EntreContos

Literatura que desafia.

NÃO DUV(ID)ARÁS, ou uma tragédia moderna em três atos (Marcos Costa)

Durante as férias de fim de ano, resolvemos visitar meu irmão que morava no interior de Minas. Era, de certa forma, uma maneira de fugir de toda a loucura da cidade grande. Veja bem, eu estava cansado. Cansado do trânsito que tinha pegar todo dia, de volta pra casa. Cansado do medo constante de ser assaltado no farol fechado. Cansado do chefe com seus pedidos constantes de trabalho depois do expediente. Cansado da porra da minha mulher reclamando que eu já não fodia ela com prazer. Talvez aquela coisa de ouvir o canto dos pássaros ao amanhecer pudesse me ajudar a superar todas as minhas dores.

Lembro de dirigir horas com o vidro fechado porque a porra da minha querida esposa não queria embaraçar os cabelos. É claro que, depois de cem quilômetros, eu liguei o foda-se e abri os vidros. A merda do ar-condicionado só presta no engarrafamento quando você não pode abaixar a janela porque algum trombadinha pode chegar a qualquer momento com a merda de um estilete e cortar sua garganta enquanto rouba a porcaria da bolsa de onça de quatrocentos reais que sua mulher comprou na última visita a Jaú. Ela reclamou, é claro, e eu calei sua boca com o rádio no último volume. Claro que, como sou azarado, os alto-falantes ecoaram a voz esganiçada de Pablo Vittar. Nada de Milton Nascimento ou Zé Ramalho mesmo naquele pedaço de fim de mundo. Mudei de estação duas ou três vezes, passando por Silas Malafaia gritando impropérios homofóbicos e aquelas piadas sem graça do José Simão, até encontrar um Frejat.

Juliana, enfim, havia desistido de reclamar. Amarrou os cabelos em um coque, colocou óculos escuros e recostou-se ao banco, fingindo que dormia. A boca torta de ódio denunciava que ainda estava acordada. No banco de trás, as crianças estavam imersas em seus mundos autista-tecnológicos. Pelo retrovisor, pude ver Pedro que, do alto de seus onze anos, apertava vorazmente os botões de um videogame portátil em algum jogo provavelmente confuso demais para alguém com mais de trinta entender. Carol, por sua vez, detinha sua atenção para o celular, conversando com alguma amiga da escola sobre algum assunto fútil demais pra que qualquer um com um mínimo de formação acadêmica se importasse. Confesso, no entanto, que, sobre ela, meu olhar se deteu durante um tempo maior. Minha garotinha, sem dúvida havia crescido. Três anos mais velha que seu irmão, já parecia mulher feita. O corpo já se delineava sensualmente. Os shorts curtos pouco cobriam as coxas grossas que subiam em direção a um quadril invejável para muita maior de idade. É claro que tive que me forçar a esquecer tais pensamentos antes que se tornassem perigosos e, para isso, evoquei as memórias de quando não passava de uma pequena bonequinha de seis anos que vinha me abraçar todas as vezes que chegava em casa. Certa vez, ela me assustou quanto se aproximou e disse: “O que você me dá por uma cesta de beijos?”. Tive que conversar com Juliana sobre o tipo de filme que nossos filhos estavam assistindo. Era, sem dúvidas, uma época diferente. O trabalho ainda não era tão estressante e ainda não havia estagiárias de dezenove anos andando pelos corredores de minissaia e derrubando canetas quando estão sozinhas com você no escritório. E não havia esposas de peito murcho que gemem ridiculamente quando você fode elas pensando na mesma estagiária.

Bem, de qualquer forma a coisa mudou toda de figura quando pegamos a estrada de terra. Eu, que nunca fui motorista que se preze, agarrei-me com firmeza ao volante que trepidava incessantemente graças ao atrito transmitido pelas rodas que deslizavam pelo cascalho a 40 km/h. Os três passageiros, nenhum deles com carteira de motorista, diga-se de passagem, reclamavam, com gemidos entrecortados, do constante balançar e das eventuais batidas com a cabeça no teto do carro. Mas, um par de quilômetros depois a estrada desembocou, feito rio seco, em um belo mar de verde no qual uma casa colonial flutuava magnificente.

Descemos do carro, eu carregando as malas, os outros nada mais que o peso do próprio corpo. Meu irmão veio me abraçar, seus braços envolvendo as bagagens como se elas, também, fossem parente que há muito não se via.

Entrei na casa, largando a mala no primeiro quarto que encontrei. Fui até a cozinha onde a família inteira já rodeava o fogão de lenha e comia pão de queijo. Mateus, com seus cinquenta anos, nada tinha, a não ser os cabelos grisalhos, que denunciasse sua idade. Nunca havia se casado e nem tinha filhos e isso, talvez, justificasse-lhe a aparência jovial e despreocupada.

A casa praticamente brilhava de tão limpa. Era adornada por estranhos objetos artesanais e todo tipo de maluquice que você normalmente encontra nessas cidades do interior. O que mais me assustava, no entanto, eram os pares de carrancas em cada porta da casa, como que guardando os cômodos pra ninguém entrasse. Ou saísse.

Pedi licença pra minha família e fui tomar um banho. A viagem longa havia me dado uma terrível dor nos ombros, causada, provavelmente, pela tensão de ter que dirigir acima da velocidade permitida nas rodovias esburacadas desse país com medo de que algum caminhoneiro maluco de rebite passe por cima de você, ao mesmo tempo em que se preocupa em não ser pegado em algum radar eletrônico escondido atrás de uma placa de retorno. Enquanto a água caía, fazendo o seu papel de massagista tailandesa, me peguei pensando em um milhão de coisas e, como era de se esperar para alguém que não fodia a duas semanas, tais pensamentos acabaram adquirindo certas características eróticas e fiquei de pau duro. Me masturbei, primeiro pensando em Juliana, depois na estagiária. Mas, pouco antes de gozar, naquele momento em que sua mente meio que adquire um sexto sentido e você vê passado e futuro e dimensões alternativas, visões impulsionadas pelo orgasmo, a imagem de Carol me veio à mente. E por mais que queira negar de todas as formas possíveis, usando a justificativa que não fora mais do que uma fração de segundo, devo admitir que foi nela que pensei enquanto gozava.

Limpei tudo da melhor forma possível, pé esfregando o ralo e tudo, e saí do banheiro. Me sequei como se nada tivesse acontecido e voltei para junto de minha família.

A tarde passou lenta, daquele jeito que acontece no interior. À noite, uma estranha mistura de frango caipira com batata frita nos aguardava na mesa gigante de eucalipto que se estendia pela varanda. Comi, enquanto um perdigueiro me olhava com olhos de piedade e a boca babando. Consegui jogar alguns ossos para ele e, no processo, construí uma amizade íntima e verdadeira com o pobre cão. Foi quando Mateus tomou a palavra e começou a falar de coisas estranhas. Ele sempre tivera, é bom que se diga, uma fascinação com essas coisas sobrenaturais e esquisitas, vide as carrancas. Então não foi grande surpresa quando começou a contar histórias sobre aparições e vultos. As crianças, automaticamente, largaram seus devices, desviando sua atenção para o tio. Juliana fez o mesmo e, até eu, que nunca fui chegado a essas bobagens, parei para escutar. Ele falava sobre uma estranha luz que vinha assombrando as fazendas vizinhas, deixando muita gente com medo.

– Provavelmente farol de carro que gente medrosa vê e logo se apavora. – eu disse, já ansioso para mudar de assunto. – Isso non ecsiste! – disse eu na melhor imitação de Padre Quevedo que consegui.

– Carro não anda no meio do mato, Marcos. – ele respondeu com sorriso de canto de boca, feito host de algum programa B da televisão americana nos anos 60. – Mas, se você duvida tanto, por que não vai atrás?

– E isso aparece toda noite?

– Toda santa noite. Tá vendo aquele poste ali embaixo? – ele apontou para uma baixada, a não mais do que cem metros da cerca que demarcava o fim da fazenda. – Logo depois dele tem uma trilha que vai dar no meio da mata, atravessa o rio e sai num pasto do outro lado. Todas as noites, à meia-noite, a luz passa por lá.

– No poste?

– Não, idiota. No pasto.

– Eu não vou atravessar floresta de noite não, cê tá louco? Vai que tem cobra.

– Não tem cobra aqui não. Agora, se você tá com medo.

– Quem tá com medo?

– Você! Sempre foi cagão.

Puto da vida eu levantei da mesa. Não precisava da merda do meu irmão mais velho me humilhando na frente da minha família e no meio das minhas férias. Minha vida já era ruim suficientemente sem isso.

– Beleza, eu vou. E vou perguntar pro caralho dessa luz qual é a dela.

Mateus sorriu. Pegou uma coxa de frango e rasgou com os dentes.

Eu esperei o tempo passar. Por volta das dez, Juliana e as crianças foram pra cama, com certeza com medo de que eu fizesse algum deles vir comigo, porque nenhum daqueles filhos da puta dormiam naquele horário. Por volta de onze e meia, Mateus de deu uma lanterna e indicou o caminho mais uma vez.

– Você não vem? – eu perguntei.

– Não! – ele respondeu. – Eu acredito nessa merda. E tenho medo pra caralho.

Transtornado, acendi a lanterna e segui meu caminho. Quando abri a porteira, senti algo passar correndo, roçando minha perna. Confesso que me sobressaltei, mas só até eu descobrir que era o danado do perdigueiro. Depois disso ele foi comigo, lado a lado, pelo caminho. Meu único amigo naquela breve jornada sem sentido.

Entrei na mata, desviei de alguns galhos pendurados, passei por um pinguela sobre o rio e cheguei no pasto. Era uma clareira no meio da mata e não havia nada a não ser alguns cupins espalhados. Tirei o celular para olhar as horas. Onze e cinquenta.

– Luzinha! – chamei. – Psiu, psiu. Cade você? Vem me iluminar que noite tá escura. – zombei. Olhei de um lado para o outro e nada apareceu.

Sentei em um cupim e esperei. Ao meu lado, o perdigueiro deitou. Repousou o focinho em uma das patas e fechou os olhos. Logo, eu estava perdido em novos devaneios sobre a quantidade de trabalho que me esperava quando voltasse para casa. Ao meu lado o perdigueiro abriu os olhos. Em um salto, se levantou, as orelhas erguidas. Olhava fixamente para o meio da mata. Eu também levantei. Percebi, então, que não havia nenhum som naquele lugar. Nenhum pássaro noturno, sapo ou grilo. Só o vento soprando e, mesmo assim, inaudível. O perdigueiro continuava parado, olhando fixamente para a mata. Eu, então, já tremendo, apontei a lanterna para o lugar para o qual ele olhava. As folhas balançavam-se, mas não havia nada entre elas. Ao menos nada que eu conseguisse ver. O animal ao meu lado então abaixou as orelhas. O rabo colocou-se entre suas pernas enquanto ele buscava abrigo entre as minhas. Enroscou-se de tal modo que quase me derrubou. A lanterna, agora nervosa, balançava seu feixe de luz entre as árvores, procurando por algo que pudesse justificar o comportamento do cachorro, mas sem a certeza de que queria encontrar.

O perdigueiro então soltou um ganido, como se alguém houvesse lhe chutado com toda a força e saiu em disparada pelo caminho de volta. Mais uma vez eu estava sozinho. Então eu vi um brilho, ainda tênue, surgindo dentre as árvores. Comecei a tremer mais do que nunca, o pavor foi tomando conta de mim. Senti a bexiga querendo começar a se soltar e arranquei forças, Deus sabe de onde, para dar meia volta e correr atrás do perdigueiro. Agora, no entanto, já não conseguia apontar a lanterna para iluminar o caminho, e os galhos que pendiam entre as árvores me rasgavam as roupas e a pele. Não notei, na correria, a aproximação do rio e, por consequência, quando chegou, pisei fora da pinguela. Por sorte, eram apenas alguns centímetros, e caí na água sem me machucar muito. Apontei a lanterna para trás, tremendo feito um desgraçado, pra ver se a coisa ainda estava atrás de mim. Então, do meio da mata, ouvi uma voz perguntando.

– Ocê tá machucado?

Saiu do meio das árvores uma velha negra, corcunda e feia feito o diabo, a mão esticada para me ajudar a tirar do rio, à qual recusei inicialmente.

– Ocê num preocupa que eu inda sô desse mundo. Mas a coisa que tá atrás d’ocê num é não.

– Q-que coisa? – perguntei, agora aceitando a ajuda. A força dela era impressionante e, em um piscar de olhos, eu estava fora do rio.

– A coisa que bria. O povo pensa que é mãe d’oro, mas né não. Eu já vi mãe d’oro e mãe d’oro bria marela. Esse trem bria vermeio purquê vem lá debaixo. E ocê brincô cum ele. Num divia tê brincado. E depois ocê correu. Num divia tê corrido. Divia de tê pidido permissão pra saí. Agora a coisa tá atrás d’ocê.

– Mas, o que que eu faço?

– Agora nada que já foi-se imbora. Mas, ela num isquece. Ela vai atrás d’ocê e das coisa que ocê tem medo. E ela entra nos corpo que é pra sabê dos seus segredo. Ela vai discubrí. E ela vai usá eles. Ocê desafiô e ocê perdeu.

A velha, então, partiu, me deixando no meio da mata. Agora o medo da coisa que me perseguia já havia passado, tinha sido substituído por um outro, mais sinistro e menos palpável. Acho que tinha medo de mim mesmo.

Voltei pela trilha até a fazenda pensando no que a velha havia dito. Depois de certo tempo disse a mim mesmo que era tudo bobagem, que fora provavelmente ela a luz no meio do mato e quem assustou o perdigueiro. Arranjei mil e uma explicações, mas não consegui convencer a mim mesmo.

Meu irmão esperava na varanda com um sorriso de escárnio nos lábios. Passei por ele sem dizer nada. Ele, provavelmente assustado ao ver meu estado, mudou de expressão. Por uma fração de segundo pude ver horror em seus olhos.

Fui até o quarto. Juliana dormia, indiferente ao que acontecia no resto do mundo. Arranquei as roupas e coloquei-as em uma sacola para jogar fora. Peguei outras na mala e vesti. Fui até a cozinha beber algum café. Claro que, em circunstâncias normais, seria uma péssima ideia, mas, veja bem, eu não dormiria bem de qualquer forma. Sentei à mesa, a xícara fumegante entre as mãos, pensando no que havia acontecido. Olhei para o relógio. Meia-noite e meia. Lá fora nenhum som. Meu irmão, provavelmente, havia ido dormir. Eu estava sozinho na casa. Ou talvez não.

Caminhei de um lado para o outro pela casa como um fantasma entediado. Naquele instante desejei estar de volta ao escritório, enfiado em alguma pilha de papéis com meu chefe gritando na minha orelha as reclamações de algum cliente insatisfeito. Mas, não, eu estava ali, preso em meus próprios pensamentos e assombrado pelas palavras de uma velha que nunca havia visto antes.

Eu tentei pensar em outras coisas, menos sombrias, aquele tipo de estratégia que a gente tem quando criança para afugentar os pesadelos. Nem unicórnios, nem arco-íris, nem a porra dos ursinhos carinhosos conseguiram diminuir o meu pavor, no entanto. A quem eu estava tentando enganar? Eu estava cagado. Não no sentido literal, mas isso não demoraria a acontecer em meu atual estado de nervos. Que porra é essa de medo irracional que toma conta da gente e torna nossas ações inúteis e nossa vontade indiferente?

Alguns passos a mais no silêncio daquela casa de fazenda e a loucura começou a aumentar. Impressão minha ou havia outros passos além dos meus? Andei mais um pouco e ouvi. Meu pé batia contra o chão e, instantes depois havia outro som idêntico. Ora, que absurdo, devia ser o eco. Continuei vagando pela construção. O som continuava. Parei mais uma vez para ouvir. Dessa vez o eco não parou. Continuou, lentamente, pé ante pé, bem atrás de mim. Juntei forças para tentar girar sobre os calcanhares, mas não consegui. Estava congelado. A coisa foi se aproximando, e quando chegou atrás de mim parou. Pude sentir seu hálito, quente e fedorento.

– Mecê pensa que foge do destino? – perguntou a voz atrás de mim.

– É você velha? – perguntei de volta em um sussurro, tudo que minha garganta era capaz de produzir em seu momentâneo estado de terror. – Você que veio me assombrar?

– A gente é véia sim, mas num é homi nem muié que donde a gente vem a gente é os dois e nenhum. Mecê veio procurá a gente mais cedo. Mas, fugiu. Só que quando mecê procura a gente, mecê acha, e depois num pode vortá pra trás.

– Quem é você? É o diabo?

– Diabo? Esse trem de diabo foi mecês que trouxe do outro lado das água. A gente já vivia aqui muito antes disso. A gente num tem nome, não sinhô, que donde a gente vem num precisa. A gente suvia pra chamá os ôtro.

– O que você quer comigo?

– Ah, mas a gente num qué nada de mecê, mecê que qué coisa da gente. Mecê que veio procurá a gente, lembra? Agora mecê tem que terminá o que começô. Mecê faz pidido, a gente dá.

– E qual é o preço? Eu posso escolher qualquer coisa?

– Ah, mas mecê intendeu errado. O pidido é o preço, purque ele vem de dentro. Mecê num diz pidido, mecê pensa pidido. E a gente dá.

Aterrorizado, eu tentei não pensar em nada. Qualquer ideia que me passasse à mente, a coisa ia distorcer e criar algo horrível. Mas, quanto mais eu tentava bloquear a mente mais ela respondi.

– Ah, mecê tenta iscondê os pensamento. Mas, a gente vê tudo.

Senti, na nuca, uma mão gelada e enrugada. E vermes desceram dela. Subiram pela minha cabeça e entraram por dentro da camisa. Paralisado, nada eu consegui fazer.

– Ah, intão é isso que mecê qué? – disse, enfim, a coisa. – É isso que mecê vai tê.

Lentamente, eu senti a coisa se afastando. Eu estava, novamente, sozinho. Passei a mão pelo corpo, procurando pelos vermes, mas, eles também, haviam desaparecido. Levei as mãos ao rosto, tentando conter as lágrimas de desespero e alívio.

Ainda tremendo, caminhei lentamente em direção ao meu quarto. Tentava esquecer o que havia acabado de acontecer. Fracassei. Meus passos continuavam soando pelos corredores da casa vazia. Só que estavam sozinhos agora.

Levei, enfim, a mão até a maçaneta da porta do meu quarto e me preparei para girá-la. Parei. Ouvi um som intenso, vindo de outro quarto. Girei a cabeça em direção ao som. Havia uma respiração forte, entrecortada por gemidos estranhos. Mecanicamente, segui o som. Passei pelo quarto de meu irmão. Segui pela porta onde Pedro dormia. Parei em frente a porta de Carol. Era de lá que vinham os sons, então.

Relutantemente, abri a porta. Deparei-me com a visão de minha própria filha, nua, banhada em suor, e tocando-se. Olhou para mim, lambendo os lábios.

– Agora mecê vem buscá o que qué. – ela disse.

Entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim.

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32 comentários em “NÃO DUV(ID)ARÁS, ou uma tragédia moderna em três atos (Marcos Costa)

  1. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    Um conto muito bem escrito. Praticamente isento de erros, construído com esmero e com ótimo suspense. Gostei do narrador/protagonista por conta de sua “humanidade”. É um sujeito cheio de defeitos – alguns até poderiam ser classificados como doença – cujos atos são bem fundamentados por um raciocínio claro, ainda que dele se discorde. O encontro com o sobrenatural é até simples – uma espécie de desafio entre irmãos, sobre entrar em uma floresta escura onde há uma luz suspeita. A presença do cachorro foi bem vinda, para dar verossimilhança ao fato, o que é contrabalançado pela aparição da mulher quando o sujeito, em fuga, cai no rio. Essa mulher revela-se um personagem necessário (eis que explica ao leitor o teor da maldição), mas por outro lado sua construção é pouco inspirada. Gostei da maldição, contudo, no sentido de que irá – como aparentemente fez – manipular os segredos mais odiosos do personagem, levando-o a cometer os atos mais vis que tenta esconder. Nesse aspecto, não sei se foi uma boa ideia puxar para o lado da pedofilia. Isso, em vez de causar horror, no sentido de medo, leva o leitor a sentir ojeriza, nojo. Há quem diga que se trata de diferentes aspectos do mesmo sentimento, mas para mim o efeito teria sido melhor se o pai sentisse desejo de matar a filha, e não de fazer sexo com ela. De todo modo, um conto acima da média. Parabéns!

  2. Luiz Henrique
    17 de outubro de 2017

    Literalmente é um texto pobre. O enredo não se sustenta pela sua pró-pria narrativa criada. Houve excessos. De um palavrório grosseiro, para não dizer o pior, sem sentido e desnecessário, para justificar o terror infame do incesto. Muito embora, se intencionalmente criado a propósito, o protagonista é uma obra prima da cafajestagem humana. Fico a imaginar uma mulher sendo obrigada a aturar sujeito tão vil. Embora reconheça que tal personagem faça parte da raça humana. Com relação à gramática, houve erros, mas nada que uma releitura mais apurada não possa sanar. Os diálogos na mata foram muito bem produzidos. Mostrando a faceta calhorda do personagem. Tão destemido a luz dos outros, e um borrabotas às escuras?

  3. iolandinhapinheiro
    17 de outubro de 2017

    Então. Difícil comentar o seu conto, autor, foi um dos mais desagradáveis textos que já li. O protagonista não gera uma gota de empatia com os leitores. É um homem sem sentimentos. Despreza a mulher, fala 10 palavrões a cada frase pensada, não tem uma relação de amor com os filhos, vê as pessoas apenas como fonte de prazer ou desgosto, e (o cúmulo) quer fazer sexo com a filha. Imagino que deve ter sido difícil até para você escrever tudo isso de tão ruim. Na vida real não existem pessoas completamente ruins ou completamente boas, então acho que o seu personagem careceu de nuances que lhe tornassem autêntico, que lhe dessem credibilidade, existência.

    Terror: A luz que existia no mato era para ser o terror, mas a senhora que conversou com ele roubou a cena totalmente. Achei duas coisas – o uso da mulher falando tudo sobre o que tava acontecendo foi a maneira de explicar o conto, faltou o cara ir descobrindo por si mesmo. Vi isso em alguns contos aqui, não é legal. Não senti medo, senti desprezo pelo cara.

    O conto é bem escrito, mesmo o texto sendo bem desagradável, nota-se o domínio que a pessoa tem para contar a história.

    Os erros gramaticais já foram apontados pelos colegas.

    Sorte aí no desafio. Abraços.

  4. M. A. Thompson
    17 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    Homem chega de carro em um lugarejo, tem contato com uma luz, uma entidade torna o desejado em pensamento realidade e o desejo do sujeito é traçar a própria filha.

    O QUE ACHEI
    Ao ler o título torci o nariz pensando que leria um conto prolixo demais para o meu gosto. Até que não, então foi uma surpresa agradável até encontrar a frase:

    “porque a porra da minha querida esposa”,”liguei o foda-se”,”merda do ar condicionado”

    O personagem parece que tem hemorroidas de tão mal-humorado.

    Não sou fã de chulice gratuita no texto, veja que eu também uso, mas com muita parcimônia. Você deve ter um público que gosta, a exemplo do Felipe Neto. Eu não.

    Por outro lado, preciso considerar se a ideia era mesmo criar o personagem grosseiro e desprezível, até para justificar a suposta pedofilia no final.

    Preciso reconhecer que você escreve bem, já da sua história eu não gostei: pela chulice, por remeter ao Desafio Folclore, pelo excesso de eventos que não se harmonizaram.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Nada que comprometesse a leitura.

    O Terror está presente?
    Não. Está mais para conto regional, folclore, lenda.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Não. Na verdade, foi o que menos agradou até o momento e não entendi o porquê da filha falar igual caipira.

    Boa sorte no Desafio.

  5. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Gostei do roteiro, mas ele já não é novidade. O tabu é algo que conta ponto. O personagem é detestável, mas eis que, se o objetivo foi esse, foi vencido, apesar de eu preferir um personagem que mudasse no final, ou pra melhor ou para pior. Sabe aquele ponto onde o cara dá uma guinada e surpreende? Bem esse. O sobrenatural está presente, mas não contou muito para eu considerar como um conto de terror, propriamente. Acho que pode dar uma revisão geral, mas não notei nada que atrapalhasse muito a fluidez da leitura. Só achei o vocabulário um pouco forçado em algumas partes. Boa sorte no desafio.

  6. Fil Felix
    14 de outubro de 2017

    A aparição possui o papel de externalizar o mal e os desejos que já estavam dentro do protagonista. Isso é legal porque não rola uma transformação de caráter. E também por levantar algumas questões, como esses desejos. Todo mundo pensa maldades em algum momento, bater em alguém e cia. Certa vez um professor deu um exemplo desse tipo, disse que todo mundo fala sobre roubar um Banco, que mudaria a vida, que ficaria rico. Mas ninguém tem coragem de fazer isso. Mas pelo inconsciente coletivo, alguém vai lá e rouba um Banco, se torna o mártir. O julgamos depois, o chamamos de ladrão. Mas é exatamente o que pensávamos em fazer. Na época eu gostei dessa ideia, dá pra colocar em vários aspectos. (Não que seja o caso de todo mundo pensar em abusar de uma criança, que fique claro).

    Mas voltando ao conto, essa atmosfera de demônios da mata, é o ponto alto. Porém há uns trancos no formato e no desenvolver. Logo nos dois primeiros parágrafos é tanto palavrão que acaba transbordando. Quando ele vê a filha, também já fica subentendido o que vai acontecer, que terá a pedofilia como foco. A leitura é fluida, mas tem alguns errinhos e/ ou palavras comidas.

  7. K.W König
    13 de outubro de 2017

    Enredo: O conto é bom, divertido em certas partes, tratasse de um sujeito revoltado e incrédulo que deseja a própria filha. Haha a velha me fez rir, muitas coisas me fizeram rir…

    Tema: Não achei Terror no seu conto, mas isso não interfere no quanto foi boa a leitura.

    Considerações: Gostei, apesar de ter saído do tema (na minha opinião), foi uma boa leitura. Mas, a duvida é… Depois do fim, na mente do autor ele “teve” a filha? Se teve, ele não teve a velha? Haha Enfim parabéns, boa sorte!

  8. Lolita
    9 de outubro de 2017

    A história – Sujeito desprezível vai para casa de parente e lá é tomado por demônio – ou ele próprio já seria o demônio?

    A escrita – Os diálogos caipiras deixaram a história truncada, o que fez eu me perder um pouco. Ou não sei, o autor criou um protagonista tão repugnante que eu não consegui sentir simpatia em momento algum.

    A impressão – Foi um dos contos que mais mexeu comigo, para o bem e para o mal. Alcançou o pretendido. Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. José Leonardo
    9 de outubro de 2017

    Olá, Marcos Costa.

    Acredito que seu texto, quanto ao estilo, pode ser dividido em dois blocos. Nota-se que na segunda metade o narrador-personagem desenvereda do bukowskiano (se podemos chamar assim) como se, em realidade, outro narrador se apossasse da caneta. E uma distinção estranha, mas pode ser algo da minha cabeça.

    O interessante do enredo é o “encontro” na mata, onde aparece um tipo de “gênio da lâmpada” que virá a calhar ao narrador. O terror, aqui, não entremeia os personagens, mas o leitor, ainda que conheçamos os extremos da natureza humana (objeto final do conto).

    Assim sendo, o tema, mais subjetivo, pode causar estranhamento ou argumentos de não-adequação. Não vejo assim. Acrescento que é um ótimo mote. Posteriormente, estou certo de que os erros serão sanados.

    Abraço fraternal e sucesso neste desafio.

  10. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Um conto que me traz referências aos dois últimos motivos dos desafios Entrecontistas: o folclore e a comédia. O folclore com essa luz que é um pouco da mãe do ouro e a comédia que aquilo que senti na cena do nosso protagonista fugindo foi vontades de rir. Calma, amigo, isto não tira a força do seu conto de terror. Uma história realmente sinistra e bem construída, apesar de que não consegui entrar na trama. Talvez a questão da verossimilhança. O final é o ponto forte do terror. A mente doentia do pai que nem precisa pedir, mas que pensa luxuriosamente na filha e acaba por tê-la. Meu Deus, terrível cena, horror absoluto. Grande abraço.

  11. Rose Hahn
    7 de outubro de 2017

    Caro autor, o seu protagonista é um horror, e ele sustenta muito bem a trama de terror pretendida. Ponto positivo. A enxurrada de palavrões e expressões chulas casaram bem com o personagem e o seu mundo caótico. Quanto a questão das cenas de terror, propriamente ditas, não senti o impacto pretendido, talvez porque o próprio personagem abarcou tudo isso, ou porque o mesmo zombou do coisa ruim, parece que não havia algo maior do que a sordidez dele. Também considerei que a linguagem caipira dos seres designados a causar medo, quebraram o virtuosismo pretendido, acho que não combinou com terror. Gostei da cena final, apesar de remeter à pedofilia, entendi como a encarnação do mal na filha, e não propriamente a filha, e sim a assombração da mata. Adorei o “Isso non ecsiste!”, vi o padre Quevedo na minha frente. Parabéns, sorte no desafio.

  12. Angelo Rodrigues
    5 de outubro de 2017

    Olá, Marcos,

    Acho que o conto está bem construído, tem ritmo, boa pegada.
    Confesso que não sei bem como qualificá-lo, pois não vi ou senti elementos efetivamente característicos do Terror.
    Terror que impele à pedofilia, sei não… acho que fica meio nem uma coisa nem outra.
    Percebi uma série de elementos de composição claramente sendo clichês. Não acho que clichê seja ruim, particularmente em gêneros como terror, comédia, sci-fi, mas devem ser profundamente bem trabalhados para não parecerem… clichês.
    O excesso de trabalho, o emprego ruim, a falta de sexo com a esposa, a negra velha falando como caipira, sei não… acho que enfraquece.
    No título do conto, achei que você quis (pretensão minha) introduzir um elemento de psicanálise (id), em Não duv(id)arás…. Se estou certo, o título conspiraria contra o conceito de terror, pois seria apenas uma fantasia id do personagem.
    Freud define o id como a fonte de toda a energia psíquica, tornando-se o principal componente da personalidade do Homem.
    Talvez represente a vontade inata do Homem (personagem) pelo corpo da filha? Que terror!

    Valeu, Marcos, boa sorte.

  13. Luis Guilherme
    3 de outubro de 2017

    Olá, amigo, cê tá bão?

    Como tenho dito, esse desafio me toca particularmente, uma vez que amo o gênero. Estou na expectativa doq vai aparecer por aqui.

    Dito isto, vamos ao seu conto:

    Você é ousado! hahahaha.. que conto pesado, ein?

    Sua escrita é muito boa, mesmo! Você é muito competente, e a narrativa me prendeu do início ao fim. A leitura flui bem e é agradável., sabe?

    A mente obscura do protagonista é bem retratada, e o personagem é bem construído, abrindo o campo para os acontecimentos do enredo. Porém, acho que a previsibilidade atrapalhou um pouco. Veja, eu gostei do conto, pois o enredo é rico. Porém, acho que faltou um pouco de mistério, já que é tudo meio que entregado de bandeja. Logo na cena do carro já imaginei que no final fosse ter pedofilia.

    Assim, ao transcorrer do conto, só fui encaixando as novas informações para deduzir o final.

    A cena no matagal é o ponto alto do conto.Pela minha interpretação, tudo não passou de subterfúgios da própria mente do personagem para justificar o ato repugnante. Não sei quanto daquilo realmente aconteceu e quanto não passou de alucinação de uma mente que procurava justificativas. Essa dualidade ficou bem legal.

    Por fim, e não menos importante, temos a questão do terror. Acho que nisso você pecou. O conto é muitíssimo bom, mas não senti muito terror nem suspense, uma vez que o personagem não é atormentado por nada disso, e acaba “se beneficiando”, de acordo com seus desejos mais íntimos, da situação. A única cena que se aproxima do terror é a já citada do matagal, mas o efeito acaba se perdendo quando se nota que na verdade ele “ganhou” (note que estou usando aspas justamente pra reforçar que o ganho, no caso, se refere ao desejo reprimido que ele desejava justificar). Ou seja, ele não foi assombrado, nem nada do tipo (fora o susto inicial), foi quase um prêmio. Isso acabou quebrando um pouco o terror.

    Ainda assim é um belíssimo conto, de muita qualidade estética e de narrativa.

    Parabéns e boa sorte!

  14. Lucas Maziero
    1 de outubro de 2017

    A prosa apresentada aqui é muito boa, não perde o ritmo e não nos deixa perder o interesse. O começo prometeu que alguma coisa sinistra iria acontecer em algum momento, e cumpriu. Marcos e o irmão são uma dupla de sacanas, Marcos pelo impudor e as falhas de seu caráter, e o irmão por deixá-lo embrenhar-se na mata mesmo sabendo que daria merda, o que, para mim, foi bem merecido.

    Eu só não sei, talvez falte um pouco ou um bom tanto de percepção ao meu entendimento, não sei o que representa a presença da velha no meio da mata. Seria uma projeção da mente de Marcos, ou apenas um recurso narrativo para quase ao final a voz que ele escuta ser confundida com a da velha, e criar um pavor que, por conta disso, não funcionou?

    Por outro lado, funcionou bem o horror que aquela luz sobrenatural, ao estilo de Pennywise, que mexe com o subconsciente e projeta ilusões bem palpáveis, causou na vida de Marcos. Não vou dizer que eu não esperava que algo acontecesse relacionado com a filha, contudo a cena final ficou temível.

    Parabéns!

  15. Fheluany Nogueira
    1 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Gostei do título criativo, mas o (id) deixou a narrativa previsível: os impulsos mais primitivos, que norteiam o prazer, não serão reprimidos. O comportamento do protagonista é real.

    Terror e emoção – Se o personagem fosse decente e os eventos sobrenaturais o tivessem corrompido, haveria terror. A primeira pessoa, aqui, funcionou às avessas, ao invés de dar credibilidade ao narrador, pareceu que toda a história era uma desculpa para os seus atos.

    Escrita e revisão – São vários os problemas gramaticais e estruturais: digitação, pontuação, conjugação verbal e mais os excessos vocabulares e a fala tão acaipirada da entidade.

    No conjunto é um bom trabalho. Abraços.

  16. paulolus
    29 de setembro de 2017

    A Princípio o texto flui leve, mas logo cai numa linguagem vulgar, ao meu entender sem muito sentido. No mínimo houve excesso. Seria esse palavreado chulo necessário para justificar o terror infame do incesto? Penso na pobre da mulher que tem que aguentar um sujeito tão chinfrim, quanto o protagonista deste conto. Com relação à escrita, houve alguns erros que uma leitura mais atenta poderia ter evitado, supressões como: “Cansado do trânsito que tinha pegar todo dia”, e “não ser pegado”. Por que esse particípio? Embora eu não seja nenhum guru da gramática ortodoxa, estou mais para a linguagem epilinguística, mas lapsos como estes doem. Algumas contradições: a lanterna ilumina cupim no escuro, mas não clareia folhas nos galhos? No começo do enredo o personagem parece um ser destemido, senhor do mundo, mas na hora do deus-nos-acuda, não passa de um frouxo? Muito bem, mas agora falemos dos pontos positivos, como disse lá no início, o enredo flui correntemente, bem elaborado até culminar com o real intento do autor. O protagonista é coerente do princípio ao fim em sua sordidez. Os episódios na mata foram muito bem desenvolvidos. O autor só precisa se conter um pouco nessa ânsia de dizer o indizível. Pois este é mais um dos autores presente neste desafio de grande potencial para o gênero terror.

  17. Ana Maria Monteiro
    29 de setembro de 2017

    Olá Marcos.
    A primeira coisa que me chamou a tenção no seu conto foi o título com o “id” entre parênteses e uma vez que a palavra sem essa sílaba não tem sentido, ele teria que residir aí mesmo, no id. Foi dentro desse espírito que o li. E foi também aí que o encontrei.
    O personagem foi muito bem construído; um homem normal, com problemas normais e um lado B, como todos temos.
    A nível da escrita encontrei algumas falhas que outros comentadores já referiram e sobre as quais não irei deter-me.
    O que me incomodou um pouco foi o excesso de palavrões; se alguns soaram naturais, outros deram a nítida sensação de ter sido incluídos propositadamente sem que se consiga descortinar em que reside esse propósito. Então, resulta mal.
    Gostei particularmente da tentativa de fuga ao id. O desejo secreto pela filha esá bem apresentado, imagino que, da forma como está representado, ocorra com mais frequência do que supomos. Francamente, não sei. Calculo que sejam momentos que alguns homens vivem ao olhar as filhas e que de imediato afastam da ideia e que se sintam culpados e “sujos” só porque aquela sensação nasceu espontaneamente e fora da sua vontade.
    Este personagem, sendo banal, de mau feitio e um caráter não propriamente exemplar, ainda assim não me ofereceu, enquanto leitora, a imagem de alguém cujo desejo mais íntimo fosse levar a relação à prática.Esperaria muito mais que ele matasse a mulher de quem está saturado ou, de regresso à cidade, desse cabo do chefe ou tentasse destruir empresa onde trabalha – esses sim, desejos íntimos e profundos de coisas que ele desejaria eliminar da sua vida.
    Não obstante, apesar do que disse,o que esperei foi precisamente o que sucedeu, apenas que não assim. A rapariga oferecendo-se ao pai, sem mais nem menos, deu a ideia de ter sido um final construído à pressa,como se você quisesse libertar-se do seu próprio conto, como se não gostasse dele.
    A escrita deu-me a ideia de que você é homem, bem diferente de Marcos, (pseudónimo e protagonista) e que ao desenvolver o id dele, foi o seu que se manifestou não direi com horror ou terror, mas uma certa repugnância que o levou a terminar de forma pouco elaborada. Repare: quem tem o encontro com as forças do mal é o pai e quem manifesta ficar possuído por elas é a filha. Parece-me que seu Id não aguentou mais arcar com aquela carga tão suja e passou-a para ela terminando da forma esperada mas abrupta.
    O conto é fácil de ler e bem conduzido, mas a forma desse final está muito forçada.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. angst447
    29 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio. O terror está todinho aí, mas fiquei com a impressão que este conto estava aguardando o desafio Tabu que nunca veio.

    E (estilo) – Tapa na cara do leitor para ver se acorda. Acordei, poxa. Narrador agressivo, de mal com a vida. Achei a construção do personagem/narrador muito boa. Senti repulsa imediata, o que é sinal de que a técnica funcionou.

    R (revisão) – Alguns erros passaram, como os colegas apontaram muito bem. Preguiça de repetir todos os lapsos. Posso deixar para depois? Mas acredito que foi mais pressa do que descuido mesmo.

    R (ritmo) – Bom ritmo, muito bom mesmo. As descrições e os diálogos fluíram como água. Leitura facilitada, thanks.

    O (óbvio ou não) – Bom, eu logo vi que ia acabar em incesto, mas não quis acreditar. Óbvio ou não, funcionou muito bem. Achei um horror mesmo, estou aterrorizada com a narrativa. Parabéns.

    R (restou) – Medo dos meus próprios pensamentos. Quem nunca?

    Boa sorte!

  19. Andre Brizola
    28 de setembro de 2017

    Salve, Marcos!

    Admito que tive problemas com seu conto. E isso é um elogio, porque eu gostei. Se deu problema é porque despertaram no leitor algum tipo de reação. Esse comportamento do protagonista, tão palpável, me deixa desconfortável, pois é muito próximo da realidade.
    Não costumo me ater à qualidade gramatical do texto, mas há um ou outro ponto que poderia ser revisado com mais cuidado. Alguns camaradas já citaram um ou outro exemplo, mas o “não ser pegado em algum radar” foi muito dissonante e me tirou do rumo do conto.
    Mas o problema que vejo aqui é que há pouco de terror nele. A cena do “confronto” com a luz misteriosa foi o que mais se aproximou do gênero, mas é uma parte pequena do conto.
    Entendo que a história é contada pelo personagem, é uma narração. E desde o início ele se preocupa em detalhar todo o estresse que estava passando, toda a frustração, toda a revolta. Mas usa pouco espaço para narrar o encontro sobrenatural, de modo que, em meu ponto de vista, essa é uma parte “menor” em sua relação com a própria história. Mais foco nessa parte teria resolvido isso, acredito.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  20. Rafael Penha
    27 de setembro de 2017

    A construção do personagem me pareceu muito boa. Muito humano e mundano. Talvez tenha sido um pouco exagerada, pois acaba desconectando o protagonista com a realidade, mas nada além do tolerável. O desejo pela filha pareceu muito original e real, mas em minha opinião, poderia ter sido melhor explorado, de forma que o desfecho da história ocasionasse em verdadeira punição para o protagonista.
    Há erros na gramática, mas não me incomodo quando não são grosseiros, meu foco é na história. A Coisa que ele encontra é bem desenvolvida, no ponto certo, apesar da aparição da negra no rio ser um tanto gratuita e acabar entregando coisas que o leitor deveria descobrir por si só, ou serem inseridas de forma menos didática.
    O final é muito bom, mas me remeto ao inicio de minha crítica, faltou um melhor desenvolvimento do desejo e temor e temor deste, pelo protagonista em relação a filha, para que o desfecho, fosse verdadeira punição. Pela superficialidade desta psiquê do protagonista, o leitor pode imaginar que ele transou com a filha e no dia seguinte ambos encararam como se nada houvesse acontecido e assim seguiu pelo resto de suas vidas. Se dor, sem autoflagelo. A construção do personagem, dá muita margem a esta interpretação.
    No mais, muito bom texto, fluído, o excesso de “ísmos” faz cativante e humano o protagonista.
    O terror foi pouco explorado, poderia ter sido melhor desenvolvido na mente do personagem.

  21. Nelson Freiria
    27 de setembro de 2017

    A princípio, a construção inicial do protagonista pretende chocar o leitor, expondo a escrotidão de tal personagem, já degradada por situações bem batidas, como: casamento infeliz, desejo sexual fora do casamento, trabalho estressante, etc. O autor(a) também faz isso atentando contra a moral e os bons costumes. A ideia é boa, principalmente pq deixa o leitor inquieto, mas assim como uma piada que perde a graça após mta risada, essa exploração excessiva prejudicou levar esses elementos a sério, ainda mais se tratando de terror. Um pouco mais de equilibro teria deixado o protagonista mais crível, mais humano, consequentemente aumentado o teor do choque ao final do conto.

    O clichê de “vida estressante na cidade grande x vida de ‘coçar o saco’ no interior” não acrescentou nada ao ao texto. Um pouco mais de originalidade durante a elaboração do conto, poderia trazer um sabor novo.

    Tem muitos erros de pontuação, digitação, conjugação, enfim, de tudo. Se a primeira parte do conto se tornou cansativa pelos exageros na hora de construir um personagem chocante, da metade para a frente, os erros castigam a leitura.

    O elemento sobrenatural ficou bem legal, mas a velha fez questão de “contar” o final do conto para a gente, que na verdade já era imaginado desde a cena do carro. Pelo menos, os diálogos com o ser dentro da casa, conseguiu criar tensão, não tornando a cena no mato em o único momento de terror no texto. Porém, se o protagonista não se importa com nada, não houve nele um efeito da aplicação desse terror. Isso é estranho, pq deveria ser esse o maior terror da história.

  22. Paula Giannini
    27 de setembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu texto me remeteu ao conto “O Livro dos Recordes” de Renato Lemos. Você leu? Eu sim, em um curso que fiz no Carreira Literária. O conto é muito bom e traz essa mesma sensação incômoda que o seu carrega.

    O tema escolhido mexe com um lugar recôndito da alma do leitor. Além de terror, horror, enfim, a premissa toca no tabu do incesto.

    O trabalho tem uma pegada bem masculina. Os piores medos do personagem, são medos masculinos que, talvez, passem um pouco ao largo para alguém que pensa como mulher. Ainda que lutemos pela igualdade de gêneros (e eu luto), não há como negar que há lugares que são próprios a cada um nós.

    O pior medo, nesse caso, não é o de algo externo e alheio à vontade desse homem, mas, algo terrivelmente mais assustador, esse pavor reside em si mesmo. O que ele teme? O que pensa. O que sente. Mais que isso, o que sabe que não pode ou deve pensar.

    Como leitora, acredito que seu protagonista, ao menos como entendo, não é exatamente um pervertido que deseja a filha. Ele é, na verdade, alguém que teme desejar a filha, pois, essas questões terríveis, estão impressas no mais oculto lugar de nossas almas. É como a mãe que não consegue sequer imaginar ou pronunciar a hipótese do filho morto. No caso, para o pai, é o fato de desejar a filha. O símbolo do proibido. Do que há de pior em nós. Consequentemente, do que há de mais temido para seu protagonista.

    A premissa escolhida pelo autor, é ousada e demonstra coragem, por se tratar de algo polêmico. Retratando não só o medo do sobrenatural (também presente no trabalho), mas o real, o que se esconde por trás de nossas aparência social, nossas máscaras, no caso, as máscaras de seu personagem.

    Sem sombra de dúvida uma escrita forte, com várias camadas e desenhada sob a aparência de um conto com uma pegada mais informal. Mas não é. Ao menos para mim.

    Parabéns.

    Desejo-lhe boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  23. Edinaldo Garcia
    27 de setembro de 2017

    Escrita: Há muitos erros. Muitos deles, acredito, que foram simplesmente devido a uma falta de revisão. No entanto, para mim, não interferiu no ritmo da leitura. Um vírgula colocada errada aqui, uma palavrinha conectiva que sumiu ali, e só isso. Há um “mais” no lugar de uma “más”. Gostei do narrador. Gostei dos diálogos. Do sotaque da velha. Achei que isso enriqueceu o conto.

    Terror: Há sim elementos claros de terror, mas nada de muito assustador. A cena da mata, do cão, dele correndo foi boa. Gosto muito desse tipo de terror. É muito nostálgico para mim. Minha infância foi polvilhada por esses causos. Eu gostei do enredo, mostra que quem é o vilão da estória não é a assombração, mas sim o protagonista. E me parece que a assombração foi só uma desculpa para ele abusar da filha, isso é um ponto negativo. Se aquele ser começasse a enlouquecer e distorcer o caráter do protagonista seria muito mais legal.

    Nível de interesse durante a leitura: Achei que supre bem. A leitura flui, os elementos extras adicionados como os músicos, o Padre Quevedo. Acho que faltou alguma coisa.

    Língua Portuguesa: É um texto que claramente precisa de uma revisão.

    Veredito: Bonzinho, mas faltou tempero.

    • Edinaldo Garcia
      28 de setembro de 2017

      Eu cometi um erro: é um “mais” (advérbio de intensidade) no lugar de uma “mas” (conjunção adversativa). Porém como eu disse, isso não interferiu no ritmo da leitura.

  24. werneck2017
    27 de setembro de 2017

    Olá,

    Alguém do grupo disse que o terror é aquilo que nos amedronta. Eu achei a construção do personagem incrível, muito boa. Um cara que está´de saco cheio da vida, de todos, da mulher e do filho. Não achei a expressão autista-tecnológico um preconceito, como a colega afirmou acima. Apenas um garoto que se alheia do mundo com a tecnologia, tão normal hoje em dia. O temor do personagem é a atração que sente pela filha adolescente. Soberbo! Esse sim é um tema bem tratado dentro desse gênero terror, que – vamos e venhamos – tem tudo de clichê, por mais que os colegas críticos procurem algo inusitado e original.
    vi apenas alguns erros que, reproduzo abaixo:

    que fora provavelmente ela a luz no meio do mato e quem assustou o perdigueiro. > que fora provavelmente ela a luz no meio do mato que assustou o perdigueiro.

    Ao meu lado o perdigueiro abriu os olhos > Ao meu lado, o perdigueiro abriu os olhos

    Cade você? > Cadê você?

    passei por um pinguela sobre o rio > passei por uma pinguela sobre o rio

    Mateus de deu uma lanterna > Mateus me deu uma lanterna

    Comi, enquanto um perdigueiro me olhava > Comi enquanto um perdigueiro me olhava

    alguém que não fodia a duas semanas > alguém que não fodia há duas semanas

    ao mesmo tempo em que se preocupa em não ser pegado > ao mesmo tempo em que se preocupa em não ser pego

    e isso, talvez, justificasse-lhe a aparência jovial e despreocupada > e isso, talvez, justificasse sua aparência jovial e despreocupada

    meu olhar se deteu > meu olhar se deteve

    Fora esses erros, perfeito. Parabéns!

  25. Regina Ruth Rincon Caires
    27 de setembro de 2017

    Erros graves de escrita. Agora, vamos à história. Incrível! Trama danada de boa, bem amarrada, muito criativa. Quanto ao personagem, é de dar náusea. Preconceituoso, cafajeste, coloca a mulher sob uma visão irritante, boca suja, odioso. Parabéns, autor!!! Baita criação. Devo destacar que o que mais me chocou, entre as citações preconceituosas, foi quando descreveu: “autista-tecnológicas”. Levei um soco no estômago. Confesso que é pessoal, em outros tempos, passaria na média dentre as outras citações. Talvez para a mulher, a repulsa por cenas inimagináveis fique ainda mais acentuada, gigantesca, e o relato choque muito mais intensamente. Fiquei chocada, mas o texto é muito bem trabalhado. Muito criativo! Parabéns, Marcos Costa!

  26. Pedro Teixeira
    27 de setembro de 2017

    A técnica é muito boa, trazendo um protagonista boca suja e escroto que parece bastante crível. É um estilo que lembra um pouco Bukowski. Ritmo e distribuição do enredo adequados.
    Há momentos engraçados, como o diálogo dele com o irmão, e também as observações sobre a cidade grande, pela rabugice. E também momentos de puro horror, como a cena em que a coisa se aproxima dele, e o final, claro.
    Nesse ponto, vi dois problemas: para mim,a fala da coisa, considerando a antiguidade dela, deveria ser mais adequada ao falar da própria vítima, e não ter aquele sotaque. Ainda assim, um momento horripilante, com toda uma descrição muito boa, excetuando esse detalhe.
    O outro ponto é que as dicas ao longo da trama já meio que antecipam o que a coisa foi buscar na mente dele, o que diminui um pouco o impacto do fim. No geral, um bom conto.

    Observações:

    sobre ela, meu olhar se deteu – não seria “se deteve”?

    Mateus de deu uma lanterna – deu

  27. Zé Ronaldo
    26 de setembro de 2017

    Cara, que sacada ótima para um conto. Gostei da roupagem nova que você deu a esse “Incubus”, muito bem bolado mesmo. A tensão na história vai do início ao fim (começa com a tensão da personagem principal, com sua vida de “merda” até a tensão aterrorizante do que o pai vai fazer).
    Os diálogos são o ponto forte desse texto, bem elaborados, conduzem o leitor do início ao fim, precisamente.
    Quase não há erros de concordância ou ortográficos, na minha leitura displicente, encontrei apenas um: “(…) alguém que não fodia a (há) duas semanas(…)”.
    A descrição que a personagem faz de sua vida e da própria família é maravilhosa, condizente com o perfil do homem moderno das grande cidades: sempre insatisfeito com o que tem e colocando a culpa em algo externo a si mesmo. Gostei pra caramba disso também!
    Cara, já foi até dito nos comentários: todo mundo já sabia qual era o pior medo da personagem, fiquei tentado a ver se ele pensava no “Stay Puff”, dos caça-fantasmas (hahahahahahahahahahaha), mas olha: mesmo sendo previsibilíssimo, teu final não perde o brilho, não, viu. É um final Serbian Movie, saca, é um terror, ao mesmo tempo insano e escatológico. Quem é pai de menina, sabe e sente o que estou falando. é a pior coisa que a gente pode pensar de e para uma filha nossa. É repugnante.
    Parabéns, camarada! textaço esse seu, viu!

  28. Fabio Baptista
    26 de setembro de 2017

    Muito bom!

    A técnica empregada me agradou bastante, curto esses personagens boca suja (apesar de não me identificar nada com eles! ahuahua).

    Para a revisão:

    – Olhar se deteu
    >>> deteve

    – não ser pegado
    >>> pego

    – Fodia a duas semanas
    >>> há

    – Juliana
    >>> o cara bateu punheta pensando na esposa??? Cara, essa foi a coisa mais inverossímil que já vi aqui no Entrecontos!!! AHUAHAUHAUHA

    – Ela respondi
    >>> responde

    A trama é bem clichê, mas não me incomodo nada com isso. O que importa é a história ser bem contada e aqui ela foi! Quando o cara fala da filha já meio que dá pra prever o desenrolar da trama, ou que pelo menos isso vai retornar em algum momento. E retorna mesmo, no final estilo Caça-Fantasmas, em que a deusa lá fala pros caras “escolham a forma do destruidor” kkkkk.

    Eu gostei do sotaque, embora isso tenha me lembrado das discussões despertadas no desafio passado. Gosto quando é possível reconhecer os personagens pela fala e aqui ocorreu isso.

    Enfim, gostei bastante, leitura agradável. Só não me deixou com medo, então não vai rolar nota máxima.

    Abração!

  29. Antonio Stegues Batista
    26 de setembro de 2017

    Enredo: Homem que vai passar fim de semana no interior, encontra bruxa que realiza seus desejos. No caso, transar com a própria filha? Achei péssimo.

    Personagens: Protagonista bem construído. Mau caráter, pedófilo. Sem classe.

    Escrita; Não encontrei erros, a não ser os palavões. Não vejo nenhuma arte literária nisso.

    Terror: Nenhum.

  30. Rafael Soler
    26 de setembro de 2017

    Embora o enredo seja batido – personagem cético desafia algo em que não acredita e tem de arcar com as consequências – gostei de como foi desenvolvido. Principalmente por se passar no interior do Brasil e pela tentativa de utilizar o folclore de nosso país, vide a mãe d’oro.
    No começo estranhei a estética “suja” do texto, mas depois entendi que foi um recurso necessário para a caracterização do personagem principal: um cara revoltado e descontente com sua vida.

    O que eu não gostei na história foi que o protagonista começou como um personagem escroto, devido aos seus pensamentos, e terminou da mesma maneira. O ser maligno da história só lhe deu um empurrãozinho. Acho que seria mais interessante se ele fosse corrompido pelo mal.

    Em resumo, é um texto bem escrito e que trás momentos tensos, mas que deixa algo a desejar devido à falta de evolução do personagem principal, na minha opinião.

    🙂

  31. Olisomar Pires
    26 de setembro de 2017

    Impacto ao eu-leitor: médio.

    Narrativa/enredo: sujeito estressado parte em viagem com a família e é visitado pelo mal. A fórmula é clássica: o cético sendo castigado pelo sobrenatural em que não acredita.

    Escrita: boa. Não notei erros graves. A leitura é fluida. O estilo chulo casou bem com o personagem.

    Construção: Há momentos muito bons ( o encontro com a “luz” , a velha e o diálogo na casa com o mal), entretanto, o “sotaque” usado para a velha lá no mato não combinou com o ser maléfico.

    O desenlace estava telegrafado desde o comentário sobre a garota no carro. E o fim como se deu destruiu a boa aura de terror criada. O personagem é só mais um tarado pedófilo e isto anula a suspensão de descrença, joga o leitor para a feia realidade.

    Se o personagem fosse bom e o “mal ” conseguisse corrompê-lo a ponto de estuprar sua filha, a sensação de terror/horror estaria consolidada, mas o sujeito é um crápula desde sempre, possivelmente ele abusaria da menina de um jeito ou de outro ao longo do tempo. Então todas as ocorrências sinistras não fazem sentido e apaga o medo que se vinha sentindo.

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Publicado em 26 de setembro de 2017 por em Terror.