EntreContos

Detox Literário.

Meu Deus (Victor Lachowski)

co.mé.di.a (latim comoedia, -ae) substantivo feminino. 1. Peça de teatro cujo assunto é tirado de fatos ridículos e jocosos da vida social. 2. Gênero desta composição. 3. [Figurado] Impostura; fingimento. 4. Fato, sucesso ridículo e irrisório.

”As cortinas se abriram. Uma onda de aplausos invadiu todo o templo. Os sorrisos estampados nas faces dos presentes condiziam com aquela atmosfera cheia de gozo.

– Esses aplausos são para o Nosso Pai. Amém irmãos? – perguntei de forma irônica/provocativa lá do alto do púlpito. Já esperando aquela velha resposta.

– Amém! – em um uníssono que preencheu os poucos vazios que restavam.

– Vejo aqui muitos ungidos na paz do Senhor.

– Amém! – mais uma vez, num som de arrepiar.

– Quero ver essa animação durante toda a palavra. Abram sua bíblias em primeira Samuel, capítulo cinco e versículo seis – esperei 20 segundos e prossegui – Todos acharam? Muito bem. A palavra do Senhor nos diz o seguindo: “Porém, a mão do SENHOR se agravou sobre os de Asdode, e os assolou; e os feriu com hemorróidas…” – ouço algumas risadinhas em meio ao silêncio solene. É minha hora de descontrair – Eu sei irmãos, vocês nunca esperavam encontrar essa palavra nas divinas escrituras. – risadas generalizadas dessa vez, risadas sem medo – mas então irmãos, onde paramos? Pois bem, nesse trecho….

Duas horas abençoadas de palavra transcorrem. Muitas risadas e “améns” são emitidos nesse período. No final do culto sempre tem toda aquela sessão de apertos de mãos, tapinhas nas costas, elogios e sorriso falsos. Após tudo isso me retirei para meu quarto. Passando por debaixo de uma faixa enorme na entrada do templo com a as seguintes palavras estampadas: “18º RETIRO DA SALVAÇÃO”. Ao chegar em meus aposentos, encontrei a mulher da minha vida me esperando.

– Como foi o culto meu varão?

– Muito bom. No final sacrificamos uma ovelha e bebemos seu sangue.

– Misericórdia! repreendo em nome de Jesus. É sério, não diga esse tipo de coisa. Como foi?

– Pessoas chorando, falando em línguas, pedindo perdão pelos pecados. O mesmo de sempre.

– O que aconteceu meu bem? Tá tão desanimado.

– Eu não sei. Toda semana é a mesma coisa. As mesmas pessoas. As mesmas palavras. As mesmas lágrimas. Os mesmos filhos de Deus pedindo perdão pelos mesmos pecados. Chega um momento em que você começa a se questionar. Será que o Pai realmente toca a vida das pessoas?

– Não diga uma coisa dessas! Você sabe que sim, por quais outras razões você manteria uma igreja se não acredita que Deus pode mudar a vida das pessoas?

Não sabia como falar isso. Meu estômago estava embrulhado. Parecia que eu esperava aquele momento por anos. Tomei coragem e respondi da melhor maneira que encontrei:

– Honestamente? Dinheiro.

– O que?!? COMO VOCÊ PODE DIZER UMA COISA…. puta merda. Você não acredita mais mesmo?

Balancei a cabeça negativamente em movimentos lentos. Sabia que tudo podia acontecer.

– Então acho que não temos mais o que discutir. Por favor, não quero que você durma aqui hoje.

– Entendo, vou procurar outro quarto, até amanhã, te amo.

– …

– Tá bom, estou saindo.

– …

– Tchaaaau.

Passei pela porta e a fechei. Abri em seguida.

– Disse alguma coisa?

– SAAAÍ!

Um sapato social de couro preto tamanho 41 voou em minha direção. Meu susto foi tão grande que bati a porta com toda a força que o desespero me permitia. Fiquei torcendo para ninguém acordar com o barulho e ir ver o que havia causado aquele estrondo. Esperei alguns minutos na soleira da porta. Não tinha como voltar.

– “Todos os quartos estão ocupados, vendemos todas as entradas para esse evento. Não vou conseguir dormir nessa merda mesmo. Vou para o lago… pensar.”

————————————————————————-

Comecei a ir em direção ao pequeno lamaçal sem vida que é nominado de lago. Quando eu comprei aquela propriedade aquilo realmente era um lago. Sob a luz da Lua cheia via-se  toda aquela propriedade. Senti uma pontada de satisfação. Feliz por vencer na vida. E  fiquei ligeiramente, apenas ligeiramente, orgulhoso. Por não abaixar a cabeça diante daqueles que não acreditavam em mim. Afastei esses pensamentos. Deus sabe o que penso. E eu sei que o orgulho é o pior dos pecados.

Passando pelos pavilhões em que os fiéis descansavam após um dia de muito louvor e adoração. Penso em quão frágeis são suas mentes. Fracas por sucumbirem aos erros do mundo tão facilmente. Depois de vinte anos ministrando a palavra do bom Deus. Todos os momentos difíceis que passei por conta de uma vida dedicada primeiramente para com Deus, colocando minha esposa em segundo plano. Os dias de pobreza que se seguiram após largar meu emprego para atender o chamado divino. Teria sido tudo em vão?

Cheguei na pequena porção de água lamacenta, meu coração disparou quando notei um indivíduo na beira.

– “Os pavilhões de descanso ficam trancados de noite. Quem pode ser” – pensei. Chegando mais perto percebi que o homem era completamente careca, estava agachado, passando a mão no barro aquoso que refletia a pálida luz lunar em tons marrons. Um sentimento estranho me fazia crer que ele me aguardava. Foi então que ele se virou lentamente. Pude ver seu rosto. Claro como o dia. Um rosto duro. Olhos inteligentes e penetrantes. O único elemento que quebrou meus temores e me deixou curioso foi seu sorriso, envolto em um cavanhaque, era sarcástico, sarcástico como só o Diabo pode ser. Foi então que ele me disse:

– Você não acredita mais.

Estava petrificado. Quando finalmente abri a boca soltei um estúpido:

– O quê?

– Você entendeu seu imbecil! Eu vi você naquele altar de alienação. Olho no olho agora. Você ainda acredita nesse Deus judaico-cristão? – Perguntou, com olhos esbugalhados, aquela estranha figura humana.

– Quem é você? – Não sabia mais o que estava acontecendo.

– Meu nome é o nome do mais puro mal. Meu nome é o nome da mentira, do ódio e da decadência. Tenho muitos nomes. Mas o que está na minha identidade é Anton LaVey.

Aquele nome. Já tinha o ouvido antes. Não lembrava quando nem onde. Explorava minha memória como um contador procura um livro de contas em um arquivo. Foi aí que a lembrança veio tão forte quanto um trem desgovernado. Uma matéria da BBC. Lá em meados dos anos 60. Que era sobre uma cerimônia realizada nos Estados Unidos. Um ritual profano. Jorrando heresia por tudo aquilo que eu pregava. Um batismo satânico. Então reconheci aquele homem das filmagens do evento. Muito mais novo. Ele vestia um capuz com chifres, ao lado de uma mulher nua. Consagrando sua pequena filha ao Cão. Fiquei horrorizado,tamanho foi o choque que dei dois passos para atrás. Pensei em girar meu corpo e fugir.

– Não corra.

Por alguma razão. A autoridade em sua voz me fez ficar ali. Imóvel.

– Eu apenas queria lhe agradecer pela maravilhosa pregação de hoje, ou ontem, afinal, já passou da meia-noite – ele sorriu gentilmente.

– Obrigado – disse secamente.

– Você fala com muita convicção. Gostaria de dizer paixão. Mas vejo que isso já se foi faz tempo.

– Como ousa questionar minha fé? – até hoje não sei como tomei coragem para proferir tais palavras.

Ele ficou parado ali. Por alguma razão. Imaginei que ele iria gritar e me espancar. Mas tudo que ele fez foi me olhar com um olhar de sensibilidade. Como um adulto olha para uma criança que não tem noção de sua própria imbecilidade.

– Eu já vi homens do seu tipo a minha vida toda. Tem um futuro brilhante te esperando. Venha ver o que estou fazendo do outro lado do Pacífico. – Ele tirou do bolso de seu casaco preto um cartão e me entregou.

Era um cartão de visitas preto, tinha um pentagrama invertido com uma cabeça de bode no meio. Embaixo, em letras góticas “Anton LaVey – Músico, fotógrafo forense, domador de feras de circo, ocultista e fundador da Igreja de Satã.”

Eu, como homem de Deus. Pastor. Que dedicou grande parte da sua vida à missão de propagar o cristianismo deveria fazer o que com aquela peça gráfica diabólica? Rasgar aquele cartão de apresentação, literalmente, satânico. Poderia ter queimado, mergulhado em água benta ou jogado no cesto de objetos blasfemos do culto de quarta-feira. Mas não. A única atitude que tomei foi pegar minha carteira e colocar aquele retângulo preto dentro.

– Meu número está na parte de trás. Me ligue se mudar de ideia. – me encarou e apenas disse – você vai ter tudo aquilo que quiser se desacreditar – ele passou por mim e foi caminhando até eu o perder de vista. Não olhou para trás em momento algum.

————————————————————————-

Voltei para o meu quarto. Pedi perdão para minha esposa. Nos conciliamos e oramos juntos pedindo para Deus abençoar nosso casamento e nosso retiro. Três dias depois eu liguei para ele. Combinei de visitar a sede da sua organização na América do Norte. Falei para minha amada que tinha sido convidado para ministrar em um congresso de pastores internacional. Chegando nos EUA eu fui direto para o endereço que me foi dado. Fiquei assombrado e maravilhado. Aquela ordem pseudoreligiosa abriu meus olhos e me mostrou a maneira certa de se viver. Anton era a pessoa mais sábia do universo. Descobri que ele recrutava vários outros como eu mundo afora, pobres coitados que perderam a fé. Claro que depois descobri que seu nome verdadeiro era Howard Stanton Levey. E que ele nunca tinha sido domador de animais de circo. Mas eram boas mentiras. Como se leva a sério alguém chamado Howard? Enfim, larguei minha esposa e a minha igreja. Larguei o “plano de Deus”.

Virei amigo íntimo de Lavey. Tanto que, em 1988, ele me pediu para escrever uma biografia dele. Ele sempre dizia que eu escrevia muito bem. Que saberia honrar a vida dele com belas palavras. Dois anos depois foi lançada, intitulada como: “A Vida Secreta de um Satanista”. Foi creditada como sendo da autoria de sua secretária (Com a qual alguns anos depois ele teve um filho). Mas isso não me ofendeu, era o jeito LaVey de ser. Sua morte foi muito sentida por mim. Ele deve estar em paz no inferno.

Estou ficando emotivo demais. Já contei mais do que deveria. Pois bem, foi assim que virei satanista. Sou um discípulo do inferno já fazem 16 anos. Um pouco de verdade sobre as “trevas” que são a Igreja de Satã e o Satanismo LaVey para vocês do New York Times. De nada.

Barney BlackHolloway

Sacerdote da Igreja de Satã.”

Cliquei em “enviar”. Estava orgulhoso de mim mesmo. Como é bom sentir orgulho sem nem um pouco de culpa. A campainha toca. Vou ver quem está no meu portão. Um jovem funcionário da FedEx.

– Boa tarde Senhor… BlackHolloway?

– Eu mesmo.

– É uma encomenda para o Senhor. Preciso da sua assinatura.

Assinei e peguei o pacote. Na verdade era um envelope. Abri e encontrei uma pequena carta em que estava escrito:

“Eu escolhi você para escrever minha biografia pois, colocar um homem que perdeu anos de sua vida devoto numa crença morta, que converti ao satanismo, batizei para Belzebu, para moldar a história do maior satanista da história é simplesmente o maiior escárnio já feito.

PS: É estranho pensar que, se você está lendo isso, eu morri.

PPS: Te vejo no inferno.

PPPS: Muahahahaha.

Com muito ódio e amor,

Howard Stanton Levey.”

Fiz o que qualquer pessoa em minha posição faria. Gargalhei até doer o estômago e comecei a escrever sobre isso.

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24 comentários em “Meu Deus (Victor Lachowski)

  1. Priscila Pereira
    1 de setembro de 2017

    Caro autor, como pessoa que possui uma fé convicta no Deus Judaico – Cristão, senti uma profunda tristeza ao ler o seu conto. Espero de todo o coração que essas não sejam suas crenças e sim apenas fruto da sua imaginação. Fiquei feliz de não ter que avaliar o seu texto, que para mim, está muito longe de qualquer comédia e não possui nenhum elemento de humor. Em todo o caso, parabéns pela participação.

  2. Roselaine Hahn
    29 de agosto de 2017

    Caro autor, que conto sinistro, rsrs. Bem, a essa altura vc. já sabe que ele não foi classificado, foi pro inferno, brincadeirinha rsrs. Olha, estou lendo agora, sem o compromisso com notas, mas o que posso dizer é que achei uma narrativa bem séria, bem estruturada, um enredo diferente, mas um tanto fugidio da proposta comédia do desafio, sorry. Te vejo no….próximo desafio. abçs.

  3. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    Nota 7,9

  4. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    18 de agosto de 2017

    Judas,

    como muitos trabalhos desse grupo, seu conto começou bem. A premissa da história é muito boa e a escrita, clara e concisa, é excelente. Porém, o absurdo como humor não funcionou. Pelo menos para mim. Existem alguns problemas de pontuação, mas eles não chegam a atrapalhar a leitura.

    Boa sorte.

  5. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Judas,

    Sua história é muito interessante, você sabe narrar sem problemas, e me fez ficar curioso para saber como as coisas iriam se desdobrar no seu conto. O único problema é que já na parte final o conto ficou meio confuso. A partir da entrada do New York Times e do “cliquei em enviar” eu fiquei completamente perdido e não sabia mais quem estava contando a história, se seria o tal pastor, ou se seria o tal blackholloway, ou se esses dois na verdade são a mesma pessoa. Vish… foi uma mistureba dos infernos. Isso me fez não curtir muito o se texto, infelizmente. Até a metade eu estava gostando bastante. É um texto que não tem nada de comédia, mas não deixa de ser bem escrito. Boa sorte no desafio. Um abraço.

  6. Leo Jardim
    18 de agosto de 2017

    Meu Deus (Príncipe Judas)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): começou boa, com a premissa interessante de um pastor de igreja evangélica desgostoso de pregar que aceita ministrar numa religião satânica. Mas depois disso a trama correu muito e ficou bem vazia, sem emoção até. Queria ter visto mais da vida dele como satanista e como ele usou as técnicas que aprendeu. O plot da biografia e o twist do fim ficaram soltos como o restante nessa parte.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): tem uma narrativa boa e envolvente na primeira parte, apesar dos erros de pontuação. Na segunda conta demais e deixa o texto distante. Outra coisa: não se costuma usar travessões para pensamentos. Isso gerou confusão no princípio. Sugiro evitar.

    ▪ Amém *vírgula* irmãos?
    ▪ Como foi o culto *vírgula* meu varão?
    ▪ O que aconteceu *vírgula* meu bem?
    ▪ Você entendeu *vírgula* seu imbecil!
    (Entre outros erros do mesmo tipo)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): um pastor evangélico louvando o capeta é um mote criativo.

    🎯 Tema (⭐⭐): apesar não não ter me feito rir, existe um tom cômico no texto.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a revelação do fim não causou impacto em mim, pois naquela parte a narrativa estava tão distante e rápida que não deu para me apegar. A reviravolta acabou não funcionando comigo.

    🤡 #euRi: infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 6,5

  7. Jowilton Amaral da Costa
    17 de agosto de 2017

    Achei o conto médio. Mas, acho que não é comédia, sei lá, se for é bem peculiar e não me impactou. Achei a estória bem bobinha e sem graça. Tem gente que diz que não precisa ser engraçado para ser comédia, eu penso o contrário. Achei a narrativa regular, em alguns parágrafos tem frases bem boas e tem um fazem no lugar de faz. “… já fazem 16 anos…”. O correto seria “… já faz…”. Não percebi outros erros. Boa sorte.

  8. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Hehe… escrever o conceito de comédia lá em cima não vai me convencer de que seu conto é uma, desculpa.

    Eu confesso que mesmo estranhando o ritmo que o conto estava levando, acreditei que em algum momento aparecia elementos que desce pra me apegar e seguir bem com o resto. Mas não aconteceu, não sei exatamente qual o objetivo do autor com essa história mas sinto que se perdeu no meio do caminho. Levar todo um enredo para soltar algumas gargalhadas no final e fechar como comédia não foi uma boa opção.

    Não vou falar sobre a polêmica do texto em sim, que não tem a profundidade necessária para abordar o assunto, mas vejo que muitos autores optaram escrever algo aleatório, e no final soltar uma piadinha pra ser a última lembrança de quem ler, ou abordar um assunto sem o devido desenvolvimento para tornar-se verossímil.

    Bem, o conto não funcionou para mim, no começo parecia algo bem comum até…sobre pastores e etc…mas tomou um rumo nonsense que infelizmente não chegou perto de ser engraçado. Classificaria como…bem, não sei Kk.

    No mais, boa sorte no desafio. 🙂

  9. Cláudia Cristina Mauro
    16 de agosto de 2017

    Não consegui me identificar com algum personagem, a ponto de me sentir envolvida no enredo.
    Os personagens principais não se revelam, ficam presos aos clichês, tornando-se desinteressantes. Poderia se aprofundar e desenvolver mais o perfil psicológico dos mesmos, visto que parecem artificiais.
    O desenrolar do texto se mostra mal articulado, devido a problemas gramaticais e falta de acuidade no encadeamento das frases.
    O tema é bom e abre possibilidades, mas foi mal desenvolvido.
    Nota 5.

  10. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: um conto de humor mais comedido, aparentemente. Não se trata necessariamente de algo que busca o riso, mas da exploração do humor nas pequenas coisas – na mudança de personalidade do protagonista, por exemplo. A organização das ideias se dá em volta do desenvolvimento do pastor, acompanhando a perspectiva dele sobre os fatos. Tanto é, que só percebemos que se tratava de uma espécie de “depoimento” ao final.
     
    Aspectos subjetivos: gostei da sutileza, da faceta humana dos personagens na narrativa. É interessante porque é uma narrativa que trata do Divino sem tender muito para esse lado. Ao contrário, chega a criticar severamente as crenças. Uma vez que a religião tem um quê de verdade absoluta, me parece natural que o viés escolhido de humor (o sarcástico) a tenha usualmente como objeto. Nada mais natural que o questionamento do que se propõe como inquestionável.
     
    Compreensão geral: a definição de comédia no começo transpareceu o sentimento de desafio, o que me fez torcer o nariz. Ficou a impressão de que desejava guiar as futuras avalições a partir dela. É um aspecto pessoal, mas me agrada ler os contos como se eles não tivessem sido produzidos para a disputa. Em seguida, apresentou um bom trabalho, tornando ainda mais dispensável aquele conceito materializado. Por esse lado, gostei do conto, mas não da presença do conceito na introdução.

    Parabéns e boa sorte.

  11. Anderson Henrique
    16 de agosto de 2017

    Algumas repetições desnecessárias como “Ele tirou do bolso de seu casaco PRETO um cartão e me entregou. Era um cartão de visitas PRETO, tinha um pentagrama invertido com uma cabeça de bode no meio.”. Problemas de pontuação também: “Eu, como homem de Deus. Pastor. Que dedicou grande parte da sua vida à missão de propagar o cristianismo deveria fazer o que com aquela peça”. O diálogo inicial entre o casal é confuso por conta do tom que oscila entre o drama e a comédia. Parecia que homem e mulhar estava inseridos em contextos totalmente diferentes. Tive dificuldade de aceitar essa parte. O verbete lá no início também me pareceu controverso, como se o autor estivesse em dúvida se o texto apontava para a comédia e quisesse reforçar isso.

  12. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Olá, PJ!
    Gostei do tom irônico do conto, dá para se questionar sobre a honestidade dos homens que devotam suas vidas a serviço de Deus, o encontro com o satanista que sabia o que se passava no íntimo do pastor, um lance um tanto pessimista, não menos chocantemente real, e todo o desenrolar.
    Senti falta de uma revisão mais apurada (exemplo: “já fazem 16 anos”, o correto é já faz 16 anos), e embora tenha bastante potencial, não acho que o conto seja comédia, mesmo com o lembrete no início do mesmo.
    Um abraço!
    Nota 7,5

  13. iolandinhapinheiro
    15 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Comecei a ler sem suspeitar onde ia chegar, seu conto é surpreendente, criativo e muito interessante. Um conto muito bem escrito que eu apreciei ler.

    Graça: Uma pitadinha muito leve de graça, um quase nada. O seu conto é uma mistura de drama com insólito e aventura, ou qualquer outra coisa, mas não é comédia. A falta de humor, entretanto, não atrapalha o resultado, que é muito bom.

    Enredo: Pastor em crise de fé encontrando o diabo e passa a ser seu servidor. O enredo é só esse, mas a ideia é explorada de maneira inteligente e muito competente. Um conto de alguém que sabe escrever e o faz com muita segurança.

    Tente Outra Vez: O conto não é engraçado, fora isso, eu não mudaria nada.

    Impacto: Muito positivo.

  14. Anorkinda Neide
    14 de agosto de 2017

    Well…
    que dizer?
    Desgostei bastante, nem é pq tivesse ferido algum escrúpulo religioso meu, mas é que achei pedante e sem graça.
    O pastor não foi um personagem empático e Lavey poderia ter sido, mas nao foi bem trabalhado, gostei da descrição da aparencia dele.
    Acho q foi a única coisa q gostei neste conto.
    Vai dizer, ela só fala do gostei , nao gostei… mas é meu jeito de fizer que o conto nã está bem formatado, desenvolvido e muito menos engraçado.
    Abraços

    • Anorkinda Neide
      14 de agosto de 2017

      *meu jeito de dizer

  15. Luis Guilherme
    13 de agosto de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Olha, o conto é escrito numa estrutura interessante, começando pela definição de comédia, as divisões são boas e tudo. Mas o humor em si, achei que faltou. Não achei muita graça no conto.

    O enredo é legal. Só que achei um pouco apressado, acho que tem potencial pra mais. E talvez não na temática comédia, não sei.

    O começo do conto, especialmente a parte do culto, é o ponto mais engraçado. Depois, acaba tomando uma cara realmente de biografia, o que entrega o que se propôs (pelo menos é o que denuncia o final), e acaba se tornando muito sério e formal, não sei.

    O final achei meio bobo, principalmente a parte em que o rapaz se dirige ao Times e á assinatura da carta. Achei que não combinou com o restante.

    A escrita é boa e segura, não apresenta muitos problemas gramaticais.

    Enfim, tem uma premissa legal, tem um enredo com potencial pra mais, mas acaba pecando no quesito humor por adotar uma postura muito séria em determinado momento.

    Parabéns e boa sorte!

  16. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Olá, Príncipe Judas, um belo e bem escrito conto. Uma história satânica interessante. Sua narrativa foi me envolvendo e quando dei por mim estava curioso com o andamento da trama. Gostei do enredo, da sua criatividade em me trazer elementos da vida real (o Anton existiu na realidade, fundando a Igreja de Satã) e os misturando à sua criatividade. Bacana isto. No entanto, enquanto motivo para risos, achei que ficou faltando um pouco. Quem sabe a dosagem não tenha sido explorada o suficiente. Neste sentido, na minha opinião, houve momento em que a comédia quase se tornou drama. Grande abraço.

  17. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    pseudoreligiosa = pseudo religiosa
    Eu gargalhei de nervoso por um texto totalmente fora do desafio. Ainda mais e, como sempre, uma defesa de crenças e culturas, com menções fóbicas e tristes. Portanto, o gargalhar inicial é totalmente fora da realidade, uma mentira para descaracterizar, totalmente, esse texto como comédia. Só se for de horror, ou tragicomédia. Ainda assim, não valeu.

  18. Catarina Cunha
    11 de agosto de 2017

    O conto, tirando a definição de comédia, começa bem. Depois, na segunda parte começa a divagar filosoficamente e se perde. Em seguida, com a chegada do Capeta, recupera o ritmo sem muita fluidez. Gostei da ideia, mas poderia ser melhor trabalhada.

    Auge: “Anton LaVey – Músico, fotógrafo forense, domador de feras de circo, ocultista e fundador da Igreja de Satã.” – Realmente um cartão que não se pode jogar fora.

    Sugestão:

    Cortar a definição de comédia e os dois primeiros parágrafos da segunda parte. É só gordura e explicação que não cabe num conto de comédia.

  19. José Bandeira de Mello
    11 de agosto de 2017

    Um conto diferente dos demais. Honestamente confesso que me fugiu a intenção de po-lo em meio a textos cômicos. Entretanto achei soberano.. .Instigante até. Muito bem escrito e conduzido, prendeu-me ate o fim. E terminei querendo saber mais sobre a trama e sobre os destinos. Não entendi muito bem a ironia final na leitura da carta…o por que dela e a razão desse desfecho. Bem, longe de vê-lo como comédia, parabenizo o autor pelo originalidade e talento na escrita.

  20. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Uma crítica aos pseudo religiosos; uma crítica aos conceitos religiosos atuais; uma crítica a deturpação religiosa atual. Espero ter interpretado certo em uma das três possibilidades.

    Não foi uma história particularmente engraçada, mas no jogo de oposições e intriga entre oposições, satisfatório. Fez jus ao contexto “fatos ridículos e jocosos da vida social”, “fingimento”, e “sucesso ridículo e irrisório” que o autor fez questão de destacar da definição de comédia.

  21. Higor Benízio
    8 de agosto de 2017

    Apesar de ter colocado a definição de comédia no inicio, atitude que encaro como uma forma de se dar carta branca, o texto não tem a menor graça. Nenhuma mesmo. Um padre que se converte ao satanismo, é um tema que poderia gerar boas risadas, e dá margem para muitas situações cômicas, porém, nada disso aparece no texto. O texto vai de nada a lugar nenhum, e a narrativa não compensa o despropósito do texto. Sugiro enriquecer as figuras usadas, colocar mais individualidade na narrativa, mais originalidade, ou arrumar um enredo mais encorpado.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de agosto de 2017

    Outro texto de idas e vindas na leitura dos parágrafos. Leitura complicada, muitas informações agrupadas. A narrativa vem como um turbilhão de pensamentos, num galope. Crítica social?! Se não for intencional, carece de revisão. Apesar da definição de comédia no início, agradeço por isso, não entendi o conto como comédia. Aguardarei os demais comentários para entender mais um pouco, descobrir aquilo que não vi. Abraços…

  23. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Tirando a “piada” fácil da hemorroida, não vi muita graça em quase nenhum ponto.

    – Como se leva a sério alguém chamado Howard?
    – Ele deve estar em paz no inferno
    >>> aqui foram tiradas boas, mas sutis demais, perdidas em meio à seriedade do restante.

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    O texto desperta bastante interesse e prende a atenção. Não pelo tema do desafio, mas prende.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Achei bem legal, bem amarrado e construído. A aparição do satanista é meio Deus-Ex (ou seria Diabo-Ex? rsrs), mas o desenrolar é bacana.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Gostei da ambientação da igreja e do lago.
    O padre perdendo a fé é convincente e o satanista foi um ótimo personagem, misterioso e assustador na medida certa.

    Em certo momento fiquei com receio que o conto descambasse parao panfletário anti-religião, mas isso acabou não ocorrendo.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    Com exceção a pequenos lapsos de revisão, está muito bem escrito. A narrativa é ágil e não cansa em nenhum momento.

    – Amém irmãos
    >>> Amém, irmãos

    – nos diz o seguindo
    >>> seguinte

    – Como foi o culto meu varão?
    >>> Como foi o culto, meu varão?

    – Você entendeu seu imbecil!
    >>> Você entendeu, seu imbecil!

    – já fazem 16 anos
    >>> faz

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Então… apesar do autor ter colocado a definição de comédia lá no começo, quase como já se justificando, eu não vi muitos elementos do que considero comédia aqui, não.

    NOTA: 7,5

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .