EntreContos

Detox Literário.

O tempero da baiana (Elisa Ribeiro)

– Mãe, o que ela era minha?

Flávia franziu a testa. Pelo que entendia de relações de parentesco, a defunta não era nada de seu filho. Optou por uma explicação técnica.

– Filhinho, ela era casada com o irmão da sua avó Quitéria, era tia de consideração do seu pai – explicou,  depois resumiu –  seria uma espécie de tia-avó de consideração sua.

O pequeno André fez cara de que tinha entendido e concentrou a atenção nos três degraus que levavam ao vestíbulo da grande casa amarela.

Estavam em Miraúba, cidade natal do marido – interior da Bahia, região da Chapada – de férias e também para  comemorar o aniversário de Dona Quitéria. A intenção era de que a ocasião  fosse aproveitada para um grande encontro familiar. A morte súbita, desajeitada, de tia Nitinha, uma lástima, os surpreendera assim como ao restante da parentada que lá estava   também a pretexto do aniversário.

A família estendida de Pedro parecia infinita à Flávia. Não dava conta de a quantos primos e tios já fora apresentada desde sua chegada três dias atrás, dias esses preenchidos por almoços e jantares emendados na casa de um e de outro.  

Até se agradara da finada tia Nitinha nos poucos minutos que haviam conversado num desses encontros comensais. Tinha uma aparência calma e discreta, assim como a sogra, a fala mansa, as feições arredondadas, tão diferente do estilo de sua própria mãe e as amigas cariocas, sempre ansiosas e com muitos adereços.  

Quem sabe não fora uma indigestão dessas comilanças que a matara, pensou Flávia ao entrar na sala, que, embora grande e arejada, estava quente, cheirando flores e gente amontoada, ambiente desagradável, como era de se esperar.

A cunhada com  os três filhos,  primos de idades próximas à de André, sentados cabisbaixos em duas cadeiras, estavam acomodados próximo à entrada.

– Que bom você ter chegado, Flávia. Dá uma olhadinha nos meninos enquanto eu vou ver se tem alguma coisa em que eu possa ajudar.

Falou sem pausa para respirar ou para que Flávia retrucasse. Assim era a cunhada, sempre disposta a terceirizar o cuidado dos filhos ao primeiro trouxa que aparecesse.

No outro lado da sala, sobre a mesa grande de jantar jazia o caixão, muitas flores em volta, onde a defunta descansava. A cunhada desapareceu pelo corredor que dava acesso à área interna da casa. Gostava de parecer prestativa. Para Flávia, era apenas uma criatura  enxerida, inconveniente e abusada, que todos os anos passava as férias hospedada na sua casa com a desculpa de aproximar os primos, mas interessada mesmo em aproveitar no zero oitocentos a cidade maravilhosa.  

– André e meninos, fiquem quietinhos aqui enquanto eu vou cumprimentar aquela tia ali – ia dizer ao lado do caixão, mas preferiu apontar  – e já volto.

A tia era uma gordinha lustrosa, filha da falecida, muito loura e rosada, o cabelo fino e oleoso grudado na cabeça. Flávia sentiu um desgosto ao abraçá-la.

– Meus pêsames… Sou a Flávia, esposa do Pedro,  filho da Dona Quitéria– achou prudente se identificar;  assim como  não lembrava o nome da prima era provável que também a prima não se lembrasse do dela.  

– Muito obrigada, minha linda! Estou lembrada de você; Pedro nos apresentou na casa de tio Dindinho. Fique à vontade. Tem refrigerante e salgadinhos naquela mesa – apontou a mesa com a mão que segurava uma espécie de croquete cheio de gordura.  

Os três filhos da gorducha, rosados, louros e roliços como ela, com cara meio chorosa a cercavam. Flávia abaixou-se e beijou os três porquinhos. Cumprimentou rapidamente duas outras primas do marido, cujos nomes também não lembrava, antes de voltar para junto do filho e dos sobrinhos, estranhando a ausência dos homens, os maridos, no ambiente.

André estava com uma cara estranha. Olhos arregalados, boca virada pra baixo, balançando as pernas, agitado.

–Mãe, por que você não canta uma musiquinha pra alegrar a criançada?

Flávia teve que segurar o riso. Era professora de música. Também dava aulas particulares de  canto em casa. Tirou André da cadeira, sentou-se e puxou-o de volta para seu colo.

– Musiquinha não vai dar, filho. Posso  contar uma história daqui a pouco, lá fora.

Os sobrinhos também se inquietavam.

– Tia, a gente pode ir lá no caixão ver a morta? – perguntou o mais velho da cunhada, nem bem ela havia sentado.

“Ai, ai” – pensou Flávia  –  “e agora?”. Impossível proibir. Maldita a hora que deixara  Pedro convencê-la a ir àquele velório.

– Eu acho que não tem necessidade,  mas se vocês querem ver, podem ir.

Os três se levantaram ligeiro. André demorou um pouco mais.

– Também quero, mãe. Nunca vi um defunto.     

Flávia achou  prudente ir atrás. Tipo de situação que devia ser proibida para menores.

Debruçados no caixão, escrutinando a falecida, as crianças bombardearam Flávia de perguntas:

– Tia, se a gente sacudir, ela levanta?

– Se gritar no ouvido dela, ela acorda?

– Se chutar o caixão, ela se mexe?

Logo,  viram os três porquinhos, netos da defunta , chorosos e desaceleraram as perguntas querendo chorar igual.

– Mãe, ela é o que minha, mesmo? – perguntou André já com os olhos úmidos.

– Já te falei, filinho, ela é parente distante.

–  Não é, não, mãe. Você falou que ela era tia…..e  avó, também – disse com a voz tremendo, os outros três também já prestes a cair no choro.

Flávia já havia feito as crianças sentarem de volta, enxugara-lhes as lágrimas e  lhes servira coca-cola com  salgadinhos quando os homens, inclusive o viúvo e os dois filhos homens da falecida, ausentes até então,  adentraram o velório.

– Onde você estava Pedro? Sumiu, me deixou aqui sozinha, nessa roubada desse velório da sua tia agregada… – sentiu-lhe o bafo de cerveja misturado com cachaça – você estava bebendo, Pedro?

– É um costume da família, Flávia, já te falei isso.

– Falou o que, Pedro? Ir pra barzinho beber quando alguém morre? Nunca ouvi isso.

– Já te expliquei que aqui no interior, nessa cidade, na minha família, sei lá, tem esse hábito de celebrar a morte. Não tem nada demais. É um costume comum em sociedades mais primitivas – teorizou. Pedro era sociólogo de formação, funcionário público, burocrata do legislativo estadual, por profissão.

– Quer dizer que vocês foram beber pra comemorar a morte da sua tia? O viúvo também?

– Não é comemorar, Flávia. Ficamos lá lembrando, falando sobre a tia. Tio Carlito ficou contando como ela era boa, elogiando as virtudes dela, essas coisas.

– Eu, hein, Pedro. Nunca vi disso.

– Ainda tem mais…

– O quê?

– Lembra que estava combinado um vatapá na mamãe hoje?  

– Ahan..sim…lembro.

– Pois estão trazendo o vatapá pra comer aqui.

– Não acredito… Vão servir vatapá no velório?

– Não, depois do enterro. Não tem pra todo mudo. É só pra família.

– Tipo uma festa? E o seu tio, o viúvo; sua mãe, a cunhada; aquela gorducha ali, filha; todos de acordo?

– Minha mãe foi contra. Disse que tia Nitinha não gostava disso de fazer furdunço em velório. Falou que não vai vir aqui e ameaçou jogar o vatapá fora. Mas meu pai mandou trazer assim mesmo. Disse que o povo tem que comer,  o vatapá está pronto e se não comer estraga. É uma coisa prática.

– U-hum…entendi. Provavelmente enquanto comem  vão tomar cerveja, contar piada, discutir política, falar de futebol… Se fosse minha mãe, eu não deixava.

– Mas não é sua mãe, meu amor. Fica calma. – afastou-se em direção ao caixão, dando por encerrada a conversa – vou ali ver a tia e já volto.

O viúvo, aos prantos, um terço na mão, tecia loas e promessas de amor eterno à falecida com bafo de pinga e a língua enrolada. Há quem diga, Pedro, por exemplo,  que estava bem perto quando o tio falava,  que o semblante, antes sereno da defunta, ganhou uma ruga de reprovação na testa nessa hora.

As quinze fecharam o caixão, logo em seguida partiu a procissão rumo ao cemitério. Os dois filhos da finada, Pedro e o irmão e mais outros dois primos seguravam as alças. Na comitiva,  gente da cidade, funcionários da fazenda e da grande casa amarela e o resto da família. O viúvo seguia amparado,  menos pelo abatimento da perda  do que pela quantidade de cachaça cujo efeito notava-se pelo andar arrastado e trôpego.

A cunhada de Flávia, ainda descuidada dos próprios  filhos, seguia de braço dado com a filha da defunta, a gordinha lustrosa. Os três porquinhos iam atrás de mãos dadas com uma mucama da finada Nitinha, essa sim, muito chorosa e sentida.

Mais tarde, quando voltavam do cemitério, uma das primas de Pedro comentou com Flávia, ao pé do ouvido, que a cunhada, havia cuscuvilhado os armários de dona  Nitinha e descoberto além das joias, roupas de cama sem uso, cristais trazidos de viagens, louças finas de boa marca e que certamente os agrados que fazia à filha da falecida eram para faturar alguma parte desse legado.

De volta à casa amarela, a mesa onde antes estivera pousado o caixão com o corpo da finada já estava forrada com uma toalha estampada de branco e encarnado. A louça também branca, os talheres e os copos estavam sendo espalhados pelas duas empregadas despachadas antes do final do enterro, de forma muito pragmática, pela gordinha ensebada.

Flavia assombrou-se mesmo foi com o reuso para enfeitar a mesa de algumas flores que antes ornavam o caixão, talvez o cadáver. Sentiu uma tontura de enjoo e avisou ao marido que ia embora.  

– Vou com o André e os meninos pra casa da sua mãe. Não quero participar dessa orgia de  comer sobre a mesa onde minutos atrás havia um cadáver deitado – falou,  dramática – Avise à vaca da sua cunhada que levei os filhos dela comigo.

Passou o fim de tarde e a noite na companhia da sogra, também ela desgostosa com a falta de respeito, quase uma barbárie, de se reunir para comer estando o cadáver da falecida ainda tão fresco.  O certo era que cada um fosse para sua casa, foi o que a sogra disse.

Defronte a um bule de chá de capim cidreira recolhido do quintal, Dona Quitéria contou-lhe  longas  histórias da finada Nitinha, de quando eram crianças, depois mocinhas e já mulheres feitas. Além de cunhadas eram também primas, tinham uma bisavó em comum, e haviam crescido praticamente juntas. Flávia, que não tinha por parte de pai ou mãe tios e tampouco primos,  enterneceu-se  com o relato do carinho entra as primas e,  vendo André  distraído com os filhos da cunhada na sala, pensou que talvez valesse a pena aturar-lhe a  chatice para legar ao filho aquele tipo de amizade misturado com parentesco.

Lá pela s tantas, bêbadas ambas de tomar chá e conversar, Dona Quitéria confessou à Flávia a travessura tremenda que havia feito.  Misturara laxante no vatapá. Uma quantidade tal que certamente todo mundo passaria três dias no banheiro.

– Quem sabe eles aprendem e não repetem essa palhaçada no dia que eu partir dessa pra outra.

Deu uma gargalhada sonora e as duas foram dormir.

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30 comentários em “O tempero da baiana (Elisa Ribeiro)

  1. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Olá!

    Seu conto é muito gostoso de ler, tem uma narrativa com bastante fluidez, os personagens são carismáticos, cada um com do seu jeito. O cotidiano no caso aqui, me agradou, juntando-se ao inusitado, o conto ficou mais encorpado.

    Essas questões de velórios tem muitas superstições, não achei estranho saírem para beber em homenagem a morta, mas comer um vatapá na mesa que horas antes tinha um caixão é surreal. kk. Minha avó costumava falar que em velório a gente não deve beber nem água, pq o espirito do morto passeia por ela, e por qualquer outra fonte de ” energia” não sei, algo assim.

    O final foi uma boa sacada, ficou divertido.

    Parabéns!

  2. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    8,9

  3. iolandinhapinheiro
    27 de agosto de 2017

    Adorei o seu conto. Lamentei muito que ele não tenha ido para a segunda etapa. Você escreve muito bem e é uma pessoa muito inteligente. O seu conto é gostoso de ler, as coisas que acontecem no velório eu já vi muitas delas nos velórios em que estive, isso mostra a preocupação do autor em fazer um texto verossímil, do tipo que gera a identificação do leitor com a história e com o protagonista. Talvez a correção que eu fizesse era não ter colocado esta relação de parentesco que precisa ser explicada, e eu reduziria a quantidade de crianças. Personagens em contos precisam ter uma razão de ser. Ah, adorei descobrir a relação do título com o desfecho do conto, vc fez um arremate bacanérrimo. Um abraço, autor.

  4. Catarina Cunha
    25 de agosto de 2017

    Ops… Bastantes não né? Bastante.

  5. Catarina Cunha
    25 de agosto de 2017

    Um conto do cotidiano trazendo o choque de culturas como clímax. Se não fosse um desafio Comédia eu teria gostado mais.Uma prosa bem controlada; demais até.

    Auge:” O viúvo, aos prantos, um terço na mão, tecia loas e promessas de amor eterno à falecida com bafo de pinga e a língua enrolada.” – Eu já “bebi o morto”, como se chama na minha terra se reunir para beber em homenagem ao difundo até quase canonizá-lo. Kkkk.

    Sugestão:

    Dar mais vida ao choque de cultura. Embates, discursões, diálogos exagerados. Coisas bastantes viáveis entre cariocas e baianos.

  6. Luis Guilherme
    22 de agosto de 2017

    Bom diaaa.. Td bao??

    Olha, o conto eh bem escrito, a imagem de capa eh muito boa e nao apresenta problemas importantes de escrita, mas no quesito humor deixou a desejar.

    Achei a situaçao toda um pouco arrastada, e o excesso de descrições acabou tirando a leveza q o tipo de historia exigiria.

    Achei o enredo um pouco maçante , tambem, o que atrapalhou a criaçao do humor. Talvez o problrma maior, a meu ver, seja uma historia demasiadamente longa pra uma situaçao q poderia ser rapida e dinamica. Talvez o limite minimo de palavras tenha atrapalhado.

    Por outro lado, o desfecho justificando o titulo me agradou. Ainda acho que o desfecho podia ter um “tchan” a mais, a ultima frase acho q deu uma quebrada no clima, mas a revelaçao do tempero da baiana foi uma boa sacada.

    Enfim, acho q eh uma historia con potencial, mas q acabou ficando mto longa e arrastada, o que atrapalhou o humor. Acho q poderia ser reescrito, apos o desafio, numa versão reduzida q desse mais ênfase ao desfecho e mais velocidade ao inicio e meio. Opiniao pessoal, claro.

    Parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      22 de agosto de 2017

      Quando falei da ultima frase, me referi a “deu uma gargalhada…”

      Acho q essa frase podia ter sido suprimida e terminado com a fala da baiana.

  7. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Dona Sátira Menipeia, que legal a sua história. Ri bastante com ela. Realmente uma comédia gostosa, apesar do ambiente e do enredo tão fúnebre. Lembrou-me mesmo histórias de enterros assim do interior. Diziam “precisamos beber e comer o morto”. E se embebedavam e se empanturravam. Vida e morte nos lugares mais simples se aproximam, ao contrário das nossas cidades onde elas se colocam tão distantes. Bem, cá estou eu entrando no espírito da história, melhor sair dele. Um conto bem estruturado, leve, criativo na construção dos personagens. Ri com a roliça loura e os três porquinhos, por exemplo, bem como com o marido da falecida caminhando trôpego no seguimento do caixão. Valeu demais. Grande abraço.

  8. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá Sátira,
    … te falei, filinho, ela é = te falei, “filhinho”, ela é…
    … enxugara-lhes as lágrimas = , enxugara lhes as lágrimas…
    …sentiu-lhe o bafo = sentiu lhe o bafo
    …havia cuscuvilhado os armários = , havia “coscuvilhado” os armários…
    …fim de tarde e a noite na companhia = fim de tarde e “à” noite na companhia
    Não é, decididamente, uma comédia. Uma mistura de mal humor desregrado com capítulos de falta de interesse pela família, com violenta porção de fofoca contra os “defeitos” das pessoas, uma aula de má vontade com o mundo, as crianças e o marido. No final, “engraçadíssimo”, dentro do humor escatológico e trágico, a gargalhada sobre um laxante. O que é isso, afinal?

  9. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    Não funcionou comigo. Acho que não foi feliz na escolha dos elementos cômicos. Tudo se resume percepção da protagonista dos costumes e maneiras dos parentes do interior, o que as vezes a faz parecer chata por se importar tanto com a vida dos outros. As situações inusitadas só aparecem mais pro meio do conto prejudicando o timing. O ponto mais fraco foi como retratou os costumes tidos como locais do interior da Bahia em oposição ao civilizado Rio, a cidade maravilhosa. E o modo como caracterizou fisicamente alguns personagens foi de mal gosto.

  10. Rafael Luiz
    18 de agosto de 2017

    Conto muito constante, a meu ver, pouca adequação ao tema, e alguma barriga também. O enredo é interessante, mas poderia ter sido melhor desenvolvido, com algumas situações mais estapafúrdias, mas já é minha opinião. Vi potencial na história, mas ele não se concretizou. Boa gramatica, mas careceu bastante na emoção do fim.

  11. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) Sátira Menipeia (se atira, menina!):
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ***1/2
    A história é mais pitoresca do que realmente cômica. O apelo ao laxante, no final, ficou a meu ver um pouco forçado.
    PREMISSA: ****
    Apesar de não ter achado muita graça, eu gostei bastante da premissa, da questão do velório (que é um cenário propício para o riso indesejado) e pela ambientação geral da ação.
    TÉCNICA: ****
    Muito bem conduzida, a história, se não é tão cômica, é divertida. Um ou outro detalhe de revisão, e o ritmo dos diálogos, podem ser aprimorados numa versão posterior.
    EFEITO GERAL: ***1/2
    Uma boa história, que a meu ver pode ser ainda mais efetiva com uma reescrita e ajustes. Mas é questão de opinião, isso.

  12. Fil Felix
    17 de agosto de 2017

    É um conto muito legal e divertido, mas sem ser do tipo que arranca gargalhadas. Ele se apega ao realismo, não chegando a criar situações muito extravagantes ou surreais, que poderiam render muito bem (como as crianças aprontando em volta do caixão, tirando a velha de lá ou caindo), mantendo esse tom durante todo o texto. Não que seja algo negativo, só uma observação, mesmo. Há um momento de descontração aqui e ali, com o laxante ao final sendo de maior comicidade.

    A escrita é muito boa de se ler, sem travas, bem fluida. Percebe-se a estruturação do conto, com começo, meio e fim, com a apresentação da protagonista e boa contextualização ao leitor.

  13. M. A. Thompson
    16 de agosto de 2017

    Olá Sátira Menipeia e seu conto O tempero da baiana.

    Seu conto pode ser resumido assim:

    Em um velório uma criança quer saber da relação de parentesco com a defunta. É tão distante que é nenhuma. Inicialmente seria um encontro familiar mas como a tia morreu, o encontro virou velório. Prossegue com cansativas descrições e apresentações de personagens e mais uma quantidade exagerada de diálogos. Fala sobre a curiosidade das crianças em relação a morte e ao morto, reclama-se dos homens terem ido beber a morta e um final em que se revela a colocação de laxante no vatapá, como uma espécie de vingança antecipada.

    O que eu não gostei:

    – Não é um conto, é uma crônica.
    – Não teve elementos que remetessem a comédia, as tentativas com as perguntas das crianças, a reclamação do pessoal ter ido beber a morta e nem o final com o laxante no vatapá funcionaram, em minha opinião.

    Sabe o que me parece? O conto de um escritor acostumado a escrever textos longos, romances por exemplo, e teve dificuldade para escrever um conto mais breve. Então é isso, no meu entendimento funcionou como crônica, até bem escrita, porém morna, mas não me convenceu enquanto comédia.

    Boa sorte no desafio.

  14. Marco Aurélio Saraiva
    15 de agosto de 2017

    Um bom conto. Excelente, na verdade. Uma leitura muito boa, tranquila e que não te faz ver o tempo passar. A melancolia do velório foi muito bem passada, a tristeza e toda a situação constrangedora do álcool e da comilança em hora inoportuna também. A comédia, por outro lado, é muito sutil; quase inexistente.

    Sua técnica é muito boa. Só vi um ou outro errinho no final – uma letra fora do lugar, um espaço digitado erroneamente – mas nada que atrapalhasse a leitura. Na verdade, me senti lendo um autor consagrado.

    O conto tem um ar de familiaridade, como se você tivesse passado por situação parecida. Tudo é narrado com muita segurança e clareza, desde sentimentos dos personagens até os detalhes mais profundos das cenas.

    A trama não tem nenhum clímax ou conflito. Na verdade há sim um conflito, mas sem desfecho. O final – o do laxante – parece ter sido colocado ali apenas para tentar trazer um pouco mais de comédia ao conto, que é um tanto melancólico. É um final que parece completamente fora do lugar.

    Em resumo: um excelente conto, escrito de forma magistral, mas que pede por um desfecho e que luta para se manter no tema do desafio.

  15. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    O texto condiz mais com uma narrativa. Uma redação escolar de como foi minhas férias. Portanto, aquém da linguagem contista. Nota 2

  16. Rsollberg
    14 de agosto de 2017

    Haha

    O conto é ricamente detalhado, a atmosfera criada com muita competência. Como leitor é possível sentir-se como um espectador presente naquela casa amarela.
    A protagonista é bem explorada e tem características bem definidas. O cenário é perfeito para comédia, pois possui por si uma carga dramática imensa, e ai, qualquer coisa que fuja do ritual traz comicidade a situação. Em determinado momento, fiquei esperando algo que justificasse, ou tivesse a mesma altura, do incidente incitante. Mas ai, ao meu ver, é onde o conto falha. Não há algo que desperte o sorriso, tudo é narrado como um receita de bolo, o diálogo não traz agilidade, tampouco humor ao enredo.

    A única ação que realmente despertou certo entusiasmo foi quando o menino insistiu em saber seu parentesco.
    Contudo, o banho de água fria, que vem congelante, ocorre no final. Como se o conto tivesse sido todo armado para um piada batida, laxante na comida…
    Nem a última frase “Deu uma gargalhada sonora e as duas foram dormir.”, conseguem superar o anticlimax do tal laxante. E olha que estamos falando de “as duas foram dormir”…

    De qualquer modo, espero que outros tenham uma opinião diversa da minha e aproveitem melhor a experiência. Boa sorte.

  17. Victor Finkler Lachowski
    14 de agosto de 2017

    Olá autor(a).
    Muito bacana essa “crítica” a certas tradições pós-mortem, um conto sobre atos que são desnecessários na sociedade atual, muito interessante.
    Seu conto é bem narrado e estruturado, é divertido e bem escrito.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  18. Rubem Cabral
    14 de agosto de 2017

    Olá,Sátira.

    Então, é um bom conto. Soa quase como crônica, e é muito interessante por registrar costumes diferentes, feito o “beber o morto” e servir comida aos convidados de um funeral (lembra um pouco o que fazem aqui na Suíça, embora a bebedeira me lembre funerais irlandeses).

    Como crônica de costumes, o conto funciona bem: disseca os diferentes personagens com certa ironia fina. Há um Brasil antigo e interiorano em conflito com um moderno e não atento às tradições.

    Contudo, como comédia o conto oferece muito pouco. Fora a graça que acontece ao final, não há muito do que se rir.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  19. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Eu gostei do começo do conto. Até o momento em que entram os homens no velório, a coisa ia bem, achei q tinha potencial pra ser uma história engraçada, que alguma coisa cômica ia acontecer nesse velório. Só que não. A história se tornou chata, acredito que basicamente por causa da “caretice” da protagonista. O fato é que o conto todo se desenrola sem nenhuma situação de humor. No final, D. Quitéria conta que colocou laxante na comida. Aí sim é que a comédia ia começar, com toda a família desarranjada, entre o velório e a fila do banheiro, que não ia ter banheiro que bastasse pra tanta gente. Só que essa comédia ficou para a continuação do conto, né? Este conto você terminou antes da graça começar, infelizmente. Pequenos erros de revisão, nada que comprometa. Se eu fosse você, começava a história pelo final. Boa sorte!

  20. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    Caramba, tem mtas palavra que estão separadas com dois espaços, como se o autor(a) fosse algum compulsivo em apertar essa tecla. São tantos que não tem como não notar. E Coca-Cola está sem as inciais maiúsculas. E tem um “pelas” escrito com o “s” separado do resto da palavra.

    O conto é bem comportado, achei a personagem Flávia até um pouco moralista, pois ela estabeleceu o que é certo e errado em sua cabeça e não se interessa mto pelos costumes alheios. O tema, comédia, começa um tanto ofuscado, mas vai ganhando clareza com o passar do tempo.

    O autor(a) conseguiu criar um ambiente bastante crível. Quase consegui me situar no meio desse fuzuê.

  21. Lucas Maziero
    9 de agosto de 2017

    Mas, hem? Pensei que este conto não ia acabar nunca, parágrafo após parágrafo sem se chegar a parte alguma, e o pior de tudo, sem um pingo de graça! Desculpe-me a minha impressão negativa, mas faz parte da experiência da leitura.

    Opinião geral: Não gostei.
    Gramática: Bem escrito, sem erros percebidos (pela gramática, não darei uma nota tão baixa).
    Narrativa: Enfadonha.
    Criatividade: Pouca. O autor(a) descreveu de forma convincente o ambiente de luto, porém o fez sem emoção.
    Comédia: Beleza, entendi que é uma sátia menipeia, porém só houve uma cena mais ou menos engraçada, a final, e foi só.

    Parabéns!

  22. Vitor De Lerbo
    9 de agosto de 2017

    Esse conto me lembrou muito o estilo de ambientação do seriado Cilada, do Bruno Mazzeo, em que as próprias situações em que o protagonista se encontra já são, por si só, hilárias pelo desconforto que ele sente. Um velório na casa de parentes do marido, sem que o marido esteja presente até voltar bêbado, de fato se enquadra nisso.

    A história flui bem e tem bons momentos. Alguns erros de português acabaram passando pela revisão.

    Boa sorte!

  23. Evandro Furtado
    8 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Apesar de ter um tom, na maior parte, sombrio e tristonho, o conto é capaz de despertar empatia no leitor. Há claro, um estudo do cotidiano que, ao mesmo tempo, critica e satiriza certos costumes enraizados na cultura ocidental. Infelizmente, o final parece inconclusivo. Se por um lado, dá ao texto um tom ordinário, de “mais um dia que passou e a vida é assim mesmo”, por outro faz sentir falta de um final de fato.

  24. Paula Giannini
    7 de agosto de 2017

    Olá, Sátira,

    Tudo bem?

    Você criou um conto com narrador que segue por uma ótica interessante. A partir do estranhamento que a esposa tem da família de seu marido e seus hábitos, a trama se desenrola.

    É interessante notar que o casamento é a junção de duas culturas diferente que se chocam, se mesclam, entram em conflito entre si, se ajustam, e, se tronam uma nova e única. Como uma célula a se fundir com outra.

    No caso de sua personagem, moça da Região sudeste, da cidade grande, há o estranhamento acerca dos hábitos baianos da família do marido. De fato, “beber o morto” é costume em algumas famílias no nordeste brasileiro e até em Minas Gerais.

    O ato gera estranheza na protagonista que entende o costume como uma afronta à falecida. Mais por preconceito que por alguma espécie de ética ou empatia com a morta propriamente ditos, ela nos narra o conto, criticando tudo o quanto a outra família (agora também sua, faz).

    Tal preconceito se mostra forte ao percebermos que ela chama os sobrinhos de três-porquinhos e não vai muito com a cara da cunhada, das pessoas por ali.

    Nesse sentido, você conduz a narrativa levando o leitor a viajar, através do olhar de tal protagonista que, no final, ganha uma aliada, mostrando que ela não é tão diferente de todos por ali como a princípio imaginava. A sogra.

    Um conto leve, gostoso, um retrato de uma situação em um determinado tempo e espaço definidos. Um pedacinho de Brasil.

    Parabéns por seu trabalho e sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  25. angst447
    6 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto é muito bem escrito, empregando um tom leve de humor, sem grandes malabarismos para arrancar risadas. O final foi mais engraçado do que o começo, mas valeu. Desafio cumprido com sucesso.
    Pouca coisa escapou à revisão:
    – já te falei, filinho > filhinho
    -As quinze > Às quinze (crase)
    O ritmo da narrativa é bom, agilizado pelos diálogos bem trabalhados. Os personagens estão bem caracterizados, inclusive os três porquinhos (maldade,autor!)
    Enfim, foi uma leitura bem agradável e leve. Ponto para você!
    Boa sorte!

  26. Roselaine Hahn
    6 de agosto de 2017

    Olá, o seu texto é muito bom, além da graça, tem a fluidez, as engrenagens bem articuladas. Mesmo com a misturada de personagens, mantém-se o entendimento e a coerência do enredo. A tiradas dos três porquinhos foi muito boa. Apenas o final acho que destoou do ritmo engraçado do velório, talvez porque tenha ficado no imaginário o provável piriri na macharada. No mais, cumpriu bem o desafio proposto.

  27. Priscila Pereira
    6 de agosto de 2017

    Olá Sátira. Vamos avaliar o seu texto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Não notei nada relevante. – 02
    Coerência: Tem começo, meio e fim bem definidos, a leitura flui bem. Notei duas coisinhas estranhas: “As quinze fecharam o caixão”, quinze o que? horas? pessoas? e aqui:”Avise à vaca da sua cunhada que”, se era cunhada dela então era irmã dele. – 1,5
    Adequação ao tema: Não ligaria esse texto a comédia se não estivesse em um desafio de comédia. – 0,5
    Gosto pessoal: Olha, eu gostei. Está muito bem escrito. A ideia é boa, bem executada, mas não considerei como comédia… pena. – 01
    Total: 07
    Boa sorte!!

  28. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua escrita é segura e fluída, fácil de ler, sem pretensões; O conto revela criatividade, assente num bom enredo; na revisão passou uma palavra dividida em duas e um acento em falta, mais nada; Na adequação achei que faltou mais comédia (e se velório daria pano para mangas), houve muita crítica, mas a crítica, em si mesma, não é comédia. Teve um pouco de comédia, sem, mas senti que faltou alguma. Enquanto leitora, o seu conto, como um todo e sem parametrização foi um dos que melhor pude saborear.

E Então? O que achou?

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3 e marcado .