EntreContos

Detox Literário.

Cabocla tinhosa (Givago Thimoti)

Em um bar de uma cidadezinha do interior de Goiás, dois homens, um granfino e um caipira, trocam um dedo de prosa, em meio a goles de cachaça. Zé, uma espécie de faz tudo e Cristiano, um candango recém-formado em Agronomia.

– Moço, ainda não tô acreditando na morte do Seu Nonato.

– Foi muito repentino, mesmo.

– O que ocê disse? Numtendi.

– Foi inesperado.

– Ah, neim, moço! Poxa, fala minha língua! Dô conta não de entender o que ocê fala, essas chiquezas da cidade.

– Desculpa, Zé.

Cristiano ajeitou os óculos de sol com o dedo. Ele já estava acostumado  a repetir metade das suas falas. Nem ficava irritado. Dizia para si mesmo que era culpa dos políticos que não estavam interessados em educar a população. Esquecia que ele fez parte dos jovens privilegiados com educação de qualidade da cidade.

Geralmente, no sábado o bar se tornava o ponto de diversão da cidadezinha. Mas, com a morte do Curoné Nonato, as pessoas resolveram adotar o luto. Este que somente foi visto pela última vez quando o Padre Jorge foi se juntar com o Chefe Maior.

– Quem vai administrar a fazenda agora? – Perguntou o candango.

– Moço, fico aguniado só de pensar nisso.

– Por quê?

– A filha mais nova. A Caboclinha.

– Então teremos uma Coronel agora?

– Sim, moço. Mesmo que isso seja contra a ordem da natureza. Onde já se viu, ser mandado por uma muié.

O garoto da cidade tomou um gole de sua cachaça. Aparentemente, ele demoraria tanto para se acostumar com a queimação da bebida quanto para se acostumar com os caipiras e seus ideais. As garotas de Brasília costumavam dizer que Cris era um tesouro entre os homens, já que era um dos poucos que não demonstrava nenhum sinal de acreditar que era superior às mulheres.

Por um momento, ele pensou em rebater alegando que elas estavam conquistando o merecido espaço. Mas o caipira Zé repetiria as velhas idéias, ignorando o tesouro candango.

Para o garoto, restava repetir para si uma frase da música de uma cantora sertaneja:

– Você não vai mudar.

Zé bateu o copo de cachaça, puxou da garganta uma cusparada no chão e soltou o bom e velho “Argh”.

– A mardita bateu com força.

– Ainda não vejo problemas com uma mulher comandando a fazenda.

– Moço, confia em eu. Seu Nonato devia estar tonto das ideia quando deu a fazenda prela. Ou talvez seja um golpe da Caboclinha, aquele tinhoso.

Cristiano esboçou um sorriso. Zé se escandalizou com a reação do garoto da cidade:

– Moço, acredita em eu. Deixaéufalar! Num é possível que depois dessa história ocê não entende eu.

Na cabeça de Cristiano, era muito fácil ser considerado um tesouro perto de alguém como o Zé.

– Menino, ouve eu. Seu Nonato teve duas muiér, com anel e tudo. A primeira era o verdadeiro amor do homí. Mas ela não podia ter filhos. A bixa morreu de tristeza. Foi durmir e nunca mais voltô. Umas boca do mal dizem que o Curoné matô ela. Mas sacomé essa gente, especiarmente essa muierada fofoqueira. São umas chupá-sofrimento, ô disgraça. A segunda era uma furmusura. Seu Nonato se rabichou por aquele pedaço de ruim caminho lá na cidade. Dizem que foi uma noite, mas ocê sacomé, é o que precisa para ficar prenha. O homi ficou tão feliz. Trouxe para a fazenda a muié com a minininha e a cuia atrás. Um ano dipois, mais outra minina. Seu Nonato precisava de um garoto pra mandar na fazenda. A esposa dele não queria ter mais. Dizia que duas era o suficiente. Mais um iria cabá com a furmusura dela. O Curoné deu um jeito de escapar da arapuca. Disse que se ela ficasse barriguda outra vez, pagaria uns troço lá pra rebocar ela.

Crisitano riu e disse:

– Você quer dizer cirurgia plástica?

– Isso, moço. Ocê sabe que não entendo essas língua da cidade. Mar isso não é importante. O povo da casa dizia que a muié, como todas azotra, teimou como um burro empacado, bateu o pé e disse não. Már um dia, ela apareceu prenha, depois de uma viagem que fez sozinha pra cidade.

– Quer dizer que o Coronel foi traído.

Mesmo morto, Seu Nonato ainda era uma lembrança forte na cabeça do povo, especialmente na do Zé.

– Ocê é loco?! Falá um troço desse do falecido Curoné? Que Deus o tenha!

– Perdão, seu Zé. – Com uma ironia que o caipira não captou, o granfino perguntou: – Como aconteceu o milagre?

– Milagre? Foi o que o povo pensou. Menos as faladeira interesseira. Elas diziam o mesmo que ocê. Mais tarde, nós vimo, com os próprio zóio que não era milagre não. Seu Nonato fez um pacto com o cabeça-de-morcego.

– Quê?

– O sete-pele, o tinhoso, o chifrudo.

– Ah, sim!

– A minina, quando nasceu, foi a felicidade da casa. Caboclinha era a beleza que o sertão num tem. Acho que todos os homí dessa cidade olhavam para aquele rabo-de-saia. Cabelos pretos que lembram noite de lobisomí. Olhos de mel e os lábios… Moço, só de lembrar, dá aquele fogo que muié formosa causa.

Quem olhava para Zé naquele instante podia acreditar que ele falava da comida que só a mãe de cada um faz e não de mulher. Talvez ele acreditasse que a Caboclinha fosse a personificação da comida da Dona Zefa.

– Quando ela começou a se tornar muié, o tinhoso dentro dela apareceu. Teve um dia, que um pião se engraçou com ela. O infeliz acreditava que ela queria ele. O Curoné ficou possesso. Disse “Ocê tem duas opção; saí agora da minha cidade ou vai levar um tiro na suas bola.”

– Claro que ele foi embora.

– Não foi moço. Ele ficou. Bixo burro! Jurava que a Cabocla disse que ficaria com ele mesmo assim. O coitado deixou de ser homí por causa dela. E não recebeu nenhum um olhar daquele capeta. Morreu de desgosto.

– Ora, seu Zé. Ele estava apaixonado por ela.

– Ele era doido. Isso que ocê quis dizer. – Talvez fosse culpa da bebida, mas o granfino achava graça na história. – Ocê ainda não acredita nimim?  Ó esta história. Ao contrário dazirmã, Caboclinha não queria casar com os homí daqui. Queria ser idependente, num depender de homí. Ela infernizou tanto o Seu Nonato que foi mandada lá para sua cidade. Foi estudar. Dizem que trabalhava com uns homí de terno. Acho que ela é adevogada.

– Advogada. – Cristiano corrigiu.

– Isso memo. Adevogada. O falatório daqui era terrível. Seu Nonato matou um porque falou mal da Caboclinha. Um tiro bem no mei do zóio. Memo sendo doida varrida, o pai amava ela. Eu lembro do dia que ela disse que estava de assanhamento com um gaúcho. Sabe aquele buato que os homens lá de baixo desse Brasil não gosta da mesma coisas que eu e ocê, são invertidos?

– Sei. Tudo brincadeira. – O granfino conhecia muitos gaúchos e se tinha uma coisa que eles não gostavam era das piadinhas sobre a tal da inverteza

– Não, moço. Se dizem, é porque deve ser verdade. A voz do povo é a voz do Bom Deus. Diziam, com tom de brincadeira de már-gosto, que Caboclinha ia se casar com o Gaúcho Macho. Um ano dipois, Seu Nonato recebeu a noticia do casório. O Curoné ficou feliz da conta sô. Tirou da cabeça da fia a ideia de um casamento lá na Capital. Um absurdo. Fia minha tem que casar na minha casa, ele dizia.

– A cidade parou, com certeza.

– Már é claro. Todo mundo foi convidado, exceto os inimigo dele. Curoné abrigou as duas família na casa dele. Os gaúcho parecia tudo igual aquele povo que ganhou de sete do Brasil. Uns falavam pió que ocê. Eu num entendia nada. Diziam que era do interior, como nós. Tinha fazenda também. As coisas iam bem até uns dois dia antes do casório. Moço, eu nunca vou esquecer aquelas noites.

– Parece que foram horas inesquecíveis.

– Foi. Eu lembro que estava na casa principár, junto com as família, trocando um dedo de prosa que nem agora. Bebendo a tal da cerveja atersaná. Troço ruim da porra! Prefiro a cachaça.

– Sim, continue.

– Exceto as criança, todo mundo bebendo. Prosa para lá e para cá. O pai do noivo viu que o fio tinha passado do limite. Normal, estava nervoso. Casar com aquela furmusura era de tirá alguém da casinha. Um amigo dele levou ele para o quarto. Um preto alto, forte. Parecia uma árvore. Eu fiquei jogando baraio com os familiares do noivo. Me roubaram mil vezes. Nunca vi. Mudava a regra todo jogo. Por volta da hora do cantar do galo, todo mundo já tava acordado. Todo mundo viu o negão sair do quarto do noivo tampando com as roupa a grande vergonha dele. Parecia um braço, moço.

A imagem de um braço no lugar do famoso dito cujo fez Cristiano rir.

– Moço, não ri de um troço desse! Seu Nonato queria porque queria meter uns furos no gaúcho. A sorte é que a família estava para sarvár o rapaz. Trair a Caboclinha com um preto no dia do casamento… Ninguém sabia o que fazer. A tinhosa, quando soube, simplesmente se trancou no quarto, quieta. Uns ouvia ela chorando. Outros viam o noivo invertido tentar consertá a história: “Não aconteceu nada, tchê! Sou gaúcho macho!” dizia. Caboclinha não respondia. “Bah, amor acredite em mim!”

– Taquepariu! E o que fizeram do casamento?

– Carma, moço. Tô chegando lá! Nem o Curoné conseguia entrar no quarto da filha. As irmã da Caboclinha, sempre invejosas, cochichavam feliz com os maridos sobre o ocorrido. A cidade já comentava, chacotando: Caboclinha e seu marido invertido. A noiva não havia cancelado o casamento, mas nem sabiam se a Cabocla tava viva. Aposto que tinha gente turcendo para a morte da minina. Na noite seguinte, todos foram durmir achando que num ia ter casório, már sim velório. Talvez dos noivos e do negão. Nessas horas, o preto não escapa da bala.  Mais uma vez, com cantar do galo, o povo acordô. Seu Nonato, acompanhado das filhas, foi no quarto da Caboclinha. As família ficaram em silêncio, esperando e esperando… Até que ninguém mais quis esperar. Moço, a cena até hoje me assombra de madrugada quando tô sozinho.

– Fala logo, seu Zé.

– Seu Nonato tava com a mão na porta, congelado. As filha imitava o pai. E assim todos imitava  as fia que imitava o Curoné. Na cama, Caboclinha durmia carma como um anjo. Már, na verdade, ela era o tinhoso. Nada protegia as vergonha dela. A pele dela era tão bunita. Pele de muié… E do lado dela, tinha uma outra muié, tão nua e tinhosa quanto Caboclinha.

Existe um mistério que, dificilmente, um dia será solucionado. Por que os homens ficam tarados quando imaginam, vêem ou qualquer coisa que envolva duas mulheres?

– Como era a outra? – Cristiano indagou desesperado.

– Parecia um fantasma de tão branca. Loira… Devia ser um fantasma, mesmo. Ou um capeta vestido de deusa.

– E o que aconteceu, depois?

– Cabocla acordô. Como se não fosse nada, ela fechô a porta. Todo mundo desceu, chocado, para a sala. Meia hora depois, a filha do Curoné e a fantasma foram imbora com o carro do noivo…

O granfino entendeu a agonia do caipira. Não culpava ele. Entendia, até certo ponto, as dores do colega de fazenda porque, apesar das diferenças, eram homens. Um da roça e o outro da cidade. Ainda assim, compartilhavam o grande medo da tal mulher tinhosa.

O fato é que a Cabocla era a tal da mulher que sabia o que queria. Fazia o que dava na telha. Se divertia do jeito que bem entendia. Como o Zé falou, queria ser independente.

De fato, Caboclinha era uma tinhosa. E mulher assim assusta até o próprio Tinhoso.

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26 comentários em “Cabocla tinhosa (Givago Thimoti)

  1. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Olá, MJ!

    Terminei de ler o conto é fiquei pensando qual era o ” problema” dele. Cheguei a conclusão que foi o Time. Sim, acho que você passou do ponto, no sentido de levar a história além do que precisava. Demora-se muito pra entender, ou para descobrir qual é a história ali, quem é cabloca e que significância tem ela é sua história para o personagem que está de ouvinte.

    Acaba que não tem nenhum, ele apenas parou em um bar, é resolveu ter um dedo de prosa com alguém que por acaso tinha uma boa história pra contar. Nesse sentido o texto fica meio sobressalentes. Nem sabemos muito do personagem, nem somos apresentados pessoalmente a Cabocla.

    A história ( tô repetindo demais isso) em seu plano de fundo é interessante, está bem escrito e não vi mais nenhuma problema aparente…acho que foi só esse distanciamento, quem sabe.

    Parabéns!

  2. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    8,7

  3. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    Prosa de matuto é muito legal, mas precisa ser rápida e rasteira. Até Cristiano sentiu agonia com a enrolação de Zé. A trama segue alguns clichês básicos e tem alguns furos. Mas tá valendo.

    Auge: “Mas sacomé essa gente, especiarmente essa muierada fofoqueira. São umas chupá-sofrimento, ô disgraça.” – Adorei a expressão!

    Sugestão:

    Como já disse em outro conto por aqui: mais ação e menos explicação.

  4. Luis Guilherme
    23 de agosto de 2017

    Boa noiteee.. td bao?

    Um conto feminista? Gostei!
    SOu meio que do tipo do rapazx do conto: mulher tem q ser livre, fazer oq quer, quando quer, vestir oq tem vontade, ser livre e bem resolvida. E só quem tem q cuidar da vida dela é ela mesmo, né?

    Mas vamos ao conto. É uma historia leve, que flui naturalmente, tem um humor intrinseco, nao precisa se apoiiar em piadas ou tiradas. Você escreve muito bem, dá pra perceber. O texto tá muito bem escrito, tanto gramatical quando estruturalmente.

    Quanto ao enredo, apesar de se passar todo num diálogo, tem um bom desenvolvimento. É bom!

    Não digo que seja um dos meus preferidos, mas com certeza é gostosa a leitura, e é bem leve.

    Gostei do desfecho. Me surpreendeu. Já esperava a questão do noivi, mas o acontecimento com a tinhosa foi uma agradável surpresa. Prevejo um enxurrada de criiticas, se prepara.. hahahaha

    Enfim, um bom conto, com posicionamento forte, divertido e leve, leitura gostosa. Parabéns e boa sorte!

  5. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Meu caro, MJ está entre nós (ou seria minha cara?), cá estou eu a ler e reler seu conto. Uma história gostosa entre o citadino e o caboclo. Um enredo que não deixa de ser interessante. Os diálogos bem conduzidos, não fora pela maneira como você faz grafar a fala do capiau. Claro que isto é um problema meu, mas acho que ficaria mais interessante e rico se você o deixasse a falar como um roceiro, mas sem esse registro das palavras de maneira errada. Mas deixe isto pra lá que é só chatice minha. O que queria lhe dizer mesmo é que achei o final meio solto. Do negão árvore com o noivo, passamos ao quarto da sinhazinha tinhosa e lá dentro ela está com outra tinhosa, com quem fugirá em seguida no carro do noivo… Sim, entendi, ela era o capeta e você também me contou que a fantasma também o era. Mas achei que ficou faltando algum pedacinho na história. Senti, MJ, que umas pequenas amarrações teriam tornado o final da sua história melhor. Grande abraço

  6. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Granfino = grã-fino.
    idéias, = ideias.
    O velho chavão, sem criatividade, sobre uma história da roça com termos e fragmentos de possível literatura. Rir foi dada somente a possibilidade para os personagens e, mesmo assim, pouquíssimas vezes. A traição, na história, é o constante. Não cumpriu em nada o fator comédia, imprescindível para o desafio.

  7. André Felipe
    18 de agosto de 2017

     Gostei, consegui rir em algumas partes dos diálogos. Achei criativo. Aconselharia outro tipo de narrador. Como está, você tem dois narradores de personalidade forte. O seu narrador acaba explicando mais do que deveria, principalmente no final.
     O que deixa o conto mais raso, tirando a participação do leitor em entender e preencher as lacunas por si só. Por fim, talvez os últimos eventos podem ter sido corridos e não consegui entender de todo. A moça termina num relacionamento homossexual também? Se sim, a outra mulher apareceu do nada? Acho que faltou alguma explicação nesse caso. Contudo , foi uma leitura fluida e agradável.

  8. Victor Finkler Lachowski
    18 de agosto de 2017

    Um conto muito bem escrito, conseguindo transmitir a linguagem urbana com a interiorana, brincando com as palavras e com a própria comunicação entre os personagens, muito bom mesmo. Uma história original, trazendo as fofocas das pequenas sociedades e os preconceitos e costumes dos povos mais isolados.

  9. Fil Felix
    18 de agosto de 2017

    Em relação à estrutura e linguagem do texto, achei arriscado partir pra um regionalismo bem puxado como fez. Arriscado porque é difícil manter o mesmo tom em todo o texto, além de deixar o mais perto do real possível. De maneira geral foi interessante a proposta, mas alguns pontos acabam ficando estranho, como o Zé não entender o que é inesperado, mas usar “exceto” mais pra frente.

    A história em cima do casório apoiada nos estereótipos também foi outra aposta arriscada, já que são conceitos enraizados no imaginário popular e a linha entre a ironia e a chacota é bem fina. Temos a ideia do Primo Rico e o Primo Pobre, do Rato do Campo e o Rato da Cidade, trazendo o matuto ignorante, o gaúcho gay, o negro dotado, a mulher independente que é lésbica. Não sei se acabei entrando muito no ritmo da história.

  10. Rafael Luiz
    17 de agosto de 2017

    Um conto fluido e instigante, como uma boa conversa e bar. A formula de “primo da cidade, primo do campo” é batida, mas funciona aqui. Achei a gramatica na forma da linguagem do Zé um pouco forçada. Já li contos aqui onde a fala “caipira” é mais fluida e natural, talvez uma coisa a ser trabalhada pelo autor. O conto segue bem, mas o final é inesperado e sem qualquer nexo com o resto da história, tendo alguns fatos sendo simplesmente jogados sem qualquer ligação ou função na história, como o fato do “Negão”. Não achei que o texto se adequou muito ao tema, uma vez que não vi praticamente nenhuma comicidade na narrativa.

  11. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) MJ is alive (uh! who´s bad?):
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ***1/2
    Começou como piada, passou a ser um causo, terminou como “a vida como ela é”.
    PREMISSA: **1/2
    A princípio, a história da mulher fatal, que subjuga tudo e todos, prometia ser o centro da narrativa. Mas no ponto do casamento se perdeu em uma lenda urbana (o gaúcho macho, tchê) e a vingança homoafetiva (com uma intenção cômica que, a meu ver, não teve muita efetividade) acabou se perdendo na curva.
    TÉCNICA: ***
    O contraste da fala dos dois personagens é uma questão complicada: pela diferença cultural entre eles, a conversa soa um pouco forçada. As reviravoltas na história acabaram por, ao invés de surpreender, decepcionar o leitor. Tem seu mérito de escrita, mas várias questões a serem melhoradas.
    EFEITO GERAL: ***
    O efeito geral é razoável, ainda que fique a sensação de que o texto pode ser ainda mais trabalhado.

  12. Rsollberg
    17 de agosto de 2017

    haha

    Fala ai, Mj.

    Então, cara. Seu texto não me fisgou. A história contada em diálogos, especialmente pelo cabra caipira, cansou muito. Faltou ironia e algumas analogias bem sacadas na voz do “pião’, que no meu entendimento é o que traz verdadeira graça a esses causos. A primeira parte, típica de roteiro é desnecessária. Seria muito mais interessante que o leitor fosse descobrindo as características dos personagens no desenrolar da história. “Num bar, fulano que é assim e beltrano que é assim, fazem tal coisa” clássica mostre, não conte. Esse tipo de “caput”tira metade d graça do conto.
    Creio que um dos maiores desafios do escritor é envolver o leitor, tirá-lo da passividade, e esse começo de história faz justamente o contrário e entrega tudo de mão beijada.

    De qualquer modo, boa sorte.

  13. M. A. Thompson
    17 de agosto de 2017

    Olá MJ está entre nós e o conto Cabocla tinhosa.

    O primeiro parágrafo eu mudaria. Está um pouco confuso:

    “Em um bar de uma cidadezinha do interior de Goiás, dois homens, um granfino e um caipira, trocam um dedo de prosa, em meio a goles de cachaça. Zé, uma espécie de faz tudo e Cristiano, um candango recém-formado em Agronomia.”

    Eu inverteria a ordem do final ou reduziria. Tem informação demais: homem+granfino+Cristiano+recém-formado+Agronomia, fora o outro.

    Agora quer dizer que o granfino é recém-formado em Agronomia? Acho que você não sabe o que é granfino, aliás, uma palavra que caiu em desuso. E como mais adiante você sacaneia os gaúchos chamando-os de veados, aposto que a autoria é masculina de alguém que mora em Brasília.

    O diálogo segue sem levar a nada até que um dos personagens finalmente revela o propósito do conto.

    Um coronel que queria um filho homem cuja mulher mãe de duas meninas não queria mais filhos, faz um pacto com o capeta para a mulher engravidar e a mulher pare uma menina.

    Essa proposta não me convenceu porque “coroné” que é “coroné” não pede, manda. Então se a mulher recusava uma ordem do “coroné” para mim ele já perdeu a credibilidade.

    A mulher acaba parindo a filha do capeta, a quem dá nome ao título: Cabocla Tinhosa.

    Daí para o fim o conto desanda de vez. O autor sacaneia os gaúchos levantando suspeição sobre masculinidade, a Cabocla dorme com um negão, depois se tranca no quarto e quando o “coroné” entra para ver o motivo do sumiço, flagra a Cabocla na cama com uma mulher fantasma que supostamente seria ela mesma. Loucura geral.

    Além de não ter graça nenhuma é o “causo” mais sem noção que já li na minha vida.

    Boa sorte no desafio.

  14. Vitor De Lerbo
    17 de agosto de 2017

    Há comicidade no embate de ideias entre o granfino e o caipira. Colocar pessoas tão diferentes frente à frente é uma bela aula de comédia.

    É interessante como, mesmo concordando com a maioria dos pensamentos do rapaz da cidade, ele parece não ter carisma. Talvez seja seu ar de superioridade constante que acabe distanciando o leitor desse personagem. A alcunha “tesouro entre os homens” e a frase “Na cabeça de Cristiano, era muito fácil ser considerado um tesouro perto de alguém como o Zé.” nos deixa ainda mais longe dele.

    Ressalto aqui que isso não é uma crítica ao/à autor/a; muito pelo contrário. Mesmo com suas ideias retrógradas, o caipira, que, provavelmente só é assim por falta de informações, acaba tendo mais carisma. E isso não é fácil de se construir.

    Gostei do final com a “vingança” da Caboclinha na mesma moeda; isso vai totalmente de acordo com a personalidade da personagem.

    Achei que o diálogo dominar praticamente 90% do texto acabou deixando o conto um pouco arrastado.

    Boa sorte!

  15. Rubem Cabral
    15 de agosto de 2017

    Olá, MJ.

    Divertido o conto com jeito de causo. Mas não sei se “comprei” bem as falas do Zé, achei que soaram meio forçadas em alguns momentos.
    Mas foi interessante o enredo da moça independente e a visão estereotipada do “povão”.

    Quanto à escrita, está boa, embora bastante simples. Consegue-se, contudo, contar bem a história.

    Não houve lá muitos momentos de comédia, salvo a traição do gaúcho com o amigo negro e a surpresa da moça ser talvez bissexual.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  16. Paulo Luís Ferreira
    14 de agosto de 2017

    Foge um tanto da formatação do conto. A linguística regional (não muito original) prejudica um melhor desenvolvimento do enredo, assim como o uso, também excessivo, de diálogos cansa um pouco. Nota 03

  17. Lucas Maziero
    13 de agosto de 2017

    Não é um conto-causo muito interessante.

    Opinião geral: Não gostei.
    Gramática: Há alguns deslizes, e mesmo na fala do caipira há umas escorregadelas, num momento ele fala errado, noutro ele já fala normal…
    Narrativa: O estilo não está mau, um conto assim levado em alternância de diálogos entre dois personagens tem o seu charme.
    Criatividade: Pouca. A ideia não agradou; e, além do mais, não ficou dito que era a Caboclinha que ia governar a fazenda? Pois si ela foi simbora da ciudade…
    Comédia: Não teve um pingo de graça, desculpe! As piadinhas então, nem se fala (faltou bom senso e criatividade aqui). Nem sei se se pode considerar este conto uma comédia, estou na dúvida.

    Parabéns!

  18. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    MJ, me perdoe, mas não encontrei a graça em lugar nenhum do seu conto. Me pareceu até um conto de mistério, tal foi o suspense q vc usou até revelar o final da trama. Em nenhum momento vc usou uma situação, linguagem ou palavreado mais cômico, ao contrário, sua história por vezes me pareceu pesada e cansativa. Esse sotaque de goiano do interior, do personagem Zé, não está bem composto – me parece mais um sotaque genérico de caipira – não tem graça nenhuma, até atrapalha um pouco a leitura. Acho que faltou foco narrativo, faltou vc definir o que quer dizer com a sua história. E, acima de tudo, faltou comédia… Boa sorte!

  19. Priscila Pereira
    10 de agosto de 2017

    Olá MJ… Vamos avaliar o seu texto??
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Não encontrei problemas com a revisão. – 02
    Coerência: Tem início, meio e fim bem definidos, leitura e entendimento fácil. -02
    Adequação ao tema: Então, o texto tem cara de causo mesmo, com o jeito peculiar de falar do personagem, o que para mim foi o único elemento de humor usado pelo autor, mas pra mim não funcionou… não achei graça. desculpe! – 01
    Gosto pessoal: Eu até gostei do conto, mas…não achei graça nenhuma… como causo está legal, está bem escrito, uma estória até interessante, apesar dos clichês… matuto não quer ser chefiado por mulher que é rebelde e sedutora. Mas tirando isso… – 01
    Total:08
    Boa sorte!

  20. Marco Aurélio Saraiva
    10 de agosto de 2017

    Uma história boa de ler. Bem brasileira, regionalizada e com piadas conhecidas, mas bem posicionadas. Não ri muito, até mesmo porque a comédia aqui é mais coadjuvante do que protagonista.

    Sua técnica é leve, gostosa de ler e conjura imagens fáceis ao leitor. Você consegue envolver seu público rapidamente no enredo, criando uma curiosidade que segura o leitor até o final.

    Infelizmente, o desfecho não foi lá essas coisas. Essa brincadeira que você fez com as diferenças de pensamento entre o povo do interior e o povo da cidade grande foi bem criativa, mas a trama não fez jus ao clima de suspense criado pela leitura.

    Em compensação, gostei do contraste entre os dois personagens. Eles resumem todos os outros contrastes apresentados no conto. A maioria dos seus leitores deve se identificar mais com o Cristiano, e acabam usando ele como “orelha”, pondo-se em seu lugar e rindo da visão diferente de mundo narrada pelo Zé. Isso foi bem construído e muito legal de ver.

    Pouca comédia presente no texto, mas ela está definitivamente ali, então o conto se enquadra no tema.

    Abraço!

  21. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    Pelo título, achei que seria uma letra de música do Xitãozinho e Xororó.

    O causo da cabloca teresa, ops, cabloca tinhosa, tem seus momentos de um humor pesado em cima de esteriótipos e faz um paralelo entre os valores tradicionais do campo e os modernos da cidade.

    Escrever da maneira que se fala foi um recurso legal, mas o Zé não precisava comentar tantas vezes a diferença entre eles para expor isso, pois já tava bem claro. Agora, se isso foi uma maneira de fazer humor, acho que eu perdi a piada…

  22. Roselaine Hahn
    7 de agosto de 2017

    Mas bah MJ, tirou onda aqui dos gaúchão muito machos, até debaixo de outros machos, rsrs. O seu texto é engraçado, com certeza, a parte do gaúcho foi o ponto alto. Conseguiste caracterizar bem a diferença de linguagem nos diálogos. Os diálogos do Zé, geralmente longos, dispersaram um pouco a leitura. Achei a seguinte frase desnecessária: “Existe um mistério que, dificilmente, um dia será solucionado. Por que os homens ficam tarados quando imaginam, vêem ou qualquer coisa que envolva duas mulheres?” Deixe o leitor, e os gaúchos machos de verdade, viajarem na maionese, digo, na safadeza de Caboclinha. No mais, bem escrito, leve, dentro da proposta do desafio. Sorte aí, abçs.

  23. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua escrita é segura e a opção pelo diálogo torna a história mais viva; a nível de como escreve, não entendo o porquê de escrever mal palavras que, se corretamente escritas, se dizem da mesma maneira. E o texto está carregado, inundado, disso, exemplos: aguniado, durmir, furmusura, buato, furmusura, bunita. Não entendi. A dicção não depende da escrita, então para que escrevê-las mal?; Também na adequação ao tema não vi nada na história que fosse próprio de comédia – um homem que não estudou nem saiu do interior não é comédia, quanto a mim, e, se tem mais que essa dose, acabou por me escapar; Ainda assim gostei de ler, foi uma experiência que teria sido mais agradável se isenta de erros ortográficos propositados e sem sentido e fora da necessidade de a comentar criticamente no contexto do desafio.

  24. Paula Giannini
    6 de agosto de 2017

    Olá, MJ,

    Tudo bem?

    Você criou um conto com regionalismo. Uma opção difícil de se manter íntegra do início ao fim, mas que foi realizada com destreza.

    Ao lançar mão de um personagem que representa uma espécie de estereótipo do caipira, o autor se veste de uma espécie de manto que o protege de julgamentos quanto ao que seria ou não exagero quanto à fala, à ingenuidade ou à pretensa falta de cultura formal deste. Como tudo é dito pelo próprio personagem, suas características tornam-se críveis, ainda que colocadas ali pelas mãos do escritor.

    A situação que você coloca é simples. Um caipira x um moço da cidade e suas impressões acerca dos acontecimentos na pequena cidade em que ambos vivem. Uma contação de causo. A partir daí, se dão reflexões sobre a mulher, a sexualidade, os costumes e as estranhezas dos costumes de uma classe mais abastada da cidade. A realização, talvez, sofra um pouco com aquilo que há de mais arraigado em um modo de pensar que aos poucos vai sendo deixado de lado. Mas que, mais uma vez, torna-se crível pois tudo é dito pelo inocente caipira.

    Dentro do universo que você criou, seu texto manteve-se coerente do início ao fim. Um humor que remete, talvez, à Cantinflas e Mazzaropi e à figura do Matuto explorada por estes. Pensando agora em meus comentários por aqui, vejo que o cinema é uma grande referência para a comédia. Mais que a literatura. Interessante, não?

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  25. Evandro Furtado
    5 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Esse foi um conto difícil de avaliar. Em si, ele é muito bem, mas, dentro do desafio, apresenta problemas. Eu não o classificaria como uma comédia nem mesmo se o desafio fosse de drama. Não há elementos ridículos, muito pelo contrário, há uma baita discussão séria e pra lá de interessante. Na questão da forma, eu só apontaria para os diálogos e a reprodução da oralidade que não é, exatamente, uniforme. As “regras” quebradas gramaticalmente não acontecem em todos os momentos. Algumas palavras, por exemplo, mantém o plural, enquanto outras ignoram a concordância e continuam no singular. Fora isso, o conto é realmente bom, mas, para o contexto do desafio, deixa a desejar.

  26. angst447
    5 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O título é simples e só entrega a existência de uma cabocla que tem parte com o tinhoso.
    A linguagem empregada é clara e a fala do personagem Zé está bem caracterizada como caipira.
    Interessante, embora um tanto clichê, o confronto dos dois mundos: o granfino estudado e o caipira bem no chão.
    Pouca coisa escapou da revisão:
    Esquecia que ele fez parte > esquecia que ele FAZIA parte
    Onde já se viu, ser mandado por uma muié.> faltou um sinal de interrogação aqui(?)
    as velhas idéias > as velhas IDEIAS
    Caboclinha, aquele tinhoso. > aquela tinhosa.
    O conto tem bom ritmo, fluidez do narrador/contador de causos. Narrativa simples, sem reviravoltas ou a pretensão de arrancar gargalhadas à força. Cumpriu o desafio proposto.
    Boa sorte!

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3 e marcado .