EntreContos

Literatura que desafia.

Os que não foram (Howard A. Moreira)

Ding-dong. O relógio indicava meio-dia quando a campainha tocou.

João se arrastou mecanicamente até a porta. Seu mundo acabara de desabar e alguém vinha lhe encher a paciência. Não aguentava mais ouvir “meus pêsames” ou “ela está em um lugar melhor”. Achava que poderia agredir a próxima pessoa que lhe falasse isso.

Ding-dong. A campainha chamou novamente.

– Calma aí, já vai! – O homem gritou poucos instantes antes de abrir a porta com certa violência. Não perdeu tempo espiando pelo olho-mágico, não se importava com quem pudesse estar lá fora. Esse foi seu erro.

– Sr. Souza? – Perguntou a pessoa do lado de fora da porta. Era um homem alto, com pele pálida e enrugada. Os olhos eram cinzentos e faiscantes, e as maçãs do rosto eram pronunciadas. Usava um terno preto, bem alinhado, e chapéu. – Sr. João de Souza?

– Sim, sou eu. – João respondeu de maneira ríspida devido ao cansaço e a perda recente. A situação do homem estava estampada em seu rosto na forma de barba por fazer, cabelo despenteado, olhos distantes e olheiras escuras. – Esqueci de acertar alguma coisa com o pessoal do velório?

– Primeiramente, lamento pela sua perda. – O homem de chapéu, com um sorriso de dentes amarelados, respondeu. Os olhos continuavam a faiscar. – Em segundo lugar, não estou aqui para tratar de morte, mas, sim, de vida.

Por alguns instantes, João achou que sua mente pudesse lhe estar pregando alguma peça.

– Como é? – João limitou-se a dizer.

– Nós sabemos que o senhor está passando por um momento delicado. Primeiro o filho e depois a esposa. – O sorriso continuava estampado no rosto do homem – com dentes tão alinhados que só poderiam ser falsos – mas não chegava aos seus olhos, como se seu rosto fosse um misto de emoções conflitantes. Suspirou. – E lamentamos te incomodar agora, mas é por uma boa causa. Nós estamos aqui para lhe ajudar.

– “Nós” quem?

– Oh, me desculpe. Eu represento uma empresa, a Sier, que pode lhe ajudar em seu momento de luto. – O homem de chapéu estendeu a mão para João, que a pegou com certo receio.

– Me ajudar em qual sentido? – O enlutado perguntou desconfiado, ainda não tendo completa certeza se a situação era real ou se ocorria apenas em sua cabeça.

– E se te dissesse que podemos lhe devolver sua esposa por mais um dia? – Os olhos do homem de chapéu, que antes mostravam uma certa faísca, agora pareciam brasas incandescentes.

Talvez pelo luto e a esperança de ver sua mulher novamente, ou pelo fato de não saber se estava acordado ou não, João pediu para ouvir o restante da proposta.

***

O tempo pareceu se dilatar. Entre o momento em que João aceitou a proposta e o instante em que a campainha tocou, universos foram criados e destruídos; eras pareceram se passar.

Mas o som finalmente se fez ouvir pela casa. Foi um simples “ding-dong”, mas para João o som era pesado como um navio cargueiro. Animação e transgressão se misturaram em seu peito enquanto caminhava até a porta, e a expectativa pelo reencontro só fazia com que parecesse estar andando sem sai do lugar. Era como se o corredor se alongasse, postergando o que viria a seguir.

Ele finalmente conseguiu chegar à porta. Abriu-a e lá estava ela, Sophia.

A mulher sorria, os lábios vermelhos se contraindo contra os dentes perfeitamente brancos. Os olhos castanhos, estranhamente, estavam mais vivos do que nunca e os cabelos, da mesma cor dos olhos, lhe caiam até a metade das costas, lisos. O vestido era o mesmo com que fora enterrada – João não deixou de notar – mas não parecia nem um pouco fúnebre sendo usado por alguém com tanta vivacidade.

– Oi. – Foi tudo o que João conseguiu verbalizar. Tantas coisas lhe passaram na cabeça, tantas coisas inteligentes poderiam ter sido ditas, mas ele só conseguiu falar duas letras. Tudo bem, pelo menos havia feito a barba e tomado um banho.

Sophia riu, e por um instante a mulher foi mais radiante do que o Sol das duas horas da tarde.

– Não vai me convidar a entrar? – Ela perguntou inocentemente, sustentando o sorriso.

– Cla…claro. Entre. – João pareceu sair do estado de torpor. – Embora essa seja nossa casa e você não precise de convite.

– Talvez agora eu precise. – Ela disse de forma soturna, sem mais explicações, enquanto cruzava o batente. – Parece que eu não venho aqui à uma eternidade, sabe?

– Tive essa mesma impressão. – João estava deslumbrado em ver Sophia ali em sua frente, em pé e revigorada, mas, apesar do deslumbramento, estava com as guardas levantadas. – Como isso é possível? Você mor…

– Não vamos falar sobre isso. – A mulher jogou uma pedra sobre o assunto. As palavras atingiram João, que estampou o susto no rosto e fez com que Sophia mudasse o tom de voz para algo mais ameno. – Vamos falar sobre vida.

E eles falaram sobre a vida. Sobre quando se conheceram, sobre o primeiro beijo, a primeira transa, sobre irem morar juntos, sobre a aliança que João pôs no dedo de Sophia, sobre Conan, o cachorro que compraram antes de Willian nascer e que agora estava enterrado nos fundos do quintal, sobre o nascimento do próprio Willian, que também estava enterrado, mas no cemitério local, sobre quando compraram aquela casa, sobre tudo. Embora a vida deles, como a de qualquer outro casal, fosse marcada por tragédias, naquele momento inicial de seu reencontro se focaram apenas nas coisas felizes, apenas no lado bom da vida.

Posteriormente, analisando a situação em retrospecto, João gostaria que tudo houvesse acabado naquela conversa à mesa da cozinha. Se aquele reencontro terminasse ali, tudo teria sido perfeito. Mas, como você deve imaginar, a coisa não acabou ali e não foi nada perfeita.

***

A tarde passara rápida como um raio e o Sol já começava a se preparar para ir iluminar algum outro lugar quando João voltou do banheiro e não encontrou sua mulher à mesa da cozinha. Por um momento, achou ter finalmente a perdido para sempre, mas o barulho vindo da sala lhe disse que não estava sozinho em sua casa.

João se dirigiu até o cômodo de onde vinha o som, mais sorrateiro do que planejava, e encontrou Sophia se balançado no sofá. Para frente e para trás, para frente e para trás, como se algo houvesse se quebrado em seu interior.

Quando viu João, parou.

– Sente aqui. – Ela disse, dando palmadas no lugar ao seu lado.

Foi isso o que João fez, tomando cuidado, talvez inconscientemente, de não tocá-la.

– Sabe, eu já transei com o Vicente bem aí. – A mulher falou com a maior naturalidade do mundo, se referindo ao melhor amigo de João.

O homem deu um pulo do assento que havia acabado de tomar, como se a superfície fosse uma chapa quente. Se alguém lhe tivesse atirado um tijolo no rosto, o choque não teria sido maior do que aquele causado por aquela frase.

– O que…como assim? – João balbuciou, atônito pela revelação súbita.

– Foi isso mesmo que você ouviu. – Sophia continuou, com os olhos faiscantes e o sorriso ainda na boca. – Eu e seu melhor amigo, na sua sala.

– Por que você está me falando isso? – Era como se o chão tivesse saído de seu lugar habitual e João não soubesse onde apoiar os pés.

– Talvez eu não tenha outra oportunidade. – Ela riu, não como em vida, mas como em morte. – Você me quis de volta, não foi? Agora tem que lidar com as partes boas e as ruins disso.

– Não, não, não. – O homem negava a revelação. – Isso vai destruir a sua memória.

– Vai destruir minha memória ou a memória que você tinha de mim? – A mulher indagou, acariciando a almofada do sofá bem ao seu lado.

– O contrato não falava nada disso.

– Tem certeza? Leu as letras miúdas, querido? – A expressão no rosto de Sophia era de deboche. – Ou foi distraído como sempre?

– Eu, não…

– Sempre com a cabeça em outro lugar, é assim que você era e ainda é.

– Eu te amei. – João conseguiu formular.

– Me amou, sim. Mas era um amor dividido entre outras coisas. – Sophia, ou o que antes fora Sophia, gritou. – Você também amava seu trabalho, não é? Passava tanto tampo fora que tive de achar algum consolo. – Escarneceu.

João não aguentou aquilo, talvez por nunca ter visto a situação por aquela perspectiva ou por saber que tudo era verdade. Foi em direção ao hall de entrada, onde o cartão do homem de chapéu estava, sobre a mesa ao lado da porta.

Sophia não o seguiu.

***

– O seu contrato é de 24 horas, senhor. – O telefonista da Sier indicou a João. – E, como previsto no contrato, não aceitamos devoluções antes do prazo.

– Sim, eu sei. – João teve de concordar. – Mas as coisas não estão…

– Não estão indo como o senhor gostaria? – O homem completou em tom animado, como alguém que já sabe o fim de uma piada. – Sim, todos dizem isso. O senhor ainda tem quase dezenove horas. Boa sorte.

O som do telefone indicou o fim da ligação.

João voltou para a sala, onde Sophia estava anteriormente, mas não a encontrou. Começou a vasculhar a casa, acendendo as luzes por onde passava, já que o Sol havia finalmente ido embora, assim como a alegria do homem. Olhou nos quartos, nos banheiros, no escritório, na sala de jantar, na cozinha e até no quarto de bagunças. A mulher não estava em lugar algum e casa ficou todo iluminada.

– Talvez ela tenha ido embora. – João falou para si mesmo, sem acreditar em nem uma das palavras que saíram de seus lábios. – O quintal! – Pesou subitamente.

Parado sob o batente da porta da cozinha, João pode ver Sophia no fundo do terreno. Como as luzes da casa não a alcançavam, a mulher adquiriu certo efeito fantasmagórico. Bom, mais fantasmagórico do que um cadáver reanimado já tem naturalmente.

– O que você está fazendo aí? – O homem teve de quase gritar, para que a mulher lhe ouvisse lá do fundo.

– Vim visitar o Conan. – Ela respondeu, se abaixando para ficar mais próxima da terra. Então, como quem faz um comentário sobre a temperatura da noite, prosseguiu. – Eu o matei.

João sentiu as pernas ficarem com consistência de gelatina sob si, tendo de se apoiar na porta para não cair. Por essa ele não esperava.

– Você fez o que? – O homem falou em tom fraco, baixo demais para que alguém pudesse ouvir dos fundos do quintal, mas Sophia ouviu mesmo assim.

– Fui eu quem o matou. – Ela repetiu. Embora as luzes da casa não chegassem até ela, João conseguia ver seus olhos faiscando, como se trazer aquele fato à tona a deixasse exultante. Flutuando na escuridão, o homem também conseguia ver seu sorriso diabólico. – Mais um dos seus amores, não era?

João não conseguiu falar nada, pois conseguiu imaginar o que viria a seguir.

– Você dava mais atenção ao cachorro do que à sua esposa. – Sophia continuou. – Nos poucos momentos que vinha para casa, saia para passear com a merda do cachorro! Eu tive de matá-lo. Você me forçou a fazer isso.

– Você era…é louca. – O homem disse mais para si do que para Sophia. Os olhos estavam perdidos em algum ponto a sua frente e as forças das pernas ainda não haviam voltado totalmente. – Quem em sã consciência faria isso?

– Ele não lutou muito. – A risada da coisa que se passava por Sophia cortou a noite, uma espécie de cacarejo demoníaco. – O pobrezinho nem viu o que eu estava fazendo até ser tarde demais. – Mais risadas.

– Você…- A entonação de João começou fraca, mas foi ganhando força. -…você é louca!

– Olhe ao seu redor, querido. – Ela disse, se levantando. – Não existe isso de ser louco ou não. Todos têm um certo nível de insanidade.

Sophia começou a andar em direção à casa, e foi nesse momento que João fechou a porta dos fundos e correu em direção às outras entradas da casa com o mesmo objetivo.

– Isso mesmo, meu bem. – Sophia riu de novo, sem alterar a cadência da caminhada. – Corra dos seus problemas, como sempre fez.

***

João não ouviu nem um som que indicasse a presença de Sophia tanto dentro quanto fora de sua casa há algumas horas. Mais uma vez desejou que aquele demônio com quem fora casada tivesse ido embora, mas sabia que ela estava em algum lugar tramando algo.

Não entendia como pudera ter sido tão idiota de aceitar o contrato oferecido pelo homem de chapéu, além de surreal, a coisa fora fácil demais.

– Agora não adianta chorar o leite derra…

Bam-bam-bam!

O sangue do homem virou gelo em suas veias. O coração se recusou a trabalhar por alguns instantes, para logo em seguida começar a bater com força total. Todos os pelos de seu corpo se arrepiaram com as batidas na porta.

Teriam sido na porta dos fundos ou na da frente? João não sabia, mas desejava de todo coração que fossem em uma dessas duas portas, pois, caso as batidas tivessem sido no interior da casa, achava que não teria forças para reagir.

Criando coragem – uma coragem que nunca tivera e que provavelmente surgiu devido ao pico de adrenalina no sangue – levantou do chão, utilizando a cama como apoio, e, lentamente, destrancou a porta do quarto.

Antes de virar a maçaneta, pegou uma das hastes do cabideiro para usar como arma improvisada, caso precisasse, mesmo sabendo que a coisa não era ideal para sua defesa.

Fazendo um esforço descomunal, como um maratonista correndo os últimos metros para a linha de chegada, conseguiu abrir a porta, a escancarando de uma só vez.

Nada no corredor.

Foi analisando todos os cômodos entre o quarto de onde saíra e a escada que descia para o térreo, a cada momento esperando finalmente encontrar aquela versão deturpada da Sophia que conhecera. Mas ela não estava ali também.

Chegou a escada e se colocou a descer, torcendo para que os pés não se esquecessem de como fazer os movimentos certos. Antes de chegar ao térreo, percebeu que a porta frontal da casa estava escancarada, e o chão apresentava uma trilha de terra que ia do hall em direção à sala de estar.

Sem tempo para pensar no que aquilo poderia significar, João continuou seu trabalho de descer as escadas, empunhando a haste do cabideiro como um bastão.

“Ainda faltam umas onze horas disso. “ O homem pensou, lamentando, ao ver o relógio de parede marcando quase três horas da manhã.

Chegou ao térreo e uma lufada pútrida encheu suas narinas. Brigou com seu organismo para não vomitar. De olhos marejados, seguiu a trilha até a sala de estar, e foi só quando entrou lá que finalmente vomitou.

– Apostei com Willian que você não desceria para nos ver. – Disse Sophia, suja de terra dos pés à cabeça. – Você nunca enfrentou nenhum dos seus problemas, achei que hoje não seria diferente. Parece que você ganhou, filhão. – A mulher falou com o cadáver depositado à sua frente. O que restara da criança não era muito, basicamente ossos revestidos com uma pele deteriorada, escurecida e extremamente fina. As roupas que cobriam o corpo já quase não existiam mais, se reduzindo à trapos aqui e ali. A Morte tirara toda a vida de Willian, deixando para trás apenas uma carcaça, agora comida pelos vermes.

João tentou falar alguma coisa, mas a bile ácida escalando seu esôfago suprimiu qualquer palavra que pudesse articular, dando brecha para que Sophia continuasse.

– Pensei em promover uma reunião familiar. – Seus olhos eram como fogueiras alimentadas não por lenha, mas por pura maldade. – Feliz em rever seu filho, querido?

– Você…você é insana. – João falou, após despejar a bile pelo tapete.

– Achei que já havíamos passado desse ponto. – Após falar, Sophia ergueu as mãos, como quem pede desculpas, mas o sorriso infernal não mostrava arrependimento algum. – Opa, acho que essa foi uma péssima escolha de palavras, não foi? Já que você deixou nosso filho morrer queimado.

– A culpa não foi minha! – João gritou, mas sem convicção.

– Sua cabeça sempre esteve em outro lugar, não é, meu amor? – A mulher continuou. – Nunca se focou na merda da sua família. E agora, olhe ao redor, você não tem mais nada!

– Pare com isso, sua criatura maldita!

– Teve tão pouco tempo para a família que nem percebeu quando sua esposa começou a transar com seu melhor amigo! – Sophia começou a diminuir a distância entre ela e João.

– Pare! – O homem não saberia até onde suportaria aquilo.

– Nem percebeu quando sua esposa matou a bosta do cachorro para ver se poderia ter um pouco da sua atenção. – A distância diminuía e as risadas aumentavam.

– Já falei para parar! – João se agarrava aos poucos fios de sanidade que lhe restavam.

– Nem percebeu quando seu filho praticamente se jogou dentro da churrasqueira!

A distância entre Sophia e João ficou menor do que antes e qualquer pensamento coerente se esvaiu da cabeça do homem. Com toda a força que conseguiu juntar, João acertou a cabeça da mulher com o bastão improvisado. Houve um som úmido e vermelho quanto a haste acertou o crânio de Sophia e seus olhos arderam como nunca, mesmo um saltando para fora da órbita.

– Ahahahahaha! – A mulher ria e sangrava um líquido negro.

A haste subiu e desceu mais uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez.

E assim, ali na sua sala de estar, João, com o cadáver de seu filho como testemunha, matou aquilo que já estava morto.

***

O Sol já estava quase raiando quando João retornou para casa, coberto de terra pelos cadáveres que acabara de reenterrar. Nem conseguia acreditar, mas aquilo finalmente tinha chegado ao fim.

Tomou um banho, que pareceu ser o melhor de toda sua vida, e tirou toda a sujeira de seu corpo e de sua mente. Se vestiu, tentando enterrar – como fizera com os cadáveres – aquelas memórias em algum canto escondido de sua mente.

E foi então que a campainha tocou.

Ding-Dong.

Desceu para o térreo, receoso para o que poderia vir a seguir. Não sabia se teria constituição para aguentar a menor alteração em seu equilíbrio mental.

Sem rodeios, abriu a porta. Era o homem de chapéu.

– Olá, sr. Souza. – Cumprimentou João, com o sorriso cheio de dentes falsos e amarelos. – Vimos que seu contrato foi encerrado antes da hora. Só passei para lhe informar que não permitiremos tal falha de nossa empresa e lhe daremos mais uma noite com sua esposa, hoje mesmo.

João desabou.

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38 comentários em “Os que não foram (Howard A. Moreira)

  1. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    Achei o conto um tanto ingênuo. Os personagens são esquemáticos e sem muita profundidade, revelando um autor ainda em formação. Corrobora com essa constatação o uso de metáforas pobres e diálogos teatrais, além de erros bobos de digitação e de concordância. No entanto, devo admitir que o mote da história é bem interessante. Com efeito, me lembrou do fantástico “Solaris”, do Stanislaw Klem, com seus astronautas que recebem visitas de parentes mortos. A pegada lá é mais melancólica, filosófica até, o que me atrai pelo aspecto existencialista. Aqui, a opção foi pelo humor, num primeiro momento, seguido de um terrir (com i mesmo) que, embora agradável no começo me pareceu degringolar lá pelo final. Há trechos bons, especialmente no momento em que o casal se reencontra, mas o fato de a mulher revelar ao protagonista a megera que era em vida deu à história um ar caricato e, honestamente falando, forçado. De todo modo, acho que essa é uma ideia que merece ser trabalhada, talvez sob um viés mais psicológico em detrimento do terror infanto-juvenil. Com prática e afinco o autor pode desenvolver uma trama e tanto com essa premissa.

  2. Luiz Henrique
    18 de outubro de 2017

    Uma leitura empolgante, com uma escrita fluente e muito agradável. Logo nos primeiros parágrafos, senti que este possa vir a ser um fortíssimo concorrente aos demais concorrente. Visto ser o enredo muito bem construído e, por conseguinte, de uma trama bem elaborada dando sus-tentação ao argumento e sua intrínseca ideia. E o melhor pincelado com toques de humor o que deixa o leitor muito bem assessorado à leitura. tirando aquele ranço dos contos de terror com seu amontoado de caras feias e babonas, típicas dos grotescos desenhos animados. Belíssimo conto merecedor de nota máxima.

  3. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Eu gostei do conto, mas o terror muito mais me divertiu do que me apavorou. A questão de trazer pessoas dos mortos pode ser clichê, mas nesse conto teve um enfoque bem diferente porque a falecida volta para apontar os erros daquele que ficou e que, egoísta, achou que a merecia de volta. Eu vibrei quando o moço disse que ele teria mais um dia com ela. A escrita flui. Não percebi erros de gramática e construção de frases. Boa sorte no desafio.

  4. André Lima
    16 de outubro de 2017

    “Os que não foram” foi o conto que mais me animou em seus primeiros parágrafos.

    O “incidente incitante” vem rápido demais! O que, particularmente, funcionou muito bem. A imagem do homem de chapéu oferecendo seu contrato foi de uma beleza cinematográfica incrível, eu realmente quero parabenizar o autor por isso.

    Não só por isso, a proposta do conto é interessantíssima e me deixou extremamente curioso para descobrir o desenrolar da história.

    Pena que a qualidade do conto, em minha opinião, caiu nos “capítulos” seguintes.
    Os diálogos foram vazios e mal construídos em alguns pontos. As “revelações” da esposa foram soltas, jogadas com pouquíssima elaboração, o que nos afasta sentimentalmente da trama, pois dá uma sensação de inverosimilhança. A personagem da mulher também é caricata demais, forçando um terror por meio de incansáveis risadas maléficas, tudo isso contribuiu para o afastamento dos sentimentos do leitor.

    O final é mediano, pouco impactante.

    O que quero dizer, autor, é que você teve uma idéia DO CACETE (com o perdão da palavra), mas que, em minha humilde opinião, pecou na execução. Essa boa ideia rende história para uma boa novela, bem mais detalhada, trabalhada e com um terror mais afinado.

    Como gosto de julgar mais ideias que a execução em si, seu conto receberá uma boa nota, tenha certeza disso.

    Espero que compreenda minhas palavras e que absorva o que julgar necessário. Boa sorte!

  5. M. A. Thompson
    16 de outubro de 2017

    Acrescentando…

    As revelações da esposa resultaram em uma sacada bem bolada. Imagino quantas pessoas mortas, após uma vida de máscaras e falsidades, na oportunidade de terem mais um dia de vida pudessem revelar como realmente são/eram.

  6. M. A. Thompson
    16 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    Um viúvo recebe a visita de um estranho e aceita a oferta de ter a esposa por 24 horas. A esposa morta reaparece, mas as coisas não saem bem como o esperado.

    O QUE ACHEI
    A escrita está muito boa. A história nem tanto. Vamos aos fatos:

    – Remete a diversos filmes, livros e lendas, muitos já citados pelos colegas. Na hora lembrei da Pata do Macaco.
    – O primeiro bloco não esclarece o acordo celebrado, só mais adiante se fala em contrato.
    – Não pareceu crível a mulher aparecer com o corpo do filho, dando a impressão de o ter desenterrado do quintal.

    Pontos com destaque positivo:

    – A condução da trama está excelente.
    – A personalidade das personagens está bem definida.
    – O final é surpreendente e fechou o conto com maestria.
    – Ficaria muito bem como filme ou episódio de série do tipo Além da Imaginação.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    O menor número de deslizes entre os que li até agora, mas parece que ninguém se salva da LP. 🙂

    O Terror está presente?
    Sim.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Sim, mas tive que ignorar as incongruências já citadas na inicial.

    Boa sorte no Desafio.

  7. iolandinhapinheiro
    15 de outubro de 2017

    Olá, querido autor. Um conto difícil de rotular. pelo lado positivo eu gostei da história que vc criou/adaptou para este desafio. Um conto insólito, com fortes doses de ironia, personagem intrigante (a esposa) e um cara que se não gera empatia, teve diálogos que se mostraram muito bem trabalhados (o marido).

    A esposa nem parecia a finada, mas um demônio que se travestiu de esposa e veio atormentar o sujeito. Quando eu era mocinha (e isso faz muito tempo mesmo) assisti um filme onde uma mulher fazia um catimbó para trazer o filho morto de volta. Durante a estada do defuntinho na casa, o garoto vai apresentando um comportamento muito estranho e de estranho começa a ficar ameaçador. No fim do filme o garoto revela que é um demônio que veio se vingar da mãe, mandado pelo próprio filho que não a suportava.

    A morte é triste mas é melhor não fazer contratos deste tipo. A literatura sobre o caso já mostrou isso. Vc já leu A Pata do Macaco? Cemitério Maldito? Se não, faça-o logo que puder. São ótimas histórias com este tema. Eu não achei que foi propriamente um terror. Tem sangue, tem uns momentos bem toscos, mas eu não senti medo da mulher. Ela parecia mais estar numa TPM póstuma animal do que alguém que ameaçasse o marido. A parte do suspense/medo poderia ter ficado melhor.

    A despeito de qualquer coisa, eu gostei do seu conto/escrita. Só me resta desejar boa sorte no desafio. É isso!

  8. Lolita
    8 de outubro de 2017

    A história – Homem em luto aceita a oportunidade de rever a amada mais uma vez. Um clichê que foi trabalhado com extrema habilidade pelo autor, tornando esse um dos melhores contos do desafio.

    A escrita – Excelente. Diálogos muito bem construídos, os personagens são descascados como cebolas ao longo do texto.

    A impressão – Você também sente a demora das horas. E o pavor da nova noite que se aproxima. Meus mais sinceros parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Gostei bastante da sua história. Bem, primeiramente preciso lhe dizer que não sou de curtir histórias de terror e que bem pouco delas eu li vida afora. Com isto, quero lhe adiantar que não tenho muitos parâmetros técnicos para julgamento, o que me dá bastante liberdade para usar a minha intuição e envolvimento com a narrativa. Uma narrativa que me gerou tensão e mesmo alguma angústia. As horas não passavam rapidamente e esse “ding dong” trazendo aflição e a morta rediviva a aprontar, trazendo à tona os segredos do casal. Caramba, que coisa tensa. Um prestar contas terrível. Achei que há alguns pequenos cuidados com a língua necessitando um novo cuidado. Só isto. Bacana a sua história, senhor Howard. Parabéns.

  10. José Leonardo
    8 de outubro de 2017

    Olá, Howard A. Moreira.

    A referência latente em seu pseudônimo e a motivação do enredo me fizeram associar seu conto a “Os ratos nas paredes”, de Lovecraft, e isso inclui a adaptação cinematográfica da história em “Necronomicon”, dos anos 1990 (ainda que se diferencie do conto lovecraftiano, o filme aborda situações semelhantes – a morte da esposa e do filho de Jethro, sua irascibilidade ante o fato e um ser que se apresenta oferecendo “reversão” do ocorrido). Aqui, incluiu-se o pacto fáustico. Mas o protagonista, pensando que sua vida tornaria à felicidade dos trilhos anteriores – como se as mortes fossem apagadas da história como mero acidente de percurso –, depara-se com certas verdades ocultadas à época anterior.

    Seu estilo foi sabiamente empregado, dando fluidez à narração (que me parece isenta de qualquer trava na leitura), e me parece que a espinha dorsal está na desilusão ante a esposa (versão 2.0) que em nada lembra aquela companheira ideal (versão 1.0). Esse foi o diferencial (vejo assim) para com outros pactos fáusticos semelhantes.

    A história consegue desvencilhar-se da imagem de clichê graças àquele diferencial aliado à técnica. De modo geral, ainda que a “camada” de desilusão conjugal predomine sobre o elemento de terror/horror, gostei bastante do seu conto.

    Parabéns pela criação, abraço fraternal e sorte neste desafio.

  11. Pedro Paulo
    5 de outubro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tenha que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    É um conto bem redondo, com isso querendo dizer que todas as informações que vão sendo estrategicamente distribuídas pela narrativa são retomadas no texto em seus momentos de ápice tenebroso. Desse modo, sua estrutura é um tanto quanto linear, começando de algo ruim para suceder em algo pior.

    Com essa linearidade e a situação do personagem, o viúvo vulnerável diante de uma oportunidade bizarra, impossível, mas tentadora, a trama fica um pouco previsível. A esposa reaparece e depois se revela como um verdadeiro monstro, uma materialização de “demônios ocultos”, sendo evidente que a situação só vai piorar, o personagem fugindo ou não. E, como esperado, há uma piora gradual dessa armadilha, com o protagonista ficando de frente com verdades e atrocidades cada vez maiores, todas estas em retomada de fatos já citados: o cachorro enterrado e o filho morto. A narrativa contribui para o desmantelamento do protagonista, cada vez mais chocado até o ponto do choque se esvair para restar apenas a reação violenta. O que afeta o acompanhamento dessa jornada é a linearidade do conto, que nos faz esperar pelo momento ao invés de nos surpreendermos. E, falando em surpresa, temos o final, que de fato nos pega desprevenido, com o personagem preso em uma espécie de maldição, uma potencialização macabra de “enfrentar os próprios demônios”.

    Enfim, temos aqui uma premissa simples e não verdadeiramente inovadora, mas bem desenvolvida ao longo da narrativa, mesmo faltando alguma atenção a mais com a revisão do texto.

  12. Roselaine Hahn
    4 de outubro de 2017

    Olá autor, , estou em desvantagem nos comentários por não ter muitas referências no gênero do terror, devido não surfar nessa praia, por outro lado, talvez seja uma vantagem ao autor o fato do leitor não buscar comparações e referências, atentando-se unicamente na obra em si. Buenas, achei bastante criativo o seu enredo, a sua escrita é fluída e prende o leitor, ou seja, é envolvente. Até a metade do texto, observei a narrativa pendendo mais para o humor, a mão não tão pesada do escritor, em relação ao gênero. A partir da entrada em cena do filho do João, a coisa mudou, senti angústia, perturbação mesmo com a descrição do estado de decomposição do menino. Ponto positivo. Ressalvo que a escolha das palavras dão o tom das narrativas, e recomendo a leitura em voz alta para ouvir o texto, com a reconstrução das frases com palavras que soam dissonantes, é o caso, por exemplo em “guardas levantadas”, achei estranho, não combinou na frase, assim como “Não sabia se teria constituição”, a palavra constituição me pareceu deslocada e não deu a força que a frase pedia. Veja também em “Posteriormente, analisando a situação em retrospecto, João gostaria que tudo houvesse acabado naquela conversa à mesa da cozinha”. Esse “posteriormente” diz ao leitor que haverá um depois ao personagem, e, principalmente, por se tratar de conto de terror, tira o suspense, quem sabe o leitor imaginasse que o personagem não sobreviverá à tantas tragédias. No mais é isso, o texto é mt bom e tem fôlego para chegar numa boa colocação ao final do EC. Abçs.

    • Roselaine Hahn
      5 de outubro de 2017

      Digo “sobrevivesse a tantas tragédias”.

      • Roselaine Hahn
        5 de outubro de 2017

        Ah autor, esclareça-me: Observei que a palavra “sol” foi grafada em maiúscula em todas as suas aparições no meio do texto, isso foi proposital? Tem alguma finalidade na história?

  13. Angelo Rodrigues
    4 de outubro de 2017

    Olá, Mr. Howard!

    Gostei do seu conto, embora tenha algumas observações.

    A história parece começar trazendo um clima ao mesmo tempo macabro e cômico. Achei que o rumo mudaria e não mudou, terminando numa pegada eminentemente cômica e reiterativa.
    Difícil não gostar de um conto. Gostei do seu, embora ache que tenha sofrido uma fuga discreta do tema. Explico. Não entendo terror ou horror como algo “devido”, ou seja, algo como “voltei a viver para lhe dizer o quanto você é um cara que merece uma punição por haver sido um marido displicente, um pai não cuidador.”
    Terror ou horror entendo como bom quando gratuito, O Mal, A Loucura, A Perdição. Coisas assim. A Coisa que toma. O horror não vinga, ele toma indistintamente quem “merece e quem não merece” uma punição, o que há é a vontade de punir, causar dano, horrorizar sem olhar a quem. Tudo ocorre por conta do desejo puro do mal. Quando o horror pune por atos morais, creio que se torne algo de explicação psicológica e tal.
    Mudando um pouco o rumo, creio que o uso de hipérboles ou paralelismos em torno do tempo, como marcadores, são batidos demais, algo a ser evitado. “A tarde passava rápida como um raio e o Sol já começava a se preparar para iluminar algum outro lugar quando…” Tudo isso significa “Anoitecia”. Engorda o texto ao tempo em que o fragiliza.
    Evite clichês: letras miúdas em contratos com o demo, coisas assim.

    Essas observações não são feitas para desmerecer seu conto, mas para buscar uma perspectiva dentro do próprio segmento, e nem são feita por um especialista.

    Boa sorte, Mr. Howard.

  14. mariasantino1
    3 de outubro de 2017

    Boa tarde, Autor(a)!

    Então, sinceridade é importante, não? Pois bem, não gostei muito do enredo não, sabe? E acho um desafio avaliar sem soar arrogante quando a base onde foi edificado o conto é, em minha opinião, frágil. Sua escrita é clara e você usa bem as comparações para fixar as imagens. Gostei bastante das descrições de ambiente e de como o João criou vida nestas linhas.
    O final cômico me fez dar um sorriso de canto de boca, mas isso jogou contra ao que se espera em um conto de terror.
    Tem umas besterinhas aqui e ali que passaram batidas na revisão, mas isso é detalhe que não influencia no entendimento, mas que poderiam ser limados >>>> – Sr. Souza? – Perguntou a pessoa do lado de fora da porta. Era um homem alto, com pele pálida e enrugada. Os olhos eram cinzentos e faiscantes, e as maçãs do rosto eram pronunciadas. … João não conseguiu falar nada, pois conseguiu imaginar (repetições em curto espaço) … Passava tanto tampo (tempo) fora que tive de achar algum consolo….não estava em lugar algum e (a) casa ficou todo (a) iluminada…

    Enfim, gostei da escrita, mas a construção poderia ser bem melhor.
    Boa sorte no desafio!

  15. Luis Guilherme
    3 de outubro de 2017

    Boa tarrrrde, cê tá bão?

    Olha, pra começar, quero dizer que esse desafio tem um significado especial pra mim, pois amo o gênero. Tô ansioso pra ver oq vem pela frente.

    Dito isto, vamos ao seu conto:

    Muito bom!

    Me lembrou uma espécie de releitura de Cemitério Maldito (olha, temos um xeroque homes aqui hahaha). Quando notei do que se tratava, fiquei com uma grande expectativa. É um assunto deveras muito interessante.

    É aquele negócio: se tá morto, deixa morto. A ficção já mostrou que o que volta nunca é o que foi enterrado, né?

    Gostei muito da história do seu conto. Muito bem conduzida, parabéns! Fiquei com aquela sensação de dúvida: será que ela traiu mesmo, ou só falou de maldade? No fim, acho que era tudo verdade, pois isso fecha bem o enredo. Mas ter deixado esse tipo de coisa em aberto foi bem legal.

    O conto também tem boas construções, como: ”
    O sorriso continuava estampado no rosto do homem – com dentes tão alinhados que só poderiam ser falsos – mas não chegava aos seus olhos, como se seu rosto fosse um misto de emoções conflitantes.” – adorei!

    Por outro lado, acho que teve uma só coisa que ficou meio estranha, que é o fato da empresa ter serviço de atendimento ao consumidor hahahah. Eu tava com a impressão de ser uma empresa sinistra e meio secreta, e imaginar um call center me deu uma brochada hahaha.. mas é só um detalhe, nada que comprometa a beleza do conto.

    Enfim, excelente trabalho,. Parabéns!

  16. Fheluany Nogueira
    1 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Conto bom e interessante, mesmo trazendo os elementos clichês de rever os mortos queridos e ser surpreendido por não encontrar o esperado. A trama está bem desenvolvida, o estilo casou muito com a temática. Uma crítica é sobre a mudança repentina de atitudes da falecida. Faltou aí uma motivação, uma justificativa.

    Escrita e revisão – Leitura fluente, não prejudicada por pequenos desvios gramaticais: emprego dos pronomes átonos, uso da crase, acentos, semântica e digitação (já citados).

    Terror e emoção – Suspense na medida certa, cenas impactantes, sobretudo a visão do filho em putrefação. É irônico que apenas na morte, o protagonista veio a conhecer a mulher com quem fora casado — é humor negro, sobretudo com o looping final. Outra questão é a falta de empatia com os personagens, não consegui odiar a morta (tive até pena dela por ser obrigada a voltar e mostrar quem realmente foi) e não consegui sentir terror.

    Bom Trabalho. Abraços.

  17. paulolus
    30 de setembro de 2017

    7) Logo nos primeiros parágrafos do conto senti a intuição de que estava diante do concorrente ganhador do desafio. Após a leitura eu só não dou essa certeza como absoluta, pelo motivo de que ainda tenho muitos outros para serem lidos e analisados, (vai que eu queimo a língua). Entretanto, não é demais afirmar que a parada ficou dura pra todos os que vieram, e para os que já se foram também. Pois seu conto, prezado autor, é de uma excelência ímpar! Com um adendo: não sou afeito ao gênero terror, exceção feita a Edgar Allan Poe e alguns contos do Stephen King. Acrescentando que apesar das tantas cenas aterrorizantes, prevaleceu à suprema sutileza do humor impregado com fina maestria. Provando que o terror não está no que assusta, mas nos sentidos. De uma gramática impecável, afora alguns pequenos erros que em nada atrapalha a agradabilíssima leitura cuja sensação é de que se está subindo uma escada rolante com destino a um infinito sem parada. Acredito que com estas poucas palavras aqui ditas sejam suficientes para definir meus sentimentos a respeito da grandeza da sua escrita. Sem mais adjetivações.

  18. Evandro Furtado
    29 de setembro de 2017

    Eiiiiiiiiiiita, caralha! Que coisa atormentadora, cara! Uffff, deixa eu respirar aqui. O que eu preciso destacar, em primeiro lugar é a tremenda ambientação e o desenvolvimento do suspense que deixa o leitor realmente incomodado do início ao fim. Além disso, você consegue intercalar com imagens bastante impactantes, como, por exemplo, o filho morto em estado de composição. Acho essa a visão mais aterrorizante de todas. Ainda há o aspecto desse cadáver filho da puta, que agora perdeu todas as amarras que teve em vida. O conto evoca elementos de histórias clássicas do horror como aquela da pata do macado e, claro, O Cemitério Maldito, do Stephen King. Acho que o conto, em geral, é bastante competente no que se propõe. A única coisa que eu apontaria como um pequeno problema foi a forma como a personalida do cadáver se transformou de repente. Considerando o espaço concedido pelo desafio, esse seria um aspecto que poderia ser desenvolvido um pouco mais, com uma evolução lenta e gradual.

  19. Eduardo Selga
    27 de setembro de 2017

    O conto usa o argumento do pacto demoníaco, com três variantes: não há claramente um preço estipulado pela “graça alcançada”, tampouco a alma do personagem está em questão; a riqueza material, normalmente o motivo de pactos assim na ficção, no conto, é metaforizada ou “transubstanciada” na pessoa a quem o protagonista ama; a figura do Demônio não é explícita nem disfarçada por meio de um homem elegante. Aliás, podemos ter no conto mais de um Demônio (o visitante e Sophia), ou um só que adquire duas identidades visuais. ainda pode ser que nenhum dos dois seja a conhecida entidade do mal: apenas “funcionários” dele. Essa lacuna, a ser preenchida pela subjetividade do leitor, é o ponto mais alto do conto, acredito eu. Subjetividade essa que pode permitir, inclusive, que o leitor entenda que todas as cenas de terror se baseiam num abalo emocional do personagem, não seriam fatos “concretos”.

    A despeito de as cenas de terror estarem individualmente bem construídas e bem amarradas umas às outras, acredito que na parte inicial um pecado foi cometido quanto à verossimilhança do protagonista: apesar de muito justamente desconfiar do sujeito que lhe bate à porta (“‘Nós’ quem?”), ele aceita a proposta com muita facilidade, sem questionamentos, numa situação em que o razoável seria suspeitar. Poder-se-ia afirmar que ele o fez em função de seu estado emocional, mas ele já não estava assim tão abalado, pois estava aborrecido com as típicas declarações de pêsames. Logo, o emocional tomado pela dor do falecimento de um ente amado não o comandava tanto.

    Há outra incoerência. Em dado ponto o narrador afirma “levantou [e deveria ser “levantou-se”] do chão, utilizando a cama como apoio, e, lentamente, destrancou a porta do quarto”. O personagem estava deitado ou sentado no chão para poder levantar-se? Acredito que não, e anteriormente há uma passagem que reforça a ideia de que o personagem não estava caído (“João fechou a porta dos fundos e correu em direção às outras entradas da casa com o mesmo objetivo”).

    No penúltimo parágrafo temos a seguinte fala, supostamente do mesmo visitante do início do conto: “Olá, sr. Souza. – Cumprimentou João, com o sorriso cheio de dentes falsos e amarelos”. A vírgula após “João” sugere que quem cumprimentou têm o mesmo prenome do “Senhor Souza”. Seriam, então, dois Joões. Sob essa interpretação há um efeito estético interessante, pois ficamos a nos perguntar: seriam os mesmos, em condições distintas?

    Há, contudo, uma possível ambiguidade: o “cumprimentou João” pode significar, se houve mal posicionamento da vírgula, que João (de Souza) foi cumprimentado, mas explicitar isso não faria muito sentido por causa do início do trecho. De toda a maneira, formalmente pode surgir dúvida. ´

    Protagonista e antagonista estão bem construídos, Sophia como a causadora do terror e ele como depositário desse terror e até, eventualmente, a depender da interpretação do leitor, igualmente causador, por vias psíquicas.

    Em “Eras pareceram se passar” há um ´problema de eufonia, com muito som sibilado, palavras próximas iniciadas em “pa” e R intervocálico em duas palavras vizinhas (“eras pareceram”).

    Em “[…] mas ele só conseguiu falar duas letras” o problema é que não se falam letras (letras se escrevem): falam-se sons ou palavras.

  20. Lucas Maziero
    27 de setembro de 2017

    Não sei se acontece com outras pessoas, mas comigo esse negócio de sentir medo através de uma história não funciona, mesmo que o gênero terror seja o meu segundo favorito. É bizarro o que vou dizer, mas é impossível não dar risada quando assistimos a um filme de terror/horror, pois as cenas são tão absurdas que em vez de meterem medo tende mais para o hilário. Assim também acontece com os contos, novelas, romances de terror. Menciono aqui Stephen King, a maioria de suas histórias tem muito de bom humor, tem muito de ridículo permeado a acontecimentos sobrenaturais e medonhos. Então para mim é isso, um bom terror tem que ter um pouco de bom humor, como é o caso deste conto. Apenas que a ideia é um pouco fraca, o que não me agradou muito; mas devo dizer que está bem desenvolvida, o interesse mostrado pelo homem de reviver a esposa e o consequente arrependimento depois de tê-la de volta, mesmo que por 24h. Aliás, não sei por que o uso abusivo de “o homem fez isso, o homem fez aquilo”, a “mulher fez isso…” em vez de nomeá-los, ficaria mais aceitável e menos cansativo. São elementos que reforçariam a atração pela história, o lado gramatical e estético conta muito. A atitude da esposa ao revelar que transou com o amigo e a exumação do filho são conflitos comuns, até esperados, então aí nada de novo. Enfim, o conto como um todo, gostei. O final ficou bom — creio que passar mais algumas horas com a espota rediviva foi a melhor estratégia –, fechando assim redondamente a história.

    Parabéns!

  21. Rafael Penha
    27 de setembro de 2017

    Primeiro de tudo, cumpre ressaltar que o conto é muito pouco original, utilizando-se do conceito brilhantemente explorado no livro “O cemitério” do mestre Stephen King. O ponto alto da história é extremamente parecido com o do livro.

    Agora sobre o conto em si.
    A leitura é bem fácil e boa de acompanhar, o que dá mais interesse na história e a torna mais fluida.

    Mesmo já conhecendo a premissa, o conto realmente me aterrorizou, mostrando a figura da esposa morta, que não era exatamente ela. Me pareceu algo muito mais psicológico do que meramente um monstro querendo lhe matar. Uma boa mostra de que o melhor terror não é o que vemos, mas o que sentimos, e esse é o ponto alto do conto.

    Entretanto, o Stephen king em seu livro, demora muito desenvolvendo a persona do protagonista. Sua família, maneirismos, passado, sua dor. Quando o Clímax chega, o leitor realmente se importa com aquele personagem. Não senti isso aqui, pois mesmo que tenha sido bem retratado o retorno de Sophia, muito pouco do protagonista foi mostrado, não há empatia entre o leitor e ele, o que faz a agonia de quem está lendo ser muito menor (que é o atrativo do climax). Acredito que o autor deveria dar mais tempo ao desenvolvimento do protagonista e da dor de sua perda.

    Outro ponto que me pareceu fraco, foi a falta de desenvolvimento de como Sophia volta. O homem de preto representante de uma empresa ficou totalmente jogado. Mesmo sabendo que algumas explicações realmente são desnecessárias numa boa história, este não é o caso. Assim como, na obra original, onde o Cemitério Maldito é bem explicado e desenvolvido.

    Ademais, apesar dos pesares, gostei sim do conto.

  22. Ana Maria Monteiro
    27 de setembro de 2017

    Olá Howard.

    Gostei muito do seu conto, apesar de…
    Mas já vamos ao apesar e continuemos pela história em si mesma.
    Sinceramente, não a classificaria como um conto de terror,porque não o é. Mas no contexto do desafio e atendendo a que conta o terror que um personagem viveu, acho que se adequa ao tema.
    Isso não me impediu de notar mais o humor negro e inteligente do que qualquer outra coisa. Eu teria aceite este conto igualmente no desafio comédia, acredita?
    Tem pormenores muito bem apanhados e trazer de regresso à vida uma esposa completamente sádica deve ter aliviado bastante a dor da perda.
    Imagino isso, pelo menos. Se dos mortos me regressasse um marido assim, o meu luto ficaria despachado nessas 24 horas. Que tremendo alívio, não?
    No entanto e ao que tudo indica o pobre João viveu um casamento com uma desconhecida, ele não fazia uma pálida ideia da mulher com quem era casado.
    Foi na morte que ela lhe revelou as suas ações, por pura maldade acrescentada à anterior, uma vez que não ela não mudou por obra da morte; o que ela relatou foi o que deliberadamente fez em vida.Morta, aproveitou a oportunidade para dar cabo do resto. Francamente, penso que João foi abençoado com esta visita.
    Esta é a minha leitura.
    O fim está genial, não posso dizer mais nada a esse respeito.
    Notei algumas coisas que os colegas já apontaram e outras que não me recordo de terem sido focadas.
    Crases. Eis algumas: “mecanicamente até a porta”, seria “até à porta”; “devido ao cansaço e a perda recente.” seria “ao cansaço e à perda…”; “em algum ponto a sua frente”, seria “à sua frente”; “se reduzindo à trapos”, seria “a trapos”; “Chegou a escada e se colocou a descer”, seria “à escada” visto que não foi ela a chegar e ele mas ele a ela.
    Além disso esta última frase soou-me estranha, mas devido ao facto de usarmos a língua de forma diferente, não sei, em todo o caso esperaria mais o verbo começar que o colocar. Enfim, talvez seja apenas essa diferença de linguagem. O mesmo relativamente a esta frase: “ter finalmente a perdido para sempre”, soa-me estranha até dizer chega, mas admito uma vez mais que derive das nossas diferenças.
    Agora as falhas de revisão: “estar andando sem sai do lugar”, seria sair, certo?;
    “eu não venho aqui à uma eternidade, sabe?” seria “há uma…”; “Passava tanto tampo”, seria “tempo” e “com quem fora casada”,seria “casado”.
    Ainda assim, a única coisa que prejudicou a leitura foi esta frase entre vírgulas: “, como você deve imaginar,” Não achei o momento nada adequado para se dirigir ao leitor, mais tarde, perto do final e até dentro do espírito humorístico que revela, aí talvez uma constatação de que correu mal com um “mas só eu é que não percebi logo de início, não foi?” teria ficado bem melhor. Foi realmente o único senão que encontrei.
    Termino reforçando: o ponto mais alto, quanto a mim,foi o final. Muito, muito bom.Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. angst447
    27 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio. Há um terror aí, meio “zumbístico”.

    E (estilo) – O conto revela um estilo ágil, jovem, baseado principalmente nos diálogos e impacto das imagens. Narrativa com jeito de causo contado em volta da fogueira, por um grupo de garotos- escoteiros. Linguagem simples e um tom de FC, mas de leve, assim como senti uma picadinha de comédia em algumas passagens (ou a tragédia foi tanta que acabou ficando hilária em algum momento).

    R (revisão) – Alguns erros passaram como já foi apontado pelos colegas. Além desses, encontrei um “pesou” no lugar de “pensou”, falha de digitação, decerto.

    R (ritmo) – O ritmo é muito bom, mais diálogos e ação do que descrições morosas. A leitura flui fácil, sem cansar, o que é sempre um ponto muito positivo.

    O (óbvio ou não) – O tema de mortos-vivos já foi utilizado muitas vezes, mas aqui contou com alguma novidade. O final ficou bem legal.

    R (restou) – Um risinho de canto e nada de medo. Ufa, ainda bem. Restou também a lembrança daquele conto A pata do macaco (de W.W. Jacobs).

    Boa sorte!

  24. Edinaldo Garcia
    27 de setembro de 2017

    Escrita: Muito boa. Qualidade literária impecável. O texto é muito gostoso, fluído, a dinâmica é ótima.

    Terror: Muito bem feito. É construído cena por cena, aumentando a tensão, o efeito visual salta aos olhos do leitor. O clima de perplexidade do enredo é muito bom. Os elementos cotidianos ressalteados dentro do gênero foram muito bem empregados. Posso estar exagerando, mas me lembrou Stephen King. O final foi sensacional.

    Nível de interesse ao longo da leitura: Embora a narrativa não tenha exatamente o propósito do suspense em si, ela fez bem esse papel. Quem era o sujeito de chapéu, e que empresa é essa? Deixa o leitor imaginar! O problema de muitos textos brasileiros é exatamente a necessidade de querer explicar tudo, sem dar espaço para reflexão posterior.

    Língua Portuguesa: Excelente. Qualidade literária muito boa. Como eu sou chato há um “pode” no lugar de um “pôde” e um trecho que diz: […] naquele momento inicial de seu reencontro se focaram apenas nas coisas felizes, apenas no lado bom da vida – mas eles falaram do pequeno Willian que morreu, não foram só coisas felizes. Mas isso porque eu sou chato mesmo.

    Veredito: Conto excelente. Picanha assada com limão jogado naquela gordurinha.

  25. Regina Ruth Rincon Caires
    27 de setembro de 2017

    Que belo conto! Que maravilha! Interessante o resgate da vida passada, interessante a proposta de repassar a vida como se pudesse fazer uma correção do “rascunho”.
    Trama primorosa, muito bem montada, tudo vai ganhando corpo suavemente, o suspense adensa-se aos poucos. Sensacional!
    O texto exala uma visão feminina do universo feminino. Escrito por mulher? O silêncio em vida, o recato, a aparente decência, tudo é espetacularmente exposto de modo debochado.
    A cena do desenterramento do filho é tão convincente que o leitor, estando onde estiver, é levado para lá. Sente o ar, o cheiro, o desconforto.
    Que belo texto!
    Ainda bem que tudo não passa de uma criação literária, terror fantasioso. Imaginem se fosse assim?!
    Parabéns, Howard A. Moreira!

  26. Paula Giannini
    26 de setembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Sempre que há um desafio por aqui, abrem-se as discussões sobre o gênero. Isso é terror, ou não é? O que é, o que é? Eu, no entanto, acredito que um autor deva ter liberdade total para mesclar os gêneros entre si.

    Se olharmos o cinema, por exemplo, vemos inúmeros filmes classificados como terror e nos quais, inevitavelmente, o riso está presente. Há o horror, o Grand Ginol, o terrir, o sci-fi, e por aí vai…

    Gostei bastante de seu conto, da narrativa, da trama, da abordagem dada, bem como do desfecho. O ponto alto, para mim, no entanto, foi a questão que o texto abre como premissa.

    Quando morre um ente querido, ou mesmo alguém nem tão próximo, a pessoa, quase que imediatamente, é enaltecida por suas qualidades. “Era uma pessoa tão boa…”, é o que costumamos dizer, talvez para nos defendermos daquele que será o fim de todos nós. Em seu trabalho, porém, você dá ao protagonista, a oportunidade de rever a pessoa perfeita que ele acaba de perder e, surpresa, ela não é tão perfeita assim. Mais que isso, além de não ser perfeita, ela ainda cobra o marido por todos os seus erros, fazendo-o deseja a efetiva morte da esposa.

    Talvez, meu único senão, a parte do filho incendiado por culpa do pai (embora o terror permita isso e muito), tenha sido uma pequena pontinha solta no todo. Obviamente isso dá um terrível tom à narrativa, mas… Imprime à mãe que sofreu com uma perda tão terrível, perdão por todo e qualquer ato que tenha praticado, entende? Com uma perda dessas, uma mãe enlouquece.

    Outro ponto alto, para mim, foi o modo como você foi piorando tudo que a mulher fazia ao pobre viúvo, gradativamente, aquecendo o conto aos poucos e na medida certa.

    A cena no porão me causou terror. Trabalhar com o cheiro da morte deu um toque sensorial à narrativa, levando o leitor a reagir.

    Eu só mudaria, se me permite, a seguinte frase: A Morte tirara toda a VIDA de Willian… Fica meio óbvio, sei lá… Redundante talvez. Você poderia substituir vida por viço, ou algo do tipo. Entendi o que quis dizer, é só uma questão de preciosismo bobo, de uma leitora boba.

    Parabéns por seu trabalho.

    Desejo-lhe boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  27. Pedro Teixeira
    26 de setembro de 2017

    Um conto bacana, temperado por uma boa dose de humor negro, que remete às tramas daqueles filmes de terror em episódios, como “Creepshow” e “Contos da Criptas”. A gente consegue até imaginar o Guardião da Cripta dizendo “mas como vocês podem imaginar…”
    A forma inteligente como é tratado o absurdo da situação lembram King em contos como “O Cortador de Grama” e “Clube dos ex-fumantes”. O enredo não deixa sobras.
    Por outro lado, em certos momentos a trama se torna um tanto previsível.
    O ritmo é bom e o texto está bem escrito, mas há alguns probleminhas, como as repetições próximas de “eram” e “estava”. No geral é um trabalho divertido e criativo.

  28. Fabio Baptista
    26 de setembro de 2017

    Gostei da técnica, no sentido de ser bem direta, sem firulas, o que dá fluidez e torna a leitura agradável.
    Porém em certas partes, sobretudo nas quebras da quarta parede (“mas, como você deve imaginar…”), achei que perdeu um pouco o tom, deixando despojado demais para um conto de terror.

    Aliás, achei que ficou mais para um sci-fi estilo espisódio Black Mirror do que conto de terror. Por um lado isso foi bom, porque conseguiu dar uma abordagem diferenciada para uma trama já bem batida. Por outro, no entanto, descaracterizou um pouco o conto dentro do tema, apesar das constantes menções ao sorriso diabólico e tal.

    Acredito que poderia ser criada mais tensão entre o fechamento do acordo e o aparecimento da mulher, como é feito no clássico conto “a pata do macaco” e também uma narrativa mais séria cairia melhor.

    – e as maçãs do rosto eram pronunciadas
    >>> está correto o emprego da palavra pronunciada, mas mesmo assim eu substituiria por outro adjetivo. Não é o primeiro significado que vem à cabeça e dá uma travada.

    – – Nós sabemos que o senhor (…)
    >>> usar travessões no lugar de parenteses nesse parágrafo não foi uma boa ideia.

    – à uma eternidade
    >>> há

    – aquele demônio com quem fora casada
    >>> casado

    Abraço!

  29. Fil Felix
    25 de setembro de 2017

    Boa noite! Um conto legal e fácil de ler, mesmo pelo limite alto de palavras. A estética adotada, de alguém chegando na porta e oferecendo um serviço de “ressuscitar” é interessante e dá pra tirar várias questões, apesar que essa ideia de retornar dos mortos e a coisa não ser como imagina não ser nova, temos alguns exemplos na atualidade como Black Mirror ou a adaptação de American Gods. O lance do contrato que dá um plot twist e gera um certo ciclo ao final, obrigando o protagonista a aguentar 24h ininterruptas com a falecida esposa. Como não tem grandes explicações, a gente sente a necessidade de entrar na magia.

    Em relação ao tema, há uma tendência do texto cair no humor negro, com os diálogos não sendo tão assustadores, assim como o sorriso estampado no rosto desse pessoal não passar um tom macabro, mas irônico. Poderia ter caído mais pro psicológico, com o homem sendo perturbado no mundo das ideias, sem partir para o gore.

    Um ponto que gostei, quando ela fala da traição e da memória, é que levanta essa ideia de que pensamos nos outros conforme nossa visão, nunca conforme a realidade. Não suportamos a verdade, na maioria das vezes, então cometemos pequenas ou grandes mentiras, sociais ou não, que se transformam em rotina. Se tornam uma necessidade pra viver, enganar e enganar-se, criar um ambiente agradável ao nosso redor. Como o protagonista criou.

  30. Olisomar Pires
    25 de setembro de 2017

    Impacto ao eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: falecida volta por força de contrato e age como louca infernizando a vida do ex-marido. Uma boa idéia.

    Escrita: confusa. Há excesso de pausas marcadas por vírgulas, alguns erros, mas principalmente o texto parece ter sido criado em blocos que não se comunicam.

    Construção: Nota-se um humor negro permeando o texto, o que retira totalmente a sensação de terror. Enfim, não conquistou, apesar da idéia possuir bastante potencial.

  31. Andre Brizola
    25 de setembro de 2017

    Salve, Howard!

    Achei o enredo ótimo. Qualquer coisa sobre mortos-vivos hoje corre o risco de ser redundante, e não achei que foi o caso. Sobretudo porque esse aspecto foi deixado de lado sabiamente.
    Mas acho que a forma como foi tratado levou-o para outro gênero, deixando o terror em segundo plano. O sarcasmo e o humor negro do final foram aspectos que me chamaram a atenção pela boa utilização; e o texto vai fácil, leve. Um pouco mais de densidade nos diálogos, e talvez um pouco mais de suspense nas revelações o deixassem com um pouco mais de terror.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  32. Nelson Freiria
    25 de setembro de 2017

    No início, a quantidade de vezes que são citados os olhos e dentes do sujeito a porta, chega a ser cansativo.

    Quando a narrativa se mostram confusa, apresentando aquele “Talvez por isso o personagem fez aquilo…”, o leitor não se sente cativado, apegado ao destino dos personagens. Não por acaso, gostei mais da “ex defunta” do que do viúvo.

    Não encontrei nada gramaticalmente comprometedor, o que é bom, pois garante uma leitura sem entraves, mas muitas observações do narrador poderiam ser cortadas sem o menor piedade. Isso deixaria o texto bem mais sério, algo essencial para um conto de terror (e não estou me referindo ao elemento de sadismo da esposa, esse foi muito bem empregado). Um pouco de show don’t tell faria bem a algumas partes do conto.

  33. Antonio Stegues Batista
    25 de setembro de 2017

    Enredo; O enredo é interessante embora não seja original. Existem muitas historias parecidas, de mortos que voltam à vida, por um motivo ou outro, como por exemplo o conto, A Pata do Macaco, de W.W. Jacobs e outras tantas histórias com o mesmo tema, zumbis, etc.

    Personagens; Gostei do João, tem personalidade, mas a fala da mulher dele soa meio estranha, não condiz com a personagem, me pareceu fria, mecânica, sem sentimento, mesmo de deboche.

    Escrita; Regular. Algumas fases poderiam ser mais trabalhadas.

    Terror; Muito pouco. Achei um conto mais bem-humorado do que terrorífico.

    .

  34. werneck2017
    25 de setembro de 2017

    Olá, Howard! Um conto maravilhoso cujo enredo cativa o leitor desde seus primórdios e vai num crescendo de suspense até o final, que acaba com uma certa dose de humor. A linguagem é adequada, os diálogos são bastante efetivos, a informação não é demasiada, mas lançada em doses homeopáticas sem exagerar. Uma história original sobre quem realmente é a pessoa que vive conosco. Adorei!

  35. Zé Ronaldo
    25 de setembro de 2017

    Rapaz, que maravilha de conto, bicho! No começo, cheguei a torcer o nariz, parecia uma releitura do “Cemitério maldito” ou do “Às vezes eles voltam”, do King, mas dei crédito ao texto. No fim, você saiu das comparações e criou um texto totalmente seu!
    A ideia do retorno do ente querido já foi muito trabalhada na ficção, mas você soube recontá-la de outra forma, afinal de contas, o que é que nunca foi dito? O contrato foi saída perfeita, trabalha-se aquela noção antiga de contrato com o Demônio, só que agora, em vez de alma, negocia-se carne, vida.
    O texto flui fácil, a utilização dos diálogos é perfeita, fez isso com maestria, muito bom mesmo. Percebi dois pontos em que há um crescendo de terror e suspense no conto: O momento em que ela vai até o quintal e o em que ele tem que descer as escadas, rapaz, você soube deixar o leitor desesperado nesses dois momentos.
    O final é espetacular, gera certa comicidade ao texto, me lembrou muito alguns contos do “Contos da cripta”, com aqueles finais em que, o herói, depois de se esquivar de todas as formas do perseguidor, pensa estar livre, mas não está.
    Enfim, ótimo trabalho esse seu, meu amigo! Parabéns mesmo!

    • K.W König
      10 de outubro de 2017

      Então… O conto é bem desenvolvido, “sabe já transei com Vincente bem ai.” Hehe… Essa parte foi divertida, enfim, foi bem escrito, a historia em si é interessante, apesar de que na minha opinião, seja um pouco comédia, o que não é de fato algo ruim. a parte de ela ter matado o cachorro me fez pensar se era mesmo verdade ou se era só ela atormentando João… O que prende o leitor. pra concluir, o fim foi para mim algo inesperado, mais uma noite é sacanagem… Parabéns pelo conto.

      Terror: Não causou medo. Talvez melhorasse com mais detalhes das ações da morta. (Ou até o filho de João aparecendo como “brinde”). Boa Sorte!

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Publicado em 25 de setembro de 2017 por em Terror.