EntreContos

Detox Literário.

Macaco velho (Fátima Heluany)

Grana, cascalho, bufunfa, cobre, prata, dinheiro… É ele que move o mundo?  

Ser sovina não é apenas ter apego demasiado ao dinheiro: é muito mais… É usar a mesma roupa durante anos para não gastar, é apagar todas as luzes da casa e viver esbarrando nos móveis, comprar o mais barato, mesmo de baixa qualidade. É chorar, interminavelmente, para conseguir um desconto, é comprar a preço de banana e revender a peso de ouro. É guardar dinheiro só por guardar. Ou para enfrentar possíveis “maus momentos”, embora nenhum momento seja tão mau quanto se convencer de que é preciso gastar ou perder algum dindim.

É esse instinto que leva o cachorro a enterrar o osso para comer mais tarde. Ser unha-de-fome é uma filosofia!

$$$$$$$$$$$

Mané Marcelino veio à cidade tratar de negócios. Andou pelo comércio, visitou a cooperativa, foi ao Banco. Levantara muito cedo e já precisava agradar o estômago:

— Dona Dade, gororoba pra cinco marmanjos! — da porta da pensão já foi requestando. O bonachudo se sentou à mesa, belisca um pão com molho de pimenta, na espera que a mulher, que era também a cozinheira, preparasse a refeição.

— Pode chamar a turma! — disse ela dispondo travessas fartas, pratos e talheres sobre o atoalhado xadrez.

Dona Dade, zelosa que era, retornou à cozinha para a arrumação e para deixar os fregueses mais à vontade; ao voltar ao salão…

— Que é isso? Cadê os companheiros? — perguntou espantada ao rapa-pratos, que sozinho ia terminando de devorar o solicitado.

Quando veio a conta…

— Como a senhora quer cobrar cinco pratos, um só deu conta de comer tudo!?  Num pago não. Dei conta de tudo! — reclamou o glutão.

Principiou assim o desarranjo. Veio um dos filhos da pensionista, veio outro e nada de acertar o desentendimento. O escarcéu trouxe alguns vizinhos, um e outro freguês quis tomar partido, ameaçaram chamar a polícia. Nada de apaziguar os ânimos, o comilão irredutível:

— Prova que tinha comida para cinco!!! Comi eu só!!! Que miséria!!! — não teve jeito! Mané conseguiu economizar seu dinheirinho…

                                 $$$$$$$$$$$

De outra vez…

O calçamento da praça, novinho em folha. Os paralelepípedos brilhantes como o sorriso dos moradores da Vila. Seu Mané solicita audiência com o Prefeito e mal entra no gabinete pôs-se a querelar:

— Que juízo! Pra isso que votei! Essa pedra no chão tá acabando com o solado da botina! Arranca isso!

Foi muita conversa jogada fora, muito lero-lero e aquele eleitor continuou insatisfeito, reclamou que até as ferraduras dos animais estariam sofrendo…

                                             $$$$$$$$$$$

O melhor presente que Mané deu à mulher foram fitas para amarrar os cabelos, porque pagar um corte, nem pensar. O gado do homem vivia invadindo cerca. Fazia visitas somente em horários convenientes… Enfim ia tocando a vida, sempre preocupado, com apego, em guardar as economias. Dizia-se seguro, não podia esbanjar porque sabia o valor de cada tostão. Nada caía do céu.

Contraditoriamente, tinha muitos amigos e compadres, apesar de que ao ser convidado para padrinho, já avisava que não tinha condições de ofertar nenhum presentinho. Era simpático, dono de venda à beira da estrada rural, boa vizinhança. Domingo havia pelada e cervejada, frango com quiabo, polenta de milho verde. Era uma festança que trazia boa renda…

Todavia, a sorte sofreu um revés…

Segunda-feira, sete horas, sol mortiço, poucas nuvens, primeiras estrelas. Mané Marcelino escuta curioso. Quem estaria batendo à porta naquela hora?

— Boa noite, compadre!

— Boa!!! Que traz o compadre Zeferino?

— Ô gente! Vou direto ao assunto. A colheita do café está pesada… estou na precisão. Um dinheirinho extra ia bem… e pensei que o amigo… No comércio é mais fácil…

— Ih! O compadre me pegou desprevenido…

Conversa vai. Conversa vem. Comadre traz o bule de café e a baciada com biscoitos de polvilho. Um jurinho razoável… Prazo pequeno… Acabaram se acertando.

— E o documento, compadre? — apartou seu Zeferino.

— Deixa pra lá. Um fio de barba do compadre é documento para mim! Se na semana entrante, eu for à cidade, pego uma nota promissória pra nós encher no cartório. Não vamos lá só para isso. Deixa assim. — respondeu Mané, fingindo despreocupação.

Bem perto da venda, estava a igrejinha do bairro. O comerciante matreiro, em conjunto com o campo de futebol, preparou um serviço de alto-falante para transmitir os jogos e pedidos de músicas feitos pelos fregueses, cada coisa com o seu preço… Tudo bem típico. Animava as festas da igrejinha vizinha, os leilões, as quadrilhas, as brincadeiras. Também anunciava os nascimentos, os casamento e os falecimentos.

Naquele sábado, na mesma semana da negociata… que susto! Encomenda de um anúncio. Leu com os olhos esbugalhados:

— Faleceu Zeferino Gomes!

O especulador já fica alerta. Chacoalhava as mãos, dava chutes no ar. “Isso não vai dar certo. Compadre morre de repente! Ataque do coração! E me deve… Aí vem amolação…” — era o que lhe vinha à cabeça.

Velório, flores, rezas, choro, lamentação, conforto aos familiares, enterro. Mané, respeitoso e astuto, esperou a missa de sétimo dia e mais alguns dias ainda para tratar do dinheiro emprestado. Assunto melindroso. Parecia que tinha um peso em cima dele. Inquietação tormentosa, havia boatos de que o compadre devia muito.

Bateu à porta do falecido. Deu os pêsames mais uma vez, abraçou cada um da casa, lamuriou o acontecido e… muito sem jeito, falou do dinheiro emprestado.

— É, seu Mané… Tem documento, assinado pelo pai? Estamos acertando só desse modo. — disse um dos filhos.

— O senhor desculpe, é a lei, o tal de inventário. Tem que ter documento. — completou o outro.

— Tenho não. O compadre jurou que pagava direitinho. Já fizemos tantos negócios! Ele deu a palavra. Confiei nele sem cisma. Eu dispensei a promissória e agora vocês me vêm com esta… Ih!  O compadre vai revirar na cova.

       Mané Marcelino voltou para seu dia-a-dia, mas nada satisfeito com aquela situação. Tudo desencadeado. Queixou-se com a mulher, com os filhos, nervoso. Somente dentro de casa, porque se o pessoal do compadre achasse que estava falando mal deles, seria mais difícil recuperar seus bens. Havia de ter um modo de resolver aquilo. Era finório, sobretudo tratando-se da sua poupança. Como os filhos do compadre traíam assim os valores com que foram criados? O amigo, onde estivesse, haveria de estar muito magoado. Nunca que ele deixaria de pagar suas dívidas. Mané continuava cuidando dos afazeres, porém sempre incomodado com aquele dinheiro, não podia perder nada. Foram as semanas mais longas da vida dele. A vida era um jogo, ele sabia quem dava as cartas. Sempre fora manhoso, haveria de encontrar uma solução…

Era tempo de quaresma. Época de orações e de, mais ainda, supertições para o povo daquelas bandas. Sexta feira, dia das assombrações, das mulas-sem-cabeças, dos lobisomens e de outras crendices. Meia noite. Mané pegou o velho megafone com que, às vezes, animava as festanças e foi para próximo do sítio onde morava a viúva e os filhos do finado amigo. Deu uma grande volta contornando o cercado da casa para que ninguém o visse por ali. Adentrou na matinha, escondeu-se bem amoitado em um ponto que a serrania fazia um eco e esperou o momento adequado:

— PAGA O MANÉ MARCELINO, QUE EU TÔ SOFRENDO!!!!

     De casa, a gente do seu Zeferino ouvia claramente a voz rouca, sofrida. O que acontecia? Todos se indagavam, assustados, descrentes. A fala gritante, cavernosa, foi ouvida por mais duas ou três vezes. A família não conseguia entender o que se passava… Ninguém se moveu lá dentro até que a normalidade se reestabeleceu.

A semana correu na calmaria, apenas um comentário a voz baixa — a alma do finado não teria encontrado sossego. Sem resultado na empreitada, o inconformado emprestador voltou ao mato vizinho à casa da família endividada. Sexta feira seguinte, meia noite, a queixa agoniante, ecoa misteriosa ao longe:

— PAGA O MANÉ MARCELINO, QUE EU TÔ SOFRENDO!!!!

Nada acontece. Apenas o falatório, talvez iniciado pelo próprio agiotador, de que o espírito do Zeferino não conseguira realmente ter descanso. Alma penada. Estava sofrendo no purgatório por erros que não eram dele.

Terceira sexta, meia-noite; o espetáculo ainda se repete no grotão. E, então ocorre o fato esperado. O filho de seu Zeferino, logo na manhãzinha do sábado, surge na venda de Mané Marcelino:

— Viemos aqui porque papai, de lá do outro lado, mandou um recado pra gente acertar com o senhor.

— Ah! Eu sabia que o compadre não ia falhar comigo! Nem morto, ele ia me deixar na mão! Homem de palavra que eu sempre respeitei! — comentou aliviado o vivaldo, o peso saindo… Um esquisito e doce prazer. Resmungou mais um pouco. Aproveitou o calor do momento e acrescentou todos os juros pelo tempo transcorrido.

Sujeito escolado, mais uma vez, Mané se deu bem. Agora era tocar a vida e aguardar novas oportunidades de lucro ou, ao menos não desperdiçar o seu rico dinheiro. A astúcia e a economia eram hábitos arraigados e Mané já ia planejando outras para aprontar…

Anúncios

44 comentários em “Macaco velho (Fátima Heluany)

  1. Davenir Viganon
    1 de setembro de 2017

    Gostei da estória, faltou algo para me arrebatar mas a estória com jeito de causo ficou boa. Brincou com a ganância e não é tão absurdo imaginar esse sentimento na nossa realidade. Um causo simples que fala muito do ser humano, pelo seu lado mais mesquinho e medíocre. Ótimo!

  2. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Amei o conto, O. Calculista. Parabéns!
    Acho que é o primeiro texto de comédia extremamente simples, de certa forma, mas que realmente funciona perfeitamente dentro do tema proposto.
    Minha nota é 10.

  3. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: não sei se retrataria um erro, mas percebi certa inconstância nos tempos verbais em algumas partes (pretérito e presente se intercalando dentro do mesmo parágrafo). O conto preza pela construção do malandro, desconsiderando qualquer tipo de idealismo. Na verdade, foca-se verdadeiramente na principal falha de caráter de Mané Marcelino, pois é ela que motiva toda a trama.

    Aspectos subjetivos: acho o ambiente matuto, das crendices e estratagemas, muito cativante. Mané Marcelino, a seu modo pouco admirável, também é um personagem e tanto, acaba comprando (ou melhor, ganhando) nossa torcida, mesmo com suas intenções nada nobres.

    Compreensão geral: senti que arrumou uma cama muito bem arrumada, deitou, cochilou meia hora e já despertou. Em outras palavras, construiu solidamente o cenário e o protagonista, mas a morte do compadre e o desfecho ficaram quase corridos em comparação.

    Parabéns e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Calculista,

    Interessante o seu texto. Achei que você conseguiu narrar dando aquele ar de malandragem e desconfiança das pessoas do interior. Achei que a ideia de o marcelino ir para perto da casa “dar voz ao morto” ficou bem legal. Só achei que o seu texto pecou um pouco no arremate. No conto costuma ser interessante terminar com algo inusitado, ou impressionante, ou que jogue algo novo para atiçar a imaginação do leitor. Mas foi aí que eu achei que o seu texto deixou um pouco a desejar. No final, deu tudo certo e o cara começou a pensar nos negócios futuros. Acho que se você tivesse terminado com o cobrador ouvindo a voz do defunto falando: “não era isso tudo não!” e ele ficando assustado, teria sido um final melhor para a sua história. De todo modo, é um bom texto. Parabéns!

  5. Pedro Paulo
    1 de setembro de 2017

    As economias de Mané Marcelino não somo as de um homem qualquer e têm importância o bastante para levá-lo a situações drásticas. O conto faz muito bem em nos situar o quão sacana o protagonista pode ser para resguardar as próprias riquezas, nos mostrando situações e costumes que visam a completa economia. Desse modo, no episódio do empréstimo seguido de morte, já ficamos na expectativa do que ele vai bolar para conseguir o dinheiro de volta e, tal como o problema é engraçado, a solução, tão absurda como o próprio personagem, é mais engraçada ainda. Desse modo, tanto quando vamos conhecendo o personagem quando ele se depara com o problema da trama, há graça em ver as proporções descabidas de sua avareza. Única crítica que faço é que logo no começo do conto, uns parágrafos introdutórios falam sobre o que é ser sovina. Penso que a ideia era colocar o tom para o conto, mas acredito que não tenha incrementado muito na narrativa e poderia ter sido encurtado ou escrito mais em conjunto com a história.

  6. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    1 de setembro de 2017

    É o meu último conto do desafio e, felizmente, tive uma boa impressão. Gostei bastante. A escrita é muito boa, segura, e com algumas construções frasais bem elaboradas. O regionalismo, embora tímido, me ganhou completamente.

    Parabéns.

  7. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    Macaco velho (O. Calculista)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): achei o final muito linear, aconteceu exatamente o previsto: os caras acreditaram e pagaram a dívida. Foi feita uma boa apresentação e construção da premissa, mas repetiu-se demais o “golpe” dele (se fazer de morto mandando recado). Parecia que alguma coisa fora do previsto (ele poderia se dar mal ou o fantasma realmente aparecer) para que essa repetição ganhasse força. Ele conseguindo seu intento sem grandes reviravoltas, deixou o texto um tanto sem graça.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): as cenas se formaram com clareza e a narração foi eficiente. Ocorreu, porém, uma indefinição no tempo verbal: ora os verbos estavam no presente e ora no passado. Recomenda-se escolher um tempo da narrativa e manter sempre ele.

    ▪ O bonachudo se sentou à mesa, *belisca* um pão com molho de pimenta (beliscou)

    ▪ O especulador já *fica* alerta (ficou)

    ▪ queixa agoniante, *ecoa* misteriosa ao longe (ecoou)

    ▪ Nada acontece (aconteceu)

    ▪ espetáculo ainda se *repete* no grotão. E, então *ocorre* o fato esperado. O filho de seu Zeferino, logo na manhãzinha do sábado, *surge* na venda de Mané Marcelino

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): embora o mundo literário esteja repleto de pão-duros, este conto tem sua dose de personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): o texto possui ironia, mesmo que não me tenha arrancado sorrisos.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): gostei da apresentação e dos personagens, mas o final linear, sem reviravolta, acabou reduzindo muito o impacto do texto. Estava realmente esperando uma piada no final, algo que me faria rir, mas não veio 😦

    🤡 #euRi: Infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 6,5

  8. Bia Machado
    31 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 3/3 – Uma narrativa que pra mim foi muito boa, quanto ao desenvolvimento não há o que dizer. Trabalho de autor(a) experiente.
    Personagens – 2/3 – Quanto às personagens, uma pena que não tenha me identificado com elas, também me pareceu que podia ter explorado mais todos eles.
    Gosto – 0,5/1 – Não posso dizer que gostei. Não é o tipo de leitura que procuro e, apesar de ler de uma vez, sem qualquer dificuldade, ainda assim não me conquistou totalmente.
    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado. Só que pra mim não funcionou.
    Revisão – 1/1 – Tranquilo, não notei qualquer erro. Se há, não percebi.
    Participação – 1/1 – Valeu a leitura!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  9. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    9,5

  10. Amanda Gomez
    28 de agosto de 2017

    Oi Calculista!

    Seu conto é bom, segue uma boa trama, o autor consegue contar muito em pouco espaço, a escrita está muito boa, ambientação legal. Como eu disse, é um bom conto, mas …sempre tem um mas! Eu enquanto lia não lembrei que estava em um desafio de comédia, ele não funcionou para mim desta maneira, parece mais um ” causo” daqueles gostosos de se ler, mas que não dar mais que isso.

    Por ter passado de fase, acredito que muitos gostaram ou se divertiram lendo, eu gostei, o humor está ai, nas entrelinhas, mas..( olha o mas de novo) não funcionou desta forma pra mim.

    No mais, boa sorte no desafio!

  11. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    Os Mané Marcelinos da minha terra são chamados de Chicos Espertos. E não são poucos. Conto bem escrito, com ritmo. O tema está visível em todas as linhas.

  12. Pedro Luna
    28 de agosto de 2017

    Bom texto. Só não gostei do encerramento. É curioso. Não sou do tipo que pede finais do balacobaco, mas alguns contos desse desafio tem o maior jeitão de piada esticada, e aí a gente acaba esperando algum final engraçadão, com alguma tirada. Não vem sendo o caso. Aqui, se encerra o causo e o autor anuncia que a vida do personagem vai continuar com outras aventuras, mas isso acaba dando um efeito meio incômodo, como se o conto não tivesse fim. Pelo menos a mim pareceu isso.

    Analisando o que se tem, gostei do tom regional, do personagem sovina e da sua artimanha de se passar pelo morto. É um bom personagem, do tipo que poderia integrar núcleo daquelas novelas de interior e passar por algumas situações hilárias, numa pegada O Auto da Compadecida. No geral, um texto bem escrito e divertido, que cresce por conta do bom protagonista.

  13. Catarina Cunha
    28 de agosto de 2017

    O conto, como toda boa comédia, cria situações absurdas e hilárias. O final ficou simplesinho, esperava um embate entre o filho do homem e Mané.

    Auge: “— Como a senhora quer cobrar cinco pratos, um só deu conta de comer tudo!? Num pago não. Dei conta de tudo! — reclamou o glutão.” – Contra sovina não há argumento lógico. Kkk

    Sugestão:

    Matar o mané para ele cobrar a dívida no inferno.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    28 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Um texto de muitas camadas, mas que tem seu ápice próximo ao fim. O início é um tanto travado com o excesso de explicações e eventos que não adicionam muito ao que vem a seguir. Felizmente, o texto engrena bem em seu desenvolvimento e busca a comédia propriamente dita na conclusão. – 8,0
    A: A construção inicial não traz grandes novidades. É na parte final que o texto realmente brilha com as situações apresentadas e o protagonista fazendo as vezes de alma penada. Pena que demora um tanto até chegar nessa parte. Daria para enxugar o texto e focar apenas nessa parte dos negócios escusos. – 7,5
    C: Não cria conexão imediata, mas quando a história resolve tratar de sua astúcia e malandragem, convence. – 8,0
    U: Está bem escrito, mas com tempos verbais inconstantes. Há muitas passagens no tempo presente, enquanto outras no passado, alterando de forma nada suave. – 7,5
    [7,8]

  15. Regina Ruth Rincon Caires
    26 de agosto de 2017

    Leitura agradável, ambiente interiorano, narrativa que lembra a “contação de causo”. Uma descrição fiel de sovinice. Enredo bem estruturado, claro, simples. Parabéns, O. Calculista!

  16. Gustavo Araujo
    24 de agosto de 2017

    É um conto bem simpático, com aquele ar de causo, típico do interior. A imagem que me veio à cabeça foi de um sujeito gaiato contando essa história num bar ou numa roda de amigos, com todo mundo rindo, quase incrédulos com a malandragem do Mané. O protagonista, de fato, é alguém que todo mundo reconhece, o tipo de vigarista que acaba conquistando muitos amigos, que no mais tomam seus pequenos golpes como coisa menor, coisa de criança. O conto me passou essa imagem. Bem escrito, tem lá seu jeitão de crônica, quase uma anedota alongada, que se salva muito bem dada a habilidade da autora na escrita. Enfim, um conto leve, ingênuo até, que se não nos faz explodir em risadas inesperadas, mostra-se eficiente em transmitir aquela típica sensação de bem estar. Parabéns!

  17. Anderson Henrique
    24 de agosto de 2017

    O texto tem ótimos exemplos de passagem de tempo em um conto (“Velório, flores, rezas, choro, lamentação, conforto aos familiares, enterro”). Bom prólogo, bom condução da narrativa, ainda que algumas passagens justificando o quanto mané é sovina tendam ao exagero e talvez sejam desnecessárias. O texto melhora justamente quando entramos na questão do empréstimo. Achei o conto justíssimo, be, honesto. A conclusão é ótima, bem encaixada no restante do texto.

  18. Luis Guilherme
    23 de agosto de 2017

    Boa noiteee, tudo bão?

    Como vao a coisas por ai?

    Olha, sendo sincero, não gostei tanto do conto. Achei que demorou pro enredo engrenar. As cenas desconectadas deixaram um pouco solta a historia, não criando um linha de raciocinio, pelo menos pra mim.

    Quando pega no tranco melhora. A partir da cena do emprestimo ficou mais interessante. Na minh opiniao, podia suprimir o restante e focar só nisso, dando uma introdução rápida sobre a pão-durice do homem. Claro que é minha opiniao pessoal, e nao vou ficar dando pitaco na sua historia querendo que adeque ao meu gosto.

    Porém, o que mais me decepcionou foi o final. Achei que ficou sem graça, pois carece de um climax, e de um desfecho que justificasse a coisa toda. Quando ele insiste 3 vezes na tentativa de assustar a familia, achei que haveria alguma explicação, ou alguma reviravolta engraçada, pra fechar bem a historia. Infelizmente não veio, e o fim ficou meio sem sal.

    A escrita em alguns momentos é confusa, mas você tem várias qualidades obvias, como a construção dos personagens, que são caricatos. Esse é o ponto alto do conto. Além disso, é criativo e a historia tem mto potencial, só achei que faltou explorar melhor, especialmente o desfecho, quando esperei que houvesse alguma sacada ou tirada que fechasse com chave de ouro.

    Enfim, opiniões pessoais. Não me atingiu como leitor, mas tem várias qualidades a serem exploradas.

    Parabéns e boa sorte!

  19. werneck2017
    22 de agosto de 2017

    Olá, O.!

    Um texto bem escrito, criativo, com coesão, coerência, diálogos bem-feitos. O leitor é capturado pela empatia com o personagem principal. Percebi apenas alguns erros, nada que uma revisão não dê jeito, tipo:
    vivaldo > Vivaldo
    Sexta feira > Sexta-feira
    supertições > superstições
    O bonachudo se sentou à mesa, belisca um pão > O bonachudo se sentou à mesa, beliscou um pão

    Quanto ao enredo, eu gostei do modo como foi se criando o clímax e o desfecho, mas o final faltou – na minha opinião – o punchline, a cartada final qeu serve de reflexão ou uma catarse final. Não houve. Você tem a expectativa que algo vai acontecer, mas não acontece ou ao menos não saiu a contento.
    De resto, perfeito.

  20. iolandinhapinheiro
    22 de agosto de 2017

    Avaliação

    Técnica: Achei o texto um pouco confuso. O início tem um jeito de crônica tratando sobre os aspectos da sovinice. Daí para a frente o foco vai para o personagem Mané, sobre o qual são contados três causos. O personagem é uma espécie de Pedro Malasartes (pelas espertezas). As duas primeiras histórias eu não gostei muito, a terceira, todavia, eu achei bem elaborada e inteligente. Imagino que deva ter sido um intenso exercício de criatividade elaborar estas três histórias e, por conta disso as duas primeiras não tenham ficado convincentes ou com bons arremates.

    Fluidez: A introdução atrapalhou a fluidez do conto. Além de desnecessária criou uma quebra que não precisava existir, além das outras quebras que fragmentaram a história do Mané rompendo a imersão que o conto e não gerando a empatia necessária entre personagem e leitor.

    Graça: o último texto foi engraçado.

    Boa sorte.

  21. Fabio Baptista
    22 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    É um conto gostoso, mas a tal da graça esperada na comédia eu não vi (e talvez aqui tenha sido o maior erro de todos nós… criar muita

    expectativa em relação ao tema).

    Nessas duas situações eu ri:

    – Faleceu Zeferino Gomes!
    >>> kkkkk

    – PAGA O MANÉ MARCELINO, QUE EU TÔ SOFRENDO!!!!
    >>> kkkkkk

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    O início, explicando sobre a avareza, é totalmente dispensável e acaba dispersando.
    Pensei que pioraria, com o conto apenas relatando diversos casos da sovinice de Mané, mas quando foca no causo do empréstimo, a coisa melhora. Daí

    prendeu a atenção até o fim.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Aquele comecinho e o caso do prato de comida só serviu para atrapalhar.
    A história principal, porém, é muito boa, trama simples, mas bem amarrada.

    Só o final que foi meio morno.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Muito boa a construção dos cenários, onde a ausência de descrições mais elaboradas é compensada pelo linguajar do narrador, que ajuda muito a

    criar a atmosfera.

    O protagonista também é bem carismático, embora a questão da avareza pudesse ser demonstrada de modo menos abrupto, sem o narrador falar isso. O

    evento da comida foi confuso, um pouco melhor trabalhado poderia suprir essa demanda, fazer o leitor chegar à conclusão por si só.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Linguagem bem peculiar, com regionalismo empregado de modo a ajudar na história. Muito bom.

    – Deixa assim. — respondeu Mané,
    >>> com ponto final, deveria começar o “respondeu” em maiúscula.
    >>> eu tiraria o ponto final e deixaria em minúscula mesmo.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Total.

    NOTA: 8,5

  22. Eduardo Selga
    21 de agosto de 2017

    Antes de chegar à trama central, a narrativa usa cenas curtas, como se fossem esquetes, de modo a exemplificar a sovinice do protagonista. Elas possuem efeito cômico, mas entendo não estarem perfeitamente conectadas ao tronco, de modo que, do ponto de vista da construção narrativa, é um ponto frágil.

    O conto funciona como uma grande piada, e que por isso mesmo dispensaria os “esquetes”, mas a reação à piada costuma funcionar por frustração de expectativa ou abandono ao desfecho que parece mais evidente.

    Pois bem. Quando o personagem usa a artimanha da falsa voz do falecido, cujo efeito é bem hilário, cria-se a expectativa de que ele, de algum modo, será punido ao fim e ao cabo, por causa do chavão “o mal sempre perde”. No entanto, não é isso o que acontece. É uma frustração de expectativa, logo, em tese, deveria funcionar gerando efeito cômico.

    Não é o que acontece, porém, do meu ponto de vista. E qual o motivo? Acredito que a “vitória do mal” tenha sido o elemento responsável. Essa vitória foge ao clichê, e é bom que isso aconteça, mas no conto não funcionou bem. É que a comédia se alimenta de clichês bem utilizados, e para quebrá-los é preciso encontrar o momento certo.

    No conto, em muitas partes, há a concomitância de tempos verbais, prejudicando muito a qualidade da construção textual, como no caso de “o bonachudo se SENTOU à mesa, BELISCA um pão com molho de pimenta” e “o especulador já FICA alerta. CHACOALHAVA as mãos, dava chutes no ar”.

    Em “como a senhora quer cobrar cinco pratos, um só deu conta de comer tudo!?” falta alguma palavra, talvez SE após a vírgula.

  23. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Olá, O. Calculista. Esse seu macaco velho é realmente um tremendo de um velhaco. Que legal que me trouxe essas reflexões e exemplos de pão durismo. Sim, ser sovina é uma arte e das mais complexas. Mané Marcelino prova bem isto. Gostei das histórias, mas se pudesse lhe oferecer uma dica lhe diria que essa querela com o prefeito ficou parecendo meio solta dentro da festa. não trata diretamente da usura do personagem. Claro que indiretamente, eis que ele gastava sola e salto da botina, mas veja que nem em relação aos bichos, os pobres cavalos, não se fala de maior gasto, mas dos sofrimentos dos animais. É isto, que achei, um conto legal, bem interessante. Grande abraço.

  24. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá O,

    …momento seja tão mau quanto se = momento seja tão “mal” quanto se
    … , supertições = , superstições
    … das mulas-sem-cabeças = das mulas-sem-cabeça…
    Um bom conto, mas nada mais do que um esperado sorriso. Cumpriu parcialmente o desafio.

  25. Olisomar Pires
    19 de agosto de 2017

    Escrita: Boa, estilo leve, popular, não notei erros graves.

    Narrativa: Conta a estória do sujeito avaro ao extremo que recorre a expediente duvidoso pra receber dívida da família do falecido devedor.

    Personagens: É o típico avarento, sovina caricato, tão sovado em livros e filmes. A leitura lembrou-me Mazzaropi, não sei se há algum filme dele com um personagem parecido.

    Mas é uma criatura rica para a literatura.

    Grau de divertimento: Bom. Acho que as três primeiras partes, colocadas para criar o efeito e marcar o nível de “pão-durismo” do elemento deixaram o texto meio cansativo, a coisa engrena na quarta parte.

  26. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    Eu ri, muito bom. Muito criativo. Situações inusitadas bem pensadas. Única ressalva é quanto ao começo e as duas narrativas menores separadas. Não acho que são necessárias e ainda acho que elas causam uma quebra no ritmo da narrativa e na comédia ritmo e timing são muito importantes. Contudo a narrativa principal é muito bem escrita. Parabéns.

  27. Victor Finkler Lachowski
    18 de agosto de 2017

    Uma visão de empreendedorismo interiorano, muito divertido, tratando da busca por lucro, não importando a situação. O conto é criativo e bem narrado, além da própria muquiranice do protagonista ser engraçada. Boa sorte no desafio.

  28. Rafael Luiz
    18 de agosto de 2017

    Um conto estático demais. Apesar de iniciar de forma despretensiosa e gostosa, o conto parece se arrastar e continuar na mesma até o fim. Não tem os altos e baixos de uma história típica, que fazem prender a atenção. Creio que faltou um pouco de emoção e narrativa para fazer o leitor querer ler até o fim. Quanto a adequação, nada vi de cômico, me pareceu apenas um “causo”, mas talvez eu tenha esse sentimento devido a falta de empatia na criação de pontos altos e baixos da escrita.

  29. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) Calculista, calma lá:
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ***1/2
    Uma história calcada no perfil da personagem, e bem construída sobre essa base. Acho que em alguns momentos aproximou-se de uma comédia, mas no geral é de um humor bem mais contido.
    PREMISSA: ****
    O mão-de-vaca, sovina, com seu apego, acaba emprestando dinheiro ao amigo que morre. Apesar da incongruência (não conseguiu escapar da “facada”), a situação criada e a solução proposta pelo autor são bem condizentes.
    TÉCNICA: ****
    Uma escrita boa, com indicações claras de personalidade e diálogos. O único ponto solto foi o final em aberto, sugerindo “novas aventuras” que vêm por aí…
    EFEITO GERAL: *** 1/2
    Apesar de bem elaborado, a meu ver o texto ainda precisa de um “aperto”, um ajuste em alguns pontos, para ficar mais coeso e reforçar o conflito. Boa sorte!

  30. Rsollberg
    17 de agosto de 2017

    hahaha

    Fala Calculista!

    Então, gostei da pegada do conto.
    O protagonista é um personagem muito bem desenvolvido, na realidade, ele é o conto inteiro. Pitoresco, divertido e com ótimas sacadas.

    O autor tem domínio completo do que está fazendo, a narrativa é deliciosa.
    Não tenho muito mais o que apontar.
    Talvez uma conexão maior entre os casos.

    De qualquer modo, gostei.
    Parabéns.

  31. M. A. Thompson
    17 de agosto de 2017

    Olá O. Calculista e o conto Macaco velho.

    O primeiro parágrafo achei chato e como introdução não cativou nem um pouco. A leitura só prosseguiu por exigência do desafio.

    Em seguida já consigo esboçar um sorriso só pela graça no nome Mané Marcelino. É um recurso – usar nomes jocosos – que foi pouco explorado pelos autores do meu grupo de avaliação.

    Esse banco com B maiúsculo não pegou bem:

    “foi ao Banco”

    Seu conto é sobre as desventuras em série do tal Mané Marcelino que bem poderia se chamar Seu Nonô o pão duro da novela.

    Sua primeira estripulia é pedir comida para cinco e armar um barraco para pagar comida para um. Aja estomago para aguentar tanta comida.

    O trecho em que ele pede para o prefeito mudar o calçamento não teve bem graça nem dez sentido. Deveria ser a segunda desventura, mas no meu entender foi uma perda de tempo.

    Na sequência ficamos sabendo de uma agiotagem com o compadre Zeferino que acabara falecendo. Está criado o conflito. Como receber o empréstimo se não assinaram documentos?

    Na hora de cobrar não deu outra, os filhos avisam ao Mané que só estão acertando dívidas documentadas.

    A saída encontrada por Mané Severino foi se fingir de morto e assustar a família sussurrando do mato que o devedor estaria sofrendo até que o empréstimo contraído fosse pago.

    Esse foi o ponto alto do conto, mas o final foi bastante decepcionante, pois o filho do sujeito apenas foi lá e pagou. Qual é a graça disso?

    É um conto com três causos que deveriam ser engraçados.

    O que mais se aproximou da comédia foi quando ele comeu cinco pratos e pagou um.
    A conversa com o prefeito não teve pé nem cabeça, deveria sumir do conto.
    No episódio da agiotagem, além de não ter graça, o final foi muito fácil e previsível.

    Você demonstra escrever bem, só que esse conto não me convenceu como comédia.

    Boa sorte no desafio.

  32. Vitor De Lerbo
    16 de agosto de 2017

    Uma história bem simples com leves toques de humor. Contada de maneira direta, sem floreios, com algumas boas frases, principalmente na definição do sovina.

    O conto em si não apresenta nenhuma grande reviravolta ou suspense, mas é leve e fácil de se ler.

    Boa sorte!

  33. Fil Felix
    15 de agosto de 2017

    Dos contos que li até agora, talvez esse seja um dos que mais se encaixou bem ao desafio. É um texto bem estruturado e contextualizado, apresenta seu protagonista, seus costumes e seu dia a dia, pra depois incluir a situação cômica do empréstimo, que segue uma das principais características da comédia, que é a troca, a confusão que se origina dela. Me lembrou algumas peças, como a do Santo e a Porca do Suassuna, que segue o mesmo protagonista apegado ao dinheiro. Muito bem desenvolvido. A cena que merece destaque é a do megafone na calada da noite, realmente funcionou e é bastante engraçada. Só estranhei a situação dos pratos no início, meio que mostrando um personagem sem grandes noções de moral (em ter passado a perna no restaurante), diferente do restante. Confesso que fiquei esperando uma reviravolta ao final, como a família responder a voz do além, deixar o Mané na mão.

  34. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    Parece mais um causo contado pelo interior do Brasil e da São Paulo antiga, ficando a desejar como um conto propriamente dito. Nota 4

  35. Rubem Cabral
    15 de agosto de 2017

    Olá, Calculista.

    Personagens sovinas sempre rendem uma risada, não? Então, o texto fluiu fácil, tem algumas besteirinhas por arrumar, mas está bem escrito em linhas gerais.
    Apenas o parágrafo sobre o calçamento aparentemente não funcionou: não acrescentou nada à história e não teve graça também. Já a cobrança da dívida do defunto foi, sem dúvidas, algo bem divertido.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  36. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Calculista! Acho q vc calculou mal a comédia no seu conto. O seu texto começa uma explicação a respeito do que é ser sovina. A despeito da variedade de sinônimos para o termo, não necessariamente os mesmos que vc cita, acho desnecessária essa introdução. O conto fica mais interessante quando parte direto para a ação. A construção do personagem Marcelino, também podia ter sido melhor desenvolvida. O meio do conto está um pouco confuso, tem muitos erros de revisão, às vezes fiquei sem saber de qual personagem o narrador falava.
    A ideia central do conto é boa. O sovina empresta dinheiro ao amigo, mas se descuida e não assina promissória. O amigo morre e ele inventa uma estratégia inusitada pra receber o dinheiro de volta. Muito engraçada a imagem do velho indo na janela à meia-noite, fingindo ser o fantasma do morto, pedindo pra acertar a dívida. E quando a gente se empolga, imaginando um final mais engraçado e inusitado ainda – talvez com ele sendo surpreendido por um recado irônico do amigo morto – vc perde a oportunidade e finaliza com mais do mesmo: o desfecho é o já várias vezes repetido no conto – o malandro que se dá bem. Fiquei até com raivinha na hora, de tão frustrante que foi… Uma pena!
    Quanto ao título, me pareceu incoerente. ‘Macaco velho’ vem da expressão “macaco velho não põe a mão em cumbuca”, um antigo ditado que fala sobre a sabedoria da experiência. Existe uma árvore chamada sapucaia que dá um fruto em forma de cumbuca. Quando amadurece, a cumbuca desprende pequenas castanhas. Os filhotes de macacos enfiam a mão na abertura da fruta pra catar as castanhas e, com as mãos cheias, ficam presos na cumbuca. Eles só conseguem sair quando abrem a mão e abandonam as castanhas. O macaco velho, já experiente, não passa mais por isso.
    Boa sorte!

  37. Marco Aurélio Saraiva
    12 de agosto de 2017

    Belo conto!

    Gostei da brasilidade de Mané Marcelino; de toda a malandragem que destaca um brasileiro. Claro que isso, casado ao fato de ser um sovina quase patológico, cria um personagem único e interessante de ver. Foi um conto criativo! O uso do nome “Seu Mané” foi interessante e, por si só, já me fez rir.

    A comédia está aí. É um conto leve, com piadas leves e sutis, e também com algumas bem descaradas… mas tudo com moderação. O humor está misturado com um pouco de crítica e um pouco de lição de moral.

    Na trama, achei estranho apenas que Seu Mané, o homem mais sovina da história, tenha feito um empréstimo SEM CONTRATO. Não faz nem um pouco jus ao personagem criado durante a narrativa. O Seu Mané que eu vi no início nem cogitaria fazer um empréstimo desses, muito menos negaria quando o próprio homem que solicitou o empréstimo sugeriu que fizessem um contrato!

    Quanto à técnica: você tem um excelente domínio das palavras A leitura é fluida e sem pausas. Li do início ao fim sem ver o tempo passar. Seu estilo é um pouco de época, como se eu estivesse lendo um daqueles autores consagrados, cujas obras resistiram ao tempo por gerações.

    Avistei um problema com o tempo verbal da narrativa:

    “…O bonachudo se sentou à mesa, belisca um pão com molho de pimenta…”

    Ainda no que diz respeito à técnica, algumas vezes você exagerou nos pontos de exclamação. Uma exclamação só já basta para fazer o leitor entender do que se trata – mais do que isso e você arrisca acrescentar alguma ingenuidade ao conto.

    Foi uma leitura agradável e muito divertida. Espero que passe para a segunda fase.

    Abraço!

  38. Lucas Maziero
    11 de agosto de 2017

    Mané Marcelino, que sujeito bigorrilhas! Vou desenvolver meu comentário no sistema que escolhi para este desafio, pois não sei muito o que dizer sobre este conto (e espero ajudar com a minha opinião).

    Opinião geral: Não gostei tanto (explicarei).

    Gramática: Há alguns deslizes, como a mistura do tempo verbal presente com o pretérito, exemplos:

    “O bonachudo se sentou à mesa, belisca um pão…”.

    “Seu Mané solicita audiência com o Prefeito e mal entra no gabinete pôs-se a querelar…”.

    “Conversa vai. Conversa vem. Comadre traz o bule de café e a baciada com biscoitos de polvilho. Um jurinho razoável… Prazo pequeno… Acabaram se acertando.”.

    E por aí vai, tem outras construções assim.

    Narrativa: O estilo até que é agradável, o ritmo se harmonizou com a ideia, só que a ideia…

    Criatividade: A ideia abriu caminho para um conto mais abrangente, como se fosse tratar de vários acontecimentos que melhor pintassem as características do Mané. Só que não foi assim: a partir do surgimento de Zeferino, o conto se focou apenas neste acontecimento, o que destoou da ideia em si (pelo menos como eu a interpretei).

    Comédia: Não encontrei humor, me desculpe.

    Parabéns!

  39. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    Um causo bem contado, parece até aquelas histórias que meus tios (mentirosos) gostam de contar.

    O conto é bem redondo, um pouco previsível, mas se mantém dentro do tema do desafio facilmente. Algumas palavras que tentam marcar um ar de regionalista caíram bem, mas “glutão”… bom, pelo menos não pelas bandas de onde eu moro.
    O texto parece ter sido bem revisado, só não gostei de ter encontrado tantos diminutivos e pontos de exclamação enfileirados!!!!!!!!!!!!

  40. Priscila Pereira
    8 de agosto de 2017

    Olá Calculista. Vamos avaliar o seu conto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Notei uma palavra faltando uma letra: “supertições” só isso. – 02
    Coerência: O texto tem começo, meio e fim definidos, fácil entendimento. – 02
    Adequação ao tema:O texto tem cara de causo, notei os elementos do humor, mas, para mim, não deram certo. – 0,5
    Gosto pessoal: Então, infelizmente, não gostei muito. O personagem principal não causa empatia nenhuma, pra mim. É um bom texto, mas não deu certo comigo, pena. – 01
    Total: 7,5
    Boa sorte!

  41. Paula Giannini
    8 de agosto de 2017

    Olá, Calculista,

    Tudo bem?

    A mesquinharia é um prato cheio para a composição de uma comédia. Uma premissa boa e que rende muita história.

    Ambientado em uma pequena cidade do interior do país, o conto traz uma espécie de causo sobre esse personagem peculiar em sua pequena cidade e cujo único objetivo na vida é o de guardar seu rico dinheirinho.

    A trama é singela e a narrativa, limpa, mostrando o personagem Mané, como sendo um sovina incorrigível. Ele não dá presentes à esposa, ou aos afilhados, mas empresta seu dinheiro sem garantia e de bom grado ao compadre, provavelmente de olho nos juros e na certeza de receber a quantia aumentada de volta. Bem, é aí que o conflito central da trama tem início, pois o devedor morre e o sovina se vê na situação que mais teme na vida. A possibilidade de não rever seus rendimentos.

    Nota-se que, desta forma, está montada a estrutura para o desenvolvimento de uma “comédia de erros”, subgênero da comédia, muito explorado em nossa literatura por Ariano Suassura e até pelo cultuado Machado de Assis.

    Dito isto, eu gostaria, no entanto, de falar um pouquinho sobre o desfecho escolhido pelo autor e as expectativas criadas no leitor à partir desse ponto alto citado acima.

    Ao se deparar com um personagem com certo grau de amoralidade (tomemos a sovinice como tanto), o leitor acaba esperando que o indivíduo seja, de certa forma, vítima de algum tipo de lição para que o riso se dê na plenitude do gênero. O leitor acompanha o enredo e torce para que Mané, do modo que você criou, mereça sair ele mesmo assustado do cemitério e, obviamente, sem seus sonhados tostões.

    No entanto, como autor, você optou por deixar o personagem ileso. E mais, ele recebe toda a quantia que lhe devem, passando assim à categoria de “espertalhão”. Veja bem, a escolha não é ruim e, é até pertinente. Nesse caso, porém, seria necessário (a meu ver), que, assim como Chicó (de Suassuna), toda a narrativa fosse construída no sentido de criar no leitor uma espécie de empatia para com o personagem. Assim, ao contrário de torcer para que o protagonista fosse vítima de uma lição, o leitor embarcaria com você em uma viagem divertida, pensando: Mas que malandro! O que ela vai aprontar agora?

    Entenda que as impressões acima são minhas. E, ditas de forma a discutir um pouquinho essa arte onde todos aprendemos todos os dias e o tempo todo.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  42. Roselaine Hahn
    7 de agosto de 2017

    Olá autor, gostei do seu conto, bem proseadinho, um texto gostoso de se ler. Não encontrei problemas gramaticais, apenas acho que em “apenas um comentário a voz baixa” tem crase, néh? (sim, eu tb. as economizo, rsrs). Vc. conseguiu segurar o rojão de toda a narrativa na linguagem mais regional, ponto positivo. O enredo em si não é dos mais mirabolantes, mas convence pela graça da muquiranice do protagonista. Parabéns, sorte no desafio. Abçs.

  43. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: Quanto à escrita nada a apontar, não peca nem por falta de revisão; Tem um bom enredo e criatividade também; O problema está na adequação ao tema, não a encontrei. Ainda tive esperança quando os filhos apareceram à porta coma resposta do pai, mas afinal foi para pagar. Isso desiludiu-me um bocado. O uso do megafone para assustar não foi suficiente para dar o tom; A leitura foi agradável, mas teria preferido ler este conto noutro contexto que não o proposto.

  44. Evandro Furtado
    5 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    O conto consegue trazer um estereótipo bem interessante que é engraçado em si. Não é que o tal do Marcelino é pra lá de hilário? A apropriação que fez do caboclo malandro foi genial, autor(a). Ir pro fundo da casa e imitar fantasma? Isso não tem preço. “Paga o Mané que eu tô sofrendo”. Ri litros por aqui. Um dos contos que melhor se aproximou do tema até aqui e, com certeza, o mais engraçado.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3, Comédia Finalistas e marcado .