EntreContos

Literatura que desafia.

Aventuras e Desventuras de uma Jovem Democracia (Pedro Paulo)

O Congresso Nacional é e sempre foi um instrumento de importantíssimo valor à democracia da terra sobre a qual vos escrevo, a terrinha. Sempre que questionada a sua funcionalidade, daria um passo à frente um respeitadíssimo deputado ou senador para bater no peito e bradar indignado como se a questão tocada fosse a pureza da própria senhora sua mãe:

─ Quer Vossa Excelência nos retornar aos tempos incivis da tirana monarquia?

Veja bem, talvez meu caro leitor não seja familiarizado ou até tenha, em trágico erro de memória, esquecido o valor da democracia, mas nessa terra ela é um prêmio, o orgulho nacional daqueles que moram nela. Esse território conheceu períodos verdadeiramente obscuros como colônia de algum país europeu, com algum rei designando a terra como “sua Fazenda” e, a bem da civilização e de seu santo dever para com o seu Senhor, promovendo a morte de milhares dos nativos em que a catequese não pôde ser aplicada. Isto é, uns bons noventa por cento da população nativa.

Mas esses tempos terríveis tinham passado, com a impecável musa da democracia nascendo nessas terras a partir do momento em que a monarquia foi colocada abaixo e as tropas militares, encabeçadas por um patriota de alta patente, proclamaram a República! Há más línguas que digam que a motivação do supracitado patriota foi mulher, mas boatos sempre ocorrem e é impossível de não reconhecer o valor do primeiro presidente ao prestigiar o soberano poder pular.

Apesar de que, ao tempo da proclamação, ninguém realmente soube muito bem o que significava e o maior desafio da população foi não engasgar-se com as novas nomenclaturas do estado.

─ Império não, República!

Ou, em casos mais dramáticos:

─ Súditos não! Cidadãos!

Ninguém conhecia muito bem a palavra cidadão, mas ela soava bonita e os jornais encorajavam que esta fosse dita de punho cerrado batido no peito. Mais encorajador do que os jornais foi a própria ação estatal, em singelas conscientizações dos mais resistentes que incluíam um uso sutil de tropas militares e declarações de guerra aos ditos “simpatizantes da ultrapassada monarquia”. Talvez o caso mais famoso tenha sido um ocorrente num interior distante de uma das regiões mais pobres do país, onde um vasto grupo de pobres-diabos uniram trapos em um ponto só e montaram ali uma cidadezinha, encabeçados por um homem barbudo que dizia conhecer os desígnios do Bom Jesus.

─ É aqui que residem os simpatizantes da monarquia? ─ perguntaria o Coronel à frente do exército.

O suposto santo coçaria a barba, olharia para os céus e jejuaria por uns três dias antes de responder. Nesse tempo, tinham morrido centenas de cada lado, mas todos se calavam para ouvi-lo.

─ Da última vez que eu olhei era monarquia sim, não era não?

─ Lá está um monarquista!

Esse processo repetiu-se quatro vezes. Diz-se que ao fim da guerra tinham uns dois mil soldados gritando a palavra “República” para dois rapazes moribundos, um velho e uma criança que, resignados, concordaram:

─ República…

Esse é o constrangimento mais conhecido na construção dessa prodigiosa democracia. Há quem seja besta em apontar as votações fraudulentas, violência dos senhores de terra e vasto esquema de manipulação para garantir que políticos das regiões ricas dali e de cá alternassem na presidência, mas a estes, sempre houve as inquestionáveis palavras de ordem:

─ Está questionando o senhor a legitimidade do voto, de tão árdua luta para sua conquista, pela qual a espada do nosso primeiro presidente foi levantada?

─ Não, não é isso, mas…

─ Põe em dúvida o senhor… a pureza de um processo pelo qual morreram milhares contra os monarquistas fanáticos daquele pobre interior?

─ Não, não, longe de mim, mas…

─ É patente e dever do senhor… desestimar as palavras escritas com tanta responsabilidade em nossa bandeira?

─ Não, não, desculpa…

Já houve casos de mais insistência e a retórica patriótica sempre venceu, mas, aproveitando que foram trazidas à tona as palavras da bandeira, falemos de um dos momentos mais críticos desta jovem, mas digníssima democracia. Foi o momento em que uns bons oitenta e cinco por cento dos parlamentares constavam investigados por corrupção e o próprio Presidente da República apareceu em um vídeo vazado, em que entrega chumaços de dinheiro a outro homem em garantia de que ele mantivesse silêncio sobre os seus negócios. Em contrapartida de dispendioso silenciamento, no mesmo vídeo o Presidente assina a venda de trinta e cinco micos-leão dourados, descarrega ele mesmo, mangas arregaçadas até os cotovelos, alguns quilos de cocaína ─ que, em todos os boatos, não seriam para ele, mas para o silêncio e tranquilidade de um outro senador muito chegado ao pó ─ e, enfim, conversa nervosamente ao telefone na língua inglesa, em uma rouquidão débil que mesmo os mais experientes na língua não puderam decifrar nada mais do que “Trump” e “if you want to fuck me, kiss me first, Mr. President”.

Perante o vazamento do vídeo, o Presidente não silenciou-se, foi a público, deu entrevista. É preciso esclarecer uma outra coisa sobre o referido presidente: o sujeito não se atentou aos últimos dois acordos ortográficos e as suas leituras preferidas são detidas na última constituição e suas emendas e na literatura encerrada pouco antes do século XX ─ período em que o referido presidente estaria entrando na vida pública, no auge de sua juventude ─ algo tão refletido em seu vocabulário que, nos poucos discursos que dá, intérpretes de libras transcrevem o que os intérpretes da TV conseguem, não sem muito esforço, traduzir da fala do Presidente. E, depois do trabalho desses guerreiros da comunicação não reconhecidos, saiu uma tradução simples do que o Presidente quis dizer:

─ Aquele vídeo é mentira, não fiz nada que consta ali e é tudo um mal-entendido!

A linguagem erudita não é a sua única qualidade notável. Afinal, sua gestão foi reformista e, em apenas um mês de governo, o Presidente entrou com reformas na educação, na previdência, nas leis trabalhistas, nas políticas alimentícias, nas questões ambientais, nas leis de trânsito, nas possibilidades envolvidas no próximo filme dos Vingadores e até mesmo, por via de decreto, interferiu no inflamável e secular debate da nação, decidindo que na terrinha não existe bolacha, só biscoito, salvo alguns casos particulares.

Pode até ser redundante chamar atenção para o caso dos biscoitos ter sido tramitado por via de decreto-lei, pois afinal, nenhuma das reformas citadas sequer passou pelo Congresso, todas colocadas em forma de decreto ou de medidas provisórias. Quando questionado a respeito, as palavras do presidente sequenciavam-se no que acabou se tornando seu jargão, dispensando até mesmo as traduções dos intérpretes. Quando aquelas palavras eram proferidas, todo cidadão sabia que se tratava de alguma reforma, que o presidente tinha falado e também podia apontar um meme envolvendo o dizer. Era bem assim:

─ Nesta crise herdada pela gestão anterior, não há tempo para enfrentar burocracia e é meu dever enquanto líder desta democrática nação tomar as atitudes pertinentes o mais rápido possível!

O Presidente nunca mencionava que ele constituía a gestão anterior.

Com um país encabeçado por um homem tão sábio, os jornais não conseguiam compreender como a nação continuava mergulhada na crise. Claro, exibiam os índices de aprovação quase negativos do presidente e diariamente havia um novo parlamentar receptor de propina, porém, as manchetes eram sempre otimistas: Como a nova gestão vai lidar com os novos escândalos de corrupção? Depois de intermediar no antigo conflito entre a bolacha e o biscoito, a nova gestão deve enfrentar crise orçamentária e internacional, também antiga e secular.

Nesse mencionado otimismo que deve estar presente em qualquer nação que se preze por democrática, houve parlamentares verdadeiramente empolgados. Dois deles em particular, o senador chegado ao pó ─ que é suspeito falar, pois este está sempre animado ─ e um que tatuou o nome e rosto do presidente no braço. De acordo com ele, no rol dos homens íntegros Jesus já havia sido muito tatuado e a ideia de tatuar o presidente havia sido só dele. Alegou que foi uma questão de estilo, originalidade e moralidade.

Mas então houve o dia mais crítico da história da nação. O dia em que, pela primeira vez, o presidente não eleito (a história de como o presidente chegou ao cargo é marcada por controvérsias, sucessivos impeachments e escândalos de corrupção que iam das praças públicas à carne comercializada, mas é uma politicagem muito grande para constar nesta sátira) conversou diretamente com um cidadão. Quando questionado sobre a sua baixa popularidade e pelo fato de ele nunca ser visto em uma sala onde pelo menos uma pessoa não esteja de terno, a resposta foi o jargão:

─ Nesta crise herdada pela gestão anterior, não há tempo para medir burocracia e é meu dever enquanto líder desta democrática nação tomar as atitudes pertinentes o mais rápido possível!

Naquele dia… naquele fatídico dia, ninguém soube como, nem mesmo o chefe de segurança do presidente, mas em uma coletiva de imprensa, o presidente se viu frente a frente com um cidadão. Claro, o presidente vinha lidando com nada mais do que cidadãos, mas com lidar, diz-se distribuir alguns milhões. Não era o caso ali. De frente para ele estava um ex-cabeleireiro, que tinha adentrado o país para tomar conta da fazenda de um primo. E o homem tinha uma pergunta. As câmeras observavam, toda a imprensa se calara e, intermitente na troca de olhares entre presidente e fazendeiro, tinham os flashes das câmeras. O homem tinha uma pergunta e todos já tinham o visto. O Presidente teve que responder.

─ Responderei, meu filho. Mas preciso que seja rápido. Nesta crise herdada pela gestão anterior, não há tempo para medir burocracia e é meu dever enquanto líder desta democrática nação tomar as atitudes pertinentes o mais rápido possível!

─ Vou ser rápido, seu presidente… é bem simples, mais curiosidade mesmo… uhm… com quais palavras o senhor substituiria o lema que tem lá na bandeira?

O Presidente piscou, inclinou-se um pouco para frente como se não tivesse ouvido. O homem repetiu, manteve-se o silêncio. Até mesmo os flashes pararam. O Presidente voltou à postura de antes, deu uma breve risadinha, os ombros levantaram e caíram. As mãos sinalizaram e mesmo nesse gesto não houve resposta. Ele encarou o rapaz nos olhos e não viu nenhum desafio, só uma pergunta sincera. A do pior tipo. Pensou. Houve um flash solitário, perfeitamente captado pela gota de suor recém-nascida na testa dele E, enfim, as palavras saíram de sua boca.

─ Puta que pariu, fodeu.

Estava próximo o suficientemente do microfone para poder ser ouvido e, incrivelmente, era uma resposta completamente aceitável, o rapaz agradeceu e, no dia seguinte, o pronunciamento do presidente estava nas manchetes. O presidente não só assunta sobre previdência, educação, meio-ambiente e bolacha e biscoito, também é das reflexões do presidente o verdadeiro espírito patriótico!

Pois coincidiu que dois dias depois os supracitados oitenta e cinco por cento do Congresso foram presos e, sobrando apenas uns dez e para não entravar a administração do país, foi suspendido o quórum mínimo. Saiu do Senado, elaborada pelo agora conhecido senador da tatuagem, um Projeto de Lei para alterar as palavras da bandeira incorporando os sábios dizeres do presidente. Tinham mais uns dez parlamentares que votaram a favor numa forma de protesto, mas ninguém realmente entendeu que se tratava de um protesto e, em uma semana, milhões eram gastos para trocar as bandeiras nas praças públicas, os novos dizeres escritos: Puta que pariu, fodeu.

Foi a única medida do presidente aprovada pela maioria da população e nas entrevistas com os cidadãos predominavam os elogios. O polêmico fazendeiro foi encontrado e pôde responder, sorriso no rosto:

─ Acho que essas palavras realmente captam o espírito da pátria!

Formulada com ajuda de um cidadão, aprovada no Senado e pela população, as novas palavras da bandeira vieram em conforme com o processo democrático!

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45 comentários em “Aventuras e Desventuras de uma Jovem Democracia (Pedro Paulo)

  1. Davenir Viganon
    1 de setembro de 2017

    “Puta que pariu, fudeu” que sátira maravilhosa! Ela foi crescendo do meio para o final e criou uma situação muito engraçada. Teve posicionamento e levou-o com segurança até o fim do texto e isso faz toda a diferença já que boa parte da estória não foi você que criou (admita! kkkk) mas se inspirou numas putarias que você viu na internet (e não me referia ao xvideos). Muito bom!

  2. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Muito bom!! Melhor frase para a atual (longa) fase de nossa democracia não poderia ser melhor rsrs
    Inteligente e bem construído, apenas precisei ler duas vezes, mas acho que é culpa do meu cansaço, mesmo.
    Meus parabéns, nota 9,6

  3. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: do modo como foi organizado, o conto começa a se aventurar pela comédia efetivamente a partir da metade, quando termina a contextualização sobre a república e parte para os tempos atuais. Há uma relação prática entre o humor e o sarcasmo no conto. A generalização (um presidente, um senador etc) visível funciona como capa, escondendo figuras públicas reais que nos são bem conhecidas.

    Aspectos subjetivos: nosso cenário político parece mesmo uma piada pronta – não à toa foi o foco de tantos contos no desafio. Neste trabalho em específico, materializa-se o descontentamento em forma de sátira, captando a ironia das diversas situações tão familiares do cotidiano e buscando o riso pela evidenciação da desgraça.

    Compreensão geral: outro dia estava ouvindo um podcast a respeito da formação da República, falavam sobre o quão alheia estava a população em relação ao que ocorria. Talvez, como sugere seu conto, tenhamos herdado essa alienação desde essa época, e um possível orgulho obstinado de muito antes. Por aí, seguimos brasileiros, não desistimos nunca, nem fazemos algo a respeito.

    Parabéns e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo SB,

    Preciso dizer que não curti muito o seu texto. É óbvio que você tentou fazer uma crítica à situação atual do nosso país. Concordo com a crítica, aliás. Mas achei que o texto ficou muito arrastado, maçante. Em alguns momentos chegou a dar a impressão de se estar lendo um texto jornalístico “relatando” o que acontecia, em vez de um texto narrativo, narrando uma história. Eu entendo muito bem a crítica e ela é bem-vinda, mas não curti muito o texto. E também ele não passou muito perto do tema do desafio. Esse nem é tanto o problema, existem outros contos concorrendo que não são dos mais engraçados, mas achei que o seu desviou muito. A parte que achei mais comica foi a nova frase para a bandeira, mas infelizmente foi só. Boa sorte no desafio.

  5. Pedro Luna
    1 de setembro de 2017

    Esse texto é interessante devido ao seu teor crítico, mas não consigo avaliá-lo melhor como conto. Não tem personagens claros, não tem uma evolução de trama, e nem se trata daqueles contos de “cena”, com uma cena, duas no máximo, mostrando um determinado acontecimento. Talvez, se fosse a democracia falando dela mesma, houvesse uma identificação, mas aqui parece se tratar de um texto científico ou jornalístico, um artigo de opinião, que explora a história política do país com bom humor. Trechos como “Veja bem, talvez meu caro leitor não seja familiarizado ou até tenha, em trágico erro de memória”, dão ainda mais esse tom de opinião, que encontramos em artigos. É um bom texto para um blog, mas não acho que seja para um desafio de contos. Tem qualidade, mas não está no lugar certo. Minha opinião.

  6. Bia Machado
    31 de agosto de 2017

    Primeiramente, FORA, TEMER!

    Segundamente:

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – No começo estava gostando. Esse é justamente o assunto que estou tratando em História com meus alunos: cidadania, as formas de governo, Constituição etc… Mas depois foi ficando cansativo, só queria chegar ao final mesmo e apenas isso. =\
    Personagens – 1/3 – Não consigo definir como personagens os que apareceram, aqui e ali. Fosse a República uma personagem (como os meses do ano no conto do Gaiman chamado A Vez de Outubro) e daquelas bem desenvolvidas, com direito a personificação e tudo mais, poxa, seria muito bacana.
    Gosto – 0,5/1 – Gostei do início. Achei também que iria rir um bocado, mas não.
    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado. Ao menos tentou.
    Revisão – 1/1 – Ok, não identifiquei nada que destoasse.
    Participação – 1/1 – Valeu a participação! 😉

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  7. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    Aventuras e Desventuras de uma Jovem Democracia (Vencecavalos S.B.)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): primeiro preciso reafirmar que me esforço sobremaneira para deixar o viés pessoal para apenas o último quesito de avaliação (impacto). É uma tarefa ingrata, mas que tentarei seguir aqui. A trama é, portando, um tanto simples e previsível. Sendo uma autodeclarada sátira da situação atual do país, muito do que ocorreu já era previsto. De novidade somente o novo texto da bandeira, aliás é onde o texto deixa de ser apenas mais uma sátira e se destaca.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): o autor domina a técnica narrativa e de crônicas. Para o formato conto, porém, senti falta de mais cenas de impacto (o tal show don’t tell). Tenho certeza que ele(a) faz isso muito bem também.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é algo novo satirizar a nossa combalida democracia. O texto porém, como já adiantei possui unicidade no nosso novo e bem adequado lema.

    🎯 Tema (⭐⭐): uma sátira recheada de muita ironia.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): analisando como sátira ou crônica, achei simplesmente uma das melhores leituras políticas do momento atual do Brasil. Inteligente e didática, quase uma aula para quem não está entendendo. Acredito que, independente do lado da polarização o leitor se encontre, concordará com o autor. Não prevejo, porém, boas avaliações (nisso o autor mostrou coragem). Avaliando como um conto, já que é o formato solicitado para o desafio, a ausência de mais cenas reduziu o impacto.

    🤡 #euRi:

    ▪ if you want to fuck me, kiss me first, Mr. President 🙂

    ▪ na terrinha não existe bolacha, só biscoito (#ficaTemer) 😃

    ▪ milhões eram gastos para trocar as bandeiras nas praças públicas, os novos dizeres escritos: Puta que pariu, fodeu. 😃

    ⚠️ Nota 7,5

  8. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    31 de agosto de 2017

    Vencecavalos,

    achei seu trabalho muito inteligente e bem escrito. Trazer o cenário político para o desafio foi uma manobra arriscada, mas creio que você logrou conduzir o coreto muito bem. Não encontrei grandes deslizes e me sinto confortável em dizer que este trabalho foi um dos que eu mais gostei.

    Parabéns.

  9. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017
  10. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    O título explica o texto, que é uma longa dissertação sobre a democracia e o processo democrático. Está bem escrito, mas é profundamente aborrecido. A adequação ao tema é evidente. A política sempre foi uma boa fonte de comédia.

  11. Fheluany Nogueira
    26 de agosto de 2017

    Conto político, analogia com os tempos atuais, desenvolvimento fluido, embora o tom de discurso tenha tornado a leitura cansativa, na atual overdose da mesma matéria na mídia. Há, assim, um efeito panfletário. Mas é um texto bem escrito, coeso dentro de seu contexto.

    Bom trabalho. Abraços.

  12. Catarina Cunha
    25 de agosto de 2017

    O que dizer? Este artigo, com uma crítica política, foi publicado no desafio errado. Não há trama, não há novos dados nos personagem, não há clímax. Apenas uma exposição da visão do autor sobre a história do Brasil. E é só. O humor passou longe.

    Auge: “Ele encarou o rapaz nos olhos e não viu nenhum desafio, só uma pergunta sincera. A do pior tipo.” – Um escárnio bem escrito.

    Sugestão:

    Assumir que este texto não é um conto de comédia ou reescrever tudo de novo, dando ênfase ao cinismo já implícito; torná-lo explícito.

  13. Amanda Gomez
    25 de agosto de 2017

    Olá, Vencecavalos.

    Peço desculpas, mas seu conto sofrerá os efeitos da minha falta de paciência para a politica brasileira, mas a culpa é sua por fazê-lo desta forma, e não minha 🙂

    Parece uma aula, não curto muito textos tão técnicos, tão didáticos, fica difícil me encontrar no meio de tantas informações, muitas delas já de amplo conhecimento publico.

    A proposta do conto é brincar com a nossa realidade política e moral, da certo, está bem escrito, bem direcionado, não achei nada panfletário. Mas é chato..digo, ler uma história que já estou cansada de ver todos os dias nos ridículos meios de comunicação brasileiros. O narrador é um fanfarrão, que agarra a sua linha de raciocínio com unhas e dentes, não deixando muito espaço para outras interpretações.

    Mas vamos esquecer um pouco minha rabugice.. Vamos falar no enredo em si, da forma como foi construído, dos personagens vivos apresentados e todos as referências diretas a eles, é.. ficou bom, verossímil. O final, confesso, me arrancou um sorriso, resume bem a situação.

    Sorry pelo desabafo, talvez eu volte aqui depois e faça um comentário melhorzinho, talvez não. Mas acredito que muitos outros irão gostar, e gostaram, afinal você passou de fase!

    Boa sorte no desafio!

  14. Anderson Henrique
    25 de agosto de 2017

    “Achei que o texto tem uma alternância de tom que é interessante, mas que pode ser um entrave para o leitor. Li duas vezes o conto. Da primeira, estranhei e julguei melhor reler posteriormente. Em uma segunda passada, aceitei mais facilmente. Esse bastidor que conto aqui talvez seja interessante para o autor perceber como seu texto foi recebido e julgar se seu objetivo com ele foi alcançado. Senti que a condução da narrativa é forçadamente embolada e enfadonha, provavelmente para mimetizar o assunto que trata e a maneira como costumam ser montatdos discursos e pautas políticas: cheias de apostos e adjetivos, ostentosas e vazias. Voltas e voltas para dizer o trivial. O vocabulário empregado também é condizente com essa lida. A alternância que citei ocorre justamente nos momentos em que o texto foge à formalidade e vai pela ironia. É um estilo interessante, mas o leitor precisa estar receptivo. O final galhofa é divertido e vai pelas vias do absurdo, mas honestamente, não é nada que já não tenha acontecido em nossa política. Em maior ou menos escala.

    Algumas observações
    “”Chumaço de dinheiro”” –> Não sei, mas me parece que chumaço é o coletivo de coisas moles e sem forma como cabelo, algodão e etc. Ver se o uso está apropriado. Eu usaria maço, que é mais comum, mas não tenho certeza, realmente. Mico-leão-dourado é uma palavra só. No caso do plural, aceita-se tanto micos-leões-dourados quanto micos-leão-dourados. No caso do texto, faltou só o último hífen (de acordo com o VOLP).”

  15. Brian Oliveira Lancaster
    24 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Um texto estranho, denso e carregado nas críticas indiretas. O bom humor, ou parte dele, vai aparecer somente ao fim. Há uma construção enorme até chegar ao ponto interessante. Isso prejudicou um pouco a leitura. É bastante irônico, mas não o considero comédia. – 7,0
    A: Complicado. Parece mais real do que sátira. O texto ganha muito do meio pra frente, mas devo dizer que cheguei cansado nessa parte. Se fosse um pouquinho mais resumido, talvez o resultado final tivesse sido melhor. – 7,0
    C: O narrador tem um bom carisma embutido, pois ele realmente conversa com o leitor, de forma suave. Quanto aos outros, quase não fizeram diferença. – 8,5
    U: Bem escrito, um tanto travado, com cara de crônica. Não flui tão bem, mas a escrita é excelente. – 8,5
    [7,8]

  16. Regina Ruth Rincon Caires
    23 de agosto de 2017

    Mais um texto versando sobre política. O cenário nacional está aflorado de comédia, pena que seja tragicomédia. E, consequentemente, os textos estão ácidos, trazem ao leitor aquele sorriso contido, mescla de incredibilidade e incredulidade. Interessante a fixação, que corre no meio político, do uso do “enquanto” como termo “conjuntivo”( nem sei se existe a palavra). Texto bem escrito, interessante, atualíssimo. Espero que a situação não chegue ao ponto de mudar o lema da bandeira nacional, Vencecavalos S.B.! Parabéns pelo texto!

  17. Gustavo Araujo
    23 de agosto de 2017

    Rapaz, é um conto polêmico, para dizer o mínimo. Alterna bons momentos com outros nem tanto. Não consegui encontrar um liame justificável para que fossem abordados dois períodos da República – o início e o atual. Creio que se o foco se desse num só, o atual, o resultado teria sido mais interessante. Isso porque ficou um tanto deslocado falar da transição da monarquia para a república, falar de Canudos (ou seria o Contestado?) para depois focar no que realmente interessa por estes dias, o mar de corrupção que nos assola. Nesse sentido, digo que misturar humor com política é sempre perigoso, pois as situações criadas para fazer rir escondem, no mais das vezes, críticas fáceis e rasas. Por exemplo, sou daqueles que entendem como necessárias reformas trabalhista e previdenciária (não como as propostas pelo governo, mas que é necessário mudar os modelos atualmente vigentes, disso não tenho dúvidas); ao criticar essa intenção de modo superficial, a piada perde a graça e se transforma num libelo panfletário simplório. As alusões a figuras reais, sem a mínima intenção de disfarçar, também tiraram a graça, embora haja tiradas interessantes aqui e ali. Talvez o conto ficasse mais interessante, mais engraçado, se se vestisse de sátira verdadeira, se não se tratasse diretamente do Brasil, mas de um reino distante, com um monarca corrupto, vivendo situações parecidas (mas não idênticas) como as que acontecem por aqui. O exemplo do biscoito e da bolacha foi perfeito. Se as analogias seguissem esse viés (falando de tudo, do sistema viciado, dos parlamentares que vendem, etc), sem abordar situações reais, mas apenas parecidas (o helicóptero de cocaína poderia se transformar num aviãozinho cheio de açúcar proibido), a empatia teria sido mais eficiente. Num tempo distante, houve a novela “Que Rei Sou EU?”, na Globo. Era exatamente disso que se tratava – um reino distante com pecados parecidíssimos com os do Brasil da época. Creio que se você, caro autor, tivesse usado essa fórmula, eu, pelo menos, teria apreciado mais a leitura. Do jeito que está, apesar de verdadeiro na maior parte das vezes, e também muito bem escrito, o texto se tornou uma crítica direta e dolorosa. No final não faz rir, mas sentir indignação. De qualquer forma, não há como discordar do fato de que os dizeres propostos para a nossa bandeira são realmente os mais adequados atualmente.

  18. iolandinhapinheiro
    23 de agosto de 2017

    AVALIAÇÃO

    Técnica: O conto utilizou a conversa do narrador com o leitor conhecida como “ quebrar a quarta parede” que só funciona, na minha opinião, quando o escritor é dotado de extrema habilidade e cria uma espécie de cumplicidade com quem lê, sabendo alternar conversa com narrativa de uma maneira tão sutil que a entrada e a conversa não são sentidas, mas se misturam como uma receita bem elaborada. Um excelente exemplo desta técnica pode ser vista no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

    Fluidez: A história sobre os bastidores da política desde a transição entre a Monarquia e República até os dias atuais ficou bem arrastada, fazendo com que eu iniciasse e abandonasse várias vezes e voltasse a insistir por ser um compromisso que assumi quando me propus a participar do desafio.

    Graça: Não encontrei

    Boa sorte

  19. Luis Guilherme
    22 de agosto de 2017

    Boa taaarde! Blz? Curtindo o friozinho ai?

    Sem papo sobre o tempo, vamos direto ao q interessa: quando li o titulo do conto ja pensei: ih, vem texto panfletario ai. Nao sou mto fã do genero.

    Devo ressaltar q concordo com as opinioes que voce expressou. O texto acabou me surpreendendo positivamente, pois utiliza a ironia como tecnica de humor e acaba nao caindo naquele lugar comum do texto de cartilha politico. Pontos por isso.

    Realmente a situaçao politica atual eh tao ridicula que a comedia eh garantida, neh?

    O autor conseguiu utilizar boas sacadas e um vasto conhecimento de historia (ah, se mais gente estudasse historia, nao?) pra criar um enredo interessante e ate um pouco caricato.

    Nao vou dizer q eh um dos meus contos favoritos, mas sem duvida me tirou algumas risadas. Risadas amargas (ta rindo doq irmao? Vc ta afundando com o barco), mas brasileiro acaba rindo da propria tragedia, neh?

    Enfim, apesar de nao gostar, particularmente, do genero, o autor utilizou bem a ironia, criando um conto divertido. Bom trabalho.

    Parabens e boa sorte!

  20. werneck2017
    22 de agosto de 2017

    Olá, Vencecavalasos!
    Um texto bem escrito, mas de alguma maneira não teve no final o punchline que era esperado. Foi criativo, falando de um tema atual, mas de alguma forma o desenlace o desfecho não funcionou ( opinião pessoal apenas). Teve coesão, coerência, vocabulário bem selecionado. Um ou outro erro como:
    a morte de milhares dos nativos > a morte de milhares de nativos . Nada que uma boa revisão dê conta.

  21. Fabio Baptista
    22 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    O texto é de um humor bem diferente, um deboche mais “pesado” (não é exatamente essa a palavra, mas não consigo encontrar uma melhor).
    Algumas tiradas mais irônicas são boas, mas não arrancam risos:

    – fosse a pureza da própria senhora sua mãe
    – Isto é, uns bons noventa por cento da população nativa.
    – nas possibilidades envolvidas no próximo filme dos Vingadores
    – O Presidente nunca mencionava que ele constituía a gestão anterior.

    Já nessas aqui eu dei uma boa risada:

    – “if you want to fuck me, kiss me first, Mr. President”
    >>> kkkkkkkkkkkkk

    – Puta que pariu, fodeu.
    >>> kkkkkkkkkkkkk [2]

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Comecei meio sem interesse, com o clima de crônica com “crítica social”.
    Daí, quando os eventos reconhecíveis, extremamente atuais, começaram a acontecer, fiquei bem interessado, mas se dispersou quando percebi que não

    sairia disso. O interesse voltou com as boas piadas marcadas acima.

    Enfim… foi irregular.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Então… não percebi um enredo além desse que tristemente acompanhamos no noticiário.
    Aliás, ficou um ar de acompanhamento jornalístico. Não falo isso de modo pejorativo, mas faltou uma trama mais acentuada, até para ajudar a

    prender a atenção.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    País das pizzas e das bananas. Ambientação contemporânea, perfeita.

    Os personagens não são lá muito carismáticos, mas isso não é culpa do autor.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    Muito boa escrita, talvez demasiado séria para o tema proposto. Apesar que isso foi até bom para contrastar na hora da piada.

    – Há más
    >>> não está errado, mas gerou uma cacofonia estranha

    – micos-leão dourados
    >>> faltou o hífen
    >>> está certo, mas (só minha opinião) micos-leões-dourados soa melhor.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Boa adequação ao tema.

    NOTA: 8

  22. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Meu caro Vencecavalos S.B. cá estou eu às voltas com seu glorioso conto. Nele preciso lhe dizer que apreciei mais a primeira parte. Aquela que vai do final da monarquia até Canudos. A segunda etapa da história, trazida para os dias de hoje, me passou mais a impressão de uma crônica do que de um conto. Acho que a literatura tem mesmo esta função social e crítica. Louvo-a por isto, mas nesse caso achei que se estava mais focado em um relato do que na criação de algo sobre o que se estava relatando. E nesse caso, diria que também, até porque se tratam de fatos por demais conhecidos, faltou-me sacar o humor. Uma pena, eis que no início me vi com uma muito alta expectativa a respeito do que você estava me trazendo. Com você, também digo. Meu abraço solidário.

  23. Eduardo Selga
    21 de agosto de 2017

    É um caso de hibridismo de gênero, com o conto e a crônica tendo mais ou menos o mesmo peso. Conto, pela existência de um enredo definido; crônica, pela primeira pessoa de quem observa de longe, sem participar dos eventos narrados, de cunho histórico.

    Nessa mistura o(a) autor(a) usou um recurso bem inteligente: há dois momentos narrativos, que numa primeira leitura, a depender do leitor, podem parecer não perfeitamente encaixados entre si e, por conta disso, carentes de coesão textual. Em primeiro lugar, a narração remete ao passado do Estado brasileiro, nos primeiros anos da República; depois, o delicado momento pelo qual o país atravessa hoje. Mesmo havendo em comum o elemento “república”, não basta para, narrativamente, estabelecer uma sólida ligação entre ambas as partes.

    Não obstante, ela existe. É que o verdadeiro elo não é esse, e sim o farsesco. Como podemos ver na estória e na História, a república brasileira sempre foi uma farsa. E, não nos esqueçamos, a farsa, além de sinônimo de embuste, é um dos modos de se fazer comédia, e algumas de suas características importantes são o caricato, o grosseiro e o inverossímil.

    Retomando o texto na ponte para o futuro que ele propõe de Antônio Conselheiro a Temer (mangalô três vezes…), esses três elementos de que falei acima estão todos presentes. E com um detalhe importantíssimo, quanto à construção: foi o tom cronístico o responsável por cimentar eficientemente essa ligação.

    A história do Brasil é repleta de negociações entre elites, nunca houve efetivamente rupturas, do ponto de vista das classes sociais. Assim foi do Império à República; em 1964, muitas vezes chamada de revolução, mas sem povo; da ditadura militar ao governo civil; o impeachment sem crime da responsabilidade da presidente.

    Ora, acordos pressupõem um hábil uso de sua principal ferramenta, a palavra, e o conto aborda essa questão de modo precioso: demonstrando bem que o povo não passa de um detalhe (muitas vezes incômodo) (“[…]ninguém realmente soube muito bem o que significava e o maior desafio da população foi não engasgar-se com as novas nomenclaturas do estado”).

    Dentro dessa visão equivocada, a palavra é opressão. Podemos ver bem isso no diálogo em que a representação da autoridade constrange a representação do povo. Composto de seis “falas”, é um verdadeiro “dedo na cara” por meio da palavra “senhor” e de um claro tom de ameaça. São mesmo “palavras de ordem”, mas não no sentido de bordão político, e sim no sentido de passar o trator sobre possíveis interrogações e forçar uma unidade de pensamento no ambiente social.

    Mas a palavra também é o vazio, no grande “acordão” que é, desde seu marco fundacional, o Estado brasileiro. O fato de o presidente repetir, a propósito de tudo e de nada, a mesma fala ensaiada mostra esse oco em que as palavras, em determinado modo de exercer a política, não representam mais que elas mesmas, ao invés de representarem ações e fatos. Também são palavras de ordem, mas aqui já é um bordão político cujo objetivo é, inversamente ao que de modo geral é a intenção delas, estabelecer o imobilismo social por meio de uma sintaxe “elegante” (“enquanto líder” e “atitudes pertinentes”).

    A palavra, contudo, se é ferramenta de construção do Estado brasileiro, também é instrumento de ironias e sarcasmos que podem, se não desmontá-lo, pô-lo a nu. É o caso da resposta dada à pergunta do “polêmico fazendeiro” (“puta que pariu, fodeu”). O fato de a frase substituir o lema da bandeira aponta para um caminho que o Brasil tem seguido, infelizmente: a “puteirização” da sociedade (“acho que essas palavras realmente captam o espírito da pátria!”) em todos os níveis, e certo ar de espanto de quem, estranhamente, não sabe ou finge não saber quais as raízes da situação em que estamos.

    E vejam que interessante: ainda aqui, a palavra não é do povo, e sim de um fazendeiro. É ele quem acaba causando a alteração na bandeira. Outra vez, a elite determinando os rumos do país.

    No ambiente desse cabaré geral, a palavra também é prostituição do Estado caboclo ao senhor branco, com a ótima sacada “if you want to fuck me, kiss me first, Mr. President”.

    O conto é profundamente marcado pela ironia e esse recurso aparece diversas vezes, muito bem utilizado, e em diversos níveis de explicitude. Temos o mais oculto, como em “o suposto santo coçaria a barba, olharia para os céus e jejuaria por uns três dias antes de responder”, em que pode ser uma referência metafórica à demora na resposta, implicando certo menosprezo pelo interlocutor ou cautela, ou pode ser mesmo que o personagem (representação de Antonio Conselheiro) tenha demorado três dias para dar a resposta, mas nesse caso não há ironia; temos o mais explícito, como em “a linguagem erudita não é a sua única qualidade notável”, referindo-se ao presidente fã de um pedantismo vocabular absolutamente ridículo.

    É um conto de grandes predicados, sem dúvida, sem a facilidade do escracho escatológico ou a representação de certos preconceitos sociais como matéria de riso. É um humor que contém bom refino e integrado ao Brasil contemporâneo, sem esquecer o passado.

    Ainda assim, vejo alguns poucos problemas de construção. Em “[…] o valor do primeiro presidente ao prestigiar o soberano poder pular” faltou revisão no que deveria ser PODER POPULAR; em “talvez o caso mais famoso tenha sido um ocorrente num interior distante[…]” acredito que deveria ser OCORRIDO, pois OCORRENTE (aquilo que acontece) supõe um tempo presente que não está na oração; em “[…]o Presidente não silenciou-se[…]” o correto seria NÃO SE SILENCIOU por causa do advérbio de negação; em “estava próximo o suficientemente do microfone[…]” o correto seria SUFICIENTE. Para a construção usada estar adequada seria preciso eliminar o artigo definido.

  24. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá Vencecavalos,

    …foi não engasgar-se com as novas = foi não “se engasgar” com as novas
    … bons oitenta e cinco por cento dos parlamentares constavam investigados:
    1. bons oitenta e cincos por cento dos parlamentares constavam investigados ou
    2. bons oitenta e cinco por cento dos parlamentares constava investigados
    … trinta e cinco micos-leão dourados = trinta e cinco mico-leão-dourado…
    … não silenciou-se, foi a público = não se silenciou, foi a público…
    … o caso dos biscoitos ter sido = o caso de os biscoitos ter sido…
    Um assunto político, pode, às vezes, ser motivo de gargalhada, pela insanidade dos projetos apresentados e pelas argumentações, maniqueístas, dos que se dizem representantes da democracia. Agora, ao dizer os meus sentimentos para o conto, com referências em outro idioma e uma maneira absurdamente atrapalhada para tentar tirar sequer um sorriso, digo, no bom sentimento, mas verdadeiramente aborrecido de ter que ler até o final para expressar o comentário, que foi pífia a tentativa.

  25. Olisomar Pires
    19 de agosto de 2017

    Escrita: Muito boa, estilo com sabor mais antigo, algumas poucas repetições de termos, mas que não travam a leitura, não notei erros graves.

    Narrativa: Ficção sobre o desenvolvimento da democracia no país e o comportamento hipócrita-político da classe.

    Personagens: Não são essenciais. O texto é uma visão subjetiva do narrador de algo que culmina em evento supostamente engraçado.

    Grau de divertimento: Muito bom. Uma grande piada muito bem escrita.

  26. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    Gostei. Achei engraçado em algumas partes. A repetição da fala do presidente é ótima, mas seria ainda melhor se não fosse explicada na primeira vez. Outro conto que peca no começo por tentar dar um background e nestes sempre falta graça e geralmente são desnecessários. Além de ter achado essa parte séria demais. Gostei do final, mas é difícil escrever uma sátira da sátira que é a nossa política e não parecer muito leve.

  27. Victor Finkler Lachowski
    18 de agosto de 2017

    Olá autor(a).
    O humor de referências é usado ao máximo na sua obras, trazendo questões da nossa política e cultura da maneira irônica que são. Um conto magnificamente escrito, ótima escolha de palavras e narrativa lenta, porém bem administrada.
    Uma (hi/e)stória criativa por fazer uma releitura da politica brasileira com o digno humor que a mesma merece.
    Boa sorte no desafio.

  28. Fil Felix
    18 de agosto de 2017

    Esse conto traz a mesma característica que comentei em A Política é um Inferno, também desse grupo, que é a crítica política com gosto de crônica e muito específica. E é uma crônica de um momento específico, com uma situação e personagens bem definidos. Nosso cenário político atual, com figuras como Temer e Aécio. Mesmo sem citar os nomes, fica muito óbvio, não abrindo espaço pro leitor participar do texto, sem precisar pensar em nada. Uma outra questão de ser assim, tão delimitado, é que pessoas fora dessa realidade (os leitores portugueses, por exemplo) poderão nem pegar as referências e analisar o texto pelo texto. E enquanto ganha como crônica, perde enquanto conto: a abrangência e universalidade ao falar de política.

    Se pegarmos a Revolução dos Bichos, que é uma sátira ao comunismo, ele funciona tanto como crítica ao governo daquela época quanto a outros sistemas não só políticos, mas de cunho social, é abrangente. O texto se abre, tira o leitor da zona de conforto. E tanto neste conto quanto no outro que citei, senti falta dessa abertura, que poderia render mais momentos cômicos.

  29. Rafael Luiz
    18 de agosto de 2017

    Texto bem escrito, num modelo bem sarcástico. Apesar de alusões a situação politica do Brasil não me agradarem, o texto flui bem e tem arcos bem concisos. Entretanto, acho que peca na adequação, pois não vi comicidade, e também na originalidade, já que acabou virando moda os textos sob a situação do Brasil.

  30. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) S.B. (cruza o disco final…):
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ***
    Uma história de quem conhece a História, sem dúvida, e que extrai humor do ridículo dos políticos. Válido, a meu ver.
    PREMISSA: ****
    A construção da história, partindo de um momento ao presente, e a questão do vazamento do áudio, são boas sacadas do autor.
    TÉCNICA: ***
    A história flui com eficiência, ainda que o humor propriamente dito esteja mais concentrado na parte final da narrativa. Alguns aspecto de escrita, como escolha do particípio passado no verbo “suspendido”, incomodaram um pouco a leitura. E a própria escolha de um cidadão como autor da pergunta (a meu ver inocente, mas que gerou um problema em cascata) me pareceu implantada ali à força.
    EFEITO GERAL: *** ½
    O apelo ao palavrão não me pareceu gratuito, mas bastante satisfatório como recurso cômico. No entanto, a narrativa como um todo não me cativou, acho que pelo aspecto algo panfletário.

  31. Rsollberg
    17 de agosto de 2017

    hahaha

    Crítica e política sempre combinam com humor.
    Particularmente, faço coro a voz do narrador. É possível sentir a indignação no sarcasmo empregado, mas apesar de compartilhar de praticamente toda a “opinião”, não costumo gostar do tom panfletário em textos sem muito compromisso.
    O grande mérito do conto é trazer reflexão, ao percorrer a história -mostrando a importância de uma conquista tão cara a nossa gente – até chegar no produto, ou melhor, involução do processo. Ainda, demonstrando toda nossa passividade e nosso senso crítico deturpado.
    O final revela o momento de ficção, que poderia ser encarada como absurdo, mas diante de tantas surpresas desagradáveis, não há como não enxergar essa possibilidade como algo crível. Mais um motivo para se Temer.
    Não tenho equívocos para apontar, tão pouco apresentar sugestões de melhoria.
    Torço apenas para que conserve esse espírito tenaz e não esmoreça em propagar novas denúncias.

    Forte Abraço

  32. M. A. Thompson
    17 de agosto de 2017

    Olá Vencecavalos S.B. e o conto Aventuras e Desventuras de uma Jovem Democracia.

    Da mesma forma que comentei em outro conto sobre política, Império e República, acho muito corajoso da parte de vocês tentar fazer comédia com esse tema. Ele é muito árido e a leitura costuma ser chata, mas vamos lá.

    Em relação a autoria aposto em um homem de São Paulo na casa dos sessenta.

    O texto começa chatíssimo – como eu previra pelo título – exaltando a democracia, porém sem dizer a que veio. Cadê o conflito? Cadê a comédia? Nem personagens ou cenário tem, só aparecem do meio para o final.

    Em dado momento percebo a referência a Guerra de Canudos, ainda assim sem ver graça nisso e achando chata a história.

    Saindo de Canudos o autor faz uma panfletagem sobre oligarquias, coronelismo, eleições de cartas marcadas. Tudo muito sem graça e muito chato. Ainda sem personagens definidos, sem um objetivo aonde se quer chegar com a narrativa.

    A narrativa segue agora descrevendo cenas de corrupção explicita e tráfico de entorpecentes na conta do presidente da república. Até o Trump deus as caras e em seguida a personificação do Temer entra na história.

    Finalmente o autor consegue criar um clímax no trecho:

    “─ Vou ser rápido, seu presidente… é bem simples, mais curiosidade mesmo… uhm… com quais palavras o senhor substituiria o lema que tem lá na bandeira?”

    O presidente sem saber o que responder solta um PQP ao microfone, mas o “─ Puta que pariu, fodeu.” vindo do Temer não soou realista, foi uma fala necessária para justificar o texto mas deveria ser atribuída a personagem mais convincente e reconhecido pelo seu baixo calão. O Temer é polido demais para eu acreditar que ele diria isso. Ou não me induzisse a acreditar que era o Temer.

    Um desfecho surpreendente – não de forma positiva – para um conto chato desde o início.

    Em resumo eu diria que foi assim:

    O narrador discorre sobre a história do Brasil com lembranças do Descobrimento e da matança dos índios, Império, República, Guerra de Canudos, formação da classe política, corrupção na Presidência da República, Lava Jato, tudo para explicar como é que o lema da bandeira se tornou “Puta que pariu, fodeu”, que foi por conta de um áudio vazado do Presidente da República.

    Se existe alguma graça nisso eu não vi.

    Boa sorte no desafio.

  33. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    Vale como crônica histórica, artigo jornalístico, ou mesmo como um capítulo da história. No mais, também vale como uma recapitulação da politicagem atual. Mas,como conto, está muito distante. Muito menos com o tema proposto. Afora crassos erros gramaticais.
    Nota 2.

  34. Rubem Cabral
    15 de agosto de 2017

    Olá, Vencecavalos.

    O conto é bom como sátira política. Acho que você conseguiu fazer bastante graça com a situação recente do país: Temer, Aécio, o deputado tatuado, etc. Contudo, o preâmbulo ficou um tanto esticado. A coisa de republicanos e monarquistas não rendeu nada muito engraçado; foi uma parte um tanto chata do conto.

    Quanto à escrita, o conto está muito bem escrito. Os diálogos foram bons também.

    Penso, portanto, que resumindo mais a parte inicial daria mais agilidade à sátira.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  35. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Vencecavalos, ainda que um dos atributos do gênero “comédia” seja tratar de fatos ridículos da vida política e social, não basta isso pra se escrever um texto engraçado. É preciso que as situações, a linguagem, os personagens possuam caráter cômico. Não que a situação política atual do Brasil não seja uma oportunidade única de fazer piada, mas a maneira como vc nos apresenta essa situação é que não tem graça. Talvez seja pq vc tenta tratar de um período longo da história em menos de 2 mil palavras e isso é muito difícil. Talvez fosse mais interessante se vc escolhesse um fato isolado e tratado só dele. Daí vc poderia se ocupar melhor da construção dos personagens, que no seu conto estão mal construídos, distantes do leitor, é como se eles estivessem tão longe que o leitor só enxerga suas silhuetas. Vc precisa trazê-los mais pra perto, na minha opinião. O narrador utiliza uma linguagem muito pesada, rebuscada, acho q isso também não ajuda na identificação do leitor com a história que vc está contando, fica cansativo, consequentemente perde a graça.
    O melhor do conto é a situação que vc constrói só no finalzinho, quando o Presidente não consegue responder a pergunta e solta um PQP, que é captado pelos microfones, e acaba indo parar na bandeira nacional. Esse, aliás, podia ser o mote da sua história, nada mais que isso. Só essa situação, bem trabalhada, com bons personagens e boa ambientação, daria um conto ótimo e engraçadíssimo!
    Boa sorte!

  36. Priscila Pereira
    11 de agosto de 2017

    Olá Vencecavalos. Vamos avaliar o seu conto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Não notei nenhum problema com a revisão. – 02
    Coerência: Na verdade o seu texto não parece um conto, parece mesmo(o que você mesmo disse) uma sátira. Não tem uma linha do tempo, um começo, meio e fim, mas dá pra entender tudo. Senti falta de personagens mais delineados… – 01
    Adequação ao tema: Está bem humorado, com um humor ácido, mas mesmo assim, bem humorado, dá pra notar bem a crítica social, mas não achei que pareceu panfletário. – 1,5
    Gosto pessoal: Gostei. Achei interessante e criativo… É triste que o final seja tão essencialmente possível de acontecer… – 1,5
    Total: 08
    Boa sorte!!

  37. Lucas Maziero
    10 de agosto de 2017

    Um conto verborrágico e cansativo. Sou pouco afeito a politicagem e a contextos que tratam disso, ainda mais em um conto, que ao meu ver tem o primeiro dever de entreter.

    Opinião geral: Li, sem prazer, sem gostar ou desgostar.
    Gramática: Está bem escrito.
    Narrativa: Loquaz, maçante.
    Criatividade: Pouca inventividade, a ideia se ateve apenas em pintar um cenário do ponto de vista do autor, sem se desenvolver.
    Comédia: Citado no próprio “conto”, é uma sátira. Com certeza se identifica com uma sátira, porém sem o brilho das grandes sátiras, faltou humor e abundou em críticas cansativas.

    Parabéns!

  38. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    As frases longas mataram minha leitura, fiquei até cansado! Também tem alguns erros de digitação que me fizeram dar uma empacada. Acredito que o conto ficaria mais dinâmico e engraçado se o autor(a) retirasse a “gordura” que faz o texto parecer um desses documentos oficiais que são difíceis de entender. Agora se a intenção era essa, posso dizer que atingiu o objetivo, mas perdeu em humor.

    O forte tom de ironia não deixa mto espaço para respirar e refletir, já que os acontecimentos, a partir do momento em que se fala de política atual, acabam se tornando repetitivos. A crítica é bem vinda, mas ela se diluiu em meio a quantidade de apontamentos, como no caso do “eruditismo” e nas dificuldades que o texto me passou na leitura.

  39. Marco Aurélio Saraiva
    9 de agosto de 2017

    Então… me senti lendo uma coluna de algum jornal famoso, escrita por algum repórter famoso, revoltado com a gestão atual do país.

    Sua habilidade com a escrita é clara. Sua técnica é robusta, formal, mas tem uma leitura pesada, que não combina muito com um texto cujo objetivo primeiro deveria ser gerar algumas boas risadas. Tanto faz, na verdade: a comédia está aí, e você brinca até mesmo com o próprio tema, tratando a situação atual do país como a verdadeira comédia inserida no cerne do “conto”.

    É um texto um tanto parcial (já que não cita em momento nenhum a famigerada “gestão anterior”) mas vá lá, acho que a imparcialidade é um dom objetivos mais difíceis de serem almejados em um texto.

    Foi uma leitura interessante, panfletária ao extremo mas relevante ao momento em que se encontra o país. Há mais revolta que comédia e mais crítica que piadas, mas a essência está aí.

    Abraço!

  40. Vitor De Lerbo
    9 de agosto de 2017

    Um texto no melhor estilo “Guia Politicamente Incorreto da história do Brasil”. Muito bem escrito, sem erros e demonstra um grande domínio do/a escritor/a.

    Esses é o tipo de texto que os livros de história conteriam se os livros de história fossem sinceros e divertidos.

    E só para provocar o/a autor/a: escrever comédia satirizando a política brasileira é muito fácil, não precisaria nem de invenções, bastava juntar diversas manchetes reais e colá-las aqui!

    Parabéns pelo trabalho. E gritemos todos juntos, cidadãos: Puta que pariu, fodeu!

    Boa sorte!

  41. angst447
    8 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    Um conto bem escrito, com atenção aos detalhes de uma narrativa bem amarrada.
    Não considero uma leitura fácil ou ligeira, apesar do humor perceptível em cada imagem formada. Talvez porque há aqui um refinamento de linguagem e escolha por um “fazer comédia” sem recorrer aos clichês e estereótipos mais comuns.
    Ponto positivo. Ao mesmo tempo, o ritmo do conto travou um pouco em algumas passagens.Senti falta de mais diálogos para agilizar a leitura, mas entendo que o seu processo criativo não se valeu desse artifício.
    O final ficou mais ágil e divertido, pois a ideia das novas palavras na bandeira funcionou muito bem. Um desabafo – puta que pariu, fodeu (o que eu falo agora?) acabou sendo aceito como protesto dentro do processo democrático.
    Boa sorte!

  42. Paula Giannini
    8 de agosto de 2017

    Olá, Vencecavalos,

    Tudo bem?

    Parece que falar da política de nosso país é mesmo um prato cheio para comédia. Uma piada pronta, poderíamos dizer, utilizando a máxima, não é?

    Você criou uma ficção que mescla a proclamação da com nosso quadro atual, em um tempo e espaço indefinidos, mas, pertinentes, infelizmente para qualquer tempo em nosso país. Sua trama podia acontecer hoje, há algumas ou há muitas décadas, ou mesmo há séculos. Parece que o caráter de nossos dirigentes não mudou muito desde a monarquia. Ou seria assim também em Portugal, no mundo?

    Quanto ao texto em si, é bem escrito e demonstra a habilidade de um(a) autor(a) consciente daquilo que faz. Ponto alto, já que se trata de um desafio de comédia, para o lapso do presidente, transformando-se em jargão e em lema da bandeira.

    O conto me fez lembrar aquele meme onde os primatas seguem na linha de Darwin até que o último da fila diz: Volta que deu M. O meme é válido para nossa evolução política, igualmente.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  43. Roselaine Hahn
    7 de agosto de 2017

    Prezado autor, vc. escreve bem, muito bem, não há dúvidas disso. A questão é que o texto que vc. trouxe ao desafio funcionaria bem como uma crônica jornalística. Super em voga o tema proposto, mas a meu ver, fugiu bastante do desafio proposto, pois o seu conto é bastante denso, crítico, exige bastante do leitor, um dos motivos pelos quais fugiu da leveza de uma comédia. Talvez se optasse pela linguagem ao estilo de Macunaíma, a fusão da politicagem com a malandragem funcionaria melhor. Acho que o “Puta que pariu, fodeu” não casou com o que foi construído anteriormente no texto, soou dissonante. Mas repito, é notória a sua veia literária, siga em frente, talvez tenha sido uma percepção minha, não se avexe. Vc escreve bem. Abçs.

  44. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: Você escreve muito bem, diria que quase em “linguagem erudita”, mas eu gosto disso (e se não gostasse era igual); ortografia e revisão perfeitas, houve, ainda assim, uma frase que me soou mal; o enredo e a criatividade parecem-me presentes, apesar de pouco conhecer da história recente do Brasil (digamos que, a esse nível, o meu conhecimento é muito televisivo e, pior ainda, facebookiano, ou seja, altamente questionável); a comédia está lá e mostra-se bem. Enquanto leitora, levantou-me algumas perguntas e maldisse da minha ignorância, mas não deixou de ser um prazer.

  45. Evandro Furtado
    5 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Certo, por onde começar? A apropriação de um tema tão controverso, em si, merece aplausos. Que culhões, camarada, que culhões! Mas, o desenvolvimento de tal tema, não detém-se, apenas, em meras retomadas de fatos e acontecimentos reais, elas desenvolvem-se em um universo ficcional, de forma singela e natural, para compor dizeres que resumem, e muito bem, a situação atual do país “Puta que pariu, fodeu!”. É necessário que se diga, que a linha adotada para tal abordagem é tal perigosa como o tema. Alguns apontarão para possíveis aspectos propagandísticos no conto, mas a sátira é tão bem construída, que ela foga em um oceano estético qualquer sussurro marxista. E esse, talvez, seja o maior mérito do texto: criar no leitor um constante sorriso de canto de boca, que fica apenas esperando pelo momento certo para escancarar-se em riso. Como é de se pressupor, em mais de um momento, isso acontece.

E Então? O que achou?

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3, Comédia Finalistas e marcado .