EntreContos

Literatura que desafia.

O Oritimbó de Sivuplê (Eduardo Selga)

Dos poucos que se propuseram a participar da reunião, uma espécie de assembleia extraordinária da família, todos estavam presentes. Não mais que dois, além do próprio responsável pelo encontro, demonstração duma velha pedra no sapato dos Cântarus: a discórdia. Se alguém do tempo em que a família desembarcou na Terra dos Papagaios (já então rebatizada de Brasil) tivesse testemunhado o fato, talvez se surpreendesse com o abandono que os Cântarus dispensavam a si próprios, visível não somente na ausência de quórum como na grossa poeira dos móveis, quase todos quebrados, bem como no fedor de sujeira. Principalmente, porém, no descolorido brasão da família na parede.

Essa negligência era problema particularmente grave, na avaliação de quem convocara, pois o Sobrado dos Cântarus, outrora residência do suprassumo da aristocracia brasileira, e até na semana anterior à chamada perfeitamente intocado em sua decadência física, estava ocupado por um pessoal exótico. Nem era uma linhagem de sangue azul: várias pessoinhas, uma gentalha que se autoproclamava sem moradia e se identificava Família Nenhures. Uns invasores! Viram o Sobrado aparentemente desocupado, se acharam no direito. E a história fidalga dos Cântarus no Brasil enobrecendo o país, não contava? Por si só não era ocupação de espaço suficiente? Onde estavam as leis desta terra inculta?

Os que compareceram ao encontro eram exatamente os que já estavam lá de há muito, por morarem no pavimento superior: os irmãos Dom, Orlean e Bertrand. Enquanto o primeiro andava para lá e para cá, embravecido, na mão o cetro da família de imperadores e reis, os outros dois permaneciam sentados em cadeiras carcomidas pelos cupins tropicais. Ele se considerava liderança nata, por ser o mais velho e eloquente. Na verdade, era muito chato quando empacava com alguma coisa. Ouvidos e paciência eram necessários para suportar as tolices de Dom Cântarus.

— Ao que parece não virá mais ninguém. Inadmissível! Como tolerar tamanho desrespeito à nossa história? De todo o modo, esmorecimento nunca fez parte de nosso vocabulário: precisamos deliberar.

— Deliberemos, pois —provocou, levemente cínico, Bertrand.

Orlean, alheio à importância de qualquer matéria que porventura estivesse na ordem do dia, e pouco se importando com a presença dos moradores do pavimento inferior, tomou a palavra.

— Vários dos nossos mandaram o mesmo recado, com breves modificações aqui e ali. Disseram, cada qual por meio de seu portador, que lamentavelmente não poderão comparecer a este importantíssimo congresso por causa do… trânsito.

— Quem essa parentela supõe ludibriar? Trânsito! É possível desculpa mais troncha? Se todos nós estamos mortos —inclusive eles, os convocados ausentes—, basta forçar um pouco o pensamento que estarão aqui, de corpo e alma, ora pinoias! —esbravejou Dom, sacudindo o cetro.

— Cuidado com o estresse, não me vá morrer novamente… Organizar velório de espírito é complicado…

— Às favas você e suas piadinhas ordinárias, Orlean!

— Meu irmão, eu protesto. Você até pode estar morto, mas eu estou vivinho da silva, e…

— Da Silva?! Não, Bertrand, não… Isso é sobrenome de gente… digamos…  humilde. Os que estão lá embaixo, por exemplo.

— Abaixe a voz, Dom. Já pensou se alguém ouvir? Você poderá ser vítima de processo judicial por conduta politicamente incorreta.

— Bertrand de Deus… Estamos mortos! Somos improcessáveis.

— Eu não estou morto. Ou melhor: meu corpo sim; meu espírito não. E estou bem esperto para suas palavras sinuosas, meu irmão.

Dom, que sempre adorou exercitar sua verve, esclarecer, pôr em pratos limpos, exemplificar, não poderia perder o ensejo oferecido pelo irmão mais novo.

— Você tem macaquinhos no sótão, mas preste atenção, Bertrand: aceite duma vez por todas que já morreu por completo, antes que enlouqueça. Lembra-se de nossa antiga contraparente, a Dona Maria, piedosa toda a vida? Pois é. Não se admitiu morta por séculos e acabou enlouquecendo. Hoje, ela é um espectro perdido nos caminhos que levam a Petrópolis.

Lá embaixo, a batucada contagiava corpos e corações. A Família Nenhures, um movimento político de ocupação urbana, comemorava a etapa vencida ao se apossar dum imóvel desmesuradamente grande e vazio. Enquanto uns militantes se encarregavam de dividir o espaço interno em pequenos cômodos de maneira a facilitar uma convivência harmônica, os outros cantavam e rodopiavam ao som de grandes sambas brasileiros. Uma improvisada churrasqueira assava a carne de gatos vadios, sob o olhar atento de quem se portava como um supervisor, o Sivuplê.

Ele era um papagaio, encontrado quase sem nenhuma pelagem dentro de um saco de lixo, durante uma passeata. Meses depois, perfeitamente sadio, descobriu-se que em estado normal de consciência falava um francês com sotaque cheio de Brasil e um português afrancesado. A depender do humor, resolvia ora entoar um “gauchês” ora encariocar as palavras da língua brasileira ou da que se fala fazendo biquinho.

Mais que isso, Sivuplê era médium (e dos bons!), embora ele mesmo descresse do espiritismo. Não raro, durante as reuniões preparatórias dos Nenhures, das quais sempre participava com opiniões muito bem fundamentadas que remetiam a grandes pensadores obscuros, ele incorporava um espírito charlatão que se passava por Che Guevara. Nesses momentos, andando para lá e para cá sobre a mesa, um histerismo calculado pelo trapaceiro, o papagaio determinava os caminhos táticos. Depois, para aliviar a seriedade, desincorporado, goles de tequila lhe obrigavam a recitar uns poemas chatíssimos de Mayakovsky. Sempre os mesmos. Poucos gostavam da performance, mas ninguém deixava transparecer. Antes, aplaudiam efusivamente ao fim do recital, diante do que ele agradecia, a voz embargada pela emoção.

Lá em cima, obrigado a ouvir “vejam essa maravilha de cenário / é um episódio relicário… / que o artista num sonho genial / escolheu para este carnaval”, Dom estava semipossesso. Sua estirpe aristocrática não conseguia ser vizinha de tanta falta de chiquê. Música que não causasse elã, que não arrebatasse, merecia lá esse nome!

— Sente-se, Dom. Não foi você quem disse, todo urgente, que precisamos chegar a uma resolução quanto antes? —perguntou a tranquilidade de Orlean.

As palavras do irmão fizeram com que percebesse, subitamente constrangido: estava fazendo papel ridículo diante deles. Raios! Precisava descobrir meios de domesticar sua tendência ao histriônico. E sentou-se, bufando. Touro bravo, criança pirracenta.

— Ao que interessa! Bertrand, faz a ata da reunião! Vamos lá: é sob os auspícios de Deus, Nosso Senhor, que declaramos aberta a décima terceira reunião extraordinária da família Cântarus…

— Para com isso, Dom! Somos apenas três. Formalidades são desnecessárias. Não farei ata nenhuma. Foi-se o tempo de reuniões com dezenas de falecidos preocupados com os destinos da família. Hoje reina o desinteresse, e muitos já reencarnaram.

— Você está irremediavelmente contaminado pelo comportamento chulo brasileiro, Bertand. Logo você, um nome tão francês…   

— Pois o samba que vem de lá não é mau, Dom… —retrucou Bertrand—. Observe a rima em “ário”, por exemplo. Não é das mais comuns, há de concordar. Está bem, há uma irregularidade nas sílabas métricas do primeiro verso em relação aos outros, mas é coisa de somenos. Inclusive…

— Falando em francês, o Sivuplê pode solucionar o seu problema, Dom —interrompeu Orlean com a urgência de quem gostaria de estar longe.

— Do que você fala?

— Do papagaio que trazem com eles. Não se trata duma mascote, apenas: é uma espécie de conselheiro político e espiritual do grupo. O detalhe é que o animal consegue nos enxergar, ao contrário das pessoas lá de baixo. Aliás, como eles não nos veem nem ouvem, Dom, resultará inútil a sua provável ideia de assustá-los para que desocupem. Agora, se você incorporar no Sivuplê…

— Ensandeceu, homem?! Imagina se a minha pessoa, o grande Dom Cântarus, descendente direto de…

Bertrand interrompeu, visivelmente irritado com a postura ranzinza do irmão mais velho. Se não fosse o caçula e não tivesse a fama de pouco inteligente, já teria tentado convencer Orlean a darem um golpe na liderança de Dom, alicerçada apenas na primogenitura. Competência mesmo, pouca. Mas não estava disposto a ser chamado de subversor da tradição dos Cântarus.

— Nós já sabemos de sua descendência, Dom. Mesmo porque, é a nossa. Coisa mais aborrecida essa eterna indignação com todas as coisas! Vá dançar, cantar, divertir-se um pouco. Viva a morte em toda a sua plenitude, antes que venha a reencarnação.

— Continuando… —Orlean retomou o fio perdido da meada— Você, Dom, no corpo do papagaio terá autoridade sobre eles, de modo que será possível convencê-los a desocuparem.

— Abandonemos semelhante ideia. Eu não entrarei no corpo dum pássaro verde e amarelo, que fala feito maritaca…

— Maritaca não fala. A família é a mesma, também é bicho barulhento, mas falar que é bom…

— Cala a boca, Bertrand! Criatura insuportável! —Dom explodiu sua arrogância mal contida— Não vou me fazer ventríloquo dum animal, certamente oriundo de mata selvagem, para recuperar nosso direito secular diante da arraia-miúda —nem é preciso dizer: foi Dom quem disse isso.

— Nem ele falando francês? —provocou Bertrand.   

— Não me diga que…

— Precisamente. E melhor que uns e outros, embora fraqueje no sotaque —completou Orlean—. O problema é que haverá uma disputa renhida pelos espaços físico e político. É que o Che Guevara impedirá qualquer um de nós, legítimos representantes da elite, de ocupar o palanque que ele julga ser exclusivamente dele.

— Esclareça melhor, Orlean —Dom começava a interessar-se pela estratégia.

— O papagaio é “cavalo” do guerrilheiro Che Guevara. E como se trata duma ave poliglota, erudita, é ótimo instrumento para transmissão das ideias dele, para quem, diga-se, a luta sempre continua. Assim sendo, ocupar Sivuplê é expulsar o atual inquilino ou, pelo menos, negociar politicamente com ele.

Após se debaterem num diálogo difícil, pontuado pela ironia nos mais diversos graus, e pela soberba, os três Cântarus conseguiram pactuar alguma coisa. Impensável um acordo diplomático: as ideias de ambos os lados eram excessivamente opostas para isso, segundo avaliação de Dom.

Optaram pelo uso de força moderada. Endurecer sem perder a ternura, digamos. Os três desceriam a larga escadaria, lado a lado, cowboys de western dispostos a resolver a pendência. Enquanto Orlean e Bertrand imobilizariam Che antes de ele se apossar do corpo do papagaio, Dom incorporaria no pássaro, e a partir daí imitaria o modo de falar do “revolucionário”, alertando a Família Nenhures para a necessidade imediata de evacuar o imóvel. Não poderia esquecer-se de, durante os “conselhos”, aos quais batizaria com o majestoso nome “ponte de transição tática”, repetir certas frases de efeito, como “hasta la victoria siempre”.

Dom decretou o término da reunião, muito satisfeito com o caminho encontrado. Ordenou aos irmãos que o aguardassem antes de descerem, pois precisava arrumar-se com a imponência exigida pela ocasião.

No entanto, o roteiro era falho. Apesar de considerar-se intelectualmente superior, um verdadeiro dom, Dom menosprezou o ridículo, erro quase sempre de graves consequências. De modo que, tão logo os irmãos principiaram a descida, Sivuplê desatou uma gargalhada sem freios no poleiro onde até então rebolava, cantava e vigiava a qualidade da carne assando. Se não desabou na churrasqueira foi porque o suposto Che Guevara impediu.

Enxergava os três irmãos, mas não estava de fato entendendo o verdadeiro carro alegórico que era Dom no meio deles. Além do cetro, vestia uma roupa como se fosse imperador, medalhas à mancheia que pesavam o fardalhão, dragonas douradíssimas. “Qu’est-ce que c’est?”, perguntava insistentemente o papagaio, gargalhada vândala, ao seu amigo “revolucionário”. A mesma pergunta os Nenhures se faziam, entreolhando-se, pois nada viam. O falso Che não perdeu tempo diante do perigo que corria: incorporou no papagaio e desandou a tagarelar num espanhol mentiroso.

— Atención máxima, compañeros y compañeras, por causo di que lá das bandas de riba la dominación enreda el contraofensiva! La cabeluda intención es secuestrar eu d’ocês. En la verdad, esses bandoleros filhos de una madre pretenden introducirse en el Sivuplê, compadre de nosotros. ¿Y saben por dónde?

O samba emudeceu.

— ¡No es posible deixar barato! ¡Todos acá urgentemente! Ha que se erguir una muralla para preservar el oritimbó de Sivuplê. Si quieren porradón…

Todos cercaram o papagaio e ficaram em guarda, soldados a perscrutar o vazio, enquanto Dom se perdia no embaraço. Ao antecipar-se a Orlean e Bertrand, o falso Che deixou claro: se dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo, de que modo incorporar em Sivuplê?

— Irmãos Cântarus, meia-volta à assembleia…

Anúncios

47 comentários em “O Oritimbó de Sivuplê (Eduardo Selga)

  1. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Olá, Bragança!
    Parabéns pela idéia, bastante criativa, pelo desenrolar da narrativa, muito bem construída, e pela entrada do papagaio médium, eu gostei, achei muito interessante a sua proposta.
    Minha nota é 9,0.
    Abraços!

  2. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: gramática impecável e um humor muito peculiar, a lá “Os Fantasmas se Divertem”. Conforme a organização do conto, a existência de um conflito é explorada antes do conflito em sim, funcionando como um bom gancho e mantendo o leitor interessado. O útil e o necessário se unem nessa estratégia, pois ela cria para o leitor o contexto dos três irmãos.

    Aspectos subjetivos: acho que nem preciso discutir a criatividade aqui. O conto une um papagaio médium poliglota a três espíritos aristocratas e ao Che Guevara – isso fala por si só. Quanto ao carisma dos personagens, senti falta de mais falas do Sivuplê, mas não é um demérito. Começo a pensar nos três irmãos como uma entidade só, um mecanismo, sendo que incorporam características diferentes cooperando pela mesma finalidade.

    Compreensão geral: vivendo e aprendendo… oritimbó é uma palavra que não se ouve com frequência, sabe-se lá o porquê. Me agradou bastante a leitura, que constrói o humor aos poucos, abusando da situação estapafúrdia e do nonsense.

    Parabéns e boa sorte.

  3. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Bragança,

    A sua ideia para esse desafio foi mesmo muito original. Acho que nem no meu mais louco delírio eu imaginaria uma reunião de fantasmas da família real brasileira hahahahah. Foi uma ótima ideia. Só achei que a execução não foi tão legal. É uma boa história, mas, a não ser pelo final com os fantasmas lutando para possuir o papagaio, ela não chegaria a ser classificada como comédia. Mas, repito, é uma boa história, fruto de uma ideia muito original. Eu cheguei a ficar imaginando como seria uma reunião como essas hehehehe, muito interessante. Achei que o final poderia ter sido melhor arrematado, mas essa é só a minha opinião. É um bom texto. Parabéns.

  4. Pedro Paulo
    1 de setembro de 2017

    Em primeiro lugar, devo pontuar que é um conto interessante, com uma premissa criativa que me chama muito a atenção. A “nobreza” brasileira me atrai o olhar e vê-la adaptada como fantasmas soberbos foi uma boa surpresa. O conto também é muito bem escrito e conduz a narrativa com um bom controle das informações e nuances de todos os personagens envolvidos. No entanto, enquanto funcional em si só, o conto não trabalha muito bem dentro da proposta do desafio. É, de fato, uma situação inesperada e engraçada, mas o humor é puramente fruto da situação e não se encontra distribuído no restante do texto. Nesse sentido, embora materialize uma boa ideia, perde neste desafio.

  5. Pedro Luna
    1 de setembro de 2017

    Não gostei muito. O conto tem capricho, um certo ar clássico, certamente, e é bem escrito e bastante imaginativo, com direito a papagaio médium e espíritos inconformados. Porém, os personagens da família Cântarus são muito chatos. O diálogo entre eles parece que fica dando voltas entre o orgulho e a insatisfação. No final, quando eles partem para possuir o papagaio, achei que o conto sofreria uma guinada, sei lá, alguma cena de mais emoção ou mais agitada aconteceria, e acaba sendo mais conversa. Pelo menos deu para rir da “guarda de proteção ao orifício de Sivuplê”. kk. No geral não foi um conto para mim, embora, digo mais uma vez, seja bem caprichado na estrutura, não foi no roteiro.

  6. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    1 de setembro de 2017

    Samba e o atrevimento de criar diálogos em espanhóis. Gostei.

    A escrita é muito boa, de verdade. Coisa de profissional. Porém, embora tenha gostado muito das duas qualidades que mencionei acima, achei o conto carregado demais e com detalhes que não agregam muito para o enredo. Em suma, gostei, mas queria ter gostado bem mais.

    Parabéns.

  7. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    O Oritimbó de Sivuplê (Bragança)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): trama divertida e personagens bastante marcantes e vívidos, embora tenha percebido una excesso deles (poderia juntar dois irmãos em um para facilitar a leitura). A resolução, porém, foi apressada e simples, acho que faltou espaço. Poderia ter economizado espaço em passagens engorduradas para utilizar no desfecho.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): percebi falta de alguma pontuação nos diálogos, mas afora isso, é um texto de grande qualidade. Se posso recomendar alguma coisa, seria evitar excessos.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): os fantasmas se divertem, mas esses possuem bastante personalidade. O papagaio médium é um ponto de grande criatividade, mas acabou não ganhando muito destaque.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): achei o início um pouco enfadonho, mas depois que descobri que eram fantasmas, o conto subiu de patamar. O fim, porém, como já adiantei, ficou corrido e poderia ter sido muito engraçado. Acabou sendo só divertido.

    🤡 #euRi:

    ▪ Organizar velório de espírito é complicado… 🙂

    ▪ Endurecer sem perder a ternura, digamos 🙂

    ▪ ¿Y saben por dónde? 🙂

    ⚠️ Nota 8,0

    OBS.: sobre pontuação no diálogo, sugiro essa leitura: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  8. Davenir Viganon
    31 de agosto de 2017

    Achei interessante o início com os espíritos numa casa, patrimônio cultural que depois descobrimos que ela está ocupada por moradores sem teto. Pena que começa uma sessão criticas a Che Guevara (parece ser o propósito do conto) que não teve muita graça para mim, mas funcionou.

  9. Bia Machado
    30 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2,5/3 – Uma narrativa simpática, um humor leve, de um autor/autora seguro/a de si. A história flui, deu para ler de uma vez só e apenas
    achei que o final podia ser mais elaborado. Da forma como está, ok, bacana, mas a situação poderia ter sido mais explorada, principalmente a parte do Fidel “fajuto”, fiquei curiosa sobre ele.
    Personagens – 2,5/3 – Levam bem o texto, mas como disse, podia ter explorado mais. Ficou algo um tanto contido, não sei se por conta da expectativa com relação à comédia.
    Gosto – 1/1 – Eu gostei, sim, foi uma leitura agradável e em certos momentos me diverti imaginando a situação.
    Adequação ao tema – 1/1 – Completamente adequado.
    Revisão – 1/1 – Não vi nada que se destacasse quanto a erros.
    Participação – 1/1 – Parabéns!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  10. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    8,2

  11. Amanda Gomez
    28 de agosto de 2017

    Oi, Bragança.

    Olha, eu demorei bastante pra engrenar na história… pra fazer parte dela, o começo é muito lento e confuso, aliás a linguagem não é e fácil compreensão, isso faz a leitura tornar-se um pouco travada, até mesmo cansativa.

    Mas não desisti dele, segui em frente tentando assimilar tudo, acho que consegui o pouco, do meio pro final a trama ficou mais clara e interessante.

    É um texto diferente…pra não dize esquisito rsrs. Nonsense mesmo, mas é comédia, acho que é válido né? talvez se o autor tivesse maneirado um pouco…bem, não sei aonde, mas em algum lugar que ficou meio carregado demais.

    O humor está presente, basta apenas você apreciar ou não. Che Guevara que se apossa do corpo de um papagaio que fala francês. Os três irmãos me lembraram uma história antiga que agora não lembro o nome, o fato deles quererem se livrar dos moradores me lembrou de ” Os fantasmas se divertem” talvez se tivesse deixado o Che de lado e focasse mais nisso,a história teria ficado engraçada…ou não.

    Bem, o final é estranho também. Talvez se eu tivesse avaliando seu grupo, não estaria no meu top 10 pra a segunda fase. Mas ai está você, então vou respeitar isso.

    Boa sorte no desafio!

  12. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    Mais um conto post—mortem, este altamente confuso. A ideia base é interessante, algo deja vu nas histórias do fantasma Casper, ou Gasparzinho. No entanto, o desenvolvimento lento fez perder o interesse.

  13. Brian Oliveira Lancaster
    28 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Um texto bem interessante, quase carregado de regionalismos, mas bem contido. Tem uma veia fantástica embutida que caiu bem ao contexto. Tem um pouco de graça pelo inusitado, mas algumas passagens ficaram um tanto incompreensíveis. Suspeito que esse texto não seja “daqui”. – 8,0
    A: É um texto estranho, mas divertido nas entrelinhas. Diferente, no mínimo. Lembrou-me algumas novelas históricas e suas características bem-humoradas. – 8,0
    C: Não criei conexão com nenhum deles, mas o personagem principal se sobressai. Depois que entendemos que são todos alma-penadas o entendimento fica melhor. O papagaio deveria aparecer mais, esse tinha carisma de sobra. – 8,0
    U: Bem escrito, com termos e construções diferentes, mas dentro dos padrões conhecidos. Algumas passagens não fluem tão bem, e o final foi um balde de água fria. Esperava uma conclusão mais fechada ou até absurda, como o tema pedia. – 8,0
    [8,0]

  14. Fheluany Nogueira
    27 de agosto de 2017

    Texto burlesco que satiriza a luta entre classes sociais. Com o título, já se representa a classe mais pobre e com o pseudônimo, a elite. A narrativa faz rir pelo exagero ao parodiar costumes e linguajar das classes em questão. Os personagens aristocratas são extravagantes fantasmas e as situações criadas são divertidas, como o papagaio-médium com o nome da corruptela de “s’il vous plaît” e incorporado por falso-real Che Guevera. Foi bem construído o cenário da mansão ocupada que é fundamental para o desenvolvimento da narrativa.

    A leitura é agradável e fluente; o texto está bem escrito, sem problemas gramaticais ou estruturais importantes e possui bom ritmo e interessante “trilha sonora”.

    Parabéns. Está entre os favoritos. Abraços.

  15. reginaruthrinconcaires@gmail.com
    27 de agosto de 2017

    Que texto bem cuidado! Uma mescla luso-brasileira de usos e costumes. Até expressões como: “vivinho da silva” (sobrenome ironicamente temerário na atual conjuntura brasileira), e “macaquinhos no sótão” traçam um paralelo entre o nosso linguajar. E o adorável médium Sivuplê (papagaio poliglota, figura caricata) traz um teor interessante à narrativa, no seu final. Texto inteligente, muito bem elaborado, cuidadosamente costurado. Parabéns, Bragança!

  16. Catarina Cunha
    25 de agosto de 2017

    A premissa do papagaio médium, e guru da esquerda, enfrentando uma elite de fantasmas é maravilhosa. O título também. Mas a execução do texto ficou pesada e repetitiva.

    Auge: “— Cuidado com o estresse, não me vá morrer novamente… Organizar velório de espírito é complicado…” Bota complicado nisso!

    Sugestão:

    Reescrever dando prioridade aos diálogos rápidos, cortar a gordura descritiva e aumentar a intensidade da disputa pelo corpo de Sivuplê.

  17. Anderson Henrique
    25 de agosto de 2017

    Temos um narrador intrusivo, que logo de início toma o partido dos Cântarus ao apontar os moradores do sobrado como invasores. Depois, contudo, ele parece trocar de lado, ou simplesmente amenizar seu direcionamento por perceber que a situação dos Cântarus também é patética. Os diálogos estão encaixados no texto e refletem um tanto do contexto narrativo, mas está aí justamente uma característica do conto que menos me agradou: a opção pelo vocabulário pouco jovial e mais rebuscado, cheio de apostos e adjetivos. Ele faz todo sentido na narrativa e pode facilmente ser justificado mas eu achei que a levada do texto ficou pesada, com muitas voltas. Quando o conto vai tentar a comédia, ela não encaixa bem, gerando uma espécie de desequilíbro. No mais, está tudo correto e condizente com o desafio.

  18. Gustavo Araujo
    24 de agosto de 2017

    Um dos aspectos mais interessantes de participar dos desafios por aqui é esse contato com tipos de narrativa que à primeira vista não nos chamariam a atenção. É mais ou menos como o filho rebelde que faz cara feia ante à ordem da mãe para comer brócolis, para depois perceber, em certo êxtase, que brócolis podem ser saborosos. Aqui, a obrigatoriedade de leitura faz esse papel de mãe disciplinadora, nos impelindo ao mergulho literário, fazendo-nos perceber como pode ser rica a literatura que foge aos padrões que preestabelecemos. É o caso deste conto, escrito com esmero, polido no sentido mais amplo da palavra, que nos entrega uma história simples mas construída de modo virtuoso. Claro, só para aqueles que se predispõem a verdadeiramente mergulhar em suas linhas. Fantasmas de um passado não-tão-distante empenham-se em expulsar invasores de sua mansão, utilizando-se, para tanto, de um papagaio que fala francês. Só aí já se denota a criatividade do autor. O que se vê, é claro, é uma sucessão de entraves, de tiradas irônicas e que flertam com os estereótipos da nobreza, com os efeitos causados pelo seu afastamento das massas, com o narcisismo provocado por essa distância. A critica brilhantemente escrita em face daqueles que se alienam não se repete, contudo, em relação aos invasores, o que tornaria mais interessante essa dicotomia entre os grupos. O melhor fica para o fim, com o papagaio indignado pelo modo como seria “possuído” (quase literalmente). Risos incontidos aí. Enfim, um trabalho excelente. Parabéns!

  19. Fabio Baptista
    24 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    O texto tem um clima gostoso durante quase toda a leitura, um ar cômico, mas não de grandes (na verdade, nem de pequenas) risadas.

    Um humor talvez inteligente demais para o meu intelecto.

    Acho que perdeu uma boa oportunidade de dar uma bem-vinda escrachada com o lance da incorporação do Che Guevara.

    – Optaram pelo uso de força moderada. Endurecer sem perder a ternura, digamos.
    >>> foi uma das poucas referências que o Capitão América entendeu rsrs

    A piada que justificou o título foi boa também kkkk

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Até aparecer o papagaio, o texto não prendeu quase nada a atenção.
    Depois que o bicho aparece a coisa melhora, mas ficou aquele ar de promessa não cumprida até o final.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Inevitável não lembrar do filme “Os Outros”.
    A presença do papagaio médium, porém, trouxe um ar de novidade.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    O texto demora a situar o leitor “geograficamente”. Nas primeiras menções a “lá debaixo”, pensei que se referiam ao inferno.
    Não teve muito o clima de casarão mal assombrado que o conto pedia.

    Os personagens não são muito marcantes, acho que poderiam ser mais caricatos, inclusive o próprio papagaio, que foi o mais carismático.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Aqui, o ponto alto. Com exceção ao início, desnecessariamente enrolado na minha opinião, foi muito bem escrito.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Embora o humor não tenha me agradado, inegável que esteja dentro do tema.

    NOTA: 8

  20. iolandinhapinheiro
    23 de agosto de 2017

    AVALIAÇÃO

    Técnica: Percebi que os três irmãos fantasmas dividem o título/nome do herdeiro do trono da extinta monarquia brasileira Dom Bertrand de Orleans e Bragança e que o texto com falas histriônicas, com uma dramaticidade que me fez pensar em diálogos com uma pegada teatral. O começo foi difícil. A linguagem era tão pomposa que e com tantas frases desnecessárias que eu precisei ler bem devagar para não me perder no meio de tanta firula. Rodeio demais não deixa o texto mais erudito, só deixa mais chato e tendo tantos para ler, é penoso para nós, seus leitores.

    Fluidez: Lendo devagar e tentando apreciar os detalhes, eu consegui encontrar deleite e coerência no texto, mas eu me senti tentando tomar um cafezinho num banquete de 150 pratos, todos excessivamente temperados.

    Graça: Não ri. Mas apreciei a sua loucura criativa.

    Boa sorte.

  21. werneck2017
    23 de agosto de 2017

    Olá, Bragança!

    Um texto muito divertido e muito criativo também. Bem escrito, com coesão, coerência, parágrafos interligados com lógica . Um texto que cativa o leitor desde as primeiras linhas, fazendo com que o leitor embarque na história, tenha empatia com os personagens, principalmente o coitado do papagaio!
    O clímax se dá num crescendo e o desfecho final é maravilhoso. Vi apenas um erro – a meu ver :
    e até na semana anterior à chamada perfeitamente intocado em sua decadência física, > e até na semana anterior à chamada, perfeitamente intocado em sua decadência física,

    Acho que na sentença caberia a vírgula. Fora isso, perfeito! Parabéns!

  22. Luis Guilherme
    22 de agosto de 2017

    Bom diaaa.. Td bao por ai?

    A historia eh mto bem escrita (3 idiomas num so conto? Très bien!). O autor brinca bem com as palavras, e tem um belo domínio da escrita.

    Nao sei se vi demais, mas peguei algumas referencias politicas carregadas de ironia. Interessante.

    O humor do conto aparece bom meio dessa ironia politica dos extremos direita-esquerda. O autor me pareceu ridicularizar a situaçao.

    Nao achei o conto particularmente engraçado, mas a cena final veio para alavancar. Eh bem engraçada.

    Especialmente quando aparece o nome do conto. Soltei um “aahh”, e dei uma boa risada! Hahaha

    Porem, achei que poderia aproveitar aquele climax e finalizar melhor o conto. Achei a frase final un pouco abaixo. Digo isso pois a situaçao estava tao divertida que o autor poderia ter aproveitado pra finalizar com alguma sacada ou tirada. Opiniao pessoal, claro.

    Enfim, o resultado final eh bom. O autor brinca bem com a escrita, utiliza bem o recurso dos vários idiomas pra dar ritmo ao conto, e, apesar de nao ter achado graça no conto todo, a reta final tira boas risadas.

    Parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      22 de agosto de 2017

      Corrigindo o quarto paragrafo:

      O humor do conto aparece por* meio de

  23. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Olá, Bragança, leio e releio seu interessante conto tratando sobre a nossa elite imperial e o povão. Gostei desse clima que você criou trazendo-me essa crítica social do povão do andar de baixo e da nobreza no de cima. A questão é que os dois andares se encontram em frangalhos. E tudo isto sendo acompanhado pelo papagaio Sivuplê, a transitar entre os dois mundos. Bem criativo isto. Sobre a narrativa em si, teve horas que a achei pesada. Faltou mais leveza, mais fluidez ao conto. A história é ótima, é importante que se frise. Grande abraço.

  24. Olisomar Pires
    19 de agosto de 2017

    Escrita: Sem erros notáveis, fluida e envolvente, tensão bem cativada.

    Enredo: No plano espiritual, alguns desencarnados tentam desocupar a outrora mansão da família invadida por vagabundos. Como solução, decidem incorporar no papagaio mediúnico e dar ordens aos invasores em nome do seu líder sanguinário, também falecido. O espírito que já dominava o papagaio antecipou o movimento e protegeu a ave contra o ataque, usando os tolos “vivos” como massa de manobra.

    Grau de divertimento: Bom. Muito criativo e divertido. Talvez a falha, se houve mesmo uma falha, esteja em não aproveitar o embate pelo papagaio. Houve a preparação, apresentação dos personagens e conflito, mas não houve solução.

    É isso.

  25. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá Bragança,
    Improcessável = não processável.
    Semipossesso = como é se sentir assim?
    Uma de várias pretensas comédias nesse desafio. Nada de riso, ao contrário, de uma chatice galopante a descrição de uma futura ação. Infelizmente, ainda mais, com várias referências, tentando ser erudito com elas. Infelizmente não é possível considerar que sequer tentou entrar no clima do desafio. Um desaponto total, com palavras que não existem no vocabulário, mas sem a característica de fazer sorrir com um possível neologismo, mesmo caricato. Desastre total.

  26. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    Não gostei. Não gosto do sentimento que tive ao terminar de ler esse conto. Inveja. Eu queria ter escrito esse conto. Ter esse domínio da escrita. Desse humor inteligente e sutil. O Timing. Mesmo o leitor desavisado com as referências dos personagens da história dos Brasil ainda consegue entender e achar graça. O conto me chama de inteligente, não explica, não me entrega mastigado. O meu maior medo era o final que poderia estragar caso não tivesse o mínimo de qualidade do resto. Mas foi satisfatório. Eu realmente leria uma estória maior com esses personagens e situações. Parabéns!

  27. Rafael Luiz
    18 de agosto de 2017

    A gramatica desta narrativa me parece invejável em vários sentidos. Muito bem descrito, falas condizentes com a “importância” dos personagens. Mas o conto não empolga em nenhum momento, se tornando muito dificil de acompanhar até o fim. O fato de estarem mortos, que poderia ser utilizado d forma mais interessante, pois muitas vezes, parece apenas reforçado para o leitor entender. No meio do conto há uma barriga enorme onde muito se descreve mas a história não progride, o que afeta a fluidez do conto.
    Não achei muito adequado ao tema, uma vez que não achei engraçado, apenas curioso.

  28. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) Bragança, cest´ va bien?:

    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: **
    Uma história do além, sem dúvida. Mas o excesso de referências, e a falta de ação, tornaram em alguns momentos a leitura difícil e pouco engraçada.
    PREMISSA:**
    Razoável, a confabulação das almas monarquistas, mas confusa no desenvolvimento com a entrada do Che Guevara em cena.
    TÉCNICA: ***
    A fluência é um pouco travada, a meu ver, pela exuberância de referências e uso de expressões. Lembra bastante Mario de Andrade, ainda que deslocado do contexto do desafio.
    EFEITO GERAL: **1/2
    No geral, é um texto que precisa de uma reelaboração, e encontrar um final à altura da escrita.

  29. M. A. Thompson
    17 de agosto de 2017

    Na verdade aficionado por História.

  30. M. A. Thompson
    16 de agosto de 2017

    Olá Bragança e o conto O Oritimbó de Sivuplê.

    Seu conto pode ser resumido assim:

    Uma reunião (assembleia) em que compareceram três mortos do tempo do Império ou da República, não atentei a esse detalhe. A reunião ocorre enquanto um grupo comemora a ocupação de um prédio abandonado no andar de baixo. A maior parte do texto é formada por diálogos que eu suponho serem inteligentes, porém fogem ao meu apreço. Do meio para o final um dos espíritos incorpora no papagaio em uma tentativa de convencer os invasores a abandonar o local.

    A pergunta que faço é, onde está a comédia? Talvez na imaginação tenha funcionado, no papel não. Seu conto está muito rebuscado para que eu pudesse compreender a comédia implícita ou explicita do texto. Sinto muito por isso.

    Talvez funcione com alguém aficionado pela história do Brasil, como parece ser o seu caso. Acho que faltou definir quem seria o leitor. Ou se o definiu, eu não fui incluído.

    Boa sorte no desafio.

  31. Marco Aurélio Saraiva
    15 de agosto de 2017

    Que ideia genial! Muito criativa!

    Foi um conto muito legal de ler. Me diverti muito com a discussão entre os irmãos mortos. Sua abordagem a diversos assuntos foi sublime, entre eles o contraste da elite antiga com a “plebe” que agora ocupa a sua morada centenária (denotando a futilidade de todo este elitismo em relação ao tempo) e o ridículo que era um grupo de admitidos revolucionários a seguir as palavras de um papagaio! Isso tudo com muito humor.

    Gostei muito também do contraste entre as personalidades dos irmãos. Cada um pode ser desenvolvido muito bem, mesmo neste curto espaço de palavras. Foi um texto muito criativo, muito bem desenvolvido e escrito de forma quase perfeita!

    Sua técnica é muito boa. De fácil leitura, mesmo que rebuscada. Suas palavras são simples e complexas, cada uma escolhida para a ocasião ideal, encontrando um equilíbrio perfeito.

    O final foi cômico (eu ri junto com o papagaio). Não foi um clímax per se, já que o plano dos irmãos foi por água abaixo, mas mesmo assim, foi uma cena magnífica.

    Parabéns!!

  32. Fil Felix
    15 de agosto de 2017

    Gostei bastante deste conto, achei uma ironia muito inteligente nas entrelinhas. Não é o típico humor que arranca gargalhadas, mas faz rir e o leitor pensar um pouco. Tem um quê de fantasmas estilo Gasparzinho, uma sátira da classe média brasileira. Os fantasmas da elite brasileira, em seu estilo mais brega e pomposo. Lembro que um professor de História da Arte um dia comparou a classe média ao barroco. E a crítica à ela é bem evidente no conto, como em dizer que não enxerga os próprios erros ou o papel de ridículo.

    Apesar de não ser explícito, mesmo assim não é tão camuflado como muitos contos, deixando bem claro do que se trata o texto. A escrita está muito boa, tranquila de ler, com ótimas sacadas, como o uso do papagaio verde e amarelo, gritando ao quatro ventos que protejam seu rabicó, como um Zé Carioca às avessas. Além da crítica, traz outras questões, como a ocupação e a crise de moradia, que dão mais sustança ao conto.

  33. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    Apesar de confuso quanto ao entendimento das personagens, a propósito de seus diálogos, a intriga do enredo é bem armada e a ideia é passada sem problema de compreensão. Embora os personagens não sejam muito claros em sua composição, com exceção do feofó do papagaio, ks, ks, ks…. Nota 6

  34. Rsollberg
    15 de agosto de 2017

    Hahahahaha

    Fala Bragança!
    Seu conto é divertidíssimo. Toda esse clima surreal funciona demasiadamente bem para o tipo de humor. Uma assembleia de almas desencarnadas preocupados com um grupo invasor liderados por um papagaio genial. Muito bom.

    Sivuple é um personagem fantástico, lembrou-me inclusive o Behemot do Bulgakhov em “O mestre e a margarida”.Minha única ressalva é que colocaria “penugem” ao invés de “pelagem”.

    O estilo é delicioso. As frases ricamente construídas. Ótimas referências em todo o texto. Ás vezes, exigindo um pouquinho do leitor, é claro. Afinal, hay que “Endurecer sem perder a ternura” jamás.

    Os diálogos são ágeis e inteligentes. Possivelmente os melhores do desafio. Fazendo avançar a história, mas sem se didático ou contar tudo.

    Destaco esse trecho sublime “Atención máxima, compañeros y compañeras, por causo di que lá das bandas de riba la dominación enreda el contraofensiva! La cabeluda intención es secuestrar eu d’ocês. En la verdad, esses bandoleros filhos de una madre pretenden introducirse en el Sivuplê, compadre de nosotros. ¿Y saben por dónde?”

    A verdade é que queria mais.
    Essa história merece outros capítulos.
    Parabéns

  35. Rubem Cabral
    15 de agosto de 2017

    Olá, Bragança.

    Bom conto! Bem original o argumento também. Achei graça da situação toda: invasores liderados por um papagaio cachaceiro e a conspiração dos fantasmas nobres.

    A qualidade da escrita está muito boa. Os diálogos também. E, considerando o pouco espaço disponível, foi boa a caracterização das personagens.

    Talvez eu cortasse um tanto a “chatura” do Dom, para ganhar um tanto mais do Sivuplê, este sim o personagem com maior potencial de galhofa. Acho que discursos em mau espanhol seriam mais divertidos.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  36. Victor Finkler Lachowski
    14 de agosto de 2017

    Um conto sobre o tempo, passado, nostalgia, tradição e a inevitabilidade do esquecimento. Uma família que já deixou de existir tenta manter sua existência, sendo isso impraticável.
    Um excelente conto, muito bem escrito e com uma narrativa divertida, apesar do trágico contexto em que a estória se localiza. Apenas achei o final ligeiramente decepcionante, talvez seja pessoal, estava com vontade de ver esse enredo finalizado.
    Boa sorte no desafio e obrigado pela maravilhosa leitura,
    Abraços.

  37. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    A premissa é engraçada: um bando de sem-teto ocupa um velho casarão, que por sua vez é já ocupado pelos fantasmas aristocratas, falecidos donos da propriedade, que não aceitam a invasão. Como aliado dos sem-teto, um papagaio (‘Sivuplê’ é ótimo!) que fala vários idiomas e incorpora um falso espírito de Chê, é usado pela aristocracia fantasma para retomar o poder. Esse mote é hilário! Mas a realidade é que achei o texto um pouco cansativo, em alguns momentos muito explicativo, como em “Se alguém do tempo em que a família desembarcou na Terra dos Papagaios (já então rebatizada de Brasil) tivesse testemunhado o fato, talvez se surpreendesse com o abandono que os Cântarus dispensavam a si próprios, visível não somente na ausência de quórum como na grossa poeira dos móveis, quase todos quebrados, bem como no fedor de sujeira.”, ou em “Se não fosse o caçula e não tivesse a fama de pouco inteligente, já teria tentado convencer Orlean a darem um golpe na liderança de Dom, alicerçada apenas na primogenitura. Competência mesmo, pouca. Mas não estava disposto a ser chamado de subversor da tradição dos Cântarus.”, por exemplo.
    A linguagem que vc usou Tb ficou um pouco pesada para o gênero, o excesso de rebuscamento acaba confundindo e cansando o leitor, na minha opinião. Uma linguagem mais leve, mas ágil, teria ajudado a criar um clima mais cômico para a história.
    Achei o final um pouco frágil, a sensação é que vc parou algumas linhas antes do fim. Faltou um arremate melhor.
    Ainda assim, é um bom conto. Parabéns!

  38. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    Os personagens são absurdos e com um bom potencial para situações cômicas. Mas com o desenvolvimento da história entre os irmãos, esse potencial vai perdendo força. Talvez, devido a demora para algo acontecer e a excessiva evocação de qualidades dos personagens. Com metade das palavras usadas eu já me sentia bem situado e aguardando o andamento da história.

    Acredito que havia uma intenção de realizar uma crítica social em meio ao conto e, se realmente havia, senti que os detalhes dos personagens acabaram por sufocar os demais elementos da obra.

  39. Lucas Maziero
    9 de agosto de 2017

    Um conto elegante, eu diria. É com vergonha que digo que pouco aproveitei da ideia, o que, obviamente, impediu-me de uma apreciação cabal. Três espíritos proprietários do Sobrado dos Cântarus se incomodam com a negligência dos demais familiares no zelo da propriedade. Como expulsar de lá a família Nenhures? Observam que por meio de Sivuplê poderão consegui-lo. Porém… o que representa a figura de Che? Não pude compreender.

    Opinião geral: Gostei, apesar de pouco entender.
    Gramática: Muito bem escrito.
    Narrativa: Estilo pomposo, difícil, creio que há muito nas entrelinhas para se percerber (o que eu não percebi).
    Criatividade: Boa. A ideia poderia ter se desenvolvido com clareza.
    Comédia: Há um bom humor, os diálogos dos irmãos, ao meu ver, são de uma ironia cômica.

    Parabéns!

  40. angst447
    9 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O título do seu conto já aguça a curiosidade. Mesmo assim, resisti bravamente e não busquei no dicionário o significado de “oritimbó”. No final, ficou bem claro o que era. E Sivuplê foi um bom nome para dar ao papagaio metido a francês.
    Demorei para ler este texto porque pensei que seria mais rebuscado e cansativo. No entanto, a leitura engrena com certa facilidade, apesar da linguagem ser bem cuidadosa e não resvalar no uso de clichês ou estereótipos. Pareceu-me uma reunião de condomínio, com os poucos participantes preocupados com a ocupação do imóvel pelos sem teto (Nenhures = lugar algum). Já Cantarus, do latim canthărus = ‘vasilha grande de beber, bojuda e com asas’, fez com que eu pensasse na família imperial no Brasil.
    Não encontrei erros de revisão, nem mesmo uso repetitivo de palavras ou imagens.
    Uma comédia leve, que não força gargalhadas, mas conduz de forma inteligente e elegante o leitor pelos parágrafos.
    Boa sorte!

  41. Vitor De Lerbo
    9 de agosto de 2017

    História bastante criativa, o embate entre os espíritos de Che e dos aristocratas é muito bom.

    Os personagens foram bem construídos e os diálogos são engraçados. Destaque para a frase “”Viva a morte em toda a sua plenitude, antes que venha a reencarnação.”.

    Boa sorte!

  42. Evandro Furtado
    8 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    O grande mérito do conto é deixar no leitor um gostinho de quero mais. Você demonstra um claro domínio de desenvolvimento de trama, com personagens complexos e psicologicamente bem estruturados. Talvez, fosse tirada a responsabilidade de enquadrar um tema no texto devido ao desafio, o resultado poderia ser ainda melhor. Mas, mesmo diante das limitações impostas, você foi capaz de criar uma obra instigante e divertida.

  43. Priscila Pereira
    7 de agosto de 2017

    Oi Bragança. Vamos avaliar o seu conto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Não encontrei nenhum problema com a revisão. – 02
    Coerência: Tem começo, meio e fim definidos, da pra entender, apesar da dificuldade que encontrei na leitura, que para mim foi muito pouco fluida. – 02
    Adequação ao tema: Me desculpe, mas não achei adequado. Não encontrei elementos de humor. – 0,5
    Gosto pessoal:Está bem escrito. Mas, pra mim, está muito chato. Desculpe, quero ser sincera, sem ofender. -0,5
    Total: 07
    Boa sorte!

  44. Paula Giannini
    7 de agosto de 2017

    Olá, Bragança,

    Tudo bem?

    Sempre que leio um conto e preciso comentá-lo, gosto de partir da premissa. É interessante imaginar o autor, olhando para um antigo casarão e, ao imaginar aqueles que ali viveram, pensar que podem ser fantasmas vagando neste pelos séculos à fora.

    Você criou uma trama ousada. Partindo da ideia de que os antigos e nobres Orleans e Bragança, já desencarnados, não se conformam com a ocupação que foi feita de seu antigo castelo. E mais, tal casarão, ocupado pelo movimento dos sem-moradia, ainda é mostrado em um dia de festa, regada a churrasco e música. Uma espécie de “festa da senzala” moderna.

    Seu trabalho tem brasilidade aliada à contemporaneidade. Seus personagens são antigos conhecidos de nossos livros de história, além de outros, conhecidos nossos de nossos dias atuais. É interessante notar que você insere na trama um personagem papagaio, um médium poderoso que incorpora ninguém mais que Tchê (nada mais apropriado ao movimento dos sem-teto), para servir de ligação entre estes dois mundos distantes em tempo, espaço, status social, privilégios em vida, enfim.

    Para mim, o trabalho funcionou como uma alegoria da desigualdade em nosso país. Um conto divertido, criativo, imagético e ágil.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  45. Roselaine Hahn
    6 de agosto de 2017

    Olá autor (lusitano, será?), amigo de Bertrand Maria José de Orléans e Bragança, kkkk, tá tudo no texto. Muito bom o seu conto, um dos melhores dos 2 que li até agora (kkkkk, brincadeirinha). Muito bem escrito, gramática irretocável, a ideia da família pomposa-falida-desencarnada foi ótima, os diálogos estão bem estruturados, de acordo com a linhagem dos personagens. O endurecer sem perder a ternura foi sensacional. Apenas no final fiquei com gostinho de quero mais, sei lá, os Silva contra os Cântarus, Guevara e seus guerrilheiros ocuparem o andar de cima, rsrs. Parabéns. Muito bom.

  46. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua forma de escrever é cuidada e de qualidade e não encontrei falhas a nível de ortografia, gramática ou revisão. Achei muito criativo embora o enredo se tenha desenvolvido com alguma lentidão; Está muito adequado ao tema. Por fim, enquanto leitora, não foi dos meus favoritos, embora no que é essencial para determinar um escritor não tenha o que apontar.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3, Comédia Finalistas e marcado .