EntreContos

Detox Literário.

Literassex (Gustavo Araujo)

A primeira vez que Ademir experimentou aquela sensação foi na oitava série, logo depois que Fabiane Dória elogiou sua redação.

‒ Nossa, Ademirzinho, que lindo o que você escreveu!

Podia ser só o “Ademirzinho”, mas o que o acendeu mesmo foi a referência à sua escrita. A ereção foi imediata, potencializada por ela ter se inclinado para conferir a nota dez, permitindo-lhe um vislumbre dos seios por dentro da camisa folgada e do sutiã idem. Guardou a cena na cabeça até que pudesse extravasar a emoção, horas mais tarde, no banheiro de casa, a torneira do chuveiro aberta para disfarçar. “Que lindo o que você escreveu”, dizia Fabiane Dória, nua, com os biquinhos rosados dos seios apontando para o céu.

Anos mais tarde, Ademir foi admitido no Jornal “Tribuna da Manhã”. Inexperiente, viu-se incumbido de redigir os obituários. Queria causar boa impressão e, em respeito aos mortos, decidiu caprichar nos floreios biográficos. Contudo, certo dia aconteceu:

‒ Adoro o que você escreve ‒ disse Sandrinha, a menina do xérox.

Daí para frente, quanto maior o ar de epopeia conferido às vidas sonolentas que se findavam, mais admiradoras Ademir ganhava. A cada elogio feminino, vinham-lhe um sorriso e um volume crescente nas calças, indisfarçáveis, como que dizendo: não pare.

Sim, Ademir tinha jeito com as palavras e isso, às vezes, o levava a ter sucesso com as mulheres. Bastava o elogio à sua verve de escritor e pronto, o rapaz comum e bem comportado se transformava em um verdadeiro amante latino, à exceção das frases em castelhano. Ciente disso, passou a se dedicar com afinco à literatura, pois sem as alusões à sua escrita, jamais passaria de um admirador platônico das curvas femininas, um Sansão careca.

Fato é que suas habilidades literárias o levaram ao cargo de editor-chefe do caderno de variedades, com direito a uma coluna semanal, podendo abordar o que bem entendesse. Passou a escrever sobre futebol, novelas, política, livros, temas que iam da filosofia à importância do galho seco na vida amorosa dos macacos. Por vezes, seus artigos obtinham cumprimentos de garotas desavisadas e outras nem tanto. Colegas que o conheciam há mais tempo, para quem não era segredo sua peculiar natureza sexual, já sabiam como tudo iria terminar: sexo animal entremeado por citações dos clássicos nas mudanças de posições. Realmente, para Ademir o elogio literário funcionava como uma espécie de viagra, favorecendo seu magnetismo, tornando-o irresistível para as mulheres, uma mistura de Sidney Magal com Casanova.

Um dia, uma mulher chamada Isabela Rezende chegou para trabalhar como revisora na Tribuna. Morena, olhos verdes, linda. Para completar, gostava de se vestir com saias apertadas e camisas sociais que revelavam o rego dos seios. Ademir, claro, não deixou de notar, afinal, desde a adolescência via-se atraído por aquele abismo de perdição. Sabia, porém, que só teria chance de mergulhar por entre aqueles montes do prazer eterno se recebesse dela um elogio autêntico. Assim, escreveu a versão inicial de um artigo chamado “A Arte da Guerra na prosa Machadiana” e mandou a ela para que revisasse. O texto voltou no dia seguinte. A mensagem dizia “Ok”. E só. Nem mesmo um ponto de exclamação. Um Ok seco, magro, anêmico.

Na semana seguinte, uma nova coluna: “A biografia de um incompreendido”, defendendo o poeta João Mineirinho, execrado pela crítica devido à profusão de rimas pobres, do tipo amor-ardor. Novamente, Isabela devolveu o texto com um “Ok” mais solitário que náufrago com piolhos.

Contrariado, Ademir acessou o perfil dela no facebook. Precisava conhecê-la melhor. Passou rápido pelas informações gerais e clicou nas fotos. Todas bem comportadas. Ela com as amigas, amigos, parentes, viajando… Pensou em solicitar amizade. Sim, que mal haveria? Eram colegas de trabalho. Ela não iria se opor. Ou iria? Não… Melhor não…

Naquela noite, sonhou.

“Doutor Ademir, achei bárbara sua última coluna. Como o senhor escreve bem!” dizia Isabela. “Essa metáfora entre o pensamento de Heráclito e o mundo atual… Esse raciocínio perturbador que nos leva a perceber…”

“… Que ninguém entra no mesmo rio por duas vezes…”, completava ele, a sobrancelha erguida e o sorrisinho de canto de boca compondo a indefectível imagem de cafajeste-conquistador.

“Sim, perfeito”, divagava ela, cheia de desejo. “O rio…”

Sim, o rio.

Ademir detestava rios, aquela água gelada que fazia seu pênis encolher. Com Isabela, porém, com aquele par de seios magníficos, tudo era perfeito. “Sua escrita faz Veríssimo parecer um anotador de recados em um hotel de quinta categoria” ela dizia. E eles, nus, se amavam sem pressa, junto a uma cachoeira ruidosa. Sem mosquitos ou formigas.

*   *   *

Na manhã seguinte, resolveu escrever um artigo sobre filosofia. Ligar Aristóteles ao Joie de Vivre, de Zola, e a eterna busca pela felicidade parecia promissor. Passou o dia e a noite revisando o texto, como se participasse de um concurso literário, cuidando para não parecer pedante demais nem descuidado demais, mas com o objetivo evidente de conquistar Isabela. Entre um e outro parágrafo, sua mente fugia para lugares tão improváveis quanto sensuais. Lá estava ela, sempre, com roupas minúsculas e com aquele sorriso perfeito de turista de folheto da CVC.

“Como é que o senhor consegue?”, dizia ela. “Lindo demais! Que senso de oportunidade… Tocou lá no fundo.”

“Deixemos o ‘senhor’ de lado. Prefiro o tocar lá no fundo.”

“Essas metáforas me deixam louca…”

 

Algumas horas depois, quando o sol já se insinuava pelas persianas da sala, acessou mais uma vez o facebook dela. O rosto redondo, a boca carnuda e a camisa entreaberta. Não tinha mais como resistir. Clicou no botão “solicitar amizade”.

Foda-se.

Incrivelmente, uma bolinha vermelha, no canto superior da tela, avisou, menos de um minuto depois: “Isabela aceitou sua solicitação”.

Imediatamente voltou a clicar nas fotos dela. Agora que eram amigos tinha acesso a todos os álbuns. Todos! Ah, ela ia muito ao litoral. O biquíni minúsculo. Uma tatuagem de dragão, pequena, logo acima do cós da bunda. E que bunda, do tipo melancia, grande, lisa e redonda… Como as pessoas se expõem… Obrigado, Senhor! Mais fotos, mais praias, coxas grossas, mais bundas. Seios.

Logo se imaginou com ela num transatlântico em alto mar, ou melhor, numa ilha deserta, porque tinha horror ao balanço das ondas, que o deixavam enjoado. Sim, os dois nus, em um pequeno deque (afinal ninguém merece areia no meio da transa), rodeados por um mar esmeralda, à sombra de coqueiros e com um helicóptero à disposição – para irem embora depois. Ele a possuiria lendo, em voz alta, parágrafos selecionados de 50 Tons de Cinza – não, porra, esse não…‒ isto é, de “A Casa dos Budas Ditosos”, do João Ubaldo, perfeito!

*   *   *

Ademir conferiu o cabelo no espelho e alisou o queixo, em busca de um fiapo de barba que pudesse ter escapado da gilete. Depois dobrou as mangas da camisa. Três vezes, para destacar os braços recém malhados.

Nunca fora a uma festa de fim ano do trabalho, pois achava aquele clima deprimente. Entretanto, com Isabela tudo mudava. Ainda que pouco conversassem em público, haviam estabelecido uma discreta amizade no facebook. Uma foto curtida aqui, um comentário ali. Nada muito relevante, nada de menções a textos dele, apenas o suficiente para fazê-lo acreditar que poderia, talvez, ter sucesso num eventual encontro.

Há tempos perdera a timidez da adolescência, mas só para garantir, ensaiou mentalmente sua estratégia de aproximação, incluindo diálogos e possíveis variações. Se tudo funcionasse, ele a levaria para um motel e, antes da transa, entre beijos, sussurraria para ela um verso erótico de sua autoria. Tal estratégia – utilizada apenas em casos especiais – deveria bastar para que ela se derramasse em elogios e súplicas de uma noite selvagem.

Quando chegou, percebeu que ela estava no bar, bebericando alguma coisa. Estava sozinha. Por ser bonita, as mulheres a evitavam. Já os homens, bem, os homens sabiam, de alguma forma, que ela era território proibido. Em alvo do chefe ninguém arrasta a asa.

Quase obscena, Isabela usava um vestidinho amarelo, bem apertado. Que Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia. Ademir não teve dúvidas e foi logo se acercando, conferindo com a mão, só para garantir, se o zíper de sua calça não estava aberto. Era distraído com essas coisas.

A música que tocava era horrível, mas Isabela não parecia preocupada com isso. Havia se sentado junto ao balcão quando ele puxou conversa, conforme ensaiara. Uma piada, um gracejo. Ela deu condição. Começaram a falar sobre trivialidades, ao pé do ouvido, e logo o papo engrenou. Os minutos se multiplicaram, assim como as risadinhas, as taças vazias. Súbito, começou o funk, que ele odiava com todos os poros, mas que a atiçou instantaneamente.

‒ Você dança? ‒ ela perguntou entusiasmada.

‒ Claro! ‒ ele respondeu empolgadíssimo.

Atirou-se na pista com ela, como quem se oferece num ritual de sacrifício, esperando a recompensa dos céus. Tentava não parecer tão ridículo, enquanto ela rebolava com volúpia, extasiada por aquele ritmo dos infernos, repetindo de cor os versos que ultrajavam a típica família cristã brasileira. Ali mesmo, enquanto dançavam, ela ofereceu-lhe um gole da bebida, que ele aceitou sem pestanejar. Não gostava de mojito, mas naquela situação tomaria mesmo que fosse suco de quiabo com cocô em pó.

A certa altura, quando os alto-falantes despejavam Anitta, ela se aproximou:

‒ Tô com um probleminha aqui no vestido… Será que você pode me ajudar?

A voz era grave e provocante. Na falta de um script melhor, Ademir respondeu:

‒ Aqui?

Ela sorriu, segurando o canudinho com a ponta dos dedos e depois chupando, o olhar safado de quem sabe o que faz.

‒ Aqui não… No banheiro. Pode vir comigo?

Ademir sentiu um calorão subindo pelo corpo, seguido de taquicardia e falta de ar.

‒ Eu…

Ela pôs o indicador nos lábios dele.

‒ Dá um tempinho e vem atrás.

Meu Deus, é agora. Isso não tava no planejamento. Vem atrás, ela disse. Vem atrás!

Acompanhou-a de longe e viu quando fechou a porta do lavatório. Olhou ao redor. Discretamente, enquanto fazia um giro, ajeitou o pênis dentro da calça, mole como uma bolacha maizena molhada.

O verso! O verso!

Um minuto, disse a si mesmo, conferindo o relógio. Vou lembrar da porra do verso. Marchou até o banheiro, deu dois toques na porta e esperou. Logo, uma fresta se abriu e ele jogou-se lá para dentro. Isabela o agarrou pelo colarinho e beijou-o imediatamente. A boca quente, voraz, a língua sôfrega. Tudo dele, tudo dele! E para completar o banheiro estava limpo, sem cheiro de urina ou de veja multiuso.

Isabela abriu o zíper da calça dele e, encarando-o tirou-lhe o pênis para fora.

Meu Deus, como era mesmo?

‒ Pensei muito em você ‒ disse ele, lutando com a memória.

‒ Eu também ‒ disse ela, cheia de desejo.

Um instante se passou e ele, precisando preencher o silêncio em meio à flacidez, sussurrou:

‒ Queria te dizer uma coisa…

‒ Ai, fala, adoro ouvir sacanagem…

Cacete…

Ela, mantendo o olhar fixo no dele, massageando seu pênis ainda adormecido.

‒ Fala, Ademir…

Mente em branco.

Vai ser a trepada do século. Lembra da porcaria do verso.

Virou a cabeça e viu a si mesmo no espelho. Enfim, disse:

‒ “E agora, José? A luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou…”

Ela o analisou, sem entender, soltando o que tinha nas mãos.

‒ Não entendi…

Outro instante.

‒ “Todos esses que aí estão, atravancando meu caminho… Eles passarão. E eu, passarinho…”

Ela riu.

E ele, quase chorando:

‒ “Sorri quando a dor te torturar, e a saudade atormentar…”

Não houve jeito. Quando Ademir deu por si, Isabela já deixava o lavatório.

Ele estudou o próprio reflexo por mais alguns segundos. Trancou a porta por dentro, baixou a tampa do vaso e sentou-se.

Porra de mulher que não entende literatura. Quintana, Drummond… é luxúria pura…

Permaneceu em silêncio por mais um minuto.

E então pensou em Fabiane Dória.

Anúncios

48 comentários em “Literassex (Gustavo Araujo)

  1. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Comédia erótica criativa, bem escrita, com alguns lances mais engraçados, mas que para mim não atingiu o objetivo, não achei tão divertido. Sorry.
    Minha nota é 8,0.
    Abraço!

  2. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: temos por tradição o hábito de rir das desventuras alheias – é isso que se explora, principalmente na finalização. No restante, o enfoque é no lado constrangedor do ego de “Ademirzinho”. Apesar de não oferecer algo muito novo, a história é tramada com consciência.

    Aspectos subjetivos: em um ambiente de escritores, aquele que nunca se sentiu feliz com um elogio que atire a primeira pedra. Aliás, falando de pedras, que dureza essa situação… aliás, dureza não seria uma boa palavra. Enfim, diante da vergonha do protagonista, como não se apiedar?

    Compreensão geral: um ponto legal do conto é o caráter honesto de Ademir – e que fique claro, por “honesto” não qualifico o homem, mas o caráter. Do início ao fim, ele é um personagem humano, fraco e sujeito à debilidade da carne. Isso não se tenta esconder, nem se nega em momento algum – é honesta e verdadeiramente falho.

    Parabéns e boa sorte.

    P.S.: essa lembrança da Fabiane e a trancada de porta deixou no ar uma sugestão foda kkk.

  3. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Romeu,

    Muito bom o seu texto. Parabéns! O toc do editor que só conseguia se levantar depois de fazer uma citação literária ficou muito legal e casou bem com a história. Não é nada “tirado da cartola” e isso é fundamental para que a história passe confiança ao leitor. Quem diria que versos substituiriam o viagra hahahaha. Muito bom. Um texto bastante divertido. Parabéns!

  4. Pedro Paulo
    1 de setembro de 2017

    Essa é a história de um cafajeste, mas um cafajeste com uma peculiaridade notável. Já encontrei nesse desafio uma outra história do tipo, na qual o protagonista também vive com uma circunstância especial e, embora essa condição seja trabalhada com atenção ao humor, este momento só aparece muito tarde no conto e a maioria dele é passada contando a história da origem do personagem, que é, inclusive, tão casual como a que é narrada neste aqui. “Literassex” acerta ao fazer o contrário. Ficamos sabendo do episódio ponto de partida logo no começo e então já passamos para como a literatura permeou a vida sexual do protagonista e, enfim, ao problema central do conto: Isabela, que não corresponde às suas expectativas. Da metade para o fim, a história se desenrola nesse problema e, depois de observar os sucessos dele, esse problema com ela nos prende à história, pois queremos saber se ele vai conseguir ficar com ela ou não, algo que, em sua cosmovisão de cafajeste, é crucial para a sua trajetória. Ler isso na proposta absurda do conto diverte e a frustração final acaba sendo bem engraçada, uma vez que incorpora o elemento de identidade do conto que é essa “literassexualidade” do protagonista.

  5. Leo Jardim
    1 de setembro de 2017

    Literassex (H. Romeu)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): bem elaborada, o protagonista original e bem construído. Gosto dessas tramas que arrumam espaço para contar um pouco da vida passada do protagonista, aumentando suas camadas. O final era previsto, mas foi bem executado.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, metáforas interessantes e divertidas. Desenvolve cenas com facilidade e os diálogos também se destacam.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): parte de uma premissa original, mas usa, claro, elementos comuns (principalmente na personagem Isabela). Não lembro se já tinha visto um personagem que usava elogios como Viagra 🙂

    🎯 Tema (⭐⭐): é, sem dúvidas, uma comédia.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): um conto muito divertido, me arrancou algumas boas risadas. Esperava mais do fim, acabou sendo previsível e nem tão engraçado como o resto, mas não estragou a experiência.

    🤡 #euRi:

    ▪ até que pudesse extravasar a emoção, horas mais tarde, no banheiro de casa, a torneira do chuveiro aberta para disfarçar 🙂

    ▪ aquele sorriso perfeito de turista de folheto da CVC 🙂

    ▪ “Deixemos o ‘senhor’ de lado. Prefiro o tocar lá no fundo.” 😃

    ▪ e com um helicóptero à disposição – para irem embora depois 😄

    ▪ Que Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia 😄

    ▪ repetindo de cor os versos que ultrajavam a típica família cristã brasileira 🙂

    ▪ sem cheiro de urina ou de veja multiuso 😃

    ⚠️ Nota 9,0

  6. Fabio Baptista
    1 de setembro de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Um humor de sorriso constante, o que é ótimo. Tiradas inteligentes, aplicadas em momentos oportunos.

    – Ademir tinha jeito com as palavras e isso, às vezes, o levava a ter sucesso com as mulheres
    >>> totalmente inverossímil!!! kkkkkkkkkkkkk

    – uma mistura de Sidney Magal com Casanova
    >>> que visão do inferno! hauhua

    – mais solitário que náufrago com piolhos
    >>> não entendi muito bem essa metáfora… :/

    – Sua escrita faz Veríssimo parecer um anotador de recados em um hotel de quinta categoria
    >>> ouvir isso é orgasmo imediato!!! HAUHAUHAAUHAU

    – Deixemos o ‘senhor’ de lado. Prefiro o tocar lá no fundo
    >>> kkkkk

    – Como as pessoas se expõem… Obrigado, Senhor!
    >>> kkkkkk

    – tomaria mesmo que fosse suco de quiabo com cocô em pó
    >>> aqui poderia ter evitado a escatologia, destoou do restante

    – mole como uma bolacha maizena molhada
    >>> boa! kkkk

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    A qualidade da escrita e a criatividade pendem a atenção que é uma beleza.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    A trama é bem simples – será que Ademir vai comer a Isabela?
    Mas foi executada com muita competência e conseguiu prender o leitor do início ao fim (como costumam dizer nas resenhas do Skoob).

    A frase final, lembrando a menina lá do começo, foi muito bacana. Gosto desses finais que fecham o ciclo.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Faltou um pouco de imersão nessa parte: a sala de aula, o escritório, a festa… a caracterização dos cenários acabou em segundo plano.

    Ademir é um excelente personagem. O fetiche dele foi deveras criativo! (quem nunca? kkkkk)

    Já Isabela ficou muito superficial. Nem acho inverossímil a mudança de comportamento/postura dela na festa, porque nesses eventos de fim de ano costuma acontecer cada uma huahuauha, mas senti que faltou algo no desenvolvimento dela.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Muito bem escrito, parabéns.

    – rego dos seios
    >>> entendi o que quis dizer, mas a expressão ficou meio estranha, muito chula, sei lá

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Total.

    NOTA: 9

  7. Bia Machado
    31 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2,5/3 – Gostei do desenvolvimento. Um bom ritmo e faz ler de uma vez, rapidão, um fôlego só.Não sei o que foi, mas achei o final, no caso a cena do banheiro, aquém do restante do conto.

    Personagens – 2,5/3 – Estou com aquela sensação de que as personagens estão distantes de mim, de que apenas acompanhei suas desventuras. Com relação a Ademir e a Isabela.

    Gosto – 0,5/1 – Li esse conto enquanto esperava meu voo de SP para Campo Grande. Agora reli, porque da primeira vez não gostei muito e aí fiquei com aquela sensação de que tinha lido de qualquer jeito. Dessa vez a coisa se confirmou. Não simpatizei totalmente com o conto e talvez seja porque narrativas desse estilo não me atraem mesmo, acho que pra funcionar comigo teria que ser mais engraçado, mais nonsense, uma coisa mais escrachada mesmo.

    Adequação ao tema – 1/1 – Certamente adequado.

    Revisão – 1/1 – Não percebi nada de estranho.

    Participação – 1/1 – Parabéns pelo conto!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  8. Pedro Luna
    30 de agosto de 2017

    Era como se a escrita fosse um viagra, e na hora H ele percebeu que tinha esquecido o comprimido em casa. rs. Que situação essa do sujeito. Refém do talento.

    O texto tem uma ideia excelente. Confesso que estava achando a execução meio arrastada, com muita ênfase nos sonhos e desejos de Ademir, no seu comportamento stalker. Porém, o texto tem uma guinada excelente no seu final. A situação no banheiro é surreal de engraçada. Deu dó do coitado, vai passar uns dias sem dormir após essa bola murcha. Poucas coisas marcam mais um homem que uma foda perdida.

    É isso, boa ideia, boa escrita, e um clímax que funcionou perfeitamente. Ótimo conto.

  9. Davenir Viganon
    29 de agosto de 2017

    Caralho! Que texto foda! Além de engraçado, é envolvente. Boa construção do personagem masculino, e a estória se desenrolou muito bem até o clímax (ou anti-climax kkkk). A personagem feminina, apenas uma idealização masculina, infelizmente não apareceu mais, o conto era todo do protagonista e nas suas fantasias. A presença do Facebook, que já devia ser rotineira na rotina de nossas estórias merece um ponto extra na nota final. Obrigado por trazer esse conto para nós!

  10. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    29 de agosto de 2017

    Grande conto.

    Muito bom mesmo. Irretocável. Inteligente, bem escrito e elegantemente sensual.

    Parabéns, autor(a).

  11. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    9,3

  12. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    Drama erotico—literário bem escrito, em tom de comédia. A dissecação de fetiches masculinos, mas parecendo ter sido feito por uma mente feminina.

  13. Amanda Gomez
    27 de agosto de 2017

    Olá,

    Eu estou bem curiosa pra saber quem escreveu esse conto. kk.

    Coitado do Ademir, gente. =/ Que situação… Gostei do conto, é estranhamente divertido, é meio + 18 mas acho que combinou com todo o contexto.

    Fabiane Dória… kk quem poderia ter pensando em um nome desses? Bem, ela não sabe o que fez com a mente do pobre Ademirzinho… Gostei de acompanhar o ”crescimento” do personagem, como isso realmente acrescentou muito a sua personalidade, suas fantasias, eu senti empatia por ele, foi bem construído.

    O título foi bem pensando, assim como o pseudônimo,um texto amarradinho, bem pensando, bem escrito, dentro da proposta do desafio!

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  14. Fheluany Nogueira
    27 de agosto de 2017

    Uma releitura divertida de uma inocente tara sexual e suas consequências. Estilo e assunto se fundem, a começar pelo neologismo do título e o trocadilho do pseudônimo. Bem escrito e estruturado. Gostei das descrições, do vocabulário, das cenas divertidas e das sátiras sutis às redes sociais (“Como as pessoas se expõem… Obrigado, Senhor!”) e á literatura B de alguns best sellers (“ parágrafos selecionados de 50 Tons de Cinza – não, porra, esse não…”).

    Interessante também o ritmo empregado no texto e a leitura fluente com pouquíssimos entraves gramaticais ( “E eles, nus, SE amavam sem pressa”, por exemplo).

    Parabéns, um tipo de humor inteligente. Está na lista dos favoritos. Abraços.

  15. Regina Ruth Rincon Caires
    26 de agosto de 2017

    Texto bem escrito, bem estruturado, apimentado. Uma visão quase que juvenil é repassada ao leitor. A preocupação um pouco desmedida com o desempenho sexual chega a ser interessante. Parabéns, H. Romeu!

  16. Brian Oliveira Lancaster
    25 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Um bom contraponto a outro texto literário que está no desafio, onde a personagem também possui seus trejeitos literários. Só que esse é às avessas. Bem cotidiano, com uma história intrigante e interessante, apelando para os instintos mais básicos e lembranças de infância. O inusitado caiu muito bem nessa construção. – 9,0
    A: Divertido, bem-humorado, um pouco lascivo, mas controlado. Tem uma mistura agradável de alta literatura com a baixa literatura, com uma leve crítica nas entrelinhas. – 9,0
    C: Começar com as lembranças do personagem foi bastante eficaz a fim de criar conexão. Voltar ao sonho de infância gerou um looping bem construído. – 9,0
    U: Bem escrito, suave, com passagens complexas que fluem bem. – 9,0
    (Obs.: só agora entendi o pseudônimo safado).
    [9,0]

  17. Anderson Henrique
    23 de agosto de 2017

    Texto espetacular. Começa bem, já em movimento, mostrando o inferno desse personagem. Gosto dessas figuras problemáticas, obsessivos. Ademir é ótimo! O conto já vinha divertido desde o início, mas o encerramento com os versos de Drummond e Quintana foi a cereja do bolo. Hilário. Uma bela broxada literário. Um dos melhores que li. Bela escolha de título também. E essa frase, que foda: “Que Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia.” KKKKK

  18. Catarina Cunha
    23 de agosto de 2017

    Homenagem sincera a João Ubaldo Ribeiro. Eu também prefiro! O personagem é forte e com poderes bastante peculiares. Quem escreve tem essa áurea de sedução ou acha que tem. Uma boa escolha.

    Auge: “ Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia..” – isso é que é tesão de fé. Kkkk.

    Sugestão:

    Cortar, no mínimo, dois parágrafos com os sonhos de desejo de Ademir e cenas repetidas. Está muito longo (não em tamanho, mas em estilo), se der uma enxugada deixará o texto mais ágil e engraçado.

  19. werneck2017
    22 de agosto de 2017

    Olá, H. Romeu!
    Muito bom texto, com o timing perfeito do punchline ao final, muito adequado ao desfecho. desde as primeiras linhas o leitor é capturado pelas aventuras do personagem , numa empatia de fazer inveja. Somente bons textos o conseguem. e a empatia segue até o final, no interesse crescente. Texto limpo, bem escrito, sem erros, coerente, coeso, parabéns!

  20. iolandinhapinheiro
    21 de agosto de 2017

    Avaliação.

    Técnica: O texto é irônico, bem conduzido, tem uma atmosfera de humor que atravessa todo o conto e cria expectativas no leitor quanto ao desfecho. Todos os personagens são necessários e ajudam a construir a trama, e os erros não travam a leitura.

    Fluidez: O conto corre tranquilo enquanto a gente acompanha as fantasias e conquista sexuais de Ademirzinho ao longo de sua carreira literária. Tudo tranquilo, escrito com segurança e sem entraves.

    Graça: Já comecei rindo do apelido escolhido pelo autor: H.Romeu (agarra o meu), parece aquelas piadinhas sem noção de menino de colégio. As neuroses do protagonistas e sua dependência de elogios literários para conseguir “funcionar” dão o tom do conto. O final irônico é a cereja do bolo.

    Boa sorte!

  21. Eduardo Selga
    21 de agosto de 2017

    O conto procura gerar humor a partir da ironia com certa relação meio fetichista que alguns têm com a Literatura, sempre em busca de construções raras, a ponto do exagero. E todo o exagero, sabemos, tende a cair no ridículo. Ou no trágico.

    “Literassex” procura esse ridículo, e acredito ter conseguido, com um personagem inconscientemente agarrado ao passado, ao “trauma gostoso” representado pela atitude da longínqua Fabiane Dória. O fato de ser refém desse passado é perceptível nas atitudes do personagem que, ao frequentar uma cama aqui e outra ali, parece buscar a moça. Os dois últimos parágrafos demonstram bem tal obsessão.

    Tinha tudo para reduzir-se à gratuidade das passagens pornográficas (“ela, mantendo o olhar fixo no dele, massageando seu pênis ainda adormecido”) ou eróticas (“’que lindo o que você escreveu’, dizia Fabiane Dória, nua, com os biquinhos rosados dos seios apontando para o céu”), para quem acredita na divisão entre pornografia e erotismo, com uma sujidade moral habitando o primeiro termo e beleza estética no segundo. Essa divisão, para mim, é artificial e serve muito para valorizar o discurso de que a sexualidade humana deve estar escondida, apenas sugerida –como ocorre com o erotismo–, e não praticada em sua plenitude.

    Há algumas passagens bem interessantes na construção do texto, demonstrando habilidade e sensibilidade do(a) autor(a). Destacarei duas: a saborosa ironia com o conservadorismo de costumes, infalivelmente hipócrita (“[…] repetindo de cor os versos que ultrajavam a típica família cristã brasileira”); uma brincadeira com os conceitos “justo” e “justiça”, em que o primeiro é usado em suas duas acepções mais comuns (“Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia”).

    Apenas uma observação: “veja multiuso” deveria estar escrito com iniciais maiúsculas, por ser nome de marca.

  22. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Olá, H. Romeu, que conto bacana você me trouxe. Ficou bem legal essa sua história impregnada pelo desejo e a sensualidade. Uma narrativa muito bem feita e criativa. Uma história convincente em seus detalhes. A maneira como os personagens foram por você construídos, a começar pelo nosso grande herói e seu esquecimento fatídico, passando pela menina Fabiane Doria e terminando na mulher Isabela Resende. O final da sua história então. Está excelente. Muito legal o que acabo de ler. O que dizer mais? Bem, parabéns e um grande abraço.

  23. Luis Guilherme
    20 de agosto de 2017

    Boa tarrrde!

    Muito bom! ahahahahh

    Digna comédia. Cheia de referências, situações inusitadas, tiradas, excelente enredo.

    A historia é bem construida do inicio ao fim. Gostei muito do desfecho. Muito mesmo! A frase final é a cereja do bolo hahaha.

    Gostei bastante também da cena final quando ele, no desespero, começa a recitar as frases..

    A escrita é impecável, e o autor demonstra muito conhecimento dos clássicos, as referências são exxcelentes.

    Enfim, difícil comentar, pois está praticamente impecável.

    Parabéns e boa sorte!

  24. Olisomar Pires
    19 de agosto de 2017

    Escrita: Boa, sem erros dignos de realce. Fluida e envolvente, bom ritmo.

    Enredo: sujeito com facilidade para a escrita e fetiche por elogios à sua escrita se vê às volta com uma mulher que não lhe entende.

    Grau de divertimento: Bom, embora tenha ficado a sensação de algo inacabado (muito semelhante à experiência do personagem).

  25. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá H.
    …comum e bem comportado se = …comum e bem-comportado se …
    viagra = Viagra.
    Todas bem comportadas. = Todas bem-comportadas.
    ““Passou o dia e a noite revisando o texto, como se participasse de um concurso literário, cuidando para não parecer pedante demais nem descuidado demais, mas com o objetivo evidente de conquistar Isabela””. Um bom texto, correto, coerente e até divertido pela dificuldade de fazer o que é devido, mas, como sempre e não são as minhas palavras, basta ler o texto em destaque de aspas, do próprio autor. Começou a citar autores famosos é um princípio de exibicionismo, falho opinião em contrário. Em contrapartida um já bem manjado: agarra o meu e ainda como pseudônimo. Um pouco de comédia de situação e não de texto. Cumpriu o combinado.

  26. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    Bem criativo e divertido, embora não seja o meu tipo preferido de humor. Outro texto que cai nessa estrutura que deixa a narrativa das situações inusitadas apenas para o final, o que prejudica o dinamismo do conto. Entendo que foram informações demais para que fossem contextualizadas na narrativa direta, mas um começo menor seria uma boa. Mesmo assim o começo consegue não ser massante. O final quebra a expectativa, ponto positivo.

  27. Marco Aurélio Saraiva
    18 de agosto de 2017

    Sensacional! Comédia de primeira!

    Muita irreverência num conto cheio de detalhes engraçados e uma história incomum. Que ideia maneira! Gostei da leitura do início ao fim. Você usa a sacanagem sem torná-la pornografia, acertando o nível de cada palavra chula de usa para adequar ao cômico. Eu ri horrores! Você brinca com a ideia da “beleza interior”, levando-a ao extremo, como todo conto caricato faz. Parece que você escreve comédia há décadas.

    Aliás, sua técnica é muito boa. Muito, muito boa. Um dos textos mais bem desenvolvidos que li no certame. A volúpia de Isabela era palpável (!), as situações formaram-se nítidas na minha mente de leitor. Senti a angústia de Ademir nas situações pelas quais passava, e mesmo assim ri junto com o seu drama.

    Suas comparações engraçadas, notas mentais inesperadas do personagem, situações inesperadas… tudo foi colocado de forma muito bem bolada no conto. Valeu a pena cada minuto de leitura.

    Nota 10!

    Destaque para a frase:

    “…mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia…”

  28. Rafael Luiz
    17 de agosto de 2017

    Conto casual e intimista. Traz com bastante fluidez e descontração a história de Ademir. Tem pitadas engraçadas ao longo da narrativa, mas uma pequena barriga em alguns momentos. A mudança de Isabella, passando da falta de empatia ao sexo no banheiro me pareceu um tanto abrupta. Mas não ofuscou a maestria da obra.

  29. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) H. Romeu (e não larga):
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ***
    Seu texto tem a essência humorística, ainda que não persiga o riso fácil, pastelão. Eu gosto, apesar de ainda considera-lo mais irônico que humorado.
    PREMISSA: ****
    A premissa (encontro e reencontro) e a definição do papel dos personagens são bastante bem construídas, mas o desenvolvimento segue a um final, se não esperado, com pouca surpresa.
    TÉCNICA: ****
    O ponto alto do seus conto, com construções de frases bem acabadas, velocidade narrativa muito boa e ritmo leve e agradável. Parabéns.
    EFEITO GERAL: ****
    Gostei do seu conto e considero que ele deva estar entre os classificados da primeira fase. Boa sorte!

  30. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    Frases feitas com efeito humorísticas para causar situações cômicas não funcionaram bem . Nota 4

  31. M. A. Thompson
    14 de agosto de 2017

    Olá H. Romeu. Sobre o seu conto Literassex tenho a dizer o seguinte. Primeiro que existe uma falta de coerência, pois começa com um homem que se excita ao ter seus textos elogiados e do meio para o final, principalmente no Clímax, o mesmo sujeito tenta se excitar declarando poemas. Acredito que ele se excitaria se a declamação fosse elogiada, mas no começo da história o que o excita é o elogio a escrita. Não recebi muito bem essa mudança de rumo.

    A grafia e uso de marcas comerciais deixou bastante a desejar na revisão, como por exemplo:

    “a menina do xérox”
    “uma espécie de viagra”
    “de veja multiuso”

    Além de jornal grafado como se fosse nome próprio:
    “admitido no Jornal”

    Outra coisa que incomodou a mim foi o uso excessivo de vírgulas, algumas vezes usada de forma equivocada, noutras prejudicando bastante a leitura:

    “Ciente disso, passou”
    “Naquela noite, sonhou”
    “Doutor Ademir, achei bárbara sua última coluna”
    “Ademir, claro, não deixou de notar, afinal, desde a adolescência via-se atraído por aquele abismo de perdição.”

    O uso do baixo calão é um expediente comum entre quem não tem experiência no gênero comédia. No seu conto funcionou em algumas partes, em outras não:

    “Vou lembrar da porra do verso.” – achei desnecessário e fora do contexto. Não eram os versos que o excitavam.
    “Porra de mulher que não entende literatura.” – aqui já funcionou.

    É uma comédia com problemas de coesão, coerência, gramática e ortografia. Não cheguei a rir e nem a sorrir. Mas compreendi a comicidade da cena. Talvez se não houvesse a mudança de rumo da excitação pelo elogio da escrita para a excitação pelo elogio da declamação e menos ocorrências que atentassem contra a língua, eu gostasse mais do seu conto.

    Sugiro uma revisão sobre o uso da vírgula, vai ajudá-lo (aposto na autoria masculina) no futuro.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  32. Evandro Furtado
    13 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Deu um pouco de raiva desse cara no final. Mas, beleza, vamos lá que a vida não pode ser perfeita sempre. Certo, onde estávamos? Ah, sim, o conto. Bem estruturado, com uma história cativante diante de um enredo muito bem planejado. A escrita também demonstra um domínio com a linguagem e você conseguiu adequa-lo muito bem ao tema do desafio.

  33. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Hahaha! Boa essa do cara que goza com elogios literários! Sua premissa é muito criativa. O conto é muito bem estruturado. Do meio pro fim, achei q estava batendo muito na tecla do tesão enrustido do Ademir pela Isabela. Mas isso funciona bem quando ele broxa no final, a expectativa q o texto cria faz a graça da broxada.
    Meu parágrafo favorito: “Ademir detestava rios, aquela água gelada que fazia seu pênis encolher. Com Isabela, porém, com aquele par de seios magníficos, tudo era perfeito. “Sua escrita faz Veríssimo parecer um anotador de recados em um hotel de quinta categoria” ela dizia. E eles, nus, se amavam sem pressa, junto a uma cachoeira ruidosa. Sem mosquitos ou formigas.”
    H. Romeu (sutil pseudônimo, aliás), espero te ver entre os finalistas! Parabéns!

  34. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    “Uma mistura de Sidney Magal com Casanova”, isso foi bizarro.

    Acredito que dava para condensar um pouquinho mais o texto no início do conto, assim ele ficaria tão bem elaborado quanto o resto. De forma de geral, o conto me agradou. Essa mistura de literatura com jogos sexuais e grandes nomes de autores nacionais, ficou bem divertida. Quando Ademir taca o “foda-se”, eu ri e pensei: “Afinal, quem nunca?”

    Quanto mais leio, mais percebo que meu português está enferrujado, pois me bateu uma dúvida se todas as crases do texto estão corretas. Em algumas pausas, acredito que o ponto tornaria a leitura mais confortável do que vírgulas.

  35. decantandoolhares
    9 de agosto de 2017

    Excelente texto. Parabéns!

  36. Victor Finkler Lachowski
    8 de agosto de 2017

    Um conto muito bem escrito. Ao tratar da busca por prazer carnal de uma maneira inusitada, extremamente original. O autor(a) tem habilidade com as palavras e com versos. Além de estruturar muito bem seu conto.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  37. Fil Felix
    7 de agosto de 2017

    Adorei essa frase! “Como as pessoas se expõem… Obrigado, Senhor!”

    Gostei do conto, de como foi desenvolvido e não caiu em certos clichês. A contextualização é um pouco lenta, com a coisa pegando fogo lá pelo meio, quando há o encontro dos dois. As cenas finais são muito boas e tudo é bem escrito, consegue levar o leitor a determinados pontos, deixando ansioso por mais, como a cena dentro do banheiro. Por um instante pensei que teríamos uma surpresa, com ela ser trans ou travesti, como geralmente algumas piadas caem.

    As referências foram ótimas, colocando os autores no meio dessa suruba de ideias. Outro ponto que achei bem interessante é trazer à tona um tema que vem sendo bem recorrente, que é o tal do “sapiossexual”, pessoas que se atraem pelo intelecto. Um outro ponto, talvez um dos melhores, é a subversão com o papel do autor, que adora ter o ego massageado. E que nesse caso é extremamente explícito e literal.

  38. Vitor De Lerbo
    6 de agosto de 2017

    É aquela velha história, “se alguém já imaginou, isso existe”. Fiquei imaginando alguém como o Ademir e ri de verdade.

    A história está muito bem escrita e é criativa. Inteligente e sacana. O/a autor/a tem um ótimo senso de comédia, unindo muito bem a linguagem formal com a despojada.

    O texto gera suspense, dá vontade de saber logo o que vai acontecer e se o Ademir vai conseguir conquistar a Isabela. O desfecho é cômico.

    Boa sorte!

  39. Rubem Cabral
    6 de agosto de 2017

    Olá, H. Romeu.

    Seu conto é bastante bom. Está bem escrito e desenvolve com facilidade a história do Ademir. O estilo lembra algumas vezes “A vida como ela é” (Nelson Rodrigues) e um tanto de Veríssimo também. O seu texto quase que me pareceu um “homework” muito bem-feito, de quem buscou referências e tentou, ainda que inconscientemente, replicar os estilos dos escritores citados. Tecnicamente falando, ficou realmente muito bom.

    Contudo, pareceu-me que o autor, talvez por certo pudor, não injetou no texto a galhofa e a sacanagem que o tema pedia, que conteve-se e fez uso de tiradas um tanto destoantes em sua inocência (“suco de quiabo com cocô em pó.”), enquanto em outras, quando ousou, resultaram muito melhores: “Quase obscena, Isabela usava um vestidinho amarelo, bem apertado. Que Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia.”

    O conto, portanto, tinha o potencial de ser muito engraçado, mas apenas o foi moderadamente, com parcimônia.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  40. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua escrita é de boa qualidade, sem erros ortográficos e caprichou na revisão; O enredo demonstra criatividade, espírito crítico e desenvolve-se de forma fluída e agradável; É um conto perfeitamente adequado ao tema; Gosto sempre de ler autores seguros e maduros, como foi o caso e, além disso, também gostei de ler.

  41. Rsollberg
    5 de agosto de 2017

    Hahahaha

    Quatro “ha´s” para você, camarada.
    Seu conto é uma delicia, a história inusitada me lembra um pouco as ideias de Rubem Fonseca, no melhor estilo “axilas e outras histórias indecorosas”, com um toque mais leve no estilo do Sabino.

    Como diria Woody Allen “o cérebro” é o meu segundo órgão favorito”, Impossível não se identificar com Ademir, o Sansão Careca. Não há nada mais sexy que a convergência de gostos e a “inteligência” espelhada. E, por conseguinte, nada mais brochante que a ignorância, especialmente daquilo que mais valoramos.

    A linguagem empregada é bem atilada, as observações oportunas e hilárias. O ritmo é bastante ágil, tornando-se fácil acompanhar a biografia do escritor, tudo isso graças aos apontamentos do narrrador, é claro.

    Vou destacar algumas frases que me fizeram sorrir:

    “Realmente, para Ademir o elogio literário funcionava como uma espécie de viagra, favorecendo seu magnetismo, tornando-o irresistível para as mulheres, uma mistura de Sidney Magal com Casanova.”

    “Lá estava ela, sempre, com roupas minúsculas e com aquele sorriso perfeito de turista de folheto da CVC”.

    “Que Deus é justo, todo mundo sabe, mas aquele vestido era ainda mais justo, um desafio à física e à teologia”

    Parabéns, H. Romeu

  42. Roselaine Hahn
    5 de agosto de 2017

    H. Romeu, que conto da porra meu! Não arrancou gargalhadas, mas sorrisos lacônicos à la L.F.Verissimo, o que dá na mesma. Escrita irretocável, a ideia do enredo é muito boa, o Ademir teve o fim que mereceu. As citações e referências literárias provam que entendes do ofício, muito bom. Chancelado! Parabéns.

  43. Paula Giannini
    5 de agosto de 2017

    Olá, H. Romeu,

    Tudo bem?

    As chaves para a comédia se encontram em uma tênue linha entre o tão explorado politicamente-correto de nossa sociedade e, na utilização dos arquétipos da própria em nosso dia a dia.

    Nesse gênero, rimos de nós mesmo ou da sociedade como a conhecemos, sem julgamentos quanto ao caráter do personagem. Identificamo-nos com aquilo que nos causa o riso. Ou ao menos, identificamos um universo conhecido dentro daquilo que para nós é engraçado. A empatia, já tão valorizada no drama, na comédia é algo essencial.

    Seu conto tem uma pegada Rodrigueana e me remeteu a uma espécie de “A Vida como ela é” da comédia. Nelson Rodrigues explorou as taras humanas (em especial s masculinas) à exaustão. Nele encontramos viciados em calcinhas, dentistas excitados pelas cáries de suas pacientes, e por aí vai. Dessa forma, é interessante notar que o ponto fraco de seu protagonista é sua queda pela literatura. Mas, mais que isso, o elogio à literatura que ele mesmo produz. Quanto mais a leitora ama suas palavras, mais loucamente erotizado ele fica.

    Eis que, então, o autor, obviamente experiente no gênero em questão no desafio, apresenta ao leitor uma personagem feminina, que frustra completamente as expectativas de nosso “Barba Azul”. A moça, um autêntico ícone do estereótipo da beleza burra, está, para a surpresa do leitor, igualmente interessada no protagonista. Não por seus dotes literários, claro. Mas por outros, bem mais visíveis e carnais.

    Nesse ponto, habilmente, o autor conduz seu leitor a pensar: “puts”.

    Eu tive um coordenador de sala de roteiro que dizia que a habilidade de colocar o grande “puts” em uma cena, era chave para o sucesso em um roteiro, ou, no caso aqui, em um conto. E você fez isso com maestria. Seu leitor pensa: E agora? O cara não vai conseguir nada com a mulher. O personagem está fadado ao vexame.

    Você finaliza seu trabalho, lançando mão de grandes obras, Drummond, Quintana, Lemiski, em uma tentativa desesperada para que a coisa toda do sexo funcione para o pobre rapaz, utilizando-se, ainda, de metáforas sutis e muito pertinentes ao sexo do homem. Perfeito.

    Só me resta, então, desejar sucesso e muito boa sorte no desafio.

    Parabéns pelo trabalho.

    Beijos
    Paula Giannini

  44. Priscila Pereira
    5 de agosto de 2017

    oops, contei errado…
    Total: 8

  45. Priscila Pereira
    5 de agosto de 2017

    Olá Romeu, vamos avaliar seu texto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Não notei nenhum erro. – 02
    Coerência: Tem começo, meio e fim. Dá pra entender tudo perfeitamente. – 02
    Adequação ao tema: É um texto bem humorado. -1,5
    Gosto pessoal: Então, gostei de algumas metáforas,mas no geral, não gostei. A temática sexual não me agrada, mas o desenvolvimento foi muito bom. Fiquei torcendo pra ela não cair na lábia dele, pra ter alguma revelação chocante sobre ela… mas você foi pelo caminho mais fácil, ela seria mais uma bobona que caia nas tramas do sedutor barato, se ele não tivesse falhado na hora H.- 0,5
    Total: 07
    Boa sorte pra você!

  46. angst447
    5 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto está bem escrito, tem bom ritmo, a leitura flui sem lapsos dignos de nota. A narrativa envolve com sua linguagem simples, lançando mão de alguns clichês já esperados neste desafio.
    Bom título. Comédia leve sem grandes pretensões de arrancar gargalhadas, mas atendeu ao tema proposto pelo desafio.
    O que me incomodou foi a caracterização da personagem Isabela. Primeiro, descrita como uma mulher jovem e bastante atraente,sensual, mas bastante lacônica ao avaliar os textos. Isso me passou uma ideia de que a moça era bem focada em seu trabalho como revisora e que não queria envolvimento com os colegas. Aí, chega a tal da festa e ela aparece como uma “piriguete” de quinta categoria (da sensualidade ela foi para a vulgaridade) e cai nas graças do Ademir com a facilidade de uma balzaquiana desesperada alcoolizada. Bom, pode ter sido implicância minha mesmo.
    No geral, gostei do conto. Achei ótima a sacada de Ademir só se excitar ao ter seus textos acariciados, digo, elogiados.
    E a Fabiane, hein?
    Boa sorte!

  47. Lucas Maziero
    5 de agosto de 2017

    Bem, eu entendi que o desejo sexual de Ademir era-lhe aguçado quando lhe elogiavam as palavras, o que o fazia considerar a mulher que lhe elogiava os dotes intelectuais dignas de serem amadas, ou melhor, dignas de uma transa voluptuosa. Só que, a partir do surgimento de Isabela Rezende, o conto descambou um pouco e se tornou carregado. Já não era mais, ao que parecia, o afago em seu ego literário que o atraia, mas sim a própria Isabela e seus dotes carnais, tornando-o obssessivo por ela, o que contradisse a ideia de que o elogio ao que escrevia era que o fazia atrair-se pelas mulheres, e não o contrário.
    O final pareceu resgatar um pouco essa ideia, e a comédia em si se concentrou nas cenas finais, descrevendo o desajeitamento de Ademir perante Isabela, e a decepção quando ela não lhe soube entender a intenção sexual por trás dos versos citados.

    Opinião geral: Gostei.
    Gramática: Bem escrito, sem erros notados.
    Narrativa: Clara, fácil de ler.
    Criatividade: Boa, apesar de haver uma minúscula confução com a ideia.
    Comédia: Uma pequena pitada.
    Nota: 7,5

    Parabéns!

    • Lucas Maziero
      5 de agosto de 2017

      Desculpe, ando errando muito a ortografia nos comentários.

      Confução -> Confusão

      Obrigado.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3, Comédia Finalistas e marcado .