre um baú, mata a mãe, ataca o boy, mata o cachorro, é morta belo boy, tudo assim muito atropelado e corrido.

    Amigo. Poxa! Seu conto estava sendo o melhor que li até agora, mas do meio para o fim, alguma coisa aconteceu e a história saiu do compasso correto, parecia que o prazo ia acabar e você quis concluir sem se importar muito em dar mais fundamentos à possessão, entende? Acho que ela podia ser mais lenta, as reações podiam ser mais verossímeis, a transição entre a arquiteta legal e a criatura que surgiu dela foi mal trabalhada e o conto ficou confuso. Uma pena.

    A mulher adorava a mãe e quando vê a mãe morta parece não ligar muito, aí depois o espírito volta a dominá-la e acontece todo o resto.

    Restaram algumas questões:

    De quem era a liga de cabelo que tinha lá em cima?

    Quem foi que matou o pedreiro?

    Por que Mariana tinha tanto interesse naquela casa?

    Você espalhou pistas pelo conto, mas elas não nos fizeram chegar a uma conclusão.

    Você é muito talentoso e escreve do jeito que eu aprecio, o conto só não foi o melhor pelos motivos que já expliquei.

    Espero que não se chateie com meu comentário.

    Abraços.

    Iolanda.

  15. Lolita
    29 de outubro de 2017

    A história – um casarão amaldiçoado acaba com as vidas de um casal apaixonado. Lembrou bastante a história do “açougueiro do arvoredo” aqui da minha cidade.

    A escrita – Admito que fiquei confusa, um corpo cai do sótão e o casal não sai correndo? A sacada final sobre o possuído é boa, mas precisei de duas leituras para entender. O começo do texto teve um ritmo muito bom, acredito que uma revisão daria uniformidade ao texto que decai na segunda parte.

    A impressão – Que dó do cão. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  16. angst447
    29 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – No geral, o conto está bem escrito e estava me agradando bastante. No entanto, o excesso de pontas soltas me fez perder o interesse macabro/mórbido. Enquanto estava conseguindo acreditar na história, fiquei bem envolvida,mas aí alguns detalhes detonaram com a verossimilhança e não curti tanto assim.

    R (revisão) – Se houve falhas, foram bem poucas e não percebi.

    R (ritmo) – O ritmo foi um ponto positivo segundo minha análise. A leitura flui muito fácil e prazerosa.

    O (óbvio ou não) – Tirando o clichê “casa assombrada”, o resto não ficou previsível para mim. Infelizmente, o final pareceu ter sido manipulado para impactar o leitor, mas deixou muitas dúvidas. Muitas informações surgiram de última hora, o que prejudicou o entendimento e aceitação da narrativa como algo “possível”.

    R (restou) – A certeza de que o autor escreve bem e sabe conduzir bem uma narrativa. Só faltou uma lapidação mais atenta para deixar o enredo mais plausível. No geral, eu gostei do seu trabalho, sim.

    Boa sorte!

  17. José paulo
    29 de outubro de 2017

    Se vc se refere a Laranjeiras, Rio de Janeiro, moro aqui. Será bom se o autor (a) puder me passar o endereço do sobrado para eu fugir dele rss.
    Seu conto eh bem escrito, agradavel de ler mas acho que vc pegou um mote já batido de casa mal assombrada. e no fim se viu sem saber o que fazer de diferente. E então optou por uma trama meio sem pé nem cabeça. Você conseguiu manter um clima de suspense no início, mas as personalidades começaram a mudar exageradamente para justificar o encaminhamento que vc quis dar ao texto. Adorei a frase: ” ela lhe mostrou um sorriso que podia dividir com o sol a tarefa de iluminar o mundo”. Essa frase vai me fazer te dar um ponto a mais.

  18. Pedro Teixeira
    27 de outubro de 2017

    Olá! O conto começa bem, com uma estória que promete bastante. Infelizmente, o rumo tomado acaba com qualquer verossimilhança que a trama pudesse ter.Achei estranho que os personagens não conversassem ou tentassem se atualizar sobre a investigação. E essa reviravolta ficou um tanto forçada. Não há nenhuma indicação, por mínima que seja, de que a personagem estivesse nesse nível de degradação mental. Alguns comportamentos também não convencem, como o chilique do marido por causa do cachorro.
    O texto está até bem escrito, mas algumas coisas me tiraram da leitura, frases que não funcionaram bem pelo exagero, como, por exemplo:
    ondas de nicotina recheadas de preocupação;
    mostrando um sorriso que podia dividir com o Sol a tarefa de iluminar o mundo;
    encarou a tempestade como um guerreiro medieval enfrentando as fileiras inimigas no campo de batalha;
    seu rosto parecia macabro .
    Acho que um caminho interessante seria desenvolver mais os personagens, suas motivações e histórias, e colocar isso na forma de atitudes, frases, comportamentos, e mostrar mais do que contar.

  19. Luiz Henrique
    26 de outubro de 2017

    Mas um conto difícil de comentar, não só pelo enredo ser muito fraco, porque isso não vem ao caso, pois pode se fazer de um caminho de formiga, uma grande história. Depende de como se conta essa história. Além do que é necessário ao empreendedor o mínimo de um conhecimento literário para tal empreitada. No caso deste “Nosso Lar”, me pareceu que o autor ainda falta muito para adquirir esse gabarito. O trabalho como um todo é muito fraco. A escrita é precária, a narração cheia de conceitos pequeno, os diálogos indigno de uma obra literária.

  20. Jorge Santos
    26 de outubro de 2017

    Olá, Dário.
    O seu conto foi uma boa surpresa. Gostei do ambiente urbano e da forma como a tensão é mantida num crescendo que termina num clímax inesperado e uma surpresa ainda maior no final. Isso revela já bastante maturidade. A adequação ao tema é bem conseguido e a linguagem não apresenta problemas.

  21. Vanessa Honorato
    26 de outubro de 2017

    “o animal ficou incontrolável. Acabou a arranhando e Mariana o deixou cair” – por se tratar de um cão, “morder” não seria melhor que arranhar? Depois nessa frase: “Acariciou atrás das orelhas para deleite do bichano.” Bichano sempre me lembra gato.
    Achei um pouco estranho a cena depois da mordida do cachorro. Carlos saiu enfurecido para tomar um banho, e logo depois chama a esposa de ‘querida’, já calmo, alertando de perigo, parecendo preocupado. Como mudou tão rápido de humor? Fiquei pensando: tem coisa aí! Aconteceu algo com ele. Mas na verdade, era com ela. Gostei dessa tentativa de incriminar o marido, enquanto a assassina era Mariana. Fiquei com pena do cachorro, ele foi um herói, e o único que percebeu qual era o mal. Me pergunto se Mariana já havia estado na casa quando criança, pela peça de cabelo no sótão. Acredito que sim, e pelo fascínio dela, o fantasma do açougueiro resolveu poupá-la e fazer dela um aliada. Ideia bem interessante.

  22. Ricardo Gnecco Falco
    26 de outubro de 2017

    Olá! Segue abaixo o resultado da Leitura Crítica feita por mim em seu texto, com o genuíno intuito de contribuir com sua caminhada neste árduo, porém prazeroso, mundo da escrita:

    GRAMÁTICA (1,5 pts) –> Sim, escrever é a arte de cortar palavras… E sem se esquecer de cuidar das que foram poupadas! Ou seja, uma boa e atenciosa revisão é FUNDAMENTAL em um texto — e não apenas para este quesito —, ainda mais em um trabalho que estará concorrendo com os de outros escritores… Neste, o autor fez um bom trabalho de revisão e utilizou-se de forma adequada da nossa Gramática. Parabéns!

    CRIATIVIDADE (2 pts) –> Este é, sem a menor sombra de dúvida, o quesito MAIS IMPORTANTE de todos (e consequentemente possuidor do maior peso em sua nota final)… Faltou algo. Não, necessariamente, criatividade. Porém, algo que interferiu demais na mesma: identificação; a famosa ‘projeção’ do leitor, que pode ser na cena/cenário da história ou, ainda melhor, no drama vivido (descrito) pelo protagonista. Nem os diálogos conseguiram diminuir esta sensação de afastamento, embora a escrita (narrativa) apresentasse muita qualidade.

    ADEQUAÇÃO ao tema “Terror” (0,5 pt) –> Como estamos em um Desafio TEMÁTICO, não tem como avaliar sua obra sem levar em consideração este “pequeno” detalhe, rs! E assim o farei! Resultado: sim, abemus terror! Talvez até mais por conta das judiações animalescas do que propriamente pelo enredo…

    EMOÇÃO (1 pt) –> Beleza! Gramática (e revisão!), criatividade (enredo), adequação ao tema… Tudo isso é importante para um bom texto. Mas, mesmo se todos os demais quesitos estiverem brilhantemente executados, e o conto não mexer de alguma forma com o leitor, ou seja, não emocioná-lo, o trabalho não estará perfeito… Foi isso mais ou menos o que aconteceu comigo, durante a leitura. Faltou aquele “algo mais”, aquela sensação de ter sido raptado para dentro do texto. Texto que, repito, está muito bem escrito…

    ENREDO –> Se você for bom em Matemática vai ter reparado que a soma dos valores totais dos quesitos previamente analisados (Gramática, Criatividade, Adequação ao Tema e Emoção) já atingiu o limite de pontos da nota máxima a ser atribuída aos trabalhos do presente Desafio (= 5,0), conforme as regras estipuladas pelo nosso Anfitrião… Portanto, como já levei em conta o Enredo da história ao avaliar a Criatividade e a Adequação da sua obra, este quesito aqui ficou sem sentido…

    Parabéns e boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  23. mariasantino1
    24 de outubro de 2017

    Boa noite!

    É uma pena, autor (a), mas seu texto carece de verossimilhança e tem violência gratuita. Qual o propósito de inserir um animal na trama só para lhe passar a faca? Gratuito. A lenda do açougueiro surge muito a calhar, sabe? Se você houvesse sinalizado isso desde o início assim como o tal chamado, de ele querer que a moça estivesse lá, mas… sinceramente não sei se isso poderia levantar o texto, porque as coisas são bruscas sem preparação de terreno.
    Até a passagem em que Mariana fica sozinha em casa o conto até corre bacana, pausado, caracterizando os personagens e ambientando o texto, mas daí você correu e deixou o conto cru.
    A moça sempre quis morar ali? Reforce a informação pois ela é importante para a trama. Há uma lenda sobre o sobrado? Sinalize para poder amarrar depois. Agora sobre a possessão eu acho que precisaria de mais palavrório e expressões que repassassem mais sentimentos para ficar bom.

    Lamento, mas não gostei do texto da forma que está.

    Boa sorte no desafio.

  24. Luis Guilherme
    23 de outubro de 2017

    Boa tarrrde amigo, ce ta bao?

    como tenho dito, este desafio é especial pra mim, uma vez que amo o genero. dito isto, vamos ao seu conto:

    você tem uma capacidade incrivel de contar a historia. o enredo todo é fluente e a leitura é agradavel, a escrita é competente e a gramatica, quase impecavel.

    a leitura me envolveu bastante.

    existe um clima gostoso de suspense, que conduzem a atenção do leitor.

    a mudança do vilão, numa especie de plot twist, me agradou bastante. nao esperava que a menina se tornasse o vilao, sendo possuida, de certa forma.

    só senti falta de algumas infos, que poderiam ter abrilhantado o enredo. nao sei, acho que algo ficou no ar no interesse dela pela casa, e fiquei com a impressao, no fim, de que o marido ja conhecia a maldição, quando ele gritou “você venceu”.

    nao entenda como uma critica, é q achei a historia interessante, e gostaria de mais amplitude nos acontecimentos.. isso é sinal de que a leitura me estimulou =)

    se você tiver vontade de trabalhar mais o conto após o desafio, poderia expandir os horizontes, abordando mais aspectos que enriqueceriam o enredo.. acho que a relação do casal poderia ser melhor explorada, também, pois claramente há algumas rusgas entre eles, apesar de pelo jeito serem recém-casados.

    enfim, um bom conto! parabéns e boa sorte!

  25. Evelyn Postali
    23 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Roteiro bom, que prende a atenção do começo ao fim. Tem coerência. Essa coisa de mudar para casa velha é algo… Boa ambientação. Está dentro do tema, com certeza. Gostei de como a leitura vai tecendo as imagens. Não percebi erros de escrita. Gramática ok. A boa construção de frases deixou a leitura agradável. Boa sorte no desafio.

  26. Antonio Stegues Batista
    22 de outubro de 2017

    ENREDO: Achei meio confuso o enredo.Há falhas na historia.

    PERSONAGENS: A mulher era fascinada pela casa desde criança, já era possuída pelo espirito do açougueiro? A policia não investigou o sótão? O marido parece não se importar com o fato de ter alguém morrido na casa.

    ESCRITA: Escrita simples, clara e lógica, sem problemas, a não ser alguns errinhos de digitação e construção de frases, algumas palavras inadequadas.

    TERROR: Não muito, mas o clima criado ficou legal. O final ficou em aberto e não se sabe como a historia termina. Faltou explicar outros fatos, como o corpo apareceu no sótão, etc..

  27. Paulo Luís
    21 de outubro de 2017

    Sinceramente, mas falar de um trabalho como este é muito difícil, visto sua precariedade em enredo, argumento, diálogos; a narrativa como um todo. Alguns diálogos são de deixar qualquer lacrimejante e tragicômica telenovela mexicana de queixo caído. Uma escrita cheia de ingenuidades, diálogos descabidos, débeis. Exageros sem nexo. Cenas estapafúrdias e inverossímeis. E vou parar por aqui. Se for isto que se chama terror: é um terror mesmo. Faz jus.

  28. Fernando.
    21 de outubro de 2017

    Olá, Dario, uma história para envolver a gente de jeito tem que ser fluida. Espere, vou tentar outra imagem. Tem que ser como uma estrada com asfalto bem liso. Uma daquelas autopistas de país do primeiro mundo. Aí é que vem o problema que senti na sua narrativa. O conto tem solavancos. E sabe quando os senti acontecer? Foram naquelas horas em que faltou a tal da verossimilhança. Nos momentos em que as coisas ficaram exageradas, ou mesmo um tanto quanto soltas. Há alguns pontos que reclamam por mais uma revisão. Mas bem mais importante do que ela, na minha opinião, a sua história necessita ser melhor e mais bem amarrada. Há pontas soltas e essas funcionaram para mim, como se fossem esses quebra-molas, ou mesmo como buracos na pista. Resumindo, seu conto na minha opinião é ainda uma boa ideia. E boas ideias merecem ser mais bem trabalhadas. Grande abraço.

  29. Fheluany Nogueira
    21 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Casa assombrada por um assassino serial. Ótima ideia, clichê, mas era vestir um traje novinho. Conseguiu. Recém-casados compraram o sobrado porque a moça sempre o admirou. As dicas textuais levam a acreditar que o vilão é o marido, e aí vem a reviravolta. Pena que foram muitos os furos de continuidade, de verossimilhança (já comentados). Há informações desnecessárias, exageros, repetições e diálogos artificiais.

    Escrita e revisão – Poucos deslizes gramaticais de linguagem, leitura fluente e agradável.

    Terror e emoção – Houve terror e medo, porém o impacto ficou minimizado pelas falhas estruturais.

    No geral, bem trabalho.Parabéns pela participação. Abraços.

  30. Rafael Soler
    21 de outubro de 2017

    O conto tem potencial, pois possui um pano de fundo interessante, tem um bom ritmo, é bem escrito e possui uma virada interessante perto do final, mas algumas coisas me tiraram da trama em alguns momentos, por exemplo:

    – os diálogos são um tanto artificiais;

    – existem “gaps” na história que me causaram confusão. Tive de reler alguns trechos para ver se não tinha perdido nada. Esses espaços em branco poderiam agregar bastante valor para o texto, principalmente na cena do sótão;

    – a causa que levou a mulher a enlouquecer não me ficou clara. Poderia ser desenvolvida de forma melhor. Não que tudo tenha de ser explicado nos mínimos detalhes, mas, como leitor, gosto de saber o que está se passando.

    Resumindo, é uma historia boa, mas que talvez tenha de ser reestruturada para ficar melhor ainda.

    🙂

  31. werneck2017
    20 de outubro de 2017

    Olá,

    Gostei da narrativa e da linguagem fácil e ágil. No entanto, alguns exageros tiram a credibilidade ou não são compatíveis com um conto de terror que quer parecer crível, mesmo numa linguagem coloquial, tipo: perdendo litros de sangue. Bolo com glúten ou sem glúten não faz diferença, então sugiro falar apenas glúten.
    Há outros aspectos que tornam os fatos mais verossímeis, tais como a limpeza do lugar depois dos corpos achados etc. No mais, um bom texto.

    • werneck2017
      20 de outubro de 2017

      * falar apenas bolo, perdão!

  32. Nelson Freiria
    19 de outubro de 2017

    Gostei da abertura do conto, mas na sequência, o primeiro diálogo entre o casal, ficou tão artificial quanto um comercial de televisão… E o que foi isso: ‘mostrando um sorriso que podia dividir com o Sol a tarefa de iluminar o mundo.’? Imaginei logo dentes grandes como de um cavalo e amarelados como o sol.

    Achei mto estranho essa passagem “num movimento possível apenas com uma forte dose de adrenalina de quem está prestes a morrer”. Essa outra, “um instante infinitesimal”, um pouco exagerada, penso que ‘um instante’ já bastava.

    O conto tem um desenvolvimento que, de início, nem parece que vai descambar em terror. Mas a subida ao sótão faz com que a trama se vire sobre os tornozelos e todo o suspense criado até ali procure um final aterrorizante. Acredito que teria valido a pena ter investido um pouco mais nesse momento, com a personagem explorando o sótão sozinha. Ela desmaiar e acordar com a mãe já desmembrada e o marido vindo com diálogos que elucidam tudo, meio que entregou os pontos rápidos demais. Até ela subir ao sótão, achei que o novo Açougueiro seria o marido, pois tal personagem é construído para nos enganar com todo seu estresse, raiva, mudança de comportamento, destrato com animais.

    Não notei erros durante a leitura, achei o ritmo bom, bem rápido, acho que as várias divisões do conto ajudou a proporcionar isso, assim como os parágrafos curtos. A chuva e o blackout ajudaram legal a ambientar a história. Mas o último parágrafo, da maneira que está, me pareceu estar sobrando ali. Acredito que a intenção com ele era encerrar deixando um ar de sobrenatural, do espírito do Açougueiro, mas ficou meio brega…

  33. Andre Brizola
    18 de outubro de 2017

    Salve, Dario!

    Eu acho bem legal essa ideia de termos dois personagens aparentemente inocentes, passando pela mesma situação de terror, descobrindo os detalhes, os segredos do enredo juntos e, no final, a descoberta de que a causa do terror é
    exatamente um desses personagens.
    Entretanto, achei algumas coisas bem confusas no desenrolar dos fatos. “Quando abriu os olhos, a iluminação era bem fraca”, por exemplo, me fez voltar no texto pra saber se eu tinha perdido alguma coisa. Realmente achei que faltava alguma coisa ali, fazendo a conexão do restante do conto com aquele clímax.
    Por outro lado, é um conto de terror. Se sobrenatural ou não, acho que cada leitor pode fazer sua própria interpretação do que realmente aconteceu. Eu entendi como uma espécie de possessão, o que explicaria não só as mortes já documentadas, como a do pedreiro e a da mãe.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  34. Lucas Maziero
    17 de outubro de 2017

    Gostei desse conto, apesar de ser mais uma história de casa antiga e sons estranhos. No começo somos levados a pensar que o casal vivia em harmonia, que eram 100% felizes, mas com o desenrolar ficamos sabendo que não é bem assim, e isso nada mais é do que uma estratégia, boa, por sinal, para nos despistar e criar uma antipatia por Carlos. Assim, pelo menos é o que se deu comigo, cheguei a pensar que ele era um assassino.

    Por falar em assassino, vamos ao jornal de 1892: “Açougueiro de Laranjeiras Ataca Novamente”, dizia a manchete.

    Com essa informação, eu só posso supor que o Açougueiro, então um espírito, tomou o corpo de Marina para continuar com os assassinatos. E por que Marina? Vai ver porque ela, desde pequena, nutria grande interesse pelo sobradinho, e então ele, o Açougueiro, viu nela o seu melhor instrumento.

    Só assim para explicar os assassinatos que ocorreram tão antigamente. Mas e o novo cadáver mutilado? Mariana então, dupla face, ‘strikes again’ (acabei de escutar Bigmouth Strikes Again – The Smiths), e escondeu o produto de seu crime no sótão antes de se mudarem. Mas veja bem: este fato, para mim, ficou deslocado, é um elemento alienígena na trama. Seria mais de acordo que encontrassem apenas vestígios antigos, manchas quase sumidas de sangue, algum cutelo incomum jogado num canto, e com essa visão Mariana passasse a ser possuída, e só então a partir daí novos crimes acontecessem. É o que eu acho que ficaria mais coerente e mais harmonioso com o todo.

    No entanto, o clímax me pegou de surpresa, mesmo tendo lá no fundo do consciente uma desconfiança pela mulher.

    Quanto à gramática e ortografia, beleza. Criatividade, não tanto, mas a leitura me foi prazerosa. Encontrei algumas redundâncias, e vou citá-las a título de melhoria, caso o conto venha a ser reescrito (mas também pode ser que não seja redundância, e sim implicância de minha parte; em todo caso, ambas terminam em ância):

    – Cada degrau da escada gemia como se sofresse com a pressão inesperada daqueles pés descalços. (é claro que o degrau, pois me pareceu de madeira, sofreu uma pressão)

    – A chuva deixara estragos em toda a cidade e a companhia de eletricidade devia estar tendo muito trabalho. (dito como narrador onisciente, esse trecho mostra dúvida, como se o narrador, uma vez onisciente, não fosse onisciente nada)

    – Provavelmente o sótão não fora limpo devidamente depois de encontrarem o corpo esquartejado que caíra sobre ela naquele dia (não precisaria dizer tudo isso, bastava que o sótão não fora limpo desde a descoberta do corpo)

    – …uma mistura de poeira acumulada em muitos anos (só poeira acumulada já basta)

    – Olhou para ver o que era, mas a única coisa que viu foi a mais completa escuridão. (a um primeiro momento, parece que ao redor dela estava escuro, mesmo ela tendo desencaixado uma telha para a luz entrar; mas depois se entende que ela perdeu os sentidos, e não ficaria melhor dizer que perdeu os sentidos?)

    Bem, espero que minhas críticas sejam salutares. Pelo sim pelo não, gostei do conto.

    Parabéns!

  35. Paula Giannini
    17 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Você nos trouxe a premissa do casal apaixonado que se muda para o velho casarão abandonado. Um clássico do gênero, seja na ideia, seja nos arquétipos utilizados e muito bem vindos no terror.

    Uma história cheia de elementos e que, creio eu, daria pano para manga para uma narrativa mais longa, com as histórias dos assassinatos do açougueiro de Laranjeiras e sua vítimas, a história dos recém-casados, do cachorro, da mãe, da casa em si, enfim.

    Acredito que, na pressa de entregar o trabalho no prazo para o certame, algumas lacunas acabaram por ficar em aberto, ao menos para o leitor. Quando criamos uma história, temos nossa trama (nosso universo) todinha ali, em nossa cabeça. Mas na ânsia de colocar logo no papel, acabamos pulando etapas que, para nós parecem obvias, mas para quem ainda não conhece a história, não.

    Acredito que o(a) autor(a) sofra do mesmo problema que eu, excesso de criatividade. Algo que às vezes trabalha em nosso favor e em outras, nos leva a colocar no papel tudo o que “sabemos” de uma só vez. Ansiedade pura.

    De uma maneira ou outra, você é, certamente, um(a) ótimo(a) contador(a) de histórias, e suas cenas são muito imagéticas. Consegui enxergar o sótão, o casarão, a parte de cima com o marido tomando seu banho, o sangue, as escadas, o cachorro, enfim.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  36. Ana Maria Monteiro
    17 de outubro de 2017

    Olá, Dario. Quando escrevemos uma história criamos também um universo. Esse universo pode ser fantástico e/ou absolutamente fora do contexto da realidade que vivemos, mas tem que fazer sentido dentro do seu próprio espaço de existência. É esse sentido que, em alguns momentos, não consegui encontrar no seu conto. Repare: tudo indica que eles são recém-casados. É afirmado nesta frase: “estavam felizes como somente recém-casados mudando-se para a casa nova são capazes de ficar”, e se é certo que esse contexto pode abranger alguma antiguidade relativa, mais à frente ele é reforçado em termos de proximidade temporal por esta frase: “Lembrou com carinho a mãe preparando e embrulhando aquela iguaria fit. – Não vai relaxar a alimentação, hein, filha”, este “não vai relaxar” subentende uma mudança e o que ela está a desembrulhar é comida, algo que se estraga em poucos dias, ou seja, tudo indica que eles acabaram de casar. No entanto, ao segundo dia e perante a presença do cão, ela diz ao marido: “– Você tem chegado todo dia muito tarde do trabalho.”
    As falas também não são muito credíveis. Aquela parte em que Carlos, que a nada assistiu, chega perguntando se ela está bem e ela responde: “– Não, não estou – ela respondeu, retirando, com repugnância, uma mão humana de cima do peito.”, arrancou-me um sorriso, daqueles que esboço ao ler comédia, não terror.
    De igual forma, não consigo imaginar isto: “Depois do episódio macabro, teve que se livrar dos corpos”. Como? que é isto? então sucedeu o que sucedeu, a polícia andou por lá (um único dia, ao que parece e é também estranho) e quem teve que se livrar dos corpos é o dono do apartamento?
    E ela que continua a interrogar-se sobre o que haverá lá em cima. Então a polícia esteve lá e não tirou fosse o que fosse visível?
    Além disso, quis-me parecer que não existem escadas para o sótão, se não entendi mal (e ela subiu fazendo ginástica para entrar) porque pergunta ela “– Rocky? – Ela olhou para trás e sentiu a presença de algo num dos cantos mais escuros. – É você, amiguinho?”, como o cão teria lá ido parar sem mais nem menos?
    Por fim, perante a mãe morta ela, convencida de que foi o marido a matá-la, pergunta: “– O que vai fazer comigo? – ela perguntou, choramingando.” Choramingando? ela deveria estar em pânico, aos gritos, histérica, qualquer coisa menos choramingando.
    Não sei, ou percebi tudo mal ou não senti consistência neste universo.
    Ah, tem um erro de digitação aqui: “ela respetiu”, não tem a menor importância mas é conveniente retirar o “s”.
    Então, a história poderia ter resultado muito bem, até porque está bem escrita, mas essa falta de congruência não me permitiu entrar nela.
    Não fique zangado/a comigo, apenas apontei estes factos porque é para isso que comentamos. Penso que se esforçou por participar e construiu a história como uma manta de retalhos e não como um todo, é só isso. O que lhe disse em nada visa diminuir as suas capacidades como autor/a,pelo contrário.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  37. Eduardo Selga
    16 de outubro de 2017

    A narrativa está muito desconexa. Há várias portas abertas, mas nenhuma efetivamente é usada como eixo.

    Não é estranha a naturalidade a reação da personagem diante de uma chuva de pedaços de cadáveres? (“– Querida! – Carlos gritou subindo as escadas, enrolado numa toalha. – Você está bem?” / “– Não, não estou – ela respondeu, retirando, com repugnância, uma mão humana de cima do peito”). Simplesmente dizer que não está bem, diante da situação, parece-me muito pouco.

    Em dado momento o narrador diz que a personagem “Arrastou uma caixa e subiu nela. Esticou o braço e conseguiu alcançar a alça de abertura”, após ela ter ouvido “um baque surdo” no andar de cima. Mas porque a reação diante do fato seria tentar abrir a entrada do sótão?

    No desfecho temos: “– Você venceu, seu filho da puta! – ele disse, engasgando. – Você venceu…” / “E, em algum lugar no escuro do sótão, uma risada macabra ecoou”. A quem o personagem se refere? Ao tal açougueiro, provavelmente, mas o personagem reage como quem conhecesse o homicida ou o fantasma. Como no decorrer da narrativa não há indício nesse sentido, a revelação fica meio deslocada.

    No início do primeiro parágrafo há o uso de um recurso muito interessante, que poderia ser mais usado, a personificação (“A fechadura velha, com a relutância típica dos anciões, resistiu o máximo que pôde, mas acabou cedendo”). Ao mesmo tempo, há passagens equivocadas, como “O cérebro racional dele começou a conjecturar”. Equivocada porque o cérebro de toda pessoa mentalmente saudável é racional. O que ocorre é que há pessoas que privilegiam o emocional.

  38. Fabio Baptista
    16 de outubro de 2017

    Eu gostei da escrita, conseguiu criar uma boa ambientação de isolamento e chuva constante. Era um sobrado, mas não sei porque fiquei o tempo todo imaginando um apartamento.

    Alguns apontamentos na parte técnica:

    – onde os homens da mudança a havia levado.
    >>> haviam

    – dividir com o Sol a tarefa de iluminar o mundo.
    – encarou a tempestade como um guerreiro medieval enfrentando as fileiras inimigas no campo de batalha.
    >>> de vez em quando gosto de usar esses exageros, mas tenho percebido que para perder a mão é rapidinho. Aqui, por exemplo, gostei do primeiro, mas o segundo me soou forçado.

    – Viu-se menina olhando para aquele sobrado abandonado, sonhando entrar nele e desvendando mistérios ocultos
    >>> trocaria o final por “entrar nele para desvendar mistérios ocultos”

    – deleite do bichano
    >>> bichano normalmente está mais associado aos gatos

    – A data não estava totalmente visível, mas o ano era 1892. A foto de uma jovem ilustrava a capa, provavelmente a vítima.
    >>> Uma foto impressa no jornal me causou impressão de furo, mas uma pesquisa na Wikipedia me trouxe a informação “A fotografia começou a ser usada na imprensa diária em 1880”.
    >>> De todo modo, eu adiantaria um pouco a data. Acho que não causaria prejuízo à trama e tiraria essa travada do leitor.

    – Só que sem as todas aquelas
    >>> sobrou um “as”

    Bom, a trama trabalha com o plot do casal que se muda para uma casa nova cheia de mistérios. Não tinha crianças envolvidas, mas tinha cachorro rsrs.
    Daí, apesar do autor conseguir trabalhar bem o suspense, sobretudo quando a mulher entra no lugar escuro em meios às caixas, alguns detalhes acabaram comprometendo.

    Tipo… tem um corpo esquartejado na casa, uma mão cai sobre a mulher e eles seguem a vida normalmente, como se só tivessem matado uma barata? Não teve uma intervenção policial? O cara sai pra trabalhar no dia seguinte e larga a esposa lá?

    O plot twist é a revelação da vilã da história, que não ficou bem claro se era só louca ou se estava possuída por algum espírito maligno. Imaginei essa segunda opção, dado o apagão que ela teve. Nesse apagão imagino que a mãe tenha ido visitá-la, mas isso não é muito verossímil, dado o temporal todo que era narrado.
    Outra questão: quem matou antes deles chegarem, então? O tal espírito (se havia um) conseguia matar sozinho?

    Bom, posso ter deixado passar batido alguns detalhes, mas infelizmente fiquei com a impressão de que faltou liga aí nas peças.

    Mas, tirando esses detalhes chatos que temos que comentar por causa do desafio, foi uma leitura agradável.

    Abraço!

  39. Regina Ruth Rincon Caires
    15 de outubro de 2017

    Bom conto, alguns poucos deslizes de linguagem, enredo um pouco emaranhado. Achei falha a reação simplória quando foi encontrado o corpo no sótão, no dia da mudança. Tudo muito superficial, pouco cuidado de detalhes. Não houve qualquer preocupação em explorar e LIMPAR o ambiente (lá em cima). Normalmente, sem a limpeza, ficaria impossível viver na casa, o cheiro seria insuportável. Há pontas soltas, fechos abertos. Quanto às voltas desnecessárias, justificável pelo mínimo de palavras exigidas… Faz parte do desafio, saber trabalhar com isso é um ponto a favor. Justíssimo! Houve gasto de palavras com narrações que não alteravam a história. Poderiam ser aproveitadas nos detalhes e consistência dos fatos marcantes.

    Bichano…

    Boa sorte, Dario Cecchini!

    Abraços…

    • Dario Cecchini
      16 de outubro de 2017

      Cara Regina,

      A ideia do conto é ir liberando, conforme os dias iam avançando, peças para o quebra-cabeças que precisa ser montado. Fico triste que pareceram excessivas e incompletas mesmo assim.

      Sobre a limpeza, como citei no comentário do Olisomar, o salto no tempo foi a percepção da Mariana. Para Carlos foi um dia de cão (ele pensa nisso um pouco antes de entrar em estado de fúria).

      Grazie per il commento.

  40. Olisomar Pires
    14 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: médio.

    Narrativa/enredo: casa assombrada por assassino e que faz mais vítimas.

    Escrita: boa.. Um ou outro deslize, nada grave.

    Construção: Achei meio confuso. Certo que é possível entender os acontecimentos e eles seguem uma ordem, a trama aparece etc, mas é tudo muito “jogado” ao leitor: Carlos era advogado (não é importante), Mariana conhecia o sobrado desde pequena (por que?), a mãe vai visitá-la (ninguém a vê entrar), a Polícia liberou o local muito rápido depois da descoberta de corpos no sotão, quem eram as pessoas assassinadas antes do casal mudar ? O fantasma esperou muito tempo para matar de novo? Enfim…

    Tem um bom gancho, mas as partes não combinam, o que travou a leitura.

    De novo, essas críticas não tem intenção de menosprezar o trabalho, são apontamentos do sentimento ao ler, podem estar errados. O autor saberá pesá-las bem, eu espero.

    • Dario Cecchini
      16 de outubro de 2017

      Caro Olissomar,

      Sobre a construção do conto, utilizei a sequência natural com alguns saltos na narrativa. Aproveitarei que o desafio é de comentários abertos para fazer alguma elucidações:

      Carlos era advogado: essa informação era útil para fazer o background do personagem e explicar como conseguiram a casa. Foi utilizado no fim, também, quando ele percebe que sobreviver pode ser a pior opção.

      Mariana gostava daquele sobrado desde pequena: o texto não diz explicitamente, mas ele se sentia atraída (primeiro por gostar de arquitetura e segundo pelo próprio espírito que vivia ali).

      Ninguém viu a mãe entrar: O conto até quase no fim é contado sob o ponto de vista de Mariana e ela perdeu a consciência no sótão no dia que a mãe foi visitar. Eles eram moradores novos da casa, ela chegou e entrou. Mariana, sob influência do assassino, a matou. Só a filha viu a mãe entrar antes de Carlos chegar.

      A polícia liberou rápido: o conto dá um salto no tempo após os corpos serem encontrados. Como o conto é no ponto de vista de Mariana e ela ficou em transe evitando aquilo, essa parte não foi contada. Depois, é citado no pensamento de Carlos o quão chato foi aquilo tudo.

      De quem eram os corpos: Mariana encontrou um prendedor de cabelo que era seu no sótão. Logo, ela já havia matado antes de se mudarem. Quem eram? Infelizmente não saberemos…

      Demora em matar de novo: não sabemos de outras histórias, mas podemos dizer que o sobrado ficou muito tempo abandonado até que Mariana, ainda pequena, se encantou por ele. Acabou sendo a deixa para o espírito do assassino que vivia ali. Mas só quando ela cresceu e conseguiu comprar o sobrado que as mortes voltaram. Acho que pra quem está do outro lado, o tempo é relativo…

      Grazie per il commento.

      • Olisomar Pires
        16 de outubro de 2017

        Boa explicação.

        Quanto ao “Grazie per il commento” informo que meu espanhol é horrível. 🙂 (risos)

  41. Angelo Rodrigues
    14 de outubro de 2017

    Caro, Dario Cecchini

    o açougueiro mais famoso do mundo.

    Logo de início imaginei que seu conto estivesse se antecipando ao desafio Erótico, só que não.
    Acho que o conto pode ser melhorado com uma severa devassa nos excessos redigidos, onde há muitos elementos acessórios que não levam a trama adiante, tais como as colocações em torno do bolo sem glúten, do leite desnatado, do curso de arquitetura e urbanismo e por aí vai.
    Recomendaria uma revisão nos diálogos também. Não parecem representar efetivamente como as pessoas falam na vida real.
    Achei a ideia do conto legal, mas achei também que ele se tornou uma colagem de eventos, situações arquetípicas associadas ao clima de terror que pouco se justificam, tais como os desmaios, gargalhadas etc.
    Notei algumas inconsistências na redação e lembro que bichano não está associado a cachorros, mas a gatos.
    Com o episódio do cachorro mordendo a perna de Carlos, imaginei que ele – Carlos – seria o Demo da história. Aí vi que ele era apenas um advogado. Ok! Então tudo bem, ele era apenas um advogado, algo apenas próximo ao Demo, mas não o Demo. O que se poderia fazer? Então o cachorro deu nele uma boa mordida. Foi quando vi que até os cães sabem dos advogados. Bela mordida!
    Em dado momento fiquei surpreso com a construção que acabou gerando uma ordem de grandeza muito real no mundo atual. Vejamos: “Tinha uma fratura exposta na perna, estava perdendo litros de sangue na mão semi-ampultada e com o celular perdido no sótão.” Perfeito. Três coisas realmente terríveis, e acreditei que a pior delas fosse haver perdido o celular (entendi que com o celular ele poderia pedir ajuda, sem ele não, mas a construção da frase poderia estar melhor.)

    Boa sorte, Dario, e obrigado por nos haver deixado conhecer seu conto.

    • Dario Cecchini
      16 de outubro de 2017

      Caro Angelo,

      Os excessos que cita foram introduzidos com objetivo de desenvolver melhor os personagens e criar a atmosfera de que a mulher era a mocinha e o homem o cara mau para depois fazer a inversão no fim.

      Sobre a “ordem de grandeza”, era exatamente aquilo que disse: ele percebeu-se muito ferido e sem comunicação. Com certeza morreria ali.

      Sobre bichano, creio que já ouvi sendo dito para cachorros também, mas entendo que costuma ser mais usado para gatos. Antes de uma revisão, estava escrito “bichinho”, mas achei que ficaria fora de tom e troquei.

      Grazie per il commento.

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Publicado às 13 de outubro de 2017 por em Terror e marcado .